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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Outubro/2011

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Outubro/2011

Jogo de planilha nas obras públicas:

uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Pedro de Sousa Oliveira Júnior pedro.psoj@dpf.gov.br Pós-graduação em Avaliações e Perícias de Engenharia

Resumo

A ocorrência de “jogo de planilha” nos contratos administrativos relativos a obras públicas tem se tornado rotina, embora nem sempre seja imputável ou significativa. O tema “jogo de planilha” tem sido muito pouco explorado em trabalhos publicados em nosso país, além de possuir diversos pontos polêmicos que necessitam de maiores esclarecimentos. Discutem-se conceitos e procura-se embasar a metodologia proposta através de legislação pertinente. É apresentada uma metodologia, elaborada para utilização na esfera criminal, inclusive com formulação matemática e parâmetros objetivos iniciais, para cálculo do valor a ser imputado como superfaturamento devido exclusivamente ao “jogo de planilha”. Apresentam-se ainda, de modo a viabilizar um melhor entendimento do fenômeno, exemplos práticos relativos à obra e situações hipotéticas. Palavras-chave: Obras Públicas; Orçamento; Superfaturamento; Jogo de Planilha.

1. Introdução

As obras públicas no Brasil exigem a aplicação de um grande volume de recursos financeiros. Segundo a Agência Câmara, o investimento previsto para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), integrante do Orçamento Geral da União (OGU) para o ano de 2010, é de R$ 29,9 bilhões, equivalente a 4,6% (quatro vírgula seis por cento) do PIB projetado de R$ 3,32 trilhões. Levantamentos realizados pelo Serviço de Perícias de Engenharia Legal e Meio Ambiente (SEPEMA), ligado à Divisão de Perícias (DPER) do Instituto Nacional de Criminalística (INC), por sua vez pertencente à Diretoria Técnico-Científica (DITEC) do Departamento de Polícia Federal (DPF), com base nos trabalhos periciais da área de engenharia civil desenvolvidos nos últimos anos, aponta o superfaturamento, donde temos o “jogo de planilha” como uma de suas parcelas, fato recorrente nas obras objeto de investigações policiais, cujo percentual médio seria da ordem de 30% (trinta por cento). Esse valor significativo vem demonstrar a grande importância do fenômeno e a necessidade de maior controle e acompanhamento das obras públicas em nosso país. Os agentes públicos responsáveis pela defesa dos interesses da Administração, na imensa maioria das vezes, não têm conhecimento do tema “jogo de planilha”, bem como seus diversos aspectos polêmicos, desconhecendo, por consequência, a correta forma para celebração dos termos aditivos contratuais, tão comuns nos contratos administrativos. Além disso, são ainda muito raros os trabalhos publicados especificamente sobre “jogo de planilha”, motivo pelo qual o autor visa dar sua contribuição, haja vista participar de equipe que já se debruçou exaustivamente sobre o tema nos últimos três anos, tendo sido inclusive

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produzida normatização interna que atualmente encontra-se em vigência no âmbito do Departamento de Polícia Federal (DPF), regulamentando os trabalhos periciais lá desenvolvidos. Este trabalho iniciou-se com uma pesquisa bibliográfica sobre temas correlatos ao tema principal, como contrato administrativo, orçamento, projeto básico, equilíbrio econômico- financeiro, CLAIM e superfaturamento, todos de forma a fundamentar o raciocínio do autor, bem como o próprio “jogo de planilha”, especialmente no âmbito das obras públicas. Essa revisão bibliográfica foi realizada consultando-se literaturas especializadas sobre os temas, artigos de revistas, congressos e outras publicações, informações publicadas pelo governo, decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), além de normas técnicas pertinentes.

Em complementação à revisão bibliográfica já descrita, foram também pesquisadas legislações aplicáveis à área de licitações e contratos públicos e literatura específica da área

do direito aplicada à administração pública.

Por fim, de modo a propiciar um melhor entendimento do fenômeno “jogo de planilha”, foi utilizada uma obra real periciada pelo autor, cujos detalhes não são apresentados por questão de sigilo, e adotadas hipóteses que exemplificassem as alterações contratuais mais comuns, sendo calculados os valores de superfaturamento a título de “jogo de planilha”.

2. Fundamentação Teórica e Legal

A fundamentação elaborada iniciou-se com a conceituação de contratos administrativos na

esfera pública, abordando suas peculiaridades. Após isso, houve a contextualização dos orçamentos, tendo em vista serem essenciais à ocorrência do tema central do presente trabalho, e também do projeto básico, do qual é parte integrante. Em seguida, temos alguns aspectos sobre o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos administrativos e possibilidades de sua quebra.

O assunto principal deste trabalho diz respeito diretamente ao equilíbrio econômico financeiro

do contrato administrativo e, por este motivo, entendemos necessária sua perfeita definição e discussão de alguns aspectos relativos a ele, de modo a justificar as hipóteses adotadas

posteriormente.

2.1. Contrato Administrativo

Segundo Meirelles (2007, p. 203) os contratos administrativos firmados com órgãos públicos possuem “certas peculiaridades que os contratos comuns, sujeitos às normas do Direito Privado, não ostentam. Tais peculiaridades constituem, genericamente, as chamadas cláusulas exorbitantes, explícitas ou implícitas em todo contrato administrativo.” Com isso, vemos que os contratos administrativos são diferentes daqueles da esfera privada, isto é, aquelas empresas que decidirem labutar nessa seara deverão conhecer perfeitamente as regras que a regulamentam sob pena de não serem bem sucedidas em seu mister. Existem leis específicas que regulamentam o setor e devem ser obedecidas no interesse maior da coletividade em detrimento dos interesses particulares de determinada empresa. Vejamos:

Surgida uma necessidade, o contrato pode ser estendido, a fim de adequar-se o projeto à realidade. Essa extensão tem por limite o “interesse coletivo primário”. Vale dizer: somente são admissíveis modificações do projeto que visem ao melhor

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atendimento do interesse da parcela da sociedade afetada pela obra a ser construída (AMARAL, 1995, p.128).

O contrato administrativo representa um acordo de vontades que gera direitos e obrigações

recíprocas para as partes envolvidas. Ele apresenta basicamente dois tipos de cláusulas: as de serviço ou regulamentares e as econômico-financeiras ou, simplesmente, financeiras. As primeiras dizem respeito à forma de execução, quantidades e condições dos serviços, podendo

ser alteradas unilateralmente pela Administração Pública. Já as cláusulas financeiras, que dispõem sobre o preço, as condições e critérios de pagamento, data-base e periodicidade de reajustamento, são inalteráveis, salvo por acordo entre as partes. As cláusulas de serviço ou regulamentares representam basicamente o objeto contratual pactuado, ou seja, as obrigações assumidas pelo contratante no momento do ajuste, cujas compensações econômicas encontram-se então definidas pelas cláusulas financeiras do contrato. Portanto, tal como uma balança equilibrada, a relação de igualdade entre as cláusulas de serviços e as financeiras (serviços x preços), originária de um regular processo licitatório, representa o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, o qual deve ser resguardado até o final da execução contratual.

2.2. Orçamento e Projeto Básico

Inicialmente podemos ter um conceito intuitivo de orçamento no âmbito das obras de engenharia. Nessa ciência, de um modo bastante simplista, podemos afirmar que orçamento é o levantamento dos custos para executar uma obra ou um empreendimento. Assumpção (1999, p. 41), na apostila do curso “Planejamento Global da Obra e Orçamento”, define orçamento como “a expectativa do quanto custará o empreendimento”, que “geralmente é executado em bases presentes, como se o empreendimento ou a obra fosse executado em um único momento”. Há que se recordar que essa é uma limitação do processo, haja vista que não se pode prever o custo no futuro ou, da mesma forma, conhecer as alterações que certamente irão ocorrer durante a execução da obra.

Já o Professor Giamusso (1991, p. 13), define orçamento como “a determinação do custo de

um empreendimento antes de sua realização”. Como se pode perceber, existe grande uniformidade no conceito, o que não ocorre em muitos casos na área da engenharia.

O custo de uma obra normalmente é feito com os insumos (materiais) necessários, a mão de

obra e os equipamentos utilizados para a execução dos serviços definidos. Essa forma tradicional de orçar define a forma como deve ser controlada a execução da obra e tem

impacto direto sobre os termos aditivos ao contrato, que por sua vez, influenciam diretamente

na ocorrência de jogo de planilha.

Há diversos níveis de orçamento e quanto mais detalhado ou discriminado ele for, mais tenderá a se aproximar do custo real da obra. Isso é muito importante para a realização de uma perícia em obra de engenharia, considerando que irá definir o grau de certeza que o Perito disporá para conclusão do trabalho. Resta lembrar somente que a definição de projeto básico da Lei 8.666/93, que rege as licitações em nosso país, conforme inciso “f” do artigo 6 o , contém “orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados”. Ora, o texto legal nos parece bem claro, restando evidente que existe

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um grande desvirtuamento, por parte de inúmeros órgãos públicos, dessa definição em função da denominação “básico” na nomenclatura. Fica aqui a sugestão, quando efetiva alteração da

Lei 8.666/93, ora em andamento, que se altere o nome de projeto básico para projeto técnico

ou projeto de engenharia.

Atualmente parece-nos bastante evidente que grande parte dos problemas de superfaturamento, especialmente aqueles relativos ao “jogo de planilha”, tem sua origem em projetos básicos deficientes. Cabe lembrar também grande iniciativa do Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas (IBRAOP), o qual publicou sua Orientação Técnica n o 01/2006, que bem define projeto básico e também aborda a questão do orçamento, uma vez que este integra aquele. Gostaríamos de reforçar que o orçamento é parte integrante do projeto, até mesmo do dito básico.

