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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 2ª REGIÃO

3ª Turma

PROCESSO TRT Nº 01203.2008.303.02.00-1


RECURSO ORDINÁRIO DA 03ª VT DE GUARUJÁ
RECORRENTE: COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO
RECORRIDOS: FABIANA LOPES PLAÇA DOS SANTOS

ADICIONAL POR ACÚMULO DE FUNÇÃO. Não


há previsão legal para a percepção de salário
superior pela existência de acúmulo de funções,
restando equivocada a pretensão da autora. Ainda,
somente se previsto em norma coletiva, poder-se-ia
proceder à análise da pretensão, pois aí existiria
fundamento normativo, o que não ocorre nos autos.

A r. sentença de fls. 68/70, cujo relatório adoto, julgou


procedentes em parte os pedidos formulados. Embargos de declaração foram
opostos às fls. 72/74 e decididos à fl. 75.
Recorre a reclamada, consoante razões de fls. 77/86,
alegando, preliminarmente, julgamento ultra petita e, no mérito, requerendo a
reforma do julgado quanto ao adicional por acúmulo de função.
Subscritor legitimado à fl. 87.
Preparo efetuado às fls. 88/90.
Contra-razões às fls. 93/94.
É o relatório.

VOTO

1. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Conheço do recurso, eis que atendidos os pressupostos de
admissibilidade.

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2. PRELIMINAR

- Do julgamento “ultra petita”


No entender da recorrente, houve julgamento ultra petita,
pois a r. sentença condenou a reclamada no salário em substituição e não no
acúmulo de função, haja vista que fundamentou sua decisão na Súmula nº 159, I,
do C. TST.
Sem razão.
A reclamante postulou o pagamento do adicional por
acúmulo de função e o Juízo de origem, deferiu o pedido fundamentando sua
decisão, conforme o artigo 93, IX, da CF.
Portanto, ao julgar lide, o r. Juízo “a quo” observou os
limites impostos pelas partes adversas, nos moldes previstos nos artigos 460 e
128 do CPC, não havendo que se falar em julgamento ultra petita.
Rejeito.

3. MÉRITO

- Do acúmulo de função
Pretende a recorrente a reforma da r. decisão de origem
alegando que a reclamante sempre laborou nas atividades para as quais foi
contratada, sendo indevido o pagamento do adicional por acúmulo de funções.
Razão assiste à recorrente.
Com efeito, não há previsão legal para a percepção de
salário superior pela existência de acúmulo de funções, restando equivocada a
pretensão da autora. Ainda, somente se previsto em norma coletiva, poder-se-ia
proceder à análise da pretensão, pois aí existiria fundamento normativo, o que
não ocorre nos autos.
Nem mesmo o art. 460, da CLT prevê o pagamento de
salários decorrentes de acúmulo de função. Cuida daquilo que a doutrina logrou
denominar de “equivalência”, ou seja, na hipótese de empregado exercer função
para a qual não se estipulou salário ou ausente prova do valor ajustado, este será
fixado em igualdade ao do empregado que na empresa fizer serviço equivalente
ou com base no que for habitualmente pago para serviços semelhante. Cite-se o
comentário da doutrina:

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3ª Turma

PROCESSO TRT/SP Nº 01203.2008.303.02.00-1


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“Não cuida aqui da equiparação


salarial, mas de garantir salário equivalente a outro colega de
emprego, quando a empresa não haja definido o salário do
obreiro. O salário mínimo será sempre garantido. Não se
perquirirá aqui de produtividade ou perfeição técnica”
(Oliveira, Francisco Antonio de, in Consolidação das Leis do
Trabalho Comentada, pág. 353, Ed. Revista dos Tribunais, 2ª
edição revista, atualizada e ampliada, São Paulo, 2000).

“A regra contida no artigo em


comentário é denominada de equivalência salarial. Para a
caracterização da equivalência salarial é mister que não haja
sido estipulado salário, nem exista prova sobre a importância
ajustada, ocasião em que o salário deva ser pago em razão do
serviço equivalente, ou do que for habitualmente pago por
serviço semelhante” (Martins, Sergio Pinto, in Comentários à
CLT, pág., 403/404, Ed. Atlas, 2ª edição, São Paulo, 1999).

Desnecessário, assim, análise de provas testemunhais


produzidas nos autos, pois carece de amparo legal a pretensão da reclamante.
Deste modo, dou provimento ao recurso da reclamada,
reformo a r. sentença para excluir da condenação o pagamento do adicional por
acúmulo de função e, consequentemente, julgar improcedentes os pedidos
formulados na exordial.

Do exposto,

ACORDAM os Magistrados da 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da


Segunda Região em: conhecer do recurso ordinário interposto pela reclamada.

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REJEITAR a preliminar de julgamento “ultra petita” e, no mérito, DAR
PROVIMENTO ao apelo, para reformar a r. sentença e excluir da condenação o
pagamento do adicional por acúmulo de função e, conseqüentemente, julgar
improcedentes os pedidos formulados na inicial, conforme a fundamentação do
voto da Relatora. Custas em reversão, pela reclamante, calculadas sobre o valor
atribuído à causa, no importe de R$ 388,29, das quais fica isenta de recolhimento,
eis que beneficiária da justiça gratuita (art. 790, § 3º, da CLT).

Des. MÉRCIA TOMAZINHO


RELATORA

eve

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