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Revista da Estrutura de Aço | Volume 6 | Número 2

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Volume 6 | Número 2

Agosto de 2017

Revista da Estrutura de Aço | Volume 6 | Número 2 Volume 6 | Número 2

Revista da Estrutura de Aço | Volume 6 | Número 2

ARTIGOS

Solução mista para pavimentos com lajes alveolares e vigas metálicas

Gustavo Japiassú Filizzola e Marcelo de Araújo Ferreira

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Análise estrutural de um sistema de movimentação e fixação para galpão móvel

Arielton Vinícius Trindade, Agenor Dias de Meira Júnior e Márcio Walber

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Análise numérica de ligações tipo “T” com perfis tubulares de paredes esbeltas

Messias Júnio Lopes Guerra, Arlene Maria Cunha Sarmanho, Gabriel Vieira Nunes, Daniel José Rocha Pereira, João Batista da Silva Neto

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Determinação experimental do coeficiente de atrito em superfícies de aço pintadas

Maximiliano Malite e Vitor Cesar Valenciani

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Recebido: 29/11/2016 Aprovado: 07/06/2017 Volume 6. Número 2 (agosto/2017). p. 86102 ISSN 2238 9377

Revista indexada no Latindex e Diadorim/IBICT

Solução mista para pavimentos com lajes alveolares e vigas metálicas

Gustavo Japiassú Filizzola 1* e Marcelo de Araújo Ferreira 2

1 Programa de PósGraduação em Estruturas e Construção Civil, Universidade Federal de São Carlos, Rodovia Washington Luís (SP310), Km 235, São Carlos SP, gustavo.filizzola@gmail.com

2 Programa de PósGraduação em Estruturas e Construção Civil, Universidade Federal de São Carlos, Rodovia Washington Luís (SP310), Km 235, São Carlos SP, marcelof@ufscar.br

Composite solution for floors with hollow core slabs and steel beams

Resumo Lajes alveolares são elementos de elevada otimização de projeto, sustentabilidade e racionalização, considerando tanto a fabricação quanto o projeto. São feitas de concreto protendido com prétração, e são produzidas por extrusão ou moldagem, garantindo padronização do produto. Vencem grandes vãos, dispensando escoramentos e fôrmas. São o elemento de fabricação aberta mais utilizando no mundo, podendo ser utilizado em diversos sistemas construtivos. A utilização da laje alveolar em sistemas mistos é comum nos Estados Unidos e Europa, enquanto que no Brasil ainda é pouco utilizada. Perfis de aço têm elevado potencial para serem aplicados em sistemas mistos, por serem leves, industrializados, terem alta resistência à tração e vencerem grandes vãos. Este trabalho apresenta conceitos do uso de vigas mistas formadas por perfis de aço e lajes alveolares, sendo apresentado um estudo de caso ao final (laje alveolar versus laje com fôrma de aço incorporada).

Palavraschave : vigas mistas, lajes alveolares

Abstract Hollow core slabs are elements that provide a high performance design, sustainability and rationalization. They are made of prestressed concrete with pretensioned wires, made by extruders or molders, ensuring a standard product. Achieve long spans without propping nor molds. They are the most employed open cicle element in the world, being able to be used with almost all kinds of structural systems. The use of hollow core slabs in composite construction is common in the USA and in Europe, while not in Brazil. Steel profiles are very useful in composite construction, since they are lightweight, manufactured, have good tension resistance and spanning capabilities. This paper presents composite solution for floors with hollow core slabs and steel beams in Brazil, with a comparative study case at the end (hollow core slabs versus steel deck).

Keywords : composite beams, hollow core slabs.

* Autor correspondente

1 Introdução

No mundo, as construções mistas têm cada vez mais ganhado espaço, por serem mais sustentáveis, mais rápidas e, usualmente, mais econômicas pelo fato de aproveitarem ao máximo as melhores características de cada material. Uma construção mista pode custar consideravelmente menos que uma construção que utiliza um material principal. Estas vêm preenchendo lacunas da engenharia moderna, permitindo maiores vãos, maior flexibilidade nos projetos, pilares mais esbeltos e vigas mais baixas.

A utilização de vigas de aço ligadas mecanicamente a lajes permite formar uma seção mista. Desta forma, os dois materiais podem ter suas principais características aproveitadas, aumentando a eficiência estrutural. Quando utilizadas lajes industrializadas, formam os sistemas mistos industrializados. Goodchild (1995) afirma que esse tipo de construção pode prover economia, rapidez, flexibilidade, alta qualidade e uma estética agradável, com uma obra mais diversificada.

