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Um Cartuxo

O ROSÁRIO DAS CLÁUSULAS

UMA LECTIO ORANTE COM NOSSA SENHORA

Um Cartuxo O ROSÁRIO DAS CLÁUSULAS UMA LECTIO ORANTE COM NOSSA SENHORA
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Cum licentia Superioris Ordinis.

Grande Chartreuse, 8 de março de 2010.

Dados referenciais do título editorial publicado em 2010:

O ROSÁRIO DAS CLÁUSULAS. Uma Lectio orante com Nossa Senhora,

ISBN 978-85-62219-03-0

Cultor de livros

Edição e publicação de livros 64 páginas e ilustrações a toda cor.

Rua Antonio de Godoy, 88 – 17º. andar – cj. 1717 CEP 01034-000 São Paulo (SP) Contacto: cultor.de.livros@gmail.com

Cum licentia Superioris Ordinis. Grande Chartreuse, 8 de março de 2010. Dados referenciais do título editorial

Ilustração da capa: Nossa Senhora, em virtude de sua mediação materna, convida os monges e monjas cartusianos –e neles a toda a Igreja– a fazer uma lectio orante ante o Pai, em seu Filho, na comunhão do Espírito Santo. Para tanto, lhes oferece seu santo rosário. É isto o que quer expressar a mensagem do ícone: “TODOS ERAM PERSEVERANTES NA ORAÇÃO COM MARIA, A MÃE DE JESUS, EM PRESENÇA DA SANTÍSSIMA TRINDADE”. Desenho de um monge cartuxo brasileiro. 2010.

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PRÓLOGO Como é bom e precioso descobrir o valor dum tesouro antigo conservado em nosso patrimônio,

PRÓLOGO

Como é bom e precioso descobrir o valor dum tesouro antigo conservado em nosso patrimônio, sua atualidade e fecundidade, fonte viva. A cada tempo o Senhor nos concede o que mais nos convém. Hoje para alimentar nosso amor pela oração ele nos sensibiliza para “a leitura orante da Bíblia” que nos conduz ao Senhor Jesus. Compreendemos o valor e o gosto do modo de oração, simples, repetitivo, litânico, às vezes chamado mantra. O Rosário da Virgem Maria, forma de oração humilde e popular, contém e destaca estes valores. Um dos caminhos de vivê-los é a oração do Rosário “com cláusulas” que foi cultivado na tradição cartusiana e é recomendado pela Igreja. “O baricentro da Ave-Maria, uma espécie de dobradiça entre a primeira parte e a segunda, é o nome Jesus. Às vezes, na recitação precipitada, perde-se tal baricentro e, com ele, também a ligação ao mistério de Jesus que se está a contemplar. Ora, é precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário. Já Paulo VI recordou na Exortação apostólica Marialis cultus o costume, existente nalgumas regiões, de dar realce ao nome de Cristo acrescentando-lhe uma cláusula evocativa do mistério que se está a meditar. É um louvável costume, sobretudo na recitação pública. Exprime de forma intensa a fé cristológica, aplicada aos diversos momentos da vida do Redentor.” 1 “A fim de favorecer a contemplação e para que a mente concorde com a voz, diversas vezes foi sugerido pelos pastores e pelos estudiosos restabelecer o uso da cláusula, uma antiga estrutura do Rosário que, aliás, nunca desapareceu completamente. A cláusula, que se harmoniza bem com a índole repetitiva e meditativa do Rosário, consiste numa proposição relativa que segue o nome de Jesus e relembra o mistério anunciado. Uma cláusula correta, fixa para cada dezena, breve no enunciado, em conformidade com a Escritura e a Liturgia, pode ser uma ajuda válida para a recitação meditativa do santo Rosário.” 2 O subsidio que nos é oferecido é uma partilha da Família Cartusiana do tesouro conservado em sua vida e tradição. São três exemplos do Rosário segundo a tradição das cláusulas. A inserção, no ciclo dos mistérios, da nova série dos “mistérios da luz” pode ser uma oportunidade e meio para retomar ou introduzir a oração do Rosário com cláusulas, ajudando a compreender melhor a natureza e as possibilidades da oração do santo Rosário. Como não podemos prestar atenção a tudo ao mesmo tempo, a oração do Terço é libertadora e não só liberta da necessidade da dar atenção a cada uma das palavras recitadas, mas a oração em cláusulas pode ajudar a superar o costume duma intenção em cada dezena, o que é válido, mas que pode desviar a atenção do mistério. O Rosário é uma oração contemplativa, contemplar Jesus nos seus mistérios com Maria. Sua monotonia o enriquece e o próprio terço em nossas mãos nos amarra e nos liberta. Além do ritmo de oração na vida cartusiana centralizado na Liturgia das Horas e na Missa de Comunidade, quantos rosários na oração pessoal e privada foram e são rezados pelos Cartuxos para eles e por nós Igreja de Jesus. Apresento com alegria e segurança este modo simples e rico de orar.

PRÓLOGO Como é bom e precioso descobrir o valor dum tesouro antigo conservado em nosso patrimônio,

+ Dom Paulo Moretto, Bispo de Caxias do Sul

  • 1 Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariæ, João Paulo II. 16-10-2002.

  • 2 Diretório sobre piedade popular e liturgia – Princípios e orientações. 17-12-2001.

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1.

UM CONVITE DA IGREJA AO ROSÁRIO DAS CLÁUSULAS

Toda oração do Rosário já é em si uma Lectio Divina, mas aquele que vai enriquecido por

cláusulas alusivas ao mistério contemplado acentua esse aspecto do Rosário. O Papa Paulo VI, guiado pelo espírito do Concílio de voltar às fontes de inspiração de toda vida cristã, em relação ao Santo Rosário, dirigiu à Igreja sua Exortação Apostólica Marialis Cultus em 1974, onde dizia:

É coisa conhecida que, exatamente para favorecer a contemplação e para que a mente estivesse sempre em sintonia com as palavras, se costumava outrora –e tal costume conservou-se em diversas regiões– ajuntar ao nome de Jesus, em cada Ave-Maria, uma cláusula, que chamasse a atenção para o mistério enunciado (nº.46).

Anos depois, em 2002, João Paulo II voltou sobre o mesmo tema na sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariæ, mas no Brasil tem sido pouco o material disponível sobre essa forma de oração do Terço com cláusulas de passagens da vida de Cristo e de Maria que está nas fontes de sua configuração. Que nós saibamos, em nossa língua, só se tem publicado um ótimo opúsculo sobre este tema, o do jesuíta alemão, Karl Josef Klinkhammer 3 . Depois de várias petições que nos foram feitas a este respeito, desejamos colocar aqui umas notas sobre a forma de rezar o Rosário com as cláusulas, acompanhadas das fórmulas originais, bem como da forma utilizada em alguns paises de influência alemã e, por último, a forma apresentada pelo monge cartuxo alemão, João Justo Landspérgio (†1489-1539). Antes de mais, para valorizar melhor esta forma da reza do Terço, é bom analisar brevemente o valor mesmo da oração cristã, para logo deter-nos em fazer um seguimento histórico do Terço, de sua configuração, e de como começaram a utilizar-se e difundir-se ditas cláusulas a partir da região do rio Reno.

