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Curso Juiz do Trabalho e Procurador do Trabalho ― 2017 Direito da Criança e do

Curso Juiz do Trabalho e Procurador do Trabalho 2017 Direito da Criança e do Adolescente

O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.

SUMÁRIO

1. Introdução

 

3

2. Destaques dos Trabalhos Prejudiciais da Lista TIP

3

2.1. Destaques dos Trabalhos Prejudiciais à Segurança da Lista TIP

3

2.2. Destaques dos Trabalhos Prejudiciais à Moralidade da Lista TIP

8

3. Trabalho artístico de crianças e adolescentes

9

3.1. Fontes normativas

 

10

3.2. Cenário doutrinário e jurisprudencial

13

3.2.1. Doutrina Infancista (prevalente)

13

3.2.2. Doutrina Trabalhista (prevalente)

14

3.2.3. Recomendação 24/2014 do

CNMP

15

4. Consolidação dos sujeitos e idades para o trabalho

17

4.1. Criança

 

17

4.2. Adolescente

18

4.3. Aprendiz

18

4.4. “Menor”

18

4.5. Jovem

19

4.6. Expressões envolvendo infantes e trabalho

19

5. Interpretação do direito da criança e do adolescente

20

6. Conselhos do ECA e proteção no trabalho

23

6.1.

Conselhos Tutelares (CTs)

23

6.1.1. Composição e Mandato dos CTs

28

6.1.2. Processo de Escolha

 

29

6.1.3. Posse e Direitos dos Conselheiros

30

6.2.

Conselhos de Direitos (CD)

30

6.2.1. Composição

 

31

6.2.2. Atribuições

31

6.3.

Questões

34

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1

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7.

Direito fundamental à profissionalização e proteção no trabalho

36

7.1.

Diretrizes

42

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2

1. Introdução Curso Juiz do Trabalho e Procurador do Trabalho ― 2017 Direito da Criança

1. Introdução

Curso Juiz do Trabalho e Procurador do Trabalho 2017 Direito da Criança e do Adolescente

O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.

O professor recorda que na primeira aula foi feito um breve resgate histórico sobre o desenvolvimento do direito da criança e também foi falado bastante sobre o direito internacional dos direitos humanos, envolvendo crianças e adolescentes. Trabalhou-se com as principais convenções da OIT relativas à proteção dos infantes no mercado de trabalho: a Convenção 138 e, no fim da aula, da Convenção 182.

Faltou abordar, ainda relacionada à Convenção 182, da OIT, a lista TIP 1 , que é a lista das piores formas de trabalho infantil aprovada no Brasil. O professor, então, passa a apontar os destaques dessa lista.

2. Destaques dos Trabalhos Prejudiciais da Lista TIP

Existem mais de 80 definições das piores formas de trabalho infantil na lista TIP do Brasil, mas o professor destaca as mais importantes 2 , pois é o que reflete a realidade brasileira, o maior número de trabalhos ilícitos não autorizados pelo ordenamento brasileiro.

2.1. Destaques dos Trabalhos Prejudiciais à Segurança da Lista TIP

Enquadram-se abaixo os trabalhos prejudiciais à segurança 3 da criança ou adolescente (da pessoa menor de 18 anos) que trabalha:

1. No beneficiamento do fumo, sisal, castanha de caju e cana-de-açúcar.

O labor na cana-de-açúcar é um dos mais comuns no Brasil, especialmente, no interior de São Paulo e desperta muito a atenção dos órgãos de fiscalização e também o trabalho do MPT. Há uma série de ações especiais relacionadas à exclusão da criança ou do adolescente do trabalho no corte da cana.

2. Em locais de armazenamento ou de beneficiamento em que haja livre desprendimento de poeiras de cereais e de vegetais.

Ambiente esse absolutamente insalubre ao trabalhador.

3. Em manguezais e lamaçais;

Pelas condições obvias de trabalho.

1 A referida lista encontra-se no anexo I deste material.

2 Claro que o aluno não está desobrigado quanto à lista TIP, recomendando o professor que essa lista seja acessada e lida na íntegra, inclusive, mais de uma vez, para que crie familiaridade. Assim, no caso de o examinador criar algum tipo incomum, se a leitura tiver sido feita, a identificação será mais fácil.

3 Os pontos que seguem são formas de trabalho em que há a vulneração da criança e do adolescente, especialmente, ligadas a sua segurança.

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4. Na cata de iscas aquáticas e mariscos;

Frequente no norte e nordeste do país.

5. Que exijam mergulho, com ou sem equipamento;

Da mesma forma do anterior, ocorre muito no norte e nordeste do país.

6. Na operação industrial de reciclagem de papel, plástico e meta;

7. Em indústrias cerâmicas;

8. Na fabricação de colchões;

Essa foi colocada muito mais pela curiosidade do que pela efetividade de ser uma prática muito comum, pois o examinador adora cobrar essas curiosidades.

9. Em serralherias;

Os motivos são vários, seja os instrumentos ferramentários, que são muito perigosos, seja o peso da matéria-prima por aquilo que é produzido por uma serralheria. Perigo de acidentes. Então, são muitos os problemas que advêm de uma serralheria.

10. Com exposição a vibrações localizadas ou de corpo inteiro;

Pois isso gera sérios danos à saúde do trabalhador.

11.

Construção

civil

e pesada,

incluindo

construção, restauração, reforma e

demolição;

Isso, infelizmente, é muito comum no Brasil.

12. Em borracharias ou locais onde sejam feitos recapeamento ou recauchutagem de pneus;

Também muito comum, especialmente, quando o pai leva o filho para trabalhar na oficina, nesse tipo de atividade, o que gera um problema social muito grande, porque as pessoas tendem a acreditar que essa iniciação ao trabalho é legítima, quando se sabe que, infelizmente, acaba-se afastando o adolescente do seu maior objetivo, que é ter um estudo de qualidade e uma formação de excelência para o futuro.

Essas questões mais críticas serão, novamente, tratadas mais à frente, quando da abordagem do trabalho artístico, em que os mitos e verdades serão comentados a respeito do trabalho infantil.

13. Em hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados ao cuidado da saúde humana, em que se tenha contato direto com os pacientes ou se manuseie objetos de uso dos pacientes não previamente esterilizados;

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Essa previsão também é óbvia.

14. Em lavanderias industriais;

Pelos riscos de acidentes e manipulação de produtos químicos.

15. Em tinturarias e estamparias;

Pelos mesmos motivos do item anterior.

16. Em cemitérios;

Pelo contato com agentes que podem causar agravamento à saúde e também pela possibilidade de acidentes com covas e outras questões relacionadas ao terreno.

17. Em serviços externos, que impliquem em manuseio e porte de valores que coloquem em risco a sua segurança (Office boys, mensageiros, contínuos);

Este item merece muita atenção. Os exemplos acima citados estão escritos de forma expressa. Leigamente, imagina-se que se trata de atividade de iniciação ao trabalho, o que era muito comum. Hoje, é visto como uma das piores formas de trabalho infantil. Trata-se de um item autoexplicativo.

18. Em ruas e outros logradouros públicos (comércio ambulante, guardador de carros, guardas mirins, guias turísticos, transporte de pessoas ou animais, entre outros);

Essa situação envolve muitos problemas práticos, como os famosas guardas mirins, em que vários municípios no Brasil instituíram esse programa com adolescentes trabalhando nas ruas vendendo bilhetes de zona azul de estacionamento para veículos, principalmente, nas zonas centrais das cidades.

Isso gera um problema muito sério porque esse trabalho em vias públicas tem o risco de acidentes, de captação desses adolescentes pelo tráfico e, dentre outras razões, é considerado uma das piores formas de trabalho infantil. Porém, em pequenas cidades também é considerado como forma de iniciação desses adolescentes no mercado de trabalho e a sociedade civil é favorável a esse tipo de prática.

Entretanto, é preciso trabalhar contra o início precoce do adolescente. Ademais, é forma vedada, sendo considerado um grande problema a se enfrentar no Brasil.

19. Em artesanato;

Da mesma forma que acontece com o trabalho da oficina mecânica, o artesanato é entendido, normalmente, como uma iniciação feita pela família, o que se sabe que desvia o adolescente do caminho escolar, atrapalhando sua frequência e o seu bom desempenho

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escolar, além da perda da ludicidade da infância do brincar, do desenvolvimento da sua personalidade. Enfim, mais atrapalha do que ajuda.

O professor comenta que o aluno não precisa concordar, mas que, caso vá prestar

concurso para o MPT, é importante que se tenha isso na cabeça e que esse pensamento crítico seja externado nas provas abertas/oral. Isso porque, nesse concurso, a vertente é mais crítica em relação a essas temáticas e, na área da infância, rem relação a todos aqueles apontamentos feitos, anteriormente, quanto ao uso da expressão “menor”, quanto ao

abandono da situação irregular, o reconhecimento da criança e do adolescente como sujeitos especiais do direito, a doutrina da proteção integral.

Tudo isso é muito presente nos textos dos procuradores do trabalho, na atuação, nos pareceres e, efetivamente, no dia a dia do MPT, de modo que o aluno precisa estar muito antenado a esse tipo de pensamento crítico e apontamento que vai mudar o nível. Assim, passando ao examinador a impressão de adequação aos princípios da instituição, o senso crítico (e não viés filosófico ou político) exigido pela instituição.

20. De cuidado e vigilância de crianças, de pessoas idosas ou doentes;

Esse é um item que poucos sabem. O trabalho de cuidador informal é uma das piores formas de trabalho infantil, pois envolve manipulação de medicamento, uma rotina desgastante, posições que podem levar a algum tipo de lesão corporal, envolve uma pressão psicológica e maturidade que, certamente, os infantes ainda não têm.

21. Domésticos;

O maior dos destaques da lista TIP, sendo um grande problema que se tem no Brasil.

A doutrina traz uma série de aprofundamentos sobre o trabalho infantil doméstico,

tenta, por exemplo, diferenciar os afazeres domésticos do trabalho doméstico, sendo aquele as tarefas desempenhadas por crianças e adolescentes em um contexto de absorção de responsabilidades como membros de suas famílias. Então, é possível que um pai ou uma mãe orientem seus filhos a contribuir com alguma tarefa da casa, como guardar suas roupas, retirar a roupa do varal, recolher a roupa para colocar na máquina, lavar e secar a louça. Esse senso de responsabilidade é tolerado pela doutrina, sendo esse tipo de afazer doméstico considerado razoável.

O que não pode haver, efetivamente, é um trabalho doméstico, uma excessiva

responsabilidade sobre as tarefas que devem ser realizadas para a manutenção do funcionamento da casa. Isso significa, por exemplo, ter uma obrigatoriedade diária por um número de horas que atrapalha a frequência na escola, que gere desconforto físico, pressão psicológica, que exponham crianças e adolescentes a riscos.

Em regra, somente quem tem 18 anos é que pode desempenhar trabalho doméstico.

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É importante também prestar atenção a um aspecto doméstico bem relevante, que é

o fato de que, dentro dos ambientes domésticos, os trabalhadores estão ainda mais sujeitos

a todo tipo de assédio moral, sexual e, até mesmo, a violência sexual. Pois, muitas vezes, a pessoa que está laborando em ambiente doméstico não é vista por terceiros apenas o empregador ou quem frequente o ambiente o que possibilita avanços nesse sentido.

É interessante que o aluno lembre que o trabalho doméstico foi, recentemente, alterado na CF, com regramento novo, via emenda constitucional, e também houve a edição da Lei Complementar 150/2015, que traz, com clareza, no parágrafo único do seu art. 1º, que É vedada a contratação de menor de 18 (dezoito) anos para desempenho de trabalho doméstico, de acordo com a Convenção 182, de 1999, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e com o Decreto 6.481, de 12 de junho de 2008”. Essa lei foi bastante didática ao considerar os textos internacionais. Logo, não há que se questionar mais sobre trabalho doméstico.

22. Com levantamento, transporte, carga ou descarga manual de pesos, quando realizados raramente, superiores a 20 quilos, para o gênero masculino e superiores a 15 quilos para o gênero feminino; e superiores a 11 quilos para o gênero masculino e superiores a 7 quilos para o gênero feminino, quando realizados frequentemente;

Esses dados apresentados pela lista TIP serão contrapostos com a previsão da CLT sobre peso e trabalho penoso que se aplica à mulher e também se aplica, por expressa previsão da CLT, ao trabalhador menor de 18 anos. Serão vistas as diferenças, qual se aplica, mas tudo isso só será comentado em momento oportuno.

23. Ao ar livre, sem proteção adequada contra exposição à radiação solar, chuva e frio;

24. Em alturas superiores a 2,0 (dois) metros 4 ;

Já caiu em prova, portanto, o aluno deve ficar atento.

25. Com exposição a ruído contínuo ou intermitente acima do nível previsto na legislação pertinente em vigor, ou a ruído de impacto;

Muita atenção!

