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AR/MDG

TRIBUNAL MARÍTIMO PROCESSO Nº 29.120/14 ACÓRDÃO

B/P “LOGOS” e lancha “FURACÃO I”. Abalroação. Erro de manobra. Condenação.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

No dia 29 de dezembro de 2013, cerca das 11 horas, na baía de Paranaguá, Paraná ocorreu a

abalroação envolvendo o B/P “LOGOS” e a lancha “FURACÃO I”, com danos materiais.

No inquérito realizado pela Capitania dos Portos do Paraná foram ouvidas duas

testemunhas, realizado laudo pericial e juntada a documentação de praxe.

Milton Cesar Silva; já qualificado nos autos, declarou resumidamente que saiu de

Paranaguá, PR em direção ao Cais do Porto transportando 13 pessoas para um passeio turístico,

visibilidade boa, que nas proximidades da Ponta da Cruz, sentiu impacto de uma embarcação por

boreste, abalroou a embarcação “LOGOS”, que estava com seu rumo em direção à ilha de Piaçaguera;

e como havia algumas pessoas sentadas na proa da embarcação não foi possível visualizar a embarcação

“LOGOS”; que após o abalroamento fez a manobra para se aproximar da embarcação “LOGOS” mas o

condutor continuou o seu rumo se afastando o depoente imagino que não tinha nada acontecido. E que

com o abalroamento, não houve danos na sua embarcação; que ninguém se machucou.

Vitor Neves de Souza, já qualificado nos autos, declarou resumidamente que partiu de

Paranaguá com destino a Piaçaguera quando por volta das 11h50min, tendo o farol da ilha da Cotinga pelo

seu través de boreste, foi abalroado no bombordo pela embarcação “FURACÃO I” que após ao acidente

a embarcação “FURACÃO I” seguiu em direção do cais do porto, sem prestar assistência às

pessoas que se encontravam na embarcação; que o abalroamento causou danos na embarcação

“LOGOS”; que fez água e só conseguiu chegar ao seu destino porque retirou o bueiro para esgotar a água

com o movimento da hélice; que havia ele e mais cinco pessoas e ninguém se machucou; que a maré

estava boa de enchente e tempo estava bom.

O laudo pericial concluiu que a imperícia do condutor da lancha causou o acidente.

No relatório o encarregado do inquérito concluiu que de tudo quanto contêm os presentes

autos, conclui-se:

I) fatores que contribuíram para o acidente:

a) fator humano - não contribuiu;

b) fator material - não contribuiu; e

c) fator

(três

“FURACÃO I”, limitando a visibilidade de seu condutor).

operacional

- contribuiu

pessoas sentadas

na

proa

da

embarcação

II) que, em consequência, houve danos causados à embarcação: avaria na proa da

embarcação “LOGOS”, despregadura de uma tábua do costado a bombordo.

III) que é possível responsável direto pelo fato da navegação o proprietário da

embarcação “FURACÃO I”.

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(Continuação do Acórdão referente ao Processo nº 29.120/2014

)

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A Procuradoria Especial da Marinha ofereceu representação em face do indiciado citado

com fulcro no art. 14, alínea “a”, da Lei nº 2.180/54. Citado, o representado manteve-se silente, sendo declarada a sua revelia.

Na fase de instrução nenhuma prova foi produzida. Em alegações finais, manifestou-se a PEM. É o relatório.

De tudo o que consta nos presentes autos, verifica-se que a causa determinante do acidente foi o erro de manobra cometido pelo representado.

O conjunto probatório foi uníssono em apontar a responsabilidade direta do representado,

que não foi capaz de desviar-se da embarcação abalroada.

O depoimento do próprio representado é o reconhecimento de culpa, visto que admite não

ter visto com antecedência a embarcação abalroada, surpreendendo-se com sua presença, e que haviam

diversas pessoas na prova, não visualizando o B/P.

A revelia do representado constatou as acusações da exordial.

Diante do exposto, deve ser julgada integralmente procedente a representação,

responsabilizando-se o representado diante de suas condutas imprudente e imperitas.

Assim,

ACORDAM os Juízes do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à natureza e extensão do acidente da navegação: abalroação entre lancha e B/P, com danos materiais; b) quanto à causa determinante: erro de manobra; e c) decisão: julgar o acidente da navegação como decorrente da imprudência e imperícia do representado, condenando-o à pena de multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) e ao pagamento das custas, na forma dos artigos 14, alínea “a” e 121, inciso VII, da Lei nº 2.180/54. Publique-se. Comunique-se. Registre-se. Rio de Janeiro, RJ, em 30 de maio de 2017.

MARCELO DAVID GONÇALVES Juiz Relator

Cumpra-se o Acórdão, após o trânsito em julgado. Rio de Janeiro, RJ, em 25 de julho de 2017.

MARCOS NUNES DE MIRANDA Vice-Almirante (RM1) Juiz-Presidente PEDRO COSTA MENEZES JUNIOR Primeiro-Tenente (T) Diretor da Divisão Judiciária

AUTENTICADO DIGITALMENTE

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