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COMO BARN ARTIGOS CIENTIFICOS Um guia fascinante e pratico para estudantes que desejam mais seguranca e sucesso no mundo da pesquisa Editora Saraiva Fa Hanique Schaurann, 270 —CEP:05415°010 Pls —~ Tl: PABX (X11) 649-0000 Fe: (11) 9611-3908 — elves: (XX) $61335048 Fax Vendas:OXK11} 36511-4268 ~ S30 Paulo — SP Endre nemet hp edtoraseraiacom2r 4 ia ‘Aquino, alo de Souza i AVAZONASRONDONWRORAMAACRE Ca uacoeepr ah naan | Como ter args centins: da ravage ao coord Halo | FonefPax (G2) $593-4227 / 3609-4782 — Manaus | ‘de Souza Aquino. - $40 Paulo : Saraiva, 2010. ' DARIASERGIPE | ark Dios 23 — it \ ISBN 976-85-02-09229-7 [ I ope te edd nlrb | 4.Letua. 2. Compreensto nal, 3, Publicegées cenicas. BAURUSKO PAULO ; aa ae tanec 4) 4 Letura- stud e ensino | Tuo. ‘ua Monsonhor Ciao, 2882-67 — Cento i Fone (ORKIE) 224 64) 9234-7401 — Bas i CANPRASISHO PAULO {cla cca esr) a Camargo Panera 630— Jd. Guanabara Fane (0X19) 3293-3004 s248-8059 — Canpnas CCEARAPIAUIQUARANKAO {hy Flomano Gomes, 670 —sacarecangn Fone: (DOGS) 3253-2828 / 40881531 — Fraloza DISTRITO FEDERAL 'SW/SUL Trecho 2 Lae 850 — 71200020 — Seto denise Abestacmeto Fone: (X61) $544 2020 8084-2061 / 044-709 — Brasil gouisrTocaNTINS +. Indepandinca, 5880 — Stor Aepart Fone: (0X52) 225 268 /$212.2606/ 922-201 NATO GROSSO DO SULMATO GROSSO ua 14d Julho, 348 — Conta Fone: (O17) 382.362 2262-0112 — Capo Grande nas GERAS a Alo Para, 448 —Legointa Fone: (0X31) 34098500 Bed Horizonte PRRAANAPA TravseaApinagis, 186 ~ Batista Campos Fone (XAG 222-9034 2204-308 /S24-0400 — Belém PARANASANTA CATARINA ua Consanero Laud, 2588 — Pato Veo Fone: (01) 2082-4804 — Cuba PERNANSLUCOIALAGOASIPARAIBA. G, DO NORTE ua Conedor do iso, 185 ~ Goa Va Fone (0X91) 34214248 / 21-4510 — Reco IBEIRAO PRETOISKO PAULO ‘hy. Francisco Jungue, 1255 — Centro Fone; (OXX16) S610 6845 610-284 —Rbsto Pret lO DE sANEIROIESEIAITO SANTO ua Vso de Sars sab, 113.2118 — Vil sabe. Fone: (O21) 257-9404 257-8867 25778885 — Alo Jane FIO GRANDE 00 SUL 1. Ao Renee, 231 — Fraps Fanon (OXKS1) 397-4001 / 3371-1467 / 3871-1567 — Pato loge ko JOSE D0 RIO PRETO'SAO PAULO (ca dos pcessar) ‘Br, Fara Lin, 6989 — Ro Preto Shopping Carter —V. Sp José ono: (OXKIT) 27-989 / 27-0882 227.5248 — So Jos6 do io Preto ‘KO JOSE DOS CAMPOSISAO PAULO {sat os pecossores) ‘ua Sara Luz, 108 — Jd, Santa Macalena Fone (0X42) 921-0732 — So Jost dos Campos SAO PAULO ‘Ay. Antica, 92~ Bara Funda Fone: PABX (XX) 9613-200 61-8308 — Sao Palo — Beira Se ee PROPOSITO epois de langar os livros COMO ESCREVER ARTIGOS CIENTIFICOS e COMO FALAR EM ENCONTROS CIEN- TIFICOS, lembrei-me do adigio popular: Quem nio 1é, mal fala, mal ouve, mal vé. Como a leitura é a base para uma boa oratéria e uma boa escrita, além de abrir horizontes do entendimento, resolvi accitar um. desafio préprio: escrever um livro sobre leitura de artigos cientificos para preencher essa lacuna do tripé LER — ESCREVER — FALAR. E bem verdade que a fala antecede a escrita ¢ a leitura, nos pri- meiros passos da comunicagio do ser humano; isto sem falar da ‘fala do choro’, do instinto do choro pelo peito da mae, pelo frio, calor, dor... Como a fala basica é limitada aos primeiros anos de uma crianga, ela é naturalmente alimentada pela leitura do mundo e, também, lite- ralmente, pela leitura da escrita. A leitura, quando exercitada, molda a fala e a escrita a quem se expde a ela. Em termos cientificos, isso também ocorre. Tao logo o jovem entra na universidade, ele se depara com um mundo novo de desafios, entre os quais ESCREVER artigos cienti- ficos (ou pelo menos resumos) e FALAR em semindrios em sala de aula ou em encontros cientificos (palestra ou apresentagio de painéis). Para quem nfo teve uma pratica de leitura, haverd mais esforco para acompanhar esse ritmo académico. Este livro aborda aspectos praticos para uma leitura de artigos cientificos que, com certeza, poderao compensar o tempo que ja passou, em termos de pouca leitura. Assim, qualquer sentimento de culpa por nio ter dedicado o tempo devido a leitura no passado, no mais inco- modara seus pensamentos. Numa abordagem clara, este livro levard vocé a ler 0 que precisa ser lido em artigos cientificos, levando-o a ter mais ousadia quanto a escrever e falar ciéncia no mundo académico ¢ profissional. Do gibi ao livro técnico, o que importa é estar disposto a andar mais uma milha na busca do conhecimento. Boa leitura! CAPITULO = — CAPITULO =) BO CAPITULO oS Qo SUMARIO A Importancia de Ler Artigos Cientificos | 3 Quem Mais Pode Ler Artigos Cientificos | 4 Do Laboratério para a Cozinha | 5 Olhe para a Historia | 5 Tipos de Escrita Cientifica | 5 Sete Razées para se Ler Artigos Cientificos | 6 Artigo Cientifico: de Aa Z | 6 Como Ler Artigos Cientificos | 7 Onde Lé-los | 7 Equipamentos de Leitura | 8 Artigos Bem Escritos Versus Artigos Mal Escritos | 8 Antes de Tudo | 8 Depois de Tudo | 9 Mais Além... | 9 Como Ler: Titulo | 11 Ese o Nome Cientifico Nao Estiver no Titulo? | 13 O Apelo do Titulo | 13 Nio Fique Intimidado com Titulo Complicado | 14 Como Ler: Autor(es) e Afili ‘0 | 17 E-mail... Mala direta | 18 CAPITULO CAPITULO CAPITULO CAPITULO CAPITULO CAPITULO 04 05 06 07 08 09 Como Ler: Resumo | 21 Resumo sem Cabeca | 22 Abstract | 23 Parece Brincadeira | 24 Como Ler: Palavras-Chave | 27 Sindnimos | 28 Importincia | 28 Como Ler: Introdugao | 31 Revisio Bibliogréfica | 33 Nomes e Datas | 33 A Hora é Esta | 33 Como Ler: Objetivo | 37 Objetivo com Hipétese Presente (Visivel) | 38 Objetivo com Hipétese Dilufda (Em Todo Parigrafo) | 39 Como Ler: Material e Métodos | 41 Material | 42 Métodos | 43 Como Ler: Resultados e Discussio | 45 Resultados | 46 