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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXVI Encontro Anual da Compós, Faculdade Cásper

Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXVI Encontro Anual da Compós, Faculdade Cásper Líbero, São Paulo - SP, 06 a 09 de junho de 2017

@DILMABR NO IMPEACHMENT: Uma análise das estratégias de comunicação política de Dilma Rousseff no Twitter 1 @DILMABR AT IMPEACHMENT: An analysis of Dilma Rousseff's political communication strategies on Twitter

2

Eurico Oliveira Matos Neto Tatiana Maria Silva Galvão Dourado 3 Pedro Mesquita 4

Resumo: Este artigo examina o uso de redes sociais para comunicação política de líderes políticos. Mais especificamente, são analisados os conteúdos publicados pelo perfil de Dilma Rousseff no Twitter (@dilmabr) durante o período que compreende o processo de Impeachment da ex-presidente. Para isso, propõe-se: a) análise quantitativa relacionando a frequência de postagem a etapas-chaves do processo; b) exame de ferramentas de interatividade (RTs e hashtags); e c) desenvolvimento e aplicação de categorias para análise do conteúdo publicado. Como resultado, a análise qualitativa dos conteúdos de tweets publicados por

Dilma demonstra que críticas dirigidas ao processo, a atores políticos envolvidos e

a empresas tradicionais de jornalismo foi o tipo de conteúdo mais frequente,

seguido de mensagens em que há uma clara demarcação de posições político- ideológica e tweets com uma dimensão de prestação de esclarecimentos aos seus seguidores acerca das denúncias que motivaram a abertura do processo.

Palavras - Chave: Comunicação Política. Twitter. Dilma Rousseff.

Abstract: This article examines the use of social media for political communication

of political leaders. More specifically, the content posted by Dilma Rousseff on

Twitter (@dilmabr) throughout the impeachment´s process. For this purpose, it is proposed: a) quantitative analysis relating the frequency of posts to key steps in the process; B) examination of interactivity tools (RTs and hashtags); and c) development and application of categories for analysis of published content. As result, a qualitative analysis of the content of tweets published by Dilma demonstrates that the criticisms directed at the process, the political actors involved and the journalism companies for the most frequent type of content, followed by messages in a clear demarcation of political-ideological positions and tweets with a

1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Comunicação e Política do XXVI Encontro Anual da Compós, Faculdade Cásper Líbero, São Paulo - SP, 06 a 09 de junho de 2017.

2 Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Universidade Federal da Bahia. Membro do Grupo de pesquisa Comunicação, Internet e Democracia e pesquisador associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT-DD). E-mal:

3 Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Universidade Federal da Bahia. Membro do Grupo de pesquisa Comunicação, Internet e Democracia e pesquisadora associada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT-DD). E-mail:

4 Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Universidade Federal da Bahia. Membro do Grupo de pesquisa Comunicação, Internet e Democracia e pesquisador associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT-DD). E-mail:

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dimension of providing accountability to its followers about the denunciations that motivate an opening of the process.

Keywords: Political Communication. Twitter. Dilma Rousseff.

1. Introdução

As redes sociais digitais tornam mais plurais (e complexas) as dinâmicas para criar uma estratégia de comunicação política que dê conta de diferentes nichos de público (militantes, ativistas, cidadão comum, adversários e aliados políticos) e ambientes (meios de comunicação tradicionais, mídia independente, canais oficiais, blogosfera). É no ambiente online que atores políticos buscam, cada vez mais, demarcar posicionamento, esclarecer polêmicas, prestar contas ao eleitorado, divulgar agenda política, promessas ou realizações não apenas com o objetivo de se fazer presente, mas para se aproximar do eleitor, ampliar a visibilidade, detectar os rumores do tema em pauta do momento e até participar ativamente do debate político na arena digital. O estilo formal ou informal varia, naturalmente, em função do perfil do político, mas também de acordo com o cargo que ocupa ou do momento que enfrenta. Neste artigo, a proposta é examinar as estratégias de comunicação política que guiaram o uso do perfil (@dilmabr) da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), durante todo o processo de impeachment, consumado no dia 31 de agosto de 2016 - o mais importante e polêmico fato político da história recente do país. Para isso, a partir de análise de conteúdo quantitativa e qualitativa, foram estudados cada unidade dos tweets diretamente relacionado com o processo de impeachment, sendo excluídos aqueles que se referem apenas à crise política, como a Operação Lava Jato 5 , por exemplo. O perfil @dilmabr foi criado em 10 de abril de 2010, período em que Dilma disputava seu primeiro mandato, mas ficou inativo (na época com 1,9 milhão de seguidores) após ser eleita e empossada, em janeiro de 2011. A conta só voltou a operar quase três anos depois, quando ela se preparava para concorrer à reeleição. Uma ação foi criada para marcar o retorno à plataforma, que aconteceu no dia 27 de setembro de 2013: uma troca de tweets com a @dilmabolada, um perfil fictício e popular de Dilma 6 . Em fevereiro de 2017, seis meses

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após o afastamento, o perfil oficial possuía 5.086.611 de seguidores e era descrito como “Twitter de Dilma Rousseff, presidenta eleita do Brasil”. Mesmo fora do mandato, ela continua a usar o microblog para comentar notícias e fatos políticos, relacionados ou não com o processo de impeachment. Dilma e outros atores políticos, em geral, costumam usar Twitter para disseminar informações de natureza diversa, inclusive sobre sessões parlamentares em tempo real, por exemplo, em um processo de diálogo desintermediado pelos veículos de comunicação. No caso do impeachment, um evento incomum em regimes presidenciais (embora legal), parte-se do pressuposto de que Dilma, enquanto presidente, precisaria usar canais oficiais como o Twitter para reforçar estratégias de defesa de modo a alcançar boa representação na esfera de

visibilidade pública, inclusive na mídia, para tentar reverter a crise política e se manter no cargo. Nesse sentido, justifica-se a escolha da plataforma por considerá-la uma importante arena para o desenvolvimento da política online, que reúne os principais influenciadores da esfera pública, de político a jornalistas, que convivem num processo de diálogo interativo e

