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SENAI “ORLANDO LAVIERO FERRAIUOLO”

AUTOMAÇÃO RESIDENCIAL E PREDIAL

São Paulo

2017

SENAI “ORLANDO LAVIERO FERRAIUOLO”

Alexandra Oliveira Ferri Barbara Quadral de Assis de Luca Buffone Caroline dos Santos Sampaio Mariana Araújo Melo Roberta Santana de Souza

AUTOMAÇÃO RESIDENCIAL E PREDIAL

São Paulo

2017

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

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1.1 Automação da Instalação Elétrica

7

1.2 Gateways e Softwares Específicos para Integração

7

1.3 Gestão de Energia

7

1.4 Acessórios e Complementos

7

1.5 O Integrador de Sistemas Residenciais

8

2. PRINCIPAIS SISTEMAS RESIDENCIAIS

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2.1 Níveis de Automação

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2.2 Iluminação Elétrica

10

2.3 Iluminação Natural

11

2.4 Tomadas Comandadas

12

2.5 Climatização

12

2.6 Home Theater

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2.7 Sonorização Ambiente

15

2.8 Sensores e Atuadores

16

2.9 Área de Banho

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2.10 Piscinas e SPAs

20

2.11 Aquecimento Solar

21

2.12 Irrigação de Jardim

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2.13 Aspiração Central

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3. INTEGRAÇÃO COM SISTEMAS DE SEGURANÇA

24

3.1 Central de Alarme

24

3.2 Proteção Perimetral

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3.3 Sinais de Emergência e de Pânico

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3.4 CFTV (Circuito Fechado de Televisão)

27

3.5 Controle de Acesso

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4. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS RESIDENCIAIS AUTOMATIZADAS

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4.1 Cargas Automatizadas

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4.2 Acionamentos

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4.3 Conceito de Cenas ou Cenários

30

4.4 Utilização de Tomadas Comandadas

30

4.5 Automação Centralizada

31

4.6 Automação

Distribuída

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2.8

Central de Automação

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5. PROJETO INTEGRADO DE INFRAESTRUTURA

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5.1 O Que é um Projeto Integrado

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5.2 Pré-automação

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6. INTERFACES PARA USUÁRIOS

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6.1 Pulsador

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6.2 Keypad

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6.3 Controle Remoto

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6.4 Tablet e Smartphone

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6.5 Celular e SMS

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6.6 Outras Interfaces

39

6.7 Aplicações Especiais de Automação Residencial

39

6.8 Monitoramento Remoto

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7. PROCESSOS EM EDIFICIOS COM ALTA TECNOLOGIA

40

7.1 Projeto

40

7.2 Processos de Automação Predial

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7.2.1 Elétrica/Iluminação

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7.2.2 Hidráulica

45

7.2.3 Detecção e Alarme de Incêndio

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7.3

Segurança

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7.3.1 Sistemas de Controle de Acesso

47

7.3.2 Sistema de Circuito Fechado de Televisão CFTV

48

7.3.3 Sistema de Sensoriamento Interno

49

7.3.4 Sistema de Detecção Perimetral

50

7.4

Processos Complementares

50

8. Sistemas de Automação Predial

51

8.1. Funções de Gestão

51

8.1.1 Funções de Segurança

52

8.1.2 Sistema de Circuito Fechado de Televisão CFTV

52

8.1.3 Funções Adicionais

53

8.2 Arquitetura de Sistemas de Automação Predial e Soluções do Mercado 53

8.3 Tecnologias Emergentes

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8.4 Sistemas Abertos

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1. INTRODUÇÃO

No mercado brasileiro, a definição de Automação Residencial surgiu como herança de Home Automation utilizado no mercado americano. Isso ocorreu pelo fato de, no Brasil, os primeiros sistemas voltados para a automação de residências serem oriundos de fabricantes americanos. Na Europa, termo mais utilizado é Domótica junção da palavra latina Domus (casa) com Robótica (controle automatizado).

Uma definição bastante interessante e que agrega também a ideia de interação de sistemas residenciais pode ser resumida pela seguinte frase: “É um processo que, usado diferentes soluções e equipamentos, possibilita ao usuário usufruir o máximo de qualidade de vida na sua habitação”.

Nos últimos anos, ocorreram inúmeros esforços por parte dos fabricantes de equipamentos, de profissionais qualificados e de associações para a difusão do conceito de automação residencial. O principal desafio sempre foi o de mostrar ao futuro usuário os benefícios dessa tecnologia e como ela pode agregar valor não só na vida cotidiana dos moradores como também na valorização do imóvel.

Há cerca de dez anos, a automação residencial era vista apenas como luxo e havia uma relação instantânea com a famosa “Casa dos Jetsons”, com o passar do tempo, de um modo geral, ocorreu um aculturamento com itens relacionados à tecnologia. Contudo, a missão de difundir os benefícios da automação residencial ainda não é uma tarefa fácil, principalmente para os mais céticos. Muitos daqueles conceitos de automação vistos como futuristas são hoje utilizados com naturalidade por muitas famílias brasileiras. Os sistemas estão cada vez mais acessíveis e as pessoas, no mínimo, já ouviram falar a respeito, seja por meio da mídia ou por algum amigo que já possui um sistema instalado em sua residência.

O mercado de automação residencial no Brasil aos poucos está adquirindo características muito próximas às de mercados mais evoluídos. A incorporação de um novo profissional, intitulado Integrador de Sistemas Residenciais, define uma situação específica desse mercado: em função das diferentes tecnologias,

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da sua complexidade de projeto, instalação e programação, ainda não existem soluções plug-and-play, exigindo, assim, uma especialização do profissional que nele atua.

No exterior esse profissional, ou pequena empresa, recebe o nome de Systems

Integrator ou ainda Electronic Systems Contractor. Sua característica notória é

a de se tratar de um pequeno negócio, quando não de um profissional

autônomo com equipes de instalação terceirizadas. Esse padrão é dominante uma vez que os projetos de sistemas integrados residenciais são extremamente personalizados, exigindo uma dedicação que só uma pequena equipe (e não um departamento de uma multinacional) pode dispensar ao usuário consumidor.

Assim,

importantes:

o

mercado

atualmente

se

posiciona

com

os

seguintes

players

Desenvolvedores/ Licenciadores de Tecnologia;

Fabricantes/ Importadores;

Distribuidores/ Revendas;

Projetistas/ Integradores/ Instaladores;

Cliente Final (consumidor ou empresa ou construtora).

Dentro de Desenvolvedores e Licenciadores temos empresas de software, alianças de diversos fabricantes em torno de um protocolo comum de interoperabilidade, laboratórios de eletrônica, robótica e mecatrônica públicos e privados, universidades e outras entidades afins.

Os fabricantes e Importadores podem ser atualmente grandes grupos multinacionais, alguns subsidiários de menor porte (sendo que algumas são apenas importadoras), fábricas nacionais de médio e pequeno porte. Os canais de Distribuição e Revenda muitas vezes se confundem com os importadores e até mesmo os Integradores poder se revendedores, principalmente de equipamentos que necessitam de especificação técnica mais apurada.

A abrangência dos fornecedores será de equipamentos típicos para projetos

integrados de automação residencial, a saber:

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1.1. Automação da Instalação Elétrica

Compreende o fornecimento de controladores inteligentes, comandos especiais

e atuadores. Softwares de controle e supervisão. Relés, interfaces e

temporizadores. Sensores diversos, tais como detectores de gás e fumaça, de inundação e outros.

1.2. Gateways e Softwares Específicos para Integração

Inclui o fornecimento de interfaces necessárias à integração com sistemas domóticos, licenças de softwares de integração, além de modernas e cada vez mais usuais interfaces homem/máquina como aplicativos para tablets, smarphones e outras. Soluções de software para atingir usabilidade e confiabilidade dessas aplicações.

1.3. Gestão de Energia

A gestão de energia compreende sistemas gerenciadores de consumo,

medição de consumo de água e gás, equipamentos para proteção elétrica e de

geração de energias alternativas.

1.4. Acessórios e Complementos

Incluem-se nesta classe diversos itens do universo da automação residencial, tais como:

Motorização de persianas, toldos e cortinas;

Pisos aquecidos;

Aspiração central a vácuo;

Desembaçadores de espelhos;

Irrigação automatizada;

Fechaduras elétricas;

Equipamentos de controle de acesso (leituras biométricas, teclados);

Media centers;

Ativos de rede (switches, roteadores);

Telefonia e interfonia (convencional e IP).

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Os Integradores cumprem atividades múltiplas como projeto, especificação, fornecimento, instalação, programação e pós-venda dos sistemas de AR. Como podemos perceber, representam um elo imprescindível na cadeia mercadológica, pois sem eles seria quase inviável a indústria inserir seus produtos no mercado consumidor.

Os Clientes, nesse mercado, dividem-se em usuários finais e construtores. Para s primeiros, exige-se atendimento personalizado e total customização da sua instalação residencial. Já os construtores, são clientes institucionais nos quais o apelo de fatores subjetivos como a segurança ou o maior conforto da família é superado por uma análise objetiva de custo/ benefício.

1.5. O Integrador de Sistemas Residenciais

Definimos este novo profissional o integrador de sistemas residenciais como aquele que:

Elabora o projeto integrado, baseado nas definições do empreendimento (caso de condomínios) ou nas necessidades de uma família específica (residência unifamiliar);

Acompanha a execução da obra com o intuito de validar o seu projeto;

Especifica fiação, equipamentos, softwares e interfaces de integração;

Comercializa os equipamentos ou participa da contratação dos terceiros envolvidos;

Supervisiona e/ ou executa a instalação;

Supervisiona e/ ou executa a programação e os testes (start up);

Garante o desempenho final do sistema integrado.

O Integrador pode ser uma empresa de pequeno porte ou um profissional autônomo que atua com parceiras independentes nas atividades nas quais não têm capacitação específica.

Sua formação é abrangente e diversificada; no entanto, na maioria das vezes, é de base tecnológica (engenharia elétrica ou eletrônica, redes e informática, automação industrial, mecatrônica e similares). Diversos profissionais provêm das áreas de áudio e vídeo, segurança, instalações elétricas ou outras

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similares, em que já atuavam anteriormente e passaram a incluir automação residencial em sua oferta de serviços.

2. PRINCIPAIS SISTEMAS RESIDENCIAIS

2.1. Níveis de Automação

Com o intuito de simplificar a análise de sistemas de automação residencial, podem-se classificar os sistemas em três níveis:

Sistemas Autônomos (stand-alone);

Sistemas Integrados;

Sistemas Complexos (casa “conceito” ou “inteligente”).

São considerados sistemas autônomos ou sistemas stand-alone todos aqueles sistemas residenciais que conseguem operar de forma independente, exercendo todas as funções para as quais foram projetados, sem a necessidade da intervenção de um controlador centralizado. Exemplos de sistemas autônomos encontrados em residências são os automatizares de portões de garagem, as centrais de alarme, os gravadores de imagens de câmeras (DVR Digital Video Recorder), os aquecedores solares, os controladores de irrigação de jardins, etc.

Quando, por meio de um sistema de automação residencial, se consegue estabelecer relações de interoperabilidade entre um ou mais sistemas residenciais, têm-se então os chamados “sistemas integrados”. Nesse caso, sistemas que, a princípio, operam de forma autônoma, podem passar a interagir com outros sistemas com a troca de sinais (informações de relevância para os demais sistemas) que podem ser feitas através de, por exemplo, contatos “secos” de relés, interfaces de comunicação serial (RS-232/ RS-485), redes Ethernet (UDP/ TCP/ IP), sinais de infravermelho, etc.

Tecnologias inovadoras que muitas vezes se encontram em estágio de pesquisa e desenvolvimento são apresentadas ao mercado e ao grande público por meio de protótipos de residências chamados de casas “conceito” ou “inteligente”. Por serem inovadores e mais elaborados, esses sistemas – chamados “sistemas complexos” – preconizam a utilização de tecnologias

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ainda pouco utilizadas nos projetos convencionais de automação residencial. Tais sistemas passam por um período de maturação do mercado e, dependendo da sua aceitação, podem vir a ser tornar produtos convencionais do fabricante que o desenvolveu.

2.2. Iluminação Elétrica

Considera-se sistema de iluminação elétrica todas as luminárias ou equipamentos de iluminação que contêm lâmpadas e são alimentadas por energia elétrica.

As lâmpadas podem ser ligadas e desligadas por controladores que utilizam saídas a relés e são comumente chamadas saídas on/ off (liga/ desliga).

