Você está na página 1de 273

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

A PESQUISA DE PROCESSO EM PSICOTERAPIA

Estudos a p a rtir do In stru m e n to SiMCCIT

Sistema Multidimensional para a Categorização de Comportamentos na Interação Terapêutica

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Zamignani, Denis Roberto

A pesquisa de processo em psicoterapia: estudos a partir do instrumento SiMCCIT (Sistema M ultidimensional para a Categorização de Comportamento na Interação Terapêutica), volume 2/ Denis Roberto Zamignani, Sonia Beatriz Meyer. - 1. ed. São Paulo: Paradigma Núcleo de Análise do Comportamento, 2014.

ISBN 978-85-62550-05-8

1. Análise comportamental 2. Psicologia 3. Psicoterapia 4. Terapia do comportamento I. Meyer, Sonia Beatriz. II.Título.

14-10826

índices para catálogo sistemático:

1. Psicoterapia: Medicina 616.8914

CDD-616.8914

NLM-WM 420

Editor |

Paradigma Núcleo de Análise do Comportamento

Coeditora |

FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do

Estado de São Paulo *

Projeto gráfico e diagramação |

Mila Santoro

Revisão ortográfica |

Francisco Carlos Peixoto

Adequação às normas da APA |

Dante Marino Malavazzi

* “As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de responsabilidade do(s) autor(es) e não necessariamente refletem a visão da FAPESP.”

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

volume

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

A PESQUISA DE PROCESSO EM PSICOTERAPIA

Estudos a p a rtir do In stru m e n to SiMCCIT

Sistema Multidimensional para a Categorização de Comportamentos na Interação Terapêutica

Denis Roberto Zamignani e Sonia Beatriz Meyer (Org.)

Apresentação

Denis Roberto Zamignani e Son c Seat' z

’e/er

15

1 Adaptações do SiMCCIT para diferentes populações e modalidades de intervenção

Capítulo 1

Categorização em terapia analítico-comporzame^ta metodológicas e resultados de pesquisa

Giovana Dei Prette e Sonia Beatriz Meyer

21

infantil: questões

Capítulo 2

39

Intervenção analítico-comportamental de grupo com portam ento dos participantes

descre. e-oo categorias de

Fabiane Ferraz Silveira Fogaça, Sonia Beatriz Meyer e ~ = :::rz rc V

~ Soisoni-Siiva

 

Capítulo 3

57

Classificação dos comportamentos verbais vocais do terapeuta de casal a partir do SiMCCIT: uma aplicação possível?

Eugênia Marques de Oliveira Melo, Livia Godinho Al 'í s^oe

Denis Roberto Zamignani

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

2 Estudos que utilizaram o SiMCCIT

Capítulo 4

Análise de contingências envolvidas na orientação

Juliana Cristina Donadone e Sonia Beatriz Meyer

79

Capítulo 5

105

Desafios metodológicos na pesquisa clínica: terapia com clientes difíceis

Claudia Kami Bastos Oshiro e Sonia Beatriz Meyer

Capítulo 6

145

Efeitos de intervenções reflexivas sobre o repertório do cliente no processo terapêutico analítico-comportamental

Bernardo Dutra Rodrigues, Camila Ferreira Lima, Dante Marino Maiavazzi, Denis

Roberto Zamignani, Emerson Simões Filho, Giovana Del Prette, Marina Mazer, Pedro

Fonseca Zuccolo, Roberto Alves Banaco, Tatiana Araújo Carvalho de Almeida e

Victor Mangabeira

Capítulo 7

167

Alguns apontamentos sobre psicoterapia analítico-comportamental com jovens em conflito com a lei

Giovana Veloso Munhoz da Rocha e Sonia Beatriz Meyer

Capítulo 8

181

Um estudo de intervenção psicoterapêutica com mãe de adolescente com problema de com portam ento

Priscila Ferreira de Carvalho, Juliano Setsuo Violin Kanamota e

Alessandra Turini Bolsoni Silva

Capítulo 9

195

Categorização e sequências comportamentais em terapia analítico- comportamental infantil

Rodrigo Nunes Xavier e Sonia Beatriz Meyer

Capítulo 10

209

Análise da interação terapêutica em um caso de transtorno de personalidade borderline

Hérika de Mesquita Sadi e Sonia Beatriz Meyer

Capítulo 11

233

Analisando sessões de terapeutas comportamentais: dois estudos a partir da aplicação das categorias de Zamignani (2007)

Luiza Hübner de Oliveira

APÊNDICE I - Categorias Resumidas

Referências

Contracapa da publicação

243

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

SOBRE OS AUTORES

Alessandra Turini Bolsoni-Silva

Possui graduação em Psicologia e mestrado pela UFSCar, doutorado e pós-doutorado pela USP-RP. Atualmente é livre-docente em Psicologia Clínica pela Unesp-Bauru, lecionando nos cursos de Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Trabalha com Análise Aplicada do Comportamento em Psicologia Clínica e em Psicologia do Desenvolvimento em diferentes temáticas: habilidades sociais, habilidades sociais educativas parentais e de professores, relacionamento conjugal, problemas de comportamento infantil, transtornos de ansiedade e depressão. Pertence a Grupos de Pesquisa CNPq e é Bolsista Produtividade do CNPq.

Bernardo Dutra Rodrigues

Psicólogo pela Universidade da Amazônia (UNAMA), especialista em Clínica Analítico- Comportamental pelo Núcleo Paradigma, mestre em Psicologia Experimental (UFPA).

Camila Ferreira Lima

Psicóloga pela Universidade Ibirapuera (Unib), especialista em Clínica Analítico- Comportamental pelo Núcleo Paradigma.

Claudia Kami Bastos Oshiro

Graduação em Psicologia (2001) e mestrado em Educação do Indivíduo Especial (2004), ambos pela Universidade Federal de São Carlos. É especialista em Terapia Comportamental

e Cognitiva pela Universidade de

Universidade de São Paulo (2011), tendo desenvolvido um delineamento experimental de sujeito único mostrando os efeitos da FAP com indivíduos com transtorno de personalidade. Foi docente e supervisora clínica no curso de especialização em Terapia Comportamental

e Cognitiva - HU-USP/SP e presidente da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina

Comportamental (ABPMC) em 2012. Atualmente é docente no Departamento de Psicologia Clínica, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Recebeu o Prêmio Capes de Teses de Psicologia em 2012.

São Paulo - USP/SP. É doutora em Psicologia Clínica pela

Dante Marino Malavazzi

Graduado em Jornalismo e Psicologia pela PUC-SP, é mestre e doutorando em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela mesma instituição. Especialista em clínica analítico-comportamental pelo Núcleo Paradigma, é terapeuta, professor, orientador e

supervisor clínico na mesma instituição.

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Denis Roberto Zamignani

Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (2008); psicólogo (1996) e mestre em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento (2001) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; coordenador e docente do Programa de Mestrado Profissional em Análise do Comportamento Aplicada, além de supervisor e docente no curso de Especialização em Clínica Analítico-Comportamental do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental na gestão 2010-2011, da qual é membro desde 1994 e presidente eleito para a gestão 2015-2016. Membro eleito da Comissão de Acreditação de Analistas do Comportamento da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, gestão 2014. É coordenador do grupo de pesquisa processo-resultado do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento. Membro do corpo editorial das Revistas Perspectivas em Análise do Comportamento e Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva.

Emerson Simões Filho

Psicólogo, analista do comportamento e pesquisador em clínica analítico-comportamental. Especialista em Clínica Analítico-Comportarmentaí pelo Paradigma Núcleo de Análise do Comportamento, cursa mestrado em Psicologia Clínica pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) e secretário de editoração da Revista Perspectivas em Análise do Comportamento. CRP 06/101787.

Eugênia Marques de Oliveira Melo

Psicóloga pela Universidade Federal do Ceará, mestra em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará; especialista em Clínica Analítico-Comportamenta! pelo Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento; professora do curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza (UNIFOR); psicóloga clínica.

Fabiane Ferraz Silveira Fogaça

Graduada em Psicologia pela UNESP-Bauru (2005); especialista em Terapia Comportamental pela USP-SP (2005); mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem pela UNES-

Bauru (2009); doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSCar, com

estágio sanduíche realizado no Behavior Analysis Program da University of Nevada, Reno.

Membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental e (ABPMC) e

Association for Behavior Analysis International (ABAI). Sua atuação acadêmica e profissional é centrada nos temas: práticas educativas parentais, habilidades sociais, interação terapêutica,

análise de metacontingências em interações familiares e análise comportamental de

fenômenos sociais.

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Giovana Del Prette

Giovana Del Prette é psicóloga e atua como terapeuta, professora, supervisora clínica e pesquisadora; graduou-se em Psicologia (USP-2003), fez mestrado (2006) e doutorado (2011) ern Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (IP-USP); atualmente faz pós-doutoramento no Instituto de Psiquiatria da USP-SP. É professora e supervisora clínica no Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência (SEPIA), no curso de Terapia Comportamental e Cognitiva da Residência em Psiquiatria Geral do HC/FMUSP e no Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC-2012), da qual é membro desde 2002.

Giovana Munhoz da Rocha

Doutora em Psicologia Clínica na Universidade de São Paulo (2008); orientadora no Mestrado de Psicologia, área de concentração Psicologia Forense na Universidade Tuiuti do Paraná; docente da Faculdade Evangélica do Paraná; psicóloga clínica e clínica forense há mais de quinze anos. seus 'o:eresses acadêmicos e científicos residem nos seguintes temas: com portam e-' aníissocia psicopatia práticas parentais educativas e análise do com poria---- ' Association for Correctional and Forensic Psychology (lAC -^-.S1. os Sociedade Bras era ae Psicologia SBP) e Associação Brasileira de Psicologia e Med cina Conoortamenia

Hérika de Mesquita Sadi

Doutora em Psico og ínica peia Universidade de São Paulo(USP); mestra em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP); professora, supervisora e pesquisadora na Universidade Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC) e terapeuta em clínica privada; membro do Comitê de Ética em pesquisa aa Universidade FUMEC e coordenadora do Laboratório de Análise do Comportamento na mesma universidade; membro do Conselho Editorial da Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva.

Juliana Cristina Donadone

Possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina-UEL (2000), graduação em Aprimoramento em Terapia Comportamental Cognitiva pela Faculdade de Medicina da USP (2001); mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo- USP (2004) e doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo/USP (2009). Tem experiência na área de psicologia, com ênfase em intervenção terapêutica, atuando principalmente nos seguintes temas: regras, autorregras, experiência de terapeutas,

orientação e auto-orientação. Atua como professora adjunta II - regime de dedicação exclusiva na Universidade Federal de Mato Grosso.

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Juliano Setsuo Violin Kanamota

Possui graduação em Psicologia (2003) e especialização em Psicoterapia na Analise do Comportamento pela Universidade Estadual de Londrina-UEL (2004); mestre em Ciências do Comportamento pela Universidade de Brasília-UnB (2007); doutorando do programa de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo-USP; docente e chefe da Seção de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus de Paranaíba-UFMS/CPAR.

Lívia Ferreira Godinho Aureliano

Doutoranda em Psicologia Experimental pela USP; mestra em Psicologia Experimental: Análise

do Comportamento pela PUC-SP (2008); especialista em Terapia Comportamental pela USP (2005) e em Medicina Comportamental pela UNIFESP (2003); graduação em Psicologia na PUC-SP (2002). Docente do Curso de Psicologia da Universidade São Judas Tadeu desde 2008; docente e terapeuta do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento. Atua como consultora organizacional desde 2002.

Luiza Hübner de Oliveira

Especialista em Terapia Comportamental pela USP (2010); graduação em Psicologia na PUC- SP (2009); terapeuta comportamental com experiência em atendimento bilíngüe e estágios

internacionais (CIEL).

É associada da Association for Behavior Analysis International (ABAI) e

atua como terapeuta comportamental de adultos, adolescentes e crianças.

Marina Mazer

Psicóloga

Núcleo Paradigma(2007).

pela

PUC-SP (1996); especialista

Pedro Fonseca Zuccolo

em

Clínica

Analítico-Comportamental

pelo

Psicólogo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); neuropsicólogo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); terapeuta comportamental

pelo Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento; mestre pelo Instituto de Psicologia

da Universidade de São Paulo (SP); doutorando em psicologia experimental no Instituto de Psicologia da USP.

Priscila Ferreira de Carvalho Kanamota

Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e

Aprendizagem, Unesp - Bauru-SP; especialista em Análise do Comportamento pelo Centro Universitário Filadélfia, Unifil - Londrina-Pr; graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina, UEl-PR; atua em Psicoterapia Analítico-Comportamental, Docência e

Psicologia Organizacional.

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Roberto Alves Banaco

Psicólogo, doutor em Ciências (área de concentração: Psicologia Experimental) pelo Instituto de Psicologia da USP. Professor da PUC-SP, onde ministra cursos na graduação em Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento. Foi presidente da ABPMC (gestão 1996/1997 . e euitor da Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. É coordenador pecagógico; coordenador e docente do Programa de Mestrado Profissional em Análise do Comportamento Aplicada; terapeuta (adultos, casal, família e grupo); coautor do projeto do Curso de Especialização em Terapia Analítico-Comportamental, no qual é também coordenador, professor e supervisor no Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento.

Rodrigo Nunes Xavier

Terapeuta analítico-comportamental, pesquisador e docente em Psicologia. Possui mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo e está cursando doutorado pelo mesmo programa de pós-graduação.

Sonia Beatriz Meyer

Livre-docente no Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; mestre pela Western Michigan University e doutora em Psicologia Experimental pe a Universidade de São Paulo; professora na graduação e na pós- graduação; orientadora de mestrado e de doutorado e supervisora clínica em serviços à comunidade no Serviço de Terapia Analítico-Comportamentai do Laboratório de Terapia Comportamental do Instituto de Psicologia da USP. Coordena um projeto de pesquisa intitulado Análises Comportamentais de Sessões de Psicoterapia.

Tatiana Araújo Carvalho de Almeida

Graduada em Psicologia pela PUC-MG; mestra em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela PUC-SP; especialista em Clínica Analítico-Comportamentai pelo Núcleo Paradigma e especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital Israelita Albert Einstein; terapeuta e supervisora clínica em consultório particular.

Victor Mangabeira

Possui graduação em Psicologia pela Universidade de São Paulo - USP (2008) - títulos de bacharel, psicólogo e licenciado. Em 2008 recebeu prêmio da Universidade de São Paulo (USP) como aluno graduado com maior média dentre os formandos. É especialista em Clínica Analítico-Comportamentai pelo Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento.

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Atualmente cursa doutorado direto em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da

Universidade de São Paulo (IPUSP). Épsicólogo clínico (terapeuta analítico-comportamental)

atuando em consultório particular. É membro, desde 2008, da Associação Brasileira de

Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) e membro da Association for Behavior Analysis International (ABAI).

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

APRESENTAÇÃO

Denis Roberto Zamignani

Sonia Beatriz Meyer

A proposta de desenvolvimento do Sistema Multidimensional para a

Categorização de Comportamento > r

da constatação de que, apesar do crescente numero de pesquisas conduzidas em

diferentes centros nacionais e internacionais, era rr. u::o

encontrados, devido à grande dispersão dos sistemas de categorização utilizados pelos pesquisadores. Apesar das importantes contribuições c s pesquisas traziam

para o entendimento da psicoterapía, elas apresentavam dados que dificilmente poderiam ser comparados, ia que cada uma utilizava diferentes instrumentos para

a sistematização dos dados clmicos. Seria possível, então, propor a unificação das

pesquisas de processo em tomo de um dos sistemas iá existentes para a categorização da interação terapêutica analítico-comportamental? Alguns instrumentos de categorização de comp »rtamento para o estudo do processo terapêutico haviam sido desenvolvidos ate então. Restava verificar se, entre os instrumentos existentes, havia

algum mais apropriado para esse fim. Tendo essa questão em vista, Zamignani (2007) realizou um amplo levantamento na literatura1, considerando-se a possibilidade de adoção de alguns dentre eles para

o estudo da interação terapêutica. Uma vez que nenhum dos sistemas selecionados

atendia plenamente a todos os critérios de inclusão, os sistemas selecionados foram analisados categoria a categoria, a fim de se obter o maior número possível de

elementos para a caracterização dos comportamentos típicos da interação terapêutica

e para o desenvolvimento de um sistema suficientemente abrangente. Com base nessa

interação Terapêutica (SiMCCIT) decorreu

difícil sistematizar os achados

1 A descrição completa do processo de seleção e sistematização da literatura existente consta no Capítulo I do Volume I.

apresentação

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

15

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

análise e também em estudos preliminares e consulta à literatura voltada à formação de terapeutas, foram desenvolvidas as categorias do Sistema Multidimensional de Categorização de Comportamentos na Interação Terapêutica para o comportamento verbal vocal do terapeuta e do cliente. O processo envolvido no desenvolvimento do SiMCCIT, incluindo um exercício de aplicação das categorias às diferentes etapas do processo terapêutico analítico-comportamentale o manual para a utilização do instrumento por pesquisadores e a apresentação do treino de observadores desenvolvido para o SiMCCIT foram apresentados no Volume I desta obra. Desde 2007, quando do desenvolvimento do SiMCCIT, até o presente momento, muitos projetos de pesquisa têm sido desenvolvidos utilizando esse sistema. Aparentemente, o objetivo inicial, o de contribuir para o desenvolvimento da área, permitindo a comparação entre dados de diferentes pesquisas e a partir de uma massa de dados mais robusta, está sendo atingido. Em pouco tempo de existência do sistema, já existe uma massa de dados bastante rica, dados esses que podem ser comparados e relacionados com maior facilidade, devido à sistematização mais homogênea. O presente livro traz contribuições tanto da equipe de pesquisa envolvida no desenvolvimento do SiMCCIT quanto de pesquisadores de diferentes regiões do país que se dispuseram a utilizar o instrumento, contribuindo para a sua validação e aperfeiçoamento. A primeira unidade apresenta estudos que propuseram adaptações do SiMCCIT a diferentes populações; a segunda traz uma mostra de trabalhos que utilizaram o SiMCCIT para o estudo de diferentes questões do processo terapêutico.

