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CAPITULO 2 Desenvolvimento cognitivo e de linguagem AA! O que seria do mundo Se néo houvesse criangas? Do nosso pasado, um deserto Prior do que as trevas, ao certo. Henry Wadsworth Longfdlow Poeta americino, século 19 (Uma visio geral do desenvolvimento da crianca @ Detinir desenvolvimento e explicar Explorando 0 que € desenvolvimento ‘os principais processos, periodos Processos ¢ periodos questdes de desenvolvimento, bem Questbes sobre 0 desenvolvimento como relacionar desenvolvimento e Deserwolvimente e educacao educacao. (Desenvolvimento cognitive — @ Discatir o desenvolvimento do © cerebro =r. cérebro e comparar as teorias A teorie de Piaget de desenvolvimento cognitive de A tears de Vygotsky Jean Piaget ¢ Lev Vygotsky. (Desenvolvimento da linguagem @ leentificar as principais TO que © linguagen? = caracteristicas da linguagem, Influéncias bioldgicas © ambientais as infiuéncias biolégicas € Como a linguagem se desenvolve ambientais sobre 2 linguagem e 0 erescimento caracteristico da linguagem da crianca. Historias Neste capitulo, vocé estudari a teoria cognitiva e socio- cultural de desenvolvimento de Lev Vygotsky. A sala de aula de Dorene Polson mostra a imporiancia da colaboraggo entre @ comunidade de alunos, eniatizada por Vygotsky. Donene leciona na Washington Elementary School, em Salt Lake City, EUA, uma escola inovadora que enfatiza a importancia de as pessoas aprenderem juntas (Rogoff, Turkanis e Bartlett, 2001). Assim como os adultos, 26 criangas também planejam atividades de aprendizagem. Durante o dia inteiro na escola, os estudantes: rrabalham em pequenos grupos. Donene aprecia a idéia de poder lecionar em uma escola onde estudantes, professors e pas trabalhamm como ure Cornu Pidade para ajudar as crianges a aprender (Polson, 2001). Antes Ge 0 ano letivo comecar, Donene retine-se com os pais em cada ‘casa de familia para preparar tudo para o ano que ests por vr, famviliarizarse e estabelecer cronogramas para determinar em que momento os pais podem contribuir para o ensino da classe. Nos encontros mensais entre pais e professores, Donene ¢ os pais planejam o cuniculo © discutem o progresso das eriangas. Donene Polson Introdugao Eles debater sobre os recursos que a comunidadle pode utliz, para promover a aprendizagem das eriangas. ‘Mutos estudantes volar para contar 8 Donene que as experién- Cias em sala de aula trouneram importantes contrbuigbes para o seu desenvolvimento e aprendizagem. Por exemplo, Luisa Magarin faz uma reflexdo sobre sua experiéncia na sala de aula de Donene © como 'ss0 ajudou seu trebalho com os colegas no ensino médio: a pant das responsabildades definicas nos grupos que as criangas aprendem a lidar com 0s problemas ¢ a cuvir urs 203 outros ou tentar entender cferentes pontos de vida. Flasaprendm como ajudar ur grupo a trabalhar com Thider © como manter 18 pessoas interesades no que cxtéo fazendo... Como cc-editore de uma revista de estudartes na escola de ensino médo em que ‘stuco, tenho que conciliar meu anseio em ter as coisas prontas ¢ -Utolesinca para rebalhar com outros estucantes (Rogol, Tukenis Bartlet, 2001, p. 84-85). Como a hisiéria de Donene Polson mosira, as teorias de desenvolvimento cognitive podem formar a base de programas de ensino inovadores. O exame de como as criancas se desenvolvem permite-nos entendé-las melhor. Este capitulo — 0 primeiro de dois sobre desenvolvimento - enfoca o desenvolvimento cognitivo e da linguagem das criancas. Antes de apro- fundar esses tépicos, porém, exploraremos algumas nogdes bésicas sobre desenvolvimento. @ Uma visio geral do desenvolvimento da crianga a ne ioe ee baat; SRE = Gaupnignans Prowse |/ [Guettersbeo] _ [Decenelvimens ieconoleete |" Lepede | leseearmere aera O filésofo do século 20 George Santayana, espanhol naturalizado nos Estados Unidos, disse certa vez que “As criangas estao em um plano diferente, Pertencem a uma gerario ¢ tém uma forma prdpria de sentit”, Vamos explorar 0 que é esse plano. Explorando 0 que € desenvolvimento Por que estudar 0 desenvolvimento da crianca? Como professor, voc® sera responsével por um novo grupo de criangas a cada ano em sua sala de aula. Quanto mais vocé aprende sobre o desenvolvimento das criangas, mais compreende qual o nivel mais apropriado 2 28 Capitulo 2 Desenvolvimento cogeitivo de linguagem "desenvolvimento 0s pocessosscio- «mcionais eogntivosebnlégiros que scomegan ra corcepcioecortinuem “durante toda a vide de uma pessoa _Arialor parte co desenvohimento “lve erescimenta, enbora taribém “envoia a decadtncia [marie A infncia tornou-se uma fase tio distinta do periodo da vida humana que é diffcil imaginar que nem sempre foi assim. Na era medieval, os leis geralmente néo distinguiam ‘dlitos comietidos por criangas ou por adulios, e as criangas eram frequentemente tratadas como adultos miniatura. Hoje, temos uma visio muito diferente das eriangas do que se tinha naquela época. A infiincia ¢ vista como uina fase nica e significative, que proporciona uma importante formasao/base para aidade adulta e € bem diferenciada. Identificamos periodos distintos na infamcia, durante os quais a crianga domina habilidades especiais ¢ se depara com as ligdes da vida nova. Protegemes nossas criancas dos excessos do trabalho adulto por meio deleis contra o trabalho infantil, ratamos suas mais sérias transgressoes com um sistema especial de justiga da infancia e da juventude e dispomos de verbas governamentais para sauxiliar eriangas no aso dea familia falhar ou ameacar seriamente seu bem-estar (Ben- son ¢ outros, 2006; Ramey, Ramey ¢ Lanzi, 2006). Consideramos a infancia uma época especial de crescimento e mudanca, « investimos grandes recursos para culdar de nossas criangas ¢ educi-las As crlangas desenvolvem-se em parte como todas as outras, em parte como algumas . Gre atvidades para que as criencas ordenem e revertam as seqiacias, Muitos alunos éo terceito ana tém dificuldade enn reverter caqiiéncias, assim como ir do maior para @ menor, fem vez de ir do menor para o maior. Eles também tem dificul fare, apds fazer ume lista de cidades para visitar durante uma viggem, em reverter esta orciem para vollar para casa. Continue pedinde que ex exuidantes justiiquem 2 respee- tas dachs quando resoivem problemas. Ajude-os a verificar a veracidade ¢ a precisao de suas conclusces. Encoraje as criancas a trabathar em grupo e a partihar aquilo ‘que pensam uns com os outros. Por exempla, voce pede pecir para wim grupe de criangas criar uma peco ce teatro, para que compartihem seu pent de vista com os dernais. Quando tentareminar algo complexo, crc propaganase ania- Cios visuals. For exempio, a0 ensinar uma lgao de ciéncias Socias sobre © que & democraria, mess um video que liste © conesito, Estrule or estudantes + manipulre a experimen- tar em céncias, ule materias concretas em matemaica, cre encene om linguagem, discus as perspectivas deles« love-os pana viegens de campo em estudos soins _estigio l6gico-formal Quarto ectagio ‘de deservolvimento cognitive de Piaget, que surge aproxinedarcnte das 1 20s 15 anos de Wade; opensamento Eas absirato, idealist este. ‘asstio hpotto-dedto “tee fomsl de aye! de cue Uealccetsomaginn exroher Si pare resolver cs problemas ¢, eaten, hae eu) 8 lusdo. Na tworia de Piaget, pensadores operacionais concretos compreendem que sim e pensado- res pré-operacionais compreendem que nao. 0 estagio Idgico-formal 0 estigio légico-formal, que surge aproximadamente