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Trabalho comunitário pode ser "punição" para alunos briguentos

Por Içami Tiba


"Os alunos estão mais interessados em brincar, brigar e se divertir muito mais do que em
aprender... O que será do futuro profissional dos alunos que foram aprovados
sistematicamente; com diplomas, mas sem conhecimentos... O professor em sala de aula está
impotente perante os alunos que se sentem reforçados pelos seus próprios pais nas suas
delinqüências. A direção da escola, muitas vezes, se omite, o que reforça as delinquências pela
impunidade, pelo ditado "Cliente tem sempre razão"...

São trechos ditos por um professor que me abordou em local público, identificando-se como um
admirador do meu trabalho, preocupado com o futuro dos seus alunos adolescentes.

Longe de querer caçar um bode expiatório, pois somos todos responsáveis pelo que acontece
nas salas de aula, buscar uma solução é extremamente necessário. Mas enquanto ela não é
encontrada, temos que tomar algumas medidas paliativas.

Um dos pontos a ser controlado e que está mais ao alcance direto dos professores é o da
violência entre os alunos em sala de aula.

Os adolescentes em geral passam da irritação para a raiva e em seguida para o ódio numa
velocidade e numa facilidade muito grandes. Isso porque o cérebro ainda não atingiu o seu
amadurecimento suficiente para controlar e trabalhar estas sensações e emoções.

Por isso mesmo, eles são mais impulsivos, irritáveis, instáveis e agressivos que os adultos. É
muito hormônio, principalmente testosterona, para pouco cérebro, o que provoca destemperos
emocionais por qualquer estímulo.

Além da parte hormonal, existe a paciência curta, a voz engrossando, a força física
aumentando e pés (chutes) e mãos (socos) sendo transformados em armas.

A irritação e a raiva fazem parte da sensação natural das pessoas, mas agressão física e ódio
já são violências que devem ser combatidas.

Brigas corporais não devem ser permitidas em lugar nenhum, muito menos numa sala de aula.
Mas se houver, é preciso que o professor peça aos colegas para ajudarem a terminar situação
e, depois, deve encaminhar os briguentos a um procedimento escolar que poderia ser
previamente combinado.

Não se deve buscar somente as causas originais da briga. A briga já é uma transgressão da
ordem de uma sala da aula. Os pais dos briguentos devem ser chamados para que tomem
providências educativas.

Trabalho comunitário para os briguentos


Assinem todos o compromisso de que, se os briguentos voltarem a brigar, seja com quem for,
terão que fazer um trabalho comunitário que lide com as violências sociais. Onde e com quem
fazer tal trabalho deve ser cobrado pela escola, sob pena de exclusão do aluno briguento.

O trabalho comunitário é uma conseqüência do ato de brigar para que o briguento aprenda a
lidar com estas situações sem partir para a violência, que é sempre destrutiva.

Na família, as palavras e ações dos pais deveriam ser suficientes para coibir uma violência
entre seus filhos. Na escola, se as palavras do corpo docente não forem suficientes, é preciso
que ações consequenciais sejam determinadas para que a violência seja coibida.

Um professor não deve aceitar em sala de aula uma provocação de alunos para uma briga. O
professor é um educador. Quando ele é agredido em sala de aula, o aluno está agredindo a
escola e a educação. É preciso que a escola pratique as ações consequenciais e não o
professor durante a sua aula.
Bullying: Como reconhecer agredido e agressor?
Por Içami Tiba
Bullying é uma ação abusiva de uma pessoa mais forte para uma mais fraca que não se
defende, escondido dos adultos ou pessoas que possam defendê-la.

Esta ação abusiva do bullying é caracterizada por agressão e violência física, constrangimento
psicológico, preconceito social, assédios, ofensas, covardia, roubo, danificação dos pertences,
intimidação, discriminação, exclusão, ridicularização, perseguição implacável, enfim: tudo o que
possa prejudicar, lesar, menosprezar uma pessoa que se torna impotente para reagir e não
revela a ninguém para não piorar a situação.

