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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ UFPA INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS- ICSA FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL - FASS Aluno: 1 Clodomir dos Santos Araújo Disciplina: Economia Política Professor: Ms. 2 Pedro Henrique Carvalho Brandão Resenha A História Da Riqueza Do Homem Leo Huberman Do 1º ao 3º Capítulo.

INTRODUÇÃO:

Como incita o autor - logo no prefácio de sua obra - seu objetivo ao redigi-la é de explicar

a História através do estudo da Economia e, por conseguinte, realizar ou recriar os

elementos norteadores sobre a matéria de Economia, através de uma análise histórica e política. Contudo, se percebe de forma clara que, Huberman, se utiliza de uma perspectiva habitualmente empregada por vários outros autores com orientação marxista, à qual ele dignamente seguiu. E, embora certos pormenores, como o risco de que - com sua proposta de estudo do fato histórico sob o lume do fato econômico - possamos cair em uma prática de reducionismo sobre um tema deveras amplo e cheio de meandros, é irrefutável a intenção deste nobre autor - qual pela fácil leitura já o coloco entre meus preferidos - em apreciar de forma critica todo o período compreendido entre o início do medievo, Séc. X, e

as primeiras décadas do século XX, feito de maneira bastante didática e ilustrada de forma

simples por vários exemplos, retomando uma série de acontecimentos que foram e são fundamentais para a compreensão da economia política em sua historicidade, bem como seus liames e meandros com o modo de produção material de uma dada sociedade, no início, predominantemente agrícola, destacando logo de cara, a ilusão cinematográfica distinta, como sempre, da realidade social além de sua preocupação na formação de discentes em Economia, por terem tido parte importante de sua formação retirada da grade curricular.

PARTE I: DO FEUDALISMO AO CAPITALISMO

CAPÍTULO I:

1 Discente do Curso de Serviço Social, 3º semestre, da Faculdade de Serviço Social da UFPa. 2 Graduado em Economia pela UFPa (2014) e mestre em Desenvolvimento Econômico Regional pelo Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade Federal do Pará. Desenvolve desde a graduação pesquisa com ênfase em finanças do setor público, federalismo e sistema de crédito capitalista.

Sacerdotes, guerreiros e trabalhadores.

Logo no início de sua obra, Huberman 3 se propõe a estudar a história econômica e a história mais geral da sociedade pré-capitalista, conhecida como feudal ou período feudal. Segundo o próprio autor, o Medievo, período engendrado após o esfacelamento do todo poderoso Império Romano, possuía um sistema de sociedade extremamente estratificado, podendo facilmente ser classificado em três classes: a sacerdotal, dos que rezavam, a dos nobres, que guerreavam e a dos que efetivamente apenas trabalhavam e carregavam todos os demais as costas, a camponesa. Dentro dessa forma de economia essencialmente agrária, após o resfriamento do comércio e a descentralização política, o servo ou camponês colocava-se como sustentáculo da produção material que abastecia as duas classes privilegiadas - Nobreza e Clero. Sendo então que, a riqueza do homem, nestes tempos, resumia-se a um único fator: a terra. Dos servos, pelo uso deste fator de produção, eram cobradas, ainda, taxas como sempre abusivas, como a talha e a corveia, além do dízimo cobrado a ferro, fogo e rogo de pragas, pelos membros da “Santa Igreja”. É por conta dessa particularidade que Huberman chega a comparar e aproximar a situação de servos’ e a dos escravos’, já que ambos eram explorados economicamente, sofriam toda sorte de agressões e tinham a liberdade controlada, servindo apenas como pilar para o conforto de uma minoria abastada e geração de crias que garantissem a perpetuidade da situação e da reposição de mão de obra forte para reoxigenar o trabalho no campo. Contudo, a partir de levantamentos permeados entre algumas diferenças e dúvidas, fora resguardada certa distância entre ambos, posto que de acordo com o autor - ao contrário do escravo, o servo estaria fixo à terra e dela não poderia ser desmembrado, apenas trocando de senhorio, mas, observe bem: ele sequer poderia aventurar em outras terras, outros campos, sob pena de severas punições. Ainda nesta obra, destaca-se, também, dentro da primeira explicação sobre o contexto do período feudal, o poder e a importância da nem tampouco santa, ora denominada de Madre ora chamada de Santa: Igreja Católica. Grande responsável pela unidade cultural da Europa ocidental sob o signo da religiosidade

