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Direito Administrativo para AFRFB 2015 Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves - Aula 07

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E s t r a t é g i a CONCURSOSW Olá pessoal! Direito Administrativo

Estratégia

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Olá pessoal!

Direito Administrativo para AFRFB 2015 Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves - Aula 07

AULA 07

Nosso tema de hoje é " atos adm inistrativos". O assunto será abordado em duas aulas (7 e 8). Nesta primeira etapa, o conteúdo é o seguinte:

SU M ÁRIO

Atos administrativos

3

Conceito

4

Atos da Administração

7

Fatos administrativos 10

13

Presunção de legitimidade 14

Imperatividade 19

Autoexecutoriedade

Tipicidade 23

26

Competência 27

20

Atributos

Elementos

Finalidade 34

Forma

36

Motivo 37

Objeto

47

Vícios nos elementos de form ação

49

Vícios de competência 49

52

Vícios de forma 52

Vícios de motivo 53

Vícios de objeto 54

55

Mérito administrativo 56

Questões de prova

RESUMÃO DA AULA 75

Questões comentadas na aula

Gabarito 88

78

58

Vinculação e discricionariedade

Vícios de finalidade

Preparados? Aos estudos!

E s t r a t é g i a rnkiriipçnc CONCURSOS Direito Administrativo para

Estratégia

rnkiriipçnc

CONCURSOS

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ATOS ADMINISTRATIVOS

No Direito, quando a m anifestação da vontade hum ana produz efeitos

ju rídico s, é dito que se form ou um ato jurídico. Se este ato resulta de

m anifestações

ato administrativo. Portan to, logo de cara, pode-se dizer que o ato

adm inistra tivo é uma espécie do gênero ato jurídico.

da

Adm inistração

Pública,

o

que

se

tem

é

um

O s

atos

adm inistrativos

constituem

a

form a

básica

pela

qual

a

Adm inistração

Pública

m anifesta

sua vontade.

Tais

atos

m aterializam

o

exercício da função administrativa, a qual é típica do Poder Executivo,

mas

que

tam bém

pode

ser exercida

pelos dem ais

Poderes.

Em

outras

palavras, os Poderes Legislativo e Judiciário também editam atos administrativos.

Todavia, os atos adm inistrativos, por sua natureza, conteúdo e

form a, não se confundem com os atos em anados do Legislativo e do Judiciário quando desem penham suas atribuições específicas de

legislação (elab o ra ção de norm as p rim árias) e de jurisdição (de cisõe s

na atividade pública geral, podem ser reconhecidas três

atos

judiciais e atos administrativos1.

judiciais). Assim ,

ca

tego ria s

de

atos

inconfundíveis

entre

si: atos legislativos,

ria s de atos inconfundíveis entre si: atos legislativos, 1. (Cespe - DP/DF 2013) A edição

1. (Cespe - DP/DF 2013) A edição de atos administrativos é exclusiva dos órgãos do Poder Executivo, não tendo as autoridades dos demais poderes competência para editá-los.

Comentário: O quesito está errado. Os órgãos administrativos de todos os Poderes, e não apenas do Poder Executivo, exercem atividades administrativas e, portanto, editam atos administrativos. É o caso, por exemplo, de quando a Mesa do Senado promove concurso público para a seleção de novos servidores; de quando a Secretaria do STF realiza licitação para adquirir uma nova frota de veículos para o Tribunal; ou de quando o Presidente do TCU demite servidor do órgão.

Gabarito: Errado

2. (Cespe - MIN 2013) Quando o juiz de direito prolata uma sentença, nada mais faz do que praticar um ato administrativo.

1 Hely Lopes Meirelles (2009, p. 152)

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Comentário: O quesito está errado. O juiz quando prolata sentença está no exercício da função jurisdicional, típica do Poder Judiciário; portanto, trata- se de um ato judicial, e não de um ato administrativo. De forma semelhante, quando os parlamentares votam um projeto de lei, estão praticando um ato legislativo, no exercício da função típica do Poder Legislativo, e não um ato administrativo. Com efeito, os Poderes Judiciário e Legislativo só editam atos administrativos quando estiverem no exercício da função administrativa (atípica para eles), como quando ordenam despesas próprias e concedem licenças aos seus servidores.

Gabarito: Errado

Enfim,

qual

é

então

o

conceito

de

ato

adm inistrativo?

Quais

as

peculiaridades que o distinguem que verem os em seguida.

dos atos legislativos e judiciais?

É

isso

CONCEITO

Para conceituar ato adm inistrativo, vam os nos valer da definição proposta por Maria Sylvia Di Pietro, a qual é bastante sim ilar à da m aioria dos grandes adm inistrativistas:

Ato administrativo - declaração unilateral do Estado ou de quem o represente que produz efeitos ju rídico s im ediatos, com ob servân cia da lei, sob o regim e jurídico de Direito Público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário.

Vam os destrinchar esse conceito.

ato

adm inistrativo com o um a " declaração" da vontade do Estado. Ao usar a palavra "declaração", ela deixa claro que deve haver uma exteriorização de pensam ento para que exista um ato adm inistrativo. Assim , o silêncio ou om issão da Adm inistração não pode ser considerado um ato adm inistrativo, ainda que possa gerar efeitos jurídicos (com o no caso da decadência e da prescrição).

Prim eiram ente,

vale

observar

que

a

autora

conceitua

o

O

conceito

" unilateral",

Adm inistração,

ou

ap resen tado

seja,

àquele

independente

é

que

da

restrito

se

form a

ao

com

concordância

ato

administrativo

a von tade

daqueles

única

da

serão

que

atingidos

por ele;

o

ato

unilateral,

segundo

H ely Lopes

Meirelles,

é

o

ato administrativo típico. De outra

parte,

os atos bilaterais, que

se

aperfeiçoam

com

m ais

de

uma

declaração

de

vontade,

constituem

os

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contratos administrativos (ex: contrato de aquisição de bens celebrado

pela Adm inistração com um fornecedor particular), que serão estudados

em aula específica do cu rso2.

O

ato

adm inistrativo

é

uma

declaração

unilateral

do

" Estado".

Estado, aqui, deve ser com preendido com o todas as pessoas que,

de

algum a form a, exercem funções públicas. Abrange tanto os órgãos

do

Poder Executivo com o os dos dem ais Poderes, que tam bém podem editar

atos adm inistrativos. Além disso,

com preende os dirigentes de autarquias

e fundações e os adm inistradores de em presas estatais.

Detalhe, porém, é que o surgim ento do ato adm inistrativo pressupõe

atue nessa qualidade , ou seja, " sob o regime

que

Poder

Público, com as p rerroga tiva s e restrições p róp rias do regime jurídico-

administrativo. Assim , não seria ato adm inistrativo, por exem plo, a abertura de conta corrente por um banco estatal, pois, nesse caso, ele estaria praticando um ato privado, em igualdade de condições com o particular. Por outro lado, o edital de licitação ou de concurso público lançado por esse m esm o banco estatal seria um ato adm inistrativo, eis que sujeito às norm as de direito público.

a

A dm inistra ção

de

Direito

jurídico

Público", usando

de sua supremacia

de

O ato adm inistra tivo tam bém

é uma declaração unilateral de

quem

faça as vezes do Estado ("ou de quem o represen te"). Significa, assim ,

que

que estejam investidos de prerrogativas estatais (agentes honoríficos, delegados e credenciados). Seria o caso, por exem plo, das concessionárias de serviço público, que podem sancionar

as

adm inistrativam ente o cidadão

concessionárias de transporte podem determ inar a expulsão de

os particulares tam bém podem p ra ticar atos adm inistra tivo s, desde

em

determ inadas

situações

(ex:

passageiros que não se com portem adequadam ente).

O

ato

adm inistrativo

administrados,

para

a

produz

própria

efeitos

jurídicos

im ediatos

ou

para

os

seus

Administração

para

servidores, criando, m odificando ou extinguindo direitos e obrigações.

Ao dizer que

ele

produz efeitos jurídicos " imediatos", a autora

busca distinguir o

ato

adm inistrativo da lei, dado que esta, em

razão de

suas características de generalidade e abstração, não se presta, de regra,

autora,

a

gerar

efeitos

im ediatos.