Esperamos com esta obra contribuir para que a psicoterapia seja uma prática cada vez mais consistente, na qual as evidências científicas sejam a sustentação para a condução de um processo terapêutico efetivo.

16

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

SEÇÃO I

Adaptações do SiMCCIT para diferentes populações e modalidades de intervenção

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo 1

CATEGORIZAÇÃO EM TERAPIA ANALÍTICO-COMPORTAMENTAL INFANTIL: QUESTÕES METODOLÓGICAS E RESULTADOS DE PESQUISA

Giovano Del Prette Sonia Beatriz Meyer

A categorização de sessões como método de pesquisa de processo em psicoterapia tem sido usada prioritariamente 0 0 escudo da interação terapêutica com clientes adultos. Desse modo, sistemas de categorização se adaptam a um modelo de psicoterapia baseado no relato verbal, uma vez que são construídos com base nos próprios dados de observação e registro das falas do terapeuta e do cliente. Contudo, a psicoterapia da criança, muitas vexes tem um formato diferente, incluindo, por exemplo, interações por meio do brincar e da fantasia com personagens (Del Prette, 2006). Esse formata em parte, deve-se â dificuldade de a criança relatar eventos do dia a dia. o que também significa que as trocas verbais na terapia infantil são diferenciadas (Del Prette. 2011 . Em face dessas peculiaridades- o objetivo deste capítulo é apresentar aspectos metodológicos e resultados de pesquisa conduzida por Del Prette (2011) sobre Terapia Analítico-Comportamental Infantil TACI), em que foram categorizadas sessões de duas terapias, conduzidas por terapeutas experientes. Especificamente, este capítulo se propõe a responder às seguintes questões: e possível utilizar um sistema de categorização de comportamentos cuias categorias são definidas com base em interações terapêuticas com adultos, na análise de sessões com crianças? Que adaptações são necessárias à sua utilização? Que outras metodologias :ou sistemas) podem auxiliar na compreensão do processo terapêutico em TACi?

1

j

c a p ítu lo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

21

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

BREVE DESCRIÇÃO DA PESQUISA DE DEL PRETTE (2011)

A pesquisa realizada por Del Prette (2011) foi intitulada “Objetivos analítico- comportamentais e estratégias de intervenção nas interações com a criança em sessões de duas renomadas terapeutas infantis”. Participaram deste estudo duas díades terapeuta-criança, aqui denominadas de Díade A e Díade B. As duas terapeutas analítico-comportamentais tinham vasta experiência no atendimento de crianças (respectivamente, 30 e 40 anos de experiência na época da pesquisa), doutoras e professoras em Análise do Comportamento, reconhecidas pela comunidade de analistas brasileiros pela sua atuação e suas publicações sobre TACI. Cada terapeuta atendeu uma criança. A primeira criança, um menino de 6 anos de idade, foi encaminhada à psicoterapia pela escola por problemas de comportamento externalizantes (agressividade, hiperatividade e comportamento-opositor) e dificuldades de aprendizagem (atraso em leitura e escrita e dificuldade de permanecer em sala de aula). A segunda criança, uma menina de 8 anos, foi encaminhada à psicoterapia pelos pais por problemas de relacionamento com os pais que se agravaram com o nascimento do irmão mais novo, que posteriormente foi avaliado pela terapeuta e diagnosticado autista. As terapeutas realizavam sessões semanais com as crianças, de uma hora de duração. Outras intervenções também foram realizadas, mas não foram foco da pesquisa, como visita à escola e orientação de pais. Após os trâmites éticos e de contrato (termo de consentimento, explicações sobre as pesquisas e entrevista inicial com os pais), as sessões se iniciaram, sendo gravadas e transcritas. Paralelamente, as terapeutas eram entrevistadas pelas pesquisadoras, descrevendo e analisando aspectos como hipóteses funcionais, intervenções realizadas e plano terapêutico. As sessões gravadas foram transcritas, totalizando oito sessões da Díade A e seis sessões da Díade B. Depois de transcritas, foram categorizadas por um categorizador treinado, que também realizava a separação das falas da terapeuta e da criança em unidades de análise moleculares. Uma unidade de análise correspondia a um trecho de fala ou ação alocado em uma única categoria do SiMCCIT. Ao final, foram categorizadas 4.192 unidades de análise para os comportamentos das terapeutas, correspondendo a 28.022 palavras emitidas, e 2.910 unidades para os comportamentos dos clientes, correspondendo a 14.105 palavras emitidas pelas crianças.

22

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Para todos os sistemas de categorização utilizados, foi realizado teste de concordância entre observadores (observadora treinada para pesquisa e a própria pesquisadora, também treinada no uso dos sistemas). Os resultados foram obtidos sobre a frequência e a porcentagem de unidades de análise e também sobre as palavras contadas. Além da frequência/porcentagem de cada categoria, foi realizado estudo da correlação entre categorias do terapeuta e categorias subsequentes do cliente, com teste de significância estatística.

SiMCCIT: EIXO VERBAL VOCAL DO TERAPEUTA EM TACI

O primeiro sistema de categorias utilizado na pesquisa foi o SiMCCIT, de Zamignani (2007). Foi utilizado somente o Eixo I - Comportamento verbal vocal, do terapeuta e do cliente. As categorias do terapeuta são as seguintes: (1) Solicitação de Relato;

(2) Facilitação; (3) Empatia; (4) Informação; (5) Solicitação de Reflexão;

(6) Recomendação; (7) Interpretação; (8) Aprovação; (9) Reprovação e (10)

Outras - Vocal Terapeuta. A Figura 1 apresenta o percentual de ocorrência e o

número médio de palavras para cada categoria do terapeuta.1

1 J

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

23

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! FIGURA 1 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DE CADA CATEGORIA (barras) E QUANTIDADE

FIGURA 1

PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DE CADA CATEGORIA (barras) E QUANTIDADE MÉDIA DE PALAVRAS (linhas) EM CADA CATEGORIA DO TERAPEUTA (SiMCCIT, Zamignani, 2007) PARA AS TERAPEUTAS ALICE (Terapeuta 1) E BERTHA (Terapeuta 2).

Extraído de Del Prette, 2011

Na Figura 1, verifica-se que as duas terapeutas apresentaram um padrão de media de palavras bastante similar entre si ao longo das categorias e que diferiram na frequência relativa das categorias utilizadas ao longo do atendimento. A semelhança do número médio de palavras das terapeutas por categoria (linhas) pareceu sugerir um padrão dado pela própria definição de cada categoria. Por exemplo, a definição de Facilitação é dada, em parte, por um aspecto topográfico, segundo o qual essa categoria só engloba verbalizações mínimas, normalmente compostas de uma ou duas palavras. Solicitação de R elato (média de dez palavras por unidade para as duas terapeutas) é composta, muitas vezes, por perguntas para a obtenção de relato

24

seção

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

composta, muitas vezes, por perguntas para a obtenção de relato 24 seção INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

do cliente e, ciesse modo, dificilmente engloba frases muito extensas, especialmente com crianças. Já em Interpretação, terapeutas provavelmente precisariam falar mais para comunicar ao cliente suas hipóteses sobre os comportamentos interpretados e, nessa categoria, as terapeutas obtiveram média de mais de vinte palavras por unidade de análise. Houve também outras categorias, cuja média de palavras foi semelhante entre terapeutas, mas a porcentagem foi bastante diferente (como a Empatia e a

Aprovação).

Algumas categorias que ocorrem em porcentagem bastante baixa contemplam uma média de palavras maior como a Interpretação e a Solicitação de Reflexão). Isso demonstra a importância de c moinar as duas unidades de medida (porcentagem

e média de palavras) para melhor ponderar o papel de cada categoria. Em suma, é

possível que a média de palavras s:gz _m padrão definido pelas características da categoria e a porcentagem indique melhor quanto cada terapeuta utilizou uma ou outra estratégia em suas intervenções

Durante o período de categorização, foi observado que era possível utilizar esse sistema para a análise dos comportamentos verbais vocais do terapeuta, em terapia infantil. Contudo, foi necessária uma adaptação para contemplar um padrão específico

de interações que não seencaixava em nenhum critério descrito no sistema. Esse padrão

consistia em verbalizações da terapeuta que descreviam o próprio comportamento,

o da criança ou o de personagens das brincadeiras, enquanto eles aconteciam. As

ocorrências dessas interações foram analisadas, comparando-se sua topografia e função com as definições das categorias do terapeuta. Foi observado, por exemplo,

que o terapeuta não necessariamente empatizava ou aprovava a fala/ação da criança, até porque muitas vezes a descrição era sobre o próprio comportamento, excluindo-

se então a correspondência com as categorias Empatia e Aprovação. Foi observado

também que as verbalizações não interpretavam os comportamentos, apenas os descreviam - excluindo-se que pudessem pertencer à categoria Interpretação. Por fim, optou-se por definir essas verbalizações como pertencentes à categoria Informação, acrescentando-se à definição que ela contemplaria também as interações em que o terapeuta descreve os comportamentos em sessão. Essas verbalizações parecem ser muito importantes na terapia da criança. Uma análise funcional das sequências de falas transcritas na pesquisa de Del Prette (2011) permitiu analisar algumas funções prováveis enquanto estratégias de intervenções, que, na Tabela 1, são apresentadas junto com exemplos hipotéticos.

na Tabela 1, são apresentadas junto com exemplos hipotéticos. capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 25

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

25

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

TABELA 1

PROVÁVEIS FUNÇÕES DAS VERBALIZAÇÕES DO TERAPEUTA CATEGORIZADAS COMO INFORMAÇÃO NA TERAPIA ANALÍTICO-COMPORTAMENTAL INFANTIL

FUNÇÃO

a. Terapeuta informa com função de modelo para ensinar descrições e/ou análises de contingências, com foco nas próprias respostas (ou de personagens que ele representa durante fantasia)

b.Terapeuta informa com função de suplementação verbal de uma contingência com foco nas respostas da criança (ou de personagens que ela representa durante fantasia)

a.Terapeuta informa com função de manutenção da interação

26

EXEMPLO

Terapeuta diz durante uma partida de Jogo da Vida:

"Vou jogar o dado, vamos ver que número vai dar

seis

eu for por este caminho, um, dois, três, quatro, cinco,

seis

este outro

seis

segundo caminho. Que bom!".

deixa eu pensar

aqui tem uma bifurcação. Se

vou cair nesta casa:'Pague 60 mil'e se eu for por

'Dia

caio em

um, dois, três, quatro, cinco,

do Pagamento'. Hum, ótimo, vou escolher o

1.Criança aprende a escrever palavras na sessão. Enquanto escreve, terapeuta descreve suas

respostas: "Descendo a perninha do 'p' "

'p'

ah, agora apareceu um 'a'

'pa'

depois do

2. Criança faz o papel de um personagem. Enquanto

ela representa as falas e ações do personagem, o terapeuta narra a interação e/ou a cena: "Então o

a mãe dele já

está lá esperando

avisou que ele tinha tirado nota baixa

bem devagar, né"- e a criança: "Não quero voltar pra casa e contar pra mãe!"

[boneco] Lucas está indo pra casa

enquanto isso a professora já

ele está indo

Criança arruma as panelinhas e outros objetos de uma brincadeira de "fazer comidinha". Terapeuta narra:

"Quantas coisas temos para jantar! 0 que será que

nós vamos preparar

plástico] Hum, esses tomatinhos parecem ótimos para "

a janta

[criança pega os tomatinhos de

que cheirosos

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

JUSTIFICATIVA

i1l|li<UlHiil|llIHifil|||vnihl iii i JM—

i

_J 'íaSaSP

As autodescrições podem servir de mocelo para c comportamento da criança de imitá-las, passando a falar sobre o própr cc : tan ente Noexemf hipotético, o terapeuta poderia ensinar solução de problemas, autocontrole ou s'~o!esmente ensinar a criança a descrever com portamentos encobertos. O obiet /o cesta modelação dependeria, é claro, da ar~á se funcional de cada caso.

1. A suplementação verba; ocorreria em um sentido muito semelhante ao descrito por Skinner (1957), ao exemplificar o conceito com uma criança que fala para si mesma o que está fazendo durante o treino de piano, ou um maquinista que canta uma música cuja letra descreve como deveriam ser os movimentos para encher e esvaziar um fole que soprava sobre o fogo, mantendo o combustível do trem. Segundo Skinner (1957), a suplementação verbal desta contingência auxilia os indivíduos a se comportarem sob controle das variáveis sutis que estão sendo descritas, melhorando seu desempenho.

2 .0 terapeuta descreve as contingências de controle da resposta da criança ou do personagem por ela representado. Com isso, coloca o responder dela sob controle das variáveis contextuais (antecedente e consequência), e ensina a criança a fazer o mesmo. Assim, o terapeuta pode ensinar discriminação de antecedentes e previsão de consequências ou, de modo geral, o próprio repertório de autoconhecimento, salientando variáveis sutis.

Neste caso, o terapeuta não aprova nenhum comportamento específico da criança, mas o próprio "manter-se se com portando"- o que seria análogo à função da categoria Facilitação, em um diálogo em terapia. Em Facilitação, o terapeuta emite verbalizações mínimas que demonstram que está atento e sinalizam que o cliente continue sua narrativa. Contudo, um aspecto topográfico (a verbalização mínima) se sobrepõe à funcionalidade na definição.

mínima) se sobrepõe à funcionalidade na definição. capítulo 27 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo

27

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

SiMCCIT: EIXO VERBAL VOCAL DO CLIENTE EM TACI

As categorias do cliente, no eixo verbal vocal do SiMCCIT (Zamignani, 2007), são as seguintes: (1) Solicitação; (2) Relato; (3) M elhora; (4) M eta; (5) Cliente

Estabelece Relações; (6) Concordância; (7) O posição; (8) O utras - Vocal

Cliente. A Figura 2 apresenta os resultados de percentual de ocorrência de unidades dc análise e de número médio de palavras por unidade para cada categoria do terapeuta.

de palavras por unidade para cada categoria do terapeuta. FIGURA 2 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DE CADA

FIGURA 2 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DE CADA CATEGORIA (barras) E QUANTIDADE MÉDIA DE PALAVRAS POR CATEGORIA (linhas), EM CADA CATEGORIA DO CLIENTE (SMCCIT, Zamignani, 2007) PARA AS CRIANÇAS ALEX (Criança 1) E BIA (Criança 2). Extraído de Del Prette, 2011

28

seção

m

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Com relação à média do número de palavras por unidade de análise, a maior diferença entre as crianças foi na categoria Relato, com média de quatro palavras para Alex e de nove palavras para Bia. A diferença entre as médias pode ser atribuída a duas variáveis não excludentes entre si. A primeira é que as diferenças no repertório verbal de cada criança se refletiram especialmente sobre o numero de palavras em relatos. Conforme a avaliação das terapeutas, obtida pelas entrevistas filmadas, Alex tinha grandes dificuldades para relatar eventos, e ensinar esse repertório era um dos objetivos de Alice, enquanto a terapeuta Bertha contou que Bia possuía excelente repertório verbal. Em parte, essas diferenças de repertórios também podem ser atribuídas às idades das crianças, pois Bia era dois anos mais velha que Alex. A outra variável responsável pela diferença entre as médias pode ser o tipo de atividade escolhido pela terapeuta para utilização em sessão. Alice estruturou a maioria das sessões para que Alex treinasse leitura e escrita em uma grande parte do tempo e, nesses períodos, os relatos de Alex eram curtos, relacionados à leitura de sílabas e palavras. Uma categoria com média de palavras bastante reduzida foi a Concordância (2 para Alex e 2,8 para Bia), o que pode indicar uma peculiaridade de um tipo de concordância muito comum na terapia infantil, quando a criança segue, dentro da própria sessão, a recomendação do terapeuta. Categorias com maior média de palavras por unidade de análise foram Metas (9,67 para Alex) e Relações (9,66 para Bia). Uma especificidade foi identificada, sobretudo, na categoria Relato, a mais frequente em termos de ocorrência de unidades de análise e de número de palavras. Essa especificidade, de certa forma, é análoga à questão descrita anteriormente sobre a categoria Informação, do terapeuta. Assim, na terapia infantil, Del Prette (2011) observou que uma parte do relato da criança dizia respeito ao próprio comportamento em sessão, ou seja, uma descrição ou narração simultânea e correspondente à ação executada. Usualmente isso ocorria em falas de fantasia, quando a criança narrava as ações dos personagens, ou a falas próprias dos jogos que estavam sendo jogados na sessão. A Tabela 2 apresenta as possíveis funções identificadas:

A Tabela 2 apresenta as possíveis funções identificadas: capítulo 2 9 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo

29

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

TABELA 2

PROVÁVEIS FUNÇÕES DAS VERBALIZAÇÕES DO CLIENTE CATEGORIZADAS COMO RELATO NA TERAPIA ANALÍTICO-COMPORTAMENTAL INFANTIL

FUNÇÃO

a. Criança faz

EXEMPLO

Criança se encolhe na cadeira,

autodescrição

fecha os olhos e diz: "Agora eu sou o

ou

narração

recheio da comida que você cozinha,

de

seu

comportamento na sessão, em

eu estou na geladeira. Eu estou esperando você chegar do trabalho".

falas em uma

Terapeuta, também narrando sua ação:"0 que vai ter para o jantar

brincadeira de

hoje? Vamos ver

o que vai

ter?

fantasia

Vou abrir a geladeira

Olha

só! Tem

recheio pronto!"Criança espia e ri: "Eu sou o almoço!"

b.Criança narra

Criança:"A menininha vai para a

comportamento

escola" (trocando a boneca). Ela não

de um

 

personagem por

ela representado

durante fantasia

quer o'mamã'. A menininha vai tomar o'mamã'com birra! Unhé, unhé."

