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2014 CURSO TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES Monografia do TCC Gabriela Araujo nº 9 Guilherme Silva nº
2014
CURSO TÉCNICO EM
EDIFICAÇÕES
Monografia do TCC
Gabriela Araujo nº 9
Guilherme Silva nº 11
Marcos Margaroto nº 17
Luciano Pedreira nº 14
Sebastião Firmino S.Sobrinho nº 23

ii

ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL CARLOS DE CAMPOS

TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES

Autores

Gabriela Araujo, Guilherme Silva, Marcos Margaroto, Luciano Pedreira, Sebastião

Firmino

Monografia de Projeto Arquitetônico apresentado ao curso de

Edificações da ETEC Carlos de Campos como parte dos requisitos para

Obtenção do titulo de Técnico em Edificações.

Orientador:Prof. Renato Andrade.

Curso Técnico em Edificações/ETEC-SP

SÃO PAULO, SP BRASIL MAIO DE 2014

Curso Técnico em Edificações/ETEC-SP

iii

Apresentada ao corpo docente do

Escola Técnica Estadual Carlos de Campos, São Paulo SP para obtenção do título de:

Curso Técnico em Edificações da

TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES

Por:

Gabriela Araújo, Guilherme Silva, Marcos Margaroto, Luciano Pedreira, Sebastião Firmino.

Orientador:

Co-orientador:

Avaliador:

Sebastião Firmino. Orientador: Co-orientador: Avaliador: Aprovada BANCA EXAMINADORA NOTA: Nome do orientador Nome da

Aprovada

BANCA EXAMINADORA

NOTA:

Co-orientador: Avaliador: Aprovada BANCA EXAMINADORA NOTA: Nome do orientador Nome da Instituição do orientador Nome

Nome do orientador Nome da Instituição do orientador

Nome do co-orientador Nome da Instituição do co-orientador

Nome do avaliador Nome da Instituição do avaliador

Aprovada com restrições

Nome da Instituição do avaliador Aprovada com restrições Reprovada Coordenador do Curso Técnico em Metrologia São

Reprovada

Coordenador do Curso Técnico em Metrologia

São Paulo,

de Maio de 2014.

SÃO PAULO BRASIL

iv

Agradecimentos

Agradecemos em primeiro lugar a Deus pela oportunidade de estarmos concluindo nosso curso, aos nossos familiares pelo apoio e incentivo aos professores da ETEC Carlos de Campos em especial ao Prof.Pedro , que nos mostrou o caminho e nos encorajou em todas as etapas desta caminhada, um exemplo a ser seguido por nós e a Prof(a) Dalva e ao Prof.Josevan que disponibilizaram o tempo da sua matéria para nos ajudar a concluir os trabalhos do TCC. Aos colegas de turma, pelo aprendizado, pela atenção, pelas sugestões e pela boa convivência.

Muito obrigado.

v

RESUMO

Este trabalho apresenta todas as pesquisas realizadas pelo grupo no primeiro e segundo semestre do curso e tem como objetivo apresentar uma reflexão e uma fonte de consulta sobre os temas propostos e sobre o desenvolvimento de um projeto de Condomínio

residencial na Zona Norte de São Paulo com 300 unidades habitacionais. Entre os temas propostos para pesquisa estão: a historia da habitação e da verticalização principalmente em São Paulo com um estudo de caso sobre o tema, a sustentabilidade na construção civil e

as classes sociais com suas preferências habitacionais, tipos de financiamento habitacional e um estudo de caso dos condomínios para a classe C.

O trabalho contempla também a pesquisa com um estudo sobre a Zona Norte de São Paulo

com ênfase na área do empreendimento Vila Maria e Vila Guilherme tendo como destaque uma pesquisa com dados quantitativos sobre a área e a legislação local da mesma. Concluímos os trabalhos de pesquisa com três estudos de caso sobre condomínios residenciais, um internacional e dois nacionais e com a descrição e justificativa das metodologias construtivas adotadas no projeto.

ABSTRACT

This work presents all the searches made by the group in the first and second half of the course and aims to present a reflection and a source of consultation on the proposed themes and the development of a residential condominium project in the northern zone of São Paulo with 300 housing units . Among the proposed topics for research are : the history of housing and vertical mainly in São Paulo with a case study on the topic , sustainability in construction and social classes with their housing preferences , types of housing finance and a study of case of condominiums for Class C The work also includes research with a study of the northern zone of São Paulo with an emphasis on the development and Vila Maria Vila Guilherme highlighted as having a survey of quantitative data on the area and the local law in the same area . Completed research papers with three case studies , one national and two international residential condominiums and a description and justification of the construction methods adopted in the design .

vi

Epígrafe

Construções

O

espaço da moradia é obtido através de regulamento.

A

casa é feita à base de pedras.

O

lar é formado pela educação.

A

subsistência é mantida com trabalho.

A

família é sustentada nos alicerces do respeito.

A

vida feliz é construída na consciência tranquila com

a bênção do amor.

vii

SUMÁRIO

RESUMO

05

PARTE I

HISTORIA DA HABITAÇÃO

08

Introdução

09

Do pré-histórico ao contemporâneo

09

Conclusão

11

Breve histórico do crescimento vertical na cidade de São Paulo

11

PARTE II

ESTUDO DE CASO SOBRE VERTICALIZAÇÃO

15

Os condomínios residenciais horizontais e as transformações na paisagem do Morro do Imperador em Juiz de Fora/MG Condomínios no Brasil Condomínios em Juiz de Fora/MG

Os condomínios em Juiz de Fora e as transformações na paisagem do Morro do

16

17

19

Imperador

21

Considerações Finais

25

PARTE III SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL(CONCEITO)

27

O conceito de sustentabilidade em empreendimentos da construção civil

28

Estudo de caso edifício sustentável-Edifício Eldorado Business Tower

30

PARTE IV

CLASSES SOCIAIS

.43

Classes sociais Conceito

44

Desigualdade social 44

Panorama descritivo da Economia Brasileira e Conceitos Básicos

Financiamento habitacional

47

46

PARTE V

ESTUDO DE CONDOMINIO CLASSE C

51

viii

PARTE VI

HISTORIA DA ZONA NORTE DE SÃO PAULO VILA MARIA

54

Histórico

55

PARTE VII

PESQUISA QUANTITATIVA E LEGISLAÇÃO ZONA NORTE VILA MARIA/VILA

GUILHERME

59

Pesquisa quantitativa Zona Norte de São Paulo 60 Legislação local 72

PARTE VIII

ESTUDO DE CASO - CONDOMINIOS

RESIDENCIAIS

73

1º Primeiro Estudo de caso-Projeto Box House - Brasilândia, Zona Norte da cidade de São Paulo

74

2º Segundo Estudo de caso Equipe brasileira ganha Prêmio Alacero

79

3º Terceiro Estudo de Caso Internacional: Eslovênia

83

PARTE IX

METODOLOGIA CONSTRUTIVA DO PROJETO DETALHES E JUSTIFICATIVAS

87

Fundações profundas hélice continua-conceito e justificativa

88

Superestrutura alvenaria convencional- conceito e vantagens

89

PARTE X

CONSIDERAÇÕES FINAIS

PARTE XI

92

BIBLIOGRAFIA

94

PARTE XII

ANEXOS

97

ix

PARTE I HISTORIA DA HABITAÇÃO

x

INTRODUÇÃO

Uma habitação serve, em termos mais programáticos, para providenciar abrigo contra a precipitação, vento, calor, e frio, além de servir de refúgio contra ataques de outros animais (ou de outros seres humanos).

Uma habitação é normalmente uma estrutura artific ial (ainda nos primórdios o ser humano tenha utilizado, para o mesmo efeito, formações naturais, como cavernas), constituída essencialmente por paredes, geralmente com fundações e uma cobertura que pode ser, ou não, um telhado.

Sendo assim, desde a Pré-História, passando pela Idade dos Metais, até os dias atuais, o ser humano desenvolveu técnicas para a construção de estruturas de habitação formando, desta forma, grupos familiares e pequenas aldeias a habitação rural e urbanização.

DO PRÉ-HISTORICO AO CONTEMPORANEO

No período Paleolítico (500.000 a.C. até cerca de 10.000 a.C.) os homens eram essencialmente nômades caçador-coletores, tendo que se deslocar constantemente em busca de alimentos.

Foi no período Paleolítico Inferior (500 mil a 150 mil a.C.) que surgiram às primeiras espécies de hominídeos, provavelmente na África. Nesta época a temperatura era muito baixa, obrigando os humanos e outros animais a viver em cavernas. A sociedade era comunal, já possuíam certa organização social e a família já tinh a importância no contexto da sociedade. Eram nômades e dominaram o fogo.

No Paleolítico Médio (150 mil a 40 mil a.C), definido pelo homem de Neandertal, surgem os primeiros sambaquis encontrados principalmente nas regiões litorâneas da América do Sul.

No Paleolítico Superior os humanos ainda habitavam em cavernas, devido ao resfriamento intenso do planeta e o norte da Europa ter ficado coberto de gelo como conseqüência da quarta glaciação.

xi

. O Mesolítico (12 mil a 10 mil a.C), caracterizado pelo recuo das geleiras do hemisfério Norte onde, portanto, novos habitats foram oferecidos ao homem, com a flora e a fauna enriquecidas de novas espécies. Desenvolveram a pesca, na qual favoreceu um inicio de aglomerações permanentes (sedentarismos) nas localidades ao longo do litoral, onde também se instalaram. A necessidade de um abrigo nessas regiões gerou a palafita, habitação sobre estacas construída sobre lagos.

O Neolítico inicia em torno de 10 mil a.C e prolonga até a Idade dos Metais, é caracterizada pela coleta sistemática de vegetais e domesticação de animais e, portanto, de formação de aldeias sedentárias (aglomerados humanos) que mais tarde se transformaram em vilas e cidades (urbanização). As habitações co nstruídas com tijolos crus eram redondas, ovais e posteriormente retangulares.

A descoberta da Metalurgia na Europa e no Oriente há 3.000 a.C (Idade dos Metais) ofereceu importantes vantagens estratégicas como armas mais cortante com a capacidade de talhar pedras grandes para construção.

Na Idade Média a habitação e o local de trabalho se confundiam, convivendo não apenas pessoas com laços de parentesco, mas subordinados ao Mestre artesão proprietário dos meios de produção, moravam sua família, seus empregados assalariados e seus aprendizes, todos sob o mesmo teto, ás vezes num único cômodo.

Ao longo do século XVIII, a partir do processo de industrialização, o cenário da habitação foi sendo modificado gradativamente. A casa da sociedade industrial não abriga mais o trabalho, apenas pessoas ligadas umas as outras por estreitos laços de parentesco, consolidando a família nuclear como modelo familiar moderno.

Depois da Segunda Guerra Mundial, com a cultura norte-americana se tornando referencia de sociedade moderna, a habitação se tornou bem de consumo. A partir de então a casa setorizada por funções específicas (social, intima e de serviços) passou a ser modelo de moradia para a classe média. Já para população pobre não havia cômodos setorizados nem privacidade em espaços pequenos. Os que não tinham condições de morar próximo de seus trabalhos devido a especulação imobiliária, surgida depois de processos de renovações urbanas, acabavam adensando em favelas e periferias.

xii

CONCLUSÃO

As habitações foram evoluídas muito com o passar dos tempos.

Em primeiro lugar o homem começou por se abrigar em abrigos naturais como cavernas e

abrigos.

Os abrigos naturais tinham vários inconvenientes porque eram fixos e por vezes mal

situados, como o homem andava sempre a movimentar-se para a caça acabaram por fazer

abrigos artificiais com madeira, ramos de árvores, todo o tipo de materiais que tinham

disponíveis na altura.

Com o evoluir dos tempos o homem começou a fazer as casas com os materiais

disponíveis, as técnicas de construção dominadas por certos grupos e a sua realização de

planejamento e arquitetura era função das atividades econômicas, do gê nero de vida e dos

padrões culturais.

Habitação rural é muito influenciada em função do meio geográfico em que se encontra

porque os habitantes têm um contato dire to com a natureza e também por serem grupos

menores e serem menos equipados tecnicamente e mais ligados á tradição.

As mais simples utilizavam materiais vegetais praticamente sem elaboração, são

construídas basicamente por troncos e ramos de arvores entrelaçados e amarrados por fios,

forrados ou não com barro, esteiras ou folhas, a cobertura é feita de palha, folhas ou nas

zonas mais evoluídas eram em telha.

Com o evoluir dos tempos e a necessidade de mais construção, a falta de espaço

principalmente nos grandes centros urbanos começou-se a utilizar outros tipos de matéria

já industrializados como o tijolo, cimento, ferro, alumínio etc. tudo isto adaptado a novas

técnicas de construção, tendo em conta a sua localização geográfica e climática.

Em muitos locais deixaram de haver casas e passaram a haver os conhecidos arranha-céus,

porque a falta de espaço para construção começa a ser escassos.

BREVE HISTÓRICO DO CRESCIMENTO VERTICAL NA CIDADE DE SÃO PAULO

Do livro: São Paulo: Crise e Mudança - Ed. Brasiliense e Prefeitura Municipal de São Paulo

( Gestão Luiza Erundina - ano 1991 - pág. 110 e 111)

xiii

São Paulo é amplamente conhecida por seus arranha-céus e congestionamentos viários. No entanto, quando analisamos sua forma de ocupação, constatamos que, em relação a outras metrópoles, a cidade é vertical e não efetivamente densa. Os seus congestionamentos podem ser explicados pela histórica prioridade ao transporte individual, o que resulta numa ocupação irracional do território, com as conhecidas influências sobre o transporte público.

A ação municipal, através da legislação urbanística, vem atuando no processo de verticalização no sentido de limitar os coeficientes de aproveitamento permitidos. A justificativa sempre se fundamentou na necessidade de controle das densidades, isto para evitar, de um lado, os problemas advindos da saturação do sistema viário e da infraestrutura, e, de outro, para estabelecer um mecanismo de controle dos valores fundiários.

Há que se dizer, no entanto, que o estabelecimento de coeficientes não determina necessariamente a densidade demográfica: o coeficiente de aproveitamento determina a densidade construída, mas a demográfica será muito influenciada pelos padrões de urbanização e pe la própria renda média da população que habita determinada área. Por outro lado, é preciso também enfatizar que os preços da terra urbana em São Paulo variam muito mais em função da conjuntura econômica do que através de mecanismos e instrumentos propostos pelo Poder Público.

Do ponto de vista histórico, o processo de verticalização de São Paulo teve início por volta de 1910. Assumindo maior intensidade na década seguinte. Seu surgimento esteve estreitamente vinculado, a exemplo de outras grandes metrópoles, tanto às novas necessidades da divisão técnica do trabalho, como à otimização dos terrenos urbanos situados nas áreas centrais, já supervalorizados em relação ao resto da cidade. O início da verticalização é constituído de edifícios de escritórios localizados no Centro de São Paulo.

Essa tendência se transforma a partir dos anos 40, quando a verticalização assume um caráter residencial e passa a ocupar os bairros próximos ao Centro, expandindo-se ao Sudoeste, onde se localizaram os principais investimentos públicos em sistema viário, com a concretização do Plano de Avenidas de Prestes Maia. A legislação de condomínio criada em 1928, ao tornar possível a divisão e, portanto, a venda dos edifícios e terrenos em frações ideais de copropriedade, contribui certamente para acelerar esta modalidade de edificação.

Até a Segunda Grande Guerra, era um fenômeno tipicamente central e predominantemente terciário: 70% dos edifícios estavam localizados nesta área e 65% eram de uso comercial. Até então, construir para aluguel representava opção segura de investimento, e a grande maioria dos imóveis era construída para este fim. A legislação do inquilinato de 1942, ao congelar os aluguéis num período de inflação alta para a época, desestimulou acentuadamente esta modalidade de empreendimento, gerando a primeira grande crise da história da habitação no Brasil.

Até 1957, quando a Lei 5261 limita pela primeira vez os coeficientes de aproveitamento em seis vezes a área do terreno para uso comercial e quatro para residencial, a verticalização assumia as mais variadas formas. A média dos coeficientes de

xiv

aproveitamento variava entre 8 a 10 vezes a área do terreno, mas, em certos casos, chegava até a 22 vezes, como no caso do Edifício Martinelli, que por muito tempo foi o maior edifício da América Latina.

Dos edifícios construídos entre 1940 e 1957, 71% estavam ainda localizados em torno da área central, mas apenas 25% foram destinados ao comércio. Quanto á condição de propriedade, cerca de metade das unidades era de aluguel, enquanto , no período anterior, 79% tinham esta finalidade.