4 O professor orienta o aluno a fazer algum tipo de associação, como ser um número redondo a que um ser humano muito alto pode chegar.

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2.2. Destaques dos Trabalhos Prejudiciais à Moralidade da Lista TIP

Depois desses 25 destaques sobre as hipóteses em que há risco para a segurança do trabalhador menor de 18 anos, serão tratados agora, os trabalhos prejudiciais à moralidade, segundo dispõe o decreto 5 que prevê a lista TIP.

1. Aqueles prestados de qualquer modo em prostíbulos, boates, bares, cabarés, danceterias, casas de massagem, saunas, motéis, salas ou lugares de espetáculos obscenos, salas de jogos de azar e estabelecimentos análogos;

2. De produção, composição, distribuição, impressão ou comércio de objetos sexuais, livros, revistas, fitas de vídeo ou cinema e cds pornográficos, de escritos, cartazes, desenhos, gravuras, pinturas, emblemas, imagens e quaisquer outros objetos pornográficos que possam prejudicar a formação moral;

3. De venda, a varejo, de bebidas alcoólicas;

4. Com exposição a abusos físicos, psicológicos ou sexuais.

São todas hipóteses que parecem ser um tanto quanto óbvias, mas que precisam ser conhecidas. Há quem sustente em doutrina que esses dispositivos que versam sobre os trabalhos violadores da moralidade teriam substituído os dispositivos da CLT, art. 405 e 406, pois versam sobre essa mesma temática.

Fica o alerta, já que é preciso saber que há quem defenda que esses dispositivos hoje, orientam tudo o que se refere a trabalho prejudicial à moralidade.

Agora, o professor vai testar os conhecimentos do que foi visto até agora e pede aos alunos que assumam uma postura ativa frente aos estudos, simulando, desde já, uma possível questão de prova:

(Juiz do Trabalho - TRT - 2ª Região 2012) Com base nas Convenções de n. 138 (sobre idade mínima) e a de n.182 (sobre as piores formas de trabalho infantil) da OIT, assinale a alternativa correta:

O professor comenta que, nessa questão, o examinador foi bacana, pois trouxe o assunto das convenções. É comum a questão não trazer essa colher de chá”, cabendo ao aluno lembrar o que cada uma trata.

a) A idade mínima, para a Convenção 138 (sobre idade mínima) não será inferior à idade de conclusão da escolaridade obrigatória ou, em qualquer hipótese, não inferior a 14 anos.

5

Para

acessar

na

íntegra

o

Dec.

6.481,

de

12

de

junho

de

2008:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6481.htm>.

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b)

Criança, para o efeito da Convenção 182 (sobre as piores formas de trabalho infantil)

é

toda pessoa menor de 16 anos.

c)

Nos termos da Convenção 138 (sobre idade mínima) não pode ser inferior a 16 anos

a

idade mínima para o trabalho que possa prejudicar a saúde.

d)

Nos termos da Convenção 182 (sobre as piores formas de trabalho infantil) criança é toda pessoa menor de 18 anos.

e)

A

idade mínima, para a Convenção 138 (sobre idade mínima) não será inferior à idade

de conclusão da escolaridade obrigatória ou, em qualquer hipótese, não inferior a 16 anos.

A

alternativa correta é a letra d.

O

professor passa a tratar de um dos temas mais importantes e mais polêmicos sobre

a disciplina dos direitos trabalhistas das crianças, adolescentes e jovens, que é o tema do trabalho artístico.

3. Trabalho artístico de crianças e adolescentes

Diz respeito à situação que envolve, especialmente, os atores mirins, os cantores mirins, os atores de novela, os atores que, às vezes, compõem quase que a integralidade de elenco de novela.

Dito isso, são inúmeros os exemplos e a polemica é também muito grande, basicamente, porque estar-se-á diante de duas possibilidades: ignorar toda a proteção existente no Brasil e no mundo, ou levar toda a proteção internacional e interna e proteger as crianças que queiram desempenhar labor como artistas. Para essas duas grandes possibilidades, há seus defensores.

Sobre o trabalho artístico existe inúmeras fontes normativas que trazem elementos para compreender essa celeuma e compreender a fundamentação dos principais posicionamentos a respeito do trabalho infantil artístico.

É importante que o aluno grave que o tema diz respeito ao trabalho artístico de

crianças e adolescentes, pois se for dito “trabalho infantil de criança e adolescente” estar-se-

á falando de um trabalho proibido. Trabalho artístico infantil é falar em trabalho artístico

proibido, como já foi dito anteriormente. O Trabalho infantil tem uma conotação de trabalho proibido. Então, ao se falar em trabalho artístico infantil, estar-se-á falando em trabalho artístico proibido.

O tema é trabalho artístico de crianças e adolescentes, pois não é para se pressupor

nada, não é para se estabelecer nenhuma pressuposição, nenhum paradigma.

Inicia-se assim, a análise do tema sem se saber aonde vai, mesmo que com alguns indícios.

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3.1. Fontes normativas

A análise se inicia pela Constituição, que, em seu art. 7º, XXXIII, prevê que é vedado qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos.

Essa é a primeira referência, de modo que se sabe que a idade mínima para o trabalho no Brasil é 16 anos. Aos 14 anos, permite-se o trabalho na condição especial, no regime próprio de aprendizagem.

O trabalho artístico pode se enquadrar em um trabalho sobre a forma de aprendizagem?

Predomina o entendimento que não, pois o trabalho artístico tem natureza própria. Na maioria dos casos, o trabalho artístico nem mesmo se dá por uma relação típica de emprego, com registro na carteira de trabalho. Muitas das vezes, esse trabalho artístico é feito por meio de um contrato particular, em que alguém se disponha a prestar serviços por um período. Há, então, um regramento muito próprio ao trabalho artístico que o difere de um trabalho de um regime de aprendizagem.

Então, se for para fazer, por exemplo, uma novela, o ator mirim vai assinar um contrato para trabalhar durante o período da novela e isso é normal, sendo típico de trabalho não emprego, mas trabalho em sentido amplo.

Além desse dispositivo, há também o art. 5º, IX, da CF, que prevê que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente, de censura ou licença.

A liberdade de expressão artística é a liberdade de expressão do artista de se manifestar a arte. Então, tem-se, claramente, que, apenas analisando essas duas fontes da própria constituição, um conflito de direitos fundamentais (direito fundamental de proteção aos adolescentes, que poderiam então, trabalhar a partir dos 16 anos X o direito de liberdade de expressão).

No direito constitucional, estuda-se que, diante do conflito de direitos fundamentais ou de princípios fundamentais, não se pode recorrer a solução clássica de antinomia de normas, pelo critério da hierarquia, cronológico e da especialidade. Não se consegue resolver conflitos de normas com base nesses critérios clássicos, pois se está diante de normas com força axiológica especial. Para tanto, existem algumas técnicas para resolver esse tipo de colisão.

Em doutrina, diz-se que, enquanto no âmbito infraconstitucional existem apenas conflitos aparentes de normas, pois, facilmente, resolvíveis, por meio do critério hierárquico, cronológico e da especialidade, no âmbito dos princípios/direitos fundamentais, existem colisões reais de direitos.

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Existe um livro muito famoso no Brasil sobre essa temática, Colisão de direitos 6 , de Edilson Pereira de Farias, em que traz as lições de vários doutrinadores que tratam dessa temática, especialmente, as de Robert Alexy e Ronald Dworkin.

Esses autores, basicamente, orientam o intérprete no seguinte sentido: quando há a colisão de direitos fundamentais (no caso, a proteção ao trabalho do adolescente vs. o direito à manifestação artística, a liberdade de expressão artística), é preciso analisar esse conflito em uma dimensão de peso e importância. É preciso aplicar, ou o princípio da proporcionalidade, ou da razoabilidade, para então, definir qual o direito fundamental que deve prevalecer em cada situação concreta em cada caso concreto.

Dito isso, não é possível suprimir por completo um direito para aplicar um outro, deve- se sempre manter rígido o núcleo essencial do direito fundamental. Assim, deve-se aplicar o princípio da proporcionalidade, razoabilidade, ou o que se chama de concordância prática ponderando entre os valores que estão em conflito para então se chegar a uma solução em que NUNCA vai eliminar por completo um direito em face do outro.

se

contrapõem e exigem uma interpretação com base na teoria da colisão dos direitos fundamentais 7 .

Além dessas duas fontes, existem as do direito internacional, que, inclusive o professor, já comentou que é a Convenção 138 da OIT, que, em seu art. 8º, enuncia que uma autoridade competente, mediante licenças concedidas em casos individuais, após consulta às organizações de empregadores e trabalhadores (se houver), poderá permitir a participação em representações artísticas.

Ademais, essas “licenças” limitarão o número de horas de duração do emprego ou trabalho e estabelecerão as condições em que é permitido. Uma das condições que se impõem é a presença do responsável pela criança ou adolescente no ambiente em que é prestado o trabalho.

Então, a Convenção 138 é outra referência, mas não para por aí, pois também há referência na CLT. O tema é pouco explorado, visto que a CLT é muito antiga e a parte que trata dos direitos das crianças e dos adolescentes é a parte dos direitos dos menores que foi editado à época em que o Brasil se regia pelo Código de menores, de 1927. Então, de fato, é bastante desatualizada, logo, pouco se prestigia o tratamento dado por ela. Não obstante, há

Reitera-se,

sobre

o

ponto

de

vista

constitucional

existem

duas

fontes

que

6 Disponível em: <http://irib.org.br/app/webroot/publicacoes/diversos008/pdf.PDF>. 7 O professor não vai se aprofundar nessa teoria pois é matéria do direito constitucional, deixando o alerta para o aluno fazer o link com essa temática e a da colisão dos direitos fundamentais.

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quem defenda, como já dito, que há dispositivos previstos ali que foram derrogados por normas das convenções e outras fontes normativas posteriores.

Uma dessas normas é, justamente, o art. 406, da CLT, que prevê que o Juiz de Menores 8 (atualmente, o Juiz da Vara da Infância e Juventude) poderá autorizar ao menor (atualmente, sabe-se que é a criança ou o adolescente) o trabalho a que se referem as letras "a" e "b" do § 3º do art. 405 (que é aquele prestado de qualquer modo, em teatros de revista, cinemas, boates, cassinos, cabarés, dancings e estabelecimentos análogos; em empresas circenses, em funções de acróbata, saltimbanco, ginasta e outras semelhantes). E ainda, respeitando-se que, desde que a representação tenha fim educativo ou a peça de que participe não possa ser prejudicial à sua formação moral, bem como, desde que se certifique ser a ocupação do menor indispensável à própria subsistência ou de seus pais, avós ou irmãos, e não advir nenhum prejuízo a sua formação moral.

Esses dispositivos da CLT permanecem vigentes, válidos ou aplicáveis (nos três planos de análise)?

Como já foi dito, há quem diga que já foram revogados, especialmente, pelos dispositivos das Convenções 138 e 132, da OIT; principalmente, no trecho que diz que há condicionante, no sentido de que o trabalho tem que ser indispensável à subsistência do menor ou da família. Hoje, essa hipótese não se sustenta, pois a criança não pode ser o arrimo da família, isto é, que criança ou adolescente trabalhem para sustentar a sua família.

Ademais, a doutrina mais contemporânea sustenta que essa hipótese do art. 406, da CLT, é mais abrangente do que o próprio trabalho artístico e que ela, então, daria margem para que o juiz autorizasse o trabalho de crianças e de adolescentes, mesmo que não fosse um trabalho artístico e que isso beirasse o absurdo.

Portanto, no âmbito do MPT, da coordenadoria de combate ao trabalho infantil, por exemplo, é voz corrente que não é possível aplicar o referido dispositivo como uma exceção ampla. Inclusive, alguns procuradores defendem que esse artigo foi derrogado 9 .

Dando continuidade, há ainda o art. 149, do ECA, que enuncia que compete à autoridade judiciária autorizar, mediante alvará: a participação de criança e adolescente em a) espetáculos públicos e seus ensaios e em b) certames de beleza. Para tanto, a autoridade judiciária deverá levar em conta, dentre outros fatores:

8 Pois quando foi editado esse dispositivo, o que vigia no Brasil era o Código de menores de 27, e esse juiz era assim chamado. 9 O professor orienta o aluno a se familiarizar com esse assunto para formar uma visão crítica sobre o

tema.

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a) os princípios do ECA;

b) as peculiaridades locais;

c) a existência de instalações adequadas;

d) o tipo de frequência habitual ao local;

e) a adequação do ambiente à eventual participação ou frequência de crianças e adolescentes;

f) a natureza do espetáculo.

Complementa ainda o estatuto que as medidas adotadas na conformidade deste artigo do ECA deverão ser fundamentadas, caso a caso, vedadas as determinações de caráter geral.

