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VI Congrês du CEISALToulouse du 30 juin ali 3juillet 2010, Introdução: O papel do Brasil na íntegração Sul-americana nos
Université de Toulouse
Imlipllntltlnct!s-DdpttntlantJt!s-lnttwldptlllrlnnctls lovernos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz
Início "Lula" da Silva (2003-2006)
As relações do Brasil com os países amazônicos nos governos de
A proposta da Área de Livre Comércio da América do Sul (ALCSA) foi
Fernando Henrlque Cardoso e Lula (1995-2006): primeiramente dellneada pelo ex-presidente brasileiro Itamar Franco em setembro de 1993 e

"begemonla consensual" e seus limites 1 foi apresentada em um encontro da ALADl3 em fevereiro de 1994. A meta da ALCSA era
criar uma zona livre de comércio dentro do subcontinente, através de uma linear, automática,
Fábio BorgesZ e progressiva agenda de liberalização compreendendo o período de 1995 a 2005. Com o
lançamento da ALCSA, o Brasil estaria promovendo o conceito de ALADI sem o México,
Rcaumo: Em livro recente o pesquisador Sean W. Burges (2009) defende a tese que o Brasil "um esquema que poderia estar livre da interferência dos EUA e no qual o papel hegernônico
exerce uma "hegemonia consensual" na América do Sul, pois como não tem recursos econômicos
suficientes paro pagar os custos da integraçQo, se utiliza do fortnlecimento do idéia de intcgruçGo seria inevitavelmente desempenhado pelo Brasil'",
para alcançar seus objetivos. Segundo esse mesmo pesquisador ainda que o 8msil exerço uma
Iideronço frllgil, tem dado resultados positivos. E.n suo opiniao a estrntégia brasileiro foi mudando
ao longo da década de 1990 até os dias atuais de acordo com as suas necessidades imediatas,
o Brasil tem desempenhado tal papel no Mercosul, e poderá desempenhar o mesmo papel
no futuro da Area de Livre Comércio da América do Sul (ALCSA). Por essa perspectiva, o
Começou com o Mercosul, passando por algumas ambigüidades em sua política de Segurança
Mercosul poderia ser visto como uma afirmação da hegemonia regional brasileira, mais do que um
Nacional, onde o pais oscila em participar ou não nos conflitos Sul-americanos, especialmente por
passo em direção a integração do Hemisfério Ocidental sob a liderança estadunidense. As
causa do conceito de "não intervenção" que é enraizado em sua tradição diplomática, chegando
possibilidades de emergência da ALCSA dependem em grande medida se o Brasil conseguirá
finalmente na proposta de integração flsica da América do Sul (IlRSA) em 2000 em Brasllie, na
consolidar seu papel hegemônico no subcontincnte ou se a hegemonia dos EUA no Hcmisf~rio
primeira reuníao da história entre presidentes Sul-americanos. Por essa abordagem, a IIRSA foi
Ocidental encobrirá ou neutralizarú completamente 1\ hegemonla brasileira na América do Sull.
um instrumento muito útil pura o forlltlechnento da liderança brasileiro, pois oferece uma
perspectiva de ganhos mútuos, diferentemente do comercio onde fica muito claro o desequillbrio a
favor do Brasil. A proposta deste artigo é debater algumas das teses do pesquisador citado,
especialmente sobre os limites do conceito de "hegemonia consensual" em relação aos palses l A ALADJ ti o maior grupo latino-americano cuja meta é a integração, formado por doze palses-membros:
amazônicos durante os governos de Femando Henrique Cardoso e Lula (1995-2006). Argentina, Bollvia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela,
Identificaremos os limites dessa posslvel "hegemonia consensual", especialmente nos movimentos representando, em conjunto, 20 milhões de quilômetros quadrados e mais de 493 milhões de habitantes. O
de crítica e resistência às propostas da (lIRSA). Tratado de Montevidéu 1980 (TM80) foi assinado em 12 de agosto de 1980, estabelecendo os seguintes
princlpios gerais: pluralismo em matéria polltica e econômica, convergência progressiva de ações parciais para a
criação de um mercado comum latino-americano, flexibilidade, tratamentos diferenciais com base no nlvel de
desenvolvimento dos países-membros e multiplioidade nas formas de concertação de instrumentos comerciais
Palavras chaves: Brasil; América do Sul; Amazônia; hegemonia consensual; lIRSA; ASOSIACIÓN LATINOMERlCANA DE INTEGRACIÓN[ALADJ]. Montevideo, 12 agosto 1980. Disponível em:
resistências. <www.aladi.org>. Acesso em: 03 jan. 2006.
• CARRANZA, Mario Esteban. Soutl. American Free frade Area or Free Trade Area of ti. e Americas? Open
regionalism and lhe future of regional economic integration in South América. Great Britain: Ashgate
Publishing Ltd, 2000, p. 84-85). Todas as traduções de outros idiomas são de exclusiva responsabilidade do
autor.
, Mario Esteban Carranza analisa que são possíveis duas leituras da ALCSA. Primeiramente, com a falha por
parte dos EUA em estender o NAFTA para o Chile, a noção de Area de Livre Comércio da América do Sul
tomou vida por si própria. O mesmo autor acrescenta que originalmente a ALCSA poderia ser vista como uma
estratégia brasileira para adiar as conversas sobre o livre comercio hemisférico até aprofundar e ampliar o
I Esse artigo foi elaborado entre outubro de 2009 e abril de 2010, período no qual estava com o status de Mercosul, atraindo mais palses para o seu lado na mesa de negociação corn os EUA. Nesse sentido, a proposta
Pesquisador Visitante no Center for Iberian and Latin Ameriean Studies (CILAS), University of Catifomia, San de ALCSA teve claramente tanto uma dimensão polltica quanto econômica: revi ver um velho projeto geopolftico
Diego (UCSO), EUA, como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo brasileiro da América do Sul como oposto à integração Latino-americana. Por outro tado, uma leitura alternativa
que sou muito grato. Especificamente agradeço à Professora Ora. Christine Hunefeldt, diretora do CILAS, por da proposta da ALCSA ti que o Brasil nunca esteve realmente interessado em aprofundar a integração
ter me aceito em sua instituição e por ter sido minha orientadora em meu perlodo no CILAS. Também agradeço subregional com esses três menores vizinhos do Cone Sul. O comércio intra-regional teve significativo
ao orientador de minha tese, Professor do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Estadual crescimento na última década e o Brasil está mais atrelado ao Mercosul que em 1991. Porem, o Brasil é um
Paulista (UNESP), Enrique Amayo Zevallos, Ph.d. por ter me feito os contatos que tomaram possível para mim negociador global (globai trade r): em 1995 somente 11,7 por cento de seu comércio total foi com seus parceiros
passar esse perlodo no CILAS. Por fim agradeço a meus grandes amigos Leandro Pasini e Maria Teresa Arana do Mercosul, contra 27,4 por cento para Argentina, 47 por cento para o Uruguai e 66,4 por cento para o
ZeQorra por suas valiosas sugestões em relação a esse artigo. Paraguai. Conclui: "Por essa perspectiva, a ALCSA poderia ser uma estratégia brasileira para evitar o
I Doutorando em Sociologia pelu Universidade Estoduul Poulistn (UNESP), sno Puulo, Brllsil, mestre em Qprofundmncnto do Mercesul, incluindo a crl3çM do urna o»truturo institucionul supmnacional, ( ...) O problema
RoloçOos Internacionais e Economista. Docente em RolnçOei lnternucionais nos Faculdades Metropolitanos com esse eenárío é que fatores externos, como {\ aprof\mdnmento da crise da economia mundial levaria a
Unidos (rMU). Bmail: borgesJabio@yahoo.com.br. 'polltica de empobrecimento do vizinho' (beggar-Ih)~fleighboll" paliei •• ), podendo levar a um aprofundamento