É interessante notar que até 1957 a legislação urbanística se referia apenas ao controle da

altura dos edifícios, apesar de ter como discurso o controle da verticalização. O estabelecimento de alturas máximas permitidas, se avaliado corretamente, estimulava

muito mais do que restringia o crescimento vertical. Por exemplo, fora da zona central ela era de 80 metros, ou seja, 25 andares, o que para a época não representava restrição efetiva, uma vez que até hoje existem poucos edifícios em São Paulo com essas dimensões. Como

já mencionado, a restrição aparece em 1957, com coeficientes de aproveitamento máximo

6 e 4. Os promotores imobiliários, num primeiro momento, opuseram-se ao projeto, mas seguiram a recomendação de aprovar imóveis residenciais como comerciais e, desse modo,

o coeficiente de aproveitamento máximo real passou a ser 6. O projeto de lei estabeleceu

também uma densidade demográfica máxima de 600 habitantes por hectare, através da fixação de uma cota mínima de 35 m² de terreno por unidade.

A conjunção desses dois fatores redundou na construção de grandes apartamentos. Como a

área mínima de apartamento passou a ser 210 m², o acesso a este tipo de propriedade limitou-se a um segmento extremamente restrito, pois os segmentos mais pobres foram, a partir desta época, definitivamente excluídos do mercado de apartamento. O autor da lei, Anhaia Mello, alardeava que o objetivo era remediar os males provenientes dos edifícios verticais. Dentre esses males, o legislador destacava o crescimento desordenado da cidade de São Paulo e a especulação imobiliária. Além disso, a lei buscava resolver o congestionamento provocado pelo crescimento vertical e, fundamentalmente, proteger a família dos "pardieiros" (sic) que proliferam na cidade, discurso, aliás, nada novo, pois desde o final do século passado ele já está presente na visão elitista dos burocratas da cidade.

Após a promulgação desta lei, com a exigência da cota mínima, as quitinetes, típicos da década de 50 em São Paulo, deixaram de ser construídos. Outra consequência da limitação do coeficiente de aproveitamento em 6 foi a expansão da área verticalizada, predominantemente em direção do Setor Sudoeste. A expansão se deve ao fato de que, com

a limitação da possibilidade de construir, uma base fundiária maior passou a ser necessária.

Outra correlação sugestiva: a indústria automobilística se instala em 1956 em São Paulo. A decisão de suspender a construção do metrô, anunciada pelo então prefeito Adhemar de Barros, juntamente com a promulgação da Lei 5261/57 e a expansão da verticalização, voltada especificamente para os segmentos de mais alta renda, imprimiram, sem dúvida, novo impulso ao mercado nascente da indústria automobilística.

A criação do BNH em 1967 transforma estruturalmente a construção de edifícios, na

medida em que financiava a produção e a compra de apartamentos. É sobejamente conhecido que o BNH, criado inicialmente para abastecer o mercado de habitação popular,

xv

voltou-se para mercados de renda alta, capazes de dar maior garantia de retorno ao investimento. Até 1969, 41% das unidades financiadas destinavam-se a um mercado popular (conjuntos Cohab - 3 a 5 salários mínimos), 29% ao econômico (7 a 10 salários mínimos) e 30% ao médio. Entretanto, à medida que se ampliava o fenômeno da insolvência e, de modo particular, se alterava o modelo de acumulação econômica caracterizada pelo assim chamado milagre brasileiro, o objetivo inicial se modifica, pois, entre 1970 e 1974, 63% das unidades financiadas destina vam-se ao mercado médio, 25% ao econômico e apenas 12% ao popular.

Com a lei de zoneamento de 1972, nova limitação dos coeficientes de aproveitamento se concretiza desta vez de forma diferenciada na trama urbana. Em 4% da área de São Paulo, nas zonas estritamente residenciais, o coeficiente máximo é 1; em 86%, o coeficiente máximo é igual a 2; e em apenas 10% da cidade atinge quatro vezes a área. A legislação de 1972 decorre dos preceitos estabelecidos pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do ano anterior, que propunha extensa malha de vias expressas. Em decorrência da histórica penúria dos recursos públicos, essas vias não foram construídas. Ou seja: a lei de zoneamento foi desenhada com base nessa malha viária inexistente.

Mas essa não é a única crítica que pode ser feita à lei de zoneamento. Sob o aspecto do meio ambiente, a legislação de uso e ocupação do solo, por estar calcada no sistema de vias expressas, simplesmente desconsiderou a base física da cidade, incidindo sem diferenciação sobre áreas que apresentam problemas na sua ocupação, tais como fundos de vales e áreas de solo erosivo.

Além disso, em apenas 10% de São Paulo é permitido o índice máximo de coeficiente de aproveitamento, correspondendo a quatro vezes a área do terreno, e em 90% da cidade se pode chegar a construir no máximo até duas vezes a área do terreno. Esse fato cria artificialmente uma escassez de terrenos com coeficiente de aproveitamento igual a 4, provocando elevação dos preços fundiários, obtida através do monopólio estabelecido nesses 10% de terrenos da cidade. Não se tem notícia de que essa diferenciação do potencial construtivo permitido tenha sido calculada com base na potencialidade da infraestrutura ou na saturação do sistema viário.

Em síntese, verifica-se que a ação do Estado em relação ao processo de crescimento vertical favoreceu uma ocupação menos racional. Em primeiro lugar, porque a verticalização não apresenta os níveis de densidade construída das outras grandes metrópoles. Como vimos apenas em 10% dos terrenos o coeficiente de aproveitamento permitido pela lei de zoneamento é 4. Em Nova Iorque ou Chicago, cidades também

reconhecidas pela sua verticalização, os coeficientes máximos ultrapassam os índices de 18

a 20 vezes a área do terreno.

Outra característica do crescimento vertical do Município é que ele historicamente foi apropriado pelos segmentos de mais alta renda e se localizou principalmente na área mais bem equipada da cidade.

É certo que São Paulo comportaria níveis de densidade e de verticalização mais altos,

otimizando melhor os recursos públicos já investidos no espaço urbano. Será necessário, no entanto, uma análise acurada da capacidade da infraestrutura e do sistema viário para que se estabeleçam novos índices urbanísticos.

xvi

PARTE II

ESTUDO DE CASO SOBRE VERTICALIZAÇÃO

xvii

OS CONDOMINIOS RESIDENCIAIS HORIZONTAIS E AS TRANSFORMAÇÕES NA PAISAGEM DO MORRO DO IMPERADOR EM JUIZ DE FORA/MG

Nelson Paes Leme Domingues de Araújo Geógrafo, especialista em Gestão Ambiental e mestrando em Arquitetura e Urbanis mo pela Universidade Federal Fluminense.

Resumo

O presente trabalho mostra como os agentes sociais de uma cidade podem organizar

e transformar o espaço urbano e suas paisagens de acordo com seus interesses. Essas transformações criam novos valores para os imóveis de determinado setor e podem trazer inúmeros impactos ambientais, quando não é respeitada a legislação

ambiental em cada área em que estão inseridas. O estudo de caso escolhido mostra

as transformações na paisage m do Morro do Imperador, em Juiz de Fora e os

impactos ambientais causados pela proliferação dos condomínios residenciais

horizontais na região. Palavras chaves: Paisagem, Impactos Ambientais e Condomínios Residenciais.

Introdução

Ao longo da história da humanidade o homem vem transformando a paisagem do espaço terrestre com a finalidade de organizá- lo. Com a evolução das tecnologias, o meio natural passou a ser modelado pelo homem. Milton Santos (2002) já afirmava que o meio natural está ficando cada vez mais técnico. As transformações da paisagem da superfície da Terra podem ser observadas na maior parte do mundo e nos mais diversos tipos de organizações sociais. Ocorre tanto em áreas rurais como em áreas urbanas. Porém, é no espaço das cidades onde são observadas as maiores modificações, pois sobre este é que acontece a maior concentração das atividades humanas. Para o geógrafo Roberto Lobato Corrêa (1989), o espaço urbano capitalista é fragmentado e articulado, reflexo e condicionante social, cheio de símbolos e campos de luta, ou seja, é um produto social, resultado de ações acumuladas através do tempo, e engendradas por agentes que produzem e consomem espaço. Ao considerar o espaço urbano e, por conseguinte, a transformação de sua paisagem como fruto de um produto social, é importante considerar as ações dos agentes sociais nesse processo de transformação.

O arquiteto e urbanista Carlos Nelson Ferreira dos Santos (1988) destaca a

importância dos agentes na produção do espaço urbano, comparando a cidade como resultante de um jogo de cartas. Ele defende a ideia de que o ideal seria fazer com que toda a população dominasse as regras básicas de conformação da sua cidade. Portanto, as modificações na paisagem estão relacionadas à maneira com que os agentes sociais organizam o espaço. Sendo assim, à mudança desses agentes segundo as intervenções antrópicas, pode corresponder também uma mudança na forma de organização do espaço. No sistema capitalista os agentes transformam o espaço e a paisagem em função da lógica do mercado, bastante empreendida pelos agentes imobiliários, valorizando e desvalorizando lugares e terrenos de acordo com os interesses dos agentes dominantes.

O crescimento dos centros urbanos também traz relevantes conseqüências para a

xviii

transformação e organização de seus espaços, além de alterar a maneira de como a população se apropria desse espaço. Nos países em desenvolvimento como o Brasil o processo de aglomeração urbana e crescimento das cidades vem acompanhado de problemas, como violência e poluição; percebe-se, em contrapartida, o aumento pela busca da qualidade de vida em diferentes escalas desses aglomerados. Para fugir dos problemas causados pelo desenvolvimento insustentável das cidades, muitas pessoas, principalmente aquelas com renda mais elevada, procuram por moradias mais afastadas desses centros, com o desejo de contar com mais segurança e conviver mais próximos às áreas verdes. Surgem assim os condomínios residenciais, uma nova proposta de se morar; vende-se agora um novo estilo de vida, mais saudável, em contato com a natureza, com conforto e a segurança pretendida. Tal fato pode ser observado em várias cidades brasileiras. Mas esses condomínios, como toda construção, transformam a paisagem local e, muitas vezes, geram grandes impactos ambientais, pelo fato de muitos não respeitaram as leis de proteção ambiental e de uso e ocupação do solo, e devido à falta de planejamento paisagístico e urbanístico, virando, por vezes, uma espécie de “favelas de luxo”. O termo se dá uma vez que encontramos um aglomerado de casas luxuosas que descaracteriza a paisagem local, impermeabiliza o solo, modifica o relevo e destrói quase toda a cobertura vegetal da área, afastando, assim, a possibilidade de resposta adequada, sustentável, na busca pela qualida de de vida, tanto procurada por seus moradores. Este trabalho procura contribuir para o entendimento sobre a transformação da paisagem, quando da criação e proliferação de condomínios residenciais, destacando as alterações ocorridas no Morro do Imperador, em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde as construções desses condomínios causam sérios impactos ambientais, pois a maioria de suas localizações se situa em topos de morros, em outras áreas de preservação permanente e em áreas de preservação ambiental ou próxima a elas.

Condomínios no Brasil

Os processos sociais acontecem com clareza nas cidades capitalistas, devido ao acúmulo de capital e da reprodução social no espaço. CORRÊA (1989) acredita que esses processos propiciam a criação de funções e formas espaciais, constituindo, assim, a distribuição e a organização espacial urbana. São esses processos sociais, como o da urbanização, que transformam a paisagem de um determinado local, de acordo com o interesse dos atores sociais envolvidos. Podemos observa r uma mudança no processo de urbanização brasileira que começou a partir da década de 1970, primeiramente nas áreas metropolitanas e, posteriormente, nas cidades de médio porte. É relevante a observação que essas transformações advêm, principalmente, de processos sociais que impulsionam as transformações físicas. Segundo Nestor Goulart Reis (2006), essas mudanças se dão, entre outros, devido, aos seguintes fenômenos:

- a formação de áreas de urbanização dispersa, que se entende por esse vasto território, separada no espaço, mas mantendo estreitos vínculos entre si, como partes de um único sistema (urbano); - a adoção de novos modos de vida pela população, que adquire maior mobilidade; - a adoção de novas mobilidades de gestão do espaço urbano, com formas condominiais

xix

diversificadas, com loteamentos fechados, nos condomínios horizontais para residências

ou fábricas e nos projetos de desenvolvimento urbano de maior porte, como de Alphaville ou Riveira de São Lourenço (SP); - novas formas de organização do mercado imobiliário, com o surgimento de empreendimento de usos múltiplos, que reúne residências, comércio, lazer, ensino, indústria e escritórios.” (2006, p.12) Com essas mudanças surgiram novas formas de uso do espaço, em áreas de expansão e de renovação do tecido urbano. Nestor Goulart Reis identifica essas áreas com a apresentação de características antes inexistentes, tais como:

- Área com freqüência isolada do tecido urbano tradicional;

- Empreendimentos que não incluem apenas loteamentos, mas também espaços coletivos,

infra-estrutura, serviços e edificações;

- Empreendimentos complexos com tratamento urbanístico, em boa parte, dos padrões do

urbanismo moderno;

- Ocorrência, muitas vezes, na periferia das cidades;

- Atendimento na maior parte dos empreendimentos a múltiplas finalidades, incluindo residências, escritórios, indústrias, lazer, comércio e serviços diversos;

- Substituição da gestão pública pela privada.

Com esse novo processo de urbanização temos destaque para os condomínios residenciais que começaram a proliferar de forma mais significativa a partir dos anos 1990.

O sucesso dos condomínios residenciais se deve ao crescimento dos centros urbanos

e de seus problemas, como, entre tantos, o aumento da poluição e o crescimento econômico desigual, que têm como conseqüência o crescimento do desemprego, da violência e da marginalização nesses centros urbanos. Com o quadro presente na maioria das cidades grandes e de porte médio no Brasil, pessoas com maiores poderes aquisitivos procuraram formas de morar em locais onde a qualidade

de vida e a segurança fosse o principal requisito.

Aproveitando esses anseios, os empreendedores imobiliários passaram a vender não somente lotes, casa e apartamentos, mas sim um estilo de vida que tem como base o contato com a natureza e o conceito de “comunidade” e “unidade de vizinhança”, que segundo Nestor Goulart Reis, são as base desses grandes projetos urbanísticos. Segundo LEITÃO (1999):

“Esses empreendimentos, de acordo com informes publicitários se propunham a resgatar a qualidade de vida comprometida pelo crescimento urbano desordenado, criando um novo modo de viver”. (1999, p.83) Como exemplos desses empreendimentos no Brasil, podemos destacar, além dos exemplos

citados - o Alphaville na periferia de São Paulo e o Riviera de São Lourenço em Bertioga -

os conjuntos da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro.

Com o crescimento desse tipo de empreendimentos, surge uma preocupação com a transformação da paisagem e, conseqüentemente, com a degradação ambiental dos locais onde estão inseridos, pois os espaços são de uso coletivo, mas de propriedade privada. Ainda segundo Nestor Goulart Reis (2006):

“As normas de preservação não podem ser alteradas pelos proprietários isoladamente, pelas câmaras de vereadores ou por omissão de funcionários das prefeituras, uma vez que são objeto de contratos de direito privado, no momento da compra do imóvel. A conclusão possível é que as normas prevalecem quando há interesse dos próprios moradores (condôminos)”. (2006, p.151) Assim, mesmo os empreendimentos oferecendo normas para o direito de construir e para a preservação ambiental, sua preservação fica atrelada à vontade dos proprietários.

xx

Condomínios em Juiz de Fora/MG

O município de Juiz de Fora está localizado na Zona da Mata Mineira, na Bacia do rio

Paraíba do Sul. Com a população estimada em mais de 513 mil habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE (2000), ele possui uma área de 1437 km², sendo aproximadamente 400 km² de área urbana. Pertencente à Região Mantiqueira Setentrional, Juiz de Fora se insere na Unidade Serrana da mencionada Zona da Mata Mineira, tendo como característica o relevo ondulado, apresentando grandes variações de altitude, próximas a 1.000 m nos pontos mais elevados, 670 a 750 m no fundo do vale do rio Paraibuna e níveis médios em torno de 800 m, de acordo com o Plano Diretor (1996).

O clima da cidade é classificado como o tropical de altitude, que apresenta duas

estações bem definidas: o período de verão brando ou moderadamente quente,

destacado pela concentração de chuvas, com temperaturas médias em torno de 22ºC

e o período de inverno frio e com estiagem, com temperaturas médias em torno de

16ºC. Favorece, assim, a formação da Floresta Estacional Semidecidual Montona, como vegetação original. Quanto à hidrografia, de acordo com o Plano Diretor (1996), a cidade está contida na

bacia do Médio Paraibuna, tendo como afluentes principais os rios do Peixe e Cágado

e pertencente à bacia do rio Paraíba do Sul. O Perímetro Urbano é drenado por 156 sub-bacias de diversas dimensões.