Então, essas são as fontes. A CLT atribui a competência para o juiz de menores, atribui a competência para expedir as autorizações, as licenças, os alvarás para o trabalho de menores de 18 anos, de crianças e adolescentes e que o ECA vem nessa mesma linha, já atualizando a nomenclatura, falando agora, em competência do Juiz da Vara da Infância e Juventude, acrescentando outros requisitos (que o local seja adequado, devendo ser analisado sempre caso a caso essa análise não está prevista só no ECA, também é uma recomendação da Convenção 138, sobre a idade mínima, nos termos vistos acima). Assim, é preciso que sejam analisadas, caso a caso, as hipóteses excepcionais de autorização de trabalho de criança e de adolescente.

Depois dessas cinco fontes, o professor apresenta o seguinte resumo dos dois principais posicionamentos sobre essa temática. Por se tratar de uma questão bastante polêmica, o professor sintetizou os principais posicionamentos dos doutrinadores do direito da criança e dos doutrinadores de direito do trabalho, como será visto a seguir.

3.2.

Cenário doutrinário e jurisprudencial

3.2.1.

Doutrina Infancista (prevalente)

É a doutrina de quem trabalha com criança e adolescente, com a infância e a juventude. Quanto à doutrina prevalente, é possível chegar à seguinte síntese:

a) Quanto à idade mínima.

O trabalho artístico precisa respeitar alguma idade mínima?

Para a doutrina infancista, a doutrina do direito da criança, 16 anos, no Brasil, é a idade mínima para o trabalho essa idade não pode sofrer nenhum tipo de restrição (conforme disposição constitucional art. 7°, XXXIII, da CF).

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XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

Então, ainda que se admita o trabalho artístico, é preciso respeitar a idade mínima de 16 anos. Esse é um posicionamento mais protetivo e tem que se dar por meio de uma autorização judicial.

b) Autorização Judicial: é possível utilizar as duas nomenclaturas: licença ou alvará.

Quem é que vai expedir essa licença ou esse alvará?

Deverão ser expedidos pela Justiça da Infância e Juventude. Esse juiz deverá expedir uma licença/alvará para cada caso e para cada atividade/trabalho. Por exemplo, vai fazer um filme: é uma licença/alvará, vai fazer uma novela, outra licença/alvará; vai fazer uma peça de teatro, outra licença/alvará.

Então, a análise deve ser feita caso a caso e por evento. Não pode o juiz liberar uma criança por 5 anos, por exemplo.

segurança,

moralidade e educação.

c) Requisitos adicionais: respeito à saúde, à segurança, à moralidade e à educação. Não pode atrapalhar a frequência na escola, nem ambiente que gere prejuízo a saúde, moralidade, segurança. Tudo isso tem que ser muito bem observado quando da análise da situação concreta, da hipótese ventilada no processo, para que, então, se tenha, ou não, a autorização excepcional para o trabalho de crianças e adolescentes. Nesse caso, apenas de adolescentes, pois entende-se que NUNCA pode ser abaixo de 16 anos.

Ademais,

em

qualquer

hipótese,

tem

que

ser

respeitada

a

saúde,

3.2.2. Doutrina Trabalhista (prevalente)

a) Idade Mínima: pode ser relativizada.

Os principais doutrinadores de direito do trabalho, e até mesmo os mais progressistas trabalhadores do MPT e juízes do trabalho, mesmo aqueles que são grandes defensores de infância, em maioria, entendem que, no trabalho artístico, a idade mínima é desnecessária, podendo ser relativizada.

Logo, é possível autorizar o trabalho artístico de uma criança de 5/6/10 anos ou de um adolescente de 12/13 anos. Há, então, uma relativização quanto à idade mínima do art. 7º, XXXIII, da CF. É esse o posicionamento prevalente na doutrina do direito do trabalho.

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b) Autorização Judicial: entende da mesma forma que deve haver. Então, nisso, concordam a maior parte da doutrina infancista com a doutrina trabalhista: tem que ter autorização judicial.

Entretanto, para a doutrina trabalhista, há uma grande polêmica: se a competência vai ser do juiz da vara da infância e juventude (pela aplicação do ECA aliado a CLT) ou se vai ser do juiz do trabalho com fulcro no art. 114, da CF, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho - então, tais atividades laborais ficariam sobre a proteção do juiz do trabalho.

Segundo os últimos textos publicados pelo MPT, tem prevalecido o entendimento no sentido de que o juiz do trabalho é que é competente para expedir essas licenças/alvarás. O argumento é no sentido de que o juiz do trabalho vai ter mais elementos para avaliar se as condições de trabalho do que o juiz da vara da infância e da juventude, pois qualquer problema que surja quem vai resolver é aquele e não este. Então, os argumentos são fortes.

c) Requisitos adicionais: respeito à saudade, à segurança, à moralidade e à educação. Esse é o mesmo entendimento da doutrina infancista. 10

3.2.3. Recomendação 24/2014 do CNMP

Para quem vai prestar concurso para o MPT, há uma recomendação do CNMP relacionada ao trabalho artístico de crianças e adolescentes:

CNMP, Recomendação 24/2014:

Art. 1º Nos excepcionais casos de trabalho infantil artístico antes de idade mínima, previstos no art. 8º, item 1 da Convenção 138/1973 da OIT, devem ser observados pelo membro do Ministério Público que atuar no procedimento respectivo, se estão presentes os seguintes parâmetros mínimos de proteção:

Mais uma vez, há a prova cabal de que as Convenções 138 e 182 são imprescindíveis para a aprovação. Devem ser mencionadas na prova escrita e prática, além de existirem normativas fazendo expressa referência a elas, como foi na lei do doméstico e agora, pela recomendação do CNMP.

Então, quais são os parâmetros mínimos de proteção?

I - imprescindibilidade da contratação, de modo que aquela específica obra artística não possa, objetivamente, ser representada por maior de 16 anos;

Isso não está previsto na normativa internacional, mas a recomendação do CNMP é nesse sentido. Estabelece, portanto, mais uma norma protetiva. O raciocínio é simples:

10 Fim do bloco 1.

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Realmente é preciso colocar uma criança ou adolescente para representar o papel?

Porque se não precisar, não deverá colocá-las. Só se deve colocar uma criança para representar se ela for retratar uma criança ou um adolescente retratar um adolescente. Não serão colocados se isso for possível de ser representado por meio de um adulto ou de uma outra forma de representação artística.

II - observância do princípio do interesse superior da criança e do adolescente, de modo que o trabalho artístico propicie, de fato, o desenvolvimento de suas potencialidades

artísticas;

O superior interesse da criança será visto adiante, mas já fica a dica de que esse princípio é um juízo de razoabilidade que sempre pende para a proteção da criança ou do adolescente.

III - prévia autorização de seus representantes legais e concessão de alvará judicial, para

cada novo trabalho realizado;

Aqui também há a exigência da autorização dos representantes, falando da autorização judicial, mas sem entrar na polêmica da competência (se do juiz da vara da infância ou da vara do trabalho) e ainda é específico no sentido de que deve ser para cada caso já na linha do que prevê o ECA.

IV

- impossibilidade de trabalho em caso de prejuízos ao desenvolvimento biopsicossocial

da

criança e do adolescente, devidamente aferido em laudo médico-psicológico;

Então, não é apenas o desenvolvimento físico, mas também o desenvolvimento intelectual, não podendo haver nenhum tipo de prejuízo ao desenvolvimento biopsicossocial do infante envolvido em trabalho artístico.

V - matrícula, frequência e bom aproveitamento escolares, além de reforço escolar, em

caso de mau desempenho

Ou seja, não basta a frequência à escola, é preciso também que aquele trabalho não subtraia da criança o seu bom desempenho. É preciso que a criança tenha tempo para fazer seus deveres de casa, para estudar e descansar. Logo, não basta ir à escola.

VI

- compatibilidade entre o horário escolar e o trabalho artístico, resguardados os direitos

de

repouso, lazer e alimentação, dentre outros;

VII

- garantia de assistência médica, odontológica e psicológica;

VIII - proibição de labor a menores de 18 anos em locais e serviços perigosos, noturnos, insalubres, penosos, prejudiciais à moralidade e em lugares e horários que inviabilizem ou

dificultem a frequência à escola;

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Então, aqui se tem uma lembrança relacionada à Convenção 182, ou seja, admite-se o trabalho fora da idade mínima para as atividades artísticas, mas, se for uma das piores formas de trabalho, não será permitido, não se fará concessão.

IX - depósito, em caderneta de poupança, de percentual mínimo incidente sobre a

remuneração devida;

Isso tudo poderá estar presente na licença ou alvará que autorizem o trabalho, todas essas condições podem estar previstas. Nada disso é obrigatório. Trata-se de uma recomendação. Especialmente esse inciso IX, cuja finalidade é a de que os pais não explorem a mão de obra de seus filhos.

X - jornada e carga horária semanal máximas de trabalho, com intervalos de descanso e alimentação, compatíveis com o desenvolvimento biopsicossocial da criança e do

adolescente;

XI - acompanhamento do responsável legal do artista, ou quem o represente, durante a

prestação do serviço;

XII - garantia dos direitos trabalhistas e previdenciários quando presentes, na relação de

trabalho, os requisitos dos arts. 2° e 3° da Consolidação das Leis do Trabalho.

Art. 2º. O membro do Ministério Público poderá solicitar manifestação técnica do Ministério do Trabalho e Emprego quando entender necessário, nos processos judiciais de autorização para trabalho infantil artístico, sobre a regularidade da situação.

Há aqui um referencial fabuloso para a temática do trabalho artístico envolvendo crianças e adolescentes. Essa recomendação é uma preciosidade. O que se espera é que isso seja reproduzido em alguma lei ou decreto para ter um peso vinculante para o que hoje é apenas recomendação.

A seguir, será consolidado o que foi visto até então.

4. Consolidação dos sujeitos e idades para o trabalho

Aqui, será consolidado o estudo dos sujeitos de direitos sobre as expressões: menores, crianças, adolescentes e jovens.

4.1.

Criança

Quando se escreve “criança”, a quem se está fazendo referência?

Depende. Para o ECA, criança é a pessoa com até 12 anos incompletos. Lembrando que existe a figura do adolescente que é a pessoa entre 12 anos completos e 18 anos incompletos. Todavia, para a Convenção sobre Direitos das Crianças e para a Convenção 182 sobre as piores formas de trabalho infantil, criança é a pessoa com até, ou menor, de 18 anos de idade.

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Então, tem-se essas duas referências. O professor aconselha utilizar a referência do ECA, pois é mais precisa. Logo, não estará errado chamar uma pessoa de 5 ou 6 anos de idade de criança, pois enquadrar-se-á a nomenclatura nos dois parâmetros.

Entretendo, chamar de criançauma pessoa de 14 ou 15 anos estará correto à luz das convenções, mas sob a ótica do ECA, estará errado, pois seria este considerado adolescente. Então, adotar a referência do ECA não significa contrariar as convenções, estando tal nomenclatura correta para ambos. Esse é um cuidado recomendável.

4.2. Adolescente

Adolescente, para o ECA, é a pessoa entre 12 anos completos (após o aniversário de 12) e 18 anos incompletos (antes de fazer o aniversário de 18).

O professor chama atenção à Convenção 138, que não define o uso da expressão da

categoria adolescente, mas ela vale-se da expressão em alguns dos seus dispositivos. Se fizer

um apanhado deles, poder-se-á concluir que ela faz uso para se referir somente às pessoas a partir dos 16 anos.

Esse alerta é no sentido de que o aluno saiba que a convenção já utilizou a expressão adolescente, apesar de não trazer uma definição clara de sobre quem é o adolescente.

4.3. Aprendiz

Caso seja levado em consideração o que consta na CF e na CLT (nos seus artigos 403 e 428, respectivamente), concluir-se-á que aprendiz é a pessoa a partir dos 14 e menor de 24 anos. Há um lapso de 10 anos considerado para a categoria aprendiz. Então, completou-se 14 anos, cai-se na exceção constitucional, podendo ser aprendiz.

Isso não significaria que a idade mínima para o trabalho não seria 14 anos?

Não, a idade mínima é 16 anos, 14 anos é a exceção.

4.4. “Menor”

Essa é uma expressão famigerada. Ela tem previsão expressa na CLT (art. 402) e se refere a pessoa de 14 até 18 anos. Apesar de ter havido uma alteração posterior na CLT, não abandonaram a expressão menor.

O professor recomenda que não se utilize essa expressão na prova de juiz do trabalho

e jamais para a do MPT, especialmente, por conta de um trabalho direcionado na coordenação de infância que combate o trabalho infantil, em que há uma preocupação na correção dos designativos.

O professor reitera: menorremete a uma época tutelar do direito da criança, a fase

do código do menor de 27, de 79, que não consideravam crianças e adolescentes como

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sujeitos de direitos, mas objetos tutelados. Eram tachados como abandonados, delinquentes, cujo grande objetivo era retirar dos olhos de todos aqueles que fossem desviados do caminho considerado do bem.

