Você está na página 1de 31
25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA mundodelivros .com 1 mundodelivros .com

25 ESCRITORES

QUE MUDARAM

A HISTÓRIA DA

LITERATURA

mundodelivros .com

INTRODUÇÃO Primeiro, muito obrigado por ter efectuado o download deste e-book. Há muitas histórias por

INTRODUÇÃO

Primeiro, muito obrigado por ter efectuado o download deste e-book. Há muitas histórias por detrás das estórias que encontramos nos livros. Personagens emblemáticas, que bem conhecemos das páginas amarelecidas de títulos guardados nas estantes, contam com uma pequena costela de pessoas reais, por vezes dos próprios escritores ou de personalidades que com eles se cruzaram.

Escrever um e-book com o título 25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA não é tarefa fácil, até mesmo para um historiador ou investigador literário. Ainda assim, fizemos um esforço para fazer uma seleção justa de autores, reconhecendo sem dúvida que muitos grandes nomes ficaram de fora.

Da prosa à poesia, passando pelo teatro: neste e-book cabem todos os géneros literários. Cuidadosamente, traçamos a biografia de 25 autores, de forma a descobrirmos as suas histórias e a perceber até que ponto a ficção não deriva realmente da realidade… ou vice-versa. Acompanhamos Dante, na sua viagem omnírica pelo Inferno, até aos amores e desamores da guerra que Gabriel García Marquez tão eximiamente nos soube contar.

Feitas as apresentações deste prólogo, só nos resta lançar o desafio: atreve- se a conhecer as histórias por detrás das estórias? Basta prosseguir para as próximas páginas para iniciar esta longa odisseia.

Para facilitar a sua vida na descoberta destes autores e os seus livros, elaboramos uma lista de 12 Livrarias Online onde pode encontrar tudo o

que deseja. Entre estantes e prateleiras

é comum perdermo-nos nas livrarias

à procura de obras que às vezes nem

sequer estão lá. Ao contrário dos mais recentes sucessos comerciais, nem sempre as raridades ou preciosidades que procuramos estão expostos com destaque logo ali na montra. Ainda assim, basta uma pequena pesquisa online para encontrar facilmente as obras que procura dentro das muitas livrarias online disponíveis em qualquer local do Mundo.

Comodidade, rapidez e facilidade em comparar preços são as principais vantagens de comprar livros online.

A juntar a estas, existe também a

possibilidade de encontrar descontos verdadeiramente imperdíveis ou promoções que nunca imaginou sequer possíveis. Depois é só encomendar e esperar que os livros cheguem a sua casa.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Para facilitar o processo de escolha reunimos nas duas próximas páginas uma lista com algumas das melhores (e mais eficientes) Livrarias Online do Mundo. E depois pode finalmente mergulhar no universo literário dos 25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA!

finalmente mergulhar no universo literário dos 25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA ! mundodelivros

mundodelivros .com

Seja digital ou impresso, a Amazon dispõe de milhares de livros na sua loja online.

Seja digital ou impresso, a Amazon dispõe de milhares de livros na sua loja online. Na plataforma, pode encontrar o mesmo título disponível em várias edições, vários idiomas

e ainda obras que estejam relacionadas com aquela que

comprou. Para quem quer comprar um livro físico, os preços imbatíveis praticados pela Amazon aliam-se a um serviço de entrega extremamente rápido para que não tenha de sair de casa para comprar um novo livro. Por outro lado, quem quiser descarregar os famosos e-books recebe

de imediato a obra no seu dispositivo de leitura. Eficiência

e rapidez, para que possa ter sempre nas suas mãos uma nova história!

mãos uma nova história! www.amazon.com www.amazon.co.uk Ao falarmos de e-books há um nome que não podemos

Ao falarmos de e-books há um nome que não podemos

deixar de fora: Kobo. Podem ser apenas quatro letras mas

a verdade é que representam uma das empresas mais

influentes do universo do eReading. Além de ser bem conhecida pelos seus sofisticados leitores de e-books, a Kobo oferece uma plataforma global de venda de livros digitais que consegue bater toda a concorrência. Esta livraria digital conta com cerca de 4 milhões de títulos em 68 línguas: desde sucessos de venda a obras auto-publicadas, revistas a livros infantis coloridos, existem títulos para todos

os gostos. Os livros da Kobo estão disponíveis no formato EPUB e PDF.

A Fnac foi fundada em 1954 e esperava, na altura, funcionar

como uma federação restrita que disponibilizava produtos de cultura a quem fosse seu sócio. Este modelo, que foi criado

em França, não tardou a espalhar-se pelo resto da Europa

e do mundo e a abrir as portas a um público mais amplo.

Hoje, a Fnac assume-se por isso como uma das maiores cadeias na venda de livros, filmes, música e produtos de tecnologia. Na sua loja online pode encontrar milhares de títulos traduzidos ou no seu idioma original. Atente ainda que a Fnac costuma fazer campanhas promocionais em

livros e, para além disso, garante 10% de desconto imediato

em livros a todos os que tiverem cartão Fnac.

Fnac . www.fnac.pt (Portugal) www.fnac.com.br (Brasil) Com uma história que remonta ao ano de 1975, a

Com uma história que remonta ao ano de 1975, a Livraria

Travessa é uma referência no Brasil devido à venda de livros

e filmes. Já foram muitos os nomes que deram a esta marca mítica, mas aquele que perdurou foi mesmo o Travessa.

A livraria foi, em tempos, cenário de movimentos de

contracultura e arte de vanguarda, abrigando poetas marginais que hoje todos conhecemos. Pela altura em que a Internet redefiniu o mundo, a Livraria Travessa decidiu adaptar-se aos moldes da nova sociedade de informação. Assim, no seu site, podemos encontrar livros e filmes em DVD ou Blu-Ray a preços imbatíveis. Melhor ainda é que os portes são grátis para todos os que fizerem compras acima de um determinado valor.

LIVRARIAS ONLINE

um determinado valor. www.travessa.com.br LIVRARIAS ONLINE Certamente já ouviu falar do jornal Folha de São Paulo

Certamente já ouviu falar do jornal Folha de São Paulo e talvez também já conheça a Livraria Folha. Mas, além do nome, o que será que estas empresas têm em comum? Ambas pertencem ao Grupo Folha e têm como objetivo divulgar informação de qualidade. Ao acedermos à plataforma online, encontramos uma série de obras dos clássicos às mais recentes novidades. Uma das principais vantagens está no tratamento personalizado e no facto de haver sempre promoções em várias áreas. Além da

literatura, há espaço para filmes e séries, reserva de bilhetes para espetáculos, e compra de discos e videojogos. Por último, há também uma área especial para quem quer viajar

e outra para jovens universitários.

outra para jovens universitários. www.livraria.folha.com.br Com quase 70 anos de história, a Livraria Cultura deve a

Com quase 70 anos de história, a Livraria Cultura deve a sua fundação a Eva Herz. O negócio começou de forma informal, como uma maneira de ganhar dinheiro e ajudar nas contas lá em casa. Mais tarde cresceu em popularidade para se tornar numa das mais importantes empresas do mercado livreiro do Brasil. Um passo importante da evolução da Livraria Cultura foi a chegada à Internet com a criação de uma loja online, onde eficiência e respeito pelo utilizador são palavras de ordem. O negócio dos livros (que agora também são digitais) continua a ser uma das principais apostas, mas

a empresa decidiu vender outros produtos, como filmes, música e jogos.

mundodelivros .com

Cidade de Santos, Brasil, ano de 1960. É neste local e momento que três irmãos
Cidade de Santos, Brasil, ano de 1960. É neste local e momento que três irmãos

Cidade de Santos, Brasil, ano de 1960. É neste local e momento que três irmãos apaixonados pela literatura decidem abraçar um novo desafio e lançarem-se no mercado

livreiro como vendedores de livros. Assim nasceu a Livraria Martins Fontes que, com o passar do tempo, acabou por crescer bastante, mas sempre com a preocupação de manter

o serviço personalizado da sua fundação. A chegada a São

Paulo ocorreu duas décadas depois da primeira abertura de loja, sendo considerado um marco muito importante para a livraria. Atualmente é possível encontrar na Livraria Martins Fontes mais de 700 mil obras literárias. Para quem

não quiser ou não puder visitar uma das várias lojas físicas, basta aceder ao site para encontrar a mesma oferta. Depois

é só escolher e esperar pela encomenda em casa.

pela encomenda em casa. www.martinsfontespaulista.com.br Com mais de 100 anos de história, a Saraiva foi criada

Com mais de 100 anos de história, a Saraiva foi criada por um imigrante português que se instalou em São Paulo. Inicialmente era apenas uma livraria que começava a ganhar terreno na venda de livros jurídicos por se encontrar junto a uma Faculdade de Direito. Ao longo do século XX, a expansão foi grande, mas um dos passos mais importantes ocorreu já nos finais dos anos 90: em 1998 a Saraiva inaugura o seu site, uma das primeiras plataformas de comércio eletrónico do Brasil. Atualmente, a Saraiva é muito mais do que uma livraria: ao entramos na plataforma, encontramos uma grande oferta de livros, mas também de outros produtos culturais, como filmes, música e até telemóveis e videojogos.

música e até telemóveis e videojogos. www.saraiva.com.br A Alibris é uma loja online que pretende fazer

A Alibris é uma loja online que pretende fazer a ponte entre o presente e o passado. Além de apostar nas mais recentes novidades da literatura, cinema e música, o site especializou-se em encontrar livros raros que de outra forma não estariam à sua disposição. Por detrás do negócio está a ideia de juntar num só sitio as informações de retalhistas espalhados por vários locais. Ao inserir o nome do livro que procura, o Alibris entra em contacto com uma enorme base de dados, onde estão armazenadas as obras de livrarias e vendedores independentes. A grande vantagem de tudo isto é que você pode encontrar facilmente o melhor preço e nem sequer precisa de sair do Alibris para efetuar a compra.

de sair do Alibris para efetuar a compra. www.alibris.com A geração dos kindles e dos iPads

A geração dos kindles e dos iPads exige novos tipos de conteúdos. A Unlimited Ebooks assume-se por isso como uma plataforma que dispõe de milhares de ebooks prontos para ser lidos em leitores digitais. Porém, em vez de dar prioridade a bestsellers que atingem os tops nacionais, esta plataforma dá enfoque a novos autores independentes, esperando promover os seus trabalhos. Com títulos que preenchem todos os géneros, desde o romance ao policial, a Unlimited Ebooks esforça-se para publicar novos ebooks diariamente. Para usufruir dos ebooks desta plataforma não é necessário descarregar nenhum aplicativo. Basta descarregar o ebook no formato que lhe for mais conveniente e iniciar a leitura.

LIVRARIAS ONLINE

iniciar a leitura. www.unlimitedebooks.com LIVRARIAS ONLINE O Ripley’s Believe It or Not Books dispõe de um

O Ripley’s Believe It or Not Books dispõe de um amplo

catálogo de publicações relacionadas com as peças de arte

e artefactos coleccionados pelo norte-americano Robert

Ripley. Para quem não conhece este homem, ele foi um cartoonista muito conhecido nos Estados Unidos, no início do século XX. Depois de ter visitado mais de 200 países, Robert Ripley trouxe consigo um pouco do que encontrou pelo caminho e abriu uma fundação para mostrar a sua coleção a todos os curiosos. Parte do seu trabalho publicado como cartoonista - assim como catálogos com imagens dos artefactos que colecionou - estão disponíveis à venda no site Ripley’s Believe It or Not Books.

site Ripley’s Believe It or Not Books . www.ripleys.com A Bangzo Books começou em 2004 num

A Bangzo Books começou em 2004 num pequeno quarto

arrendado, mas com o tempo, cresceu ao ponto de ser capaz de competir com as maiores gigantes mundiais do comércio de livros. O crescimento justificou a expansão dos serviços, mas não implicou uma regressão na qualidade do atendimento prestado. Muito pelo contrário, a Bangzoo sempre fez (e continua a fazer) questão de prestar um serviço que se distingue pela rapidez, facilidade de pagamento e pelo stock de mais de 2 milhões de livros disponíveis no website. Tudo para que o cliente disfrute de uma experiência

personalizada e realmente intuitiva. Posto isto, resta dizer que à distância de um clique pode encontrar novidades, livros infantis e até mesmo livros escolares.

mundodelivros .com

ÍNDICE 25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA DANTE ALIGHIERI 6 MARK TWAIN 13

ÍNDICE

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

DANTE ALIGHIERI

6

MARK TWAIN

13

HENRY MILLER

20

JACK KEROUAC

27

LUÍS VAZ DE CAMÕES

7

HENRY JAMES

14

WILLIAM FAULKNER

21

JOSÉ SARAMAGO

28

WILLIAM SHAKESPEARE

8

THOMAS MANN

15

ERNEST HEMINGWAY

22

AGUSTINA BESSA-LUÍS

29

JANE AUSTEN

9

FRANZ KAFKA

16

VLADIMIR NABOKOV

23

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

30

CHARLES DICKENS

10

JAMES JOYCE

17

JORGE LUIS BORGES

24

FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

11

VIRGINIA WOOLF

18

JORGE AMADO

25

LEON TOLSTOY

12

FERNANDO PESSOA

19

VINICIUS DE MORAES

26

mundodelivros .com

DANTE ALIGHIERI (1265-1321) É durante a Idade Média, um dos períodos mais obscuros da história

DANTE ALIGHIERI

(1265-1321)

É durante a Idade Média, um dos períodos mais obscuros da história da Humanidade, que surge Dante Alighieri, um poeta italiano capaz de revolucionar a cultura da época e construir uma obra ainda hoje considerada como a mais importante da literatura medieval. O nascimento deu-se em 1265, mas como não havia documentos oficiais torna-se difícil encontrar uma data certa para o aniversário. Sabe-se, no entanto, que a sua família, os Alighieri, fazia parte da fação política dos guelfos, que se opunha abertamente a outra fação florentina, os gibelinos.