(imitando choro). Terapeuta: "Filhinha,

o que está acontecendo?". Criança:

"Não quero tomar o 'mamã'. É ruim."

c. Criança Criança: "Vou jogar essa carta (joga),

descreve seu mudar o meio de transporte

comportamento Ferrovia (muda) e andar seis! Um,

em um jogo

para

dois, três, quatro, cinco, seis (avança o peão no tabuleiro). Caio nessa casa, que me dá duas cartas: uma, duas (pega duas cartas novas). Pronto."

30

JUSTIFICATIVA

Em todos os casos

descritos, o terapeuta promove Relato da criança de modo a utilizar estas interações para ensinar o repertório

de descrição e autodescrição, que são importantes aspectos do autoconhecimento, do ensino do operante tato, da nomeação de

sentimentos.

seçao

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Outras categorias do cliente no SiMCCIT também podem estar relacionadas à interação durante a brincadeira, por exemplo, quando o personagem manipulado pelo cliente faz perguntas ou pedidos (Solicitação), analisa (Cliente Estabelece REFLExão), relata M etas ou M elhora , ou emite C oncordância e O posição .

FOCO DENTRO OU FORA DA SESSÃO EM TACI

Em virtude dessas especificidades observadas na categorização das sessões, Del Prette (2011) utilizou outros eixos de análise, combinando-os entre si em análises estatísticas e correlacionais. Xo eixo Foco, todas as falas e ações transcritas foram

recategorizadas segundo foco dentro ou fora da sessão. Para isso, foram utilizadas as mesmas unidades de análise já segmentadas anteriormente, ao categorizar-se o SiMCCIT (Zamignani, 200“ . O foco dentro da sessão era assim categorizado para todas as falas ou ações que se referiam a acontecimentos ocorridos na própria terapia. Neste caso, esses acontecimentos poderiam estar no presente, ter ocorrido em sessões anteriores ou ser hipotéticos. Foco dentro da sessão incluía ainda as interações próprias das brincadeiras e das fantasias. Já as conversas categorizada como “Foco Fora da Sessão” se referiam a acontecimentos ocorridos fora da sessão (passados, atuais ou hipotéticos). O resultado encontrado é apresentado na Figura 3.

O resultado encontrado é apresentado na Figura 3. capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 31

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

31

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! FIGURA 3 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA (barra) E QUANTIDADE MÉDIA DE PALAVRAS

FIGURA 3

PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA (barra) E QUANTIDADE MÉDIA DE PALAVRAS (linha) COM FOCO DENTRO E FORA DA SESSÃO, PARA A DÍADE 1 E A DÍADE 2

Extraído de Del Prette, 2011

De acordo com a Figura 3, o foco dentro da sessão foi maior na interação da Díade 1 (90%) que na da Díade 2 (57%), com diferença significativa segundo o teste do Chi-quadrado (p=0,000). É interessante notar que, em ambos os casos, a proporção de interações com foco fora da sessão é menor que a de interações com foco dentro. Segundo Del Prette (2011), é possível que essa seja uma característica predominante em terapia infantil. Assim, esse dado pode ser uma das principais diferenças entre a terapia com crianças e a terapia com adultos. É possível também que, quanto mais nova e/ou com menor repertório verbal for a criança, tanto mais o terapeuta manejará os comportamentos da criança na própria sessão (dentro), em detrimento do relato sobre eles (fora).

32

seção

*1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

A avaliação do foco dentro ou fora da sessão indica quanto os acontecimentos na própria sessão podem ser utilizados como material para as intervenções terapêuticas. Desse modo, a predominância do foco na própria sessão pode ser um indício de uma semelhança entre a TACI e a Psicoterapia Analítica Funcional proposta por Kohlemberg e Tsai (1991) para o atendimento de adultos. A TACI abre a possibilidade de criação de diferentes personagens em interações de fantasia, fazendo com que a criança represente papéis diferentes, demonstre como são suas relações fora da sessão ou crie relações novas. Quanto ao terapeuta, ele pode participar dessas interações e assim utilizar técnicas como modelação, modelagem, reforçamento diferencial,fading, bem como apresentar novos estímulos antecedentes e novas operações motivadoras para o responder da criança. Mesmo em interações sem o recurso da fantasia, a criança, por meio das narrações, conta muito sobre si mesma no presente e interage com o terapeuta de formas novas, por meio das brincadeiras.

USO COMBINADO DE DIFERENTES SISTEMAS DE CATEGORIZAÇÃO

A pesquisa de Del Prette (2011) tinha dois objetivos principais: o primeiro, metodológico, era elaborar um método de análise de processo por via de categorização de sessões de TACI. Esse método envolveu a criação de novos sistemas de categorização e a utilização de sistemas já disponíveis na literatura; o segundo, consequente ao anterior, era descrever o processo terapêutico com crianças, abarcando especificidades a respeito de padrões de comportamentos do terapeuta e do cliente, estratégias típicas da conduta com crianças e objetivos alcançados por meio desses comportamentos e dessas estratégias. Subjacentemente a essa proposta, está o entendimento de que cada sistema de categorização serve a um propósito, com vantagens e limitações, e o uso simultâneo de diferentes sistemas auxilia na compreensão mais completa do processo. O SiMCCIT (Zamignani, 2007) leva a uma descrição de padrões de interação e demonstra o papel de diferentes comportamentos do terapeuta e do cliente. Desse modo, e pela própria definição de cada categoria, produz uma análise mais molecular da interação. O que o SiMCCIT descreve, porém, não qualifica os comportamentos da díade, sendo pouco provável de ser usado isoladamente como método para observar mudanças que poderiam ser qualificadas como “melhora” ou “piora”. Contudo, pode ser utilizado paralelamente a outro sistema que tenha essa característica, como fez Del Prette

(2011), ao combiná-lo com o FAP Rating System (FAPRS, de Calaghan & Follette,

com o FAP Rating System (FAPRS, de Calaghan & Follette, capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

33

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

2008). Com base na proposta da FAP, esses pesquisadores elaboraram um conjunto de categorias para identificar ocorrências de comportamentos clinicamente relevantes (CRBs). Além de categorizar CRB1, CRB2 e CRB3, o sistema inclui as categorias: Ol (Outside 1 ou falas sobre problemas fora da sessão), 02 (Outside 2 ou falas sobre melhoras fora da sessão), CTR (cliente foca na relação) e CPR (Progresso Positivo do Cliente). O uso dos dois sistemas permite, assim, unir dados qualitativos (por FAPRS) a dados descritivos (SiMCCIT). Possibilita, por exemplo, descrever tipos de comportamentos do cliente que mais frequentemente se caracterizam como CRBs ou sequências de interações que levam à emissão de CRBs. Outro sistema utilizado por Del Prette (2011) foi elaborado na própria pesquisa para uma análise molar das estratégias terapêuticas com base na reestruturação de uma versão anterior (Del Prette, 2006). Um sistema é tanto mais “molar” quanto mais suas categorias abrangem a possibilidade de classificar uma sequência de interações que contenham diferentes unidades de análise que, por sua vez, formam

uma unidade molar. Este foi o caso do Sistema de Estratégias para Conversas e Atividades Terapêuticas (SECAT, Del Prette, 2011), que agrupava conjuntos de interações segundo a estratégia utilizada pelo terapeuta em Brincar, Fantasiar, Fazer Tarefa Terapêutica, Conversar Derivado de Atividade, Conversar Paralelo à Atividade

e Conversar sem Atividade. Metade das unidades de análise foi classificada como

Brincar, Fantasiar ou Fazer Exercícios em Sessão, o que demonstra o papel dessas

estratégias no atendimento de crianças.

Ouso desse sistema na pesquisa obteve a maior pontuação em termos de concordância entre observadores (89%), indicando que um sistema de categorização molar também é capaz de produzir dados com fidedignidade. Com o cruzamento de dados obtidos com

o SiMCCIT e com o SECAT, podem-se obter novas informações relevantes sobre quais

padrões de interação terapeuta-criança são predominantes durante o uso de fantasias, brincadeiras, atividades e diferentes modalidades de conversas. Por fim, o último sistema utilizado, elaborado pela pesquisadora, também visava a uma análise molar - Sistema de Categorização de Objetivos Terapêuticos (SICOT, de

Del Prette, 2011) - e poderia ser aplicado para terapia de crianças e de adultos. Com

o SICOT, grupos de interações (que continham um número variado de unidades de

análise) eram categorizados de acordo com os objetivos do terapeuta durante o trecho:

Favorecer a Adesão, Coletar Dados, Manejar Comportamentos em Sessão e Manejar Controle Verbal. As duas primeiras categorias estão relacionadas à base para que a terapia aconteça: a formação de vínculo, em primeiro lugar, seguida da obtenção de

34

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

informações. As duas últimas categorias já abrangem as intervenções propriamente ditas. Comportamentos podem ser “manejados” na sessão à medida que o terapeuta cria oportunidades para sua emissão, modela, dá modelo, bloqueia esquiva e assim por diante. Porém, uma parte desses comportamentos é destacada pela última categoria, Manejar Comportamento Verbal, relacionada a qualquer intervenção terapêutica para aprimorar o controle verbal da criança sobre os próprios comportamentos. Isso inclui alguns aspectos, como treinos diversos de autodescrições, emissão de regras, discussão de autorregras. O uso do SICOT em combinação com o SiMCCIT permite que sejam identificados padrões de interação terapeuta-cliente mais frequentes para cada objetivo terapêutico. Os diferentes sistemas utilizados foram combinados entre si, integrando-se às diferentes informações. A Figura 4 apresenta a proposta de Del Prette (2011) a respeito de como os diferentes aspectos de uma análise de processo se relacionam.

aspectos de uma análise de processo se relacionam. FIGURA 4 ANÁLISE DE OBJETIVOS, ESTRATÉGIAS E INTERAÇÃO

FIGURA 4 ANÁLISE DE OBJETIVOS, ESTRATÉGIAS E INTERAÇÃO TERAPEUTA-CLIENTE NOS NÍVEIS MOLAR E MOLECULAR. Extraído de Del Prette, 2011

©

c a p ítu lo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

35

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Segundo a Figura 4, a integração de diferentes níveis de análise incluiu a combinação de (a) descrição molecular de padrões de interação terapeuta-cliente (SiMCCIT); (b) análise de estratégias do terapeuta (SECAT); (c) objetivos terapêuticos (SICOT), amparados em uma análise ideográfica de cada caso e (d) avaliação de comportamentos clinicamente relevantes do cliente (FAPRS). Assim, a relação entre uma análise molar e uma análise molecular é também uma ponte entre aspectos teóricos sobre Análise do Comportamento e Terapia Comportamental (contidos, sobretudo, nas premissas que norteiam quais devem ser os objetivos terapêuticos) e aspectos práticos do que de fato terapeuta e cliente fazem em sessão. A combinação de ciiferentes sistemas permitiu alguns resultados que certamente contribuirão tanto no campo do avanço metodológico das pesquisas de processo quanto no do conhecimento a respeito de TACI. Um deles, a título de ilustração, foi sobre o papel do brincar, do fantasiar e do fazer atividades. Segundo os resultados apresentados por Del Prette (2011), o brincar tem um importante papel no objetivo de Favorecer a Adesão, porém um papel secundário para outros objetivos terapêuticos. Quando as brincadeiras e atividades fazem uso de fantasia (categoria Fantasiar), em contrapartida passam a ser de extrema importância para objetivos terapêuticos de intervenção propriamente dita (Manejar Comportamentos em Sessão e Manejar Controle Verbal), o que se relacionou também com maior ocorrência de CRBs. Quando o objetivo terapêutico de mudança de comportamento abordava uma temática menos reforçadora (no caso da Criança 1, a aprendizagem de leitura e escrita), a estratégia Fazer Atividade Terapêutica se mostrou útil, por ser mais estruturada e diretiva, criando contingências para que a criança permanecesse engajada (regras, sistema de pontos por cumpri-las e respostas constantes da terapeuta durante a atividade). A interação com a Criança 1, cujo repertório verbal era pouco desenvolvido, teve maior foco dentro da sessão e maior possibilidade de ocorrência de CRBs quando comparada à criança 2. Na díade 1, o Manejo de Comportamentos na Sessão foi o objetivo central da terapeuta, com estratégias de Fazer Atividade Terapêutica, principalmente por meio dos comportamentos das categorias Informação, Recomendação e Aprovação. Na díade 2, o Manejar Controle Verbal foi o objetivo com maior destaque, o que era realizado principalmente por meio de estratégias de Fantasia, nas quais os comportamentos mais frequentes da terapeuta 2 eram Solicitação de Relato, Informação e Empatia. As diferenças entre os padrões de cada díade são condizentes com a análise funcional realizada pelas terapeutas durante as entrevistas para a pesquisa.

36

realizada pelas terapeutas durante as entrevistas para a pesquisa. 36 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisas de processo têm se debruçado sobre a investigação de como funciona a terapia. Ao fazer isso, podem obter resultados descritivos respondendo à pergunta

“como é o processo terapêutico?” Podem também obter resultados que relacionem comportamentos do cliente e do terapeuta, de modo que um funcione como antecedente para a ocorrência do outro ou, visto de outro modo, a resposta de um produza como consequência a resposta do outro. Neste caso, tais pesquisas podem produzir análises sequenciais, por exemplo, ao obterem a porcentagem de uma categoria do cliente que se segue a uma categoria do terapeuta. Por fim, podem ainda investigar aspectos molares do processo que envolvem sequências maiores de interação terapeuta-cliente,

ao responderem à pergunta “que estratégias de intervenção são utilizadas no processo

terapêutico?” ou à pergunta “que objetivos terapêuticos estão sendo trabalhados no

processo?”

A condução dessas pesquisas tem produzido também resultados metodológicos, o que significa que as metodologias criadas não têm sido suficientes para serem mantidas em novos estudos, como relata Zamignani (2007), ao analisar os sistemas de

categorização de comportamentos do terapeuta e do cliente já existentes na literatura.

O sistema de categorização proposto com base nessa análise (SiMCCIT) pôde ser

utilizado em novos estudos, o que abre a possibilidade de acumular conhecimento sobre processo terapêutico, comparável entre um estudo e outro que utilize tal sistema.

A proposta desse sistema é produzir resultados descritivos e/ou de sequências de

interação. Outro passo no estudo de processo foi obtido com a proposta metodológica de Del Prette (2011). A autora defendeu a necessidade de se cruzarem diferentes níveis de análise, de modo que se obtivessem resultados descritivos que pudessem ser agrupados em termos de estratégias terapêuticas, objetivos terapêuticos e comportamentos clinicamente relevantes do cliente. As estratégias categorizadas (SECAT), nesse caso, estavam relacionadas à condução da terapia analítico-comportamental com crianças. Essa categorização levou a resultados importantes para a área de intervenção com crianças, possibilitando, por exemplo, o destaque empírico do papel do uso da fantasia em sessão e a discussão sobre os limites do brincar (sem fantasiar) como estratégia importante para favorecer o vínculo, porém limitada a outros objetivos. Esse resultado

1 )

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

só foi obtido mediante a relação entre essas categorias e o sistema de objetivos terapêuticos (SICOT), o qual pode ser utilizado na análise de processo de terapia infantil ou de adultos. Com essa categorização, foi possível analisar separadamente as interações terapeuta-cliente em função de quatro objetivos principais: favorecimento de vínculo, coleta de dados, manejo do comportamento em sessão e manejo de controle verbal. Além disso, a análise de comportamentos clinicamente relevantes (FAPRS) foi uma maneira de avaliar mudanças de comportamento na própria sessão, sendo assim uma medida de resultado. Espera-se que pesquisas futuras se apropriem da proposta de utilização integrada de diferentes sistemas e repliquem a utilização dos sistemas construídos na pesquisa de Del Prette (2011). Assim, será possível comparar padrões entre diferentes clientes, momentos da terapia, características do terapeuta. Para isso, sugere-se também a adoção desta metodologia em delineamentos experimentais de sujeito único.

38

seção

metodologia em delineamentos experimentais de sujeito único. 3 8 seção INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo 2

INTERVENÇÃO ANAÜTICO-COMPORTAMENTAL DE GRUPO:

DESCREVENDO CATEGORIAS DE COMPORTAMENTO DOS PARTICIPANTES

Ftabiane Ferraz Silveira Fogaça'

Sor ia Beatriz f/leyer

- iessandra Turini Bolsoni-Silva

É de conhecimento dos terapeutas que atuam de acordo com os pressupostos

da Análise do Comportamento a afirmação de Skinner (1953) de que a terapia bem

sucedida constrói comportamentos fortes, promove a variabilidade comportamental,

remove reforçadores negativos (queixas) e multiplica os reforçadores positivos. E

quanto à terapia conduzida em grupo? Quais manejos o terapeuta deverá apresentar

para garantir tais objetivos?

Para Brandão e Torres (2001), o trabalho de terapia de grupo na Análise do

Comportamento era visto somente como um cenário que possibilitava o treinamento

de algumas habilidades pessoais. Entretanto, com o avanço das pesquisas na área de

comportamento verbal, os terapeutas sentem-se mais à vontade para relatar e analisar

as experiências em trabalhos grupais.

Segundo Hollander e Kazoaka (1988, p. 260), a terapia de grupo comportamental é

“qualquer tentativa, por parte de uma ou mais pessoas, para modificar o comportamento de, pelo menos, duas ou mais pessoas que se reúnem como grupo, através da aplicação sistemática de procedimentos validados empiricamente, dentro de um marco que permita a coleta de dados relevantes para a avaliação do impacto desses procedimentos sobre os membros do grupo como indivíduos

e sobre o grupo como um todo”.