dos 11 gos 15 anos de idade, é o quarto e tiltimo estigio cognitivo de Piaget. Nesse estigio, 0s ndividuos vao alem do raciocinio baseado apenas em experigncias concreias e pensam de maneira mais abstrata, idealista e logica A qualidade abstrata do pensador l6gico-formal £ evidente em solugées de problemas verbais. O pensador operacional concreto precisa ver os elementos concretos A, B eC para fazer inferéncias, (0 pensador légico-formal, a0 contririo, consegue resolver esse problema quando cle é apreseniado verbalmente. Acompanham a natureza abstrata do pensamento logico-formal as habilidades de idea- lizar eimaginar possibilidades. Nesse estigio, os adolescentes encaram longas especulagdes sobre as qualidades ideais que eles desejam para si para os outros. Esses pensamentos idca- listas podem se misturar & fantasia, Muitos adolescentes se tornam ansiosos por cause dos ideais resém-descobertos e os problemas de conviver com eles. ‘Ao mesmo tempo em que os adolescentes pensam de mancira mais abstrata ¢ idealista, cles também comeyam a pensar de maneira logica, Como pensadores l6gico-formais, eles pensam mais como cientistes. Fles desenyolvem planos para resolver problemas e testar 5 tematicamente as solugdes. O termo de Piaget raciocinio hipotético-dedutive incorpora o conceito de que os adalescentes podem desenvolver hipéteses (ou melhor, palpites) sobre as formas de resolver problemas e,sistematicamente, chegar a uma conclusao. wunmhhecomsantedu3e Um cxemplo de raciocinio hipotético-dedutivo en- volve uma moditicacao do jogo familiar “Vinte Questoes Individuos véem uma série de 42 imagens coloridas, dis postas em um conjunto retangular (seis fileiras de sete imagens cada), ¢ devem determinar qual imagem o expe- rimentador tem em mente (ou seja, qual 6a “correta”). Os individuos s6 podem fazer perguntas que o experimen tador possa responder sim ou nao. O objetivo do jogo é selecionar a imagem correta fazendo o menor niimero de pperguntas possivel ‘Adelescentes que sao avaliadores hipotético-deduti- ‘vos formulam um plano ¢ testam uma série de hipdteses que diminuem consideravelmente o campo de escolhas. © plano mais eficiente é a estratégia “das metades” (P: A imagem esté na metade da direita’ R: Nio. P: Esti na me- tade de cima? Eporaivai). Umacstrstégia correta dasmetades garante a resposta em sete perguatas ou menos. Por ou- to lado, 0 pensador operacional concreto pode persistir ss que testam algumas das possibilidades que as respostas anteriores ja poderiam ter eliminado. Por exemplo, eles podem perguntar se a imagem correia estd na fileira 1. receber como resposta “nao”. Mais tarde, eles podem per- guntar se a imagem é X, que esti na fileira 1 ‘Assim, peasadores ldgico-formais avaliam suas hipdteses com questoes ¢ testes crite- riosamente escolhidos. Pensadores operacionais concretos, por sua ve2, geralmente falham ses um teste de hipéteses bem escolhido, insistindo em em compreender a relagio entre hij rmanter idéias que jé haviam sido descartada Uma outa forma de egocentrismo surge na adolescéncia (Elkind, 1978). egocentris- ‘mo adolescente & uma elevada autoconsciéncie, que rellete as crencas que os adolescentes tém de que os outros estao, assim como ele préprio, extremamente interessados nele. 0 egocentrismo adolescente tainbém inclui um senso de singularidade pessoal. Isso envolve © desejo de ser notado, visivel e de estar “no paleo”. Veja o caso de Tracy, uma garota de 12 anos que diz “Oh meu Deus! Nao acredito. Socorro! Nao posso suportar!”, Sua mae pergunta “Qual ¢ 0 problema? e Tracy responde “Todo mundo aqui esté olhando para mim’, a mae pergunta “Por que?’, e Teacy responde “Esse fio de cabelo nio quer ficar no lugar’, enquanwo ela corre para o banheico para colocar mais spray de cabelo. A nogao de singularidade também esté evidente nos sentimentos-de Margareth, de 16 anos, apés 9 namorado terminar 0 namoro. Ela diz para a mie “Vocé nio tem idéia de como eu me sinto. Voct nunca sentiu essa dor O egocentrismo é uma ocorréncia normal na adolescéncia, mais comum na segun- da metade do ensino fundamental do que no ensina médio. De qualquer forma, para alguns individuos, 0 egocentrismo adolescente pode contribuir para o comportamento de risco, incluindo peasamentos suicidas, uso de drogas e falha no uso de anticoncep- ionais nas relagdes sexuais. O egocentrismo leva alguns adolescentes a pensar cue cles sio invulneriveis Avaliando a teoria de Piaget Quais sio as principais contribuigées de Piaget? Sera que sua teoria resistiu & passagem do tempo? Contribuigdes Piaget & um gigante no campo da psicologia do desenvolvimento. Devernos a ele campo de desenvolvimento cognitive da crianca que existe hoje. Devemos a ele uma longa lista de conceitos magistrais, incluindo assimilagao e acomodacio, permanéncia do objeto, egocentrismo, conservacao € raciocinio hipotético-dedutivo. Devemos a ele ¢ a William James e John Dewey 2 visto atual de que a crianga ¢ um pensador ativo e construtivo. Devemos também a ele a crenca atual de que os és de uma si snsao (Haith € conceitos nic surgem de repente e jé deravolvidos, mas sim at de realizagoes parciais que levam a um aumento gradual da compr Benson, 1998). Desenvolvimento cognitive 45 A capacidade de saciocinar hipotetica ‘mente e comparar 0 ideal o real pode levar 08 adoleseentes @ orgerizar manifes agoes, como esse proteste, para melhorar as relagies étnicas? Que outras causes podem ser atrativas para as berias capacidades cogniivas de raciocinio hipotétco-dedutivo ¢ pensamento idealsta dos adolescenter? Muitas gorotas adolescentes passam, horas na frente do espelho, gastando Iatas de spray para cabelo, tubos de batons e potes de cosméticos. Como ese comportamento pode ser relacionado as mudancos no desenvolvimento cognitiva & fisic do adolescense? Capitito 2 Desenvalimento cognitive ede linguagem Boas praticas 1. Compreendla que muites adolescentes nio so pensedlereslégico formas totalmente desenvolvidos.Ebora Piaget acreditasse que ‘opensamento lgic-formal surge entre os onze eo quinze anos de idee, muitos estudantes nessa axa etéia ainda so pensadlo- res operacionais concretcs ou esiao apenas comerando a utilizar © pensamento I6gico-formal. Assim, muitas estatégias de ensino iscutdas anceriormonte a ‘expeito ca educagio de pensodores ‘operacionais concreos ainda se aplicam a muitos jovens ado- lescertes. Como veremos a seauit, jeri Hell, um professor le rmatemntica da Miler Magnet High School, 9a Goda, Etarox Unics, enfaiiza que, quardo um currculo € muito formal ou muito abstato, “passa batico” pela cabeqa dos estudanes. Visio do professor Piaget como um guia Eu utiizo a teoria do desenvolvimento de Piaget como Lum gia para ajudar as ctiancas a aprender matemiatica.. No sexto, sétimo.