  • 2. O VALOR DA ORAÇÃO CRISTÃ.

Sobre o primeiro ponto, o valor desta oração cristã, convém começar afirmando com Clemente de Alexandria (†217 aprox.) que: a oração é um diálogo com Deus 4 . Orar é, pois, conversar, ou, o que é o mesmo: é abrir o coração a um diálogo no qual o outro quer me transmitir algo, a fim de poder eu dar-lhe uma resposta. Numa síntese mais precisa, a oração, na Sagrada Escritura, é receber com docilidade a notícia da Boa Nova de Deus, para dar-lhe um retorno cordial. Maria, nossa Mãe, é Mestra insuperável desta conversa com Deus, pois, escutando tudo o que Jesus dizia e fazia, o guardava no seu coração, e uma vez ali conservado, o meditava e atuava conforme o contemplado (cf.Lc 2,19;51). No caso de Maria Imaculada a Palavra a fazia brilhar cada vez mais ante Deus; para nós, pecadores, essa mesma Palavra divina vai-nos limpando conforme no-lo assegura Jesus: Vós já estais puros, por causa da palavra que vos fiz ouvir (Jo 15,3). A meditação, pois, da vida do Redentor e da sua Mãe, no Terço, converte-se assim numa forma simples de fazer uma leitura orante com nossa Senhora; deste modo, a Palavra de Deus vai descendo desde a concepção intelectual até a medula de nosso espírito (cf.Hb 4,12), a nosso coração. Nela, a lectio é feita pelo mistério lembrado; a meditatio, pela reflexão sobre ele; a oratio, pelo impulso até Deus, e a contemplatio, pelo repouso e abandono nas mãos de Deus que tal mistério nos suscita. No Rosário, esta faceta da lectio vai unida à oração litânica. Qual a vantagem –podemos perguntar–, não seria melhor ficar em silêncio após contemplado o mistério? Certamente, mas se somos sinceros teremos que dizer que muitas vezes isso não passa da teoria. Sim, a agitação de pensamentos nos invadem e é então quando precisamos de uma âncora que a fixe e permita a nosso coração ficar unido ao do Senhor. Como fazer isso? Com as palavras claras e fortes de uma oração litânica 5 .

3 O Rosário. O Terço. A sua origem e a sua intenção primordial. Secretariado Nacional do Rosário. Fátima, 1998.

  • 4 Stromata 7ª, 456b.

  • 5 Sim, não somos anjos, Jesus mesmo o sabia e, por isso, além de nos ensinar que não devemos multiplicar nossas palavras na oração, Ele mesmo nos ensinou a orar utilizando a oração vocal do Pai- nosso. Quando rezamos esta fórmula, algumas vezes pode-nos atrair o seu conteúdo, ao pormenorizarmos

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3.

A SUAVIDADE DA ORAÇÃO LITÂNICA MEDITATIVA

Se agora passamos a deter-nos um pouco sobre como esta oração, ao mesmo tempo litânica e meditativa, começou na Igreja, talvez tenhamos que remontar aos Padres do Deserto –alguns dos quais não sabiam ler, ou não dispunham de uma Bíblia particular–; eles faziam às vezes sua Lectio Divina de um modo semelhante a nosso Terço. Sem dúvida que eles não o conheciam em sua forma atual, mas, na essência, praticavam algo semelhante sob forma de outras orações monológicas, conjugando estas com a lembrança das passagens bíblicas que sabiam de cor. Sobre este ponto, já Orígenes (†254) –cuja influência nos ascetas do Deserto do Egito foi muito grande– alimentava a meditação da Sagrada Humanidade de nosso Senhor Jesus Cristo 6 . Para fazer mais claro o dito dos Padres, basta recordar o que lemos num apoftegma, onde Abba Isaac faz-nos uma belíssima descrição desta forma de orar assim:

Estava um dia na cela de abba Poimém, e vi-o em êxtase. Como tinha muita confiança com ele, prostrando-me lhe supliquei: `Diz-me, onde estavas?´ Ele, muito à força, me respondeu: `Meu pensamento encontra-se ali onde está Santa Maria, a Mãe de Deus, chorando sobre a cruz do Salvador; e, por minha parte, quereria chorar assim todo o tempo 7 .

Fazer memória dos mistérios de Deus, tendo a imaginação ancorada com uma breve oração vocal é o que vemos começar no Ermo, pois bem, não é isso essencialmente a oração do Rosário? Do devoto abba Poimén e seus imitadores se poderia dizer que foram os pioneiros do Rosário da Mãe do Deus.

  • 4. A FORMAÇÃO HISTÓRICA DO TERÇO

Aproximando-nos mais de perto à história do Rosário moderno, é bem conhecido que esta forma de oração não foi inventada por uma só pessoa, nem de uma só vez, mas que é o alento do Espírito Santo sobre a Igreja movendo-a a perseverar na oração com Maria, como no Cenáculo (cf.At 1,14). Cada uma das partes do Terço tem sua própria gênese: As duas orações vocais que estão na sua base, a da oração dominical e a da saudação angélica, são pura Palavra de Deus. No referente a esta última, como sabemos, ela é a união de dois trechos do evangelho de são Lucas –o da Anunciação do Anjo e dos louvores de Isabel a Maria (cf.Lc 1,28.42)– unidos pela piedade mariana que os monges Cistercienses impulsionaram nos séculos XI e XII 8 . O Nome de JESUS, com que se conclui a primeira parte da Ave, deve ser sempre o cume desta oração; ele aderiu-se, quase espontaneamente, por volta do século XIII a partir da Inglaterra 9 . Tanto agradou esta saudação à nossa Senhora, que prontamente o povo fiel começou a utilizá-la com grande devoção. Os escritos de santa Matilde de Hackemborn (†1299) influíram neste sentido.

Mais um passo na formação do Terço deu-se quando na alta Idade Média a língua latina foi deixando cada vez mais de se utilizar entre os fiéis, e nas ordens monásticas os monges que não faziam estudos especiais foram suprindo a reza da Salmodia do Ofício Divino com a recitação monológica do Pai-nosso e, logo, também, da recente Ave-Maria. Daí se passou a rezar 150 Aves, igual ao número dos salmos, formando-se o chamado SALTÉRIO DE MARIA. Saltério

cada uma de suas sete petições; outras, fica nosso coração unido ao Senhor numa serena contemplação de atenção amorosa, enquanto os lábios e a imaginação –dum modo simples e indefinível– ficam estabilizados pela reza material do Pai-nosso, como por uma âncora. Assim o assegurava o famoso monge

trapista, Dom Eugenie Boylan: De fato, parece que para certas almas, uma destas ocupações (vocais) para as faculdades inferiores é uma condição necessária para o exercício da oração de fé. Por esta oração é que uma alma que parece estar absorvida na oração vocal e na meditação é realmente elevada

a este grau de oração (contemplativa) (A dificuldade de orar. Pág.66. Ed. Aster. Lisboa, 1957).

  • 6 Assim o faz notar Andreas Heinz, no seu ótimo livro sobre o Terço, citando os estudos de H. de Lubac. Cf. Louanges des Mystres du Christ. Histoire du Rosaire. Téqui. Paris, 1990.