A dimerização de uma lâmpada representa a variação gradativa da sua intensidade luminosa (0 a 100%), sendo um recurso fundamental na criação de cenários de iluminação. As lâmpadas podem ser dimerizadas por controladores que utilizam componentes eletrônicos específicos para cada tipo de lâmpada:

essas saídas são comumente chamadas “saídas dimerizadas” (dimmer).

As lâmpadas de filamento são dimerizadas por controladores com saídas que utilizam um componente eletrônico denominado TRIAC (Triode for Alternating Current). Por meio do controle da forma de onda senoidal entregue à lâmpada (carga) é possível fazer a variação da sua intensidade luminosa. As saídas a TRIAC fornecem dimerização para lâmpadas incandescentes ou de baixa voltagem com transformador eletromagnético ou eletrônico dimerizável.

As lâmpadas do tipo incandescente ou baixa voltagem (algumas lâmpadas dicroicas ou tipo halógenas AR) que funcionam com transformadores eletrônicos (não dimerizáveis) são dimerizadas por controladores com saídas que utilizam um componente eletrônico denominado MOSFET (Metal Oxide Semiconductor Field Effect Transistor).

As lâmpadas fluorescentes tubulares são dimerizadas por controladores com saídas do tipo 1 -10 Vdc que são associados a reatores específicos para dimerização, ou seja, que possuam entrada de controle de tensão de 1 - 10 Vdc. Pelo controle do nível de tensão contínua entregue à entrada do reator

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dimerizável é possível fazer a variação da intensidade luminosa da lâmpada fluorescente.

Para as lâmpadas LED que são alimentadas em tensão continua (9V, 12V, 20V, 24V, etc) o nível de iluminação depende da corrente fornecida, cuja tensão deverá ser constante. Para isso, utiliza-se o controle do tipo PWM (Puse Width Modulation) através de saídas MOSFET.

Para as lâmpadas LED que já possuem uma fonte de alimentação interna para serem ligadas em tensão (100V, 115V, 127V, 220V, etc), é de fundamental importância a informação do fabricante de que ela passa ser dimerizadas. Para dimerizar com TRIAC uma lâmpada LED que opera em tensão alternada, esta precisa possuir um driver interno que suporte a variação na forma de onda senoidal, ou seja, deve estra especificada como sendo dimerizável ou dimmable.

2.3. Iluminação Natural

Considera-se sistema de iluminação natural todos aqueles dispositivos que são, de alguma forma, capazes de abrir e fechar, permitindo ou bloqueando a passagem de luz natural para dentro da residência. Por serem sistemas motorizados, eles devem ser alimentados com energia elétrica que pode ser em corrente alternada (AC) ou em corrente continua (DC), dependendo da especificação do fabricante do motor.

Esses dispositivos são acionados por controladores e utilizam duas saídas a relés (liga/ desliga), nas quais são inseridas os comandos para abrir/ fechar e, eventualmente, uma parada intermediária.

Os motores desses dispositivos possuem dois fins de cursos internos (aberto/ fechado) que interrompem o acionamento do motor nos extremos programados. Essa é uma configuração mecânica, feita no próprio motor e independe do controlador, ou seja, não há a leitura dessa posição. O controlador é programado para manter o comando de abrir/ fechar acionado por um determinado período de tempo suficiente para que o dispositivo excursione completamente para abrir/ fechar.

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Os motores em corrente alternada possuem um terminal comum e dois terminais distintos: um para o comando abrir e outro para o comando fechar. A abertura dos dois terminais efetua o desligamento do motor e é utilizada para a parada intermediária da cortina.

2.4. Tomadas Comandadas

Ao contrário das tomadas convencionais, as tomadas comandadas não ficam energizadas constantemente, ou seja, elas podem ser ligadas e desligadas por um controlador de automação de acordo com as necessidades dos moradores.

A forma de tomada comandada mais utilizada em instalações automatizadas é

aquela na qual a tomada é ligada a uma saída dimerizadas. Dessa forma, a tomada será utilizada exclusivamente para a ligação de um abajur que irá

participar de cenários de iluminação.

Outra forma de utilização de tomadas é aquela na qual a tomada é ligada a uma saída liga/ desliga. Dessa forma, a tomada será utilizada para a ligação de eletrodomésticos que poderá ser programado para ser ligado/ desligado em horários pré-determinados. Alguns exemplos de equipamentos que são utilizados com esse tipo de tomadas comandadas são cafeteiras aromatizadores de ambientes, pipoqueiras e fontes decorativas.

2.5. Climatização

Os sistemas de automação residencial podem controlar diversos equipamentos de climatização como ar-condicionado, ventiladores de teto, aquecedores de ambiente, pisos aquecidos, lareiras elétricas, etc.

Os equipamentos de ar condicionado são controlados, em sua maioria, por emissores de sinais infravermelhos. Esses módulos emissores fazer às vezes do controle remoto original do equipamento. Dessa forma, não há a necessidade de fazer nenhuma alteração interna nos equipamentos e mantém- se a garantia dos fabricantes.

O controle do ar-condicionado via sinal infravermelho é feito na unidade interna

chamada Evaporadora responsável pela captura do ar quente e emissão do ar refrigerado para o ambiente. A unidade externa é chamada Condensadora.

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“Os ventiladores de teto são fornecidos com seus próprios controladores locais instalados normalmente em caixa 4x2” próximas ao acionamento da iluminação daquele ambiente. Esses controladores já fornecem as opções ligar/ desligar, ventilação/ exaustão e, em alguns modelos, ligar/ desligar a lâmpada central. Atualmente, existem muitos modelos de ventiladores de teto que já possuem um controle remoto infravermelho incorporado; nesses casos, a integração a um sistema de automação pode ser feita facilmente utilizando-se emissores de infravermelho.

Embora na prática não seja muito usual, os ventiladores de teto podem ser controlados por módulos com saídas dimerizadas que utilizam o TRIAC como eletrônica de controle. Como o controle é feito por onda senoidal aplicada à carga, é possível também controlar motores. Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados nesse tipo de controle: é importante ajustar o dimmer para um limite de partida alto, em torno de 90 100%, a fim de não sobrecarregar essa saída, pois a carga em questão é um motor e, por estar parada, sua inércia inicial é alta. Uma vez o motor estando em rotação elevada, o controle de velocidade é feito reduzindo-se o percentual de potência aplicada na carga.

Além dos sistemas de climatização responsáveis pelo resfriamento de ambiente, temos também os sistemas que são dedicados ao aquecimento de ambientes. Podem ser utilizados diversos tipos de sistemas para o aquecimento de ambientes residenciais com diferentes fontes de calor, como lenha gás natural ou GLP, álcool ou etanol, resistências elétricas, etc. Entretanto, embora em alguns casos seja possível uma integração com o sistema de automação, por questões de segurança é sempre recomendado que essa integração seja feita apenas com os equipamentos que utilizem sistema de aquecimento elétrico. Por exemplo, os aquecedores de ambiente do tipo portátil podem ser automatizados com a utilização de uma simples tomada comandada. Já no caso dos aquecedores de parede (fixos) podem ser automatizados efetuando sua ligação a uma saída on/ off. Do controlador. Uma função bastante interessante proveniente dessa integração, e que agrega bastante valor para o morador, é a possibilidade de poder ligar/ desligar esses aquecedores remotamente e também poder fazer uma programação horaria para os ciclos de aquecimento.

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Atualmente, existem inúmeros modelos de lareiras que utilizam resistências elétricas e ventilação forçada. Esse conjunto irá fornecer um fluxo continuo de ar quente e aquecer o ambiente. Muitos modelos de lareiras elétricas possuem uma imagem holográfica que é reproduzida em um vidro, mostrando os troncos de lenha e a chama em movimento. Essas lareiras possuem uma função muito interessante que é a possiblidade de liga-la apenas com o efeito da lenha/ chamas sem o acionamento do aquecimento, propiciando assim ao morador utilizá-la como um objeto de decoração mesmo em dias quentes de verão. A maioria das lareiras elétricas já possui um controle remoto infravermelho incorporado, permitindo que a integração a sistema de automação possa ser feita facilmente utilizando emissores de infravermelho.

Outro sistema de aquecimento de ambientes bastante utilizado em regiões frias do país é o chamado “piso aquecido” ou “piso radiante”. Nesse sistema, são instalados os contra piso cabos elétricos especiais que circulam por todo o ambiente e que irão irradiar calor para o piso acabado (revestimento), proporcionando forma eficiente e homogênea. O consumo elétrico desse sistema é bastante aceitável quando comparado aos demais sistemas de aquecimento de ambientes. Entretanto, é um sistema que deve ser definido durante as etapas iniciais da obra, para que seja possível prover circuitos elétricos específicos para a sua alimentação, tubulação para as interligações entre o quadro de elétrica, o controlador local e o cabo radiante.

Para aumentar a sua eficiência, esses sistemas possuem controladores locais para cada ambiente, proporcionando assim controle mais efetivo de acordo com a utilização daquele cômodo. O controle de temperatura do piso aquecido é um sistema autônomo (stand-alone), pois irá controlar a temperatura de um determinado ambiente de acordo com um valor de temperatura definido pelo morador (set point). Entretanto, alguns modelos possuem um controle remoto infravermelho incorporado, permitindo que a integração a um sistema de automação possa ser feita facilmente por esses emissores. Essa integração poderá agregar valor ao sistema de automação, pois possibilitará ao morador ligar/ desligar remotamente o aquecimento do piso e, consequentemente, preparar a casa para uma chegada mais aconchegante a sua residência.

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2.6. Home Theater

Devido a sua importância como entretenimento, atualmente os Home Theaters são considerados como um ambiente ou cômodo especifico dentro dos projetos arquitetônicos. Dessa forma, eles vêm agregando inúmeras funcionalidades desde o controle dos próprios equipamentos de áudio e vídeo (receivers, televisores, DVD/ Bluray-players, Media centers, etc.), passando pelo controle de telas de projeção, de lifts (elevadores) de projetores e de caixas de som retráteis até a integração total com o sistema de automação residencial para controlar também cortinas elétricas e a iluminação.

Há uma tendência acentuada no crescimento da indústria do entretenimento residencial e nela os sistemas de Home Theater passaram a ser os “aglutinadores” desse as novas tecnologias. Hoje, temos instalados no Home Theaters equipamentos como consoles de vídeo games, media centers e streamers de áudio e video, equipamentos para distribuição de somo ambiente, equipamentos para sistemas de vídeo sob demanda (Apple TV e decoders digitais de TV a cabo), switches de redes Ethernet, controladores de sistemas de automação, etc.

2.7. Sonorização Ambiente

Os sistemas de sonorização ambiente vêm-se popularizando nos projetos de sistemas residenciais. Um sistema básico pode ser implementado utilizando apenas um receiver que possua a chamada Zona 2, que consiste em um amplificador distinto porem integrado ao equipamento e que é capaz de tocar uma fonte diferente daquela do amplificador principal. Com isso, pode-se, por exemplo, manter o som do filme a se está assistindo no Home Theater e, ao mesmo tempo, tocar uma musica de um CD através da Zona 2 ligada nos alto- falantes da varanda gourmet. Aliás, a grande quantidade de empreendimentos imobiliários que sedimentaram o conceito de “varanda gourmet” foi responsável pela difusão do conceito de sonorização ambiente.

Quando se faz um projeto de sonorização ambiente para a residência, devem- se definir quais ambientes (zonas de sonorização) receberão caixas acústicas para essa finalidade. “Normalmente, faz-se a previsão de tubulação e caixas

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4x2 ou 4x4” para a instalação de um controlador local, e, por meio dele, será minimamente possível aumentar/diminuir o volume de som desse ambiente. Um amplificador centralizado composto por varias zonas de sonorização (multizonas) deve ser instalado em um lugar centralizado, normalmente no próprio Home Theater, pois a maioria das fontes sonoras estará nele.

Existe no mercado uma infinidade de equipamentos para essa finalidade. Suas principais características são a quantidade de zonas de sonorização (amplificadores internos) e a sua potencia sonora que, em geral, fica em torno de 25W a 50W por canal, e atendem muito bem à aplicação para “som ambiente”. Deve-se observar ainda a quantidade de fontes distintas de áudio que poderão ser ligadas no equipamento, pois elas poderão ser chaveadas para qualquer ambiente (zona sonorização), formando uma “matriz de áudio”. Por fim, devem-se observar recursos como a possibilidade de se ter controladores locais do tipo keypads (normalmente essa quantidade é proporcional à quantidade de zonas de sonorização) e uma porta de comunicação (5RS-232 ou Ethernet) para a interface om Tablets e Smartphones.