constante com usuários comuns e interessados por política. “(

espaço virtual que potencializa tanto a formação de redes de eleitores e aliados, dedicados aos esquemas político-promocionais, quanto intrigas políticas resultantes de seus entrecruzamentos ideológicos e partidários” (REMALDES, 2009, p. 15). O trabalho está dividido em três partes. A primeira teórica, com duas revisões de literatura, uma que relaciona o potencial do Twitter para a comunicação política e a seguinte que retoma as principais categorias já estipuladas por diversos autores para estudar os tweets emitidos por atores políticos. A segunda etapa do artigo é empírica e se dedica, inicialmente, ao exame quantitativo dos elementos e dispositivos disponibilizados pela plataforma Twitter, como RTs e hashtags, bem como os recursos usados na formulação das mensagens (textos, links, vídeo, fotografias e gifs, entre outros). Por fim, o estudo parte para a análise qualitativa

o Twitter aparece como

)

para desenvolver novas categorias para enquadrar cada um dos tweets emitidos pela conta oficial da então presidente Dilma e que funcionem como um padrão para outros casos envolvendo líderes políticos no Twitter.

2. Twitter como ferramenta de Comunicação Política

Os estudos sobre internet e política começaram a observar mais especialmente o uso das redes sociais digitais na perspectiva da comunicação política em 2008, ano em que o

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então candidato Barack Obama estreou na corrida eleitoral e venceu a disputa à presidência dos Estados Unidos. Chamou atenção como a campanha do democrata conseguiu superar um histórico de apatia e redução no índice de participação política com estratégias de

o surpreendente desempenho de Barack Obama

estava em grande parte associado à incomum habilidade de emprego das ferramentas de comunicação on-line por sua campanha, tendo ela alcançado e estabelecido novos padrões de campanhas on-line” (GOMES, REIS, SILVA, 2009, p. 30). Naquela época, redes sociais digitais como o microblog Twitter, lançado em 2006 7 , estavam em fase de consolidação. No Twitter, plataforma que interessa a este trabalho, a pergunta-chave que incitava a interação entre os usuários ainda era “O que você está fazendo?”, o que foi alterado, em 2009, para “O que está acontecendo?” 8 . A equipe de Obama, portanto, atento ao padrão antigo, relatava em tweets estratégicos a rotina do candidato, em mensagens como “Pensando que só nos falta uma assinatura para pôr fim à guerra no Iraque” e outras que informaram a agenda de entrevistas, eventos e discursos (GOMES et al, 2009, p. 30). Desde então, a maior parte dos estudos que procuram entender a dinâmica do Twitter como ferramenta de comunicação política tem focado em campanhas eleitorais e pouca atenção tem sido dada, por exemplo, a temas como a construção da imagem pública dos líderes políticos ou o gerenciamento de crises políticas por parte dos chefes do Executivo. Apesar do Facebook ser a rede social mais popular do mundo, o Twitter continua estabelecido como uma plataforma onde o fluxo de informação acontece de forma mais acelerada e em tempo real, sendo usada ao mesmo tempo como fonte e canal para disseminação de informação, inclusive para organização e acompanhamento de eventos de alta relevância social e política, a exemplo da Primavera Árabe, do Occupy Wall Street, do Black Lives Matters ou das Jornadas de Junho. Rossetto, Carreiro e Almada (2013, p. 191) buscaram entender, a partir do estado da arte, os limites e as possibilidades do Twitter para a comunicação de agentes políticos, justificando ser a plataforma um “local de ressonância de temas e discussões políticas que são divulgadas pelos mais diversos meios de comunicação”. Até 2013, a pesquisa observou que a

comunicação e mobilização online. “(

)

7 Em 2016, o microblogging completou 10 anos, possui uma média de 320 milhões de usuários ativos por mês, sendo o Brasil considerado o segundo país com maior quantidade de perfis. 8 A mudança foi explicado no próprio blog do Twitter: https://blog.twitter.com/2009/whats-happening

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maioria dos trabalhos brasileiros, sejam artigos, anais ou monografias, retratava o Twitter como “ferramenta de campanhas eleitorais e agenda”. Outros temas apareceram de forma menos recorrentes, como opinião e fazer político diário, além de mobilização e sondagens de opinião. Com base no levantamento teórico, os pesquisadores concluíram que a função predominante do uso do Twitter por líderes políticos é a difusão de informação sobre políticas desenvolvidas e sobre assuntos referentes à personalidade. “Interagir com os seguidores ainda é uma prioridade secundária” (ROSSETTO, CARREIRO E ALMADA, 2013, p. 191-206). Um dos trabalhos que se esforça para além do campo da campanha eleitoral é de Aharony (2012), que analisou como três líderes políticos - os primeiros ministros de Israel e do Reino Unido, Benjamin Netanyahu e David Cameron, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama - se comunicam através do Twitter. A pesquisa conclui, de forma um pouco genérica, que a plataforma pode substituir ou complementar outros canais de comunicação, tais como praças ou salas fechadas, para realização de discursos públicos (AHARONY, 2012, p. 598). Já outro estudo foca na personalização dos políticos e na virtualização da política com base no uso do Twitter. Nesse caso, Nusselder (2013) traça observações curiosas, dentre as quais, ele acredita que a plataforma é um “meio perfeito para afirmações curtas e dogmáticas”, ao levar em conta a necessidade de encaixar textos em 144 caracteres, e aponta que isso faz com que seja também ideal para a comunicação de líderes políticos, especialmente aqueles mais carismáticos e populistas, “que não querem que suas posições sejam discutidas dentro dos quadros de representação existentes (como o parlamento)” (NUSSELDER, 2013, p. 93). Entre os elementos estruturais que consolidaram o Twitter como uma plataforma de difusão de informação e engajamento em temas político-sociais, talvez o mais significativo esteja centrado na figura da hashtag. #Obama, #Iranelection, #Forasarney e #Egypt são algumas criadas a partir de temas políticos que integram a história da rede social 9 . Nesses casos, cada uma das hashtags estampa a simbologia de uma ação política, como uma demarcação de posição, e, ao mesmo tempo, consegue organizar e facilitar a busca de uma

a função do hashtag de acrescentar a opinião de um indivíduo à

confluência de opiniões contribuídas por outros confirma a possibilidade de não só agrupar

