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PECADO MORTAL

Rogério Adriano Pinto

Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não é para morte,

orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado

para morte, e por esse não digo que ore. Toda iniqüidade é pecado, e há

pecado que não é para morte. (1 Jo 5.16,17)

João refere-se a um tipo de oração dentro da vontade de Deus, em

que temos certeza de que Ele a atenderá (cf. vv. 14,15), e.g., a oração pelos

crentes espiritualmente fracos, que necessitam das orações do povo de Deus

para ministrar-lhes a vida e a graça. As instruções sobre esse tipo de oração

são as seguintes: Essa pessoa carente de oração precisa ser um "irmão", ou

seja, um crente que não quis pecar deliberadamente, e cujo pecado não foi

rebelião deliberada contra a vontade de Deus. Assim sendo, ele não cometeu

pecado para morte espiritual (cf. Rm 8.13). Ainda tem vida espiritual, mas

está espiritualmente fraco; está arrependido e deseja libertar-se de tudo

quanto desagrada a Deus, mas precisa de ajuda, para vencer o poder de

Satanás e do pecado. Para pessoas assim, a igreja precisa orar, para que Deus

lhes dê "vida". Aqui, "vida" significa uma restauração do vigor espiritual e

renovação da graça de Deus, as quais estão sendo prejudicadas pelo pecado

(cf. Rm 8.6; 2 Co 3.6; 1 Pe 3.7). Deus promete que atenderá essa oração.

Para quem antes foi crente e agora cometeu pecado "para a morte", a igreja

não pode orar com a certeza de que Deus dará mais graça e vida a essa

pessoa. Esse tipo de pecado envolve a transgressão deliberada, proveniente

da desobediência contínua à vontade de Deus. Tais pessoas estão mortas

espiritualmente, e somente poderão receber vida, caso se arrependam do

pecado e se voltem para Deus (Rm 8.13). Devemos orar para que Deus dirija

as circunstâncias da sua vida, de modo que tenham uma oportunidade propícia

de aceitar de novo a salvação de Deus em Cristo.

Há pecado que não é para morte (1 João 5.17). João aqui faz

distinção entre dois tipos de pecado: Pecados menos graves, que ocorrem
inconscientemente, ou sem a pessoa querer, e que não levam imediatamente à

morte espiritual. Pecados terríveis, evidenciando rebelião deliberada contra

Deus e sua Palavra, resultante da morte espiritual, ou conducente a ela, e à

separação da vida de Deus (Nm 15.31; Rm 8.13; Gl 5.4).

De acordo com a teologia católico romana, para que um pecado seja

considerado "mortal", é mister que tenha duas características: ser sério e ter

sido deliberadamente cometido. Segundo essa teologia, um pecado mortal

separa o homem de Deus e, se não perdoado resultará em condenação eterna.

Ainda segundo essa mesma teologia, o perdão é provido através da graça

sacramental que a Igreja Católica Romana administra, mediante o poder de

expiação de Cristo.

O trecho usado para apoiar essas duas idéias encontra-se em 1 Jo

5.16,17. Essa passagem fala sobre pecados para morte e pecados não para

morte. Não há ali, entretanto, qualquer referência ao chamado "pecado

imperdoável". No entanto é mais acertado interpretar aquela passagem de 1

Jo como alusiva a pecados que levam à morte física, e não à morte eterna

sobre o qual não se possa orar. Ninguém jamais está fora do alcance de Deus.

Todavia, se está mesmo em pauta a morte espiritual, conforme alguns

intérpretes, então devemos pensar nos casos de apostasia final , como

sucedida aos oponentes gnósticos da antiga Igreja Cristã, que eram

destrutivos e malignos, e acerca de quem o autor sagrado não recomendava

que se orasse, na hipótese de que eles já estavam no caminho descendente da

perdição. Seja como for, homens comuns, mui provavelmente, não estão aqui

em foco, sem importar a gravidade de seus pecados. E, assim sendo, o texto

nada diz sobre pecados mortais em contraste com pecados veniais.

Se aquela passagem de 1 João visa pecados graves (e não de

apostasia, especificamente), então o autor sagrado, mui provavelmente, tinha

em mente aqueles indivíduos que persistem em seus caminhos pecaminosos,

não dando ouvidos aos conselhos dados por homens espirituais. Existem

indivíduos acerca dos quais a Igreja simplesmente deveria desistir de tentar

salvar, não perdendo tempo em orações que peçam a conversão dos mesmos.
Dificilmente em 1 Jo 5.16,17, poderíamos pensar que temos ali a

doutrina Católica Romana ordinária dos pecados mortais. A Igreja de Cristo

nunca foi aconselhada que orasse por indivíduos que cometam pecados

graves, mesmo que tenham pecado deliberadamente. Todavia, devemos pensar

que alguns casos podem ser tão radicais que desencorajam aos crentes a

orassem a respeito.
CONCLUSÃO
Para João todos os pecados são iniquidades, não existe diferença

entre eles. Poderíamos excetuar o pecado de blasfêmia contra o Espírito.

Segundo João um pecado se torna mortal de acordo com a atitude do cristão

em relação a ele. Um cristão quando peca e se arrepende, não cometeu pecado

para morte. Mas, quando um cristão peca e vive no pecado e não demonstra

uma chance de arrependimento está pecando para a morte, pois não está

dando ao sacrifício de Cristo o devido valor.

O apóstolo João recomenda que a igreja deve orar por pessoas que

não vivem pecando deliberadamente. Devemos notar que João não proíbe que

se ore por tal pessoa, nem também diz que tal pessoa não tem mais chance de

salvação, mas recomenda que a igreja não se desgaste tentando restaurar tal

pessoa, pois ela por livre escolha quer permanecer no pecado. A igreja deve

se dedicar aos crentes fracos orando para que Deus lhe dê vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHAMPLIM, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e

Filosofia Vol. 3. Ed. São Paulo: Candeia, 1995

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática - Uma Perspectiva

Pentecostal. 7.Ed Rio de Janeiro: CPAD, 2002

DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. 2. Ed. São Paulo:

Vida Nova, 1995