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CONTEÚDO

PROFº: NETO
04 A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
A Certeza de Vencer MA070408

TEXTO 01 No caso do jacobinismo, por exemplo, havia a


idealização da democracia clássica, a utopia da democracia
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Enquanto se comemorava, na Europa a queda do Antigo direta, do governo por intermédio da participação direta de todos
Regime, no Brasil o ano de 1889 assistia a instauração do os cidadãos.
regime republicano. Desde meados do século a economia No caso do liberalismo, a utopia era outra, era de uma
brasileira desenvolvia-se com maior impulso; o café brilhava no sociedade composta por indivíduos autônomos, cujos interesses
mercado mundial; indústrias começavam a implantar-se; novas eram compatibilizados pela mão invisível do mercado. Nessa
necessidades eram criadas. A expansão das Províncias mais versão, cabia ao governo intervir o menos possível na vida dos
ricas, notadamente São Paulo, maior produtor nacional de café, cidadãos.
esbarrava, porém, no forte centralismo monárquico, que as O positivismo possuía ingredientes utópicos ainda
impedia de negociar diretamente com os banqueiros e mais salientes. A república era aí vista dentro de uma
compradores estrangeiros. Para destruir esse obstáculo, só perspectiva de mais ampla que postulava uma futura idade de
havia um meio: depor a monarquia. Resultado de uma ouro em que os seres humanos realizariam plenamente no seio
conspiração bem tramada no seio da burguesia cafeeira, a de uma humanidade mitificada.
República foi proclamada no Rio de Janeiro, ao amanhecer do Como discurso, as ideologias republicanas
dia 15 de novembro, sem que um tiro se quer despertasse a permaneciam enclausuradas no fechado círculo das elites
população. Dois dias depois, o imperador embarcava com a educadas.
família rumo a Portugal, terra de seus ancestrais paternos, e o (Carvalho, José Murilo de. A Formação das Almas: o imaginário da
marechal Deodoro da Fonseca assumiu a difícil tarefa de República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.)
governar o País.
“O povo, alheio a tudo, apenas observava.”
( Martins, Mariana (ed.) Grandes Fatos do Século Vinte. Rio de Janeiro:
Rio Gráfica, 1984, vol. 1, p.3.)

TEXTO 02

“A Proclamação da República corresponde ao encontro de


duas forças diversas – Exército e Fazendeiros de café – INTRODUÇÃO
movidas por razões diferentes, (…) A Guerra do Paraguai
favoreceu a identificação dos militares como grupo, e eles E 15 de novembro de 1889, o Brasil passou de um
começaram a critica aposição secundária que o Império conferia regime monárquico para um republicano. Com a constituição de
à instituição, (…) Ao mesmo tempo, um grupo minoritário, mas 1891, adotou–se no Brasil a República Federativa com os
extremamente ativo, liderado por Benjamin Constant, combinava poderes divididos em três níveis: executivo, legislativo e
tais criticas com uma perspectiva ideológica de maior alcance. judiciário.
Sob a influência do positivismo, defendiam a implantar de um Inaugurou–se, também, uma nova forma de fazer
regime republicano e modernizador. política, através da qual se garantia a manutenção do poder nas
Como se sabe, os fazendeiros paulistas, através do mãos das oligarquias. O entendimento desta nova realidade
Partido Republicano Paulista, moviam–se por razões claramente passa necessariamente pela compreensão de temas como
econômica. A República, sob forma federativa, significava o fim patriarcalismo, coronelismo, controle das eleições, política dos
da centralização imperial, a autonomia dos Estados e a governadores e política do café com leite. Vejamos, a partir de
possibilidade de impor ao país um sistema que favorece o agora cada uma delas.
núcleo agrário-exportador em expansão.
Contando com o apoio deste núcleo, o Exército PATRIARCALISMO
desfechou o golpe de 15 de novembro e assumiu o controle do
governo. Na luta que se seguiu, entre o grupo militar e a classe No início do século XX os homens achavam que as
social, esta acabou por triunfar.(…) mulheres eram naturalmente incapacitadas para tomar decisões.
A constituição de 1891 representou uma vitória dos A função da mulher deveria ser a de manter a harmonia do lar,
grandes Estados: a forma federativa deu-lhes ampla autonomia, limitando-se sua atuação à casa e aos filhos. Na família como
com a possibilidade de contrair empréstimos externos, constituir sociedade, quem mandava eram os homens.
forças militares próprias e uma justiça estadual.” A família, nesse período, eram um grupo maior,
integrado pela esposa, eventuais amantes, filhos, parentes,
TEXTO 03 padrinhos, afilhados, amigos, dependentes, e ex-escravos. Um
imenso grupo de pessoas submetidas à autoridade indiscutível
que emana da temida e venerada figura do patriarca.
Os Modelos de Repúblicas
Esse patriarca era um grande senhor rural, o Coronel,
No período da proclamação da República, havia
proprietário de imensas fazendas, onde se plantavam as bases
no Brasil pelo menos três correntes que disputavam a
da economia brasileira da República Velha: café, cacau,
definição da natureza do novo regime. Essas três
algodão, cana-de-açúcar e outros produtos agrícolas.
correntes eram o liberalismo à americana, o
jacobinismo à francesa, e o positivismo. As três
CORONELISMO
VESTIBULAR – 2009