A morte precoce da mãe de Dante, quando tinha 5 anos, e o segundo casamento do seu pai – do qual resultaram dois meios-irmãos – terá

impulsionado a família a encontrar um bom enlace para o jovem. Assim, quando tinha apenas 12 anos, casou com Gemma Donati. Porém, como

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

deixou bem claro na sua obra, por essa altura o seu coração já pertencia a outra mulher: Beatriz. Esta mulher, que Dante terá visto pela primeira vez quando tinha apenas 9 anos, foi uma inspiração constante da sua obra. Mesmo tendo casado com um banqueiro italiano e morrido precocemente, com 25 anos, Beatriz manteve-se sempre como a musa inspiradora do escritor ao longo da sua carreira.

E, por falar na carreira de Dante, é

impossível não mencionar o que lhe aconteceu em 1302. Por esta altura, enquanto assumia funções num cargo público, foi acusado de corrupção. A sentença inicial estipulava que, pelo seu crime, Dante teria de pagar uma pesada multa. Todavia, a sentença acabou por ser ajustada e ficou decidido que o escritor seria queimado vivo caso permanecesse na sua cidade natal. Desanimado e em busca de absolvição, parte então para exílio, vagueando entre Verona, Bolonha e Ravena.

O regresso, pensou ele, poderia ser

conseguido com pena e tinta. Ao dedicar-se à produção de obras líricas e tratados políticos esperava obter mérito suficiente para que lhe atribuíssem

perdão. Mas a verdade é que, apesar do vasto legado literário que deixou, Dante nunca mais voltaria a regressar

à sua amada Florença. É durante este exílio que o poeta encontra então a inspiração para compor aquela que

é hoje conhecida como “A Divina

Comédia”. Inicialmente, o texto era denominado apenas de “Comédia”. O “Divina” veio apenas alguns anos após a sua morte, acrescentado ao título pelo também poeta italiano Boccaccio, que considerava pertinente o ajuste.

A obra era composta por três partes:

Inferno, Purgatório e Céu e tinha Dante como personagem principal. Puramente lírico, o texto narrava a jornada do próprio Dante que, guiado por Virgílio – autor e poeta clássico do texto Eneida – é conduzido através dos círculos do Inferno, partindo de seguida para o Purgatório e, eventualmente, para o Céu. Nesta jornada ascendente, cruza- se com personalidades históricas que, após a morte, foram colocadas num destes três espaços.

Em 1318, Dante é convidado pelo príncipe de Ravena, Guido Novello da Polenta, a morar no seu reino. Aí, o poeta conclui o Paraíso e, pouco tempo depois, morre aos 56 anos, sem oportunidade para ver a última parte da sua obra publicada.

O seu corpo foi enterrado em Ravena,

naquela que é hoje conhecida como Igreja de São Francisco.

As próprias circunstâncias do nascimento de Luís Vaz de Camões estão envoltas num manto de
As próprias circunstâncias do nascimento de Luís Vaz de Camões estão envoltas num manto de
As próprias circunstâncias do nascimento de Luís Vaz de Camões estão envoltas num manto de

As próprias circunstâncias do nascimento de Luís Vaz de Camões estão envoltas num manto de mistério. Sendo impossível identificar um dia certo para o nascimento do poeta, sabe-se pelo menos que terá nascido entre o ano de 1524 e 1526, em Lisboa, então capital do Império. Os seus pais, Simão de Vaz e Ana de Sá, pertenciam a um ramo menor da nobreza e terão portanto assegurado que o jovem Luís seguia uma educação sólida, ajustada aos moldes clássicos. Não faltou latim, literatura e história na formação de Camões. Terá sido assim, provavelmente, que se cruzou com os textos épicos de Homero que o viriam a inspirar anos mais tarde. Apesar de não haver documentação que o confirme, admite-se ainda a possibilidade de que Camões tenha passado pela Universidade de Coimbra.

Eterno namoradeiro, frequentou a corte de D. João III onde, entre mulheres, música e vinho, foi criando uma carreira como poeta lírico e precetor do filho do Conde de Linhares. Entre tais círculos sofreu, eventualmente, um terrível desgosto de amor que pôs a sua vida em perspetiva. Antes disso, terá sido preso por se declarar à Infanta Dona Maria, a própria irmã do Rei. Porém, foi uma tal de D. Catarina de Ataíde que, não retribuindo o seu amor, provocou tal dor que Camões

LUÍS VAZ DE CAMÕES

(1524-1579/80)

Não faria sentido fazer um e-book sobre autores célebres da literatura sem falar do maior poeta português de todos os tempos:

Luís Vaz de Camões. Mesmo não sendo a história clara quanto à vida deste homem de uma coisa há certeza: este foi o poeta que, inspirado por musas e por grandes nomes da antiguidade, pegou na pena e compôs uma epopeia para o povo lusitano.

não viu outra alternativa se não o exílio em Ceuta, predisposto a trocar a pena pela lança e a poesia pela batalha. Terá sido exatamente num campo de batalha que ficou ferido e perdeu o olho direito, característica peculiar pela qual é hoje relembrado. Com o coração curado ou não, regressou a Portugal,

retomando a vida boémia. Deveria ter, por esta altura, cerca de 25 anos. Porém, ao agredir um criado do Paço, acabou por regressar à prisão, saindo pouco depois rumo à India. É neste período, do qual hoje pouco sabemos, que terá encontrado a inspiração para escrever a obra-prima “Os Lusíadas”.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Contam as lendas que, nesta jornada, a

nau que o levava terá naufragado no rio Mekong e que a obra lírica só se salvou porque Camões conseguiu nadar até

à costa, erguendo o manuscrito com

um braço enquanto remava com o outro. Ao regressar a Portugal, já com “Os Lusíadas” terminado, conseguiu publicar a obra e recebeu uma pensão

de 15000 reis anuais, atribuída pelo Rei

D. Sebastião, por serviços prestados à

conta. Uma vez mais, há uma história curiosa desta época que merece ser contada, embora não haja certezas quando à sua veracidade. Ao apresentar “Os Lusíadas” ao Rei

D. Sebastião, Luís Vaz de Camões terá

declamado ao soberano todos os 10 cantos que compõe a obra, urgindo-o a lutar pelo esplendor da

pátria. Pouco depois desse encontro,

o Rei D. Sebastião partiu de facto para

a guerra em Alcácer Quibir, de onde

nunca mais regressou.

Os últimos dias foram vividos graças

à pensão que lhe era atribuída. A

par d’Os Lusíadas escreveu três obras de teatro cómico mas, como frequentemente se queixava, a sua obra nunca foi realmente apreciada por aqueles para quem ele compunha:

os portugueses. O verdadeiro reconhecimento chegaria apenas após a sua morte, que aconteceu no dia 10 de junho de 1580, com cerca de 55 anos.

WILLIAM SHAKESPEARE (1564-1616) É inglês, julga-se que terá nascido por volta de 1564 e foi

WILLIAM SHAKESPEARE

(1564-1616)

É inglês, julga-se que terá nascido por volta de 1564 e foi escritor, poeta e dramaturgo. Da obra de William Shakespeare restam agora 37 peças, 154 sonetos, 2 poemas narrativos e uma série de versos soltos. Considerado como um dos maiores vultos da cultura mundial, o autor de “Macbeth”, “Hamlet” e “Romeu e Julieta” tem obras traduzidas em todos os idiomas e as suas peças transformaram-se em grandes clássicos do teatro e do cinema.

Posto isto, devemos dizer em primeiro lugar que, ainda que haja um vasto registo do trabalho de Shakespeare, pouco se sabe sobre a sua história pessoal. O primeiro documento remete-

nos para 26 de abril de 1564, data do seu batizado. Filho de um mercador bem-sucedido e de uma herdeira abastada, William terá sido o terceiro de seis filhos. A incógnita mantém-se

sido o terceiro de seis filhos. A incógnita mantém-se na altura de falar da educação. Sabe-se,

na altura de falar da educação. Sabe-se, no entanto, que Shakespeare casou aos 18 anos, em Worcester. A noiva e futura esposa chamava-se Anne Hathaway, tinha 26 e dizem as más-línguas que estava grávida na altura do casamento. Da relação nasceram três filhos.

Do período após o nascimento das crianças pouco ou nada se sabe - chamam-lhe “os anos perdidos”. Os próximos registos conhecidos datam da década de 1580, altura em que Shakespeare chegou a Londres para ser moço das cavalariças em alguns dos maiores teatros da capital. Na década de 1590, começou a trabalhar como ator e dramaturgo. Há registos de que, algures por volta desta data, terá sido sócio-gerente de uma companhia de teatro que mais tarde se chamaria King’s Men. Os primeiros poemas assinados remontam também a este período: são eles “Vénus e Adónis” (1593) e “A Violação de Lucrécia” (1594).

Pouco tempo depois, em 1597, já tinha publicado 15 das 37 peças. O sucesso permitiu a Shakespeare comprar a segunda maior casa de Stratford, local onde a família continuava a viver. Mais tarde investiu no setor imobiliário, investimento esse que acabou por se tornar numa fonte importante de rendimento. A partir daí, Shakespeare

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

teve liberdade para dedicar mais tempo à escrita.

Explorando comédia e tragédia, William Shakespeare criou personagens tão humanas que se tornariam intemporais. Traições, estigmas sociais e questões moralmente dúbias são pontos recorrentes do trabalho do dramaturgo que faleceu a 23 de abril de 1716.

Cerca de 150 anos após a morte de Shakespeare, começaram as dúvidas sobre a autoria das peças. Até à atualidade, a questão sobre quem foi realmente Shakespeare continuam a dividir opiniões. A maioria das escolas e instituições que estudam o seu trabalho dizem que ele, de facto, escreveu as peças que lhe são atribuídas. Por sua vez, membros da Shakespeare Oxford Society lançaram 4 argumentos onde explicam por que motivos consideram que as peças de Shakespeare foram, na verdade, escritas por Edward de Vere.

Polémicas à parte, para a história ficaram obras imortais, poemas e peças com um enorme valor para a literatura. Abrindo as portas para outros tempos, estas obras literárias retratam contextos políticos e culturais ao mesmo tempo que nos presenteiam com personagens ricas, cuja natureza humana é intemporal.

Jane Austen terá nascido no final de 1775, no dia de 16 de dezembro, no
Jane Austen terá nascido no final de 1775, no dia de 16 de dezembro, no

Jane Austen terá nascido no final de 1775, no dia de 16 de dezembro, no

Hampshire, Inglaterra. Era a sétima filha do reverendo anglicano George Austen

e da esposa, Cassandra. Dos irmãos,

sabe-se que Jane era muito próxima de Henry, um bancário fracassado convertido à igreja, que terá sido o seu agente literário. No entanto, a relação familiar mais próxima acontecia com Cassandra, a única irmã de Jane, que ao longo da sua vida foi a sua melhor amiga e maior confidente e de cujas cartas conseguimos hoje entrever alguns aspetos da vida da autora.

conseguimos hoje entrever alguns aspetos da vida da autora. JANE AUSTEN A educação da escritora inglesa

JANE AUSTEN

A educação da escritora inglesa foi

muito dispersa ao longo dos anos. Consta-se que em 1783 se terá mudado com a irmã para uma casa em Southampton, para prosseguir os estudos sob a tutela de uma tal Sra. Cawley. Porém, uma epidemia obrigou as irmãs Austen a regressarem a casa. Mais tarde, estudaram num colégio interno em Reading, onde Jane Austen encontrou a inspiração para escrever “Emma”. De resto, acredita-se que a educação foi muito doméstica e familiar, acontecendo entre os livros da grande biblioteca do pai.

(1775-1817)

Todos os amantes de literatura já ouviram falar de Jane Austen, uma das mais célebres autoras britânicas de sempre. Apesar de obras como “Orgulho e Preconceito”, “Sensibilidade e Bom Senso” e “Emma”, pode até parecer estranho quando dizemos que a quantidade de informação sobre a vida de Jane Austen é muito escassa. Porém, é isso mesmo que acontece. O que sabemos hoje provém de correspondência privada da própria autora e de relatos de familiares e amigos com quem se cruzou.

Apesar de ter escrito frequentemente sobre amor, com pitadas de sátira

e crítica social, conhecem-se vários homens na vida de Jane Austen,

embora nunca tenha casado ou vivido tais paixões. Pela altura da sua morte, tal como aconteceu com a irmã Cassandra, continuava solteira, dedicando-se às histórias que

tinha passado para o papel. O mais emblemático romance aconteceu com um jovem irlandês, parente de uma amiga da autora, denominado Thomas Lefroy. Pelo que sabemos das cartas

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

de Austen, o romance terminou algures em 1976 - quando Jane tinha cerca de 20 anos. Isto porque Lefroy não tinha dinheiro suficiente para casar. Em 1800, durante a época que passava com a família em Bath, Jane Austen terá também conhecido um jovem por quem se apaixonou. Apesar de terem combinado encontrar-se outra vez, o pretendente morreu de doença antes do encontro.

