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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – UNIMONTES

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – CCSA


TEORIA GERAL DO ESTADO E CIÊNCIA POLÍTICA
CURSO DE DIREITO – 1º PERÍODO NOTURNO
PROFESSOR: Afonso Geraldo Mendes
ACADÊMICOS: João Paulo Fernandes Salviano
Danilo de Oliveira Freitas
Hugo Marques do Nascimento
Marcelo José Mendes
Danilo Ferreira Tavares
Victor França Dourado

Os problemas do estado contemporâneo

No contexto das sociedades contemporâneas, temos constatado um


conjunto de mudanças nas relações entre Estado e sociedade. Há alterações do
papel do primeiro, tanto no âmbito das relações internacionais, como no contexto
dos clássicos papéis desenvolvidos pelos Estados nacionais: promover o
desenvolvimento protetor e o redistributivo, regular e investir. Tais tarefas afetam o
exercício da soberania e, do ponto de vista interno, têm implicado restrições
institucionais, desmonte de políticas públicas - particularmente as sociais -, ênfase
na questão da governabilidade restrita ao gerenciamento, capacitação e
competitividade em detrimento dos Direitos, incapacidade de resposta às demandas
sociais, aumento do poder do setor privado, outras questões reorientadas a partir do
paradigma do ‘Estado mínimo’ (que envolve desconcentração do poder do Estado
através das privatizações, descentralização de políticas e ênfase no poder local),
passagem de responsabilidades públicas para a esfera da sociedade civil, parcerias
entre os setores público e privado, passagem de um Estado protetor para um Estado
de assistência, etc. Estas mudanças contêm paradoxos em diversos níveis,
revelando a complexidade das relações que permeiam a institucionalização de
novos processos políticos e de governo.
Uma definição de Estado contemporâneo envolve numerosos problemas,
derivados principalmente da dificuldade de analisar exaustivamente as múltiplas
relações que se criaram entre o Estado e o complexo social e de captar, depois, os
seus efeitos sobre a racionalidade interna do sistema político. Uma abordagem que
se revela particularmente útil na investigação referente aos problemas subjacentes
ao desenvolvimento do Estado contemporâneo é a da análise da difícil coexistência
das formas do Estado de direito com os conteúdos do Estado social.
Um dos principais problemas da crise do Estado contemporâneo é que o
homem do século XX está preso a concepções do século XVIII, quanto à
organização e aos objetivos de um Estado Democrático. A necessidade de eliminar
o absolutismo dos monarcas, que sufocava a liberdade dos indivíduos, mantinha em
situação de privilégio uma nobreza ociosa e negava segurança e estímulo às
atividades econômicas, levou a uma concepção individualista da sociedade e do
Estado. A aspiração máxima era a realização de valores individuais, e para isso
considerou-se indispensável conter o poder político através da própria estruturação
de seus organismos. Buscou-se, então, impor ao Estado um mecanismo de
contenção do poder, destinado a assegurar um mínimo de ação estatal, deixando
aos próprios indivíduos a tarefa de promoção de seus interesses. Desde então,
todas as discussões sobre o Estado e todas as experiências levadas a efeito foram
motivadas pela busca da melhor forma de atingir aqueles objetivos.
Durante o século XIX a aspiração ao Estado Democrático vai se
definindo, até se transformar, já no século XX, num ideal político de toda a
Humanidade, fazendo com que os regimes políticos mais variados e até
contraditórios entre si afirmem ser melhores do que os demais por corresponderem
mais adequadamente às exigências do Estado Democrático. Os direitos
fundamentais representam a tradicional tutela das liberdades burguesas: liberdade
pessoal, política e econômica. Constituem um obstáculo contra a intervenção do
estado. Os direitos sociais, ao contrário, representam direitos de participação no
poder político e na distribuição da riqueza social produzida. A forma do estado
oscila, assim, entre a liberdade e a participação. Além disso, enquanto os direitos
fundamentais representam a garantia do status quo, os direitos sociais, ao contrário,
são a priori imprevisíveis, mas hão de ser sempre atendidos onde emirjam do
contexto social. Se os direitos fundamentais são a garantia de uma sociedade
burguesa separada do estado, os direitos sociais, em vez disso, representam a via
por onde a sociedade entra no estado, modificando-lhe a estrutura formal.
A mudança fundamental consistiu, a partir da segunda metade do século
XIX, na gradual integração do estado político com a sociedade civil, que acabou por
alterar a forma jurídica do estado, os processos de legitimação e a estrutura da
administração.
A estrutura do estado de direito pode ser assim sistematizada:
1) Estrutura formal do sistema jurídico: garantia das liberdades fundamentais com a
aplicação da lei geral-abstrata por parte de juízes independentes.
2) Estrutura material do sistema jurídico: liberdade de concorrência no mercado,
reconhecida no comércio aos sujeitos da propriedade.
3) Estrutura social do sistema jurídico: a questão social e as políticas reformistas de
integração da classe trabalhadora.
4) Estrutura política do sistema jurídico: separação e distribuição do poder.
As mudanças ocorridas na estrutura material e na estrutura social do
sistema jurídico foram origem das transformações no âmbito formal e político.
O Estado Social premedita, antecipa e, de certo modo, inaugura a
existência de alguns paradoxos que fazem parte da realidade atual, sendo a partir
destes que remanescem questões duais como: tensão entre norma e a realidade,
entre os elementos estáticos e os elementos dinâmicos da Constituição, entre a
economia de mercado e a economia dirigida, entre a liberdade e a planificação,
entre o consenso e o dissenso, entre a harmonia e o conflito, entre o pluralismo e o
monismo, entre a representação e democracia, entre legalidade e legitimidade e até
mesmo entre partidos políticos e associações de classe, profissões ou interesses, as
quais aparecem invariavelmente na crista da revolução participatória de nosso
tempo. Não obstante tais dualidades conflitantes, o problema central dos conflitos
está presente na dificuldade de se garantir a concretização desses direitos, diante
de um quadro limitado de recursos. Dessa forma, o atendimento das demandas, as
condições e os pressupostos reais e fáticos indispensáveis ao exercício dos direitos
fundamentais, sobretudo dos direitos sociais, ainda permanecem em aberto.
Verifica-se que, no geral, as críticas levantadas em face do Estado Social quanto à
concretização dos direitos sociais encontram-se alicerçadas nas expectativas que
não mais estão em condições de garantir.

Fontes:
DALLARI, Dalmo de Abreu. Teoria Geral do Estado. 2 ed. São Paulo: Editora Saraiva,
1998.

Sites:
http://ialexandria.sites.uol.com.br/textos/israel_textos/o_estado_contemporaneo.htm
http://www.unifieo.br/files/download/site/mestradodireito/bibliotecadigital/disserta
%C3%A7%C3%B5es%202006/diss_paulo_pires.pdf