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Cara Senhora Scaife e estudantes da CRMS,

Eu gostaria de agradecer por todas as suas cartas expressando seu desapontamento com nossa adaptação de
Percy Jackson e Os Olimpianos: O Ladrão de Raios. Apesar de não concordar com sua avaliação, eu admiro
sua paixão e muito respeito sua opinião, bem como sua coragem de defender suas ideias e deixá-las claras. Eu
também aplaudo a Senhora Scaife por encorajar seus alunos a ler os livros do Senhor Riordan. Eu acho que
eles são histórias brilhantemente criativas que dão uma maravilhosa introdução ao mundo da mitologia grega.

Eu gostaria de responder algumas das preocupações e reclamações de suas cartas e espero que vocês
possam manter a cabeça aberta e manter a mesma atitude respeitosa que tive enquanto lia suas cartas.
Diversidade de opiniões, bem como respeito para aquelas opiniões com as quais não concordamos, é muito
importante nos dias de hoje (e em todos os tempos, mesmo na Grécia antiga!).

Primeiro, vocês deveriam saber que, como roteirista, eu tenho de “servir à dois mestres”: O estúdio que está
financiando o filme e o diretor que tem a última visão dele. EU não simplesmente decidi adaptar o livro por conta
própria e, então, entregá-lo para o diretor e o estúdio. EU fui contratado para adaptar isso e para executar a
visão deles do filme. Muitas das decisões feiras não foram minhas e, até mesmo, alguns diálogos que vocês
mencionaram foram adicionados depois que terminei o script. Ou seja, muitas das coisas que vocês assumiram
e a quem culparam são injustas e imprecisas. Dito isso... Eu me responsabilizo por cada cena desse filme e
estou muito orgulhoso dele e da positiva mensagem geral que ele passa.

Agora, para responder algumas de suas preocupações e reclamações:

1. “Sérias dúvidas” de que eu tenha lido o(s) livro(s). Eu faço uma exceção quanto a isso. Li o Ladrão de Raios
não menos que 6 vezes. Minha cópia está tão esfarrapada e sublinhada que, provavelmente, não sobreviveria
uma nova leitura. LI também Mar de Monstros três vezes, Maldição do Titã duas e a Batalha do Labirinto e O
Último Olimpiano, uma.

Como, então, vocês podem me perguntam (como muitos de vocês perguntaram), pode a história mudar
tanto assim? Bem, eu argumentaria que, no geral, não mudou tanto.

Primeiro, com relação ao personagem do Percy Jackson. Apesar de algumas cartas de vocês sugerirem que
mudamos isso, nós mantivemos o fato de que o Percy tem Déficit de atenção e dislexia porque isso era muito
muito importante para todos nós. A filha do Chris Columbus tem dislexia e era extremamente importante para
ele (assim como para mim e para o Sr. Riordan) mostrar que essas chamas “deficiências” podem, na realidade,
ser importantes presentes. Isso se manteve no filme e eu estou bastante orgulhoso da mensagem que
mandamos. Eu não tenho certeza sobre como vocês podem não ter percebido isso, mas se assistirem
novamente ao filme, vocês verão que isso está lá desde o começo.

Quanto à história e ao roteiro...

Eu acho que nos mantivemos bem fiéis a narrativa geral do livro, apesar de termos de ter removido alguns
pedaços e feito algumas mudanças. Se olharmos para adaptações mais antigas como O Mágico de Oz até as
mais recentes como O senhor dos Anéis, cinegrafistas sempre tiveram que enfrentar esse desafio. O que fica?
O que vai embora? Se nós filmássemos cada coisa do livro, o filme teria de ter sido quatro horas mais longo e
não havia jeito de o estúdio permitir isso. Nós tínhamos ordens de fazer um filme com duas horas ou mesmo,
sem mais. Então, sim, alguns fãs sentiram falta de algumas coisas (eu senti falta de algumas coisas). Quanto à
esses elementos novos que vocês possam ter achado ofensivos, eu vou discuti-los também.