Discussio | 54 CAPITULO CAPITULO CAPITULO. CAPITULO CAPITULO CAPITULO 10 1] 12 13 14 15 Como Ler: Conclusao | 57 © Emprego do Verbo | 58 © Link com os Resultados | 58 Satisfeito ou Pensativo? | 59 Novas Ideias | 59 Como Ler: Agradecimentos | 61 Pessoas Envolvidas na Pesquisa | 62 Instituigdes de Pesquisa ou de Fomento | 62 Como Ler: Referéncias Bibliograficas | 65 Onde Encontrar Artigos Cientificos Para Ler | 69 Biblioteca | 70 Internet | 70 Portal de Periédicos da CAPES | 70 Outras Revistas Eletrénicas | 74 Assinando uma Revista | 74 Que Revistas Vocé Deve Ler | 77 Revistas de sua Area | 78 Outras Revistas | 78 O ABC de Um Artigo Cientifico | 81 Um Artigo Ficticio | 82 Resumo | 83 Palavras~Chave | 83 Abstract | 83 CAPITULO 16 Keywords | 84 Introdugio | 84 Objetivo | 84 Material e Métodos | 84 Resultados e Discussio | 85 Conclusio| 85 Agradecimentos | 85 Referéncias Bibliogrificas | 86 Detalhes de Primeira Pagina | 86 Estratégias Adicionais Para Leitura de Artigos Cientificos (Dicas) | 91 Referéncias Bibliograficas | 94 {Le artigos cientificos nfo é algo popular. Nao é popular porque mio é visto pelo povo em geral, porém, os efeitos da pesquisa Glentifica estio no dia a dia. O piiblico nfo Ié ciéncia; ele usa seus beneficios; j4 estudantes ¢ pesquisadores precisam da leitura cientifica para manter a chama do conhecimento sempre acesa, descobrindo inovando na busca de beneficios para a humanidade. Ler artigos cientificos é algo muito relevante. Além do fator social-global, vocé é 0 primeiro a se beneficiar. Esse tipo de leitura serve de combustivel para ir mais longe na vida académica e profissional. Todos verao os frutos das sementes de leitura plantadas hoje em sua vida. © seu curriculum sera a prova disso. E por falar em curriculum, voce j& parou para pensar como um Curriculum Vitae é elaborado? Ele possui, entre outras coisas, apenas © que foi escrito ou falado. Nao hd curriculo que destaque o ler, mas apenas 0 escrever (artigos, livros, capitulos, resumos, dissertacio, mo- nografia, tese etc.) ¢ o falar (palestra, entrevista, filme etc.). Ler, porém, é a fundagio para todas as modalidades da producio cientifica. Um grande curriculo, de um grande pesquisador, tem como fundamento o tempo dedicado 4 leitura, antes e durante a pesquisa.Ao ler artigos cientificos o estudante, professor ou pesquisador, esta cons- truindo um ambiente satisfatorio para que sua empreitada na pesquisa seja de sucesso. QUEM MAIS PODE LER ARTIGOS CIENTIFICOS Qualquer pessoa. Sim, qualquer pessoa, independente de estar envolvido no mundo académico ou de pesquisa, pode (e deve, de vez em quando) ler artigos cientificos. H4 artigos tio priticos que qualquer dona de casa gostaria de tirar vantagem dessas informagoes. Artigos cientificos, por exemplo, que relatam estudos de conservacio de frutas apés colheita, sio um excelente exemplo disso. Estudos que mostram que determinada fruta pode ter sua vida prolongada quando se tem uma atmosfera modificada (embalagem e/ou temperatura) podem ser de grande valia para qualquer familia. O que acontece é que quando esta noticia vier a ser popular (se vier), j4 se foram muitos anos depois da publicacio do artigo cientifico. DO LABORATORIO PARA A COZINHA Pesquisas cientificas podem e devem ser mais populares, visto que possuem informac6es muito importantes para o uso imediato da socieda- de. Recentemente, encontrei um artigo na internet intitulado Conservagéo pés-colheita de mangaba em fungio da maturagéo, atmosfera e temperatura de ar- mazenamento (Santos et al. 2009). De cara, qualquer dona de casa, se tivesse acesso a esse artigo, poderia deixilo de lado, por se tratar de artigo cientifico mas,ao folhed-lo, ignorando as varias Figuras com grificos complicados, esta dona de casa poderia chegar a seco Conclhusdes e, entio, encontrar mais um segredo para sua cozinha: O uso de“...filme de PVC de 13 um de espessura é eficiente na conservagio de mangabas... ¢ sob refrigeragio” (p. 90). Esta conclusao, encontrada em laboratério, poderia ir direto para a cozinha de milhares de pessoas que apreciam o fruto da mangaba. E mais... j4 pensou se essa dona de casa comegar a ler alguns artigos sobre outras frutas e ver que procedimentos semelhantes podem ser apli- cados na sua cozinha? E se ela comegar a ler artigos cientfficos sobre carne, leite, pio? Que sociedade de mais qualidade no teriamos? OLHE PARA A HISTORIA Sempre fago com que meus alunos se lembrem da histéria da pesquisa cientifica; antes, a pesquisa era quase que exclusiva a doutores; depois, os mestres se acostaram a sua produgio; e, na competitividade profissional da diltima década do século do século XX, os especialistas e graduados se viram na necessidade de adotarem uma postura mais ousada de engajamento no mundo da pesquisa cientifica. E oportuno lembrar que até mesmo estudantes do ensino médio tém oportunidade ~ nos dias atuais — de entrar pela porta da pesquisa, através de editais destinados 4 pesquisa no ensino médio. TIPOS DE ESCRITA CIENTIFICA A escrita cientifica pode ser lida em varios formatos (Aquino 2009a; Aquino 2009b): 1. Resumo 2. Paper (Artigo Cientifico) 3. Capitulo de Livro > = 3 cs g 2 8 rs g 2 2 g g 3 3 r 8 é & a z 8 1 2 @ 3 2 . 