Perceba

que

o

conceito

da

2 Lucas Furtado ensina que, no Direito Privado, o conceito de ato jurídico compreende tanto as manifestações unilaterais de vontade quanto os negócios jurídicos, nestes incluídos os contratos. No Direito Administrativo, ao contrário, somente as manifestações unilaterais de vontade do Poder Público pode ser conceitualmente reconhecidas como atos administrativos.

Prof. Erick Alves

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m aterialm ente, não ab range os atos normativos (ex: decreto s e regulam entos), visto que, quanto ao conteúdo, eles se assem elham às leis, ou seja, não produzem efeitos jurídicos im ediatos. Ressalte-se, contudo, que os atos norm ativos, assim com o os cham ados atos enunciativos, em bora não sejam atos adm inistrativos em sentido m aterial (ou seja, quanto ao conteúdo), são con siderado s atos administrativos formais, já que em anados da A dm inistração Pública, com subordinação à lei.

Por falar em subordinação à lei, outro aspecto a destacar no conceito em estudo é que o ato adm inistrativo deve ser editado

elem en to s do

ato devem estar previstos em

com petência, abrangência, conteúdo,

"com observância da lei", significando

lei,

a qual

que os a tribu to s

e

estabelece seus limites, form as,

finalidade etc.

Por fim, há de se ressaltar que o ato adm inistrativo é sem pre passível

de "controle pelo Poder Judiciário", afinal, en tre nós vige o princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional (CF, art. 5°, XXXV).

da tutela jurisdicional (CF, art. 5°, XXXV). P r o f . E r i c
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ATOS DA ADM INISTRAÇÃO

m ais

variadas possíveis, desde a lim peza de vias públicas até a sanção e veto

de leis. M as será que todas as atividades adm inistrativas podem ser

ca ra cte rizada s com o atos adm inistra tivo s? Certamente que não.

A

Adm inistração

Pública

realiza

inúm eras

atividades,

das

atos

(vistos adiante), que

Os

adm inistrativos

possuem

a

sua

possibilitam

atributos

e

elem entos

próprios

individualização

com o categoria

especial no meio das dem ais atividades adm inistrativas.

Com efeito, a doutrina enfatiza que todo ato praticado no exercício da

função adm inistra tiva é ato da Administração, porém , nem todo ato

da

"ato adm inistrativo"

Administração

é

ato

administrativo.

apenas

Ou

determ inada

seja,

a

expre ssão

atos

abrange

categoria

de

praticados no exercício da função adm inistrativa, m as não todos.

C on fo rm e

ensina

Maria

Sylvia

Administração incluem -se:

Di

Pietro,

den tre

os

atos

da

■ A to s de d ire ito privado: são aqueles praticados pela Administração em igualdade de condições com o particular, ou seja, sem se valer das prerrogativas de direito público. Exemplo: contratos regidos pelo direito privado, como a doação, permuta, compra e venda, locação etc.

■ A to s m a te ria is da A dm inistra çã o : são atos que envolvem apenas e x e cu ç ã o m a te rial, de ord em p rá tica , como a demolição de uma casa, a apreensão de mercadoria, a instalação de um telefone público, a

desapropriação de terrenos etc. Alguns autores incluem os atos materiais na categoria dos fa to s a dm in is tra tiv o s , vistos em seguida. Em regra, os

atos materiais ocorrem

Por exem plo: para que ocorra a demolição de uma casa (ato material) é necessário que a Prefsitura emita uma ordem de serviço (ato administrativo); a desapropriação de um terreno (ato material) ocorre como consequência da edição de um decreto (ato administrativo), e assim por diante.

como consequência de

um ato administrativo.

de

■ co n h e cim e n to ,

A to s

o p iniã o ,

ju íz o

ou

v a lo r3: são

atos

que não

produzem efeitos jurídicos imediatos. Exemplo: atestados, certidões, pareceres, laudos, despachos de encaminhamento de papeis e processos.

■ p o lític o s

A to s

ou

de g ove rno :

são atos praticados pelos agentes de

cúpula da Administração, em obediência direta à Constituição, isto é, com base imediata no texto constitucional. Exemplo: iniciativa de leis, sanção3

3São considerados atos administrativos em sentido formal.

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ou veto a projetos de leis, celebração de tratados internacionais, decretação de estado de sítio, indulto, entre outros.

■ C o n tra to s a dm in is tra tiv o s e convênios: são atos em que a vontade é manifestada de forma bilateral. Exemplo: contrato de concessão e permissão de serviços públicos e contrato de fornecimento de material, ambos decorrentes de processo licitatório.

■ A to s n o rm a tiv o s4: são atos dotados de generalidade e abstração, enfim,

administrativos.

com

conteúdo

de

leis,

e,

formalmente,

são

atos

Exemplo: portarias, resoluções, regimentos etc.

■ A to s a dm in istra tiv o s p ro p riam e n te ditos: manifestação de vontade cujo fim imediato seja a produção de efeitos jurídicos, regidos pelo direito público. Exemplo: nomeação de servidor, concessão de licença, homologação de licitação etc.

Repare,

acim a,

que

o

rol

de

atos

praticados

pela

A dm inistração

Pública

é

bem

m ais

am plo

que

a

edição

de

atos

adm inistrativos

propriam ente ditos.

Im porta notar que, para se fala r em ato da Administração, ele

necessariam ente deve ter sido em anado da Adm inistração. Vale dizer, não

existem atos da Administração p rodu zidos por particulares.

administrativos podem ser p roduzidos

m esm o por pessoas

Pública, caso dos particulares em colaboração (agentes honoríficos,

delegados e credenciados). Por exem plo, concessionárias e

perm issionárias de serviços públicos, quando atuam sob regim e de direito

público, praticam atos adm in istrativos45. Tam bém são exem plos os atos

praticados pelos tabeliães, agentes delegados, no exercício da função

notarial.

perten cem fo rm alm en te à A dm inistra ção

Por

outro

lado,

os

atos

que não

te à A dm inistra ção Por outro lado, os atos que não 3. (Cespe -

3. (Cespe - TJDFT 2013) A designação de ato administrativo abrange toda atividade desempenhada pela administração.

Comentário: A questão está errada. Nem toda atividade desempenhada pela Administração se dá através da edição de atos administrativos. Como exemplo, pode-se citar a locação de imóveis (ato de direito privado), a limpeza de ruas (ato material), a emissão de pareceres (ato de opinião), além dos atos

4 São considerados atos administrativos em sentido formal. 5 Carvalho Filho (2014, p. 99).

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políticos, dos atos normativos e da celebração de contratos administrativos. Todas essas atividades constituem atos da Administração, mas não são classificadas como atos administrativos, pois lhes falta algum dos elementos destes, como a unilateralidade, o regime de direito público e a produção de efeitos jurídicos imediatos.

Gabarito: Errado

4. (Cespe - ANATEL 2012) A formalização de contrato de abertura de conta- corrente entre instituição financeira sociedade de economia mista e um particular enquadra-se no conceito de ato administrativo.

Comentário: A abertura de conta corrente pelos bancos públicos é feita mediante contrato, regido pelo direito privado. Trata-se de ato da Administração, porque praticado por entidade pública, mas não propriamente de ato administrativo, que constitui declaração unilateral do Estado, sob regime de direito público.

Gabarito: Errado

5. (Cespe - PRF 2012) Nem toda ação da administração pública é considerada ato administrativo, a exemplo daquelas praticadas pelas empresas públicas e sociedades de economia mista.

Comentário: A banca deu o quesito como certo. De fato, é correto que nem toda ação da Administração Pública é considerada ato administrativo, a exemplo dos atos típicos de direito privado praticados pelas empresas públicas e sociedades de economia mista, como é o caso da abertura de contas correntes e a concessão de empréstimos pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, assim como a venda de petróleo no mercado e a compra de refinarias pela Petrobrás. Quando pratica atos de direito privado, a Administração se coloca em igualdade de condições com os particulares, vale dizer, não atua com as prerrogativas próprias do regime jurídico- administrativo.

