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“VOCÊ SABE O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A IGREJA?”: FORMAS DE PERTENCIMENTO E DISPUTAS EM TORNO DA IDENTIDADE EVANGÉLICA.

Carlos Henrique Pereira de Souza A pergunta acima foi feita por um pastor em uma igreja metodista do subúrbio do Rio de Janeiro durante um sermão 1 . Seu discurso traz duras críticas a condição moral da igreja evangélica atual, com escândalos de pastores e o envolvimento na política, a mercantilização da fé feita pelas igrejas neopentecostais e ao que ele e outros chamam de mercantilização da fé através da indústria cultural gospel. Por outro lado, apesar de suas críticas, o discurso religioso (e em sua igreja, a Metodista da Penha) em diferentes momentos não faz referência a sua denominação histórica como forma de distinção do cenário evangélico. Análises recentes têm indicado transformações nas formas de constituição da identidade 2 religiosa através da aproximação entre evangélicos de diferentes segmentos (históricos, pentecostais, neopentecostais). Esta aproximação ocorre muitas vezes através da identificação com o discurso evangélico conservador que tem avançado na esfera política e cultural. O constante posicionamento pelas tensões provocadas em torno do discurso e posicionamento de lideranças evangélicas tem sido palco de tensões em torno da identificação dos diferentes segmentos evangélicos em torno desta identidade. Alguns pesquisadores apontam a constituição de uma “identidade evangélica difusa” pela visibilidade midiática da indústria cultural gospel,assim como pela circulação de discursos de crenças e valores, em sua maioria do universo pentecostal que exercem “grande influência sobre a sociedade” (VITAL, 2012) 3 . E se olharmos ao redor nunca foi tão

1 Este trabalho traz resultados da pesquisa apresentada para qualificação da tese intitulada “A identidade evangélica como projeto: Negociações e conflito sem igrejas históricas em um contexto de cosmologia pentecostal”.

2 O conceito de “identidade” possui uma extensa e variada literatura nas ciências sociais. Para este trabalho a identidade é concebida como construída relacionalmente. Os sujeitos ou grupos se unem ou se opõem em relação ao outro, podendo ser vista como processo de distinção e autoafirmação. Apesar das analises que propõem uma identidade descentralizada, consequência da globalização e descentramentos culturais (cf. HALL, 2006; BAUMAN, 2005), a noção de identidade utilizada aqui será a de “identidade como projeto” (CASTELLS, 2002). “A importância relativa desses papeis no ato de influenciar o comportamento das pessoas depende de negociações e acordos entre os indivíduos e essas instituições e organizações. Identidades, por sua vez, constituem fontes de significado para os atores, por eles originadas, e construídas por meio de um processo de individuação” (Id., ibid. p. 23).

3 A pesquisadora comenta que “recentemente observa-se uma religiosidade evangélica difusa, sobretudo no meio popular, mas que se espraia, paulatinamente, para toda a nossa sociedade”. Cf. entrevista da

antropóloga Cristina

em

Vital

para

a

revista

Carta

Capital

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afamada a ideia de ser evangélico, com inúmeros casos de lideranças políticas, artísticas e do mundo esportivo repercutindo a visibilidade evangélica no espaço público. Este cenário é reforçado pela expansão do mercado gospel, nos Megaeventos como as “Marchas para Jesus” e as polêmicas provocadas pela aliança entre políticos e evangélicos (ou políticos evangélicos) em torno de agendas conservadoras. Segundo algumas abordagens, estes fenômenos refletem a presença pública evangélica e sua expansão pela TV, eventos desportivos, pregação nas ruas, contribuindo para a constituição de uma cultura pública evangélica (GIUMBELLI, 2013). Neste sentido é importante pensar a relação entre o campo religioso e as formas de identificação, já que o campo evangélico é tão plural, e hoje encontramos a aproximação em torno dessa “identidade evangélica”, o que poderíamos chamar de uma “identidade como projeto”. Um dos aspectos da identidade no mundo contemporâneo é forma relacional de como é constituída. Sendo assim importa saber a partir de quê, por quem e quais as motivações para que ela aconteça (CASTELLS, 2002, p. 23). Os pentecostais constituem a maioria entre os evangélicos pela capacidade de expansão e difusão de suas crenças em diferentes grupos religiosos. Neste sentido observou Ronaldo de Almeida (2008) que temos hoje um “jeito evangélico de ser religioso” (ALMEIDA, 2008, p. 56) onde mais do que as igrejas pentecostais, o que se expande são as características desta religiosidade” (idem). Tudo isso tem como reflexo a disseminação de um “código evangélico-pentecostal” (Id., ibid., p.55) em elementos como os sentidos públicos atribuídos a símbolos como a bíblia/palavra divina, as concepções de deus e toda de sagrado marcadamente cristão-evangélico-pentecostal. Para o bem ou mal (não é o propósito da ciência nem a deste autor) políticos, artistas, esportistas e traficantes de drogas vez ou outra se surgem se declarando como “evangélicos”. Os grandes eventos e a visibilidade pública das “Marchas para Jesus” e seus milhares de participantes estariam reforçando a identificação de diferentes fiéis em torno de uma identidade evangélica geral 4 . Se as identidades são construídas a partir de

4 A expressão “evangélico/os” aparece já no século XIX em jornais publicados pelas missões protestantes, como o “Imprensa evangélica”, onde já circulavam termos como “protestante” e “evangélico”, constando 318 ocorrências deste último no período entre 1864-1892 na capital. A “Imprensa Evangélica” era um jornal protestante que era publicado desde o século XIX (VIEIRA, 1980, p. 53), assim como outros jornais e panfletos protestantes de missão na época. Os presbiterianos tinham o jornal "O Puritano", que ainda hoje circula com outro nome (Brasil Presbiteriano); os metodistas o “Expositor Cristão”, alguns ainda em circulação interna nas igrejas atuais. O Imprensa Evangélica tem em formato digital,na época editado pela tipografia dos Irmãos Laemmert durante o Brasil Império. Cf.

