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Gestão de Pessoas

Comparecer à empresa nem sempre é sinal de produtividade

Caio Lauer

Diferente do absenteísmo, termo que caracteriza a ausência do colaborador, o


presenteísmo é um fator que prejudica na produtividade das corporações e no
desenvolvimento de profissionais de todas as áreas de atuação. A pessoa pode até estar
presente todos os dias na organização, mas na maioria do tempo não há concentração no
trabalho e o pensamento está bem longe dali. É corpo presente e a cabeça ausente.

Esse fenômeno se justifica por algum problema pessoal, familiar ou de saúde, onde o
profissional comparece ao trabalho, mas por conta desses percalços, não produz
devidamente. A corporação também tem grande influência na questão organizacional,
relacionada com a inconsistência e de falha no desenvolvimento de políticas claras de
recursos humanos. Essas regras, muitas vezes, são justificadas na falta de envolvimento
do profissional nas políticas de gestão da empresa e na ausência de uma visão mais
participativa do funcionário. Todos esses fatores se misturam com o mercado
competitivo, desgastante e cheio de pressão por todos os lados, e são as maiores causas
do presenteísmo.

Os próprios funcionários se boicotam por problemas de


saúde, pois podem estar muito mal, mas mesmo assim
vão trabalhar por receio da concorrência (perder o cargo
ou função). “Existe tanta pressão no dia a dia que causa
estresse, cansaço e irritação em situações extremas e que
prejudicam na produtividade. Mas, como medo de
demissão, mesmo assim o profissional comparece ao
trabalho”, aponta Cecília Shibuya, vice-presidente da
Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).
Para ela, há como mensurar o presenteísmo identificando
a freqüência da ida de colaboradores aos ambulatórios e
de problemas de relacionamento interpessoal dentro da
organização. “Após isso, deve-se cruzar esses fatos com
a produtividade, o que é não é fácil de medir de qualquer
forma. Mas não acredito que a empresa seja a grande vilã. As pessoas devem
administrar vida e carreira”, opina.

A visão do setor de Recursos Humanos está voltada para o entendimento de que são as
pessoas quem fazem a diferença. Mas, na medida em que os colaboradores adoecem
físico e psicologicamente, o problema não é mais individual. Isso mostra que a
companhia como um todo também está ficando doente, pois caso esse problema se
replique constantemente, demonstra que os funcionários estão trazendo para dentro do
ambiente de trabalho fatores negativos. Isso interfere na produtividade, qualidade de
trabalho e cria um bloqueio para que se identifiquem, de fato, com as organizações. “A
empresa também deve selecionar gestores que apliquem essa política de forma clara e
transparente, estimulando a equipe ao desenvolvimento das atividades e dando a
oportunidade de evolução profissional”, observa Beatriz Magadan, diretora da DRH
Consultoria (focada em desenvolvimento humano).
A corporação pode perder talentos, caso não seja criado um canal aberto de
comunicação. A falta de contato entre colaboradores e companhia, na medida em que
esse problema se consolida, pode acarretar muitas vezes em demissões ou afastamento
voluntário. O profissional deve se aproximar, se não do gestor – porque muitas vezes
pode não se sentir a vontade pela cultura ou clima na organização -, por meio de colegas
ou do próprio RH da empresa. É muito importante que busque esse canal para expressar
o conflito, seja familiar ou financeiro.

Uma vez identificado o presenteísmo, deve haver o


comprometimento de reverter esse quadro. A corporação
deve oferecer aplicação de programas de qualidade de
vida, ações voltadas ao combate do estresse – convênios
com academias, ações que estimulem atividades físicas e
alimentação saudável -, e não somente disponibilizar
palestras informativas. A identificação permanente da
visão que os colaboradores têm da companhia também é
fundamental para um alinhamento. A chamada para
participação, no sentido de trazer novas ideias, também
pode estimular o profissional. “Empresas que tem padrão
de relações permanentemente estudados nessa interação
com os indivíduos da organização estarão na frente, pois
estes profissionais irão perceber esse cuidado. Os
gestores irão identificar esse problema em cima de números de queda de produtividade,
falta de alcance de metas e resultados buscados”, relata Beatriz Magadan.

Trabalho intrapessoal

Quando há a identificação de que existe um problema que o prejudica no desempenho


em sua rotina, o colaborador está um passo a frente. Normalmente, há um nível alto de
estresse e fadiga, e tudo é motivo para que não haja a produção devida ou o irrite. “O
profissional pode autocombater o presenteísmo praticando atividades que gosta. Tem
gente que não sai para almoçar, faz reuniões excessivas, e isso deve sempre ser
policiado para que administre o tempo de uma forma que possa se sentir mais feliz”,
indica Shibuya.

O trabalho não é o grande vilão. O que deve ser feito é administrar e priorizar as
atividades.

Fonte: Jornal Carreira & Sucesso - 401ª Edição

Disponível em: http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=11892


acessado em 25/07/2010

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