A questão do orçamento nos remete imediatamente à questão da economicidade, princípio

constitucional. Segundo Freire e Nunes (2002, p. 4), “O controle da economicidade, portanto, deve ser inspirado nas idéias de adequação dos meios utilizados aos fins pretendidos, da necessidade da medida adotada e, em especial, da proporcionalidade entre o custo e o benefício obtido por meio do ato examinado”. Esse autor também defende essa tese, no sentido de que o custo e o benefício devem guardar estreita relação, mantendo uma proporção razoável, quando das análises realizadas na perícia. Outro aspecto importante é que não prospere a subjetividade, tendo em vista que a legislação prevê a necessidade de justificativas técnicas para a promoção de alterações nos contratos administrativos.

2.3. Equilíbrio econômico-financeiro

Meirelles (2007, p. 206/207) define o equilíbrio econômico ou equilíbrio financeiro como “a relação que as partes estabelecem inicialmente, no ajuste, entre os encargos do contratado e a retribuição da Administração para a justa remuneração da obra, do serviço ou do fornecimento”. Essa relação entre o objeto e a remuneração fixada originalmente deve ser mantida até o final do contrato, seja em números absolutos ou em escala móvel, conforme veremos adiante. A proteção a esse equilíbrio tem a intenção de proteger ambos os lados, isto é, a Administração ao garantir o melhor preço obtido quando da realização do certame licitatório e a empresa executora da obra ao preservar o lucro almejado por ela quando da proposta apresentada que veio a ser a vencedora da citada licitação.

A defesa desses interesses cabe, obviamente, aos representantes de cada uma das partes.

Assim temos que os fiscais de obras são os defensores dos interesses da Administração e os engenheiros responsáveis técnicos o fazem pelas empresas executoras. Cabe, portanto, a cada um deles acompanhar, rigorosamente, a execução da obra tomando as atitudes que cada situação, com suas peculiaridades, possa requerer visando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Quanto às diversas situações que podem ocorrer, abordaremos algumas delas mais detalhadamente, demonstrando a ocorrência do chamado “jogo de planilha”, tão prejudicial ao erário público. Já pelo lado da empresa, da mesma forma, podem ocorrer algumas situações que igualmente lhe causem prejuízo. Alguns consultores em atividade no país utilizam o termo CLAIM para representar a defesa dos interesses das empresas.

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2.4. CLAIM

CLAIM é uma palavra em inglês cujo significado enquanto substantivo é “reivindicação, solicitação, reclamação, direito, afirmação, alegação”, segundo o dicionário português-inglês / inglês-português OXFORD Escolar (2007, p. 358). No trabalho intitulado “Prevenção, Identificação e Registro de CLAIMs”, esse termo é definido como um pedido legítimo de ressarcimento de custos adicionais (um pagamento adicional), em virtude de uma alteração em relação aos termos iniciais do contrato” (Almeida Junior, 2006, p. 1). Bernardes (2007, p. 21), em sua obra específica sobre a matéria, propõe um “instrumento técnico e jurídico, de comprovada eficácia, para encaminhamento das questões relativas ao reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de empreitada de obras públicas”, denominado por ele como revisão pericial de custos de obras públicas.

O mesmo autor defende a perícia como meio de prova, com o que concordo integralmente.

Entretanto, entendo ser ideal a firme atuação dos representantes legais das partes, a qual deve ser tempestiva e tecnicamente correta, o que evitaria a necessidade da realização da perícia.

A empresa HORMIGON Engenharia e Consultoria, em trabalho intitulado “Engenharia de Administração de Contratos”, apresenta algumas das principais “patologias dos contratos de empreitada”: projetos e especificações incorretos, defeituosos ou alterados; mudanças na metodologia construtiva; mudanças nas condições dos locais das obras; atrasos e suspensões; serviços adicionais; condições climáticas e mudanças na legislação/normas do contratante. Essas são situações que podem desequilibrar o contrato em desfavor da empresa executora, embora algumas delas também possam justificar o desequilíbrio em desfavor da Administração.

O conhecimento dos custos de uma determinada obra é extremamente importante para um

bom desempenho das empresas de engenharia, uma vez que permite a ela controlar seus gastos e aferir seu lucro, de modo a realizar os ajustes necessários com vistas a um melhor desempenho ou mesmo à própria sobrevivência da empresa. Pode-se afirmar que isso seria o mínimo exigível para uma empresa que tenha pretensão ou atue na área de obras públicas, tendo em vista as peculiaridades em favor da Administração nesse tipo de contrato. Com base em nossa experiência pessoal, ao longo dos últimos anos atuando na área de perícias em obras públicas, é possível afirmar que alguns dos problemas detectados na esfera criminal advêm do fato de que as empresas desconhecem os custos reais das obras públicas para as quais ofereceram proposta vencedora em licitação, o que ocorre em inúmeras obras de pequeno porte no interior do país, ou os manipulam de modo a lhes favorecer em detrimento do erário público.

2.4. Superfaturamento

Existem poucos trabalhos técnicos específicos sobre o tema de superfaturamento, e menos ainda sobre a parcela de “jogo de planilha”. No VI SINAOP – Seminário Nacional de Auditoria de Obras Públicas, realizado em Florianópolis/SC no ano de 2001, temos um dos artigos pioneiros sobre superfaturamento, onde é apresentado seu conceito como a emissão de uma nota discriminada de um produto ou serviço, cujo preço é superior ao praticado no

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mercado (Rocha, 2001, p. 3). Naquela oportunidade, foi apresentada proposta de metodologia para a construção de intervalos de confiança, baseados em modelo probabilístico, para definição das tolerâncias nas análises de auditorias para caracterização de superfaturamento com base científica. A proposta era lastreada em inferência estatística aplicável aos materiais de construção com o cálculo do valor pericial utilizando o limite superior. Apesar de ser uma proposta fundamentada, entendo que a mesma não prosperou, especialmente na área de perícias, pela grande dificuldade da aplicação dos critérios estatísticos que demandam pesquisa com significativa quantidade de dados amostrais, tendo em vista tratarem-se de obras pretéritas. Ainda que fossem obtidos os dados necessários, o longo tempo de resposta tornaria a relação custo/benefício inviável economicamente na grande maioria dos casos. Além disso, temos que a utilização do limite superior vai de encontro à legislação atualmente em vigor, considerando também que o objeivo da Adminsitração é obter o menor preço exequível.

O mesmo autor elaborou posteriormente outro artigo, onde mantinha a mesma definição para

superfaturamento e se atinha à questão dos preços, embora considerasse os pagamentos indevidos como englobando também as quantidades e especificações que apresentassem

incompatibilidades ou incoerências entre o que foi efetivamente executado e o que foi orçado

e pago (ROCHA, 2002). Foi uma evolução, porém essas parcelas não eram consideradas

superfaturamento. Vejamos outra abordagem sobre superfaturamento, citada por Campiteli (2006, p. 2 apud MARQUES NETO, 1993):

o superfaturamento de um contrato administrativo consiste em procedimento

doloso no sentido de lesar o erário público, por meio do expediente da prática de preços acima dos padrões de mercado, com desrespeito aos princípios da economicidade e razoabilidade que devem nortear a avença administrativa. Dito de outra maneira, superfaturamento implica na emissão de fatura em valor superior ao valor efetivo do bem, visando no mais das vezes a um locupletamento de alguma das partes por meio da apropriação dessa diferença.

] [

Segundo se pode depreender dos trabalhos localizados sobre superfaturamento, existe clara vinculação aos preços acima dos padrões de mercado, o que coaduna com a definição clássica constante inclusive dos dicionários. Segundo o dicionário MICHAELIS (michaelis.uol.com.br/moderno/português), superfaturamento, sinônimo de sobrefaturamento,

é Fraude contra o fisco, caracterizada pela diferença a mais entre o preço da fatura e o preço

de mercado”. O autor do presente artigo pretende, em conjunto com os demais peritos criminais engenheiros do Departamento de Polícia Federal (DPF), quando da elaboração do “Manual de Cálculo do Superfaturamento e outros Danos ao Erário”, desenvolvido para uso interno no âmbito da esfera criminal, ampliar esse conceito visando aplicação na área da engenharia. Assim, foi elaborado um conceito de superfaturamento composto de diversas parcelas, bem como uma metodologia de cálculo que permitisse a análise individual de cada uma delas de forma independente das demais, permitindo conclusões parciais e o cálculo do valor global mediante simples soma aritmética. Isso proporciona um maior entendimento por parte dos destinatários dos laudos periciais, os quais geralmente são leigos posto que, em sua maioria, bacharéis em direito.

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Segue transcrição do conceito proposto para superfaturamento, naquele documento considerado também sinônimo de dano ao erário:

Dano ao erário ou superfaturamento em obras de engenharia prejuízo aos cofres públicos caracterizado por:

a) medição de quantidades superiores às efetivamente executadas;

b) pagamento de obras, bens e serviços por preços manifestamente superiores à

tendência central (mediana ou média) praticada pelo mercado ou incompatíveis com

os fixados pelos órgãos oficiais competentes, bem como pela prática de preços unitários acima dessa tendência central (mediana ou média) de mercado;

c) deficiência na execução de obras e serviços de engenharia que resulte em

diminuição da qualidade, vida útil ou segurança;

d) quebra do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em desfavor da

Administração por meio da alteração de quantitativos e/ou preços (jogo de planilha) durante a execução da obra;

e) alteração de cláusulas financeiras gerando recebimentos contratuais antecipados,

distorção do cronograma físico-financeiro, prorrogação injustificada do prazo contratual ou reajustamentos irregulares; e

f) superdimensionamento ou subdimensionamento de quantidades e/ou qualidades

de materiais ou serviços, além ou aquém das necessárias segundo práticas e normas

de engenharia vigentes à época do projeto.