¢ oitavo anos, a5 criancas este passando do, estagio concreto para 0 abstrato em seus processos cognitios: por isso. quando eu ensino, tento uilizar métods diteren- tes para auxiliar meus estudantes a entender 0 conceite. Por exemplo, utiliza circulos de iragdes para ajuda-tos ¢ entender ‘como adicionar, subtiair, multiplicar e divicir fracoes ¢ eles tém permissio para utlizi-os até se tomarem proficientes com os algoritmos, Temto incorporar experlénctas préticas que fazem com que os estudartes descuiyram as regras por si mes- ‘mos, em vez de apenas ensinar métodos e fazé-los praticar com exercicios, ( exremamente: importante que eles com preendam 0 porqué das regras matematicas pata que possam entender 0 conceit, 2. Peoponha um problema @ convide os estudamtes a criar hipd- teses sobre como resolvé-lo, Por exemplo, um professor pode. Estratégias para trabalhar com pensadores ldgico-formais dizer “Imagine que uma garo'a nd tenha amigos. O que deveria fazer” Apresente um problema @ sugira vatias maneiras de abordié- fo, Fm sesuida, elabore nerguntas que estimulem os estudan- tes a avaliac as abordagons, Por exemplo, descreva diferentes maneiras para invesiigar um roubo ¢ peca para os esiudan- tes avaliarem qual 6.2 melhor Selecione um problema paricular que seja conhecido. da uma @ faca perguntas relacionadas 4 ele. Por exemplo, 0 professor pergunta “Quais fatores devem ser considerados se quisermos colocar a economia de volta nos eixos.” Peca pora os estudanies diseutirem suas principals conclusdes. Por exermplo, pergunte“Quais elapas voces percoreram para resolver esse problema?” Desemolia projetos @ investigacées para os ectudintes com pletarem, Periodicamente, pergunte como eles esido coletendo ® interpretando 0s dados. Estimule os estudantes a criar resumos hierdrquicos quando wocd solicitar que eles escrovam redagées. Cerilique-se de que eles compreendem como organizer a escrita em termos _gerais ou em pontos especifians. A abstracao do persamento lgico-‘ormal também signiiea qué 0 professor que tom estu ddantes nesse nivel pode incentivé-los a utilizar metaforas. 3 Reconheca que es adolescentes estio mais propensos a utilizar 0 penssmento legico-fermal em areas que eles tém habilidade bu experigncia, Por exemplo, urn estudante que adora inglés € Ig e escreve bastante pode ulilizar 0 pensamento logico-iormal nessa Srea. Q mesmo estudante, no enianto, pode nio gostar ide matematica e apresentar pensamento aperacional concreo nessa area. Piaget também era um génio quando se tratava de observar as eriangas. Suas observagBes. cuidadosas mostram-nos maneiras inventivas de desvendar como as criangas agem e se adap- tam ao sea mundo (Vidal, 2000). Piaget mostrou algumas coisas importantes para procurar no desenvolvimento cognitive, como a mudanga do pensamento pré-operacional para 0 ope- racional concreto, Ele também mostrou como as ctiangas precisam fazer suas experiéncias caberem em seus esquemas (estrutura cognitiva) ¢ também adaptar seus esquemes em suas cexperiéncias. Piaget também revelou como o crescimento cognitivo tende a ocorrer se 0 con= texio€ estruturado para petmitir 0 movimento gradual a0 pr6ximo nivel mais clevado. Criticas desafiada. Questoes tem sido levantadas nas seguin- tes dreas: A teoria de Piaget j ‘ Estimativas da competéncia da crianca. Algumas capacidades cognitivas surgem mais cedo do que Piaget pensava (Bornstein, Arterberry e Mash, 2005; Cohen e Cashon, 2006). Por exemplo, alguns aspectos da permanéncia do objeto surgem mais wuwemthe comsantedue cedo do que ele acreditava. Até mesmo criangas de dois anos de idade sio nio- egocentricas em alguns contextos. Quando elas percedem que outta pessoa no verd um determinado objeto, elas investigam se a pesso2 esti vendada ou esti oltando em outra diregio. Conservagao de nimero tem sido apresentada até mesmo aos trés anos, apesar de Piaget ter pensado que ela nao surgia antes dos sete anos. Criangas pequenas nao sio tio uniformes quanto “pré-"isso e “pré-"aquilo (pré-causal, pré ‘operacional) como Piaget pensava (Flavell, Miller e Miller, 2002) ‘= Outras habilidades cognitives podem surgir mais tarde do que Piaget p Muitos adolescentes ainda pensam de maneira operacional concreta on esto apenas comegindo a dominar as operagoes l6gico-formais. Até mesmo muitos adultos nao sao pensadores logico-formais. Em resumo, revisbes tedricas recentes destacam mais competéncias cognitivas da crianga e da crianca pequena e mais falhas cognitivas cm adolescentes ¢ adultos (Bauer, 2006; Keating, 2004), ‘+ Estigios. Piaget conceituou os estigios como estruturas de pensamento unitirias, ‘Assim, sua teoria assume sincronia de desenvolvimento, isto é, varios aspectos de um estigio deveriam surgir ao mesmo tempo. Alguns conceitos operacionais concretos, no entanto, nfo surgem em sincronia. Por exemplo, as criangas nio aprendem a conservar a0 mesmo tempo em que aprendem a classificar Por isso, a maioria dos desenvolvimentalistas contemporineos concorda que © desenvelvimento cognitive da crianca nio se estrutura em estagios como Piaget pensava (Brorklund, 2005; Garton, 2004; Horowitz e outros, 2005; Kuhn e Franklin, 2006; Siegler, 2006) ‘+ Treinar a crianga para raciocinar em um nivel mais alo. Algumas criances que esto em um estégio cognitive (como o pré-operacional) podem ser treinadas para reciocinar em um estagio cognitive mais alto (como o operacional concreto). Isso impoe um problema a Piaget. Ele acreditava que esse treinamento era apenes superficial ¢ ineficiente, a menos que a crianca estivesse em ponto de transicao moturacional entre os estigios (Gelman ¢ Opfer, 2004; Gelman e Williams, 1998) © Cultura e educagio. A cultura e a educagio exercem influéncias mais fortes no desenvolvimento da criancz Go que Piaget pensava (Greenfield, Suzuki e Rothstein- Fisch, 2006). A idade em que as criangas adquirem habilidades de conservagio esti relacionada com a extensio em que sua cultura fornece praticas relevantes (Cole, 2005, 2006). Por exemplo, um exzelente professor pode guiar as experiéncias de aprendizagem dos estudantes que irdo ajudé-los ne mudanga para um estagio cognitivo mais alto. Ainda assim, alguns psicdlogos desenvolvimentalistas acteditam que nao devemes des- cartar Piaget completamente (Smith, 2004). Esses neopiagetianos argumentam que Piaget acertou em alguns pontos, mas sua teoria precisa de uma revisio considerdvel, Na revisao de jaget, os neopiagetianos enfatiram como a crianga processa inforttagbes através da atensao, da meméria e de estratégias (Case, 2000). Eles acreditam especialmente que umta visio mais acurada do pensamento da crianga exige mais conhecimento das estratégias, com que velo- cidade e quio automaticamente as criangas processam informagdes, qual € a tarefa cognitira emvolvida e a divisio de problemas cognitivos em passos menores € mais precises. “Apeser das criticas,ateoria de Piaget é muito importantee,como jf vimos,asinformacbes sobre os estagios de desenvolvimento podem ser aplicadas ao ensino das criangas. Foram apre- sentadas aqui algumas idgias para aplicar a teoria de Piaget na educacio das criancas. A teoria de Vygotsky Deacordo com Vygotsky, as fangéies mentais tém conexies externas ou sociais. Vygotsky ‘argumentou que acrianga deservelve conceitos mais sistemsticos, ligicos ¢ racionais como re~ sultado do didlogo com um assistente habilidoso. Assim, nateoria de Vygotsky, outras pesscas € linguas tém um importante papel no desenvolvimento cognitivo da crianca (Bodrova¢ Leong, 12007; Fidalgo ¢ Pereira, 2005; Hyson, Copplee Jones, 2006, Stetseako e Arievitch, 2004). A zona de desenvolvimento proximal A crenca na importancia de infiuencias sociais, de Vygotsky; especialmente na educagio, sobre o desenvalvimento cognitive da Desenvolvimento coarita Paget aparece aqui com sua familia. AS observacdes cuidadosas desses tes crianeas = Lcieane, Laurent e Jacqueline — contribuirara para que Piaget descmvolvess sua teoria cognitiva, Um excalente professor e 2 educasio logica de ciencias © matemética Sto experiéacias culturais importantes para promover o desenvolvimento do pensimento operacional. Send yee Piaget subesimou a importincia que a cultura € a escolarizagio tém mo