Pesquisas de Canassa, Ferreira e Serra (2007) realizadas pelo NETPREUFSCar mostram como são distribuídas as aplicações do concreto pré moldado e outros sistemas em construções mistas industrializadas no Brasil. A estatística, apresentada na Figura 1, foi elaborada a partir do levantamento de 30 edifícios apresentados como construções mistas nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

mistas nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Figura 1 – Distribuição do uso de diferentes

Figura 1 – Distribuição do uso de diferentes sistemas em construções mistas (Canassa, Ferreira e Serra, 2007).

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Baseado na pesquisa supracitada, pode se ver que que dentre os tipos de elementos pré moldados de concreto, o que tem maior potencial para utilização em sistemas mistos industrializados é a laje. De acordo ainda com a mesma pesquisa, as lajes alveolares são os elementos que se adaptam de melhor forma aos sistemas construtivos de ciclo aberto (elementos intercambiáveis entre diferentes sistemas construtivos), podendo ser utilizados como lajes ou painéis (paredes) estruturais.

As vigas mistas formadas por perfis de aço e lajes alveolares vem algum tempo sendo utilizadas em larga escala em outros países, como Reino Unido e Finlândia. Algumas possibilidades da seção mista formada por estes elementos são apresentadas nas Figuras 2 a 4.

estes elementos são apresentadas nas Figuras 2 a 4. Figura 2 – Lajes sobre as mesas

Figura 2 – Lajes sobre as mesas superiores do perfil (adaptado de

http://www.steelconstruction.info/images/0/02/M1_Fig18.png).

http://www.steelconstruction.info/images/0/02/M1_Fig18.png). Figura 3 – Lajes chanfradas sobre perfis de aço

Figura 3 – Lajes chanfradas sobre perfis de aço (Ferreira, 2012).

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Figura 4 – Lajes sobre as mesas inferiores do perfil (piso misto de pequena altura)

Figura 4 – Lajes sobre as mesas inferiores do perfil (piso misto de pequena altura) (http://www.girderslab.com/images/home/gst systemillustration notext.png).

No Brasil, as aplicações ainda são escassas. Um exemplo é um dos shoppings de Belo Horizonte, apresentado nas Figuras 5 e 6.

de Belo Horizonte, apresentado nas Figuras 5 e 6. Figura 5 – Obra de shopping em

Figura 5 – Obra de shopping em Belo Horizonte: aplicação de laje alveolar em estrutura metálica (Premo Pré Moldados, 2012).

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Figura 6 – Obra de shopping em Belo Horizonte: aplicação de laje alveolar em estrutura

Figura 6 – Obra de shopping em Belo Horizonte: aplicação de laje alveolar em estrutura metálica (Premo Pré Moldados, 2012).

O pouco conhecimento sobre essa tipologia de piso misto com lajes alveolares ainda é um dos maiores entraves para sua disseminação no Brasil, não havendo manuais de projeto nacionais para guiar os projetistas e também a ABNT NBR 8800:2008 não trata deste assunto.

Neste trabalho pretendese explanar alguns aspectos de lajes alveolares e de lajes com fôrma de aço incorporada. São apresentadas algumas das recomendações de dimensionamento de vigas mistas formadas por lajes alveolares, retirados de manuais estrangeiros. Ao final, é apresentado um estudo de caso de um pavimento misto, onde são substituídas as lajes com fôrma de aço incorporada por lajes alveolares, com substituição dos perfis e eliminação de vigas.

2 Componentes do Edifício

Um edifício em estruturas mistas é composto basicamente de vigas, pilares, lajes e eventuais estruturas de estabilização (núcleos rígidos, contraventamentos, pórticos, etc). O lançamento estrutural adequado e escolha dos elementos é essencial para a estabilidade e a eficiência estrutural, influenciando diretamente nos custos da obra. Em geral, a escolha do tipo de laje irá definir os vãos entre vigas e pilares. Neste estudo são

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comparadas lajes alveolares e lajes com fôrmas de aço incorporada em sistemas mistos, ambas discutidas brevemente abaixo.