Mas, primeiro, vamos focar nas muitas, muitas coisas que nós mantivemos do livro:

a. A vida normal do Percy: Déficit de atenção; amizade com Grover; dificuldades com a escola; Sr.Brunner
cuidando de Percy; mãe trabalhadora; relação antagonista com seu padrasto Gabe.
b. A viagem para o museu e a Sra. Dodds se transformando em uma Fúria; a caneta-espada (Contracorrente).
c. Percy, sua mãe e Grover fugindo para o Acampamento Meio Sangue.
d. O Minotauro e a abdução de Sally.
e. O primeiro dia de Percy no acampamento; descoberta de que o Sr. Brunner é Quíron; apresentação de Luke
e Annabeth no acampamento; revelação de que Percy é um semideus, filho de Poseidon e de que é acusado de
ser o Ladrão de Raios.
f. Captura da bandeira e celebração.
g. Percy, Annabeth e Grover vão em uma missão para resgatar a mãe de Percy de Hades (se você ler o livro
com atenção, vai ver que essa sempre foi a real motivação de Percy; ele não poderia se importar menos com
encontrar o raio de Zeus).
h. A sequência da Medusa em Nova Jersey.
I. A sequência da Hidra também, se for pensar. NA verdade, nós “roubamos” a Hidra de Mar de Monstros
porque nós nunca conseguiríamos que a Quimera parecesse boa ou assustadora o bastante (há uma razão
para os gregos raramente a desenharem – ela parece estúpida!). Mas, mover coisas de um livro para outro é
uma prática comum quando se adapta séries. Isso aconteceu com os filmes de Senhor dos Anéis e Harry
Potter.
j. A sequência do Cassino Lótus em Las Vegas.
k. O encontro com Caronte, o condutor do barco na entrada do Hades.
l. Percy confronta Hades, liberta sua mãe e é revelado que o Raio de Zeus está com ele (foi colocado, sem que
ele soubesse).
m. Percy e companhia usam as pérolas verdes para escapar de Hades.
n. O elevador no Empire State que leva até o Olimpo.
o. O confronto final de Percy com Luke; Luke é revelado como o ladrão.
p. Percy entrega o Raio de volta para Zeus no Olimpo, encerra a guerra e tem algumas poucas palavras de
reconciliação com seu pai.

Considerando tudo isso, eu acho que seria extremamente injusto sugerir que eu não li os livros. Eu gostaria
também de perguntar, considerando tudo que conseguimos colocar da história em um filme de duas horas, o
que você teria tirado das coisas que acabei de listar para poder colocar outra coisa? Honestamente, eu estou
impressionado com quanto fomos capazes de manter. Em diversos pontos durante o orçamento e a escrita do
script, tivemos discussões e pressão para deixar de lado muitas dessas coisas como a Captura da Bandeira, o
Cassino Lótus, etc, para fazer um filme mais acessível. Chris Columbus merece uma salva de aplausos por
lutar para manter essas coisas como lutou.

Quanto aos elementos da história que mudaram, muito pode ser relacionado a uma coisa: ARES.

Tanto Chris quanto eu amávamos o personagem de Ares e, como vocês sabem por ler o livro, ele é muito tecido
para a trama, especialmente, na segunda metade do livro. Acredite ou não, Ares estava no nosso roteiro final!
Mas, infelizmente, a inclusão dele fez com que o filme ficasse muito longo e complicado, de forma que tivemos
que tomar a triste decisão de cortá-lo. Ele simplesmente não cabia e, quando foi removido, tivemos que
“consertar” a trama de acordo. Por exemplo, Percy não mais poderia ter sua luta “mano a mano”com Ares no
píer Santa Monica, então fizemos sua batalha final ser com Luke. Eu acho que vocês vão perceber que muitas
das mudanças na trama do livro para o filme tiveram a ver com a saída de Ares. Para manter Ares, nós teríamos
de perder muito da jornada de Percy e então decidimos, finalmente, que o filme pertencia a Percy e não à Ares.
Simplesmente, não havia maneira de termos os dois.

