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Guia Prático da

NOVA
ORTOGRAFIA
Saiba o que mudou
na ortografia brasileira

Versão atualizada
de acordo com o VOLP

Douglas Tufano
Acordo Ortográfico
O objetivo deste guia é expor ao lei-
tor, de maneira objetiva, as alterações
introduzidas na ortografia da língua
© 2008 Douglas Tufano
portuguesa pelo Acordo Ortográfico
Professor e autor de livros didáticos de língua portuguesa da Língua Portuguesa, assinado em
© 2008 Editora Melhoramentos Ltda. Lisboa, em 16 de dezembro de 1990,
Diagramação: WAP Studio
por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé
ISBN: 978-85-06-05464-2
2.ª edição, abril de 2009
e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique e, posteriormente, por
Atendimento ao consumidor:
Caixa Postal 11541 – CEP 05049-970 Timor Leste. No Brasil, o Acordo foi
São Paulo – SP – Brasil
aprovado pelo Decreto Legislativo n.º
54, de 18 de abril de 1995.

Esse Acordo é meramente ortográ-


Visite nosso site www.livrariamelhoramentos.com.br
fico; portanto, restringe-se à língua es-
e conheça o Michaelis Dicionário Escolar Língua crita, não afetando nenhum aspecto da
Portuguesa, totalmente atualizado conforme o língua falada. Ele não elimina todas
Acordo Ortográfico.
as diferenças ortográficas observadas
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nos países que têm a língua portugue- Mudanças no alfabeto


sa como idioma oficial, mas é um pas-
so em direção à pretendida unificação O alfabeto passa a ter 26 letras. Fo-
ortográfica desses países. ram reintroduzidas as letras k, w e y.
O alfabeto completo passa a ser:
Este guia foi elaborado de acordo
com a 5.ª edição do Vocabulário Orto­
gráfico da Língua Portuguesa (VOLP), A B C D E F G H I
publicado pela Academia Brasileira de
Letras em março de 2009. J K L M N O P Q R
S T U V W X Y Z
As letras k, w e y, que na verdade
não tinham desaparecido da maioria
dos dicionários da nossa língua,
são usadas em várias situações. Por
exemplo:
a) na escrita de símbolos de unidades
de medida: km (quilômetro), kg (qui-
lograma), W (watt);
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b) na escrita de palavras estrangeiras (e cinqüenta cinquenta


seus derivados): show, playboy, play- delinqüente delinquente
ground, windsurf, kung fu, yin, yang, eloqüente eloquente
William, kaiser, Kafka, kafkiano. ensangüentado ensanguentado
eqüestre equestre
freqüente frequente
lingüeta lingueta
lingüiça linguiça
qüinqüênio quinquênio
Trema sagüi sagui
seqüência sequência
Não se usa mais o trema (¨), sinal seqüestro sequestro
colocado sobre a letra u para indicar tranqüilo tranquilo
que ela deve ser pronunciada nos gru-
pos gue, gui, que, qui. Atenção: o trema permanece apenas
nas palavras estrangeiras e em suas de­
Como era Como fica rivadas. Exemplos: Müller, mülleriano.
agüentar aguentar
argüir arguir
bilíngüe bilíngue
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Mudanças nas regras Coréia Coreia


debilóide debiloide
de acentuação
epopéia epopeia
estóico estoico
1. Não se usa mais o acento dos di- estréia estreia
tongos abertos éi e ói das palavras estréio (verbo estrear) estreio
paroxítonas (palavras que têm acento geléia geleia
tônico na penúltima sílaba). heróico heroico
idéia ideia
Como era Como fica jibóia jiboia
alcalóide alcaloide jóia joia
alcatéia alcateia odisséia odisseia
andróide androide paranóia paranoia
apóia (verbo apoiar) apoia paranóico paranoico
apóio (verbo apoiar) apoio platéia plateia
asteróide asteroide tramóia tramoia
bóia boia
celulóide celuloide Atenção: essa regra é válida somente
clarabóia claraboia para palavras paroxítonas. Assim, con-
colméia colmeia tinuam a ser acentuadas as palavras
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oxítonas e os monossílabos tônicos Atenção: 1) se a palavra for oxítona e