desenvolvimento cognitivo da crianga? eopiagetianen Picloges desenohi- rmentases queacedttam que Paget acer= tou emaigurspontos masque sua teria pecsadetuma resin consider enfa- ‘Sam coro pronesarinformegdes strvis ds sergdo, ds membiae de stategies 48 [e) Capitulo 2 Desenvolvimento cognitivo e de linguagem Boas praticas 1. Tenha uma aborelagem construtivict, Piaget afirmava que es crlancas aprendem melhor quando s20. ativas © quando elas mesmas procuram as splugies. Piaget punha-se a métodos de ensino que roceptores passivos. A implicagio educacional da visio de Piaget & que, em odes as matérias, a crianca aprende melhor fazendo suas proprias descobertas, refletinda e discutinds sobre elas. em voz do decorar cogamente o que o professor censina ou fazer coisas de manelia mecinica veia consiutivist, 2. eilite, mas nao direcione ensino, Professoreseficientes cram situagbes que penmitem que os estudantes aprendar ‘azendo ssas situagdes estimulam 0 ecudante no pensamento e nas escohertas. Os professores excutam, observam © questionam o> ‘oturentes para ajudi-ios a alcangar melhor entendimento, Eles fazem pergunias relevantes para estimular o pensamento dos st dantes e pedem para que eles expliquem suas resposas. Como voce send seguir, Suzanne Ransleben cria stuacbes‘imaginarias ra sala de aula para faciltar a aprendizagem dos alunos. Visao do professor Estinulando 0 pensamento e as descobertas do aluno Suzanne Ransleben leciona inglés para 0 nono €0 décimo ano! em Corpus Chist, Texas, EU. Fla cri situagdes na sala de aula que estimulam © pensamento reflexive € as cescoleas dos estudartes. Suzanne criou 0 Futebol Gramatical, para due a disposigao das sentencas ficasse mais interessante paraos alunos © paa fazé-los decifar leas de misica e aprender como fazer poesia. Quando os estudantes ouvem Shakespeare pela primetra ves, “Tes pintam interpretacoes de seus versos preferidos de ‘Romeu e Julieta’. (Fonte: Briges, 2004, p. 70) 3. Considere o coninecimento e o nivel de pensamento di erianga (Os estudantes no chegam 3 sala de aula com a cabesa vacia. Eles tém muitas ides sobre 9 mundo natural efisco, incluindo conceitos de espaco, tempo, quantidade © causalidade. Fssas idéias sio diferentes das idéias das adulias. Os professores pro cisam interpretar 0 que 0 estudante esté dizendo e responder lia apropriaea 10 nivel do estudante. de man 4. Utilize avaliagdes continuas. Significados constnuidos indivi- dualmente nao podem ser medidos por testes-pado. Aliidlades de matemitica ¢ lingiagem (que contenham tanto o trabalho: fem desenvolvimento quanto os jé finalizados), comerét inlviduats ras quais os estudantes discutam suas estraiégias de PPensamento © explicacdes escrizas ou verbs sobre seu racioe rio podem ser utilizados para avaliar 0 progreso. NEE: Nowriginal: int and oath grade Estratégias para aplicar a teoria de Piaget na educagio da erianca Suzenne Rensleben, ensinando ingles >. Promova a satide intelectual dos estudantes. Quando Piaget Dpalesttou nos Fstados Unidos, perguntaram a ele "0 que posse fazer para que meus iilhos enivem em um estigo cognitive ‘mais alto antes do tempoe” Ele ouviu. essa mesma pergunta tantas vezes nos FUA, se comparado a outros paises, que a denominou questo norte-americana, Para Piaget, « apreniliza- kgem da crianga deve acontecer naturalmente. As criancas nio devem ser pressionadas a adquitie muito e muito oad em seu desenvolvimento, antes que estejam maturacionalirente pron tas, Alguns pais passam horas todos os das segurando cartes uminados com palavtas, para melherat 0 vocabuliio de seus bebés. Na visto de Piaget, essa n3o & a melhor mancira para nes aprenclerem. Essa prdtica enfatiza muito 0 deservolvimento intelectual, envolve aprendizagem passiva e néo funciona 6 Tronsfornre a sala de aula er um consno de exploracio e des- coberta. Como Si0 as salas de aula em que os professores ado- fam a visio de Fiaget? Muitas salas de matomslica do princi « segundo anes fomrecem alguns bans exemiples (Kami, 1985, 1989), Os professores incentivam a pr6pria exploracio e desco- berta do estudante. As salas de aula sio menos esruturadas do ‘que persamos que deveria ser uma sala de aula tpica. Lixtos de exercicios e tarefas predeterminadas nao sao utitzados, Em vez. disso, 05 protessores observam os interesses dos estudentes © a Participacso natural em atividaces para determinar em que série Ge aprendizagem ele esti, Por exermple, uma ligaio de matemi- tica_poue ser desenvolvida tenclo como tarefa contar o dinheins do almeco diario ou dividir es recursos entre os extudantes. Os jogos também so usilizados na sala de aula freqtientemente para ‘otimular o pensamenio matemitico. For exemplo, uma versio do domino ensina a crianca sobre combinages de nimeros pares. Uma variage do jogo-di-velha envolve trocar os Xs ircules por niimeros, Os professores esmulam a interacio entre (5 colegas durante as igces e jogos, poraue os diferentes ports de visia porlem contibuir para avangos no pensamerto, ‘wawonthecom/santedu3e crianga, esté embutida no seu conceito de zona de desenvolvimento proximal. Zona de desenvolvimento proximal (ZDP) é 0 termo criado por Vygotsky para descrever uma série de tarefas que sa0 muito dificeis para que a crianga domine sozinha, mas que podem ser aprendidas com orientacdo e assistencia de adultos ou de criangas mais habilidoses. Assim, o limite mais baixo de ZDP é o nivel de habilidade alcancado por criancas traba- Ihando independentemente. O limite mais alto é 0 nivel de responsabilidade adicional que a crianca pode aceitar com a assisténcia de um instrutor habil (veja a Figura 2.14). A ZDP captura 2s habilidades cognitivas da crianca que esto em processo de maturagao ¢ podem ser concluidas somente com a assisféncia de uma pessoa niais habilidosa (Gray ¢ Feldman, 2004; Kinginger, 2002; Kulezewski, 2005). Vygotsky (1962) nomeou-as de “botoes” ou “flores” do desenvolvimento, para distingui-las das “frutas” do desenvolvimento, em que 4 crianga jé consegue realizagdes independentes. (0 ensinona zona de desenvolvimento proximal reflete 0 conceito de ensino apropriaéo ao desenvolvimento que descrevemos anteriormente neste capitulo, Envolve estar consci te de“onde os estudantes esto em seu processo de desenvolvimento e tirar vantagem de sua prontidao. Também se trata de ensinar para favorecer a prontidao desenvolvimental enzo apenas esperar que os estudantes estejam preparados” (Horowitz e outros. 2005, . 105 ‘Vamos considerar um exemplo que ilustra a zona de desenvolvimento proximal (Fre 1995, p. 125): Uma crianga de cinco anos esta empurrando um pequeno carrinio de mercado pelo patio emsua pré-escola. A professora nota que ela esta colocandh as frutas em umacestae todoo resto das compras em uma sesio maior do carrinho, Hla tem abservado a crianga casificar o¢ objetos durante as ultimas semanas ¢ pensa que ela talve2seja capaz de classificar duas dimensoes 20 mesmo tempo,com algums ajuda sus, Hla vai até caiza cegistradora para fingr se o encarrezado do cars ¢ diz “Precisemos ser cuidadoses a0 dividir as compras nas sazolas, E melhor tiliar uma sacola para colses que vao para 2 geladeira e outra para coisas que vio para 0 armrio, Jntas, elas criaram um sistema de sacolas pare cada uma das seguintes categorias alimentos ‘embalados e frutas ¢ verduras soltas que vio para a geladeina, alimentos embaladas e enlatados ‘que vio para oarmario, Neste exemplo,o nivel de cassticagao da crianga sem ajuda foi um tanto ‘quanto grossezo: la dassificou apenas como frutas ou nao-irutas. Coma ajuda da professora, a - pontineos, desorganizados nao-sistematicos. Em um didlogo, esses conceitos caracterizam ‘encontro da crianca com os conceitos sisteméticos, logicose racionais de um assistente habili- doso. Come resultado, os conceitos da crianga se tornam mais sistematioos, logicos € racionais. Por exemplo, um didlogo pode ser utlizado entre o professor e a crianga quando o professor utiliza andaimes para ojudar a crianca a compreender 0 conceito de “meios de transporte’ Fazer perguntas investigativas ¢ uma excelente maneira de utilizar andaimes para en- sinar os estudantes e ajudé-los a desenvolver habilidades de pensamento mais sofisticadas. Um professor pode perguntar ao estudante questées como “Qual serie um exemple disso”, “Por que voce pensa assim?”, “Qual &a préxima tarefa que voct deve fazer?” € “Como voce: pode fazer 4 conexao de tudo iss0?”