As caixas acústicas que serão instaladas em um sistema de sonorização ambiente podem ser de embutir em forro de gesso ou de sobrepor em teto ou parede. Devido à potencia dessas caixas acústica não ser elevada, elas normalmente apresentam tamanhos reduzidos. Além da qualidade sonora, deve-se levar em consideração o fator estético; assim, as caixas precisam ter um acabamento discreto e compatível com a decoração do ambiente.

Para zonas de sonorização de áreas externas, existe uma variedade de modelos de caixas acústicas. Além de serem resistentes ao tempo, muitas se apresentam em formatos que tem como objetivo se “disfarçar” no ambiente, como, por exemplo, esferas, pedras, vasos de plantas, etc.

2.8. Sensores e Atuadores

Em sistemas de automação residencial, diferentes tipos de sensores são instalados com o objetivo de monitorar e fornecer informações referentes aos ambientes daquela residência.

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Nesse caso, o termo “atuador” representa todo e qualquer dispositivo que está conectado a uma ou mais saídas do controlador de automação residencial, e que produz uma ação. As válvulas solenoides são exemplos de atuadores e são utilizadas para a liberação ou bloqueio (abertura ou fechamento) do fluxo de um determinado fluido em uma tubulação.

As válvulas solenoides utilizadas em tubulação de agua operam usualmente em tensões alternadas de 127V e 220V. Dessa forma, não necessitam de nenhuma fonte de alimentação DC, pois podem ser alimentadas diretamente dos circuitos do quadro de elétrica.

Já as válvulas solenoides empregadas em tubulação de gás, por segurança (risco de faísca) operam normalmente em tensões continuas e mais baixas como, por exemplo, 12V ou 24V. Portanto, é necessária a utilização de uma válvula solenoide. São as chamadas “válvulas solenoides pulsadas”, ou seja, necessitam de um pulso positivo/ negativo para abrirem e um pulso invertido negativo/ positivo para fecharem. Devido a essa inversão de polaridade, para o acionamento desse tipo de válvula são necessárias duas saídas a relés e com contatos reversíveis para que seja possível implementar essa função que é exatamente a mesma a utilizada em cortinas motorizadas com motores em corrente contínua.

Veremos a seguir alguns exemplos que podem ser programados para estabelece relações entre sensores e atuadores em uma residência:

Caso o detector de gás seja ativado, o sistema fechará a válvula solenoide instalado na entrada de gás da residência, inibindo assim o vazamento de gás.

Caso o detector de monóxido de carbono seja ativado, o sistema ligará o exaustor instalado sobre o fogão, eliminando assim a fumaça do ambiente. Fechará ainda a válvula solenoide instalada na entrada de gás da residência, reduzindo assim o risco de explosão.

Caso o detector de inundação seja ativado, o sistema fechará a válvula solenoide instalado na entrada de água, inibindo assim o vazamento de água.

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Apenas para ilustrar, em todos os exemplos mencionados, o morador poderá ser informado dessas ocorrências por meio do envio de mensagem de texto (SMS) ou e-mail, dependendo dos recursos oferecidos pelo sistema de automação.

Embora mais frequente em aplicações prediais, outro sistema interessante que também pode ser utilizado em aplicações residenciais é o monitoramento e

controle do nível de iluminação em um ambiente. Para tal, utilizam-se sensores

de intensidade luminosa para monitorar o nível de luminosidade no ambiente e

pela dimerização das lâmpadas e/ ou abertura de cortinas controla-se a intensidade luminosa seguindo um valor pré-estabelecido pelo morador, e o sistema procura mantê-lo constante. Dessa forma, garante-se o uso racional da energia elétrica e estabelecem-se padrões de operação mais sustentáveis.

2.9. Áreas de Banho

Para as áreas de banho existem alguns sistemas simples e interessantes que podem agregar valor aos projetos de automação residencial. Muitos são considerados como sistema autônomo (stand-alone), mas, quando integrados a um sistema de automação, podem trazer certos benefícios.

O primeiro sistema é o desembaçador de espelho, que consiste em uma

película composta por uma resistência elétrica, similar a que encontramos nos

desembaçadores de vidros traseiros de carros. Na parede em que será instalado o espelho, é colada uma “manta” isolante e sobre ela instalado o desembaçador de espelho, fazendo com que o calor seja transferido para o espelho propriamente dito que, ao ser levemente aquecido, impede que as gotículas de vapor proveniente do chuveiro fiquem depositadas no espelho. O consumo do desembaçador de espelho varia de acordo de grandeza, cada película pode variar de 30W e 80W. Existem modelos com tensão de alimentação em 127V ou 220V. Em residências que não possuem automação,

os desembaçadores de espelhos são comumente ligados em paralelo com a

iluminação que fica sobre a pia (também conhecida com luz de camarim), pois, dessa forma, será possível saber quando o desembaçador de espelho está ligado, evitando assim que ele fique funcionando desnecessariamente. Quando integrado a um sistema de automação, através de uma saída a relé (on/ off), o

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desembaçador pode ser programado para ficar ligado por um determinado período de tempo (equivalente ao tempo de banho). Dessa forma, ele será desligado automaticamente após esse período de tempo, basicamente seria a função monoestável de um temporizador.

Outro equipamento interessante é o aquecedor de toalhas, muito utilizado em regiões de clima úmido, além de hotéis onde os banheiros, que não possuam vitrôs externos, mesmo com a exaustão forçada, acabam ficando mais úmidos. O aquecedor de toalhas consiste em um suporte com uma resistência elétrica interna que, ao ser ligado, aquece a toalha, eliminando, assim, a sua umidade.

As lâmpadas de cromoterapia são muito utilizadas sobre banheiras e SPAs para proporcionar relaxamento. Há alguns anos, utilizavam-se lâmpadas na cor azul. Atualmente, devido à popularização das lâmpadas RGB (diversas cores), estas vem sem utilizadas em aplicações de cromoterapia e muitas já possuem um controle remoto próprio para ligar/ desligar e alterar as cores/ efeitos produzidos pela lâmpada.

A integração com um sistema de automação agregará valor no quesito de operação remota, ou seja, será possível preparar antecipadamente o banho do morador, antes mesmo da sua chegada à residência.

Para exemplificar como uma banheira pode ser automatizada, algumas rotinas devem ser implementadas como, por exemplo, o “ciclo de encher e aquecer a banheira” e o “ciclo de esvaziar a banheira”.

Um roteiro de comandos para o ciclo “encher e aquecer a banheira” seria:

Fechar a válvula solenoide do “dreno” (saída de água);

Abrir a válvula solenoide da “bica” (entrada de água);

Aguardar o sinal de “nível mínimo” (segurança da moto-bomba);

Aguardar mais um minuto para garantir o completo enchimento da banheira;

Fechar a válvula solenoide da “bica” (entrada de água);

Enviar o comando para ligar a moto-bomba e aquecer a água.

Um roteiro de comandos para o ciclo “esvaziar a banheira” seria:

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Enviar comando para desligar a moto-bomba;

Abrir a válvula solenoide do “dreno” (saída de água);

Aguardar o tempo necessário para o completo esvaziamento da banheira;

Fechar a válvula solenoide do “dreno” (saída de água).

Com o intuito de preservar a integridade da resistência elétrica do aquecedor, muitos fabricantes utilizam como padrão que, após o comando para desligar a moto-bomba, esta não seja desligada imediatamente. Dessa forma, desliga-se o aquecimento, mas mantém-se a água fria circulando pela resistência elétrica por mais alguns segundos. Com isso, resfria-se a resistência elétrica do aquecedor antes do seu desligamento. Isso é feito de forma automática e independente do controlador de automação residencial

2.10. Piscinas e SPAs

Os controladores para o tratamento de agua de piscinas são sistemas considerados totalmente autônomos, pois eles têm a capacidade de executar os ciclos de filtragens diárias e/ou aquecimento de forma automação residencial são efetivamente viáveis. Um cuidado que deve ser levado em consideração quando se pensa em automação de piscinas é que, por princípio de controle de bomba, só se pode implementar o comando sobre esta se houver registro fechado! A tubulação seria completamente danificada! Para tal implementação, seria necessária a substituição desses registros por válvulas solenoides (comando elétrico). Como o diâmetro dessas tubulações e, consequentemente, desses registros é grande, o custo dessas válvulas solenoides seria proibitivo para uma aplicação residencial.

Entretanto, equipamentos periféricos como cascatas, jatos e iluminação interna podem ser integrados aos sistemas de automação residencial e podem produzir efeitos interessantes na criação de um determinado cenário.

Existem sistemas que são capazes de detectar a queda na agua de uma massa de poucos quilos e gerar tanto um alarme sonoro como o acionamento de um relé (contato seco) para ser integrado com um sistema de automação. Nesse caso, o sistema de automação residencial poderá se for à noite, acender

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automaticamente toda a iluminação externa da piscina e enviar avisos do tipo SMS ou e-mail para os moradores sobre tal ocorrência.

Temos também as chamadas banheiras SPAs ou simplesmente SPAs, que tem uma finalidade mais coletiva, atendendo a toda a família e amigos. Já as banheiras de hidromassagem convencionais têm uma finalidade mais particular, atendendo a só uma pessoa ou a um casal. As SPAs são normalmente instaladas nos banheiros. As SPAs são mais sofisticadas e mais bem equipadas que as banheiras de hidromassagem. Em uma SPA existem inúmeros dispositivos diferentes para a hidromassagem e em grande quantidade, além de possuírem equipamentos como filtros de água, mini cascatas, iluminação de cromoterapia, sonorização, etc.

2.11. Aquecimento Solar

Basicamente, o sistema de aquecimento solar de água é composto por placas coletoras que ficam expostas ao sol e por onde a água fria entra, circula internamente e sai aquecida. A água quente é então armazenada em um reservatório térmico denominado loiver (caldeira) que possui um isolante térmico para manter a água aquecida por um longo período de tempo.

Quando há a possibilidade de fazer a instalação da caixa d’água e do boiler em uma posição acima das placas coletoras, a água circula automaticamente pela tubulação devido ao efeito denominado “termo sifão”. Quando não há essa possibilidade, por exemplo, em telhados onde a altura interna é muito próxima à laje, faz-se necessária então a instalação de uma bomba de circulação para fazer essa função. É necessária também a instalação de um equipamento chamado “vaso expansor” cuja função é controlar a pressão interna da tubulação.

Em regiões muito frias, onde há a ocorrência de geadas ou temperaturas muito baixas, é necessária a instalação de um equipamento chamado “válvula anticongelamento” cuja função é impedir a entrada de agua nas placas coletoras e prevenir danos por congelamento. Embora a válvula deva ficar sempre energizada, ela não consome energia, pois só é acionada quando a temperatura fica abaixo de 5ºC (termostato).

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Quando ocorrem vários dias nublados consecutivos, deve-se manter a água aquecida dentro do boiler a fim de não comprometer o uso de água quente pelos moradores. Internamente o boiler possui uma ou mais resistências elétricas que serão acionadas por um termostato quando a sua temperatura interna estiver abaixo de um valor pré-estabelecido. Essas resistências elétricas são conhecidas como o “apoio elétrico do boiler” e possuem potência que variam de 1.500W a 3.500W. Embora o sistema seja automático, devido à potência da resistência elétrica ser elevada, não se aconselha que seja mantida ligada, justamente para evitar que seu acionamento ocorra em momentos quando não há a necessidade de produção de água quente.

Para otimizar o sistema, é possível a instalação de um equipamento denominado “programador horário” que, por meio de uma contatora instalada em série com o circulo de alimentação do apoio elétrico do boiler, irá habilitar/desabilitando o apoio elétrico do boiler em horários pré-determinados.

Os principais componentes de um sistema de aquecimento solar são: Coletores Solares, Boiler, Apoio elétrico do boiler (resistência elétrica), Válvula anticongelamento, Bomba de circulação, Vaso expansor e Programador horário.

2.12. Irrigação de Jardim

Um sistema de irrigação é composto por diversos elementos que irão garantir a rega contínua de uma determinada área externa (jardim) que pode envolver gramados, árvores, vasos de plantas, etc. Em sistemas de irrigação residenciais, dependendo da pressão de água proveniente da concessionária, poderá ou não ser necessária à instalação de uma moto-bomba para aumentar a pressão na tubulação e proporcionar o correto funcionamento de rotores e aspersores de irrigação.