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interações e representações (GOFFMAN, 1995), conflitos e rupturas, é importante ressaltar que este “jeito de ser evangélico” reflete disputas internas entre os que se associam ou rompem em torno desta identidade. Neste caso, ao pensar em um “ser evangélico” temos consciência de que lidamos com tensões em torno de “estabelecidos” e os que restam exilados como “outsiders” e “estigmatizados” de diferentes formas (ELIAS & SCOTSON, 2000), características presentes na identidade em sociedades complexa 5 . Na igreja metodista, comunidade 6 onde realizo trabalho de campo, uma denominação histórica, tem ocorrido esse fenômeno, onde pastores e lideranças se identificam como “evangélicos” ou simplesmente “crentes. Também é comum se declararem como “igreja”. A noção de igreja aqui se refere não a denominação/instituição, mas a realidade espiritual que congrega os crentes em torno da igreja, o corpo de Cristo. O título deste texto foi referência a este questionamento recorrente nos sermões dos cultos, quando o pastor questionava “o que está acontecendo com a igreja?”. Se o número de evangélicos cresce no país dizia ele - como pode continuar aumentando a violência, corrupção e imoralidade? Com isso pretendo neste texto discutir essas tensões e reinvenções em torno da identidade evangélica atual. Inicialmente poderíamos pensar nos descentramentos e pulverização institucional, pluralismos e individualização nas práticas religiosas. É possível que a ênfase na ética de salvação individual (PIERUCCI, 2006) diante do “cansaço religioso” das igrejas protestantes históricas (MENDONÇA, 2006) esteja fortalecendo a unidade dos evangélicos através de um discurso unificante? Se considerarmos aspectos conceituais sobre a questão da identidade atual, os “fluxos e híbridos” (HANNERZ, 1997) e a reconfiguração das fronteiras culturais provocadas pela globalização, é possível pensar que as identidades têm sido fortalecidas reinventadas? - como caminhos de resistência diante do enfraquecimento das instituições (CASTELLS, 2002). Assim, Diante dos descentramentos identitários os evangélicos de diferentes segmentos denominacionais se identifiquem com

http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=376582&PagFis=87&Pesq=evangelicos (Acesso em 20 Jul 2017). 5 Apesar da pauta conservadora em seu discurso, há grupos evangélicos que disputam em torno dessa identificação dizendo que nem todos os evangélicos são conservadores, como o caso do pastor Henrique Vieira, filiado ao PSOL e lideranças como o pastor Ariovaldo Ramos e organizações para-eclesiásticas de luta por direitos civis. 6 As narrativas descritas neste foram produzidas a partir de notas do diário de campo atual, iniciado em agosto de 2016, na Igreja Metodista da Penha, que serão analisadas mais detalhadamente nas análises sobre os dados de campo a seguir neste texto. Ocasionalmente outras referências serão citadas com base na etnografia feita no mestrado entre 2012-2013, na Igreja Metodista do Catete, considerando que esta pesquisa é desdobramento da dissertação de mestrado onde analise a pentecostalização das igrejas históricas.

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um discurso evangélico que se hegemoniza, principalmente nas pautas conservadoras, diante da cultura política que descentraliza debates em temas como família, sexualidade em desconstrução no mundo globalizado. Considerando este cenário este trabalho analisa discursos e práticas de fiéis de igrejas protestantes históricas em um bairro da zona norte do Rio de Janeiro com intensa circulação pentecostal. A ideia é perceber como as rejeições e aproximações com o pentecostalismo partindo de igrejas protestantes históricas.

O Censo e os impasses da categoria “evangélicos”. Ao contrário de outras nações o Brasil tem mantido a opção de registrar em seus recenseamentos o pertencimento religioso. Talvez isso tenha um significado importante, se comparado com países como França que deixou de registrar “números de religião” em 1930 e os Estados Unidos, onde a religião ocupa o espaço público, o deixou em 1926 (MAFRA, 2013, p. 38). A importância dos números é que, mais do que estatisticamente, sua importância se dá politicamente na vida social, como já foi observado que para pensar as relações entre evangélicos e as esferas da sociedade (política e mídia), estes são números usados para “fazerem coisas” (MAFRA, 2013). A disputa pelo espaço público e a visibilidade política em torno dessa identificação com os evangélicos tem lá sua importância. Ao longo das décadas o Censo vem revelando o vertiginoso crescimento dos evangélicos, que nas últimas duas décadas passaram de 9% para 22%, refletindo a perda da hegemonia católica e crescimento de igrejas pentecostais como já indicado pela literatura (MENEZES & TEIXEIRA, 2006; 2013; MAFRA, 2013). Entre os evangélicos os que mais crescem são os pentecostais, no entanto, no último Censo (2010) a categoria “evangélica não-determinadaprovocou os pesquisadores na época da divulgação dos resultados, em seminários e mesas-redondas (2010-2012). Seria esse dado um reflexo dessa identificação genérica como evangélicos que não se filiam a uma igreja, circulando entre as diferentes ofertas religiosas? Alguns pesquisadores apontaram o que se chamou de uma “macro-identidade evangélica” (GRACINO JUNIOR & MARIZ, 2013). O argumento é pela participação dos evangélicos em eventos públicos o que pode significar a unidade em torno da identidade “genérica”, unidos por um projeto na esfera pública, ocupando espaços e conquistando visibilidade. Há também análises que destacam o trânsito “intra-evangélico” (FERNANDES, 2011, p. 120), com novos modelos de pertencimento religioso,

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particularmente entre os jovens e suas denominações e como ocorrem as migrações entre denominações e até no diálogo entre grupos carismáticos católicos e os pentecostais (MARIZ & SOUZA, 2013). Como argumenta Regina Novaes (2010), neste caso os evangélicos não-determinados apontaram a possibilidade de “ampliação de iniciativas e projetos políticos e religiosos que fortalecem a identidade evangélica única e pode ter contribuído para este tipo de resposta”, a de evangélico, reforçando a concepção de que todas “as igrejas fazem parte de uma mesma religião” (MARIZ & GRACINO JÚNIOR, 2013, p. 165). Se no catolicismo encontramos uma religião “polissêmica e cheia de debates internos” (MACHADO & MARIZ, 1997, p. 23) que é sustentada pela hierarquia e tradições, entre os “evangélicos” teoricamente ocorre o contrário. No entanto, podemos pensar na unidade através de suas crenças, práticas, discursos, de uma tradição ancorada no princípio protestante, como na ética salvacionista, pois “o protestantismo é par excellence, e radicalmente, uma religião de conversão individual” (PIERUCCI, 2006, p. 29). Assim podemos entender a identidade de forma relacional, processual e dialética. Ser evangélico em um primeiro instante se definiu sempre em relação ao ser cristão não-católico. A categoria “evangélico” é usada desde o século XIX 7 para identificar os protestantes contra os católicos. O Censo do IBGE até os anos 80 utilizava o termo “protestante” e em 1991, com assessoria do ISER e outros pesquisadores passaram a usar “evangélicos”, distinguindo apenas tradicionais e pentecostais. Se a identidade se define a partir do confronto com o outro, diante da globalização, os atores sociais acabam reforçando sua identidade como forma de resistir aos processos de descentralização dos vínculos tradicionais em uma identidade como projeto (CASTELLS, 2002, p. 22).