Porém, vale ressaltar que, ao contrário do que leva a entender a questão, as empresas públicas e sociedades de economia mista, ainda que exploradoras de atividade econômica, em determinadas situações também praticam atos administrativos propriamente ditos, como quando realizam licitações na atividade meio ou quando realizam concurso público para contratação de pessoal.

Gabarito: Certo

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FATOS ADM INISTRATIVOS

uma

manifestação de vontade do Estado. A ssim , fa to s concretos, m ateriais,

adm inistrativo

Com o

visto,

o

ato

deve

decorrer

de

p rodu zidos independentemente de qualquer manifestação de vontade,

ainda

que

provoquem

efeitos

no

m undo

jurídico

e

no

âm bito

da

A

dm inistra ção

Pública,

não

são

atos

adm inistra tivo s,

e

sim

fatos administrativos.

produz e feito s no m undo

ju rídico , então é um fato jurídico. Por exem plo, a queda de uma árvore no m eio da floresta é um fato (independe da vontade h um ana); já a queda de uma árvore sobre um carro é um fato jurídico, pois gera obrigações jurídicas para a seguradora.

V am o s

lá.

N o

Direito ,

se de term inado

fato

Os fatos jurídicos, m esm o que independam da vontade e de qualquer

o Direito

Adm inistra tivo , desde que produ zam e feito s sobre a Administração. Neste caso, passam a ser cham ados de fatos administrativos.

participação

dos agentes

públicos,

podem

ser relevantes

para

Por exem plo, a m orte de um servido r público não decorre de qualquer

m anifestação de vontade, m as pode gerar inúm eros efeitos jurídicos para

a Adm inistração - direito de

etc. Ou seja, a m orte de um servidor público é um fato adm inistrativo.

terceiro de receber pensão, vacância do cargo

Outro exem plo de fato adm inistrativo é a queda de uma ponte, que

obrigação de repará-la, indenizar eventuais

vítim as, organizar o tráfego etc. Tam bém seriam fatos adm inistrativos:

uma colisão acidental entre um veículo oficial e um veículo particular; a queda de um raio sobre uma repartição pública; uma enchente que cause danos a bens públicos etc.

gera para a Adm inistração

Parte da dou trina

tam bém considera fato administrativo as

omissões

da Adm inistração

inércia do agente público que tenha resultado na decadência do direito de

anular um ato adm inistrativo ilegal. Ressalte-se que o silêncio, ainda que produza efeitos jurídicos para a Adm inistração, não é ato adm inistrativo,

que produzam efeitos jurídicos, de que seria exem plo a

afinal, não há ato adm inistra tivo

sem a declaração expressa de v o n tad e6.

6 Sobre o tema, Maria Sylvia Di Pietro assinala que até mesmo o silêncio pode significar forma de manifestação de vontade, quando a lei assim o prevê; normalmente ocorre quando a lei fixa um prazo, findo o qual o silêncio da Administração significa concordância ou discordância. Entretanto, mesmo nesses casos, o silêncio não é considerado um ato administrativo, pois, embora haja manifestação de vontade, não há "declaração” de vontade, ou seja, não há exteriorização do pensamento, elemento essencial do ato administrativo (corresponde ao elemento "forma”].

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necessariamente

produzem consequências jurídicas para a Administração. Algun s

D etalhe é que os fatos administrativos não

autores cham am

Direito A dm inis tra tivo de fato da Administração.

os fatos que não produzem

qualquer efeito jurídico

no

Por exem plo, a m udança de localização de um departam ento dentro

de

um

órgão

público

é

um

fato

da Adm inistração,

pois representa

uma

atividade

m aterial

de

ordem

prática

ocorrida

dentro

da

Adm inistração,

mas sem

efeitos jurídicos.

Da

m esm a,

se

um

servidor cai da escada

de

qualquer consequência

jurídica, tem -se um fato da Adm inistração, sim plesm ente porque ocorreu dentro da Adm inistração.

órgão

público

e

rapidam ente

se

levanta,

sem

órgão público e rapidam ente se levanta, sem V ale lem brar que algun s au

V ale

lem brar

que

algun s

au to res

tam bém

classificam

os

atos

materiais da Administração (e x : ap reen são de m ercadorias, dem olição

de prédios, realização de serviços) com o fatos administrativos.

A

distinção

feita

neste

tópico

entre

atos

e fatos

adm inistrativos

é

relevan te porque os fatos administrativos não estão sujeitos à teoria

geral dos atos administrativos. Isso significa que, ao con trário dos atos adm inistra tivo s, os fa to s adm inistra tivo s, por exem plo, não têm com o finalidade a produ ção de efeito s ju rídico s (em bora possam produzir); não podem ser anulados nem revogados; não gozam de p resunção de

legitim idade; não possuem a tribu to s e em fatos adm inistrativos discricionários

requisitos; e não faz sen tido falar ou vinculados.

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6. (Cespe - TCE/ES 2012) O silêncio administrativo consiste na ausência de

manifestação da administração nos casos em que ela deveria manifestar-se. Se a lei não atribuir efeito jurídico em razão da ausência de pronunciamento, o silêncio administrativo não pode sequer ser considerado ato administrativo.

Comentário: O item está certo. Para a doutrina majoritária, o silêncio não é considerado ato administrativo porque lhe falta um elemento essencial, qual seja, a declaração de vontade. No silêncio não há exteriorização do pensamento, requisito indispensável para a caracterização do ato administrativo (corresponde ao elemento “forma”).

Conquanto não seja ato, o silêncio é considerado um fato administrativo; como tal, pode gerar consequências jurídicas, a exemplo da prescrição e da decadência. Carvalho Filho distingue duas hipóteses de silêncio

administrativo: a lei aponta as consequências da omissão e a lei é omissa a respeito.

No primeiro caso, a lei pode conferir ao silêncio efeito positivo (anuência tácita) ou negativo (denegatório). No segundo caso, em que a lei é omissa a respeito, como não há previsão de efeitos jurídicos para o silêncio, estes simplesmente não existem; ou seja, nesse caso, o silêncio não implica anuência nem negativa por parte da Administração. Caso o interessado se sinta prejudicado pela omissão, tem o direito subjetivo de buscar socorro junto ao Judiciário, o qual poderá expedir ordem para que a autoridade administrativa cumpra seu poder-dever de agir e formalize manifestação volitiva expressa.

Gabarito: Certo

MIN 2013) O silêncio administrativo, que consiste na ausência de

manifestação da administração pública em situações em que ela deveria se pronunciar, somente produzirá efeitos jurídicos se a lei os previr.

7. (Cespe -

Comentário: O quesito está correto. Quanto às consequências jurídicas do silêncio administrativo, Carvalho Filho apresenta duas hipóteses: a lei

aponta as consequências da omissão e a lei é omissa a respeito. Segundo o

autor, se a lei for omissa a respeito, o silêncio da Administração não gera efeito jurídico algum, ou seja, continua tudo como está.

Por exemplo, se o servidor apresenta requerimento de licença para tratar de assuntos particulares e a Administração simplesmente silencia sobre o pedido, isso não significa que o servidor automaticamente terá o pedido deferido ou indeferido, uma vez que, no caso, o silêncio administrativo não

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produz efeitos jurídicos. A solução para o interessado é exigir, na via judicial, que o juiz determine à autoridade omissa que se manifeste sobre o requerimento. Veja que o Judiciário não irá substituir a Administração e praticar o ato no lugar desta (o juiz não irá determinar o deferimento ou o indeferimento da licença; tal decisão cabe à autoridade administrativa competente); a decisão judicial se restringe a ordenar o administrador omisso a tomar uma decisão, ou seja, a praticar o ato administrativo.

Gabarito: Certo

8. (Cespe - TRT10 2013) Os fatos administrativos não produzem efeitos jurídicos, motivo pelo qual não são enquadrados no conceito de ato administrativo.

Comentário: A questão está errada. Não há uniformidade na doutrina acerca da definição de fato administrativo. Alguns autores não fazem distinção entre fato administrativo e fato da Administração, conforme o evento produza ou não efeitos jurídicos. Nesta questão, a banca adotou o entendimento da professora Di Pietro, para quem fatos administrativos são eventos que produzem efeitos jurídicos, diferentemente dos fatos da Administração, que não produzem, daí o erro do item. Não obstante, ressalte-se que tanto fatos administrativos como fatos da Administração não são enquadrados no conceito de ato administrativo.