3 8 & g 5 g 3 g & 4. Livro 5. Projeto 6. Painel Outros produtos: resumo expandido, folhetos, relatérios, cartilhas, boletim técnico, circular técnica ete. De todos os produtos ¢ servigos produzidos pelo pesquisador, © artigo cientifico (completo), o famoso paper, tem maior pontuagio na maioria dos concursos e em ascensio profissional dentro de uni- versidades e institutos de pesquisa. O artigo cientifico é, portanto, o carro-chefe do curriculo de qualquer cientista. SETE RAZOES PARA SE LER ARTIGOS CIENTIFICOS Hi pelos menos sete razées por que devemos ler artigos cientificos: 1. O artigo cientifico mostra o que est4 acontecendo agora no mundo cientifico; 2. A pesquisa publicada através de um artigo cientifico pode ser replicada; em outras palavras, vocé pode repetir tudo o que est descrito no artigo; 3. Acesso a referéncias e dados apresentados para seu proprio uso; 4. Os resultados e discussées podem servir de fundamento para suas préprias conclusdes (mesmo lendo as conclusées presen- tes no artigo); or . Tempo. Alguns trabalhos levam anos para serem concluidos publicados e vocé, em poucos minutos, pode ter acesso a toda informago. Que ganho de tempo!!! 6. Ganho de vocabulario especifico de sua 4rea de conhecimento; 7. Traz mais seguranga para seu convivio no mundo da ciéncia. ARTIGO CIENTIFICO: DE AAZ Um artigo cientifico (completo), possui um padrio e caracteristicas bisicas, quer seja publicado em periddico nacional ou internacional. As partes que o compéem sio doze: 1. Titulo 2. Autor Afiliagio Resumo (Abstract) Palavras-chave ae ee Introdugio Objetivo Material e Métodos 9. Resultados e Discussio ena 10. Conclusao 11. Agradecimentos 12, Referéncias Bibliograficas Existem revistas cientificas que dividem Material e Métodos em duas segdes ¢ Resultados ¢ Discussio, também em duas; quando isto acontece, teremos 14 (quatorze) partes, que serio abordadas individual mente nos capitulos a seguir. COMO LER ARTIGOS CIENTIFICOS A leitura de um artigo cientifico é diferente da leitura de um romance, por exemplo; neste ultimo, vocé nio pode pular uma pagina, senio perde o fio da meada, mas vocé pode, em um artigo cientifico, ler apenas 0 que lhe interessa (como uma revista ou um jornal), sendo facil achar a seco especifica de que vocé precisa devido 4 sua estrutura. Com um artigo em mios (ow na tela do computador), vocé pode ler 0 que € como quiser ~ € como estar na casa da vov6... mais liber- dade (pelo menos na maioria).Vocé pode (e deve) ler se divertindo: isto mesmo! Esta tudo ali, nao vai escapar de suas mios e vocé ficou apenas com a parte mais facil: ler. O pior ficou com quem pesquisou ¢ publicou. Portanto, nao entre em pinico! ONDE LE-LOS Quanto mais confortavel o lugar de leitura, melhor. E bem verdade que ha momentos em que lemos em qualquer lugar (viajando— quando nao estiver dirigindo, ébvio; na sala de espera etc.); mas, a melhor regra para uma boa leitura é ter disposig¢ao para tal; o local > 7 Z g 8 & z a & 8 2 3 5 3 owo } opeioanop 08 ogsenpei6 eq - soryjuep sobre x apenas favorece a uma compreensio melhor. Quer compreender melhor? Procure um lugar em que vocé se sinta bem. EQUIPAMENTOS DE LEITURA Em se tratando de uma leitura de artigo cientifico é iniportante estar equipado para melhor proveito do contetido. Os melhores equi- pamentos para leitura, simples e praticos, sio: * Marca texto (amarelo, laranja, verde ou azul); ¢ * Um pequeno caderno de anotacées. Naturalmente, muitos inputs surgem quando lemos um artigo relacionado ao que pesquisamos; muitos insights chegam como uma avalanche e s6 anotando é que poderemos lembri-los mais adiante. Na auséncia de marca texto, caneta ou lapis podem servir.A regra basica é marcar ou grifar todas as palavras desconhecidas; ao fazer isso, vocé estar4 garantindo, a vocé mesmo (nao a outra pessoa) que, em breve, essas palavras serio conhecidas... vocé tera dominio sobre elas (veremos mais adiante como fazer isto). ARTIGOS BEM ESCRITOS VERSUS ARTIGOS MAL ESCRITOS Nem todo cientista é necessariamente um bom escritor; nem to- das as pessoas t&m a mesma habilidade de dominar sua propria lingua e escrever bem. Mesmo possuindo regras rigidas para a escrita cientifica, as revistas ndo conseguem filtrar os maus escritores. Muitos podem obe- decer as regrar técnicas de formatagao e nao fluir no texto o que, com certeza, ira afetar a leitura e poderd deixar o leitor sem muito entusiasmo para prosseguir.A culpa no é sua e, portanto, ignore a mé escrita e tente sugar apenas os resultados que podem ser de grande valia para voce. ANTES DETUDO Antes de ler 0 artigo, faca duas coisas basicas: primeiro, diga a vocé mesmo que alguma coisa Ihe ser «itil na leitura do artigo cientifico e, segundo, dé uma olhada, pagina por pagina, sem ler, mas apenas obsei vando a blocagem dos textos, as figuras, as tabelas, quantas paginas tem a segio Referéncias Bibliogrificas... esta olhada serve de balsamo para qualquer ‘tenséo microscépica’, consciente ou inconsciente. Antes de tudo, dar uma olhada no artigo é semelhante a visitar o local em que vocé ira apresentar uma palestra; de alguma forma, vocé se sente mais seguro fazendo esta visita..., uma questao de ficar familiarizado. DEPOIS DETUDO As sugest6es aqui apresentadas sao fruto de quase trés décadas de envolvimento com artigos cientificos. Tao logo vocé leia este livro ¢ comece a ler os artigos cientificos de leitura, j4 que 0 primeiro passo j4 foi dado: vocé conseguiu ler 0 Capitulo 1; agora, vamos em frente, conhecer como decifrar 0 escrito de cada etapa de um artigo cientifico. irf desenvolver seu proprio estilo MAIS ALEM.. Ah! Mais uma coisa: saiba, desde j4, que haveré artigos cientificos que serio tio importantes para vocé que serio necessdrias uma, duas, trés ou quatro leituras para, finalmente, vocé extrair o de que precisa. Ir mais além em determinada leitura que lhe interessa no ser peso algum; pelo contrario, vocé vera que ler um artigo cientifico mais de uma vez é como assistir a um filme (mais de uma vez). Hé filmes a que assisto com meus filhos umas trés ou quatro vezes e gostamos sempre de revé-los. Espaco reservado para suas