Em 1802, Jane Austen chegou a estar noiva, mas historiadores acreditam que

o noivado demorou apenas algumas

horas. Tudo aconteceu quando estava instalada na casa de amigos da família,

perto de Steventon, e um tal de Harrys Bigg-Wither a pediu em casamento. Austen terá aceite mas, arrependida da decisão, rompeu o compromisso no dia seguinte.

Jane Austen publicou o seu primeiro livro “Sensibilidade e Bom Senso” em outubro de 1811, assinado apenas por “By A Lady” (Por Uma Senhora). Seguir-se-iam mais cinco romances até adoecer, em 1816. Pela altura da sua

morte, aos 41 anos, estava a escrever

o seu sétimo romance, “Sanditon”, que

nunca foi acabado. A fama que lhe foi

reconhecida em vida foi apenas uma pequena fatia do reconhecimento que chegou postumamente.

Com 4 anos, a família mudou-se para Camden Town, um bairro pobre da cidade de
Com 4 anos, a família mudou-se para Camden Town, um bairro pobre da cidade de

Com 4 anos, a família mudou-se para Camden Town, um bairro pobre da cidade de Londres. Em 1824, quando tinha apenas 12 anos de idade, viu o pai ser preso por não pagar as dívidas. Como resultado, o jovem Charles foi obrigado a deixar a escola e começar

a

trabalhar. Nas palavras do próprio,

o

período marcou o fim da inocência e o

início do sentimento de marginalização que, mais tarde, se viria a refletir nas suas obras literárias clássicas.

se viria a refletir nas suas obras literárias clássicas. Depois do trabalho árduo, uma herança recebida

Depois do trabalho árduo, uma herança recebida pela família permitiu pagar as dívidas, dando a folga necessária para

que Charles Dickens voltasse a estudar. O dinheiro não durou muito e, com 15 anos, voltou ao mundo do trabalho, desta vez como moço de recados num escritório. Rodeado de papéis, Dickens começou a apaixonar-se pelas artes

e pelo jornalismo. Começou, então, a

colaborar com jornais e, por volta de 1833, enviou alguns desenhos, onde assinava com o pseudónimo “Boz”.

Os desenhos foram um sucesso tal que acabaram por ser publicados num livro de 1836. A publicação chamou a atenção de Catherine Hogarth que mais tarde se tornaria Catherine Dickens. O primeiro romance foi lançado em 1837

e foi nada mais, nada menos do que

“Oliver Twist”. Além de conquistar

a Grã-Bretanha, a história do menino

CHARLES DICKENS

(1812-1870)

O nome de Charles Dickens é por demais conhecido entre todos os amantes de literatura. Afinal, quem não se recorda das histórias de “Oliver Twist” ou “Um Conto de Natal”? O britânico nasceu no ano de 1812, em Portsmouth, e era o segundo filho de uma família de oito irmãos. O pai era um funcionário naval que sonhava ser rico; a mãe queria ser professora e dirigir uma escola. Apesar de nunca terem conseguido cumprir os seus objetivos, até certo ponto, o casal foi feliz.

órfão foi também um sucesso nos Estados Unidos da América, um país onde Dickens e Catherine estiveram numa digressão de conferências. De regresso ao país de origem, Dickens

publicou “American Notes for General Circulation”, obra onde fala da viagem e critica abertamente a sociedade norte-americana, que descreve como materialista.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

O reconhecimento inicial foi recebido

de bom grado, mas com o tempo o escritor considerou tamanha atenção como abusiva. Além dos EUA, Charles Dickens também passou uma temporada em Itália, onde escreveu “Dealings with the Firm of Dombey and Son”. Seguiu-se “David Copperfield”, onde se inspira novamente nas suas próprias experiências pessoais.

A década de 1850 foi particularmente

difícil. Foi neste período que Charles Dickens perdeu não só o pai, como a filha. O episódio levou a um divórcio com grande exposição pública. Na mesma altura, encontrou Ellen “Nelly” Ternan, uma atriz inglesa com quem acabou por se envolver. Começava assim um período mais negro da vida do escritor, que se viria a refletir nas obras literárias. É o caso de “Bleak House”, “Hard Times” e “A Tale of Two Cities”.

O escritor faleceu em 1870 na sequência

de um enfarte. Tinha então 58 anos e já se encontrava debilitado graças a um acidente de comboio em 1865, do qual nunca recuperou totalmente. Apesar do estado físico, Charles Dickens nunca parou de trabalhar. O seu último

romance chama-se “The Mystery of Edwin Drood” e ficou inacabado.

Pouco depois, ainda em 1937, Fiódor decide mudar-se para St. Petersburgo para ingressar na Academia
Pouco depois, ainda em 1937, Fiódor decide mudar-se para St. Petersburgo para ingressar na Academia
Pouco depois, ainda em 1937, Fiódor decide mudar-se para St. Petersburgo para ingressar na Academia

Pouco depois, ainda em 1937, Fiódor decide mudar-se para St. Petersburgo para ingressar na Academia Militar de Engenharia. Durante os seus estudos, uma nova tragédia abate-se sobre a família Dostoiévski: o pai é assassinado pelos colonos da fazenda onde vivia e que o acusavam de maus tratos.

Entretanto, Dostoiévski aprende matemática e física e é introduzido às obras de grandes nomes da literatura. Os estudos são concluídos algures em 1843. Depois de ter adquirido patente militar, Fiódor Dostoiévski percebe que não vale a pena tentar abafar a sua vocação. Após a tradução bem-sucedida de “Eugenia Grandet” de Honoré de Balzac, o escritor russo desiste da engenharia e envereda inteiramente pela área da escrita.

Contudo, assumir-se como escritor de corpo e alma não bastava. Enquanto ia traduzindo algumas obras de autores franceses e ingleses, começava a escrever “Gente Pobre”, o seu romance de estreia que lhe valeu o título de “a mais nova revelação do cenário literário do país”. Nas obras que se seguiram o talento pareceu esmorecer, pelo menos aos olhos dos especialistas.

A acompanhar este declínio, um novo problema veio agravar a situação:

FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

(1821-1881)

Estamos no ano de 1821, em plena Rússia moscovita, quando no dia 30 de outubro nasce um dos mais emblemáticos escritores de sempre da literatura mundial: Fiódor Dostoiévski. Era o segundo de sete filhos de uma família liderada pela mão forte do médico Mikhail Dostoiévski e da sua esposa Maria. Porém, a história do autor de “Crime e Castigo” não foi tranquila. A primeira tragédia aconteceu quando tinha cerca de 16 anos e a sua mãe faleceu subitamente, vítima de tuberculose.

Fiódor começou a sofrer de uma doença nervosa. Por esta altura, também se começou a virar-se para grupos socialistas que exaltavam a liberdade humana. É assim que acaba por ser

preso e, eventualmente, conduzido

a uma “falsa execução” traumática.

Por ordem do próprio Czar Nicolau I,

o escritor e outros prisioneiros foram

agrilhoados a um poste, prontos para

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

serem fuzilados. A execução, no entanto, era apenas uma punição psicológica:

os prisioneiros foram poupados e enviados para uma prisão de trabalhos forçados. Após a detenção e um exílio na Sibéria, regressa à Rússia em 1857. É por esta altura que se casa com Maria Dmitriévna Issáieva - que inspirou uma das personagens femininas de “Crime e Castigo”. Este não foi um casamento feliz e terminou uma vez mais em desgraça: a esposa de Dostoiévski morre, tal como a sua mãe, com tuberculose. Apesar de estar de volta

à escrita, Fiódor também se interessou

pelo jogo. Este lado mais obscuro da sua vida é retratado em “O Jogador”, uma das obras mais curtas, mas também uma das mais emblemáticas.

Ao ver-se de novo viúvo, volta a casar, desta vez com Anna Snitkina. Não se pode dizer que este tenha sido também um casamento feliz, uma vez que foi marcado pela saúde débil do autor, pelas dívidas que nem os seus livros conseguiam pagar e ainda a morte da sua primeira filha - que morreu com 3 meses de pneumonia. O próprio escritor russo acabaria por morrer em 1881, aos 60 anos, vítima de uma hemorragia pulmonar que terá sido causada pelos seus sucessivos ataques epilépticos.

A sua obra conta com 15 romances, que

são ainda hoje aclamados como grandes clássicos da literatura.

Em jovem, Tolstoy recebeu a sua educação em casa, às mãos de tutores franceses e
Em jovem, Tolstoy recebeu a sua educação em casa, às mãos de tutores franceses e

Em jovem, Tolstoy recebeu a sua educação em casa, às mãos de tutores franceses e alemães. Mais tarde, tentou a sua sorte num curso de línguas orientais, mas após sucessivos fracassos e más notas, pediu transferência para um curso de

Direito. Em 1847, incapaz de terminar

o curso (principalmente devido à vida

boémia que levava) decidiu regressar à propriedade onde nasceu e dedicar-se

à agricultura. Nem aqui teve sucesso.

Apesar de tentar liderar os criados e os agricultores que trabalhavam para ele, deixava frequentemente a gestão da

propriedade para prestar visitas sociais

a Moscovo e a Tula.

propriedade para prestar visitas sociais a Moscovo e a Tula. LEON TOLSTOY Durante o período em

LEON TOLSTOY

Durante o período em que tentava a

sua sorte com a agricultura, uma visita do seu irmão Nikolay foi suficiente para o convencer a juntar-se ao exército, aventura que culminou com

a participação na Guerra da Crimeia. É

nesta altura que, aproveitando tempos livres, passa para o papel algumas das memórias da sua infância e relatos do seu dia-a-dia. Terminada a guerra, segue-se um período por Paris, onde as apostas e vícios deixam Leon

Tolstoy perto da bancarrota, e por fim

o regresso à Rússia. Estamos então

em 1862 quando publica partes do seu diário e casa com a filha de um médico, Sofya Andreyevna Bers.

(1828-1910)

Corria o ano de 1828 quando nasce Leon Tolstoy, em Yasnaya Polyana (Rússia), nome da propriedade da sua família. Sendo o mais novo de quatro rapazes, não se pode dizer que a infância do pequeno Leon tenha sido fácil. Dois anos após o seu nascimento, a mãe morreu. Apenas sete anos depois acontece a morte do pai, que deixa assim os filhos entregues à tutela de uma tia que vivia em Kazan.

A vida de casado marca um novo capítulo na vida de Leon Tolstoy. Instalado com a esposa em Yasnaya Polyana, o autor russo dedica-se de corpo e alma à sua escrita, dedicando

grande parte da década de 1960 à escrita de “Guerra e Paz”, a sua obra- prima. Traçando um relato detalhado às Guerras Napoleónicas, vividas a partir dos olhos de personagens ficíticas

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

com uma densidade psicológica arrebatadora, o livro publicado em várias partes conquistou a atenção de críticos e do público geral.

Segue-se o segundo maior trabalho do escritor, e ainda hoje considerado como o maior romance de todos os

tempos, “Anna Karenina”. Neste livro, situado cronologicamente no período em que Rússia estava em guerra com

a Turquia, seguimos a história de uma

mulher casada que abdica da reputação para manter um caso extraconjugal. A personagem de Levin é frequentemente comparada ao próprio Tolstoy, especialmente pelo seu percurso profissional e amoroso.

Nos últimos 30 anos da sua vida, Tolstoy estabeleceu-se como um líder moral e religioso, defendendo ideais

de resistência não-violenta. Entretanto, foi também por esta altura que o autor obteve o merecido reconhecimento internacional. Em 1910, Tolstoy partiu numa peregrinação com a sua filha Aleksandra. De forma a manterem-se longe da imprensa, que o perseguia desde que tinha alcançado sucesso

a nível internacional, viajou com uma

identidade falsa. Infelizmente, Tolstoy

não sobreviveu à viagem e acabou por morrer cerca de um mês depois de ter deixado a propriedade da família.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA Samuel L. Clemens tinha 4 anos de
25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA Samuel L. Clemens tinha 4 anos de

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA Samuel L. Clemens tinha 4 anos de idade

Samuel L. Clemens tinha 4 anos de idade quando a família se mudou para Hannibal, uma pequena cidade do Missouri. O pai, John Clemens, teve várias profissões e, apesar de sonhar com o dia em que se tornava rico,

a verdade é que nunca conseguiu

atingir tal meta. Muito pelo contrário, pois mesmo acumulando profissões,

a família chegou a atravessar algumas

dificuldades. Os problemas económicos acentuaram-se em 1847 com a morte inesperada do patriarca e provedor da família. Com 12 anos, o jovem Samuel acabou a escola e tornou-se aprendiz na tipografia onde era impresso o

“Hannibal Courier”. Na altura, o salário era pago numa ração de comida. Aos 15, começou a trabalhar como tipógrafo

e colaborador ocasional para o jornal

do irmão, mas o seu sonho era tornar- se capitão de um barco a vapor.

decidiu adotar o nome de Mark Twain, com o qual começou a assinar vários artigos, editoriais e até desenhos.