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o',

Sean W. Burges argumenta que o Brasil não possui recursos suficientes para sustentar contraposição à «autonomia pela distância" da ordem mundial vigente, que em momentos
anteriores marcou governos autoritários 7.
o desenvolvimento da integração da América do Sul, mas também defende uma interessante
Sobre 11 prioridade na integraçoo Sul-americana, Cardoso rellltou dois Ilplsódlos que
tese onde llflrma que II 80lu9110parll a Ils(.lQssez de recursos enfrentados pelos formullldores dll
política externa (jorelgn-po/lcy makers) durante o período de Cardoso foi usar o contexto da segundo ele "ilustrariam IIUII IIvoluçAo, mIl tllmbem como 08 Imprevistos contllm, poli
houve avanços mesmo sem se ter clareza sobre os novos rumos". No primeiro episódio
abertura subregional e regional como uma ferramenta para capturar a influência necessária
disse que ainda como chanceler recebeu visita do presidente da Petrcbras na época, Joel Reno,
pllrll guiar e direcionar o ambient.e continentlll, dentro do qual criou simultaneamente um grau
e que lhe perguntou qUllnto importávamos de petróleo de dois dos grandes produtores latino-
de insulomento do potência hemisférioa e também de uma intervenl;l\o global. Por essa
americanos, Argentina e Veneeuela. A respostll que ele qunliflcou de deeepelonante foi quase
perspectiva, houve umll complexa mistura de Idéias baseadas em uma Vl8110rerormulada dI
nada, Diz que expôs as razões polítlcas e estratégicas pllra um comércio mais ativo na regil\o
dependência em relaçAo à InserçAo de um pais em desenvolvimento na economia alobal
e, a partir dar, que a política de compras da Petrobras começou a mudar. Conclui:
treformutated dependency vlew of developtng-coumry tnsertion into lhe global economy) com
iniciativas econômicas em escala subregional e continental, assim como a Tniciativa para a Em meados de meu segundo mandato, as importações alcançaram somas expressivas em
d6lores: quase meio bilhão da Venezuela e quase I bilhBo da Argentino. Este último valor
lntegrllçllo da lnfra-estrutura na América do Sul (I1RSA)6. correspondeu ao déficit no comércio bilateral com os argentinos, pennitindo ativar os trocas
O próprio Cardoso explica que embora seja importante para a diplomacia a comerciais sem prejulzo real para nós: se não importássemos petróleo do Argentino o farlarnos do
Oriente Médio, sem contrapartida de exportações .
preservação de uma linha de conduta coerente, é essencial que a polftica externa sinta os
O segundo episódio OCOITeudurante as negociações para a construção do gasoduto
ventos do mundo. Resume:
Brasil-Bolívia. Cardoso mostrou como slo muitos e às vezes aleatórios os fatores que
Tentei leguir esse podrBo do polltica exlemn. Pnrn sintetizor, lanço m40 de cxpressGo podem perturbar uma efetiva Intelrll~Ao do espllço sul-americano. Ponderou que
cunhada pelo emboixudor Oelson Fonscco, que foi meu essesscr direto, segundo a qual a polltica
externa que persegui desde minha curto passDgem pelo 11lIn1oraty (de outubro de 1992 a muío de construir um gasoduto de mais de 3 mil quilômetros, pllssando pelo Pantanal, com respeito
(993) buscou "a autonomia pela p.rdtlpaçAo" numa realidade internacional cambiante, em
absoluto as normas ambientais, tendo de convencer o Banco Interamericano de
do Mercosul e ou ALCSA, portanto, induzindo o Brasil aceitar a supranacionalidade como uma necessidade" Desenvolvimento (BlD) a conceder um financiamento para uma empresa estatal, e,
Ibid. , p. 29, 85-87.
• BURGES, Sean W. B,azUlan Fo,elg" Pollcy tifler lhe Cold War. UI!/Ied S/ales Df Am.I"/ca: University Press
finalmente, decidir a que partes e regiões do Brasil o gasoduto deveria chegar não eram
of Florida, 2009, p. 4, minha ênfase. Cardoso explicou que a "Teorlu do Dependencia" n~o é uma alternativa questões triviais.
para a teoria do imperialismo, mus um complemento. Discutindo suo obro clássica Dependência e
De.envolvimento na América Latina (1967) em parceria com Enzo Faletto diz que: "Nele se especificam as Porém, conta que em uma ocasião, o ex-presidente Itamar Franco disse que não iria
formas históricas de dependência a partir do modo pelo qual as classes, Estados e produção se inserem na ordem
internacional para, no último capítulo, mostrar como a "intemacionalização do mercado' solidariza os interesses mais a Bolívia para assinar o acordo. Explicou que leu um dossiê de Aureliano Chaves (ex-
entre classes que no momento anterior apareciam como adversas (a burguesia nacional e a burguesia imperialista
e mesmo setores das classes trabalhadoras e os monopólios internacionais, por exemplo). Aponta que existe Vice-Presidente da República e ex-ministro de Minas e Energia, entendedor da matéria) que
simultaneamente um processo de dependência e de desenvolvimento capitalista, onde os beneficiários eram as
empresas estatais, as corporações multinacionais e as empresas locais associadas, o que chamava de 'tripé do
dizia que não existia gás na quantidade que a Bolívia estava nos oferecendo. Nesse momento
desenvolvimento dependente-associado''', CARDOSO, Fernando Henrique In: __ José Serra (org.), Cardoso, que era Ministro de Relações Exteriores, diz:
América Latina: Ensaios de interpretaçAo ecenêmíe», Ed. paz e Terra, 1979, p. 374, 379 e 383, minha ênfase.
De acordo com Nogueira e Messari a assertiva mais importante dos dependentistas acerca da dinâmica do
capitalismo mundial foi apontar o subdesenvolvimento como produto do desenvolvimento das forças produtivas Resolvi por conta própria dizer-lhe que eram boatos. ( ... ) Tive nova conversa com o
globais, ou melhor, das economias do centro capitalista e resumem bem a idéia central: Impossibilitados de Presidente para mostrar a dificuldade diplomática que poderia causar a suspensão, à última hora,
apropriar-se do excedente produzido localmente, os palses pobres nunca teriam os recursos necessários para seu de tudo que se negociara árdua e lcngamente. Contei-lhe que não havia informado à Bolívia sobre
desenvolvimento e não conseguiriam reduzir o gap (econômico, tecnológico, militar) que os separa dos países o cancelamento. Sem muito entusiasmo, embarcamos para a Boltvia no dia seguinte ( ...) ao chegar,
ricos e os condena à dependência: "A caracterlstica mais importante do sistema mundial é que, ao funcionar ele desfilou em carro aberto e constatou a alegria de milhares de bolivianos que correram às ruas.
como sistema integrado, extrai excedente econômico e transfere riqueza da periferia dependente para os centros
imperiais". Ainda segundo os autores citados os dependentistas marxistas divergem da visão de Lênin sobre o
imperialismo na questllo especIfica dos efeitos da expansão capitalista sobre as economias coloniais, discordando
principalmente das visões, inclusive do próprio Marx, do efeito modernizador e civilizador do capitalismo sobre
as sociedades otrnsados e os economlas tradicionais NOGUBIRA, J040 Pontes & MESSARJ, Niznr. Teoria dRs , CARDOSO, Fcrnnndo Henrique, A Brto da polUiu: B blstórla que vivI. Rio de Janeiro: CivilizoçBo
RelaçOes Internacionais: correnles e debates. RIo de Janeírc: Elsevier, 2005, p. 118-120. Mais detalhes sobre Brasileira, 2006, p. 604, minha énl\\se.
essa discussão ver BORGES, 2007. , Ibid., p. 607.