O município de Juiz de Fora mantém seu destaque econômico no setor terciário. Com

destaque para os serviços ligados à área de educação, segundo CREMONESE (2007) contamos com um universo composto por treze instituições de ensino superior, sendo a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) a única instituição pública nesse nível.

Devido aos processos históricos e de localização geográfica, somada ao destaque do setor terciário na região, principalmente em relação ao comércio local e aos serviços nas áreas de educação e saúde, Juiz de Fora continua na posição de cidade pólo da Zona da Mata Mineira, influenciando também as cidades fluminenses mais próximas à divisa estadual. Como a maioria das cidades de porte médio brasileiras, Juiz de Fora também sofreu

as conseqüências do crescimento urbano e econômico. E, por conseguinte, os

condomínios residenciais foram às soluções encontradas por muitas famílias de classe alta e média, para melhorarem sua qualidade de vida e segurança. Os primeiros condomínios em Juiz de Fora surgiram nos anos 1970, mas somente na

década de 1990 os lotes vazios começaram a dar lugar às primeiras residências. Pela proximidade da capital fluminense e pelo histórico da cidade, sempre houve uma grande influência do Rio de Janeiro sobre Juiz de Fora. Isso explica o fato dos condomínios residenciais começarem a aparecer com freqüência a partir dos anos 1990 na cidade, uma vez que neste período ocorreu o boom dos condomínios na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Assim como os empreendedores da Barra da Tijuca, os empreendedores de Juiz de Fora também vendiam um novo estilo de vida, em contato com a natureza e com segurança para os juizforanos de classe alta e média, uma vez que os condomínios

se localizam, conforme foi mencio nado, mais afastado do centro da cidade e próximo

à áreas de preservação ambiental. Mas os condomínios de Juiz de Fora possuem uma característica que os diferem dos condomínios da Barra da Tijuca. Na cidade mineira esses empreendimentos são

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horizontais e não possuem serviços de comércio, clubes, escolas etc.

“Estes empreendimentos estão instalados entre 1 e 8 kms de raio do centro urbano de Juiz de Fora. Normalmente, um loteamento-padrão tem acima de dez casas com área construída de 100 m² em média.

A

parte residencial é fechada por muros ou grades de 3 a 5 metros de altura. Sobre muros

e

cercas há cacos de vidro ou fios elétricos. Câmeras e guardas vigiam os limites da

propriedade. Existe pelo menos uma portaria munida de guarita, cancela ou portão. Os seguranças ficam em contato por interfone com cada uma das casas, como nos edifícios residenciais. Nos condomínios fechados, é possível de se encontrar toda uma infraestrutura de lazer: são quadras esportivas, salão de festas, piscinas, churrasqueira, pista de corrida e sauna. Existem também jardineiros e outros funcionários que cuidam da

manutenção e seguranças motorizados. Em alguns casos, os próprios moradores se organizam para criar mais serviços”. (Souza, 2003 p. 61)

para criar mais serviços”. (Souza, 2003 p. 61) Figura 1: Condomínio em Juiz de Fora Foto:

Figura 1: Condomínio em Juiz de Fora Foto: Do autor (2007)

Até o final da década de 1990 a maioria dos condomínios de Juiz de Fora se localizava na Zona Oeste da cidade que, de acordo com o Plano Diretor de 1996, é a área de expansão urbana do município. Segundo o Plano Diretor de Juiz de Fora, 1996:

“O Setor Urbano Oeste da cidade apresenta-se como área de “expansão urbana”, ou seja, representa uma área urbana que compreende espaços predominantemente vazios e

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pouco adensados. Este setor é fruto de uma orientação que encontra seu principal marco na implantação da Av. Independência, na década de 1970. O acentuado desnível do relevo em relação ao centro da cidade lhe conferiu a determinação de “Cidade Alta”. O setor caracteriza-se por uma ocupação horizontalizada, alastrada pela totalidade do território, com predominância de residências unifamiliares de, no máximo, dois andares. O caráter dos bairros contido neste setor é predominantemente residencial.”

contido neste setor é predominantemente residencial.” Figura 2: Setor Oeste de Juiz de Fora. Fonte: SOUZA,

Figura 2: Setor Oeste de Juiz de Fora. Fonte: SOUZA, 2003.

A ocupação do Setor Oeste da cidade é facilitada pela disponibilidade de água, devido à

represa de São Pedro que abastece a região e a disponibilidade de área plana, mesmo se tratando de uma área topograficamente mais alta em relação ao centro de Juiz de Fora; daí a denominação “Cidade Alta”.

O interesse da população de renda mais elevada pelo Setor Oeste da cidade é impulsionado

pelos equipamentos de lazer que a região oferece para a cidade, além das áreas verdes e do Campos da Universidade Federal de Juiz de Fora, no Setor Oeste ainda se encontram alguns clubes campestres, o aeroporto, o marco paisagístico constituído pelo próprio Morro do Imperador e seu Mirante e as cachoeiras do Córrego São Pedro.

Os condomínios em Juiz de Fora e as transformações na paisagem do Morro do Imperador

Criada pela Lei Federal 9985/2000, as Unidades de Conservação de Juiz de Fora, que são classificadas de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação SNUC são: Reserva Biológica Municipal do Poço D'Anta, Parque Municipal da Lajinha, Área de Proteção Ambiental Mata do Krambeck, Particular do Patrimônio Natural Vale de Salvaterra, Florestas Municipais que atualmente são 11 (onze).

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Juiz de Fora também possui algumas áreas tombadas: O Morro do Cristo, o Parque Halfeld e o Parque do Museu Mariano Procópio, que segundo a AGENDA JF, órgão responsável por atuar na proteção, conservação e promoção do meio ambiente no município são áreas protegidas por lei, mas que não possuem uma categoria de manejo específica, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), mas foram tombadas devido ao seu aspecto cênico e paisagístico.

Muitos dos condomínios residenciais que surgiram em Juiz de Fora na década de 1990 localizam- se no Morro do Cristo também conhecido como Morro do Imperador. Tombado pelo Poder Público nos decretos municipais 4312/90 e 4355/93, por exercer importante função paisagística, representativa do padrão e relevo do Município, o Morro do Cristo, com uma área aproximadamente 78 há, foi e ainda é alvo das ações de empreendedores imobiliários.

e ainda é alvo das ações de empreendedores imobiliários. Figura 3: Condomínios no Morro do Imperador

Figura 3: Condomínios no Morro do Imperador Fonte: Google Earth (2007)

A importância paisagística do Morro do Imperador para Juiz de Fora é de tal grandeza que em 1998 foi criada por lei uma Zona especial no seu entorno. A lei diz o seguinte:

“LEI Nº 9204 - de 15 de janeiro de 1998:Cria Zona Especial na área resultante do entorno do "Morro do Imperador", acrescida da área compreendida entre o Parque Halfeld e o Morro do Imperador. A Câmara Municipal de Juiz de Fora aprova e eu sanciono a seguinte Lei:

Art.1º - Fica definida como Zona Especial, de acordo com o art. 11 da Lei nº6910, de 31 de maio de 1986, a área de vizinhança do "Morro do Imperador", tombado nos termos do Decreto nº4312, de 24 de maio de 1990, alterado pelo Decreto nº 4355, de 17 de agosto de 1990, e a respectiva visibilidade, referida no Decreto nº4223 de 10 de novembro de 1989, que "Dispõe Sobre o Tombamento do Parque Halfeld". Art.2º - A Zona Especial fica subdividida nos Setores 1,2,3,4 e 5, este último subdividido em Sub-setores "A" e "B", delimitados em planta conforme anexo I e memorial descrito de acordo com o anexo II.

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Art.3º - O Setor 1 passa a ser considerado área "non aedificandi", sendo vedado o seu parcelamento. Parágrafo Único - A área abrangida pelo Setor 1 será objeto de projeto para correção do processo de erosão existente e de estudo paisagístico, visando a integração com área tombada. Art.4º - No setor 2 só será permitida a construção de edificações de até 02 (dois) pavimentos e altura igual a 8,00 (oito metros), altura esta medida a partir do ponto mais alto do meio-fio, na linha de testada do terreno até o plano transversal correspondente a última laje (forro) ou cobertura de edificação, não se considerando telhados sobre lajes de forro, caixas d'àgua, casa de máquinas e assemelhados, com faixa "non aedificandi" de 25% da propriedade total do terreno, permeável, vedado o corte de árvores. Art.5º - No Setor 3, a altura das edificações não poderá ultrapassar a 9,00 m (nove

metros), altura esta medida a partir do ponto mais alto do meio-fio, na linha de testada do terreno até o plano transversal correspondente ao último elemento construtivo. Parágrafo Único - Os projetos serão previamente apreciados e analisados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento - IPPLAN, através de seus diversos órgãos e/ou comissões, no âmbito das respectivas atribuições. Art.6º - Vetado. Art.7º - O Setor 5, que corresponde à área de vizinhança pertencente à UTI, será subdividido nos Sub-setores "A"e "B".

§ 1º - As edificações a serem construídas no Subsetor "A", terão até 04 (quatro)

pavimentos e altura máxima igual a 11,70 (onze metros e setenta centímetros), altura esta

medida a partir do ponto mais alto do meio-fio, na linha de testada do terreno até o plano transversal que contém o ponto mais alto da edificação.

§ 2º - As edificações a serem construídas no Subsetor "B" terão até 06 (seis) pavimentos e altura máxima igual a 17,10 (dezessete metros e dez centímetros), altura esta medida a partir do ponto mais alto do meio-fio, na linha de testada do terreno até o plano transversal que contém o ponto mais alto da edificação.

§ 3º - Não poderá ser utilizado o espaço sobre a laje do 4º (quarto) pavimento, conforme

estabelece o § 1º deste artigo, e nem, a do 6º (sexto) pavimento, de acordo com o previsto no § 2º do mesmo artigo. Art.8º - Será exigido projeto paisagístico relativo às áreas abrangidas pelos setores de 1 a 4, incluindo, no mínimo, soluções para correção do processo de erosão, se verificado, assim, como reflorestamento destas áreas com espécies existentes ou de garantida adaptação ao local.

Art.9º - Será observada, também no que couber, ou no que esta Lei se omitir, a legislação de Uso e Ocupação do Solo vigente. Art.10º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Paço da Prefeitura de Juiz de Fora, 15 de janeiro de 1998.

a) TARCÍSIO DELGADO - Prefeito de Juiz de Fora

a) GERALDO MAJELA GUEDES Secretário Municipal de Administração.”

Sabemos que o consumo do espaço está relacionado com a lógica do mercado. Assim, o Morro do Cristo, por possuir beleza cênica e paisagística e sendo envolvido pela Mata Atlântica, virou objeto de especulação imobiliária em Juiz de Fora. Com a necessidade de explorar o Morro do Cristo, percebe-se o desrespeito ao Código Florestal (Lei Federal nº 4771/65) que estabelece proibições de corte de vegetação nos

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topos dos morros (terço superior), nas declividades muito acentuadas (superiores a 45 graus). O não cumprimento do Código Florestal traz danos ambientais para o município, como alerta o Plano Diretor (1996):

“Os desmatamentos e movimentos de terra são responsáveis pela reativação dos processos morfodinâmicos naturais. Já os deslizamentos e escorregamentos, agravados nos períodos de chuvas intensas e a forte erosão contribui para acelerar a instabilidade do relevo, sendo mais intensa a atuação da erosão laminar, presente extensivamente nas áreas não urbanizadas”.

Com a criação dos condomínios residenciais, vem ocorrendo transformações na paisagem da área. Com isso, a vegetação original do topo dos morros vem aos poucos sendo substituída por loteamentos com infra-estrutura urbana e por casas luxuosas, que descaracterizam a paisagem local.

e por casas luxuosas, que descaracterizam a paisagem local. Figura 4: Construção de condomínio Foto: Do

Figura 4: Construção de condomínio Foto: Do autor (2007)

Em muitos casos, principalmente em locais onde se encontra o relevo mais ondulado, esses novos empreendimentos necessitam de movimentação de terra para implantar sua ocupação ou para aumentar o número de lotes, fato que gera grande impacto ambiental, pois o material solto é arrastado pelas chuvas para o leito dos córregos gerando assoreamento. Essa amontoação de areias ou terras nos córregos diminui a sua capacidade de receber águas pluviais e diminuem sua velocidade de escoamento, podendo causar inundações nas localidades próximas aos córregos. Assim, além de transformar a paisagem do Morro do Imperador, os condomínios residenciais horizontais também causam diversos impactos ambientais no Setor Oeste de Juiz de Fora, principalmente no córrego de São Pedro e na Represa de São Pedro, responsável por abastecer parte da cidade, devido à falta de tratamento de efluentes e a degradação da mata ciliar, pode ser observado o assoreamento da represa e do córrego e a poluição de suas águas.De acordo com o Plano Diretor (1996):

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“O desequilíbrio das vertentes pode ser visualizado pelos elevados índices de movimentos de massa, principalmente em solos, além de processos erosivos tanto laminares como de escoamento concentrado”.

erosivos tanto laminares como de escoamento concentrado”. Figura 5: Córrego de São Pedro Fonte: Do autor

Figura 5: Córrego de São Pedro Fonte: Do autor (2007)

Além dos impactos já citados, a existência de um relevo cujos desníveis topográficos alcançam mais de 200 metros, associadas aos fatores antrópicos causados pela intensa urbanização, produz microclimas diferenciados dentro do próprio perímetro urbano. Segundo o departamento de climatologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) já foi registrado diferenças de temperatura de até 11º C em diferentes pontos da cidade.

Considerações Finais

Foi comprovado ao longo do trabalho que no sistema capitalista os agentes transformam o espaço e a paisagem de acordo com a lógica do mercado. Assim, essas transformações se relacionam com a maneira através da qual o espaço urbano é organizado pelos seus agentes sociais. A criação dos condomínios residenciais no Morro do Imperador em Juiz de Fora é um exemplo de como os atores sociais atuam, transformando e dando valor de mercado para determinado espaço. Mesmo com as transformações na paisagem natural, essas ações sobre o e spaço podem valorizar a área no ponto de vista mercadológico, criando assim uma especulação imobiliária no local e atraindo consumidores desse espaço. Muitas vezes, essas ações são prejudiciais para a localidade se transformar em um habitat sadio e garantir sua vitalidade (uma das cinco dimensões básicas para a boa forma da cidade, segundo Lynch), trazendo para a população sustentação. A degradação ambiental causada pelos condomínios residenciais em Juiz de Fora traz para a população perda na qualidade de vida e no conforto ambiental nos próprios condomínios e em sua proximidade, uma vez que a impermeabilização do solo, a poluição, o desmatamento e modificações no relevo modificam o micro - clima local, prejudicando a qualidade ambiental da região.

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É preciso, portanto, uma melhor estruturação dos anseios de conceber um modelo de

ocupação que atenda às necessidades (ou luxos) das populações de alta renda, de maneira a criar novas possibilidades para o modelo, tendo como referência as formas de como esses condomínios têm sido construídos em Juiz de Fora, em muitos momentos, não respeitando

a declividade correta, o comprimento de rampa, a topografia, a vegetação etc.

Segundo Carlos Nelson Ferreira dos Santos (1988), o perímetro urbano não deve seguir modelos, dependerá de cada caso. Os condicionantes naturais devem ser observados com cuidado, pois apontam as direções lógicas por meio das quais podem ou não prosseguir o processo de urbanização. Assim, na construção dos condomínios, as áreas protegidas por leis deveriam ser de fato respeitadas, e determinado o potencial de desenvolvimento de cada lugar.

Para minimizar esses problemas, muitas vezes gerado pelo interesse de algum grupo econômico, é necessário consonância das leis ambientais e de uso e ocupação do solo,

respeitando, assim os limites das áreas de proteção ambiental. Tal como, maior fiscalização

e seriedade dos órgãos responsáveis por liberar certos empreendimentos.

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PARTE III

SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL

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O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE EM EMPREENDIMENTOS

DA CONSTRUÇÃO CIVIL

O termo sustentabilidade aplicado à causa ambiental surgiu como um conceito tangível na década de 1980 por Lester Brown, que foi o fundador do Wordwatch Institute. A definição que acabou se tornando um padrão seguido mundialmente com algumas pequenas variações representa o seguinte: Diz-se que uma comunidade é sustentável quando satisfaz plenamente suas necessidades de forma a preservar as condições para que as gerações futuras também o façam. Da mesma forma, as atividades processadas por agrupamentos humanos não podem interferir prejudicialmente nos ciclos de renovação da natureza e nem destruir esses recursos de forma a privar as gerações futuras de sua assistência.