  • 7 Palavras dos antigos. Sentenças dos padres do deserto. Coleção: Oração dos pobres, Ed. Paulinas. São Paulo, 1985.

  • 8 Segundo A. Heinz, parece que a Ave-Maria de que temos notícia é a aparecida no canto do ofertório da 4ª semana de Advento do antifonário de Compiègne, do século IX. Op. cit., p.55.

  • 9 Segundo Heinz, no século XIII foi proverbial entre os ingleses sua veneração ao Nome de Jesus e por isso foram colocando no fim da primeira parte da Ave-Maria o nome de Jesus, ou Jesus Cristo. Op. cit.,

p.56.

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rezado todo contínuo, ou numa terça parte, quer dizer, 50 Aves 10 , acompanhadas estas de vênias e inclinações, de modo semelhante à reza coral. Em sua devoção a nossa Senhora, são Domingos (†1221) parece que conheceu dito Saltério e que o difundiu, ainda que, para os críticos isto não fique claro por falta de documentação 11 .

Em breve esta prática se desligou da liturgia das Horas e foi-se estendendo ao nível da oração pessoal, fazendo-se popular. Assim, p.ex., autores como o cartuxo Hugo de Balmas, da primeira metade do século XIII, encorajavam a recitar 40 ou 50 Aves-marias que iam divididas ao chegar certo número –parece que com alguns Pai-nossos–; tudo em sinal de amor e espiritual homenagem a nossa Senhora (De triplici via ad Sapientia) 12 . Os mesmos monges Cistercienses começaram a unir a reza das Ave-marias com algum tipo de meditação dos mistérios da fé, mas isto de forma esporádica. O fato é que com o passar do tempo, dito Saltério começou a decair, até chegar a seu ressurgimento nos séculos XIV-XV. Assim, as monjas cisterciense do mosteiro de Saint- Thomas-sur-Kyll, de Tréveris, nos começos do século XIV, tinham elaborado uma oração mariana de Aves seguidas de 99 cláusulas, que e ainda que não tenhamos documentação alguma, acreditamos influenciaria nos cartuxos dessa mesma cidade, a Cartuxa de Santo Albano 13 .

  • 5. PRESENÇA DOS CARTUXOS NA CONFIGURAÇÃO DO ROSÁRIO

No Século XV, alguns monges cartuxos da região do rio Reno deram um impulso decisivo à oração do Rosário, dando-lhe uma difusão decisiva. Estes foram: em primeiro lugar, Henrique Egher de Kalkar (†1408), que dividiu cada dezena com um Pai-nosso 14 ; Adolfo de Essen (†1439), o qual promovia a recitação da Ave-Maria unida à meditação da vida de Cristo e de nossa Senhora 15 , e foi quem propôs ao jovem Domingos de Tréveris, ou de Prússia (†1460), o substancial da devoção do Terço. O jovem Domingos não conseguia concentrar-se enquanto orava; após um tempo, inspirado pela leitura das obras de santa Matilde, sobretudo onde ela narra sua visão da árvore em que cada folha levava escrito um mistério da vida do Salvador 16 , acrescentou suas cláusulas após cada Ave, a fim de ficar mais atento. Para sua própria vida de oração teve tão grande sucesso isto, que a partir desse momento, com a ajuda de seu prior (Adolfo de Essen) e dos irmãos de sua comunidade propagou esta devoção. Desde então, foi estendendo-se o Rosário das cláusulas –como um buquê de rosas espirituais oferecido a Maria– por toda a ampla região do Reno e, daí, por quase toda a Europa.

  • 6. O BEATO ALANO DE LA ROCHE E O TERÇO ATUAL

  • 10 Na Ordem Cartusiana, em concreto, a palavra Saltério significou sempre a recitação das 150 Ave- marias, enquanto que o termo Rosário se utilizou para fazer referência às 50, com cláusulas ou não.

    • 11 Karl Josef Klinkhammer, op.cit., p.3; A. Heinz, op.cit., p.12.

    • 12 Un Cartujo. El Santo Rosario en la Cartuja, p. 3.

  • 13 Este texto foi encontrado faz pouco tempo e mostra como que acima das coincidências e influências mútuas nas comunidades de então, o Espírito Santo ia conduzindo a piedade mariana para que se centrasse cada vez mais na contemplação do Verbo Encarnado. Mosteiros como este de São Matias, praticaram isoladamente a união da oração litânica da Ave-Maria com fórmulas da vida de Jesus e N. Senhora, mas como afirma um cartuxo atual: Se bem algumas poucas casas de cistercienses usaram algumas frases para associar as Aves com outras devoções antes que os cartuxos de Tréveris, foi só esporadicamente. Por isso se pode afirmar que estes foram os inovadores ao difundi-las sistematicamente (Cf. Landspergio, el Cartujo. Una Carta de Jesuscristo. Seguida del Rosário Rítmico traducido por Lópe de Vega. Edição apresentada por um monge da Grande Chartreuse. Monte Carmelo. Burgos, 2005, p.32; A. Heinz. Op. cit., p. 59-68).

  • 14 Há documentação de que entre 1396 e 1400 Henrique recebeu uma graça especial de Maria na qual Ela o animava a dividir as 50 Aves em grupos de dez com um Pai-nosso (cf. Un Cartujo. El Santo Rosario en la Cartuja, pp.8-10. Analecta Cartusiana, nº.103. Salzburg, 1983). Contudo, também há documentos que provam que tal divisão se inspirava na realizada antes com o Saltério davídico (cf.A. Heinz, op.cit., pp. 23 ss).

  • 15 Esta propagação era feita mediante a recomendação de duas obras dele: De commemoratione Rosarii e o de meditações da: Vita D. N. Jesuchristi et Beatissimæ Matris ejus, sed meditaciones excerptæ ex Vita Christi Ludolfi nostri (cf. El Sto. Rosario en la Cartuja, p.29).

    • 16 A. Heinz, op.cit., p.14, nota 6.

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    O dominicano Bem-aventurado Alano de la Roche (†1475), cheio de devoção pelo Saltério de Maria –como ele preferia chamar esta devoção–, reduziu os mistérios considerados a um só por cada 10 Aves, chegando deste modo à configuração atual do Santo Rosário. Isto trazia uma inegável vantagem prática, a de poder reter mais facilmente de cor os mistérios contemplados. Desde esse momento, seus coirmãos da Ordem dos Pregadores aplicaram-se com um especial fervor a espalhar pelo mundo todo esta oração do Santo Rosário. Rapidamente foram fundando-se as chamadas Confrarias do Rosário, para rezá-lo com mais devoção. Foi nestas confrarias que nasceu a segunda parte da Ave-Maria –a de intercessão–, numa data incerta, mas ao fim do século XIV tinha-se introduzido inclusive no Oficio Divino do Rito Romano.

    7. A TRADIÇÃO DO ROSÁRIO DAS CLÁUSULAS

    A tradição das cláusulas só visa centrar nosso coração no mistério do terço considerado. Para compreender isto –dentro da tradição cartusiana do Rosário–, partimos da amplidão com que o mesmo cartuxo de Tréveris, Domingos de Prússia, concebia a utilização das cláusulas. Temos uma preciosa norma atribuída a ele mesmo onde nos diz:

    Não se devem considerar demais as palavras empregadas no enunciado dos pontos de meditação. Cada um pode, à sua maneira e segundo a devoção que sinta, prolongar, reduzir e inclusive modificar a matéria, expressando a vida de N. Senhor com palavras, ou mencionando-as (as fórmulas) de memória, seja de uma maneira, seja de outra, segundo as disposições em que nos encontremos, ou o tempo de que disponhamos 17 .