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Perspicaz como é, recobrou ânimo, assinou com confiança o acordo que preparáramos, junto com sustentável, hegemonia requer três coisas: recursos de poder (tanto material quanto ideacional),
o Presidente Jaime Paz Zamora, e nunca mais se falou da falta de gás nas jazidas do país vizinho'. uma clara intenção hegemônica, e um firme apoio pelítico doméstico. Enquanto a enorme
assímetria dos EUA na região permanece auto-evidente, os outros dois fatores são menos precisos.
o ex·presidente brasileiro continuou SIIIIIIrgumentllçllo dlllendo que tendo em conta A necessidade de manter uma preponderanoin de longo prazo n40 neccs8[\J'innlcntc pressiono
Woshin!!lon um difílçilo n uprofimdnr sou onvolvlmento no Amlifiea Lutinu, Al~m disso, u
esses dificuldades, os esforços Integradores nllo se poderiam limitar a Illllnter vivo e ativo o Inl08foç40 eeon6mleo eem o Mllltleo pCfmoHeee um eontQHelolO fiO polltiea internu dos flUA e
continua como obsttlculo dom~8tieo poro a integmçno hemisCéricll. J!! pfeclsamente essa realidade
Mercosu\. "A IntegraçAo tlslca de nosso espaço tornou-se um dos objetivos das propostas que provê o Brasil do espaço diplomático e econômico para intluenciar os cemlnhes nos quais a
agenda política e eccnõmica hemisférice será desenvolvida no futuro e modela, ainda que com
de planejamento que levamos à dlscusslo dos presidentes dos palse! da América do Sul", Qonstronllimcnto9,uma autônoma, ampla e variada polltica externa '2.
informou que 11 partir dls80 deshmchoram IIS InlclatlvlIs do l!osoduto Brllsll·Bollvill, a
Já analisando 11 polltlCIIexterna do sucessor de Cardoso, de acorde com Paulo Roberto
Integraçllo energétlca com a Argentina, ti BR·I73 entre Manaus e a fronteira com 11 Venezuela
de Almeldll, o presidente Lula folou sobre uma "díplomaela do generosidade", baseadc no
e Il linha da tronsmissl\o da hidrelétrica venelluelana de Ourl, umll du maiores do mundo,
tamanho 11 potencial do Brasil no continente, recomendando que importadores domésticos
trazendo energia do pais vizinho para a região amazônica, iniciada no segundo mandato do
comprassem mais dos países vizinhos, ainda que com preços relativos desvantajosos, um
Presidente Rafael Caldera (1994-1999) e conclulda sob o governo de seu sucessor, Hugo
caminho para equilibrar o fluxo de comércio e contribuir para a prosperldade comum nll
Chávez. E conclui:
região. Mas ele acrescenta:
Ilm 8g08to de 2000, conVOCRmosem Brnsllia u primeira nmniAo do Hi816riojuntando
todos 09 presidentes da América do Sul, a que se seguiu outra em Guaiaquil, no Equador, em Entretanto, promessas feitas aos vizinhos de financiamento direto do Banco Nacional de
200 I. Naquela ocasião, deu-se inicio à chamada Iniciativa para a Integração da Jnfra-estrutum Desenvolvimento Econ6mico e Social (BNDES) não se materializaram, e apenas projetos de
Regional Sul-Americana, conhecida pela sigla I1RSA. Com o apoio do BID, nos anos seguintes, os engenharia de empresas brasileiros trabalhando nesses países foram aprovadas. Ativismo
governos dos palses sul-americanos realizaram um amplo estudo das necessidades e possibilidades diplomático na América do Sul, preferencialmente com a expansão do Mercosul, e o
de integraçllo flsice da regiêo, selecionando um conjunto de projetos estratégicos para o estabelecimento de uma política coordenado, (...) forom empreendidas na região, podendo
desenvolvimento do continente. Essa ecmplementaçãc de esforços poro o construçfto de um pnmdoxulmente ter resultado em uma reaçOo adversa a uma expansAo da influência brasileira.
"espaço sul-americano" tem n ver com a IntegfOçOoregionol em matllrlo de energia, transportes e Ainda no Merccsul, 8S preocupaçOes sobre o "excessivo peso" do Brasil pode ler intlueneiodo o
telecomunicnçOes. Politicamente, entrelllnto, pareceu a aISU"S palies, especialmente ao México, decisno dos pulses menores em ngoiarem fi "polltica de udmissBo" da Venezuela dentro do
que a iniciativa poderia significar o isolamento das naçOes sul-americanos, sob Q liderança esquema de integraçao do Cone Sul .
brasileira, do resto da América Latina mais próxima aos EUA. Nunca foi essa a intenç4o'·.
No mesmo sentido, Alfred Montero afirma que não é claro se o Brasil está
Entretanto, é importante relembrar uma questão proposta pelo cientista político Robert comprometido em se tornar um produtor e exportador competitivo no mercado global ou se
Dllhl: está mais interessado em evitar competição. Em suas próprias palavras:
"Quando você ouve que o Brasil é um emergente e um poder crescentemente influente, a
questão apropriada é: Influência sobre quais atores, durante qual período, e com respeito a quais As relações de amor e ódio do Brasil com a integração regional e os pactos comerciais
bilaterais sugerem uma incerteza sobre o direcionamento de sua própria diplomacia econômica. É
assuntos?" Quando colocamos tudo isso no contexto apropriado, nós vemos que o Brasil importa
o Brasil um líder da América Latina em questões como a integração comercial regional ou é uma
no mundo político atualmente e que está em muitos aspectos se tomando maís formidável. Nós
também vemos, entretanto, que os constrangimentos do poder e da influência brasileira continuam
ilha buscando seus próprios interesses? (... ) o Brasil entende que é um pró-eminente peder Latino-
americano na região, o Estado indispensável sem o qual nem a integração econômica nem a
a ser bem reais 11 .
segurança coletiva são possíveis. Se os líderes do país forem bem sucedidos em compor uma clara
visão do papel do pais no mundo em um futuro próximo, o Brasil estará apto a desenvolver um
Nesse sentido, Andrew Hurrell aponta algumas necessárias considerações, por claro direcionamento em sua polltica externa que seja compatlvel com a sua importância global ".
exemplo:

Que conclusões podemos delinear das relações hemisféricas em relação • posição do


Brasil como um poder emergente? Em um sentido, o continuo alcance hegernônico dos EUA atua
como o principal constrangimento da polltica externa brasileira. Ainda que a situação seja mais
fluida e mais complexa que um quadro de óbvia hegemonia. Em primeiro lugar, para ser
11 lbid., p. 168 - 169.
, lbid., p. 609. \3 ALMEIDA, Paulo Roberto. "Lula's Foreign Poliey: Regional and Global Strategies". ln: __ LOVE,
10 Ibid., p. 620. Joseph L.; BAER, Werner. (editors) B'"VI'lIId" Lul,,: Eco"o/lf)', Pollt/cs "nd Soclfly unde' 'li, Workt".
\I HURRBLL, Andrew. "Ih« FOI'ulgll Polie>, of MrxI@m lJrm:tr'. In: __ MOOK, Steven W. (editor) p,.,ld,n,. Ulllled S/ales of Amerlcu: Pulgrave MaQnllllan. 2009, p. 171-172.
COIH(HII'tIIIIll! Forelglt Polley: ndnpttltlolt SlraJ,gles 01 lhe Onlll ""d Em."I", Powers. Unued S/ores of ,~ MONTERO, Alfred P. B,,,:lIIa,, Polllla: Rq'o,mlng /I Dlmoc,allc $Iate 111" ClulIIglng World. Unued
Amcl'ica: Pearson Education, 2002, p. 153. S/ares of Ameriea: Polity Press, 2005, p. 117 e 134.

