NÃO ATIREM PÉROLAS AOS PORCOS!

Por Alberto Fragoso Dias Dantas, Pr.1,

“Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos;
caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os
despedaçarão”. (Mateus 7.6 NVI)

Os cinco versículos que antecedem ao sexto, do capítulo 7 do evangelho
de São Mateus, chama-nos a atenção para a capacidade humana de julgar o
seu semelhante. Sem dúvida, colocar-se na função de juiz é algo extremamente
sedutor, fascinante. Definitivamente, olhar para a vida alheia com o intuito de
encontrar defeitos e não virtudes é bem melhor que olhar para a própria
mediocridade.

Todavia, esquecemo-nos contudo de refletir acerca da nossa própria
conduta, quando investidos de tal função, já que o olhar lançado sobre a conduta
alheia esconde as nossas muitas imperfeições. Sim, as nossas muitas
imperfeições!

E. L. ELLISON, citando SCHLATTER, diz o seguinte ao associar o
versículo 6 aos primeiros versículos do capítulo em questão:
O julgamento que Jesus está condenando especificamente são
os nossos esforços em fazer todos se conformarem aos
nossos padrões de perfeição. Além de nós mesmos não nos
conformarmos a esse padrão, ainda estamos sujeitos a
considerar espiritualmente despreparados aqueles a quem
julgamos (grifo meu). Precisamos distinguir entre a nossa
proclamação de Cristo e nossa própria compreensão dos seus
padrões.2

1 É pastor batista desde junho de 2006, tendo sido recomendado ao ministério pastoral com
louvor em abril daquele mesmo ano, quando ainda cursava o 3º ano do curso de teologia, em
concílio examinatório na Primeira Igreja Batista de São Paulo. Formou-se em Teologia e
Educação Cristã pelo Seminário Batista Regular de São Paulo, ato contínuo, fez a validação de
créditos do curso de Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo. É ainda graduado em
Pedagogia, História, Direito e Filosofia. Possui pós graduação em Filosofia pela Universidade
Federal de Ouro Preto-MG e Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Universidade de
Mogi das Cruzes.
2F. F. BRUCE. Comentário bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. Trad. Valdemar Kroker.
São Paulo: Editora Vida, 2008. p. 1564.

ou melhor. o juiz considera espiritualmente despreparados aqueles que divergem do seu padrão espiritual de perfeição. Ed. já que aquele que quer julgar ao menos sabe o real significado do que seja o “liberalismo teológico”. já que insistir na RADICALIZAÇÃO de tal assunto só trará condenação em maior grau aos julgadores. “o pior cego é aquele que não quer ver”. XVIII e o início do séc. Ora. aquele que foi colocado no banco dos réus pelo seu algoz. pp. aos cães. muito menos atirar pérolas pra ele.16. um juiz míope. Talvez seja exatamente isso. . Ativan G. o que pensa alguém (exercendo o papel de juiz) ao associar indevidamente uma prática ministerial executada por seu semelhante de labor ministerial com o “liberalismo teológico”. Sem dúvida. que relativizava a autoridade bíblica. temos que morrer abraçados com SCHLATTER. Stanley J. Trad. 2011. O problema aqui estabelecido pelo julgador não é de contradição de termos. mas de definição de termos. não adianta dar o que é sagrado a ele. estabelecendo um diálogo convergente com a filosofia e as ciências da religião3. ainda que tal padrão estabelecido esteja teologicamente equivocado. concordando que ao agir desta forma. Neste caso. combate vorazmente a teologia liberal pois nunca relativizou a Palavra de Deus. “Mudar a forma de AMAR a Deus e ao próximo é possível!” 3MILLER. Teologias contemporâneas. ou melhor. e se assim o é. se o motivo dos próximos versículos nos levam ao assunto da oração. São Paulo: Vida Nova. é através dela que devemos pedir sabedoria para tratarmos com esse tipo de gente. 14 . L. tal movimento teológico que surgiu entre o final do séc. muito menos a diluiu com outras ciências humanas. é ferrenhamente combatido por aquele que está sendo julgado. para aos porcos. apesar da sua ampla formação em ciências humanas. Contudo. E. XX. Mendes. GRENZ.