    Assim concebido, é em razão dessa amplitude, que nosso Domingos entende seu rosário, no qual, tais cláusulas do mistério contemplado podem estar colocadas após a primeira parte da Ave, ou antes dela. As duas formas nascem do mesmo método. Uma vez, pois, exposta a história do Rosário e a finalidade da tradição das clâusulas, vamos passar agora a apresentar três modalidades de como rezá-lo dentro desta mesma tradição, para colocar depois, por separado, o texto íntegro de cada um desses métodos.

    8. O MÉTODO DE DOMINGOS DE TRÉVERIS E O DOS PAISES NÓRDICOS

    O cartuxo Domingos ensinava a recitar 50 Aves seguidas de outras tantas fórmulas, mas não consta que dividisse estas cinco dezenas com cinco Pai-nossos, ainda que nada se oponha a isso 18 . Com o tempo, sobretudo na Alemanha, Suíça e nos paises bálticos, foi-se estendendo entre a gente o costume de reduzir as cláusulas a 15, para um total de 150 Aves, utilizando uma só cláusula para cada dezena, o que facilitava para retê-las na memória. A diferença deste método com o do Bto. Alano consiste em que, nele, se faz menção expressa da mesma fórmula cada 10 Aves, enquanto que no de Alano o mistério se enuncia só no começo. É, sem dúvida, um método muito bom, sobretudo se após a cláusula fazemos uns instantes de silêncio contemplativo para que a mensagem dele penetre mais no nosso coração. Para rezar hoje o Terço com este método –visto que na atualidade o Rosário foi enriquecido com os mistérios luminosos de João Paulo II–, as cláusulas que faltam podem tirar-se das mesmas 50 fórmulas

    de nosso Domingos. Como falta só uma fórmula, a conversão da água em vinho em Caná, poder-se-ia acrescentar esta: Que por tua mediação em Caná transformou a água em vinho bom.

    Para maior clareza, observamos que cada cláusula vai após o nome de JESUS; assim ficaria no caso do primeiro mistério glorioso:

    Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, JESUS, que ressuscitou dentre os mortos.

    Logo, a seguir, vêm as 10 Ave-marias, com o final Glória ao Pai ....

    17 El Santo Rosario en la Cartuja. Op. cit., p. 101. 18 Heinz é do parecer de que o rosário de Domingos tinha já essa divisão, com Pater-noster, no decurso do século XV, partindo sua introdução possivelmente da mesma Cartuxa de Tréveris. Assim aparece num ms do mosteiro beneditino de São Matias de Tréveris datado en 1559. Op. cit., p.17.

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    Enquanto assim se faz, podemos permanecer unidos a Maria num sereno gozo (nos mistérios gozosos), ou com um ânimo de compaixão (nos dolorosos), ou com uma alegria compartida com Jesus e Maria (nos gloriosos), ou, por fim, sob os raios da suave luz divina (nos luminosos).

    9. O MÉTODO DAS CLÁUSULAS DO ROSÁRIO RÍTMICO

    Sobre a modalidade de colocar a fórmula diante da Ave, temos um dos expoentes mais famosos nas obras de João Justo Lanspérgio (†1539), monge da Cartuxa de Colônia. Inspirando-se no Rosário de Domingos Tréveris, ele compôs vários rosários, entre eles o denominado: Hino de Ouro ou Rosário Rítmico, que consta de 50 Aves. Para promover a unção interior, Landspérgio utiliza a via pulchritudinis –ou da beleza–, tão recomendada pelo Papa Bento XVI 19 , como o utilizaria depois o místico poeta são João da Cruz em seus cânticos 20 . Nesse Rosário, pois, cada Ave-Maria vai precedida por uma estrofe de quatro versos –ou quarteto– onde os dois primeiros colocam ante nosso olhar a notícia de um mistério concreto da vida de Jesus ou de Maria, enquanto que os dois últimos convidam-nos a dar uma resposta apropriada em nossa vida, pedindo a Deus a graça para tanto. A estrofe é seguida sempre por um Aleluia, que é a jubilosa exultação de alegria e agradecimento ao Pai por cada um dos mistérios de seu Filho em nosso favor; isto conforme a visão que teve Adolfo de Essen 21 . Após esta Aleluia, é bom fazer uns instantes de silêncio contemplativo para melhor mergulhar no conteúdo de cada cláusula. A Ave que segue a cada fórmula rimada não tem a segunda parte de intercessão, pois essa petição –como já foi dito– se faz nos dois últimos versos de cada estrofe. Eis como seria para uma das Ave-marias, a estrofe nº.12:

    Jesus divino, no Templo a Virgem te achou ensinando; sempre estejamos meditando em tua doutrina e exemplo. Aleluia.

    Ave

    Maria,

    cheia

    de

    graça,

    o

    Senhor

    é

    convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, JESUS.

    10. CONCLUSÃO

    Em resumo, podemos dizer que dispomos de várias formas para rezar o Santo Rosário. A alternância de um ou outro método permite-nos fazer uma Lectio orante com Maria. Lectio esta

    • 19 VIA PULCHRITUDINIS. O caminho da beleza. Caminho privilegiado de evangelização e diálogo. Assembléia Plenária dos Bispos. Cidade do Vaticano, 2006. Ed. Loyola. São Paulo, 2007.

    • 20 Estes versos podem também ser cantados com uma melodia acorde; possivelmente, o mesmo Landspérgio os compôs pensando nisso.

      • 21 Eis a visão que teve Adolfo de Essen sobre a eficácia do Rosário, contado por Domingos de Prússia:

    Viu dito Padre Cartuxo, entre outras coisas que lhe foram mostradas, como a Virgem Santíssima, rodeada no Céu de toda a Corte celestial, cantava devotamente diante do Trono de Deus o Rosário com as `fórmulas´, acrescentando ao final de cada uma delas um triunfal Aleluia. Ao pronunciar-se o nome de MARIA, todos inclinavam a cabeça; ao nome de JESUS, dobravam o joelho, conforme as palavras do Apóstolo: `Ao nome de Jesus, todos dobram o joelho no Céu, na terra e no inferno´. Viu também a augusta assembléia dos eleitos darem graças a Deus Onipotente por todos os benefícios concedidos e frutos alcançados mediante a reza do Santo Rosário; e como rogavam ao Senhor com grande devoção e afeto por todos os que o recitavam, a fim de que se dignasse iluminá-los e fortificá-los com uma graça especial em ordem a seu proveito espiritual, outorgando-lhes finalmente a dita eterna. Viu, igualmente, inumeráveis coroas de flores imarcescíveis, resplandecentes e perfumadas preparadas para aqueles que rezam o Rosário em louvor de Deus e de sua bendita Mãe, a Virgem Maria. Foi-lhe também revelado, de uma maneira muito certa, que quem, à imitação dos Santos do Céu rezasse o Rosário com as inclinações e genuflexões aos santíssimos nomes de JESUS e de MARIA, obteria uma completa remissão de seus pecados (cf. El Santo Rosario en la Cartuja. Op. cit. p. 20-21).

