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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS JURIDICAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS BACHARELADO EM DIREITO

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS JURIDICAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS BACHARELADO EM DIREITO DIREITO ROMANO MANUELA BRAGA FERNANDES MAGDALA CRISTINA BUARQUE DO MONTE 20160145040

ENVIO DO RELATÓRIO SOBRE OS EPISÓDIOS DA SÉRIE ROMA

DESCRIÇÃO:

A ideia da atividade é que, assistindo os episódios disponibilizados você possa fazer relações com a matéria trabalhada em sala de aula. Para guiar a produção textual tome como referências o roteiro de perguntas a seguir, sem prejuízo de ir além do que é questionado quando perceber outros pontos de debate. 1) A série se inicia em que período da história de Roma? 2) Que poderes têm os cônsules César e Pompeu? 3) Quem é o sobrinho neto de César, Otávio? 4) Quem é o general Marco Antônio? 5) Ao ser capturado em território estrangeiro, Otávio é tomado como escravo. No entanto, com ajuda de Lucius e Tito, ele consegue liberdade. Pelo regime jurídico do direito das pessoas o que pode ter acontecido com seu status libertatis e status civitatis? 6) Marco Antônio assume uma importante magistratura. Qual é ela? 7) Quando confronta Crito, o pai do filho de Vorena, Lucius diz que sua filha é sua propriedade e ele deveria ter sido consultado. Que instituto jurídico lhe dá poder de propriedade sobre sua família? 8) Mais tarde na história, na iminência da guerra, Lucius fala que não pode morrer ainda, pois “quem vai jogar vinho sobre meu túmulo?”. A que ele se refere?

A historia apresentada acontece no principado(27a.C. a 235a.C.), periodo no

qual há a crise na república e contestação das pretensões políticas do poderes dos

generais/cônsules. Este período apresenta-se como a transição da República

Romana e a fase de instauração do império romano. Nesta transição, apresentam-

se duas figuras importantíssimas para a primeira aliança política do principado, o

general Caius Iulius Caesar e o cônsul Gnaeus Pompeius Magnus.

César aparece sob a imagem de um ditador populista, onde insere-se na

república romana, como um cônsul. Sua aliança com Pompeu surge com o

casamento de sua filha, Júlia. Vale salientar que casamentos em Roma eram fatores

determinantes que se inseriam em situações que variavam desde o crescimento da

cidade, até acordos políticos. Casamentos como os da filha de César com Pompeu, serviram de acordo políticos de divisão de poder e propriedades.

A crise na relação de poder entre César e Pompeu acentua-se com a morte de Júlia, bem como a do cônsul Marcus Licinius Crassus (César, Pompeu e Crasso, formaram o primeiro triunvirato) e culmina quando Pompeu alia-se ao senado romano, visando a retirada de César do poder.

Pompeu era o cônsul responsável pela República Romana, onde seu poder tinha equilíbrio com o de César, por ser politicamente dividido de forma à manter a ordem em Roma. César e Pompeu intentavam assumir o poder supremo: Pompeu, galgava o poder com o consentimento do Senado republicano; César visava o mesmo fim com a implantação da monarquia através de sua conjuntura ditatorial, dada a instauração permanente da mesma(o posterior dominato). Quando, em 49 a.C., César atravessa o Rubicão e invade Roma, dá-se, então, a derrota de Pompeu e seus partidários. Entre 48 e 44 a.C. data não especificada ao certo dá-se o assassinato de César, onde seu sobrinho neto Otávio, recebe em testamento seu patrimônio, bem como a herança política.

Otávio chegou a ser capturado quando encontrava-se à caminho do acampamento do tio, César, se tornando, ainda que temporariamente, escravo, sendo posteriormente, salvo por Lucius e Tito.

Noutro ensejo, Lucius, centurião da guarda real, aparece sob a figura do pater famílias, o qual exerce o pátrio poder poder de vida e de morte sobre aqueles que se encontram sob sua potestas. Vorena, sua filha, estando sob a potestas de Lucius não tem direito nem mesmo sobre seus próprios bens, onde, na verdade, não se identifica Vorena como pertencente de bem algum. Vorena é um indivíduo alieni juris, mesmo tendo mais de 14 anos, ainda vive sob a potestas do pai. Neste momento histórico, Lucius faria o arranjo do jus cunubii em regime cum manu, onde Vorena iria sair da potestas do pai, passando a ser da potestas do marido. A esposa de Lucius apresenta vantagem no casamento da filha, pois a família de Crito apresenta uma boa estruturapara o recebimento de Vorena.