A carreira como jornalista fez com

que se se destacasse: “Jim Smiling and His Jumping Frog” foi muito bem-sucedido, sendo replicado em vários jornais e revistas de todo o país. A escrita humorada, amigável e satírica era o ingrediente principal dos trabalhos assinados por Mark Twain.

Do jornalismo aos livros best-sellers foi um passo rápido. “As Aventuras de Tom Sawyer” foi lançado em 1876 e tornou-se numa referência dentro do

seu género literário. A narrativa passa- se numa cidade imaginária com várias referências a Hannibal. Abordando temas como liberdade e aventura,

o livro conta a história de um rapaz

que vive com a tia, Tom Sawyer, e do seu amigo, um menino abandonado chamado Huckleberry Finn. Seguiram- se “As Aventuras de Huckleberry Finn” que ainda hoje é considerado por muitos críticos de literatura como “O Maior Romance Americano”. Nos últimos trabalhos de Mark Twain dá- se uma inversão do estilo de escrita, que passa a ser mais densa e negra. A mudança é o resultado de uma série de acontecimentos pessoais que o

MARK TWAIN

(1835-1910)

Chamava-se Samuel Langhorne Clemens, nasceu em 1835, na Florida (EUA), e costumava assinar como Mark Twain. A assinatura eternizou-se em obras que se transformaram em clássicos da literatura mundial, como “As Aventuras de Tom Sawyer” e “As Aventuras de Huckleberry Finn”. Mas como será que tudo começou?

O fascínio pelo Mississippi não era novo, já que o rio era motivo de encanto desde criança. Gostava de ver as partidas e chegadas dos navios, trazendo espetáculos e animação à cidade que, apesar de naturalmente bela, era extremamente parada. Embora fosse um verdadeiro paraíso para turistas, Hannibal tinha dois lados:

juntamente com o encanto de cidade pequena à beira rio, a localidade escondia um lado mais negro, marcado pela violência. Depois de tirar a licença como condutor de barcos a vapor,

Samuel Clemens começou a subir e a descer o rio. A profissão viria a ser interrompida com o início da Guerra Civil, altura em que a maioria do tráfego no Mississippi foi interrompido.

A próxima etapa levou-o pelo Grande Oeste norte-americano.

À boleia num vagão de comboio,

Samuel Clemens viajou rumo à Califórnia, onde acabaria por viver durante cerca de 5 anos. Com a riqueza em mente, o jovem

pretendia tirar a família do desafogo.

marcaram - como a perda de dois filhos

O

sucesso não foi assim tão imediato

e

da esposa. Mark Twain morreu no dia

e,

em 1862, acabou por trabalhar num

21 de abril de 1910, com 74 anos.

jornal. Foi por volta desta altura que

Com uma educação planeada ao detalhe pelo seu pai, Henry James teve acesso a um
Com uma educação planeada ao detalhe pelo seu pai, Henry James teve acesso a um

Com uma educação planeada ao detalhe pelo seu pai, Henry James teve acesso a um leque variado de influências científicas e filosóficas, ministradas em contexto familiar por tutores. A única altura em que terá frequentado escolas terá sido durante

as viagens que a família fez pela

Europa, entre 1855 e 1860. Em França, onde os James estiveram instalados durante um longo período de tempo, Henry tornou-se fluente em francês

e começou a considerar aquele país como a sua segunda casa.

começou a considerar aquele país como a sua segunda casa. O regresso à América acabou por

O regresso à América acabou por

acontecer quando tinha cerca de 17

anos. Por esta altura, o autor terá sido introduzido à escrita de Honoré Balzac,

o escritor que rapidamente se torna

no seu grande mestre. Três anos mais

tarde, Henry James faz a sua primeira publicação: uma crítica a uma peça de teatro. Até 1870, escreveu artigos

e peças para diferentes publicações,

publicando então o seu primeiro livro “Watch and Ward”.

Algures em 1869, Henry James sentiu- se esgotado de uma América que considerava hostil e fez as malas para a Europa. Londres, Paris e Roma foram algumas das paragens que fez, encontrando a inspiração para escrever obras como “Roderick Hudson”, “The American” e “The Europeans”.

HENRY JAMES

(1843-1916)

Henry James nasceu nos Estados Unidos da América em 1843 na cidade de Nova Iorque. Cerca de 70 anos mais tarde, viria a morrer longe da sua terra natal e com uma nacionalidade diferente. Após passar grande parte da sua vida na Grã-Bretanha, onde escreveu algumas das suas obras mais importantes, acabou por adquirir nacionalidade britânica em 1915, um ano antes da sua morte.

Como os próprios títulos indicam, a relação entre o Novo Mundo cosmopolita e o velho continente Europeu são temas frequentes da sua obra literária.

Em 1976 (após um breve regresso aos EUA) retorna a Londres, fazendo da cidade a sua casa nos 20 anos seguintes. É neste período que escreve obras icónicas como “Daisy Miller”

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

(o livro que lhe deu popularidade em Inglaterra) e ainda “O Retrato de uma Senhora”, “Os Bostonianos” e “A

Princesa Casamassima”, cujas histórias

e personagens consagram-no como um dos autores mais proeminentes do género literário novela.

Daqui para a frente, Henry James começa a abandonar o realismo para aprofundar temas mais psicológicos, centrados em personagens que são apresentadas na 1.ª pessoa. Além dos seus trabalhos mais longos, escreveu também mais de cem contos e dedicou

um capítulo da sua carreira ao teatro (embora não tenha corrido muito bem, tendo sido até vaiado após

a apresentação da sua peça “Guy Donville”).

Apesar de ter deixado Londres no final de 1890, Inglaterra continuou a ser o seu lar até à morte. O frenesim da cidade foi trocado pelo sossego de uma pequena vila no topo de uma colina, em Sussex. Foi aí que Henry James morreu, após sofrer um derrame cerebral, no ano de 1916, quando o mundo tremia à mercê da I Guerra Mundial.

Natural da cidade de Lübeck (Alemanha), Thomas Mann é filho de um mercador alemão e
Natural da cidade de Lübeck (Alemanha), Thomas Mann é filho de um mercador alemão e
Natural da cidade de Lübeck (Alemanha), Thomas Mann é filho de um mercador alemão e

Natural da cidade de Lübeck (Alemanha), Thomas Mann é filho de um mercador alemão e de uma descendente de alemães com propriedades no Brasil. À medida que foi crescendo, foi-lhe incumbida a tarefa de tratar dos negócios da família. Nesta sequência, os pais colocaram-no no Katharineum, uma escola da qual nunca gostou. Apesar da resistência à educação, o futuro escritor viria a desenvolver um tipo de aprendizagem autodidata. Os planos sofreram grandes alterações quando o pai faleceu, tinha Thomas Mann apenas 15 anos. A empresa foi vendida e a família mudou-se para Munique. Por essa altura, Mann tinha acabado a escola (ainda que a custo), começando a trabalhar no escritório de uma companhia de seguros. Pouco tempo depois, iniciou a atividade no jornalismo e tornou-se presença assídua em conferências sobre política, economia e artes.

A primeira obra foi publicada em 1898 e chama-se “Der kleine Herr Friedemann”. Antes disso, Thomas Mann passou uma temporada em Itália e foi precisamente na capital do país que começou a escrever “Buddenbrooks”, um livro que se tornou um clássico e que inclusive já foi várias vezes adaptado ao cinema. Seguiram-se outras histórias mais pequenas, algumas com forte influência italiana. Em 1905 casou-se com Katherina Hedwig Mann, uma jovem cuja família estava ligada à

THOMAS MANN

(1875-1955)

Thomas Mann, o Nobel da Literatura alemão, nasceu a 6 de Janeiro de 1875 e destacou-se pela escrita de obras como “Morte em Veneza”, romance lançado em 1912 e que conta a história de um homem que se apaixona platonicamente por um jovem polaco. Com um enredo reduzido e controverso, o clássico é reconhecido pelos múltiplos sentidos que cada parágrafo carrega. Todavia, este é só um dos muitos contributos de Thomas Mann para a literatura.

luta pelos direitos humanos.

A primeira obra pós-matrimónio foi

“Königliche Hoheit”, uma crítica às

questões da moralidade e à aristocracia, que provocou admiração geral. Todavia,

o grande êxito, “Morte em Veneza”,

surgiria alguns anos depois em 1913.

Na altura em que estava a escrever “Morte em Veneza”, Thomas Mann já estava a pensar em “A Montanha

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Mágica”. Todavia, a obra seria apenas

publicada em 1924, dada a interrupção na escrita motivada pela I Guerra Mundial. Nesse período, o escritor dedicou-se

a “Considerações de um Apolítico”,

uma reflexão sobre o Homem, lançada em 1918. Durante o conflito, Mann deu várias conferências em países neutros.

Mas foi o sucesso de “A Montanha Mágica” que tornou o seu nome

conhecido universalmente conhecido, vendendo milhares de cópias. Na obra exploram-se questões relativas

à Humanidade e o conceito de

Homem enquanto ser moral e social.

O contributo para a literatura valeu

a Thomas Mann a distinção com o

Prémio Nobel de Literatura em 1929. Com a ascensão de Hitler, o escritor decidiu mudar-se para a Suíça. A contestação contra o regime nazi fez com que fosse expatriado em 1936, perdendo inclusive alguns títulos que lhe tinham sido atribuídos. Em 1940, foi recebido pelos Estados Unidos da América que rapidamente o consideraram cidadão norte-americano. Daí em diante, viveu na Califórnia, mas, com o fim da guerra, visitou frequentemente o Velho Continente até que, em 1949, resolveu regressar de vez. Thomas Mann faleceu em 1955,

numa localidade perto de Zurique, Suíça. Para trás, ficou um enorme legado na luta contra o regime nazi, mas sobretudo um enorme contributo para o mundo das letras.

Os anos provariam então que Franz Kafka não era compatível com o resto da sua
Os anos provariam então que Franz Kafka não era compatível com o resto da sua

Os anos provariam então que Franz Kafka não era compatível com o resto da sua família. A mãe, uma devota dona de casa, não compreendia a ambição do filho em ser escritor. Entretanto,

o pai (um prestigiado homem de

negócios da indústria têxtil) tentava subjugar os sonhos do filho. Esta complicada relação serviu pelo menos de inspiração para o trabalho de Franz Kafka, que frequentemente incluiu nas suas histórias personagens forçadas a superar uma autoridade superior.

personagens forçadas a superar uma autoridade superior. Na escola, Franz Kafka provou ser um jovem estudante

Na escola, Franz Kafka provou ser um jovem estudante extraordinário. Mas, apesar do reconhecimento dos professores, lutou constantemente

para ter total controle sobre as suas decisões académicas. Na faculdade estudou Química durante duas semanas, antes de se converter ao Direito. Ao terminar os estudos em 1906, começou

a

trabalhar num gabinete de advocacia

e,

no ano seguinte, numa agência de

seguros. Estes não eram locais de

trabalho talhados para Franz Kafka que, movido pelo cansaço, ocupava

a maior parte do seu tempo livre a

escrever. Só ao encontrar trabalho numa nova agência, onde se tornou a mão direita do chefe, conseguiu condições de trabalho mais ajustadas às suas

necessidades literárias.

É por esta altura que escreve o conto

“A Metamorfose”, publicado em 1915.

FRANZ KAFKA

(1883-1924)

O início da vida de Franz Kafka não foi fácil e, verdade seja dita, aqueles primeiros anos foram fundamentais e influenciaram profundamente o seu percurso pessoal e profissional. Nascido no dia 3 de Julho de 1883, na cidade de Praga

(Checoslováquia), Kafka provinha de uma família de origem judaica. Com apenas 6 anos, uma tragédia abate-se sobre o seu lar, quando

os dois irmãos, Georg and Heinrich, morrem durante a infância,

deixando a família reduzida ao jovem Franz e às suas três irmãs.

Contudo, dois anos depois, um surto de tuberculose obrigou-o a tirar baixa. A doença teve tal impacto na sua saúde que em 1922, quando tinha apenas 38 anos, foi obrigado a reformar-se. O lado positivo desta sua nova situação

é que dispunha de mais tempo para se dedicar à escrita. Desta fase da sua vida sabemos que viveu com a amante Dora Dymant que, também de origem judaica, partilhava as suas perspetivas socialistas. Durante esse período, a

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

saúde de Kafka ter-se-á deteriorado lentamente, consumindo-o com dores de cabeça, ansiedade, insónias e depressão. Ambos regressaram a Praga e, numa tentativa de encontrar uma solução para a doença, viajaram até um sanatório em Viena. Os esforços provaram ser, uma vez mais, um fracasso. Em 1924, Kafka morre em Kierling, na Áustria, acabando por ser sepultado na terra natal, ao lado dos pais.

Todavia, a história de Kafka não termina

aqui. O seu amigo e confidente, Max Brod, fez de tudo para continuar a publicar

a obra de Kafka nos anos seguintes.

Felizmente, foi bem-sucedido, embora tenha ignorado o desejo do escritor checo de ver os seus manuscritos destruídos. Ao longo da sua vida, Kafka

tinha escrito uma série de trabalhos que não chegaram a ser publicados e que lhe valeram reconhecimento literário postumamente. “O Julgamento”, uma história obscura e paranóica que nos mostra uma personagem forçada a representar-se a si mesmo no tribunal, defendendo-se de um crime que não sabe qual é, foi publicado em 1925

e transforma-se rapidamente na sua

novela mais popular. Segue-se “O Castelo”, em 1926, onde seguimos a misteriosa personagem K e a sua luta para combater as forças autoritárias que governam a vila, além do clássico “O Processo”.