O agressor é ou está mais forte no momento do bullying, tanto física e psíquica quanto
socialmente. Sua vítima, que é ou se encontra impotente para reagir sozinha, precisa de ajuda
de terceiros. Além disso, o agressor usa de sua extroversão, da facilidade de expressão, da
falta de caráter e ética, de fazer o que quer ignorando a transgressão ou contravenção e abusa
do poder de manipulação de outras pessoas a seu favor. O agressor se vale das frágeis
condições de reação da vítima e ainda o ameaça de fazer o pior caso ele conte para alguém.
Assim, a vítima fica sem saída: se calar, o bullying continua, se tentar reagir, a agressão pode
piorar. O número de agressores é geralmente menor que o das vítimas, pois cada agressor
produz muitas vítimas.

A vítima é geralmente tímida, frágil e se apequena diante do agressor. Ela tem poucos amigos
e os que têm são também intimidados e ameaçados de serem os próximos a sofrerem o
bullying, apresenta alguma diferença física, psicológica, cultural, racial, comportamental e/ou
algo inábil (destreza, competência etc.).

Mesmo que a vítima não fale, seu comportamento demonstra sofrimento através da perda de
ânimo e vontade de ir para a escola (se o bullying lá ocorreu), da simulação de doenças, das
faltas às aulas, dos abandonos escolares, da queda do rendimento escolar, do retraimento em
casa e na sala de aula, da recusa de ir ao pátio no recreio, de hematomas ou outros
ferimentos, da falta ou danificação do seu material pessoal e escolar etc.

Os futuros de todos se comprometem se o bullying não for combatido assim que descoberto.
Os agressores, que já vinham em geral de famílias desestruturadas, tendem a manter na
sociedade o comportamento anti-social desenvolvidos na escola, tornando-se contraventores e
prejudiciais à sociedade. Os agredidos levam suas marcas dentro de si prejudicando seu futuro
com uma desvalia e auto-estima baixos, alguns tornam-se revoltados e agressivos, vingando-
se ao cometer crimes sobre inocentes da sociedade e até mesmo tornando-se contraventores.

Tanto a escola quanto os pais têm de ficar atentos às mudanças de comportamentos das
crianças e dos jovens. Não se muda sem motivo, tudo tem uma razão de ser. Nenhum adulto
pode instigar a vítima a reagir sozinho. Se ela pudesse já o teria feito. Foi por autoproteção que
ela nada fez nem contou a ninguém.

Para o trabalho de prevenção e atendimento ao bullying sugiro quatro frentes:

 Com as testemunhas: estimular a delação saudável, explicando que o silencioso é


conivente e cúmplice do agressor. Garantir proteção e sigilo às testemunhas, que
permanecerão no anonimato, aceitando seus telefonemas, e-mails, MSN, bilhetes ou
pessoalmente as indicações dos agressores.

 Com as vítimas, mantendo-as sob vigilância “secreta” sob a atenção de todos os


adultos da escola e adolescentes voluntários neste ato de civilidade no combate ao
bullying. É perda de tempo esperar que as vítimas venham a reclamar dos seus
agressores. É também uma conivência e cumplicidade com o agressor.Com os
agressores, é necessário aplicar o princípio das conseqüências que são medidas
tomadas pelas autoridades educacionais que favoreçam a educação. O simples castigo
não educa. O agressor identificado deve fazer trabalhos comunitários dentro da escola,
como auxiliar em algum setor que tenha que atender às necessidades das pessoas.
Pode ser numa biblioteca, na cantina da escola, enfermaria ou setor equivalente etc.
No lugar de agredir a vítima, ele deverá cuidar dela. Quem queima mendigos deve
trabalhar com queimados, fazendo-lhes curativos e não ir simplesmente para a cadeia.
Isso deve ser feito durante o recreio ou intervalo, usando o uniforme usual do setor.

 Integração entre escola e pais, tanto do agressor quanto da vítima: quanto mais se
conhece as pessoas, mais elas se envolvem e menos coragem têm para fazer mal
umas às outras. Mudanças destes alunos para outras escolas não são indicadas.
Todos aprenderão na correção dos erros praticados e não através dos erros
cometidos.