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costeira Pegue ésse par de malas, por favor, e venha comigo. Iremos, numa rapida viagem, a uma aldeia da costa. O mar, as casas da aldeia, a estacéo da estrada de ferro e até as préprias malas, virao a calhar para aprender a situar certas linhas e pontos, a partir dos quais, possamos construir qualquer desenho em perspectiva. Estas linhas e pontos so: © A linha de horizonte © O ponto de vista © Os pontos de fuga (1) A linha de horizonte Em quanto chegamos & aldeia da costa, podemos conversar sObre a utilidade desta linha. Existe em todas as imagens: em paisagens, em interiores, figuras; objetos isolados —cadeiras, mesas, luminarias—, etc. Poder4 prescindir dela em alguns casos —no desenho de uma flor ou de uma cabeca em posicao normal, por exemplo— mas sempre que no seu desenho intervierem formas retangulares ou cilindricas —e isto acontece na maioria dos casos— vocé terd que comecar seu trabalho pensando nesta famosa linha de horizonte. Q) Em alguns tratados sobre perspectiva mencionam-se também, 0s pontos de Dis- tancia, a Linha de Terra, a linha Celeste e o'Cone Gptico. Na pratica éstes elementos ¢ suas teorias nao interessam 20 desenhista. Os pontos de distancia, por exemplo, estio diretamente'relacionadgs com 9 desenho em planta ¢ a projecao em erspectiva das'linhas 2.45%, (G. M. Norden) Dado que na majoria dos casos as linhas em profundidade formam Anguios diferentes, devese operar entao com outros sistemas de medida e projecao que entram em cheio nos métodos do Arquiteto, mas que de modo algum sao indicados para 0 desenhista artistico, comercial ou publicitario. Este ¢ 0 critério adotado por P. J, Lawson, primeira autoridade na matéria, ¢ que eu compartilho com todo entusiasino. 15 16 ONDE DEVERA SITUAR-SE A LINHA DO HORIZONTE? Deixe as malas aqui mesmo, na praia, e coloque-se de frente para o mar, Olhe agora para a frente, completamente para a frente, sem levantar nem abaixar a cabeca, sem subir nem descer a diregao do seu olhar. Bem, ai tem vocé a linha do horizonte: é a linha formada pelo limite da agua e do céu; encontra-se sempre a nossa frente; vem se encontrar sempre a altura de nossa vista. E isto, tanto se estivermos em pé, como sentados. Vera: Abaixe-se e, sempre olhando para a frente, comprovaré que a linha do horizonte desce junto com vocé. Observe que a faixa de agua visivel é ‘mais estreita e que a linha do horizonte continua ao mesmo nivel de sua vista. Venha agora por aqui, suba, suba; vamos até um ponto que nos per- mita ver 0 mar um pouco de cima. Vé? A linha do horizonte subiu conos- co, situando-se na parte alta do quadro e permanecendo, como antes, & altura de nossos olhos. De forma que vocé j4 sabe, a linha do horizonte embora nem sempre seja téo visfvel quanto no mar, esta sempre a altura dos seus olhos. O modélo que vocé desenhar poder estar abaixo ou acima dela. No pri- meiro caso, vocé verA a parte superior das formas (Fig. 4). No segundo ‘caso, vocé vera a parte de baixo dos objetos (Fig. 5). Observe também, nestas figuras, que a linha do horizonte pode estar dentro ou fora do quadro (Fig. 6). O PONTO DE VISTA Acha-se na mesma linha do horizonte; no centro do angulo visual do espectador, por tanto, a sua frente mesmo. Entao, vocé perguntar4, o ponto de vista ¢ a linha do horizonte sio a mesma coisa? Nao, a linha do horizonte é... uma linha que vocé pode percorrer com o olhar e que cruza o quadro de lado a lado em sentido horizontal. Para determind-la tem que se olhar para a frente mas, uma vez estabelecida vocé pode continuar a vé-la para a direita e para a es- querda, O ponto de vista porém, é um sé e determinado. Estabelece-se clhando para a frente e ja nao sai mais de 1a. Disse antes que 0 ponto de vista acha-se no centro do angulo visual, lembra-se? Bem éste fato légico, demonstrado em todos os livros de perspectiva com uma imagem parecida a desta mesma pagina (Figura 7), faz com que muitos amadores pensem que o ponto de vista se encontra no centro do quadro que vao desenhar. Fig. 7. Esquema de porspectiva— © artista situa-se ante © modélo (A) e traga men talmente um ‘quadro que encer- ra 0 mesmo (8). No seu desenho reproduz entéo aqullo que V6», ‘como se visse'o modelo arenes Pare tanto, traga linha do’ hori- zonte (6) ¢ colo- ca 0 ponto de vista ‘2 sua pré- Bria frento (0) © Angulo, ou cone visual (E) perm te estabolocor © ccolocar a imagem no seu quadro. 