Nascido no ano de 1882 em Dublin (República da Irlanda), James Augustine Aloysius Joyce era
Nascido no ano de 1882 em Dublin (República da Irlanda), James Augustine Aloysius Joyce era

Nascido no ano de 1882 em Dublin (República da Irlanda), James Augustine Aloysius Joyce era o mais velho de uma família de 10 irmãos. O pai era tenor (um dos melhores do seu tempo), mas mesmo assim com dificuldades em conseguir um rendimento estável. O facto da família ser pobre não impediu James Joyce de estudar e desenvolver o gosto pela literatura: a certa altura, chegou mesmo a aprender norueguês sozinho para que conseguir ler as peças de Henrik Ibsen no seu idioma original! As evidências de uma inteligência acima da média fizeram com que os pais se esforçassem ainda mais para que o jovem Joyce prosseguisse os estudos. Mais tarde, frequentou a

JAMES JOYCE

(1882-1941)

Referenciado como um dos mais importantes escritores de todos os tempos, James Joyce é conhecido por obras emblemáticas como “O Retrato do Artista Quando Jovem” e “Ulisses”. Destacou-se na escrita pelos romances explícitos que levantaram questões morais, relativamente a assuntos como a noção de obsceno.

University College of London, onde se tornou bacharel em Artes, com especialização em línguas modernas.

Depois da graduação, o escritor irlandês decidiu deixar o país para ir para Paris estudar medicina, mas a aventura não durou muito. Com a morte da mãe, James Joyce acabou por voltar ao país natal, onde conheceria Nora Barnacle, uma empregada de hotel com quem viria a casar. Em simultâneo, arrancava a carreira de escritor com o envio de alguns contos para a Homestead Magazine. Todavia, o sucesso não foi suficiente para que o escritor se mantivesse na Irlanda: em vez

disso, viajou para a cidade de Pula, atual Croácia, e depois para Trieste, Itália.

Em território transalpino, James Joyce foi capaz de se sustentar graças às aulas de inglês, aproveitando para aprender italiano, apenas mais uma das 17 línguas que conseguia falar! As viagens habituais não serviram de impedimento à escrita, pelo contrário, foram um motor inspiracional. “Dubliners” resultou da junção de short stories e foi lançado em 1914. Seguiu-se o agora mundialmente aclamado “Retrato do Artista Quando Jovem”.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Os livros não foram um sucesso de vendas, no entanto, foram suficientes para captar a atenção de Ezra Pound. Como nome influente no seio literário, o crítico teceu enormes elogios ao estilo de escrita pouco convencional de James Joyce, gerando curiosidade em torno do escritor que viria a superar as expectativas com “Ulisses”. Esta obra-prima destacou-se pelas técnicas avançadas de escrita e pela utilização de monólogos interiores, que deixavam os leitores em contacto direto com a história.

O livro editado em 1922 foi polémico, o que também ajudou ao sucesso mundial de James Joyce. Um dos principais motivos por detrás do falatório está relacionado com as descrições que, na altura, eram consideradas obscenas. Ao longo do livro, o autor faz referências diretas e descomplexadas de várias partes do corpo humano, acabando por ser censurado em alguns países. Durante os anos que se seguiram, James Joyce viveu maioritariamente em Paris, local onde estava “protegido” pelo grande sucesso das suas obras. Com a II Guerra Mundial, James Joyce teve de abandonar a capital francesa, regressando a Zurique, quase cego, em 1940. No ano seguinte morre de úlcera duodenal perfurada e peritonite generalizada, durante uma operação para salvar a sua vida.

VIRGINIA WOOLF (1882-1941) A escritora britânica Virginia Woolf nasceu no dia 25 de janeiro de

VIRGINIA WOOLF

(1882-1941)

A escritora britânica Virginia Woolf nasceu no dia 25 de janeiro de 1882, numa elegante casa em Kensington, Londres (Reino Unido), propriedade da família Stephen, então muito distinta na sociedade. O facto engraçado desta história é que os pais de Virginia só se casaram após enviuvarem de primeiros casamentos, dos quais já tinham filhos.

O pai, Sir Leslie Stephen, era um renomado historiador e autor, assim como uma das figuras mais proeminentes da época dourada do alpinismo.

A mãe, Julia Stephen, nasceu na Índia e trabalhou como modelo para um grupo de pintores pré-rafaelistas. Apesar de dois dos irmãos de Virginia Woolf

terem sido enviados para Cambridge, as raparigas da família foram confinadas ao ambiente doméstico e ensinadas entre os livros da biblioteca vitoriana da família. Esta barreira contudo não foi limitativa da sua educação.

É assim que, ainda em criança, Virginia

Woolf começa um jornal familiar para documentar alguns dos episódios mais anedóticos da sua família. Uma parcela deste espírito feliz e alegre começa a desaparecer quando, aos 6 anos, sofre um terrível trauma: dois dos seus meios- irmãos, filhos do primeiro casamento do pai, abusam sexualmente de Virginia e da irmã Vanessa. Não muito depois, a morte da mãe e a entrada na adolescência conduzem a um esgotamento nervoso, agravado com a morte inesperada da irmã Stella. Ainda assim, Virginia Woolf entra no King’s College of London e inicia um curso onde aprende alemão, grego e latim. É neste meio que conhece alguns movimentos feministas e literários aos quais não se tarda a juntar.

Em 1904, tem um novo esgotamento nervoso (o pior até então) na sequência da morte do pai. O episódio é de tal

forma grave que a família se vê forçada

a internar Virginia durante um breve

período. Com a morte dos pais, Vanessa

e os seus irmãos Adrian e Thoby,

decidem vender a casa em Kensington e mudar-se para um espaço mais modesto

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

em Bloomsbury. Nos subúrbios londrinos, integram o famoso Grupo Bloomsbury.

Entre tais figuras distintas encontra-se

o escritor Leonard Woolf, que assume

de imediato um interesse particular por Virginia Woolf. O interesse é retribuído e

os dois casam em 1912.

A carreira literária da autora inglesa

começou alguns anos depois do matrimónio. Em 1915, lança “The Voyage Out”, o seu primeiro romance. Dez anos mais tarde, publicaria “Mrs. Dalloway”, que é ainda hoje aclamado como um dos livros mais importantes da autora. O sucesso, no entanto, não foi cura para os esgotamentos nervosos e as depressões que continuou a sofrer ao longo da vida.

Em 1941, Virginia Woolf decide terminar com a sua própria vida. Após deixar duas cartas (uma dirigida ao marido e

outra à irmã, Vanessa) a autora britânica dirigiu-se até às margens do rio Ouse

e, enchendo os bolsos com pedras,

entrou no rio e desapareceu entre as águas. O corpo foi encontrado pelas autoridades cerca de 3 semanas depois. Apesar dos seus livros perderem alguma popularidade após a II Guerra Mundial, os movimentos feministas dos anos 70 voltaram a trazer para as luzes da ribalta as histórias de Virginia Woolf, sendo considerada uma das autoras mais importantes da Literatura mundial.

FERNANDO PESSOA (1888-1935) Em 1888, quando Portugal era ainda um reino, nasceu Fernando Pessoa ,
FERNANDO PESSOA (1888-1935) Em 1888, quando Portugal era ainda um reino, nasceu Fernando Pessoa ,
FERNANDO PESSOA (1888-1935) Em 1888, quando Portugal era ainda um reino, nasceu Fernando Pessoa ,

FERNANDO PESSOA

(1888-1935)

Em 1888, quando Portugal era ainda um reino, nasceu Fernando Pessoa, o poeta das muitas caras, numa casa em Lisboa. Apesar de vir a morrer na capital portuguesa (e de ter vivido a maior parte da sua vida nessa cidade) os seus primeiros anos de vida foram passados em Durban, uma colónia da África do Sul, onde o seu padrasto servia como cônsul português.

Mas o que ficou foi uma marca indelével na cultura portuguesa. Mesmo a nível mundial, o legado de Pessoa é impressionante! Além de ter participado na criação de movimentos como o Interseccionismo e o semi-futurista Sensacionismo, Fernando Pessoa esteve

por detrás de tertúlias e fez amizade com nomes notáveis como Mário Sá Carneiro e Almada Negreiros. Parte do seu trabalho literário foi publicado nas edições da revista “Orfeu”, mas o universo literário que conhecemos hoje só foi exposto após a sua morte.

O pai tinha morrido com tuberculose

quando tinha 5 anos e a mãe não tardou a casar pela segunda vez. Fernando Pessoa era por esta altura um rapaz introvertido, provido de uma imaginação sem fronteiras e tinha até um amigo imaginário que seria muito inspirador! Aos 17 anos, acontece o seu regresso a Lisboa e é por essa altura que ingressa no Curso Superior de Letras. A universidade foi substituída pela Biblioteca Nacional. Entre livros

de filosofia, religião, sociologia e, claro, literatura, decidiu tornar-se autodidata.

A educação que tinha recebido numa

escola inglesa na África do Sul tinha sido importante, mas Fernando Pessoa procurava expandir horizontes. Em 1912, dois anos após a queda da Monarquia, escreve o seu primeiro ensaio de crítica literária e em 1914 os primeiros poemas de adulto.

Mas a escrita não lhe punha pão na mesa. Vivendo entre casas de familiares

e quartos alugados, Fernando Pessoa

dedicou-se a fazer traduções ocasionais

e a escrever cartas em inglês e

francês para firmas com negócios no

estrangeiro. A nível amoroso, conhece-

se a sua paixoneta por Ofélia (que

nos chega até hoje através das cartas trocadas entre o casal). Solitário por natureza, e extremamente tímido, não se conhece também uma vida social muito ativa, muito pelo contrário.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

A timidez de Fernando Pessoa não se

reservava apenas ao seu contacto com os outros. Mantendo-se longe das luzes da ribalta, continuou a escrever, mesmo que não procurasse ser publicado. Após a sua morte, a família descobriu na sua arca mais de 25 mil folhas com poesia, peças de teatro, textos políticos, ensaios linguísticos, horóscopos, entre outros textos. Escritos em folhas de cadernos, panfletos ou no papel timbrado das firmas nas quais trabalhava, todos estes textos encontravam-se assinados… embora por muitos nomes.

Ao longo da sua carreira, Fernando Pessoa escreveu sob vários nomes, como forma de distinguir diferentes registos de escrita e personalidades. Entre os seus ilustres heterónimos, encontramos os nomes do sensacionista

Alberto Caeiro, o estóico Ricardo Reis

e o futurista Álvaro de Campos. Mais

do que meros pseudónimos, estes eram homens com histórias definidas, características físicas e personalidades concretas. Fernando Pessoa morreu no dia 30 de Novembro, com 47 anos, daquilo que terá sido uma cirrose hepática. No dia anterior, tinha dado entrada no Hospital de São Luís dos Franceses. A última fase que escreveu, na cama do hospital, não foi em

português mas sim em inglês:

“I know not what tomorrow will bring” (ou em português “Não sei o que o amanhã trará”). 

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA Na escola, provou ser um estudante brilhante
25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA Na escola, provou ser um estudante brilhante

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA Na escola, provou ser um estudante brilhante e

Na escola, provou ser um estudante brilhante e muito talentoso, com um

apetite voraz para a literatura. Clássicos

e histórias de aventuras estavam entre os seus temas preferidos. Chegada

a hora de prosseguir para o ensino

superior entrou para o City College of New York. O sistema tradicional de educação aí ministrado não foi, no entanto, do seu agrado. Incapaz de se

resignar a tal sistema, lançou-se para

o mercado de trabalho, aceitando

empregos que estavam aquém daquilo que desejava.

Com um cariz profundamente sexual, esta obra é sem dúvida o grande marco da carreira de Henry Miller e a polémica causada (como seria de esperar) converteu-o num best seller.

Em 1940, alguns meses após o início

da II Guerra Mundial, o escritor norte- americano fez as malas e regressou aos EUA. Durante esse período, escreveu críticas satíricas sobre o país natal, tecendo os seus próprios comentários pessoais e baseando a sua escrita naquilo que viveu. Na sua autobiografia “The Rosy Cucifixion” mostra de perto os desafios que o comum escritor americano tem de enfrentar para alcançar o sucesso.

A sua visão chocante e por vezes

ofensiva, sempre com intenção de usar a liberdade de expressão para

mostrar a verdade, abriu caminho para

a chamada Beat Generation. Depois

de 2 casamentos fracassados e dos vários casos que alegadamente teve, ainda voltou a casar três vezes. Em 1980, com 88 anos, morreu devido a

problemas circulatórios. Por essa altura, encontrava-se a colaborar com o ator

e realizador Warren Beatty no filme

“Reds”, que acompanhava a história de um jornalista americano com uma visão muito radical e que se encontrava a

cobrir a Revolução Russa.