diversidade de tweets. “(

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informações de forma temática, mas também de abrir movimentos nesse sentido, com dinâmicas exponenciais” (DEN BERG, 2014, p. 5). Diante dessas e outras possibilidades, Cervi e equipe (2011) associam o Twitter como um espaço alternativo de debate político, especialmente em épocas de campanha eleitoral. Pela plataforma, afirmam, eleitores e candidatos podem interagir e discutir temas do momento, e toda essa conversação tem o potencial de ser ampliada para outros meios de informação. “Além de fonte de notícias, o microblog Twitter também pode ser considerado um espaço de debate e interação entre os candidatos” (CERVI et al, 2011, p. 332). Até agora, portanto, foi visto como o Twitter pode ser usado para fins de disseminação de informação, mobilização, debate e participação política. Interessa a este estudo, contudo, entender particularmente como líderes políticos, especialmente presidentes ou chefes de Estado, podem aproveitar essa ferramenta para se aproximar do eleitor e alcançar padrões eficazes de comunicação e desempenho político no ambiente online. Para isso, o tópico a seguir constrói o estado da arte das principais categorias já constituídas e apresentadas na literatura sobre internet e política que se propõem a analisar os tweets dos políticos.

3. Revisando metodologias de análise de conteúdo de tweets

Muitos estudos se dedicam a pensar modelos de análise para o conteúdo publicado por agentes políticos nas redes sociais digitais a partir de problemáticas diversas que têm chamado atenção dos campos científico e político nos últimos anos. De modo a ter uma visão geral das pesquisas, considera-se relevante construir uma revisão de literatura acerca das metodologias já testadas pela área. A partir disso, pretende-se formular novas categorias que deem conta de serem aplicadas para tweets dos representantes políticos com cargos eletivos, especialmente chefes do Executivo, em contextos de crise política ou não. Nesta seção, a ideia principal é fazer uma divisão entre dois períodos distintos, durante as eleições e após a corrida eleitoral, apresentando as variações de segmentações pensadas por diversos autores para enquadrar os tweets dos políticos. Antes disso, é importante pensar como a comunicação política deve ser tratada de forma estratégica do ponto de vista da disputa pela imposição da imagem política (GOMES, 2004) e como esse processo da construção da imagem pública de atores e instituições políticas se transforma a partir de um processo de desintermediação informativa proporcionado pela internet e pelos aplicativos de redes sociais online. As tecnologias e

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plataformas digitais passam a influir diretamente no processo de construção da imagem pública a partir do momento em que atores políticos contam com ferramentas de produção e circulação de informações que permitem o contato direto com a esfera civil, sem a mediação dos tradicionais meios de comunicação. A comunicação política digital, portanto, oferece aos atores e instituições políticas uma diversidade, de meios, formato e conteúdo, nunca antes praticável. Se, “parte considerável da disputa política tem sido convertida em luta pela imposição da imagem pública dos atores políticos, bem como em competição pela produção da percepção pública dos interesses e das pretensões que se apresentam na cena política” (GOMES, 2004, p. 239), é razoável argumentar que, pelo menos em tese, as mídias digitais possibilitam um canal de comunicação entre políticos e eleitores mais aberto e menos dependente dos meios de comunicação de massa. Assim, com o advento e popularização dos aplicativos de redes sociais, a esfera de visibilidade pública, entendida como “a dimensão da vida social que é visível, acessível, disponível ao conhecimento e domínio público” (GOMES, 2004, p. 134), torna-se mais porosa a discursos construídos diretamente por atores e instituições políticas e pela esfera civil. Alguns autores já têm examinado o potencial das redes sociais como meios para comunicação política. Para este trabalho é fundamental, especificamente, traçar uma revisão de literatura acerca das metodologias de pesquisa que propuseram a análise de tweets produzidos por atores políticos. O objetivo é entender como as categorias de análise de conteúdo estão sendo pensadas e aplicadas pelos estudos da área da comunicação política contemporânea. Das pesquisas existentes, grande parte se dedica ao período de campanhas eleitorais (AGGIO, 2014; PARMELEE e BICHARD, 2012; CERVI e MASSUCHIN, 2011; MARQUES, SILVA e MATOS, 2011). Acredita-se que isso se deve ao fato das campanhas integrarem um processo em que há uso intenso das ferramentas de comunicação na disputa pela construção da imagem política, com vistas a uma vitória nas urnas e confrontos constantes, inclusive com ataque entre concorrentes. Além disso, o campo acadêmico tem se mostrado interessado em acompanhar as estratégias de comunicação e marketing das

campanhas eleitorais, principalmente no contexto norte-americano. “(

as campanhas online

podem contribuir não apenas para que candidatos e partidos alcancem, com mais eficiência e extensão, estratos específicos dos eleitores, mas que possibilite o tratamento mais acurado das informações políticas eleitorais das campanhas” (AGGIO, 2014, p. 31).