s 6
estrutura, para trazer a mútua interpenetração necessária para induzir pressão da sociedade civil e
Os limites do conceito de "hegemonia consensual" e da I1RSA de grupos empresários para a continuação e aprofundamento do projeto regional. A ênfase na
cooperação o inclusâo livre de agressiva coerção é critica porque, como tem sido afirmado aqui, a
Na opinião de Sean Burges o Brasil tem uma longa história de atuar para proteger seus formQç«o o oporaçRo do urna reaiao bom 8Llccdida dependem das decisões tomadas por
próprios Iflteresses flllS Américas dI! mlmelrn dlscretR, Ifltlueflclllfldo e pressloflQndo seus empftlsi\rio8 independentes do inlloollelo do !!stodo, IUsumldomento, a dQOlsAo IlHal do
on1presllrios o do Sffinae pllfllolg do populoçRo pHmOPOiHfo pfoJmo ftllllonlll OH1b1l8Q§8ystentavois
vizinhos, um processo que se acelerou no final do século vinte. O mesmo autor diz que se tais se bnsearé no cálculo de Interesses, e nno nu retórica polltlea, Como ft breve dlseussdo sobre 1\
continuação da estratégia de liderança com uma hegemonln ccnsenaual de Lula sugere, uma
ações freqUentemente não são percebidas, não é apenas um subproduto da indiferença importante parte da postura adotada pelo Itamamty durante 11 era Cardoso foi um claro e
sustcnt6vcI desejo de disfarçar Q ambiçao de Iiderançu, quando sólidos e tanglveis recursos não
Internacional pllrtl II pollticll externa brasllelra, mRStsmbém um resultado dos métodos que o elltaVHIl1dlsponlvols consistentemente paro eíereeer ecmpensações em troca de aquiescência paro
o projeto fCllioMI",
Ministério de Relllç6es Exteriores do Bmsll, UQmaruty, usu para perseguir a agenda
Internucional do pais. Complementou SUllIdéia dizendo que: o mesmo autor mostrl1 que o Brasil durante a era cardesc " no primeiro mllndato de
Lula permaneceu economicamente e politicamente inapto para firmar e sustentar o
(",) açtles ou intervenções abertas n40 tem sido o norma, Mais precisemente. a estratégia
brasileiro tem sido discretamente integrada e sustentado por uma liderança hemisférica e global por desenvolvimento dos países vizinhos, Por essa perspectiva, o Brasil não assumiu os custos da
trlÍSde uma camada de indiretos e ostensivos apollticos tecnocráticos programas, bem encobertos
por um manto de multilateralismo e pratícado através de agências e outros ministérios do
liderança e desempenhou totalmente o papel de motor econômico para a América do Sul,
governo", "uma restrição demonstrada claramente pela escassa produçllo em cadeia transnacionolizado e
Surges explicou porque às vezes iniciativlls brasileiras aparentemente nllo pelo lenta IImpliaçi10 das firmas brasllelras pelo continente", Porém, ele adverte que seria
relacionadas no contexto Sul-americano provem um claro quadro de como o Itamaraty atua no errado sugerir que essa política falhou em sua dlmensão econômica:
avanço da agenda internacional do Brasil, Nesse sentido, o autor desenvolve a noção de
Apenas a base ideacional do projeto de liderança regional ofereceu positivos retornos,
"hegemonia consensual" (consensua! hegemony) relacionada com o papel do Brasil na portanto um esforço objetivando o fortalecimento da integraçao econômica, O advento e
preservaçãc do Mercosul permitiram a rransfcrmaçao dos porceiros cemerelaís c o consolidoç80 de
América do Sul. Ele afirma que: indilstrias com valor agregado, adicionalmente promovendo umo expunsão do mercado para atroir
um fluxo sustentavel de investimento direto estrangeiro, A elaboração de uma matriz cnergética
Nuança é importante, Concepções tradicionais de liderança dizendo respeito Q formas de continental permitiu ao Brasil converter a sua maior fraqueza econômica em uma forço estratégica,
coerção e dominação jogaram um pequeno papel na postura adotada pelo Itamaraty durante a era transformando a sua dependência energétice em um instrumento para aprofundor os laços com os
Cardoso, Em vez disso, um novo estilo de liderança foi desenvolvido, no qual se encontro um paises vizinhos, especialmente Argentina, Paraguai, Bolívia e Venezuela. De fato, a combinação
paralelo com a dialética estudante-professor de Oramsci foeando na crlação de consensos, de um mercado industrializado emergente no Mercosul com o aprofundamento dos laços
discLlssAoe internaliwQAo de nOVl18idóillll e técnicas, A IntençAo nRo rol bUlcar a liderança econômicos no continente, acelerado pela matriz energética, marcaram o direcionamento potencial
brasileira na América do Sul através de Impo.lçAo, mas Induzir um dueJo de beneficio para a expansão do comércio tntra-sul-americano ".
nll\tua que poderia embutir os Interouu, a.plraçOe ••• dratéllas brasileiras discretamente
na reglAo. Enquanto e.sa meta foi às vezes disfarçada nos discursos oficiais e análises Por outro lado, ainda do ponto de vista de Burges, a dimensão da segurança provê uma
acadêmicas, isso nio roi explicitamente proclamado ou compreensivelmente examinado até a
transição para a presidência de Lula 16. análise mais ambígua da capacidade do Brasil para absorver os custos e preencher as tarefas
Burges afirma que os formuladores da política externa do Brasil buscaram empregar de um líder, porque os conflitos armados e as guerras interestatais são largamente uma
ostensivamente acordos apolíticos ou tecnocráticos como uma ferramenta para transformar a anomalia na América do Sul durante o século vinte. Ele pontuou a reação brasileira para um
estrutura produtiva e promover a confiança e a interdependência necessárias para o apoio aos possível sério conflito armado, a disputa fronteiriça entre Equador e Peru. Disse que a solução
projetos regionais centrados no Brasil. Concluiu: do conflito foi conduzida pelo Brasil decisivamente e amigavelmente, reforçando o
precedente legalista que viu países no continente se encontrarem na mesa de negociações, e
A natureza inclusiva da postura de liderança inspimda em Gramscí prevista na noção de
hegemonia consensual, particularmente promovendo ínteração no nível sub-estatal entre países, não no campo de batalha." Burges concluiu:
emerge claramente no Mercosul, na ALCSA, e na JlRSA para fortemente sugerir que intenção
polltica não é suficiente para formar uma região. Mais precisamente, iniciativas politicas precisam
ser casadas em c-oncretas e aparentemente apolíticas propostas como a da integração da infra- 17 Ibid., p. 185-186,
18 Ibid. p, 187-188.
19 Segundo Cardoso, o Buge de lua diplomacia preildendal rol jU8tAmente par nm ao contencloso militar
U BUROl,S, SClInW, Bl'fld/lllH Fon/glt Pol/cy II/Ifr 11/1 ColtI WI/r, Unned Slales of Amor/aa: Un/versllJi PrU,!!J entre EqUAdor e o Peru e que custara, nOj 40 W10Santeriores, milhllrcs do vidas, Argumenta que foi um
a[Flor/da, 2009, p, L trabalho paciente para garantir a paz que estavam envolvidos o Bmsil, o Chile, a Argentino e os EUA, mas que
I lbid., p, 185, minha ênfase, na fase final se desenrolou principalmente no Brasil, .E conclui: "Sugeri, então, que se abrisse uma estrada