Fluxos internos, formas de pertencimento e disputas de legitimidade

A pesquisa em seu atual estágio aponta que os metodistas se autodeclaram como “crentes” ou “evangélicos”, ou seja, se identificam ao universo evangélico em momentos dos cultos e nas aulas da classe bíblica, apesar de em alguns momentos discordarem de algumas práticas, em particular com o neopentecostalismo e seu aspecto

7 Cf. periódico protestante do século XIX, “Imprensa Evangélica”. Segundo pesquisa na base de dados a expressão “evangélicos” aparece 318 vezes, em artigos e reportagens envolvendo protestantes em diferentes situações.

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mágico/encantado. Também usam a categoria nativa “igreja” fazendo alusão ao corpo de Cristo, uma realidade mística, do qual se sentem participantes. Vejamos alguns relatos.

Em uma das aulas da Escola Bíblica Dominical na Igreja Metodista da Penha, o

professor J. comentou sobre as práticas de cura e campanhas das outras igrejas. Alertava

aos alunos dizendo: “O misticismo

a Bíblia diz e ponto! Não importa os movimentos que dão certo. Cuidado com

o misticismo!”. Mencionava as “campanhas” feitas pela IURD e as demais igrejas neopentecostais termo usado por ele claramente para distinguir a igreja. Seu discurso dizia que as práticas iurdianas eram influenciadas pela cultura afro-brasileira, pela miscigenação que “mistura” no meio evangélico elementos da “matriz religiosa brasileira”. Sua resposta a este fenômeno era enfatizar as doutrinas universais do cristianismo como a centralidade de Cristo (cristologia) como único caminho de mediação entre deus-homens, que segundo ele “o homem não vai sozinho ate deus” 8 .

Se as campanhas estão dando

certo, etc

vamos ter cuidado

Também os escândalos e declarações de lideranças políticas e religiosas têm provocado debates na sociedade que colocam em pauta discussões éticas e morais preocupados com aspectos morais envolvendo “evangélicos”. “Evangélicos na política”, “evangélicos no espaço público” ou “evangélicos na mídia”, expressões que remetem a uma identidade geral evangélica? É possível que a experiência religiosa evangélica tenha deixado de lado a importância da pertença denominacional em detrimento de uma identidade única, ou como um ecumenismo evangélico através de “trocas ecumênicas” (MARIZ & SOUZA, 2015), como ocorre entre pentecostais e católicos carismáticos? Estas são questões importantes para se pensar diante da visão genérica dos “evangélicos” e colocamos no mesmo grupo Silas Malafaia, Edir Macedo, Benedita da Silva, Anthony Garotinho. Talvez isso cause um incômodo interno entre os evangélicos de diferentes segmentos.

Assim como encontramos tensões, também há a circulação de práticas e saberes do universo evangélico-pentecostal entre as igrejas. Na Igreja Metodista da Penha acontece o culto de libertação, típico de igrejas pentecostais/neopentecostais, que lá é chamado de “Quarta do Clamor”. É um culto com propósito específico de oração e solução de problemas. Em maio (2016), durante o “mês do trabalhador”, o pastor lançou uma

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“campanha” onde a igreja neste culto de quarta-feira entrou em propósito de orar pela vida financeira das pessoas 9 . Elementos como campanha, libertação, cura, propósitos e correntes já não são mais exclusividade do pentecostalismo. Ou o pentecostalismo estaria se tornando essa cultura evangélica disseminada entre as comunidades?

Figura 1 Chamada da Campanha do Trabalhador na internet

1 – Chamada da Campanha do Trabalhador na internet Como dito, e stas “campanhas” são práticas

Como dito, estas “campanhas” são práticas de cultos comuns, podem ser vistas em outras igrejas evangélicas e parecem ser uma releitura das campanhas e correntes feitas pela IURD e neopentecostais, porém, resignificadas. É possível a hipótese de que a presença pentecostal esteja viabilizando através deste denominador comum compartilhado por protestantes históricos, neopentecostais e outras demais igrejas evangélicas locais (igrejas pequenas, denominações congregadas em um único templo), favorecendo a identificação genérica de “evangélico”. Isto ocorre quando o interesse for reforçar a presença da religião na sociedade, independente de sua denominação ou segmento. Se partíssemos dos pressupostos da filosofia da linguagem, onde Wittgenstein afirma que “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo” (WITTGENSTEIN, 1968, p. 5-6), deparar-se com o universo evangélico é estar diante de uma babel de significados que revelam uma complexidadeque pode ser compreensível se compararmos a através dos usos, disputas de como esses símbolos são compartilhados através das trocas entres os diferentes segmentos do campo evangélico. Essa “babel” de nomes e tipologias constitui a complexidade presente na identidade evangélica atual que

9 Este parece não ser um fenômeno isolado. Acompanhando igrejas metodistas em outras regiões percebi que também ocorrem casos como esse, de propagandas de cultos seguindo o estilo de igrejas pentecostais, como acontece na Igreja Metodista de Ouro Preto, onde estive algumas vezes à lazer em 2014 e pude observar na

igreja situada bem no centro histórico, conforme imagem no anexo. Pesquisando nas redes sociais esse cultos

continuam

38/1981416765422593/?type=3&theater (acesso em20 jul 2017)

Cf.

acontecendo.

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desafia compreender essa “gramática pentecostal” (VITAL, 2009; 2008, p. 37) que pode estar relacionada a construção de uma identidade evangélica hegemonicamente pentecostal, com suas disputas e acomodações entre atores religiosos.

No censo as igrejas neopentecostais são acomodadas em “evangélicas de origem pentecostal” (IBGE, 2010), onde a maior denominação é a Assembléia de Deus com 12.314.410, quase a metade de todos os pentecostais incluindo. A categoria neopentecosal surgiu no meio acadêmico e como foi vista pode ser acionada como forma de distinção em alguns casos entre os fiéis que não querem ser identificados com a IURD. Um dos meus informantes atuais, na Igreja Metodista da Penha explicando sobre a dinâmica da igreja, dizia concordar com o pentecostalismo, mas não com as práticas neopentecostais, inclusive em uma de suas aulas na classe dominical fazia associações usando como exemplo as práticas neopentecostais comparando com as religiões de matriz africana. Talvez essa distinção não seja tão declarada entre os fiéis ao ponto de utilizarem as tipologias, mas como veremos, as práticas neopentecostais geram discussões entre os nativos, como apontam mais adiante os dados de campo.