2.1 Lajes alveolares

Lajes alveolares são elementos pré moldados de seção transversal variável. Tal variação na seção existe devido à presença dos alvéolos, que são núcleos vazios existentes no sentido longitudinal do elemento, separados pelas nervuras, conforme ilustrado na Figura 7. A presença de alvéolos neste tipo de laje resulta em um peso próprio consideravelmente menor do elemento.

um peso próprio consideravelmente menor do elemento. Figura 7 – Seção típica de lajes alveolares e

Figura 7 – Seção típica de lajes alveolares e seus componentes.

O mercado apresenta diferentes seções de lajes alveolares. Além da altura, os fabricantes variam a largura de modulação (módulos de 1198 mm a 1250 mm), a posição e quantidade dos cabos e os formatos e quantidades dos alvéolos (Figura 8). Essas diferenças são consequências do maquinário e do processo de produção (processo convencional, por extrusão ou por moldagem).

(processo convencional, por extrusão ou por moldagem). Figura 8 – Diferentes seções de lajes alveolares

Figura 8 – Diferentes seções de lajes alveolares (COSTA, 2009).

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As lajes são armadas por cordoalhas (positivas e em alguns casos, negativas) protendidas com pré tração, o que permite vencerem grandes vãos (da ordem de 15 metros). A protensão contribui para a capacidade de suporte e redução na espessura, controle da fissuração e dos deslocamentos; quando prontas na fábrica, naturalmente

possuem contra flecha. Dispensam o uso de escoramentos na fase construtiva. Não

possuem armadura de cisalhamento, sendo o concreto protendido o responsável pela resistência deste tipo de esforço.

Elementos de lajes alveolares são um dos mais modernos produtos da indústria de concreto pré fabricado, devido ao altíssimo controle na execução das mesmas, desde a fabricação até a estocagem. O concreto utilizado na fabricação destas é de alto desempenho, atingindo valores de f ck na faixa dos 50 MPa. Os detalhes de projetos que exigem corte do elemento, como canto de pilares, furos e/ou aberturas são executados diretamente na fábrica. Segundo Melo (2007), a grande eficiência e baixo custo das lajes alveolares são atingidos quando se tem padronização do projeto. Neste quesito, o projeto de paginação do pavimento ganha grande importância.

Durante a fase construtiva, é usual que recebam uma capa de concreto estrutural.

A capa ajuda na distribuição de esforços para as lajes adjacentes e contribui

consideravelmente para o aumento de rigidez dos elementos.

2.2 Lajes com fôrma de aço incorporada

Lajes com fôrma de aço incorporada são elementos mistos compostos por fôrmas metálicas (também conhecidas por telhasfôrma) e uma capa de concreto estrutural, conforme Figura 9. A aderência mecânica entre os elementos é garantida pelas mossas presentes nas fôrmas.

é garantida pelas mossas presentes nas fôrmas. Figura 9 – Laje com fôrma de aço incorporada

Figura 9 – Laje com fôrma de aço incorporada e seus componentes (Catálogo Técnico Polydeck 59S ArcelorMittal, 2016).

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Neste sistema, a própria fôrma metálica é utilizada como armadura positiva. Em alguns casos, visando aumentar os esforços resistentes de projeto, a armadura positiva pode ser complementada com aço em vergalhões. O cisalhamento é resistido pela fôrma metálica e pelo concreto. Para retração e fissuração, faz se o uso de telas. O uso de escoramento é necessário quando a concepção estrutural não é bem idealizada, ou em casos raros.

No Brasil, as fôrmas são fornecidas com larguras úteis que variam de 820 mm a 915 mm. Isso, mais uma vez, exige que o projeto seja padronizado e paginado, visando a eficiência e baixo custo do sistema estrutural.

Podem ser utilizadas em diversos sistemas construtivos, como alvenaria estrutural, concreto armado e/ou protendido e estruturas metálicas. Quando utilizadas em associação com este último, permitem compor vigas mistas com perfis de aço tanto perpendiculares quanto paralelos às nervuras da fôrma. Neste caso os conectores de cisalhamento podem ser soldados diretamente sobre a fôrma.

3 Parâmetros de projeto

As vigas mistas são dimensionadas conforme a ABNT NBR 8800:2008 e, quando utilizadas lajes alveolares, seguindo ainda recomendações das publicações SCI P287, SCI P351 e SCI P401. Esta última recomenda que a resistência dos conectores de cisalhamento seja calculada conforme as expressões do Eurocode 4 (2004), acrescidas de um fator de redução k. Quando a distância livre mínima entre as lajes sobre o perfil (70 mm para conectores soldados na fábrica e 85 mm para conectores soldados no local) e a quantidade de armadura de costura são respeitados, este fator pode ser tomado como 0,9. Este fator independe do tipo de acabamento da laje (face da extremidade reta ou chanfrada) e da presença ou não da capa estrutural.