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    feita tanto na pedagogia do Cenáculo, como na do ingresso nesse quarto interior, onde Jesus nos convida a entrar para orar (cf.Mt 6,6). Que esta maneira de guardar em nosso coração a Palavra de Deus nos ajude a achar o nosso descanso (cf.Mt 11,28) n’Aquele que é nosso Caminho, Verdade e Vida. Na corrente do Terço, levemos a Jesus as nossas necessidades, as de todos os redimidos por sua morte e ressurreição; levemos os desejos de louvor da Igreja e da humanidade inteira a seu Criador. Assim, em nosso meio, seremos sempre missionários verazes com o apostolado de nossa oração e do testemunho de vida em Cristo (cf.Gl 2,20), como o foi sempre a vida da Virgem de Nazaré.

    Eis, pois, a excelência do Santo Rosário, ajustada sempre ao caminho do Evangelho pela senda da psicologia mesma do ser humano que –como dizíamos mais acima– por meio do cromatismo de umas notícias da vida Jesus Cristo que vemos, nos elevam ao conhecimento e amor do Pai que não vemos (cf.Jo 14,9).

    Para compreender mais ainda a eficácia desta oração simples realizada com Maria, basta-nos com lembrar que Ela não pede nada ante a Trindade Santa a não ser no Nome de Jesus. Ele nos prometeu que tudo o que pedíssemos ao Pai no seu Nome no-lo daria (cf.Jo 16,23b). João Paulo II, ao recomendar a utilização das cláusulas, insistia precisamente no lugar central que tem este Sagrado Nome no Rosário. Concluímos estas linhas com as palavras do saudoso Papa:

    O baricentro da Ave-Maria –uma espécie de ligação entre a primeira parte e a segunda– é o Nome de Jesus. Às vezes, na recitação precipitada, perde-se tal baricentro e, com ele, também a ligação ao mistério de Jesus que se está a contemplar. Ora, é precisamente pela acentuação dada ao Nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário. Já Paulo VI recordou na Exortação apostólica `Marialis cultus´ o costume, existente nalgumas regiões, de dar realce ao Nome de Cristo acrescentando-lhe uma cláusula evocativa do mistério que se está a meditar. É um louvável costume, sobretudo na recitação pública. Exprime de forma intensa a fé cristológica, aplicada aos diversos momentos da vida do Redentor. É profissão de fé e, ao mesmo tempo, um auxílio para permanecer em meditação, permitindo dar vida à função assimiladora, contida na repetição da Ave-Maria, relativamente ao mistério de Cristo. Repetir o Nome de Jesus –o único nome do qual se pode esperar a salvação (cf.At 4,12)– enlaçado com o da Mãe Santíssima, e de certo modo deixando que seja Ela própria a sugerir-no-lo, constitui um caminho de assimilação que quer fazer-nos penetrar cada vez mais profundamente na vida de Cristo (Rosarium Virginis Mariæ, nº.33).

    Perseveremos em oração com Maria, a fim de ser com Ela louvor da glória da Santíssima Trindade.

    feita tanto na pedagogia do Cenáculo , como na do ingresso nesse quarto interior, onde Jesus

    Nossa Senhora com os cartuxos da região do Reno, junto à Cruz de Jesus. Anônimo de 1616. Grande Cartuxa. 22

    22 O título que poderíamos dar a esta pintura que preside a Capela adjacente ao Museu da Conrería, na Grande Chartreuse (Grenoble), é o de: Virgem do Rosário do Reno. Por que? Trata-se de um quadro a óleo que na parte inferior leva esta inscrição que, traduzida do latim, diz:

    ENCARREGADO PARA [DEVOÇÃO] DOS VENERÁVEIS PRIORES DAS PROVÍNCIAS DA BORGONHA E DE GENEBRA. [Ano de]1616. Nele se representa os monges dessas províncias cartusianas do rio Reno, onde nasceu o Rosário, dominando a cena principal a crucifixão de Jesus. Nossa Senhora está aos pés da Cruz, com são João, enquanto que são Bruno e são Hugo (de Lincoln?) congregam em torno do plano central a dezesseis monges cartuxos. Descobrimos o especial aspecto mariano desta obra pelo fato de observar que os dezesseis monges levam um terço pendente de seus cintos. O normal seria que o levassem dependurado só do flanco esquerdo, mas não, também o levam do direito. São Bruno e São Hugo, como anteriores a ele não o levam.

    10

    EIS AQUI

    TRÊS EXEMPLARES DO SANTO ROSÁRIO

    SEGUNDO A TRADIÇÃO DAS CLÁUSULAS

    :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

    I

    ROSÁRIO COM AS CLÁUSULAS DE DOMINGOS DE TRÉVERIS 23

    Na época de Domingos não existia ainda a segunda parte da Ave-Maria –a de intercessão–, no entanto, bem poderia acrescentá-la quem oferece este obséquio de devoção a nossa Senhora.

    Pai nosso ...

    1.

    AVE MARIA, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as

    mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, JESUS, que tu, Virgem pura, concebeste do

    Espírito Santo. Amém.

     

    2.

    AVE MARIA,

    JESUS, que tu levaste através da montanha ao encontro de Isabel.

    Amém.

    3.

    AVE MARIA,

    JESUS, que tu, serva pura, deste à luz com grande alegria. Amém.

    4.

    AVE MARIA,

    JESUS, que tu envolveste em faixas e deitaste num presépio. Amém.

    5.

    AVE MARIA,

    JESUS, que os Santos Anjos louvaram com cânticos celestes. Amém.

    6.

    AVE MARIA,

    JESUS, que os pastores procuraram e encontraram em Belém. Amém.

    7.

    AVE MARIA,

    JESUS, que foi circuncidado ao oitavo dia e chamado Jesus. Amém.

    8.

    AVE MARIA,

    JESUS, a quem os três Reis Magos ofereceram ouro, incenso e mirra.

    Amém.

    9.

    AVE MARIA,

    JESUS, que tu apresentaste no Templo a Deus seu Pai. Amém.

    10.

    AVE MARIA,

    JESUS, com quem tu fugiste para o Egito e donde regressaste sete

    anos depois. Amém.

     

    Glória ao Pai ... Pai nosso ...

    11.

    AVE MARIA,

    JESUS, que tu perdeste em Jerusalém e reencontraste três dias depois.

    Amém.

    12.

    AVE MARIA,

    JESUS, que crescia todos os dias em idade, em graça e em sabedoria.

    Amém.

    Contudo, tal contador não aparece nem na representação de são Bruno, nem na de são Hugo, pois Bruno era, sim, de Colônia, mas teria sido um anacronismo colocar-lhe um instrumento de devoção marial posterior a ele, falecido en 1101; são Hugo era francês, morto anos depois, em 1200. 23 Seguimos aqui as fórmulas originais editadas por K. J. Klinhhammer. Op. cit., pp. 16-17. Devido à antiguidade deste texto, começado a difundir-se sem a existência ainda da imprensa, e ao fato de que seu mesmo autor dava uma ampla margem à piedade de cada pessoa no momento de utilizar as cláusulas (cf. o texto da nota nº.17), não é de estranhar que existam várias versões muito semelhantes, mas com diversos pormenores diferentes; assim, nos enunciados das cláusulas, umas estão mais extensas e outras mais concisas.

