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. Linpa HurcHeon TEORIA E POLITICA DA IRONIA TRADUGAO DE Junio Jena Belo Horizonte Editora UFMG 2000 First published 1994 by Roudedge Copyright © 1995, by Linda Hutcheon Theulo original: Trony’s Edge - the Theory and Politics of Irony Copyright © 2000 da tradugio brasileira by Editora UEMG Este livro ou parte dele nao pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorizagio escrita do Editor Hutcheon, Linda H973t Teoria e politica da ironia/ Linda Hutcheon; tradugio de Julio Jeha - Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. 359p. - (Humanit Traducio de: politics of irony rony’s edge: the theory and Lfronia I. Jeha, Julio 11. Titulo ULSérie CDD:801.95 CDU:82.09 Catalogagiio na publicagio: Di Divulgagio da Biblioteca Universita: ISBN: 85-7041-188-X EDITORACAO DE TEXTO ‘Ana Maria de Moraes REVISAO DE TEXTO E NORMALIZACAO Olga M. A. Sousa PROJETO GRAFICO Gloria Campos (fang) CAPA E FORMATACAO anon Moure REVISAO DE PROVAS Alexandre Vasconcelos de Melo Claudia Cristina Pereira PRODUGAO GRAFICA Jonas Rodrigues Frdi Marcelo Belico EDITORA UFMG Av. AntOnio Carlos, 6627 ~ Biblioteca Central — Campus Pampulh 405 = 31270-901 — Belo Horonte/MG Tel (31) 499-4650 ~ Fax: G1) 499-4768 E-mail: Editora@bu.ufing.br worw.c ra.ufmg.br UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Reitor: Francisco César dle Si Barreto Vice-Reitora: Ana Liicia Almeida Gazzola CONSELHO EDITORIAL TITULARES Helolsa Maria Murge! Starling, Lulz. Ouivio Fagundes Amaral, Marla Helena Damascena ¢ Silva Megale, Romeu Carcloso Guimacdes, Silvana Maria Leal ‘Céser, Wander Melo Miranda (Presidente) SUPLENTES Cristiano Machado Gontijo, Maria das Gragas Santa Birbara, Maurilto Nunes Vieira, Newton Bignotto de Souza, Reinalclo Martiniano Marques A GR A DEC lM EN TO S Este trabalho é dedicado aos membros do WIPE (Work in Progress in English), um grupo de colegas juniores e seniores da Universidade de Toronto que leram grande parte deste manuscrito nos tltimos anos, Suas sugestdes proveitosas, suas criticas devastadoras e seu entusiasmo e apoio generalizados foram igualmente importantes para tornar este trabalho possivel na presente forma. Numa 4rea em que hd tantos trabalhos tao bons, é dificil saber onde comegar a reconhecer minhas dividas intelectuais. Enquanto os trabalhos de muitos criticos foram cruciais para © meu pensamento (e as referéncias textuais a eles comprovam seu ntimero e impacto), alguns nomes se destacam: Wayne Booth, Ross Chambers, Joseph Dane, Peter Hagen, D. C. Muecke, Allan J. Ryan, Alan Wilde, ¢ Hayden White. Alguns deles leram partes deste trabalho de maneira critica e generosa, mas minha divida para com eles é mais geral e profunda. Para Sharon Butler e Alain Goldschlager, as primeiras pessoas com quem discuti alguns dos problemas da ironia, vio meus agradecimentos por terem me estimulado a me iniciar nesse tépico h4 mais de uma década. Minha gratidao, por me ajudarem a resolver algumas das questées mais espinhosas, vai para os estudantes e colegas professores que participaram do meu seminirio sobre ironia na University of York, em 1988- 1989, e do curso que dei no International Summer Institute for Structural and Semiotic Studies, em 1990, e para os alunos de pds-graduagao que tomaram parte nos semindrios do Centre for Comparative Literature da University of Toronto, em 1989- 1990 € 1993-1994. Para os departamentos das universidades e€ para os organizadores de congressos que, nos tiltimos anos, me deixaram testar algumas destas idéias com uma platéia vai minha gratidao por sua indulgéncia e por tornarem possivel interagSes importantes que freqiientemente mudaram por completo o rumo do meu raciocinio. Um