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O Tribunal da Relação do Rio de Janeiro e o

Caso do Vice-rei Antônio Álvares da Cunha


Izabela Gomes Gonçalves
Departamento de História, GHT, RJ
Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, UFF/RJ

1. Objetivos poderão ser percebidas claramente a partir da


análise da documentação analisada.
Analisar as relações de poder estabelecidas
entre o Tribunal da Relação do Rio de Janeiro 4. Conclusões
e o vice-reinado, através do estudo de caso da
As conclusões alcançadas ainda são parciais.
trajetória administrativa de Antônio Álvares da
Através da análise do discurso proferido no
Cunha, o Conde da Cunha, oficial régio que
Tribunal da Relação percebemos como este
esteve à frente da governação portuguesa no
serviu como um instrumento capaz de
Atlântico Sul na segunda metade do século
representar o poder do vice-rei. Um poder que
XVIII. Para tanto, serão discutidas as
parecia se impor de forma harmoniosa dentro
atribuições do cargo de vice-rei na dimensão
da sociedade colonial, contudo as tensões
atlântica do Império, bem como o papel
estavam presentes e envolviam, inclusive, o
desempenhado pelo Tribunal da Relação do
vice-rei e os próprios membros do Tribunal da
Rio de Janeiro.
Relação. Assim podemos perceber que os
2. Material e Método conflitos foram apenas silenciados
intencionalmente, uma vez que o objetivo deste
Um discurso feito em homenagem ao discurso era exaltar a figura do vice-rei, o que
aniversário do vice-rei Antônio Álvares da de modo nenhum significa que eram
Cunha pelo Tribunal da Relação do Rio de inexistentes.
Janeiro, que está depositado na Seção de
Obras Raras da Biblioteca Nacional do Rio de 5. Referências bibliográficas
Janeiro; e uma carta enviada pelo vice-rei, que
[1] Fernando Bouza Alvarez, Imagem e
se encontra no Arquivo do Conselho
Propaganda: Capítulos de história cultural
Ultramarino do Instituto Histórico e Geográfico
Del reinado de Felipe II, Madrid, Akal
Brasileiro. Ambos os documentos foram
(1998).
escritos no final do governo do vice-rei, que se
[2] Pedro Cardim, ”Amor e amizade na cultura
estendeu de 1763 a 1767.
política dos séculos XVI e XVII”, Lusitânia
3. Resultado Parcial Sacra — Revista do Centro de Estudos de
História Religiosa da Universidade Católica
O trabalho em questão encontra-se ainda em Portuguesa, tomo 11, Lisboa, Solivros, 2ª
fase inicial de seu desenvolvimento. No série, p. 21-57 (1999).
entanto, os resultados por ora atingidos já [3] Stuart B. Schwartz, Burocracia e Sociedade
apresentam uma importância significativa, no Brasil Colonial – A Suprema Corte da
posto que a partir do material analisado Bahia e seus juízes: 1659-1751, São Paulo:
algumas questões mostram-se de extrema Perspectiva (1979).
relevância no auxílio do melhor entendimento [4] Arno Wehling, Maria José Wehling, “A
da dinâmica da governação portuguesa no Atividade do Tribunal da Relação do Rio de
ultramar, na segunda metade do século XVIII. Janeiro, 1751 – 1808”, Revista do IHGB,
Antônio Álvares da Cunha foi o primeiro vice-rei Rio de Janeiro, 156 (386): 79-92.
do Estado do Brasil com assento na nova [5] Maria de Fátima S. Gouvêa, Gabriel
capital da colônia, o Rio de Janeiro, e o Almeida Frazão, Marília Nogueira dos
Tribunal da Relação um importante órgão do Santos, “Redes de Poder e Conhecimento
Império Ultramarino português. As relações no governo do Império português, 1688-
entre o vice-rei e o Tribunal da Relação 1735”, Topoi, vol. 5, nº 8, jan.-jun. 2004, pp.
96-137.