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Avaliação da aprendizagem; visão geral
Cipriano Carlos Luckesi
Entrevista concedida ao Jornalista Paulo Camargo, São Paulo, publicado no caderno do Colégio Uirapuru, Sorocaba, estado de São Paulo, por ocasião da Conferência: Avaliação da Aprendizagem na Escola, Colégio Uirapuru, Sorocaba, SP, 8 de outubro de 2005.

Pergunta 1: Um ponto que se ressalta em suas palestras é a diferença entre “examinação” e “avaliação”. Como podemos definir essa diferença. Nossas escolas mais examinam que avaliam? Dê alguns exemplos que diferenciam o “examinar” do “avaliar”.
Infelizmente, tenho que dizer que genericamente falando, ou seja, sem mencionar esta ou aquela escola, este ou aquele professor, a escola hoje ainda não avalia a aprendizagem do educando, mas sim o examina, ou seja, denominamos nossa prática de avaliação, mas, de fato, o que praticamos são exames. Historicamente, mudamos o nome, porém não modificamos a prática. Portanto, vivenciamos alguma coisa equívoca: leva o nome, mas não realiza a prática. Para compreender esse ponto de vista, basta verificarmos as características básicas, de um lado, do ato de examinar e, de outro, do ato de avaliar. Iniciemos pelos exames escolares. Em primeiro lugar, eles operam com desempenho final. Ao processo de exame não interessa como o respondente chegou a essa resposta, importa somente a resposta. Em conseqüência dessa primeira característica, vem a segunda: os exames são pontuais, o que significa que não interessa o que estava acontecendo com o educando antes da prova, nem interessa o que poderá acontecer depois. Só interessa o aqui e agora. Tanto é assim que se um aluno, num dia de prova, após entregar a sua prova respondida ao professor, der-se conta de que não respondeu adequadamente a questão 3, por exemplo, e solicitar ao mesmo a possibilidade de refazê-la, nenhum dos nossos professores, hoje atuantes em nossas escolas, permitirá que isso seja feito; mesmo que o aluno nem tenha ainda saído da sala de aulas. Os exames são cortantes, na medida em que só vale o aqui e o agora, nem o antes nem o depois. Em terceiro lugar, os exames são classificatórios, ou seja, eles classificam os educandos em aprovados ou reprovados, ou coisa semelhante, estabelecendo uma escala classificatória com notas que vão de zero a dez. São classificações definitivas sobre a vida do educando. Elas são registradas em cadernetas e documentos escolares, “para sempre”. As médias obtidas a partir de duas ou mais notas revelam isso. Por exemplo, quando um aluno tem um desempenho insatisfatório numa prova de uma determinada unidade de ensino e obtém uma nota 2,0 (dois), nós professores lhe aconselhamos estudar um pouco mais e submeter-se a uma nova prova. Então, o aluno faz isso e, nesta Segunda oportunidade, obtém nota 10,0 (dez). Qual será a nota final dele? Certamente será 6,0 (seis), que é a média entre o dois inicial e o dez posterior. Mas, por que não 10,0 (dez), se foi essa a qualidade que ele manifestou na segunda oportunidade? Antes, ele não sabia, porém, agora, sabe. Não atribuímos o dez a ele, devido ao fato de Ter obtido dois antes. Esse dois era definitivo, de tal forma que não nos possibilitou atribui-lhe o dez, apesar de ter manifestado essa qualidade plenamente satisfatória em sua aprendizagem. Em conseqüência dessa terceira característica emerge a quarta. Os exames são seletivos ou excludentes. Porque classificatórios, os exames excluem uma grande parte dos educandos. Muitos ficam de fora. A pirâmide educacional brasileira é perversa; o aproveitamento de nossos educandos é estatisticamente muito baixa. Numa média bem geral, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, aproveitamos, no país, em torno de 35% dos alunos efetivamente matriculados. Evidentemente que para essa perda estão comprometidos fatores tais como a Website:www.luckesi.com.br / e-mail:contato@luckesi.com.br