agradecimento especial vai para aqueles colegas e alunos da University of Puerto Rico e da University of Victoria com quem tive a sorte de passar periodos de tempo mais extensos. E, sem o conhe- cimento bibliografico e técnico de Christine Roulston, Russell Kilbourn e Catherine Lundie, teria sido impossfvel, literal e fisicamente, fazer este livro. Muitos amigos, alunos e colegas (além daqueles do WIPE) leram partes deste livro ou forneceram exemplos ou referéncias que foram bastante Gteis. Tentei incorporar suas criticas e sugestOes ao maximo. Agradecimentos calorosos vao para Susan Bennett, Victor Burgin, Bill Callaghan, Mark Cheetham, David Clarkson, Melba Cuddy-Keane, Chandler Davis, Christopher Douglas, Heather Dubrow, Rebecca Duclos, Len Findley, Mark Fortier, Ken Frieden, Susan Gingell, Carol Greenhouse, Marjorie Halpin, Adrienne Hood, Anne Lancashire, Michael Levin, Jill Levinson, Beauvais Lyons, Katie Lynes, Tim McCracken, Eva Mackey, Robert Martin, Peter Narvaez, Shirley Neuman, Kristin Roodenburg, Margeret Sinex, Joey Skaggs, Bob Wallace, Richard A. Watson — e para quem mais eu tenha omitido por descuido. A culpa total por quaisquer erros ou deslizes de qualquer tipo no texto, é claro, é s6 minha. Tenho uma divida especial para com meu marido, Michael Hutcheon, cujo “senso de ironia” muito especial € provavelmente a razao pela qual tive de descobrir como a ironia trabalha: a teoria como autodefesa. Mas nossos projetos de pesquisa em colaboragao e os interesses comuns também forneceram a “comunidade discursiva” perfeita para testarmos nossas idéias e explorarmos as possiveis atribuigées da ironia. Na Routledge, devo agradecer Janice Price por seu encora- jamento, sua fé e sua amizade; Talia Rodgers pelo entusiasmo, pelo conhecimento, pela paciéncia inesgotivel e¢ pelo bom humor que me mantiveram e a este livro indo em frente; Tricia Dever por sua assisténcia e eficiéncia generosas; Bill Germano por conversas sobre 6peras € livros, assim como por conselhos valiosos. Nestes tempos de recess’o econédmica que colocam as universidades e seus professores sob uma pressio cada vez maior, € o tempo livre tornado possivel pela generosidade dos érgaos de financiamento que torna a pesquisa pelo menos possivel para muitos de nds. Por causa disso, minha sincera gratidao vai para a Fundac&o Connaught da University of Toronto e para a Fundagao John Simon Guggenheim Memorial. Pouca coisa deste livro foi publicada sob qualquer forma; algumas das idéias gerais e parte da discussa’o do trabalho de Anselm Kiefer apareceram como “E. J. Pratt Memorial Lecture”, publicado pela Memorial University de Newfoundiand; uma versio inicial do que se tornaria, numa forma diferente, na secio Il do Capitulo II, apareceu como “The Complex Functions of Irony” na Revista Canadiense de Estudios Hispd- micos, v.16, n.2, p.219-234, 1992. Uma discusséo sobre a exposigao “Pelo Coracio da Africa”, que est4 no Capitulo VII, foi apresentada, mais longa e com um enfoque diferente, como “1993 Routledge Lecture” e apareceu em Textual Practice (Primavera de 1994). INTRODUGAO [esrtuno t po a \ i CAPITULO 4 pe 4 “CAPITULO IT 5 A CapiTULO Iv CAPITULO V CAPITULO. VI LISTA DE FIGURAS A“CENA" DA IRONIA [Pes yey NEGOCIO ARRISCADO A POLETICA “TRANSIDEOLOGICA” DA IRONIA AS ARESTAS CORTANTES Emogdes ¢ ética 4 flor da pele A “marca do demdnio" ov o “respiradouro da sanidade"?: as fungdes € 08 efeitos contraditérios da ironia A MODELAGEM DO SIGNIFICADO A SEMANTICA DA IRONIA Imagens @ caminbo de uma definig3o © teatro vai ao cinema: Henry V COMUNIDADES DISCURSIVAS COMO A IRONIA “ACONTECE” © milagre da comunicagao irénica Provocagio € controvérsia: 0 trabalho de Anselm Kiefer INTENGAO E INTERPRETACAO ‘A IRONIA E O OLHO DE QUEM VE © insuportivel deslizamento da ironia Ecos de Eco ¢ vicissitudes de Wagner OS ENQUADRAMENTOS & SUAS MARCAS © RECONHECIMENTO OU A ATRIBUICAQ, DA IRONIA Q(5) sinalfais) da besta — em contexto nH 25 63 63 133 133 150 169 169 180 203 203 Malandros e enfants tervibles: desempenhando ironias O(S) FIMQNS) DA IRONIA A POLITICA DA APROPRIABILIDADE NOTAS BIBLIOGRAFIA INDICE ONOMASTICO INDICE DE ASSUNTO 227 249 287 293 343 353 ql at 31 4. 