Para otimizar o uso da pressão hidráulica proveniente da concessionaria de água, é usual dividir a instalação em “zonas de irrigação” que serão acionadas individualmente. Outra vantagem dessa prática é o fato de que determinadas áreas do jardim necessitarão de mais ou menos volume de água para cada rega (tempos de rega distintos). Por exemplo, uma zona de irrigação para

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gotejamento de vasos necessitará ser mantida mais tempo ligada do que para um gramado. O acionamento dessas zonas de irrigação se dará por meio da instalação de válvulas solenoides na tubulação de cada circuito de irrigação. Essas válvulas são especificas para sistemas de irrigação, pois operam em baixa tensão (24V) e possuem manípulo para a operação manual. Os comandos elétricos efetuados nas válvulas solenoides (abertura/fechamento) irão acionar por força hidráulica os rotores, aspersores e sistemas de gotejamento de vasos.

Outro ponto importante é a instalação de sensores de umidade do solo ou de chuva para monitorar a necessidade ou não de se efetuar a rega. No caso de sensores de chuva, em um primeiro momento seriámos tentados a instala-lo no telhado, ou seja, no ponto mais alto da residência. Entretanto, esse tipo de sensor é acionado pela presença de um determinado volume de água que entra no sensor (copinho) e que aciona um contato seco. A saída dessa água do interior do sensor é feita por evaporação, ou seja, se o sensor estiver instalado no telhado onde o nível de insolação é elevado, ele será desacionado precocemente e poderá não refletir o mesmo nível de insolação recebido pelas plantas do jardim. Dessa forma, é recomendado que o sensor de chuva seja instalado em um local mais próximo possível do próprio jardim.

A lógica de funcionamento de um controle de irrigação é muito simples. Em horários pré-determinados (preferencialmente em um horário em que não haja nenhuma atividade dos moradores), o sistema irá ler o status do sensor de chuva. Caso ele esteja ativado, ou seja, ocorreu chuva anteriormente, o jardim não será irrigado. Caso ele esteja desativado, o sistema iniciará os ciclos de rega de cada zona de irrigação, conforme a programação pré-estabelecida no controlador.

Os controles para irrigação são sistemas considerados autônomos, pois eles têm a capacidade de executar os ciclos de regas diárias de forma automática e programável. Entretanto, nada impediria que essas funcionalidades fossem implementadas em um sistema de automação residencial. Porem, devido ao custo relativamente baixo dos controladores de irrigação, esse custo utilizando módulos de automação residencial seria comercialmente inviável.

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Os principais componentes de um sistema de irrigação de jardim são: válvulas solenoides, Sensor de chuva, Sensor de umidade de solo, Roores, Aspersores, Gotejamento de vasos e Controladores.

2.13. Aspiração Central

Os sistemas de aspiração central são constituídos por uma infraestrutura de tubos de PVC instalados em determinados ambientes da residência e que serão interligados até a um local escolhido, normalmente uma área de serviço, onde será instalada a máquina de aspiração.

Para fazer a limpeza do ambiente (aspiração), basta conectar a mangueira de aspiração no ponto de sucção que, por um contato elétrico, o sistema será ligado automaticamente. Dessa forma, o pó recolhido fica afastado das pessoas, pois será coletado no equipamento central.

Esses sistemas devem ser considerados ainda na fase de projeto de uma obra nova ou e forma em que possa haver um grande grau de interferência para que seja possível a passagem de toda a tubulação.

Os sistemas de aspiração central são considerados sistemas totalmente autônomos, pois, a princípio, não há nenhuma funcionalidade que possa ser integrada a um sistema de automação residencial. Contudo, os sistemas de aspiração central vêm obtendo um crescimento significativo no mercado de novas residências porque eles apresentam uma excelente relação custo- benefício para os futuros moradores.

Os principais componentes de um sistema de aspiração central são: Central de aspiração, Pá automática, Mangueira de aspiração e Tomada de aspiração.

3. INTEGRAÇÃO COM SISTEMAS DE SEGURANÇA

3.1. Central de Alarme

As centrais de alarme são equipamentos eletrônicos desenvolvidos com funções específicas para a área de segurança eletrônica. Elas possuem

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entradas exclusivas para sensores magnéticos de portas e janelas, sensores de movimento, quebra de vidro, sabotagem da sirene, etc., e, ainda, os principais protocolos de comunicação utilizados pelas centrais de monitoramento. Trata-se de um hardware dedicado para essa aplicação e fornecido a um custo relativamente baixo se comparado com uma central de automação.

Embora tecnicamente seja possível desenvolver funções de uma central de alarme em uma central de automação, não é uma solução usual, pois os custos envolvidos tanto dos equipamentos de automação como o dos serviços de engenharia seriam proibitivos.

Assim, as interfaces entre as centrais de alarme e as centrais de automação (integração de sistemas) são feitas por meio de trocas de sinais entre as saídas PGM (programáveis) das centrais de alarme e as entradas digitais da central de automação. Em alguns casos faz-se necessária a utilização de relés de interface para propiciar á central de automação um sinal do tipo “contato seco”, uma vez que muitas centrais de alarme possuem saídas “em coletor aberto (a transistor).

Usualmente são utilizados sinais de status da central de alarme como “armado/desarmado” e “disparado/normalizado” para fazer com que a central de automação envie mensagens aos moradores via SMS e/ou e-mail.

Com a integração desses sistemas, consegue-se aumentar a eficácia dos sistemas de segurança eletrônica. Por exemplo, além da central de automação fornecer a possibilidade de enviar um comando remoto (via Smartphone ou Tablet) para armar/desarmar a central de alarme, pode-se ligar toda a iluminação externa da casa quando ocorrer um disparo do alarme, além de poder enviar mensagens via SMS e/ou e-mail aos moradores.

3.2. Proteção Perimetral

Os sistemas de proteção perimetral são baseados em duas tecnologias: uso de centrais de choque com hastes e arames, e as centrais com sensores de infravermelho (barreira eletrônica).

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Em ambos os casos podemos fazer a integração entre os sistemas de proteção perimetral e os sistemas de automação residencial da mesma maneira como mostrada para as centrais de alarme. Dessa forma, consegue-se aumentar a eficácia desses sistemas com funções análogas àquelas desenvolvidas com as centrais de alarme.

3.3. Sinais de Emergência e de Pânico

O sinal de emergência é um recurso que pode ser gerado por uma central de automação ou por um sistema dedicado cujo objetivo é informar a uma pessoa que esteja fora da residência naquele momento que houve alguma emergência médica dentro da residência. Por exemplo, a queda de um idoso em um banheiro pode ser detectada por meio de uma pulseira especial (tipo relógio) que monitora variações bruscas de aceleração (acelerômetro) indicando a ocorrência do mal súbito daquele indivíduo.

Já o sinal de pânico é um recurso que pode ser gerado por uma central de automação ou por uma central de alarme. Entretanto, nesse caso, o objetivo será informas a uma central de monitoramento (através de uma comunicação via linha telefônica, celular ou internet) ou ainda uma pessoa que esteja fora da residência (através de mensagens SMS ou e-mail) que está ocorrendo um assalto ou uma situação de pânico dentro da residência.

Pode-se programar para que qualquer tipo de interface (pulsador, keypad, touch screen, tablete, smartphone, etc.), possa gerar o sinal de pânico e alertar o “mundo” externo sobre tal ocorrência. Por exemplo, pode-se programar para que o mesmo pulsador que liga/desliga uma zona de iluminação possa gerar o sinal de pânico quando este for mantido pressionado por mais de cinco segundos. É importante lembrar que essa técnica só será possível para pulsadores que comandam zonas de iluminação dimerizadas é necessário manter o pulsador pressionado por mais tempo a fim de efetuar a dimerização das lâmpadas.

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3.4. CFTV (Circuito Fechado de Televisão)

Os sistemas de CFTV (Circuito Fechado de Televisão) são constituídos por um conjunto de câmeras instaladas estrategicamente nos ambientes da residência, em que suas imagens serão mostradas em um monitor de segurança ou, ainda, terão seus sinais modulados em um ou mais canais de televisão específicos, possibilitando a visualização em qualquer televisor da residência.

Além de coibirem a ação de bandidos em roubos e assaltos, os sistemas de CFTV também são muito utilizados para o monitoramento de funcionários domésticos como babás, faxineiras, cuidadores de idosos, etc. de forma a garantir que nenhum abuso seja praticado por esses profissionais. Entretanto, a eficácia desses sistemas é sensivelmente reduzida se as imagens geradas pelas câmeras não forem devidamente gravadas e armazenadas para permitir uma futura consulta. Para tal, devem ser utilizados gravadores de imagens que permitirão recuperar tais imagens e, consequentemente, visualizar os fatos ocorridos.

Os gravadores de imagens ou DVR (Digital Video Recorder) são equipamentos que recebem os sinais de todas as câmeras instaladas na residência. Dessa forma, o DVR passará a gravar todas as imagens geradas pelas câmeras por um determinado período de tempo (dias) sendo esse período diretamente proporcional à capacidade do disco rígido (HD) instalado internamente no equipamento.

A capacidade de armazenamento está diretamente ligada à qualidade das imagens geradas: quanto maior for a resolução das câmeras maior será o tamanho dos arquivos gerados. Outro fator importante é a forma como essas imagens serão gravadas, ou seja, pode-se gravar de forma contínua (mesmo quando a imagem permanecer estática), ocasionando um maior consumo de disco rígido, ou através da detecção de movimento, em que só ocorrerá a gravação enquanto estiverem ocorrendo alterações na imagem, reduzindo drasticamente o consumo de disco rígido.

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Outra função importante do DVR é a possibilidade de tornarem disponíveis as imagens para a visualização rêmora através da internet, utilizando-se computadores, tablets ou smartphones. Com isso é possível monitorar remotamente e em tempo real tudo o que está ocorrendo na residência, gerando bastante segurança para o morador quando este estiver ausente.

Grande parte dos atuais equipamentos de mercado oferece a possibilidade de integração com sistemas de automação. Tal integração é feita utilizando as entradas e saídas digitais presentes nesses gravadores. Através de uma saída (relé) do DVR é possível, por exemplo, monitorar a posição de um objeto presente em uma imagem (marcação de uma área específica na tela) e, ao ser detectado o movimento, o DVR irá acionar a saída, informando ao sistema de automação essa ocorrência e este irá ligar a iluminação do ambiente violado e enviar aos moradores mensagens via SMS e/ou e-mail.

Outra aplicação interessante é fazer com que o sistema de automação residencial avise através de uma saída (relé) a ocorrência de um disparo de alarme ou em uma situação de pânico na residência. Assim sendo, o DVR recebe este sinal por uma entrada específica e registra imediatamente (através de fotos) as imagens das câmeras no momento da ocorrência, enviando essas fotos para o e-mail do morador.

Atualmente, os gravadores de imagem têm-se popularizado bastante, principalmente em aplicações residências, pois o seu preço está cada vez mais acessível, o que viabiliza a sua instalação e agrega valor aos sistemas de CFTV.

3.5. Controle de Acesso

Os sistemas de controle de acesso para residências, em sua grande maioria, são sistemas autônomos (stand-alone), ou seja, a identificação do morador é feita por meio de um dispositivo de identificação que acionará uma fechadura elétrica, liberando o acesso. Os dispositivos de identificação utilizados em residências podem ser mais simples aos mais complexos. Eles podem ir desde um controle remoto para a abertura da garagem, passando por um teclado por

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senha, até a um equipamento de identificação biométrica (digital, íris, facial e etc). A ordem de grandeza dos preços desses sistemas é diretamente proporcional ao seu grau de complexidade.

Existem diversos tipos de fechaduras para aplicações residenciais. Cada tipo de fechadura possui suas vantagens e desvantagens em relação as demais. Portanto, a escolha da fechadura dependerá da necessidade, a do tipo strike, por exemplo, são as mais utilizadas em portões e portas de acesso.

Em

relação

ao

tipo

de

abertura/fechamento

de

portões

de

garagem,

basicamente

existem

três

modelos:

portões

pivotantes,

deslizantes

e

basculantes.

 

No entanto, todos esses portões são acionados por motores que possuem seus próprios controladores (sistemas autônomos). Tais controladores já possuem seu receptor interno e serão acionados via controle remoto sem fio, em que o mesmo botão efetua os comandos para abrir/parar/fechar o portão. A grande maioria desses controladores possui uma entrada que permite o acionamento via uma botoeira externa. Com isso, abre-se a possibilidade de conectar a este ponto um contado de relé do módulo de saída de um sistema de automação (pulsos), permitindo, dessa forma, integrar os sistemas e efetuar comandos remotamente.

É aconselhável a instalação de um sensor magnético no portão para que o sistema de automação possa verificar se o portão está aberto ou fechado, evitando que fique aberto de forma inadvertida quando operado remotamente. Outra aplicação para esse sensor é a criação de cenários de iluminação na garagem no momento da abertura do portão e a programação do desligamento automático da iluminação após um determinado período de tempo.

4. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS RESIDENCIAIS AUTOMATIZADAS

4.1. Cargas automatizadas

As cargas automatizadas representam todos os equipamentos que serão automatizados na residência, por exemplo:

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Iluminação (segundo um projeto luminotécnico);

Tomadas comandadas;

Venezianas, persianas e cortinas motorizadas;

Bombas de recalque, chafarizes, cascatas, etc.;

Ar-condicionado, ventiladores de teto, aquecedores de ambiente, lareiras elétricas, pisos aquecidos, desembaçadores de espelhos, etc.

4.2.

Acionamentos

Os acionamentos representam aqueles dispositivos que serão utilizados para comandar as cargas automatizadas, por exemplo:

Pulsadores;

Teclados (keypads);

Telas de toque (touch screen);

Celulares (SMS), Smartphones e Tablets (iPad/ iPhone, etc.);

Equipamentos de comandos por voz;

Sensores diversos como: gás, monóxidos de carbono, fumaça, inundação, crepuscular, chuva, velocidade do vento, temperatura, umidade relativa do ar, etc.

4.3.

Conceito de cenas e cenários

Uma cena ou um cenário e um conjunto de ações pré-determinadas que irão ocorrer de forma simultânea ou sequencial e que atuarão nos diversos sistemas instalados em uma residência. Uma cena ou um cenário pode ser acionado por qualquer dispositivo de interface, como um simples pulsador, um keypad, uma tela de toque, um SMS, um e-mail, um comando de voz, uma página da Internet, etc.

4.4. Utilização de tomadas comandadas

Outro conceito importante que quase sempre causa confusão entre os eletricistas são as famosas “tomadas comandadas”.

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Em projeto de automação residencial, muitas vezes são designadas algumas tomadas para algum tipo de controle específico, por exemplo, uma tomada designada especificamente para a ligação de um abajur em que poderá ser dimerizado e proporcionará um ambiente mais confortável. Pode-se prever uma tomada instalada na bancada da cozinha e que será utilizada para ligar e desligar uma cafeteria em horários pré-programados.

A confusão ocorre porque se utiliza o termo “tomada” para designar essa função e, mesmo sendo de fato montada em uma tomada convencional, ela não estará sempre energizada, pois dependerá de um controle, como um interruptor que liga/ desliga uma lâmpada. É como se fossemos instalar uma zona de iluminação em uma tomada convencional, só que nesse caso deve-se tomar o cuidado de utilizar o circuito específico de iluminação daquele ambiente, caso contrário podem-se observar ruídos provenientes de equipamentos ligados a esse circuito de tomadas convencional. Já no caso da utilização de uma tomada comandada para o acionamento de eletrodomésticos, como mencionado anteriormente, faz-se necessária a utilização do mesmo circuito elétrico designado para as tomadas daquele ambiente, também para se evitarem ruídos nos circuitos de iluminação.

4.5. Automação centralizada

Para um sistema centralizado, todos os retornos das cargas (lâmpadas, tomadas comandadas, cortinas, etc.) deverão ser levados para um quadro de automação.

Dependendo do tamanho da instalação, opta-se durante a fase de projeto, pela utilização de dois ou mais quadros de automação com o objetivo de reduzir a quantidade de cabos e infraestrutura a ser utilizada. Nesse caso, setorizar a instalação é uma boa prática, por exemplo, um quadro de automação atenderá as cargas do pavimento térreo e outro atenderá as cargas do pavimento superior.

Na instalação convencional o fio retorno da lâmpada deve ser levado até a caixa plástica embutida na alvenaria, abrigando o interruptor. Também deverá ser levado até a essa caixa o circuito (fase) de iluminação correspondente para

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esta zona de iluminação (uma ou mais lâmpadas). Esse circuito será fornecido pelo quadro de elétrica.

4.6. Automação distribuída

O conceito de automação distribuída pode ser definido quando os módulos que irão controlar as cargas são instalados junto aos acionamentos (dentro das caixas 4x2” ou 4x4” na parede)

Ou diretamente nas cargas (dentro das caixas ortogonais no teto). Nesse tipo de instalação, o comando aplicado à carga é feito localmente, ou seja, do acionamento para o módulo que controla a carga. Como não há a necessidade de um controlador central, isso proporciona uma maior “independência” no caso de falhas, pois se ocorrer um problema, este estaria restrito àquela carga (por exemplo, uma zona de iluminação) e não comprometeria as demais cargas automatizadas da instalação.

Os módulos locais (equipamentos controladores) são interligados, seja por um sistema com fio ou sem fio, e irão formar um sistema mais complexo que atenderá a toda a instalação. Dessa forma, será possível a criação de cenários que envolvam quaisquer módulos (cargas), proporcionando uma abrangência completa do sistema.

4.7. Controladores autônomos (stand alone)

Os controladores autônomos, também conhecidos como stand-alones, são controladores de pequeno porte cujo principal objetivo é automatizar um único ambiente. Normalmente, cada controlador atende entre 4 e 5 zonas de iluminação, podendo ter zonas dimerizadas convertidas para o acionamento de venezianas/ persianas/ cortinas elétricas. Possuem diversos tipos de interfaces de entrada como pulsadores, keypads e receptores de infravermelho para efetuar comandos através de um controle remoto. Alguns modelos são instalados na própria caixa 4x4” ou 4x8” com profundidade dupla. Esse tipo de instalação requer pouca alteração na fiação, pois os retornos das zonas já estão no ponto de instalação. Outra opção é a instalação sobre o forro de gesso, uma vez que a maioria dos retornos passa por esse espaço. Nesse caso, uma boa prática de instalação é posicionar o controlador próximo a uma

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caixa de som embutida no gesso para facilitar o acesso em uma futura manutenção.

Podem-se interligar vários controladores stand-alone para formar um sistema integrado. Nesse caso, o controle de toda automação será distribuído, pois não haverá um controlador principal do sistema. Esses controladores poderão ser interligados por cabos de comunicação de dados e instalados fisicamente distribuídos pelos ambientes da residência. Os controladores poderão ainda ser instalados concentrados dentro de um quadro de automação central, formando uma topologia física em estrela.

Os controladores stand-alone são a porta de entrada para os instaladores de sistemas de automação residencial, pois possuem preços mais acessíveis quando comparados a grandes centrais de automação residencial. Esses sistemas atendem a um grande público do mercado consumidor, em especial a aqueles clientes que desejam obter os benefícios da automação em apenas alguns ambientes da residência. Com a interligação de vários controladores stand-alone podem-se implantar sistemas de automação mais complexos.

4.8. Centrais de automação

As centrais de automação são controladores com capacidade para atender a uma maior quantidade de pontos de entrada e saída e, dessa forma, podem-se constituir sistemas complexos. A maioria das centrais de automação é baseada em soluções de hardware e programação proprietárias. Algumas centrais são baseadas em Controladores Lógico-Programáveis (CLP) que possuem alto grau de confiabilidade e grande capacidade de processamento. Possuem diversos tipos de interfaces de entrada como pulsadores, keypads e receptores de infravermelho para efetuar comandos por meio de controle remoto.

As centrais de automação são instaladas em um quadro de automação centralizado, para o qual todos os retornos das cargas são levados, formando uma topologia física em estrela. De acordo com o projeto, pode-se dividir a instalação em dois ou mais quadros de automação que serão interligados por um cabo de comunicação de dados. Por exemplo, pode-se instalar um quadro de automação para atender o pavimento inferior e outro para atender o

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pavimento superior, o que reduz bastante a infraestrutura e os cabos utilizados na instalação.

As centrais de automação são normalmente utilizadas para instalações maiores e com maior grau de complexidade. Quando utilizadas em instalações de pequeno porte apresentam preços mais elevados quando comparados aos controladores stand-alone e aos sistemas sem fio. Contudo, na medida em que a quantidade de pontos de entrada e saída aumenta o custo do processador central vai sendo diluído, tornando o sistema financeiramente mais vantajoso

em

relação aos sistemas stand-alone distribuídos.

5.

PROJETO INTEGRADO DE INFRAESTRUTURA

5.1. O que é um projeto integrado?

Em um projeto convencional de uma edificação, a disciplina de engenharia elétrica é responsável pelo projeto de instalações elétricas. Em uma visão simplista, durante muitos anos esse projeto se limitava a definir os circuitos de tomadas e de iluminação da casa, cuidando também da proteção desses circuitos.

As notáveis mudanças tecnológicas, principalmente da virada dos anos 90,

passaram a exigir um projeto muito mais completo, incluindo novas disciplinas.

O grande salto nas telecomunicações na área de segurança e de

entretenimento domésticos esta levando algum tempo para se incorporar aos

novos projetos. E, quando isso acontece, muitas vezes temos projetos fragmentados, incompletos e, até mesmo, redundantes.

Isso porque, em vez de um único especialista cuidar de todo o projeto, surgiram profissionais de áreas emergentes interferindo nos projetos originais para agregar a eles as suas necessidades.

Para mudar este panorama, surgiu a integração de projetos. Basicamente, trata-se de consolidar e compatibilizar em um único formato os projetos das diversas disciplinas, observando parâmetros de máximo desempenho. Não se esta descartando a importante contribuição dos especialistas de cada área,

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mas argumentando sobre a necessidade crescente da participação de um profissional que se encarregue de promover esta integração.

Assim, um projeto integrado deve levar em conta os seguintes sistemas:

Automação da instalação elétrica (complementos ao projeto elétrico)

Telecomunicações (dados/voz/imagem)

Segurança eletrônica

Áudio e vídeo

Climatização

Utilidades (bombas, irrigação, aquecimento de água e outros)

Existe um conjunto de projetos elaborados primeiramente, fundamentais para dar início ao processo de construção de uma residência. São eles:

Arquitetura

Estrutura e fundações

Instalações elétricas e hidráulicas

Aqui na fase de planejamento podem surgir os projetos auxiliares, cujos principais exemplos seriam:

Decoração de interiores (layout de mobiliário)

Luminotécnico

Climatização

Segurança

O

ideal seria começar um projeto integrado somente quando esse conjunto de

projetos já estivesse disponível.

5.2.

Pré-automação

Uma alternativa de projeto em algumas situações específicas é a chamada pré-automação”. Esse conceito implica traça um projeto de infraestrutura que pode ser utilizada a qualquer momento para automatizar parcial ou totalmente

a residência, mas em um primeiro momento receberá uma instalação mais universal.

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O projeto de pré-automação segue os mesmos parâmetros de um projeto com

central de automação, mas não irá adotar, a principio, equipamentos com inteligência” que aceitem programações. No luar desses módulos de automação serão utilizados relés de impulso, que de um lado estarão conectados aos “retornos” das cargas e do outro estarão ligados a botões pulsadores. A ligação entre pulsadores e relés será feita por meio de cabos que possuem bitola de 0.5 mm², e atendem à Norma NBR-5410 no quesito “cabos de controle”. O acionamento de um pulsador fará com que p relé ligue ou desligue a respectiva carga.

As vantagens de implantar um projeto de pré-automação podem ser resumidas

como:

Instalação simples e utilização de cabeamento, comandos e quadros que serão mantidos mesmo que o futuro usuário opte pela implantação total de automação na residência.

Facilidade em modificar acionamentos tipo “paralelos” ou “intermediários” por meio de uma simples manobra no quadro central, sem necessidade de intervenção na fiação ou em conduítes existentes.

Possibilidade de instalar alguns controlares básicos como temporizadores ou dimmers aproveitando também a mesma infraestrutura.

6.

INTERFACES PARA USUÁRIOS

Normalmente, em uma mesma residência habitam diversos moradores, com idades e características pessoais diferentes no que tange à facilidade de interagir com a tecnologia. Além disso, existem usuários em tempo parcial (hospedes alguns prestadores de serviço, por exemplo).

Por isso, em um projeto de automação bem desenvolvido pode ser necessária

a utilização de diferentes interfaces para atender a essa diversidade entre os moradores e os usuários.

6.1.

Pulsador

Provavelmente, a interface mais simples que podemos considerar é um pulsador, substituído um tradicional interruptor e, externamente, mantendo a

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mesma aparência. É que o pulsador consegue evitar um comando, mesmo que simples, a um processor que, por sua vez, executa uma função pré- programada. Dessa maneira, um simples oque do usuário em um pulsador pode desencadear um a função complexa, desde que esse seja o seu desejo e tenha sido assim programada.

Em determinadas situações, essa interface, tão simples, pode ser a melhor alternativa a ser utilizada, dada a sua intuitividade de uso. Comandos do tipo “desligar tudo” ao sair de casa ou deixar a casa no “modo viagem” são exemplos desse uso.