correntes combateram–se intensamente nos anos iniciais


da república, até a vitória do liberalismo à americana, por
O Coronelismo pode ser definido como um fenômeno
volta da virada do século XIX para o XX. Cada uma
político característico da “República Velha”, possibilitando,
destas correntes supunha modelos de república
através da manipulação e controle das eleições, o controle da
diferentes, modelos específicos de organização da
política nacional por parte das oligarquias agrárias.
sociedade (…).

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O Coronel, ou chefe político local, possuía o seu curral representadas pelos Partidos Republicano Paulista (PRP) e
eleitoral formado por eleitores de sua inteira confiança e que Republicano Mineiro (PRM) – passaram a dispor de melhores
voltavam, obrigatoriamente, nos candidatos indicados por eles. condições para exercer a direção política do país. E foi o que
Através de capangas e de seu poderio econômico, o coronel aconteceu entre 1889 e 1930, período que ficou conhecido
garantia a maioria necessária à eleição de candidatos de como Primeira república ou República Velha.
confiança do sistema, aí incluídos o presidente (governador) do O predomínio político destes dois Estados foi chamado
Estado, e o próprio presidente da República. de política do café com leite. O PRP e o PRM, dominados
Ainda sobre o coronelismo, o historiador Edgar pelas respectivas oligarquias estaduais, revezaram-se no poder
Corone considera que “socialmente, o coronel exerce uma série elegendo os Presidentes da República até 1930. A propósito,
de funções que o fazem temido e obedecido (…). Aos oligarquias são grupos de pessoas pertencentes ou a mesma
agregados, ele dispensa favores: dá-lhes terras, tira-os da família, classe ou partido, que detém o poder econômico e o
cadeia e ajude-os quando doente; em compensação, exige político, utilizando-se deste último em benefício próprio.
fidelidade, serviços, permanência infinita em suas terras, A política do café com leite era, na verdade, um acordo
participação nos grupos armados, etc. aos familiares e amigos de oligarquias, uma aliança entre coronéis que dominavam os
ele distribui empregos públicos, empresta dinheiro, obtém Estados (política dos governadores).
crédito, protege-os das autoridades policiais e jurídicas, ajuda-
os a fugir dos compromissos fiscais do Estado, etc. é o juiz pois TEXTO COMPLEMENTAR
obrigatoriamente, é ouvido a respeito de questões de terras e
até de casos de fugas de moças solteiras.”

