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Comentário Bíblico Judas 1:1

Biblioteca Bíblica II. Introdução da carta e apelo por mais Misericórdia, Paz e Amor. (1-2) Judas 1:1 “Judas,[1] escravo de Jesus Cristo, mas irmão de Tiago, aos chamados[2] que são amados em relação com Deus,[3] o Pai, e preservados para Jesus Cristo.” I. “Judas ” ιουδας (Gr.: Ioudas do hebraico ידָהָ ,ידוּיָ הָ , o louvado) Aplicando o costume da época, onde o escritor iniciava sua carta com seu nome e algum tipo de saudação. Com respeito ao autor da carta, visto que este era um nome bem Comum entre os judeus; quem era este Judas? (Veja Introdução na seção: Autor) Ser este Judas, irmão do discípulo Tiago e meio-irmão de Jesus Cristo, também é atestado pelo erudito Marvin R. Vincent, ele diz: Ele não se chama de apóstolo, como Paulo e Pedro em suas introduções, e parece se distinguir dos outros apóstolos em Jud 1:17, Jud 1:18 [4] Além do mais, sobre isso se observa: Paulo e Pedro ressaltam o Apostolado deles; Judas e Tiago omitem ἀπόστολος. A simples razão dessa omissão é que eles não eram apóstolos.[5] Levando em consideração o propósito e o conteúdo da carta, e o primeiro nome que aparece nela é bem observado: Mesmo no limiar de um livro escrito sobre apostasia, aparece um nome que traz à mente um traidor que permanece de pé para sempre como a pior apóstata o mundo já teve notícia.[6]

II.“escravo de Jesus Cristo ” ιησου χριστου δουλος (Gr.: Iêsou Christou doulos), a situação de Judas não era de servidão degradante. Em vez disso, essa ‘escravidão’ baseava-se no fato de os seguidores de Jesus ter sido comprados com o Seu sangue precioso para Seu serviço benévolo, com a vida eterna em vista. Têm sido feitos cativos pelo amor de Jesus e se têm rendido espontaneamente a ele. (Mateus 11:29, 30; veja Efésios 5:21-33.) Judas disse que ele era “escravo” de Cristo, “mas irmão de Tiago”αδελφος δε ιακωβου (Gr.: adelphos de Iakobõs), aparentemente aquele Tiago que era uma das “colunas” espirituais da congregação de Jerusalém e “o irmão do Senhor”. (Gálatas 2:9; 1:19; veja Atos 12:17; 15:13-21.) Assim, Judas evidentemente era meio-irmão carnal de Jesus, mas humildemente não procurou destaque em razão de seu vínculo familiar com o Filho de Deus.[7] Marcos 6:3. III. Comentário exegético da palavra: Escravo

A escravatura é nosso pior pesadelo. Quem gostaria de ser um escravo? Surpreendentemente, os

apóstolos e outros escritos do N.T se gabavam de que eles eram escravos de Jesus Cristo.

A palavra grega δουλος (Gr.: doulos) significa “escravo” – literalmente “alguém amarado a outro”. A

palavra grega fala de alguém que está sujeito à vontade de seu mestre. Para expressar a completa submissão deles a Jesus Cristo, Paulo, Tiago, Pedro e Judas declararam que eles eram “escravos” de Jesus Cristo (Rm. 1:1; Gl. 1:10; Tg 1:1; 1 e 2 Pt. 1:1; Jd 1). “Escravo” expressa a absoluta sujeição e

devoção dos apóstolos ao Senhor Jesus. No Novo Testamento, todos os crentes são retratados como

sendo escravos porque todos eles aceitam o Seu senhorio (1 Pt. 2:16; Ap

A obra Baker's Evangelical Dictionary of Biblical Theology comenta sobre a palavra δουλος:

1:1).

Esses livros [do N.T] frequentemente usam o termo primário para escravo, doulos, como uma metáfora

de ser um servo de Deus (Rom 1:1; Fil 1:1; 2 Tim 2:24; Tito 1:1; Tiago 1:1; 1 Pedro 2:16; 2 Pedro 1:1), aos co-crentes (2 Cor 4:5), e até mesmo ao pecado (Rom 6:20). Essa é a mais marcante metáfora porque

uma pessoa grega juntava tanto sua dignidade pessoal juntamente com a liberdade

de doulospara transmitir a imagem de uma relação com Deus e os co-crentes envia uma mensagem de comprometimento e abandono de autonomia. 1 Cor 7:22; Efésios 6:6; Col 4:12.