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Em se tratando de campanha, Cervi e Massuchin (2011) investigaram o uso do Twitter nas eleições de 2010 pelos dois principais candidatos ao governo do Paraná, Beto Richa (PSDB) e Omar Dias (PDT), que somaram 98,07% dos votos válidos. Os pesquisadores estabeleceram oito categorias diferentes para tratar das publicações feitas nos perfis oficiais dos políticos, são eles: Campanhas, Assuntos Pessoais, Propostas de Políticas Públicas, Apoio, Ético Moral, Novas Mídias, Conversa e Agradecimento e Outros. Já a tese de doutorado de Camilo Aggio (2014) tem foco na campanha presidencial de 2010 e analisou três concorrentes, Marina Silva, Dilma Rousseff e José Serra. Nesse caso, o pesquisador definiu 11 categorias para observar os tweets: Agenda, Exibição de Capital Político, Exibição de Capital Social, Posicionamento, Divulgação de Notícias, Campanha Negativa, Tentativa de Criar Engajamento, Pessoal/Intimidade, Promessas e Propostas, Realizações Passadas e Outros. Parmelee e Bichard (2012) concentraram os estudos no processo eleitoral dos Estados Unidos e nas disputas para o Senado e o Governo em 2010. Desta forma, além de análises sobre o tom das publicações e a utilização de recursos como hashtags, formularam sete segmentações para os conteúdos, que são: Campanha, Tweets Pessoais, Ideologia do Candidato, Foco no Oponente, Chamada Para Ação, Endossamento, Duvidoso/Outros. Por fim, Marques, Silva e Matos (2011) observaram o comportamento de José Serra no Twitter durante a campanha de 2010 para presidência do Brasil e desenharam cinco enquadramentos para o material publicado: Promoção de Ideias, Mobilização e Engajamento, Temas Alheios à Campanha, Eventos e Campanha Negativa. O conceito de cada uma das categorias, de todos os casos citados acima, podem ser presumidas pelo próprio nome que se deu. Algumas delas são recorrentes, mesmo nomeadas de formas diferentes, como os assuntos de campanha (ou agenda), questões da esfera individual/pessoal (como família e intimidade), a divulgação de promessas ou de feitos realizados no passado político e que servem para justificar a trajetória de homem público. Já outras pesquisas lidam diretamente com o tempo entre eleições, ou seja, do mandato eletivo, e a apropriação das redes sociais digitais pelos representantes políticos (AHARONY, 2012, ROSSINI e LEAL, 2012; VUČKOVIĆ e BEBIĆ, 2013). Nesses momentos não eleitorais, torna-se fundamental o emprego de práticas que reforcem a accountability e estabeleçam um canal de diálogo com os cidadãos, sem hierarquia e de forma direta. Os agentes políticos tratam de questões como a gestão administrativa da localidade específica ou

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de assuntos institucionais e que interferem diretamente no cotidiano da população. Eles podem mostrar opiniões acerca de vários temas, inclusive estreitando a relação com a imprensa e se conectado a outros atores da esfera pública. Rossini e Leal (2012) destrincham a utilização do Twitter por quatro presidentes da América Latina: Hugo Chavéz (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Sebástian Piñera (Chile) e Juan Manuel dos Santos (Colômbia). Para a análise de conteúdo, os pesquisadores trabalharam com quatro categorias, são elas: Discurso Político, Discurso Pessoal, Crítica/Comentário e Interação. Já Vuckovic e Bebic (2013), no estudo sobre o uso do Facebook pelos prefeitos do centro e sudeste europeu, elaboraram uma classificação binária para as mensagens publicadas nesta rede social digital: mensagens de cujo pessoal, ou seja, sobre a intimidade e esfera privada do prefeito, ou mensagens sobre assuntos políticos como atos e realizações de governo. Por sua vez, Aharony (2012) destinou seus esforços para entender a presença de três líderes políticos no Twitter: Barack Obama, Benjamin Netanyahu e David Cameron. No estudo, ele estabeleceu apenas três categorias básicas: Informação, Benção/Agradecimento e Declarações. Dentro dessas linhas, no entanto, foram criadas subcategorias, adaptadas para cada um dos casos, com base na observação do conteúdo publicado pelos agentes políticos. Por exemplo, Informação se divide em “eventos”, “relatórios”, “pessoais”, “doações”, entre outros. Já Benção/Agradecimento em “gerais” e para “religiões especiais”. Por fim, Declarações se relacionam com subdivisões como “paz”, “economia” e “segurança”. Com base nas pesquisas citadas, é possível notar a existência de uma larga diversidade de segmentação nas análises de conteúdos trabalhadas por diferentes autores tanto no período eleitoral como no momento entre eleições. Apesar disto, é perceptível a recorrência de algumas categorias, principalmente quando se trata de campanhas eleitorais, que demandam dos políticos posicionamentos como realizações já feitas e promessas, só para citar dois exemplos. Ainda assim, não foram encontrados estudos que tratam de como os líderes políticos criam estratégias de comunicação política focada no Twitter durante a gestão político-administrativa ou mesmo em contextos de crises sociais, econômicas ou políticas.

4. Metodologia e Procedimentos

O estudo busca definir categorias para observar a comunicação política de líderes políticos no Twitter e foi motivado pela crise política vivida pela então presidente do Brasil,

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Dilma Rousseff, que culminou no processo de impeachment. A metodologia escolhida foi a Análise de Conteúdo, ou seja, um conjunto de técnicas que levam em consideração aspectos quantitativos e qualitativos no processo de dedução lógica acerca dos objetivos e intenções de uma mensagem (ROSSINI e LEAL, 2012). Trata-se de um método empírico “dependente do tipo de ‘fala’ a que se dedica e do tipo de interpretação que se pretende como objetivo” (BARDIN, 1977, p. 30). Assim, uma análise de conteúdo requer do pesquisador a construção de categorias próprias, às quais serão aplicadas sob conteúdo analisado a fim de estabelecer as relações pretendidas. Refere-se, portanto, ao “tratamento da informação contida nas mensagens” (idem, p. 34) com base em procedimentos sistemáticos que levem em consideração os contextos nos quais tais discursos foram produzidos. Com base no referencial teórico apresentado anteriormente, foram desenvolvidas categorias para a análise de conteúdo dos tweets que compõem a amostra. São: a) Agenda; b) Exibição de Capital Social e Político; c) Esclarecimento; d) Endosso Midiático; e) ‘Ataque; f) Chamada para Ação; g) Projeções; h) Realizações; e i) Demarcação de posição. Tais categorias foram desenvolvidas com o objetivo sinalizar as estratégias de defesa utilizadas por Dilma Rousseff em seu perfil no Twitter. Cabe reforçar que, para este trabalho, cada tweet foi considerado uma unidade de análise sob a qual se aplicou o esforço analítico de enquadramento do conteúdo nas categorias construídas. Além de categorias relacionadas ao teor das mensagens, o presente artigo também observou os tipos de conteúdos publicados e sua frequência (textos, imagens/fotos, links, vídeos ou transmissões ao vivo) e o uso de recursos interativos da ferramenta como RT’s e hashtags. A categorização foi aplicada em duas etapas: uma fase individual, em que cada autor analisou um terço da amostra preenchendo todas as categorias referentes à este conteúdo; e uma fase coletiva, em que cada conteúdo foi revisitado e debatidos pelos três autores em conjunto. Em caso de discordância, buscou-se o consenso mediante debate e redefinição das categorias desenvolvidas. Inicialmente, foram coletados, por meio do software Twitonomy, 3.199 tweets publicados pelo perfil @dilmabr entre 26 de outubro de 2014 e 14 de setembro de 2016. A primeira amostra desta pesquisa consistiu em 1100 tweets, que foi o número de mensagens publicadas no período que vai da aceitação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados (02 de dezembro de 2015) até o afastamento definitivo de Dilma Rousseff da presidência da República (31 de agosto de 2016). Com o intuito de analisar especificamente o