O CONTROLE DAS ELEIÇÕES:


“A Máquina Eleitoral na República
Uma das grandes reivindicações que motivou o fim do Velha”
Império foi o desejo da descentralização política.
Com a República, estes interesses foram “A classe dos fazendeiros do café que, aliada
concretizados. Cada Estado da Federação teria suas leis, sua às demais classes rurais nos diversos Estados,
força policial, seu poder judiciário e seu sistema eleitoral.
governava o país em seu proveio, não se mantinha no
Apesar do fim do voto censitário, poucos brasileiros
poder pela força militar, como em outros países sul-
participavam das eleições. Os analfabetos, mendigos, soldados,
americanos.
frades e mulheres não tinham o direito ao voto. Além disso, o
voto não era obrigatório. Os que tomavam parte na votação Ela se conservava e eternizava no governo
acabavam se tornando massa de manobra da disputa entre os graças a uma máquina eleitoral que se entendia por
chefes políticos locais: os patriarcas (coronéis). todo país, mergulhando suas raízes na terra.
O controle que os coronéis exerciam sobre as eleições Era como uma pirâmide em cujo ápice se
se realizava, principalmente, através de dois mecanismos: encontrava o Presidente da República, vindo logo
abaixo o Partido Republicano paulistas e os Partidos
a) o voto de bico de pena: este consistia no fato de que a Republicanos Estaduais, e, na base do arcabouço, o
lista de eleitores era feita no Município, obedecendo aos coronel e sua família, amigos, parentes e dependentes,
interesses dos chefes políticos locais (coronéis). Muitas vezes constituindo as famosas oligarquias estaduais,
os eleitores da oposição encontravam dificuldades em serem pequenos estados dentro do Estado, que centralizavam
incluídos na lista de votantes. Muitas listas eram compostas em suas mãos, nos sertões, os três poderes
incluindo analfabetos ou mesmo pessoas já mortas. Assim, uma fundamentais da República: legislavam, julgavam e
mesma pessoa assinava vários nomes de eleitores favorecendo executavam.
o fazendeiro mais importantes da região . Os chefes desses clãs políticos, espécie de
b) o voto de cabresto: este consistia no fato de que os caudilhos locais, eram conhecidos e respeitados. Sua
eleitores que realmente votavam estavam vinculados a um força estava no domínio da terra e da vida dos que
coronel como por um cabresto. Isto, porque os capatazes e nela habitavam mercê de sua graça(…).
capangas do coronel levavam os eleitores até a boca da uma, Para servir os coronéis, os sertanejos de
ameaçando dar uma surra de cacete e até matar aquele que qualquer categoria social, trabalhador, parceiro ou
pretendesse votar em outro candidato.
pequeno proprietário, e afim de dar uma aparência
legal ao predomínio dos mesmos, tinham de “voltar
A POLÍTICA DOS GOVERNADORES
com ele”. Os analfabetos aprendiam às vezes a assinar
A partir do governo do presidente Campos Sales (1898- o nome a aprender lançar na urna um voto cujo o nome
1902) oficializou-se o que veio a denominar-se política dos para poder lançar na urna um voto cujo nome não
governadores, ou política dos estados, conforme a expressão podiam ler. E, se o pudessem, seria a mesma coisa. Em
do própria Campos Sales. vésperas de eleição, eram conduzidos em lotes, de
Em relação a este assunto, o historiador Roberto Lopes qualquer modo, aos locais próximos dos postos
considera que “(…) durante a mandato de Campos Sales, o eleitorais onde eram guardados às vezes com
Governo Federal, para fazer face ao extremo federalismo sentinelas, nos chamados quartéis ou currais, nos
vigente, (…) resolveu estabelecer acordos políticos com os quais se fazia a concentração de eleitores. O chefe
Governos Estaduais a fim de garantir a formação de político lhes dava, além da condução, roupa, cachaça e
Congressos dóceis às diretrizes presidenciais (…). Esta foi a uma papeleta de voto. (…)
chamada política dos governadores: os governadores se O interior do país, sujeito a esse regime,
responsabilizariam pela escolha de “bons” deputados e “bons” concentrava 70% da população e, por mais livres que
senadores nas eleições a partir de acordos com os chefes fossem os eleitores das cidades, a votação do interior,
VESTIBULAR – 2009

políticos lacas, isto é, os coronéis-latifundiários, manipuladores produto das máquinas eleitorais, os sobrepujava.
do voto e da frágil vontade do povo camponês.” Adaptado de:

A POLÍTICA DO CAFÉ COM LEITE BASBAUM, Leônicio. História Sincera da República: de 1889 a 1930.
São Paulo, Alfa-Ômega, 1981, p. 190-91.
Com a montagem da política dos governadores por
Campos Sales, as oligarquias paulista e mineira –
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