Gabarito: Errado

Delim itada

a

abrangência

do

conceito

de

ato

passem os

dem ais atos da Adm inistração.

a abordar os elementos e atributos que

ATRIBUTOS

adm inistrativo,

o

distingue

dos

O ato adm inistrativo constitui exteriorização da vontade estatal e, por isso, é dotado de d eterm in adas características não presentes nos atos

jurídicos em geral. São características inerentes aos atos adm inistrativos e

que decorrem do regime de direito público ao qual se subm etem , e que

ou torgam certas prerrogativas ao Poder Público.

Os atributos do ato adm inistrativo apresentados pela doutrina são:

■ Presunção de legitimidade

■ Autoexecutoriedade

■ Tipicidade

■ Imperatividade

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Para gravar, usam os o m nem ônico " PATI" .

De cara, é im portante saber que, segundo a doutrina, os atributos da

presunção da legitimidade e da tipicidade estão p resen tes em todos os atos adm inis tra tivo s7; já a autoexecutoriedade e a imperatividade não.

Atributos do ato administrativo

Presentes em todos os atos:

■ Presunção de legitimidade

■ Tipicidade

Vejamos.

Presentes em apenas alguns tipos de atos:

■ Autoexecutoriedade

■ Imperatividade

PRESUNÇÃO DE LEG ITIM IDADE

A presunção de legitimidade diz respeito à conformidade do ato

com

a

os atos

lei; por esse a tribu to ,

adm inistra tivo s foram em itidos com ob servân cia da lei8.

p resum em -se , até prova em

con trário, que

Ineren te

à

p resunção

de

legitim idade ,

tem -se

a

presunção

de

veracidade, que diz respeito aos fatos; em decorrência desse atributo,

p resum em -se verdadeiros os fatos alegado s

prática de um ato adm inistra tivo , até prova em con trá rio9.

pela A dm inistra ção

para

a

Essas presunções não existem por acaso. Várias são as razões que as

fundam en tam ,

constitucional e que vincula

exem plo

a

do

toda

princípio

a Adm inistração,

da

legalidade,

de

perm itindo

status

presum ir

que todos

os

atos

praticados

pelos

agentes

públicos

tenham

sido

p raticados

em

con fo rm idade

com

a

lei.

Outra

razão

é

que

os

atos

adm inistrativos,

para

serem

produzidos,

devem

seguir

uma

série

de

procedim entos e form alidades, além

de se subm eterem

a

uma

série de

controles, sem pre com a fin alidade de garan tir a ob servân cia à lei.

art.

públicos".

Daí o

não se pode "recu sa r fé aos docum entos

19,

II

da

CF

proclam ar que

Com o ensina

Maria Sylvia

Di Pietro, a presunção

de legitim idade e

veracid ade acom panha todos os atos estatais, quer im ponham

obrigações, quer reconheçam ou confiram

direitos aos adm inistrados, e

7Quanto à tipicidade, a doutrina informa que o atributo está presente apenas nos atos unilaterais, mas não nos bilaterais. Ora, os atos administrativos são, por definição, atos unilaterais e, portanto, sempre apresentam o atributo da tipicidade.

8 Maria Sylvia Di Pietro (2009, p. 197).

9 Idem (p. 198).

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decorre

posição de suprem acia perante os particulares.

da

própria

ideia

de

"Po d e r"

que

perm ite

ao

Estado

assum ir

de

perm itir que o ato adm inistrativo opere efeitos imediatamente, vinculando os adm inistrados por ele atingidos desde a sua edição. Isso perm ite que a A dm inistração exerça suas atribuições com agilidade, afinal, é o interesse público que está em jogo. Essa agilidade não existiria caso a Adm inistração dependesse de m anifestação prévia do Poder Judiciário toda vez que editasse seus atos.

Um

dos efeitos

da

presunção

de legitim idade

e veracidade

é

o

efeitos

im edia tam en te , ainda

Di Pietro, "enqu an to não decretada a invalidade do ato

pela própria Adm inistração ou pelo Judiciário, o ato produzirá efeitos da

m esm a form a que o ato válido, devendo ser cum prido". Ou seja, com o os atos são presum ivelm ente legítim os, devem ser observados até que, depois de questionados, sejam declarados nulos por autoridade competente.

Nas palavras de

que eivados de vícios ou defeitos aparentes.

D etalhe

é

que

os

atos

adm inistrativos

produzem

. D etalhe é que os atos adm inistrativos produzem Lucas Furtado alerta que há uma

Lucas Furtado alerta que há uma única situação no Direito

Administrativo em que a consequência do atributo da

presunção de legitimidade é afastada, isto é, em que o

destinatário do ato administrativo não necessita esperar a declaração de invalidade

do ato para poder negar-lhe cumprimento: trata-se de ordem manifestamente ilegal

dada a servidor público por seu superior hierárquico.

Nessa hipótese, o servidor público tem não só o direito, mas o dever de negar

cumprimento à ordem. É o que prescreve o art. 116, IV da Lei 8.112/1990, segundo o

qual constitui dever do servidor cumprir as ordens superiores, "exceto quando

manifestamente ilegais".

de

legitimidade de dar imediato cumprimento à ordem, e não a presunção em si, que

constitui atributo de todos os atos administrativos.

Ressalte-se,

contudo,

que

o

que

se afasta

é

o

efeito da

presunção

Ressalte-se

que

a p resunção

de ve ra cid ade não é absoluta,

e

sim

relativa (iuris tantum), ou seja, admite prova em contrário. A ssim , o

adm inistrado que se sinta prejudicado pelo ato do Estado tem o direito de se socorrer junto à própria Adm inistração (m ediante a interposição de recursos adm inistrativo s) ou perante o Poder Judiciário , nos term os da lei.

E s t r a t é g i a CONCURSOSW do Porém , um

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do

Porém , um efeito

im portan tíssim o

ônus da

prova, vale dizer, quem

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do a tribu to

em tela

é a inversão

deve d em on s tra r a existên cia

de

vício no ato adm inistrativo não é a A dm inistração, e sim o administrado.

Por exem p lo: quando a pessoa recebe uma notificação de infração de

trânsito, significa que a Adm inistração está alegando que o indivíduo

com eteu algum a falta; a princípio, essa "alegação" é legítim a, m esm o que

h ouvesse algum a irregularidade aparente no radar que flagrou o

m otorista. Ou seja, para todos os efeitos, deve-se tom ar com o verdadeiro

que a infração indicada, de fato, foi m esm o com etida. Se o m otorista

quiser contestar a notificação, ele é que terá de provar o erro da

Adm inistração, caso contrário, será m ultado, em razão da presunção de veracidade do ato adm inistrativo.

 

Em

relação a esse ponto, cum pre anotar que, m esm o

nos casos em

que

o

ato

da Adm inistração

contenha

forte

aparência

de

ilegalidade,

o

Judiciário

não

pode

se

pronun ciar

de

ofício,

devendo

agua rda r

a

provocação do adm inistrado.

Adem ais, a inversão do ônus da prova não exim e a A dm inistra ção de,

caso requisitada pelo Judiciário, apresentar inform ações e docum entos

que com provem a correspondência do ato à realidade e a veracidade dos

fatos aleg ad o s10.

do ato à realidade e a veracidade dos fatos aleg ad o s10. 9. (Cespe -

9. (Cespe - MMA/Ag. 2009) Pelo atributo da presunção de veracidade, presume-se que os atos administrativos estão em conformidade com a lei.

Comentário: A banca deu a questão como errada. A presunção de legitimidade é que pressupõe que os atos administrativos estão em conformidade com a lei. A presunção de veracidade, por sua vez, indica que os fatos alegados pela Administração são verdadeiros. Essa distinção é feita por Maria Sylvia Di Pietro. Contudo, os demais administrativistas, de um modo geral, empregam a expressão “presunção de legitimidade” de forma abrangente, incluindo tanto a presunção de que os fatos apontados pela Administração efetivamente ocorreram quanto a presunção de que os atos administrativos foram praticados em conformidade com a lei. Como diz Hely

Lopes Meirelles, a “presunção de veracidade é inerente à de legitimidade”.