Tanto pentecostais clássicos, neopentecostais, protestantes históricos continuam sendo tipologias importantes, mas não dão conta diante da diversidade. Elas são acionadas internamente como elemento de distinção, principalmente os setores mais intelectuais que não gostam de serem associados aos pentecostais e principalmente aos neopentecostais. Recuperar a trajetória dessas tipologias significa compreender os motores que impulsionam suas apropriações, de como elas podem operar nas disputas internas pela constituição da identidade. As tipologias são nativas e podem ser usadas para produzir disputas em torno da identidade quando internamente mobilizadas como forma distinção do evangélico “genérico”, evitando a identificação genérica de evangélico e crente. Como no caso recente que pude observar as comemorações sobre os 500 anos da Reforma protestante por uma igreja de tipo pentecostal na cidade de Niterói 10 . Certamente esse não é um exemplo

10 Por exemplo, este ano (2017) se comemoram os 500 anos da Reforma Protestante. Circulando por algumas igrejas percebi que as comemorações sobre a Reforma não estão restritas ao universo das igrejas históricas e reformadas (neste caso, presbiterianos e luteranos acentuadamente). Observei recentemente na Igreja Evangelica Projeto Agua da Vida, em Niteroi a realizacao de um seminário teológico sobre os 500 anos da Reforma, com palestras todos semanais no mês de Junho. Estive em dois cultos dominicais nesta igreja e chamou atenção um anuncio do evento Intrigante e pensar que essa igreja teve sua origem a partir da ruptura de pastores da Igreja Batista do Calvario, uma igreja tradicional (histórica) no centro de Niteroi. Os fundadores contam queo “projeto” começou com um trabalho de evangelização, ainda na igreja batista que

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isolado, podendo ser observado outros casos semelhantes. Neste caso podemos questionar os diferentes motores que levam a esses grupos acionar a identidade reformada. Estamos

diante de um campo religioso complexo. Temos desde protestantes históricos lutando para manter sua tradição e igrejas de diferentes orientações, vindas de igrejas históricas e como

o caso recente da Igreja de Nova vida que nasceu pentecostal e passou a assumir a

identidade reformada, aderindo aos símbolos da Reforma como ênfase no ensino e na teologia e liturgia tradicional (FERNANDES, 2017). Ainda recentemente, com as comemorações da Reforma o pastor Silas Malafaia se posicionou defendendo a reforma protestante nas suas redes sociais, buscando legitimidade do seu discurso como evangélico abordando as contribuições da reforma para o mundo, atacando os “esquerdopatas” ao disputar com estes noções como direitos civis, liberdade religiosa, estado laico e buscando legitimar a imagem dos evangélicos usando a reforma protestante.

Os metodistas e os limites das trocas: Operadores de aproximação e distinção em torno identificação evangélica.

A identidade evangélica entendida também está relacionada com o discurso em

torno de um projeto de poder onde os símbolos são constituídos de “condições discursivas

e não discursivas que produzem e tornam significativos uns em oposição aos outros”

(MONTERO, 2010, p.260). Ao ser questionado sobre a IMP ter se tornado pentecostal, meu interlocutor J. afirmou que a igreja metodista era “carismática” 11 . Sua definição

parecia querer se distinguir da ênfase nas bênçãos, na busca por curas e não no compromisso com a igreja local, como uma igreja de dons perto do pentecostalismo, mas não pentecostal.

Os relatos a seguir são descrições feitas a partir de trabalho etnográfico na igreja metodista localizada na Penha, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, entre junho de 2016 e Março e 2017. A IMP fica na esquina da Rua Belizário, atual rua da feira 12 e próximo da igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), famosa pelo pastor Silas Malafaia.

consistia em distribuir copos de água mineral nas praias da RegiãoOceânica de Niteroi e junto entregavam panfletos com mensagens bíblicas, fazendo referencia clara a imagem nos evangelhos que descrevem Jesus Cristo como a “água da vida”, no trecho onde os evangelhos narram a historia da mulher estrangeira que ia pegar água no poço e Jesus prega para ela.

11 Apesar de um informante ter feito referência ao neopentecostalismo, não é muito comum o seu uso, quase nenhum na verdade. A pessoa que citou o termo é professor da Escola Bíblia.

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Em 2010 houve a mudança da feira que acontecia na Rua Montevidéo que fica paralela a Belisário. Durante este período, discussões em redes sociais e nas ruas entre moradores e comerciantes, alguns criticando e outros apoiando a migração. Os comerciantes da Rua Montevideo reclamavam pela perda de circulação de pessoas indo para a igreja, enquanto os moradores apoiavam a remoção pela sujeira causada. A mudança de rua ilustra como a visibilidade dos evangélicos reflete disputas entre os atores sociais. Entre algumas discussões entre as pessoas locais é notável a associação da remoção com a influência política religiosa de Silas Malafaia. No facebook entre os comentários um “meme” postado reunia Silas Malafaia, Waldomiro Santiago, Edir Macedo e R.R. Soares com a frase “Jesus é o caminho, eu sou o pedágio”, exemplo de como se pode perceber, da visão negativa dos evangélicos endossada pela repercussão negativa das práticas da IURD ressoando sobre os evangélicos.

das práticas da IURD ressoando sobre os evangélicos. Durante a pesquisa de campo na Igreja Metodista

Durante a pesquisa de campo na Igreja Metodista da Penha, percebi alguns aspectos que chamo de elementos operadores de resistência. São momentos onde surgem discursos nas aulas e cultos enfatizando rupturas com as práticas neopentecostais. Estes fenômenos observados refletem resistência, operando modulações, onde os atores enfatizam rupturas e acomodações de símbolos do universo evangélico. Entre estes elementos quero destacar a magia e o universo de crenças encantadas de origem neopentecostal relatadas na escola bíblica e pregações.

Um caso é da aluna 13 que conta ter passado pela Universal por ocasião da sua conversão. Dizia “quando me converti, fiz uma corrente na IURD, quebra de maldição da

13 Alguns nomes não foram registrados, pois estava preocupado com os relatos. Quando houver registro colocarei uma letra abreviando para manter o sigilo, e quando for algo que possa ferir princípios éticos de pesquisa, o nome será ocultado por completo, fazendo referências genéricas que não identifiquem os indivíduos.

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mãe de santo e casamentos desfeitos” 14 . Nisso comentou quem não fez?”, o professor da classe, com a naturalidade de uma prática comum no meio evangélico. Porém, no decorrer da aula ele fez críticas que não reprovando totalmente enquanto tentava de alguma forma remodelar a prática, mediando a legitimação pela Bíblia.

A maldição hereditária existe, está na bíblia (

nós

somos responsáveis pela nossa atuação. O que te condena à morte é o seu pecado. Wesley era muito claro nisso. 15

Assim como a atuação

maligna. O problema é quando colocamos tudo na culpa do maligno

).