    11

    13.

    AVE MARIA,

    JESUS, que São João batizou no Jordão. Amém.

     

    14.

    AVE MARIA,

    JESUS, que Satanás tentou e não venceu. Amém.

    15.

    AVE MARIA,

    JESUS,

    que

    anunciou ao povo

    o Reino dos

    Céus

    com os seus

    discípulos. Amém.

     

    16.

    AVE MARIA,

    JESUS, que curou muitos doentes com o poder de Deus. Amém.

    17.

    AVE MARIA,

    JESUS, de quem Maria Madalena lavou os pés com suas lágrimas,

    enxugou-os com os cabelos e ungiu-os com perfume. Amém.

     

    18.

    AVE MARIA,

    JESUS, que ressuscitou dos mortos Lázaro e outros. Amém.

     

    19.

    AVE MARIA,

    JESUS, que foi transfigurado no Tabor diante dos seus discípulos.

    Amém.

    20.

    AVE MARIA,

    JESUS, que, no dia de Ramos, em Jerusalém, foi recebido com

    grande pompa. Amém.

     

    Glória ao Pai ... Pai nosso ...

    21.

    AVE MARIA,

    JESUS, que, na última ceia, deu o seu corpo aos discípulos. Amém.

    22.

    AVE MARIA,

    JESUS, que rezou no Jardim das Oliveiras e suou gotas de sangue.

    Amém.

    23.

    AVE MARIA,

    JESUS, que se deixou prender, amarrar e conduzir de um juiz ao

    outro. Amém.

    24.

    AVE MARIA,

    JESUS, que muitas testemunhas acusaram falsamente. Amém.

    25.

    AVE MARIA,

    JESUS, de quem a santa face foi escarnecida, velada e impressionada.

    Amém.

    26.

    AVE MARIA,

    JESUS, que, despojado de suas vestes, atado a uma coluna, foi

    duramente golpeado. Amém.

     

    27.

    AVE MARIA,

    JESUS, que foi cruelmente coroado de espinhos. Amém.

     

    28.

    AVE MARIA,

    JESUS, diante de quem dobravam o joelho e adoravam com desprezo.

    Amém.

    29.

    AVE MARIA,

    JESUS, que foi condenado injustamente a uma morte ignominiosa.

    Amém.

    30.

    AVE MARIA,

    JESUS, que transportou a cruz sobre os seus santos ombros. Amém.

    Glória ao Pai ... Pai nosso ...

    31.

    AVE MARIA,

    JESUS, que, ao voltar-se, te dirigiu a palavra, a ti sua mãe, assim

    como a outras mulheres. Amém.

     

    32.

    AVE MARIA,

    JESUS, que foi cravado na cruz pelas mãos e pés. Amém.

     

    33.

    AVE MARIA,

    JESUS, que rezou por aqueles que o crucificavam, o torturavam e o

    matavam. Amém.

    34.

    AVE MARIA,

    JESUS, que disse ao bom ladrão: «Hoje mesmo estarás comigo no

    paraíso». Amém.

    35.

    AVE MARIA,

    JESUS, que te confiou, a ti sua mãe contristada, a João seu discípulo

    bem amado. Amém.

    12

    36.

    AVE

    MARIA,

    ...

    JESUS,

    que

    gritou:

    «Meu

    Deus,

    meu Deus, porque me

    abandonaste?». Amém.

     

    37.

    AVE MARIA,

    JESUS, que quando disse «Tenho sede!» recebeu fel e vinagre. Amém.

    38.

    AVE MARIA,

    JESUS, que disse: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!».

    Amém.

     

    39.

    AVE MARIA,

    JESUS, que disse em último lugar: «Tudo está consumado!». Amém.

    40.

    AVE MARIA,

    JESUS, que sofreu uma morte cruel por nós, pecadores. Amém.

    Louvor a Deus! Amém.

     

    Glória ao Pai ... Pai nosso ...

    41.

    AVE MARIA,

    JESUS, cujo lado foi perfurado, donde correu sangue e água. Amém.

    42.

    AVE MARIA,

    JESUS, a quem, descido da cruz, tu recebeste sobre os teus joelhos,

    como normalmente cremos. Amém.

     

    43.

    AVE MARIA,

    JESUS, a quem homens justos e bons embalsamaram e sepultaram.

    Amém.

     

    44.

    AVE MARIA,

    JESUS, cuja alma santa desceu aos infernos e libertou os nossos Pais.

    Amém.

     

    45.

    AVE MARIA,

    JESUS, que ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Aleluia! Amém.

    46.

    AVE MARIA,

    JESUS, que te alegrou com uma muito grande alegria, a ti e àqueles

    a quem apareceu. Aleluia! Amém.

     

    47.

    AVE MARIA,

    JESUS, que também, na tua presença, subiu ao céu e está sentado à

    direita de seu Pai. Aleluia! Amém.

     

    48.

    AVE MARIA,

    JESUS, que um dia julgará os vivos e os mortos. Amém.

     

    49.

    AVE MARIA,

    JESUS,

    que

    enviou aos seus fiéis

    o Espírito

    Santo

    no

    dia de

    Pentecostes. Amém.

     

    50.

    AVE MARIA,

    JESUS, que te fez subir ao céu, a ti sua dulcíssima Mãe, para estar

    com Ele, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo agora e sempre. Amém.

    Glória ao Pai ...

    36. AVE MARIA, ... JESUS, que gritou: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». Amém. 37.

    Nª. Senhora e o Menino Jesus entregando o Rosário a Henrique de Kalkar (†1408), Domingos de Tréveris (†1460) e a outros monges Cartuxos. Pintura sobre couro do atelier de José Lapayesse. 1958.

    Mosteiro de Sta. Mª da Defesa. Jerez (Espanha)

    13

    II

    ROSÁRIO DAS CLÁUSULAS NOS PAISES NÓRDICOS 24

    Os mistérios Luminosos de João Paulo II foram aqui acrescentados a partir das Cláusulas do mesmo Domingos de Prússia, nós adicionamos o da mediação de Maria em Caná, que falta nas mesmas ..

    MISTÉRIOS GOZOSOS

    Pai nosso ...

    1.- AVE MARIA, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, JESUS, a quem, sem deixar de ser Virgem, concebeste do Espírito Santo.- Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. (Repete-se 10 vezes).

    2.- AVE MARIA, … JESUS, a quem levaste, ó Virgem, em tua Visitação. - SANTA MARIA ... (10 vezes).

    3.- AVE MARIA, … JESUS, a quem, sempre Virgem, deste à luz em Belém.- SANTA

    MARIA

    ...

    (10 vezes).

    4.- AVE MARIA, … JESUS, a quem apresentaste, ó Virgem, no Templo.- SANTA MARIA ... (10 vezes).

    5.- AVE MARIA, … JESUS, a quem encontraste, ó Virgem, no Templo.- SANTA MARIA ... (10 vezes).

    Glória ao Pai ...

     

    MISTÉRIOS LUMINOSOS

    Pai nosso ...

    1.- AVE MARIA, … JESUS, a quem são João batizou no Jordão.- SANTA MARIA vezes).