“Cuidado. Do ponto de vista das relações pedagógicas. Vivemos isso repetidamente e aprendemos esse modo de ser. da escola e abrangentemente. é a psicológica. Os exames escolares têm servido na maior parte das vezes para disciplinar externa e aversivamente os educandos. na medida em que a avaliação da aprendizagem está a serviço de um projeto pedagógico construtivo. o que quer dizer que mais examinamos do que avaliamos. fomos ameaçados à exaustão com provas: “Já estudou para as provas?”. a partir de desempenho final. à avaliação interessa o que estava acontecendo antes. facilmente. A responsabilidade por desempenhos inadequados não depende só do aluno nem só do professor.com. e por aí vai. Ou seja. mas como um modo de ser decorrente de suas próprias características) colocam nas mãos do sistema de ensino e. Para um processo avaliativo-construtivo. do sistema de ensino. por oposição às características dos exames. que são pontuais. para proceder a melhoria do ensino-aprendizagem. os desempenhos são sempre provisórios ou processuais. e historicamente assim ele tem sido usado. Por sistema estou entendendo todos os condicionantes do ensino-aprendizagem. Irei da mais próxima para as mais distantes. não interessa a aprovação ou reprovação de um educando. conseqüentemente. mas sim convida para a melhoria. a sala de aula. que olha para o ser humano como um ser em desenvolvimento. A herança mais próxima. a avaliação exige uma postura democrática do sistema de ensino e do professor. Pergunta 2: De quem herdamos a cultura do examinar? Porque demoramos tanto a questionar essas práticas? Temos três pontos a sinalizar a respeito de nossas heranças examinatórias e de nossas resistências à mudança das práticas examinatórias para as práticas avaliativas. seletivo e autoritário do que não-pontual.. no que se refere ao acompanhamento da aprendizagem dos educandos. conseqüentemente. somos herdeiros de uma longa história de abusos dos exames. mas toda a atuação do sistema.br . que nos engessa para a mudança. a avaliação opera com desempenhos provisórios. de modo classificatório. Para um verdadeiro processo de avaliação. não exclui. A aprendizagem melhorará se o sistema melhorar. daí ela ser diagnóstica. o material didático utilizado. ou seja. Todos nós que passamos pela escola. replicamos esse modo de ser. em construção permanente. Nem mesmo nos perguntamos se é adequado ou não.br / e-mail:contato@luckesi. inclusiva e democraticamente. professores e professoras. mas sim sua aprendizagem e. na media em que ela subsidia o processo de busca dos resultados os melhores possíveis. Tomando esses dois blocos de características. do professor um instrumento pedagógico que pode ser utilizado autoritariamente. conseqüentemente. o que está acontecendo agora e o que acontecerá depois com o educando. classificatórios e seletivos. enquanto não descarta. devido eles serem seletivos. as provas são pra valer!” “Prestem atenção e tomem notas. na escola. Ao lado desses fatores. diversamente dos exames. Daí as conseqüências: avaliação é não-pontual. Havendo Website:www. agimos mais de forma pontual. inconscientemente.com.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------Este material foi obtido através do website de Cipriano Carlos Luckesi distribuição de renda no país.luckesi. e. permitindo a tomada de decisões para a melhoria. para esse fenômeno de exclusão educacional que vivemos. e em muito. diagnóstica (por isso. ainda vale mencionar que os exames escolares (não propriamente como característica sua. nossas políticas públicas e as determinações socioculturais. o professor. os exames contribuem. como também se denomina. Em primeiro lugar. porém minimamente. porém minimamente. como um todo. dinâmica) e inclusiva. Mais que isso. o seu crescimento. não basta avaliar somente o desempenho do aluno. a partir de desempenho provisório. sua aluna. Têm sido utilizados largamente como um recurso de controle disciplinar impositivo sobre os alunos De outro lado. cada resultado obtido serve de suporte para uma passo mais à frente. ser inclusiva. são exatamente opostas às características dos exames. Fomos examinados à exaustão. o conteúdo de hoje é conteúdo de prova”. simplesmente reproduzimo-lo. também são quatro as características da avaliação. Agora. diagnóstica. percebemos que hoje. Contudo.