Portanto, como podemos aplicar a sustentabilidade ambiental em empreendimentos? O empreendimento mais do que simplesmente favorável à natureza, tem que estar enquadrado no conceito de sustentabilidade, é preciso que ele esteja enquadrado em alguns parâmetros básicos. São eles: Ser ecologicamente correto; ser economicamente viável; ser socialmente justo e ser culturalmente aceito. Assim empreendimentos que se baseiem nessas premissas e que estejam enquadrados no conceito de sustentabilidade devem ser capazes de impactar positivamente os grupos humanos por ele afetados; imediatamente e no futuro. Através da interligação e ntre esses empreendimentos e a qualidade de vida das pessoas afetadas por eles, podem ser observadas através do uso racional dos recursos ambientais e com o trato dos resíduos decorrentes da implantação do referido empreendimento sustentável.

Que a construção civil é uma das principais molas propulsoras da economia mundial, isso é inegável. Só para ter uma ideia de sua importância, no Brasil, ela é responsável por 63% da formação bruta de capital fixo e 15% do PIB. Além disso, movimenta por volta de 400 bilhões de reais por ano, sendo responsável por mais de 2.2 milhões de empregos diretos. Sem contar, ainda, a infinidade de empregos indiretos.

Apesar de sua indiscutível importância para o desenvolvimento do país, a construção civil é apontada como uma das indústrias que mais impactam o meio ambiente. Para se ter uma ideia, o setor consome 2/3 da madeira natural e cerca de 50% dos recursos naturais do planeta, sendo grande parte de recursos não renováveis. Além da extração, o processo produtivo também é bastante nocivo. A fabricação de cimento, por exemplo, é responsável por 8% do total de emissões de GHG. Fora a quantidade de material desperdiçado e os resíduos gerados ao final de uma obra.

Falando especificamente do Brasil, uma das maiores dificuldades para implementação da sustentabilidade no setor da construção civil, diz respeito à falta de iniciativas públi cas de infra-estrutura, o que acaba elevando, e muito, o custo de uma casa ou um prédio sustentável. Como exemplo mais óbvio, há o fato de termos perfeitas condições climáticas

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para a utilização de energias limpas, como a solar e eólica, mas concentrarmos o investimento em outros tipos, como a termoelétrica e até mesmo a nuclear.

No mundo já pipocam certificações voltadas para construções sustentáveis, como a americana LEED (Leadership in Energy and Environment Design), mais famosa, e a francesa HQE (Haute Qualité Environment). Há, ainda, a certificação AQUA (Alta Qualidade Ambiental), baseada na HQE, e que vem a ser o primeiro referencial técnico para construções sustentáveis adaptado à nossa realidade. De modo geral, essas certificações se funda mentam no princípio de eficiência energética, uso racional de água, coleta seletiva, qualidade ambiental interna da edificação etc.

Além de uma certificação brasileira, foi criado em agosto de 2007 o CBCS, Conselho

Brasileiro de Construção Sustentável, que tem como objetivo induzir o setor da construção

a utilizar práticas mais sustentáveis, melhorando a qualidade de vida dos usuários, dos

trabalhadores e do entorno das edificações. O CBDS é composto por diversos comitês que tratam de assuntos específicos relacionados à sustentabilidade no setor, como materiais e finanças (além dos óbvios água e energia).

Mesmo com o custo ainda elevado e o tempo de retorno relativamente longo, o setor de construção sustentável já tem grandes iniciativas. No Rio de Janeiro, na Cidade Nova, o prédio da Universidade Corporativa da Petrobras é o primeiro prédio brasileiro de grande porte com certificação LEED . E o bom da onda de construção verde é que ela não atinge apenas grandes empreendimentos ou é demandada apenas por grandes empresas.

A construtora Vez das Árvores entregou no final de 2008 o primeiro prédio público sustentável de Santa Catarina, o posto da Polícia Militar e Ambiental da Praia do Rosa. Através da bioarquitetura, os responsáveis pelo projeto se focaram num design que aproveitou a ventilação natural, captação e aproveitamento da água da chuva, iluminação natural, telhado verde, painéis solares e tratamento de esgoto anaeróbico. Além disso, de olho na responsabilidade socia l, a empresa capacitou mão de obra local e se preocupou com a acessibilidade de toda população.

Não podemos esquecer que nos próximos sete anos a cidade do Rio de Janeiro,

principalmente, se tornará um canteiro de obras por conta da realização da Copa do M undo

e das Olimpíadas. É uma grande chance que temos não apenas para fazer o que é certo,

mas também para criar infra-estrutura e cultura orientadas para a sustentabilidade. Até lá, espero que o custo não seja mais desculpa. Além disso, espero, também, que a atitude da

população seja, no mínimo, mais respeitosa ao meio ambiente. Afinal, qual o sentido de morar numa casa sustentável e continuar desperdiçando água, energia e gerando grandes volumes de lixo desnecessariamente?

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ESTUDO DE CASO EDIFICIO SUSTENTAVEL

Edifício Eldorado Business Tower

Mariana Feres dos Santos e Eunice Helena S. Abascal

Arquitetura sustentável: um conceito em construção

Os temas da arquitetura sustentável e sustentabilidade guardam relação com métodos e processos de racionalização do uso de recursos naturais e energéticos. Visando alcançar

eficiência e eficácia energéticas, deposita-se esperanças em preservar o planeta dos efeitos perversos da ação humana sobre o ambiente. Como assinala James Lovelock, “O desenvolvimento sustentáve l, respaldado pelo consumo de energia renovável, é a atitude

em voga na convivência com a Terra (

planeta sofre conseqüências das atividades e decisões humanas e começa a demonstrá- las.

A preocupação com o meio ambiente se evidenciou com a Conferência de Estocolmo, em 1972, tendo sido a questão retomada vinte anos depois, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, quando o desenvolvimento sustentável entrou definitivamente em pauta.

)”

(1). Esse mesmo autor afirma ainda que o

em pauta. )” (1). Esse mesmo autor afirma ainda que o Edifício Eldorado Business Tower, projeto

Edifício Eldorado Business Tower, projeto do escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos Foto Daniel Ducci

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A World Comission on Environment and Development (WCED) define desenvolvimento sustentável como “Desenvolvimento econômico e socia l que atenda às necessidades da geração atual sem comprometer a habilidade das gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades.” (2). Mudanças de comportamento em busca desse desenvolvimento se fizeram inadiáveis e envolveram a construção civil, passando a objeto de atenção por consistir em um dos vilões do meio ambiente, responsável por 40% do uso de energia primária, 72% do consumo de eletricidade, 39% da emissão de gás carbônico e 13,6% do consumo de água potável (3). A indústria da construção c ivil e atividades correlatas são responsáveis pelo uso de significativa quantidade de recursos globais e emissão de resíduos; no entanto, tem grande importância no desenvolvimento sócio - econômico e qualidade de vida (4).

Para enfrentar esses impasses, indústrias buscam maneiras de produzir edifícios com baixo impacto ambiental, procurando também reconhecimento por esse empenho. O mercado exige produtos e materiais comprometidos com o meio ambiente, enfatizando preocupação com baixo impacto e interesse em contribuir para a solução do problema ambiental, o que se tornaria vantagem competitiva e forma de conquistar um consumidor cada vez mais informado, exigente e consciente das necessidades do planeta.

exigente e consciente das necessidades do planeta. Edifício Eldorado Business Tower, projeto do escritório

Edifício Eldorado Business Tower, projeto do escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos Foto Daniel Ducci

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O “consumidor verde” não busca apenas o produto mais barato, sequer está apenas preocupado em coleta seletiva e economia de água e energia. Verifica-se preocupação com o impacto ambiental que determinado produto pode causar ao meio ambiente e os efeitos desse impacto no consumo do bem, convertendo- se a questão ambiental em um dos fatores de opção pela compra.

A dimensão ambiental interfere não somente nas formas e cadeias produtivas, mas se

expressa também do lado do consumidor: “As empresas têm sido desafiadas à elaboração de novas estratégias competitivas que evitem a degradação ambiental ao mesmo tempo em que garantam a sobrevivência e a sustentabilidade financeira. Tais estratégias, denominadas de Marketing Verde, culminaram na exploração de um novo segmento: o de “produtos verdes”. Tais estratégias visam aumentar a produtividade, enquadrar as empresas na legislação vigente, melhorar a imagem institucional, garantir a lucratividade no

processo produtivo por meio da oferta de produtos diferenciados e, principalmente, influenciar a decisão de compra dos consumidores.” (5).

A fim de atender a consumidores preocupados com o meio ambiente e frente à necessidade

de garantir- lhes qualidade de produto com baixo impacto ambiental, e levando em consideração que a construção civil é responsável por impactos significativos causados ao

meio ambiente, surgiram as certificações verdes. Estas certificações são formas de avaliação expressa por meio da emissão de pareceres a edifícios que, dependendo de sua adequação a critérios e pré-requisitos propostos por tais instrumentos, podem alcançar o status de causadores do mínimo de impacto ambiental possível.

de causadores do mínimo de impacto ambiental possível. Edifício Eldorado Business Tower, projeto do escritório

Edifício Eldorado Business Tower, projeto do escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos Foto Daniel Ducci

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Tais sistemas de certificação são aplicados em diversos países e têm por objetivo avaliar o

projeto, a obra e a manutenção dos edifícios; porém, “(

se exclusivamente na dimensão ambienta l da sustentabilidade” (6). Um edifício a fim de atingir o qualificativo de sustentável deveria considerar também à sua interação, como proposta arquitetônica e urbanística, com o meio ambiente; aspectos sociais e econômicos envolvidos na produção do espaço arquitetônico deveriam, da mesma forma, fazer parte do universo da avaliação da sustentabilidade (7). O conceito de sustentabilidade contempla essa complexidade de determinantes, o que leva a indagar se a certificação é instrumento suficiente para avaliar a sustentabilidade de uma edificação.

)

todos estes sistemas concentram-

Um empreendimento se torna realmente sustentável quando atinge equilíbrio entre atendimento de demandas voltadas ao ambiente físico, processos econômicos e necessidades sociais, ao considerar o chamado tripé da suste ntabilidade (8), pois ao contemplar a incorporação de soluções arquitetônicas voltadas a essas três dimensões, a construção pode se tornar instrumento de melhoria da qualidade de vida do indivíduo e comunidade.

de melhoria da qualidade de vida do indivíduo e comunidade. Edifício Eldorado Business Tower, projeto do

Edifício Eldorado Business Tower, projeto do escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos Foto Daniel Ducci

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No contexto das preocupações com a sustentabilidade, a certificação LEED, uma avaliação pautada em critérios classificatórios relacionados em um checklist, concede pontuação ao empreendimento dependendo do atendimento a critérios previamente estabelecidos. Dependendo da pontuação atingida, o empreendimento pode ser certificado, atingindo os níveis prata, ouro ou platina.

O Processo de Certificação do Edifício Eldorado Business Tower

Criada em 1998 nos Estados Unidos (9) a certificação LEED vem sendo aplicada em vários países, sendo reconhecida em todos eles como um indicador de qualidade. A certificação LEED ® C&S (for Core & Shell) essencialmente avalia e reconhece soluções e tecnologias que em tese contribuiriam para tornar as construções sustentáveis, identificando essas soluções no projeto e na obra, cuja aplicação teria por finalidade a redução de impactos ambientais advindos da edificação. São avaliados o corpo do edifício, todas as áreas comuns e fachadas.

o corpo do edifício, todas as áreas comuns e fachadas. Eldorado Business Tower – foto da

Eldorado Business Tower foto da fachada frontal com a grela estrutural e vedação diferenciada de vidro Foto Mariana Feres dos Santos, obtida em visita técnica realizada em 16.03.2011

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O primeiro edifício da América Latina a receber certificação LEED foi uma agência do

Banco Real, na Granja Viana, em São Paulo, em 2007. Hoje existem 23 empreendimentos certificados pelo LEED no Brasil e 211 empreendimentos em processo de certificação (10). O primeiro edifício a receber o certificado Platin um, o mais alto da categoria na América Latina, foi o Eldorado Business Tower (São Paulo), em 19 de agosto de 2009, atingindo 46 de um ranking de 61 pontos, com a versão 2.0 Platinum.

O Eldorado Business Tower é um edifício de escritórios junto ao consagrado shopping

center Eldorado, em São Paulo, tendo sido o novo conjunto inaugurado em novembro de 2007. A torre destinada a escritórios tem 32 andares de lajes em concreto protendido de espessura de 27 cm, que possibilitam plantas flexíveis com área de 2.000 m2, e pé-direito de 3,00 m. Os escritórios dispõem de piso elevado e forro. Com 141 metros de altura, o edifício dispõe ainda de quatro subsolos (1.805 vagas), edifício garagem com sete

pavimentos, centro de convenções e heliponto, para até dois helicópteros de dez toneladas cada um.

As categorias utilizadas para pontuar o empreendimento foram Sustentabilidade, Eficiência em Água, Energia e Atmosfera, Materiais e Recursos, Qualidade Ambiental interna, Inovação e Processos de Design. A cada uma dessas categorias foi atribuído um ponto, tendo o Eldorado obtido nota um (1,0) em vários itens do ranking o que permitiu sua classificação na categoria Platinum (11).

Os resultados quanto aos itens utilizados para a pontuação são os seguintes (12).

33% de economia de no consumo de água potável, comparado ao padrão norte- americano;

100% de economia de água potável para irrigação;

18% de economia no consumo de energia;

74% de todo resíduo gerado na obra foi destinado a aterros;

30% de todo material empregado foi reciclado;

50% de todo material adquirido é de origem local;

95% de toda madeira certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council);

25% de redução da vazão e volume de água lançada na rede pública durante as chuvas.

A um primeiro exame, o edifício não demonstra diferenças expressivas em relação à

arquitetura corporativa realizada na cidade, utilizando - se do sistema de grelha estrutural e

fechamentos de vidro, sistema que possibilitou vedações utilizando generosos panos envidraçados. Mas, analisando mais detidamente o projeto, a obra construída e a tecnologia empregada, é possível notar que apresenta vantagens e diferenças significativas que os distinguem, em termos de eficiência energética e energias renováveis. É possível identificar ainda características arquitetônicas singulares relativamente a outras construções de tema similar. Essa análise sugere algumas indagações críticas sobre alguns dos itens que são objeto da certificação e que, talvez, demonstrem que o atendimento às categorias que conferem a classificação não seja uma condição suficiente para definir integralmente um edifício como sustentável.

No edifício em estudo, o sistema de ar-condicionado é o VRV III (volume de refrigeração variável) que possibilita baixo consumo de energia, permitindo que empresas locatárias ali sediadas paguem somente pelo que consomem. O que consiste em vantagem significativa

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frente aos dispêndios condominiais em edifícios similares não certificados. O sistema utiliza ainda gás refrigerante do tipo R-410 A, ecologicamente correto.

A primeira impressão obtida em visita técnica realizada ao empreendimento (13), é que o sistema de refrigeração consta de um multi split, com metade das condensadoras instaladas na cobertura do edifício e a outra metade na cobertura ou laje de garagem. Ao contrário da maioria dos edifícios similares, nos quais evaporadoras e condensadoras estão instaladas no mesmo local dos respectivos escritórios, ocupando uma sala que se destina à casa de máquinas ou terraço técnico, essas condensadoras são mantidas pelo condomínio e o fato de não ser necessário um espaço para elas em cada planta tipo acarreta em economia de aproximadamente 15 m ² em cada meia laje o que permite uma distância de apenas 65 cm entre forro e laje. Por contar com um sistema de operação programado e inteligente, permite ligar o ar condicionado de cada compartimento ou escritório com autonomia. O controle é feito pelo condomínio, mediante o uso de programa de computador ou pelo próprio usuário, utilizando a Internet.

computador ou pelo próprio usuário, utilizando a Internet. Condensadoras na cobertura do edifício Foto Mariana Feres

Condensadoras na cobertura do edifício Foto Mariana Feres dos Santos, obtida em visita técnica realizada em 16.03.2011

Toda a água utilizada nas áreas comuns, tanto para irrigação de áreas verdes quanto para limpeza, provém de chuva reutilizada e condensação gerada pelo funcio namento do ar condicionado. A água lançada na rede pública é também tratada para filtragem de particulados e todos os sanitários são dotados de medidores de água individualizados em cada andar, permitindo controle mais rigoroso do dispêndio do recurso.

Um sistema inteligente de elevadores, com antecipação de chamadas, dispõe ainda de sistema de frenagem regenerativa, o que permite que o elevador que estiver descendo forneça energia para o outro, que está subindo. Lâmpadas e reatores despendem menos energia e todos os sistemas elétricos são divididos por segmentos, como, por exemplo, há

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um sistema para os elevadores, outro para as bombas d´água e outro para cada setor do edifício, permitindo acompanhar qual o real consumo de energia de cada área.

