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Capítulo 1 A SpectoS fíSicoS dA pA le Stin A no tempo de Je S uS
Capítulo
1
A SpectoS fíSicoS
dA pA le Stin A no tempo
de Je S uS
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A o iniciarmos o estudo dos aspectos físicos da Palestina, vários fatos nos surpreendem de imediato, começan-

dirigidas pelo Senhor à Sião desolada: Até

mesmo os filhos da tua orfandade dirão aos

teus ouvidos: mui estreito é para mim este

do pelo próprio nome da região, que não é outro senão o que foi dado pelos filisteus, aqueles te- míveis e sanguinários inimigos de Israel. Mas,

lugar; aparta-te de mim, para que possa ha- bitar nele (Is 49.20). Ainda mais estranha parecerá a pequenez da Palestina se considerarmos a imensa exten- são dos impérios que a rodearam nas diferentes

por conta de algumas anomalias que a história

apresenta com vários exemplos, este nome,

que só deveria ter sido dado à parte sudoeste

épocas da história: ao norte, a Síria; a leste, a

daquela região, terminou por designar toda a Palestina. Outro fenômeno ainda mais surpreendente é a pequenez desse território, tão justamente célebre. No Antigo Testamento, a Palestina nos é apresentada como o escabelo dos pés do Se-

Caldéia, a Assíria e a Pérsia; ao sul, o Egito.

A região onde Jesus viveu é uma faixa da costa mediterrânea que se estende entre a Sí- ria meridional e o Egito. Ao longo dos séculos, essa região recebeu diferentes nomes e esteve limitada por diferentes fronteiras. Como o his-

nhor. Podemos dizer também que essa privile- giada região tem sido o apoio (o escabelo) para os pés de Jesus, pois foi ali que o Verbo eterno encarnou e dignou-se a passar quase toda a sua existência humana. Dessa forma, a Palestina, depois de ter sido centro e cenário da revelação

toriador grego Heródoto, hoje a chamamos

Palestina, e seus limites são em parte naturais,

em parte convencionais. Sua área territorial tem variado muito.

uma rEgião dE ExtrEmas dEmarcaçõEs

judaica, tem tido a glória mil vezes maior de ser

cenário e centro da revelação cristã. É uma região muito pequena se a exami- narmos do ponto de vista puramente natural. O tamanho da Palestina tem sido um mistério. Dizem que o famoso orador romano Marcos Túlio Cícero fez a seguinte observação desde-

A Palestina tem limites naturais: a oeste, é demarcada pelo Mediterrâneo, e a leste, pela Jordânia. Seus limites naturais ao norte e ao

sul não são exatos. Mas ao norte ficam bastante

assinalados pela cordilheira do Líbano, que desce paralela ao Mediterrâneo, sendo um pon-

nhosa: “O Deus dos judeus deve ser um Deus

to avançado do monte Hermom. O desfiladeiro

pequeno, pois deu ao seu povo um território

entre o Hermom e o Líbano pode ser conside- rado o limite norte da Palestina. Ao centro, o limite geográfico está representado generica- mente pela Iduméia e pelas regiões desérticas

muito pequeno”. Sem levar em conta a auten- ticidade ou não desse texto, o certo é que a terra dos judeus, a terra de Jesus, é uma re- gião realmente muito pequena. Parece que Isaías se referiu a isto quando, contemplando o futuro messiânico, pronunciou estas palavras,

que se estendem imediatamente ao sul de Ber- seba e do mar Morto. Estes dois limites ao norte e o limite meridional são mencionados

Enciclopédia da Vida dE JEsus

E nciclopédia da V ida dE J Esus Vista panorâmica da planície de Genesaré (Mt 14.34)

Vista panorâmica da planície de Genesaré (Mt 14.34)

freqüentemente no Antigo Testamento com a

expressão de Dã até Berseba, referindo-se à Palestina habitada pelos hebreus.

a ExtEnsão dE sua supErfíciE

A longitude (norte–sul) da Palestina é de

  • 470 km. Sua largura (leste–oeste) é de 135 km.