Gabarito: Errada

10 Maria Sylvia DI Pietro (2009, p. 199).

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10. (Cespe -

MPU 2013) Dada a imperatividade, atributo do ato administrativo,

devem-se presumir verdadeiros os fatos declarados em certidão solicitada por

servidor do M PU e emitida por técnico do órgão.

da presunção da veracidade,

e não da imperatividade, daí o erro. Em razão da presunção de veracidade, os

fatos alegados pela Administração para a prática de um ato administrativo presumem-se verdadeiros, até prova em contrário. Esse atributo tem o efeito de inverter o ônus da prova, ou seja, quem se sentir prejudicado é que deve provar o erro da Administração. Diz-se que o ônus da prova é invertido porque, no Direto Civil, ao contrário, quem alega é que deve provar os fatos (ex: se você denunciar que seu vizinho faz barulho além da conta, você, denunciante,

é que terá de provar o que está dizendo; por outro lado, se a Administração

alegar que você estacionou em local proibido, você, prejudicado, é que terá de provar o contrário).

Comentário: A assertiva descreve o atributo

Gabarito: Errada

11. (Cespe - MIN 2013) Suponha que determinada secretaria de Estado edite ato

administrativo cujo conteúdo seja manifestamente discriminatório. Nessa situação, podem os administrados recusar-se a cumpri-lo, independentemente de decisão judicial, dado que de ato ilegal não se originam direitos nem se criam obrigações.

Comentário: O item está errado. Pelo atributo da presunção de legitimidade, os atos administrativos são tidos como legais desde sua origem e, por isso, vinculam os administrados por ele atingidos desde a edição. Por conseguinte, o particular é obrigado a cumprir as determinações do ato ainda que, aparentemente, ele esteja eivado de ilegalidade. É claro que o ato poderá ser questionado judicialmente ou perante a própria Administração. Porém, enquanto ele não for invalidado, continuará a produzir efeitos normalmente, obrigando os administrados, que não podem recusar-se a cumpri-lo. De outra parte, se o ato for invalidado judicialmente (ou pela própria Administração), aí sim deixará de originar direitos e obrigações. Abre-se um parêntese para destacar que é possível a sustação dos efeitos dos atos administrativos através de recursos internos ou de ordem judicial (medidas liminares ou cautelares); nesse caso, o ato permanece válido mas sem produzir efeitos, continuando assim até o pronunciamento final de validade ou invalidade do ato ou até a derrubada da liminar.

Gabarito: Errado

12. (Cespe

-

MIN 2013)

presunção

imediata de

legalidade de

todo

ato

administrativo editado por autoridade pública competente.

Comentário: O quesito está correto. O atributo presunção de legitimidade

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está presente em todo ato administrativo. Isso porque vivemos num Estado Direito, no qual todos, especialmente o Poder Público, devem obediência à lei. No caso da Administração, o princípio da legalidade impõe que ela só atue quando a lei autoriza, ou seja, trata-se de um princípio rigoroso, o que permite deduzir (presumir) que tudo o que ela faz estará imediatamente em conformidade com a ordem jurídica.

Gabarito: Certo

13. (Cespe - MTE 2014) Caso seja fornecida certidão, a pedido de particular, por

servidor público do quadro do MTE, é correto afirmar que tal ato administrativo

possui presunção de veracidade e, caso o particular entenda ser falso o fato narrado

na certidão, inverte-se o ônus da prova e cabe a ele provar, perante o Poder

Judiciário, a ausência de veracidade do fato narrado na certidão.

Comentário: O quesito está correto. Trata-se de situação que ilustra muito bem a aplicação concreta do atributo da presunção de veracidade dos atos administrativos.

Gabarito: Certo

14. (Cespe - TCDF 2014) A presunção de legitimidade é atributo de todos os atos

da administração, inclusive os de direito privado, dada a prerrogativa inerente aos

atos praticados pelos agentes integrantes da estrutura do Estado.

Comentário: Aqui, a banca adotou a posição de Maria Sylvia Di Pietro - autora que, aliás, é seguida por boa parte das bancas, entre elas a ESAF - que afirma textualmente:

Quanto ao alcance da presunção, cabe realçar que ela existe, com as limitações

já analisadas, em todos os atos da Administração, inclusive os de direito privado,

pois se trata de prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos do Estado, qualquer que seja a sua natureza. Esse atributo distingue o ato administrativo do ato de direito privado praticado pela própria Administração.

A rigor, apenas a presunção de veracidade é atributo exclusivo do ato administrativo propriamente dito (praticado sob regime de direito público), uma vez que os atos jurídicos praticados pelos particulares também são considerados conformes à lei até prova em sentido contrário.

Gabarito: Certo

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IM PERATIV IDADE

Imperatividade é o atributo

pelo

qual os atos adm inistrativo s

se

impõem

a

terceiros,

independentemente

da

sua

concordância,

criando obrigações ou im pondo restrições.

A

im peratividade

decorre

do

cham ado

"poder

extroverso",

que

é

prerrogativa

dada

ao

Poder

Público

de

impor,

de

m odo

unilateral,

obrigações a terceiros,

inclusive

a

sujeitos

que

estão

fora

do

âm bito

interno adm inistrativo, criando

obrigações

que

extravasam

a

esfera

jurídica do Estado. O atributo da im peratividade decorre diretam ente do

princípio da supremacia do interesse público sobre o particular.

C on form e

ensina

Maria

Sylvia

Di

Pietro,

a

imperatividade

não

existe em todos os atos administrativos, m as apena s naqueles que im põem obrigações ou restrições.

Por outro

lado, não existe im pe ra tividade nos atos que conferem

direitos solicitados pelo administrado (com o na licença ou au torização

de uso do bem público) ou nos atos apenas enunciativos (certidão, atestado, parecer), uma vez que, nesses casos, não h á a criação de obrigações ou restrições a terceiros.

Imperatividade

de obrigações ou restrições a terceiros. Imperatividade E s t á p r e s e

Está presente:

Atos

que

impõem

obrigações e restrições.

Não está presente:

- Atos enunciativos;

- Atos que conferem

direitos.

Por exem plo, a A dm inistração, nos term os da lei, pode determ in ar a interdição de determ inado estabelecim ento com ercial, independentem ente

da

serviço

requerida pelo servidor é ato adm inistrativo despido de im peratividade, pois não im põe nenhum a obrigação ou restrição, m as apenas apresenta uma inform ação.

Diferentem ente,

anuência

do

proprietário.

o

Este

ato

é

dotado

de

de

im peratividade.

de

fornecim ento

de

certidão

tem po

L r E s t r a t é g i a CONCURSOSW ESSA CAI

L

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ESSA CAI

n a p rova !_

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15. (Cespe - CNJ 2013) Todos os atos administrativos são imperativos e decorrem do que se denomina poder extroverso, que permite ao poder público editar provimentos que vão além da esfera jurídica do sujeito emitente, interferindo na esfera jurídica de outras pessoas, constituindo-as unilateralmente em obrigações.

Comentário: Questão errada. Imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente da sua concordância. Decorre, é verdade, do chamado poder extroverso, que é a prerrogativa dada ao Poder Público de impor, de modo unilateral, obrigações a terceiros, ou seja, a sujeitos que estão além da esfera jurídica do sujeito emitente. Entretanto, nem todos os atos administrativos são imperativos. A imperatividade está presente apenas nos atos que impõem obrigações ou restrições, a exemplo da interdição de estabelecimentos comerciais; mas não está presente nos atos enunciativos (certidão, atestado, parecer) e nos atos que conferem direitos solicitados pelo administrado (licença, autorização de bem público).

Gabarito: Errado

AUTOEXECUTORIEDADE

atos

adm inistra tivo s sejam exe cu tado s imediata e diretamente pela própria

Administração, inclusive m ediante o uso da força, independentemente de ordem ou autorização judicial prévia.

A

autoexecutoriedade

é

a

prerrogativa

de

que

certos

do

poder de polícia. Exem plos com í ecidos do uso dessa prerrogativa são os

da destruição de bens im próprios ao consum o e a dem olição de obra que

A autoexecutoriedade

é

frequentem ente

utilizada

no

exercício

apresenta

risco

de

desabam ento.