Pode-se perceber que o foco do presente estudo, o “jogo de planilha”, é o item “d” da definição acima, a qual se refere necessariamente à quebra do equilíbrio econômico- financeiro inicial do contrato e também à sua ocorrência durante a execução da obra, uma vez que requer a alteração da planilha orçamentária proposta na licitação.

2.5. “Jogo de Planilha”

Em se tratando especificamente de “jogo de planilha” temos que ele tem sua origem vinculada sempre aos termos aditivos contratuais. Mais que isso, para sua ocorrência, como o próprio nome nos leva a intuir, faz-se necessário que haja alterações diretamente na planilha orçamentária, seja nos quantitativos ou nos preços, tanto na inclusão como na supressão de serviços. Ressalte-se que é extremamente comum a ocorrência de alterações durante a execução de obras de engenharia, especialmente as obras públicas, tendo em vista que um dos grandes problemas visualizados por aqueles que militam nessa área é a enorme deficiência dos projetos que servem de suporte para as licitações.

Fortes (1988, p. 139) afirma que:

[ ]

licitação ou em contrato, sejam os mesmos comunicados oficialmente ao contratante, com cópia para o setor de planejamento do contratado, a fim de serem incluídos em medição e, conseqüentemente, no respectivo faturamento.

antes de executarem quaisquer obras e/ou serviços não discriminados na

O autor entende que na esfera pública a situação é ainda mais exigente, havendo que ser devidamente firmado e publicado o termo aditivo contratual, com todas as informações necessárias ao perfeito entendimento das alterações promovidas, o que infelizmente nem sempre ocorre de fato.

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Ainda que haja o termo aditivo, o § 1 o da alínea “d”, inciso II, artigo 65 da Lei 8.666/93, determina que as alterações do contrato administrativo, para as situações lá previstas, devem manter as mesmas condições iniciais:

§ 1 o O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% (cinqüenta por cento) para os seus acréscimos.

Portanto, entendo que o desconto original, caso exista, deve ser mantido para os termos aditivos, ressalvadas as situações excepcionais previstas legalmente. Um dos melhores trabalhos sobre “jogo de planilha” localizados pelo autor, o qual possui alto grau de profundidade, foi a tese de mestrado defendida em 2006 por Marcos Vinicius Campiteli, servidor do TCU, intitulada “Medidas para Evitar o Superfaturamento Decorrente dos Jogos de Planilha em Obras Públicas”. Essa tese pode ser considerada um marco sobre o assunto, o qual ainda é muito pouco explorado em trabalhos publicados, bem como possui diversos aspectos polêmicos. Campiteli (2006, p. 37/38) define “jogo deplanilha”como:

O “jogo de planilha”, também conhecido por “jogo de preços”, é um artifício utilizado por licitantes que a partir de projetos básicos deficitários e/ou por informações privilegiadas, conseguem saber antecipadamente quais os serviços que terão o quantitativo aumentado, diminuído ou suprimido ao longo da execução da obra a ser licitada e manipulam os custos unitários de suas propostas, atribuindo custos unitários elevados para os itens que terão o seu quantitativo aumentado e custos unitários diminutos nos serviços cujo quantitativo será diminuído ou suprimido. Com isso, vencem a licitação por conseguirem um valor global abaixo dos concorrentes, graças aos custos unitários diminutos que não serão executados. Assim, após as alterações contratuais já previstas pelo vencedor do certame no momento da elaboração da proposta, o valor global do objeto contratual passa a encarecer em relação ao seu valor de mercado, podendo tornar-se a proposta mais desvantajosa para a Administração entre as demais da licitação.

Há outra definição para jogo de planilha, classificada como o tipo clássico, conforme Kresch (2008, p.1):

um grande aumento nos quantitativos exatamente daqueles itens cujos preços

unitários estavam acima dos de mercado, e uma redução dos quantitativos dos itens

cujos preços estavam abaixo dos de mercado, gerando um desequilíbrio econômico- financeiro em desfavor do órgão contratante.

[ ]

Esse mesmo autor descreve alguns casos de “jogo de planilha” como acréscimo de itens com sobrepreço unitário, redução ou eliminação de quantitativos de itens com subpreço e acréscimo de serviços novos, inclusive com apresentação dos métodos da limitação dos preços dos quantitativos excedentes, do balanço, do desconto, do desconto localizado e ainda do método da segunda colocada na licitação. No manual desenvolvido pelo DPF, como já citado, temos diversas definições, sendo todas muito importantes em função da necessária padronização de conceitos, inclusive a seguinte que é o objeto principal desse trabalho:

Jogo de planilha ocorrência de alterações quantitativas na planilha contratual, através de acréscimos, decréscimos, supressões ou inclusões de serviços e materiais,

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bem como de variações de preços nas medições, que modifiquem o ponto de equilíbrio econômico-financeiro, sem justificativa adequada, causando dano ao erário. Também pode ocorrer entre contratos de uma mesma obra.

Assim, pelo próprio conceito de “jogo de planilha” elaborado, temos as possibilidades de ocorrência desse fenômeno devido à:

Acréscimo de quantidades de itens originais com sobrepreços;

Decréscimo ou supressão de quantidades de itens originais com subpreços;

Alteração de preços originais em termos aditivos;

Inclusão de itens novos com sobrepreços.

Essas diversas possibilidades foram exploradas mediante exemplos constantes do anexo, através da utilização de planilhas orçamentárias e de modo a garantir o perfeito entendimento do fenômeno. De maneira didática, exponho a ocorrência de cada possibilidade individualmente, ressaltando que na prática é grande a possibilidade de ocorrem em conjunto e de forma aleatória, isto é, podem ocorrer diversas combinações delas em cada caso concreto, como o exemplo final que é uma mistura dos casos individuais apresentados inicialmente. O “Jogo de Planilha” pode ocorrer principalmente nos seguintes casos:

Celebração de termos aditivos de acréscimos, supressões ou inclusões de serviços e materiais;

Alteração de preços contratados nas medições que resultem em aumento de valor;

Paralisação da obra;

Abandono da obra por parte da Contratada.

Gostaria de explicar que os casos de paralisação ou abandono da obra podem causar “jogo de planilha” quando os preços dos serviços iniciais estiverem altos e os preços dos serviços finais estiverem baixos. Após a execução de determinado percentual da obra, a empresa já teria auferido lucro maior que o pretendido inicialmente, o que a leva a abandoná-la, ficando o contrato desequilibrado até aquele momento. Em caso de rescisão contratual, o agente público tem o dever de analisar a execução físico-financeira do contrato visando promover seu reequilíbrio, sendo o caso de retenção das garantias contratuais ou até mesmo devolução de parte dos pagamentos já recebidos pela empresa executora da obra. O superfaturamento por desequilíbrio econômico-financeiro ou “jogo de planilha” ocorre quando há o rompimento desse equilíbrio inicial do contrato em desfavor da Administração por meio da alteração das cláusulas de serviço (mudanças de quantitativos, trocas de serviços, etc.) e/ou das cláusulas financeiras (mudanças de preços dos serviços, prazos de pagamento, reajustamentos, etc.) durante a execução da obra. O artigo 92 da Lei 8.666/93 tipifica como crime, aplicável ao agente público, conduta que consideramos como “jogo de planilha”:

Art. 92. Admitir, possibilitar ou dar causa a qualquer modificação ou vantagem, inclusive prorrogação contratual, em favor do adjudicatário, durante a execução dos contratos celebrados com o Poder Público, sem autorização em lei, no ato convocatório da licitação ou nos respectivos instrumentos contratuais, ou, ainda, pagar fatura com preterição da ordem cronológica de sua exigibilidade, observado o disposto no art. 121 desta Lei:

Pena - detenção, de dois a quatro anos, e multa. (grifo nosso)

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Já o artigo 96 da Lei 8.666/93 tipifica como crime, aplicável tanto ao agente público como ao

contratado, conduta considerada “jogo de planilha”:

Art. 96. Fraudar, em prejuízo da Fazenda Pública, licitação instaurada para aquisição ou venda de bens ou mercadorias, ou contrato dela decorrente:

I - elevando arbitrariamente os preços;

II - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;

III - entregando uma mercadoria por outra;

IV - alterando substância, qualidade ou quantidade da mercadoria fornecida;

V - tornando, por qualquer modo, injustamente, mais onerosa a proposta ou a

execução do contrato:

Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. (grifo nosso)

A Lei nº 12.017 de 12/08/2009, mais conhecida como Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

2010, em seu artigo 112, mais especificamente nos §§ 5º e 6º, prevê:

§ 5º Deverá constar do projeto básico a que se refere o art. 6º, inciso IX, da Lei nº

8.666, de 1993, inclusive de suas eventuais alterações, a anotação de responsabilidade técnica e declaração expressa do autor das planilhas orçamentárias, quanto à compatibilidade dos quantitativos e dos custos constantes de referidas planilhas com os quantitativos do projeto de engenharia e os custos do SINAPI, nos

termos deste artigo.

§ 6º A diferença percentual entre o valor global do contrato e o obtido a partir dos custos unitários do SINAPI ou do SICRO não poderá ser reduzida, em favor do contratado, em decorrência de aditamentos que modifiquem a planilha orçamentária.