Nesse cenário, se houvesse crianças na rua praticando atos ilícitos ou não, estas eram consideradas crianças desviadas, abandonadas, delinquentes, marginais, que, no máximo, se submetiam a medidas, meramente, de cunho assistencial e não, emancipatória, não concessiva de direitos.

Diante disso, tal expressão deve ser, definitivamente, abolida pelos alunos, não

obstante a CLT ainda trazê-la em seu texto pois a CLT não é a principal referência, mas a CF;

E ainda, há quem diga que são os tratados internacionais que sejam. Tanto a Constituição,

como os tratados internacionais, não falam mais “menor”, mas criança ou adolescente, sendo essa a expressão a ser utilizada na prova.

4.5. Jovem

O Estatuto da Juventude definiu que jovem é a pessoa que tem entre 15 a 29 anos. Então, é possível ter um aprendiz adolescente, pode-se ter um aprendiz jovem pode haver

a combinação dessas expressões e é necessário que o aluno saiba exatamente o que cada uma representa/significa.

Em suma, para fixar o que já foi dito, quando se fala em idade mínima para o trabalho, caso se considere a CF e o Decreto 4.134/2002, que regulamenta a Convenção 138, sobre idade mínima, além da CLT, no seu art. 403, chega-se aos 16 anos como idade mínima por conta de todas essas fontes normativas.

Finalmente, a dicotomia do que é adulto e do que é jovem, caso seja levada em consideração a CF, as Convenções 138 e 182, o Decreto 6.481 (Lista TIP), conclui-se que 18 anos é a idade do adulto ou é parte da faixa etária que engloba o jovem, já que este é dos 15 aos 29 anos. Para as pessoas a partir dos 18 anos, é permitido o trabalho noturno, perigoso, insalubre (por força da CF), penoso, imoral (por força da CLT) e das piores formas de trabalho infantil, conforme a lista TIP.

4.6. Expressões envolvendo infantes e trabalho

Trabalho Infantil é o trabalho proibido de crianças e adolescentes.

Criança trabalhadora é a criança que trabalha, lícita ou ilicitamente. Devendo ser abandonada a expressão “menor trabalhador”.

Adolescente trabalhador é o adolescente que trabalha, lícita ou ilicitamente. Também deve ser abandonada a expressão “menor trabalhador”.

É possível ter uma criança trabalhadora e trabalho infantil?

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Sim, é o trabalho ilícito.

É possível ter um adolescente trabalhador e trabalho infantil?

Sim, é o trabalho ilícito.

Pode existir o adolescente aprendiz, que é o adolescente que trabalha na condição de aprendiz. Deve-se esquecer a expressão menor aprendiz.

5. Interpretação do direito da criança e do adolescente

Abaixo, a tabela do sistema valorativo do direito da criança e do adolescente:

sistema valorativo do direito da criança e do adolescente: Houve uma lei em 2009 que operou

Houve uma lei em 2009 que operou uma verdadeira revolução no direito da criança e do adolescente. Essa lei ficou, popularmente, conhecida como lei nacional da adoção.

Na prática, ela é muito mais que uma lei de adoção, é uma lei de convivência familiar

e comunitária, que tocou em vários pontos do estatuto da criança e do adolescente, trazendo uma série de novidades para o ECA.

Dentre essas novidades, o professor destaca o parágrafo único do art. 100, do ECA, porque essa lei trouxe princípios, valores, meta-princípios, postulados para os direitos das

crianças e dos adolescentes. Então, nesse dispositivo, encontrar-se-á vários referenciais para

a interpretação do ECA. Desde então, a doutrina de infância defende uma organização desses

valores, por isso, falar-se em um sistema valorativo do direito da criança e do adolescente uma forma de se valorar o direito da criança.

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Tanto o superior/melhor interesse da criança como a proteção integral e a prioridade absoluta, estão ao lado de todos os princípios derivados (coluna 3 acima) do art. 100, parágrafo único, do ECA. A doutrina, então, coloca o superior/melhor interesse da criança como um postulado normativo do direito da criança; já a proteção integral e a prioridade absoluta são colocados como metaprincípios. Os demais como princípios derivados.

O que isso significa?

O superior/melhor interesse da criança ocupa uma posição de destaque e é

denominado como postulado normativo porque, segundo o prof. Humberto Ávila, um dos doutrinadores mais respeitados do Brasil e que fala desse conceito de postulado normativo em um livro chamado de “Teoria dos princípios”.

Os postulados normativos têm um papel importantíssimo na interpretação do Direito. Eles são mais do que os princípios que estabelecem finalidades que merecem ser perseguidas ou do que as regras que estabelecem comportamentos sociais. Os postulados normativos trazem referências sobre o que se deve interpretar sobre determinada área do conhecimento. O modo como o raciocínio interpretativo deve ser organizado.

Então, o superior/melhor interesse da criança e do adolescente é o postulado normativo do direito da criança e do adolescente pois ele ensina como se deve interpretar a disciplina, interpretar os direitos das crianças e dos adolescentes.

E como devem ser interpretados?

Devem ser interpretados pensando sempre no melhor, no maior, no superior interesse da criança ou do adolescente. Trata-se de um juízo de proporcionalidade ou de razoabilidade que deve ser feito em determinadas situações do caso concreto e que devem pender, pesar para a proteção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens.

Então, diante de situações complexas, especialmente, aquelas em que não se tem uma referência normativa clara, vale-se do melhor interesse da criança para proteger; para trazer a situação que mais garanta a condição de crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, como pessoas em estágio peculiar de desenvolvimento psíquico, físico e moral. Essa é a ideia do postulado normativo do superior/melhor interesse da criança.

Há ainda os metaprincípios que se destacam dos demais princípios, porque possuem

status constitucional. O princípio da prioridade absoluta está gravado de forma expressa no caput do art. 227, da CF; já a proteção integral, é um princípio implícito ao art. 227, da CF.

O princípio da proteção integral traz a doutrina da proteção integral, no sentido de que crianças e adolescentes possuem os mesmos direitos dos adultos e outros mais, em razão do fato de serem pessoas em estágio peculiar de desenvolvimento psíquico, físico e moral.

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Já a prioridade absoluta, garante como regra a prioridade de atendimento em várias esferas de crianças e adolescentes. Claro que não se trata de um direito absoluto, não obstante o termo. Os outros também, igualmente, relevantes, pertencentes a outros sujeitos, devem ser levados em consideração. Então, tem-se prioridade absoluta e proteção integral como metaprincípios.

Depois, tem-se os 10 princípios derivados:

Condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos é um corolário da proteção integral.

2) Responsabilidade primária e solidária do poder público todos os entes são

responsáveis, igualmente, pelo atendimento dos direitos das crianças e adolescentes envolvendo políticas públicas de prevenção, estruturais dentre outras. Privacidade as crianças também têm direito à privacidade, não é porque é uma

3)

pessoa que ainda não completou a maioridade que se pode ter sua intimidade defasada. 4) Intervenção precoce significa que se deve agir o mais rápido possível toda vez que se estiver diante de uma violação de direitos. Então, se existe uma exploração

do trabalho infantil, é preciso agir para evitá-lo antes de qualquer coisa. 5) Intervenção mínima não significa intervir o mínimo possível, então cuidado! Intervenção mínima significa intervir por meio de órgãos especializados. Como será visto, o conselho tutelar, por exemplo, é órgão especializado, que deve ser acionado em situações emergenciais. 6) Proporcionalidade e atualidade tem que agir o mais breve possível sempre analisando se as medidas tomadas ainda são atuais. Então, ao se avaliar a condição de trabalho de um adolescente em determinado lugar, será que essa situação vai permanecer ad aeternum ou é preciso reavaliar? 7) Reponsabilidade parental os pais são responsáveis pelos seus filhos enquanto perdurar o poder familiar. Como foi visto, existe uma orientação do CNMP, no sentido de que os responsáveis legais devem acompanhar os seus filhos enquanto eles tiverem trabalhando de forma excepcional. Será visto que essa necessidade de os pais estarem com seus filhos quando do recebimento de verbas do contrato de trabalho, apesar de não ser necessária a presença no recibo de salário.

1)

8)

Prevalência da família poucos se referem ao trabalho, mas tem tudo a ver com o

9)

fato de garantir a convivência da criança com sua família. Obrigatoriedade da informação não é porque é menor de 18 anos de idade que não deve ficar a par das condições de trabalho, das regras, do que acontece no

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ambiente de trabalho. É uma pessoa que, da mesma forma das outras, merece respeito no ambiente de trabalho 10) Oitiva obrigatória e participação é um tema com pouca relevância no ambiente de trabalho, mas é necessário dar voz às crianças e adolescentes, respeitando a sua condição especial de sujeito de direitos em estágio de desenvolvimento, físico, psíquico e moral.

Então, esse é um sistema valorativo de direitos da criança e do adolescente.

Temos ainda, segundo o ECA, alguns critérios de interpretação (art. 6º).

Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.

O ECA tem que ser interpretado de acordo com os fins sociais a que ela se destina, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e com a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.

Há muita inspiração com a lei do direito brasileiro aqui e misturado com a doutrina da proteção integral, com tudo que se prega na Convenção de direitos das crianças, as convenções da OIT. Então, esses critérios de interpretação do ECA, junto com os princípios que foram estudados, permitem o desenvolvimento da disciplina dos direitos da criança e do adolescente, por consequente uma proteção adequada, emancipatória de crianças e adolescentes.

Agora, passa-se ao estudo pontual do ECA: que são os Conselhos Tutelares.

6.

Conselhos do ECA e proteção no trabalho

6.1.

Conselhos Tutelares (CTs)

Os CTs, além de estarem no Edital, são importantes porque o CT participa da proteção da criança e do adolescente quanto ao trabalho e de várias formas.

Participa por intersecção com as atividades dos conselhos de direitos, que vão fazer registro de entidade, inscrição de programa de educação profissional e, porque os conselheiros tutelares também irão ser “fiscais” das atividades desempenhadas por crianças

e

adolescentes, das atividades laborais que, eventualmente, precisam ser extintas, adequadas

e

que os conselheiros possuem competência para zelar por isso.

Passa-se agora, a entender o que são os CTs, porque existem no ECA e qual a sua intersecção com o mundo do trabalho.

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O que são conselhos tutelares (CTs)?

Preliminarmente, é importante destacar que o ECA foi elaborado mediante alguns fundamentos/diretrizes e dois deles são: participação popular e municipalização do atendimento.

A ideia é que o direito da criança e as políticas de infância tenham uma participação

popular grande, que as pessoas se empoderem, participem daquilo que é decido em relação às crianças e os adolescentes. E, ainda, que os problemas locais sejam possíveis de serem resolvidos, atentos às peculiaridades de cada um dos locais do Brasil, no intuito de resolver aquilo que é mais importante para desenvolver políticas efetivas. Então, ao mesmo tempo que existia a diretriz/vertente do fundamento da participação popular, existe a

municipalização do atendimento.

Quando se fala em atendimento à criança e ao adolescente, as políticas e garantias de direitos, tudo isso deve ser pensado sob a ótica da municipalização do atendimento. Então, grande parte do que prevê o ECA acontece no âmbito dos municípios, porque a CF adotou um federalismo diferenciado que confere autonomia (com seu autogoverno, própria legislação, sua autoadministração, seus serviços e políticas próprias) também a esses entes.

e municipalização do

atendimento.

Os

CTs

surgem

nesse

contexto:

participação

popular

Qual é o conceito de CT?

O próprio ECA diz que o CT é um órgão permanente, autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes.

O que ele faz?

O CT atua, como diz no final do conceito, na fiscalização dos direitos da criança e do

adolescente, ele vai olhar se tudo aquilo que está previsto no ECA e em toda a legislação

brasileira, CF e tratados internacionais estão sendo aplicados.

Trata-se de um órgão permanente, que, uma vez instalado, não pode ser eliminado do âmbito municipal, é autônomo, sem relação de hierarquia com o Poder Executivo e é não jurisdicional, não compõe o poder judiciário.

Os conselheiros, pessoas que atuam nos CTs, têm autonomia para agir, cujo referencial é sempre a fiscalização de direitos da criança e do adolescente, encarregados pela sociedade de zelar pelo cumprimento desses direitos.

Como funcionam?

A Lei Orçamentária Municipal vai trazer os recursos para o funcionamento do CT.

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O que fazem?

Para se compreender, realmente, o que faz um CT, qual a sua missão, nada melhor do que se estudar as suas atribuições, que estão previstas no art. 136, do ECA:

I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII;

Basicamente, atender crianças e adolescentes que estejam em situação de risco, ou seja, que estejam abandonadas pelas suas famílias, que estejam trabalhando em situações ilícitas, que tenham praticado um ato infracional e sejam marginalizados, o que merece a atenção dos conselheiros, que é quem vai aplicar a medida de proteção (arroladas no art. 101, ECA).