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uso do Twitter para comunicação política durante e sobre processo de impeachment, a amostra foi refinada e subdividida em: a) tweets sobre temas gerais, contendo atos de governo

e

outras questões relacionadas à atividade cotidiana de Dilma Rousseff enquanto presidente;

e

b) tweets sobre o processo de impeachment, nos quais há clara a menção ao processo e a

atores e instituições envolvidas. Com isso, a amostra final, utilizada nas análises qualitativas e qualitativa desta pesquisa, abrange, portanto, 601 tweets publicados pelo perfil @dilmabr durante 274 dias, período que compreende o começo e fim do processo de impeachment. No entanto, para reforçar a análise da estratégia utilizada por Dilma Rousseff, os tweets sobre outros temas, não relacionados diretamente sobre impeachment, foram utilizados em representação de frequência de postagem (FIG.1).

Contexto Político

É imprescindível, para os objetivos estabelecidos neste artigo, traçar algumas pontuais

observações acerca do cenário político-institucional brasileiro o qual configura-se como pano de fundo para o fenômeno analisado. Impeachment é o termo inglês que corresponde a um tipo de mecanismo de revogação de mandatos representativos mediante instauração de processo político-criminal baseado em denúncia apresentada ao Congresso Nacional. Os parlamentares devem, a partir da aceitação da denúncia, avaliar se o réu do processo - seja presidente da República, governador, prefeito ou ministros do Supremo Tribunal - praticou crime de responsabilidade, cabendo como pena, caso confirmado tal crime, a destituição do cargo. Segundo a Constituição Brasileira, configura crime de responsabilidade atentar contra:

a) a existência da União; b) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; c) o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; d) a segurança interna do País; e) a probidade na

administração; f) a lei orçamentária; e g) o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

O processo de impedimento, portanto, deve fundamentar-se em um documento formal 10

que apresenta evidências de que tais crimes foram praticados. Este documento será posteriormente avaliado, não pelos eleitores, mas pelo Congresso Nacional, diferente do

10 Os principais documentos que motivaram o impeachment de Dilma Rousseff podem ser encontrados no site do Senado. Ver em http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/08/22/veja-os-principais-documentos-do- processo-de-impeachment-de-dilma-rousseff

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“recall político”, mecanismo não previsto pela Constituição Brasileira de revogação de mandatos representativos usualmente instaurado pelo eleitorado e baseado em motivações puramente políticas como má administração. A história recente do presidencialismo brasileiro é marcada pela abertura de dois processos de impeachment: Em 1992, contra Fernando Collor, que renunciou antes de ser condenado, e em 2016, contra Dilma Rousseff, que teve seu mandato cassado. Diferente do primeiro caso, o impeachment sofrido por Dilma foi marcado por uma série de divergências nos campos político, jurídico e civil 11 , o que deu margem, inclusive, para denúncias nacionais e internacionais de que teria havido um “golpe parlamentar” no Brasil. Além disso, diferente do previsto no artigo 52 da Constituição 12 , os mesmos parlamentares que decretaram o afastamento de Dilma optaram por não inabilitá-la do exercício de funções públicas por oito anos.

5. Resultados

Análise quantitativa

A análise isolada de tweets, por si, não basta para traçar as estratégias adotadas pelo

perfil @dilmabr durante o processo de impeachment. É preciso antes contextualizar os fatos e acontecimentos políticos que marcam o decorrer do processo de impeachment. A Figura 1

representa a frequência de publicação no perfil @dilmabr e sinaliza também etapas marcantes do processo. Observa-se que, em um primeiro momento, Dilma Rousseff evitou comentar seu processo de afastamento ainda que não tenha deixado de realizar publicações relacionadas a sua gestão, atos de governo e realizações. No dia 2 de dezembro, quando o processo é aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, o perfil @dilmabr publicou 6 tweets sobre tema, que voltar a ser mencionado apenas no dia 13 de março, quando é uma nota sobre as manifestações contrárias a seu governo e favoráveis ao impeachment, amplamente repercutidas em todo o país.

É difícil precisar se o silenciamento inicial foi uma tática assumida por Dilma em seu

perfil no Twitter ou se não houve, de fato, por parte da ex-presidente e sua equipe, uma

negligência no uso da ferramenta como um meio eficaz de comunicação política. Dilma Rousseff só começa a usar intensamente o Twitter como uma ferramenta de comunicação

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O

histórico

do

impeachment

pode

ser

lido

no

site

do

Senado:

asp

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política contra o impeachment no dia 12 de maio, quando o Senado Federal aprova a abertura do processo na Casa e a presidente, até então em exercício, é afastada por 180 dias. Deste ponto em diante, @dilmabr passa a publicar diversas mensagens direcionadas ao processo de impeachment e a atores políticos - aliados ou adversários - e instituições envolvidas.