Verificada

a

situação

que

provoca

a

execução

do

ato,

a

autoridade

adm inistrativa

de

pronto

o

executa,

ficando, assim , resguardado o in teresse p úblico11.

Para

Lu ca s

Rocha

Fu rtado ,

a

autoexecutoriedade

decorre

da

presunção de legitimidade, em bora com esta não se con funda. A final, de nada valeria afirm ar que os atos adm inistrativos são presum ivelm ente

precisasse de autorização judicial a cada

legítim os caso a Adm inistração

ato praticado.

11 Carvalho Filho (2014, p. 124)

E s t r a t é g i a CONCURSOSW Com o a im

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Com o

a

im pera tividade ,

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a autoexecutoriedade

não

existe

em

todos os atos administrativos. Segundo Maria Sylvia Di Pietro, ela só é

possível:

■ Quando expressam ente prevista em lei (ex: retenção de garantias

depositadas em caução para assegurar o pagamento de multas ou parcelas

atrasadas em contratos; apreensão de mercadorias piratas; cassação de

licença para dirigir; aplicação de penalidades disciplinares).

■ Mesmo

de

medida urgente que, acaso não adotada de imediato, pode ocasionar

prejuízo maior para o interesse público (ex: demolição de prédio que

ameaça ruir; internamento de pessoa contagiosa).

se

não

expressamente

prevista,

quando

tratar-se

Um dos lim ites à au toexe cu to riedade é o patrimônio do particular.

Para satisfazer seus créditos decorrentes de m ultas ou prejuízos causados

ao erário, a Adm inistração Pública não pode invadir o patrim ônio dos

particulares e, contra

seus bens ou dos v e n cim e n to s12.

privar-lhes da propriedade dos

a vontade destes,

Exem plo clássico de ato sem au toexe cu toriedade é a cobrança de

m ultas adm inistrativas não pagas pelos particulares; caso os devedores

não paguem voluntariam ente a sanção aplicada, haverá necessidade de

inscrição dos devedores em dívida ativa e a execução da m ulta deverá ser

feita pelo Poder Judiciário. Outro exem plo é o entendim ento do STF de

que a Adm inistração Pública não pode descontar indenizações da folha de

pagam ento dos servidores sem que tenha a anuência do servidor ou

autorização legal ou judicial.

Autoexecutoriedade

ou autorização legal ou judicial. Autoexecutoriedade E s t á p r e s e n

Está presente:

- Quando prevista em lei.

- Medida urgente.

Não está presente:

- Atos que afetem

patrimônio do particular

(ex: cobrança de multa não paga).

o

12 Lucas Furtado (2014, p. 218).

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A doutrina desdobra a autoexecutoriedade em dois outros atributos:

a exigibilidade e a executoriedade.

o

adm inistrado tem de cum prir o com ando im perativo do ato. Graças

à exigibilidade, a A dm inistra ção pode u sar meios indiretos de coação

para que suas decisões sejam cum pridas, com o, por exem plo, a aplicação

de m ultas ou de outras penalidades adm inistrativas im postas em caso de

descum prim ento do ato. Veja que, nesse caso, a

sujeito cum pre a im posição do Poder Público porque tem receio de ser

m ultado.

o

A

exigibilidade

seria

caracterizada

pela

obrigação

que

coação

é indireta:

Já a executoriedade seria a possibilidade de a A dm inistra ção , ela

o

adm inistrado a praticá-lo (coação m aterial). Na executoriedade, a

A dm inistra ção em prega meios diretos de coerção , com pelindo

m aterialm ente o adm inistrado a fazer algum a coisa, utilizando-se inclusive

da força. E xem plo: dem olição de obra irregular; dissipação de passeata que perturbe a ordem pública, etc.

própria, praticar o ato, ou de compelir, direta e m aterialm ente,

praticar o ato, ou de compelir , direta e m aterialm ente, Segundo Maria Sylvia Di

Segundo Maria Sylvia Di Piet ro, na exigibilidade (coerção indireta), os

m eios de coerção vêm sem p re definidos na lei; já na exe cu to riedade

(coerção direta), podem ser u tilizados independentemente de previsão legal, para atender situação emergente que ponha em risco a segurança, a saúde ou outro interesse da coletividade.

Para Celso An tônio Bandeira de Melo, nem todos os atos exigíveis

são executórios.

Por e x em p lo : a m ulta adm inistrativa é exigível pela Adm inistração,

particular cum pra a

obrigação . Porém , a m ulta não é executória, já que a A dm inistra ção não

poderá com pelir o particular a pagar o valor correspondente, devendo, para tanto, ir a juízo.

sendo uma form a indireta de o Estado forçar que o

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Outro

exem plo:

a

intim ação

para

que o adm inistrado construa

calçada defronte de sua casa ou terreno não apenas im põe esta obrigação, m as é exigível porque, se o particular d esaten der ao m andam ento, poderá ser m ultado sem que a A dm inistra ção necessite ir ao Judiciário para que lhe seja atribuído ou reconhecido o direito de multar. Entretanto, a determ inação de construir a calçada não é um ato

executório. eis que a A dm inistração não pode, ela própria, fazer a calçada,

tam pouco obrigar direta

pode usar m eios indiretos de coerção, a exem plo da aplicação da multa pelo descum prim ento da ordem .

e m aterialm ente

o

particular a fazê-lo;

ela

TIPICIDADE

Tipicidade

é

o

a tribu to

pelo

qual

o

ato

adm inistra tivo

lei

com o

deve

a

co rre spond e r a figu ra s definidas previamente pela

p rodu zir d e te rm inado s re sultad o s13.

ap tas

Esse a tribu to decorre dire tam en te do princípio da legalidade, im pedindo que a A dm inistra ção p ratique atos inominados, vale dizer, atos sem previsão legal. Afinal, para cada finalidade a ser perseguida pela Adm inistração o ordenam ento jurídico estabelece, previam ente, o ato específico (típico).

A

tipicidade

im pede,

tam bém ,

a

prática

de

atos

totalmente

ao

prever o ato, já define os limites em que a discricionariedade poderá ser exercida.

discricionários (que seriam , na ve rdade , arbitrário s),

pois

a

lei,

Maria Sylvia Di Pietro ensina que a tipicidade só existe com relação aos atos unilaterais. Isso porque, nos contratos (atos bilaterais), não há im posição de vontade da A dm inistração, que depende sem pre da aceitação do particular. Segundo a autora, nada im pede que as partes convencionem um contrato inom inado (sem previsão legal), desde que atenda m elhor ao interesse público e ao do particular. Não obstante, cum pre observar que, em alguns casos, o atributo da tipicidade se fará presente m esm o nos contratos administrativos, regidos pelo direito público, com o nos contratos de concessão de serviços públicos, já nom eados, tipificados, na Lei 8.987/1995.

13 Di Pietro (2009, p. 201).

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Direito Administrativo para AFRFB 2015 Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves - Aula 07

Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves - Aula 07 Deputados 2012) Em decorrência da autoexecutoriedade,

Deputados 2012) Em decorrência da

autoexecutoriedade, atributo dos atos administrativos, a administração pública pode, sem a necessidade de autorização judicial, interditar determinado estabelecimento comercial.

16.

(Cespe

-

Câmara

dos

Comentário: O quesito está correto. A autoexecutoriedade é a prerrogativa de que certos atos administrativos sejam executados imediata e diretamente pela própria Administração, independentemente de ordem ou autorização judicial. Permite-se até mesmo o uso da força física, se for necessária, mas sempre com meios adequados e proporcionais. A interdição de estabelecimento comercial é um típico exemplo de autoexecutoriedade.

Gabarito: Certo

17. (Cespe - Ibama 2012) O atributo da exigibilidade, presente em todos os atos administrativos, representa a execução material que desconstitui a ilegalidade.

Comentário: O quesito está errado. A execução material que desconstitui a ilegalidade refere-se ao atributo executoriedade (coerção direta, material), e não à exigibilidade. Por exemplo, a executoriedade permite à Administração demolir uma obra (execução material) para desconstituir a ilegalidade do empreendimento.

