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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE EDUCAÇÃO LICENCIATURA A DISTÂNCIA EM PEDAGOGIA

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE EDUCAÇÃO LICENCIATURA A DISTÂNCIA EM PEDAGOGIA FAMÍLIA E

FAMÍLIA E ESCOLA: A importância da família no processo da aprendizagem 1 Jocelaine da Rosa Rodrigues 2 Pamela Lemos Nunes 3

RESUMO

O presente trabalho tem a finalidade de apresentar reflexões sobre a partici- pação e a importância da família e da escola no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, levando em consideração seus aspectos sociais e huma- nos, bem como as antigas e novas formas do conceito de família. Com base meto- dológica de pesquisa bibliográfica e fundamentada no art. 2º da lei nº 9.394 (1996) que referencia as bases da educação no Brasil, o qual afirma ser dever da família e do Estado a tarefa de educar para a cidadania, o presente artigo destaca pontos im- portantes sobre as melhorias que ocorrem no processo de aprendizagem do aluno com a participação da família. Este estudo representa apenas uma pequena visão sobre o tema, destacando a importância deste engajamento para o desenvolvimento de um ensino de qualidade na escola e na educação como um todo.

Palavras-chave: Família. Escola. Educação. Aprendizagem. Relações.

1. INTRODUÇÃO

Analisar a relação família-escola é uma questão tão antiga quanto atual, e que envolve a verificação da transformação de vários fatores históricos e sociais. A prática da educação sempre esteve presente em todas as sociedades. Não se refere aqui à educação formal (escolar), mas aos métodos de transmissão de conhecimen- tos de núcleos sociais comunitários através das interações e troca de saberes entre seus membros. A escola, constituída de prédios próprios e organizada em séries ou classes, é uma construção recente na história.

  • 1 Texto produzido para a disciplina Sociologia da Educação II – EaD do Curso Pedagogia sob a orien- tação da Professora Vanessa dos Santos Nogueira e tutora Martiéli Rodrigues.
    2

Acadêmica do Curso de Pedagogia EAD da Universidade Federal de Santa Maria – Pólo Sapucaia do Sul.

  • 3 Acadêmica do Curso de Pedagogia EAD da Universidade Federal de Santa Maria – Pólo Sapucaia do Sul.

Sendo a educação constituída de aspectos formais e não formais essenciais para desenvolvimento das relações humanas em sociedade, a tarefa de ensinar ou transmitir conteúdos e conhecimentos por muito tempo foi realizada pelo núcleo fa- miliar. E como a família pode ser considerada a célula primeira de ensino, esta não poder estar dissociada da vida escolar durante o ensino formal.

As transformações que ocorreram nos conceitos de família também podem ser observadas no ambiente escolar. Atualmente, os núcleos familiares possuem características diferente daquelas as quais a escola era acostumada a dialogar. Pais e mães separados, crianças sob cuidados dos avôs, casais homo afetivos, questões de raça e gênero constituem as referências que os alunos trazem para dentro dos muros da escola.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96) define várias formas nas quais a família e o Estado tem o dever e a obrigação de zelar pelo ensino da crian- ça. Também cabe salientar a instituição do dia da Família na Escola, na tentativa de participação dos pais e responsáveis no ambiente escolar.

Neste contexto entre reconhecimento do conceito atual de família e as rela- ções entre família-escola é que desenvolveremos a questões principais do presente artigo.

  • 2. CONCEITUANDO FAMÍLIA

Podemos definir família, de acordo com Anthony Giddens, como “um grupo de pessoas diretamente unidas por conexões parentais, cujos membros adultos assu- mem a responsabilidade pelo cuidado das crianças”. Giddens ainda ressalta que a palavra família nos remete a laços consanguíneos ou parentais, onde há conexões entre sujeitos com linhas de descendência como o pai, a mãe e os irmãos, até a li- nhagem (ou conexão) sexual, que é casamento. Elo esse, que é reconhecido soci- almente, estabelecendo mais uma maneira de formação familiar, que é quando a união matrimonial acaba ligando não só os sujeitos que se casaram, mas também conecta os parentes dos cônjuges, tornando-se parentes do através do casamento.

De acordo com a ideia de Giddens, podemos afirmar que a família é antes de qualquer coisa, a principal formadora de sujeitos, pois é dentro do ambiente familiar que se reflete a criação do indivíduo que viverá em sociedade.