A superfície total de seu território é de 27.000

km 2 .

fEnômEno gEológico

A região inteira, em suas duas porções assi- naladas, está dividida em um profundo vale so-

bre o qual corre o rio Jordão e que constitui um

fenômeno geológico único no mundo. Esse vale, que se prolonga do Tauros à Celessíria, afunda

cada vez mais à medida que se entra na Palesti-

na, alcançando sua maior profundidade no mar Morto, e continuando ao oriente da península

do Sinai, chega ao mar Vermelho. Na altura de Dã, seu nível se mantém em

  • 550 m sobre a superfície do Mediterrâneo, mas

10 km depois, no lago de El Hule, o nível da água

é só de 2 m sobre o nível do mar, e outros 10 km além, no lago de Tiberíades, o nível da água che- ga a 208 m abaixo do nível do mar, e o fundo do lago está 45 m mais baixo ainda. Finalmente, na embocadura do mar Morto, o nível de água é de

  • 394 m inferior ao Mediterrâneo, e o fundo do

mar Morto (cuja água tem o maior nível de sali-

nidade do mundo), está 793 m abai- xo do nível do Mediterrâneo, consti- tuindo a mais profunda depressão continental do planeta.

origEm, importância E traJEto do rio Jordão

Esse vale singular é corta - do em sua longitude pelo único rio importante da Palestina, o

Jordão, que nasce no Hermom, e

depois de formar os já citados la -

gos El Hule e Tiberíades deságua

no mar Morto e morre nele, sem chegar a

despejar-se no oceano. Desde a confluência de seus vários mananciais até o lago de El

Hule, o Jordão percorre uns 40 km.

O lago de El Hule, cuja profundidade varia

de 3 a 5 m, mede cerca de 6 km de comprimento. Ao sair deste lago, o rio Jordão, depois de uma

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O rio Jordão em sua trajetória serpenteante rumo ao mar Morto

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aspEctos físicos da palEstina no tEmpo dE JEsus

rápida descida de 17 km, forma o lago de

Tiberíades, chamado antigamente de

Genesaré ou mar da Galiléia. Esse lago, de forma quase oval, tem uma largura máxima de 12 km e 21 km de compri- mento. É a grande reserva hídrica de Israel. A partir do ponto em que deixa o lago de Tiberíades até desaguar no mar Mor- to, o Jordão percorre 109 km, embora seu curso real ultrapasse o dobro por causa da tortuosidade do seu leito. Em suas origens, o Jordão tem uma largura

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus rápida descida de 17 km,

Rio Jordão, uma das mais significativas presenças na história do povo judeu

ma três lagos de diferentes dimensões: ao norte,

forma o lago que foi chamado antigamente de Merom, o qual os árabes chamam hoje de El

Hule; mais abaixo, forma o célebre Tiberíades

ou mar da Galiléia, admirável e muito famoso na vida pública de Jesus e que será descrito

mais adiante; ao sul, aumenta o volume de água

do mar Morto, onde desaparece. Em sua margem esquerda, o Jordão recebe

dois afluentes principais: o Hieromax ou Yar- muk, em sua saída do grande lago da Galiléia, e o Jaboque ou Nahr-ez-Zerka. Depois das chu- vas do inverno e da primavera, quando as neves do monte Hermom começam a derreter, o Jor- dão transborda habitualmente, mas sem causar danos, por causa da forma do seu leito em sua parte mais meridional. Conforme já dissemos, o Jordão corre por um verdadeiro vale de 13 a 20 km de largura, com terraços escalonados aos seus lados que, pouco a pouco, foram formados pelas águas que escavam o solo e arrastam as terras. Os árabes têm-lhe dado o nome de Ghor (fenda). O leito

do rio tem apenas 20 m de largura. Próximo às

suas margens, cresce densíssima vegetação formada de tamarindos, álamos e outras árvo- res. No período da seca, pode-se atravessá-lo em vários pontos, dos quais existe um em fren-

te a Jericó.

as partEs distintas da palEstina

Tomando conhecimento desses pormeno-

média de 25 m e uma profundidade de 2 a 3 m, deslizando entre margens cobertas de uma ve- getação silvestre. Mas, a 10 km do mar Morto, a vegetação diminui, a água se torna salobra, e a corrente menos profunda e mais larga uns 75

m.

O vale do Jordão atravessa a Palestina de norte a sul e tem o rio Jordão como sua artéria. O rio corre paralelamente às duas cadeias de montanhas à direita e à esquerda. Em uma ca- racterística, é único no mundo: extraordinaria- mente tem sua fonte principal ao pé do grande

Hermom, a 563 m acima do nível do mar, e

quando deságua no mar Morto atinge 392 m abaixo do nível do mar. Isso dá uma diferença

de quase mil metros de sua origem até sua desembocadura, numa distância de menos de 150 km em linha reta. Mas essa distância se alonga consideravelmente por infinitos cami- nhos, sobretudo depois que o rio sai em direção

ao lago de Tiberíades, embora entre este lago e

o mar Morto não haja mais do que 100 km de

distância em linha reta. O Jordão, por seus caprichosos rodeios, percorre mais de 300 km. Compreende-se, com isso, a rapidez com que ele se precipita na enorme fenda que lhe serve de leito. Seu nome significa precisamente ou exatamente aquele que desce.