anotagées sobre A importancia de ler artigos cientificos > 3 3 3 3 a B z 3 a 2 3 & 9 a > = < < o 0? COMO LER: TITULO Titulo 6a porcio primeira de todo artigo cientifico; ele possui tamanho de fonte em maior tamanho do que o texto e deve ser, em alguns casos, ido com cuidado. Em alguns casos, especialmente com seres vivos, é possivel que um titulo nao seja eficaz; vejamos este exemplo (hipotético, para evitar constrangimentos de quem assim es- creve) com um titulo relacionado a uma pesquisa com plantas: Efeito de adubacao nitrogenada no desenvolvimento da pinha Pinha é uma fruta tropical que possui varios nomes vulgares no Pais; enquanto é chamada pinha em alguns estados, em outros sé é conhecida por fruta-~do-conde ou ata. Um dos grandes erros cometidos por quem escreve titulos com nomes de seres vivos é nao colocar o nome cientifico. HA muitos que preferem colocé-lo apenas no Resumo, nas Palavras-chave ou na Introdugao; portanto, na leitura do titulo de um artigo preste bem atengio se vocé entende todas as palavras escritas. Esta questio de nomenclatura cientifica é valida nado somente para descomplicar os possiveis conflitos regionais mas, principalmente, para ser eficiente em terras internacionais. La fora, ninguém est’ (muito) interessado se a palavra é pinha, ata ou fruta-do-conde. O que o pesquisador, em qualquer pais, deve saber, é 0 nome cientifico da planta pesquisada: Annona squamosa; assim, 0 titulo mais adequado deveria ser: Efeito de adubacao nitrogenada no desenvolvimento da pinha (Annona squamosa) ou, de forma mais condensada (sem o nome vulgar): Efeito de adubacao nitrogenada no desenvolvimento de Annona squamosa E SE O NOME CIENTIFICO NAO ESTIVER NO TITULO? Caso vocé no entenda uma palavra regional de um ser vivo no titulo, vocé poder4 encontrar 0 nome cientifico em outras partes do artigo. Primeiro, dé uma breve olhada nas Palavras—chave (logo abaixo do Resumo). E provavel que, na auséncia de nome cientffico no Ti- tulo, o autor tenha decidido coloc4-lo apenas nas Palavras-chave ou em outra se¢io. Como Palavras-chave fica logo na primeira pagina do artigo e é escrito em apenas uma a duas linhas, fica facil detectar o nome cientifico (se estiver 14). O segundo passo é dar uma olhada nos dois primeiros pardgrafos da Introdugao. O APELO DOTITULO HA casos em que o Titulo é apelativo;nao com o uso de palavras mas com a utilizagéo de termos que parecem ser fatos quando, na realidade nio passam de especulagées, ou seja, é mais ou menos uma propaganda enganosa que acontece com frequéncia em resenhas cientificas. Vejamos: ACURA DA AIDS PELO TOMATE Observe que esse Titulo j4 vende a cura quando, na realidade, esta pesquisa trata apenas de uma observa¢io baseada em remédios caseiros, sem nenhum critério cientifico. TOMATE: UM PROVAVEL ALIADO NO COMBATE A AIDS? Neste caso, ha dois elementos que identificam a seriedade do(s) autor(es); 0 primeiro, é 0 uso da palavra PROVAVEL; 0 segundo, o uso de INTERROGAGAO. Este cuidado no uso desses elementos pode ser uma forte indicagio de uma boa escrita do artigo. Com a referida observagio vocé poder identificar, logo no inicio de sua leitura, se h4 apelo ou nio, mas nao se engane; 0 contrario pode ser uma realidade, ou seja, um autor pode ser relapso no Titulo e, em todo o corpo do artigo, mostrar uma escrita surpreendente; no entanto, outro autor cauteloso quanto ao Titulo pode apresentar uma escrita vaga no restante do artigo. a 8 3 8 & s 9 8 2 8 = 2 eS & 2 2 5 8 3 9 a 5 8 8 a $ 5 g a $ NAO FIQUE INTIMIDADO COM TITULO COMPLICADO De vez em quando vocé poderd ter encontros com algum Titulo que seja motivo de desanimo para continuar a leitura; isto é semelhante a fazer um concurso. Vocé se inscreve e quando sai a concorréncia de 30, 300 ou 3.000 para um, vocé j4 fica cabisbaixo, sendo tentado a pensar “E... t4 dificil...”; mas, espera ai! se todo mundo tem acesso a essa concorréncia, todo mundo poder ter a mesma atitude e entio havera vencedores e vocé tem que acreditar que sera capaz de vencer. Em relagio a um Titulo dificil de compreender, tenha a mesma atitude positiva: Serei capaz de entender. E com mais alguns minutos de leitura, vocé vera que o autor foi infeliz em colocar um Titulo inadequado; que tudo nio passou de erro do autor, pois a pesquisa ¢ facil de ser entendida. CAPITULO, ()3 COMO LER: AUTOR(ES) E AFILIACAO leitura do(s) autor(es) e a afiliagdo é importante por duas razSes primeiro, vocé pode identificar se o pesquisador j4 6 de seu conhecimento 0 que, muitas vezes, facilita a empatia com o que se vai ler; segundo, a afiliagio dard a vocé a oportunidade de ter o enderego do centro de pesquisa em que foi desenvolvido o trabalho e, na maioria dos artigos, o e-mail do pesquisador. E-MAIL... MALA DIRETA Se por alguma razio vocé estiver folheando um artigo ¢ tenha interesse em detalhes ou de conseguir uma separata do mesmo, escreva 0 enderego eletrénico do pesquisador e, em tempo oportuno, escreva para conseguir 0 que deseja. Uma boa ideia é fazer uma mala-direta com o endereco de todos 08 pesquiisadores de sua area e, pouco a pouco, lendo artigos cientificos, vocé ir formando um grande banco de dados. Espaco reservado para suas anotacées sobre Como ler: autor(es) eafiliago =) 3 3 3 z g & g g oo 2 3 fo LER: RESUMO | { Resumo 6 a miniatura de um artigo completo; nele encon- Oe todas as partes importantes de um artigo cientifico. Ao saber 0 que foi estudado, como o experimento foi conduzido ¢ que resultados foram encontrados, vocé certamente saber4 se precisara do restante do artigo. Em grandes bancos de dados (MEDLINE®, LILACS, AGRI- COLA etc.) vocé encontra milhares de resumos disponiveis e apenas endo resumos