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Dijck argumenta que a renovada inserção dos países da América do Sul no mercado
A necessidade de ampliar os recursos escassos em equipamento militares no sentido de
prevenir conflitos, portanto foi limitado. De fato, a segurança provida pelo Brasil foi mundial coincide e parcialmente é induzido pela emergência de novos centros de gravidade na
primariamente política em sua natureza e usada para prover autonomia de ação e sobemni.
nacional como um principio gerol no 8istemo interumericano, BIso concentrnçGo de 80iJllro"lo, eoonomla mundial, oferecendo novas eponunidndes e desafios comerclols, lua está
cntrntonto, IIImbém formou o baile do m/llor relllri9«Oda pollU.a nteml! do Drlliil no dimen!ilo do
SOiUl'Ilnço,Q sober, fi falho pern orlor e coordenor unIa resposto el'lllivo poro 09 novM ameaças a relacionado espeelelmenre no crescimento da Import4ncla do Le900 Asiático, e
scgul'Ilnça, como o ncrectráflco, o terrorismo e Q Insurgência, (",) A entale na particularmente pelas importações de commodities Sul-americanas pela China. Isso explica o
l1'ansnatlonallzaçAo na dlmen!Ao econÔmica se chocou com a concentraçAo de soberania
nacloDal na dlmen.lo da selurança, criando uma contradlçAo interna que relHrda a crescente interesse nos estudos das relações entre o Brasil e os países amazônicos, porque por
em'I1'H.la de um. ordem realonal ellAvel e IUltenltlvel10,
esstl regUlo o pais tem sua sllÍda natural a BlIcla do Pacifico, Como expllcadc por Enrique
Em slntonlll com IlSSMeonsldllfllçGeS, pareceu multo proveitoso ptIl'tI o Brasil em seu
Amayc Zevllllos em 1993:
papel na IntegraçAo Sul-amerlcanll a proposta dallRSA, porque como foi dito anteriormente,
essa iniciativa abre perspectivas de ganhos mútuos entre o Brasil e seus vizinhos, De nosso 'perspectiva, A AmAzônia nlo permanecer' 11part. do Oceano Paclnco. Cedo
ou tarde ai IIl1aÇGulerRo estabeleclda., e a salda natural será atrav~s Peru; nós ft chamamos
Nesse sentido, Pitou van Dijck diz que a infra-estrutura desempenha um papel chave de natural, porque 6 a distAncia OIal8curta, e menos dlficll, entre a AmozGnl" brasileira e"
Colta do Patlnco, Você apenas preeisu olhar os mapas para chegar li esso conclus!o",
estimulando o crescimento econômico por facilitar a produção e o comércio, portanto gerando
Como Amayo explica também, menores distâncias significam menores custos de
renda e emprego. Sem uma infra-estrutura de transporte e comunlcação, os agentes
transporte, Acrescenta que a costa peruana se beneficia de ter a melhor posiçllo na América do
econômicos enfrentam altos custos de transaçllo, os qual! freiam a produção, o comércio, e o
Sul para o transporte de commodities para pontos importantes no Pacifico. Conclui:
consumo e conseqUentemente reduz o bem estar. Acrescenta que:

Particularmente, polses que perseguem pollticas de desenvolvimento orientadas para as


o Brosil O principal produtor de soja, e suas principois plontnçOes estão localizadas mais
é

próximos do Peru do que de suo CostA Atlântica, O Brasil poderia certamente se beneficiar do
exportações podenl sofrer intensamente pela ausência de uma eficiente infta-estrutura de vendo de grandes volumes parn o insaciável merendo Ashltico, com custos de transportes mais
transportes, Custos de trnnsportes podem ser expressos cm termos de uma equivalente tarifa de competitivos, O Peru poderia se benefioiar principalmente pela construçBo de um porto, e as
importnç60, e seu impacto no bem estar pode ser considerado da mesma maneira, A I.IRSA ol parte correspondentes receitAs do porto que provavelmente seriam as maiores da Costa do Pacltico Sul-
de um grupo de iniciativas pollticas parn fortalecer a posição da América do Sul na economia americano, Além disso, o volume de vendas de pescados e fosfato. peruanos para o Brasil poderia
global, Essa nova inserção da regiBo no mercade mundial foi Iniciada por um processo unilateral crescer. Com um acesso mais facil. o Brasil poderia comprar fertilizantes naturais a preços
de liberalizaçãc comercial, fortalecida por iniciativas de grupos sensatos paro melhorar o acesso ao menores, causando menores danos ao meio ambiente, Portanto, ambos países poderiam se
mercado, e se aproximando do nlvel multilateral. Políticas de estabilizaçAo e reestruturação, beneficiar dessa união entre a Amazônia brasileira e o Oceano Pacifico através do Peru, um
buscando D liberalização do comércio e do movimento de capitul, privotizoçOo, e integraçfto modelo para outras parcerias no subccnnnente".
regional, têm feito o perspectiva do melhora do padrão de vido na regiDo mais dependente da
capacidade dos produtores domésticos para competir internamente e em mercados externos e
suprir os requisitos de quantidade e qualidade em tempo no mundo inteiro, Paro apoiar os Por outro lado, compartilho da opinião de Pitou van Dijck quando ele diz que a
produtores domésticos frente a esses desafios, uma grande gama de medidas são requeridas para ascensão da Ásia, entretanto, contribui não somente para potencializar as exportações Latino-
facilitar o comércio e alcançar a capacidade comercial relacionada".
americanas, mas também colocar em risco as aspirações regionais de ser uma plataforma de
ligando o cemitério com a fronteira do Equador, com livre acesso para nacionais daquele pais. Fujimori fingiu produção de manufaturas para o mercado internacional. Acrescenta:
que não a aceitaria, mas, de repente, virou-se para um pequeno quadro de paisagem bucólica pendurado na
parede. Era um quadro modesto, de pintor desconhecido, mostrando uma carrocinha puxada por um burro em
uma estrada de terra. Apontando a estrada disse: 'Só se for daquela largura (...) Por ali não passam carros com
tropas, imagino'. Sua atitude selou o acordo a 27 de outubro de 1998 no ltamaraty diante dos reis da Espanha, do
secretário-geral da OEA, César Gaviria, e de vários presidentes de puíses amigos, De todos os pronunciamentos
carregados de emoção o do Presidente Mahuad toi o mais comovedor, Assinou o tratado com lágrimas (e não só
ele as derramou, também eu estava profundamente emocionado) e coragem, Não sei se alguém caminha pela investimentos" OIJCK, Pitou van; HAAK, Simon den. "Troublesome Construction: IIRSA and Publio-Prtvate
estradinha para chorar a dor de haver perdido um ente querido, mas a paz se restabeleceu, e devido ao papel Partnerships tn Road lnfrastructure". In: __ Cuade,,,os dei CEDU 20. Amsterdam: Center for Laun
desempenhado pelo Brasil recebi as mais altas condecorações e as maiores homenagens dos governos e dos American Research and Documentatton (CEOLA), October 2006, p, 19, minha ênfase,
Congressos dos dois países. E cada vez que caminhei pelas ruas de Lima ou de Quito recebi abraços efusivos de 22 AMA YO Z., Enrique. "Amazonia, MERCOSUR and lhe South American regional integration". In: __
populares que da guerra queriam distância, mas sentiam que a paz só valeu a pena porque o sentimento nacional The Bush doctrine and Latin America. Edited by PREVOST, Gary and CAMPOS, Carlos Oliva. New York :
não foi atropelado" CARDOSO, 2006, p. 637-639, minha ênfase, Op. Cit.. Palgrave Macmillan, 2007, p. 106, minha ênfase,
" BURGES, 2009, p, 188-189, minha ênfase, Op. Cit.. 23 O mesmo autor argumenta que a melhor alternativa seria uma integração intermodal (misturando hidrovias,
li OlJCK, Pitou van, "Troublesome Conslrllcllon: Th, nallollal, aM Risks of IIRSA". ln: __ Europelln ferrovias e estradas) pelo norte do Peru, Enlrllllmto liSe projeto provavelmente nno se tornam reIIIidade, porque
R,vl,w 01 Latltl AIII«rlCUII "tld Carlbbeatl Studl" 8S, Oçlob" 2008, p, 106, "Em muitos casos, a contribuiçOo 09 governos bmsileiro e peruano acordaram uma rotAque envolve o sul do Peru, O autor conclui que um sistcmu
da lIJ~SA é particularmente construir ou melhorar lnterconexões entre sistemas nacionais de estrados JLI intermodal seria o menos destrutivo para a !lorestA lroplcal, especialmente em áreas nrqueoléglcas, blstóricas e
existentes, Portanto, significativos gaobos de eneleoela poderiam ser percebidos com relativamente poucos culturais, Ibid..