. Com o tempo, os estudantes devem comecar a inter- nalizar esses tipos de sondagens e aperfeigoar © monitoramento de seu préprio trabalho (Horowitz e outros, 2005). Desenvolvimento cognitwe a) Limite superior Nivel de responcabilidede adisional ‘que a ctianga conaegue aveitar com Poe ee pital} FIGURA 2.18 Zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky. ‘A zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky tem um nivel inferior € um nivel superior As trefas ra ZDP sio muita dificeis para unsa crianga realizar seins, Hlas requerem ajuda de um adulto ou de uma crianga habilidesa, Como as criangas reeebem instrugdes vebais ou demonsteacSer, clas organizam as infocmagoes em suns estrucuras ments existenies, assim, poderio finalmente dlesempenhar a tarfa eu habilidede sozinhas. zona de desenvolvimento proximal (DP) emo de Vgotsty pore ume sre detereasque So muiteofieespara 2 ‘ciarca dinar sczinha ras que podem ‘ser cominads com orentaio easstinda dd adukos ov cfangas mais havens. andaimes (eaffolding) Una teres que envove madanga do nel de apo 32 aperdzanen, Um prfessorou um colepa mais avangado ausam Santa de ajo pease adapta cesempenho tus do estudante 50 Capitulo 2 _Deservelvimento cognitivo e de ineuagem ardagem socioconstrutivista as contextos savas de apren~ me que 0 canhedimento é seuilo mutuamente;a tenda de ey lusea e550 abordogen ke Muitos professores foram bem-sucedidos ao utilizar andaimes no ambiente da sala de aula, dando assisténcia “bem nia hora” aos individuos ou detectando uma classificagio e1r6- nea eentao conduzindo a uma discussio para resolver o problema. Eles também dao"tempo, para as crlaneas encararem os problemas” e guiam-nas quando observam que elas nio estin ‘mais fazendo progresso (Horowitz-¢ outros, 2005, p. 106-107). Linguagem e pensamento © uso do diflogo como uma ferramenta para andaimes & apenas um exemplo do importante papel que a linguagem exerce no desenvolvimento dda criangs. De acordo com Vygotsky, a8 criancas utilizam a fala ndo 36 como comunicagao social, ms também para ajucli-las 2 resolver tarefis. Vygotsky (1962) acteditava ainda ‘que a crianca pequena utiliza a linguagem para planejar, guiar e monitorar seu compor- tamento. Esse uso da linguagem para auto-regulacio ¢ chamado de discurse privade. Por exemple, uma crianga pequena fala consigo mesma em voz alta sobre coisas como seus brinquedos eas tarefas que esté tentando conclu. Assim, quando esta montando um quebra-caboge, # crianga pode dizer “Esse pedaco nao cabe, ache que vou tentar aquele”. Alguns minutos depois, ela diz “Isso ¢ dificil”. Para Piaget, o discurso privado ¢ egocéntrico ¢ imaturo, mas para Vygotsky € uma ferramenta de pensamento importante durante os anos de infincia inicial. ‘Vygotsky disse que a linguagem e 0 pensamento desenvolvem-se inicialmente de forma independente um do outso ¢ depoisse mesclam. Ele enfatizou que todas as fungoes mentais tém origens sociais ou externas. As criancas devem utilizer a linguagem para se comunicar com 0s outros antes que consigam focalizara si mesmas e seus proprios pensamentos. AS criancas também devem se comumicar externamente e utilizar a Tinguagem por um longo periodo de tempo antes que consigam fazer a transicao entre o discurse externo ¢ 9 intemo. Essa transigd0 Ocorre com criangas entre os trés ¢ os sete anos de idade e envolve conversar cconsigo mesmas. Apés im tempo, a conversa privada toma tim segundo plano ¢ eas conse- _guem agir sem verbalizar. Quando isso ocorve, a erianga intemalizou seu discurso egoctn- trico na forma de discurso interno, que se tornam seus pensamentos. ‘Vygotsky argumentou que as criangas que usam 0 discurso privado (autofala) sio mais competentes socialmente do queasquenio usam (Santiago-Delefosse ¢ Delefosse, 2002). Para le, discurso privado representa uma transicao prematura para tornar-se mais comunicativo socialmente. Para Vygotsky. quando as criangas pequenas conversam consigo mesma elas estdo usando a linguagem pare governar seu comportamento ¢ guiar a si mesmas, Piaget sustentou que a autofala ¢ egocéntrica e reilete imaturidade. No entanto, os pes- quisadores encontraram suporte para a visio de Vygotsky de que o discurso privado tem am papel importante no desenvolvimento da crianga (Winsler, Diaz ¢ Montero, 1997; Winsles, Carton e Barry, 2000), Pesquisadores descobriram que a crianga use mais 0 discurso privado quando as tarefas sao dificeis, aps cometer erras ¢ quando ela no tem certeza de como dove proceder (Beck, 1994). Eles evelaram também que as cxiancas que usam 0 discurso privado sao mais atentas e melhoram seu desempenho com mais frequencia do que as que rio usam o discurso privado (Berk e Spuhi, 1995) Discutimos diversas idéias sobre as teorias de Piagee e Vygotsky ¢ come clas podem sex aplicadas a educagio das criangas. Para ilustrar como voce pode aplicar essas teorias em sala de aula, complete 2 Auto-avaliagio 2.1 na pagina 52. Avaliando a teoria de Vygotsky Como comparar « teoria de Vygotsky com a de Plaget? Embora ambas sejam construtivistas, a de Vygotsky € ume abordagem sociocons- trutivista, que enfatize os contextos sociais de aprendizagem e a construcao do conheci- mento por meio de interagio social. ‘Ao pasar de Paget para Vygotsky a mudancade conceit € do individu para. coabo- aco, a interacao social ¢ as atividades socioculturais (Rogoff, 2003). O ponto final do de- senvolvimento cognitivo para Piaget €0 pensamento légico-formal. Para Vygotsky, ponto final pode diferis, dependendo de quais habilidades io consideradas as mais importantes ‘em uma determinada cultura. Para Piaget, as criangas constroem o conhecimento trans: formando, organizando ¢ reorginizando conhecimentos prévios. Para Vygotsky, as crian. {G28 constroem 0 conhecimento através de interacao social (Stetsenko e Arievitch, 2004). A implicacao da teoria de Piaget para o ensino é que a crianga precisa de apoio para explorar vwwmbhe-com/santedu3e Boas praticas os ‘A teoria de Vygotsty fo! adotada por muitos professores © & aplicada na educagso com sucesso (Rearicon @ Doovall, 2002 Budrova © Leong, 2007; Elkind, 2004; Rowe ¢ Wertsch, 2004; Winsler e outros, 2002). Aqui estao algumas maneiras de incor- porar a teoria de Vygotsky na sala de aul 1. Avalea ZDP da crianga. Come Paget, Vygotsky no acteditava que testes-padeao so a melhor maneita de avaliar 2 aprendi- zagem da crianga. Vygotsey agumertaa que 2 aaliacio deve procurar determinar a zona de desenvolvimento proximal da Ccranga (Camilleri, 2005; Meijer e tshout, 2001). Os assistertes habildasos do 3s