6.2. Keypad

Uma extensão do conceito de pulsador são os chamados “painéis ou teclados inteligentes” ou, mais comumente, kaypads. Por definição, um keypad agrupa diversos botões pulsadores em um teclado múltiplo, e cada botão pode ser programado com diferentes funções. Esses keypads normalmente contem um circuito eletrônico possibilitando que cada botão ao ser acionado emita um sinal de código diferenciado. Assim, em um mesmo kaypad podemos, por exemplo, comandar luzes de um ambiente de forma individual e utilizar outro grupo de botões para executar cenários mais complexos, inclusive envolvendo outros ambientes.

Os formatos e o design destes kaypads variam muito, pois cada fabricante desenvolve o seu produto de forma proprietária. Podemos ter modelos com visor de cristal liquido ou telas de toque que multiplicam ainda mais a quantidade de acionamentos possíveis em um formato padrão simples (4x2” ou

4x4”).

6.3. Controle remoto universal

Talvez a interface que mais seja associada à automação residencial seja o controle remoto universal. Isso porque o próprio conceito de integração de sistemas sugere uma diversidade de controles específicos que, uma vez considerados em conjunto, mostram-se excessivos, redundante e de difícil assimilação pelo usuário. Assim, é normal que o usuário final anseie por um único controle, de preferencia móvel, que lhe permita não só comandar

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individualmente cada um dos subsistemas, mas também executar comandos complexos envolvendo todas as possibilidades.

Existem controles universais simples com teclas. No entanto, ficam difíceis de utilizar por serem pouco intuitivos. Assim, os controles que utilizam telas de toque (touch screen) e ícones gráficos se tornaram a interface mais adequada para sistemas integrados.

Os mais eficientes utilizam, além da transmissão por infravermelho (com a maioria dos aparelhos domésticos), também a transmissão por radiofrequência, ampliando em muito o raio de alcance dos comandos e permitindo “esconder” parte dos equipamentos a serem controlados. Geralmente, esses controles também utilizam protocolos de transmissão proprietários de seus fabricantes, o que obriga ao integrador escolher uma plataforma e utiliza-la na integração, o que é feito por meio do software disponível pelo mesmo fabricante.

Com o advento de equipamentos móveis mais completos, o uso desses controles universais proprietários entrou em declínio, pois os novos modelos os substituem com amplas vantagens, como veremos.

6.4. Tablet e Smartphone

Um desenvolvimento recente que tem mudado muito as tendências nessa área foi o surgimento dos smartphones e, em sequência, dos tablets. Com características similares às dos controles universais (uso de ícones e telas de toque), a utilização de aplicativos específicos possibilita criar também interfaces adaptadas aos sistemas de automação, potencializando o seu uso ainda mais.

Ou seja, esses equipamentos que já permitiam utilizar a rede sem fio da casa para acessar e navegar na internet, assistir a vídeos, ouvir músicas, manter agendas e se comunicar, passam a ser também controles universais dos equipamentos domésticos. Tudo isso sem comprometer a mobilidade, garantida pela cobertura da rede sem fio da resistência. Os principais aplicativos atualmente em uso utilizam a plataforma do iPad da Apple ou Android, mas espera-se que na medida em que novas plataformas se tornem mais comercializadas, não faltarão aplicativos para se integrar com a automação residencial.

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6.5. Celular e SMS

Ainda podemos utilizar os telefones celulares, por meio de suas mensagens SMS< para acionamentos remotos de sistemas de automação domésticos. A transmissão pode ser tanto do usuário para a casa como vice-versa. Ou seja, a casa pode se comunicar enviando “torpedos” para seus moradores no caso de algum evento a ser notificado, assim como os usuários podem enviar comandos ou receber status de situações ocorrentes em suas residências. Mais uma vez, esse tipo de interface deve se escolhida pelo integrador desde que faça sentido seu uso pelo morador nas circunstancias previstas.

6.6. Outras interfaces

Menos comum, no entanto, viável tecnologicamente, pode ser a utilização de um PC ou notebook como interface para sistemas de automação residencial. Destina-se a usuários mais avançados que pretendem modificar e/ou atualizar sistematicamente sua programação e essa interface se mostra bastante conveniente para tal aplicação.

6.7. Aplicações especiais de automação residencial

Ao tratarmos do tema “interfaces”, podemos constatar o alcance dos benefícios da automação residencial em situações especiais como lidar com portadores de deficiências, idosos e necessitados de cuidados especiais.

Projetar e edificar casas “inclusivas” é uma tendência irreversível. Ao lado de padrões de sustentabilidade, aliados tanto à questão dos materiais utilizados como à da eficiência energética, a acessibilidade no decorrer de toda a vida útil da casa deve ser um recurso previsto desde o seu projeto. Por se tratar de um bem de uso contínuo e por longo prazo, ode casa deve possibilitar que seus moradores a utilizem durante toda a sua vida, nas mais variadas condições físicas e de saúde, independente de sua faixa etária.

Sistemas que utilizam botões de pânicos podem indicar que um morado corre perigo, seja por ter sofrido um mal súbito, uma quadra ou qualquer situação atípica. Esse acionamento de pânico pode ser feito em qualquer pulsador comum da casa quando pressionado por um tempo maior ou por dispositivos

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moveis, como pulseiras que emitem sinais de radio e se comunicam com sistemas instalados na casa. A partir do recebimento de um alarme desse tipo, além de comunicar o evento aos interessados, o sistema de automação local pode acionar determinados equipamentos ou executar comandos compatíveis com a situação.

6.8. Monitoramento Remoto

Os domínios da automação estão sendo alargados para fora dos muros da residência, e agora o morador pode não só se locomover pela casa sem perder

o comando de seus equipamentos e sistemas, mas agora pode também fazer

isso a distância, utilizando a internet para receber e enviar informações a sua

moradia.

7. PROCESSOS EM EDIFICIOS COM ALTA TECNOLOGIA

7.1.

Projeto

A grande maioria dos exemplos mundiais dos edifícios com alta tecnologia se

destaca pela integração dos vários sistemas de instalações a uma arquitetura

vistosa no aspecto estético. Mas, acima de tudo, bem projetada na forma e funções que desempenha. Eventuais desajustes, geralmente, residem na falta de integração entre quem produz, quem projeta e quem instala.

Nos projetos de edifícios com alta tecnologia, aspectos como: acabamentos, revestimentos, esquadrias, distribuição de energia, hidráulica, iluminação, condicionamento ambiental, entre outros, tornam-se elementos definidores da eficiência destes edifícios.

Para compor um edifício com alta tecnologia é necessário partir de um projeto que especifique produtos adequados e que favoreçam uma construção funcional, principalmente quanto a flexibilidade, segurança, economia de energia e integração dos diversos recursos.

Para tanto, devem ser considerados no projeto alguns conceitos como:

projeto arquitetônico:

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a) fachadas de grande impacto visual e melhor desempenho térmico com:

vidros refletidos e semi-reflexivos redutores de energia, aplicações de pedras e revestimentos e sanduiches de granito/ alumínio/ tela de polietileno;

b) pré-lajes e lajes planas protendidas;

c) estruturas de concreto pré-fabricado que começam a viabilizar estruturas competitivas em custo de qualidade nitidamente superior;

d) edificações em aço de montagem naturalmente racionalizada até

sistemas de pré-fabricados em aço que facilitam os encaixes;

e)

shafts maiores;

f)

pisos: elevados ou com pedras naturais como granito e mármore;

g)

forros modulares e removíveis deverão ser revistos os conceitos de modulação até agora adotados, em conjunto com os fornecedores de luminárias, para que mais combinações sejam possíveis, visando tornar os ambientes mais confortáveis tanto em termos de luminosidade quanto de conforto térmico e isolamento acústico;

h)

lâmpadas fluorescentes de última geração, com reatores eletrônicos - melhorando o desempenho energético dos sistemas de iluminação e evitando o efeito estroboscópio;

i)

o projeto deve valorizar o uso da luz natural, porem evitar que o calor excessivo invada e degrade o ambiente.

projeto do cabeamento:

j)

cabeamento under-carpet: sistema de distribuição de energia elétrica em fiação achatada que pode ser instalada sob carpetes e permite grande flexibilidade nas instalações;

k)

barramentos bus-way: sistema de distribuição elétrica em barramentos dispostos na horizontal e verticalização que facilitam a interligação das instalações;

l)

cabeamentos estruturado ou pré-cablagem: sistema pré-fabricado de distribuição de linhas telefônicas e de informática, previamente distribuído pela edificação.

atendimento às NB’ e NBR’s, a destacar:

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m) NBR9441/1993: sistema autônomo para detecção e alarme de incêndio;

n) NBR5410: instalações elétricas de baixa tensão.

Embora o custo da construção aumente cerca de 1 a 3%, ou o do cabeamento aumente de 30% a 40% em relação ao convencional, a pré-cablagem consiste num sistema capaz de proporcionar como vantagens: universidade, perenidade e flexibilidade aos usuários de sistemas de informática e de telefonia.

É um sistema de instalação que substitui com vantagens as fiações de todos os sistemas elétricos auxiliares ou de correntes fracas de um edifício. Isto devido ao fato da estrutura física da pré-cablagem permitir a adoção de qualquer tipo de arquitetura lógica, sem mudança física da cablagem, para poder atender às necessidades que surgirem, tanto da informática quanto da telefonia ou da automação.

Alguns dos sistemas de pré-cablagem de mercado mais difundidos são:

a) IBM Cabling System;

b) BULL Cabling System (BCS);

c) SYSTIMAX/PDS ( Premise Distribution System) - AT&T;

d) IBCS (Intergrated Building Cabling System).

Trabalhando preferencialmente com cabos de pares traçados e óticos - que garantem taxas de transmissão de 155 Mbps no ATM (Asynchronous Transfer Mode), COM QUEDA DE SINAL INFERIOR A 67 Db/Km o que permite comprimento de até uma centena de metros procurando utilizar conectores e tomadas terminais padrões de mercado RJ45 com adaptadores que atendem

a qualquer rede ou equipamento, facilmente encontráveis e procurando

trabalhar com piso técnico de perfil baixo, a pré-cablagem constitui-se hoje numa opção viável de projeto.

7.2. Processos em Automação Predial

A simples aplicação de computadores para o controle dos processos numa

edificação (Automação Predial) não garante por si só alcançar parte dos

objetivos a que se propõe um edifício automatizado.

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Segundo o Prof. Dr. Moacyr Alves da Graça, é necessário fazer-se uma

administração de complexidades, que envolve a necessidade de conhecimento

adequado do processo e a influência da automação no desempenho global,

assim como a melhor escolha entre as inúmeras técnicas digitais de controle e

otimização disponíveis.

Na caracterização dos principais processos e variáveis envolvidas por áreas,

temos:

a) Elétrica e iluminação: tensão, corrente, potência, distribuição;

b) Hidráulica: níveis, pressões, consumo de água;

c) Incêndio: estados de detectores, acionamento de sirenes;

d) Condicionamento ambiental: umidade, temperatura, termoacumulação

7.2.1. Elétrica/ Iluminação

Preocupações com:

a) Controle de demanda,

b) Controle do fator de potência,

c) Automatismo de partida de geradores e transformadores e transferência

de cargas,

d) Controle da iluminação,

e) Otimização do consumo por exemplo, programação horário.

As preocupações acima listadas levaram os sistemas de automação predial ou

sistemas específicos de controle de grandezas elétricas como, por exemplo,

de software cita-se ‘’Lascala’’ e ‘’Mscala’’ – a se interligarem para supervisionar

e controlar:

a) Transformadores;

b) Disjuntores de alta e baixa-tensão;

c) Quadros de alimentação de equipamentos;

d) Centrais de medição de grandezas elétricas;

e) Controladores de demanda:

Registradores Digitais de Tarifação Direcionada (RDTD);

Registradores Digitais de Média Tensão (RDMT);

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Registradores Digitais Eletrônicos (REP), que possuem canal serial de comunicação;

f) Controladores de fator de potência, que pela potaria DNAEE 085/92 de 26 de março de 1992 o fator de potêncial de referência indutivo e capacitivo das instalações elétricas consumidoras tem limite mínimo o valor 0,92;

g) No-break: alguns tendo microprocessadores em seu controle e comunicação serial:

h) Grupos geradores: geradores de energia autônomos, geralmente a óleo ou gás, que fornecem energia quando há queda no fornecimento. Podem ser utilizados também para ‘’abastecer’’ de energia durante os períodos de pico de consumo, de modo a permitir um contrato de demanda junto aos fornecedores de eletricidade.