III. “aos chamados

κλητοις (Gr.: klêtois) A carta de Judas destinava-se à uma ampla circulação geral. Foi enviada aos “chamados”, isto é, aos chamados por Deus ao glorioso reino celestial de Seu Filho. (Jo. 6:44; veja At.

16:14.) Deus amou esses “chamados”, e era de seu agrado dar-lhes o reino, se pessoalmente mantivessem uma condição espiritual aceitável. (Lc 12:32; Rm. 8:38, 39; veja Is. 52:11.) A palavra κλητοιςpode ser considerada a palavra mais importante da cláusula, por destacar os destinatários, e suas relações privilegiadas para com as promessas do Pai. Eles não conhecem a voz de estranhos, pois são chamados do Pai apenas. Ter isso em mente seria de grande ajuda contra o ataque de apóstatas. O termo “os chamados” é quase um sinônimo de “um cristão”.[8]

O uso

IV. “que são amados em relação com Deus, o Pai

τοις εν θεω πατρι ηγαπημενοις. (Gr.: tois em Theo patri egapemenois V-RPP-DPM[9] Lit.: “Os que têm sido amados em Deus, o Pai”) Os irmãos para quem ele escreve são assim, amados em relação com Deus, o Pai. O motivo, de fato, desse cuidado, dessa preservação, o objetivo que levou Judas a escrever essa epístola, era amor puro, amor da parte do Pai para com esses cristãos. As palavras εν θεω têm sua importância gramatical para se ressaltar o grande amor e cuidado de Deus para com os chamados.[10] O

início e a consumação da salvação são apontados aqui: esta passagem tem uma precaução para que os justos possam estar alertas de tais iníquos terríveis.[11]

V. “e preservados para Jesus Cristo

και ιησου χριστω τετηρημενοις (Gr.: kai Iesou Christo tetêrêmenois) Conforme Judas mostra, aqueles cristãos foram “preservados para Jesus Cristo” (Lit.: “(os) guardados”.)[12] no sentido de que Deus, o Pai, os salvaguardou, porque estavam em união com seu Filho, sendo membros de seu corpo. “Mais provavelmente, eles são protegidos por Jesus; ou seja, eles são mantidos salvos por Ele na sua Segunda Vinda. (1 Tess. 5:23; 2 Tim 1:12; 1 Ped 1:4-5; Ap 3:10).” [13]

Comentário exegético da palavra-chave:

Preservar. τηρέω (Gr.: tēreō) A palavra grega traduzida por “preservados” é τετηρημενοις que tem a sua classificação gramatical no tempo perfeito, passivo, particípio, dativo, plural, masculino. Esse verbo significa “guardar, segurar firme, vigiar, manter”. O particípio perfeito aqui sugere que os santos têm sido guardados por Deus, o Pai, como resultado permanente de ser os objetos de seu cuidado permanente. Expressa a ideia de

vigilância cuidadosa, e de manter longe do perigo; “a palavra expressa cuidado vigilante dispensado a alguém.” (T. Mayor) Sinônimos: tereo phulasso: teréo vigiar ou guardar, phulasso guardar; tereoexpressa cuidado atento, phulasso indica custódia segura; tereo pode ressaltar o resultado do qual phulasso é os meios (e. g. João 17:12 onde as palavras ocorrem juntas, cf. Sabedoria 10:5). Veja Westcott em João 8:51. Schmidt, capítulo 208, especialmente sec. 4.) As palavras “Jesus Cristo” estão no sentido dativo simples. Deus, o Pai, está guardando eles para Cristo. Nosso Senhor orou em João 17:11, “Santo Pai, guarda (Gr.: tereo, a mesma palavra grega) através de teu nome aqueles que tens me dado, para que sejam um, assim como nós também somos.” Nosso Senhor entregou os santos aos cuidados de Deus, o Pai, e Ele tem estado desde então guardando-os para Jesus Cristo, a fim de que eles possam sempre ser a possessão do Senhor Jesus. Permanecendo fiéis, aqueles cristãos seriam associados a Jesus em Seu reino. Efésios 4:15, 16; 2 Timóteo 1:12; 1 Pedro 1:3-5.“Se uma ovelha é mantida a salvo, não é crédito para a ovelha. A ovelha não pode defender a si mesma.” [14]

VI. “Aos chamados que são amados em relação com Deus.”

O adjetivo κλητοις (Gr.: kletos) é colocado no fim da sentença para dar ênfase. Este adjetivo é usado

para descrever aqueles que são chamados no sentido de ser convidados, por exemplo, à um banquete.