ter­minados em éis e ói(s). Exemplos: o i ou o u estiverem em posição final
papéis, herói, heróis, dói (verbo doer), (ou seguidos de s), o acento permane-
sóis etc. ce. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí; 2)
se o i ou o u forem precedidos de di-
tongo crescente, o acento permanece.
2. Nas palavras paroxítonas, não se Exemplos: guaíba, Guaíra.
usa mais o acento no i e no u tônicos
quando vierem depois de um ditongo 3. Não se usa mais o acento das pala-
decrescente. vras terminadas em êem e ôo(s).
Como era Como fica
Como era Como fica
baiúca baiuca
bocaiúva bocaiuva* abençôo abençoo
cauíla cauila** crêem (verbo crer) creem
feiúra feiura dêem (verbo dar) deem
dôo (verbo doar) doo
enjôo enjoo
* bocaiuva = certo tipo de palmeira lêem (verbo ler) leem
**cauila = avarento magôo (verbo magoar) magoo
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perdôo (verbo perdoar) perdoo Atenção!


povôo (verbo povoar) povoo • Permanece o acento diferencial em
vêem (verbo ver) veem pôde/pode. Pôde é a forma do passado
vôos voos do verbo poder (pretérito perfeito do
zôo zoo indicativo), na 3.ª pessoa do singular.
Pode é a forma do presente do indicati-
4. Não se usa mais o acento que di- vo, na 3.ª pessoa do singular.
ferenciava os pares pára/para, péla(s)/ Exemplo: Ontem, ele não pôde sair
pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) mais cedo, mas hoje ele pode.
e pêra/pera.
• Permanece o acento diferencial em
Como era Como fica pôr/por. Pôr é verbo. Por é prepo­sição.
Ele pára o carro. Ele para o carro. Exemplo: Vou pôr o livro na estante
Ele foi ao pólo Ele foi ao polo que foi feita por mim.
Norte. Norte.
Ele gosta de jogar Ele gosta de jogar • Permanecem os acentos que diferen-
pólo. polo. ciam o singular do plural dos verbos
Esse gato tem Esse gato tem ter e vir, assim como de seus deriva-
pêlos brancos. pelos brancos. dos (manter, deter, reter, conter, con-
Comi uma pêra. Comi uma pera. vir, intervir, advir etc.). Exemplos:
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Ele tem dois carros. / Eles têm dois 5. Não se usa mais o acento agudo no
carros. u tônico das formas (tu) arguis, (ele)
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de argui, (eles) arguem, do presente do
Sorocaba. indicativo do verbo arguir. O mesmo
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm vale para o seu composto redarguir.
a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles con- 6. Há uma variação na pronúncia dos
vêm aos estudantes. verbos terminados em guar, quar e
quir, como aguar, averiguar, apazi-
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
guar, desaguar, enxaguar, obliquar,
Ele intervém em todas as aulas. / Eles delinquir etc. Esses verbos admitem
intervêm em todas as aulas. duas pronúncias em algumas formas
do presente do indicativo, do presente
• É facultativo o uso do acento circun- do subjuntivo e também do imperativo.
flexo para diferenciar as palavras for- Veja:
ma/fôrma. Em alguns casos, o uso do
acento deixa a frase mais clara. Veja a) se forem pronunciadas com a ou i
este exemplo: Qual é a forma da fôr- tônicos, essas formas devem ser acen-
ma do bolo? tuadas. Exemplos:
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• verbo enxaguar: enxáguo, enxá- Uso do hífen