As vigas, quando compactas (caso da maioria das vigas de edifícios), podem ser dimensionadas utilizando as propriedades plásticas da seção. O espaçamento e quantidade dos conectores de cisalhamento define o grau de interação. Quando utilizadas lajes com fôrma de aço incorporada, a ABNT NBR 8800:2008 despreza a contribuição do concreto situado abaixo da altura das nervuras da fôrma. Quando utilizadas lajes alveolares, o SCI P287 e o SCI P401 recomendam que a linha neutra deve

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cortar o perfil. Quando isso não for possível, deve se obrigatoriamente utilizar interação parcial.

A armadura de costura, quando utilizadas lajes alveolares, deve ter diâmetro de 16 mm e ser alocada dentro de alvéolos recortados, como mostram as Figura 10 e 11. O espaçamento destas deve ficar entre 20 e 35 cm. Os alvéolos que recebem a armadura de costura devem ser posteriormente preenchidos com concreto.

devem ser posteriormente preenchidos com concreto. Figura 10 – Recortes em alvéolos

Figura 10 – Recortes em alvéolos (http://www.bison.co.uk/media/1395/composite steelbeamstab.jpg).

‐ steel ‐ beams ‐ tab.jpg). Figura 11 – Montagem da armadura de costura em

Figura 11 – Montagem da armadura de costura em lajes chanfradas (http://www.bison.co.uk/pdf/Composite SteelBeam DesignConsiderations.pdf).

Quando utilizada construção não escorada para lajes alveolares, o SCI P287 e o SCI P401 recomendam ainda que a viga seja verificada à torção durante o processo de montagem, de forma que o ângulo de rotação seja inferior a 2 graus quando lajes apoiando em um lado da viga (fase não balanceada).

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Para resistir aos carregamentos da fase não balanceada e reduzir os deslocamentos, o SCI P401 recomenda que as ligações entre vigas e pilares sejam feitas utilizando chapas de extremidade com altura total.

4 Estudo de caso

4.1 Edifício em estudo

O edifício em estudo é um empreendimento com térreo, 2 pavimentos tipo, cobertura e torre para caixa d’água. Cada pavimento possui aproximadamente 1174 m² de área em projeção e direito (piso a piso) de 414 cm. Os pilares são pré moldados em concreto armado e engastados na fundação. O pavimento em ambas situações é contraventado. A laje é considerada rígida o suficiente para garantir o efeito de diafragma rígido.

A finalidade da edificação é comercial, para lojas.

As plantas em osso do edifício são apresentadas nas Figuras 12 a 15 (medidas em milímetros). As escadas e elevadores, localizados no vazio central do edifício, foram omitidos destas plantas. Os pilares estão locados nas intersecções dos eixos.

Os pilares estão locados nas intersecções dos eixos. Figura 12 – Planta do edifício ‐ solução

Figura 12 – Planta do edifíciosolução com lajes alveolares.

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Figura 13 – Planta do edifício ‐ solução com lajes com fôrma de aço incorporada.

Figura 13 – Planta do edifíciosolução com lajes com fôrma de aço incorporada.

‐ solução com lajes com fôrma de aço incorporada. Figura 14 – Elevação Norte / Sul

Figura 14 – Elevação Norte / Sul do edifício.

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Figura 15 – Elevação Leste / Oeste do edifício. 4.2 Materiais As lajes foram escolhidas

Figura 15 – Elevação Leste / Oeste do edifício.

4.2 Materiais

As lajes foram escolhidas de acordo com manuais e catálogos de fabricantes brasileiros. A laje alveolar escolhida possui 25 cm de altura total (sendo 5 cm referentes à capa de concreto C30), 9 alvéolos, peso próprio de 4 kN/m² e é biapoiada. A laje com fôrma de aço incorporada escolhida possui 14 cm de altura total (sendo a fôrma com altura de 7,5 cm e a capa de concreto C30 com 6,5 cm), espessura da fôrma de 1,25 mm, peso próprio de 2,55 kN/m² e é contínua.