Tais autores argumentam também que as intervenções de grupo apresentam um

maior grau de complexidade do que o tratamento individual.

1 Este trabalho é parte da dissertação de Mestrado da primeira autora sob orientação da segunda e terceira autoras. Apoio financeiro: FAPESP (proc. 07/52808).

e terceira autoras. Apoio financeiro: FAPESP (proc. 07/52808). capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 39

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

39

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Kerbauy (2008) afirma que os terapeutas comportamentais, ao conduzirem terapia de grupo, devem estimular a participação dos clientes na formulação de objetivos individuais e do grupo, a apresentação de alternativas comportamentais e o apoio às decisões tomadas. Intervenções de grupo são consideradas mais próximas ao ambiente natural dos clientes em razão da interação estabelecida e da exposição a diferentes modelos, o que pode facilitar a generalização. Há indicativos na literatura de alguns diferenciais positivos da terapia de grupo, tais como provimentos ao grupo de situações similares às da vida real criando oportunidades para a pessoa praticar novas variações de contato social; feedback e reforçamento liberado pelos membros do grupo; oportunidade de o participante decidir entre diferentes tipos de respostas sugeridas pelo grupo sem depender exclusivamente das alternativas propostas pelo terapeuta; maximização das oportunidades de aprendizagem observacional; aplicação das técnicas que requerem a cooperação de auxiliares como o ensaio comportamental; diminuição no custo de material da intervenção pela racionalização do tempo do terapeuta e, consequentemente, diminuição dos encargos financeiros dos participantes (Del Prette & Del Prette, 1999). Delitti (2008) ressalta o fato de o reforçamento social ser diversificado e imediato, bem como a possibilidade de se expor às situações interpessoais em um ambiente estruturado, protegido, além da ampla base para modelação social em grupo, que pode facilitar a aquisição e manutenção de comportamentos. É oportuno também assinalar que muitas são as desvantagens em relação ao atendimento individual, entre as quais é possível citar a impossibilidade de alteração imediata de procedimentos que não estejam produzindo os efeitos almejados para algum participante, dificuldades na condução de procedimentos refinados de modelagem, dificuldades de estender a discussão sobre assuntos de interesse específico de cada cliente, ou seja, aqueles que destoam fortemente do objetivo geral do grupo (Del Prette & Del Prette, 1999). Em relação à composição, parece haver uma tendência na formação de grupos homogêneos. Porém, mesmo em se tratando de grupos homogêneos, o terapeuta terá que considerar as diferenças de repertório de entrada e adequar-se à velocidade de aquisição ou fortalecimento dos comportamentos de cada participante. A participação em grupo também envolverá outros comportamentos pré-requisitos, tais como a capacidade para tolerar o setting grupai, a compatibilidade de problemas, o compromisso e a possibilidade de comparecer às sessões (Delitti, 2008).

40

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Em uma fase anterior às sessões grupais, o terapeuta pode dar início à análise de contingências, partindo de algumas sessões individuais, com o objetivo de formalizar

o contrato terapêutico e investigar as queixas, o repertório total do cliente e as variáveis controladoras. A fase de avaliação individual dará indicativos sobre comportamentos que maximizam o acesso a reforçadores positivos que poderão fazer parte das discussões do grupo. Realiza-se nessa e:arc individual a formulação, em parceria entre terapeuta e cliente, dos objetivos individuais cue nortearão o trabalho em grupo. A atuação do profissional terá que ser : rienrada também por objetivos do grupo que congreguem o emaranhado de ob;e: s :nd:v.duais Segundo Derdyk e Sztamfater 2 ' . o terapeuta desempenha um papel de liderança, ao incentivar a participação, estruturar a sessão em direção aos objetivos pretendidos, acolher os clientes com maiores dificuldades, mediar conflitos e favorecer

o vínculo terapêutico entre os clientes. Portanto, cabe ao terapeuta modelar novos

repertórios de ouvir a opinião do outro para então responder, expressar opiniões concordantes e discordantes de forma assertiva, apresentar verbalizações descritivas de eventos públicos e privados e, sobretudo, garantir a formação do vínculo entre os próprios clientes, algo convencionalmente chamado de coesão. É sobejamente conhecida aos familiarizados com trabalhos de grupo a importância atribuída ao fenômeno da coesão grupai. Considera-se a coesão, de acordo com Delitti (2008), como uma “razão entre a taxa de reforçamento e a punição liberada no grupo, isto é, grupos mais coesos são aqueles nos quais existem mais comportamentos mantidos por controle positivo do que por controle aversivo e, assim, favorece a emissão de padrões

de comportamentos que são punidos na situação natural” (p. 41). O vínculo entre os

clientes, algo grosseiramente análogo ao vínculo com o terapeuta, pode ser entendido como demonstrações de acolhimento, compreensão e afeto (Zamignani, 2007), mesmo após situações de discordâncias e descrições de consequências que mantêm as queixas. Com o andamento das sessões, o grupo adquire a função de evocar comportamentos, saindo de um papel de expectador e exercendo a função de estímulo discriminativo

e fonte de reforçadores. É nesse momento que terapeuta e clientes passam a interagir

de forma colaborativa, isto é, os clientes, além de serem ativos na alteração das contingências que operam na própria vida, também atuam como coterapeutas na investigação e análise das contingências presentes na vida dos demais participantes, sobretudo após o fortalecimento dos comportamentos de ouvir e analisar resolução de

problemas em conjunto.

2 )

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

41

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Situações críticas da terapia em grupo dizem respeito à presença e participação,

monopolização da sessão, formação de subgrupos e conflitos. Em face desses desafios, Delitti (2008) defende a importância da preparação individual na fase pré-grupo, ao descrever as regras de funcionamento do grupo, levantamento das expectativas e previsão de problemas iniciais. Silveira (2009) teceu considerações sobre as sistematizações de comportamentos do terapeuta em intervenções grupais desenvolvidas por Webster-Stratton e Herbert (1993) e Bolsoni, Carrara e Marturano (2008), ambas direcionadas ao trabalho com pais. A primeira proposta consiste na explicitação do modelo colaborativo de intervenção mediante os comportamentos do terapeuta de investigação, valorização das opiniões dos participantes, esclarecimentos, sumarização dos relatos e sugestão de mudanças. Já a iniciativa de Bolsoni et al. (2008) ampliou o número de categorias do sistema proposto por Tourinho, Garcia e Souza (2003) para o estudo de sessões de terapia individual, ao incluir solicitação de modelos, de opiniões e de informações sobre a tarefa de casa; avaliação do cliente sobre verbalizações do terapeuta e avaliação da sessão; feedback de aprovação e desaprovação; sugestão; estruturação da sessão; tomada de palavra; sumarização; acolhimento e generalização identificando em qual momento da sessão ocorria mais frequentemente. Considera-se, porém, que ambas as propostas de sistematizações de comportamentos do terapeuta em programas de intervenção de grupo com pais, apesar de representativas quanto a análises prescritivas e descritivas, prescindem de detalhamento com relação à metodologia utilizada, aspecto que restringe novas replicações. A especificação dos comportamentos do terapeuta e clientes em intervenções grupais de sucesso permitirá inferências a respeito da influência recíproca existente e de sequências de interação que estejam relacionadas a bons resultados, contribuindo para o acúmulo de evidências sobre os fatores responsáveis pelo processo de mudança comportamental (Silveira, Bolsoni-Silva & Meyer, 2010). A operacionalização dos comportamentos do terapeuta em atendimentos grupais favorece a identificação de repertórios necessários para o manejo desse tipo de intervenção, os quais auxiliarão no aperfeiçoamento dos profissionais em formação e em exercício. Zamignani (2007) verificou a existência na literatura de diferentes sistemas de categorias de comportamentos do terapeuta em intervenções individuais; contudo, constatou que alguns deles apresentam imprecisões metodológicas, como problemas na definição das categorias, sobreposição de algumas categorias e inexistência de manual para treino de registro das categorias por observadores independentes.

42

para treino de registro das categorias por observadores independentes. 42 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

No intuito de superar os dificuldades citadas, Zamignani (2007) propôs, por meio de revisões teóricas e testes empíricos, um novo sistema de categorias, o Sistema Multidimensional de Categorização de Comportamentos do Terapeuta e Cliente (SiMCCIT), “que fosse sensível a eventos relevantes para diferentes questões de pesquisa e cujas categorias fossem fidedignas para a sua replicação por diferentes pesquisadores” (p. 24). Com base nas considerações apresentadas, este estudo tem como objetivo descrever

a análise da interação entre terapeuta e clientes de uma intervenção analítico- comportamental de grupo com base na utilização dos eixos verbais vocais do sistema de categorização proposto por Zamignani (2007) e de novas categorias elaboradas.

MÉTODO

PARTICIPANTES

Participaram da intervenção duas mães e uma avó2, aqui denominadas de PI, P2

e P3 e uma terapeuta analítico-comportamental, com três anos de experiência em

intervenções de grupo. A participante PI contava 31 anos, tinha ensino fundamental incompleto, era casada, do lar, com renda familiar na faixa de um salário mínimo. P2 contava 39 anos, tinha ensino fundamental incompleto, era casada, do lar, com renda familiar na faixa de dois salários mínimos. A participante P3 possuía 51 anos, ensino fundamental incompleto, era divorciada, do lar, com renda familiar na faixa de um salário mínimo.

PROCEDIMENTO DE COLETA E ANÁLISE DE DADOS

Foram designadas por meio de sorteio cinco (sessões 5, 6, 10, 13 e 14) de treze

sessões filmadas. O registro das categorias do terapeuta e clientes, correspondentes

a dez horas de filmagem, foi realizado por meio do software The Observer XT 7.0 e também dos eixos verbais vocais do SiMCCIT (Zamignani, 2007). O eixo verbal vocal do terapeuta é constituído das seguintes categorias:

Solicitação de Relato (SRE), Facilitação (FAC), Empatia (EMP), Informação

2 A participante P3 não era a re spo n sá vel legal de sua neta, mas assumiu os seus cuidados em tempo integrai.

de sua neta, mas assumiu os seus cuidados em tempo integrai. capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

43

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

(INF), Solicitação de reflexão (SRF), Recomendação (REC), Interpretação

(INT), Aprovação (APR), Reprovação (REP) e Outras (TOU). Em relação aos comportamentos verbais vocais do cliente, Zamignani (2007) definiu as categorias

Solicitação (SOL), Relato (REL), Relato de Melhora ou Progresso terapêutico (MEL), Formula Metas (MET), Estabelece Relações entre Eventos (CER), Concordância (CON), O posição (OPO) e O utras (COU).

Os comportamentos do terapeuta e cliente que não corresponderam às categorias propostas por Zamignani (2007) foram registrados nas planilhas do software com os códigos: “nova categoria terapeuta” e “nova categoria cliente”. Os episódios das filmagens que incluíram as instâncias comportamentais definidas como “nova categoria terapeuta” e “nova categoria cliente” foram retomados novamente após a categorização de todas as filmagens. Quando confirmado por todas as pesquisadoras que as instâncias comportamentais não faziam parte das categorias ou subcategorias propostas por Zamignani (2007), elas foram tratadas como novas categorias e definidas com base nas indicações de Danna e Matos (1999) e Viera-Santos e Rose (2007). De acordo com Danna e Matos (1999), a definição de categorias deve atender aos seguintes critérios: (1) sua unidade de ocorrência deve ser definida em termos de propriedades topográficas, funcionais ou ambos, sendo esta última a utilizada neste estudo, levando em consideração semelhanças formais e alterações ambientais produzidas; (2) as categorias devem ser mutuamente exclusivas; (3) a denominação deverá descrever objetivamente as características por meio das quais os observadores poderão identificar esse evento, além de especificar a unidade de análise. Tendo em vista as indicações de Viera-Santos e Rose (2007) de que tanto a definição das categorias quanto apresentação de exemplos são variáveis de grande importância para o processo de categorização, foram inseridas nas tabelas de resultados verbalizações extraídas das sessões analisadas que exemplificavam as novas categorias.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Inicia-se esta seção apresentando as novas subcategorias da categoria do terapeuta Recomendação (Tabela 1) e novas categorias do cliente (Tabela 2). Na sequência, a Figura 1 apresenta os percentuais de ocorrência das subcategorias da categoria R ec OxMENDação , incluindo as novas subcategorias identificadas; já a Figura 2 mostra os percentuais de ocorrência das categorias do terapeuta dirigidas às três clientes. Por fim, são expostos os percentuais de ocorrência das categorias do

cliente (Figuras 3, 4 e 5).

44

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

TABELA 1

DESCRIÇÃO DAS NOVAS SUBCATEGORIAS DA CATEGORIA RECOMENDAÇÃO

IDENTIFICADAS NAS SESSÕES DE GRUPO

DENOMINAÇÃO

SOLICITAÇÃO DE

APROVAÇÃO

SOLICITAÇÃO DE

REPROVAÇÃO

SOLICITAÇÃO DE

RECOMENDAÇÃO

 

DEFINIÇÃO

 

UNIDADE DE

 

EXEMPLO

ANÁLISE

-"0 que podemos

Uma unidade se

observar de

Com base no relato de um participante (A),

inicia quando

uma

positivo no que

o terapeuta

solicita

SOLICITAÇÃO DE

ela fez?"

aos clientes

que

APROVAÇÃO é

 

apresentem aprovações. apresentada, e

-"0 que observamos de

A aprovação pode se referir ao desempenho

termina quando (a) uma APROVAÇÃO

adequado no

do participante (A) ou de é apresentada por

comportamento

parte de outro

 

da filha de Y?"

terceiros incluídos no seu relato.

cliente, (b) ocorre outra categoria ou

 

(c)

SILÊNCIO.

-"Tem algum

Com base no relato de Uma unidade se

aspecto negativo

um participante (A),

inicia quando

uma

no que Z nos

o terapeuta

solicita

SOLICITAÇÃO DE

contou?"

aos clientes

que

REPROVAÇÃO é

apresentem reprovações.

apresentada, e

 

-"Alguém

A reprovação pode se termina quando (a)

discorda de algum comportamento

referir ao desempenho do participante (A) ou de

uma REPROVAÇÃO é apresentada por

de X?"

terceiros incluídos no seu parte de outro

 

relato.

cliente, (b) ocorre outra categoria ou

 

(c)

SILÊNCIO.

- " 0 que vocês

Verbalizações do

Uma unidade

se

fariam de diferente do

terapeuta nas quais solicita aos clientes

inicia quando uma SOLICITAÇÃO DE

que Y fez?"

RECOMENDAÇÃO

recomendações para outro participante.

é apresentada,

 

-"Como a Z

e termina

poderia se comportar no próximo encontro com

quando (a) uma RECOMENDAÇÃO é apresentada por parte de outro

a filha?"

cliente, (b) ocorre outra categoria ou

(c) SILÊNCIO.

2

)

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Na Tabela 1, nota-se que as três novas subcategorias da terapeuta correspondem à categoria Recomendação, uma vez que o terapeuta solicita o engajamento dos clientes em ações a serem apresentadas na sessão e especifica o comportamento a ser apresentado (Zamignani, 2007). Supõe-se que, com a apresentação de Solicitação de Aprovação e Solicitação de Reprovação, a terapeuta favoreça o desenvolvimento do repertório de observação das consequências produzidas pelo comportamento de outrem. Essas categorias também estão relacionadas à possibilidade de o cliente treinar variações de comportamentos, no caso, elogio e discordância, em um ambiente estruturado e com o auxílio da terapeuta (Del Prette & Del Prette, 1999), que poderão ocorrer posteriormente no seu ambiente natural (Kerbauy, 2008). Já com Solicitação de Recomendação, o terapeuta favorece a identificação de alternativas comportamentais a serem apresentadas por outros clientes, com maior probabilidade de gerar consequências positivas e promover a ampliação de repertório. A identificação das novas subcategorias do terapeuta permitiu a operacionalização dos comportamentos sugeridos na literatura (Derdyk & Sztamfater, 2008; Kerbauy, 2008) que determinam o envolvimento do grupo nas discussões das problemáticas de cada cliente. Na sequência, apresenta-se a Tabela 2 com as categorias do cliente. Na Tabela 2 constam as seis novas categorias do cliente elaboradas. As categorias ocorrem após a solicitação da terapeuta em se tratando de Cliente-Aprovação e Cliente- Reprovação, após solicitação ou espontaneamente, no caso de Cliente-Recomendação e Cliente-Interpretação, ou exclusivamente de forma espontânea, como é o caso de Cliente-Empatia. As categorias Cliente-Aprovação, Cliente-Reprovação e Cliente- Interpretação podem se referir ao participante do grupo para o qual é apresentada e/ou para terceiros incluídos nas verbalizações; já Cliente-Recomendação e Cliente- Empatia se referem somente ao participante do grupo.

46

e Cliente- Empatia se referem somente ao participante do grupo. 46 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

TABELA 2 DESCRIÇÃO DAS CATEGORIAS DO CLIENTE NO PAPEL DE COTERAPEUTA

DENOMINAÇÃO

EXEMPLOS

DEFINIÇÃO

UNIDADE DE ANÁLISE

CLIENTE-

-''Ela foi muito bem,

A

categoria pode se

Uma unidade se inicia

APROVAÇÃO

falou mais baixo com

referir ao desempenho

quando uma Solicitação

o

filho".

do participante ou de

de Aprovação é

-"Eu concordo, se

terceiros incluídos no seu relato.

apresentada, e termina quando (a) ocorre

a

categoria Cliente-

não tem dinheiro para comprar o

videogame, fale a verdade".