HENRY MILLER

(1891-1980)

Nascido no dia 26 de dezembro de 1891 em Nova Iorque (EUA), Henry Miller é hoje relembrado como um importante nome da literatura, apesar de a sua obra mais emblemática ter sido banida no país natal. De ascendência alemã, o autor cresceu entre a classe operária de Brooklyn, brincando com a irmã na alfaiataria que o pai mantinha e onde atendia os seus clientes. Mais tarde, esses dias da infância de Miller seriam descritos por ele mesmo como difíceis, mas essenciais.

A nível pessoal a vida de Henry Miller foi

sempre muito intensa. Em 1917, casa com Beatrice Sylvas Wickens, casamento que dura apenas até 1923 e do qual resulta uma filha. Entre os motivos apontados para o divórcio, o mais determinante terá sido o caso com Jane Mansfield, uma dançarina por quem Miller se apaixonou e com quem viria de facto a casar em 1924. Tais enlaces amorosos influenciaram profundamente a sua escrita, como está demonstrado em “Moloch”, na sua autobiografia e ainda no trabalho “Crazy Cocks”, que tem como enfoque a relação lésbica que a sua esposa manteve com a artista Jean Kronski.

Henry Miller e que acabou por ter de novo impacto na sua vida pessoal e profissional. Ao conhecer Anaïs Nin, uma autora nascida e residente em Paris, inicia uma relação amorosa extraconjugal. Por essa altura, dedica- se a “Trópico de Câncer” - livro cuja impressão foi mais tarde financiada pela

própria Anaïs Nin. Isto significa também o fim do segundo casamento de Miller, que se divorcia por procuração em 1934. “Trópico de Câncer” é uma espécie de relato semi-autobiográfico onde dá conta das suas experiências em Paris e esteve banido durante mais de 30 anos nos EUA e no Reino Unido.

Segue-se um período em Paris, entre 1930 e 1939, que provou ser determinante para a carreira de

WILLIAM FAULKNER (1897-1962) O reputado escritor norte-americano William Faulkner começou o seu trabalho na poesia,

WILLIAM FAULKNER

(1897-1962)

O reputado escritor norte-americano William Faulkner começou o seu trabalho na poesia, mas foram os romances que lhe trouxeram reconhecimento. Com uma lista de obras que incluem “The Sound and the Fury” ou “Sanctuary”, o autor conquistou os maiores prémios literários, gravando para sempre o seu nome na história da literatura. Ao longo deste capítulo, voltámos atrás no tempo para conhecer William Faulkner, Prémio Nobel e vencedor de dois Pulitzers.

William Faulkner nasceu em 1897, em New Albany, uma pequena cidade no estado do Mississippi (EUA). O nome é uma herança direta do seu bisavô paterno, William Clark Falkner, um homem com reputação de ser perspicaz, apelidado de ‘Old Colonel’ (Velho

Coronel), lembrado pelo best-seller “The White Rose of Memphis”. A vida do antepassado acabou por servir de inspiração ao bisneto que nunca chegou a conhecer. Além de escritor, o antepassado foi político, soldado, agricultor e homem de

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

negócios. A vida acabou por servir de inspiração ao bisneto, que nasceria cerca de 8 anos após o seu assassinato.

Embora William Faulkner nunca o tenha conhecido, o facto é que cresceu com as histórias do bisavô. Na infância, devemos também assinalar o peso das mulheres da família: tanto a mãe como a avó eram leitoras vorazes e gostavam de pintura e fotografia. Rodeado de arte, Faulkner cedo demonstrou interesse pela literatura. Com 12 anos, era apaixonado pela literatura escocesa, em particular pelas obras de Robert Burns. Curiosamente, apesar de revelar inteligência avançada para a idade, William Faulkner acabou por nunca se formar: a escola aborrecia-o e, por isso, começou a trabalhar como carpinteiro e como funcionário no banco do avô.

Durante a juventude, conheceu Estelle Oldham e terá sido “amor à primeira vista”. Os dois chegaram a namorar, no entanto, um rapaz chamado Cornell Franklin antecipou-se e pediu a mão da jovem. Angustiado pela situação, Faulkner virou-se para Phil Stone, que acabaria por se tornar seu mentor. Foi por esta altura que o escritor se mudou para New Haven (Connecticut). O desgosto amoroso fez com que William Faulkner se focasse na escrita, começando a desenvolver o género narrativo. Trabalhou ainda numa fábrica

de espingardas e decidiu alistar-se na British Royale Flying Corps. Antes disto, o autor já havia tentado fazer parte das Forças Armadas norte-americanas, posição que não conseguiu graças ao seu peso. Para entrar na Royal Air Force, chegou a omitir várias fatores - inclusive mudou o apelido de Falkner para Faulkner (que parecia mais britânico).

O primeiro romance “Soldier’s Pay” foi publicado em 1925. Com a publicação do livro, William Faulkner decidiu deixar os EUA e viajar para a Europa. Viveu nos subúrbios de Paris, escrevendo sobre o Jardin de Luxembourg. Mas porquê escrever sobre França quando William Faulkner sabia tanto sobre o Mississippi? Em 1929, era publicado “The Sound and the Fury”, a sua obra mais icónica, onde cria o fictício Yoknapatawpha County. Seguiram- se “As I Lay Dying” e “Sanctuary”. Entretanto, Estelle Oldham divorcia-se de Cornel Franklin e reacende a jovem. No espaço de seis meses, estavam casados e logo depois tiveram uma filha, Alabama, que acabaria por nascer prematura e morrer alguns dias após o parto. William Faulkner faleceu a 6 de julho de 1962, vítima de ataque cardíaco. Por coincidência, a data coincide com o dia de aniversário do seu bisavô. No ano seguinte, venceu o Pulitzer póstumo, com “The Reivers”.

Nascido no dia 21 de Julho de 1899, Ernest Hemingway cresceu num subúrbio conservador de
Nascido no dia 21 de Julho de 1899, Ernest Hemingway cresceu num subúrbio conservador de

Nascido no dia 21 de Julho de 1899, Ernest Hemingway cresceu num subúrbio conservador de Chicago. Na escola, o interesse pela literatura surgiu quase de mãos dadas com o jornalismo. Assim que termina os estudos começou

a trabalhar no jornal Kansas City Star,

onde ganhou a experiência que viria mais tarde a definir o seu estilo literário. A carreira sofre uma pausa com a entrada dos EUA na I Guerra Mundial. Em 1918, o jovem romancista parte para Itália onde serve o exército italiano como condutor de ambulância.

serve o exército italiano como condutor de ambulância. ERNEST HEMINGWAY Apesar de reconhecido com uma medalha

ERNEST HEMINGWAY

Apesar de reconhecido com uma medalha de prata pelo seu serviço, o

percurso militar neste conflito acabou num hospital em Milão, após sofrer ferimentos ligeiros. É neste contexto que conhece Agnes von Korowsky,

a mulher a quem pede a mão em

casamento e que o deixa, alguns meses mais tarde, trocando Hemingway por outro homem. De coração partido e ainda a recuperar dos ferimentos da

guerra, o norte-americano regressa aos EUA com 20 anos de idade e conhece Hadley Richardson, a mulher que se tornaria a sua primeira esposa. Após

o casamento, o casal mudou-se para

Paris, onde Hemingway trabalharia como correspondente internacional. Na capital francesa, o escritor torna-se rapidamente numa das peças centrais da chamada “Geração Perdida”.

(1899-1961)

O nome de Ernest Hemingway é bastante conhecido na história da literatura. Não só pela obra de excelência com que nos presenteou ao longo da sua carreira, mas também por ter sido condecorado com o Nobel da Literatura e um Pulitzer.

Em 1925, dois anos depois do nascimento do filho John, o casal Hemingway divorcia-se. A causa mais óbvia terá sido o caso extraconjugal que Ernest manteve com Pauline Pfeiffer, a mulher que se tornaria mais tarde a sua segunda esposa. De notar que por esta altura o autor norte-americano já tinha publicado algumas das suas obras

mais emblemáticas, entre as quais “The Sun Also Rises”. A gravidez da sua segunda esposa em 1928 levou Ernest de regresso à América. A família decidiu instalar-se na Florida, onde Hemingway termina o seu trabalho dedicado à sua participação na I Guerra Mundial, “Farewell to Arms” (ou “Adeus às Armas”).

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Nos tempos mortos em que não

escrevia, o autor procurava aventuras.

É assim que parte para expedições

em África, para touradas em Espanha

e pescarias em alto mar. Em 1937,

a Guerra Civil Espanhola leva-o a

trabalhar de novo como correspondente internacional, momento histórico que

o inspirou para escrever “Por Quem

Os Sinos Dobram”, livro pelo qual foi nomeado para o Pulitzer.

O casamento com Pfeiffer acabou por

terminar anos mais tarde e pouco depois Hemingway casa então com a jornalista Martha Gellhorn e o casal muda-se para uma quinta em Havana, em Cuba. Em

1941, a II Guerra Mundial leva-o de novo

à Europa, onde assiste ao desembarque

do exército norte-americano e conhece

a jornalista Mary Welsh (que se viria a

tornar na sua quarta esposa). “O Velho e o Mar”, que se tornou provavelmente

no seu livro mais conhecido, valeu-lhe então o Pulitzer que há tanto desejava.

O Nobel chegaria apenas em 1954.

Contudo é nesta altura que a mente e corpo de Ernest Hemingway começam

a dar sinais de velhice e surgem

depressões fortes. A vida do célebre autor viria assim a terminar no dia 2 de julho de 1961, quando se suicida na sua casa em Ketchum, Idaho (EUA).

VLADIMIR NABOKOV (1899-1977) É em São Petersburgo (Rússia), no dia 23 de Abril de 1899,

VLADIMIR NABOKOV

(1899-1977)

É em São Petersburgo (Rússia), no dia 23 de Abril de 1899,

que nasce Vladimir Nabokov, o mais novo escritor russo nesta lista. Numa época em que a Rússia se começava a transformar lentamente, Vladimir nasce no seio de uma

família abastada, que encoraja os seus filhos a imaginar

e pensar sem limitações. Com uma educação refinada,

prestada por um tutor particular, o jovem Vladimir Nabokov aprende várias línguas (aprende a escrever em inglês antes de saber escrever russo!), matemática, puzzles e pratica ainda futebol e boxe.

Mesmo assim, o jovem russo é delicado

e sensível: a sua paixão por borboletas

é prova disso mesmo. Aos 11 anos, entra na escola e rapidamente estuda estes delicados insetos, tema que mereceu

a sua curiosidade ao longo da vida e

que fez dele um sério especialista na matéria ainda na juventude. O interesse pela escrita e artes literárias não chegou muito depois. Em 1914, com cerca de 15 anos, publicou o seu primeiro livro de poemas.

É então que, por esta altura, os ânimos

aquecem na Rússia e a família Nabokov

sofre um terrível abalo. Estamos em 1917 quando a Revolução Russa tem início e

o

regime autocrático do Czar Nicolau

II

é violentamente abolido. O pai de

Vladimir Nabokov (que não muito antes tinha participado num movimento que propunha a democracia para a Rússia) vê as suas terras e fortuna confiscadas pelo regime comunista.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Em 1925, Vladimir casa com Vera Slonim

e juntos têm um filho. Entretanto, o

autor russo foi escrevendo e ganhando a

vida dando aulas de boxe, ténis, línguas

e, surpreendentemente, construindo

palavras-cruzadas para jornais. Traduções, poemas e contos também fizeram parte desta fase da sua vida.

Em 1940, a família mudou-se para os EUA, onde Nabokov aceitou um cargo como professor de línguas na

Universidade de Stanford. É aí que, entre 1941 e 1948, dá aulas e se torna a pouco

e pouco num prestigiado especialista

em literatura e… insetos. Apesar da escrita fazer parte do seu dia-a-dia, o sucesso alcançado com os seus livros e publicações nunca alcançaram o sucesso que veio posteriormente com “Lolita”.

A infame história de um professor que

se apaixona por uma aluna de 12 anos

é descrita em “Lolita”, abordando

A

família devastada foge então para

de forma triste e satírica o tema da pedofilia. A polémica causada pela

Londres (Inglaterra) à procura de um

recomeço. Esta foi uma altura de novas oportunidades. Em 1919, ao completar

publicação foi tal que houve mesmo livrarias a banir o livro das suas estantes. Em 1962, Nabokov escreveu

20 anos, o jovem Vladimir Nabokov é

o

argumento do filme e, graças a todo

aceite na Universidade de Cambridge

o

lucro gerado, pôde deixar o ensino e

e prossegue os seus estudos em

literatura russa e francesa. Terminado o curso, parte para Berlim, onde a família permanecia após o violento assassinato do seu pai às mãos de um monarquista.

dedicar-se de corpo e alma à escrita. Em

1960, abandonou em definitivo os EUA, instalando-se na Suíça, onde acabaria por morrer 17 anos mais tarde, com 78 anos.

Filho de uma família de classe média, Jorge Luis Borges descende de uruguaios e de
Filho de uma família de classe média, Jorge Luis Borges descende de uruguaios e de
Filho de uma família de classe média, Jorge Luis Borges descende de uruguaios e de

Filho de uma família de classe média, Jorge Luis Borges descende de uruguaios e de marinheiros portugueses que terão vivido na zona de Moncorvo, mas nasceu em Buenos Aires (Argentina). Com apenas 7 anos de idade, o pequeno

Jorge disse ao pai que ser escritor era o seu futuro. As palavras podiam não ter passado de um sonho infantil, mas este não foi o caso. Com 9 primaveras feitas, Jorge Luis Borges (que dormia com Camões debaixo da almofada) publicava

o seu primeiro conto, “La Visera Fatal”,

um trabalho precoce inspirado em Dom Quixote de Cervantes. Estávamos então no ano de 1908.