Os perfis de aço que formam as vigas mistas são de aço estrutural ASTM A572 GR50, com tensão de escoamento igual à 345 MPa, tensão de ruptura igual à 450 MPa e módulo de elasticidade igual à 200 GPa.

Para as vigas mistas formadas por lajes alveolares, os conectores de cisalhamento têm 135 mm de altura; para as vigas mistas formadas por lajes com fôrma de aço incorporada, 115 mm de altura. Em ambas situações, os conectores possuem 19 mm de diâmetro e tensão de ruptura igual a 400 MPa.

4.3 Ações

Foram consideradas apenas cargas distribuídas nas lajes. Em ambos estudos, além do peso próprio dos elementos, atuam sobre as lajes:

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Cargas permanentes devido à revestimentos de piso, forros de gesso e paredes em gesso acartonado: 2 kN/m²;

Cargas variáveis para lojas (tabela 2 da ABNT NBR 6120:1980): 4 kN/m².

4.4 Dimensionamento das vigas

As vigas foram dimensionadas utilizando as propriedades plásticas da seção, mediante uma análise elástica. Todas foram consideradas biapoiadas, com vãos considerados entre eixos de apoios. Nas vigas mistas formadas por lajes com fôrma de aço incorporada, utilizou se interação completa nas vigas V3 e interação parcial (99%) nas vigas V1 e V2. O uso da interação parcial, neste caso, está relacionado à restrição de espaçamento dos conectores, que deve ser igual a distância entre os centros das ondas baixas da fôrma (274 mm). Nas vigas mistas formadas por lajes alveolares, utilizou se interação parcial (90%). O uso da interação parcial, neste caso, é recomendado pelo SCI P401 quando a linha neutra plástica corta a laje. O grau de interação de 90% é o que resulta em momentos fletores de projeto mais próximos dos momentos fletores resistentes. As vigas foram consideradas não escoradas durante a construção. Nas lajes alveolares, os alvéolos que não recebem a armadura de costura não são preenchidos com concreto; portanto, o concreto abaixo do topo dos alvéolos foi desprezado. As vigas de borda e de contorno das caixas de elevadores e escadas não foram dimensionadas como mistas e utilizaram os mesmos perfis das vigas mistas.

A resistência individual dos conectores de cisalhamento foi calculada conforme as

expressões da ABNT NBR 8800:2008. Quando utilizadas lajes alveolares, a resistência dos conectores foi multiplicada pelo fator redutor k, igual a 0,9, conforme

recomendação do SCI P401.

No cálculo para o estado limite de serviço, ambas soluções exigiram contra flechas

em todas as vigas mistas. As tensões em serviço, em ambas soluções, ficaram inferiores

à tensão de escoamento do perfil de aço.

A largura efetiva calculada para a solução com lajes alveolares foi de 240 cm. Para

a solução com lajes com fôrmas de aço incorporada, a largura efetiva calculada das vigas

principais foi de 200 cm; para as vigas secundárias, foi de 240 cm. O detalhamento da seção da viga mista com a laje alveolar é apresentado na Figura 16.

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Figura 16 – Seção da viga mista com laje alveolar. 4.5 Consumo de materiais Os

Figura 16 – Seção da viga mista com laje alveolar.

4.5 Consumo de materiais

Os consumos médios de aço em perfis por pavimento para a solução com lajes alveolares e com lajes com fôrma de aço incorporada são apresentados, respectivamente, nas tabelas 1 e 2. As vigas foram nomeadas de acordo com o esquema de fabricação, ou seja, vigas com esforços diferentes, mas com repetição na fabricação recebem o mesmo nome.

Tabela 1 – Consumo de materiais na solução com lajes alveolares.

Elemento

Tipo

Peso total (kg)

Consumo/m²

Viga V1

Soldado CVS 450x130

23574,3

 

Viga V2

Soldado CVS 450x130

1204,7

28,1

Viga V3

Soldado CVS 450x130

7767,0

Viga V4

Soldado CVS 450x130

392,3

 

Ligações (5%)

Chapas e parafusos

1733,6

1,5

 

Total

34671,8

29,5

Tabela 2 – Consumo de materiais na solução com lajes com fôrma de aço incorporada.