luckesi.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------Este material foi obtido através do website de Cipriano Carlos Luckesi necessidade de ter um controle dos educandos em sala de aula. Dizemos que nossa prática é de avaliação. são necessárias duas coisas: formação e condições materiais de ensino. A terceira herança é a histórico-social. As pedagogias jesuítica e comeniana expressam. Daí. A herança um pouco mais abrangente é aquela que está vinculada à história geral da educação. estamos usando os exames na escola. mas não na prática social. praticamente. ter saúde e lazer --. ainda hoje.os professores e professoras são pessoas humanas. mas. é próprio da sociedade burguesa a seletividade e a marginalização. Nossa psique não tem referências para o verdadeiro conceito de avaliação. Os exames selecionam e marginalizam e. mas tem para o conceito de exame. para uma verdadeira prática pedagógica e. morar. predominantemente. É preciso oferecer-lhes o melhor que temos. ou estamos apenas melhorando os critérios de examinação? Penso que muitos professores querem mudar. reproduzem essa ideologia. Fazemos muito diante das condições precárias que temos no sistema de ensino. de fato. E. são necessárias condições materiais mínimas de trabalho. material didático satisfatório. uma adequada prática de avaliação. De certa forma.com. continuamos a agir dessa forma. Assim sendo. e em 1632. Tenho a maior admiração pelos educadores brasileiros. Basta ver que a sociedade burguesa não é nada inclusiva. Textos que definem o modo de examinar que ainda hoje. a estruturação da sociedade entre os poucos que tem muito e os muitos que nada tem.assim como número adequado de alunos em sala de aula. aqui e acolá. John Amós Comênio publica a Didática Magna. Claro que aí estão presentes as necessidades das condições básicas de trabalho. Os exames por serem seletivos. Website:www. Pergunta 3: Você acha saudável a preocupação constante com esse tema? Nossos professores e instituições escolares estão realmente empenhados em encontrar novas formas de avaliação. utilizamos na escola.br . É a herança da sociedade burguesa. momento da emergência e sedimentação da sociedade moderna.com. de controlar a aprendizagem dos educandos. Formação. como bem cabia fazer naquele momento. o seu bastião é o da liberdade e igualdade de todos perante a lei. Por outro lado. configuraram os exames como um modo adequado e satisfatório. Nossas heranças são poderosas e consistentes. Liberdade e igualdade perante a lei significa. Os professores estão sedentos de saber. ser difícil mudar nossos hábitos de examinar para avaliar. o dia da prova vem aí. Mesmo tendo mudado o nome. o que significa melhores salários --. Somos herdeiros diretos da educação sistematizada nos séculos XVI e XVII. os professores tem buscado. ouvimos autoridades políticas e educacionais declarar que somos os responsáveis pelo fracasso escolar no país. vestir. espaço físico minimamente adequado. conforme essas prescrições de finais do século XVI e início do XVII. frente às condições materiais que temos. Ou seja. como melhores salários. respectivamente. necessitam de se alimentar. pedagógica e disciplinarmente. herdamos e replicamos inconscientemente o modo examinatório de agir na prática escolar. considero que os professores desejam aprender a fazer de outra forma. e ainda. os jesuítas publicam a Ratio Studiorum. Sou testemunha disso nos múltiplos seminários e cursos que tenho oferecido em diversos cantos do país. para isso. que a grande maioria gostaria de viver mais satisfeita em sua atividade profissional. reproduzem o modelo burguês de sociedade que é seletivo. a velha prova vem a frente como recurso de controle disciplinar: “Cuidado. seja em cidades grandes ou pequenas. por exemplo. praticamos exames. vocês estão brincando muito. Assim sendo. Ao contrário.br / e-mail:contato@luckesi. então. somos responsáveis pelo pouco de sucesso que nosso sistema educacional tem. Em 1599. por isso. ao contrário. na medida do possível. Ambas essas propostas pedagógicas. junto com ela. vocês vão ver!”. as versões católica e protestante desse modelo de pedagogia.