Alguns anos depois, a família Borges decide mudar-se de Buenos Aires para

a Suíça, na esperança de encontrar

tratamento para a doença degenerativa de que o pai de Jorge Luis Borges padecia. Graças à mudança, grande parte

da educação do escritor argentino foi europeia. A instabilidade política vivida na Argentina determinou a decisão de que a família se mantivesse no Velho Continente, predominantemente na Suíça

e em Espanha.

O regresso ao país natal aconteceu em 1921. Com 22 anos, Jorge Luis Borges começou a integrar-se no meio cultural de Buenos Aires. Dois anos depois publicou a primeira obra poética, um

JORGE LUIS BORGES

(1899-1986)

Apesar de nunca ter sido distinguido com o Nobel da Literatura, Jorge Luis Borges é um nome assíduo nas listas de melhores escritores do século XX. Escritor, poeta, dramaturgo e crítico literário, este homem das letras brindou o mundo com convicções fortes e obras marcantes, como “Ficciones”, de 1944, ou “O Aleph”, de 1949.

livro chamado “Fervor de Buenos Aires”. Começava assim uma longa carreira que acabaria por se tornar numa das mais importantes da América Latina e da corrente surrealista.

Durante os anos 20, Jorge Luis Borges publicou livros de poemas e ensaios.

Chegou mesmo a inventar um novo género que se chamaria conto-ensaio. Em 1931 começou a colaborar com a revista Sur, um suplemento literário do jornal Criteria, do qual se viria a tornar editor. O estilo de escrita foi muitas vezes descrito como de outro mundo, no sentido em que tinha pouco de realista.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Com uma saúde cada vez mais frágil, Jorge Luis Borges herdou a doença paterna e cedo começou a perder a visão. Aliás, com 55 anos, a cegueira já era total. Apesar da condição física, o escritor nunca deixou de viajar, nem de ministrar vários cursos universitários. “Estando cego, vivo na solidão e, durante todas essas horas, resta-me imaginar”, disse. Enquanto o pode fazer, Borges foi um devorador de enciclopédias, facto que lhe deu não só conhecimento sobre a literatura, mas sobre várias áreas científicas e humanas.

Conhecido pelas opiniões políticas controversas, Jorge Luis Borges foi apoiante do ditador chileno Augusto Pinochet, político que inclusive o condecorou. O apoio justificado muitas vezes como pura ingenuidade valeu-lhe as atenções dos media e várias críticas de outros ativistas políticos. A posição política foi depois retirada durante um jantar em Estocolmo.

Com a chegada ao poder do partido peronista, no ano de 1973, o escritor foi obrigado a deixar a posição de diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires, trabalhando como palestrante. Acabou por falecer em Genebra (Suíça), cidade onde se fixou em 1986 e onde morreu pouco tempo depois, vítima de cancro no fígado.

JORGE AMADO (1912-2001) Brasil, dia 10 de agosto de 1912. Neste dia histórico nasceu Jorge

JORGE AMADO

(1912-2001)

Brasil, dia 10 de agosto de 1912. Neste dia histórico nasceu Jorge Amado, na Fazenda Auridícia, algures no distrito de Ferradas no sul do Estado da Bahia. João Amado de Faria,

o seu pai, ganhava a vida dedicando-se à produção de

cacau. Um ano mais tarde, uma praga de varíola obriga

a família a deixar a fazenda para trás e a instalar-se em

Ilhéus, onde o casal Amado e os seus quatro filhos viveram nos anos seguintes.

É aqui que Jorge Amado passa então

a sua infância, recolhendo a inspiração

para romances futuros como “Capitães de Areia”, e onde inicia os seus estudos. Com 14 anos e um interesse assumido

pelo mundo literário, decide colaborar com jornais e fundar a Academia dos Rebeldes, um grupo composto por jovens que tinham como ambição renovar a literatura da Bahia.

Na altura de escolher um curso superior decidiu optar pelo Direito, mudando- se então para o Rio de Janeiro. Nesse espaço académico, propenso

a

discussões artísticas e ideológicas,

o

autor brasileiro tem o seu primeiro

contacto com o movimento comunista.

Em 1931, inicia a sua carreira literária com o lançamento do romance “O País do Carnaval”. O seu segundo romance, denominado “Cacau”, seria lançado em 1933, o mesmo ano em que subiu ao altar para casar com Matilde Garcia Rosa, com quem teve uma filha. Em 1935, terminados os estudos, torna-se jornalista.

Uma vez que era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), viveu dias intensos no início dos anos 40. Entre 1941 e 1942, exila-se entre a Argentina e o Uruguai. O seu regresso ao Brasil acontece em 1944, altura em que rompe o casamento com Matilde Garcia Rosa. Ainda como membro do PCB, Jorge Amado foi eleito em 1945 como deputado federal do Estado de São Paulo. A sua breve passagem por este cargo político foi marcada pela aprovação da emenda que salvaguarda

a liberdade religiosa e, mais tarde,

a emenda que garante a existência

de direitos de autor no Brasil. Entre os momentos de glória deste ano,

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

encontra-se o segundo casamento de Amado, desta vez com Zélia Gattai.

Mas eis então que acontece uma reviravolta: o PCB é declarado ilegal em 1947 e todos os seus membros começam a ser perseguidos. Jorge Amado, que tinha acabado de ser pai de João Jorge, vê-se obrigado a partir de novo para o exílio, virando-se desta vez para França, onde vive até ser expulso em 1950. Seguiu-se a passagem por Praga (Checolosváquia), até 1952, e finalmente o regresso ao Brasil.

Apesar de continuar nas listas do PCB, Jorge Amado afastou-se da vida política. A partir deste ponto dedicou- se em exclusivo à literatura. Hoje, a sua obra literária foi adaptada inúmeras vezes para cinema, teatro e televisão. Os seus livros encontram-se traduzidos em 49 idiomas e foram, ao longo dos anos, condecorados com muitos prémios nacionais e internacionais, sendo considerado de forma unânime um dos maiores escritores de sempre em língua portuguesa. O autor brasileiro faleceu no dia 6 de agosto de 2001 em Salvador da Bahia. As suas cinzas, tal como tinha desejado, foram enterradas no jardim de sua casa, no dia em que faria 89 anos.

O curso foi concluído com sucesso em 1933. Por essa altura, Vinicius de Moraes já
O curso foi concluído com sucesso em 1933. Por essa altura, Vinicius de Moraes já

O curso foi concluído com sucesso

em 1933. Por essa altura, Vinicius de Moraes já se tinha iniciado na escrita de poemas. Era então conhecido como “o poetinha”, alcunha que manteve até ao fim dos seus dias. Mais tarde, começou

a trabalhar como censor de cinema

para o Ministério da Educação e Saúde; não muito depois conseguiu uma bolsa de estudo na Universidade de Oxford, Inglaterra. Mas independentemente da profissão, Vinicius de Moraes manteve sempre a produção artística.

Vinicius de Moraes manteve sempre a produção artística. O trabalho como crítico e o gosto pelo

O trabalho como crítico e o gosto

pelo cinema levaram o poeta a aprofundar conhecimentos na 7ª arte. Ainda na década de 40, estudou com Orson Welles e fundou a revista Film. Entretanto, passou a década seguinte em grande parte na Europa,

maioritariamente entre Paris e Roma. Lá conjugou funções como diplomata com

a realização de tertúlias e encontros

na casa do historiador, jornalista e escritor, Sérgio Buarque de Holanda. Em simultâneo, aproveitou a oportunidade para estudar a organização de festivais de cinema, como o de Cannes.

VINICIUS DE MORAES

(1913-1980)

Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes nasceu no dia 19 de outubro de 1913 na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. O pai era funcionário da prefeitura, mas ocupava os tempos com poesia e violino, enquanto a a mãe era pianista amadora. Quando tinha apenas 3 anos, a família mudou-se para bairro de Botafogo, onde viveu com os avós paternos. Bom aluno, o jovem acabou por ingressar no ensino superior para estudar na Faculdade de Direito da Rua do Cacete. Lá conheceu o jornalista e escritor Otávio de Faria, que seria fundamental para o despertar do gosto pela literatura de uma dos maiores autores de sempre da literatura brasileira.

A reputação como homem das letras

fez com que se tornasse num nome

importante no exterior e trouxe-lhe

o reconhecimento dentro do país.

Começou também a mítica parceria com Tom Jobim, com quem vira a compor grandes temas da música brasileira,

como “Eu sei que vou te Amar” e “Garota do Ipanema”. O papel relevante de Vinicius de Moraes estendeu-se à

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Bossa Nova, género brasileiro que se impôs mundialmente em 1958. “Chega de Saudade”, escrito por Vinicius de Moraes e interpretado por Tom Jobim, foi um dos principais temas do movimento musical. Seguiram-se novas colaborações e parcerias com uma série de outros artistas.

Entre as artes e a diplomacia, o escritor brasileiro volta à Secretaria de Estado das Relações Exteriores em 1960. No mesmo ano, saía a sua famosa “Antologia Poética”. Nesta década ainda compôs afro-sambas com Baden Powell, e começou a fazer pocket shows (espetáculos de curta-duração) com Tom Jobim e João Gilberto. O ano de 1963 marca o regresso a Paris numa delegação do Brasil e da UNESCO. No ano seguinte, regressou ao país natal, onde um ano depois lançou “Cordélia e o Peregrino”.

Nos anos 70 iniciou a parceria com Antonio Pecci Filho, mais conhecido por Toquinho, um grande violinista brasileiro. Da colaboração entre ambos, nasceriam temas icónicos como “Como Dizia o Poeta”, “Tarde em Itapoã” e “Testamento”. Música, cinema, poesia e literatura continuaram a fazer parte da vida de Vinicius de Moraes até 9 de julho de 1980, quando faleceu na sua Cidade Maravilhosa.

JACK KEROUAC (1922-1969) Quebrou barreiras, abriu horizontes, contou segredos, retratou uma nova geração e marcou

JACK KEROUAC

(1922-1969)

Quebrou barreiras, abriu horizontes, contou segredos, retratou uma nova geração e marcou para sempre a história da literatura com a sua prosa espontânea. Jack Kerouac ainda hoje é reconhecido como

o maior talento literário da Beat Generation, mas a influência do

autor de “On The Road” é tão vasta e incisiva, que os seus efeitos permanecem actuais. Jean-Louis Lebris de Kerouac nasceu em 1922 em Lowell, Massachusetts (EUA). Os pais eram naturais do Quebec, Canadá, sendo que o pai tinha a sua própria tipografia.

A infância feliz foi marcada por um acontecimento trágico que viria

a determinar a sua escrita: quando tinha 4 anos, o irmão mais velho faleceu. Como resultado, a família virou-se para o catolicismo.

Com jeito para o futebol e para o basquetebol, o jovem encarava as modalidades como o seu passaporte para o futuro. E foi, de facto, o desporto

que o levou até ao ensino superior com uma bolsa da Universidade de Columbia. Mas, durante o primeiro ano na Universidade, Jack Kerouac partiu uma

perna e quando regressou foi rejeitado pelo treinador, acabando por desistir da equipa e dos estudos num ato impulsivo. Para se sustentar, agarrou várias profissões. Com a chegada da II Guerra Mundial, Jack Kerouac alistou-se nos Marines mas acabou por ser dispensado devido a “fortes tendências esquizóides”!

Depois da experiência militar mal- sucedida, o jovem regressou a Nova

Iorque, onde iniciou com Allen Ginsberg

e William Burroughs as bases do

movimento Beat Generation. O icónico livro auto-biográfico “On The Road”

é o romance mais conhecido de Jack

Kerouac, sendo considerado por muitos como uma verdadeira obra-prima sem precedentes. O livro introduziu uma nova forma de contar histórias e foi inspirado numa série de viagens pelos EUA, em conjunto com o seu grande amigo delinquente Neal Cassady.

Embora seja um livro ancorado em episódios reais com pitadas de ficção,

a Bíblia da Beat Generation conta a

viagem de dois jovens, Sal Paradise (Jack Kerouac) e Dean Moriarty (Neal Cassady), que embarcam em aventuras

repletas de sexo, droga e música, em conjunto com pensamentos filosóficos

e introspecções profundas. A lenda

conta que o livro “On The Road” foi

escrito em 3 semanas num único rolo de papel, que no final tinha 36 metros de

comprimento!

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

Sem grandes preocupações de pontuação e sem pensar muito na escolha das palavras, Jack Kerouac escrevia como pensava, criando desse modo um registo único e vibrante. Numa obra onde a verdade

e ficção se cruzam, surgiu o estilo

“prosa espontânea”, inspirado pela improvisação típica do estilo be-bop da música jazz. “On The Road” foi lançado em 1957, seis anos depois da sua conclusão. O livro foi um sucesso imediato, muito graças a um review do The New York Times, onde se lia que a obra viria seguramente a ser o símbolo da Beat Generation. No período entre a conclusão e a publicação do seu grande sucesso, Jack Kerouac não parou de escrever nem de viajar. Com o poeta Gary Snyder, explorou o budismo numa viagem que deu origem a “The Dharma Burns”, primeiro livro publicado depois de “On The Road”. Seguiram-se vários outros romances, como “The Subterraneous”, “Dr. Sax” ou “Big Sur”. Apesar de se manter na

ribalta durante muitos anos, a verdade é que Jack Kerouac nunca conseguiu um êxito que lançasse sombra sobre “On The Road”. O fim dos dias foi marcado pelo alcoolismo e pelo consumo de drogas. Ao longo da vida,

o escritor casou 3 vezes e teve uma

filha do segundo casamento. Faleceu em 1969 na Florida, quando tinha apenas 47 anos de idade, vítima de uma hemorragia no abdómen.