Elemento

Tipo

Peso total (kg)

Consumo/m²

Viga V1

Soldado VS 450x60

10943,2

 

Viga V2

Soldado VS 450x60

8388,3

29,5

Viga V3

Soldado VS 600x111

14933,1

Viga V4

Soldado VS 450x60

227,6

 

Ligações (5%)

Chapas e parafusos

1815,4

1,6

 

Total

36307,6

31,1

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Por pavimento, a solução com lajes alveolares consumiu aproximadamente 964 conectores de cisalhamento (322,9 kg), exigiu 74,5 m³ de concreto moldado no local e 3907 kg de aço em telas soldadas. A solução com lajes com fôrma de aço incorporada consumiu aproximadamente 1783 conectores (523,8kg), exigiu 135,1 m³ de concreto moldado no local e 4912 kg de aço em telas soldadas.

4.6 Carga em um pilar

As duas soluções fornecem carregamentos diferentes nos pilares. Diante disso, comparou se a carga axial no pilar P8 (intersecção dos eixos 2 e B) para as diferentes soluções do pavimento. Quando utilizadas lajes alveolares, a força normal de projeto na cabeça do pilar, proveniente de um pavimento tipo, é de 1271 kN. Quando utilizadas lajes com fôrma de aço incorporada, é de 1127 kN.

4.7 Conclusões

O consumo de perfis de aço por metro quadrado foi 5% menor em relação à solução

com lajes com fôrma de aço incorporada. Em peso, a quantidade de conectores de cisalhamento foi 38% menor; em quantidade, foi 46% menor. Estes últimos podem ainda ser soldados nas fábricas quando a solução com lajes alveolares é utilizada. A quantidade de concreto moldado no local foi 45% menor. O peso das telas de aço soldadas foi 20% menor.

A solução com lajes com fôrma de aço incorporada gerou esforços normais de

projeto no pilar P8 11,3% menores em relação à solução com lajes alveolares.

A altura livre do pavimento na solução com lajes alveolares foi de 344 cm. Na

solução com lajes com fôrma de aço incorporada, 340 cm sob as vigas V3 e 355 cm sob

as demais vigas.

A inexistência de vigas paralelas à V3 na solução com lajes alveolares facilita ainda

as instalações prediais. A redução na quantidade de vigas reduz gastos com a mão de obra, principalmente ligações.

O espaçamento restrito da armadura de costura quando utilizadas lajes alveolares

exige com que a laje tenha mais alvéolos. A necessidade da abertura dos alvéolos para

alocação destas armaduras gera uma etapa a mais de trabalho na fábrica.

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Analisando os consumos de materiais desta edificação e o exposto, a solução de

vigas mistas formadas por lajes alveolares mostrou se viável. A dispensa de

escoramento em ambas soluções pode ainda liberar mais frentes de trabalho no

pavimento. Destaca se ainda que neste artigo foram utilizados vão usuais para

estruturas metálicas. Entretanto, pode se aumentar a eficiência do sistema aumentando

o vão das lajes alveolares, que são mais competitivas com vãos entre 10 e 12 metros.

5 Agradecimentos

À Universidade Federal de São Carlos, ao Núcleo de Estudo e Tecnologia em Pré

Moldados de Concreto (NETPre), ao senhor Francisco Celso Silva Rocha.

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Recebido: 02/03/2017 Ap rovado: 17 /06 /2017

Volume 6. Número 2 (agosto/2017 ). p. 103 123 ISSN 2238 9377

Revista indexada no Latindex e Diadorim/IBICTo

Análise estrutural de um sistema de movimentação e fixação para galpão móvel

Arielton Vinícius Trindade 1 , Agenor Dias de Meira Júnior 2 e Márcio Walber 2

1 Mestre em Projeto e Processos de Fabricação, Universidade de Passo Fundo, arieltontrindade@gmail.com

2 Professor do Programa de PósGraduação em Projeto e Processos de Fabricação, Universidade de Passo Fundo, BR 285 Bairro São José, Passo Fundo/RS, agenor@upf.br e mwalber@upf.br

Structural analysis of a moving and fixing system for mobile shed

Resumo

A utilização de galpões móveis na fabricação de peças da área naval tem melhorado as condições de trabalho das pessoas que estão expostas à intempéries e possibilitando que componentes sejam fabricados em locais variados. Um dos principais itens do galpão móvel é o sistema de movimentação e fixação, pois recebem as ações decorrentes do vento, do peso próprio da estrutura e da força acidental. Neste trabalho utiliza se o método de elementos finitos, através do software Ansys/Ls Dyna para simular a força máxima que o sistema de movimentação e fixação suporta antes de entrar em colapso, por plastificação das chapas que compõe o sistema ou a deformação plástica do mancal, aplicando se como condições de contorno os movimentos de rotação e de translação no pilar, o qual está vinculado à base e realizando se a verificação da tendência ao tombamento do galpão móvel.