“objetivos não construídos”. Neste sentido. vamos qualificar o desempenho provisório do aluno. que se crê e se efetua construtivamente. essas fichas são utilizadas de forma classificatória. provas. um ser em construção permanente. Website:www. Após a correção. subsidiando uma tomada de decisão sobre o que fazer a partir dessa avaliação. algumas escolas afirmam que já não praticam mais exames. todos nós queremos mudar essa prática e ter uma educação de boa qualidade.luckesi. que a questão central da prática da avaliação na escola não está nos instrumentos. Deste modo.br . uma ficha de avaliação utilizada sob a ótica do exame. Assim sendo. que usamos muito no dia a dia: “Pau que nasce torno. vamos classificar o aluno. para ser correto. Os denominados instrumentos de avaliação. dando base para a sua qualificação diante de determinados critérios. usualmente. monografias. na medida em que testes. sim. tendo em vista encaminhar atividades que melhores seu desempenho. Pergunta 4: È possível melhorar nossos instrumentos de avaliação sem fazer mudanças profundas no projeto pedagógico de uma escola? Importa observar. o que indica uma prática examinativa. para modificarmos nosso modo de agir em avaliação. São muitas as dúvidas sobre os discursos. Esse desempenho que pode ser qualificado (avaliado). Portanto. não é o instrumento que caracteriza o ato de examinar ou o ato de avaliar. O que não tenho certeza é se o modelo social no qual nós vivemos desejaria mesmo uma educação de boa qualidade para todos. A seguir. em si. portanto subsidiária de um processo.com. ou seja. morre torto”. que. caso este não seja satisfatório ainda. eu via uma experiência. que espera que o educando “esteja sempre pronto”. minimamente. por isso funciona articulado com um projeto pedagógico que se assume. de um movimento construtivo. mas sim a postura de avaliar ou de examinar. acesso universal e qualidade de ensino para todos. Recentemente. A avaliação é um ato subsidiário da obtenção de resultados os mais satisfatórios possíveis. mas oferece dados sobre o seu desempenho. Crenças estas que se parecem com outras. ele nem vem nem está pronto. devido servirem-se de fichas de avaliação. para trabalhar com avaliação. Parece que eles não podem se modificar. Com essas crenças.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------Este material foi obtido através do website de Cipriano Carlos Luckesi Deste modo. redações. como vimos anteriormente. mas sim coletam dados que descrevem o desempenho provisório do aluno. Um projeto pedagógico que sustente uma prática de avaliação tem na sua base a crença de que o ser humano é um ser em desenvolvimento. repito. e outras. em primeiro lugar. necessitamos de cambiar nossas crenças e nossos modos de agir na prática pedagógica. avaliar.com. argüições. E. é impossível praticar avaliação dentro de um projeto pedagógico tradicional. “Filho de peixe. Por exemplo. peixinho é”. Necessitamos de romper com crenças parecidas com essas: “Os alunos ao querem nada”. não podemos trabalhar com avaliação. “objetivos em construção”. que satisfaça tanto nossos alunos e o sistema social como também nos satisfaça como profissionais. são permanentemente classificados com essas frases. pois esta crê que o ser humano se modifica. não se traduzem em práticas. um teste não avalia um aluno. em aprovado ou reprovado. Por exemplo. se o utilizarmos sob a forma de exame. por vezes. no caso. Os resultados de um teste. ou seja. não necessitamos de mudar nossos instrumentos necessitamos de mudar nossa postura. mas em construção. ao invés de examinar. “Isso vem de berço”. Por outro lado. é um instrumento de busca de construção. mas se o utilizamos sob a ótica da avaliação. mas sim na postura pedagógica e conseqüentemente na prática da avaliação. daí as provas serem pontuais.br / e-mail:contato@luckesi. onde se utilizava uma ficha estruturada em: “objetivos construídos”. não avaliam. perguntava-se assim: “quantos objetivos construídos deve ter um aluno para ser aprovado?” Ou seja. deveriam ser chamados de instrumentos de coleta de dados para a avaliação. “Os alunos são sempre desinteressados”. podem ser lidos sob a ótima do exame ou sob a ótica da avaliação. na prática.