A fachada dispõe de 43% de área envidraçada, sendo que o vidro utilizado foi o low-e,

caracterizado por melhor desempenho térmico e possibilidade de filtragem eficiente do calor que atinge o interior do edifício. A área envidraçada conta ainda com a preteção oferecida por um sistema de persianas automatizadas. Na medida em que o sol vai batendo nas fachadas, persianas vão descendo automaticamente. O condomínio organiza coleta

seletiva do lixo, recolhido a um compartimento no térreo no qual os resíduos são triados. Há uma regra condominial em vigência de que não será coletado o lixo do andar que não cumprir com a necessária seletividade. A descrição anterior teve por objetivo demonstrar

os diversos pontos positivos que, inegavelmente, ajudam a qualificar a performance do Eldorado Business Tower e o diferenciam de outros empreendimentos, mas alguns dos itens que garantiram a certificação são passíveis de observações críticas.

A começar pela localização, o Eldorado Business Tower está implantado em terreno de

privilegiada acessibilidade. Ao lado de um grande centro de compras e serviços de São Paulo, o Shopping Eldorado, apresenta passarela vedada por panos de vidro, conectando o edifício diretamente àquele shopping. Encontra-se ainda ao lado da estação ferroviária

denominada Hebraica, o que em tese facilita o acesso de usuários e visitantes por transporte público.

No entanto, como é ilustrado a seguir, o terreno faz fronteira, em um de seus lados, com uma via expressa bastante ruidosa e poluente pelo expressivo número de ve ículos que recebe diariamente, sem dizer que o terreno se encontra em rota de aviação. Na outra face do terreno, localiza-se o estacionamento do centro de compras, parceiro do empreendimento, o que gera necessariamente intenso afluxo de veículos motorizados ao conjunto.

Embora a solução de elevar o térreo tenha sido competentemente proposta pelos arquitetos para que houvesse amenização do agravante de poluição sonora e ambiental, o potencial pleno do térreo como espaço coletivo e de permanência não foi exp lorado, dando-se ênfase ao uso de materiais como o vidro como fechamento da passarela indutora da ligação com o

shopping. O vidro foi escolhido pela leveza visual e utilizado por seus resultados plásticos

e,

principalmente, pela resistência à deformação.

O

outro vizinho lateral é a estação ferroviária, cujo acesso pedestre não pode ser otimizado,

pois uma via de proporções e capacidade de fluxo reduzida serve de conexão entre o

edifício e a mencionada estação.

A impossibilidade de realizar um sistema conector que permitisse de fato ligar a estação ao

empreendimento se deveu ao fato de que, se a gestão do governo estadual de 2007 havia sinalizado positivamente para a implementação desse recurso, em seguida desconsiderou-a, sob alegação de que seria necessário um segundo controle de catraca (14). Neste caso, a

materialização da arquitetura cujo conceito previa uma qualidade ambiental por meio de seu projeto não foi prioritária ou decisiva, e por essa razão é questionável a sustentabilidade do empreendimento pa utada exclusivamente na obtenção do grau Platinum.

xxxix

Uma das razões alegadas pelo Green Building Council ao certificar o Eldorado foi o fato

de que a organização reconheceu como positivo a obra estar localizada em área urbanizada

e servida de comércio, com acesso à estação ferroviária e à futura estação de metrô

Pinheiros facilitado, e também a pontos de ônibus e serviços básicos. O que possibilitaria que o conjunto pudesse servir à comunidade local, incluindo passarela para integração e acesso dos usuários e visitantes ao Shopping Center Eldorado. Observa-se que o discurso que antecipou a certificação em 2009 enfatizando não somente o local mas as conexões do conjunto arquitetônico com o espaço público não veio a se concretizar plenamente, não por omissão dos arquitetos, mas por razões técnicas e políticas, o que questiona o certificado LEED quando encarado como processo e não somente como um estado acabado.

Considerando que a população usuária fixa e visitante no Eldorado Business Tower é de 7.000 pessoas/dia (15), à razão de 5.000 usuários e 2.000 visitantes, a rua que funciona

como alça de acesso ao shopping center não possui escala adequada ao prédio e à sua população fixa e flutuante. Devido à dificuldade de fluxo e acesso estabelecer uma relação com o pedestre na cota da rua seria bastante difícil, o que fez com que os arquitetos criassem o térreo elevado, conectado em nível com a gare e o conjunto comercial. A elevação do térreo apresenta inegável vantagem de isolar o conjunto das vias ruidosas que

o cercam e das dificuldades de acesso e conexão com a rua, recriando os caminhos e facilitando fluxos.

A solução do térreo elevado, no entanto, propiciou solução de qualidade de natureza conectiva e espacial, principalmente com o Shopping Eldorado, criando fluxo contínuo entre este o edifício, o que certamente potencializou o número de clientes daquele centro de comércio. A ligação permitiu ainda que essa população usuária e visitante pudesse se beneficiar da oferta de serviços existente no conjunto, solucionando um dos problemas recorrentes do entorno dos edifícios corporativos de população densa, quanto à possibilidade de os usuários deixarem o ambiente de trabalho enclausurado em que passam grande parte do dia e oferecer serviços próximos.

Por outro lado, na arquitetura proposta espaços e fluxos concorrem para otimizar essa articulação shopping- torre, convivendo com um térreo impermeabilizado e em que não há nenhum atrativo, mobiliário ou equipamento, e que não estimula o uso daquele espaço como área de permanência, a despeito de suas expressivas dimensões. Nele se encontram dispersos exemplares de vegetação isolados, cuja presença e qualidade foram justificadas por serem espécimes vegetais que consomem pouca água; entretanto, o edifício produz grande parte da água utilizada e destinada a lavagem e serviços por meio de reuso, o que significa que disporia de água a baixo custo para servir a um paisagismo de outra natureza ou intensidade, no térreo.

A existência de conexão envidraçada contribui para sinalizar ao pedestre a predominância do fluxo em relação à permanência, fazendo do térreo muito mais cenário urbano do que espaço de apropriação.

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xl Predominância do fluxo em detrimento da apropriação da área do térreo - Passarela de acesso

Predominância do fluxo em detrimento da apropriação da área do térreo - Passarela de acesso ao Shopping Eldorado Foto Mariana Feres dos Santos, obtida em visita técnica realizada em 16.03.2011

O edifício dispõe de noventa (90) vagas de garagem preferenciais para carros 100% a álcool ou 100% GNV (gás natural veicular), e ganhou pontos por isso (16). Deve-se lembrar o fato de que no Brasil nem todos os carros usam álcool ou GNV como combustível, então como fazer esse controle? Essas vagas acabam servindo ao estacionamento de carros do tipo flex, que podem ser abastecidos tanto com álcool como gasolina.

O Eldorado Business Tower possui também bicicletário, com vestiário no térreo, um item programático que gerou pontos para a certificação. Impossível negar que a localização do edifício seja excepcional e que isso tenha rendido grande parte dos pontos da certificação, mas, no caso do bicicletário, em visita ao prédio na quarta- feira, dia 16 de março de 2011, foi possível observar que este disponibiliza considerável número de vagas, e nele foram encontradas apenas cinco bicicletas; ou seja, dos cinco mil usuários do prédio, pode-se concluir que 0,1% usaram bicicleta como meio de transporte.

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xli Bicicletário do Edorado Business Tower Foto Mariana Feres dos Santos, obtida em visita técnica realizada

Bicicletário do Edorado Business Tower Foto Mariana Feres dos Santos, obtida em visita técnica realizada em 16.03.2011

A expressiva utilização de tecnologia, métodos e processos de racionalização do uso energético e de água contribuíram de maneira evidente para que o prédio pudesse alcançar

o nível Platinum, afinal, esforços e investimentos para isso são observáveis, mas se

omitidos os itens relacionados a esses temas e também a localização, anteriormente evidenciados, ainda seria possível atingir esse patamar de certificação? Até que ponto a certificação foi fruto de preocupação com o meio ambiente ou forma de gerar atributos para comercializar o edifício?

Em março de 2008, a CB Richard Ellis (CBRE) concluiu o processo de locação dos escritórios existentes no edifício, tendo sido esta a maior negociação do gênero já realizada no Brasil em edifícios corporativos para múltipla ocupação comercial, antes mesmo da expedição do auto de conclusão da obra. É fato que empresas multinacionais locatárias sediadas em filiais em São Paulo procuram se instalar em edifícios certificados pelos sistemas credenciados pelo Green Building Council, pelo fato de as condições favoráveis de racionalização de meios e eficiência energéticas baixarem expressivamente custos de manutenção e taxas condominiais. Também é inegável que tais sistemas consistem de fato em economia, contribuindo para a preservação de recursos naturais, empregando água de reuso cuja origem é pluvial. O sistema de frenagem de elevadores, aproveitando a energia produzida nesse processo é também um sistema inteligente cujos resultados são muito significativos, como pode ser constatado na visita técnica realizada ao caso de estudo.

As intenções e resultados da certificação são nobres e eficientes, mas é fato que o sucesso da certificação é aproveitado para criar instrumentos para o chamado marketing ambiental.

quando a empresa passa a valorizar sua relação com o meio ambiente

e a tomar medidas preventivas, sua imagem perante a opinião pública tende a apresentar

conotação diferenciada. Valorizar sua preocupação com o meio ambiente tem um forte

Segundo Paiva, “[

]

xlii

papel, entre outros, na manutenção dos clientes atuais e atração de novos consumidores” (17). Mesmo durante a crise econômica atravessada em 2008, todos os escritórios do Eldorado Business Tower permaneceram ocupados e havia procura por locação, o que se deve ao fato de que as empresas multinacionais exigem que seus escritórios se instalem em edifícios certificados.

As dúvidas lançadas sobre o processo de certificação que no Brasil está apenas começando são uma forma de refletir sobre arquitetura sustentável, quando o paradigma para defini- la envolve maior articulação entre as categorias que levam à obtenção de pontos no LEED e a arquitetura realizada, em toda a sua complexidade propositiva.

O fato é que a importância da certificação está sendo amplamente disseminada e a

sociedade começa a incorporá - la como sinal de qualidade construtiva e ambiental . A credibilidade da certificação mesmo questionada se sustenta pelas características positivas que traz. O Eldorado Business Tower poderia ter sido projetado exatamente com as mesmas características arquitetônicas, mas sem nenhum tipo de preocupação com eficiência energética, economia de água, materiais usados ou o impacto causado ao meio

ambiente.

Considerações finais

A princípio, o Eldorado Business Tower parece não se diferenciar das demais torres de

escritórios de São Paulo e dúvidas surgem para indagar por que esse edifício, entre tantos

outros similares, recebeu a certificação platina do LEED CS, a mais alta da categoria.

Uma análise mais profunda das situações e condicionantes que envolveram a concepção desse edifício leva a concluir que existiu sim preocupação prioritária com economia de água e energia durante as fases de projeto e obra, mas a questão condutora do trabalho é se estas demandas isoladas seriam suficientes para garantir o nível de certificação que o edifício recebeu e atestam uma arquitetura sustentável. Alguns dos espaços e itens programáticos que geraram pontuação para a certificação não são sequer utilizados pelos usuários, a exemplo do bicicletário. Outros fatores atendidos isoladamente parecem não definir a sustentabilidade dessa arquitetura, conceito que se enuncia como atributo que é parte da produção de arquitetura em sua complexa acepção espacial e programática.

O LEED é uma certificação estrangeira e razoavelmente nova no Brasil. Vem ganhando

cada vez mais força e notoriedade, tornando-se referência para quem quer comprovar uma legítima preocupação com o meio ambiente durante e após a construção. Muitos dos itens que contempla são preocupações justas, independendo de busca da certificação, temas que devem ser enfrentados pelos profissionais responsáveis pelo empreendimento.

Então, qual o objetivo da certificação? O objetivo é realmente construir edifícios sustentáveis ou proporcionar- lhes, a despeito de uma preocupação com o meio ambiente, um selo que comprove essa preocupação e garanta uma melhor comercialização?

Independente do objetivo final, a preocupação com a sustentabilidade existe e edifícios construídos sem qualquer atenção para com o meio ambiente são agora objeto de cuidadosa localização e decisões acuradas de projeto, escolha de materiais, consumo de

xliii

energia, de água e outros itens responsáveis por significativo impacto ambiental, o que certamente contribui para aperfeiçoar seu desempenho e minimizar esse impacto.

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PARTE IV

CLASSES SOCIAIS

xlv

CLASSES SOCIAIS - CONCEITO

Milhões de brasileiros migraram para as classes A, B e C. De acordo com o Ministério da Fazenda, até o ano da Copa do Mundo, em 2014, o Brasil terá 56% de sua população inserida na classe C. Isso demonstra um avanço econômico em nosso país, principalmente, no desenvolvimento social. A sociedade é divida em setores que, do ponto de vista econômico, são separados segundo a renda recebida. Essas camadas são chamadas de classes sociais.

Há um conceito no dicionário de Sociologia, muito complexo, que fala na verdade tenta traduzir – a respeito da definição dessa expressão. “Um agrupamento legalmente aberto,

solidário, antagônico, multivinculado ao ocupacional e econômico

bastante estudada, uma vez que é ouvida repetidamente no meio sociológico; mas, que não

se chega a um consenso e, assim, torna-se bastante relativo. Complicado, não?

”. Essa expressão é

Embora sociológica, “classe social” é uma expressão forte na economia. O primeiro parágrafo começa com a notícia de que mais da metade da população brasileira migrará

para a classe C. Nesse caso, classe social está aplicada a um conceito econômico, em que

se subdivide a sociedade de acordo com a renda. Os parlamentares, juízes, fazendeiros,

banqueiros, industriais e empresários pertencerão à classe A, uma vez que possuem grande poder aquisitivo. É a forma que o liberalismo divide as classes da sociedade.

Ainda no conceito sociológico, a classe social é aplicada também ao ocupacional. Os seres humanos podem ser divididos em classes também. Algumas expressões são comuns, como a “classe trabalhadora”, que Karl Marx chama de proletariado – as pessoas que vivem da venda de sua força de trabalho. Cada indivíduo tem sua função e são separados: o grupo de atletas, os artistas, pedreiros, professores, desempregados e etc. Também depende de seu status social, que é outra forma de classificação.

É fácil se enrolar com os conceitos, pois estratificação social é bem parecido com a classe

social. Na estratificação, há a diferenciação dos indivíduos em classes e posições, a qual são chamadas de status social, estratos ou camadas. O fato é que todos esses elementos estão baseados nas desigualdades econômicas, da existência de uma classe dominante e outra dominada. Para clarear a mente desses conceitos complexos, basta pensar na sociedade dividida em ricos, classe média e pobres.

Desigualdade social

A desigualdade social é um produto da má distribuição de renda e, de acordo com Marx, é

um dos problemas do capitalismo. O sistema político- econômico é baseado no lucro e fundamentado na ideia de liberdade econômica, aderindo concorrências de mercado e permitindo ao consumidor várias opções. No entanto, o capitalismo gera a divisão em duas classes: o burguês, dono das empresas e indústrias e os proletários, os geradores de riqueza para o primeiro grupo. A desigualdade social se aplica em vários conceitos, que não só o econômico. Ela separa a sociedade em classes e faz com que a raça seja uma classe, a posição social e as demais áreas que podem

aparecer.

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A divisão de classes é um gerador de desigualdade e pode salientar o preconceito. E esse é um motivo que pode levar a violência e criminalidade desenfreadas. Observe: dificilmente os moradores de bairros pobres serão tratados bem nos lugares. Não é regra o tratamento, mas existe. Isso é um produto da divisão.

O Índice de Gini serve para medir a desigualdade social. Esse índice vai de zero até um na tabela. O zero corresponde à ausência de desigualdade e o um significa a completa má distribuição de renda.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as classes sociais são classificadas consoante as faixas salariais e são representadas pelas le tras: A, B, C, D e E. O instituto contabiliza as classes de acordo com o número de salários mínimos que entram na renda, por exemplo:

Classe

Salários Mínimos (s.m.)

Renda Familiar (R$)

A

Acima de 20 s.m.

Acima de R$ 10.200

B

Entre 10 e 20 s.m.

De R$ 5.100 a R$ 10.200

C

Entre 4 e 10 s.m.

De R$ 2.040 a R$ 5.100

D

Entre 2 e 4 s.m.

De R$ 1.020 a R$ 2.040

E

Até 2 s.m.

De R$ 0 a R$ 1.020

* Tabela baseada no salário mínimo a R$ 510,00

xlvii

Panorama descritivo da Economia Brasileira e Conceitos Básicos

A fisionomia do País ao longo do último século é substancialmente diferente daquela de

seu início.

A economia cresceu e a população também, multiplicou-se quase 10 vezes. Neste período

teve crescimento populacional de 2,28%a.a. em média, enquanto a taxa de crescimento

mundial foi de 1,36%.