42 61 62 63 64 65 71 7.2 73 “Sem titulo", de Victor Burgin As fungdes da ironia "Coelho ou pato?” “Notung”, de Anselm Kiefer “Innenraum’, de Anselm Kiefer "Vaso com bico invertido", de Beauvais Lyons Litografia, de Beauvais Lyons Fotografia do templo de Immudab e selo, de Beauvais Lyons "Reconstrugio de um templo aazudiano”, de Beauvais Lyons “Afresco em relevo aazudiano", de Beauvais Lyons "Pela coroa € pelo império", exposicao do Museu Real de Ontario *O encontro de lorde Beresford com um zulu", exposigio do Museu Real de Ontario Selo canadense © paine! explicativo, exposicao do Museu Real de Ontario R A 42 76 92 160 163 239 244 245 246 247 266 267 286 O ir6nico é uma vampira que sugou o sangue de seu amante e © abanou com frescor, o embalou até dormir e 0 atormenta com sonhos turbulentos. Soren Kierkegaard, The Concept of Irony Leespéce de gens 4 qui lironie est antipathique éclaire aussi sa nature. Ce sont les femmes et le peuple. Le peuple ne comprend pas l'ironie; la femme non plus. Le peuple voit sous Mironie un orgueil de l'intelligence, une insulte 4 Caliban. Quant 4 la femme, elle est peuple par son incompréhension et par son mépris de I'intelligence... La femme est surtout une physiologie et une sensibilité, non un cerveau. Lironie, attitude de cérébral en qui s'affirme le primat de l'intelligence sur le sentiment, lui est suspecte et antipathique. La femme est et reste un étre passionné dans sa chair et dans ses nerfs. Georges Palante, *L'ironie: étude psychologiqu mulheres, criangas ¢ revoluciondrios detestam a ironia, que € a negacao de todos os instintos redentores, de toda fé, de toda devogio, de todas as agdes. Sophia Antonovna, em Under Western Eyes, de Joseph Conrad NAO Wayne's World A *CENAT DA IRONIA Com 1.445 verbetes listados sob “ironia” na MLA Bibliography de uma Unica década, por que o mundo precisaria de um outro livro sobre ironia? E essa listagem conta apenas uma parte da historia — a parte literdria: esse topico tem sido abordado por especialistas em 4reas tao diversas quanto lingijistica e ciéncias politicas, sociologia e hist6ria, estética e religiao, filosofia e retérica, psicologia e antropologia. A ironia tem sido sempre localizada ¢ estudada em literatura, artes visuais, musica, danga, teatro, exposigdes de museu, conversas e argumentacio filoséfica, e essa lista pode crescer muito mais. Mesmo concordando que a maioria desses 1.445 verbetes sao de artigos sobre “ironia em ...” algum texto ou obra de algum artista,fa quantidade de energia gasta ao se tentar compreender como e por que as pessoas escolhem se expressar dessa maneira bizarra continua a me espantar. Parece haver uma fascinagio com a ironia — que eu obvia- mente também sinto — quer ela seja considerada um tropo ret6rico, quer um modo de ver o mundo} Meu interesse particular come¢gou quando percebi que a ironia parece ter se tornado um modo de expressao proble- mAtico no fim do século vinte. Ela nunca esteve livre de problemas, é claro, mas ultimamente os diferentes meios de comunica¢4o parecem estar relatando um ntimero crescente de casos de ironia dando errado, com conseqiiéncias mais ou menos desastrosas. Aparecem artigos em revistas explo- tando a prevaléncia da ironia (a capa do nimero