Ora, tais previsões legais caracterizam redundância em relação às outras previsões legais já existentes, como as Leis 6.496/77 e 8.666/93. No caso do citado § 5º, a exigência do registro de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é a mesma prevista na Lei Federal nº 6.496, de 07/12/1977, sendo obrigatório para serviços técnicos de engenharia, caso em que se enquadram os orçamentos.

A novidade fica por conta da exigência de declaração expressa do orçamentista quanto à

compatibilidade dos quantitativos e dos custos constantes das planilhas dos órgáos licitantes,

a qual contém os quantitativos de serviços dos projetos de engenharia e os custos advindos do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), mantido pela Caixa Econômica Federal (CEF) em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A parcela relativa aos quantitativos é intuitiva, uma vez que é o próprio objeto do trabalho

desenvolvido, e os custos do SINAPI são exigidos pela própria LDO, desde 2003, para as obras públicas. Quanto ao § 6º acima, aborda a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, normalmente quebrado em desfavor da Administração via “jogo de planilha”, causado pelos aditamentos que modifiquem a planilha orçamentária. O artigo 65 da Lei 8.666/93, em seu inciso II, alínea “d”, já prevê exatamente esse mesmo instrumento, o que corrobora meu entendimento pessoal de que, desde a publicação da citada lei em 1993, existe a possibilidade de se punir a ocorrência de superfaturamento, especialmente o “jogo de planilha”.

Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos:

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal II

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

II - por acordo das partes:

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d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio econômico- financeiro inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994).

Com isso, percebe-se que, à exceção das situações previstas acima, as demais alterações deverão configurar “jogo de planilha” caso sejam em desfavor da Administração. Nesse ponto, cabe ressaltar que podem ocorrer variações normais de obra, que, dependendo de sua relevância, não deverão ser considerados como “jogo de planilha”, embora eventualmente possam não atender aos requisitos ora tratados. Importante chamarmos a atenção para o fato de que o jogo de planilhapode ocorrer mesmo quando o valor global final do contrato fica abaixo do valor médio de mercado. Caso a condição de equilíbrio econômico-financeiro seja alterada, durante a execução do contrato, de forma a causar prejuízo à Administração, ou seja, havendo redução do subpreço original, restará configurada a ocorrência de “jogo de planilha”. Durante a execução do contrato, eliminam-se itens com maiores descontos e acrescem-se aqueles com menor desconto ou com valor superior ao de mercado, diminuindo-se assim o desconto original do valor global, que pode ser significativo a ponto de se eliminar a vantagem obtida pela Administração por ocasião da licitação, podendo ocorrer até mesmo a inversão do ambiente, passando de subpreço para sobrepreço. Esse fenômeno, até alguns anos atrás muito raro devido às licitações onde se contratavam serviços e materiais com sobrepreço, vem ocorrendo com maior frequência. Desta forma, a regra atual é que sempre se contrate empresas e fornecedores com subpreço através da aplicação de desconto original, desde que verificada a ocorrência de preço inexeqüível conforme previsto na Lei 8.666/93 e suas alterações. Esse tipo de fraude permite que a licitante "mergulhe" no preço global para vencer o certame e, por meio de alterações contratuais, diminua o desconto proposto originalmente no valor global para garantir uma remuneração mais elevada, com a qual possivelmente ela sequer teria vencido o certame licitatório. Nesse caso, impõe-se à Administração o dever de reequilibrar o contrato de forma a garantir, ao final de sua execução, a manutenção da condição original. Outra forma de caracterizar jogo de planilha é a manipulação de preços. Durante a obra, ao longo das medições, alteram-se os preços contratados aumentando-se alguns e abaixando-se outros, em função dos quantitativos de cada serviço, de forma que o valor final fique superior ao previsto com os valores originais. Cabe ressaltar nesse ponto que a participação do agente público é imprescindível posto que atesta as medições autorizando seu pagamento e deveria, de ofício, conferir se os preços cobrados estão compatíveis com aqueles contratados. Esse autor também entende que as medições devem manter os preços históricos, leia-se preços contratuais, devendo haver medições separadas para os reajustamentos ou outras alterações contratuais com impacto nos valores pagos.

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Cabe destacar que, a princípio, qualquer percentual detectado como jogo de planilha deve ser caracterizado como superfaturamento. Todavia, se faz necessário estabelecer algumas ressalvas de forma a não atribuir superfaturamento por situações tecnicamente aceitáveis ou legalmente justificadas. Lançando mão, mais uma vez, da Lei 8.666/93:

Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos:

I - unilateralmente pela Administração:

a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos; b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei.

A Administração Pública, portanto, pode unilateralmente modificar o projeto e,

conseqüentemente, os serviços previstos na planilha original. Nesses casos, desde que existam

justificativas técnicas e que as mesmas sejam consideradas pertinentes, pode não se mostrar justo que a contratada mantenha o desconto original nos serviços novos, caso existam. Deverá, então, ser estabelecido o valor limite como o preço médio de mercado respeitando-se a LDO, caso não se demonstre, por outros meios, que essa mudança foi fruto de um conluio entre as partes para burlar o desconto original ou ainda que as mudanças não tragam real melhoria às condições técnicas da obra.

Na hipótese de aumento ou decréscimo de quantitativos em termos do objeto contratado, já

existem preços contratados estabelecidos e devemos proceder da seguinte forma:

se o serviço ou material a ser acrescido tiver preço superior ao médio de mercado, deverá ser aditado pelo preço médio de mercado ou inferior (LDO e acórdãos do TCU);

se o serviço ou material a ser acrescido tiver preço inferior ao médio de mercado, deverá ser pago pelo preço de contrato (§ 1 o do inciso II, Art. 65 da Lei nº 8.666/93);

em caso de decréscimo ou supressão de serviço ou material, seja com preço superior ou inferior ao médio de mercado, deve-se apenas atentar para os limites do § 1 o do inciso II, Art. 65 da Lei nº 8.666/93.

Em qualquer das hipóteses acima, cabe lembrar que a conclusão deverá ser em termos globais

e os cálculos são realizados em termos unitários de serviços. Com isto, podemos ter a necessidade de adequações em alguns serviços objeto de aditamento de modo a assegurar a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato após as alterações promovidas. As adequações necessárias estarão em desacordo com as orientações acima e deverão atingir o menor número possível de itens aditados.

Em casos de sobrepreço final, recorda-se que caso haja supressão de itens com subpreço em

quantidades significativas para alterar o equilíbrio econômico-financeiro a ponto de elevar uma situação inicialmente inferior a 10% (dez por cento) para um patamar superior a 10% (dez por cento), deve-se imputar essa parcela integralmente, restando esclarecimentos e justificativas por parte do contratado na esfera judicial.

Assim, promovendo-se as alterações de contrato na forma da lei e sem elevação do sobrepreço final a patamares superiores a 10% (dez por cento), a parcela de superfaturamento por jogo de planilha deve ser desconsiderada.

Em casos de subpreço final, pode-se diminuir sobremaneira o desconto original, a princípio

gerando uma parcela de superfaturamento devido ao “jogo de planilha” que deveria ser

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calculada e somada com as demais. Todavia, se esses acréscimos, decréscimos, inclusões e supressões forem cobertos pela condicionante da alínea "a", do inciso I do Artigo nº 65 da Lei nº 8.666/93 citada, seus efeitos no cálculo do superfaturamento por “jogo de planilha” devem ser desconsiderados. Além dessas exceções, existe outra no caso em que parte ou todo o percentual calculado como “jogo de planilha” for considerado oriundo de ajustes corriqueiros nas quantidades finais da obra. Não se deve considerar essa parcela no superfaturamento desde que sua ocorrência não altere significativamente o equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Preocupado em estabelecer um critério de tolerância, o Tribunal de Contas do DF estabeleceu como limite o percentual de 10% (dez por cento) para variação nas quantidades (Lei nº 1.371, de 13 de janeiro de 1997). Acima deste valor, existe a obrigatoriedade da apresentação de justificativa por parte do responsável técnico pelo projeto básico. Mais tolerante foi o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), em sua Resolução nº 361/91, que considerou aceitável o percentual de tolerância de 15% (quinze por cento), conforme explícito no artigo 30:

Art. 30 - As principais características de um Projeto Básico são:

f) definir as quantidades e os custos de serviços e fornecimentos com precisão compatível com o tipo e porte da obra, de tal forma a ensejar a determinação do custo global da obra com precisão de mais ou menos 15% (quinze por cento).

Devemos atentar para o fato de que essa orientação se refere ao custo global da obra, o que nos remete não apenas aos quantitativos como também às variações de custos, haja vista que os custos de serviços advêm da multiplicação de ambos. Assim, o percentual de 15% (quinze por cento) deve contemplar esses dois aspectos. Podemos ir mais além, pois caso se tenha levado acabo o procedimento licitatório com base no projeto executivo, teríamos então um menor percentual de tolerância posto que, com melhor detalhamento do projeto, aumenta a precisão dos custos. Assim, como orientação, recomenda-se desconsiderar a parcela de jogo de planilha causada por acréscimos e supressões de quantidades de até 10% (dez por cento), considerados aqui o tipo de serviço e o levantamento de campo realizado. Gostaríamos de lembrar que as análises são realizadas para cada serviço individualmente e existem alguns deles que não admitem tolerância, como por exemplo, janelas ou portas, cuja imprecisão pode ser considerada nula.