17 Figuras 8 ¢9 18 ‘Nao, nao facamos confusiio : Uma coisa € 0 angulo visual, e outra o en- quadre escolhido dentro déste angulo visual. Vocé podera estar vendo essa pérgula, por exemplo, abrangendo com o olhar a imagen aqui fotografada, em cujo centro, logicamente se achard o ponto de vista. Mas, deixando-se levar do seu sentido artistico, vocé podera escolher somente uma parte da dita imagem, em cujo caso 0 ponto de vista continuaré no centro do Angulovisual, mas descentrado com respeito a0 enquadre escolhido. Ob- serve atentamente as figuras 8 e 9, para compreender esta questao real- mente importante. E vamos com... Os PONTOS DE FUGA, Imagine que para chegar a esta aldeia costeira, o trem deve percorrer um longo caminho de via reta, ao final do qual encontra-se a estaco. Imaginado? Bem; suponha agora que tivessemos feito a viagem de avido. Em tal caso, ao voar por cima da estacao, teriamos visto uma imagem como esta: pean tannin PLANo Grom#érrico.— Vista desde um avido a imagem apareceré num plano geométrico, em forma parecida a como desenha um arquiteto : com o edificio da estago e a cabana do guarda vistos em planta ¢ os trilhos do ferrocarril perfeitamente paralelos entre si. Mas, nao! Nos chegamos até aqui de trem, pisando terra firme. Che- gamos estacdo, descemos do trem e atravessamos a linha para ir & praia... VISTA EM PERSPECTIVA.— A vista em planta convertidd numa vista em perspectiva. Observe que os postes da eletricidade diminuem de tamanho & medida que se afastam de nds; os trilhos da ferrovia perderam o seu paralclismo e convergem agora para um ponto situado em tltimo plano; fios, margens e arvores dirigem-se, também, ao mesmo ponto. 0 ponto de fuga! Ai est4, situado precisamente no horizonte, na pré- pria linha do horizonte, reunindo tédas as linhas perpendiculares ao mesmo. TRE PONTOS DE FUGA, TRES ‘Sim, senhor, em perspectiva operamos com trés pontos de fuga. Gra- cas a éles e as leis desta ciéncia podemos representar em nossos desenhos a terceira dimensio existente em todos os corpos: a profundidade. E isto € vAlido tanto se vemos o modélo desde uma posicao frontal, desde uma posigao obliqua ou desde uma posi¢ao elevada. Desta posi¢So com respeito ao objeto que vamos desenhar, depende que operemos com um ponto de fuga, com dois ou com trés. Isto por sua vez, determina as trés formulas usadas em perspectiva: a perspectiva frontal (chamada técnicamente «perspectiva paralela»), a perspectiva obli- qua e a perspectiva aérea. Voltemos & praia, junto as malas, a fim de estudar de uma forma pratica as trés formulas mencionadas. PONTO DE FUGA {€ PONTO DE VISTA AO MESMO TEMPO) PERSPECTIVA PARALELA (DE UM SO PONTO) Coloquemos as malas aqui, & nos- sa frente, perpendiculares 4 linha do horizonte. Vemos uma das faces completamente frontal, mantendo- -se paralelas as verticais e horizon- tais que a desenham. O efeito de pro- fundidade consegue-se com um tni- co ponto de fuga para o qual conver- gem as linhas das faces laterais. A sensagéo de volume é pouco acen- tuada, e o modélo parece um pouco estatico. PERSPECTIVA OBL{QUA (DE DOIS PON- Tos) Venha para éste lado. Note que agora, desta posicao, smente as li- nhas verticais mantem-se como tais “ e paralelas entre s{. O resto foge em diregéio ao horizonte formando duas séries de linhas em profundidade e reunindo-se cada série no seu ponto. A sensacio de volume é perfeita e normal, £ por isto que éste ¢ 0 tipo de perspectiva mais usado. PERSPECTIVA AEREA (DE TRES PONTOS) Othe agora as malas de cima mes- mo. Notou? Nem as verticais nem as horizontais se mantém_paralelas. Tédas as linhas convergem ordena- damente a seu ponto de fuga par- ticular. Observe, como detalhe im- portante, que dois déstes pontos de fuga se encontram, como de costu- me, no horizonte, em quanto que o terceiro sai da norma, situando-se por baixo ou por cima de dita linha. Este é um tipo de perspectiva muito em desenho comercial e pu- blicitario. a