Os jurisconsulios dos séculos XVII e XVIII, em sua quase totalidade, consideraram o casamento romano um contrato, fixando-se, geralmente, no de sociedade.(ALVES, 2014. P 637)

Se o casamento não se enquadrasse nas prerrogativas jurídicas do direito romano, se tornaria nulo para o casamento ser legítimo, Jus Conubii: consentimento, puberdade e conubium.

(O casamento é legítimo se entre os que o contraem existe conubium, e se o homem é púbere e a mulher é nubil, e se um e outro, se são sui iuris, consentem, ou, se alieni iuris, também seus pais)(ALVES, 2014. P 647)

Pouco mais tarde na narrativa, apresenta-se a iminência da guerra, na qual

Lucius fala que não pode morrer ainda e questiona: “quem vai jogar vinho sobre meu túmulo?”. Neste momento o centurião referia-se ao rito fúnebre, no qual a família o perceberia como ainda vivo e lotados de necessidades. A religião romana era doméstica e o culto religioso servia para confirmar o patriarcado, tendo em vista que o líder da religião é o pater, o que transforma este culto religioso numa forma de confirmação da sua posição como líder de família. O culto religioso basearia-se nos mortos, pois, apesar do corpo ter perdido a sua vida, algo sobreviveria post mortem, observando no morto as necessidades que possuía quando vivo(alimentação,

O banquete fúnebre torna-se, então, uma imposição religiosa,

uma regra de conduta moral e social, sendo uma espécie de herança de

confirmação da estrutura patriarcal encontrada em Roma.

escravos, cavalos

).

Retornando à situação de Otávio e sua captura, observa-se que, momentaneamente, houve a perda do status libertatis, por ter sido capturado em situação de guerra. Como entre Roma e outro Estado não havia nenhum tratado de amizade, se capturado, o indivíduo tornar-se-ia escravo do estrangeiro, seus direitos em Roma ficariam temporariamente suspensos, onde no caso de fuga de cativeiro, seus direitos seriam readquiridos pela postliminium.

No direito romano, os homens ou são livres, ou escravos. A liberdade é a regra: a escravidão é a exceção. um e as do ius ciuile. As primeiras perduraram durante toda a evolução do direito romano; as outras não: sofreram modificações. 1 - Causas do ius gentium. Eram duas: a captura pelo inimigo e o nascimento. Quanto à captura, podia ela ocorrer em tempo de paz ou de guerra. Na paz. quando entre Roma e outro Estado não havia tratado de amizade; na guerra, o vencedor escravizava o vencido. Se o capturado era estrangeiro, tomava-se escravo do romano; se romano, do estrangeiro. Demais, não tendo personalidade juridica, se um cidadão romano fosse reduzido á escravidão, por captura, seus direitos em Roma ficavam em suspenso; se ele conseguisse fugir e voltar ao território romano, readquiria-os em decorrência da ficção do postliminium, pela qual era ele considerado como se jamais tivesse sido escravo: se, porém, morresse escravo, a Lei Cornelia, de 81 a.C. - e isso para evitar

graves conseqüências em matéria de sucessão hereditária - criou outra ficção: considerava-se o cidadão romano como tendo morrido no instante da captura, ou seja, quando ainda era livre.”(ALVES,2014. P 105)

A herança de César tinha, em si, dois herdeiros(leia-se:interessados) diretos:

Caio Otávio, seu sobrinho e Marco Antônio general romano, tido como principal

aliado de César. Marco Antonio apresentava em suas aspirações ser o substituto

imediato do imperador, pela mantença do poder político conquistado por seu aliado.

A morte de César, acarretou na criação de uma nova magistratura, formada por

Otávio, Marco Antônio e Lépido, o segundo triunvirato, que evoluiria depois para um

duunvirato. Esta divisão fez com que o poder se dividisse entre Otávio e Marco

Antônio, em magistraturas que abrangeriam o Ocidente e Oriente, respectivamente.

REFERENCIAS

ALVES, J. C. M. Direito Romano. 16ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2014

HELLER, Bruno; MILIUS, John; MACDONALD, William J. in: ROME.[Série-Vídeo]. Produção: Bruno Heller. HBO. EUA, 2005.