O Perito poderá, a seu critério, estabelecer outros limites de acordo com a natureza dos vários

tipos de serviços envolvidos. Ressalta-se que é fundamental não proceder a uma análise puramente matemática, sendo necessário contextualizá-la nos aspectos construtivos e de relevância envolvidos.

3. Metodologia de Cálculo do “Jogo de Planilha”

A metodologia ora apresentada foi desenvolvida pelos Peritos Criminais Federais, da área de

Engenharia Civil, dentre os quais o autor, todos vinculados, direta ou indiretamente, ao

Serviço de Perícias de Engenharia Legal e Meio Ambiente (SEPEMA/DPER/INC/DITEC/DPF).

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Para a análise da ocorrência do “jogo de planilha” existem duas possibilidades em função das análises de preço: ambiente de sobrepreço ou de subpreço. Ambas podem ser calculadas individualmente por item de planilha, para tanto bastando aplicarmos a devida formulação matemática em cada situação. Esse procedimento, que pode ser facilmente automatizado em planilha eletrônica, facilita a compreensão de quais serviços estão causando superfaturamento por jogo de planilha. Em ambos os casos, é fundamental determinar o ponto de equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Esse autor defende a utilização de apenas dois métodos para cálculo da parcela de superfaturamento devida exclusivamente ao “jogo de planilha”, sendo cada um adequado a uma das situações acima descritas. Em ambiente de sobrepreço utilizamos o “método do balanço” e em caso de subpreço usamos o “método do desconto”. A justificativa seria que os métodos refletem melhor a realidade de cada situação, isto é, irão melhor definir o que deve ser tutelado pela Administração na defesa de seus interesses. No caso de sobrepreço original, temos duas hipóteses: sobrepreço abaixo do limite de tolerância, que não seria considerado como superfaturamento e sobrepreço acima desse limite. Na primeira hipótese a situação é simples: devemos atentar para que os termos aditivos obedeçam aos limites dos valores de mercado de modo a não aumentar o sobrepreço. Já na segunda hipótese, teríamos que renegociar o termo aditivo de modo a que o sobrepreço diminua mantendo-se, pelo menos, dentro do limite de tolerância adotado. Nessa situação, o mais adequado é o “método do balanço”, feito em termos monetários, pois que o que deve ser garantido é que o valor do sobrepreço não aumente. Na hipótese de subpreço, o mais adequado é o “método do desconto”, feito em termos percentuais, pois o que deve ser garantido é que a proporção do desconto dado, que

entendemos reflita melhor a “relação” prevista na alínea “d” do artigo 65 da Lei 8.666/93, seja mantida até ao final da obra, isto é, a vantagem auferida pela Administração com o evento licitatório não se perca durante a execução do contrato. Deve ser em termos percentuais pois é

a forma mais simples de realizar tais análises, tendo em vista a grande quantidade de serviços

existentes nas planilhas orçamentárias, cada um com suas peculiaridades e seus quantitativos.

O autor gostaria de abordar o chamado fator “K”, utilizado em algumas licitações em nosso país, que consiste basicamente na aplicação de um único fator, que pode ser maior ou menor que a unidade caso se queira dar desconto ou estar acima do preço de referência do órgão licitante, como uma solução para alguns casos de “jogo de planilha”. Ora, se todos os itens planilhados receberam o mesmo desconto percentual, não há que se falar em manipulação de quantitativos ou em preços altos e baixos em relação ao mercado. Entretanto, ainda poderiam ocorrer, por exemplo, alteração de preços durante a execução da obra ou inclusão de serviços novos, porém ambos seriam de mais fácil identificação e controle.

3.1. Ponto de Equilíbrio Econômico-Financeiro

O ponto de equilíbrio econômico-financeiro do contrato é obtido através da identificação da situação original de cada item contratual em comparação com preços referenciais. Esses preços deverão ser medianos ou médios de mercado à época do contrato firmado, geralmente

a data-base da proposta. Após isso, obteremos o valor global da obra calculado pela perícia, através do qual poderemos concluir se ocorreu sobrepreço ou subpreço original.

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Caso a divergência devido ao preço global inicial (Dpi) seja positiva, poderá ser considerada a ocorrência de sobrepreço global inicial, também denominado de sobrepreço original. Caso contrário, consideramos a ocorrência de subpreço global inicial, também denominado desconto original, ambos expressos em moeda corrente. Devemos atentar para a análise da significância da parcela de divergência devida ao preço global inicial, posto não existir consenso nesse ponto. Um aspecto importante é a definição de uma margem de segurança global, a qual entendemos existir em função das imprecisões intrínsecas aos métodos de levantamento de quantitativos e orçamentação, podendo-se adotar inicialmente o percentual de 10% (dez por cento) ou outro arbitrado pelo perito.

A margem de segurança global adotada é aplicável apenas em casos de sobrepreço, quando

devemos compará-la ao percentual de sobrepreço global inicial (PE). Caso seja maior, devemos considerá-la significativa, imputando como débito todo o valor calculado. Caso o percentual de sobrepreço global inicial (PE) seja menor que a margem de segurança global adotada, devemos realizar análises mais detalhadas, identificando os serviços cujos preços unitários apresentem divergência percentual relevante, positiva ou negativa em relação ao preço de referência, superior à margem de segurança por serviço, podendo ser adotado inicialmente o percentual de 30% (trinta por cento), somando-as ao final. Cabe ressaltar que o citado percentual foi adotado em função de análises de alguns projetos padrões do SINAPI, mediante comparação dos valores da mediana com aqueles do 3º quartil para os serviços mais relevantes. Por fim, não posso me furtar em citar a LDO 2010, que em seu § 1 o do artigo 112 contém expressamente o percentual de 20% (vinte por cento) para essa mesma finalidade, embora com algumas restrições:

§ 1 o Em obras cujo valor total contratado não supere o limite para Tomada de Preços, será admitida variação máxima de 20% (vinte por cento) sobre os custos unitários de que trata o caput deste artigo, por item, desde que o custo global orçado fique abaixo do custo global calculado pela mediana do SINAPI.

O valor monetário calculado nas análises mais detalhadas, caso positivo e menor que a

divergência de preços global inicial, poderá ser, em função da relevância dos itens e demais aspectos porventura observados, considerado como divergência significativa devida aos preços iniciais. Caso esse valor seja maior que a divergência de preços global inicial, esta última é que deverá ser considerada como divergência significativa devida aos preços iniciais.

O ponto de equilíbrio econômico-financeiro (PE) é o percentual obtido, seja positivo ou

negativo, da razão entre a divergência devido ao preço global inicial (Dpi) e o valor de referência do contrato inicial (VRc), calculado pela seguinte fórmula:

PE = Dpi / VRc

A idéia de se determinar esse ponto de equilíbrio é verificar posteriormente se, considerando

as quantidades e preços realmente executados ao final do contrato e os preços médios de mercado, é preservado o ponto de equilíbrio original do contrato. Em caso negativo, a análise apontará se o novo ponto obtido é favorável ou desfavorável à Administração Pública.

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal 3.2.

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

3.2. Ambiente de Sobrepreço

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Nesse caso será aplicado o método do balanço (referência Acórdão 583/2003 Plenário TCU) para os cálculos, onde as conseqüências financeiras serão medidas em função de um confronto entre os preços da contratada com os valores de mercado.

Na metodologia desenvolvida pelo DPF, a parcela do “jogo de planilha” é calculada juntamente com o sobrepreço global final, não estando explicitada neste momento. Se a diferença entre o sobrepreço final e o inicial for relevante, a critério do perito e em função das peculiaridades de cada obra sob exames, a parcela de jogo de planilha poderá ser calculada, então, de duas maneiras.

A primeira delas é feita de maneira simplificada, caso não seja necessário destacar os

principais serviços que deram causa ao jogo de planilha, pela simples diferença entre o

sobrepreço final (Dpf) e o inicial (Dpi), que nesse caso será monetária.

A outra maneira é o cálculo através do método do balanço, cuja definição segue abaixo:

Método do balanço Análise dos efeitos financeiros causados pelas variações entre as quantidades e preços unitários questionados e as quantidades e preços unitários de referência do Perito Criminal Federal, utilizando valores monetários;

A formulação matemática do método do balanço é expressa por:

Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc Pr)]

onde:

Djp Divergência devida ao jogo de planilha

Qpe Quantidade de serviços considerados pelos peritos como executados

Qc Quantidades previstas no contrato inicial

Pm Preço unitário do serviço medido ou pago

Pr

Preço unitário de referência

Pc

Preço unitário previsto no contrato inicial

Cabe ressaltar que não devem ser computadas no cálculo da divergência devida ao jogo de planilha (Djp) aquelas decorrentes de alterações tecnicamente aceitáveis e legalmente justificadas, a exemplo do disposto na alínea "a", do inciso I do Art. nº 65 da Lei 8.666/93, salvo o caso em que tais alterações aumentem o sobrepreço original.

Se a divergência devida ao jogo de planilhafor positiva e relevante, deve constar no Laudo

que foi caracterizada a ocorrência de jogo de planilha, devendo ser apresentadas as parcelas decorrentes da divergência devida ao sobrepreço global inicial e da divergência devida ao “jogo de planilha” separadamente.

Caso a divergência devida ao jogo de planilhafor negativa ou irrelevante, deve constar no Laudo que não foi caracterizada a ocorrência de jogo de planilha. Entretanto, seu valor monetário deve ser computado no cálculo da divergência devida ao preço global final, havendo redução do potencial dano ao erário causado pelo sobrepreço global inicial.