vocé teri uma boa visio se deveré buscar 0 artigo completo ou nao. RESUMO SEM CABECA E muito comum encontrar resumos decapitados; este tipo de resumo j4 comega com Material e Métodos, nao explicando ao leitor © porqué da pesquisa (sempre deve haver uma justificativa... um problema com uma proposta de investigar, pesquisar). Resumos sem cabeca geralmente come¢am assim: Este estudo foi realizado no municipio de Sao Paulo, SP: utilizaram-se 820 alunos de escolas da rede publica... GNewe exemplo no se encontra a Introdugio (frase central e pro- blema) nem o Objetivo. O Resumo correto deveria estar escrito assim: © objetivo desta pesquisa foi diagnosticar 0 nivel de pratica da escrita convencional entre estudantes da zona urbana ¢ rural. Este estudo foi Fealizado no municipio de Sao Paulo, SP:|ut publica, aiam-se 820 alunos de escolas da rede No se desespere se na parte final do Resumo (onde se encon- tram uma ou duas linhas destinadas 4 Conclusio) vocé encontrar cédigos conclusivos. E 0 que so cédigos conclusivos? Sao abreviagdes para se ganhar espaco ou para nao ser tio repetitivo. Exemplos: AHB: Africanized Honey Bee EHB: European Honey Bee AOA: Abelha Operiria Africanizada Assim, é provavel em uma por¢io condensada da Conclusio, pre= sente_em Resumo, vocé encontrar frases conclusivas com cédigos conclusivos, do tipo: AOAs sao afetadas por radiacdo eletromagnética emitida por telefone celular. (Frase conclusiva com codigo conclusivo) Esta mesma frase, escrita normalmente, ocuparia muito espaco no Resumo; seria assit Abelhas operarias africanizadas (Apis mellifera l.) so afetadas por radiacdo eletromagneética emitida por télefone celular. frase conclusiva com codigo conclusive) A economia de quase 50% no tamanho da frase para dizer a mesma coisa € aceitavel em Resumo (destinado 4 publicagdo em Anais), pois tudo tem que estar bem condensado. Imagine todo o artigo em meia pagina A-4. ABSTRACT A tradugio ou versio do Resumo para a lingua inglesa, Abstract, é comum na grande maioria das revistas cientificas; em algumas, ainda se acrescenta o Resumen (espanhol). Durante sua leitura nao é necessario se dedicar a essas secdes (inglés c/ou espanhol) a nao ser que vocé queira ver as terminologias escritas em outra(s) Iingua(s). Caso vocé domine inglés e/ou espanhol, poder até se divertir em corrigir esses resumos. ¢ 3 a z g 2 3 3 g 3 a = opeioanop oe ovsenpei6 eq ~ so>4j1ua!> sot PARECE BRINCADEIRA Um bom exercicio de leitura de Resumos pode ser feito logo com suas leituras iniciais; basta apenas imprimir (diretamente da internet) alguns resumos (nio 0 artigo completo) e com uma caneta tentar fazer um exercicio simples (que parece brincadeira). © exercicio, parecido com o cacga-palavras, consiste em vocé tentar encontrar cada parte do artigo cientifico dentro do resumo, identificando o término de cada seco. Veja o exemplo a seguir: EFEITO DA COMBUSTAO DE CIGARRO COMERCIAL NO APRENDIZADO DE ABELHAS OPERARIAS (Apis mellifera L.) ‘Aquino’, C.l. Abramson & A.C. Fernandes italo.aquino@pesquisador.cnpa.br © reflexo da extensdo da probéscide (PER) 6 um dos indicadores na medic&o de niveis de aquisig&o e extingao de informacko em estudos de condicionamento classico (CC). Fatores ambientais, por exempio, tém influéncia direta no comportamento de aprendizado. O cigarro, produto de consumo largamente utilizado no mundo, € conhecido como um dos grandes causadores_de_yarias doencas em seres humanos, inclusive em ‘fumantes passivos’ JO objetivo desta pesquisa foi baseado na eficiéncia do uso de abelhas em bioensaios como indicadores de preferéncia, contaminacéo ambiental etc., determinar os efeitos da combustéo de cigarro comercial no comportamento de ae. aera de abolnes opetaries atleantzades (apis molfera La |AGAMIUITZaraTrse 40 (querer) abelhas fomecidas pelo apiério do Centro de Formagao de Tecndlogos (CFT), da Universidade Federal da Paraiba (UFP8). Dividirarr-se as abelhas em dois grupos (20 abelhas cada um). Grupo 1 Com cigarro (em combustao): Grupo 2: Sem cigarro (oxigenio ambiente). Utlizaram-se 43 cigarros durante o experimento, durante 8 horas. As abelhas foram coletadas pela manha (7:00 hrs), acondicionadas em tubos de metal (antena de Ny), B.5cm de altura x 1,0cm de didmetro], afixadas com fita adesiva (3,5mm) Duck" Tape, na regido intermediaria entre a cabega e 0 torax, alimentadas com solugdo de agua e agiicar (1:1) até saciamento e testadas 2 horas apés a alimentacdo. Apds 8 horas de exposiggo dos grupos, as abelhas foram colocadas para descanso, por 2 horas, em ambiente livre de odores. Utilizou-se Hexanal (Sigma, produto quimico némero H-9008) como Estimulo Condicionante (EC) e sacarose (50%) como Estimulo Incondicionante (El). O Hexanal foi administrado com uma seringa descartavel (20cc), sem agulha, cujo odor foi colocado sobre um pequeno pedago de papel filtro, preso intemamente no émbulo, através de uma tacha. Realizaram-se 12 tentativas de aquisicao e 12 de extincéo para ‘ambos 0s grupos. O intervalo entre estimulos (G1) foi de 2 segundos. Utilizaram-se 5 minutos para 0 intervalo entre teste (IT), devido ao stress. A probabilidade de resposta foi calculada na forma padréo: P (PER = Niimero de abelhas respondendghlimero de abelhas JAs abelhas ‘sem cigarro’ mostraram uma curva de aprendizado tipica de estudos prévios de condicionamento Pavioviano. As abelhas do grupo ‘com cigarro’. no mostraram qualquer condicionamento. Ao final dos testes todas as abelnas do grupo ‘com oigarro’ estavam mortas; apenas uma abelha do grupo ‘sem cigarro’ morreu durante os testes, fato naturalmente entendido apés O= de 10 horas (2 horas: captura-acondicionamento + 8 horas de_testes) 00 