O tema provocou debate que foi seguido de constantes intervenções de J. na tentativa mediação, sem negar totalmente a crença na maldição, porém, operacionalizando a partir de referências Bíblicas 16 , que eram sobre a história de Jó.

não da

maldição. Isso é uma teologia, da libertação [Falava da libertação, no começo pensei na teologia da libertação, mas ele falava da libertação da maldição, referindo-se a doutrina da IURD, de cura e libertação], a partir dos anos 90. (idem)

A quebra da maldição tem que ser feita a partir da conversão

Justamente nos anos 90 começam a ganhar expressão a IURD e suas práticas de cura e libertação, que se difundiram certa imagem dos evangélicos na sociedade. A aluna continua comentando, agora, dando importância a essas práticas: “por isso que nas igrejas tem trabalho de libertação, mas as pessoas não querem. É preciso perseverar. Os crentes não vão para o trabalho de libertação, de quebra de maldição e propósito”. Ela fazia aqui uma referência aos crentes que não freqüentam os trabalhos de suas igrejas. No trecho acima ela diz acreditar na maldição hereditária, mas que a forma de “ser quebrada” era manter assiduidade e compromisso com a igreja, que segundo ela precisa ser feita através da “conversão” 17 , ou seja, não de forma mágica, mas através do compromisso moral e afetivo, na mudança do sentido existencial da pessoa através da virada dramática(MAFRA, 2000). A forma como a aluna modela sua crença reflete a complexidade desses operadores e indicam que a maldição e a cura são elementos que transcendem aos limites denominacionais. A quebra de maldição e trabalho de oração parecem ser práticas de

14 Diário de Campo, 22.1.2017.

15 Diário de Campo, 22.1.2017.

16 Os textos eram Jo6:44; 6:66; Jo 14:17

17 Uso a categoria conversão conforme Mafra definiu “associada a um processo de virada dramática na trajetória individual, em que "ego aceita um conjunto de crenças que questiona as estruturas cognitiva e de ação anterior ou em que ele retoma um conjunto de crenças e compromissos contra os quais um dia havia se rebelado" (MAFRA, 2000).

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origem pentecostal que se difundiram no cenário evangélico. Contudo, esta assimilação é modulada com referências e críticas ancoradas na Bíblia. Neste caso, a maldição não pode ser desacreditada, pois a Bíblia fala de maldição. A Bíblia nessa perspectiva opera como um “papa de papel”, e sua leitura literal funciona como um dogma: Está escrito, está na Palavra, usada com “P” maiúsculo.

O professor argumentava mediando o lado mágico da “maldição hereditária” com referências éticas e morais; por exemplo, um momento quando discutia a hereditariedade de vícios como bebida e cigarro, enfatizava não apenas o aspecto espiritual da cura e libertação como ocorre nas igrejas neopentecostais. A saída é a busca subjetiva, conciliando o desejo individual inspirado por Deus, como um processo envolvendo aspectos morais, do desejo e esforço subjetivos. Neste processo de cura a vontade humana conciliada com a vontade divina aponta um processo mais complexo que um ritual de cura e exorcismo. Dizia ele: - “Esse desejo de ser melhor, até ele, vem de Deus. O homem não consegue por si mesmo buscar (ser bom, fazer o bem por si)”. No debate eram feitas referências muito plurais e complexas.

A seguir outra aluna, metodista desde sua juventude, explicava uma possível origem dessa crença na maldição na igreja. Segundo ela até os anos 70 predominava na igreja metodista a ênfase no que parece ser o discurso onde tudo era voltado para salvação da alma. A partir da cisma causada pelos grupos pentecostalizados dentro do metodismo, surgiu a Igreja Wesleyana, e desde então a metodista histórica passou a “permitir o erro” (palavras dela) de incorporar práticas neopentecostais nas igrejas, tentando assim explicar para a turma como entraram essas práticas na igreja metodista.

Aluna: Eu acredito em maldição hereditária. A genética diz isso, no caso do alcoolismo, a antropologia social, quando a vivência da pessoal faz reproduzir o comportamento. Na Metodista nos anos 70, pregavam que você vai para o inferno. Outros começaram a pregar mais o amor, isso dividiu a Igreja e surgiu a Wesleyana (renovada). Essas grandes campanhas de sete dias, esse confronto com a psicologia, isso mostra o erro. 18

A discussão sobre maldição surgiu a partir do tema da aula que era o Livro de Jó. O personagem de Jó é singular na narrativa bíblica e sua história apela para um drama existencial intenso. Isto porque no relato bíblico Jó é um homem fiel e temente a Deus,

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como “nunca visto na terra” (Jó, cap1, vs. 1-8). O livro evoca uma narrativa trágica, pois Jó, mesmo tendo sido “fiel e justo”, sofreu perdas terríveis. A narrativa aponta para uma relação que confronta a equação de bênção e maldição como apresentada na cosmologia neopentecostal, que prevê uma vida de bênçãos como resposta à fidelidade dos homens. Essa é a teologia da prosperidade presente no neopentecostalismo. As discussões apontaram que não estavam de acordo com a teologia neopentecostal. Para J. “o ponto é a

os sete dias (falava das campanhas de oração

pregada nas igrejas neopentecostais). Isso é o perigo. O que liberta mesmo é a conversão”.

questão do misticismo, esse é o perigo

Conversão, termo nativo que fecha o ciclo deste debate, que não descrê totalmente da maldição, mas que acredita no caminho da salvação em Cristo como a solução para o problema

Em outra aula 19 o assunto (continuando o texto de Jó) foi o sofrimento. Sofrimento, amizade e fé eram temas presentes na narrativa de Jó e foram explorados na aula. Novamente a discussão recaiu em torno das práticas neopentecostais. Segundo J., estas eram “relações de causa e efeito. Para os neopentecostais tudo é a relação de causa e efeito”. O tema da aula falava do sofrimento e a vontade de deus como contrários a teologia da prosperidade. Surgiu uma questão sobre pessoas em pecado que prosperam na vida. Criticavam discursos dos crentes de hoje: “Pessoas ainda hoje vivendo a teologia da prosperidade, dizendo que deus não é justo, eu tô sofrendo e os ímpios passando bem. Colocam deus contra a parede”. Por sua vez o professor apontando a soberania divina, dizia “Deus é soberano em suas decisões na vida de Jó”, e seguia afirmando que “entender o sofrimento de Jó é um pouco o que foi o sofrimento dos escravos africanos ali, cantando e esperando o porvir”.

No meio deste debate sobre práticas do pentecostalismo na igreja, uma aluna lembrou um evento histórico da igreja na tentativa de explicar como entraram na metodista essas crenças pentecostais. Segundo ela foi “no final dos anos 90, importamos para nossas igrejas os Encontros (Encontrão), mas não deu certo” 20 . Este movimento teve início na

19 Diário de Campo, 2.4.2017

14

Igreja Luterana, como mostra um site que parece ser página oficial do movimento, que parece relatar a necessidade de um “avivamento” na igreja. Segundo o site o movimento transcendeu os limites da denominação e os limites da germanidade, o que é interessante considerando a Igreja Luterana ter sido por um tempo uma igreja étnica em algumas regiões do país.