ao passo que na avaliação. porém sua adequação vai depender do fato de eles atenderem a necessidade de coleta de dados. Deste modo. não necessitamos de abandonar instrumentos que vimos utilizando regularmente na escola.. Da parte dos alunos. na medida em que este é menos exigente. aos quais sempre foram submetidos. Se quero saber se um aluno sabe nadar. é chegar ao limite da qualidade superior possível. Ultimamente. Assim sendo. Teste é bom? É. na medida em que as disciplinas são semestrais e isso significa permanecer junto dos educandos um tempo insuficiente para podermos observar mudanças comportamentais. buscar o melhor. Pergunta 5: Em sua experiência. também. na medida em que a sua função é subsidiar a busca dos resultados mais satisfatórios possíveis. E isso exige uma nova cultura. por exemplo). etc. utilizo os variados recursos disponíveis para coleta de dados (testes. Porti-fólio é bom? É. são bons. mas sim uma classificação favorável. devolvo esses instrumentos aos alunos para que revejam suas respostas.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------Este material foi obtido através do website de Cipriano Carlos Luckesi Todos os instrumentos de coleta de dados sobre a aprendizagem são úteis para uma prática da avaliação. especialmente devido vivermos numa sociedade na qual a dedicação a alguma coisa depende dos ganhos que daí advirão e não do prazer e da alegria de aprender e desenvolver-se. resenhas de textos. questionários de perguntas. caso os dados obtidos sejam lidos sob a ótica do diagnóstico e não sob a ótica da classificação. não tenho dúvidas sobre o potencial transformador da avaliação. também. por vezes. e de nos servirmos de instrumentos que coletem dados essenciais sobre o nosso objeto de avaliação. mas sim o melhor. pequenas monografias. O que precisamos. um melhor ou um pior instrumento de coleta de dados para a avaliação. ouviremos um pedido para que se volte ao tradicional exame. Pergunta 6: O que acha da auto-avaliação? Website:www. arraigada em nossas experiências.luckesi. e assim por diante. Não será fácil nem simples dar suporte aos nossos educandos para façam o trânsito para a cultura da avaliação.com. O que posso observar é que..) após correção. como meu desejo é de que meus alunos aprendam e. No exame. É preciso criar em nós professores uma cultura da avaliação por oposição a uma cultura dos exames. que exigem um tempo maior de assentamento de condutas). por vezes. Em si.br / e-mail:contato@luckesi. eles aprendem e espero que. tenho experimentado regularmente exercitar aquilo que penso e escrevo sobre avaliação da aprendizagem. Um instrumento adequado para a coleta de dados que estamos necessitando será sempre bom. não se busca uma classificação favorável. é preciso que ele nade e não que escreva uma redação sobre como nadar. importa criar uma cultura da avaliação. se desenvolvam. por isso. como você verificou o potencial transformador da avaliação? Em minha prática docente. se desenvolvam (a questão de saber os efeitos dessas aprendizagens no desenvolvimento pessoal torna-se um tanto complicado para o professor universitário. Eles conhecem os valores da cultura dos exames. Questionário de perguntas abertas e fechadas é bom? É. Muitas vezes. sim. corrijo-as novamente. não se busca o melhor. Neste caso. E é isso que necessitamos de observar. só tenho atuado em classes de alunos universitários de graduação (turmas com 40/50 alunos) e pós-graduação (turmas no máximo com 25 alunos). Buscar uma classificação favorável. reconstruam-nas após novos estudos. é chegar ao limite (nota 5.com. Ele terá que ser adequado para coletar os dados que necessitamos de coletar para avaliar aquilo que estamos querendo avaliar. Assim.br . Vejo o potencial transformador da avaliação na medida em que a utilizo como recurso de diagnóstico da aprendizagem dos meus educandos nas disciplinas que ensino.