Já a exigibilidade diz respeito ao próprio dever imposto pela lei aos administrados, cujo cumprimento é garantido pela Administração mediante meios indiretos de coerção. Um bom exemplo é a retirada da CNH: a Administração exige a habilitação para poder dirigir (exigibilidade); se o motorista for pego sem carteira, ele poderá ser multado; a multa, portanto, é um meio indireto de obrigar o motorista a tirar a habilitação. Porém, a Administração não pode coagir materialmente o particular a obtê-la, ou seja, o ato não possui executoriedade.

são

desdobramentos do atributo autoexecutoriedade.

Lembrando

que

tanto

a

exigibilidade

como

a

executoriedade

Gabarito: Errado

18. (Cespe - Ibama 2012) O IBAMA multou e interditou uma fábrica de solventes que, apesar de já ter sido advertida, insistia em dispensar resíduos tóxicos em um rio próximo a suas instalações. Contra esse ato a empresa impetrou mandado de segurança, alegando que a autoridade administrativa não dispunha de poderes para impedir o funcionamento da fábrica, por ser esta detentora de alvará de funcionamento, devendo a interdição ter sido requerida ao Poder Judiciário.

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Em face dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.

Um dos atributos do ato administrativo executado pelo IBAMA na situação em questão é o da autoexecutoriedade, que possibilita ao poder público obrigar, direta e materialmente, terceiro a cumprir obrigação imposta por ato administrativo, sem a necessidade de prévia intervenção judicial.

Comentário: O item está correto. Em razão do atributo da autoexecutoriedade, o Ibama pode, independentemente de autorização judicial, compelir materialmente o administrado a cumprir a lei (no caso, mediante a interdição da fábrica), bem como impor multa (nesse caso, trata-se de coerção indireta, visto que, se o particular não pagar, a cobrança deverá ser feita junto ao Judiciário).

Gabarito: Certo

19. (Cespe - TRT10 2013) Em razão da característica da autoexecutoriedade, a

cobrança de multa aplicada pela administração não necessita da intervenção do

Poder Judiciário, mesmo no caso do seu não pagamento.

Comentário: A questão está errada. A cobrança de multa inadimplida não possui o atributo da autoexecutoriedade, vale dizer, a Administração não pode cobrar o pagamento sem a intervenção do Poder Judiciário.

Gabarito: Errado

20. (Cespe - Suframa 2014) Um veículo

da

SUFRAMA , conduzido por um servidor

do órgão, derrapou, invadiu a pista contrária e colidiu com o veículo de um particular.

O acidente resultou em danos a ambos os veículos e lesões graves no motorista do veículo particular.

Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.

Em caso de o servidor ser condenado administrativamente em decorrência do acidente, o ato de aplicação de pena lidade a esse servidor será caracterizado pelo atributo da autoexecutoriedade.

Comentário: O quesito está correto. Em razão do poder disciplinar, a Administração pode aplicar penalidades administrativas a seus servidores. E, para tanto, não precisa de autorização judicial, pois a lei atribui esse poder à própria Administração. Dessa forma, pode-se afirmar que o ato de aplicação de sanções disciplinares (da advertência à demissão) é autoexecutório.

Gabarito: Certo

21. (Cespe - ICMbio 2014) A autoexecutoriedade dos atos administrativos ocorre

nos casos em que é prevista em lei ou, ainda, quando é necessário adotar providências urgentes em relação a determinada questão de interesse público.

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Comentário: O quesito está correto. A autoexecutoriedade não existe em todos os atos administrativos. Conforme a doutrina, só há autoexecutoriedade quando expressamente prevista em lei ou quando tratar-se de medida urgente que, acaso não adotada de imediato, pode ocasionar prejuízo maior para o interesse público.

Gabarito: Certo

ELEM ENTO S

Os elementos do ato adm inistrativo são as partes que o com põem , a

sua

in fraestru tu ra.

Tam bém

são

cham ado s

de

requisitos

ou

pressupostos.

 
 

Os

elem entos

do

ato

adm inistrativo

podem

ser

divididos

em

(i) essenciais e (ii) acidentais ou acessórios.

 
 

Os

elementos

essenciais

são

aqueles

sem

os

quais

o

ato

adm inistra tivo não existe, ou seja, são elem en to s ne cessá rios à validade

do ato. A doutrina, aproveitando-se do que está previsto na Lei de Ação

P o p u la r14, indica

que os elem en to s essen ciais dos atos adm inistra tivo s

são: competência, finalidade, forma, motivo e objeto.

Ao

lado

dos

elem entos

essenciais,

os

atos

podem

contar

com

elementos acidentais, isto é, com p on en tes que podem ou não estar

presentes nos atos adm inistrativos, am pliando ou restringindo os seus efeito s ju rídico s; são eles: o termo, a condição e o modo ou encargo. Segundo Maria Sylvia Di Pietro, os elem entos acidentais referem -se ao

objeto

do

ato

(elem en to

essencial)

e

podem

existir

nos

atos

discricionários, porque decorrem da von tade das partes.

Elementos Essenciais (DEVEM existir)

COM

- FI - FOR - M - OB

Elementos Acidentais (Podem ou não existir)

E C T

■ COMpetência

Encargo ou modo

■ FInalidade

Condição

■ FORma

Termo

■ Motivo

■ Objeto

atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo

anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade".

14 Lei 4.717/1965, art. 2 °: "São nulos os

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22. (Cespe - Anatel 2012) Competência, finalidade, forma, motivo e objeto são

requisitos de validade de um ato administrativo.

Comentário: O item está correto. Os elementos também são chamados de requisitos de validade de um ato administrativo. Afinal, determinados defeitos (vícios) em algum deles poderá levar à anulação ou revogação do ato, conforme o caso. Em suma, a competência refere-se ao sujeito a quem compete a prática do ato; finalidade diz respeito ao resultado final da produção do ato, que sempre deve ter como fim geral o interesse público; forma é o rito seguido para a produção do ato, bem como o meio de exteriorização do ato em si, sendo a escrita a forma mais comum; motivo é o pressuposto de fato e de direito que fundamenta a prática do ato; e objeto é o conteúdo do ato, ou seja, seu efeito jurídico.

Gabarito: Certo

23. (Cespe - TRT10 2013) Consoante a doutrina, são requisitos ou elementos do

ato administrativo a competência, o objeto, a forma, o motivo e a finalidade.

Comentário: O quesito está correto. Ao tratar de requisitos ou elementos do ato administrativos, lembre-se do Com Fi For M Ob (competência, finalidade, forma, motivo e objeto).

Gabarito: Certo

Estudarem os cada um desses elem entos em seguida.

COM PETÊNC IA

C om pe tên cia

é o poder a tribuído

ao agen te

para

a prática

do ato.

Refere-se, portan to, ao sujeito que, segundo a norm a, é o responsável por

p raticar determ inado

com petência sim plesm ente com o "sujeito" ou "sujeito com petente").

ato

(a dou trina,

por vezes,

refere-se ao elem ento

No nosso ordenam ento jurídico, as com petências para a prática de

atos adm inistrativos são atribuídas originariam ente aos entes políticos

A partir daí, as com petências são

(União,

Estados,

M unicípios

e

DF).

distribuída s en tre os respectivos órgãos administrativos (com o os

M inistérios, S ecretarias e suas unidades) e, dentro destes, entre seus

agentes, pessoas físicas.

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A com pe tên cia deve de co rre r de norma expressa, vale dizer, não

presunção

de

com petência

adm inistrativa.

Com o

dizem ,

não

é

competente quem quer, ou quem sabe fazer, mas sim quem a norma

determinar que é.

A lei é a fonte

normal da competência. É nela que se en con tram

os

adm inistra tivas, ó rgão s e agen tes p ú blico s15.

lim ites

e

a

dim ensão

das

atribuições

com etidas

a

pessoas

Mas a lei não é fonte exclusiva da competência administrativa.

D eterm inados

Constituição, a exem plo do Presidente da República e dos M inistros de

Estado. A com petência pode, ainda, d eriva r de normas administrativas

agentes

retiram

sua

com petência

diretam ente

da

infralegais

(atos

de

o rganização),

com o

R egim en tos

In ternos

e

Resoluções.