A partir do ano de 1965 chegaram missionários norte-americanos que falavam de um Deus que está perto, próximo de nós. A proposta de evangelizar, discipular e capacitar fez com que o trabalho transcendesse os limites da membresia tradicional e formal da comunidade luterana e, assim, também da germanidade. O despertamento nas comunidades passou a agregar leigos, pastores e estudantes de teologia também de outras origens a este movimento que se reunia informal e espontaneamente. Logo se viu a importância de juntar as pessoas das mais diversas localidades e comunidades para celebrarem os feitos de Deus em suas vidas e juntos buscar por novas estratégias a fim de que isto se espalhasse com maior força por todos os rincões do nosso país. Grandes encontros reuniam estas pessoas e nascia assim o Movimento Encontrão, informal, horizontal, transparente, estando a serviço da ação de Deus na prática da evangelização, na vivência do discipulado e no objetivo da edificação da Igreja. 21 [Grifos do autor].

Entre os metodistas esses encontros ocorriam em um acampamento de jovens. A aluna criticava dizendo que “muitos foram no Peniel e foram altamente impactados e hoje estão fora da igreja”, comentava falando de metodistas que aderiram ao movimento e que mesmo a incorporação deste “reavivamento” não impediu o “esfriamento desses jovens” que parecem ter se afastado da igreja. O professor concordava dizendo que “hoje os movimentos na igreja falam de avivamento, um encontro glorioso, mas é na rotina que o

encontro amadurece, como no casamento, é na rotina que as arestas são aparadas

igrejas de fast-food.Precisamos nos preparar e ser crentes no cotidiano” 22 . Ser crente aqui

parece remeter a um pertencimento total ao campo evangélico, onde as críticas sobre falta de compromisso dos fiéis, em geral, afetam a sua imagem, pois se identificam neste sentido como crentes também. Além do relato sobre os Encontrões e a avaliação negativa sobre a onda de avivamentos que as igrejas históricas aderiram, criticava as “campanhas” que as igrejas fazem neopentecostais, apesar da metodista ter um culto com práticas semelhantes como vimos.

São

O cenário anterior aponta várias questões. Destaco aqui o aspecto da resistência e

21 Cf. https://me.org.br/historia-2/ 22 Diário de Campo, 22.1.2017.

15

da modulação, a forma como operam a cosmologia pentecostal modelada pelo referencial ético ligado ao protestantismo histórico, com a Bíblia e contextualização dos eventos religiosos. Apesar disso, essa postura não impede a entrada de outros elementos. A própria Escola Dominical passava por esse processo. Em uma das aulas comentaram que a igreja usava material didático de outras denominações, como disse um aluno.

A gente estava usando material de outra igreja, outras doutrinas e

costumes, o bispo decidiu usar material metodista, havia escolas de líderes,

Já teve pastores usando outros Mas não tinham coragem. Ai o

bispo decidiu implantar o sistema metodista [no ensino da igreja]. 23

ficou decidido usar material metodista ministérios e abandonando a metodista

Outro aspecto importante na metodista da Penha é o papel do professor J., que mostra grande empenho em preparar as aulas, pesquisando em livros de teologia além do uso das revistas 24 . Em outra aula ele comentava sobre a Reforma Protestante. Dizia que “nós precisamos de uma reforma dentro da igreja. O cristianismo tem se miscigenado, a rosa, o copo com água, misturou com as religiões afro-brasileiras. Cristianismo está ligado com o espiritismo, rosa ungida, isso não é cristianismo” 25 . Contextualizava com a lição da revista que falava dos hebreus no exílio e como eles foram misturando os deuses. Desenhava a linha do tempo no quadro e explicava o contexto histórico do texto. Outro momento em que apresenta a resistência aos elementos mágicos do universo

neopentecostal. Afirmava ainda que “ecumenismo não é de deus

pode ser politicamente

correto, mas não é de deus”, sobre a mistura das práticas religiosas. Citou como exemplo da semana santa, que tem “gente que ainda não come carne, não varre a casa”. Neste momento uma aluna questionou: “O que fazer quando uma pessoa traz a roupa de um familiar seu para ser orada?” (Ao me informar descobri que tinha vindo da IURD). “Basta você orar, a roupa é apenas um ponto de contato”, respondia um colega da turma. Algumas pessoas desta classe, como o professor e outros alunos já passaram anteriormente pela Universal. Segundo J. , ele se converteu faz dois anos na Universal e depois veio para a metodista.

23 Diário de Campo, 12.3.2017

24 Não existe curso para formação de professores. Em geral a esclolha ocorre na igreja local. Na IMP o antigo professor era um pastor emérito, que aposentou-se e ficou lecionando. Faz uns dois anos que J. assumiu a classe, parece que indicado pela comunidade mesmo. As revistas usadas são elaboradas pela igreja nacional, que possui um departamento de escola bíblica, onde inclusive uma das responsáveis é A., ex-colega do Bennett e atualmente está na Pós-Graduação em Ciências da Religião na UMESP, e se não me engano entrou no doutorado recentemente.

25 Idem.

16

Se por um lado os debates das aulas apontaram uma resistência a cosmologia neopentecostal, nos cultos temos uma igreja operando práticas e se utilizando de seus símbolos em discursos que as aproximam. Primeiro caso são as músicas do ministério de louvor, que poderia dividir em dois tipos. Uma são “corinhos”, composições que se popularizaram entre as denominações evangélicas nos anos 80. Temos hoje artistas famosos como Kleber Lucas, Cassiane, Aline Barros que são produtos dessa época. Esses “corinhos” são mais conhecidos e cantados por toda a comunidade. O segundo caso são as músicas atuais que em geral são da Lagoinha, banda que surgiu da Igreja Batista da Lagoinha, que fazem muito sucesso atualmente.

Ocorre um cuidado na escolha das músicas, quanto a sua mensagem teológica, que em conversa J. diz ser exigente na escolha, chegando a se recusar a tocar algumas músicas por trazer alguma heresia. Mas o ministério de louvor certamente é um desses elementos simbólicos onde podemos visualizar essa identificação com o universo evangélico, tendo em vista a metodista não utiliza mais o hinário tradicional (Hinário Evangélico) e também não conta mais com o coral e piano/órgão como eram recorrentes em igrejas de tradição histórica. Agora o culto traz a banda de louvor que acompanha todo o ritual, desde o prelúdio instrumental, as mensagens e orações, até o encerramento.