- aliados ou adversários - e instituições envolvidas. FIGURA 1 – Frequência de tweets por dia

FIGURA 1 Frequência de tweets por dia nas amostras gerais e sobre impeachment FONTE Os autores

O dia em que houve maior número de publicações relacionadas ao Impeachment foi 29 de agosto de 2016, quando a então presidente afastada temporariamente participou de sessão no plenário do Senado Federal para defender-se contra processo. As publicações neste dia foram, em sua maioria, trechos do discurso proferido por Dilma a senadoras e senadores presentes na casa. A hashtag #PelaDemocracia surgiu justamente neste dia, o que justifica em certa medida o número de vezes em que aparece em toda a amostra (ver Figura 2). Todos os tweets com esta hashtag foram publicados entre meio-dia do dia 29 e às 2h50 do dia 30. Ou seja, não houve uma estratégia de uso contínuo da hashtag durante todo o período do processo de impeachment, mas um uso pontual durante a cobertura da sessão. No dia 31, apenas quando a ex-presidente foi afastada definitivamente, o perfil de Dilma passa a publicar uma série de tweets acompanhados da segunda hashtag mais utilizada pela ex-presidente: #LutarSempre. Uma observação comum entre o uso destas hashtags é que elas acompanhavam e se repetiam na medida em que tweets de seu último discurso eram publicados. As hashtags, portanto, não foram utilizadas como ferramentas para promover o

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engajamento cidadão em campanha contínua contra o impeachment desde o momento de sua aceitação pela Câmara dos Deputados (FIG. 2).

de sua aceitação pela Câmara dos Deputados (FIG. 2). FIGURA 2 – Frequência de hashtags FONTE

FIGURA 2 Frequência de hashtags FONTE Os autores

Diferente das #PelaDemocracia e #LutarSempre, a hashtag #AoVivo está mais distribuída ao longo do período analisado, o que demonstra que a conta oficial de Rousseff usou a ferramenta para convocar a audiência de seus seguidores para os meios tradicionais ou transmissões ao vivo feitas pelo Periscope. Isto é corroborado pela frequência significativa do uso de hashtags para divulgação de programas de TV em que Rousseff concedeu entrevistas ao longo do processo de impeachment (#DilmaNaTV, #DilmaNaTVBrasil, #DilmaNoSBT). Nesse sentido, as hashtags de carga simbólica contra o processo de impeachment foram preteridas em detrimento de hashtags automáticas ou que demarcavam a agenda de entrevistas, especialmente as veiculadas na televisão.

Quando se observa os perfis mais retuitados por @dilmabr durante o período analisado, nota-se que não houve grande interação com políticos (adversários ou coligados) ou atores da mídia tradicionais por meio do recurso de RT 13 . Dos 601 tweets publicados pelo perfil de Rousseff, 41 eram RT’s. A Figura 3 representa a distribuição dos perfis mais retuitados pela ex-presidente durante o período analisado. Trata-se de uma cauda longa, indicando que houve um perfil muito retuitado e diversos casos em que RTs esporádicos a perfis aleatórios e sem conversação. O perfil mais retuitado foi o @blogdoplanalto

13 RT é a abreviação de “Re-Tweet” e significa replicar conteúdo produzido por outros usuários da plataforma.

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(n=10). São geralmente links para mensagens publicadas no blog institucional do Palácio do Planalto, o que sugere que o uso autorreferencial do Twitter para distribuição de informações oficiais publicadas em outros meios. Ainda que haja essa presença do Blog do Planalto, o endereço foi desativado pelo Governo Provisório A partir de 12 de julho de 2016, Rousseff passou a se comunicar por meio do Blog da Alvorada. O segundo perfil mais retuitado por Dilma foi o @heiderpinto (n=7), um autodeclarado "militante aguerrido e apaixonado da Esquerda e Luta em Defesa da Saúde e do SUS". No entanto, esta é uma exceção. Em pouquíssimos casos, o perfil de Dilma Rousseff no Twitter utilizou a ferramenta para reproduzir o conteúdo publicado por cidadãos comuns, ou seja, não organizados em entidades de interesse coletivo ou ligados a partidos políticos. Por outro lado, vale notar que Dilma Rousseff predominantemente retuitou empresas jornalísticas internacionais (@CCTV_America, @elpais_brasil, @elmundoes), atores e organizações de mídia independentes (@MídiaNINJA, @TheInterception, @ggreenwald, @ajplus) e atores da esfera política formal como a deputada Erika Kokay (@erikakokay) e o presidente da Venezuela, Evo Morales (@evoespueblo).

e o presidente da Venezuela, Evo Morales (@evoespueblo). FIGURA 3 - Frequência de RT ’ s

FIGURA 3 - Frequência de RTs por autora ou autor original FONTE Os autores

No que se refere ao tipo de conteúdo publicado, a grande maioria dos tweets traziam em seu conteúdo apenas textos (n=463), o que demonstra que a plataforma multimídia foi pouco explorada pelo perfil (TAB.1). O uso predominante de texto também é reflexo dos blocos significativos dos discursos ou das entrevistas que eram tweetados simultaneamente à

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fala da presidente, bem como correspondem às frases publicadas em tempo real durante a defesa realizada pessoalmente por Dilma Rousseff no Senado. O segundo tipo de conteúdo mais utilizado foram links para conteúdos externos, como notas publicadas no site do próprio Palácio do Planalto e publicações de entrevistas dadas a empresas jornalísticas. No entanto, vale destacar que 26 tweets analisados convocavam o seguidor para assistir e participar em tempo real de transmissões ao vivo de discursos em manifestações e eventos, de rodas de conversas com ministros e de entrevistas concedidas por Dilma a jornalistas. Esse número é superior ao de tweets que apresentavam algum vídeo (n=24) ou fotografias e imagens como memes, cards e cartazes de eventos (n=10).

Análise qualitativa Para além de métodos quantitativos de análise dos tweets publicados e dos recursos multimídia e interativos utilizados pelo perfil @dilmabr, o artigo propõe uma análise qualitativa do conteúdo de cada mensagem. Para isso, foram desenvolvidas e testadas categorias específicas relacionadas a cada mensagem de acordo com a natureza de seu conteúdo. Como mencionado anteriormente, cada mensagem foi discutida pelos autores com base nas categorias desenvolvidas. No entanto, as próprias categorias foram constantemente reajustadas com o objetivo de contemplar mensagens com intenções similares. A tabela 1 sumariza os resultados obtidos por meio das categorização do conteúdo dos tweets.

por meio das categorização do conteúdo dos tweets. TABELA 1 – Relação entre tipo de conteúdo