    ...

    (10

    2.- AVE MARIA, … JESUS, que por tua mediação transformou a água em vinho bom.-

    SANTA MARIA

    ...

    (10 vezes).

    3.- AVE MARIA, … JESUS, que anunciou ao povo o Reino dos Céus com os seus

    discípulos.- SANTA MARIA

    ...

    (10 vezes).

    4.- AVE MARIA, … JESUS, que foi transfigurado no Tabor diante dos seus discípulos.-

    SANTA MARIA

    ...

    (10 vezes).

    5.- AVE MARIA, … JESUS, que na última ceia, deu o seu corpo aos discípulos.- SANTA

    MARIA

    ...

    (10 v.).

     

    Glória ao Pai ...

    MISTÉRIOS DOLOROSOS

    Pai nosso ... 1.- AVE MARIA, … JESUS, que por nós suou sangue.- SANTA MARIA

    (10 vezes).

    ... 2.- AVE MARIA, … JESUS, que por nós sofreu a flagelação.- SANTA MARIA

    ...

    (10 vezes).

    24 Traduzimos diretamente ao português do livro citado: El Santo Rosario en la Cartuja, pp.104-106. Pode ver-se também em: Le culte de la très Sainte Vierge dans L’Ordre des Chartreux, por um Cartreux. Enciclopédia Marie-Études de la Sainte Vierge. T. II, p. 53. Paris, 1952.

    14

    3.- AVE MARIA, … JESUS, que por nós foi coroado de espinhos.- SANTA MARIA vezes).

    ...

    (10

    4.- AVE MARIA, … JESUS, que por nós levou a Cruz às costas.- SANTA MARIA vezes).

    ...

    (10

    5.- AVE MARIA, … JESUS, que por nós morreu crucificado.- SANTA MARIA Glória ao Pai ...

    ...

    (10 vezes).

    MISTÉRIOS GLORIOSOS

    Pai nosso ... 1.- AVE MARIA, … JESUS, que ressuscitou dentre os mortos.- SANTA MARIA

    ...

    (10 vezes).

    2.- AVE MARIA, … JESUS, que subiu aos Céus.- SANTA MARIA

    (10 vezes).

    ... 3.- AVE MARIA, … JESUS, que enviou o Espírito Santo.- SANTA MARIA

    ... 4.- AVE MARIA, … JESUS, que te elevou à Glória, ó Virgem.- SANTA MARIA

    ...

    (10 vezes).

    (10 vezes).

    5.- AVE MARIA, … JESUS, que te coroou, ó Maria, nos Céus.- SANTA MARIA vezes).

    ...

    (10

    Glória ao Pai ...

    3.- AVE MARIA, … JESUS, que por nós foi coroado de espinhos .- SANTA MARIA vezes).

    A Virgem Maria oferece o Santo Rosário a Henrique de Kalkar (†1408), Domingos de Tréveris (†1460), Juan Rode (†1439), Adolfo de Essen (†1439) e a um quinto monge, que poderia ser Santiago Meisenberg (†1427), ou talvez um de nós mesmos. Francisco de Zurbarán, 1638, aprox.

    Museu de Poznan (Polônia).

    15

    III

    HINO DE OURO

    ou

    ROSÁRIO RÍTMICO

    Acreditamos que esta é a primeira versão em língua portuguesa do Rosário Rítmico, de Landspérgio (1490-1539). Uma ótima introdução a dito Rosário, com uma edição crítica das traduções em verso de Pedro Manuel Deza (1583- 1635) e de Félix Lope de Vega e Carpio (1562-1635), pode ver-se no livro: Una Carta de Jesucristo. Seguida del Rosario Rítmico de Lope de Vega, por um monge da Grande Chartreuse (Ed. Monte Carmelo. Coleção Sabiduría de la Cartuja. Burgos, 2006).

    SÚPLICA INTRODUTÓRIA AO SENHOR JESUS

    Jesus, por teu imenso amor, tristeza, morte e dor, a tua Igreja protege, melhora, aviva e rege. Salva a justos e oprimidos, e a culpáveis convertidos; dá-nos paz a todos juntos, tanto a vivos como defuntos. Amém.

    PRIMEIRA DEZENA

    [Da criação à fuga ao Egito]

    Pai nosso...

    (1)

    Jesus, do mundo Criador, que suportas os culpados; faz-nos chorar os pecados e viver em teu temor.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (2)

    Jesus, tua Mãe livraste da culpa original; livra-nos de todo mal e que tua graça nos baste.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (3)

    Jesus, a Virgem ditosa te concebeu com fé ardente; que a alma te conceba paciente, casta, humilde e fervorosa.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (4)

    Jesus, que santificas o Precursor, visitando tua Mãe sua prima; dá-nos do próximo estima e de teu coração santo amor.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (5)

    Jesus, a quem sem sofrer a Virgem deu à luz em Belém; que nascendo em Ti, Sumo Bem, morramos ao velho querer.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (6)

    Jesus, celebram pastores e anjos teu nascimento; com santo contentamento demos-te sempre louvores.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (7)

    Jesus, Salvador glorioso, circuncidado e ferido; de nossa língua e sentido circuncida o vicioso.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    16

    (8)

    Jesus, deram-te os Reis seus dons e adoração; cumpramos com perfeição nossos votos e tuas leis.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (9)

    Jesus, livre e apresentado, Redentor e redimido; faz que a Ti rendido viva livre do pecado.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (10)

    Jesus Menino, ao país egípcio fugiste do rei tirano; que noss’alma, Rei soberano, sinta tua pena e fuja do vício.

    Aleluia. Ave-Maria ... Glória ao Pai…

    SEGUNDA DEZENA

    [Da vida oculta em Nazaré à entrada

    triunfal em Jerusalém]

    Pai nosso ...

    (11)

    Jesus, em tua tenra idade, serviu-te a Virgem com fineza; faz que amemos por riqueza tua pobreza e simplicidade.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (12)

    Jesus divino, no Templo a Virgem te achou ensinando; sempre estejamos meditando em tua doutrina e exemplo.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (13)

    Jesus, que à tua Mãe formosa serviste com sujeição; faz sujeita à razão nossa vontade viciosa.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (14)

    Jesus, oraste inflamado, ao mundo oculto vivendo; viva o homem o vício vencendo e a seus olhos desprezado.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (15)

    Jesus, foste no batismo Filho de Deus declarado; Afunde o nosso pecado, em teu clemente abismo.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (16)

    Jesus, que a Satã venceste após longa abstinência; para lhe fazer resistência, de jejum nos arma e veste.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (17)

    Jesus, que sofres pregando mil trabalhos por meu amor; neles, meu doce Senhor, Te sigamos sempre imitando.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (18)

    Jesus, que com tua virtude cegos saraste e entrevados; aos de culpas chagados dá-nos perfeita saúde.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (19)

    Jesus, por sua grande maldade aborreceu-te o mundo pagão; dá-nos dele total aversão, e apreço de tua bondade.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (20)

    Jesus, choraste em tua entrada, ao receberem-te com palmas; nunca altere nossas almas, feliz sorte ou desditada.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    17

    Glória ao Pai…

    TERCEIRA DEZENA

    [Da instituição da Eucaristia ao despojamento das vestes]

    Pai nosso ...