A produção e a a geração de renda também sofreram forte expansão, foram mais de

1.200% de expansão, ou seja, produziu- se no Brasil em 2000 mais de do ze vezes o que se produzia em 1950. Neste período (entre 1950 e 2000) a taxa foi:

Taxa de crescimento econômico Brasil - 5,2% a.a. Taxa de crescimento econômico Mundial - 4,7% a.a.

Apesar do forte crescimento, a economia brasileira ainda deixa a desejar e m termos de

desenvolvimento

população semelhantes.

países com dimensões territoriais ou

comparada

a

O Brasil passou por uma transformação estrutural, alterando substancialmente tanto sua

base produtiva quanto as condições de vida da população. Até aproximadamente a década de 30, o país era considerado um país agroexportador. A partir de meados do século XX, reverte-se este "modelo" econômico por meio da chamada industrialização por substituição de importações. Consequentemente houve também uma forte urbanização do país. Em 1940 cerca de 2/3 da população vivia na área rural, atualmente menos de 20%.

Participação no PIB brasileiro (média)

Agropecuária

Indústria

Década de 50 -

25%

25%

Década de 90 -

10%

35%

A diminuição da participação do setor agrícola, não quer dizer que ele não seja importante, pois grande parte dos produtos industrializados ou semi- industrializados tem sua origem na agricultura, por exemplo o suco de Laranja.

Outros fatores devem ser avaliados quando se fala da economia, tais como questões demográficas, contabilidade nacional para definir o produto e o crescimento econômico e também os problemas macroeconômicos fundamentais: desemprego e inflação.

xlviii

Financiamento habitacional

O financiamento habitacional pode ser requerido para três objetivos: compra, reforma ou construção de um imóvel.

O que é:

O financiamento habitacional pode ser requerido para três objetivos: compra, reforma ou

construção de um imóvel. O cidadão pode obter o crédito de duas formas. A primeira e

mais tradicional é o Sistema Financeiro de Habitação (SFH), criado pelo governo em 1964,

e

que tem a Caixa Econômica Federal como principal intermediário.

O

SFH utiliza os seguintes recursos para prover crédito aos cidadãos: do

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS (é permitido o saque do FGTS para o pagamento do financiamento imobiliário no âmbito do SFH), da conta de depósitos de poupança, de financiamentos contraídos no país ou no exterior para a execução de projetos de habitações e de letras imobiliárias (títulos de crédito) emitidos pelos agentes

financeiros. Por esse sistema, o financiamento pode chegar até a 90% do valor do imóvel, e

o custo efetivo máximo não pode ultrapassar 12% ao ano, incluindo juros, comissões e outros encargos.

A segunda modalidade de financiamento é o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI),

que permite o crédito habitacional concedido com recursos dos próprios bancos. As taxas

de juros no âmbito do SFI são livremente negociadas entre as partes do contrato.

Como funciona o financiamento habitacional?

Quando uma pessoa compra um imóvel, uma casa ou apartamento novo ou usado pode financiar o pagamento. Os financiamentos são realizados pelos bancos, que pagam ao vendedor do imóvel a quantia que quem compra quer financiar. A partir daí, o comprador deve pagar o banco que quitou sua dívida. Durante esse período, o imóvel fica ligado à pessoa que fez a compra, mas não pode ser negociado enquanto a dívida com o banco não é paga.

Condições de financiamento

Diversos bancos oferecem financiamentos. O que os diferencia são as condições de pagamento, como as taxas de juros cobradas, a duração dos contratos e quanto do valor do imóvel pode ser financiado. Depois de escolhido um deles, o primeiro passo é ir até uma agência e conversar com um gerente para iniciar as etapas que permitirão a liberação de dinheiro (crédito).

xlix

Documentos

Nesse primeiro momento, será necessário entregar originais e cópias do RG e CPF (do casal, quando for o caso), dos comprovantes de estado civil e de renda (holerites, extratos

bancários e declaração completa de imposto de renda do casal, quando for o caso). Autônomos podem comprovar renda por meio do contrato de prestação de serviços, declaração do Imposto de Renda, declaração do sindicato da categoria, recibo de recebimento por trabalhos prestados ou uma Declaração Comprobatória de Recepção de Rendimentos (Decore), feita por contador. Além disso, trabalhadores rurais, ambulantes, diaristas, barbeiros, cabeleireiros, doceiras, entre outros que não tenham conta em banco, devem preencher uma ficha de cadastro sob orientação do gerente, que irá informar em cada caso quais são os documentos necessários.

A comprovação de renda do comprador indicará sua capacidade de pagamento das

prestações, pois o valor delas não pode ser maior que 30% da renda familiar bruta. Além disso, também é feita uma análise cadastral, que consiste na verificação de nome no Serasa ou no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Não havendo problemas, é aprovada a liberação de crédito com um período de validade que varia de acordo com o banco (o

dinheiro não é liberado nesse momento).

Avaliação do imóvel

Depois disso, o banco, por meio de uma empresa, engenheiro ou arquiteto, realiza a avaliação do imóvel a ser financiado para confirmar o seu valor.

A partir daí, o banco elabora o contrato e pede que comprador e vendedor assinem o

documento. O contrato deve ser registrado em cartório e levado à agência bancária. Depois disso, é liberado o crédito, e o vendedor é pago. Com isso, o comprador começa a pagar as

prestações mensais para quitar sua dívida com o banco.

Tipos de financiamento

Os financiamentos para compra de casa ou apartamento novo ou usado podem ser realizados com a utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Há ainda a opção de financiamento direto com a construtora.

Financiamentos pelo FGTS

O financiamento com a utilização de recursos do FGTS faz parte do Sistema Financeiro de

Habitação (SFH). O valor do imóvel e o do financiamento têm limites que variam periodicamente. Só podem participar pessoas com uma determinada renda familiar máxima, valor que varia de acordo com a região do país.

l

As taxas de juros cobradas nesse caso também são mais baixas que no SBPE, devendo obedecer a um limite.

Financiamentos pelo SBPE

No SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), não há limite de renda. Além disso, quando o valor do imóvel financiado está nos limites do SFH, as taxas de juros não podem ser superiores a 12% ao ano. Quando o financiamento é realizado pelo SBPE, mas fora dos limites do SFH, essas taxas de juros podem ser maiores que 12%.

Construtoras

Os financiamentos feitos diretamente com as construtoras oferecem maior flexibilidade de negociação. Não há imposição de limites sobre os valores financiados, renda ou taxas de juros. Porém, nessa modalidade, existem riscos muito maiores para os compradores. As empresas podem financiar a co nstrução da casa ou apartamento com algum banco. Nesse caso, o imóvel comprado está hipotecado a esse banco. Isso significa que, se a empresa falir e deixar uma dívida com esta instituição financeira, o consumidor pode perder a casa. Em alguns casos, o comprador quita o imóvel com a construtora, mas o bem continua hipotecado. Ainda que quitada a dívida, é importante exigir que a construtora tire o imóvel da hipoteca, se for esse o caso. A comprovação disso, chamada certidão de ônus reais, pode ser obtida em qualquer cartório. Para retirá- la, é preciso informar o endereço da casa ou apartamento. Se a empresa falir, e o banco quiser o imóvel como pagamento, a certidão é o comprovante que o comprador tem para se proteger. Além disso, a construtora pode falir antes do término da obra e deixar a pessoa que iniciou o financiamento sem imóvel. Por isso, antes de entrar em um financiamento deste tipo, é importante visitar outros empreendimentos da construtora e verificar se ela tem alguma irregularidade com a Justiça.

Quais as diferenças entre os tipos de financiamento?

Dentro do SFH, os bancos não podem cobrar uma taxa de juros superior a 12% ao ano, mas há limites no valor do financiamento. Porém, fora do SFH, podem ser financiados imóveis com valores mais altos. Nos financiamentos com construtoras, há flexibilidade para negociar. Cabe às empresas definir o valor máximo que será financiado.

li

O que ocorre quando o consumidor deixa de pagar as prestações antes do término da dívida?

O banco pode entrar com uma ação judicial para ficar com o imóvel, que é leiloado. Esse valor é usado para pagar a dívida da pessoa com o banco e as despesas judiciais que o banco teve. O valor que sobra é devolvido ao consumidor. Em caso de atraso, os consumidores devem ficar atentos à multa e aos juros cobrados ao mês. A multa paga não pode ser maior que 2% em relação ao total da dívida. Os juros por mês de atraso não podem ultrapassar 1% do total da dívida

Documentos necessários

RG (Carteira de Identidade), original e cópia

CPF (Cadastro de Pessoa Física), original e cópia

Comprovante de estado civil, cópia e original

Comprovante de renda, original e cópia

Autônomos podem comprovar renda por meio do contrato de prestação de serviços, declaração do Imposto de Renda, declaração do sindicato da categoria, recibo de recebimento por trabalhos prestados ou uma Declaração Comprobatória de Recepção de Rendimentos (Decore), feita por contador. Além disso, os trabalhadores rurais, ambulantes, diaristas, barbeiros, cabeleireiros, doceiras, entre outros que não tenham conta em banco, devem preencher uma ficha de cadastro sob orientação do gerente, que irá informar quais são os documentos necessários para cada caso.

Certidão Conjunta Negativa de Débitos relativos a Tributos Federais e Dívida Ativa da União ou Certidão Conjunta Positiva com Efeito de Negativa de Débitos relativos a Tributos Federais e Dívida Ativa da União, extraídas da Internet no site da Receita Federal

Fontes:

Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) Caixa Econômica Federal (CEF) Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon)

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PARTE V

ESTUDO DE CONDOMINIO CLASSE C

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CONDOMÍNIO VOLTADO PARA A CLASSE C

liii CONDOMÍNIO VOLTADO PARA A CLASSE C Empreendimento  6 torres  Térreo + 7 andares
liii CONDOMÍNIO VOLTADO PARA A CLASSE C Empreendimento  6 torres  Térreo + 7 andares
liii CONDOMÍNIO VOLTADO PARA A CLASSE C Empreendimento  6 torres  Térreo + 7 andares

Empreendimento

6 torres

Térreo + 7 andares

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8 apartamentos por andar

Guarita

Estacionamento

Piscina

Praça de Jogos

Praça do Convívio

Pista de Cooper

Salão de Festas

Playground

Mais um empreendimento será construído em Jaboatão Um condomínio- clube que mistura climas praiano e campestre no mesmo local. Assim é o Candeias Ville, empreendimento da Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário que será construído em Jaboatão dos Guararapes. Situado na avenida Abdo Cabus, o projeto faz parte da linha Slim da construtora, responsável por imóveis mais acessíveis.

A ser lançado em novembro, o Candeias Ville segue o sucesso do Blue Ville, construído na

mesma avenida. Um dos grandes diferenciais do conjunto é sua localização - na reta do mar, a 1,5 quilômetro da praia. “Candeias é um bairro qualificado, com infraestrutura já pronta. É perto de shopping, supermercado, postos de gasolina, escolas e faculdades”, enumera a superintendente comercial e de Marketing da Queiroz Galvão, Carol Boxwell. Ela ressalta as melhorias trazidas pelas recentes obras realizadas na localidade, como o alargamento e restauração das vias de acesso e a engorda da praia. O empreendimento tem como público principal a classe C, notadamente casais jovens com um ou dois filhos. Será estruturado em seis torres com térreo mais sete pavimentos-tipo e oito apartamentos por andar. As unidades terão 45 metros quadrados, dois quartos, sala para dois ambientes e área de serviço.

O valor médio do metro quadrado é de R$ 3,6mil. Há apartamentos nas quatro faces de

cada prédio, o que permite ao comprador escolher o tipo de incidência solar e de ventilação desejado. Um modelo de apartamento decorado está disponível no estande montado no local. A infraestrutura de lazer inclui salão de festas com copa e WCs, playground, praças, ginástica ao ar livre, pista de cooper, piscina adulto e infantil com deck. Todas as áreas comuns serão entregues equipadas. O projeto tem conclusão prevista para 2016.

Candeias Ville faz parte da linha Slim da construtora Queiroz Galvão e segue os mesmos padrões do Blue Ville Condomínio-clube será construído próximo à praia de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, o lançamento acontece no próximo mês. O Cand eias Ville terá apartamentos com 45 metros quadrados e tem entrega prevista para 2016.

Imóvel

45 m² de área privativa com:

- dois quartos

- banheiro social

- salas de estar e de jantar

- cozinha

- área de serviço

- uma vaga de garagem

- custo inicial a partir de R$ 165 mil 4

Fonte: Folha de Pernambuco | Imóveis

lv

PARTE VI

HISTORIA DA ZONA NORTE DE SÃO PAULO VILA MARIA

lvi

HISTÓRICO

lvi HISTÓRICO http://www.grafnorte.com.br/vila-maria-querido-bairro-da-zona-norte-de-sao-paulo/ O descobrimento de Vila

http://www.grafnorte.com.br/vila-maria-querido-bairro-da-zona-norte-de-sao-paulo/

O descobrimento de Vila Maria e os portugueses d'além Tietê

A diversidade forma uma população de mais de 300 mil pessoas em uma área de 16,4 km² na Subprefeitura de Vila Maria / Vila Guilherme, descoberta e colonizada por portugueses, com história de conflitos e impasses.

Quando os portugueses atracaram suas caravelas às margens do rio Tietê, em meados do século 20, a Vila Maria era muito diferente do que é hoje: a travessia do rio era feita através de uma ponte de madeira, as ruas não tinham calçamento e era possível pescar no rio e nas lagoas que mais tarde foram aterradas. A Vila Maria foi fundada em 1917, com o loteamento realizado pela Companhia Paulistana de Terrenos. O nome teria sido dado em homenagem à esposa de um dos antigos proprietários daquelas terras. As ruas do bairro receberam os nomes dos diretores e corretores da Companhia Paulista de Terrenos, como Guilherme Cotching, Thomaz Speers, Antônio da Silva e Eugênio de Freitas. Até 1918, a travessia do rio Tietê para se chegar à Vila Maria só era possível de barco. Naquele ano foi construída uma ponte de madeira. Mas os barcos continuaram sendo de grande utilidade, já que as inundações eram freqüentes na região. Por essa mesma época começaram a se formar os outros dois bairros que hoje dão nome aos distritos que compõem a Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme. A Vila Medeiros surgiu do loteamento, em 1924, da fazenda que a família Medeiros de Jordão adquiriu em 1909. A Vila Guilherme foi fundada no mesmo período, quando Guilherme Praun da Silva adquiriu 115 alqueires que haviam pertencido ao barão de Ramalho. Guilherme loteou as terras e deu os nomes de seus familiares e amigos às ruas do bairro.

lvii

Entre as décadas de 1930 e 1970, a região recebeu um grande número de imigrantes portugueses, que imprimiram muito de suas características à Vila Maria. A presença lusitana também pode ser observada nos outros dois distritos que formam a subprefeitura. Marcolino Augusto Duque, 71 anos, é um dos tantos portugueses que migraram de Portugal para a Vila Maria e acompanhou de perto a transformação da região em um dos mais tradicionais redutos portugueses em São Paulo. Atracou sua caravela na Vila Maria em 1951 e integrou-se rapidamente à região, onde teve um empório. Calcula que à época de sua chegada, cerca de 70% da população era portuguesa. Hoje, ele estima que essa população represente menos de 20% do total: “Falávamos que a capital de Portugal era a Vila Maria”. Quando Marcolino chegou à Vila Maria, a Sociedade Paulista do Trote estava em pleno funcionamento na vizinha Vila Guilherme, e como era costume entre os portugueses, ele passou a freqüentar os páreos. Anos mais tarde, já na década de 1990, tornou- se presidente da sociedade. No trote, o cavalo dispara puxando o sulky, uma charrete muito leve, de made ira e com rodas do tamanho das de bicicletas para adultos. Durante uma corrida, o animal que mudar a andadura (no caso, deixar de trotar) é desclassificado. As apostas são feitas como no turfe.