9 10
Reconhecendo que o desflorestamento apresenta tanto custos como benefícios, e sociais. Freqüentemeate um ElA é desenvolvido logo antes do princípio de um projeto,
começando a medir as magnitudes desses, é o primeiro passo em direção ao desenvolvimento de quando alternativas on modificações não são mais possívets".
políticas domésticas e internacionais significativas, que levarão os beneficios ambientais tão
desejados no Norte ollllimcomo o desenvolvimento econômico tOonecess6rio no Sul", Além disso, os mesmos autores afirmam que ElAs no Brasil nilo cobrem efeitos
Dljck e Haak explicam que estrlldu podem induzir slgnlflcatlvtls mudanças indiretos e, portanto silo de escopos IImltlldos, Informam-nos que a malorlll dos Impllctos de
econômicas e ecológicas ao longo de suas trajetórias. Nesse sentido, a construção ou estradas não ocorre no momento de sua construção e diretamente na proximidade da estrlldll.
renovação pode afetar o preço e o uso da terra, otividadlls econômicas locais e regionais, e, Tanto o tempo como IIS árells demarcadns silo muito estreitas, Concluem:
portllnto a vldtl dlls ptl9S0119tl do eeosslsttlma, Eles adlelonllm que os mllls significativos Il
o eOiOdn foQOvitlDR-l~3 1111mcltl10 exemplo dClSIlS81lfl01IImittl96el do pfl\lletl do
Irrllverslvílls Imp(lctos silo loclIlIZlldos 110 longo de Ifl\ltltôrlllS anterlormllnte Inaeessrvílls, I!IAI bmlilelms, Vm outro fator compllcador • quo 01 IIAI 810 pall08 pelo proponeotol do
projeto, Con8ultor" 810 "lIularmoot, prelllollld08 H produzirem relatórlol flvorAvel8,
como IIS áreas de florestas vlrgens30, dllde que 01 Intereues ftnaneelros e polltle08 sejam alto •. (...) prop081torll de proJetol
tendem a mOftlpular 08 procenos dos ElA.".
Sobre a experiência do Brasil com Estudos de Impactos Ambientais (ElA), os mesmos
autores dizem que abrangentes e adequados marcos legais para os ElAs podem ser Refletindo sobre o IIRSA e as PPP, Dijck e Haak afirmam que até o momento

encontrados, mos que a relllidnde prátlclI brasllelra é bem dlferente. Primeiro e o mais experiências com as PPP no setor de infra-estrutura de estradas na América do Sul são

importante na opinião desses pesquisadores, os esboços dos projetos n/lo mencionam limitadas e as que envolvem Integraçl\o trans-frontelrlçe silo ainda mais restritas, Acrescentam

modificações, portanto, silo fracos, Completam ti Idéia dizendo: que claramente 11 dimensllo internacional dos programas de lnfra-estrutura adiciona
complexidade às regras e mecanismos de distribuição dos custos, benefícíos e riscos entre os
No Brasil, o ElA é meramente um passo no processo do planejamento do projeto,
uma folha autolrafada que tem que ler obtida, Como resultado, o papel do ElA rel.donado
governos envolvidos. Eles explicam também que são necessários mecanismos para
AprcvençAo ou mttlllBçAode nellAtlvO!Impacto! anlblentals é leveramente limitado. PressGe! compatibllizar as diferenças das regulações nacionais em relação 11 construçâo de estradlls e
eelllltlmleus o polltlcus contribuem slgnifiotltivamente par. esse problemo. Bm geml, o lobby de
poderosos yf\lpos de intercues poro estrtldas - como 08 produtores de 80jO no caso do BR-163 - plldrões amblentals e técnicos relacionados.
começam muito antes que o decisão seja tomada. Como no caso de pluDos de Investlmentol
plurl-anuals, IInanclamento Internacional é estimulado e atraldo ainda antu que uma anáUse
mlnlm. de custo e beneficio tenha lido desenvolvida, portanto criando um momelltum (... ) No papel, a estrutura regulatória para PPPs e concessões comuns no Brasil é
(financeiro) que nAo pode ler InterrompIdo ou ajustado pelal conslderaç6es amblental. e adequada e completa. No entanto, uma adequada e!trutUfR regulatórla para PPPs nio
sllnlftca IIArantla de bom funcionamento da PP.P, Como. análise da experlhcla brasileira
COOl projetos de Inrra-eltrutura neue estudo mostra, o potencial beneficio das PPPs nAo
" ANDBRSBN, Lykke B.: GRANGER, Clive W. J.; REIS, Euslllquio J.; WIllNHOlD, Diuna: WUNDER, Sven. 8ul'le automatlcanlente. Riscos financeiros e mecanismos inadequados de distribuição dos riscos
Tlle Dynamics of Deforeslulioll nlld Economlc Growlh In lhe Bl'flZillan Amuzon. Unltod Klngdo tu: Combridge podem dificultar seriamente o cumprimento de alta eficiência nos investimentos públicos o
University Press, 2002, p. 9. ameaçar o sustentabilidade dos programas de PPPs, como exemplificado pelo caso do Programa
JO DlJCK, Pitou van; HAAK, Simon den. "Troublesome Construction: lIRSA and Public-Private Partnerships in
Estradeiro do Estado do Mato Grosso. As avaliações do programa estradeiro mostram que, ao
Road Infrastructure" In: __ Cuadernos dei CEDLA 20. Amsterdam: Center for Latin American Research invés de "socializar" os beneficios da eficiência do setor privado, PPP. podem também serem
and Documentation (CEDlA), Oe/ober 2006, p. 61. Roberto M. Iglesias adverte que é preocupante a estratégia usados para transferirem os custos do setor privado para o setor público e para a
da llRSA de apresentar alta concentração de projetos de transporte rodoviário (especialmente os na zona comunidade em geral. Mato Grosso fornece um impressionante exemplo de região na qual um
peruana), quando há consenso de que não é a alternativa mais eficiente de transporte de carga. O autor consultou setor economicamente dominante, o setor da soja. também assegura O poder político. No sentido
alguns especialistas, entre os quais da Confederação Nacional da Indústria, para quem a maneira mais econômica de fortalecer o crescimento e a lucratividade, os produtores de soja têm se engajado nos programas
de escoar a produção da costa atlântica brasileira para o Pacifico continua sendo o transporte marltimo, de forma
que projetos que melhorem a laglstica e o funcionamento dos portos brasileiros seriam mais eficientes para
alcançor a bacia do Pacifico e o mercado asiático. "Há dúvidas sobre se a maneira mais eficiente de exportar a " DJJCK, Pitou van; HAAK, Simon den. "Troublesome Construction: IlRSA and Public-Prlvate Partnerships in
produção agrlcola do Centro-Oeste 6 exportar por portos do oceano Pacifico ou se não deveria favorecer mod08 Road Infrastructure". In: Cuaderao. deI CEDLA 20. Amsterdam: Center for latin American Research
de transporte a granel com menor custo por tonelada para os portos do norte do Brasil e dali para a Ásia e outros and Documentation (CEDlA), October 2006, p. 65, minhas ênfases.
destinos" (IGlESIAS, 2008, p. 165). Claudete de Castro Silva Vitte nos informou também que uma reportagem J1 Os mesmos pesquisadores afirmam que por causa dos significativos efeitos ambientais e sociais que eram
no jornal Folha de S. Paulo (30/1212008) apontava que o transporte aquático tem menor custo, quando esperados o projeto da BR-163 gerar, um grande número de organizações sociais e ambientais começaram a
comparados os fretes. Considerando por km rodado em US$ por tonelada, o frete hidroviário custa US$ 0,025; o mobilizar a sociedade civil logo após o presidente Lula anunciar a sua pavimentação no começo de 2003. Ibid.,
frete ferroviário custa US$ 0,064 e o frete rodoviário custa US$ 0,084. No comparativo de carga, considera que p. 65, minhas ênfases. Também é necessário considerar a legitimidade desses estudos ambientais, pois como
uma barcaça carrega até 1.500 toneladas, de forma que um comboio com quatro chatas comporta 6.000 toneladas podemos observar no livro Defendielldo Derechos y Promovienâ« Cambios: EI Estado, /as Empresas
de carga. No transporte ferroviário, um vagão de trem transporta 100 toneladas, o que exige uma composição de Extractivas y Ias CotnUllidados Locales en el Porú. organizado por Martin Scurrah (2008) e no documentário
15 vagOespam cada barcaça. Na carga por rodovia, um caminh60 transporta 27 toneladas, o que cKlglrltl55,6 Tantboll,a/ld.: Mallllos, Murdtr, Mlninll, dirigido por Ernesto Cabellos c Stephanie Boyd (2006) as populações
cWllinhacs ~uro se equiparar a uma borcaÇIIVITTE, Claudete de Castro Silva, "PI\lIIejamentoTerrltorlal e os loolllanao eensidemm esaos estudos Imparciais c válldcs, atô mesmo pclo diflculdude de entender sua Iinguugcm
Impactos Sócio-Econômicos da IlRSA no Territ6rio Brasileiro: atores, conflitos e interesses". Disponlvel em: muito técnica. Surge ai um outro conceito ímpenante que seria o de licença social, com uma maíor participação
http://egaI2009.easvplanners.infQ/areaOl/I022 Claudete Vitte.pdf Acesso em dezembro de 2009, p. 12. da sociedade civil nesses processos.