As relações familiares são importantes formas iniciais de socialização. Pois a vida em sociedade de um indivíduo se inicia dentro de seu ambiente familiar. Pode- mos reconhecer dentro da sociedade a família nuclear, que consiste em dois adultos convivendo em uma mesma casa, com uma ou mais crianças, sendo que estas cri- anças podem ser filhos legítimos ou adotados.

Há também, um núcleo familiar mais amplo, onde residem parentes diretos, o casal, filhos, entre outras pessoas. Este tipo de núcleo familiar é conhecido por famí- lia ampliada, pois nesta, há a convivência com pais, avós, tios, irmãos, entre outros parentes mais próximos, de acordo com as condições de cada família.

De acordo com o livro didático de Sociologia (Ed. Scipione, 2013. p. 66) o nú-

cleo familiar é caracterizado “[

]

como um conjunto de pessoas relacionadas entre

... si por laços afetivos, e não somente pelo casamento ou pela filiação”.

Nas sociedades ocidentais, a monogamia é considerada, o modo de se for- mar uma família, socialmente aceita. Em compensação, há locais em que a poliga- mia (cultura onde se pode ter mais de um cônjuge) é socialmente aceitável, e até mesmo comum. Dentro da cultura polígama podemos ter dois tipos de casamentos:

a poliginia (cultura onde um marido pode ter mais de uma esposa) e a apoliandria (cultura onde uma esposa pode ter mais de um marido), que não é tão comum quan- to a poliginia.

Portanto, os núcleos familiares são variados, depende da cultura, da socieda- de, entre outros fatores externos. Pois segundo (Dessen; Polonia. p. 22) família “[ ] ... é a matriz da aprendizagem humana, com significados e práticas culturais próprias que geram modelos de relação interpessoal e de construção individual e coletiva”.

Pois “em se tratando de Brasil, não poderemos falar de uma única constitui- ção familiar, ou um único conceito de família”. (Livro didático sociologia da educa- ção II. p. 22)

3.

CONSIDERAÇÕES ACERCA DA FAMÍLIA

Como anteriormente citado e em conformidade com as colocações da Decla- ração Mundial sobre a Sobrevivência, a Proteção e o Desenvolvimento da Criança nos anos 90

A família é a principal responsável pela alimentação e pela proteção da cri- ança, da infância à adolescência. A iniciação das crianças na cultura, nos valores e nas normas de sua sociedade começa na família. Para um desen- volvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança deve crescer num ambiente familiar, numa atmosfera de felicidade, amor e com- preensão. Portanto, todas as instituições da sociedade devem respeitar e apoiar os esforços dos pais e de todos os demais responsáveis para alimen- tar e cuidar da criança em um ambiente familiar. 19. Todos os esforços de- vem ser feitos para evitar que a criança seja separada de sua família. Quando esse afastamento ocorrer por motivos de força maior ou em função do interesse superior da criança, é necessário que se tomem providências, de modo que ela receba atenção familiar alternativa apropriada, ou seja, co- locada em alguma instituição, sempre levando em consideração a importân- cia de continuar a criação da criança em seu próprio meio cultural. Os gru- pos familiares, os parentes e as instituições comunitárias devem receber apoio para poderem suprir as necessidades das crianças órfãs, refugiadas ou abandonadas. Esforços devem ser envidados para evitar a marginaliza- ção da criança na sociedade.

FERRARI E; KOLOUSTIAN, 2008, p.12 afirmam que

É consenso que a situação de vulnerabilidade das famílias encontra-se dire- tamente associada à sua situação de pobreza e ao perfil de distribuição de renda no país. No Brasil, como também em outros países, os programas de transição econômica e de ajustes macroeconômicos têm funcionado como um fator desagregador daquelas. Têm-se verificado, por exemplo, um au- mento das famílias monoparentais, em especial aquelas onde a mulher as- sume a chefa do domicílio; a questão migratória, por motivos de sobrevi- vência, atinge alguns membros, tornando-se motivo de desestruturação do espaço doméstico; o domicílio está sujeito a ameaças frequentes causadas pela degradação do meio ambiente; o acesso aos serviços urbanos básicos, aos recursos produtivos e aos diferentes métodos de planejamento familiar é problemático. Estas são algumas questões que afetam diretamente o en- torno familiar, sobretudo daquelas famílias caracterizadas pela situação de pobreza e vulnerabilidade. (FERRARI E; KOLOUSTIAN, 2008, p.12).

É possível perceber que quando a família é desintegrada, seja ela de cunho social, afetivo ou financeiro, essa ruptura se reflete em seus componentes, explici- tando a necessidade de aplicações de capital para que possamos viver em uma so- ciedade mais justa e humana e menos capitalista e socialmente violenta.