guas, enxágua, enxáguam; enxá-
gue, enxágues, enxáguem.
com compostos
• verbo delinquir: delínquo, delín-
ques, delínque, delínquem; de- 1. Usa-se o hífen nas palavras com-
línqua, delínquas, delínquam. postas que não apresentam elementos
b) se forem pronunciadas com u tôni- de ligação. Exemplos:
co, essas formas deixam de ser acen-
tuadas. Exemplos (a vogal sublinhada guarda-chuva, arco-íris, boa-fé,
é tônica, isto é, deve ser pronunciada segunda-feira, mesa-redonda,
mais fortemente que as outras): vaga-lume, joão-ninguém,
• verbo enxaguar: enxaguo, enxa- porta-malas, porta-bandeira,
guas, enxagua, enxaguam; enxa- pão-duro, bate-boca
gue, enxagues, enxaguem.
• verbo delinquir: delinquo, delin- * Exceções: Não se usa o hífen em
ques, delinque, delinquem; de- certas palavras que perderam a noção
linqua, delinquas, delinquam. de composição, como girassol, ma-
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais dressilva, mandachuva, pontapé,
corrente é a primeira, aquela com a e paraquedas, paraquedista, para-
i tônicos. quedismo.
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2. Usa-se o hífen em compostos que Incluem-se nesse caso os compostos


têm palavras iguais ou quase iguais, de base oracional. Exemplos:
sem elementos de ligação. Exemplos:
maria vai com as outras,
leva e traz, diz que diz que,
reco-reco, blá-blá-blá,
deus me livre, deus nos acuda,
zum-zum, tico-tico,
cor de burro quando foge,
tique-taque, cri-cri, glu-glu,
bicho de sete cabeças,
rom-rom, pingue-pongue,
faz de conta
zigue-zague, esconde-esconde,
pega-pega, corre-corre * Exceções: água-de-colônia, arco-
-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-
3. Não se usa o hífen em compostos -perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará,
que apresentam elementos de ligação. à queima-roupa.
Exemplos:
4. Usa-se o hífen nos compostos en-
pé de moleque, pé de vento, tre cujos elementos há o emprego do
pai de todos, dia a dia, fim de semana, apóstrofo. Exemplos:
cor de vinho, ponto e vírgula, camisa
de força, cara de pau, olho de sogra gota-d’água, pé-d’água
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5. Usa-se o hífen nas palavras com- bem-te-vi, peixe-espada,


postas derivadas de topônimos (no- peixe-do-paraíso,
mes próprios de lugares), com ou sem mico-leão-dourado,
elementos de ligação. Exemplos:
andorinha-da-serra,
lebre-da-patagônia,
Belo Horizonte —
erva-doce, ervilha-de-cheiro,
belo-horizontino
pimenta-do-reino,
Porto Alegre —
porto-alegrense peroba-do-campo,
Mato Grosso do Sul — cravo-da-índia
mato-grossense-do-sul
Rio Grande do Norte — Obs.: não se usa o hífen, quando os
rio-grandense-do-norte compostos que designam espécies bo-
África do Sul — tânicas e zoológicas são empregados
sul-africano fora de seu sentido original. Observe a
diferença de sentido entre os pares:
6. Usa-se o hífen nos compostos que a) bico-de-papagaio (espécie de plan-
designam espécies animais e botâni- ta ornamental) - bico de papagaio
cas (nomes de plantas, flores, frutos, (deformação nas vértebras).
raízes, sementes), tenham ou não ele- b) olho-de-boi (espécie de peixe) -
mentos de ligação. Exemplos: olho de boi (espécie de selo postal).
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Uso do hífen mini-hotel


com prefixos proto-história
sobre-humano
As observações a seguir referem-se ao super-homem
uso do hífen em palavras formadas por ultra-humano
prefixos (anti, super, ultra, sub etc.) ou
por elementos que podem funcionar
como prefixos (aero, agro, auto, ele- 2. Usa-se o hífen se o prefixo termi-
tro, geo, hidro, macro, micro, mini, nar com a mesma letra com que se ini-
multi, neo etc.). cia a outra palavra. Exemplos:

Casos gerais micro-ondas


anti-inflacionário
1. Usa-se o hífen diante de palavra sub-bibliotecário
iniciada por h. inter-regional
Exemplos:

anti-higiênico 3. Não se usa o hífen se o prefixo


anti-histórico terminar com letra diferente daque-
macro-história la com que se inicia a outra palavra.
Exemplos:
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Casos particulares
autoescola
antiaéreo 1. Com os prefixos sub e sob, usa-se
intermunicipal o hífen também diante de palavra ini-
supersônico ciada por r. Exemplos:
superinteressante
agroindustrial sub-região
aeroespacial sub-reitor
semicírculo sub-regional
sob-roda
* Se o prefixo terminar por vogal e a
outra palavra começar por r ou s, do- 2. Com os prefixos circum e pan,
bram-se essas letras. Exemplos: usa-se o hífen diante de palavra inicia-
da por m, n e vogal. Exemplos:
minissaia
antirracismo circum-murado
ultrassom circum-navegação
semirreta pan-americano
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3. Usa-se o hífen com os prefixos ex, 4. O prefixo co junta-se com o segun-


sem, além, aquém, recém, pós, pré, do elemento, mesmo quando este se
pró, vice. Exemplos: inicia por o ou h. Neste último caso,
corta-se o h. Se a palavra seguinte co-
além-mar meçar com r ou s, dobram-se essas le-
além-túmulo tras. Exemplos:
aquém-mar
ex-aluno coobrigação
ex-diretor coedição
ex-hospedeiro coeducar
ex-prefeito cofundador
ex-presidente coabitação
pós-graduação coerdeiro
pré-história corréu
pré-vestibular corresponsável
pró-europeu cosseno
recém-casado
recém-nascido
sem-terra 5. Com os prefixos pre e re, não se
vice-rei usa o hífen, mesmo diante de palavras
começadas por e. Exemplos:
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preexistente Outros casos


preelaborar do uso do hífen
reescrever
reedição 1. Não se usa o hífen na formação de
palavras com não e quase. Exemplos:
6. Na formação de palavras com ab,
ob e ad, usa-se o hífen diante de pa- (acordo de) não agressão
lavra começada por b, d ou r. Exem- (isto é um) quase delito
plos:
2. Com mal*, usa-se o hífen quando
ad-digital a palavra seguinte começar por vogal,
ad-renal h ou l. Exemplos:
ob-rogar
ab-rogar mal-entendido
mal-estar
mal-humorado
mal-limpo

* Quando mal significa doença, usa-


-se o hífen se não houver elemento de
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ligação. Exemplo: mal-francês. Se ponte Rio-Niterói


houver elemento de ligação, escreve- eixo Rio-São Paulo
-se sem o hífen. Exemplos: mal de
lázaro, mal de sete dias.
5. Para clareza gráfica, se no final
3. Usa-se o hífen com sufixos de ori- da linha a partição de uma palavra ou
gem tupi-guarani que representam combinação de palavras coincidir com
formas adjetivas, como açu, guaçu, o hífen, ele deve ser repetido na linha
mirim. Exemplos: seguinte. Exemplos:

capim-açu Na cidade, conta-


amoré-guaçu -se que ele foi viajar.
anajá-mirim

4. Usa-se o hífen para ligar duas ou O diretor foi receber os ex-


mais palavras que ocasionalmente se -alunos.
combinam, formando não propria-
mente vocábulos, mas encadeamentos
vocabulares. Exemplos:
A Editora Melhoramentos, sempre
preocupada em auxiliar os estudantes e
professores brasileiros, lança esta nova
versão do Guia Prático da Nova Orto­
grafia, que explica, de maneira didática,
as alterações introduzidas na nossa or-
tografia pelo recente Acordo Ortográ­
fico da Língua Portuguesa.
Esta nova versão foi elaborada de
acordo com a 5.ª edição do Vocabulá­
rio Ortográfico da Língua Portugue­
sa (VOLP), publicado pela Academia
Brasileira de Letras em março de 2009.

Editora Melhoramentos
Abril de 2009