13 14
.:

a suposta dicotomia entre uma competitividade "espúria" grupos locais, uma vez invisíveis, que aparecem na sociedade com a sua luta contra a Considerações Finais
nível das empresas quanto de países; e (5) os beneficios ai mercantilização na natureza",
Femando Ignacio Leiva (2008) faz interessantes criticas ao modelo chamado de
compctitlvidade internacional conetrulda por trús da orient Para lsobella F, Wanderley (aI alll), os construções previstas dentro dos projetos do "regionalismo uberto" que 11 Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL)
di fercntes atores·'. lIRSA, especialmente no centro norte do subcontlnente, gerarão conflitos sociais e vem recomendando desde os anos 19909 e que em grande parte é adotada pelo Brasil em seus
Explicando o segundo ato de omissão, Leiva argu ambientais. E complementa: projetos regionais. A pergunta central que ele faz é se esse paradigma constitui uma
pelas cerpcrações leva a desaproprillÇOo e t\ coisiticnçlto
Com b!liU em projetos similares no pH!!Qdo,prove-se que Ulii eontlltos 80 potonclnlizom IIlternatlvlIl!ílnulna no neelíberallsmo, ou uma forma mais sofisticada de consolidar o sistema
crescente dos tlSpect09 da vlda socl(\l, e uãe 1\modernldlldll, por maio do Aumanto do dosmHlnmonto, do grilngam, dA vlolllnclHcoHlfn IHalgano! Q QomuHlundo!
Ifoolaionols, dll inoidenaift a Qxposlçtlo do dOenÇOioontlllllom, oh!m do ~fOduol pardA de volofo§
existente", O mesme autor npolltll o que ele chamou de "rílversões chaves de prlnclplos
ele mostro que tISdecisões dI! Investlmllnto e controle sobre o
cultufoi, trodielonol8 Q do roduçBo dos serviços umblentols, entre outros atllilO8dOHosoi4o• estruturols" (/'Ilv/l/'S/ng luiy slrllelurallanIJIS):
mitos de uma ainda menor minoria que no passedo, pod
Analisando a Importância estratégia da reglilo amazônica para o Brllsil e dessas Primeiro, no invés do ser o miz e o mecanismo propagodor do subdesenvolvimento
financeiras transnacionais. Em sua opinião as conexões ent econêrnico, a intemecíonellzação da estrutura produtivo e comercial foi bem vinda o vista como a
possíveis conseqüências negativas dos atuais planos de integração, parecem serem necessárias principal rota para se alcançar a modernizeção produtiva. Anteriormente concebido como um
trabalho, controle, pobreza e desigualdade têm sido subestuda mecanismo para aprofundar o subdesenvolvimento, o capital estrangeiro e as corporaçêea
avaliações mais profundas dos interesses envolvidos em tais projetos. A questão central é transnDcionais agora se tomaram OS instrumentos chaves para u mudança técnico e modernizoçRo
E!xpOrtllçOesrequerem srnndo controle sobro os CUSt08ou
produtivo. AlconQor umu compctitividodc sist!micn c uma inscrçBo dindmicil no mel'Codo globol
trobolho; tmbolhodores "tio consomem o que oles produzem; o ren pensllr no longo prazo como essa Intl.lgl'uçilopode beneficiar tl secledade em seu conjunto, o;oro depende do induçRo do capital privado tmns""olonol e doméstico para d08cmponhnr sou
uma olndo menor mlnor!u tmnsnoclonollzlldo: o crescimento dus
especialmente levando em consldcraçilo os impactos arnblen!lIls e seeíels, e não apenas o papel neo-Schumpeterlnno ntribuldo por Pnjnzylbcr o o pelo "novil CIOI'AL". Segundo, cnpitullstns
emprego; e a transnucionUllzuçtlo e finunceirlzaçao concentram u
privados, lirmos privadas, e o mercado (nno o Estudo ou seu popcl em socializur o excedente
podem ser contra-balançados por amigllveis pollticas publicas prom
interesse de uma pequena parcela do empresarlado nacional brasileiro. econômico para assegurar sua eficiência social, como a análise do capitalismo periférico de
Prebisch explicava) foram trnnsformados em atores chaves do desenvolvimento econômico (...) A
Finalmente, o mesmo autor afirma que a conce "nova CEPA L" reconceltunlizoLl o papel das pcltticcs públicas e do Estado que gorantlndo o
neoestrutulllllsmo como sl.ldlmtlllto da faclolllllldlldll melal I equillbrlo maereeeenémlec, 68801U1011 limo gmnde coordonaçQo entre produtores prlvftdo! Q
melhor nrliculoQao entre 08 IniciatiVA! priVAdO!!e publlcos, IIcrenelondo os conflitos IIdvindo dA
classes dentro do Estlldo IllIsimcomo o papel fundamental que IIl0bnllzoQtIo,e sobre tudo, controlando a cncrgin social e o slltcmü da sociedade pelo requisito do
IV vlnB, Clüudcte de Castro Silva. "Planejamento Terrltorial e os Impactos Sócio-EconÔmicos da UR.SA no eempetitividade internacional. Terceiro, Q lógica da distribuição foi separada da lógica da
as condições da reprodução da acumulação do capital. E concl Território Brasileiro: atores, conflitos e interesses". Disponível em: acumulação orientada para a exportação. Maior igualdade não poderia ser o resultado de reformas
http'/legaI2QOQeusvplanners inlil!nreaQlIl022 CJlludçt. ViUe pdf. Acesso em dezembro de 2009, p. 10, minha sociais, mas viria do crescimento das exportações e da economia".
A promoçRo do governança porticipotiva através de acord ênfase. Podemos estabelecer um paralelo disso com o jll citado excelente documentllrio Tllmbollrnndt: Mnllgol,
de copitnl-sociol, c outras lbrmos de olionçns do Estado com o soe Munler, MiIIl,,'1, dirigido por Ernesto Cubellos e Stephanie Boyd (2006), onde mostram o movimento de Ainda Leiva considera cinco "atos de omissão" encravados nas noções centrais dos
resistência dessa cidade frente numa minerndorn eonodense. Omar Arach diz que "pura os Hmbientnlistas,
especinlnlente aqueles no arco de ecologistas rndicnis, a noçfto de desenvolvimento é um nrlefuto Ideológico fundamentos do neoestruturallsmo Latino-americano: (1) 11 promessa de perspectivas
" Ibid., p. 89. Mario Bsteban Carranza fez uma interessante discussão empregado para cobrir os relações de domlnio dentro do sistema mundial e para dar uma expectativa do futuro