    (21)

    Jesus, teu corpo em manjar nos dás, que a alma sustenta; teu amor, que tal obra inventa, nos faça em Ti transformar.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (22)

    Jesus, que sangue precioso suaste, orando obediente; nosso espírito ore humildemente resignado e fervoroso.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (23)

    Jesus, qual manso cordeiro, não despregaste teus lábios; dá-nos silêncio de sábios, afeto santo e verdadeiro.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (24)

    Jesus, teu rosto cuspido e ferido foi sem razão; dá-nos puro coração, com tuas penas ferido.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (25)

    Jesus atado, o furor te açoitou de gente ingrata; a Ti, bom Senhor, nos ata com os laços de teu amor.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (26)

    Jesus, coroado, meu Rei, com espinhos e escarnecido; que eu me sinta compungido pelas penas que te causei.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (27)

    Jesus, por teu bom obrar te julgam como um ladrão; faz que, com boa intenção, possamos os outros julgar.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (28)

    Jesus, por mim condenado à morte por traidor; dá-me eleja por melhor o afeto mortificado.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (29)

    Jesus, por ser tão pesada a Cruz, ajoelhaste; com o ver que a levaste, fique a nossa suavizada.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (30)

    Jesus, sendo desnudado, aumentaram tua dor; renova-nos em teu amor, despojados do criado.

    Aleluia. Ave-Maria ... Glória ao Pai…

    QUARTA DEZENA

    [Da crucifixão à ferida no lado]

    Pai nosso ...

    (31)

    Jesus, Rei, Pai e Amigo, na Cruz foste cravado; a teu Coração Sagrado junta e crava-nos contigo.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (32)

    Jesus, com afeto terno rogas por teus ofensores; dá aos nossos os favores de teu amor e gozo eterno.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (33)

    Jesus, que propiciatório foste para o bom ladrão; dá-nos tua graça e perdão e na vida o purgatório.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (34)

    Jesus, tua querida Prenda confiaste a João, teu amado; com seu maternal cuidado, Ela nos reja e defenda.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    18

    (35)

    Jesus, sentes, angustiado, de teu Pai o desamparo; como te custamos tão caro, que ninguém fique olvidado.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (36)

    Jesus, que tratado com desdém, fel te ofereceram, sedento; do mal dá-nos aborrecimento e sede de justiça também.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (37)

    Jesus, que com fortaleza deste fim à tua Paixão; dá esperança ao coração, fé, caridade e firmeza.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (38)

    Jesus de minha vida, morto por minhas culpas e faltas; vivamos em Ti, Tu nos bastas; de nosso naufrágio és o porto.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (39)

    Jesus, tua morte afrontosa de tua Mãe a alma transpassa; as nossas também abraça de compaixão amorosa.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (40)

    Jesus, a lança do soldado abriu teu sagrado peito; faz que, com abraço estreito, vivamos em teu divino lado.

    Aleluia. Ave-Maria ... Glória ao Pai…

    QUINTA DEZENA

    [Do descimento da Cruz ao Juízo final]

    Pai nosso ...

    (41)

    Jesus, foste descravado e em limpo sudário envolto; o homem, de vícios solto, viva em tua Cruz confiado.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (42)

    Jesus, do Céu formosura, sepultado com olores; de virtudes dá-nos flores, e em Ti mesmo sepultura.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (43)

    Jesus, desces com vitória a libertar os cativos; dá boa morte aos vivos e aos defuntos tua glória.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (44)

    Jesus, tua Mãe dolorida, chorava tua triste sorte; mude-nos tua morte e nos inflame tua vida.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (45)

    Jesus, que a tua Mãe amada vistes já ressuscitado; morra noss’alma ao pecado e em Ti viva renovada.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (46)

    Jesus, o Paraíso de Deus, nos abriste na Ascensão; com nobre voo, o coração, te siga aos elevados céus.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (47)

    Jesus, que do alto cume teu Santo Espírito nos envias; faz que, a nossas almas frias, limpe e abrase com seu lume.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    19

    (48)

    Jesus, que à Virgem pura coroas de eterna glória; que seu amparo e memória nos valham na morte dura.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (49)

    Jesus, que virás na Parusia para dar cabais recompensas; que choremos nossas ofensas, para ter-te propício em teu Dia.

    Aleluia. Ave-Maria ...

    (50)

    Jesus, louvores te damos, pois de tantos bens nos cobriste; guarda o justo, ajuda o triste, e dá-nos o que esperamos.

    Aleluia. Ave-Maria ... Glória ao Pai…

    ANTÍFONA

    Jesus, atrai-nos com teu amor e com tuas chagas de dor; em nós, Senhor, permanece, e ali reina e prevalece.

    VERSÍCULO

    V/. Das coisas desprendida, a Ti fique a alma unida. R/. Anima-nos, porque feridos, e cura nossos sentidos.

    ORAÇÃO CONCLUSIVA

    Senhor meu Jesus Cristo, rogo-te por teu divino amor, pelas ânsias e dores de tuas santíssimas chagas, pela efusão e derramamento de teu precioso Sangue e pela virtude de tua morte, que tenhas misericórdia de tua Igreja, de minha alma e de todas as almas aflitas. Dá-me, Senhor, teu perdão e graça, a perfeição de todas as virtudes, morte ditosa e eterna quietude. Amém.

    (48) Jesus, que à Virgem pura coroas de eterna glória; que seu amparo e memória nos

    Nossa Senhora dando o Rosário a Henrique de Kalkar (†1408), Domingos de Tréveris (†1460) e a mais três monges Cartuxos, possivelmente os Irmãos Pedro e Conrado de Tréveris; o terceiro, próximo de nós, é o pintor mesmo, Fr. João Sánchez Cotán (†1627). 25

    Museu de Belas Artes de Granada (Espanha)

    25 Esta bela pintura parece haver sido inspirada –em sua composição– pelo mesmo Pe. Pedro Manuel Deza, na época em que ele esteve na Cartuxa de Granada como Procurador, Vigário e, depois, Prior (1624), junto ao monge que a criou, Frei João Sánchez Cotán. El Santo Rosario en la Cartuja. Op. cit.,

    p.82.

    20

    ÍNDICE

    Prólogo.

    3

    • 1. Um convite da Igreja à reza do Rosário das Cláusulas.

    5

    • 2. O valor da oração cristã.

    5

    • 3. A suavidade da oração litánica meditativa.

    6

    • 4. A formação histórica do Terço.

    6

    • 5. Presença dos cartuxos na configuração do Rosário.

    7

    • 6. O Bem-aventurado Alano de la Roche e o Terço atual.

    7

    • 7. A tradição do Rosário das Cláusulas.

    8

    • 8. O método de Domingos de Tréveris e o dos paises nórdicos.

    8

    • 9. O método das Cláusulas do Rosário Rítmico de Landspérgio.

    9

    10. Conclusão.

    9

    Três exemplares do Rosário das Cláusulas.

    11

    O Rosário com as cláusulas de Domingos de Tréveris.

    11

    O Rosário das cláusulas dos paises nórdicos.

    14

    O Hino de Ouro, ou Rosário Rítmico.

    16

    LAUS DEO VIRGINIQUE MATRI

    21