LEGENDA: 1: Introducao; 2: Objetivo; 3: Material e Métodos; 4: Resultados e Discuss4o; 5: Concluséo 2 > & = < 0 05 COMO LER: PALAVRAS-CHAVE alavras-chave é a menor sego do artigo (a menos que tenha- mos apenas um autor com o nome pequeno, esta se¢io fica em segundo lugar). Uma vez que Palavras-chave est4 (geralmente) localizada logo abaixo do Resumo, é possivel que o leitor novato nio perceba sua existéncia logo de imediato. SINONIMOS Unitermos Termos para indexagio Keywords Index Terms IMPORTANCIA A seco Palavras-chave é importante na alimentacio de base de dados em todo o mundo. Com essas palavras, facilmente se identificam artigos a elas relacionados. Em determinado sistema de busca é mais facil colocar uma palavra importante que uma frase. Errado: As abelhas sem-ferrao presentes em todo o territorio brasileiro. CAPITULO () 6 COMO LER: INTRODUCAO a) ae > / / VN aoe é base de toda a escrita cientifica em um artigo; lids, € a parte mais facil de ler; € a parte mais informativa, Na Introdugio encontramos trés partes distintas: 1. O Presente: Geralmente, a Introdugio come¢a com uma sentenca abrangente ¢ a cada frase complementar vai apro- ximando 0 leitor ao foco da pesquisa. O que esta ocorrendo no presente coloca 0 leitor na planilha do tempo, facilitando o melhor entendimento com os pontos mais importantes da pesquisa; N O Passado: © relato de pesquisas anteriores da, ao leitor, uma fundamentagio necessiria para entender do que trata a pesquisa. As palavras técnicas daquela area especifica vao, pouco a pouco, sendo liberadas. Ao se chegar em Material e Métodos, a maior parte dos termos técnicos gerais ja foi exposta ao leitor, na Introdugio. 3. O Agora: £ 0 momento em que a proposta da pesquisa esta sendo lapidada para, em poucos parigrafos, ser revelada através do Objetivo. Quando tratamos de um projeto de pesquisa (dados ainda nao encontrados), a sequéncia das trés etapas acima muda um pouco: Pre- sente, Passado e Futuro. Na Introdugio, a motivacio est4 presente nos primeiros paragra- fos (convincentes). A demonstragio da importancia da pesquisa cativa o leitor. £ imprescindivel prestar atengio se a palavra Introdugao apa- as cientificas a rece logo abaixo do Resumo. Em algumas revi palavra Introdugao é omitida e o texto j4 comega com a introdu- cao do artigo. REVISAO BIBLIOGRAFICA Em artigos cientificos a famosa Revisio Bibliogrifica esta contida na Introdug4o. Assim, caso vocé procure o termo Revi- sitio Bibliografica ou Revisao de Literatura, fique tranquilo se nio o encontrar. O formato padrao de um artigo cientifico tem a Intro- duco como espaco para nela ser escrita, de forma condensada, esta revisio. Entao, saiba que no momento em que vocé esta lendo a Introdugio vocé esta, também, se expondo a uma revisao biblio- grafica com mais objetividade. NOMES E DATAS Por se tratar da inclusio de referéncias, vocé ira encontrar va- rios tipos de citagao: Direta, Indireta e Pardfrase. Essas citagdes fazem referéncia a alguma por¢io extraida de outros artigos. Para facilitar © fluir da leitura, de suas publicagdes; passe por cima. Apenas quando alguma coisa for interessante, entao valer4 a pena marcar esta ou aquela referéncia ¢, dependendo da importincia, vocé podera dar uma olhada neste artigo referenciado depois. 0 precisa ler os nomes dos autores nem as datas AHORAEESTA E corriqueiro a gente esquecer algo quando se viaja. No momento de preparar as malas é comum a lembranga de alguma coisa importante para se colocar na bagagem e, se ndo coloc4-la no momento em que se recorda, é provavel que esse item seja esquecido. Jé passou por isso? Uma vez que vocé esta diante de uma revisio bibliografica isto significa que alguém gastou muitas horas pesquisando para entregar tudo em suias mios; logo, esta é a hora de aproveitar e marcar a referéncia que vocé acha que ser ‘itil em algum momento. Nao apenas marque tal referéncia na Introdugio mas, também, marque-a por completo 14 na secao Referéncias Bibliograficas. 9 S 3 3 = [ 3 & opin; 9 g 3 a : 8 Ea & & = g g 3 a 2 B 3 8 S $ e 8 3 g & Em toda leitura, quando se marca o que é interessante as chances sio maiores de se aproveitar tal informagao, mais adiante. Se por acaso voce estiver lendo e nio dispuser de algum marcador, caneta ou lipis, pelo menos faca uma marca em uma das extremidades do artigo até o momento oportuno de fazer uma marca que venha a ser visivel (bem destacada) quando precisar. 0 7 {~ LER: OBJETIVO OmNLdVD Objetivo esta inserido, na maioria das vezes, no tiltimo pa- rigrafo da Introdugio. O Objetivo é 0 propésito da pesquisa apresentada. Geralmente vocé encontraré dois modelos de apresentacio de objetivos (nao aqueles encontrados em TCG, Dissertagio ow Tese: ob- jetivos gerais ¢ objetivos especificos — os nomes j4 os definem). Os dois modelos a que me refiro, sio: Objetivo com hipétese visivel Objetivo com hipétese diluida. Vejamos as duas maneiras apresentadas no Capitulo 9 do livro COMO ESCREVER ARTIGOS CIENTI- FICOS (Aquino, 2009): OBJETIVO COM HIPOTESE PRESENTE (VISiVEL)* Um estudo conduzido por Aquino et al. (1993) sugere que a cera de abelha pode ser uma alternativa plausivel na criagdo de parasitoides. O uso de abelhas em controle biolégico é, hoje, uma realidade; as abe- Thas tém sido utilizadas indiretamente como agente transportador de bactéria e, também, como produtora de cera na fabricagdo de pelicula para a producio de parasitoides. As abelhas tém sido reportadas como agentes eficientes no controle de uma praga severa em macieira, Enwi- nia amylovora, uma bactéria que causa a doenga ‘fire blight’ (Southwich, 1992). A abelha transporta a bactéria para as flores da macieira, com- batendo esta