Website:www. com isso. politicamente engajada na vida social. nunca mudará de posição. tendo em vista decisões e melhora-la. Por outro lado. Um sujeito que não tenha autocrítica sobre si mesmo e suas ações. não poderá abandonar o aluno ao seu próprio destino. usualmente. penso que o mais adequado para a escola hoje é uma experiência dialógica. que supostamente. o mais comum é ele se autopromover. um exame. ainda estamos para criar a cultura da auto-avaliação. mas não para o processo de aprendizagem. O SAEB. propiciando “os simulados”. Todavia. esteja descartando a auto-avaliação..com. que seria um recurso de avaliação do Ensino Médio. mas sim em obter uma boa classificação. está mais próximo da idéia de avaliação: diagnosticar a realidade do Ensino Fundamental no país.br . Ao lado de uma prática pedagógica construtiva. do ponto de vista dos concursos. Os exames são úteis para as situações seletivas (concursos seletivos).luckesi. pelo vestibular? Penso que uma escola construtiva. Num concurso. questionários e redações. apelidado nacionalmente. Às sextas-feiras ou aos sábados. No caso dos chamados sistemas nacionais de avaliação em educação. A escola pode treiná-lo para as situações de concurso. Todas as nossas condutas dependem de nossa autocrítica. Isso ocorre em qualquer situação de exame. quando estamos trabalhando com ensino-aprendizagem (na sala de aulas. do ponto de vista da avaliação. Pergunta 7: Como conciliar grandes sistemas de avaliação . ou seja. O primeiro destina-se a cassar Cursos de nível superior. quero dizer que usualmente. ninguém necessita de abandonar o uso de testes.. entendo que o Exame Nacional da Cursos (ENC). Além disso. uma auto-avaliação do ponto de vista da aprendizagem escolar pode ser permissiva.com. A diferença é de que. não lhes interessa o processo. Com isso. a avaliação é o recurso básico. que implica em diagnosticar a realidade.. Essa política conduz a uma situação esdrúxula do ponto de vista de uma verdadeira avaliação: a existência de atividades preparatórias destinadas a alunos que vão se submeter ao provão. o ENEM. são instrumentos de coleta de dados para a avaliação assemelhados aos instrumentos das provas dos concursos. os resultados do provão expressam uma equivalência de “certificado público de garantia do produto”. Os exames operam sobre desempenho final e não sobre o processo da aprendizagem. de “Provão” e o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) são instrumentos examinativos. tendo em vista tomar decisões de melhoria. tem seu destino selado a servir de um substituto do vestibular. quando estamos selecionando candidatos ou profissionais para alguma atividade. os dados revelados por esses instrumentos serão interpretados diagnosticamente. nenhum aluno vai se auto-reprovar numa escola que está centrada na promoção. serão interpretados classificatoriamente. Todavia. pessoalmente.br / e-mail:contato@luckesi. na medida em que o que nossos alunos conhecem é uma hetero-avaliação. Importa saber que recursos prévios foram utilizados para a obtenção desses resultados. creio que devo aprofundar um pouco essa questão no sentido seguinte: como fica um aluno que passa por uma escola construindo o conhecimento e depois ele vai ser selecionado. por exemplo). pode-se e deve-se oferecer aos educandos oportunidades de treinar para essas situações específicas. podem ser praticados simulados para todos os alunos que desejarem um treinamento especial em responder provas. os exames é que são úteis. Em muitos lugares. Distinguir os atos de examinar e avaliar não significa condenar qualquer um deles como algo absolutamente inadequado. Nessa perspectiva a auto-avaliação é ótima. onde educador e educando se relacionem na busca da melhor compreensão e da melhor apropriação do conhecimento e das habilidades necessárias com os quais estão trabalhando. na escola. a meu ver. Sem que. como o vestibular. por exemplo. importa observar que. mesmo porque uma prática dialógica da avaliação depende da autocrítica permanente tanto do educador como do educando. mas. o que. num processo avaliativo escolar. Essa prática não expressa o espírito da avaliação. acrescida de autoritarismo. Assim sendo. e. os seus administradores desejam obter uma configuração da capacidade atual de desempenho do candidato. não produzam “os efeitos esperados”. Assim sendo.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------Este material foi obtido através do website de Cipriano Carlos Luckesi Considero a auto-avaliação um recurso fundamental de crescimento para todo ser humano.

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