TABELA 1 Relação entre tipo de conteúdo e categoria da mensagem FONTE Os autores

Ataque e contra-ataque

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São tweets com críticas negativas que citam, nominalmente ou não, adversários políticos e demais atores envolvidos na crise política. Figuram nessa categoria, por exemplo, mensagens com críticas dirigidas a Michel Temer e sua equipe, a parlamentares ou à mídia, bem como ao próprio processo de impeachment. Também foram incluídas mensagens contrárias às políticas descontinuadas pelo governo provisório, a exemplo da extinção do Ministério da Cultura e reformas de programas como ‘Minha Casa, Minha Vida’. Esta foi a categoria com maior número de postagens. Ao todo foram 163 tweets que assumiram uma postura de ataque, o que representa 27,1% da amostra.

uma postura de ataque, o que representa 27,1% da amostra. FIGURA 4 – Captura de tela
uma postura de ataque, o que representa 27,1% da amostra. FIGURA 4 – Captura de tela
uma postura de ataque, o que representa 27,1% da amostra. FIGURA 4 – Captura de tela

FIGURA 4 Captura de tela de tweets classificados como ataque e contra-ataque

Esclarecimentos São mensagens que explicam ou justificam posições e atos de governo contestados na esfera pública. Estão incluídos nessa categoria tweets com uma dimensão de prestação de contas ou que se referem a instituições políticas ou demais fontes oficiais para construir uma estratégia de defesa. Vale salientar também que todos os tweets que ofereciam ao leitor link para acessar notas publicadas na íntegra no blog do planalto foram incluídos nessa categoria por se tratar se uma explicação sobre algum evento, fato ou declaração de adversários. Nesta categoria, constam 97 tweets, o que representa 16,1% da amostra.

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Cásper Líbero, São Paulo - SP, 06 a 09 de junho de 2017 FIGURA 5 –

FIGURA 5 Captura de tela de tweet classificado como esclarecimentos

Demarcação de posição São tweets que evidenciam teor opinativo ou viés ideológico sobre acontecimentos relacionados direta ou indiretamente à crise política. Diferente da categoria ataque, não há menção direta ou indireta a atores políticos de posições contrárias, mas há comentários sobre temas correntes no debate público a partir de enquadramentos ideológicos. As mensagens desta categorias recorrem com frequência a tom emotivo ou a princípios éticos e morais da figura pública. Tweets com esta característica são o segundo mais frequentes, somam 152 e representam 25,3% da amostra.

mais frequentes, somam 152 e representam 25,3% da amostra. FIGURA 6 – Captura de tela de
mais frequentes, somam 152 e representam 25,3% da amostra. FIGURA 6 – Captura de tela de

FIGURA 6 Captura de tela de tweets classificados como demarcação de posição

Exibição de Capital Social e Político São mensagens em que se recorre à notoriedade de demais atores políticos e sociais com o objetivo de valorizar e fortalecer a própria imagem pública. Esta categoria inclui também tweets em que há demonstração de agradecimento ao apoio manifestado de forma espontânea ou em atos públicos. É o caso, por exemplo, do tweet publicado por Dilma em agradecimento ao apoio recebido pelo então candidato à presidência dos Estados Unidos, Bernie Sanders. Ao todo, esta característica esteve presente em 35 tweets, o que corresponde a 5,8% da amostra.

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Cásper Líbero, São Paulo - SP, 06 a 09 de junho de 2017 FIGURA 7 –
Cásper Líbero, São Paulo - SP, 06 a 09 de junho de 2017 FIGURA 7 –

FIGURA 7 Captura de tela de tweets classificados como exibição de capital social e político

Endosso midiático São tweets que replicam conteúdos veiculados pela imprensa que legitimam os posicionamentos assumidos pelo líder político. Esta categoria contempla o uso de matérias, entrevistas e colunas publicadas em meios de comunicação nacionais ou estrangeiros que pode ajudar a endossar argumentos ou visões consonantes ao projeto de governo. O respaldo de empresas jornalísticas internacionais e a forma como cobriam os acontecimentos no Brasil foi um elemento estratégico para comunicação política adotada por Dilma em diversos momentos durante o processo de Impeachment. No entanto, apenas 4% dos tweets (n=24) que compõem a amostra se encaixam nas características descritas acima.

a amostra se encaixam nas características descritas acima. FIGURA 8 – Captura de tela de tweets
a amostra se encaixam nas características descritas acima. FIGURA 8 – Captura de tela de tweets

FIGURA 8 Captura de tela de tweets classificados como endosso midiático

Agenda Nessa categoria constam mensagens com o objetivo de divulgar atividades diárias como presença em eventos, reuniões com líderes políticos ou encontros com grupos e entidades da sociedade civil. Além disso, foram incluídos tweets de divulgação de discursos e entrevistas concedidas em emissoras de rádio e TV com chamadas para transmissão ao vivo

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ou links para acessar a íntegra. Ao todo, foram contabilizados 78 tweets (13% da amostra) com estas características.

78 tweets (13% da amostra) com estas características. FIGURA 9 – Captura de tela de tweet

FIGURA 9 Captura de tela de tweet classificado como agenda

Chamada para Ação São tweets que estimulam ou convocam para o engajamento em atividades específicas como participação em eventos presenciais ou ações online a exemplo de tuitaços ou envio de perguntas para interação via transmissões ao vivo nas redes sociais. Foram seis publicações com esse objetivo, ou seja, 1% da amostra. Apesar de representar um número muito pequeno na amostra, casos de chamada para ação foram mantidos, por considerá-los uma estratégia não recorrente, de alto grau de interação com os usuários e que, deste modo, pode servir de exemplo de boa prática comunicacional.

modo, pode servir de exemplo de boa prática comunicacional. FIGURA 10 – Captura de tela de

FIGURA 10 Captura de tela de tweet classificado como chamada para ação

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Projeções e promessas São mensagens que desenham cenários futuros e possíveis medidas a serem tomadas para conter a crise. A categoria contempla tweets que buscam restaurar o ambiente de estabilidade na comunidade política por meio da transferência de confiança em relação a cenários futuros. Foram contabilizados 16 casos com esta característica, o que representa 2,7% da amostra.

com esta característica, o que representa 2,7% da amostra. FIGURA 11 – Captura de tela de
com esta característica, o que representa 2,7% da amostra. FIGURA 11 – Captura de tela de

FIGURA 11 Captura de tela de tweets classificados como projeções e promessas

Realizações São mensagens que recuperam medidas tomadas e políticas públicas desenvolvidas pelo governo. São considerados os tweets referentes a atos da gestão vigente, ainda que seja uma continuidade do projeto político anterior. Em diversos momentos, Dilma Rousseff recorreu a atos e realizações conquistadas em seu primeiro mandato como estratégia de defesa contra seu processo de impeachment. Somam-se 30 tweets, ou, 5% da amostra, com esta característica em comum.