Eu espero que vocês deem uma segunda chance ao filme quando ele vier em DVD no final de junho e, dessa
vez, olhe para ele pensando em quanto do livro e da história nós conseguimos colocar em um filme de duas
horas. EU espero, quando vocês olharem por essa perspectiva, que fique impressionado e até aprecie o quanto
da história do Sr. Riordan permaneceu.

Como exercício, eu encorajaria que vocês lessem o Mágico de Oz e depois assistissem o filme. Eu poderia
apostar que nós não mudando o livro do Sr. Riordan nem mais nem menos do que os roteiristas de O Mágico
de Oz mudaram o livro de L. Frank Baum (Eles até mesmo aumentaram a idade da Dorothy assim como nós
aumentamos a de Percy... e quase pela mesma quantidade de anos!).

2. E falando de idade... Sim, nós aumentamos a idade dos personagens. Essa não foi minha decisão. Foi uma
decisão conjunta entre o estúdio, o diretor e os produtores (apesar de que eu a defendo e estou em completo
acordo com ela).

Há muitas razões para justificar porque isso foi feito:

Elenco. Em um livro, vocês podem encontrar crianças de 12 anos correndo por aí com espadas e armas e
encarando monstros assustadores e não terá problemas. Porém, algumas vezes, quado as crianças em um
filme são assim tão novas, pode parecer um pouco forçado. É difícil achar atores dessa idade que consigam
interpretar bem e fazer a coisa parecer legal.
Classificação. Outra razão para aumentarmos as idades foi para subir a classificação do mundo G (G é uma
classificação) que é no livro para um mundo mais PG. G funciona bem para o livro, mas quando um filme é
classificado assim pode, muitas vezes, ser um “beijo da morte” e as pessoas vão pensar que não passa de um
filminho bobo para crianças e vão evitá-lo. Vocês podem não concordar, mas é um fato inegável da realidade
dos filmes que um filme G não se sai tão bem quanto um filme PG (animações sendo as ocasionais exceções).
Quando um filme custa $100 milhões de dólares para ser feito (Como Percy custo) você precisa atingir um
público mais amplo. Nós queríamos que o máximo de pessoas possível fosse ver o filme – crianças,
adolescentes, pais, e fãs do livro, assim como pessoas que nunca o leram ou sequer ouviram falar dos livros.
Com atores mais velhos nos papéis, as cenas de ação e os monstros podem ser um pouco mais intensos, as
lutas ficam mais intensas e etc, e conseguimos atrair uma maior audiência. (Você deveria também saber que a
maioria das pessoas que vão assistir a um filme baseado em um livro nunca leram e nunca vão ler o livro, então
eles não vão nem perceber que as coisas mudaram.)
Essas comparações enfadonhas com Harry Potter. Todos nós sabíamos que provavelmente haveriam pessoas
dizendo “OH, é apenas uma cópia de Harry Potter”, o que qualquer um que tenha lido os livros sabe que não é
verdade. Tudo o que eles verão é que o filme é uma fantasia, tem três crianças na liderança, é dirigido por Chris
Columbus e eles vão imediatamente pular para as conclusões erradas. Chris e o estúdio queriam cortar essa
impressão logo de cara. Desde que os livros de Harry Potter e filmes começaram com crianças pequenas e nós
as assistimos virar adolescentes com o progresso da série, decidimos que o filme de Percy Jackson começaria
com adolescentes de uma vez só para que as pessoas soubessem: Temos um novo P na cidade e seu nome é
Percy e não Potter. O elenco de atores mais velhos ajudou com essa mensagem.

Novamente, você pode não concordar com a decisão de envelhecermos os personagens e não fazer um filme
para crianças foi uma decisão comercial feita em níveis mais altos que o meu como roteirista. (E eu acho que
essa se provou uma decisão correta: O filme arrecadou mais de $220 milhões ao redor do mundo, muito mais
do que esperávamos!)