os lagos formados pElo rio Jordão

Ao longo de seu percurso, o rio Jordão for-

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus rápida descida de 17 km,

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a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus rápida descida de 17 km,

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E nciclopédia da V ida dE J Esus Rio Jordão. Local tradicionalmente apontado como aquele em

Rio Jordão. Local tradicionalmente apontado como aquele em que João Batista batizou Jesus (Mt 3.13)

res, podemos compreender quão grande é a

importância geográfica do rio Jordão para a Terra Santa. Ele divide a Palestina em duas

partes bem distintas, que se chamam Palesti- na Cisjordânica, a oeste; e Palestina Transjor - dânica, a leste. Outra parte, a fertilíssima planície de Es- drelom ou de Jizreel — que se estende em for- ma de triângulo entre a cadeia do monte Car-

melo, os montes de Samaria, as colinas meri-

dionais da Galiléia e o monte Tabor — corta a

região de leste a oeste em quase toda a largura da Palestina Cisjordânica. No tempo de Jesus, enquanto a Judéia e sua capital, Jerusalém, representavam o autêntico centro do judaísmo, Samaria era um fla- grante contraste étnico e religioso. Os samaritanos descendiam dos colonos asiáticos importados para aquelas regiões pelos assírios em

fins do século VIII antes de Jesus

Cristo. Esses colonos tinham se misturado com os proletários isra-

elitas que ficaram ali. Sua religião,

que a princípio fora em sua essên-

cia idólatra com uma leve tintura de jeovismo, foi purificando-se com o passar do tempo e, no final do

século IV a.C., os samaritanos ti- nham o seu templo próprio, cons- truído sobre o monte Gerizim. Para eles, naturalmente, este era o único

lugar onde se deveria render culto autêntico a Jeová, em contraposição ao templo judaico de Jerusalém. Os samaritanos consideravam-se genuínos descendentes dos antigos patriarcas hebreus e

os verdadeiros depositários de sua fé religiosa. Este foi o motivo das raivosas e contínuas hos- tilidades entre samaritanos e judeus, ainda mais porque Samaria era lugar de passagem

obrigatória para quem ia à Galiléia e à Judéia.

Essas hostilidades, freqüentemente registra- das nos documentos antigos, não cessaram, e ainda se perpetuam entre os samaritanos que habitam ao pé do monte Gerizim.

as célEbrEs cidadEs da transJordânia

A Transjordânia, montanhosa em quase sua

totalidade e antigamente coberta de bosques e muito bem regada, nunca foi ocupada comple- tamente pelos hebreus. Antes da colonização helênica, residiram ali povos de origem aramai- ca, sobretudo na parte setentrional. Com o he- lenismo, instalou-se solidamente na região o elemento grego, representado principalmente no tempo de Jesus pela chamada Decápolis,

formada por um grupo de cidades helenísticas ou helenizadas, que talvez constituíssem entre

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Aldeia da Palestina onde sua população continua falando o dialeto aramaico

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aspEctos físicos da palEstina no tEmpo dE JEsus

si uma espécie de confederação e cujo número variava conforme as épocas, geralmente em torno de dez, daí o seu nome, Decápolis.

Dessas cidades, só Citópolis (a

antiga Betisam, hoje Bensam) es - tava situada aquém do Jordão. As

demais estavam na Transjordânia.

As mais célebres delas eram: Da-

masco, ao norte; Hipos, na mar - gem oriental do lago de Tibería- des; Gadara, Gerasa, Pella e Fila- délfia. Algumas daquelas cidades

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus si uma espécie de confederação

Cidade palestina de Aim-Karen (nome atual), onde João Batista nas- ceu

ticamente só há nela duas estações: o inverno,

a estação das chuvas, que vai de novembro a

abril, e o verão, o período de seca, que vai de maio a outubro. No verão, as chuvas são ra - ríssimas. Mas as chuvas do inverno superam,

em quase todo o território, a medida de 600

milímetros. A temperatura varia de acordo com os luga- res. No vale do Jordão, muito profundo e es-

treito, é quase sempre maior que nas outras

regiões e, às vezes, aproxima-se dos 50ºC. Na costa mediterrânea, a temperatura média in-

haviam sido subjugadas pelo as - modeu Alexandre, o Grande, mas Pompeu, por

volta do ano 63 a.C., devolveu a elas sua liber - dade. Cada uma dessas cidades possuía ao seu

redor um território autônomo mais ou menos

grande, constituindo, por sua vez, pequenos

territórios helenísticos em regiões habitadas

pelos judeus e dominadas pela monarquia ju- daica.