Aprovação", (b)outra categoria ou (c) Silêncio.

CLIENTE-

-"Essa parte de falar

bruxa está embaixo

A

categoria pode se

Uma unidade se inicia

REPROVAÇÃO

para a criança, que a

da cama, só assusta

referir ao desempenho do participante ou de

terceiros incluídos no

quando uma Solicitação de Reprovação é apresentada, e termina

mais ainda".

seu relato.

quando ocorre a categoria

-"Eu acho que criança

 

Cliente-Reprovação, outra categoria ou Silêncio.

entende os limites,

depende do jeito que

 

você explica".

 

CLIENTE-

-"As coisas mudaram

Um participante

Uma unidade se inicia

INTERPRETAÇÃO

na sua casa porque

(B)

descreve

quando o terapeuta

você está mais

relações (funcionais,

apresenta Solicitação de

paciente com o seu

correlacionais ou

Rfflexão,e termina quando

marido".

de contiguidade)

ocorre uma Cliente-

-"A sua filha derruba

entre eventos apresentados no relato

Interpretação, outra categoria ou Slêncio.

a

comida para ter

de outro participante

mais atenção dentro

(A). As relações

A

categoria também

de casa".

podem se referir ao

pode ocorrer de forma

 

comportamento de

espontânea.

2 )

capítulo

(A) ou de terceiros

incluídos no seu relato.

continua na próxima página

47

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

co n tin u a çã o da Tabela

2

DENOMINAÇÃO

EXEMPLOS

 

DEFINIÇÃO

 

UNIDADE DE ANÁLISE

CLIENTE-

-"Eu

n o

seu lug a r

U m

p a rtic ip a n te

U m a

u n id a d e

se inicia

R E C O M E N D A Ç Ã O

d eixa va

a sua filh a

(B) a pre se n ta ao

q u a n d o

o

te ra p e u ta

 

fa

la n d o sozinha,

p

a rtic ip

a n te

(A)

a pre se n ta S

o licita çã o d e

q

u a n d o

ela

u m a

a lte rn a tiv a

d e

R e co m e n da çã o , e te

rm in a

com eçasse a xingar".

c o m p o rta m

e n to

a

q u a n d o

o c o rre

u m a "C -

 

ser apresentada p o r

Rfcomendaçao" o c o rre

o u tra

 

-''P o rq u e você não

 
 

este d e n tro

o u fora

ca

te g o ria o u Silêncio.

 

o

lh a

pra

ela

e d iz

 

da sessão.

 
 

b

e m

firm e para ela

 

A

ca te g oria

ta m b é m

parar de g rita r no

p o d e

o co rre r d e

form a

superm ercado?"

espontânea.

 

CL1ENTE-EMPATIA

-"E u

se n ti na pele.

A

p ó s

re la to

d e

u m

U m a

u n id a d e

se inicia

c o m o

vo cê, c

o m o

p a rtic ip a n te

(A),

q u a n d o

u m

p a rtic ip a n te

d ó i o u v ir

isso da

o u tro

p a rtic ip a n te

relata e ven tos, e te rm in a

nossa fam ília".

(B) a pre se n ta

q u a n d o

o c o rre

a c a te g o ria

verba liza çõ e s

"C-Em patia".

-"Eu fic o sensibilizada

q u e

d e m o n s tre m

co m

o

q u e

disse!"

você

aceitação e

c o m p re e n s ã o

das

co n d iç õ e s vividas

p o r

(A).

Acredita-se que as categorias acima citadas, ainda que eventualmente ocorram de forma espontânea, resultam de condições manejadas pelo terapeuta no decorrer das sessões, ao apresentar S o l i c i t a ç ã o d e R e f l e x ã o (Zamignani, 2007), Solicitação de Aprovação, Solicitação de Reprovação e Solicitação de Recomendação.

48

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Os resultados expressos na Tabela 2 permitem a constatação de que os clientes, em intervenções de grupo, participam da investigação e análise das experiências dos outros participantes (Delitti, 2008; Kerbauy, 2008), aqui caracterizados como momentos em que atuaram como coterapeuta. Tal envolvimento pode representar uma oportunidade para que os clientes realizem análises das contingências presentes na vida dos demais, o que pode auxiliar na discriminação dos determinantes dos próprios comportamentos, processo esse referendado na literatura Sturmev. 1996).

processo esse referendado na literatura Sturmev. 1996). F IG U R A 1 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA

F IG U R A

1

PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS SUBCATEGORIAS DE R E C O M E N D A Ç Ã O DAS SESSÕES

NO TOTAL

As subcategorias Solicitação de Recomendação, Solicitação de Aprovação e Solicitação de Reprovação referem-se às novas subcategorias identificadas, já o restante faz parte do sistema proposto por Zamignani (2007). Considerando-se as novas subcategorias, nota-se que Solicitação de Recomendação atinge o maior percentual de ocorrência, indicando a iniciativa da terapeuta de gradualmente compartilhar com os clientes a responsabilidade de apresentar comportamentos que atuem como antecedentes com função estabelecedora ou discriminativa.

2

c a p ítu lo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

49

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Constata-se a prevalência de Estruturação de atividade e Conselho. A subcategoria Estruturação de atividade consiste em verbalizações do terapeuta nas quais solicita o engajamento do cliente em atividades, exercício ou técnicas durante ou após a sessão. A apresentação de Estruturação de atividade pode ser justificada por aspectos concernentes às especificidades de manejo das sessões grupais, já que se espera que o terapeuta, ao estruturar a sessão, garanta uma participação equitativa e alternância entre objetivos individuais e do grupo (Derdyk & Sztamfater, 2008). A subcategoria Conselho consiste em verbalizações do terapeuta que especificam ações a serem emitidas pelo cliente dentro ou fora da sessão. Considera-se que a subcategoria Conselho traz uma orientação mais genérica de ação, ou seja, com menor ênfase para topografia da resposta, se comparada à subcategoria Modelo. O caráter genérico da orientação está associado a uma probabilidade menor de produzir insensibilidade às contingências (Meyer, 2009).

produzir insensibilidade às contingências (Meyer, 2009). FIGURA 2 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DA

FIGURA 2

PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DA TERAPEUTA DIRIGIDAS ÀS CLIENTES INDIVIDUALMENTE (PI, P2 E P3) E AO GRUPO (G), EM RELAÇÃO À FREQUÊNCIA TOTAL DE APRESENTAÇÃO DE CADA CATEGORIA

50

seçao

#

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Observa-se, na Figura 2, que as categorias Informação, Solicitação de Reflexão e Recomendação são apresentadas com uma frequência maior para o grupo; as categorias Solicitação de Relato e Empatia ocorrem com frequência maior, dirigidas à P2; a categoria Aprovação é apresentada com frequência maior em relação à participante P3; Interpretação é apresentada com percentual similar entre P2 e P3; já Reprovação é apresentada com percentual similar entre PI e P3. As diferenças de percentual das categorias direcionadas ao grupo ou às clientes individualmente podem ser explicadas com base nas hipóteses quanto à eficácia delas para o processo terapêutico. Com relação à Aprovação, o efeito pretendido consiste no aumento da frequência dos comportamentos de interesse; para tanto, são indispensáveis descrições de comportamentos e consequências, o que seria dificultado

se não fosse apresentada aos clientes individualmente. No caso dos efeitos pretendidos com Interpretação, que consiste na descrição de relações entre eventos e Empatia, que representa a reflexão de sentimentos, demonstração de aceitação e afeto, considera- se que são facilmente alcançados quando são apresentados individualmente, e não de forma coletiva. A apresentação de Informação ao grupo representa um aproveitamento do tempo da sessão para discussão de referenciais teóricos que incluam aspectos compartilhados por todas as participantes. Ta Solicitação de Reflexão para o grupo pode representar

a preocupação da terapeuta de garantir o envolvimento e participação das clientes

como coterapeutas que, alem de favorecer a autonomia, pode alterar predisposições emocionais aversivas geradas por indagações sobre as variáveis que produzem as dificuldades (Keijsers. Schaap & Hoogduin, 1995). Sobre a alta frequência de Recomendação dirigida ao grupo, supõe-se que isso seja um dos fatores que expliquem os relevantes resultados produzidos pela intervenção. A terapeuta, ao apresentar recomendações ao grupo, e não às clientes individualmente, pode ter minimizado os efeitos aversivos presentes nessa categoria, tão salientados na literatura (Bischof òc Tracey, 1995; Orlinky, Grawe & Parks, 1994; Patterson &

Forgatch, 1985). Tal explicação adquire maior consistência se comparada aos resultados descritos por Barbera e 'Wãldron (1994), que encontraram correlações positivas entre

a orientação e a categoria do cliente cooperação. Os autores justificaram o resultado

mediante a constatação de que o terapeuta, ao orientar, se dirigia à família como um todo (adolescente infrator e pais), ou seja, ao grupo de clientes, e não a um membro em

específico, reduzindo, portanto, as propriedades aversivas e gerando cooperação.

portanto, as propriedades aversivas e gerando cooperação. capítulo 5 1 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo

51

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

As Figuras 3, 4 e 5 apresentam os percentuais de ocorrência das categorias do cliente apresentadas por Pl, P2 e P3.

das categorias do cliente apresentadas por Pl, P2 e P3. FIGURA 3 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS

FIGURA 3 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DO CLIENTE APRESENTADAS POR P1 NO TOTAL DAS CINCO SESSÕES ANALISADAS E EM RELAÇÃO ÀS VERBALIZAÇÕES DA MESMA PARTICIPANTE

As categorias Cliente-Aprovação, Cliente-Reprovação, Cliente-Recomendação, Cliente-Interpretação e Cliente-Empatia correspondem às categorias elaboradas neste estudo, já as demais foram desenvolvidas por Zamignani (2007). Observa-se, na Figura 3, que R elato (40,4%) corresponde à categoria com maior percentual de ocorrência, seguida de Concordância (18,5%) e Estabelece Relações (10%). As categorias

M elhora (0,39%) e Cliente-Reprovação (0,4%) representam as

Nota-se que Cliente-Interpretação (7,9%) e Cliente-Recomendação (6,3%) são as novas categorias com maior percentual de ocorrência. As categorias Cliente- Reprovação (0,4%), Cliente-Empatia (0,37%) e Cliente-Aprovação (2,1%) ocorrem com baixa frequência. Enfatiza-se a proximidade de percentual entre Cliente- Recomendação e Cliente-Interpretação, assim como a alta frequência desta última de forma espontânea, o que significa que Pl passou a apresentar avaliações funcionais diante das verbalizações das outras clientes, independentemente da solicitação da terapeuta. A categoria Cliente-Interpretação pode ser considerada como um evento que deve ocorrer antes de Cliente-Recomendação, pois a descrição das contingências em operação auxilia na proposição de comportamentos que possam alterá-las.

menores frequências.

52

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

A terapeuta apresentou as menores frequências de Informação, Solicitação de Reflexão, Empatia e Interpretação em relação à PI (Figura 2); entretanto, esta apresentou as categorias C oncordância e Estabelece Relações com alta frequência. Diante do exposto, tem-se por hipótese que a terapeuta interveio com freqüência maior junto a outras clientes com problemática de maior severidade, e PI não necessitou de solicitações específicas de participação, fazendo-a de forma espontânea. Provavelmente por dispor em seu repenc rit cu> habilidades requeridas, PI respondeu prontamente às solicitações da terapeuta c.:rtc.c_> ao grupo.

às solicitações da terapeuta c.:rtc.c_> ao grupo. F IG U R A 4 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA

F IG U R A

4

PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DO CLIENTE APRESENTADAS POR P 2 NO TOTAL DAS CINCO SESSÕES ANALISADAS E EM RELAÇÃO ÀS VERBALIZAÇÕES DA MESMA PARTICIPANTE

Observa-se, conforme a Figura 4, que para P2 Relato (44%) representa a categoria de maior percentual, seguida de Concordância (15,6%) e Estabelece Relações (12,2%); já Cliente-Reprovação (não foi apresentada) e Formula Metas (0,47%) representam os menores percentuais.

2

J

c a p ítu lo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

53

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Algumas das categorias apresentadas por P2 com maior frequência também foram apresentadas por outras clientes, tais como Relato, C oncordância e Estabelece Relações, mas também diferentemente das demais, no caso de O posição. A alta

ocorrência de O posição - 12% das verbalizações de P2 -, principalmente em relação ao grupo, sugere que a interação de P2 com as outras clientes tenha sido marcada

julgamentos desfavoráveis em relação aos

comportamentos apresentados nas sessões ou descritos nos relatos. O manejo de situações que envolvam controle coercitivo é uma das tarefas que devem ser assumidas pelo terapeuta de intervenções grupais (Delitti, 2008; Derdyk & Sztamfater, 2008). O padrão de interação estabelecido entre terapeuta e cliente, principalmente por meio de baixa ocorrência de Reprovação, maior ocorrência de Empatia entre todos os clientes e alta frequência de Solicitação de Relato, é um provável fator responsável pela alteração positiva na topografia de O posição. Considerando as novas categorias, constata-se que as maiores ocorrências correspondem à C liente-Interpretação

por verbalizações de

D iscordância

e

(3%) e C liente-Empatia (3%).

de D iscordância e (3%) e C liente -E mpatia (3%). FIGURA 5 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA

FIGURA 5 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DO CLIENTE APRESENTADAS POR P3 NO TOTAL DAS CINCO SESSÕES ANALISADAS E EM RELAÇÃO ÀS VERBALIZAÇÕES DA MESMA PARTICIPANTE

54

seção

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

De acordo com a Figura 5, R elato (38%) corresponde à categoria mais frequente, seguida de Concordância (24%) e Estabelece Relações (10,6%). Cliente- Reprovação (0,2%) e Cliente-Empatia (0,2%) representam as categorias com menores percentuais de ocorrência. Dados complementares revelaram que a proporção de verbalizações da cliente P3 dirigida ao grupo foi menor se comparada às demais participantes, o que significa que, ao discutir aspectos de sua vida nas sessões, ela se reportou diretamente à terapeuta. A participante P3 também apresentou o menor percentual de O posição à terapeuta

e ao grupo. A terapeuta, por sua vez, apresentou frequência maior de Aprovação, Interpretação e baixa frequência de Recomendação (Figura 2), dirigidas à P3. Verifica-se que C-Interpretação (7,2%) corresponde à nova categoria com maior percentual de ocorrência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A utilização de um sistema de categorização de comportamentos do terapeuta

e cliente, desenvolvido para intervenções individuais, mostrou-se uma alternativa

producente para a análise da interação terapêutica em um programa de intervenção de grupo. As categorias do terapeuta Aprovação, Interpretação e Recomendação, que se destacaram neste estudo são também predominantes em intervenções individuais, de acordo com a literatura referenciada.

Ressalta-se também que as diferenças na apresentação das categorias da terapeuta, quando dirigidas aos clientes ou ao grupo, determinaram e foram determinadas, tanto pela alternância na ênfase aos objetivos individuais ou do grupo quanto por comportamentos característicos de cada cliente apresentados em sessão, o que resultou em padrões particulares de interação estabelecida com cada participante do grupo.

A especificação das categorias do cliente possibilitou a verificação de diferenças

quanto à interação terapêutica estabelecida em intervenções individuais e na de grupo

analisada, no que se refere aos papéis desempenhados pelos clientes, ora comportando-

se sob controle dos estímulos apresentados pelo terapeuta, ora dirigindo-se aos outros clientes no papel de coterapeuta.

A atuação dos clientes no papel de coterapeuta viabiliza a formação do vínculo entre

os participantes e possibilita que o próprio grupo monitore o seguimento das instruções

e forneça consequências diferenciais, em suma, que compartilhe com o terapeuta as

propriedades reforçadoras, enquanto minimiza o impacto de intervenções diretivas.

enquanto minimiza o impacto de intervenções diretivas. capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 55

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

55

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

As contribuições científicas deste estudo consistem na descrição das categorias de comportamentos do terapeuta e cliente em intervenções de grupo, bem como no teste do eixo verbal vocal de um sistema multidimensional de categorização de comportamentos (Zamignani, 2007). Do mesmo modo, novas questões de pesquisa merecem ser destacadas, como análises de intervenções de grupo com participantes com características distintas; estudos que incluam outros tipos de intervenções de grupo; realização de pesquisas que demonstrem a confiabilidade e validade das novas categorias e subcategorias identificadas. Estudos sobre generalização atestam a eficácia de intervenções grupais na produção de repertórios resistentes à extinção, garantindo o que Skinner definiu como comportamentos fortes. Contar com uma audiência reforçadora ampliada que inclua o terapeuta e demais clientes representa uma importante condição que favorece a diminuição de comportamentos mantidos por reforço negativo e aumento de comportamentos positivamente reforçados, o que confere à terapia de grupo uma qualidade notória, salvo observadas as indicações e restrições mencionadas.

56

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo 3

CLASSIFICAÇÃO DOS COMPORTAMENTOS VERBAIS VOCAIS DO TERAPEUTA DE CASAL A PARTIR DO SiMCCIT: UMA APLICAÇÃO POSSÍVEL?