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3.3. Ambiente de Subpreço

Em caso de subpreço, que pode representar a vantagem auferida pela Administração Pública com o procedimento licitatório, será aplicado o método do desconto (referência Acórdão 1755/2004 Plenário TCU), onde as conseqüências financeiras serão medidas em função de uma análise do desconto original e o equilíbrio final medido pelos Peritos.

A divergência devida ao preço global final (Dpf) é igual à divergência devida ao jogo de

planilha(Djp), a qual é calculada pelo método do desconto, cuja definição é:

Método do desconto Análise dos efeitos financeiros causados pelas variações entre as quantidades e preços unitários questionados e as quantidades e preços unitários de referência do Perito Criminal Federal, considerando o desconto original em termos percentuais.

A formulação matemática do método do desconto é expressa por:

Djp = Σ [Qpe x (Pm – Pr x (1 + PE)) - Qc x (Pc Pr x (1 + PE))]

onde:

Djp Divergência devida ao jogo de planilha Qpe Quantidade de serviços considerados pelos peritos como executados Qc Quantidades previstas no contrato inicial Pm Preço unitário do serviço medido ou pago

Pr

Preço unitário de referência

Pc

Preço unitário previsto no contrato inicial

PE Ponto de equilíbrio econômico-financeiro do contrato

Nesse cálculo são considerados os serviços extracontratuais, adotando-se os preços medidos

ou pagos iguais ao preço de referência da perícia e as quantidades contratuais iniciais iguais a

zero. Entende-se por serviço extracontratual aquele constatado na vistoria, não integrante do contrato original e/ou de seus termos aditivos, que não tenha sido medido ou pago durante a execução da obra, ou seja, não formalizado.

Da mesma forma, devem ser considerados todos os serviços medidos ou pagos, independentemente da sua quantidade na planilha orçamentária da proposta original e da existência de termo aditivo contratual, tendo em vista que, na esfera criminal, se busca a verdade real, a qual deverá estar lastreada na vistoria de campo obrigatoriamente realizada. De forma similar ao ambiente de sobrepreço, cabe ressaltar que não devem ser computadas no cálculo da divergência devida ao jogo de planilha (Djp) aquelas decorrentes de alterações tecnicamente aceitáveis e legalmente justificadas, a exemplo do disposto na alínea "a", do inciso I do Art. nº 65 da Lei 8.666/93, salvo o caso em que tais alterações causem sobrepreço e a conseqüente perda do desconto original. Se a divergência devida ao jogo de planilha for positiva e relevante, deve constar no Laudo que foi caracterizada a ocorrência de jogo de planilha, devendo ser apresentada essa parcela separadamente.

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Caso a divergência devida ao jogo de planilha for negativa ou irrelevante, deve constar no Laudo que não foi caracterizada a ocorrência de jogo de planilha, inexistindo neste caso divergência devida ao preço final (Dpf = 0).

4. Conclusão

A principal contribuição desse trabalho é a apresentação de metodologia para cálculo do

superfaturamento devido exclusivamente ao “jogo de planilha”, desenvolvida para utilização

na esfera criminal pelo grupo de peritos de Engenharia Civil do DPF, com base em alguns

critérios objetivos iniciais. Esse autor acredita que os valores iniciais propostos tiveram apresentadas suas origens de modo a justificar sua adoção, porém encontrando-se abertos para posteriores discussões enquanto assunto controverso, sobre o qual ainda não existe consenso. Foram apresentados diversos conceitos, os quais foram discutidos mediante apresentação de autores conhecidos no meio técnico e fundamentação na legislação vigente, com vistas à estruturação da metodologia apresentada. Os métodos adotados nos casos de sobrepreço ou subpreço originais, a saber, do balanço e do desconto respectivamente, são considerados mais adequados a cada um deles do ponto de vista teórico, conforme já apresentado. Como resultado das análises realizadas nos exemplos do anexo e fruto de anos de experiência na área de perícias criminais, pode-se afirmar que a ocorrência de “jogo de planilha” independe do valor absoluto ou mesmo do percentual relativo, havendo que se ater à intenção de causar o dano através dos termos aditivos firmados ou da simples alteração durante a execução da obra sem a devida formalização. Nesse ponto é essencial a experiência e o conhecimento técnico do perito, haja vista que ele realizou todas as análises e cálculos, conhece todas as informações do caso, dentre elas as justificativas técnicas caso existam, e, com base em sua autonomia, pode melhor decidir acerca da efetiva ocorrência do “jogo de planilha”.

Pode-se perceber que existem diversas formas de ocorrência de “jogo de planilha”, como acréscimo de quantidades de itens originais com preços altos, decréscimo de quantidades de itens originais com preços baixos, supressão de itens originais com preços baixos, alteração de preços originais para preços mais altos e inclusão de itens novos com preços altos. Essas hipóteses costumam ocorrer também em conjunto, existindo diversas combinações possíveis.

A obra selecionada para apresentação dos exemplos foi um caso real de perícia realizada pelo

autor, em determinada época e região com considerável lapso temporal decorrido, que se tratava da construção de pequena barragem de concreto, cuja análise original apontou sobrepreço. Ela possui estrutura de itens bastante simples, pouca quantidade de serviços e é bastante adequada para a finalidade didática, permitindo fácil entendimento.

O resumo dos exemplos constantes do anexo encontra-se na tabela 1, a qual apresenta a

descrição de cada um com os valores absolutos em reais e relativos em percentual. Ressalta-se que considero a ocorrência de “jogo de planilha” em todas as situações analisadas, embora exista percentual muito pequeno como no exemplo 3.

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EXEMPLO

DESCRIÇÃO

PREÇO OBRA

JOGO DE

JOGO DE

PERÍCIA (R$)

PLANILHA (R$)

PLANILHA (%)

1 Acréscimo de itens com preço alto

78.650,73

20.421,57

2,57

2 Decréscimo de itens com preço baixo

75.250,93

19.414,27

2,38

3 Inclusão de item com preço alto

78.086,88

18.413,12

0,16

4 Supressão de item com preço baixo

76.210,83

18.869,17

1,34

5 Mudança para preço mais alto que o contratado

77.780,63

24.888,37

8,57

6 Caso geral englobando exemplos anteriores exceto o 4

75.641,13

28.805,37

14,66

Tabela 1 – Resumo dos exemplos de “Jogos de Planilha”

Outra conclusão é que pode ocorrer “jogo de planilha” mesmo em ambiente de subpreço, através da perda do desconto original. Não há que se argumentar preço global abaixo do preço médio de mercado, pois ainda deveria estar mais, de modo a garantir a vantagem auferida pela Administração Pública com o evento licitatório e manter o equilíbrio econômico-financeiro original do contrato, conforme exigido pela legislação vigente.

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KRESCH, André. Reequilíbrio Econômico-Financeiro em Favor da Administração em Caso de Jogo de Planilhas Métodos Atualmente Utilizados e em Desenvolvimento. Anais do XII SINAOP, Brasília, 2008. Disponível em <http://www.ibraop.org.br/site/media/sinaop/12_sinaop/artigos_tecnicos/reequilibrio_economico- financeiro_em_favor_da_administracao.pdf>. Acesso em 21 jun 2010.

MEIRELLES, Hely Lopes. Licitação e Contrato Administrativo. São Paulo, Malheiros, 2007.

NUNES, Wanda Cláudia Galuzzi; FREIRE, André Escovedo. Auditoria de Projetos: A análise Econômica das Obras Públicas. Anais do VII SINAOP, Brasília, 2002. Disponível em

<http://www.ibraop.org.br/site/media/sinaop/07_sinaop/auditoria_projetos_analise_economica_obras_publicas.p

df>. Acesso em 21 jun 2010.

ROCHA, Márcio Soares da. Classificação e Procedimentos Acerca de Irregularidades em Preços de Obras Públicas. Instituto de Auditoria de Obras de Engenharia do Ceará (IAECE), Fortaleza, 2002. Disponível em <http://www.iaece.org.br/artigos/uploads/HMaQZo0blJM8Qobrass.pdf>. Acesso em 21 jun 2010.

ROCHA, Márcio Soares da; CORREIA, José Alysson Benício; NOBRE JÚNIOR, Ernesto Ferreira. Superfaturamento de Obras Públicas. Anais do VI SINAOP, Florianópolis, 2001. Disponível em <http://www.ibraop.org.br/site/media/sinaop/06_sinaop/painel_05/p5_t2_superfatur_obras_public.pdf>. Acesso em 21 jun 2010.

20

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Outubro/2011

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Outubro/2011

Anexo A – Exemplos de “Jogo de Planilha” em Obra de Engenharia

21

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Obra

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Obra adotada: Construção de pequena barragem de concreto

Outubro/2011

 

QUANT.

P. UNIT.

P. TOT.

P. UNIT.

P. TOT.

ITEM

DISCRIMINAÇÃO

UN.

CONT.

CONT.

CONT.

PERÍCIA

PERÍCIA

 

A

B

C=AxB

D

E=AxD

01.00

SERVIÇOS

3.823,05

4.810,35

PRELIMINARES

01.01

Placa da obra (6,00 x 4,00) m²

un.

1,00

566,00

566,00

566,00

566,00

01.02

Limpeza do terreno (corte de capoeira fina a foice)

1350,00

0,21

283,50

0,46

621,00

01.03

Ligação provisória de água e sanitário

un.

1,00

551,20

551,20

551,20

551,20

01.04

Ligação provisória de luz e força

un.

1,00

314,35

314,35

314,35

314,35

01.05

Barracão de obra

20,00

46,00

920,00

78,49

1.569,80

01.06

Serviços topográficos

un.