Exemplo: encaminhamento aos pais ou responsáveis criança foi apreendida por ter praticado um ato ilícito, ocasião em que os pais serão cientificados e a criança/adolescente será encaminhado para casa; colocação em programa para tratamento criança que está com dependência de drogas (inclusive, de álcool), sem necessidade de recorrer a um juiz. O que, em regra, o CT não pode fazer é tirar uma criança de uma família e colocar em outra, o que, para tanto, será necessária uma manifestação judicial. Como regra, o CT pode aplicar medida de proteção que são justamente as arroladas no art. 101 11 , incisos de I a VII, ficando de fora o acolhimento institucional, familiar e a colocação em família substituta, que é colocar em um abrigo, para outra família cuidar ou, efetivamente, colocar sob guarda, tutela de um terceiro o que só pode ser feito por um juiz.

II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII;

11 Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:

I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;

II

- orientação, apoio e acompanhamento temporários;

 

III

 

IV

 

- matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental; - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;

IV

- inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da

família, da criança e do adolescente; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)

V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou

ambulatorial;

VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras

e toxicômanos;

VII

- abrigo em entidade;

VII

- acolhimento institucional;

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Diz respeito ao inverso da moeda das medidas de proteção, pois pode ser que a criança esteja em situação de risco, esteja em situação de rua, porque a família não oferece suporte para ela. Então, ao invés de se aplicar medida de proteção para tratamento de droga, para a criança e para o adolescente, aplica-se isso para os pais. Assim, o CT pode fazer isso, que são as previstas no 129 12 , de I a VII.

III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:

Olha que interessante: o conselheiro pode executar a decisão que tomar. Podendo:

a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência,

trabalho e segurança;

Muita atenção! Requisitar é ordenar, é diferente de requerer, é ordenar sendo desnecessário o aval do juiz.

b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de

suas deliberações.

Aplica

a

medida

de

proteção,

aplicou

cumprimento, ele poderá recorrer ao juiz.

medida

aos

pais,

e

não

está

havendo

IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa

ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;

12

Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:

I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;

I - encaminhamento a serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção

II

- inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras

e

toxicômanos;

III

- encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;

IV

- encaminhamento a cursos ou programas de orientação;

V

- obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e aproveitamento

escolar;

VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado;

VII - advertência; VIII - perda da guarda;

IX - destituição da tutela;

X - suspensão ou destituição do pátrio poder poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº

Parágrafo único. Na aplicação das medidas previstas nos incisos IX e X deste artigo, observar-se-á

o disposto nos arts. 23 e 24.

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Previsão que se enquadram como trabalho infantil, devendo proceder ao adequado encaminhamento ao MPT.

V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;

O que ficou de fora dos incisos I e II, especialmente.

VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no

art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional;

O ato infracional, de acordo com o ECA, nada mais é do que aquela conduta que se fosse praticada por um adulto, seria um crime ou uma contravenção penal. Como é praticado por criança ou adolescente, é ato infracional e há um regime próprio de responsabilização (não quer dizer que há impunidade), como acontece na maioria dos países.

VII - expedir notificações;

VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando

necessário;

IX - assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para

planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;

Isso é muito importante, pois visa permitir a previsão daquilo que é, efetivamente, importante. O executivo vai fazer a execução daquilo que é importante de acordo com o assessoramento, mas cuidado: vai assessorar o executivo e não, o legislativo, que tem uma outra missão na aprovação das propostas orçamentarias.

X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos

no

art. 220, § 3º, inciso II, da Constituição Federal;

XI

- representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do

poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural.

XII

- promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de divulgação

e

treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e

adolescentes. (Incluído pela Lei nº 13.046, de 2014) Parágrafo único. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família.

Por exemplo, se a criança estiver em casa sendo mantida por trabalho escravo, cabe ao conselheiro tirar de casa e já encaminhar o caso para o judiciário.

Não obstante, a proibição acima, essa é uma situação excepcional, pois há violação de direitos, ocasião em que deve o conselheiro atuar e encaminhar o caso para as autoridades competentes.

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Essas atribuições caem na prova?

Despencam”, devendo o aluno refazer várias vezes a leitura desse artigo.

Atribuições são taxativas?

Não são. Tudo que disser respeito à missão do CT pode ser implementado. Há, entretanto, alguns autores que entendem que esse rol é taxativo. Porém, o que predomina é que não.

Que

entidades?

Programas de aprendizagem, por exemplo, de trabalho educativo, de profissionalização. Deve o conselheiro ir até essas entidades proceder a sua fiscalização. Há, inclusive, algumas resoluções do CONANDA, que é o conselho nacional das crianças e adolescentes, que vão ampliando essas atribuições sobremaneira.

Nesse

sentido,

os

CTs

podem

fiscalizar

entidades

de

atendimento?

6.1.1. Composição e Mandato dos CTs

O CT é composto por exatamente 5 (cinco) membros (lembre-se sempre de uma mão).

Cada município ou região administrativa do DF deve ter, pelo menos, um CT, composto por 5 (cinco) membros. Tratando-se de municípios muito grandes, não será aumentado o número de conselheiros, mas de conselhos, para o atendimento ser adequado. Há ainda uma equipe administrativa dentro de cada conselho para contribuir com a atividade destes.

Quem pode ser conselheiro?

Existe uma eleição, mediante voto direto, secreto e facultativo. Todo mundo que tem título de eleitor pode votar, mas não é obrigado.

Para se candidatar, é exigido a idade mínima de 21 anos. Idade mínima para ocupar cargo não tem nada a ver com capacidade civil as idades mínimas para ser prefeito, deputado estadual, deputado federal: os mesmos 21 anos e nada disso mudou com o CC/02.

Além disso, é preciso ter idoneidade moral.

O terceiro requisito é que o (futuro) conselheiro deve residir no município ou região

administrativa do DF, onde esteja situado o CT que irá compor.

Além disso, o ECA traz alguns impedimentos para que pessoas muito próximas ocupem o mesmo conselho. São impedidos de servir no mesmo conselho (e não, no mesmo município): marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado. O aluno deve conhecer isso, pois cai em prova.

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Esses impedimentos se estendem à autoridade judiciária e ao representante do Ministério Público com atuação na Justiça da Infância e da Juventude, em exercício na comarca, foro regional ou distrital.

6.1.2. Processo de Escolha

Já se sabe que o CT é um órgão permanente, autônomo, não jurisdicional, encarregado

pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes. Todo CT deve ser composto por 5 (cinco) conselheiros tutelares, e que cada município ou região

administrativa do DF deve ter, no mínimo um, sendo possível a criação de mais conselhos.

O conselheiro é eleito pelo voto secreto, direto e facultativo.

Há muitos doutrinadores que não gostam da expressão “eleições”, preferem processo de escolha mas, tanto um, como outro, designam muito bem o que é o processo de escolha desses conselheiros tutelares.

Basicamente, é preciso saber que esse processo de escolha ocorre conforme previsão detalhada em Lei Municipal, com data unificada nacionalmente 13 . Essa é uma previsão do ECA, o qual estabelece que as eleições ocorrerão sempre nos anos subsequentes às eleições presidenciais, no primeiro domingo do mês de outubro, tomando posse, os conselheiros, no dia 10 de janeiro do ano subsequente que ocorre o processo de escolha.

Esse processo de escolha ocorre de 4 em 4 anos porque é de 4 anos o mandato do conselheiro tutelar, que pode ser reconduzido para mais um mandato subsequente essa recondução é permitida, desde que ele seja escolhido novamente. Assim, ele pode sair, ficar 4 anos fora e, depois, voltar e ser escolhido para mais uma, e ser reconduzido, mas depois tem que sair de novo e assim por diante.

Esse processo de escolha se dá por responsabilidade do CMDCA, que é o Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente. É esse conselho o responsável pelo processo de escolha e cabe destacar que a fiscalização do processo de escolha é feita pelo MP.

Cuidado! As provas adoram cobrar isso.

Como é que é a “campanha”?

Os candidatos podem fazer campanha, mas o ECA prevê que não podem empregar bens, doações em época de campanha, nem mesmo brindes de pequeno valor (chaveirinho, chapeuzinho, reguinha). Isso é vedado no processo de escolha dos Conselheiros Tutelares.

13 Não era assim até um bom tempo atrás.

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6.1.3. Posse e Direitos dos Conselheiros

Como se viu, a posse se dá no dia 10 de janeiro do ano subsequente, que ocorre o processo de escolha dos conselheiros e a Lei Municipal (uma novidade) disporá sobre a remuneração dos conselheiros. Não obstante a legislação federal já estabelecer algumas diretrizes/direitos que devem ser asseguradas na lei municipal (quanto a esses não há negociação):

1. Cobertura Previdenciária;

2. Gozo de Férias Anuais Remuneradas, acrescidas de 1/3 do valor da remuneração mensal;

3. Licença-maternidade;

4. Licença-paternidade;

5. Gratificação Natalina.

Por fim, os Conselheiros gozam de uma presunção de idoneidade moral 14 por serem conselheiros tutelares e o ECA diz que prestam um serviço público relevante. Há até quem diga que essa é uma função que se enquadra na função de Hely Lopes Meireles como uma função de agente honorifico, agente de honra.

6.2. Conselhos de Direitos (CD)

É muito comum que o examinador queira confundir quanto a esses dois conselhos previstos no ECA, quanto a essas duas ordens e natureza.

Conselhos tutelares são órgãos de fiscalização quanto ao cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. É como se fosse (e NUNCA escreva isso) uma polícia desses direitos, uma fiscalização para olhar o que está sendo feito de errado. É um conselho de fronte, do dia a dia, da problematização, do enfrentamento, dos casos concretos.

Já os Conselhos de Direitos de direitos, são diferentes, que também estão forjados sobre as diretrizes do fundamento da participação popular e nisso, são muito parecidos com os CT. Porém, diferentemente destes, que só existem em âmbito municipal e das regiões administrativas do DF (nunca estadual ou federal), os CD existem no âmbito municipal, estadual, do DF e no âmbito nacional. Então, esses conselhos estão presentes em todos os âmbitos da federação, e exercem uma função completamente diferente.

Os CD são órgãos deliberativos e paritários, cuja função é dispor sobre as políticas públicas de infância e juventude. São órgãos estratégicos que vão atentar-se para o aspecto das políticas públicas, vão olhar para as necessidades, saber quais são as demandas, vão cuidar

14 Eles têm que demonstrar na candidatura essa idoneidade, para depois gozarem da presunção.

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das entidades, tanto do governo, como das iniciativas privadas que prestam programas, desenvolvem programas de atendimento a crianças e adolescentes em várias áreas. Por exemplo, que atendem crianças em regime de abrigamento (os abrigos), que vão cuidar das crianças no período contraturno escolar, que é aquele em que elas não estão na escola, então, vai ter uma entidade em que o CD vai fiscalizar, registrando o programa que essa entidade desenvolve.

Além disso, fazem a gestão dos fundos vinculados (em que são depositadas verbas) que podem ser utilizadas para as políticas de infância e juventude. Então, quem cuida desses fundos são os CDs, que deliberam sobre esse dinheiro e o distribui para as entidades de atendimento.

Então, o fundamento dos CDs são os mesmos dos CT: participação popular.

Os princípios regentes são os mesmos vistos lá atrás dos CT (destacando-se para aqueles, o da paridade e o da deliberação)

6.2.1. Composição

Pelo sistema paritário, já se sabe que tem uma distribuição equilibrada.

Mas equilibrada em que sentido?

Entre os conselheiros que são indicados pelo governo e os que são indicados pela sociedade civil organizada. Não há um número fixo de conselheiros, cada CD pode ter o número que quiser de conselheiros (10, 15, 18, 20) sempre número par, porque é paridade:

metade indicada pelo governo e a outra pela sociedade civil.

Então, por exemplo, os conselhos municipais têm alguém que vem da Fazenda, que vem da Secretaria da Cultura, Secretaria da Educação esses indicados pelo governo depois, tem membro da OAB, tem membro indicado pela organização das entidades, das instituições de ensino superior, das escolas de ensino fundamental. Então, a sociedade civil e o governo indicam membros para compor o CD.

Esses conselhos vão deliberar sobre política na área de infância e vão deliberar sobre o destino das verbas que sairão do fundo vinculado a cada um desses conselhos.

Como é que se torna um conselheiro da CD (municipal, estadual ou federal)?

O professor, por exemplo, já foi conselheiro municipal indicado pela OAB, pois a lei municipal fez a previsão de que a OAB poderia fazer a referida indicação.

6.2.2. Atribuições

São atribuições do CD:

a. Realizar e organizar as eleições dos CTs;

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b. Proceder ao registro de entidades não-governamentais;

O atendimento na área da infância e juventude é desjudicializado, ou seja, o judiciário

tem que participar o mínimo possível.