questionando se ele foi bem sucedido ou um fracasso. Por exemplo, ele ap para os setores oprimidos, sem precisar questionar os fatores estruturais que determinam sua condição, Pura os favoráveis para se mover em direção a grande estrada para a globalízação; (2) a promoção do
regionalismo na América Latina são muito negativas, responsabiliza atores locais, contudo, a noção pode ter outros matizes". Prossegue dizendo que "não se trata de uma questão
Importações (MSI), um modelo fechado de desenvolvimento, pelo meramente retórica, mas também de conteúdos. Indubitavelmente, os territórios impactados por essas obras "regionalismo aberto"; (3) a possibilidade de se alcançar a "transformação produtiva com
comparação, o "novo regionalismo" é apresentado como mais prepara costumam ser particularmente valorizados por sua riqueza biológica, paisagística e cultural. São territórios que
tarifárías quanto as não tarifárias ao comércio, e, portanto projetado para equidade" dentro do marcos do regime atual de acumulação orientado para as exportações; (4)
se encontram no centro do ideário ambientalista e são vistos, talvez corretamente, como os embriões das
mundial mais do que para se proteger dela. Porém o mesmo autor, citan sociedades sustentáveis do futuro. A tarefa dos ambientalistas passou por valorizá-los, desafiando os relatos
distinção entre o "modelo de desenvolvimento voltado para fora" ( desenvolvimentistas que se referiam àqueles territórios como áreas improdutivas, atrasadas, ete. E, sem dúvida, 41 O mesmo autor explicou que a publicação de Challgillg Production Pattems wilh Social Equity (1990)
desenvotvimento voltado para dentro" (inward-/ooking) carregam um julg esta luta pelo significado tem fornecido importantes referências cognitivas e simbólicas para as populações buscou substituir o "fundamentalismo de mercado" e humanizar o "capitalismo selvagem" imposto por décadas
positiva, no caso do "desenvolvimento voltado para fora"; e negativo pa locais se oporem aos discursos dosenvolvimentistas". Porém conclui: "( ...) além dessa importância inegável, do dogmatismo neoliberal do laissez faire na região. Adiciona que a CEPAL e O neoestruturalismo Latino-
dentro". Desarrollo hac/a adentro em espanhol tem urna conolllçfto posi esses locais ocupam uma posição marginal na estrutura econômica, política e social do Estudo nacional ao qual americano afirmam terem com sucesso combinado crescimento econômico, equidnde social e democracin
introvcl1lRo,ele evoco o imagem de abertura desse desenvolvimento pura o pertencesn ou foram anexados. Sob esse ponto de visIa, representam tlrea. isoladas, mal servides, com poucas polltica no sentido que a Amórica Latina poderia plenamonte uproveitar DS oportunidades oferecidas pelo
CAR.RANZA, Mario Bsteban. Sou/h Al1Hlr/callFree Trade Area or Free oportunidades de trabalho, entre outras carências. Normalmente essas tlreus são muito receptivas aos discursos globalização do século XXI. Como resultado, um grande número de observadores afirma o triunlb de "uma
relllollallsm alld lhe Iu/uu 01 relllollal ecollomlc 11I1''1,nllon111 Soul do desenvolvimento e suas populações (principalmente os segmentos mais influentes) conseguem expressar com postura mais pragmática, a pollticn do possível" ter se tomado a tendência dominante no eontínente Latino-
Publishing Ltd, 2000, p. 46-52. americano. Conclui que, "portanto na passagem do estruturalismo para o necestruturalismc, a transíção da
força o sentimento inerente si modernidade que Marshal Berman (1998) definiu como o 'desejo de
" Ibid., p. t 00. Nos anos 1970s Francisco de Oliveira já tinha feito ess desenvolvimento'. Sem dúvidas, para estas populações a noção de desenvolvimento continua a ser o veiculo 'antiga CEPAL' de Raúl Prebisch e Celso Furtado pura a 'nova CEPAL' de Fernando Fajnzylber, Gert Rosenthal
OLIVEIRA, Francisco de. "Critica da Razão dualista" In: Novos E semântico usado para expressar as reivindicações de acesso à cidadania, a serviços, à inclusão e à melhoria da e José Antonio Ocampo, o neoestruturalismo tem lmplementado mudanças consideráveis em sua
" Outra interessante discussilo feita por esse autor foi sobre a existência qualidade de vida. É um paradoxo que aquele que deseja também represente um risco muito provável de abordagem e estrutura. Embora tais modificações tenham permitido o neoestruturaJismo conquistar
competitivídade espúria versus urna genuína. A primeira seria baseada na desaparecimento do mundo onde vive", ARACH, Ornar. "Articulações arnbientalistas em oposição às grandes relevância política, isso também exigiu um alto preço: uma aliança da solidez da CEPAL com o stalus quo,
desvalorizações cambiais enquanto a segunda seria baseada na prod obras de infra-estrutura". In: VERDUN, Ricardo et alii (orgs.). Finanelamento e megaprojetol: uma entorpecendo a sua capacidade de investigar a 'estrutura profunda' do capitalismo Latino-americano do
tecnotõgica Porém Leiva explicou que a produtividade do trabalhu pode s siculo xx r', LEIVA, Fernando Ignacio. LIII/n IImerica/! Neo.vlruclurlÚlsm: the COlllradlctiollS 01 Posto
interpretaçAo dA dlnllmlca reglonallul-amerlcanR. Brasllia: lnesc, 2008, p. 123-124, minha ênfase.
do trabalho, do reorQanizuçRo da produçGo o nne upenas pela inQvuçdo I ,g WANDERLflY, lsabelle Freirc tI alll. "lmplicnções da Iniciativa de lntegrução do Infra-Estruturn Rosional N«ollbtra/ Dtv,'opme"t. Ulllfed Slalas of Am~"lca: UlIlvc/'slty of Millnesola Press, 2008, p. xvii, p. 2 J e 22,
capitul sempre acha caminhos para combinar produtividade (genulnu com Sul- Americano e 'projetos correlaeionudos na polltica de conservação no Brasil". Polltl.a Ambtenta!. Belo minha ênfase.
custos do trabalho (espúria competição) das mais criativas maneiras",lbid., Horizonte: Conservação Internacional, n. 03, maio de 2007, p. 5-7. "Ibid., p. 34-35.

17 18
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