criancas tarefas de diferentes niveis de dificl- dades para deteminar 0 malhor nivel para iniciar a instucae. Uilze a zona de desenvolvimento proximal da crianca 20 cnsinar O casino deve comecar prSximo 20 limite superior ca Zune pata que a ciianga posse alcancar © objetivo eom ajuda € mudar pare um nivel mais alto de habilidade e conhecimento Ofereca apenas a ajuda necessiria. Voc® pode perguniar #0 que poss fazer para ajudar®”, cu simplesmente cbservar as Intengbes ¢tentaivas de crianca e fomecer apoio quando necessirio. Quando a crianca hesitarencorajea. Eencomje 4 ctianga a praticar a habildade. Voc pode asi @ apreciat a pritica da crlanga ou ofevecer apoio quando ela se exquecer do que deve fazer. Em sequida, voc® pode ler sobre as praticas dle ensino de Joha Mahoney, que iiusram a énfase da zona de desenvolvimento proximal clamaca per Vygotsky: Visio do professor Utiizando 05 conceitos de diélogo ¢ reconstrugdo pora encontrar a zona de desenvolvimento proximal Join Mahoney leciona matemética em uma escola de ensino rmidia em Washington, ELIA. Na visio de Mahoney, guiaro éxito, dos estudartes cm matemitica ¢ tanto colaborativo quarto indi vidual. Ele encoraja 0 didlogo sobre matematica durante o qual ele reconstni os conceitos cue ajudam os estudantes a resolver ‘06 problemas cozinhos. Mahoney também nunca di a eles a resposta pala os problemas de rratersitca. Nas palavias de ura estudante, “Ele vai lazer voce pensar’. Seus textes sempre in lum problema que o astucarte ainda no viu, mas tem eonheci- 2 descobrir a solugio. (Font 3. Coloque os colegas mais habilidesos coma prolessores. Lembre- ce de que no io apenas os adultos que #30 importantes para ‘ajudar a crianga a aprender. As criancas também se beneficiam do apoio e da orientacao de criancas mais habilidoses John Stei- rer e Mahn. 2003), Por exemplo, coloque uma crianga que ests apreadendo a ler com uma que esti mais asancada na letra. 4. Monitore e estimule © uso do discurso privado pela crianca, Exeja ciente de que as mucancac de deservelvimento vio Desenvolimento cognitive Estratégias para aplicar a teoria de Vygotsky na educagio das eriangas John Mahoney, ensinando matematica desde conversar consiga mesma externamente enquanto resol ver um problema durante o¢ ano® pi versa privada nos primeires anos do ensing iundamertal. Nes anos de ensing fundamental, incentive a crianga a internalizar fe auto-regular stu conversa consign mesma excolares até a con. 5. Cologue a instruca0 em um contexto significativo. Hoje em ds, 1 edlucacores esto se éistanciando de apresentacdes abstratas, dos objetes ¢ fornecem aot estudantes oportunicades de exper ‘meniar 0 ensino em cendrios de mundo real. Por exernplo, em vez de apenas memorizar as iGrnulas de matemitica, os alunes tabalham nos problemas de matemsitica d undo real 6, Transforme a sala de aula com as (clélas de Vygotsky. Ferramen tas da Mente é um curticulo baseado na teoria de Vygotsky ¢ fa zona de desenvolvimento proximal, que enfatiza as ferrs rents cuturais € 0 desenvolvimento de auco-regulacio, anda’ me, discurso privado, atividades compailhadas e brincadeiras, coma atividades impectantes (Hyson, Copple ¢ Jones. 2006). 0. ulo foi criado por Elena Bodrova e Deborah Leong (2007) € implementado em mais de 200 salas de aula. A maiona das criancas dhs programas de Ferramentas da Mente Go criancas em situacio de riseo devide a cicurstincias em que vive, que em muitos casos envolvem pobreza e outtas condicdes df= eis, como nao ter um lar ou ter pais envolvidos com drogas. 2 de aula de Forramentas da Mente, 2 cama Fim uma s tizagdo tem um papel fundamental, Os profesores erientar as ‘riangas a crar temas com base em scus interesses, como uma ‘aca 0 tesco, loja, hospital ou restaurante. Professores tam Ixém incomporam viagens de campo, apresentagiies de Visitartes videos € lias ne ceservalvimento das pecas com as criangas. les também ajuclam as criancas a desenvolver um roteio para a peca, 0.que aumenta a maturidade da pega. © rotsima descreve (© que a clianga ferd,Incluind> o contesto Imagindrio, cs pap © as propagandas uilizadas. Os rateros aumentam a qualad 2 peca ea auio-regulacio, st Auto-avaliagao 2.1 Aplicando Piaget e Vygotsky em minha sala de aula © ano escolar em que pretendo lecionar € Piaget (© eestégio piagetiano com 0 maior nimero de criangas em minha sala de aula prova~ velmente ser ae 5 conceitos de Piaget que eu actedito que mais me ajudario 2 entender @ a er insinar criangas nesse ano escolar si: Conceito Exemplos, Vygotsky (Os conceitos da teoria de Vygotsky que eu acredito que mais me ajucaraa a entender ¢ a ensinar criancas ness¢ ano escolar sao: Conceito Exemplos seu mundo e desvendar o conhesimento. A implicacio principal da teoria de Vygotsky para (0 ensino € que os estudantes precisam de muitss oportunidades para aprender com 0 pro~ fessor ¢ com colegas mais habilidosos. Em ambas as teorias, os professores sao tidos como, facilitadores ¢ orientadores, e nio como dirigentes ou ‘moldadores” de aprendizagem. A Figura 2.15 compara.as teorias de Vygotsky e Piaget. Embora suas teorias tenham sido propostas quase na mesma época, a maior parte do mundo conheceu primeiro a teoria de Piaget ¢ mais tarde a de Vygotsky, por isso. teoria de Vygotsky ainda nao foi avaliada por completo. a visto de Vygotsky quanto a importancia das influgncias socioculturais no desenvolvimento da crianca adapta-se 2 crenca atual de que é importante analisar os fatores contextuais no ensino (Budrova e Leong, 2007; Goos, 2004; Rowe e Wertsch, 2004). Alguns criticos dizem que Vygotsky deu importincie exagerada ao papel da linguagem no pensamento. Além disso, sua énfase na coleboragio e orientagio tem algumas arma- dilhas. Sera que 0s facilitadores sao \iteis em alguns casos, como quando um pai se torna extremamente dominante e controlador? Além disso, algumas criancas podem se tornar preguigosas e esperar ajuda cuando tém que realizar alguma tarefa sozinhas. Em nossa apresentacao de desenvolvimenio cognitivo, focamos as visGes de do's gigan- tes nesse campo: Piaget e Vygotsky: De qualquer forma, o processamento de informacdes também surgiu' como uma perspectiva importante para o entendimento do desenvelvimen- to cognitive (Munakata, 2006; Siegler, 2006; Siegler ¢ Alibali, 2005). Esse processamento enfatiza como as informacOes entram na mente, como so armazenadas e transformadas e como sio “teaaidas A meméria” para desempenbar atividades mentais, camo raciocinio ere- solugao de problemas. Também foca quio automatic e rapidamente as criangas provessain informagbes. O processamento de informacées seri analisado profundamente nos Capitulos 8 €9, por isso, estio sendo apenas mencionados rapidamente aqui. Pense na importincia 52 wumbhecomsantedu3e Drsenohimento copsitive Implicagées do onsine FIGURA 2.15 Comparacao das teorias de Vygotsky € Piaget. GSTS ERR Moe ch ‘+ Voce se considera um pensador logico-formal? Algumas vezes voce se sente como um pensador operzcinnal ccncre:o? Dé exerplos (continuo) 5A Capitulo 2 Desenvolvimento coanitivo € de lingvaem Ocemcnemn eC menrn) aac fest ees i. Pe ares ft Es me aot mr Crone eee ‘Como a inguagem Influéneias tioldacas I sedesenvolve eambientais Gactagaaae a linguagem na vida dss criangas. Elas precisam da linguagem para falar com os outros, ‘sctitilos, er e escrever. A linguagem os capacita a descrever eventos passados com dets- thes e planejar o futuro. Ela permite passar informagoes de uma geracao para outra ¢ criar ‘umarrica heranca cultural, Conforme vocé apendeu anteriormente, na visao de Vygotsky, a linguagem exerce um papel-chave no desenvolvimento cognitivo da cringe. que € linguagem? ‘Linguagem é uma forma de comunicagio ~ sej falada, escrita ow gesticulada ~ que ‘baseada em um sistema de simbolos. A linguagem consiste de palavras utilizadas por uma comunidade (vocebuldrio) cde regras para as variagdes ¢ combinagdes (gramiticae stax. wuwminhe conm/santedute ‘Todas as linguagens humanas tém algumas caracteristicas em comum (Waxman e Lid, 2006). Isso inclui produtividade infinita e regras de organizagio. Produividade infinita é a capacidade de produzir imimeras sentencas Sgnificativas usendo um grupo finito de pala- vrase regras. Quando falamos em “regras’, queremos dizer que linguagem € o-ganizada e queasregras descrevem o modo come ela funciona (Berko Gleason, 2004, 2005). A linguagem envolve cin- 0 sistemas de regras: fonologia, morfologia, sintaxe, semntica e pragmtica, Fonologia Toda linguagem € formada por sons bésicos. Fonologia é o sistema de sons de uma lingua, incluindo os sons usados e como eles podem ser combinados (Menn © Stoc!-Gammon, 1005). Por exemplo, 2 lingua ingles: tem os sons sp, ha e ar. mas as sequncias de sons de 2 © gp nio ocorrem. ‘Um fonema € unidade basica de som em uma lingua; €a menor unidade de som que exprime significado, Um bom exemplo de fonema em inglés é /k/, 0 som representado pela etre K na palavra ski a pela letra cn palavra cat. O som de /k € apenas um pouco diferente nessas duas palavras e em algumas linguas, como no arabe, esses dois sons sio fonemas distintos Morfologio Morfologia refeze-se a unidades de significedo envolvidas na formagio da palevra. Um morjema é a unidade minima de significado; € uma palavra ou parte de uma palavra que nao pode ser dividida em partes menores que ainda tenham significado. Toda palavra em inglés ¢ formada por um cu mais morfemas. Algumas palavras consistem em apenas um morfema (por exemplo, help), enquanto outras sio formadas por mais de um morfema (por exemplo, helper, que tem dois morfemas, help + er, com o morfema er que significa “aquele que”, nesse caso “aquele que ajuda”). Assim, nem todos os mor- femas comptem palavras por si mesmos; por exemnplo, pre-,-tion, € -ing sdo morfemas na lingua inglesa. ‘Assim como as regras que governam a fonologia descrever as seqtléncias de sons que podem ocorrer na linguagem, as tegras da morfologia descrevem 0 modo como as uni- dacies com significado (morfemas} podem ser combinadas nas palavras (Tager-Flusberg. 2005). Os morfemas tém algumas funcées na gramitica, como demarcar 0 tempo verbal (por exemplo, she walks versus she walked) eo niimero (she walks contra they walk). Sintaxe Sintaxe envolve 0 modo como as palavras sao combinadas para formar frases e sentengas aceitéveis. Se alguém diz para vocé que “Bob esmarron Tom? on “Bob {foi esmurrado por Tom’ yoo’ sabe quem esmurrou ¢ quem foi esmurrado em cada caso porque voce tem um conhecimento sintatico das estruturas dessas sentengas. Vocé também emtende que a sentenga “Vocé nao ficou, ficou?” & uma sentenca gramatical, mas “Voce nao ‘ficou, nao ficou?” & inaccitivel e ambigno. Se vost aprender outra lingua, vera que. sintaxe da lingua inglesa nao émuito diferente. Por exemplo, em inglés, um adjetivo normalmente precede o substantivo (como em blue fy), enquanto no espanhol o adjetivo geralmente vem apés 0 substantivo (cielo azul). Ape- PALAVRAS ESCRITAS ‘Temos NOS "— BASTANTES DEVEMOS AGORA TNVENTAR NOS {A SINTAXE! aug gms ose: 1 Siaitserets IN BRAN e ERNEST © ThavesDis. por Newspaper Eeerprie Asecition, ine Desenvolvimento éalinguagem fonologia Sistema de sons de uma licgua morfologia Refe“-se-2 unidases de ‘significado ewolvides na formscB. de palavas. sintaxe As ‘ornas como aspaavras Wocd, 2001): 1. Relacione o newo ao conhecida, Novas palavras de vocabulério sio apresentadas para melhorar © conhecimento de palavras previn- mente acquircas; os esudantes sao incentivados a mapear 0s novos significados das palavras dentro do sues proprias experioncie. 2. Promora o processamento profundo e ativo. Os estudantes s30 motivados 3 construi os significados das palawras, em vez de aptender através da memorizacio rotinera de seu signed. Isso envolve inttoduzit um sinénimo pera a nova palavra ou mostrar como ela se relaciona em um contexte expecricn, aja dai os estudantes « eplcar sua comprecnsio da palavra em un contexo especifico; eos desafiar a utlizla alata em sitvagoes simmuladac para lustar sin compreensio do siificad, 3. fstimule a leitura. A leitura promeve o desenvolvimento do vocabulério, E importante que © software motive os estudantes a estender sua aprendizagem através da le ‘ura, para promover 0 vocabulécio. Livros em audio 5 professores podem criar centros de dudio como apoio para o desenvolvimento do voeabulirio. Gentros de audio deven Incluir gravadores, fones, livros en audio ¢ literatura correspondente. Os livros em Gudio podem ser utilizados pars suple- mentar os materials impressos, para cuir a dramatizacdo das historias e aumentar 6 interasce dos estudantes. Os livas em fudio podem beneficiar especialmente estudantes com necessidades especiais (Casbergue e Harris, 1996). Por exemplo, (0 estudantes cuja Ifagua matema nio é 0 inglés podem utilizar ftas para melhorar 0 desenvolvimento do vocabulério, leitura e proniincia. Leitores com menos potencia podem usar ftas para contribuir com as discussoes de literatura em sala de aula, mesmo que estejam [endo materiais menos complexos Televisio educativa A televisie educativa pode ser uma ferramenta para sjudar as Grlangas a aprender 0 alfabeso, para que elas observer as pessoas Uulizanéo vocabulirio em diferentes contexios e para que ougam histrias que as incentive a ler essas historias mais tarde (Coms= tock e Scharrer, 2006; Lesser, 1989). Lim programa com essas carac terfsticas €0 Reading Rainbow, apresentado na TV pore-americana Fol descobero, através de um esiudo, que esse programa aumenta ‘© vocabuléio e a alfabetizacio das craneas (Wood e Duke, 1997) © programa ajuda as criancas a expandir seu vocabuliro, intro duzindo, em cada episodio, multas palayras potencialmente desco- nhecidas, relacionando-as por ‘ema, criando contextos ricos para 0 seu uso, explicando de fora clara e dircta o significado das novas palavras e relacionandovas «1 forma de brincedeira © comhecimento metalingiistico também melhora consideravelmente durante os anos de ensino fundamental. Conhecimento metalingaistico refere-se ao conhiecimento da ling igen, (© que permite as criancas “pensar sobre sua linguagem, entender 0 que sio as palavras e até defini-las (Berko Gleason, 2005, p.4). Met pitulo 8,°A ebordagem do pr No ensino fundamental, ‘clangas aumentam seu conhecimento de sin cds sentengas, como os sujeitos e os verbos (Ely, 2005) ap estudar e co As crianc: cognizao, que discutiremos em profundi samento de informacoes' € cognigao sobre cognicao, ousaber sobre saber. Canhecimento metaingisico¢essencialmenteacognicio sobre aingua fnir 2s palaveas fz parte regular do curso em sala de aul ¢ 2s onversar sobre os components também fazem progressos na em. ‘conkecimento metalingistico Conkecmento dalinguagem ‘compreensio dé como utilizar a linguager de maneira culturalmente apropriaca ~ pragmtica a Capitulo 2 Desenvolvimento cognitive e de linguagem Boas praticas Estratégias para o desenvolvimento do vocabuldrio Na discussio sobre desenvolvimento semantico, descrevemos os ganhos impressionantes de vocabulirio obtidos durante a primeira infinca, 2 inancia intermedia, a infancia final € a adolescéncia. De qualquer forma, hi algumas variactes invicta sgnficativas de vacabu lério entre as erangas, ¢ um bom vocabulévio contribui de maneira importante para 0 suceso cexcolat. Por exemplo, um estado recente descobriu que o desenvolvimento de woeaDclitio traz importantes convvibuigdes para 2 compreensio de leitura dos alunos de segundo ano, (Gerninger ¢ Abbot, 2005). Outre pesquisas também descobriram que 0 veesbulisio exerce um papel importante ra compreersdo de leita e 90 sucesso excolar (Pass © Pats, 2006; Snow e Kang, 2005). Complementando 9 que fbi deserito no quacko Tecnologia e educacéo, ‘aqui estan meas algumas estraégas para melhorar 0 vacabuliio dos extudantes Edueagao infantil 1. Bplique © novo vocabulivio através dos livros que vocé Ié para criancas pequenas. 