3. Eu deveria ter trabalhado com ou consultado Rick Riordan. Infelizmente, a não ser que você seja J.K.
Rowling, essa não é a maneira como funciona esse negócio e eu não tenho direito de opinar nesse assunto. O
autor do livro raramente é envolvido na escrita do roteiro. Eu fui contratado pelo estúdio e eu tenho de
responder a ele. Sim, eu teria amado ter conhecido o Sr. Riordan e conversado com ele sobre os pŕos e contras
de adaptar e ser adaptado e/ou como ele faria as mudanças necessárias para fazer a história caber em duas
horas. EU também teria dito a ele o quanto admiro seus livros, não só como ótimas histórias, mas como uma
maneira de introduzir uma nova geração de crianças ao mundo dos deuses gregos e monstros. Infelizmente, eu
nunca tive a chance de encontrar com ele, nem nunca me ofereceram essa oportunidade. De onde eu entendo,
entretanto, Chris Columbus e os produtores tiveram algumas conversas com ele antes e durante as filmagens e
ele pareceu bastante feliz com o que viu, percebendo que um filme e um livro são coisas muito, muito
diferentes.
4. Perséfone no Mundo Inferior durante o Solstício de Verão. Sim, eu sei que isso é “mitologicamente incorreto”
e eu estou muito muito impressionado que você tenha percebido isso, já que a maioria das pessoas não
percebeu. Sim, isso é uma gafe. Mas uma gafe intencional. Quando discutimos a adição de Perséfone na cena
de Hades, eu avisei ao diretor que o tempo nào estava correto. Entretanto, como estudante de mitologia, eu
também sei que em milhares de anos desde que esses mitos foram contados pela primeira vez, as coisas
mudaram e evoluíram consideravelmente. Mitos nunca são gravados em pedra; eles são sempre fluídos e
permanentemente em mudança (compare Homero com Esídio ou as diversas versões da Odisseia que foram
escritas). No final, nós decidimos por mantê-la, pensando que em milhares de anos que haviam se passado, era
bem possível que o acordo de Perséfone com Hades tivesse mudado. E, honestamente, também pensamos
que ninguém perceberia ou se importaria! Então, vocês todos ganham grandes estrelas douradas por serem os
primeiros a perceber isso! Sério, estou muito muito impressionado.

Entretanto, vocês ( e muitos outros) falharam em perceber um erro ainda maior na história e esse é falta do
próprio Sr. Riordan. Nos livros, Annabeth é a filha de Atena. Porém, Atena é uma das três deusas castas,
deusas virgens que nunca teriam um filho. De jeito nenhum! A essa altura do desenvolvimento do roteiro, eu
adicionei uma linha do dialogo que explicava isso mas, assim como a Perséfone no Hades, decidimos que, em
milhares de anos que se passaram, as coisas mudaram para ela. Se você vai ficar chateado comigo por ter
Perséfone no Hades durante o versão, você tem que ficar chateado com o Sr. Riordan por dar uma filha à
Atena! :)

5. A cor do cabelo de Annabeth Muito foi dito sobre o fato de que Annabeth é loira no livro e morena no filme. O
fato é que Alexandra Daddario foi escolhida para representar Annabeth porque o diretor e o estúdio achavam
que ela era a melhor pessoa para o papel (e eu concordo). Ela é ótima e realmente pegou o papel. Todos
concordaram que seria melhor ter uma boa Annabeth de cabelos castanhos do que uma medíocre que fosse
loira.

Além disso, o próprio Rick Riordan disse em seu blog que, quando começou a contar a história pelas primeiras
vezes a seus filhos (antes de escrevê-la no papel), Annabeth era morena. Então, nós śo retornamos para a
visão original do Sr. Riordan! Vê o que digo sobre mitos sempre evoluírem e mudarem...