Isso fica também bem evidente no texto da LXX onde nós encontramos o texto de 1 Reis 1:41, 49 onde

se fala de convidados para um banquete. A outra menção na LXX é em 2 Samuel 15:11. No caso do uso

do adjetivo no N.T é digno de nota esta definição visto que Jesus compara a chamada para o reino como uma festa de casamento, onde há um banquete a espera. (cf. Mt. 22:1-14) O adjetivo kletos ocorre cerca de 11 vezes no N.T. Mat. 20:16; 22:14; Rom. 1:1, 6, 7; 8:28; 1Co. 1:1, 2, 24; Jud. 1:1; Ap. 17:14.

Aplicação pessoal Judas 1.1

1. Somos guardados: Enquanto os papistas esperam ser preservados pelos anjos da guarda, os

verdadeiros servos de Deus, todos os cristãos genuínos, que não apenas aceitam Cristo como único salvador, mas, acima de tudo, são aceitos por Ele, têm Deus, o Pai, como seu guardião. Sentimo-nos felizes de saber que nosso Pai celestial está zelando sobre nós, como a possessão excelente de Cristo, o cabeça da congregação. O mesmo Deus e Senhor de todos nós nos guarda para, tanto nos auxiliar em nossas tribulações, como nos prevenir de tropeços contra a Sua santa Lei.

2. Somos chamados: Termos tal prestígio de gozar de tal relação em Cristo não é algo nosso, ou

conquistados por nossas próprias obras, ou méritos, para que ninguém ‘bata no peito’ e diga: “eu mereço”. Embora façamos uma escolha consciente, baseada no livre-arbítrio, quem deu o primeiro passo foi Deus, o Pai. Ele nos chamou. Ele nos amou primeiro, quando éramos ainda pecadores. Se somos chamados, é porque fomos escolhidos, e que razão para maior alegria há, do que ter sido escolhido por

Deus e assim poder aceitar o Seu chamado?

3. Somos amados: Todos nós precisamos, e desejamos saber e sentir que somos amados. Os cristãos têm a alegria se ser amados pelo Deus que é amor. Deus nos amou tanto a ponto de permitir que Seu filho unigênito morresse para que aquele que cresse nEle pudesse ter vida eterna. Notas [1] Versículo 1. [δὲ, vertido por “e” na maioria das traduções; De Wette diz que parece “um outro título, diferente do precedente.” Ela pode ser traduzido, “Tiago, um servo de Jesus Cristo, mas irmão de Tiago.” Se esse Judas é um dos irmãos do Senhor (Mt. 13:55; Mc. 6:3), como acreditamos que ele é, então esse δὲ nos daria uma bela perspicácia dentro de sua espiritualidade mental, porque ele não se aproveita de sua relação carnal com ele, mas de ter sido feito escravo para cumprir a Sua vontade (Mt. 11:11; 12:4850; Lc. 11:28)] [2] Compare o uso da palavra “chamado” nas epístolas de Paulo (Rom. 1:67; 8:28; I Cor. 1:2, 24). Refer-se a Lothar Coenen, NIDNTT, vol. 1, p. 275; Karl Ludwig Schmidt, TDNT, vol. 3, p. 494. [3] Versículo 1. Lachmann e Tisch. [seguem A. B., Sin., Vulg., Sir.] que leem ἠγαπημένοις ἐν. Essa leitura teria que exigir que τοῖς ἐν Θεῷ πατρὶ fossem tomadas por si mesmas, traduzidas: “áqueles que pertencem a Deus, o Pai;” A. B., Sin. Recomendam como a verdadeira leitura. O sentido sendo: “que são amados (que tem sido e são, Perf.) em relação com Deus, o Pai.”