de marco de 1989 da Spy trazia Chevy Chase como “Aquele cara ir6nico” ea tinlo “Nao 6 irdnico?”) Ou, entio, eles lamentam os rumores de que ela tenha caido de moda (a primeira pagina da Esquire de setembro de 1991 nos dizia: “Esqueca a ironia -— Tenha uma boa década!”). E, certamente, se pudermos acreditar na cobertura dos jornais e das televisdes, hoje, as conseqiiéncias ptiblicas da m4 compreensag parecem muito mais sérias, ou pelo menos mais visiveis.JAssim, foi isso — sua politica perceptivel — que determinou minha “abordagem” particular da ironia e forneceu o foco para minha tentativa de teorizar as dimensées sociais e formais da ironia.gMeu prop6sito foi me basear no vasto trabalho feito por outros (ou melhor, naquela parte que eu consegui ler na ultima década), usando um modelo de conhecimento mais de cola- boragao que de oposi¢ao. O resultado € que vocé nao achara aqui nenhuma refutagio detalhada de qualquer outra teoria ou outro teérico: existem muitos outros livros e artigos disponiveis que fazem isso tanto com rigor quanto com vontade. Em vez disso, esta andlise incorpora o uabalho de outros e se baseia nele, focalizando os assuntos, nao as perso- nalidades. Ela é muito “referenciada”, no sentido de fornecer muitas referéncias sobre o trabalho no qual se baseou, de maneira que quem quiser explorar 0 contexto de um argumento em particular com maiores detalhes possa fazé-lo. © que este livro tenta fazer — com muita ajuda de muitos_ outros — é entender como e por que_a ironia acontece (ou, nfo), com um interesse particular nas conseqiiéncias de se interpretar um texto (em qualquer meio) como “irénico”. Por que alguém iria querer usar essa estranha forma de discurso onde vocé diz algo que vocé, na verdade, nao quer dizer e espera que as pessoas entendam nio s6 0 que vocé quer dizer de verdade, como também sua atitude com relagao a isso? Como vocé decide que uma élocugao é irdnica? Em outras palavras, o que o leva a decidir que o que vocé ouviu (ou viu) nao faz sentido por si s6, mas requer uma suplementagio com um sentido (e um julgamento) diferente, inferido, que, entao, o levaria a chama-lo de “ironia”? Diferentemente da metéfora e da alegoria, que necessitam de uma supiement. Go similar de sentido, a ironia possui uma aresta avaliaddra e consegue prayocar respostas emocionais dos que a “pegam” € dos que a nao pegam, assim como dos seus alvos € daqueles | que algumas pessoas chamam de suas “vitimas”. E aqui que a politica da ironia fica quente. Aquela dimensao afetiva da asesta da ironia € o ponto de partida deste estudo; ela é tambéin _ seu limite (deliberado). ‘ Por causa da grande quantidade de trabalhos jé feitos sobre © tdpico geral da ironia, escolhi examinar 0 que pode se chamar a “cena” da ironia, isto é, traté-la nao como um tropo isolado a ser analisado por meios formalistas, mas como um t6pico politico, no sentido mais amplo da palavra. A “cena” da ironia envolve relagdes de poder baseadas em relagdes de comunicac’o. Inevitavelmente, ela envolve tépicos sensiveis ‘tais como exclusao e incluso, intervengao e evasao. Por causa de treinamento e temperamento, sem divida, eu evitei focalizar a ironia como um meio de obter qualquer tipo de “verdade”, liberdade ou uma hoste de outros seres inefaveis que ela tem reclamado para si no correr dos séculos. Em outras palavras, eu nao penso que a ironia foi uma forga com enorme signifi- cado no desenvolvimento da civilizagdo ou qualquer outra coisa tao grandiosa. Mas parece mesmo que ela existe ha muito tempo, pelo menos na cultura ocidental, e, com certeza, tem sido 0 objeto de muita atencao. Muitos autores escreveram sobre como se alterou a maneira de ver a ironia como um tropo ret6rico