Palavraschave : Galpão móvel, estrutura de aço, elementos finitos.

Abstract

The use of mobile sheds in the manufacture of pieces of the naval area has improved the working conditions of people who are exposed to the weather and allowing components to be manufactured in various locations. One of the main items of the mobile shed is the system of movement and fixation, they receive the actions to the wind, the own weight of the structure and the accidental load. In this study is used the finite element method, through the software Ansys / Ls Dyna, to simulate the maximum load that the system of movement and fixation supports before collapsing, by plastification of the plates that compose the system or the plastic deformation of the bearing, applying as boundary conditions, the rotation and translation movement in the pillar, which is linked to the base and verifying the tendency to tilt the mobile shed.

Keywords: Mobile shed, steel structure, finite elements.

* Autor correspondente

1 Introdução

Considerando o aperfeiçoamento constante das empresas da área naval em busca pela qualidade e aumento da produtividade, os galpões móveis estabelecem valor

significativo. Os galpões móveis auxiliam na melhoria das condições de trabalho dos funcionários, conforme previsto na norma regulamentadora NR 21:1999 e também na diminuição da perda de produção devido aos fatores climáticos, visto que os galpões móveis abrangem uma ampla área de cobertura na fabricação de peças e componentes.

A área dos galpões de aço móveis possui abrangência superior aos galpões de aço

típicos, pois, estes, estão fixados em determinado local sem a possibilidade de deslocamento, a menos que sejam desmontados.

A Figura 1 apresenta o desenho esquemático de movimentação do galpão de aço. O

galpão é apoiado em trilhos e cada trilho é posicionado em linhas de eixo dos pilares seguindo uma trajetória definida. Esta trajetória é pré estabelecida de acordo com a

necessidade de cada empresa, possibilitando assim a fabricação e montagem de estruturas de grande porte e com dificuldade no manuseio. Desse modo, as estruturas de grande porte podem ser produzidas em locais variados tornando o processo mais produtivo, reduzindo os tempos ociosos da manufatura e buscando uma organização racional do layout das fábricas.

uma organização racional do layout das fábricas. Figura 1 ‐ Desenho esquemático de movimentação

Figura 1 Desenho esquemático de movimentação do galpão de aço móvel.

O propósito deste trabalho é analisar a estrutura de um sistema de fixação e movimentação para galpão móvel que foi desenvolvido por Trindade (2016) através do método de elementos finitos. Além da análise, serão comparados os resultados obtidos com as reações de apoio que são determinadas através da aplicação como condições de

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contorno, dos esforços de vento prescritos na norma ABNT NBR 6123:1988 e das combinações de ações previstas na norma ABNT NBR 8800:2008 em uma simulação da estrutura simplificada como pórtico. Para esta simulação foi utilizado o software Ftool, no qual essas ações podem provocar o movimento ou arranque do galpão de aço da sua posição de trabalho, bem como a falha por colapso plástico das peças que compõem o sistema de movimentação e fixação.

2

Metodologia desenvolvida

2.1

Ações atuantes no pórtico

As ações do vento atuantes no sistema de fixação e movimentação do galpão de aço seguem a prescrição da norma ABNT NBR 6123:1988. Na Figura 2 (a), é ilustrada a seção transversal do galpão com as cotas entre os pilares, a altura livre e a inclinação da cobertura. A Figura 2 (b) mostra a elevação lateral com o espaçamento entre os pórticos e a largura total.

(a) viga de aço perfil W410x60.0 pilar de aço perfil W610x101.0 20000 5° 13285 12000
(a)
viga de aço
perfil W410x60.0
pilar de aço
perfil W610x101.0
20000
13285
12000

SEÇÃO TRANSVERSAL

(b) contraventamentos vigas de travamento

(b)

contraventamentos

contraventamentos

(b) contraventamentos vigas de travamento
vigas de travamento

vigas de travamento

(b) contraventamentos vigas de travamento
         
 

verticais

verticais
verticais
verticais
 
     
   
 
   
     
 
     
     
    verticais                   4 X 7500 =
 
 

4 X 7500 = 30000

   

ELEVAÇÃO LATERAL

Figura 2 Dimensões macro do galpão de aço, medidas em milímetros.