2. Nomeie ¢ descreva todas as coisas em sala de aule. 3. Na converse do dlia-a-dia com as criangas, intoduza o elabore pelavras que clas provareimeme descorhecem. Essa atividade também pode ser adotada com cilangas mais velhas. Ensino fundamental e ensino médio 1. S© 08 alunos tiverem deficincias severas em conhecimento de vocabulério, forn intensa instrugdo de vocabulirio. 2. Como regia, nio introduza mais de 10 palavras por vez. 3. Dé aor estudantes 2 oportinidade ce lzarpalawras om uma variedade de contento. Fssos ‘contentos poder inclu leitura em vor altz, preerchimerto de lacunes em sentencas,atvi- ‘dades para ler ¢ responder (os estudantes léem hisvias cuts, artigos de informacdo sobre Lum t6pico que inclu voeabulérioalve dopnis resporelem questins sobre esses artigos) 4. fscrever pode ajudlar os estudantes a processar ativamente os significados das palavras. For exemple, dé acs estudantes um pice para escrever sobre a utilizagio de deter minacas palavras do vocabulario (Fontes: Curtis e Longo, 2001; U.S. Departament of Education ~ Departamento de Educacio Norte-americano, 2006). (Quando entram naadolescéncia, a maioria das criancas conhece regras paraa utilizacao da lingua- _gem nos contextos do dia-a-cia— isto é, 0 que 6 apropriado ¢ 0 que nioé para ser dito, Adolescéncia © desenvolvimento da linguagem durante a adolescéncia inclui uma sofisticacao da utilizacao das palavras. Conforme desenvolvem o pensamento abstrato, 05, adolescentes se tornam muito melhores em analisar a funcao que 2 palavra tem em uma sentenga do que as criangas. Os adolescentes também desenvolvem uma habilidade sutil com as palavras, Eles dao um grande passo no entendimento de metéforas, que € uma comparacéo implicita entre coisas distintas. Por exemple, diz-se que ume campanhs politica é uma maratona, no uma ‘corrida, Os adolescentes tornam-se mais capares de compreender e utilizar a sdtira, que € tuma forma de ironia, de menosprero ou de perspicécia para expor loucuras e perversies. Carieaturas so um exemplo de satira. © pensamento logico mais avangado também permi- te 208 adolescentes, dos 15 05 20 anos, compreender trabalhos literérios complexos. wwowmbhecomfantedue ‘A maioria dos adolescentes também escreve melhor do que a8 criangas. Fles sio melho- em organizar idéias antes de escrever, em distinguir entre pontos gerais € especificos ao ; em ordenar as sentencas para fazer sentido e em organizarseu texto em introducao, “corpo econclusio. ‘Durante a adolescéncia, a fala muda todos os dias e“uma das condigies para o adolescent ‘bem-sucedido éser capaz de conversar como um” (Berko Gleason, 2005, p.9}. Jovensadoles- ntes normalmente {alam um dialeto com seus colegas que é caracterizado por jargiese girias (Cave, 2002). Um dialeto €ume variancia da linguagem, distinto por scu vocablirio, gramatica “ou proniincia. Apelidos satiricos e zombeteiros “perma de pau’, "“esquisitio’“doido") fazer par- te do dialeto de muitos jovens adolescentes. Eles padem utilizar esses rétulos para mostrar que 1a um grupo ¢ para reduzira seriedade de uma situasSo (Cave, 2002). Desenvolvierento ds linquanen cy sins Desvende 0 caso 0 caso da resenha do livro © Se johnson pediu 3 seus estudantes, do ultimo ano de eensino médio de uma escola piblica norte-americana, que les sem dois livros durante o semestie que tivessem “algo relaco- nado a sistemas politicos ou governo” e escrevessem uma breve resenha sobre cada un dos livios escolhidos Cindy, uma estudanie da sala, escolheu ler 1964 © Revolu- ‘¢ie dos Bichos, ambos de George Orwell. 1984 6 um livin sobre (© que poderia acontecer no ano “futuro” de 1984, dadas certas decises poitcas anteriores. Em esséncta, 0 mundo toma-se um lugar tervel, em que um “Big Brother’ monitora todas a5 aqdes dos individuos avavés de telas parecides com as de televisio, Infringir qualquer regra resulta em severas puriices. Revolugao dos Bichos é um romance breve sobre sistemas politicos nos quais 05 personagens si0 revratados como animais da fazenda, ‘como poroos e cechottos. Cindy gostou des dois livros e term rnow a resenha anies do segundo semeste. Suas resenhas foram diferenciaeas, refltindo 0 simbolismo confide, nos romances € as implicagdes sobre o governo atual. Lucy, uma amiga de Cindy, deixou para ler seu primeira Tivro em cima da hora. Fla sabia que Cindy tinka gostado de ler sobre o goremo ¢ jd tinha terminado suo resenha. Lucy pergun- tou a Cindy se ea sabia de algum “livro ber pequenininhor que ‘ela pudesse ler para concluir a tare Cindy emprestou de bom {grado seu exemplar de Revolucio dos Bichos para a amiga, mas | quando Lucy comecou a lero livro, ela se perguntow por que Cindy tinha dado esse livre para ela. Nao parecia se encaixar ros requisitos da tarfa | No dia anterior ao da entrega dos rabathes, 0 St Johnson ‘ouviu as garotas conversanda. Lucy reclamou para Cindy “Nao ‘entendo, £ uma histiria sobre porcos @ cachortos” §_ Gindy. respondeu “Eles no so realmente animais de | fazenda. E uma historia sobre promessas do comunismo € 0 | que aconteceu na Unio Sovitica quando os comunisas toma- i ram conta. E uma étima histéria! Vocé niko percebe? Os porcos simbolizam o regime comunista que derrotou os czares durante a Revolucio Russa. Eles fizeram todo tipo de promessa sobre jgualdade para todos. As possoas uniam.se a eles, pois estavam ‘extremamente cansadas da riqueza e do poder que os cercavarn Inrtneasiishare fenquanto elas morriam de fome. Assim que os czares foram climinaclos, os comunistas estabeleceram um novo governo, mas 'ngo mantiveram suas promessas ¢ controlaram tudo. Lembra, no | livro, quando es porcos se mudam para a casa e comecam a | andar sobre duas pernas? Isso deve ser quando 05 lideres comu- nistas comecaram a agir exatamente como os czares, Eles até criaram uma fora politica secteta — 05 cachorros na historia, Lembra como eles intimidavam os outros animais) Igualzinho 3 polfica secreta na Unido Sovieica”. 3 Lucy comentou “Eu continuo nda entendendo. Como um orca oui um eachorro pode ser um comanisia ou um tira? Fles indy olhow abismada para a amigs. Como ela podia nao entender o fio? Fra tio Sbvio. i i 2 Valendo-se da teoria de Piaget, explique como Cindy | compreendeu 9 livro, ‘Com base na teoria de Piaget. explique por que Lucy nao entendeu o livra, © que 0 St. Johnson poderia fazer para ajudar Lucy 2 enten- dero livro! - Come 0 Sr Johnson poderia ter passado ssa tarefa de uma forma diferente, para que Lucy nap tvesse que se apressar ‘como liveo? 5. Em qual estigio de desenvolvimento cognitive de Piaget Gindy est operando? a