Assim , a com petência pode ser:

 

■ C om p e tên cia

p rim á ria:

é

aquela

prevista

diretamente

na

lei

ou

na

Constituição Federal.

■ C om p e tên cia se cun d á ria : é aquela emanada de normas infraleaais. como, por exemplo, atos administrativos organizacionais. Deriva da lei, a qual deve autorizar expressamente a normatização infralegal.

G eralm ente ocorre o seguinte: a com petência de determ inado órgão

provém da lei (com petência prim ária) e a com petência dos segm en tos

internos dele (com petência secundária), caso a lei autorize, pode ser

definida através de atos de organização.

pode ser definida através de atos de organização. 24. ( Cespe - TCE/ES 2012 ) A

24. (Cespe - TCE/ES 2012) A competência para a prática dos atos administrativos depende sempre de previsão constitucional ou legal: quando prevista na CF, é denominada competência primária e, quando prevista em lei ordinária, competência secundária.

Comentário: Tanto as competências previstas na CF quanto as previstas nas leis são denominadas competências primárias, daí o erro. São chamadas de competências secundárias aquelas previstas em normas infralegais.

Gabarito: Errado

15 Carvalho Filho (2014, p. 107).

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Critérios definidores da competência

A norma define a com petência dos agentes públicos segundo alguns

critérios de distribuição e organização, quais se jam 16:

O Matéria: a com petência é definida segundo a especificidade da

função a ser exercida. Por e x em p lo : na esfera federal, cada Ministério possui com petência para tratar de determ inada m atéria (saúde, educação,

cultura, econom ia etc.).

O Hierarquia: as com petências são escalonadas de acordo com

seu nível de com plexidade e responsabilidade. Assim , por esse critério, as com petências m ais com plexas e de m aior responsabilidade são atribuídas aos agentes de plano hierárquico m ais elevado.

O Lugar: a com petência é distribuída entre órgãos localizados em

pontos territoriais distintos. Inspira-se na necessidade de descentralização

ou desconcentração territorial das atividades adm inistrativas. Por ex em p lo : determ inadas com petências da Receita Federal são desem penhadas por Superintendências espalhadas nos Estados-m em bros.

O Tempo: a com petência é conferida por determ inado período de

tem po. Por e x em p lo : a com petência do servidor público tem início a partir da investidura legal e térm ino com o fim do exercício da função pública.

Tam bém é exem plo a proibição de certos atos em períodos definidos pela lei, com o de nom ear ou exon e rar servidores em período eleitoral.

O Fracionamento: a com petência é distribuída por diversos

órgãos ou agentes, cuja m anifestação é im prescindível para a com pleta form ação do ato. Trata-se dos cham ados atos com plexos. Por ex em p lo: a redução de alíquotas de IPI para alguns refrigerantes depende da

aprovação do M inistério da Agridu ltura e do Ministério da Fazenda.

Características

A

doutrina

ensina

que

o

elem ento

seguintes características:

com petência

apresenta

as

O É de exercício obrigatório:

agente público, não sendo exercido por para a satisfação do interesse público.

tra ta-se

sua livre conveniência, m as sim

de

um

pode r-deve r do

O É irrenunciável: em respeito ao princípio da indisponibilidade

do interesse público, o adm inistrad o r atua em nom e e in teresse da coletividade, não podendo renunciar àquilo que não lhe pertence. Todavia,

16 Carvalho Filho (2014, p. 108)

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a irrenunciabilidade não im pede que a Adm inistração Pública transfira a

execu ção de uma tarefa, isto é, delegue o exercício da com petência

para fazer algo. A delegação, de toda sorte, implica transferir apenas o

exercício, eis que a titularidade da com petência continua a perten cer a

seu 'proprietário' (autoridade delegante).

O É intransferível ou inderrogável: não se adm ite tran sa ção de

com petência, ou seja, a com petência não pode ser transm itida por mero

acordo entre as partes. Um a vez fixada em norm a expressa, a

com petência deve ser rigidam ente observada por todos. Mesm o quando

se perm ite a delegação, é preciso um ato formal que registre a prática.

Essa característica tam bém decorre do princípio da indisponibilidade do

interesse público.

O É imodificável

por m era

von tade

do

agente:

quem

pode

m odificar com petência prim ária é a lei ou a C onstituição.

O É imprescritível: m esm o quando não utilizada, não im porta por

quanto tem po, o agente continuará sendo com petente, ou seja, ele não

perderá

sua com petência sim plesm ente pelo fato de não utilizá-la.

O É improrrogável: o fato de um órgão ou agente incom petente

praticar um ato não faz com que ele passe a ser considerado com petente.

Em outras palavras, o m ero decurso do tem po não m uda a incom petência

em com petência. Para a alteração da com petência, registre-se, é

necessária a edição de norm a que especifique quem agora passa a dispor

da com petência.

O Pode

ser

delegada

im pedim ento legal.

ou

avocada,

desde

Delegação e Avocação Delegação con siste

na

tran sferên cia

de

fun çõe s

que

de

um

não

haja

agen te

a

outro, norm alm ente de plano hierárquico inferior.

A Lei 9.784/1999, que cuida

do

processo adm inistrativo

no âm bito

federal, trata da delegação de com petência nos seguintes termos:

Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver im pedim ento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou

titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicam ente subordinados,

quando fo r conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.

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Com o

é adm itida

se vê,

som en te se houver impedimento legal 17.

a regra

geral é a possibilidade de delegação, a qual

não

O ato de delegação especificará as m atérias e poderes transferidos,

os limites da atua ção do delegado , a duração e os objetivos da

delega ção e o recurso cabível, podendo con te r ressalva de exercício atribuição delegada (Lei 9784/1999, art. 14, §3°).

da

Conform e

assinalam

Vicente

Paulo

e

Marcelo

Alexandrino,

a

delega ção deve ser de apenas parte da com pe tên cia

do

órgão

ou

do

agente, e não de todas as suas atribuições.

 

Poderão

ser

im postas condicionantes

(ressalvas)

ao

exercício

da

com petência

delegada,

por exem plo, determ inação

de que a autoridade

delegante deverá ser previam ente consultada em situações específicas.

Ressalte-se

que

a

delegação

geralm ente

é

feita

para

órgãos

ou

agentes subordinados (ou de m esm a hierarquia), m as tam bém é possível

mesmo que não exista subordinação hierárquica. É o que ocorre, por exem plo, na descentralização por colaboração, em que o Estado,

m edian te contrato, tran sfere (delega) a execução de determ inado

serviço

público

a

uma

pessoa jurídica

de direito

privado,

conservando

o Poder

Público a titularidade do serviço (ex: concessões e perm issões de público).

serviço

Im portante

destacar

que

o

ato

de

delegação

é

um

ato discricionário,

revogável

a

qualquer

tempo

pela

au to ridade

delegante.

 

O

ato

de

delegação

não

retira

a

com petência

da

autoridade

delegante,

que

continua

com petente

cum ulativam ente

com

o

agente

d eleg a d o 18. A final, a delega ção apenas tran s fe re a re spon sabilidade pelo

exercício de determ inada tarefa; a titularidade perm anece com quem delegou.

S egundo o art. 14, §3° da Lei 9 .784/1999 , "as decisões adotadas por

delegação devem mencionar explicitamente esta qualidade e con siderar-

se-ão editadas pelo delegado". Ou seja, a responsabilidade pela prática do ato é do agente delegado.

O art. 13 da Lei 9 .784 /1999 dispõe que não podem ser objeto de

delegação:1718

17 Frise-se, porém, que parte da doutrina entende que a delegação de competência só é possível nos casos em que a norma expressamente autoriza (Carvalho Filho 2014, p. 109)

18 Carvalho Filho (2014, p. 109).

E s t r a t é g i a CONCURSOSW ■ a edição de

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■ a edição de atos de caráter norm ativo;

■ a decisão de recursos adm inistrativos;

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■ as matérias de com petência exclusiva do órgão ou autoridade.

Essas funções são indelegáveis e, acaso transferidas, acarretam a

invalidade não

da

do

ato

de

tran sfe rên cia ,

A