90,00

13,20

1.188,00

13,20

1.188,00

02.00

MOVIMENTO DE TERRA

46.003,00

27.697,36

02.01

Escavação manual de valas em terra até 2,00 metros

790,00

9,00

7.110,00

5,76

4.550,40

02.02

Escoramento de valas tipo contínuo

306,00

16,00

4.896,00

11,21

3.430,26

02.03

Lastro de brita 3 e 4 aplicadas manualmente

85,00

46,40

3.944,00

57,11

4.854,35

02.04

Lastro de concreto, inclusive lançamento

26,30

121,00

3.182,30

144,77

3.807,45

02.05

Ensecadeira, parede simples

135,00

35,60

4.806,00

35,60

4.806,00

02.06

Transporte, espalhamento e compactação de material para reaterro

790,00

22,00

17.380,00

6,65

5.253,50

02.07

Carga mecanizada de terra em caminhão basculante

790,00

1,85

1.461,50

0,50

395,00

02.08

Regularização de subleito e escarificação

790,00

4,08

3.223,20

0,76

600,40

03.00

SUPERESTRUTURA

46.173,95

45.272,92

03.01

Forma c/chapa compensado resinado 12 mm com reut. 3 vezes

576,00

18,80

10.828,80

4,55

8.380,80

03.02

Desforma

1152,00

1,30

1.497,60

2,55

2.937,60

03.03

Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a 10 mm (1/4 a 3/8")

kg

7733,00

1,75

13.532,75

1,73

13.378,09

03.04

Concreto estrutural c/ betoneira controle tipo B Fck 18.0 Mpa

102,60

165,00

16.929,00

162,90

16.713,54

03.05

Lançamento e aplicação de concreto em estrutura

102,60

33,00

3.385,80

37,65

3.862,89

 

TOTAL CONTRATADO

96.000,00

T. PER.

77.780,63

 

DIFERENÇA DE PREÇOS

18.219,37

 

PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS

23,42%

Tabela A1 Análise de preço original ambiente de sobrepreço

22

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Exemplo

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Exemplo 1 Acréscimo de itens (2.6, 2.7 e 2.8) com preços altos

Outubro/2011

 

QUANT.

P. UNIT.

P. TOT.

P. UNIT.

P. TOT.

ITEM

DISCRIMINAÇÃO

UN.

PERÍCIA

MEDIDO

MEDIÇÃO

PERÍCIA

PERÍCIA

 

A

B

C=AxB

D

E=AxD

01.00

SERVIÇOS

3.823,05

4.810,35

PRELIMINARES

01.01

Placa da obra (6,00 x 4,00) m²

un.

1,00

566,00

566,00

566,00

566,00

01.02

Limpeza do terreno (corte de capoeira fina a foice)

1350,00

0,21

283,50

0,46

621,00

01.03

Ligação provisória de água e sanitário

un.

1,00

551,20

551,20

551,20

551,20

01.04

Ligação provisória de luz e força

un.

1,00

314,35

314,35

314,35

314,35

01.05

Barracão de obra

20,00

46,00

920,00

78,49

1.569,80

01.06

Serviços topográficos

un.

90,00

13,20

1.188,00

13,20

1.188,00

02.00

MOVIMENTO DE

49.075,30

28.567,46

TERRA

02.01

Escavação manual de valas em terra até 2,00 metros

790,00

9,00

7.110,00

5,76

4.550,40

02.02

Escoramento de valas tipo contínuo

306,00

16,00

4.896,00

11,21

3.430,26

02.03

Lastro de brita 3 e 4 aplicadas manualmente

85,00

46,40

3.944,00

57,11

4.854,35

02.04

Lastro de concreto, inclusive lançamento

26,30

121,00

3.182,30

144,77

3.807,45

02.05

Ensecadeira, parede simples

135,00

35,60

4.806,00

35,60

4.806,00

02.06

Transporte, espalhamento e compactação de material para reaterro

900,00

22,00

19.800,00

6,65

5.985,00

02.07

Carga mecanizada de terra em caminhão basculante

900,00

1,85

1.665,00

0,50

450,00

02.08

Regularização de subleito e

900,00

4,08

3.672,00

0,76

684,00

escarificação

03.00

SUPERESTRUTURA

46.173,95

45.272,92

03.01

Forma c/chapa compensado resinado 12 mm com reut. 3 vezes

576,00

18,80

10.828,80

14,55

8.380,80

03.02

Desforma

1152,00

1,30

1.497,60

2,55

2.937,60

03.03

Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a 10 mm (1/4 a 3/8")

kg

7733,00

1,75

13.532,75

1,73

13.378,09

03.04

Concreto estrutural c/ betoneira controle tipo B Fck 18.0 Mpa

102,60

165,00

16.929,00

162,90

16.713,54

03.05

Lançamento e aplicação de concreto em estrutura

102,60

33,00

3.385,80

37,65

3.862,89

 

TOTAL MEDIÇÃO

99.072,30

T. PER.

78.650,73

 

DIFERENÇA DE PREÇOS

20.421,57

 

PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS

25,96%

Tabela A2 Exemplo 1 Análise de preço para obra executada com acréscimo de itens com preços altos

23

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal 24

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

24

Outubro/2011

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Exemplo

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Exemplo 1 Acréscimo de itens (2.6, 2.7 e 2.8) com preços altos

Outubro/2011

ITEM

DISCRIMINAÇÃO

UN.

QUANT.

QUANT.

P. UNIT.

P. UNIT.

JOGO DE

CONT.

PERÍCIA

MEDIDO

PERÍCIA

PLANILHA

01.00

SERVIÇOS PRELIMINARES

0,00

01.01

Placa da obra (6,00 x 4,00) m²

un.

1,00

1,00

566,00

566,00

0,00

01.02

Limpeza do terreno (corte de capoeira fina a foice)

1350,00

1.350,00

0,21

0,46

0,00

01.03

Ligação provisória de água e sanitário

un.

1,00

1,00

551,20

551,20

0,00

01.04

Ligação provisória de luz e força

un.

1,00

1,00

314,35

314,35

0,00

01.05

Barracão de obra

20,00

20,00

46,00

78,49

0,00

01.06

Serviços topográficos

un.

90,00

90,00

13,20

13,20

0,00

02.00

MOVIMENTO DE TERRA

2.202,20

02.01

Escavação manual de valas em terra até 2,00 metros

790,00

790,00

9,00

5,76

0,00

02.02

Escoramento de valas tipo contínuo

306,00

306,00

16,00

11,21

0,00

02.03

Lastro de brita 3 e 4 aplicadas manualmente

85,00

85,00

46,40

57,11

0,00

02.04

Lastro de concreto, inclusive lançamento

26,30

26,30

121,00

144,77

0,00

02.05

Ensecadeira, parede simples

135,00

135,00

35,60

35,60

0,00

02.06

Transporte, espalhamento e compactação de material para reaterro

790,00

900,00

22,00

6,65

1.688,50

02.07

Carga mecanizada de terra em caminhão basculante

790,00

900,00

1,85

0,50

148,50

02.08

Regularização de subleito e escarificação

790,00

900,00

4,08

0,76

365,20

03.00

SUPERESTRUTURA

0,00

03.01

Forma c/chapa compensado resinado 12 mm com reut. 3 vezes

576,00

576,00

18,80

14,55

0,00

03.02

Desforma

1152,00

1.152,00

1,30

2,55

0,00

03.03

Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a 10 mm (1/4 a 3/8")

kg

7733,00

7.733,00

1,75

1,73

0,00

03.04

Concreto estrutural c/ betoneira controle tipo B Fck 18.0 Mpa

102,60

102,60

165,00

162,90

0,00

03.05

Lançamento e aplicação de concreto em estrutura

102,60

102,60

33,00

37,65

0,00

 

TOTAL DO JOGO DE PLANILHA

2.202,20

 

PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA

2,54%

Tabela A3 Exemplo 1 – Cálculo do “Jogo de Planilha” no caso de acréscimo de itens com preços altos

Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc Pr)] ambiente de sobrepreço

25

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Exemplo

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Exemplo 2 Decréscimo de itens (1.2, 1.5 e 3.2) com preços baixos

Outubro/2011

 

QUANT.

P. UNIT.

P. TOT.

P. UNIT.

P. TOT.

ITEM

DISCRIMINAÇÃO

UN.

PERÍCIA

MEDIDO

MEDIÇÃO

PERÍCIA

PERÍCIA

 

A

B

C=AxB

D

E=AxD

01.00

SERVIÇOS

3.237,05

3.749,45

PRELIMINARES

01.01

Placa da obra (6,00 x 4,00) m²

un.

1,00

566,00

566,00

566,00

566,00

01.02

Limpeza do terreno (corte de capoeira fina a foice)

750,00

0,21

157,50

0,46

345,00

01.03

Ligação provisória de água e sanitário

un.

1,00

551,20

551,20

551,20

551,20

01.04

Ligação provisória de luz e força

un.

1,00

314,35

314,35

314,35

314,35

01.05

Barracão de obra

10,00

46,00

460,00

78,49

784,90

01.06

Serviços topográficos

un.