Para permitir diminuir o consumo de energia junto a concessionária nos horários de ponta são utilizados nos edifícios com alta tecnologia diversos mecanismos, sendo os mais comumente encontrados: tanque de gelo ou piscina de água gelada no condicionamento ambienta (termoacumulação).

Devem ser destacados também como equipamentos dedicados ao setor elétrico os da empresa canadenses Power Measurement e similares que podem supervisionar linhas de tensão, detectando espúrios até a 64ª harmônica, constituindo-se, portanto, em analisadores de distorções, entre outras funções, como: medidor dos valores de tensão (V), corrente (I), potência (P), frequência (f) e fator de potência (cos).

Outra possibilidade será também a supervisão e o comando de reatores individualizadamente através de barramentos de campo ou fieldbus, com possibilidade de ‘’dimerização’’ individual de cada lâmpada, no caso das fluorescentes comuns a dimerização é possível na faixa de 50 a 100%.

Num exemplo típico de aplicação de sistemas de automação predial na área elétrica, os grupos motogeradores podem ter registrado seus estados e suas funções básicas controladas.

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O sistema de automação predial pode também controlar a Rejeição de Cargas de cada grupo, ou seja, selecionam-se cargas que deverão ser alimentadas pelos geradores, obedecendo a graus de prioridade pré-estabelecidos.

Nas subestações, primárias e secundárias, os equipamentos podem ter suas condições medidas (V,I e P) além de alarmes de queda de tensão, sobretensão e atuação de reles monitorados pela automação.

Os circuitos dos quadros de iluminação podem ser comandados em blocos para ligar/desligar através de Programação Horária instantes pré-definidos para ligamento/desligamento ou controle de demanda.

Em especial sobre a iluminação, responsável em média por 30 a 50% do consumo de energia nas edificações, existe a possibilidade de associar-se controles individualizados com sensores de presença. Outra possibilidade é o melhor aproveitamento da iluminação natural através da associação com sensores de luminosidade.

7.2.2. Hidráulica

Embora os automatismos existentes nas instalações hidráulicas das edificações estejam muito atrás dos equipamentos industriais, a necessidade de acompanhar-se o consumo de água levou à introdução de:

a) Medidores microprocessados de água;

b) Controladores microprocessados de bombas;

c) Controladores locais de qualidades da água.

Um sistema de automação, quando interligado a esses equipamentos ou mesmo boias, pode exercer uma monitoração de níveis de reservatórios e do consumo de águas.

Uma ideia poderá se tornar viável é retirar de conta de água servida (esgoto) da concessionária a parcela de água perdida nas torres de arrefecimento.

Porém, nesta área, mais importante ainda que a automação é a introdução de elementos de campo que ajudem diretamente a evitar desperdícios no uso, como, por exemplo válvulas sanitárias com volume controlado.

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Num exemplo típico de aplicação de sistemas de automação predial, este pode monitorar os níveis dos reservatórios e em função destes providenciar ou não o acionamento de bombas.

Poderá também gerenciar o consumo de água, identificando vazamentos e controlando a acumulação e o despejo de efluentes nas redes públicas, programando-o conforme horários pré-definidos.

O sistema de bombeamento também poderá ser monitorado e até características físico-químicas da água para já contam com sistemas de controle (controladores locais de qualidade da água).

7.2.3. Detecção e Alarme de Incêndio

A automação também se faz presente na prevenção do fogo através de sistemas completamente independentes por força de norma (NBR9441/1993), com centrais e repetidoras microprocessadas, ás quais se interligam detectores e acionadores manuais, automáticos ou endereçáveis e com possibilidade de ajuste do grau de sensibilidade do detector remontante.

Entre os principais detectores automáticos de incêndio podem ser citados os de fumaça (ópticos ou iônicos) - detectam a presença de particulado ou fuligem no ar -, os termovelocimétricos detectam gradiente de temperatura e os de chamada. Os sistemas convencionais preveem supervisão e controle sobre as bombas jockey (bomba secundárias de incêndio) e bomba de hidrantes (bomba principal).

Em substituição aos tradicionais painéis indicadores de incêndio, muitos sistemas com monitores coloridos exibem, além da identificação do alarme, plantas de localização deste e procedimentos aplicáveis, tais como o ramal do brigadista de incêndio daquele andar.

Num exemplo de aplicação de sistemas de automação interligados a sistemas de detecção e alarme de incêndio, através da indicação deste de principio de fogo em algum setor específico, é possível:

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a) Proceder-se à desenergização destes setores, impedindo que o ar-

condicionado ou curtos circuitos na rede elétrica alimentem ainda mais fogo;

b) Posicionarem-se os elevadores inicialmente no térreo ou ainda recomendado para fuga de eventuais ocupantes, posteriormente posicioná-los num possível andar imediatamente acima dos setores atingidos, evitando que o fogo se propague pelo fosso elevador;

c) Através de luminosos e indicadores, estabelecer-se rotas preferenciais de fuga - plano abandono do local de trabalho;

d) Proceder-se ao insuflamento de ar nas escadas de emergência, impedindo que estas sejam invadidas pela fumaça.

7.3.

Segurança

Será destacada em especial atenção os sistemas de segurança patrimonial:

a) Controle de Acesso

b) Sensoriamento Interno

c) Detecção Perimetral

7.3.1. Sistemas de Controle de Acesso

Pode-se usar a definição de que é “um processo que determina acesso ou não de um indivíduo a áreas ou objetos específicos, a identificação e o registro dos acessos”, para caracterizá-lo como sendo um processo complementar de elétrica, hidráulica, iluminação ou condicionamento ambiental, porém com características muito distintas.

Este sistema tem por objetivo por principal efetuar o controle eletrônico do movimento das pessoas funcionários e visitantes e dos veículos dentro das áreas estratégicas da edificação.

Como este sistema é possível exercerem-se os seguintes controles.

a) seletivo de entrada;

b) estatístico de movimentação;

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Os componentes básicos de um sistema de acesso são:

a) Cartões de identificação

b) Leitores e sensores: sendo as tecnologias mais empregadas nos cartões e leitores

Ótica: Holerite, Código de Barras, Memória Ótica e Infravermelho;

Magnética: Barium Ferrite, Matrix Magnética, Tarja Magnética e Wiegand;

Eletrônica: Proximidade (radiofrequência) e “smart cards” (Cartões Inteligentes)

Biométrica: Verificação de Retina, Identificação por Voz, Geometria da Mão, Impressões Digitais e Análise de Assinatura;

c) Dispositivos de bloqueio:

fechos eletromagnéticos;

minibloqueios com comando elétrico;

bloqueios com comando elétrico, mecânico ou ótico;

porta eclusa.

Num exemplo típico de aplicação de sistemas de automação são utilizadas unidades terminais remotas, cuja função é a distribuição pela edificação de leitoras e sensores e a interligação com os dispositivos de bloqueio, e softwares de controle de acesso que irão permitir a um operador cadastrar/retirar funcionários e visitantes, determinar em quais bloqueios estará habilitado a passar e quais não, entre outras funções. É também possível exportar dados de acesso para que outros softwares, tais como controle de ponto e controle de folha de pagamento, possam utilizá-los.

Associado ao sistema poderá haver, ainda, um controle que localize onde cada um dos ocupantes do edifício se encontra, garantindo também um desempenho mais eficaz de outras utilidades, como iluminação e condicionamento ambiental.

7.3.2. Sistema de Circuito Fechado de Televisão CFTV

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Através deste sistema é possível a monitoração constante de vastas áreas internas e externas ás edificações através de:

a) Câmeras CCD (Charge Couple Device), lentes auto-íris adequadas e movimentações:

horizontal (“pan”): até 355°;

vertical (“tilt”): até +- 80º;

zoom: 200%;

b) Transmissores/Receptores: quando sinais são modulados em RF, para fibra-ótica ou para linhas telefônicas;

c) Multiplexadores;

d) Cabo coaxial.

e) Controladores: dos movimentos e do chaveamento das câmeras dos monitores, alguns equipamentos são matrizes de comunicação permitindo ter-se a imagem de qualquer câmera em qualquer monitor;

f) Monitores de vídeo;

g) Gravador de vídeo: normalmente são utilizados modelos especiais de 720 e até 999 horas de gravação;

h) Outros periféricos: amplificadores de sinal e transmissores/receptores.

Num exemplo de aplicação de sistemas de automação integrando sistemas de controle de acesso e CFTV, uma câmera poderá ser instantaneamente posicionada para gravar a cena onde num controlador de acesso o usuário digita no teclado um código de coação.

Outro exemplo importante de aplicação de CFTV integrado ao controle, de acesso nas edificações está na gravação em fita cassete ou em meio digital dos documentos junto a foto do visitante com sua identificação automática; já existem softwares especiais para esta finalidade.

7.3.3. Sistema de Sensoriamento Interno

Para o sensoriamento de áreas internas à edificação, podem ser citados os seguintes sensores:

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a) magnéticos de abertura: normalmente utilizados em portas e janelas;

b) de vibração: normalmente utilizados em janelas, portas fortes ou paredes;

c) de quebra de vidro;

d) infravermelho passivo: normalmente utilizados para detecção de presença;

e) de micro-ondas.

7.3.4. Sistema de Detecção Perimetral

Para sensoriamento de áreas externas à edificação, podem ser citados os seguintes sensores:

a) infravermelho ativo;

b) de micro-ondas;

c) sísmico;

d) cabo microfônico;

e) cabo de radiofrequência.

Cada um deles tem sua aplicação específica, e tantos os internos quanto os externos podem ser monitorados por um sistema de automação que irá intertravá-los com o Sistema de Acesso e CFTV.

7.4. PROCESSOS COMPLEMENTARES

Sistemas tais como:

a) Sonorização Ambiental: anúncios acústicos; b) Transporte Vertical (Elevadores e Escadas Rolantes): com aprendizados no atendimento às chamadas, serviço VIP, direcionamento do fluxo de pessoas conforme as necessidades estratégicas do setor de segurança; c) Telefonia (PABX): localização de pessoas.

Podem ser citados, juntamente com algumas funções, por se constituírem em blocos que gradativamente estão se integrando à automação.

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8. Sistemas de Automação Predial

A Automação Predial prevê o gerenciamento dos processos de uma edificação. Onde o produto final devido á integração é superior á soma das possibilidades de controle dos componentes da edificação.

Nos últimos anos, aconteceram mudanças significativas na supervisão e controle predial devido alguns fatores, tais como: o crescimento da população, de riscos envolvidos e da área dos complexos, necessidade de redução de custos operacionais e otimização do uso de equipamentos.

Os problemas detectados eram grande número de painéis de controle e alarme, distância entre eles, desperdício de energia em iluminação, falta de otimização das máquinas e resfriamento de água, sistema de manutenção não eficiente que, portanto, implicava num custo operacional maior.

Assim, as principais funções da automação predial são: sistema de gestão que abrange a tele supervisão, controle da iluminação/quadros elétricos, da área de hidráulica e do condicionamento ambiental; segurança, através de controle de acesso e tele bloqueio, vídeo-observação, detecção de incêndios e sua extinção e problemas de falhas na energia; controle de energia com o ajuste automático dos equipamentos de iluminação em função da demanda; controle de estacionamento e do suprimento de água potável.

8.1. Funções de Gestão

Sistema capaz de decodificar as mensagens de sensores e exercer controle sobre atuadores, com ou sem a participação de seres humanos. Monitora o estado atual dos equipamentos, indicando se está ligado/desligado, verifica a posição da chave local para indicar se o equipamento pode ou não ser remotamente controlado, indica o desligamento/ ligamento por algum defeito ou falha. Possibilita o ligamento de equipamentos por horários pré-programados, calendários, eventos externos, indicando também através de arquivos históricos a totalização de horas de funcionamento, horas paradas ou consumo elétrico. Apresenta as informações provenientes dos diferentes processos controlados e supervisionados em quadros. Configura paramentos de pontos de controle através de interfaces gráficas.

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8.1.1. Funções de Segurança

Os sistemas de automação predial devem ser capazes de decodificar as mensagens dos sensores de presença, detectores de fumaça ou controladores de acesso, assim como posicionar câmaras de CFTV e acionar elementos indicativos de situações de alarmes, conforme será detalhado posteriormente, com ou sem a participação de seres humanos.

Para os equipamentos, o sistema é capaz de:

a)

Através do controle de acesso e tele bloqueio, permitir a entrada de pessoal e determinar sua rota através dos tele bloqueios.

b)

Para o sistema de detecção de fogo:

indicar o estado dos detectores e das linhas (redes de detectores);

indicar o estado das chaves de fluxo da rede de splinkers;

temporizar a ativação de alarmes em função de eventos associados a este sistema;

associar eventos com diagramas sinóticos e procedimentos automáticos, que irão disparar ações pré-programadas de apoio ao combate a incêndio.

c)

Através da segurança perimetral interna e externa, associar eventos a alarmes e a câmaras, para formar um registro histórico visual destes.