O auge do trote

Marcolino mantém vivas as lembranças daquele tempo: “Um páreo naquele tempo era emocionante, a maioria só se resolvia no olho mecânico”. Na década de 1970, a Sociedade do Trote recebia um público de 10 mil pessoas e era freqüentado pela alta sociedade paulistana. A sociedade chegou inclusive a formar um time de futebol: o Trote Futebol Clube. O trote foi instituído pelos portugueses. Antes mesmo da fundação da sociedade, em 1944, padeiros, sacareiros e mercadores portugueses já praticavam o trote na região, com suas carroças. Com a participação dos italianos fundaram a sociedade em 1944. Nos últimos anos, as provas já não atraíam tanto público quanto na sua época áurea. O espaço foi se degradando, devido ao que Marcolino define como um processo de desapropriação mal feito, iniciado ainda na administração de Jânio Quadros (1983-1986) e que acabou se estendendo por muito tempo. Essa degradação faz com que Marcolino aprove a destinação que a administração municipal está dando à área onde eram realizados os trotes. Os trotes já não acontecem mais lá desde 2002. Agora, a subprefeitura está transformando o espaço em uma grande área verde, o Parque do Trote, para oferecer lazer à população. Ainda falta muito para que o parque possa ser utilizado pela população, mas a proposta para o espaço ficou clara no último dia 8 de outubro, quando o local foi palco de um casamento coletivo que celebrou a união de 82 casais da região. O subprefeito de Vila Maria explicou nesse dia que esta é uma forma de fortalecer os laços e ao mesmo tempo estruturar famílias. A iniciativa beneficiou pessoas de baixa renda do Parque Novo Mundo, Vila Curuçá, Cidade Nova, Vila São João e Vila Nova Tietê. Gente como Cecília da Costa, que explica: "Esta história de só morar junto não me contentava. As pessoas olham „torto‟ quando a gente não está casado no papel". Ou como

lviii

Gilvania Domingos da Costa, que, passados alguns dias do casamento, exibia orgulhosa seu álbum de casamento aos seus vizinhos no Parque Novo Mundo. No Parque Novo Mundo encontramos a artesã Virgínia Américo Teixeira, 53 anos todos vividos na Vila Maria, uma das madrinhas do casamento coletivo. Além de exercer sua função de artesã, ela também atua como tesoureira da União de Moradores de Vila São João.

Mistura de raças

Virgínia, que é pedagoga por formação e já trabalh ou na alfabetização de adultos, dedica boa parte de seu tempo ao trabalho com a entidade. Seu esforço, como o de muitos outros,

se justifica: um dos principais problemas enfrentados pela região é o grande número de

favelados cerca de 50 mil de seus habitantes não possuem condições dignas de moradia.

A conversa com Virgínia aponta para outras peculiaridades da região - que é uma espécie

de microcosmos da cidade de São Paulo e do Brasil. Há mistura de raças: na Vila Maria, havia até uma pequena colônia de húngaros, hoje misturados à população. Da conversa com Virgínia também emerge uma outra Vila Maria, a mesma que Marcolino encontrou quando chegou de Portugal, mas vista pelos olhos de quem nasceu e passou a infância no bairro. Ela lembra das dificuldades que seu pai, oficial de farmácia, enfrentava para realizar seu trabalho. “Na época, inundava muito. Para atender alguém, ele ia de barco, tinha que dormir na casa do paciente”. Ela conta também que a farmácia de seu padrinho, onde seu pai trabalhava, funcionava como uma espécie de pronto-socorro, onde trabalhavam o farmacêutico, o médico e o dentista. Era ali que ficava um dos únicos carros da época, utilizado nos casos de emergência. Os outros três automóveis do bairro eram de propriedade dos dois médicos e do farmacêutico.

Virgínia ainda questiona um dos principais mitos com relação à Vila Maria. O bairro ficou conhecido nacionalmente como um forte reduto janista. Isso porque em 1955, o prefeito Jânio Quadros foi eleito governador com o apoio do bairro um reconhecimento pelas obras que Jânio Quadros realizou por lá, inclusive dando início à construção da ponte da Vila Maria, inaugurada um ano depois. Mas, segundo Virgínia, classificar a Vila Maria como reduto janista não é toda a verdade. De acordo com ela, o que havia era uma disputa entre janistas e ademaristas partidários de Adhemar de Barros, ex-prefeito da capital e ex- governador de São Paulo. Ela acredita que isso tenha ajudado no progresso da região, porque os dois governantes acabaram contribuindo para o progresso de Vila Maria. Progresso que, na visão do advogado Roberto Carvalho da Mota, presidente do Rotary Club da Vila Medeiros, estagnou. Mas ele acredita que, apesar disso, ainda há espaço para

o crescimento da região. Dono de grande acervo de documentos sobre toda a área, ele se

define como um “museu vivo”, o que se justifica não só pelos seus registros, como também

pelas histórias que detém na memória. Roberto planeja colocar à disposição seu material para a população em breve, através do Museu de Vila Maria. Por enquanto, parte de seu material e de suas informações podem ser consultadas na internet, em seu site.

As paixões na Vila Guilherme

O casal Fernando e Felizbella Cambler, ambos de 73 anos, moradores da Vila Guilherme,

também tem muitas histórias para contar. Felizbella nasceu e morou no bairro durante toda

a vida. Com o casamento, Fernando acabou indo para o bairro: uma paixão levou à outra.

Felizbella foi professora e diretora da Escola Municipal Rui Barbosa, a primeira escola

lix

municipal da Vila Guilherme, e Fernando foi diretor dessa mesma escola e depois foi Supervisor de Ensino da região. Uma das mais célebres histórias da Vila Guilherme conta que fica ali uma casa que Dom Pedro I utilizava para se encontrar com a Marquesa de Santos. Ainda que se tenha comprovado que não passa de lenda, a história ganhou fama entre os moradores da região. Desde que os portugueses descobriram a Vila Maria, o bairro se transformou consideravelmente. Hoje, o local é considerado de média densidade comercia l, com um grande volume de pequenos comerciantes, transportadoras e prestadores de serviços. O bairro está todo urbanizado. E os problemas com enchentes parecem ter ficado no passado, graças à retificação e ao desassoreamento do rio Tietê. E se, no passado, a grande maioria da população era de portugueses, com o passar dos anos outras raças migraram para a região. Hoje, é grande a presença de imigrantes do norte, do nordeste e da Bolívia. Essa diversidade de povos forma uma população de mais de 300 mil pessoas, distribuídas por uma área de 16,4 km². A Vila Maria foi descoberta e colonizada por portugueses; tem uma história de conflitos e impasses; nas suas favelas, estão as senzalas de hoje. Brasil em miniatura, a Vila Maria tem esperança no futuro.

lx

PARTE VII

PESQUISA QUANTITATIVA E LEGISLAÇÃO ZONA NORTE VILA MARIA/VILA GUILHERME

lxi

PESQUISA QUANTITATIVA ZONA NORTE DE SÃO PAULO

Zona Norte 1

Distritos administrativos: Vila Guilherme , Vila Maria e Vila Medeiros

Telefone: 2967-8100

Endereço: Rua General Mendes, 111- Bairro: Vila Maria - CEP: 02127-020

População total: 296.040 habitantes

População de 0 a 9 anos: 36.455 habitantes

População de 10 a 14 anos: 21.136 habitantes

População de 15 a 19 anos: 21.229 habitantes

População de 20 a 29 anos: 54.552 habitantes

População de 30 a 59 anos: 120.267 habitantes

População com 60 anos ou mais: 42.402 habitantes

Fonte: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - Censos Demográficos / SMDU/Dipro - Retroestimativas e Projeções 2011

Área geográfica total: 26,90 km²

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CULTURA

Cinemas

Porcentagem das salas de cinema, municipais, estaduais, federais e particulares, em cada subprefeitura/distrito sobre o total de salas da cidade.

Fonte: SMC (Secretaria Municipal de Cultura)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

4,20

11

3,45

11

3,45

11

3,31

11

3,31

11

Equipamentos culturais públicos

Porcentagem de equipamentos públicos de cultura, municipais, estaduais, e federais.

Fonte: SMC (Secretaria Municipal de Cultura)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

0,00

0

0,00

0

0,00

0

1,29

3

Museus

Porcentagem de museus, municipais, estaduais, federais e particulares.

Fonte: SMC (Secretaria Municipal de Cultura)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

4,03

5

0,00

0

4,03

5

4,03

5

lxiii

EDUCAÇÃO

Atendimento nas creches municipais

Número de matrículas nas creches (diretas, indiretas e conveniadas) por habitante na faixa etária de 0 a 3 anos.

Fonte: SME (Secretaria Municipal de Educação)/SEADE (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) - Elaboração: Rede Nossa São Paulo

Ano

Indicador

Valor Absoluto

0,17

3.164

0,19

3.510

0,19

3.391

0,36

5.150

Demanda atendida de creche Porcentagem de matrículas efetuadas sobre o total de procura por vagas.

Fonte: SME (Secretaria Municipal de Educação)/ATP (Assessoria Técnica e de Planejamento)/Centro de Informática

Ano

Indicador

Valor Absoluto

74,10

3.164

2009 66,43

3.510

2010 61,55

3.391

2011 67,38

5.150

2012 82,61

6.536

Demanda atendida de pré -escola

Porcentagem de matrículas sobre o total de procura por vaga.

Fonte: SME (Secretaria Municipal de Educação)/ATP (Assessoria Técnica e de Planejamento)/Centro de Informática

Ano

Indicador

Valor Absoluto

97,59

10.192

95,51

8.492

96,09

8.191

98,81

5.225

99,56

4.985

lxiv

ESPORTE

Equipamentos esportivos

Porcentagem dos equipamentos públicos de esporte em cada subprefeitura/distrito sobre o total do município.

Fonte: SEME (Secretaria Municipal de Esporte)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

3,63

12

2,40

11

2,22

11

HABITAÇÃO

Favelas

Porcentagem de domicílios em favelas sobre o total de domicílios da subprefeitura/distrito.

Fonte: SEHAB (Secretaria de Habitação)/IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Censo 2010)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

7,66

6.789

2008 6,03

5.347

2009 6,95

6.162

2010 4,68

4.362

2011 5,85

5.455

2007 7,66 6.789 2008 6,03 5.347 2009 6,95 6.162 2010 4,68 4.362 2011 5,85 5.455

lxv

Outorga onerosa

Porcentagem de potencial construtivo residencial já adquirida em relação ao previsto na lei 13.885/04, em metros quadrados.

Fonte: SEMPLA (Secretaria Municipal de Planejamento)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

29,81

43.231

47,29

68.569

65,55

95.050

79,48

115.250

85,73

124.303

Unidade: porcentagem do potencial construtivo. Valor absoluto:Potencial construtivo residencial previsto na lei 13.885/04, em metros quadrados.

potencial construtivo. Valor absoluto: Potencial construtivo residencial previsto na lei 13.885/04, em metros quadrados.

lxvi

MEIO AMBIENTE

Área verde por habitante

Metros quadrados de área verde por habitante. Áreas verdes públicas.

Fonte: SVMA (Departamentos de Planejamento Ambiental e Parques e Áreas Verdes), da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (projeção da população, a partir do CENSO/IBGE). - Elaboração: SVMA (Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

1,68

539.248

1,75

523.079

1,76

523.079

1,77

523.079

Unidade: m2 por habitante Valor absoluto:Área verde total em m2.

Consumo de água

Média mensal do consumo de água (Residencial, Comercial, Público, Industrial e Misto) estimado, em metros cúbicos, por habitante.

Fonte: SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) - Elaboração:

Kairós .

Básico do Estado de São Paulo) - Elaboração: Kairós . Ano Indicador Valor Absoluto 2007 5,76

Ano

Indicador

Valor Absoluto

5,76

1.652

5,61

1.616

5,83

1.668

Unidade: metros cúbicos por habitante Valor absoluto:consumo total em mil metros cúbicos

lxvii

Rede de esgoto

Porcentagem de domicílios sem ligação com a rede de esgoto, sobre o total de domicílios da subprefeitura.

Fonte:IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Censo 2000)/SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo)

Ano

Indicador

2000 5,95

2007 7,16

Unidade: porcentagem de domicílios

Saneamento Básico do Estado de São Paulo) Ano Indicador 2000 5,95 2007 7,16 Unidade: porcentagem de

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SAÚDE

Leitos hospitalares

Número de leitos hospitalares públicos e privados disponíveis por mil habitantes.

Fonte: CNES (Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde)/SMS (Secretaria Municipal da Saúde)/SES (Secretaria de Estado da Saúde) - Elaboração: SMDU/Dipro - Projeção com base no Censo Demográfico 2010 IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

Valor absoluto

Número de leitos hospitalares disponíveis.

Ano

Indicador

Valor Absoluto

1,90

547

1,78

510

1,72

513

1,65

489

1,83

538

Unidade: leitos por mil Valor absoluto:Número de leitos hospitalares disponíveis.

489 2012 1,83 538 Unidade: leitos por mil Valor absoluto: Número de leitos hospitalares disponíveis.

lxix

Unidades de atendimento básico

Número de unidades básicas públicas de atendimento em saúde por vinte mil habitantes.

Fonte: SEMPLA (Secretaria Municipal de Planejamento)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

0,82

13

0,90

13

0,91

13

0,87

13

0,81

12

Unidade: unidades por vinte mil Valor absoluto: Número existente de unidades básicas de saúde.

TRABALHO E RENDA

Empregos

Porcentagem de empregos na região em relação ao total da cidade.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego. Relação Anual de Informações Sociais - Rais - Elaboração: SMDU/Dipro.

Ano

Indicador

Valor Absoluto

3,06

80.605

2,96

88.237

2,89

94.704

2,76

99.055

2,72

108.485

Unidade: Percentual de empregos na região em relação ao total da cidade Valor absoluto:número de empregos

108.485 Unidade: Percentual de empregos na região em relação ao total da cidade Valor absoluto: número

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Renda média do trabalho

Rendimento médio proveniente do trabalho, em reais.

Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego da SEADE (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados)/DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos)

Ano

Indicador

2006 1.247,00

2008 1.435,00

2010 1.636,00

2012 2.077,99

Unidade: reais

de Estatística e Estudos) Ano Indicador 2006 1.247,00 2008 1.435,00 2010 1.636,00 2012 2.077,99 Unidade: reais

lxxi

VIOLÊNCIA

Homicídios

Número de óbitos por homicídio, por cem mil habitantes.

Fonte: Pro- Aim (Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade no Município de São Paulo)/SMS (Secretaria Municipal de Saúde) - (2011 atualizado em 30 de agosto de 2012)

Ano

Indicador

Valor Absoluto

11,92

38

14,24

41

11,19

32

11,42

34

5,74

17

Unidade: Óbitos por cem mil Valor absoluto:Número de óbitos ocorridos.

2010 11,42 34 2011 5,74 17 Unidade: Óbitos por cem mil Valor absoluto: Número de óbitos

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Roubos

Número de roubos por cem mil habitantes, por local de ocorrência.

Fonte: INFOCRIM-SSP (Sistema de Informação Criminal) - Elaboração: Kairós

Ano

Indicador

Valor Absoluto

833,34

2.462

894,80

2.615

893,76

2.583

983,31

2.819

Unidade: roubos por cem mil Valor absoluto: Número de roubos por local de ocorrência.

2006 983,31 2.819 Unidade: roubos por cem mil Valor absoluto: Número de roubos por local de

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PARTE VIII

ESTUDO DE CASO - CONDOMINIOS RESIDENCIAIS

1º Primeiro Estudo de caso

lxxv

Projeto Box House - Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo

Antes de iniciar nosso projeto, realizamos diversas pesquisas, dentre elas pesquisamos alguns estudos de CASOS de alguns arquitetos e empresas de engenharia na construção civil, para entender como eles venceram os desafios de implantação de seus projetos, e aproveitarmos suas experiências e inovações para desenvolver nosso projeto arquitetônico.

foi a Box House, projeto do arquiteto Yuri Vital para São

Paulo implantado em um terreno de 1011m² no bairro de Brasilândia, na zona norte da cidade de São Paulo. Antigamente, a região era formada por pequenas chácaras e vilas, que deram lugar a lotes habitacionais e residências construídas pelos próprios moradores, onde um vizinho era ajudado pelo demais e, assim, o lugarejo foi crescendo.

Seu objetivo era mostrar que boas soluções arquitetônicas podem contribuir de uma forma significativa para aqueles que tem uma renda mais baixa, isto é unir funcionalidade e estética.

Uma inovação arquitetonica

Imagem do empreendimento

Uma inovação arquitetonica Imagem do empreendimento O complexo residencial reforça o ideal de qualidade

O complexo residencial reforça o ideal de qualidade seguindo um novo modelo de desenvolvimento formal e despojado, fator que possibilitou o desenvolvimento do conjunto de 17 unidades.

Sua estrutura foi concluída de maneira inovadora. O projeto tem uma rua interna que conecta as unidades e vaga para um veículo em cada garagem. O terreno tem uma área total de 1011m² com 46m² de área privativa. Cada casa contém um depósito, sala de estar, lavabo, cozinha e área de serviço, sendo que no segundo andar ficam os dois quartos e um banheiro.

Foto da vista lateral e frontal

lxxvi

lxxvi PLANTAS: DA GARAGEM / PISO INFERIOR E SUPERIOR

PLANTAS: DA GARAGEM / PISO INFERIOR E SUPERIOR

lxxvi PLANTAS: DA GARAGEM / PISO INFERIOR E SUPERIOR

lxxvii

"As exigências técnicas são as mesmas para qualquer classe", diz Yuri Vital. Talvez seja importante desmistificar o conceito de que estes aspectos sejam superficiais e só acessíveis às pessoas de poder aquisitivo, pois é possível construir com qualidade técnica e estética mesmo com baixo custo.