condiçõEs climáticas da palEstina

A Palestina é uma região subtropical. Pra-

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Cidade de Betfagé, no vale do Jordão (Mc 11.1)

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus si uma espécie de confederação

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E nciclopédia da V ida dE J Esus Vale de Esdrelom, visto da montanha do Armagedom

Vale de Esdrelom, visto da montanha do Armagedom

vernal é de 12 graus. Na primavera, é de 18ºC, no verão é de 25ºC, e no outono é de 22ºC. No interior, é um pouco mais baixa. Em Jerusalém, que está a uns 740 m acima do nível do mar, a temperatura média anual é de quase 16ºC. A média de janeiro é de quase 10 graus, e a de agosto é de quase 26ºC. A temperatura máxima raramente alcança os 40 graus, mas a mínima chega com freqüência a menos de zero. Em Nazaré, a uns 300 m acima do nível do mar, a temperatura média é de 12 graus. A mé- dia de janeiro é de quase 11ºC, e a de agosto de quase 27 graus. As temperaturas máximas as- sinaladas se aproximam dos 40 graus, e só ex- cepcionalmente chegam abaixo de zero. A neve é muito rara, mas cai algumas vezes

em janeiro. Também é muito raro o orvalho

noturno. Na primavera e no outono, são fre- qüentes o vento morno do leste, o chamado si- roco, e o do sudoeste, o simum, ambos muito prejudiciais à agricultura e à saúde dos habi- tantes. Os assírios representavam esses ventos sob a forma de horríveis monstros. Pelo que parece, não há grandes diferenças entre o clima da Palestina na antigüidade e o clima que existe hoje lá. Em contrapartida, existem muitas diferenças, e todas para pior, com relação à fertilidade do solo. A causa dessa decadência se apóia no abandono da agricultu- ra e na sistemática derrubada dos bosques, praticada durante o longo domínio muçulmano. Porém, em alguns lugares isolados, existem al-

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aspEctos físicos da palEstina no tEmpo dE JEsus

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus Pescadores no lago de Genesaré,

Pescadores no lago de Genesaré, vendo-se ao fundo o monte Hermom

gumas amostras da fecundidade do solo, como,

por exemplo, em Cafarnaum e em Tiberíades,

ao longo da margem noroeste do lago, que é a

região descrita com tanta e tão justificada admiração pelo historiador Flávio Josefo.

Também em outros pontos

onde se tem organizado por meios

racionais trabalhos agrícolas e de

reposição florestal, reaparece a

fertilidade da antiga Terra Prome- tida, que já foi biblicamente um

lugar onde manava leite e mel. Tal é a configuração geral da

região de Jesus do ponto de vista

físico. O seu aspecto é sumamente variado, sobretudo levando-se em conta o seu pequeno tamanho. Ne- nhuma outra região da terra re- presenta tantos fenômenos e con- trastes surpreendentes: a zona

montanhosa e gelada do Líbano e do Hermom

confinando com a região tropical do baixo Jor -

dão; a região marítima em contraste com a do

deserto. Em menos de 48 horas, pode-se visi-

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus Pescadores no lago de Genesaré,

Monte Hermom, com o seu cume coroado de neves eternas (Sl 133.3)

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus Pescadores no lago de Genesaré,

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E nciclopédia da V ida dE J Esus Jerusalém. Porta Dourada tar as quatro sem dificuldade.

Jerusalém. Porta Dourada

tar as quatro sem dificuldade. Os relatos evangélicos, sempre fiéis, citam

com freqüência, em notas acessórias, esta va- riedade. Quando a oportunidade se apresenta, os evangelistas mencionam os montes, os vales, as correntes de água, as planícies e ribeiras marítimas, o deserto, os lagos, as fontes e os demais elementos naturais da Palestina com os quais o Salvador esteve em contato. O terreno é muito irregular, e o viajante que o percorre continuamente deve subir e descer para voltar

a subir e voltar a descer de novo. Quem contará as encostas e as escarpas que

terá de transpor (a pé, a cavalo ou em uma boa

carruagem) para ir de Hebrom a Nazaré pelo

caminho que une as duas cidades; ou de Nazaré a Tiberíades, de Tí- beríades a Safede, de Tiberíades a Habanias ou ainda mais ao norte?