Eugênia Marques de Oliveira Melo Lívia Qodinho Aureliano Denis Roberto Zamignani

Pesquisa de processo é o nome dado aos estudos que buscam analisar, momento

a momento, o processo psicoterapèutico, de modo a identificar, descrever, explicar e predizer os efeitos dos comportamentos do terapeuta que levam à mudança do cliente

durante todo o curso da terapia (Greenberg, 1986). A importância desse tipo de estudo

é que ele pode auxiliar na tomada de decisão do terapeuta, ou seja, orientar sobre o

que este deve fazer quando da emissão de um comportamento do cliente ou, dada uma intervenção do terapeuta, auxiliar na previsão de uma resposta mais provável do cliente. Kazdin e Nock 2003) defendem a ideia de que estudos de processo são importantes para aumentar a efetividade da psicoterapia, pois conhecer o que o terapeuta faz, a maneira como ele se comporta e seus consequentes efeitos sobre os comportamentos do cliente permite a generalização para a prática clínica. Woszczyna (1995) argumenta que os pesquisadores clínicos não estão mais tão preocupados em saber se a psicoterapia individual é efetiva, pois já existem resultados favoráveis. A grande preocupação é descobrir quais variáveis da relação terapêutica produzem mudança no cliente. Entretanto, em comparação com o número de estudos sobre a terapia individual, as pesquisas de processo e de resultado sobre terapia de casais são poucas. Segundo a autora, algumas abordagens, tais como a Behavioral

Couple Therapy (BCT) e a Emotionally Focused Couples Therapy (TFT), têm mostrado

resultado na terapia de casal, porém atribuir o sucesso do tratamento somente à abordagem pode ser uma visão distorcida do que ocorre no processo. Por isso, Woszczyna (1995) defende a importância de estudar as variáveis que influenciam a eficácia da psicoterapia de casais. Alguns autores têm discutido sobre os aspectos que distinguem a relação terapêutica na psicoterapia individual e na de casal. Uma das diferenças apontadas é a presença

e na de casal. Uma das diferenças apontadas é a presença capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

57

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

de dois clientes no setting terapêutico durante o processo. Patterson, Grauf-Grounds

e Chamow (1998) chamam de triângulo terapêutico a interação que ocorre entre o

terapeuta e o casal na sessão. Nesse esquema, há três contingências entrelaçadas entre

1) o terapeuta e cada cliente individualmente, 2) o terapeuta e o casal e 3) cada um dos cônjuges/companheiros. Assim, o terapeuta deverá atuar empaticamente com cada parceiro individualmente e como um intérprete para o casal, traduzindo a interação e

a relação entre eles, de modo a estabelecer uma parceria com ambos e apresentar como os comportamentos, percepções e experiências influenciam no funcionamento dos

cônjuges. Ao agir dessa forma, será instituída uma nova interação entre eles, na qual são consideradas tanto as histórias individuais - reconhecendo-se que cada parceiro

é diferente em algum aspecto - como a história do casal, ressaltando-se as qualidades

que os uniram um dia. Lebow (2000) afirma que a aliança terapêutica, na terapia de casal, engloba o vínculo de cada indivíduo com o terapeuta e também a aliança do grupo (casal ou família) com este. Além desses aspectos, afirma o autor, deve ser considerada a noção que um membro do grupo possui a respeito da aliança do outro com o terapeuta. Knobloch-Fedders, Pinsof e Mann (2007) realizaram um estudo para verificar se

a aliança terapêutica era preditora de progresso do tratamento no indivíduo e no seu

relacionamento conjugal de acordo com as variáveis presentes no início e no meio do tratamento do casal. Os resultados mostraram que, embora a aliança não tivesse previsto progresso no funcionamento do indivíduo, ela foi responsável por 5% a 22% da variação na melhoria dos problemas conjugais. Para as mulheres, a aliança estabelecida durante o meio do processo estava correlacionada a melhorias nos problemas conjugais se comparada com a aliança no início do tratamento. Quando as alianças dos homens com os terapeutas se mostraram mais fortes que as de suas parceiras, os casais apresentavam melhoria mais significativa em relação aos problemas conjugais. A resposta ao tratamento foi também positivamente associada às avaliações das mulheres em relação às alianças de seus parceiros. Esses resultados indicam que a aliança terapêutica na terapia de casal é composta de subsistemas diferentes, exigindo desse modo outras habilidades do terapeuta, que funcionam como preditores do sucesso do tratamento. Com o intuito de melhor compreender o que ocorre no processo psicoterapêutico, pesquisadores clínicos têm construído sistemas para classificar e mensurar as variáveis presentes na relação terapêutica e o efeito das intervenções no cliente.

58

na relação terapêutica e o efeito das intervenções no cliente. 58 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Zamignani (2007) desenvolveu o Sistema Multidimensional de Categorização dos Comportamentos na Interação Terapêutica (SiMCCIT), construído com base em uma extensa revisão dos sistemas de categorias já existentes na literatura, visando englobar aspectos presentes no contexto da interação terapeuta/cliente na terapia analítico- comportamental. As categorias do SiMCCIT são registradas tendo como base a forma e a função da interação verbal terapeuta/cliente, aspecto condizente com a filosofia behaviorista radical que embasa a teoria da Análise do Comportamento, a qual defende a funcionalidade da interação organismo/ambiente. Uma vez que o SiMCCIT (Zamignani, 2007) foi construído para analisar a interação de um terapeuta com um único cliente, sua adequação para o estudo da

terapia de casal é algo ainda a ser verificado. Segundo Patterson et al. (1998), teorias sociológicas argumentam que a presença de uma terceira pessoa pode impactar a relação da díade (terapeuta, cliente). Com isso, pode-se entender que tanto o terapeuta pode influenciar o relacionamento do casal quanto a presença de mais um cliente na sessão pode influenciar a relação do terapeuta com cada um deles. Assim, os objetivos deste estudo foram categorizar, por meio do SiMCCIT, os comportamentos verbais vocais do terapeuta em sessões de terapia de casal e verificar se o mesmo sistema, construído para analisar terapia individual, é suficiente para fazer uma análise do processo de terapia de casal.

MÉTODO

Esse estudo possui um caráter metodológico, pois se propõe a utilizar algumas categorias do SiMCCIT Zamignani, 2007), porém aplicadas em um contexto de terapia de casal. No entanto, ressalta-se que foram utilizadas apenas as categorias verbais vocais do ELxo I de Zamignani (2007), direcionadas ao comportamento do terapeuta, sem os respectivos qualificadores. Apesar da multidimensionalidade desse sistema, Zamignani 20( " afirma que os eixos que o compõem podem ser utilizados independentemente, de acordo com o interesse do pesquisador. A escolha da parte vocal do Eixo I 1se justifica por este ser o eixo principal de categorização desse sistema, além de ter sido testado e avaliado em relação à concordância entre observadores. Outro fator determinante foi a limitação do tempo, dada a complexidade de estudo do

processo de terapia de casal em sua completude.

1 Para m a io r d e ta lh a m e n to des e:xe $ do SiMCG'

Z a m ig n a n i

e M eyer.

veja o

A p ê n d ic e ! d o

V o lu m e

I d esta

o b ra , d e

o A p ê n d ic e ! d o V o lu m e

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

a u to ria

d e

59

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Embora ciente da limitação de observar apenas o comportamento verbal do terapeuta, acredita-se que este estudo pode ser um passo inicial em direção à verificação da adequação das categorias propostas por Zamignani (2007) para analisar o processo da terapia de casal. Os participantes desta pesquisa foram os seguintes: (a) um casal, constituído de um homem e uma mulher na faixa dos 30 anos, casados, que voluntariamente fizeram a inscrição para triagem e receberam atendimento psicoterapêutico; (b) um psicólogo com título de Especialista em Clínica Analítico-Comportamental, do sexo masculino, que possuía sete anos de experiência em atendimento clínico no momento do início do estudo. Dois pesquisadores foram aferidores, para o cálculo de concordância entre observadores: uma psicóloga (primeira autora do presente capítulo), aluna do curso de especialização em Clínica Analítico-Comportamental na instituição, com dois anos e seis meses de experiência em atendimento de casais na clínica, e um psicólogo, mestrando em Psicologia Clínica, com experiência como terapeuta analítico- comportamental há três anos, à época do estudo. Foram utilizados os seguintes materiais e equipamentos: duas filmadoras digitais

da marca Sony; um kit Observer Video-Pro Complete, Set-up, Noldus Information Technologies2; softwares Microsoft Word e Excel; CD que contém um treino sistemático

de observadores construído por Zamignani (2007); o sistema multidimensional para a categorização de comportamentos na interação terapêutica, desenvolvido por Zamignani (2007) e três sessões (n.° 03, 07 e 11) de terapia de casal, registradas por meio de gravação em áudio e vídeo, a fim de ilustrar diferentes momentos do processo terapêutico. Os dados foram coletados por meio do registro em áudio e vídeo das sessões de psicoterapia do casal participante. Essa metodologia está de acordo com a literatura sobre pesquisa de processo, que visa observar e sistematizar em categorias as variáveis presentes na sessão terapêutica. Apenas o vídeo com o áudio e a imagem do terapeuta foi analisado. Optou-se pela análise dos dados diretamente em vídeo em vez da transcrição das sessões, pois este último método dificultaria compreender para quem a fala do terapeuta se dirigia, uma vez que a imagem dos comportamentos não vocais estaria ausente.

2 O The O bserver XT 7.0 é u m sistem a in fo rm a tiz a d o para análisec o m

p ro Softw are, u m decoder MPEG2 H igh Q u a lity E ncoder e u m m ic ro c o m p u ta d o r.

p o rta m e n ta l,

60

c o m p o s to

p e lo

Video-

ic ro c o m p u ta d o r. p o rta m e

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Os dados foram analisados no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - USP, sob a autorização da coordenadora do Laboratório de Terapia Comportamental, do Departamento de Psicologia Clínica da USP. A necessidade de analisar os dados em outra instituição se justifica pelo fato de o sistema informatizado para análise comportamental - 77/e Observer XT 7.0 - pertencer ao laboratório citado, não podendo ser retirado da instituição. Antes de analisar os dados, a pesquisadora foi treinada a manusear o The Observer XT 7.0. O treinador foi um aluno do referido laboratório, ja familiarizado com o software. Além disso, a pesquisadora se submeteu ao treino sistemático de observadores construído por Zamignani (2007,1. As três sessões foram observadas e categorizadas por meio do software The Observer XT 7.0, configurado previamente, inserindo-se no campo Behavior classes apenas os comportamentos do Eixo I do SiMCCIT (Zamignani, 2007) referentes ao terapeuta, excluindo-se, além dos comportamentos do cliente, os qualificadores desse eixo: tom emocional da interação e gestos ilustrativos. No campo Modifier Classes foi inserido um qualificador que indicava para quem a fala do terapeuta se direcionou:

se para o casal, para o homem ou para a mulher. O comportamento verbal do terapeuta foi categorizado para o casal quando aquele usava expressões no plural que indicavam que a fala era emitida para ambos. E foi categorizado para o homem ou para a mulher quando o terapeuta falava claramente o nome de um dos membros do casal, ou quando havia uma sequência de verbalizações, a qual mostrava que a fala do terapeuta dava sequência ao comportamento verbal anterior do falante, dando continuação ao diálogo. A decisão de analisar para quem se dirigia a fala do terapeuta ocorreu por meio da literatura de processo em terapia de casal, que discorre sobre a importância de um vínculo bem estabelecido com ambos os parceiros (Otero, 1997; Patterson et al., 1998; Minuchin, 2008). A unidade de registro utilizada foi uma resposta verbal do terapeuta classificável em uma das categorias presentes no SiMCCIT (Zamignani, 2007). O início do segmento de verbalização foi sinalizado com um clique no botão esquerdo do mouse sobre o campo correspondente à categoria escolhida. Se esta fosse do tipo estado, o final do segmento de verbalização era demarcado com a categoria Silêncio. Dessa maneira, registrar-se-iam tanto a frequência como a duração da categoria. Se a categoria fosse do tipo evento, apenas um clique no botão esquerdo do mouse seria dado para sinalizar sua ocorrência. Depois de ter sido categorizado o comportamento verbal do

Depois de ter sido categorizado o comportamento verbal do capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 61

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

61

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

terapeuta, uma nova janela do software, apresentando os modificadores, era aberta. Os modificadores indicavam se a fala do terapeuta era dirigida ao casal, ao homem ou à mulher. Desse modo, a sequência da categorização foi esta: a) o comportamento verbal do terapeuta e b) modificador - para quem a fala estava sendo direcionada. O processo de observação e categorização de cada sessão durou em média quatro horas, a depender da dificuldade de encaixar o dado em alguma categoria já existente. Quando esse fato ocorria, era necessária a revisão do trecho, retornando a imagem para o ponto em que a categorização foi duvidosa. Realizou-se também a categorização da sessão 03 por um aferidor, com o objetivo de verificar a concordância entre observadores. O aferidor foi previamente submetido ao treino sistemático de observadores (Zamignani, 2007). O método utilizado para verificar a concordância entre observadores foi o pareamento em uma tabela da categorização completa da sessão 03 de ambos os observadores. Posteriormente, as categorias foram checadas uma a uma, até o fim da sessão. Uma categoria foi considerada como concordante quando ambos os observadores identificaram igualmente o comportamento verbal do terapeuta e o modificador. Quando pelo menos um desses critérios estava diferente, a categorização do segmento foi considerada como discordante. Após o término da checagem, foram contadas as quantidades das categorias concordantes e depois realizados os cálculos do índice de percentual de concordância3e do coeficiente Kappa (X)4para corrigir os possíveis erros da primeira operação. Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu - USJT sob o número de protocolo 047/09. Seguindo os procedimentos éticos em pesquisa com seres humanos, os participantes terapeuta e cônjuges assinaram

3

O

ín d ice

d o

p e rc e n tu a l

d e

c o n c o rd â n c ia

revela

a

p ro p o rç ã o

d e vezes e m

q u e

dois p esq u isad o re s

 

c

o n c o rd a m

q u e

os c o m p o

rta m

e n to s

e m

e s tu d o

o c o rre ra m , o u

n ão o c o rre ra m . C alcula-se

o

p e rc e n tu a l

d e

c

o n c o rd â n c ia

p o r

m e io

da

fó rm u la :

% c o n c o rd â n c ia

=

(n.° c a te g o ria s

c o n c o rd a n te s /

n.° to ta l

d e

ca te g oria s)

x

100.

4

Suen e A ry

(1989) s u g e re m

o

C oeficiente K appa (X) c o m o o

ín d ice

m ais

re c o m e n d a d o

na

co n c o rd â n c ia

 

e n tre

e v e n to s

K appa é: X =

e sperada d e

1, in d ic a X. Se X =

X

d e

a

satisfatório p elo Kappa.

o bse rva d ore s, u m a

c o m

duas o u

Po -

Pe/1

vez q u e

ele d e sco n ta

as esperadas co n co rd â n cia s ao acaso e p o d e ca lcu la r

d o is

o u

m ais o b se rva d o re s. A fó rm u la d o coeficiente

o b se rva d a

d e

co n c o rd â n c ia s e

Pe é a

p o d e

a ssum ir valores

n o

p ro p o rç ã o

in te rv a lo

m ais fo rte

a co n c o rd â n c ia ,

m ais variáveis, e n v o lv e n d o

-

Pe, o n d e

Po é a

ao

e n tre

os

p ro p o rç ã o

acaso. Por d e fin iç ã o , X

c o n c o rd â n c ia s o c o rrid a s

c o n c o rd â n c ia

p e rfe ita

0,

in d ica

q u e

n ão

[-1,1 ]. Se

va lo r

=

o bse rva d o re s. Q u a n to

e n tre

acaso. U rn

m a io r o

c o n c o rd â n c ia

p o r

os o bse rva d o re s. Valores n e g a tiv o s o c o rre m

ín d ice

p ró x im o

o u

acim a d e

q u a n d o

0,6 é c o n s id e ra d o

co n c o rd â n c ia

é m ais fraca q u e a esperada

62

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

c o n s id e ra d o co n c o rd â n

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), no qual autorizavam a gravação das sessões e a utilização dos dados para esta pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As Figuras 1, 2 e 3 referem-se ao percentual de ocorrência dos comportamentos verbais vocais do terapeuta e para quem eles foram direcionados, se para o casal ou para os indivíduos - mulher ou homem - nas três diferentes sessões.