A família se modifica através da história, mas continua sendo um sistema de vínculos afetivos onde se dá todo o processo de humanização do indivíduo. (SOU- ZA. 2009. p.14). De acordo com Lück (2010, p.86) escola e família se organizam de forma a formar um elo entre si, auxiliando na aprendizagem, pois

A participação dos pais na vida da escola tem sido observada em pesqui- sas, como um dos indicadores mais significativos na determinação da quali- dade do ensino, isto é aprendem mais os alunos cujos pais participam mais da vida da escola. (Heloísa Lück, p.86, 2010).

Em outras palavras, a participação da família nos processos de ensino- aprendizagem é de suma importância.

Destarte, educar é uma incumbência de todos enquanto família, pois com es- ta participação, o aluno se sente mais motivado e aprende melhor, levando isso não só para a sala de aula, mas para a sua vida, diferentemente de alunos cujas famílias não participam das práticas escolares dos mesmos.

Não obstante, podemos reiterar que a

função psíquica da família é servir de continente para as ansieda- des existenciais dos seres humanos durante seu processo evolutivo. A superação das chamadas ‘crises vitais’ ao longo do périplo existencial de cada indivíduo é indubitavelmente favorecida por um adequado su- porte familiar à desestabilização que tais crises acarretam. (OSÓRIO, 1996, p. 21).

[

...

]

Isto é, existem inúmeras concepções de família. E a escola para tentar apro- ximar estas famílias de si, deve demonstrar aos responsáveis por seus alunos, a importância de sua participação no processo de aprendizagem de cada indivíduo, para que tais responsáveis, de certa forma possam vir a tornarem-se coadjuvantes dos professores de sala de aula, tornando o sujeito que aprende em alguém reflexi- vo e autônomo.

  • 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Depreendendo acerca da importância da família para o desenvolvimento inte- lectual e cognitivo de um indivíduo, podemos afirmar que os laços parentais espe-

lham características que determinam ações e reações na criança/adolescente en- quanto este interage com seu meio exterior.

Cabe ressaltar que a educação inicialmente vem de dentro do âmbito familiar e ao estabelecer uma relação singular família-escola, teremos assim, uma educação mais voltada para o indivíduo, tornando assim, o ensino mais fácil, evitando o senso comum. A tarefa de educar não pode ser colocada sob responsabilidade apenas dos professores. Cabe aos pais e à família, como um todo, auxiliar nesta etapa im- portante da formação social da criança.

O conhecimento adquirido na escola somente ganha sentido quando em con- sonância com a família. Faz-se necessário que ambas as partes envolvidas no pro- cesso educacional (família e escola) compreendam qual o papel lhes cabe neste processo. Levando em consideração os aspectos apresentados, conclui-se que o respectivo assunto ainda é questão a ser discutida entre o corpo docente para que se encontre um meio de aproximar mais família e escola, desenvolvendo este víncu- lo importante e necessário para o bom rendimento do aluno.

A escola deve procurar estratégias de engajamento, unindo pais, professores, funcionários e alunos na busca de um ensino de qualidade e pleno desenvolvimento do educando, pois assim como o conceito de família, a escola também se modificou. E se a mesma não mais pode ser compreendida como espaço único do saber e transmissão de conhecimento, sua função e objetivos sofrem atualmente uma trans- formação radical.

REFERÊNCIAS

LÜCK, Heloísa. A gestão participativa na escola. Heloísa Lück. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. Série Cadernos de Gestão.

DESSEN, M. A.; POLONIA. A.C. A Família e a Escola como contextos de desen- volvimento humano. Universidade de Brasília, Distrito Federal, Brasil. 2007. Dispo- nível em <http://www.scielo.br/pdf/paideia/v17n36/v17n36a03.pdf> Acesso em 25 de setembro de 2017.

OSÓRIO, L. C. Família hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. Disponível em <https://books.google.com.br/books?isbn=856585258X> Acesso em 06 de outubro de 2017.

SOUZA, Maria Ester do Prado. Família/escola: a importância dessa relação no desempenho escolar. Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE). 2009. Disponível em <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1764- 8.pdf> Acesso em 09 de outubro de 2017.

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e ba- ses da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23 de dezembro de

1996,

seção

1,

p.

27833.

Disponível

em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>.

Acesso

em

15

outubro de

2017.

GIDDENS, Anthony. Sociologia. - 6. ed. - Porto Alegre: Artmed, 2005.