Parte-se ainda do pressuposto que, além da desjudicialização, o atendimento não tem que ser, exclusivamente, público, mas também pode ter a participação da iniciativa privada (de ongs). Então, há várias áreas que precisam ser atendidas quando se fala em atendimento à infância, de direitos da criança.

É preciso ter abrigo, tratamento para quem tem problemas com drogas, programas

que desenvolvam contrato escolar, lazer, profissionalização, isto é, entidades que atuem em várias áreas de política de infância. Para que as entidades possam, legalmente, atuar nas

políticas de infância, elas precisam se submeter aos CDs. As entidades municipais se submetem aos CDMCA.

Existem as entidades governamentais e as não governamentais. As governamentais já são fiscalizadas pelo poder público. As não governamentais, em regra, não são sempre fiscalizadas quanto ao seu funcionamento, de modo que, para se habilitarem a, eventualmente, desenvolverem programas nas áreas da infância e juventude, elas precisam se registrar nos CDs (nos respectivos âmbitos federados).

E o mundo do trabalho?

Caso se tenha uma entidade em que se quer desenvolver um programa de capacitação ensino de matemática aplicada, informática para o mercado de trabalho, técnicas de atendimento -, no caso de ser uma ONG, obrigatoriamente, deverá se registrar no CD.

Segundo o ECA, esse registro vale no máximo por 4 anos.

Pode valer menos?

Pode. A lei municipal pode prever que o registro vale menos, a normativa interna do Conselho pode prever que vale menos. Podendo valer por 2 anos, o que o ECA faz é estabelecer um máximo de 4 anos.

3. Inscrição de Programas de Atendimento: no máximo a cada 2 anos. Não basta que se registre como entidade, lembrando que esse registro só é necessário para as entidades não governamentais. É preciso também inscrever um programa, que é o projeto, é aquilo que vai ser desenvolvido.

Por exemplo, o programa é para informática voltada ao mercado de trabalho, em que serão atendidos adolescentes de 16 e 17 anos, no período tal, tantas vezes por semana, no local tal, com tal profissional, sendo adotada tal metodologia, que ficará valendo por tanto

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tempo. Esse é o projeto de programa de atendimento. Esse programa, esse projeto tem que ser inscrito no CNMCDA, no CD.

O ECA diz que esse projeto tem que ser reavaliado no máximo a cada 2 anos, podendo

ser de 1 ano. Tem apenas o máximo, não tem mínimo. Logo, não há problema que seja

estabelecido prazo menor.

Aqui há a intersecção entre o mundo do trabalho e as políticas do atendimento na área da infância. Para quem quer desenvolver um programa profissionalização, isso ficará muito mais claro depois que se falar em aprendizagem.

É preciso que exista o registro da entidade não governamental para que esta possa

funcionar. Já a inscrição do programa é, tanto para as entidades governamentais, como as não

governamentais. Essa é uma diferença muito cobrada nas provas.

O CONANDA, que é o conselho nacional, expede várias resoluções detalhando o funcionamento dos conselhos e fazendo políticas na área da infância.

Ele expediu a resolução 74, que versa sobre os Programas de Assistência e Educação Profissional de Adolescente. São exigências para esses programas:

A) Registro das entidades (está previsto no próprio ECA);

B) Comunicação do Registro ao CT, às autoridades judiciárias e ao Ministério do

Trabalho e emprego com jurisdição na respectiva localidade.

Isso é bem específico e pode cair na prova.

C) Mapeamento das Entidades sem fins lucrativos que façam intermediação do trabalho de adolescente, promovam o trabalho educativo e ofereçam cursos de profissionalização e aprendizagem.

Esse mapeamento é importante para facilitar a fiscalização, evitar trabalho infantil e trabalho abusivo. Esse é um detalhe muito importante com pertinência no mundo do trabalho.

Reiterando: existem conselhos em todos os âmbitos Conanda (nacional), Conselhos Estaduais e Conselhos Municipais, bem como os Fundos dos Conselhos de Direitos. Cada conselho é um fundo, tem verba para distribuir.

Essas verbas vêm do direcionamento daquilo que as pessoas direcionam para esses fundos. Então, os conselhos vão olhar para esses fundos e vão analisar para quem vão distribuir esses recursos, com base nos programas inscritos no conselho buscando os melhores, os que atuam em áreas prioritárias que variam de acordo com cada âmbito. Nesse sentido, os programas que serão inscritos, provavelmente, visarão as áreas prioritárias para que recebam os benefícios recursais.

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Essa é a lógica dos conselhos, dos fundos, da política de atendimento na área da infância.

O professor montou a seguinte tabela para ajudar os alunos na hora da prova:

a seguinte tabela para ajudar os alunos na hora da prova: Conforme tabela acima, nos CDs

Conforme tabela acima, nos CDs a remuneração é PROIBIDA, não se pode remunerar conselheiro de direitos. Diferentemente dos Tutelares, que serão remunerados de acordo com aqueles 5 elementos.

6.3. Questões

Seguem as questões para simulação:

(Juiz do Trabalho - TRT 1ª Região 2015) Entre as atribuições do Conselho Tutelar, NÃO

se inclui:

a) atender e aconselhar os pais e responsáveis pelo assistido.

b) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência,

trabalho e segurança.

c) encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência.

d) aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção à

criança ou adolescente. e) requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário.

A resposta é o item d, pois quem faz isso é a autoridade judicial e, nos casos em que

não for da sua competência, o conselheiro deve encaminhar para a autoridade competente. Não pode o conselheiro aplicar pena. Não confunda aplicar pena com aplicar medida de

proteção, a qual pode ser aplicada pela conselheiro, diferentemente, daquela.

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(Juiz do Trabalho - TRT 1ª Região 2016) As decisões dos Conselhos Tutelares poderão ser:

a) executadas com representação ao Poder Executivo.

b) por ele executadas, requisitando serviços públicos de saúde e educação.

c) executadas mediante representação ao Ministério Público.

d) revistas por ato da autoridade do Poder Executivo.

e) executadas com requisição de serviços públicos de qualquer natureza.

A resposta correta é a letra b. A alternativa a é absurda, pois quem tem que

representar é o executivo. A c, quem tem que representar é o MP. A d, porque não há ato de subordinação, de hierarquia. E a e porque fala em qualquer natureza de serviço, pois existe um rol de serviços no ECA.

(Juiz do Trabalho - TRT 1ª Região 2014) A remuneração dos membros do conselho tutelar será disciplinada pela lei municipal ou distrital, garantindo-se

a) cobertura previdenciária, férias anuais remuneradas, licença-maternidade, adicional de

periculosidade e adicional por trabalho noturno.

b) férias anuais remuneradas, salário mínimo regional, licença-maternidade, licença-

paternidade e vale transporte.

c) licença-maternidade, licença-paternidade, adicional por trabalho noturno, auxílio-

alimentação e gratificação natalina.

d) férias anuais remuneradas acrescidas de 1/3 (um terço) do valor da remuneração

mensal, licença-maternidade, licença-paternidade e pagamento das horas extras.

e) cobertura previdenciária, férias anuais remuneradas acrescidas de 1/3 (um terço) do

valor da remuneração mensal, licença-maternidade, licença paternidade e gratificação

natalina.

Alternativa correta é a letra e. É decoreba. O trabalho noturno, hora extra, adicional de periculosidade ficam de fora, pois não estão previstos expressamente. Logo, o aluno deverá ficar atento ao que não foi garantido na legislação.

A predileção dessa disciplina é toda para os concursos de juiz do trabalho. Então,

quanto a idade mínima e convenções, a predileção é para os concursos do MPT, essas são para

o de juiz. Não que não caiam vice e versa, mas, para a prova de magistratura, é necessária essa parte dos conselhos.

(Juiz do Trabalho TRT 21ª Região 2015) O Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos

direitos da criança e do adolescente (Art. 131 do Estatuto da Criança e do Adolescente). Considerando as atribuições legalmente enumeradas ao mesmo, é incorreto dizer:

a) Pode, para promover a execução de suas decisões, requisitar serviço público nas áreas

de trabalho e segurança.

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b) Pode, para promover a execução de suas decisões, requisitar serviço público nas áreas

de serviço social e previdência.

c) Possui legitimidade para representar ao Ministério Público, para efeito das ações de

perda ou suspensão do pátrio poder.

d) Possui legitimidade para autorizar ao menor o trabalho em empresas circenses, em

função de ginasta e outras semelhantes, desde que a representação tenha fim educativo

ou a peça de que participe não possa ser prejudicial à sua formação moral.

e) Possui legitimidade para assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta

orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente.

A alternativa correta é a letra d.

A autorização, nesse caso, só pode ser emanada de uma autoridade judicial e não, do

conselheiro tutelar.

(Juiz do Trabalho - TRT - 2ª Região 2015) 0 Estatuto da Criança e Adolescente - ECA prevê a figura do Conselho Tutelar, dispondo sobre a sua criação, organização, atribuições e outras regras sobre funcionamento e os seus membros. Aponte a alternativa CORRETA.

a) Em cada Município haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar, de caráter privado,

composto de cinco membros, escolhidos pela população local para mandato de três anos, permitida uma recondução, mediante decreto do chefe do Poder Executivo Municipal.

b) O processo para a escolha dos membros do Conselho Tutelar será estabelecido em lei

municipal e realizado sob a responsabilidade do Juiz Eleitoral da comarca, e a fiscalização obrigatória do Ministério Público e do chefe do Poder Executivo local.

c) No processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, é vedado ao candidato doar,

oferecer, prometer ou entregar ao eleitor bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza,

salvo brindes de pequeno valor.

d) O exercício efetivo da função de conselheiro constitui-se em serviço público relevante,

embora não estabeleça presunção de idoneidade moral, mas assegura prisão especial, em caso de crime comum, até o julgamento definitivo.

e) Os membros do Conselho Tutelar receberão remuneração prevista em lei, sendo-lhes

ainda assegurado o direito a cobertura previdenciária, gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de um terço do valor da remuneração mensal, licenças maternidade e paternidade, gratificação natalina.

A

alternativa correta é a letra e.

7.

Direito fundamental à profissionalização e proteção no trabalho

É

um direito que consolida todas as fontes estudadas até então.

Tem-se garantido para adolescentes, em especial, o direito à profissionalização e, em relação às crianças, uma proteção quanto a sua presença no mundo do trabalho.

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O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.

As principais fontes para o desenvolvimento dessa ideia, desse direito fundamental,

são:

A) CF: artigos 7º e 227.

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros

direitos;

II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;

III - fundo de garantia do tempo de serviço;

IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas

necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos

que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;

VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;

VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração

variável;

VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da

aposentadoria;

IX remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;

XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e,

excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;

XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos

XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro

semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo

ou convenção coletiva de trabalho; (vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)

XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de

revezamento, salvo negociação coletiva;

XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento

XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o

salário normal;

XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento

e vinte dias;

XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

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XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos

termos da lei;

XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos

termos da lei;

XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e

segurança;

XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na

forma da lei;

XXIV - aposentadoria;

XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos

de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de

XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;

XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;

XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a

indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;

XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo

prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois

anos após a extinção do contrato de trabalho;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

XXX

- proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão

por

motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do

trabalhador portador de deficiência;

XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os

profissionais respectivos;

XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de

qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e

o trabalhador avulso.

Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI,

XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a

simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. (Redação dada pela

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Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente

e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do

adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência

materno-infantil;

II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas

portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do

adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho

e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação

de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. (Redação dada Pela

§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso

público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência.

§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:

I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no art. 7º, XXXIII;

II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;

III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola; (Redação dada Pela

IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade

na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica;

V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar

de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da

liberdade;

VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios,

nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão

ou

abandonado;

VII

- programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao

jovem

§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.

dependente

de

entorpecentes

e

drogas

afins. (Redação

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§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.

§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos

direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.

§

7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em consideração

o

disposto no art. 204.

§

I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens; (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação das várias

esferas do poder público para a execução de políticas públicas. (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

B) TIDH (Convenções)

C) ECA: artigos 60 a 69.

Capítulo V Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho Art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz. (Vide Constituição Federal)

Art. 61. A proteção ao trabalho dos adolescentes é regulada por legislação especial, sem prejuízo do disposto nesta Lei.

Art. 62. Considera-se aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo

as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor.

Art. 63. A formação técnico-profissional obedecerá aos seguintes princípios:

I - garantia de acesso e freqüência obrigatória ao ensino regular;

II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente;

III - horário especial para o exercício das atividades.

Art. 64. Ao adolescente até quatorze anos de idade é assegurada bolsa de aprendizagem.

Art. 65. Ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários.

Art. 66. Ao adolescente portador de deficiência é assegurado trabalho protegido.

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Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado

trabalho:

I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte;

II - perigoso, insalubre ou penoso;

III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico,

psíquico, moral e social;

IV - realizado em horários e locais que não permitam a freqüência à escola.