Casal

Mulher

ou homem - nas três diferentes sessões. ■ Casal Mulher FIGURA 1 PORCENTAGEM DE OCORRÊNCIA DAS

FIGURA 1 PORCENTAGEM DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DE COMPORTAMENTO VERBAL VOCAL DO TERAPEUTA NA SESSÃO 03 EM RELAÇÃO A CADA PARTICIPANTE

3 c a p ítu lo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

63

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! FIGURA 2 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DE COMPORTAMENTO VERBAL

FIGURA 2 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DE COMPORTAMENTO VERBAL VOCAL DO TERAPEUTA NA SESSÃO 07 EM RELAÇÃO A CADA PARTICIPANTE

DO TERAPEUTA NA SESSÃO 07 EM RELAÇÃO A CADA PARTICIPANTE FIGURA 3 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS

FIGURA 3 PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CATEGORIAS DE COMPORTAMENTO VERBAL VOCAL DO TERAPEUTA NA SESSÃO 11 EM RELAÇÃO A CADA PARTICIPANTE

64

seção

VOCAL DO TERAPEUTA NA SESSÃO 11 EM RELAÇÃO A CADA PARTICIPANTE 64 seção INDEX BOOKS GROUPS:

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

De acordo com a Figura 1, as categorias Facilitação (27,2%), Solicitação de Relato (18,8%) e Solicitação de Reflexão (15,7%) obtiveram a maior frequência na sessão 03, independentemente da direção da fala do terapeuta. Já na sessão 07 (Figura 2), as categorias mais frequentes, no total, foram Solicitação de Reflexão (27,3%), Facilitação (21,3%) e Solicitação de R elato (20%). Na sessão 11 (Figura 3), as categorias mais frequentes, no total de ocorrências, foram as mesmas da sessão 07:

Solicitação de Reflexão (31%), Facilitação (17,2%) e Solicitação de Relato

(12,6%). Comparando as três sessões, percebe-se que as habilidades terapêuticas mais utilizadas são as mesmas, porem com percentuais diferentes em cada sessão. No sistema de Zamignani (2007), a categoria Facilitação está relacionada às verbalizações curtas ou expressões paralinguísticas que ocorrem durante a fala do cliente (p.127). Hill e O'Brien (2004) declaram que as verbalizações curtas, como “um-hmm”, são uma das habilidades que denotam atenção ao conteúdo falado, provêm um apoio não invasivo e encorajam o cliente a continuar falando, por isso favorecem a relação terapêutica e devem ser utilizadas em todo o processo terapêutico, principalmente nas sessões iniciais, quando o vínculo terapêutico começa a se estabelecer. Por meio das Figuras 1, 2 e 3, observa-se que a categoria Facilitação esteve presente nas três sessões analisadas, com maior percentual na sessão 03, corroborando as declarações dos autores citados. Um dado que chama a atenção nas figuras é o aparecimento de Solicitação de Reflexão como uma das categorias mais frequentes nessa sessão inicial. A função dessa habilidade é facilitar o estabelecimento de relações funcionais e a formação de autorregras (Zamignani, 2007, p.133), além de verificar as regras previamente formuladas pelo cliente, as quais podem constituir sua explicação sobre os problemas que o motivam a buscar a terapia. Assim, pressupõe-se que o terapeuta tenha apresentado essa classe de comportamentos para conhecer as análises apresentadas pelos clientes sobre seus padrões comportamentais. É possível também que, na terapia de casal, a presença dos cônjuges dentro do setting terapêutico propicie ao terapeuta observar e compreender a interação dos clientes desde a primeira sessão, o que pode favorecer a construção da avaliação funcional desde as sessões iniciais e a solicitação de reflexão sobre os comportamentos que ocorrem no momento do atendimento. Nos outros momentos do processo, sessões 07 e 11, observa-se nas Figuras 2 e 3, respectivamente, que essa habilidade foi a mais frequente, embora tenha sido direcionada mais para os indivíduos do que para o casal. Meyer (2004) afirma

3 j

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

65

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

que um dos procedimentos utilizados pelo terapeuta é o favorecimento de autorregras, que ocorre por meio da modelagem do comportamento verbal dentro da sessão terapêutica. Favorecer autorregras, segundo a autora, seria uma forma de o cliente encontrar novas maneiras de agir sem a instrução direta do terapeuta, aumentando a chance de ele segui-las. Futuros estudos poderiam pesquisar se há diferenças no processo entre a terapia individual e a de casal, em relação à categoria Solicitação

de Reflexão.

DISCUSSÃO DOS DADOS EM RELAÇÃO AO CASAL

Na sessão 03, a fala do terapeuta foi direcionada em 14,66% das vezes para o casal, e a categoria de maior percentual foi Interpretação (25%), seguida de Solicitação de Relato (17,8%) e Empatia (17,8%). Na sessão 07, a categoria mais frequente foi também a Interpretação (42,1%), seguida por Solicitação de Reflexão (21%) e Recomendação (21%). Já na sessão 11, vê-se que a categoria de maior ocorrência foi Solicitação de Reflexão (39,1%), seguida de Solicitação

de Relato (26%) e Interpretação (26%).

No SiMCCIT (Zamignani, 2007), a categoria Interpretação abrange comportamentos em que o terapeuta descreve, supõe, ou infere relações causais e/ ou explicativas em relação ao comportamento do cliente ou de terceiros, ou identifica padrões de interação do cliente e/ou terceiros. Novamente, pode-se pensar que essa habilidade já pode ser utilizada nas sessões iniciais da terapia de casal, pois o terapeuta tem acesso direto aos comportamentos da interação entre os clientes que ocorrem no momento da sessão. Essa hipótese está de acordo com Perkins, Fíackbert e Dougher (1999), segundo os quais, para os analistas do comportamento, as interpretações deverão ser realizadas baseadas nos eventos ambientais, e não em entidades hipotéticas. A presença de mais um cliente no setting terapêutico permite que o terapeuta amplie a maneira de empregar suas habilidades. Se, na terapia individual, o terapeuta interage apenas com um cliente, na terapia de casal ele terá acesso direto à interação dos cônjuges entre si e de cada um deles com o terapeuta. Dessa maneira, o terapeuta pode, por exemplo, realizar uma Interpretação mediante a interação do casal dentro da sessão, conforme demonstra o trecho a seguir:

“Olha como a gente não consegue ficar num assunto que a gente estava

antes conversando, que já dispersa, já passa pra outras coisas. Eu acho

66

antes conversando, que já dispersa, já passa pra outras coisas. Eu acho 66 INDEX BOOKS GROUPS:

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

que quando vocês estão conversando de uma coisa, de repente já vai para outra e vocês não conseguem resolver o que está presente no momento” (fala do terapeuta na sessão 03).

Além disso, o terapeuta pode realizar uma Interpretação direcionada a um indivíduo, mas ela pode atingir também o outro cônjuge. Ou o terapeuta pode falar para o grupo, embora o propósito de sua verbalização seja um dos indivíduos. Contudo, para evitar o ambiente adverso a um deles, decide direcionar a fala ao casal. Ainda a Interpretação pode ser feita em relação a um evento que ocorreu fora da sessão. Outro exemplo de refinamento possível do SiMCCIT pode ser realizado com a categoria Recomendação, po.s o terapeuta pode tanto realizar uma Recomendação para o casal dentro da sessão quanto direcionar sua fala para um dos indivíduos, mas a função da instrução é rara ; grupo, como se percebe a seguir:

“Será que ajudaria, por exemplo, vocês combinarem um valor mensal? Pra ele deixar na sua conta [referindo-se à mulher], nessa conta que ele está falando? Então, você vai ficar com uma conta e com um valor mensal, aí você pode administrar como você quiser” (fala do terapeuta direcionada para a mulher, mas a função é para o casal).

Esse desmembramento poderá ser realizado com todas as outras categorias verbais vocais do Eixo I do SiMCCIT (Zamignani, 2007). Futuros estudos poderão realizar a adaptação desse sistema e desdobrá-lo em subcategorias ou criar novas categorias com o objetivo de conhecer, com maior profundidade, as habilidades específicas do terapeuta de casal e, com isso, contribuir para aumentar o desenvolvimento do estudo de processo nesse tema.

DISCUSSÃO DOS DADOS EM RELAÇÃO AOS INDIVÍDUOS

A Tabela 1 a seguir mostra a porcentagem das categorias de maior frequência apresentadas nas três sessões para o homem e para a mulher, em termos comparativos. Nos três momentos do processo, nota-se, na Tabela 1, que a categoria Facilitação ocorreu mais direcionada à mulher, iá que esta expressava suas emoções e suas queixas com maior frequência que o homem.

suas emoções e suas queixas com maior frequência que o homem. capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

67

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

TABELA 1 COMPARAÇÃO DAS CATEGORIAS MAIS FREQUENTES NAS SESSÕES 03, 07 E 11 ENTRE O HOMEM E A MULHER, EM TERMOS PERCENTUAIS

03, 07 E 11 ENTRE O HOMEM E A MULHER, EM TERMOS PERCENTUAIS Nas sessões analisadas,

Nas sessões analisadas, vê-se que a categoria Solicitação de Relato é a que apresenta a menor diferença a respeito de ser direcionada ao homem e à mulher, o que pode ter sido uma estratégia utilizada pelo terapeuta para equilibrar as falas e sua atenção aos dois indivíduos. No entanto, analisando o total de verbalização do terapeuta, em relação às outras categorias observa-se que ele se dirigiu, na maioria das vezes, à mulher, se comparado ao homem e ao casal. Na terceira, sétima e décima primeira sessões, a porcentagem de verbalização para a mulher foi de 65%, 44,6% e 60,9%, respectivamente. Já para o homem, o terapeuta se direcionou 20,4%, 42% e 12,6%, no decorrer do processo analisado. E para o casal foi de 14,66%, 12,6% e 26,4%, respectivamente. Essa informação vai ao encontro do que Patterson et al. (1998) defendem sobre o triângulo terapêutico. Segundo eles, o terapeuta de casal deverá ter a habilidade para manejar a terceira pessoa presente no setting. Para isso, deverá empatizar com cada indivíduo enquanto trabalha o casal como uma unidade. Como a mulher desse estudo verbalizava mais que o homem, a categoria Empatia também foi mais direcionada a ela. Na sessão 11, não houve verbalizações de Empatia para o homem, mas a mulher obteve 15,62% dessa categoria em relação ao total de verbalizações nesse atendimento. Esse dado pode mostrar um desequilíbrio na relação

68

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

entre o terapeuta e os clientes individualmente e com o casal como uma unidade. Na cultura ocidental, em geral as mulheres falam e se expressam emocionalmente mais que os homens. Além disso, as mulheres, na maioria das vezes, buscam terapia para

o casal, por isso tendem a se direcionar mais ao terapeuta que o cônjuge. Por sua vez,

uma das habilidades do terapeuta é escutar atenciosamente seu cliente, de modo que este se sinta acolhido em sua queixa. No entanto, o terapeuta de casal deve atentar para

o equilíbrio da relação terapêutica com ambos os cônjuges, de modo que se sintam empatizados e acolhidos no curso da terapia. Outra variável que pode dificultar o estabelecimento do triângulo, conforme

Patterson et al. (1998), e a inexperiência do terapeuta em atender casal. Segundo esses autores, terapeutas iniciantes sabem como fazer terapia com os cônjuges individualmente, mas não sabem lidar com a presença dos dois na sessão. O terapeuta que se dispôs a participar deste trabalho possui sete anos de experiência clínica, porém, há menos de três anos, atende casal, o que pode ter dificultado que suas intervenções fossem orientadas ao casal. Em contrapartida, o estudo de Knobloch-Fedders et al. (2007) indica também que

a aliança terapêutica e um poderoso previsor de melhoria dos problemas conjugais, porém, não necessariamente, o triângulo deve ser igualitário. Para o homem, parece não haver diferença no resultado do tratamento se o terapeuta se dirige mais à mulher do que a ele. Já para ela, a avaliação da aliança dos cônjuges entre si é um forte preditor de sucesso no tratamento. Além disso, para a mulher, é importante que ela seja empática inicialmente com o terapeuta. Quando a mulher avalia que a aliança está bem estabelecida no meio do tratamento, a melhora entre os cônjuges é maior se comparada à mesma avaliação no início do processo. Quando as alianças dos homens com o terapeuta são mais fortes que as de suas parceiras no meio do processo, os casais demonstram significativamente melhoras dos problemas conjugais. De forma semelhante, quando as mulheres avaliam as alianças de seus parceiros com o terapeuta de forma mais positiva, uma resposta mais bem sucedida ao tratamento é mais provável. Segundo os autores, isso implica que os terapeutas devam continuar encorajando o desenvolvimento da aliança terapêutica em casais durante as fases iniciais e medianas do processo. A existência desses padrões sugere que o gênero influencia a associação da aliança terapêutica com as mudanças no tratamento conjugal. O conhecimento de que o gênero influencia o desenvolvimento da aliança em diferentes estágios do processo pode ajudar os terapeutas a melhor definir suas estratégias de construção do

vínculo durante a terapia.

suas estratégias de construção do vínculo durante a terapia. capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 69

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

69

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

Otero (1997) aponta a importância das sessões individuais na terapia de casal, com o objetivo de conhecer o padrão comportamental de cada indivíduo, porém elas somente devem ser realizadas depois de o vínculo do casal com o terapeuta ter se estabelecido. Neste trabalho, apenas sessões conjuntas foram realizadas. Futuras pesquisas poderão investigar se há diferenças na formação do triângulo terapêutico entre processos em que sessões individuais são intercaladas com sessões conjuntas e processos em que só ocorrem sessões conjuntas. Retomando a Figura 1, vê-se que, na sessão 03, houve as categorias R eprovação (3,1%) e Aprovação (1%), embora com baixa frequência. Como se trata do início do processo, o aparecimento dessas categorias não é o esperado, uma vez que ambas podem interferir na relação terapêutica produzindo respostas resistentes no cliente. Bischoff e Tracey (1995) examinaram a sequência do comportamento do terapeuta - a se diretivo ou não diretivo - e seu efeito no comportamento verbal subsequente do cliente - se cooperativo ou resistente. O estudo indica que a ocorrência de resistência por parte do cliente é consequência do comportamento diretivo antecedente do terapeuta. Aprovação e Reprovação, portanto, podem ser entendidas como comportamentos diretivos e devem ser usadas com bastante parcimônia pelo terapeuta para evitar uma quebra na relação com o cliente. Da mesma maneira, na terapia de casal, o terapeuta deve ter bastante cuidado, ao utilizar comportamentos de aprovação ou reprovação, principalmente quando eles são dirigidos apenas a um dos indivíduos, pois o outro pode se sentir desfavorecido em relação ao seu cônjuge e, com isso, não contribuir com o tratamento psicoterápico.

ANÁLISE DOS DADOS DE CONCORDÂNCIA ENTRE OBSERVADORES

O estudo de concordância entre observadores foi realizado mediante a categorização

da sessão 03. Com base na categorização independente por parte dos dois aferidores,

foi calculado o índice de concordância entre observadores e o Coeficiente Kappa (K ).

O total de verbalizações do terapeuta na sessão 03, excluída a categoria Terapeuta

permanece em Silêncio, foi 207. Ressalta-se que a categoria T Silêncio foi retirada da contagem por ter a função de delimitar os segmentos de verbalização do tipo estado. Do total, 136 verbalizações foram concordantes entre a pesquisadora e o aferidor de concordância. Aplicando esses valores na fórmula do índice de concordância, obtém- se a porcentagem 65,7%. O coeficiente Kappa foi também calculado para diminuir a

70

65,7%. O coeficiente Kappa foi também calculado para diminuir a 70 INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

chance de concordância ao acaso, utilizando a fórmula X = 0.689, com p <0.001; IC (95%). Conforme Suen e Ary (1989), alguns autores consideram uma concordância satisfatória quando X > 0.6. Desse modo, pode-se considerar que as classes de respostas verbais vocais do terapeuta do SiMMCIT (Zamignani, 2007) foram aplicadas satisfatoriamente ao comportamento de um terapeuta de casal. Porém, para um estudo mais refinado dos comportamentos emitidos pelo terapeuta de casal na sessão, será preciso detalhar as categorias de acordo com o interesse do pesquisador. Além de especificar a quem o terapeuta fala, pode-se estudar se a verbalização é dirigida para comportamentos de dentro ou fora da sessão, por exemplo. Apesar de o valor do Kappa ter sido satisfatório, optou-se por mostrar os erros na categorização entre os observadores, a fim de indicar futuras adaptações metodológicas do SiMMCIT no caso de um estudo mais aprofundado sobre terapia de casal. A porcentagem de erro de concordância entre observadores foi de 34,3%. Desse total, 47,8% foram discordâncias entre categorias, 4,2%, discordâncias apenas em relação à direção da fala do terapeuta e 5,6%, em ambos os critérios. Segue-se a tabela de comparação entre os aferidores de concordância, a qual aponta as discordâncias na categorização de ambos.

a qual aponta as discordâncias na categorização de ambos. capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 71

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

71

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

TABELA 2

PORCENTAGEM DE DISCORDÂNCIAS ENTRE OS JUÍZES NA CATEGORIZAÇÃO DA SESSÃO 03

JUIZ 2

C

a te g o ria s

APR

EMP

FAC

INF

IN T

REC

REP

SRF

SREL

T o ta l

APR

-

-

2,8%

-

-

-

-

-

2,8 %

EMP

2,8%

-

-

5,71%

-

-

2,8%

-

2,8%

1 4,11%

FAC

2,8%

2,8%

-

-

-

-

-

-

-

5,6%

INF

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

IN

T

2,8%

11,4%

-

2,8%

-

-

5,71%

-

2,8%

2 5 ,5 1 %

REC

-

-

-

-

-

-

2,8%

2,8%

-

5,6%

REP

-

-

2,8%

-

-

-

-

-

-

2,8%

SRF

-

-

-

-

-

5,71%

-

-

14,2%

1 9,91%

SREL

-

-

2,8%

-

2,8%

8,57%

-

8,57%

-

2 2 ,7 4 %

Por meio da Tabela 2, nota-se que a categoria Interpretação foi a de maior discordância entre os aferidores, sendo classificada como Empatia em 11,4% e como Reprovação em 5,71%. A categoria Solicitação de Relato foi a segunda de maior discordância, sendo atribuída à Solicitação de Reflexão e à Recomendação em 8,57% das vezes. Já a categoria Solicitação de Reflexão foi categorizada como Solicitação de Relato (14,2%) e Recomendação (5,71%). Esses dados apontam algumas possibilidades: as categorias de maior divergência podem necessitar de aperfeiçoamento quando o objetivo for estudar o comportamento do terapeuta com

mais de um cliente no setting; as semelhanças de topografia verbal podem dificultar

a escolha de uma categoria em detrimento de outra; ainda pode ter ocorrido erro de

catcgorização por parte dos aferidores, mesmo tendo estes sido treinados previamente.

Analisando as discordâncias relativamente à direção da fala do terapeuta - 4,2%

do total -, 8,57% das divergências ocorreram quando o juiz 1 categorizou a fala para

o casal e o juiz 2 para um dos indivíduos, enquanto 14,2% incidiram quando ocorreu

o contrário. Uma das variáveis que podem ter contribuído para essa divergência foi a utilização da imagem apenas do terapeuta no momento da categorização. Essa opção pode ter dificultado conhecer a quem o terapeuta se dirigia enquanto falava.

72

seção

1

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

O restante da porcentagem de discordância (42,25%) refere-se ao número de categorização excedente analisado pela pesquisadora, que inexistiu na observação do outro aferidor. Uma possível explicação para esse erro pode ter sido a má compreensão da unidade de análise do sistema de categorias utilizado. O aferidor parece ter categorizado as falas em segmentos de verbalizações maiores quando comparado à pesquisadora.