Outro fator importante para uma construção econômica e arquitetonicamente bonita foi o detalhamento do projeto. Uma obra bem planejada torna-se econômica durante sua execução. Esse nível de detalhamento facilita o andamento da obra ao proporcionar à equipe do canteiro o máximo de elementos para execução correta e agilidade da construção, o que evita erros e retrabalho.

IMPLANTAÇÃO GERAL

para execução correta e agilidade da construção, o que evita erros e retrabalho. IMPLANTAÇÃO GERAL Corte

Corte AA / BB

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lxxviii Corte Longitudinal

Corte Longitudinal

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lxxix Com esse projeto, o profissional recebeu do Instituto de Arquitetos do Brasil o Prêmio IAB

Com esse projeto, o profissional recebeu do Instituto de Arquitetos do Brasil o Prêmio IAB na categoria "Habitação de Interesse Social", em 2008.

2º Segundo Estudo de caso

Equipe brasileira ganha Prêmio Alacero

Principais pontos pela escolha deste projeto:

Apesar de não ser um projeto habitação popular e sim de interesse social, é um projeto de estrutura metálica que se destaca pela inovação, aparência e versatilidade;

Trás idéias de sustentabilidade, captação de água e reuso energias renováveis, iluminação e ventilação natural e cruzada.

Diferentemente da construção convencional este projeto possibilita um menor tempo de obra, desperdício de material, proporcionando obra limpa.

Depois de vencer o concurso promovido pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço, o projeto de unidade educativa de uso comunitário estruturada em aço, desenvolvido por alunos de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), conquistou o primeiro lugar na premiação Alacero, realizada na capital chilena, Santiago.

lxxx

Vista frontal do empreendimento

lxxx Vista frontal do empreendimento Detalhe dos fechamentos metálicos na fachada O projeto criado pelo grupo

Detalhe dos fechamentos metálicos na fachada

empreendimento Detalhe dos fechamentos metálicos na fachada O projeto criado pelo grupo de alunos do Paraná

O projeto criado pelo grupo de alunos do Paraná propõe a construção de três edifícios destinados a abrigar a área educativa, o ginásio poliesportivo e o jardim de infância além de uma praça e horta comunitária pilares metálicos contra ventados, vigas vencendo grandes vãos, volumes suspensos e amplos balanços são soluções apresentadas para a construção dos equipamentos destinados à população de uma região carente na periferia de

lxxxi

Curitiba. O trabalho demonstrou a habilidade da equipe na adequada utilização do aço e na criatividade da estrutura.

Com 20.148 metros quadrados, o terreno proposto está localizado na zona leste de Curitiba, a poucos metros dos limites políticos e geográficos da capital. Trata-se, segundo os estudantes, de um vazio urbano à margem da cidade e dos córregos afluentes do rio Atuba, habitado por uma população carente de oportunidades, serviços e assistência. Nesse contexto se desenvolveu a ideia de integrar a escola ao bairro, fazendo com que a sua estrutura e usos complementares criassem um centro de convergência dos interesses coletivos. O andar térreo do bloco educativo abriga espaços de uso comunitário, como biblioteca e auditório, além da administração da escola.

biblioteca e auditório, além da administração da escola. Pátio Os autores explicam que a definição do

Pátio

Os autores explicam que a definição do programa e a escala foram o ponto de partida para os estudos de inserção das construções no lote. Assim, surgiram duas grandes áreas, separadas pelo corpo principal do edifício, uma grande barra horizontal orientada predominantemente para o norte, e pela relação topográfica criada. No primeiro caso, as áreas são definidas quase de forma natural. Uma delas margeia um afluente do Atuba e assume sua condição ambiental, estabelecendo-se como um parque Linear, onde se distribuem equipamentos que estimulam a prática de esportes e Lazer. A outra se prolonga paralelamente à via pública e se propõe como uma praça urbana, local para encontros e eventos.

A topografia, por sua vez, influenciou nas relações entre o público e o privado, como uma maneira sutil de estabelecer um controle de acessos e ao mesmo tempo liberar grandes espaços. A escavação de 2,5 metros de profundidade possibilita algumas áreas adequadas ao programa, como parte da biblioteca, cantina aberta, bicicletário e o pátio de recreio. A qualidade deste é influenciada ainda pela proteção contra ventos e ruídos externos.

Os distintos usos da escola se configuram em um arranjo no qual as áreas mais púbicas, como biblioteca, auditório e administração, estão no térreo, acessíveis à comunidade, formando um embasamento sobre o qual irá se apoiar o bloco didático. Tanto o conjunto das quadras quanto o jardim de infância são separados do volume principal. O alinhamento das quadras, no entanto, permite uma leitura linear desses blocos, como se fossem um único, explicam os estudantes.

lxxxii

lxxxii Perspectiva/Corte ESTRUTURAS No bloco principal, as cargas se distribuem em três pares de pilares, distantes

Perspectiva/Corte

ESTRUTURAS

No bloco principal, as cargas se distribuem em três pares de pilares, distantes nove metros entre si, configurando vãos de 18 e 36 metros. Estes são vencidos com um par de treliças de sete metros de altura, situadas no limite das salas de aulas, definindo a p arede lateral. Entre essas treliças, uma viga invertida cruza o pátio, dando rigidez ao conjunto e pendurando por tirantes as salas de aulas que estão em balanço nas extremidades.

No edifício administrativo, pilares metálicos contra ventados e apoiados nas fundações conformam as paredes laterais, enquanto a Laje superior se apóia num sistema comum de vigas que vencem vão de nove metros. Na biblioteca, devido à exigência de vãos maiores, uma treliça secundária cruza o bloco, sustentando a laje de cobertura e do piso intermediário. No refeitório, duas treliças paralelas, articuladas por um sistema de vigas vierendeel, deixam o volume suspenso sobre o pátio.

O sistema proposto para a área esportiva suspende uma das quadras na cota 3,5 metros e uma cobertura para o conjunto a 12 metros, formando uma grande cama, apoiada em quatro pilares. Esse efeito ganha expressividade pela soltura da proteção lateral, por um sistema de treliças verticais e um quadro, que dão rigidez ao revestimento de policarbonato. O sistema estrutural utilizado no prédio do jardim de infância separa a cobertura dos volumes internos, criando uma área de ventilação entre eles. A cobertura é composta por quatro grandes panos de Laje, apoiados entre si, e por duas linhas de pilares (12 no total), organizados de modo a definir balanços nas pontas e um grande pátio central, com pitares nos quatro vértices.

lxxxiii

lxxxiii Circulação PREMIAÇÃO: A equipe vencedora, autora do projeto, é composta pelos alunos Agatha Paula Linck,

Circulação

PREMIAÇÃO: A equipe vencedora, autora do projeto, é composta pelos alunos Agatha Paula Linck, Danilo Alberto Menon, Lucas Fuson, Marcelo Miotto, Moacir Zancopé Júnior e Vitor Jun Takahashi, o professor orientador Paulo Cesar Braga Pacheco e os professores co-orientadores Madianita Nunes Silva e Carlos Alberto Adão.Também concorreram ao prêmio equipes representantes da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, República Dominicana e Venezuela. A equipe colombiana ficou com o segundo lugar e a chilena recebeu a menção honrosa.

3º Terceiro Estudo de Caso

Internacional: Eslovênia

Projetos de baixo custo de interesse social, sempre foram interessantes, porém conciliar inovação, beleza e estética não é fácil, devido formas de acabamentos utilizados. Este empreendimento foi premiado por ser pensado e voltado para classe de baixa renda. Porém, ganhou por questões econômicas, racionais e funcionais.

Vista frontal: Estilo Colméia

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lxxxiv Planta e fachadas Os blocos são definidos em uma colina com vista para Izola Bay.

Planta e fachadas

lxxxiv Planta e fachadas Os blocos são definidos em uma colina com vista para Izola Bay.

Os blocos são definidos em uma colina com vista para Izola Bay. Resultou em 2 blocos de 60 × 28 metros. Com exigência de 30 apartamentos de diferentes tamanhos e estruturas, com apartamentos de três quartos. Os apartamentos são pequenos, com quartos de tamanho de acordo com padrões mínimos eslovenos. Não existem elementos estruturais no interior dos apartamentos, proporcionando assim a flexibilidade e a possibilidade de reorganizar as áreas internas suprindo a necessidade de seus beneficiados.

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lxxxv O projeto proposto uma varanda para cada apartamento, proporcionando, assim, um espaço ao ar livre

O projeto proposto uma varanda para cada apartamento, proporcionando, assim, um espaço ao ar livre que é íntimo, em parte relacionado com o interior, com sombra e ventilação natural.

assim, um espaço ao ar livre que é íntimo, em parte relacionado com o interior, com

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Uma sombra têxtil protege a varanda e apartamentos de olhos curiosos, mas devido à sua semi transparência permite que o proprietário para apreciar a vista externa. Painéis laterais perfurados permitir brisa de verão para ventilar o espaço. As cores fortes criar atmosferas diferentes dentro dos apartamentos. Caixas no lado de cada varanda para dar espaço para unidades de ar condicionado. Os pequenos quartos tornam-se visualmente maior, porque a sombra têxtil cria um efeito de perspectiva que liga parte do exterior com o interior.

Questões de sustentabilidade:

Varandas são projetadas como um sistema eficiente proporcionando sombreamento e ventilação para os apartamentos. Elementos têxteis fixos na frente das varandas para bloquear a luz solar direta. No verão quente área acumulada por trás das sombras é naturalmente ventilada através de buracos (10 cm) nas divisórias laterais perfuradas das varandas. No inverno, o ar quente fica na área e fornece aquecimento adicional para os apartamentos, resumindo em boa iluminação natural e ventilação tanto frontal como lateral.

natural e ventilação tanto frontal como lateral. Acreditando que este empreendimento obteve grande sucesso,

Acreditando que este empreendimento obteve grande sucesso, caberia ao setor responsável por moradias populares repensar na forma de construir, juntando planejamento e qualidade.

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PARTE IX

METODOLOGIA CONSTRUTIVA DO PROJETO DETALHES E JUSTIFICATIVAS.

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FUNDAÇÕES PROFUNDAS

HELICE CONTINUA

lxxxviii FUNDAÇÕES PROFUNDAS HELICE CONTINUA Conceito e Justificativa Tipo de fundação profunda constituída por

Conceito e Justificativa

Tipo de fundação profunda constituída por concreto, moldada in loco e executada por meio de trado contínuo e injeção de concreto pela própria haste do trado.

NBR 6122-3.21 Estaca "hélice contínua"

As estacas escavadas com hélice contínua foram introduzidas no Brasil na década de 90. É uma estaca de concreto moldada “in loco”, executada através da perfuração do terreno realizada por um equipamento composto por uma haste tubular envolta por um trado (instrumento de forma helicoidal com que se faz furos no solo). Na face inferior do equipamento (trado + haste tubular) existe uma tampa metálica que evita a entrada de terra ou água na haste tubular enquanto o trado perfura o solo. Esta tampa metálica é expulsa do equipamento assim que se inicia a concretagem.

Técnica construtiva

O concreto é bombeado para o interior da perfuração através da haste tubular, ao mesmo tempo em que se retira a hélice. Desta forma, preenche-se os vazios e evita-se o desmoronamento das paredes de perfuração e, conseqüentemente, o seccionamento da estaca. As operações de introdução do trado e concretagem ocorrem de maneira contínua e ininterrupta, fazendo com que as paredes que darão origem à estaca estejam sempre suportadas pelo solo (entre as pás da hélice) e pelo concreto que está sendo bombeado, sempre com pressão positiva, para evitar a descontinuidade do fuste.

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Indicações de uso

Ø Indicadas especialmente para regiões e áreas densamente ocupadas, pois seu ruído e

vibrações são extremamente baixos

Ø Excelente para construção em terrenos com camadas resistentes a outros tipos de

fundação

Ø Maior velocidade em comparação com o sistema convencional, colocando as fundações

à disposição do cliente mais rapidamente

Ø Antecipação da conclusão da obra, resultando em economia no custo total, uma vez que

a grande produtividade diária resulta em preço menor do metro escavado

Ø Maior segurança na realização da obra, pois o concreto é bombeado para o interior da

perfuração ao mesmo tempo em que se retira a hélice, evitando o desmoronamento das paredes de perfuração.

SUPERESTRUTURA ALVENARIA CONVENCIONAL

de perfuração. SUPERESTRUTURA ALVENARIA CONVENCIONAL CONCEITO E VANTAGENS É formada por pilares, vigas e lajes

CONCEITO E VANTAGENS

É formada por pilares, vigas e lajes de concreto, sendo que os vãos são preenchidos com tijolos cerâmicos para vedação. Neste caso, o peso da construção é distribuído nos pilares, vigas, lajes e fundações e, por isso, as paredes são conhecidas como “não-portantes”. Entre as vantagens da estrutura convencional estão a possibilidade de criação de um projeto mais arrojado e a utilização de portas e janelas fora das medidas padronizadas. Apesar de ser mais caro que a alvenaria estrutural, é possível realizar qualquer tipo de reforma. Para a construção de elementos como pilares e vigas são usados aço estrutural e formas de madeira. Depois da construção das paredes, é preciso “rasgá- las” para embutir as instalações hidráulicas e elétricas. Em seguida, deve ser iniciada a etapa de revestimento, caracterizada pela aplicação do chapisco, massa grossa, massa fina e pintura.

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xc VEDAÇÃO Na alvenaria de vedação, como o próprio nome sugere, o objetivo das paredes é

VEDAÇÃO

Na alvenaria de vedação, como o próprio nome sugere, o objetivo das paredes é fechar a estrutura da obra entre colunas e vigas sem contribuir de forma direta para a estrutura do projeto. Esta característica não dispensa a utilização de tijolo cerâmico com tecnologia e dimensionados para atender com praticidade as diferentes exigências de cada projeto. Trabalhamos com três linhas de tijolos cerâmicos de vedação:

FACE LISA

Tijolos cerâmicos de vedação mais robustos, com paredes mais espessas indicados para obras de alto padrão. Ideal para a aplicação de acabamentos em gesso e aparente.

FACE RANHURADA

Tijolos cerâmicos de vedação mais leves, porém com alta resistência. Indicado na maioria das obras onde o acabamento será em chapisco, emboço e reboco, podendo também em gesso.

• Dicas - A alvenaria com a função de vedação, mas pode pode também ser parte da

própria estrutura da construção. Constituídas com tijolos cerâmicos vedação. As dicas que mostraremos aqui servem para as alvenarias feitas , elementos construtivos com dimensões pré-determinadas e constantes. Seja como elemento estrutural ou como simples vedação, as alvenarias são sempre assentadas em cima de uma base. Esta pode ser o baldrame, alicerce ou algum outro elemento estrutural, como:

• Baldrame – Dá-se este nome à viga da fundação que serve justamente de base para a

alvenaria, ficando ao rés do chão. O baldrame deve ser devidamente impermeabilizado, sendo preciso esperar ao menos um dia para a secagem completa da camada de

impermeabilização antes de se iniciar a alvenaria sobre ele.

• Alicerce – Em pequenas obras, com fundação rasa, ou mesmo em obras que utilizam

vigas baldrame, é preciso fazer levantar algumas fiadas de tijolos, devidamente impermeabilizadas, para interligar a fundação às paredes. Esta pequena parede costuma-se

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chamar de alicerce, frequentemente confundida com o baldrame, mas são coisas distintas.

• Elemento estrutural - São vigas ou lajes de concreto armado, podendo também ser

algum elemento da estrutura metálica. Em qualquer destes casos provavelmente estaremos falando de paredes longe do solo, no primeiro pavimento ou acima dele.

• Planejamento- O projeto determinará espessura de cada parede. Seja como for, o serviço

sempre é iniciado pelos cantos principais, devidamente posicionados pelo mestre de obras que usará para isto o gabarito da obra, para paredes no térreo, ou a planta, para obras que tenham um ou mais pavimentos. Feita esta localização das paredes no plano horizontal, resta fazer a localização das fiadas no plano vertical, o que deverá ser planejado com precisão e sua modulação. Muitos pedreiros deixam de fazer este planejamento das fiadas, dizendo que “depois eu acerto na massa”, mas este é um engano e leva a desperdícios. O

correto é prever quantas fiadas serão necessárias para alcançar a altura do respaldo das paredes evitando recortes no final. O levantamento da parede de modo desordenado, além de dar muito mais trabalho no acabamento, piora o aspecto e pode diminuir a resistência.

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PARTE X

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

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PARTE XI

BIBLIOGRAFIA.

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BIBLIOGRAFIA:

CASTRO, José Amado. “A Evolução das Habitações”. Disponível em:

Acessado em: 16 de Outubro de 2012.

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prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/desenvolvimento_urbano/legislacao/index.php?p=8

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PARTE XII

ANEXOS.

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