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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

ACÓRDÃO

Registro: 2017.0000874424

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 0000675-58.2003.8.26.0292, da Comarca de Jacareí, em que é apelante JOSÉ GILMARIO SANTOS CARIAS (JUSTIÇA GRATUITA), são apelados SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE JACAREÍ, FLAVIO HENRIQUE DE MEDEIROS e PREFEITURA MUNICIPAL DE JACAREÍ.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: Negaram provimento ao recurso. V. U., de conformidade com o voto do relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores DONEGÁ MORANDINI (Presidente), BERETTA DA SILVEIRA E VIVIANI NICOLAU.

São Paulo, 14 de novembro de 2017.

Donegá Morandini Relator Assinatura Eletrônica

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 3ª Câmara de Direito Privado

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3ª Câmara de Direito Privado Apelação Cível n. 0000675-58.2003.8.26.0292 Comarca: Jacareí (1ª Vara Cível) Apelante: José Gilmario Santos Carias Apelados: Santa Casa de Misericórdia de Jacareí, Flavio Henrique de Medeiros e Prefeitura Municipal de Jacareí Juiz sentenciante: Marcelo Lopes Theodosio Voto n. 38.357

Erro médico. Ação de indenização por danos morais, cumulada com dano estético e lucros cessantes. I) Apelante vítima de acidente automobilístico, com lesão muscular na coxa esquerda. Adequação do atendimento médico dispensado ao paciente, segundo o laudo pericial. Sequelas exibidas, outrossim, derivadas do próprio trauma sofrido e não em decorrência do atendimento dispensado ao paciente. Alta hospitalar em 1 (um) dia. Desnecessidade, no caso, de internação prolongada. II) Dever de informação. Constatação da lesão nervosa no membro atingido que não é apurável de pronto. Dever acessório, ademais, na área médica, que deve ser aplicado com temperança. Doutrina. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA PRESERVADA. APELO DESPROVIDO.

1- Ação de indenização por danos morais, cumulada com dano estético e lucros cessantes, julgada improcedente pela r. sentença de fls. 194/199, de relatório adotado, condenado o autor ao pagamento das despesas processuais, fixada a honorária em 15% sobre o valor da causa, observada a gratuidade. Opostos embargos de declaração pelo autor à fls. 203/207, acolhidos parcialmente à fls. 209.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Apela o autor. Pretende, pelas

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Apela o autor. Pretende, pelas razões de fls. 217/231, a reforma da r. sentença, julgando-se procedente a indenizatória, vez que “ houve falhas na prestação de serviço, na exata medida em que os recorridos descumpriram seu dever ao procederem em desacordo com as normas ”

estabelecidas

As contrarrazões foram apresentadas à fls. 234/236 e 237/240. O apelo, que havia sido anteriormente recebido, foi considerado intempestivo pela r. decisão de fls. 244. Interposto agravo de instrumento a

respeito, a r. decisão de fls. 244 foi confirmada por esta Câmara (fls. 288). Todavia, em sede de recurso especial, o apelo foi reconhecido como

considerar o início do prazo para

interposição do recurso de apelação a data da republicação da sentença, ainda

que desnecessária” (fls. 334). É o RELATÓRIO. 2- Vítima de acidente automobilístico, o apelante foi atendido pelo médico Flávio e nas dependências do hospital recorrido. Na ocasião, o recorrente sofreu trauma na coxa esquerda. Reclama sequelas no membro quanto à sua movimentação e que não recebeu informação adequada a respeito do seu quadro médico pelo facultativo que o atendeu. Incontornável, no entanto, a improcedência da presente ação indenizatória. Registre-se, de saída, que as sequelas exibidas pelo membro lesionado (lesão nervosa) não decorreram do procedimento médico dispensado ao apelante. Provavelmente, segundo o laudo pericial, derivaram do próprio trauma sofrido (fls. 178), isto é, não guardam liame causal com o atendimento de urgência prestado ao recorrente.

tempestivo (fls. 333/335) “

(fls. 221).

para

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO De outra parte, o laudo

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De outra parte, o laudo pericial não apontou qualquer

inadequação no atendimento médico. Realizou-se a “miorrafia” (sutura da

musculatura), com alta hospitalar em 1 (um) dia (fls. 177), vez que o caso,

também consoante o laudo, não reclamava internação prolongada (fls. 178).

Tampouco merece acolhida a alegação de que o paciente não foi

devidamente informado a respeito do seu quadro de saúde. A lesão nervosa,

conforme o laudo, não se apura de imediato, pois “A princípio, tais lesões não

são reparadas no primeiro momento, pois podem tratar-se de lesões

temporárias (neuropaxia)” (fls. 177).

Ademais, o dever acessório de informação na área médica deve

ser aplicado com temperança. A propósito, vale transcrição a doutrina de

MENEZES CORDEIRO: “O âmbito do dever médico de esclarecimento

entende-se aos efeitos típicos das terapêuticas prescritas e não a todos os

efeitos possíveis que estas possam acarretar; varia, ainda, em

profundidade, consoante a inteligência e os conhecimentos do paciente e

as necessidades do caso” (in Da Boa Fé no Direito Civil, Almedina, 3ª

Reimpressão, p. 606).

E, por fim, o laudo pericial de fls. 176/178, que apartou a

responsabilidade civil dos apelados, não foi contrariado por prova de igual

quilate, servindo de lastro seguro ao decreto de improcedência, que fica

preservado.

Inaplicável o disposto no art. 85, par. 11º, do CPC, já que a r.

sentença foi prolatada sob a égide do antigo diploma processual civil

(Enunciado Administrativo 7, STJ).

NEGA-SE PROVIMENTO.

Donegá Morandini Relator