90,00

13,20

1.188,00

13,20

1.188,00

02.00

MOVIMENTO DE TERRA

46.003,00

27.697,36

02.01

Escavação manual de valas em terra até 2,00 metros

790,00

9,00

7.110,00

5,76

4.550,40

02.02

Escoramento de valas tipo contínuo

306,00

16,00

4.896,00

11,21

3.430,26

02.03

Lastro de brita 3 e 4 aplicadas manualmente

85,00

46,40

3.944,00

57,11

4.854,35

02.04

Lastro de concreto, inclusive lançamento

26,30

121,00

3.182,30

144,77

3.807,45

02.05

Ensecadeira, parede simples

135,00

35,60

4.806,00

35,60

4.806,00

02.06

Transporte, espalhamento e compactação de material para reaterro

790,00

22,00

17.380,00

6,65

5.253,50

02.07

Carga mecanizada de terra em caminhão basculante

790,00

1,85

1.461,50

0,50

395,00

02.08

Regularização de subleito e escarificação

790,00

4,08

3.223,20

0,76

600,40

03.00

SUPERESTRUTURA

45.425,15

43.804,12

03.01

Forma c/chapa compensado resinado 12 mm com reut. 3 vezes

576,00

18,80

10.828,80

14,55

8.380,80

03.02

Desforma

576,00

1,30

748,80

2,55

1.468,80

03.03

Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a 10 mm (1/4 a 3/8")

kg

7733,00

1,75

13.532,75

1,73

13.378,09

03.04

Concreto estrutural c/ betoneira controle tipo B Fck 18.0 Mpa

102,60

165,00

16.929,00

162,90

16.713,54

03.05

Lançamento e aplicação de concreto em estrutura

102,60

33,00

3.385,80

37,65

3.862,89

 

TOTAL MEDIÇÃO

94.665,20

T. PER.

75.250,93

 

DIFERENÇA DE PREÇOS

19.414,27

 

PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS

25,80%

Tabela A4 Exemplo 2 Análise de preço para obra executada com decréscimo de itens com preços baixos

26

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Exemplo

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Exemplo 2 Decréscimo de itens (1.2, 1.5 e 3.2) com preços baixos

Outubro/2011

ITEM

DISCRIMINAÇÃO

UN.

QUANT.

QUANT.

P. UNIT.

P. UNIT.

JOGO DE

CONT.

PERÍCIA

MEDIDO

PERÍCIA

PLANILHA

01.00

SERVIÇOS PRELIMINARES

474,90

01.01

Placa da obra (6,00 x 4,00) m²

un.

1,00

1,00

566,00

566,00

0,00

01.02

Limpeza do terreno (corte de capoeira fina a foice)

1350,00

750,00

0,21

0,46

150,00

01.03

Ligação provisória de água e sanitário

un.

1,00

1,00

551,20

551,20

0,00

01.04

Ligação provisória de luz e força

un.

1,00

1,00

314,35

314,35

0,00

01.05

Barracão de obra

20,00

10,00

46,00

78,49

324,90

01.06

Serviços topográficos

un.

90,00

90,00

13,20

13,20

0,00

02.00

MOVIMENTO DE TERRA

0,00

02.01

Escavação manual de valas em terra até 2,00 metros

790,00

790,00

9,00

5,76

0,00

02.02

Escoramento de valas tipo contínuo

306,00

306,00

16,00

11,21

0,00

02.03

Lastro de brita 3 e 4 aplicadas manualmente

85,00

85,00

46,40

57,11

0,00

02.04

Lastro de concreto, inclusive lançamento

26,30

26,30

121,00

144,77

0,00

02.05

Ensecadeira, parede simples

135,00

135,00

35,60

35,60

0,00

02.06

Transporte, espalhamento e compactação de material para reaterro

790,00

790,00

22,00

6,65

0,00

02.07

Carga mecanizada de terra em caminhão basculante

790,00

790,00

1,85

0,50

0,00

02.08

Regularização de subleito e escarificação

790,00

790,00

4,08

0,76

0,00

03.00

SUPERESTRUTURA

720,00

03.01

Forma c/chapa compensado resinado 12 mm com reut. 3 vezes

576,00

576,00

18,80

14,55

0,00

03.02

Desforma

1152,00

576,00

1,30

2,55

720,00

03.03

Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a 10 mm (1/4 a 3/8")

kg

7733,00

7.733,00

1,75

1,73

0,00

03.04

Concreto estrutural c/ betoneira controle tipo B Fck 18.0 Mpa

102,60

102,60

165,00

162,90

0,00

03.05

Lançamento e aplicação de concreto em estrutura

102,60

102,60

33,00

37,65

0,00

 

TOTAL DO JOGO DE PLANILHA

1.194,90

 

PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA

2,38%

Tabela A5 Exemplo 2 – Cálculo do “Jogo de Planilha” no caso de decréscimo de itens com preços baixos

Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc Pr)] ambiente de sobrepreço

27

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Exemplo

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Exemplo 3 Inclusão de item novo (2.9) com preço alto

Outubro/2011

 

QUANT.

P. UNIT.

P. TOT.

P. UNIT.

P. TOT.

ITEM

DISCRIMINAÇÃO

UN.

PERÍCIA

MEDIDO

MEDIÇÃO

PERÍCIA

PERÍCIA

 

A

B

C=AxB

D

E=AxD

01.00

SERVIÇOS PRELIMINARES

3.823,05

4.810,35

01.01

Placa da obra (6,00 x 4,00) m²

un.

1,00

566,00

566,00

566,00

566,00

01.02

Limpeza do terreno (corte de capoeira fina a foice)

1350,00

0,21

283,50

0,46

621,00

01.03

Ligação provisória de água e sanitário

un.

1,00

551,20

551,20

551,20

551,20

01.04

Ligação provisória de luz e força

un.

1,00

314,35

314,35

314,35

314,35

01.05

Barracão de obra

20,00

46,00

920,00

78,49

1.569,80

01.06

Serviços topográficos

un.

90,00

13,20

1.188,00

13,20

1.188,00

02.00

MOVIMENTO DE TERRA

46.503,00

28.003,61

02.01

Escavação manual de valas em terra até 2,00 metros

790,00

9,00

7.110,00

5,76

4.550,40

02.02

Escoramento de valas tipo contínuo

306,00

16,00

4.896,00

11,21

3.430,26

02.03

Lastro de brita 3 e 4 aplicadas manualmente

85,00

46,40

3.944,00

57,11

4.854,35

02.04

Lastro de concreto, inclusive lançamento

26,30

121,00

3.182,30

144,77

3.807,45

02.05

Ensecadeira, parede simples

135,00

35,60

4.806,00

35,60

4.806,00

02.06

Transporte, espalhamento e compactação de material para reaterro

790,00

22,00

17.380,00

6,65

5.253,50

02.07

Carga mecanizada de terra em caminhão basculante

790,00

1,85

1.461,50

0,50

395,00

02.08

Regularização de subleito e escarificação

790,00

4,08

3.223,20

0,76

600,40

02.09

Compactação de aterros a 95% PN

500,00

1,00

500,00

0,61

306,25

03.00

SUPERESTRUTURA

46.173,95

45.272,92

03.01

Forma c/chapa compensado resinado 12 mm com reut. 3 vezes

576,00

18,80

10.828,80

14,55

8.380,80

03.02

Desforma

1152,00

1,30

1.497,60

2,55

2.937,60

03.03

Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a 10 mm (1/4 a 3/8")

kg

7733,00

1,75

13.532,75

1,73

13.378,09

03.04

Concreto estrutural c/ betoneira controle tipo B Fck 18.0 Mpa

102,60

165,00

16.929,00

162,90

16.713,54

03.05

Lançamento e aplicação de concreto em estrutura

102,60

33,00

3.385,80

37,65

3.862,89

 

TOTAL MEDIÇÃO

96.500,00

T. PER.

78.086,88

 

DIFERENÇA DE PREÇOS

18.413,12

 

PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS

23,58%

Tabela A6 Exemplo 3 Análise de preço para obra executada com inclusão de item novo com preço alto

28

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal Exemplo

Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia sob o ponto de vista criminal

Exemplo 3 Inclusão de item novo (2.9) com preço alto

Outubro/2011

ITEM

DISCRIMINAÇÃO

UN.

QUANT.

QUANT.

P. UNIT.

P. UNIT.

JOGO DE

CONT.

PERÍCIA

MEDIDO

PERÍCIA

PLANILHA

01.00

SERVIÇOS PRELIMINARES

0,00

01.01

Placa da obra (6,00 x 4,00) m²

un.

1,00

1,00

566,00

566,00

0,00

01.02

Limpeza do terreno (corte de capoeira fina a foice)

1350,00

1.350,00

0,21

0,46

0,00

01.03

Ligação provisória de água e sanitário

un.

1,00

1,00

551,20

551,20

0,00

01.04

Ligação provisória de luz e força

un.

1,00

1,00

314,35

314,35

0,00

01.05

Barracão de obra

20,00

20,00

46,00

78,49

0,00

01.06

Serviços topográficos

un.

90,00

90,00

13,20

13,20

0,00

02.00

MOVIMENTO DE TERRA

195,00

02.01

Escavação manual de valas em terra até 2,00 metros

790,00

790,00

9,00

5,76

0,00

02.02

Escoramento de valas tipo contínuo

306,00

306,00

16,00

11,21

0,00

02.03

Lastro de brita 3 e 4 aplicadas manualmente

85,00

85,00

46,40

57,11

0,00

02.04

Lastro de concreto, inclusive lançamento

26,30

26,30

121,00

144,77

0,00

02.05

Ensecadeira, parede simples

135,00

135,00

35,60

35,60

0,00

02.06

Transporte, espalhamento e compactação de material para reaterro

790,00

790,00

22,00

6,65

0,00

02.07

Carga mecanizada de terra em caminhão basculante

790,00

790,00

1,85

0,50

0,00

02.08

Regularização de subleito e escarificação

790,00

790,00

4,08

0,76

0,00

02.09

Compactação de aterros a 95%

0,00

500,00

1,00

0,61