doenga. A venda de cera pode ser um mercado potencial em _expansao para a apicultura e para melhorar o status econdmico dos apicultores no Brasil. Atualmente, os apicultores do nordeste do Brasil utilizam apenas a cera para a producio de cera alveolada; entretanto se propée, neste trabalho, testar a hipdtese de que a cera de abelha pode prover um filme alternativo para a criacio de Pparasitoides. O objetivo deste estudo é determinar 0 custo de produgéo para este filme alternativo, bem como sua eficiéncia na produgao massal de C. grandis em laboratério. Neste caso se observa a hipdtese (em negrito) seguida do obje- tivo (em itdlico). OBJETIVO COM HIPOTESE DILUIDA (EM TODO PARAGRAFO)* Insetos podem perceber cores (Wigglesworth 1964) e, além dis- so, apresentam atratividade a diferentes espectros (Borror & DeLong 1971; Chapman 1971). Homépteros, por exemplo, sio atraidos pela cor amarela (Ramalho & Albuquerque 1979), mosca das frutas (Droso- phila sp.) por amarelo e verde (Robacker et al. 1990) ¢ o himenéptero Bracon hebetor, a ultravioleta (UV) [Cline 1989]; entretanto, cores de filmes podem afetar a atratividade de parasitoides. Adicionalmente, pode ser um substituto mais em conta quando Waxfilm (Pat. Pending) e/ou Parafilm® M estiver(em) em falta no mercado. Além diss. vez que a cera de abelha colorida tem mercado sazonal, confeccionar , uma filmes de cera de abelha colorida pode ajudar os fabricantes nas épocas de baixa. Por essas razbes, 0 propdsito deste estudo foi avaliar o uso de folhas coloridas de cera na produgdo de filmes, para a criagao de parasitoides. Observe apenas a presenca do objetivo (itdlico) na tiltima frase. Independente de vocé encontrar uma introducdo com um objetivo com hipétese ou sem hipétese, uma coisa é certa: o objetivo estara no final da Introdug’o.Vocé 0 encontrara! Espaco reservado para suas anotacées sobre Comoler: objetivo =| * FONTE:AQUINO, I. S.Waxfilm (Pat. Pending): An alternative film for rearing parasitoids. In: Beeswax based films as alternative substrates for rearing parasitoids of the cotton boll weevil, Anthonomus _qrandis Boheman (Coleoptera: Curculionidae), 1997. 101 £. Thesis (Ph.D.em Entomologia). Oklahoma State University, OK. congalqo 2] owo> } CAPITULO 08 a | COMO LER: MATERIAL E METODOS { Hi revistas cientificas que colocam Material e Métodos como uma ‘nica seo; outras, preferem separi-las em duas (uma, Material; outra, Métodos). Nao importa muito se Material esta junto de Métodos ou se separado; 0 que importa é que vocé saiba 0 que significa Material e 0 que significa Métodos. Esta segio é escrita com detalhes, de maneira que o leitor que queira replicar a pesquisa (geralmente quem é da 4rea) tenha con- digdes para tal. Nio se deve colocar informagio em demasia nem, tampouco, informagio incompleta. MATERIAL Na maioria dos casos, vocé encontraré o nome do local do experimento logo no primeiro pardgrafo. Nao se assuste se tam- bém encontrar as coordenadas geograficas logo de cara. 14 pesquisas que necessitam dessa localizacio (antes, adotada por dados do IBGE; hoje, também por GPS portateis), porém muitas apenas como capricho; entretanto, nao se detenha em ler este detalhe. Em termos de Material, vejamos esses extremos: Correto: As fotos das abelhas foram tiradas com um camera digital, modelo MVG-FD75, Sony”: Errado: As fotos das abelhas foram tiradas com uma camera digital, que utiliza disquete, modelo MVC-FD75, Sony®, adquirida no Wal-mart”, Errado: As fotos das abelhas foram tiradas com uma camera digital, METODOS Os métodos utilizados na condugio da pesquisa ¢ em sua anilise devem ser apresentados. Quando se tratar de um processo novo é provvel que vocé encontre um diagrama para melhor compreensio. Por outro lado, quando se tratar de uma metodologia padrio, esta poderd ser apenas mencionada; desta forma, nio fique surpreso em casos assim. Haverd referéncia para tal procedimento e, com certeza, no trabalho mencionado vocé encontrard detalhes do procedimento, muito comum, especialmente com anilises estatisticas. Segredo... segredo... segredo: © mais dificil na leitura de Métodos é quando a escrita possui varios métodos e todos eles nao sio de- monstrados, apenas mencionados. Esta abordagem cheia de segredos pode desestimular os novos leitores. Saiba, porém, que isto nao é regra; muitas vezes, até os revisores deixam escapar coisas dessa natureza. Espaco reservado para suas anotacdes sobre Como ler: material e métodos 9 8 2 3 z z & z - e 3 a ° a > & = =< 0 09 COMO LER: RESULTADOS E DISCUSSAO Se a Material e Métodos, hé revistas cientificas que colocam Resultados e Discussio como uma tinica se¢do; outras, preferem separ4-las em duas (uma, Resultados; outra, Discussio). Nao importa muito se Resultados estao juntos de Discussio ou se separa- dos; 0 que importa € que vocé saiba 0 que significa Resultados e 0 que significa Discussao. RESULTADOS Em geral, os Resultados aparecem em forma de tabelas ou figuras (grificos, fotos, diagramas). Os dados encontrados sto colocados nesses formatos com o objetivo de se compactar as informagdes encontra- das e tornd-las compreensiveis. Os mesmos dados encontrados devem aparecer em uma Tabela ou Figura (NUNCA os mesmos dados de- vem aparecer em uma Tabela e apenas a titulo de ilustragio em uma Figura). Caso vocé encontre algum trabalho publicado dessa maneira, provavelmente a revista nio é tio boa assim. Os Resultados sio apresentados no artigo (geralmente) na sequéncia do que foi relatado na Introdugio. As ilustragdes podem seguir a ordem da apresentacdo no texto ou virem todas agrupadas em uma pagina (no meio ou final do artigo). Tenha em mente isto: as Figuras ¢ Tabelas sio