6. Onde está Clarrise? O mesmo que aconteceu com Ares, aconteceu com Clarisse. Ela estava no primeiro
rascunho do roteiro, mas decidimos que isso tomaria um tempo valioso na tela para apresentar uma
personagem nova que nem desempenhava um papel tão importante na história. Optamos por deixá-la para a
sequência (se tivermos uma) onde ela tem um papel muito mais importante. Assim, demos suas deliciosas
cenas de batalha no acampamento para Annabeth, o que funcionou bastante bem. Eu adoro a nova Annabeth
durona!
7. A cena de “drogas” no Cassino Lótus. Honestamente, essa foi uma surpresa para mim. EU falei com
centenas de pessoas que viram o filme (crianças, pais, professores) e ninguém jamais mencionou isso ou
tentou sugerir que nós usamos as flores de Lótus comestíveis como uma forma de promover e encorajar o uso
de drogas. Suas cartas foram a primeira vez que eu ouvi essa acusação e, eu tenho de dizer, vocês estão
certamente errados sobre a nossa intenção. EU acho que vocês estão vendo coisas demais aí!

No livro do Sr. Riordan, as crianças são colocas sob o “feitiço” do Cassino Lótus por uma essência liberada
pelos ar-condicionados que cheirada como flores – botões de lótus, talvez. Isso não era tão visualmente
dramático, então decidimos voltar para a forma real do mito dos Lotófagos, no qual eles consumiam as flores de
Lótus e elas os fazia sonolentos e apáticos, sendo mantidos “prisioneiros” na terra de Lótus. De qualquer forma
– a do Sr. Riordan ou a nossa – as crianças são enganadas e acabam “ingerindo” uma substância que os faz
ficarem desligados quanto a passagem do tempo. (Apenas curiosidade: vocês também acham que O Mágico de
Oz tem uma “cena de drogas” porque Dorothy e sua turma adormecem no campo de Poppy?)

De qualquer forma, concordamos em discordar desse ponto. Eu sinto muito se vocês viram isso como uma
referência a drogas ou, pior, um apoio ao seu uso, mas simplesmente não era o caso. De forma alguma eu ou
diretor pensaríamos que comer as flores de lótus seria o equivalente a tomar drogas e, no meu conhecimento,
ninguém mais sugeriu ou se incomodou com isso. Nem mesmo a MPAA, que deu a classificação para o filme.
Eles tem uma política muito estrita de que qualquer referência ao uso de drogas, mesmo que sejam sutis, dá a
um filme classificação PG-13 (nós temos um PG apenas).

8. Sexo (?) e Profanação. Uma das cartas me acusava de transformar um” incrível livro em um show de drogas
e sexo para crianças”. Acabei de discutir a acusação sobre as drogas, mas eu acho que essa é uma coisa
bastante extrema que não reflete precisamente o filme. Baseado nas cartas, há duas “cenas de sexo” que
pareceram incomodá-los: As meninas de Afrodite usando biquínis em uma banheira no Acampamento Meio-
Sangue e a insinuação de Perséfone de que nunca “havia sido visitada por um sátiro antes”.

Quanto a primeira: Sim, tem uma cena bem curta das garotas de biquíni no fundo de uma cena no
acampamento. Me desculpem se alguns de vocês acharam isso ofensivo, mas eu não a achei nem um pouco
inapropriada e, novamente, essa é a primeira vez que ouço uma reclamação sobre isso. É bem menos do que
você iria ver em uma praia pública e familiar, parque aquático ou piscina no verão.

Quanto a cena de Perséfone/Grover, eu não escrevi aquela linha do diálogo (ela pode ter sido improvisada ou
adicionada por alguém no set, como muitas vezes acontece) e, sim, eu concordo que isso possa ter sido um
pouco demais, embora, mitologicamente falando, sátiros sempre foram associados com luxúria. Para a maior
parte, eu acho que a linha em questão passa batida para as crianças mais novas e, para o bem ou para o mal,
parece sempre arrancar risadas dos pais na plateia. Ninguém até então reclamou dessa linha, mas eu não sei
se eu a teria usado se fosse o meu filme. Dito isso, eu não acho que isso torna o filme um “show de sexo”para
crianças.