O perfil dos cultos já demonstra que há uma identificação, ocorrem processos que operam esses elementos marcantes do mundo pentecostal na igreja com o culto uma liturgia livre. As partes do ritual momento de perdão, intercessão, sermão, louvor - mas sem o folheto impresso, dando maior liberdade do dirigente que no decorrer do ritual pode demorar em um ou mais momentos. O louvor e a orações espontâneas, a linguagem e a gramática pentecostal presente nos momentos onde a comunidade “aplaude ao Senhor”, em gritos de “Glória!”, “Aleluia!” e gestos levantando as mãos para abençoar e receber a bênção, criando um ambiente que reforça o pertencimento coletivo. Aquilo é um culto evangélico.

O louvor já mencionado é o elemento “dinamogênico” que “transporta rapidamente a um extraordinário nível de exaltação”, como destacou Durkheim (1968, p. 310 apud WEISS, 2013). O grupo de louvor constitui o “ministério de louvor” e participa ativamente durante todos os momentos da celebração. O formato da banda tem três vocais femininos, um tecladista, bateria e baixo. A maior parte do culto é dirigida por eles, que entre um hino

17

e outro fazem orações e ministrações (momentos de ênfase na oração espontânea acompanhada por instrumental). Frases convocando os fiéis a “estar de coração quebrantado diante de Deus”, parafraseando a letra das músicas com orações. Neste mesmo culto uma irmã foi convidada a cantar um hino com playback em CD. Podemos considerar CDs, DVDs e livros como mediadores de elementos dessa identidade evangélica? A música constitui um elemento que segundo Anthony Seeger (2008) pede ser analisada a partir do campo semântico dos membros da sociedade. O momento onde é usada no culto, seja na liturgia tradicional e nos cultos pentecostais, os usos das letras, ritmos, mensagem e sua relação com o ritual refletem esses operadores da identidade que apontam aproximações entre os atores religiosos em torno de uma cosmovisão evangélica, nas igrejas e em eventos públicos. A mesma canção (um “louvor”, forma nativa de se referir aos cânticos) pode se adequar aos cultos e em eventos de entretenimento evangélico (gospel) dentro e fora da igreja: A mesma musica presente no ritual, culto e show? Sim, pois nesta perspectiva evangélica todos esses espaços são sacralizados pelo ritual do culto. Outro caso é quando não-crentes escutam essas músicas. Seria este um indicativo de novas formas de identificação religiosa com o universo evangélico que se pluraliza junto com a modernidade? Talvez sim, se considerarmos que a música enquanto elemento de análise social pode ser capaz de modular essas formas de pertencimento.

A performance, a audiência e os horários de performance podem ser usados para construir um conjunto de expectativas sobre a música na comunidade. Alguns tipos de música, no entanto, serão apropriados a diversos locais, tempos e audiências. Pode ser que o jazz seja executado em uma sala de concerto na universidade, em um clube noturno, em organizações fraternais e em distantes bares para audiências formadas por uma mistura de idades e sexos. Se o pesquisador persistir, ele ou ela descobrirá que o jazz se iniciou em um tipo de estabelecimento e se deslocou progressivamente para outros lugares ao longo do tempo. (SEEGER, 2008, p. 255)

No entanto, nos discursos 26 o pastor faz duras críticas as “igrejas evangélicas”. São falas duras contra corrupção e imoralidade da igreja, sempre se referindo ao “corpo de Cristo”, sem referência a alguma denominação ou segmento. Dizia em alguns casos que “que a igreja evangélica estava crescendo, mas o roubo, o adultério não tem diminuído, alguma coisa está errada”. O que chama atenção é que, apesar da crítica, seu discurso não distinguia a identidade metodista das outras, apesar de enfatizar a corrupção a conduta

18

moral das “igrejas evangélicas”.

Se por um lado ele criticou elementos que certamente são reconhecíveis na cosmologia neopentecostal, por outro, é perceptível que a distinção não seja tão radical ao ponto de não querer ser identificado como evangélico. Talvez isso reflita nas falas que apontam sempre os erros “das igrejas evanngélicas”, identificando-se como tal. Como em outro momento ele argumentava: - “Se a ética cristã está crescendo, alguma coisa está errada, as pessoas não estão seguindo direito os ensinamentos de Jesus”. A figura de Jesus é importante neste sentido, pois ela reforça a imagem da “Igreja como Corpo de Cristo”. Independente de denominações há a possibilidade de que mesmo criticando esses atores em seus discursos, há uma identificação com o universo evangélico, reforçando alguns aspectos éticos e morais, como um projeto de disputa identitária pela purificação da imagem evangélica na sociedade, manchada pela visibilidade dos segmentos neopentecostais como a IURD e por personalidades evangélicas no espaço público. No discurso 27 o pastor da igreja usa expressões que enfatizam claramente essa análise. Dizia que “é muito fácil ser crente, ser evangélico”. Criticava a superficialidade

dos evangélicos de hoje que “só querem ser felizes, mudar de vida para melhor

fácil ser crente”. Citava o exemplo dos jovens na história de Daniel, texto bíblico que foi usado na pregação, quando exortava sobre a superficialidade do relacionamento com Deus nos dias de hoje seria a falta de compromisso com a igreja local? No geral, seus argumentos apontavam que algumas pessoas diante da dor abandonam Deus e a igreja. Exclamando com intensidade questionava “onde está sua fé?” ou “você segue a Jesus independente de qualquer coisa?”. Seu discurso falava de aspectos da moral evangélica que mostrava não ser rigoroso em alguns costumes, como sobre bebida p. ex., dizia que “a questão não é o vinho e a bebida, a carne, o que comer ou deixar de comer, mas o que temos guardado e vivido”, e continuando, enfatizava a da mudança interior, da virada dramática na conduta de vida: Será que se hoje nossas vidas virarem de ponta cabeça ainda somos capazes de cantar eu me prostro a você e me rendo a ti?”. As referências continuam operando de um modo onde as críticas incluem a própria metodista no campo evangélico. Ao reclamar que “tem gente que vem pra igreja porque Jesus vai resolver seus problemas”, ou em momentos onde questiona que “existem em nosso meio pensamento cruel, de que se você está com deus, tudo vai bem”, percebe-se ao mesmo tempo distinção

Hoje é

19

entre a igreja local diante da expansão neopentecostal. Contudo, em outros momentos o discurso remete a um sentimento de pertença a esse universo mais amplo, quando diz temer que este “pensamento” neopentecostal presente na “igreja brasileira”. As questões encaminhadas no final do sermão apontavam a relevância de uma identificação com este universo evangélico na esfera pública, que o tempo todo é enfatizado na necessidade de cuidar do testemunho da “igreja” na sociedade. “O que é ser convertido? O que é ser evangélico?”, colocava essas questões fazendo referência ao testemunho dos “crentes” na sociedade. Ao finalizar a mensagem o pastor continuou exortou dizendo que

“no dia que Jesus chamar não haverá bandeira de igreja, de

no céu não vai ter ministério de louvor, só porque

colocou o nome no rol de membros, não significa nada. Sabe qual o grande problema das igrejas evangélicas, é que elas perderam a essência e a

relevância”.[Grifos do autor]

denominação,

Em outro culto abordava o “avivamento da igreja” com dura crítica aos “atos proféticos”, em linhas gerais, os mega eventos como as “Marchas para Jesus”. Seu tom de reprovação mais uma vez não revela uma total ruptura, mas sim a necessidade expressada pela angústia de seu discurso em tom grave, emocionalmente intenso, que parece agonizar ao denunciar esses desvios como a falta de ética, a barganha da prosperidade e o utilitarismo da fé.

