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Manifesto pela Cultura de Maravilha SC

A Cultura é um direito garantido pela Constituição Brasileira de 1988. Os


Direitos Culturais estão expressos na Convenção da UNESCO sobre a Diversidade
Cultural de 2005, ratificada pelo Brasil em 2007, na Recomendação da UNESCO acerca
do status do artista de 1978, da qual o Brasil também é signatário, e em um infindável
número de tratados e fóruns internacionais. Cultura é cidadania, é desenvolvimento
humano, é essencial às transformações e, além de sua relevância econômica, possui
grande capacidade de movimentar o real e o imaginário no cotidiano de cada um de
nós.

O setor cultural e criativo, que representa mais de 5% do PIB brasileiro precisa


receber tratamento condizente com a importância de seu papel no Município de
Maravilha! Segundo o “Sistema de Informações e Indicadores Culturais” (IBGE/MinC,
2006) o setor era, já em 2003, responsável por 5,7% dos empregos formais no país,
6,2% do número de empresas, 6% do valor adicionado geral e 4,4% das despesas
médias das famílias.

Nós, artistas, técnicos, produtores e cidadãos, das mais diversas etnias e


credos, clamamos por uma política pública municipal compatível com a herança
histórica e cultural de mais de meio século de emancipação político-administrativa de
Maravilha. Uma política embasada em números concretos e medidas conseqüentes,
que reflita o cumprimento da responsabilidade constitucional do Município de garantir
o financiamento direto à Cultura, através de recursos próprios de seu orçamento. E
nós, sociedade civil organizada, queremos participar ativamente dessa mudança!

Por isso, as diversas categorias profissionais e segmentos que atuam no setor


cultural e criativo do Município de Maravilha, estado de Santa Catarina, vêm a público
firmar as seguintes reivindicações:
1. Que haja o pleno reconhecimento e adoção pela Administração Municipal de
Maravilha da totalidade das recomendações da Convenção da UNESCO (2001)
Sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, da
qual o Brasil é signatário;
2. Que haja o pleno reconhecimento e adoção pela Administração Municipal de
Maravilha da totalidade da Proposta de Estruturação, Institucionalização e
Implementação do SNC – Sistema Nacional de Cultura – publicada em julho de
2009 pela Secretaria de Articulação Nacional – SAI – do Ministério da Cultura,
bem como do Guia SNC de Orientações para os Municípios, publicado em junho
de 2010 pelo MinC;
3. Que a Administração Municipal efetue, em caráter de extrema urgência a
Solicitação de Integração ao SNC e a assinatura da Minuta de Acordo de
Cooperação Federativa entre a União, por intermédio do MinC, com o
Município;
4. Que o Município conte com um órgão gestor próprio, único e exclusivo, seja
uma Secretaria Municipal da Cultura ou uma Fundação Municipal de Cultura, e
que este – assim que oficializado – realize um Censo Cultural Maravilhense, que
sirva como um instrumento orientador das políticas públicas de Cultura no
Município;
5. Que se fixem os recursos destinados à ação direta do novo órgão gestor da
Cultura de Maravilha para no mínimo 1% do orçamento do Município,
conforme a PEC 150/2003, já aprovada na Comissão Especial de Tramitação do
Congresso Nacional;
6. Que haja a implantação imediata do Conselho Municipal de Cultura de
Maravilha – com representação paritária e funções deliberativa, consultiva e
propositiva, conforme as diretrizes do Sistema Nacional de Cultura (SNC);
7. Que a Administração Municipal de Maravilha formule a estrutura do novo
órgão gestor da Cultura no Município, visando seu fortalecimento institucional,
orçamentário e técnico e sua atualização conceitual e programática,
considerando sua missão de planejar, executar e avaliar as políticas públicas de
Cultura no Município; criando, inclusive, diretorias representativas dos setores
culturais organizados;
8. Que haja a implantação urgente do novo órgão gestor da Cultura, conforme as
diretrizes do SNC;
9. Que o novo órgão gestor da Cultura apóie e fortaleça as manifestações da
cultura popular, do folclore e o patrimônio histórico e artístico - material e
imaterial - de nosso Município;
10. Que a Administração Municipal garanta dotação orçamentária para manter e
aperfeiçoar o funcionamento pleno dos órgãos da administração direta,
autárquicos e fundacionais ligados ao novo órgão gestor;
11. Que a Administração Municipal garanta, através da criação de editais públicos,
maior democratização e transparência na liberação e destinação dos recursos
de incentivo fiscal destinados à Cultura com a oficialização de um Fundo
Municipal da Cultura, conforme as diretrizes do SNC;
12. Que o novo órgão gestor da Cultura atue de forma integrada com as demais
secretarias do Município e órgãos afins com o objetivo de desenvolver
programas transversais envolvendo áreas importantes – a exemplo da
Educação e do Turismo – que tenham dotação orçamentária originária também
nessas secretarias;
13. Que o novo órgão gestor da Cultura haja em consonância com as políticas
públicas implantadas pelo MinC, com especial atenção ao programa Cultura
Viva;
14. Que o novo órgão gestor promova e divulgue apenas eventos de reais valores
culturais, não os confundindo com eventos de lazer, sociais, turísticos,
paisagísticos e/ou decorativos, ou quaisquer outros que nos dias de hoje
recebam atenção e orçamento do setor, mas que em nada dialogam com a
Cultura;
15. Que a Administração Municipal trabalhe para que o Brasil ratifique a
Recomendação Acerca do Status do Artista, instrumento internacional
promulgado pela UNESCO em 1978, do qual o Brasil é signatário, que concita os
governos a criarem melhores condições de trabalho para os artistas, buscando
através de um diálogo constante soluções que atendam tanto aos pleitos da
classe artística quanto às prerrogativas do pleno interesse público;
16. Que a Administração Municipal coloque em discussão ampla, participativa e
democrática o projeto de implantação das novas medidas de política cultural
do Município;
17. Que a Administração Municipal faça cumprir em sua totalidade o item I do
Artigo 19 da Constituição Brasileira de 1988, impedindo que ideologias
vinculadas ao culto de qualquer religião interfiram no julgamento das
expressões culturais e/ou manifestações artísticas no Município e garantindo o
Estado Laico;
18. Que o Município garanta o pleno exercício do direito à Liberdade de Expressão,
previsto pela Constituição Brasileira de 1988, garantindo ao artista e cidadão
respeito e dignidade.

Maravilha, agosto de 2010.