O mesmo acontece para os poucos casos de “profanação” no filme. Eu acho que sou culpado por essa, apesar
de pessoalmente achar que palavras como “bunda” e “inferno” são lugar-comum e perderam seu status de
“palavrão”. Essa é minha opinião. Se lhe ofendeu, me desculpe. Todos tem o direito de ter seu próprio medidor
do que é ofensivo e o que não é.
Uma pequena informação interna extra pra vocês: A fala de Quíron sobre ser um “horse's ass” (bunda de
cavalo) é, na verdade, uma piada interna para minha mãe. Eu nasci em dezembro, sob o signo de Sagitário (um
centauro), então, sempre que eu me meti em problemas quando criança, minha mãe se referia a mim como seu
pequeno bunda de cavalo (my little horse's ass), em referência ao signo. Eu imaginei que se isso era apropriado
o bastante para minha própria mãe, então seria apropriado para todo o resto.

Para sua informação: Só para você saber, eu levei meu afilhado de 4 anos de idade com seus pais para ver o
filme e eles também não tiveram problema com isso. Ele ficou animado com cada segundo do filme e me deu o
maior elogio de todos quando, depois do fim, me disse que queria ser Percy Jackson! Eu ainda falei em uma
escola católica que leu o livro e viu o filme e eles não tinham reclamações. Então, tenho de admitir que suas
queixas me deixaram perplexo. Eu acho que todo mundo vê as coisas de um jeito, mas é isso que faz a vida
interessante. Eu certamente não iria querer viver em um mundo onde todos concordassem em tudo. Chato!

De qualquer forma, eu acho que é um pouco injusto condenar um filme inteiro por algumas poucas palavras
questionáveis ou por uma fala de Perséfone ou por uma cena no Cassino Lótus (apesar de que eu fortemente
discordo dessa) quando há também tantas mensagens positivas no filme. Apenas para mencionar algumas:

Déficit de atenção e Dislexia não são “deficiências”, mas potenciais dons.


Todos temos poderes dentro de nós, apenas precisamos encontrá-los.
Todos somos semideuses no nosso próprio mundo,
Você pode nascer com sangue de herói, mas não é um de verdade até fazer a coisa certa (Percy enfrentando
Gabe; Percy arriscando a vida pela mãe; ao contrário de Luke querendo dominar o mundo com seus poderes).
Sacrifício próprio por um bem maior (Poseidon, Sally, Percy, Grover).
Promoção de bons valores: bravura ao encarar perigos, sabedoria e educação (Atena, Annabeth), amizade e
lealdade (Grover e Percy) e família (Percy faz tudo pela mãe; se reconcilia com o pai).

Eu espero que um dia vocês deem ao filme uma segunda chance e foquem nesses elementos positivos.

Mais uma vez, eu agradeço todas as suas cartas e retorno. Eu fico muito feliz de saber que há uma nova
geração de jovens que estão dispostos a defender as coisas em que acreditam. Nós podemos não concordar
em alguns méritos do filme de Percy Jackson, mas eu acho que podemos concordar que vocês são todos
heróis por defenderem suas convicções. A caneta é realmente mais forte que a espada e, ai, isso machuca. : )

Eu quero agradecer a cada um dos estudantes individualmente por usarem seu tempo lendo isso – eu sei que é
uma longa carta, mas nós tínhamos muito a discutir. Então obrigada à:

Catherine Craig (adoro seu último nome!)


Sawyer Kurtz
Jackson Wells
Denali Gatchell
Molly Nutt
Dylan Christianson (meu afilhado se chama Dylan!)
Tori Clark
Taylor McCormick
Nathan McCall
Isaac Mitchell
Alyssa Goree
Megan Johnson Bunch
Hannah Kenfield

Desejo a todos vocês muito sucesso no futuro e com todos os seus empreendimentos. Continuem lendo e
defendendo as coisas em que acreditam.

Tudo de bom,

Craig Titley