LIMITAÇÕES DO ESTUDO

Inicialmente é importante ressaltar que este trabalho não pretende generalizar os dados aqui apresentados para a terapia de casal, os quais são uma pequena amostra das habilidades que o terapeuta de casal utilizou na condução desse caso especificamente. Uma das limitações contidas neste estudo é a categorização apenas dos comportamentos verbais vocais do terapeuta. Zamignani (2007) relata estudos que já mostravam a limitação de analisar apenas o comportamento verbal vocal, pois, quando se quer estudar episódios emocionais, é importante abranger outras dimensões do comportamento, como respostas verbais não vocais e respostas motoras correlatas a respostas emocionais, uma vez que estas podem ser medidas. Próximos estudos poderão aprofundar essa análise incorporando os Eixos II e III do sistema de Zamignani, que tratam, respectivamente, do tema e dos comportamentos motores. Outra limitação foi utilizar apenas a frequência dos comportamentos como medida do que ocorre ao longo das sessões (Russel & Trull, 1986). A crítica feita por esses autores é que o uso apenas da frequência não especifica o que determina a ocorrência de uma resposta por parte do terapeuta. Ao focalizar os índices da fala, quer do paciente, quer do terapeuta, tomados isolados uns dos outros, os aspectos sociais e dialógicos do discurso são ignorados. Com isso, eles propõem análises sequenciais, pois estas podem avaliar melhor os aspectos dialógicos da fala do terapeuta e do cliente e permitem integrar apropriadamente os resultados de tal análise sequencial ao trabalho em outras disciplinas, como a Sociolinguística. Além da análise sequencial, outra possibilidade é verificar a duração da fala em relação a cada categoria, pois, não necessariamente, aquela que ocorreu em maior frequência será a de maior duração. O terapeuta pode usar com menos frequência uma habilidade, mas sua fala ter uma duração longa, e usar mais frequentemente outra, e a fala ter uma duração curta, como no caso da categoria Facilitação, que ocorre

curta, como no caso da categoria Facilitação , que ocorre capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

73

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

em alta frequência, mas possui um período mínimo de interação. Zamignani (2007) informa que a duração da fala pode ser mais importante que a frequência, a depender do comportamento analisado. Enquanto a frequência pode superdimensionar categorias, tais como a Facilitação e a Aprovação, a duração tem a desvantagem de subdimensioná-las. Por isso, Zamignani (2007) sugere como alternativa o uso de ambas as medidas, cada uma delas quantificada em momentos diferentes do processo de categorização dos dados. Apesar das limitações contidas neste trabalho, pode-se afirmar que o SiMMCIT permitiu a análise dos comportamentos vocais do terapeuta de casal, porém é necessário refinamentos no sistema para que ele seja capaz de abranger a complexidade do processo que envolve a terapia de casal.

74

de abranger a complexidade do processo que envolve a terapia de casal. 74 INDEX BOOKS GROUPS:

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo 4

ANÁLISE DE CONTINGÊNCIAS ENVOLVIDAS NA ORIENTAÇÃO1

Juliana Cristina Donadone

Sonia Beatriz Meyer

Este estudo é a complementação de estudos anteriores realizados por Meyer e Donadone (2002) e Donadone (2004/2009). Neste estudo, a análise de contingências foi o referencial teórico e o método para que se pudesse descrever alguns contextos típicos para a emissão de regras por terapeutas. As partes do estudo que usaram o SiMCCIT são apresentadas neste capítulo.

ORIENTAÇÃO OU RECOMENDAÇÃO?

Quando se categoriza o comportamento de emitir regras em sessões de psicoterapia, diferentes nomenclaturas são sugeridas de acordo com a especificidade das regras emitidas. Por exemplo, Chamberlain e Ray (1988), Hill (2004), Meyer e Vermes (2001) utilizam o termo Orientação; em uma das subcategorias de Orientação Chamberlain

e Ray (1988) usam o termo Instrução, assim como Schindler et al. (1989); Margoto

(1998), Stiles (1999), Tourinho et al. (2003), Zamignani (2001) utilizam o termo Aconselhamento; Fiorini (1995) utiliza os termos Sugerir atitudes determinadas e Indicar. Independentemente do termo utilizado, todos esses autores estão se referindo

à classe de comportamento do terapeuta de emitir regras. Meyer e Donadone (2002) e Donadone (2004/2009) utilizaram o termo Orientação com base na proposta de Skinner (1974/1982). De acordo com este autor, orientações englobam ordens, avisos e conselhos que, por sua vez, são diferentes formas de regras:

1 Este capítulo baseou-se na tese de doutorado da primeira autora. Orientação é bastante similar à categoria Recomendação do SiMCCIT. As semelhanças e diferenças são discutidas no texto.

(^4^)

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

7 9

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

“Uma das primeiras práticas verbais deste tipo deve ter sido a de dar ordens. ‘Vá andando!’ descreve um ato e implica uma consequência: o ouvinte deve mover-se - senão! O falante diz ao ouvinte o que este deve fazer e organiza consequências aversivas em que ele aprende a fazê-lo e a fazê-lo uma e outra vez, sempre que a ordem seja repetida. Um aviso difere habitualmente de uma ordem porque as consequências aversivas não são organizadas pela pessoa que o emitiu: “Preste atenção!’’descreve um ato e implica uma consequência, tal como evitar uma rocha prestes a

cair, mas esta é antes um resultado natural do comportamento do que um resultado planejado pelo falante. Um conselho (‘Vá pra o Oeste, rapaz!’) especifica um comportamento e implica consequências positivamente

e você

reforçadoras que também não foram ideadas pelo conselheiro (‘ ficará rico’).” (Skinner, 1974/1982, p. 105)

Partindo das afirmações de Skinner (1974/1982), o termo Orientação foi definido por Meyer e Donadone (2002) e Donadone (2004/2009), no contexto da psicoterapia, como uma descrição do comportamento a ser executado pelo cliente fora das sessões de terapia. Essa definição contempla, implícita ou explicitamente,'as consequências da ação do ouvinte. Já a categoria Recomendação do SiMCCIT (Zamignani, 2007) “contempla verbalizações nas quais o terapeuta sugere alternativas de ação ao cliente ou solicita o seu engajamento em ações ou tarefas” (p. 135). Essa categoria, de acordo com o autor, é também conhecida na literatura como sinônimo de aconselhamento, orientação, comando e ordem. Apesar de ser produtivo considerar Orientação e Recomendação como termos sinônimos, a categoria Recomendação, como definida por Zamignani (2007), não exclui as regras emitidas pelo terapeuta para que o cliente emita determinado comportamento dentro da sessão. Já a categoria Orientação (Meyer e Donadone, 2002 e Donadone, 2004/2009) tem em sua definição que a emissão de uma regra por parte do terapeuta seja para que o cliente execute uma ação ou reflexão fora do ambiente terapêutico, onde a mudança proposta ocorreria. Caso a definição de Recomendação cio SiMCCIT tivesse sido usada nos estudos de Meyer e Donadone (2002) e Donadone (2004/2009), os resultados provavelmente seriam diferentes. Sendo assim, como os relatos de pesquisa apresentados neste capítulo

80

seção

2

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

se referem à definição de orientação em conformidade com Skinner (1974/1982), optou-se por manter a nomenclatura Orientação.

SÍNTESE DOS ESTUDOS DE MEYER E DONADONE SOBRE ORIENTAÇÃO

A justificativa dos estudos desenvolvidos por Meyer e Donadone foi a de analisar processos analítico-comportamentais que podem ser responsáveis pelas mudanças que ocorrem em terapia. Procurou-se conhecer melhor como a interação verbal em terapia gera mudanças, considerando que, na maioria das terapias com adultos em consultório, o terapeuta não tem controle direto sobre as contingências em vigor fora da sessão terapêutica, cuja intervenção é baseada em conversas. Terapeutas fornecem conselhos e descrevem contingências, portanto emitem regras (Meyer, 2004). O entendimento dos processos de mudança contemplados em terapia pode ser auxiliado pelo conceito de controle por regras. A primeira decisão para conhecer o processo de mudança por meio de regras foi descrever seu uso, na forma de orientações, por terapeutas comportamentais reconhecidos pela comunidade científica brasileira. Foram criados quatro subtipos de Orientação, pois estudos experimentais indicavam que diferentes especificidades em verbalizações de Orientação podem produzir diferentes resultados (Meyer & Donadone, 2002): 1. Orientação para Ação Específica (OAE) - para que o cliente se comporte da forma indicada em seu cotidiano, especificando a topografia do comportamento a ser desenvolvido; 2. Orientação para Ação Genérica (OAG) - para que o cliente se comporte da forma indicada em seu cotidiano, porém não indicando a ação que deverá ser executada, e sim qual o resultado a ser atingido; 3. Orientação para Encobertos (OE) - para que o cliente reflita sobre um tema proposto ou observe suas ações e pensamentos; 4. Prescrição de Tarefas (OT) - para que o cliente execute uma tarefa proposta. Com essas subcategorias de Orientação, diferentes estudos foram conduzidos, sempre visando explicitar a ocorrência de regras em intervenções clínicas comportamentais. No primeiro estudo realizado por Meyer e Donadone (2002), foi analisada

a ocorrência de verbalizações de Orientação em 29 sessões conduzidas por três terapeutas experientes no atendimento de um total de oito clientes. Os resultados encontrados indicaram uma baixa frequência de Orientação nas sessões desses terapeutas. Tais resultados foram substancialmente diferentes do encontrado no

resultados foram substancialmente diferentes do encontrado no capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões! 81

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

81

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

treino de categorização. Nesse treino foram utilizadas sessões de terapeutas iniciantes, e foi encontrada uma maior frequência de Orientação nas sessões dos terapeutas principiantes. A diferença poderia ser explicada pelas afirmações de Banaco (1993), Ferrari (1996) e Alvarez (1999), de que terapeutas experientes se encontram mais sob controle das contingências das sessões, enquanto terapeutas pouco experientes ficam mais sob controle de instruções e têm dificuldades em discriminar contingências da relação terapêutica durante as sessões. O uso de orientação por terapeutas pouco experientes poderia estar relacionado ao seguimento de regras sobre “como proceder em terapia” e à ansiedade em produzir mudanças rápidas. Já os terapeutas experientes podem ter tido uma história de punição por parte de seus clientes quando usaram orientação, ou pelo menos foram reforçados diferencialmente, ao utilizarem outras estratégias no sentido de que pode ser difícil ser empático e orientar ao mesmo tempo. Com base nessa comparação não planejada, Donadone (2004) conduziu uma replicação do estudo anterior em que o emprego de orientações foi comparado entre terapeutas comportamentais experientes e de pouca experiência. Foram analisadas 27 sessões de terapeutas experientes e 54 sessões de terapeutas pouco experientes, controlando-se a variável experiência (nove terapeutas, três dos quais experientes e seis pouco experientes) e parcialmente a variável formação (recrutou-se para cada um de três terapeutas pouco experientes outro que foi formado na mesma universidade com o mesmo supervisor), clientes (cada terapeuta gravava sessões com três diferentes clientes com queixas diversas), e flutuações intrassessões (cada terapeuta gravou três diferentes sessões consecutivas com três diferentes clientes a partir da 12.a sessão). Essa última decisão foi tomada considerando que haveria pequena probabilidade de ocorrerem orientações nas primeiras sessões. Os resultados encontrados sugeriram que as variáveis escolhidas (experiência, formação, clientes e flutuações intrassessões) não eram determinantes do comportamento de orientar. Assim como no estudo de 2002, os terapeutas variaram o número de falas e o número de falas com orientação por sessão com todos os clientes. A flutuação de falas dos terapeutas não pareceu ser controlada por diferenças entre clientes, já que houve variações entre sessões de um mesmo cliente para todos os terapeutas. Para todos os terapeutas, experientes e pouco experientes, foi baixa a proporção de falas com orientação, o que indicou não ser esta uma estratégia muito usada por terapeutas comportamentais. Quando os terapeutas usavam orientações, elas tendiam a ser específicas e poucas vezes genéricas. A prescrição de tarefas, tipo

82

e poucas vezes genéricas. A prescrição de tarefas, tipo 8 2 seção INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando

seção

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

de intervenção mais difundido sobre terapeutas comportamentais, não ocorreu nas sessões dos terapeutas experientes havendo baixa ocorrência nas sessões dos terapeutas pouco experientes. O resultado mais expressivo foi que os terapeutas comportamentais experientes tiveram uma média de orientação mais alta que os terapeutas pouco experientes (17,5% e 9,6%, respectivamente) e que também a variação entre as sessões foi maior (desvio padrão de 16% e 9,8%, respectivamente). Uma série de hipóteses sobre os possíveis determinantes da estratégia de orientação foram levantadas com base no estudo de Donadone (2004), considerando-se pertinente prosseguir na investigação das variáveis responsáveis por sua utilização. Resumindo e avaliando, uma análise descritiva do comportamento de orientar, baseada em critérios morfológicos, foi realizada no estudo de Meyer e Donadone (2002) e Donadone (2004 . Foi contado o número de palavras em falas com orientação nas sessões dos terapeutas experientes e pouco experientes. Segundo Skinner (1957), “a contagem de palavras e, muitas vezes, uma tentativa de desenvolver uma análise puramente formal da variável dependente isolada”. Apesar de ser útil saber que uma resposta de certa forma é frequentemente emitida, “é também importante saber as condições predominantes" (Skinner, 1957). Para Skinner (19~4 1982), faz mais sentido estudar as variáveis externas das quais os comportamentos são função e que dão origem à análise funcional.

“Tentamos prever e controlar o comportamento de um organismo individual. Esta e nossa variável dependente’ - o efeito para o qual procuramos a causa. Nossas Variáveis independentes’ - as causas do comportamento - são as condições externas das quais o comportamento é função. Relações entre as duas - as relações de causas e efeito’ no comportamento - são as leis de uma ciência.” (Skinner, 1974/1982, p. 38)

Como na pesquisa apresentada, a ênfase dada foi na identificação das contingências e não na manipulação e experimentação das variáveis, o termo utilizado foi análise de contingências ao inves de análise funcional. Essa diferenciação (entre análise funcional e análise de contingências) foi proposta inicialmente por Bori (1974) e difundida por Matos (1997). Para Matos (1997), “o behaviorismo radical não trabalha propriamente com o comportamento, ele estuda e trabalha com contingências comportamentais, isto é, com o comportar-se dentro de contextos” (p. 46). Seria dessa afirmação de Matos

dentro de contextos” (p. 46). Seria dessa afirmação de Matos capítulo INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

capítulo

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

83

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

(1997) que teria surgido a proposição de que o analista do comportamento faria uma “análise das contingências” ou uma “análise de contingências”, e não uma “análise do comportamento” ou uma “análise experimental ou funcional do comportamento Levando em consideração as afirmações de Skinner (1957), o estudo apresentado passou a considerar, além da resposta de orientação, o contexto de emissão das respostas. A inclusão do contexto possibilita que se observe a ocasião em que a resposta ocorre (antecedente), a própria resposta (orientação) e o consequente. Tal inclusão do contexto na análise baseia-se nas afirmações de Skinner de que comportamentos não acontecem no vácuo e que seu entendimento se dá pela identificação dos antecedentes e consequentes das respostas sob análise. De forma similar à análise apresentada por Skinner, Hill (2001), Russel e Trull (1986) e Stiles (1999) argumentaram que a medida apropriada para o estudo de processo deveria registrar tanto a ocorrência da resposta quanto informações das microssituações em que ocorrem processos interpessoais relevantes. A simples medida de frequência de uma determinada habilidade do terapeuta não permite avaliar a sua qualidade ou efetividade, bem como o momento ou o contexto em que ela seria mais apropriada (Hill, 2001; Stiles, 1999). Algumas pesquisas realizadas na área de categorização do conteúdo do processo terapêutico sugerem que a compreensão do contexto - ou seja, informações sobre o caso ao qual correspondem às sessões a serem categorizadas - parece ser uma das variáveis de controle importantes para o sucesso de tais estudos (Batista, 2006; Canaan, 2002; Chequer, 2002; Oliveira-Silva & Tourinho, 2006). Concluiu-se que, para entender os determinantes da interação terapeuta/cliente, essa deveria ser analisada a cada momento da ocorrência de um evento sob análise, por meio da análise das contingências envolvidas em cada unidade de interação. Na pesquisa apresentada, os comportamentos subsequentes à orientação foram considerados como sua consequência, já que normalmente a consequência mantenedora do comportamento é o estímulo que vem logo após a resposta, porém não há como verificar se realmente o estímulo subsequente é a consequência mantenedora da orientação. Para conduzir a análise de contingências envolvidas na orientação, o SiMCCIT (Zamignani, 2007) foi o instrumento usado para a análise de alguns dos termos da contingência. Os dados apresentados são os obtidos com o sistema apresentado neste livro.

84

seção

2

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

INDEX BOOKS GROUPS: Perpetuando impressões!

TEMAS DAS ORIENTAÇÕES

É por meio da análise de categorias temáticas que perguntas de pesquisas, tais como caracterização do processo terapêutico, avaliação dos resultados do processo terapêutico e avaliação da atuação do terapeuta, são respondidas. Um dos objetivos da pesquisa foi verificar se um dos prováveis determinantes do orientar seria o tema sobre o qual estava se lidando em terapia. Foram anotados os diferentes temas discutidos ao longo das sessões, indicando-se aqueles em que ocorria emissão de orientação. Para analisar os temas discutidos na sessão, utilizou-se uma adaptação do modelo de grupos temáticos da tese de Zamignani (2007). Cinco grandes grupos temáticos foram utilizados: 1.

Relacionamento Interpessoal (1.1 Relacionamentos com cóntuge

i.2 Relacionamentos com filhos/ enteados; 1.3 R