elementos ‘didaticos’ colocados no artigo para ajudar na compreensio dos dados (ou deveriam sé-lo para os que gos- tam de complicar). Tabela: Resultados apresentados em Tabela devem ser lidos de forma seletiva, ou seja, vocé deve olhar apenas os parimetros que lhe interessam. Tabela 1 + Alunos de graduacao de direito da Universidade Federal do Estado Ficticio (UFEF) que possuem algum envolvimento com pesquisa cientifica. Manha Tarde Noite Homens 74 82 14 Mulheres 80 a 100 Figura: A Figura geralmente é mais didatica, mas nao se engane; hd figuras que sio muito mais complicadas de entender do que uma simples Tabela de 3 ou 4 colunas. O que muitas vezes ocorre, ¢ que 0 autor no se contenta em colocar apenas o que € necessirio e acaba congestionando o visual da Figura, de maneira a nao ser eficiente na transmissio dos dados (real objetivo de uma Figura ou Tabela). Toda Figura deve conter um titulo, na parte inferior, que descreva 0 contetido apresentado. O titulo e a Figura em si devem ser completos; nao pode haver dtividas sobre 0 que 0(8) autor(es) estA(4o) querendo transmitir. i ™Manha = Tarde # Noite 114 | \ 9g 100 | | 82 80 | | 74 | | | | | | | Homens Mulheres | Figura 1 + Alunos de graduagdo do curso de direito da Universidad Federal do Estado Ficticio (UFEF) que possuem algum envolvimento com pesquisa cientifica As figuras ¢ tabelas devem estar relacionadas com as variaveis es- tudadas. Na Figura, ao ler os eixos (x e y; algumas vezes, z ou y2), voc’ poderi, ainda, ter a ajuda de legendas. Eixos: Os grificos convencionais sio baseados nos famosos eixos cartesianos ortogonais. Em simples palavras: dois cixos perpendiculares entre si com um ponto de origem. O eixo na horizontal (por convengio) & denominado eixo das abcissas (cixo X) e nele sio colocados, comumente, os tratamentos. © eixo na vertical (Y) é denominado eixo das ordenadas e nele so colocados, em geral, os valores da varidvel dependente (unidades). p 2 sopeynsar 13] OwWoD oessnasi g 3 8 g Ea & g o 2 3 & g 2 & 5 ry 8 8 2 g § 8 a g s Lembre-se de que vocé poder encontrar graficos com os tratamentos no eixo Y (grafico de barras), mas isto nao é problema; Unidades: As unidades de medidas normalmente apresentadas no eixo Y, podem ser as mais variadas: * Comprimento: Milimetro (mm), Centimetro (cm), Decimetro (dm) etc.; ¢ Area: Centimetro quadrado (cm?), Metro quadrado (m?) et * Peso: Unidade de massa atémica (u), Miligrama (mg), Grama (g) etc.; * Temperatura: Celsius (°C), Fahrenheit (°F) etc.; * ‘Tempo: Segundos (3), Minutos (min), Horas (h), Dias etc. + Velocidade: Quilémetro por hora (km/h), Metro por segundo (m/s) etc.; * Densidade: Quilograma por metro cabico (kg/m) etc.; * Volume: Centimetro ciibico (cm’), Litro (dm?) ete.; * etc. Legendas: As legendas podem complementar a informacio dos tratamentos. Quando essas legendas possuem varias palavras elas se tornam invidveis, pois € necess4rio muito espaco para identificar cada tratamento e fica confusa a leitura, caso em que se abrevia a legenda e se coloca sua descrigio no texto indicativo da Figura. Portanto, nio fique espantado se encontrar uma Figura com uma descrigio de 10 ou 20 linhas; o que importa é que 0 conjunto FIGURA-LEGENDA-DESCRICAO tenha todas as informagées necessirias para seu entendimento. Tipo de Figuras: Hé varias maneiras de apresentar resultados utilizando-se figuras, que podem ser graficos, fotos ou diagramas. A maioria dos grificos apresenta eixos, mas ha outros que nao; além disso, com excegio de grificos de linhas, os demais podem ser apre- sentados no estilo 3-D. Observe maneiras de apresentacio de grificos* que vocé pode encontrar em artigos cientificos: * Microsoft Word? Grafico de area 380 160 140 ‘Onorte moste este strim 2"Trien 3°Trim trim Grafico de superficie Tim 2m ati artim ° s 2 3 g 3 z a a ° g e Grafico de barras 4° Trim ‘Norte 3°Tim 27m Tim g g 3 g 2 8 a Z 3 8 2 = a é 3. 8 & 8 & g 3 g 8 swtoste moeste Norte 1m Phim ain Tin Grafico de linhas teste «Oeste a : a eee Sl : ANorte * ~ 3 3 3 z= g z g ° & ‘opssn9st Grafico de pizza Vejamos outras maneiras de Figuras em artigos cientificos: Foto 9 8 3 3 z 3 a & & 8 2 Q a 5 3 8 & 8 5 g g 8 ‘Alimento Regurgitado Bs Figura 2 + Abelha operaria (Apis mellifera L.), acondicionada em tubo de metal, regurgitando alimento durante combustdo de cigarro comercial Diagrama g 3 3 zg 3 z Apis mellifera L. ‘Anthonomus grandis Boheman a | cera | Parasitoide | & S| a g & Y = 3 YF Ways (Pat. Penal) - >" Figura 3 + Diagrama esquematico mostrando 0 controle biolégico indireto do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis Boheman) por um subproduto da abelha (Apis mellifera L.). Cera: fornecida por favos de mel; Waxfilm (Pat. Pend): usada como folha para encapsular larvas de bicudo; e 0 parasitoide: Catolaccus grandis Burks e Bracon sp. produzidos e liberados em massa para controlar 0 bicudo-do- algodoeiro © que vocé est vendo? Nem sempre o que uma Figura ou uma Tabela apresenta é 0 que é visto pelo autor. Ele pode estar tio focado no especifico que pode deixar de ver 0 que vocé est vendo. ‘Tente comparar sua visio com a do(s) escritor(es).Vocé estd 100% la cido para ver tudo; nao sofreu em nenhuma etapa do processo. A testemunha fala: Sempre silenciosa, a testemunha em ar- tigos cientificos fala 0 que porventura nao seja falado sobre cla. Sempre dé uma olhada na Testemunha (controle). Observe como ela se encontra na Figura em relagio aos demais tratamentos. Ao criar esse habito de sempre olhar a testemunha antes de qualquer outro tratamento, vocé ficard surpreso com a velocidade de raciocinio que seri adquirida com a pritica. Em muitas ocasiées vocé poderd ver além do que esta escrito.