Anos depois, o pai decidiu largar o campo para ir trabalhar como polícia para Lisboa.
Anos depois, o pai decidiu largar o campo para ir trabalhar como polícia para Lisboa.
Anos depois, o pai decidiu largar o campo para ir trabalhar como polícia para Lisboa.

Anos depois, o pai decidiu largar o campo para ir trabalhar como polícia para Lisboa. As condições de vida melhoraram, mas só quando tinha 13 ou 14 anos teve a sua primeira casa. Até então, a família Saramago viveu em divisões partilhadas juntamente com outras famílias.

Apesar das melhorias, a família continuava a ter muitas dificuldades económicas. Como tal, José Saramago teve de deixar a escola, que tinha frequentado com distinção. A alternativa foi enveredar pelo ensino profissional, onde aprendeu a arte de serralheiro mecânico. Em simultâneo com o trabalho numa fábrica de automóveis, começou a aproveitar os tempos livres para visitar a biblioteca e cultivar a paixão pelos livros.

O aprofundamento nas letras fez

com que se tornasse qualificado para um trabalho como administrativo da Segurança Social. Em 1944, casou com

a então dactilógrafa e futura artista plástica de renome, Ilda Reis.

A intervenção política pró-

comunista e a postura contra o regime salazarista fez com que fosse despedido em 1949. Voltou então à metalúrgia, atividade que viria a largar novamente para trabalhar na Estúdios Cor, uma editora.

JOSÉ SARAMAGO

(1922-2010)

Natural do Ribatejo, Portugal, José Saramago era filho de uma família de camponeses que trabalhavam as terras dos outros. O Nobel da Literatura português chamar-se-ia José de Sousa (nome que também é o do pai) se o empregado do Registo Civil não tivesse decidido, por iniciativa própria, colocar o apelido da família: Saramago.

No período seguinte começou a trabalhar como crítico literário. O trabalho na editora continuou até 1971. Um ano antes, divorciou-se de Ilda Reis e aproximou-se da escritora Isabel Nóbrega, com quem ficaria até 1986. No ano de 1975, exerceu o cargo de diretor- adjunto do Diário de Notícias, sendo depois demitido na sequência do golpe militar de 25 de Novembro.

A instabilidade política e o desemprego

levaram José Saramago a dedicar-se inteiramente à literatura. Decidiu então instalar-se no Alentejo para se focar na escrita. O livro “Levantado do Chão” (1980) foi o culminar desse período de introspeção. Antes disso, em 1978,

publicou a coletânea “Objecto Quase”

e, em 1979, a peça de teatro “A Noite”.

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

A década de 80 foi totalmente dedicada

aos romances. Foi nesta altura que

foram editadas algumas das obras mais importantes do escritor português

e que o tornaram mundialmente

reconhecido pelo estilo de escrita ímpar.

Obras como “Memorial do Convento”, “Ano da Morte de Ricardo Reis”, “A Jangada de Pedra” e “História do Cerco de Lisboa” ainda hoje são lidas por milhões de pessoas em todo o Mundo. Também nesta década, em 1986, conheceu Pilar del Rio, jornalista com quem casaria dois anos depois.

Em 1991, a polémica da censura em torno do livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo” pelo Governo Português fez com que José Saramago optasse por mudar de residência, passando a viver na ilha de Lanzarote, Espanha. Foi aí que passou a escrever as suas obras, com destaque para “Cadernos de Lanzarote” (com escrita começada em 1993) e “Ensaio sobre a Cegueira” de 1997. Em 1995 recebeu o Prémio Camões, atingindo a consagração mundial em 1998, quando venceu o prémio Nobel da Literatura. Em 2007, nasceu a Fundação Saramago, cujo objetivo principal é a divulgação da literatura e a defesa dos Direitos Humanos. O extraordinário escritor português faleceu em junho de 2010, na ilha de Lanzarote.

É em Amarante, Portugal, no dia 15 de outubro de 1922, que nasce Maria Agustina

É em Amarante, Portugal, no dia 15 de outubro de 1922, que nasce Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, mais conhecida pelo pseudónimo com que assina a sua obra. Era a segunda e última filha de Artur Teixeira de Bessa, um emigrante português, partido para o Brasil com apenas 12 anos, que regressara já em adulto com a fortuna ideal para assentar e criar família. De regresso a Portugal, o pai de Agustina Bessa-Luís tornou-se gerente do Casino da Póvoa. Contudo, a escritora guarda poucas recordações paternas, pois o seu pai faleceu quando tinha apenas dois anos.

Educada em exclusivo pela mãe, Laura Jurado Ferreira, Agustina Bessa-Luís cresce entre os livros da biblioteca do avô materno, onde terá tido o seu primeiro contacto com grandes nomes da literatura francesa e inglesa. À medida que se embrenha em histórias clássicas, desenvolve ela mesma um gosto pela escrita e pela arte de contar histórias. E sob o nome de Maria Ordoñes escreve dois contos.

E sob o nome de Maria Ordoñes escreve dois contos. AGUSTINA BESSA-LUÍS (1922) Desde 2006 que

AGUSTINA BESSA-LUÍS

(1922)

Desde 2006 que não se sabe muito sobre a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís. Tratando-se de um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa do século XX, a autora (que completou em 2012 os seus 90 anos) retirou-se da vida pública pouco depois de terminar o seu último romance “A Ronda da Noite”, repousando também a caneta e o papel.

 

Agustina Bessa-Luís casou a 25 de julho de 1945, no Porto. As circunstâncias

Entre a sua vasta atividade literária integram-se 49 romances, biografias

Em 1932, ano em que fez 10 anos,

do seu encontro com Alberto Luís são

e

inúmeras peças de teatro, memórias

mudou-se de Amarante para a cidade

peculiares, pelo menos para os dias de

e

histórias infantis. O seu interesse

do Porto para estudar. É na Invicta que passa parte da sua adolescência e onde vem a fixar residência em 1950, após um período de 5 anos em Coimbra, onde o marido se encontrava a estudar Direito.

hoje. Tudo aconteceu depois da autora ter colocado um anúncio no jornal, procurando uma pessoa culta com quem se corresponder.

assumido pela obra e vida de Camilo Castelo Branco, que influenciou profundamente Agustina Bessa-Luís, é espelhado em vários dos seus escritos, inclusive numa exploração fictícia da

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

vida do autor do século XIX. Devido à sua escrita pungente e poderosa uma grande parte da obra literária da autora está traduzida para alemão, castelhano, dinamarquês, francês, italiano e romeno.

Embora, a escrita seja a principal

faceta pública de Agustina Bessa-Luís, esta não é a única actividade onde se destacou. Ao longo da carreira, foi membro do Conselho Diretivo da Comunidade Europeia dos Escritores

e colaborou com grandes publicações.

Chegou mesmo a ocupar o cargo de diretora do jornal Primeiro de Janeiro, entre 1986 e 1987.

A sua relevante obra e importância

no apoio à literatura valeu-lhe várias distinções, entre elas o Prémio Camões de 2004, que recebeu quando tinha 81 anos. De acordo com o júri, a escolha foi justificada pela capacidade de criar um “universo romanesco de riqueza incomparável”, pelas “excepcionais qualidades de prosadora” e pelo inúbitavel contributo para o “patrimínio literário e cultural da língua comum”. Em 2005, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto atribuiu-lhe o título de doctor honoris causa.

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ (1928-2010) Gabriel García Márquez nasceu no ano de 1928, em Aracatca, Colômbia.

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

(1928-2010)

Gabriel García Márquez nasceu no ano de 1928, em Aracatca, Colômbia. O avô materno era um antigo coronel com ideologia de esquerda ao par que o pai, que tinha estudado medicina, mantinha uma ideologia da direita conservadora. As diferenças políticas tornaram o noivado difícil, mas apesar de tudo, o antigo coronel acabou por não se opor à união da filha com o pai do escritor colombiano. Da relação de ambos, nasceram 12 crianças; Gabriel foi o primeiro. A obra-prima “Amor em Tempos de Cólera” foi inspirada nesta história de amor.

Gabriel García Márquez viveu até aos 8 anos com a avó, uma contadora de histórias nata, conhecedora das lendas e mitos da América Latina. A forte imaginação enquanto criança foi também

estimulada pelo avó, que frequentemente lhe falava dos conflitos e cenários de guerra. A morte do general fez com que Gabriel voltasse a ficar aos cuidados dos pais durante um período curto de

25 ESCRITORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA LITERATURA

tempo. Anos mais tarde, já com 14, recebeu uma bolsa de estudo no Jesuit Liceo Nacional, onde esteve até entrar na Universidade Nacional de Colômbia para estudar Direito. Mas a verdade é que, em vez de advogado ou jurista, Gabriel queria era ser jornalista. Com o início da Guerra Civil, a Universidade Nacional da Colômbia foi obrigada a fechar e Gabriel García Márquez deixou Bogotá para viver em Cartagena, onde começa a trabalhar como jornalista.

No início dos anos 50, o autor colombiano mudou-se novamente, desta vez para Barranquilla. O primeiro romance chamou- se “La Hojarasca”, foi lançado em 1955

e

bebia inspiração de William Faulkner

e

do seu “Yoknapatawhpa County”.

Uma vez no jornal El Espectador, o jornalista usou os seus textos para falar da corrupção da ditadura de Gustavo Rojas Pinilla. O impacto foi de tal forma grande que o jornal acabou por enviar Gabriel García Márquez para a Europa, onde viria a desempenhar a função de correspondente.

Entretanto, o El Espectador acabou por

fechar. Sem trabalho, o jornalista começou

a focar-se na literatura. Em 1957, publicou

“El Coronel No Tiene Quien Le Escriba” (“Ninguém Escreve ao Coronel”). O seu livro mais famoso, “Cem Anos de Solidão”, foi lançado pela primeira vez em 1967, na Argentina.

A obra, que é sem dúvida a mais

conhecida do autor, valeu-lhe vários prémios internacionais e foi aplaudida tanto pela crítica como pelo público. Entretanto, já se tinha casado com Mercedes Barcha Prado e tido o seu

primeiro filho.

A década de 70 voltou a ser marcada

pelo ativismo político. Ao passo que continuava a escrever, Gabriel García Márquez mostrou-se também um apoiante das ideologias mais à esquerda da América Latina. A posição a favor do governo comunista de Cuba fez mesmo com que fosse impedido de entrar nos Estados Unidos da América sem autorização especial.

O regresso à Colômbia deu-se em 1974.

Porém, em 1981, Gabriel García Márquez soube dos planos do governo para o prenderem, acusando-o de apoiar um grupo armado esquerdista. O México foi o país que lhe deu asilo político. No ano seguinte, venceu o prémio Nobel da Literatura. A premiação foi considerada por Gabriel García Márquez não como um galardão individual, mas como uma vitória para a literatura hispânica. Belisario Betencur convidou o escritor a regressar à Colômbia, oferecendo privilégios políticos

que recusou. Faleceu em 2010 na cidade do México o mestre do realismo mágico que se descrevia a si próprio como um jornalista que escrevia ficção.

QUEM SOMOS

“Sempre imaginei que o paraíso seria uma espécie de biblioteca”.

Jose Luís Borges

O Mundo de Livros é como uma biblioteca que está sempre aberta para si. Neste mundo de heróis e vilões, histórias

e poemas, tinta e papel, pode encontrar de tudo um pouco. Nas nossas prateleiras cabe qualquer tipo de livro:

desde as grandes epopeias a novidades fresquinhas que acabaram de chegar às livrarias. E não deixamos ninguém de fora. Autores de grandes clássicos da literatura recebem a mesma atenção que jovens escritores à procura de reconhecimento no mercado.

O Mundo de Livros é um dos ramos da rede de blogs criada pela Beat Digital equipa encarregue pela produção dos

conteúdos, constituída pela redação do blog Estratégia Digital, espera estimular o hábito da leitura. Conscientes de que ler nos dá asas para viver vidas para além das nossas, sonhar de olhos abertos e fazer amigos de tinta e papel, esperamos partilhar com qualquer pessoa as nossas aventuras literárias.

Acabou um livro e não saber o que ler a seguir? Deixe-se seguir pelas nossas sugestões e saiba o que temos a dizer sobre um determinado romance que está a pensar ler. Além de análises, poderá encontrar novidades recentes relacionadas com o universo literário, conhecer novos autores, histórias por detrás de histórias, promoções, entrevistas com escritores, entre outros conteúdos.

entrevistas com escritores, entre outros conteúdos. MUNDO DE LIVROS Siga-nos nas redes sociais    

Siga-nos nas redes sociais

         

http://mundodelivros.com

         

info@mundodelivros.com