e

fé cristã, qual controlava o ainda conhecido discurso sobre um mundo para além da vida,

o

celestial, qual pelo que me consta e por pesquisas até hoje nenhum retornou para

confirmar sobre tal, então, a partir dessa premissa, do sofrimento abençoado posto que fosse desejo de Deus mesmo não sabendo que deus é esse que se prega - para purificar das ‘faltas’, a Igreja adquiriu enorme influência sobre as questões deste mundo, tornando- se a instituição mais rica e poderosa do período. Principalmente, embora não ter levantado

3 Leo Huberman (Newark, 17 de outubro de 1903 9 de novembro de 1968) foi um jornalista e escritor marxista norte-americano. Em 1949, fundou e co-editou a revista Monthly Review com Paul Sweezy.

no texto a questão, a “Santa Igreja” tornou-se forte devido muitos, findo o Império de Roma, permanecerem do lado da “madre” e fortalecerem os antigos grupos que a auxiliaram e a protegeram no período de expansão de Roma, qual, também ela, para cada cidade conquistada pelo império, lá fincava uma igreja para conversão dos infiéis e abocanhar sua parte. Dessa forma, tornou-se a igreja a instituição mais forte de todo esse período, alugando seu exército na defesa de reinos, e na conquista de outros, permanecendo com esse cetro maldito até os dias de então. Todavia, sempre falando em nome do divino e da salvação.

CAPÍTULO II:

Entra em cena o comerciante

Neste capítulo, Huberman disserta sobre o renascimento comercial no fim da Idade Média, acirrado, principalmente, após as cruzadas. Então, observando em relação ao período anterior o reaquecimento do comércio àquele posterior logo após o século XI ao XII - o autor nos explica a história da produção econômica em cada um destes períodos da era medieval. Dado um primeiro momento o capital acumulado pela minoria privilegiada isto é, pelos padres e guerreiros, era estático, imóvel ou improdutivo, pois era apenas acumulado e ou guardado, não servindo para financiar investimentos ou gerar ainda mais capital. Até porque, naquele momento da história, não havia ainda interesse em investir em excedentes produtivos, visto que o comércio estava enfraquecido. O Estado feudal era completo em si e produzia o suficiente para sua subsistência, dessa forma, tudo o que o mesmo necessitava e consumia, era produzido por ele próprio. Porém, tanto a produção de excedentes para as trocas quanto às condições em geral, como as infraestruturas, não favoreciam a atividade comercial: as estradas eram ruins e permeadas de ladrões, de saqueadores tal qual a realidade brasileira, seja pelas estradas seja pelos mares e rios Todavia, para proteger esses viajantes comerciantes dos infortúnios, as vilas ou feudos quais tais sinistros ocorressem, seriam punidos de forma a não poderem sequer participar das feiras periódicas ou qualquer outra que fosse. E, dessa maneira, para evitar tremendo prejuízo que todos os da localidade seriam acometidos, ficou o encargo do policiamento e proteção das caravanas pelo próprio feudo. Nesse momento surgia forte o dinheiro, como opção a baratear o custo e as dificuldades do transporte de diversas cargas, mas com uma grande variedade de moedas que circulavam que tornavam dificultosas as interações do comércio ora existente, surge então à figura do “cambista”, o que hoje é nossos agentes de câmbio. A partir do século XI, com as Cruzadas, que foram excursões organizadas pela Igreja para “reconquistar as terras sagradas dos tidos como infiéis, os islâmicos”.