Ah! Deus está derramando o avivamento sobre o Brasil! O Brasil é o celeiro do avivamento! Durante muitos anos ouvimos isso! Quantos não ouvimos isso? Mas cadê a Igreja?!”. [Dizia gesticulando]. “Mas a igreja quer carregar a glória de deus e faz louvores lindíssimos. As igrejas andam bradando grandes eventos, shows, eventos de louvor e adoração que eu adoro! só que tem um detalhe. Os filisteus falam, vamos ser perseverantes! E os filisteus vão para a guerra. Só que quando vamos para a guerra sem o nosso deus. Você sabe o que está acontecendo com a igreja? Está cheia de herdeiros da unção. Acham que unção você pega no ar. Mas unção começa com a ação do espírito santo em nós!Os CDs que mais vendem no Brasil são gospel. Grande coisa! Se para cada CD tivesse um joelho dobrado. Há muito show e pouca consagração!”. 28

Diante de um relato como este, é difícil delimitar distinções claras entre os evangélicos. Uma igreja tradicional metodista, um culto com perfil pentecostal com forte influencia da música gospel e discursos que não enfatizam com clareza rupturas, entre históricos e pentecostais. Apesar das críticas os elementos são operados de forma que ainda os atores se identificam como evangélicos. Outro aspecto é a noção nativa de igreja, que

20

remete a uma elaboração presente na cosmovisão religiosa, como a fala final de um dos sermões: - “Ou a igreja do senhor no Brasil caminha pela via da unção ou caminha para a vergonha. Se não tiver santidade vai passar por maus pedaços”.

Em trabalho recente indicamos que o avanço dos pentecostais no espaço público e as “trocas ecumênicas” (MARIZ & SOUZA, 2015). Diferentemente do ecumenismo dos anos 60 e 70, inspirado na teologia da libertação, é possível que o avanço dos pentecostais atual possibilite pensar a partir da aproximação cultural de elementos como a música e eventos gospel o surgimento de uma identidade através das trocas entre os segmentos protestantes. Talvez esses “evangélicos não determinados” pelo Censo não sejam desinstitucionalizados, mas sim atraídos por uma identidade mobilizada a partir dos aspectos cotidianos afetivos e existenciais da vida do que a convicções intelectualizadas da teologia e doutrinários das confissões e denominações protestantes. Quem sabe os dados do Censo podem apontar através desse evangélico genérico um novo tipo de identidade religiosa evangélica?

Conclusão

Os casos descritos aqui não refletem o cenário mais amplo. Mas são bons para pensar como os relatos dos cultos e discursos possuem algumas aproximações. É interessante destacar o caso da mediação feita pelos metodistas na importância à moral protestante de tipo puritano-pietista. Ao mesmo tempo em que as igrejas, cada uma do seu modo aderiram aos elementos do cenário pentecostalizado músicas, estilo de culto, práticas carismáticas e adequações tecnológicas - elas parecem reforçar o aspecto ascético da tradição histórica. E assim da mesma forma podemos pensar ao inverso, afastando essa perspectiva do pentecostal como degeneração da identidade histórica e pensar uma ética comum evangélica a partir da aproximação das identidades em torno de agendas comuns. É possível pensar em um ecumenismo entre os evangélicos?

“Temos vergonha de dizer que somos crentes!” dizia em uma das pregações no culto o pastor metodista da Penha. No mesmo período em que comecei a pesquisa de campo descrita nesse texto, colaborei com um grupo focal realizado para pesquisa de um colega doutorando sobre evangélicos 29 . Participava como observador apenas para ver o uso

29 O encontro aconteceu no ISER que cedeu o lugar para a pesquisa. O autor da pesquisa ainda em andamento

21

da metodologia. O evento reuniu dois grupos: De um lado jovens que não professavam

crença religiosa e do outro, jovens da igreja ADVEC do Silas Malafaia, citada neste texto.

O interessante foi ver a atenção no primeiro momento quando os jovens da igreja

declararam sua pertença religiosa. “Assim foram respondendo um a um na seqüência: “Sou cristão evangélico, de origem batista”; “Sou cristão”; “Sou cristão de família católica praticante”; Sou cristão, evangélico, protestante”; “Sou convertido ao cristianismo na ADVC”. No decorrer do encontro perguntas eram feitas usando imagens envolvendo temas como aborto, gênero e política. No inicio da dinâmica havia uma clara tensão entre os

grupos, o que mudaria com uma surpresa: Ao perguntar sobre personalidades religiosas como Silas Malafia e Marcelo Crivela, ambos os grupos concordavam em seus posicionamentos contra os dois personagens.

Ao passo que as discordâncias iam ganhando clareza, os “evangélicos” faziam sua autocrítica concordando com erros apontados sobre os pastores citados enquanto que os não-evangélicos perceberam que traziam consigo um estereótipo de “evangélicos” que não condizia com o grupo. Alguns chegaram a concordar que havia “preconceito contra os evangélicos”, “que tem um padrão evangélico seguido por grande maioria” e que o “gospel se tornou meio pop”, diziam os participantes. A tensão surgiu quando as figuras dos pastores eram exibidas no projetor elucidando assim uma identidade geral evangélica que tem sido difundida e ganho visibilidade na sociedade.

As questões propostas pelo pesquisador ao grupo como gênero, ideologia política, legalização de drogas, aborto, são como “gargalos” para os evangélicos, independente da orientação denominacional, que acionam e revelam um posicionamento comum. Outro aspecto importante foi a rejeição de alguns grupos ao perfil nepentecostal da IURD, que e nos leva a questionar de qual evangélico estamos falando quando criticamos uma figura política como Crivela e Marina Silva por “serem evangélicos”. Parece que há uma estética pentecostalizada presente, como o caso da desqualificação da advogada do impeachment, Janaina Pascoal em vídeo onde seu discurso era comparado ao de pastores evangélicos.

22

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