A linguagem expressiva e sempre exata dos evangelistas está perfeitamente ajustada a esta realidade, que a cada passo se re- nova. Assim, falam de subir a Jeru- salém, de descer de Caná a Cafar- naum, de descer de Cafarnaum a Jericó etc. Esses narradores ja- mais são pegos em alguma falta.

Conhecem perfeitamente o terri-

tório que descrevem.

A diversidade de que falamos tem sido verdadeiramente provi - dencial. Como a Bíblia e o evan - gelho foram dirigidos ao mundo inteiro, convinha que suas carac - terísticas geográficas estivessem ao alcance dos habitantes de to - das as regiões. Ora, nenhum lu - gar da terra foi tão bem prepara - do como a Palestina a fim de pro - porcionar ilustrações para livros que deveriam ser lidos e compreen- didos ao mesmo tempo por pesso - as do Ocidente e do Oriente, ensi - nando a verdade tanto aos habi -

tantes dos trópicos como aos das

regiões polares.

paisagEns modificadas pElo homEm

Apesar de tanta variedade, as paisagens da

Terra Santa são normalmente pouco apreciáveis

no que se refere a belezas naturais. O aspecto exterior da região não tem nada de romântico, nada que deleite a vista. Se ficamos impressiona- dos, isto ocorre muito mais pelas grandes recor- dações que a região desperta, especialmente por estarem ligadas à vida de Jesus. A monotonia da paisagem é seu caráter ha- bitual. A cor cinzenta das rochas, que surgem do solo por quase todas as partes, a falta de

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aspEctos físicos da palEstina no tEmpo dE JEsus

a spEctos físicos da p alEstina no tEmpo dE J Esus Deserto da Judéia árvores, a

Deserto da Judéia

árvores, a ausência de verdor durante parte considerável do ano, os leitos secos e pedregosos devido às enxurradas de inverno, as formas semelhantes dos cumes redondos e desnudos dão certa- mente poucos motivos para deleites quando os contemplamos durante longas horas. Mas, repetimos, esta é a terra de

Jesus! E este pensamento que nos inun- da o espírito e o coração põe tonalidades cor-de-rosa, azul, verde e dourada em muitos desses lugares! Surpreendem-nos também as mu-

danças súbitas; um vale se estende, uma

montanha se afasta e desvia-se das de- mais, tomando certa forma estranha. Isto produz agradável impressão! Por exem- plo: vindo de Nazaré e passando por Caná, divisam-se Tiberíades e o seu ma- ravilhoso lago ao fundo da graciosa con-

cha que os encerra. Isto é belíssimo e

gratificante! A vista é muito bonita em

Naplusa, ao pé do monte Gerizim. Sobre

o cume do Carmelo, em Caifa; na região

de Hermom, sobre o monte das Oliveiras,

aérea do deserto da Judéia

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Vista

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em Jericó, existem paisagens belíssimas!

Deixemos, porém, de lado esse aspecto estéti- co da Terra Santa, ao qual os evangelhos em ne- nhuma parte fazem alusão. Digamos tão-somente que a alma divinamente sensível do Salvador sentiu por essas belezas da natureza um atrativo que pode ser percebido claramente nas narra- ções evangélicas que nos contam sua vida. E va- mos concluir este quadro recordando a posição

central que a Palestina ocupa no mundo antigo.

Assim diz o Senhor Jeová: Esta é Jerusa - lém; pu-la no meio das nações e terras que

estão ao redor dela (Ez 5.5). Foi isto que disse o Senhor pelo profeta Ezequiel. Essa situa - ção tinha importância especial, posto que desta terra bendita e privilegiada, deste cen - tro da verdadeira religião, deveria partir a boa nova do evangelho para todas as direções do mundo.

E nciclopédia da V ida dE J Esus em Jericó, existem paisagens belíssimas! Deixemos, porém, de
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Composta de mais de mil páginas, a Enciclopédia da Vida de Jesus reúne todas as informações essenciais sobre nosso Salvador e Sua pátria terrestre. A Sua história é abordada em quatro volumes:

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Louis-Claude Fillion foi um teólogo judeu-francês, pertencente a uma ilustre família, que se converteu a Cristo no século 19. Ele foi um dos mais profundos conhecedores das Escrituras em toda história do cristianismo. Além da Enciclopédia da Vida de Jesus, ele é o autor de outras riquíssimas obras, como: o Comentário Geral da Bíblia; o Atlas Geográ co da Bíblia; a História dos Milagres de Jesus e a Enciclopédia Popular de Cultura Bíblica, também publicada pela Editora Central Gospel.

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Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22713-001 PEDIDOS: (21) 2187-7000 www.editoracentralgospel.com

ISBN: 978-85-7689-521-3

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