8.1.2. Funções de Controle da Energia

Os sistemas de automação predial devem ser capazes de oferecer uma efetiva otimização enérgica das instalações, pois além dos equipamentos melhor preparados energicamente, o sistema poderá oferecer:

a) controle de demanda: através do acompanhamento do consumo da edificação interfaceando com um REP ou através de quilowatímetros e atuando (desligando ou reposicionando seu set-point previamente definidos em uma ordem de prioridade). O sistema de automação poderá manter os gastos de energia dentro dos níveis das tarifações diferenciadas contratadas junto á concessionária pública;

b) controle do fator de potência;

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d) otimização do uso do ar exterior por entalpia;

e) pré-resfriamento matinal;

f) compensação por ar exterior;

g) compensação por cargas externas;

h) ciclo de equipamentos com compensação;

i) suplementação com energia proveniente de outra fonte, que não a concessionária; por exemplo: termo acumulação: tanques de gelo, piscinas de água gelada ou até aproveitamento de energia solar;

j) controle do consumo de vapor/gás em caldeiras;

k) problemas de falhas na energia podem ser tratados através de:

rejeição de cargas, com o sistema determinado quais cargas devem permanecer ligadas e quais não, para o caso de interrupção no fornecimento da concessionária e partida do gerador;

religamento escalonado, com o sistema determinado a ordem de ligamento das cargas para o caso de reestabelecimento da energia da concessionária, evitando-se picos de partidas de motores.

8.1.3. Funções Adicionais

Outras funções, tal como Controle do Estacionamento onde o sistema de automação pode contar os veículos de um conjunto de garagens associadas a um conjunto de passagens unidirecionais -, entre diversas outras que poderiam ser citadas, traçam uma amostra das funções que podem ser desempenhadas pelos sistemas de automação nos edifícios.

8.2. Arquiteturas de Sistemas de Automação Predial e Soluções no Mercado

Para que seja exercido todo este controle sobre os processos prediais, a eletrônica digital já está presente em controladores:

a) de partidas de geradores e transferência de carga;

b) de bombas e da qualidade da água;

c) centrais e repetidoras micro processadas de incêndio;

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e) de centrais de água gelada: unidades frigorígenas, torres de arrefecimento e circuitos primário e secundário de água gelada;

f) de fan-coils e dutos de vazão variável de ar (VAV);

g) de acesso;

h) de câmaras de CFTV;

i) sísmicos movimento;

j) de aparelhos domésticos: máquina de lavar roupa, louça, televisores e fax.

A

controladores.

automação

nas

edificações

vem

proporcionar

a

interação

desses

Estes controladores foram evoluindo no tempo, pois na história do controle dos computadores em “processos” pode ser mostrado que há a seguinte

cronologia:

D.D.C. (Direct Digital Control): onde todo o processo era controlado por um único computador;

S.P.C. (Set-Point Control): neste tipo de controle o computador envia set-points para os controladores e estes atuam no processo;

S.D.C.D. (Sistemas Digitais de Controle Distribuído).

Neste tipo de controle, os controladores têm um poder de processamento maior

e o controle fica distribuído no processo, apresentando maior flexibilidade, confiabilidade e podendo estar em aplicações mais complexas.

A maioria dos Sistemas de Automação de Edificações é baseada no S.D.C.D.,

porém, ao serem analisadas as soluções propostas ao mercado podem-se encontrar diferentes tecnologias.

Os sistemas baseiam-se em sua grande maioria em Unidades Terminais Remotas (UTR’s) com capacidades, modularidades, interfaces e protocolos muito diferentes, geralmente proprietários.

Porém, residem principalmente na área de origem do integrador ou do fornecedor da tecnologia sua maior especialidade as maiores diferenças.

55

Estão presentes no Brasil diferentes empresas, fornecendo soluções integradas; são apresentadas:

a) Soluções principalmente para o Condicionamento Ambiental;

b) Para Sistemas de Segurança: há empresas no mercado cuja área de especialização é o Controle de Acesso, e outras se concentram na parte de detecção e alarme de incêndio, como Cerberus;

c) Soluções vindas da Área Industrial;

d) Através de PABX: empresas da área de telefonia que disponibilizarão soluções de automação predial integrando estas funções através das centrais de telefonia das edificações;

e) Soluções mistas: várias empresas nacionais se internacionais oferecem soluções vindas de empresas de engenharia e informática.

Estas soluções desempenham de forma diferenciada, através de arquiteturas diversas, as funções anteriormente descritas.

As soluções de mercado são sistemas de automação constituídos de:

a) Estações de operação: contém a Interface Homem Máquina (IHM) responsáveis pelas funções de: operação, otimização, manutenção e configuração do sistema;

b) Unidades terminais remotas: elementos presentes nas diversas arquiteturas responsáveis pela gestão dos diversos processos controlados (supervisão e controle) e em muitos casos funcionam também como gateways para subredes de unidades funcionais remotas;

c) Unidades funcionais remotas: são especificas para cada processo, tendo em comum a interface de comunicação hardware e protocolo.

d) Redes de comunicação: interligações dos três níveis acima citados.

A diferença existente nas diversas arquiteturas propostas pelas empresas

citadas reside exatamente no grau de distribuição das funções anteriormente citadas.

Os primeiros sistemas concentravam praticamente todas as funções descritas nas estações de operação controle centralizado.

56

Outros sistemas mais recentes promoveram uma distribuição destas funções através das unidades terminais remotas, transferindo para estas as principais funções e permanecendo as estações de operação apenas com a IHM com o sistema.

O estado da arte atual segue a tendência da área industrial, promovendo uma distribuição ainda maior do controle, transferindo algumas funções para as unidades funcionais.

8.3. Tecnologias Emergentes

Para que possam ser desempenhadas pelos sistemas de automação as funções anteriormente relacionadas, devem ser coletados diversos sinais dos processos prediais, tanto para supervisão destes processos: entradas, quanto para controle: saídas; e, dependendo da quantidade de bits de informação necessários (resolução), teremos sinais: digitais (1 bit) e analógicos (> 1 bit).

Nos processos prediais a supervisão dos processos é conseguida através das entradas digitais e analógicas, assim distribuídas:

a) Digitais:

- contatos de estados: ligados/desligado;

- contatos de ações manuais: chave local/remoto;

- contatores de nível: boias;

- detectores de gases: CO, CO;

- contatores de fluxo: chave de fluxo da rede de splinkers;

- detectores de incêndio: iônicos, termovelocimétricos;

- detectores de presença: infravermelho passivo;

- sinais: contatos secos (sem tensão), 24V, 125V.

b) Analógicas:

- sensor de temperatura de ar: exterior, em ambientes, em dutos;

- sensor de temperatura de água: em encanamentos;

- sensor de umidade relativa do ar;

- sensor de pressão: de ar e de água;

- analisadores de qualidade: do ar e da água;

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Estão presentes nas soluções de mercado diversos controladores que possuem as entradas e saídas (E/S) digitais e analógicas (D/A).

Algumas arquiteturas possibilitam a aquisição destes sinais diretamente nas unidades terminais remotas. Outras arquiteturas mais distribuídas possuem as unidades funcionais: além de possuírem as E/S D/A, também possuem parte dos programas de tratamento dessas informações.

Além do processamento local que existe nas unidades terminais e nas unidades funcionais remotas, para que a distribuição das funções (programação horária e controle de demanda) e a distribuição de E/S D/A possam existir, as redes desempem um papel fundamental.

São sistemas descentralizados, onde o intercâmbio de sinais e comandos ocorre exclusivamente no nível de dispositivos funcionais:

a) Sensores: interruptores, luminosidades, temperatura, receptores de infravermelho, anemômetros; b) Reles atuadores: para aparelhos de iluminação, persianas, motores, ventiladores, condicionadores, sinalizadores de alarme sirenes.

Portanto, os elementos que compõem as tecnologias acima estão no nível mais baixo nas redes, constituindo os barramentos de campo ou fieldbus prediais.

Estes elementos podem funcionar autonomamente, ou também como um subconjunto de um sistema de gerenciamento de maior porte. A tecnologia EIB

já está sendo trazida ao Brasil pela ABB (Asea Brown Bovery).

8.4. Sistemas Abertos

A definição do IEEE- Institute of Electrical and Electronic Engineers – é “um

ambiente de sistemas abertos suporta um conjunto compreensivo e consistente de padrões internacionais de tecnologia da informação e de padrões funcionais que especificam as interfaces, os serviços e os formatos para garantir a interoperabilidade e portabilidade de aplicações, dados e pessoas”.

Portanto, esse conceito estabelece que tanto hardware quanto software tenham as suas especificações baseadas em:

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a) Normas emitidas por organismos oficiais: ISO (Internacional Organization for Standardization); ISA (Instrument Society of Americana); IEC (International Electrotechnical Commission) e ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são alguns exemplos; b) Padrões definidos por entidades de classe, que agrupam vários fornecedores: OSF (Open Software Foundation), X/OPE e UNIX Internacional, entre outras.

As normas e padrões referem-se a todos os componentes dos sistemas:

IHM(Interface Homem Máquina), Sistemas Operacionais (SO), Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados (SGBD), Linguagens de Desenvolvimento de Sistemas e Comunicação de Dados Redes.

Espera-se que baseadas em sistemas abertos as aplicações operem sempre da mesma maneira, independente do hardware, sistema operacional, rede ou banco de dados.

Estes objetivos serão possíveis se as unidades terminais e unidades funcionais remotas, assim como os seus softwares foram desenvolvidos segundo normas padrões que:

Definam as interfaces de forma consistente, cobrindo todas as operações usuais em automação predial;

Permitam a implementação em uma ampla grama de processadores;

Possibilitem flexibilidade na configuração de sistemas.

Os requisitos para que sejam atingidos os objetivos acima são:

a) Modularidade: hardware e software devem permitir flexibilidade nas configurações para diversas aplicações;

b) Funções devem ser bem definidas, permitindo uma distribuição destas às unidades remotas;

c) Banco de Dados: as fragmentações da base de dados devem estar nos equipamentos que mais as utilizam;

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e) Portabilidade: os softwares básicos e aplicativo devem permitir serem transferidos entre equipamentos similares;

f) Expansibilidade: as unidades terminais e funcionais devem possuir características que permitam a adição ou redução de funções e de capacidade de processamento, de acordo com a necessidade da aplicação.

Com esses sistemas abertos os benefícios serão inúmeros: eis os principais:

a) Permitir às empresas efetuarem os investimentos iniciais em automação no porte e funcionalidades adequados às necessidades imediatas; conforme a evolução das aplicações, os sistemas poderão ser adequados aos novos requisitos, através do aumento ou diminuição das características funcionais e da capacidade de processamento;

b) Preservar os investimentos efetuados inicialmente, evitando-se saltos tecnológicos, por descarte dos equipamentos instalados;

c) Efetuar atualização tecnológica contínua, aproveitando somente as inovações tecnológicas necessárias;

d) Manter a equipe profissional atualizada, sem necessidade de reciclagem em itens básicos, concentrando os treinamentos com novas aplicações;

e) Com padronização de equipamentos, empresas produtoras de software não serão mais obrigadas a produzir uma quantidade excessiva de opções de interfaces.

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9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os edifícios monumentos aqueles nos quais foram exaltados pelos seus aspectos exteriores das décadas passadas dão lugar, agora, às preocupações com o conforto e produtividade dos ocupantes, segurança e otimização de espaços e instalações, visando-se nesse caso economia de energia.

Como a terça parte da energia utilizada pelo mundo em desenvolvimento é consumida pelo setor das edificações, justificam-se os investimentos em sistemas de automação predial, uma vez que o mercado imobiliário está cada vez mais competitivo e a automação valoriza e diferencia os empreendimentos.

Além disso, as mudanças no comportamento do consumidor e a chegada das novas tecnologias convergentes e conectadas estão, aparentemente, fazendo com que as pessoas passem mais tempo em suas casas e também utilizando seus gadgets aproveitando, entre outras coisas, a sua mobilidade e interatividade.

Devido a essas mudanças, o mercado de automação só tem crescido, uma vez que as construtoras buscam a automatização para novos empreendimentos e moradores buscam maior conforto para suas residências. Isso porque, a automação traz diversos benefícios ligados a conforto, segurança, lazer e conveniência.

Por fim, o crescimento da automação visa economia e uso sustentável de energia de forma a preservá-la e mantê-la para futuras gerações.