classico limitado para traté-la como um conceito de vida." O foco deste estudo, entio, no sera a ironia socraticd? ou ironia romantica.? Como vocé pode ver pelas notas, muitos outros ja trataram desses aspectos. Este livro tampouco vai focalizar a heranca plural daquele conceito influente que o romantismo tinha de que a ironia _era a percepsao € a transcendéncia do paradoxo epistemol gico, ético ou experiencial de aparéncia vs. realidade.que se encontra — através da mediagao de figuras como Kierkegaard, Schopenhauer e Nietzsche — em lugares tao diversos como a teoria marxista* e a estética da desconstrugio,® para nao falar no new criticism americano.® O que me parece serem pretensGes exageradas do passado e do presente quanto ao poder da ironia romantica (em termos de liberdade, prazer, satde psiquica, estimulo intelectual e assim por diante) serao tratadas quando forem relevantes para a discussio da politica da ironia; o mesmo se dar4 com as afirmagdes de que a ironia é a caracteristica que define a cultura ou a sociedade,” a arte® ou a critica modernas.? +_ Em suma, este estudo nao trata a ironia como uma chave da, poética, um paradigma da critica, um modo de consciéncia ou -existéncia que levanta questées sobre o eye a natureza do_ conhecimento, um ponto. fi ico on universo, um principio que informa a_personalidade ou um modo de vida” Seu objetivo ¢ seu foco sao muito mais modestos: tentar entender como e€ por que a ironia € usada.c- ee entendida c como uma. _pratica-ou estratégia. di discursiva €comecar a estudar a5 conseqiiéncias tanto de sua de seu malogro.’Minha abordagem, assim, no sera taxo- némica. Tentei “resistir a lista” 0 maximo que pude, mas este é um campo de pesquisa que gerou 0 que um critico chamou, com grande acerto, de uma “indiistria caseira de taxonomia”." *Minha preocupagao aqui é simplesmente com ironias verbais € estruturais e nao com ironia de situacao, ironia’ césmica, ironia do destino etc. Essa € outra razdo pela qual o foco filos6fico que tem sido téo importante para as discussdes da ironia desde 0 periodo romAntico até o atual “ironismo” neopragmatico de Richard Rorty nio é necessariamente 9 meu. Este estudo tampouco esté organizado ao longo de linhas hist6ricas, em parte porque j4 existem muitos estudos hist6- ricos de boa qualidade,” e em parte porque, como vocé verd, a maneira particular que escolhi para examinar os problemas da ironia requer que eu trabalhe a partir do presente, a partir do meu préprio ato de interpretar — de atribuir — a ironia e me mova para fora, a partir dali, para tentar entender como’e. _por que a ironia acontece. Embora meus exemplos tenham sido tirados da minha experiéncia recente, minha esperanga € que o pessoal e o contemporaneo fornecam a base para teorizar a ironia como sendo uma estratégia discursiva de maneira a fazer sentido para outros além de mim mesma. © que este livro nao é, entretanto, é mais um livro sobre pés-modernismo (ver Hutcheon, 1988a, 1988b, 1989). (A bem da verdade, se vocés olharem no indice, vocés vero apenas essa referéncia Aquela palavra.) Ainda que os debates correntes sobre esse t6pico tenham provocado um interesse renovado inclusive o meu) sobre a ironia, os problemas encontrados ao tentar discernir o funcionamento e a politica da ironia vem de ha muito mais tempo. Limitar uma anilise da ironia a uma empreitada cultural seria desnecessariamente restritivo — e, como eu aprendi, uma maneira de se desviar do assunto. a ligho de varias formas “de arte do século vintezComé 0 titulo deste livro espera sugerir, isso € tanto uma continuagao quanto uma revisio daquele trabalho anterior. Nunca senti que tivesse compreendido, mesmo para minha propria satisfacio, \