As considerações para o cálculo da ação do vento, listadas a seguir, são para o galpão ilustrado na Figura 2, sendo:

Velocidade básica do vento V o = 50 m/s;

Fator topográfico S 1 = 1 terreno plano;

Fator de rugosidade S 2 = categoria I adotada classe B. Na Tabela 1 são mostrados os diferentes valores do fator de rugosidade de acordo com a altura do galpão.

Tabela 1 Fator de rugosidade S 2 .

do fator de rugosidade de acordo com a altura do galpão. Tabela 1 ‐ Fator de

105

Fator estatístico S 3 = 0,95;

Para o cálculo da velocidade característica do vento (V k ) é utilizada a velocidade básica

do vento (V o ), o fator topográfico S1, o fator de rugosidade do terreno S2 e o fator

estatístico S3, conforme apresentado na Equação (2.1). Para determinar a pressão

dinâmica (q k ) do vento é utilizada a Equação (2.2).

0,613.

(2.1)

(2.2)

A ação permanente (F Gi,k ) estimada para a estrutura de aço é de 0,10 kN/m² para as

telhas, 0,05 kN/m² para os contraventos, 0,10 kN/m² para as terças e tirantes e de 0,20

kN/m² para as vigas e pilares, totalizando 0,45 kN/m², que de acordo com Bellei (1998),

é

classificado como um galpão leve. O carregamento uniformemente distribuído sobre

o

pórtico, conforme Pravia et al. (2010) é dado pela multiplicação da ação permanente

pelo espaçamento entre os pórticos (Figura 2) para obter se então a força por metro, ou

seja, 3,375 kN/m.

A ação acidental (F Qi,k ), conforme a norma ABNT NBR 8800:2008 (anexo B), não deve ser

menor que 0,25 kN/m². Portanto, para determinar o carregamento uniformemente

distribuído, é multiplicado o valor da ação acidental pelo espaçamento entre os pórticos

(Figura 2), sendo o valor da força por metro em um pórtico de 1,875 kN/m .

2.2 Combinações de ações atuantes no pórtico

As combinações de ações seguem a prescrição da norma ABNT NBR 8800:2008 e neste

trabalho estão denominadas por F D,1 , F D,2 e F D,3. A Figura 3 (a) apresenta a combinação

de ações F D,1 e nela são utilizados os coeficientes de ponderação referente ao peso

próprio da estrutura de aço e as ações variáveis, resultando numa força distribuída, no

eixo Y, de 7,03 kN/m. A Figura 3 (b) e (c) mostra as combinações F D,2 e F D,3 em que são

utilizadas as forças resultantes da ação do vento mais nocivas para a estrutura, sendo as

forças devido ao vento decompostas segundo os eixos globais para a montagem das

combinações, onde são obtidos como resultados, no eixo X, a força distribuída máxima

de 16,3 kN/m e de 12,7 kN/m respectivamente e para o eixo Y, a força distribuída

máxima de 12,9 kN/m para ambas as combinações de ações.

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7,03 kN/m D C E (a) y x A B 20 m 12 m 16,3
7,03 kN/m
D
C
E
(a)
y
x
A
B
20 m
12 m
16,3 kN/m
1,42 kN/m
12,9 kN/m 12,9 kN/m 7,79 kN/m D D C E C E "A" "A" (b)
12,9 kN/m
12,9 kN/m
7,79 kN/m
D
D
C
E
C
E
"A"
"A"
(b)
(c)
Decomposição das ações
Decomposição das ações
A
A
sem escala
sem escala
y
y
A
B
A
B
x
x
1,42 kN/m
16,3 kN/m
12,7 kN/m
0,95 kN/m
9,1 kN/m

Figura 3 Força por metro (a) F D,1 , (b) F D,2 e (c) F D,3 .

3 Resultados da análise estrutural do pórtico

Na análise do comportamento estrutural do galpão de aço é utilizado o programa computacional Ftool (2015), o qual calcula o deslocamento, os esforços axiais, cortantes e os momentos fletores que atuam na estrutura. A vinculação utilizada na base dos pilares é o engaste rígido, pois nessa condição, surgem como reações de apoio um momento fletor, uma reação vertical e uma reação horizontal. Como o objetivo da análise é a obtenção do momento de tombamento do galpão, esta vinculação é a mais adequada. Com o vínculo rígido, não é considerada qualquer tendência de giro do pilar da base,