, ou, 5% da amostra, com esta característica em comum. FIGURA 12 – Captura de tela
, ou, 5% da amostra, com esta característica em comum. FIGURA 12 – Captura de tela

FIGURA 12 Captura de tela de tweets classificados como realizações

6. Discussão dos resultados e conclusões

O artigo examina como o Twitter foi utilizado pelo perfil oficial da ex-presidente brasileira, Dilma Rousseff, como uma ferramenta de comunicação política durante o processo

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de impeachment. Com o objetivo de traçar as estratégias adotadas pelo perfil @dilmabr, o artigo, primeiramente, operacionaliza uma análise quantitativa acerca do tipo de conteúdo publicado (texto, vídeo, transmissões ao vivo e imagens), da frequência de tweets, relacionada a fases específicas do processo, e do uso dos recursos interativos (RTs e hashtags). Em uma segunda etapa, o estudo se baseia na análise qualitativa, examinando cada unidade de tweet, de modo a desenvolver categorias para classificar as mensagens publicadas e orientar a análise de conteúdo. Ao observar o uso pouco expressivo de recursos como hashtags e RT, os resultados da pesquisa demonstram que o perfil de Dilma Rousseff no Twitter não aproveitou as oportunidades interativas oferecidas pela plataforma para estabelecer conexões com cidadãos. Não houve, por exemplo, uma forte campanha, desde o início do processo, de criação ou de participação do perfil em discussões indexadas por meio de hashtags que agregassem opiniões de cidadãos e outros atores envolvidos como jornalistas, grupos da sociedade civil e organizações de mídia independente. A hashtag mais utilizada (#PelaDemocracia) foi apenas um acessório que acompanhou a publicação de trechos do discurso proferido no Senado Federal. Este resultado, associado ao número reduzido de RT’s, corrobora pesquisas anteriores que indicam que interagir com os seguidores é um atributo secundarizado pelos líderes políticos em suas contas no Twitter (ROSSETTO, CARREIRO E ALMADA, 2013), mesmo fora do contexto das campanhas eleitorais. A análise quantitativa empreendida no presente artigo leva em consideração fatos políticos e etapas do processo ao analisar a atividade de Dilma Rousseff no Twitter. Os resultados sugerem que o perfil @dilmabr começa progressivamente a publicar mensagens sobre o processo apenas após o afastamento temporário da presidente. Argumenta-se que o silenciamento em relação ao impeachment foi seletivo e, portanto, estratégico, uma vez que mensagens relacionadas a atos de governo, realizações e comentários sobre outros eventos políticos continuavam a ser publicados pelo perfil analisado. Não é possível determinar se há uma relação causal entre a estratégia de comunicação adotada e o desfecho que levou a Dilma à destituição do caso de presidente do Brasil. No entanto, argumenta-se que a estratégia de abster-se, no começo do processo, de publicações sobre o caso no Twitter representa uma escolha incompatível ao momento político-institucional em que Dilma estava exposta. Em um segundo momento, quando há o afastamento temporário, observa-se uma ampliação no uso do Twitter como canal de comunicação estratégica para defesa na esfera de

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visibilidade pública. A análise qualitativa dos conteúdos de tweets publicados por Dilma durante o período do impeachment desvela quais lances discursivos foram predominantes na estratégia de defesa da ex-presidente no Twitter. Críticas dirigidas ao processo, a atores políticos envolvidos e a empresas tradicionais de jornalismo foram o tipo de conteúdo mais frequente, seguido de mensagens em que há uma clara demarcação de posições político- ideológica. Destacam-se também tweets com uma dimensão de prestação de esclarecimentos aos seus seguidores acerca das denúncias às quais estavam sendo investigadas pelo Congresso Nacional. Do ponto de vista teórico, o presente artigo oferece à área de pesquisa de comunicação política online um enquadramento para análise de conteúdo publicado por líderes políticos em contexto não-eleitoral. Tais categorias buscam, em certa medida, enquadrar os conteúdos em dimensões discursivas a fim de desvendar os objetivos e intenções das mensagens, uma difícil tarefa que exige grande esforço metodológico por parte dos pesquisadores. Argumenta-se que as categorias apresentadas neste trabalho configuram como opções pertinentes para serem aplicadas em pesquisas futuras que também se proponham a analisar a comunicação política de líderes de governo. Sobre as estratégias de comunicação online encampadas por Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, outras abordagens parecem apropriadas, como a análise comparativa entre redes sociais, especialmente o Facebook e o Twitter, bem como um estudo sobre os comentários anexados às postagens realizadas em redes sociais.

14

14 Para compactar imagens no Word 97 ou no Word 2003, clique com o botão direito do mouse sobre uma das imagens e selecione a opção “Formatar Imagem”. Na caixa seguinte clique em “Compactar”. Em seguida marque as opções “Todas as imagens do documento”, “Web/Tela”, “Compactar Imagens” e “Excluir áreas cortadas das imagens”. Em seguida, clique em “OK” e aguarde o processo de compactação. Com esse comando o seu trabalho ficará o mais leve possível para ser enviado pela internet.

Para compactar imagens no Word 2007, clique com o botão esquerdo do mouse sobre uma das imagens para selecioná-la. Em seguida clique na aba “Formatar”, que fica na barra de menus. Com a aba aberta, clique em “Compactar Imagens”. Na caixa a seguir, clique em “Opções”. Nas configurações de compactação, marque os itens “Executar compactação básica”, “Excluir áreas cortadas” e “Tela (150 dpi)”. Com esse comando o seu trabalho ficará o mais leve possível para ser enviado pela internet. Lembre-se que o seu trabalho criado no Word 2007 (.docx) deve ser convertido para o Word 2003 (.doc), pelo processo “salvar como”.

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