Art. 68. O programa social que tenha por base o trabalho educativo, sob responsabilidade

de entidade governamental ou não-governamental sem fins lucrativos, deverá assegurar

ao adolescente que dele participe condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada.

§ 1º Entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências

pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre

o aspecto produtivo.

§ 2º A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação

na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo.

Art. 69. O adolescente tem direito à profissionalização e à proteção no trabalho, observados os seguintes aspectos, entre outros:

I - respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento;

II - capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho.

D) CLT: artigos 402 a 441 15

Serão, portanto, estabelecidos alguns pontos para o raciocínio sistemático sobre tudo que existe de profissionalização e proteção do trabalho.

Por que?

Pois, conforme o professor já adiantou, há um volume de fontes muito grande e muita coisa está desatualizada. Por exemplo, do art. 60 ao 69 do ECA, pouquíssima coisa se aproveita. Do 402 ao 441, da CLT, também há muita coisa que vai para o lixo, já a CF, não.

Faz-se necessário harmonizar tudo isso com, especialmente, as convenções da OIT, sobre direitos das crianças, para se chegar a um resultado adequado.

Isso já foi feito com a idade mínima, com as piores formas de trabalho, bem como, com as expressões. Agora, o estudo será avançado para outros âmbitos de análise, como ficará claro a seguir.

15 Os artigos encontram-se no fim deste resumo para fins de organização (item 7.D).

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7.1.

Diretrizes

A)

Crianças e adolescentes têm os mesmos direitos fundamentais que os adultos.

Isso decorre do quê?

Isso decorre do postulado normativo do superior interesse da criança e do adolescente, que está gravado no art. 100, parágrafo único do ECA, na convenção de direitos da criança e do adolescente, que decorre de uma proteção sistemática e que ainda bebe da fonte da proteção integral que está garantida no art. 1º do ECA. Tudo isso permite concluir que criança e adolescente têm os mesmos direitos fundamentais que os adultos.

A

partir de então, existem alguns desdobramentos, dentre eles o julgado do STJ:

Mesmo se criança e o adolescente desempenharem função sem que tenham a idade para tanto, farão jus à remuneração pelo labor realizado e terão direito a computar o tempo de serviço para fins previdenciários. (STJ, AgRg no REsp 504.745/SC, julgado em 2005).

O

STJ entende que trabalho ilícito gera direito à remuneração pelo labor realizado e o

cômputo do serviço para fins previdenciários.

Uma coisa é saber que existe trabalho proibido, ilícito, infantil, outra é imputar ao trabalhador (a criança/adolescente) o ônus maior do que a prestação do próprio trabalho.

logo, não há

remuneração, contagem de tempo. Foi isso que disse o STJ.

Já que

é

um

trabalho ilícito, não há

que

se falar em contrato,

Houve um trabalho ilícito?

Se sim, ele deverá ser pago e o tempo de serviço deve ser contado para todos os fins, inclusive previdenciários

B)

São proibidas quaisquer normas discriminatórias contra crianças e adolescentes. Assim, surgem uma série de consequências:

O

art, 7°, XXX, da CF, enuncia que há proibição de diferença de salários, de exercício de

funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. Isso já atinge os menores de 18 anos, crianças e adolescentes, no sentido de que não é possível haver a

discriminação em função da idade.

É pertinente a essa questão a OJ 26 - SDC/TST, que versa sobre salário normativo e menor empregado, dispondo que:

Salário Normativo. Menor Empregado. Art. 7, XXX, da CF/88. Violação. Os empregados menores não podem ser discriminados em cláusula que fixa salário mínimo profissional para a categoria.

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Tem-se os mesmos direitos que os adultos, não podendo ser tratados como menores, menos importantes ou objeto. Devem ser tratados como sujeitos.

A análise do Salário Mínimo e Jornada Reduzida é muito importante, conforme o TST:

Salário mínimo. Jornada de trabalho reduzida. O salário mínimo a que se refere o art. 7, IV, da CF é fixado com base na jornada normal de trabalho, ou seja, 8 horas diárias ou 44 semanais, estabelecido pelos arts. 7, XIII da Carta Magna e 58 da CLT. Daí porque o menor que labora em jornada de apenas 4 horas diárias não faz jus ao salário mínimo integral, já que a contribuição pecuniária deverá ser proporcional à jornada trabalhada. Recurso dos embargos não conhecido. (TST/ERR 189.914, julgado em 2000).

Isso significa que é preciso sempre ponderar o que se está analisando, pois caso se trate de uma jornada base comum de 8h, é uma coisa, outra é a criança ou adolescente que não trabalha essa jornada inteira. Logo, não se pode garantir a remuneração integral a ele, porque isso seria desproporcional, desarrazoado. O que não implica em descriminação.

Esse detalhe foi posto pelo professor para chamar atenção de que não há vedação ao art. 7º, XXX, da CF, pois se está aplicando a razoabilidade, a proporcionalidade. Isso porque, caso se fixe 100 para 8 e a pessoa trabalhe 4, terá direito a 50. Se for diferente, isso irá causar ônus ao empregador, vai onerar a cadeia produtiva, gerando malefícios ao consumidor, bem como, complicação na geração de novos postos de trabalho, vai inibir a contratação de adolescentes. Então, tudo vai ter que ter razoabilidade. Isso é um raciocínio de tribunal que tem todo o sentido.

à

profissionalização, agora, serão falados de alguns direitos especiais:

Ainda

no

que

cerne

às

diretrizes

em

relação

ao

direito

fundamental

C) Direitos especiais

C.1) Idade mínima: como já foi visto tudo anteriormente, o professor pulou essa parte.

C.2) Trabalho noturno, perigoso, insalubre, penoso ou prejudicial à moralidade.

Em relação ao noturno, existem algumas diferenças quanto ao urbano, rural em lavoura, rural em atividade de pecuária.

Noturno urbano: 22 às 5h

Noturno Rural em Lavoura: 21 às 5h

Noturno Rural em Pecuária: 20 às 4h (Lei 5.889/73)

A aplicação pode ser feita em cada uma dessas ou combinar aquilo que for mais benéfico ao trabalhador que tem menos de 18 anos. Desse modo, não seria razoável que o trabalho noturno tivesse o parâmetro de ser só até às 4h da manhã, ainda que fosse na

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pecuária. Então, por exemplo, poder-se-ia pegar o melhor horário, que é o de 5h com o de

20h.

Imagine se fosse possível fazer essa combinação?

A partir das 20h, já é trabalho noturno e, às 5h da manhã, ainda é trabalho noturno.

Em tese, essa seria uma norma mais benéfica para o adolescente trabalhador. Trata-se do atendimento minoritário de combinação, porque se geraria uma legislação que vai muito além de ser protetiva, de considerar o trabalhador como vulnerável em uma relação de trabalho.

Geraria, então, problemas de interpretação. Há quem defenda esse posicionamento, mas predomina o entendimento que não.

Então, será aplicado a cada um dos limites de trabalho noturno, respeitando a condição em que o trabalho, a condição de meio ambiente do trabalho é realizada.

Além disso, é importante destacar o que é trabalho penoso, porque perigoso e insalubre o professor deixa para a disciplina de direito do trabalho, e a moralidade já foi vista lá atrás, quando se falou das convenções da OIT.

O art. 390 da CLT prevê que ao empregador é vedado empregar mulher (e infante 16 )

em serviço que demande:

a.1) Para trabalho contínuo: força muscular superior a 20 quilos;

b.1) Para trabalho ocasional: força muscular superior a 25 quilos X (versus)

Entretanto, foi visto que a Lista TIP, que foi criada no Brasil com base na Convenção 182, diz que é uma das piores formas de trabalho infantil. Portanto, em regra, vedado para quem é menor de 18 anos, aquela que envolva levantamento, transporte, carga ou descarga manual de pesos, quando:

a.2) realizados frequentemente: superiores a 11 quilos para o gênero masculino e superiores a 7 quilos para o gênero feminino;

b.2) realizados raramente: superiores a 20 quilos, para o gênero masculino e superiores a 15 quilos para o gênero feminino;

Como se harmoniza (a1 com a2 e b1 com b2)?

Qual a norma mais protetiva?

É a lista TIP, porque prevê um peso menor. Há quem diga que só situações

completamente diferentes e que, no item (a.1), há um trabalho contínuo feito de maneira intermitente e no (a.2) é feito de uma forma não intermitente, dentro da jornada, mas com

16 Pois existe norma especifica na CLT que esse dispositivo se aplica para o trabalhador menor

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frequência, considerando o período de trabalho semanal, mensal. O entendimento mais adequado ao que propõe a lista TIP em conjunto com a CLT é que há um conflito aparente de normas.

Caso se considere o critério hierárquico, a segunda parte está prevista em decreto.

Mas esse decreto regulamenta o que?

A convenção 182, que tem status de supralegal (vale mais do que as leis e menos que

a CF). A CLT tem status de lei, então, em tese, a segunda parte está acima da CLT, tendo que ser aplicada.

Não só por esse critério é devida a aplicação, mas também pelo postulado normativo do superior interesse da criança, que está previsto no art. 100, parágrafo único, do ECA, na Convenção de direitos da Criança. Quanto a esta, não há dúvida que tem status supralegal.

Essa é a posição adotada pelo Supremo. Caso leve-se em consideração a doutrina mais moderna e o art. 5º §2º, da CF, concluir-se-á que os tratados internacionais que a República Federativa do Brasil seja parte, estão, automaticamente, dentro da CF, portanto, com o mesmo status de norma constitucional. Isso porque os direitos expressos na CF não excluem outros decorrentes de tratados que a República Federativa do Brasil seja parte e o é da Convenção sobre direitos da criança.

Então, sabendo que há esse choque, quando da prova aberta, cabe ao aluno dissertar.

C.3) Frequência escolar

Outro ponto muito importante é a frequência escolar, que aparece em toda normativa

internacional como pressuposto para o labor realizado por menores de 18 anos, por crianças

e adolescentes.

Como visto, existem algumas previsões que dizem que não basta a frequência, é necessário que haja um desempenho escolar adequado.

Todavia, no mínimo, se tem nos termos do art. 227, § 3°, III, da Constituição Federal, a proteção especial que abrange a garantia do trabalhador adolescente à escola. Além disso, estabelece o ECA a proibição do trabalho pelo adolescente quando realizado em horários e locais que não permitam a frequência à escola (art. 67, IV).

CF, art. 227 [

III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola; (Redação dada Pela

]

§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:

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ECA, art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno

de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado

trabalho:

IV - realizado em horários e locais que não permitam a freqüência à escola.

A frequência escolar, segundo entendimento predominante, condiciona a prestação

de todo e qualquer trabalho de crianças e adolescentes. Inclusive, do trabalho artístico fora

da idade mínima (foi visto o posicionamento que prega isso).

Ademais, será visto que existe exceção quanto à jornada de trabalho quando o adolescente já tiver concluído a etapa de sua educação, mas de nenhum modo se pode pensar que há dispensa de tal cumprimento de suas atividades educacionais mais básicas.

É isso o que se encontra na CF e no ECA.

Então, a frequência escolar é um direito atrelado a um desenvolvimento de uma atividade laboral por parte, especialmente, dos adolescentes.

de

aprendizagem e trabalho educativo.

Ainda

será

tratado

sobre

esse

tema

de

direitos

especiais,

sobre

o

direito

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Item 7. D Curso Juiz do Trabalho e Procurador do Trabalho ― 2017 Direito da

Item 7. D

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Art. 425 - Os empregadores de menores de 18 (dezoito) anos são obrigados a velar pela observância, nos seus estabelecimentos ou empresas, dos bons costumes e da decência pública, bem como das regras da segurança e da medicina do trabalho. Art. 426 - É dever do empregador, na hipótese do art. 407, proporcionar ao menor todas

as facilidades para mudar de serviço.

Art. 427 - O empregador, cuja empresa ou estabelecimento ocupar menores, será obrigado a conceder-lhes o tempo que for necessário para a freqüência às aulas. Parágrafo único - Os estabelecimentos situados em lugar onde a escola estiver a maior distância que 2 (dois) quilômetros, e que ocuparem, permanentemente, mais de 30 (trinta) menores analfabetos, de 14 (quatorze) a 18 (dezoito) anos, serão obrigados a manter local apropriado em que lhes seja ministrada a instrução primária. Art. 428 - As Instituições de Previdência Social, diretamente, ou com a colaboração dos empregadores, considerando condições e recursos locais, promoverá a criação de colônias climáticas, situadas à beira-mar e na montanha, financiando a permanência dos menores trabalhadores em grupos conforme a idade e condições individuais, durante o período de férias ou quando se torne necessário, oferecendo todas as garantias para o aperfeiçoamento de sua saúde. Da mesma forma será incentivada, nas horas de lazer, a freqüência regular aos campos de recreio, estabelecimentos congêneres e obras sociais idôneas, onde possa o menor desenvolver os hábitos de vida coletiva em ambiente saudável para o corpo e para o espírito.