Huberman sustenta um escopo econômico elipsado por esta finalidade “espiritual”, ou seja:

a real motivação para este evento seria, em verdade, conquistar mais terras, mais riquezas e poder. Qual permitisse de um lado tomar e, de outro, retomar o controle de importantes rotas comerciais e portos, como as rotas do Mediterrâneo. Com a reabertura dessas rotas, a importância do dinheiro enquanto instrumento de troca é reacendida. Antes deste período, as trocas baseavam-se essencialmente do escambo dos próprios produtos, uns pelos outros. Não fora mencionado no texto por não ser objetivo mas, um dos principais produtos que por décadas fora utilizado como moeda de troca, foi o sal. Percebe-se então um renascimento do comércio, agora não só mais na costa do Mediterrâneo, mas também dentro do continente europeu e também no sul - grandes feiras periódicas. Com uma economia mais complexa e com trocas comerciais mais numerosas e rápidas, o feudo autossuficiente aos poucos se converte em economia de mercado, em produtor de excedentes para trocas.

• CAPÍTULO III:

Rumo à Cidade

Retomando o assunto do capítulo anterior, a iniciativa de Huberman nesta parte da obra é de demonstrar como o crescimento em tamanho e, também, complexidade do comércio transformará o crescimento das cidades, mesmo aquelas que outrora eram esquecidas pela sociedade feudal, que, lembrando, era essencialmente ruralista. Com o crescimento dessas cidades e do quantitativo de negociantes e compradores, as feiras aumentam ano após ano, tanto de tamanho quanto na diversidade e com produtos cada vez mais variados, além de surgir constantemente novos países e ou reinos envolvidos na situação, tornando cada vez mais demoradas as feiras nos ‘entrepostos’ comerciais, indicando uma certa expansão comercial que mais logo viria superar a velha ordem socioeconômica medieval. O nobre autor traz ainda a noção de um “Burgo Extramural”, para explicar como essas pequenas feiras, organizadas pelos mercadores burgueses os que moravam nos burgos - aos poucos se expandem, atropelando os muros dos feudos em que eram realizadas. Os muros do Burgo representavam formas invisíveis impostas pelo sistema produtivo da sociedade feudal, estático, de fácil controle de toda produção e transação realizadas dentro deles, e que foram pouco a pouco sendo substituídos pelas novas dinâmicas de mercado. É importante lembrar que toda esta expansão ocorre em virtude do fortalecimento dos comerciantes, que então começaram a se organizar em corporações e ou ligas, como a

Hanseática 4 . Estas ligas possuíam regras rígidas, e monopolizavam as atividades mercantis, num trecho que compreendesse determinada localidade, por outro lado, afastava os que não fossem membros. Na busca por liberdade para desempenhar suas atividades econômicas, foi criado ligas, que passaram a exercer importante papel, de maneira a pressionar a elite medieval a reduzir e em alguns casos até isentar - impostos e a conceder proteção e incentivos ao comércio. A vista grossa parece surgir a partir daí a formação dos Estados modernos e de seus códigos de condutas. Destarte, percebemos também que, em contraposição ao panorama descrito no capítulo I, onde toda a riqueza se resumia na posse da terra, essa mesma agora foi substituída pela hegemonia do capital.

Referência Bibliográfica:

HUBERMAN, Leo. A história da riqueza do homem. 21. Ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

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Huberman Riqueza do homem História Economia Política.

4 A Liga Hanseática foi uma associação comercial de cidades (guilda), que surgiu no século XIII, durante a Baixa Idade Média, a 1ª no ano de 1241, a partir de um acordo entre as cidades alemãs de Hamburgo e Lübeck. Formou-se assim como outras ligas e associações, no contexto do renascimento comercial ocorrido neste período histórico. A palavra deriva do alemão, sendo que Hansa, na sua origem, designava a união de mercadores alemães com estrangeiros. O principal objetivo: aumentar o comércio entre os comerciantes das cidades associadas. Servia também para potencializar o poder de negociação com outras ligas ou regiões comerciais estrangeiras.