Art. 428. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito

por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de

quatorze e menor de dezoito anos, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar, com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação.(Redação dada pela Lei nº 10.097, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 251, de

e

Art. 428. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos inscrito em programa de aprendizagem formação técnico- profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação. (Redação dada pela Lei nº 11.180, de 2005)

§

1 o A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho

 

e

Previdência Social, matrícula e freqüência do aprendiz à escola, caso não haja concluído

ensino fundamental, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica. (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

o

§ 1 o A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e freqüência do aprendiz na escola, caso não haja concluído o ensino

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médio, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica. (Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008)

2 o Ao menor aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o salário mínimo

§

hora

2 o Ao aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o salário mínimo hora. dada pela Lei nº 13.420, de 2017)

§

§ 3 o O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de dois anos. (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de 2 (dois) anos, exceto

quando se tratar de aprendiz portador de deficiência. (Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008)

§ 4 o A formação técnico-profissional a que se refere o caput deste artigo caracteriza-se por atividades teóricas e práticas, metodicamente organizadas em tarefas de complexidade progressiva desenvolvidas no ambiente de trabalho (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

§ 5 o A idade máxima prevista no caput deste artigo não se aplica a aprendizes portadores de

§

3 o

deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.180, de 2005) § 6 o Para os fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da escolaridade de aprendiz portador de deficiência mental deve considerar, sobretudo, as habilidades e competências relacionadas com a profissionalização.(Incluído pela Lei nº 11.180, de 2005)

§

deficiência deve considerar, sobretudo, as habilidades e competências relacionadas com a profissionalização. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

§

1 o deste artigo, a contratação do aprendiz poderá ocorrer sem a freqüência à escola, desde que ele já tenha concluído o ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº 11.788, de 2008)

8 o Para o aprendiz com deficiência com 18 (dezoito) anos ou mais, a validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na CTPS e matrícula e frequência em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico- profissional metódica. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

§

§

7 o Nas localidades onde não houver oferta de ensino médio para o cumprimento do disposto no

6 o Para os fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da escolaridade de aprendiz com

Art. 429 - Os estabelecimentos industriais de qualquer natureza, inclusive de transportes, comunicações e pesca, são obrigados a empregar, e matricular nos cursos mantidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI):(Vide Lei nº 6.297, de 1975) a) um número de aprendizes equivalente a 5% (cinco por cento) no mínimo dos operários existentes em cada estabelecimento, e cujos ofícios demandem formação profissional; b) e ainda um número de trabalhadores menores que será fixado pelo Conselho Nacional do SENAI, e que não excederá a 3% (três por cento) do total de empregadores de todas as categorias em serviço em cada estabelecimento. Art. 429. Os estabelecimentos de qualquer natureza são obrigados a empregar e matricular nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem número de aprendizes equivalente a cinco por cento, no mínimo, e quinze por cento, no máximo, dos

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trabalhadores existentes em cada estabelecimento, cujas funções demandem formação profissional.(Redação dada pela Lei nº 10.097, de 2000)

§ 1 o -A. O limite fixado neste artigo não se aplica quando o empregador for entidade sem

fins lucrativos, que tenha por objetivo a educação profissional. (Incluído pela Lei nº 10.097,

§ 1 o As frações de unidade, no cálculo da percentagem de que trata o caput, darão lugar

à admissão de um aprendiz. (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

§ 2 o Os estabelecimentos de que trata o caput ofertarão vagas de aprendizes a adolescentes

usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os estabelecimentos e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide)

Art. 430 - Terão preferência, em igualdade de condições, para admissão aos lugares de aprendizes de um estabelecimento industrial, em primeiro lugar, os filhos, inclusive os órfãos, e, em segundo lugar, os irmãos dos seus empregados. Art. 430. Na hipótese de os Serviços Nacionais de Aprendizagem não oferecerem cursos ou vagas suficientes para atender à demanda dos estabelecimentos, esta poderá ser suprida por outras entidades qualificadas em formação técnico-profissional metódica, a saber: (Redação dada pela Lei nº 10.097, de 2000) I Escolas Técnicas de Educação; (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

II entidades sem fins lucrativos, que tenham por objetivo a assistência ao adolescente e

à educação profissional, registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

III - entidades de prática desportiva das diversas modalidades filiadas ao Sistema Nacional do

Desporto e aos Sistemas de Desporto dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 13.420, de 2017)

§ 1 o As entidades mencionadas neste artigo deverão contar com estrutura adequada ao

desenvolvimento dos programas de aprendizagem, de forma a manter a qualidade do processo de ensino, bem como acompanhar e avaliar os resultados. (Incluído pela Lei nº

§ 2 o Aos aprendizes que concluírem os cursos de aprendizagem, com aproveitamento, será

concedido certificado de qualificação profissional. (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

§

das entidades mencionadas no inciso II deste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.097, de 2000)

3 o O Ministério do Trabalho e Emprego fixará normas para avaliação da competência

§

mencionadas nos incisos II e III deste artigo.

§

turmas e aprendizes matriculados no Ministério do Trabalho.

§

desenvolvimento dos programas de aprendizagem, conforme regulamento. (Incluído pela Lei nº

3 o O Ministério do Trabalho fixará normas para avaliação da competência das entidades

4 o As entidades mencionadas nos incisos II e III deste artigo deverão cadastrar seus cursos,

5 o As entidades mencionadas neste artigo poderão firmar parcerias entre si para o

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Art. 431. Os candidatos à admissão como aprendizes, alem de terem a idade mínima de quatorze anos, deverão satisfazer às seguintes condições:

Art. 431. A contratação do aprendiz poderá ser efetivada pela empresa onde se realizará

aprendizagem ou pelas entidades mencionadas no inciso II do art. 430, caso em que não gera vínculo de emprego com a empresa tomadora dos serviços. (Redação dada pela Lei nº 10.097, de 2000)

a

Art. 431. A contratação do aprendiz poderá ser efetivada pela empresa onde se realizará a aprendizagem ou pelas entidades mencionadas nos incisos II e III do art. 430, caso em que não gera vínculo de emprego com a empresa tomadora dos serviços. (Redação dada pela Lei nº 13.420, de

ter concluido o curso primário ou possuir os conhecimentos mínimos essenciais à preparação

profissional;

a)

b)

pretenda exercer;

ter aptidão física e mental, verificada por processo de seleção profissional, para a atividade que

c)

não sofrer de moléstia contagiosa e ser vacinado contra a varíola.

Parágrafo único. Aos candidatos rejeitados pela seleção profissional deverá ser dada, tanto quanto possível, orientação profissional para ingresso em atividade mais adequada às qualidades e aptidões que tiverem demonstrado.

Art. 432 - Os aprendizes são obrigados à freqüência do curso de aprendizagem em que estejam matriculados.

§

1º - O aprendiz que faltar aos trabalhos escolares do curso de aprendizagem em que

estiver matriculado, sem justificação aceitável, perderá o salário dos dias em que se der a falta.

§ 2º - A falta reiterada no cumprimento do dever de que trata este artigo, ou a falta de razoável aproveitamento, será considerada justa causa para dispensa do aprendiz.

Art. 432. A duração do trabalho do aprendiz não excederá de seis horas diárias, sendo vedadas a prorrogação e a compensação de jornada. (Redação dada pela Lei nº 10.097, de 19.12.2000)

§ 1 o O limite previsto neste artigo poderá ser de até oito horas diárias para os aprendizes que já tiverem completado o ensino fundamental, se nelas forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica. (Redação dada pela Lei nº 10.097, de 19.12.2000)

Art. 433 - Os empregadores serão obrigados:

a)

a enviar anualmente, às repartições competentes do Ministério do Trabalho, Industria

Comercio, de 1º de novembro a 31 de dezembro, uma relação, em 2 (duas) vias, de todos os empregados menores, de acordo com o modelo que vier a ser expedido pelo mesmo

Ministério;

a afixar em lugar visível, e com caracteres facilmente legíveis, o quadro do horário e as

disposições deste Capítulo.

b)

e

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Parágrafo único - A relação a que se refere a alínea "a" levará, na 1ª via, o selo federal de um cruzeiro. Art. 433. O contrato de aprendizagem extinguir-se-á no seu termo ou quando o aprendiz completar dezoito anos, ou ainda antecipadamente nas seguintes hipóteses: (Redação

dada pela Lei nº 10.097, de 19.12.2000) (Vide Medida Provisória nº 251, de 2005) Art. 433. O contrato de aprendizagem extinguir-se-á no seu termo ou quando o aprendiz completar 24 (vinte e quatro) anos, ressalvada a hipótese prevista no § 5 o do art. 428 desta Consolidação, ou ainda antecipadamente nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.180, de 2005)

I desempenho insuficiente ou inadaptação do aprendiz; (Incluído pela Lei nº 10.097, de

I - desempenho insuficiente ou inadaptação do aprendiz, salvo para o aprendiz com deficiência

quando desprovido de recursos de acessibilidade, de tecnologias assistivas e de apoio necessário

II falta disciplinar grave; (Incluído pela Lei nº 10.097, de 19.12.2000)

III ausência injustificada à escola que implique perda do ano letivo; ou (Incluído pela Lei

§ 2 o Não se aplica o disposto nos arts. 479 e 480 desta Consolidação às hipóteses de extinção do contrato mencionadas neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.097, de

SEÇÃO V DAS PENALIDADES

Art. 434. Os infratores do presente capítulo serão punidos com a multa de duzentos cruzeiros, aplicada tantas vezes quantos forem os menores empregados em desacordo com a lei, não podendo, todavia, a soma das multas, exceder de mil cruzeiros. Parágrafo único. Em caso de reincidência, as multas serão elevadas ao dobro, não podendo, entretanto, a soma das multas exceder de quatro mil cruzeiros. Art. 434 - Os infratores das disposições dêste Capítulo ficam sujeitos à multa de valor igual a 1 (um) salário mínimo regional, aplicada tantas vêzes quantos forem os menores empregados em desacôrdo com a lei, não podendo, todavia, a soma das multas exceder a 5 (cinco) vêzes o salário- mínimo, salvo no caso de reincidência em que êsse total poderá ser elevado ao dôbro. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) Art. 435. No caso de infração do art. 423 o empregador ficará sujeito à multa de cinquenta cruzeiros

e

Art. 435 - Fica sujeita à multa de valor igual a 1 (um) salário-mínimo regional e ao pagamento da emissão de nova via a emprêsa que fizer na Carteira de Trabalho e Previdência Social anotação não prevista em lei. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) Art. 436. O médico que se recusar a passar os atestados de que trata o art. 418 incorrerá na multa de cinquenta cruzeiro dobrada na reincidência. Art. 436 - O médico que, sem motivo justificado se recusar a passar os atestadas de que trata o artigo 418 incorrerá na multa de valor igual a 1 (um) salário-mínimo regional, dobrada na

ao pagamento de nova carteira.

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O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.

Art. 437 - O responsável legal do menor empregado que infringir dispositivos deste Capítulo, ou deixar de cumprir os deveres que nele lhe são impostos, ou concorrer, na hipótese do § 2º do art. 419, para que o menor não complete a sua alfabetização, poderá, além da multa em que incorrer, ser destituído do pátrio poder ou da tutela. (Revogado pela Lei 10.097, de 2000) Parágrafo único - Perderá o pátrio poder ou será destituído da tutela, além da multa em que incorrer, o pai, mãe ou tutor que concorrer, por ação ou omissão, para que o menor trabalhe nas atividades previstas no § 1º do art. 405. (Revogado pela Lei 10.097, de 2000)

Art. 438 - São competentes para impor as penalidades previstas neste Capítulo:

a) no Distrito Federal, a autoridade de 1ª instância do Departamento Nacional do

Trabalho;

b) nos Estados e Território do Acre, os delegados regionais do Ministério do Trabalho,

Industria e Comercio ou os funcionários por eles designados para tal fim. Parágrafo único - O processo, na verificação das infrações, bem como na aplicação e cobrança das multas, será o previsto no título "Do Processo de Multas Administrativas", observadas as disposições deste artigo. SEÇÃO VI DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 439 - É lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos salários. Tratando-se, porém, de rescisão do contrato de trabalho, é vedado ao menor de 18 (dezoito) anos dar, sem assistência dos seus responsáveis legais, quitação ao empregador pelo recebimento da indenização que lhe for devida. Art. 440 - Contra os menores de 18 (dezoito) anos não corre nenhum prazo de prescrição.

Art. 441. O quadro a que se refere a alínea a do art. 405 será revisto bienalmente, por proposta do Departamento Nacional do Trabalho ao ministro do Trabalho, Indústria e Comércio. Art. 441 - O quadro a que se refere o item I do art. 405 será revisto bienalmente. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

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