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O PRIMEIRO É DE GRAÇA

T S Wiley,
Antropóloga e teórica médica, com passagem pelo jornalismo
investigativo. Trabalha atualmente em pesquisa médica, com
especial interesse nas áreas de endocrinologia e biologia evolutiva

As pessoas que nunca ouviram falar em Prozac (devem existir


umas quatro no mundo) costumam sobreviver à base de remédios
vendidos sem receita – entre os quais a nicotina, a cafeína e, o
grande favorito, o álcool. Ou então buscam alguma panacéia em
fontes mais agressivas. Sir Arthur Conan Doyle, em O sinal dos
quatro, escreveu:

Sherlock Holmes pegou sua garrafa no canto da lareira, e sua


seringa hipodérmica em sua bela caixa marroquina... “O que
vai hoje?, perguntei. “Morfina ou cocaína?”, disse. “Uma solu-
ção de 70%. Gostaria de experimentar?” “Decerto que não”,
respondi bruscamente. Ele sorriu diante da minha vee-mência.
“Talvez você esteja certo, Watson”, disse ele. “Supo-nho que a
influência, em termos físicos, seja má. No entanto, acho-a tão
transcendentalmente estimulante e esclarecedora para a mente
que seus efeitos secundários são uma questão de menor
importância.”
“Mas pense!”, disse eu candidamente. “Leve em conta o
custo disso! Seu cérebro pode, como você diz, ficar alerta e ex-
citado, mas é um processo patológico e mórbido, que em-volve
uma alteração cada vez maior dos tecidos, e pode no mínimo
deixar seque-las permanentes. Você sabe, também, o que um
black pode fazer a você. Sem dúvida, o jogo difícil-mente vale a
pena. Por que deveria você, por um mero prazer passageiro,
arriscar-se a perder esses magníficos poderes com que foi
aquinhoado?”
“Mas eu abomino a árida rotina da existência. Eu amo a exal-
tação mental...”

Por que os viciados em drogas e os alcoólatras que se recupe-


ram (Sherlock nunca se recuperou) se voltam para o café, os cigar-
ros e os carboidratos? Bem, um pouco de cafeína e um pouco de
nicotina têm a ver com aquilo que os afeta, mas por que a comida?
A maioria dos viciados que tem sucesso percebem que não são
capazes de controlar seu peso após a recuperação. De que forma a
comida – especialmente os carboidratos, a julgar pelo ganho de
peso – tornam mais amena a retirada?
Por causa do mesmo mecanismo utilizado pelas próprias
drogas e pelo álcool, eis como.
Existe um par de receptores mestres que presidem toda a ati-
vidade neurotransmissora e que governam todos os hormônios que
agem como neurotransmissores. Esses controles mestres estão en-
carregados de queimar ou não queimar os neurônios que, em seu
cérebro, controlam o efeito quântico da “ausência de luz”. O ato de
estimular eletricamente os neurônios é sempre chamado de
“queima” – e essas duas substâncias controlam o processo. O
botão de “parar” é chamado de receptor GABA. O botão de “ligar” é
conhecido como receptor NMDA.
Os receptores GABA são a chave para os efeitos do álcool e dos
carboidratos sobre a consciência. O álcool aperta o botão de “parar”
ao elevar os receptores GABA. Isso literalmente desliga as células,
eletricamente falando. O desligamento induz uma sensação de
calma. Barbitúricos, anestesia, carboidratos e gordura, queimados
como cetona, funcionam da mesma forma. Os carboidratos agem
através da insulina, que eleva os receptores GABA da mesma for-
ma que o álcool.
O problema ocorre quando os receptores GABA ficam “elevados”
durante muito tempo ou de forma demasiado invasiva. Lembre-se
da prancha sobre o tronco: quando o GABA está lá em cima, o
NMDA está lá embaixo. Lá embaixo, mas não zerado.
Os receptores NMDA, na verdade, aumentam em proporção à
elevação prolongada dos receptores GABA.
Em seu livro The Craving Brain, o Dr. Ronald Ruden utiliza a
seguinte metáfora: enquanto as luzes estão apagadas, seu cérebro
está substituindo todas as lâmpadas por outras mais fortes. Ao
aumentar o número e a intensidade dos receptores NMDA, enquan-
to a GABA está elevada, o cérebro está “equilibrando” as coisas. O
“você-sabe-o-que” atinge o limite quando você para com o álcool,
as drogas ou o açúcar, e o nível de GABA cai, porque aí o nível de
NMDA sobe pelo menos duas vezes mais do que antes. Como,
neste caso, há duas vezes mais botões de “ligar” do que o normal, o
barulho e a luz ficam ensurdecedores, insuportáveis. Duas vezes
mais ativi-dades sinápticas e elétricas é muita, muita coisa.
Você não tem opção, a não ser voltar para seja lá o que for que
provocou o estado de calma inicial. Agora pode se considerar um
viciado. E cada vez que você tenta voltar, só fica pior. A menos que
você esteja dormindo, porque a melatonina eleva novamente os
receptores GABA para a última “luz apagada”.
No cenário da vida moderna, você está viciado numa taça de
vinho à noite ou num pãozinho de centeio de baixa caloria com
geléia na hora do almoço. Você é sem dúvida um viciado se
consumir todos os três num único dia, todos os dias, todos os anos,
entra ano e sai ano. Graças à insulina proveniente do consumo de
carboidratos e da resposta direta da GABA à insulina, nós, os
viciados em junk-food, temos o mesmo potencial identificado nos
alcoólatras.
Existem algumas pessoas que podem tomar um único drinque
ocasionalmente. Mas a maioria de nós não consegue parar após o
primeiro copo de cerveja ou de Coca-Cola, ou depois da primeira
batata frita ou bolinho de arroz.
É tudo a mesma coisa.

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(Trecho do livro “Apague a Luz!”, páginas 136 a 138)

“Apague a luz!” Durma melhor e: perca peso, diminua a


pressão arterial e reduza o estresse, Bent Formby e T. S. Wiley,
384 páginas, Rio de Janeiro, Editora Campus, 2000.

Com base em uma pesquisa minuciosa, colhida no National Institutes of


Health (Instituto Nacional de Saúde), T.S.Wiley e Bent Formby apresentam
descobertas incríveis:os americanos estão doentes de cansaço. Diabetes,
doenças do coração, câncer e depressão são enfermidades que crescem em
nossa população e estão ligadas à falta de uma boa noite de sono.

Quando não dormimos o suficiente, em sincronia com a exposição sazonal


à luz, estamos alterando um equilíbrio da natureza que foi programado em
nossa fisiologia desde o Primeiro Dia. A obra revela por que as dietas ricas
em carboidratos, recomendadas por muitos profissionais da saúde, não são
apenas ineficazes, mas também mortais; por que a informação que salva
vidas e que pode reverter tudo é um dos segredos mais bem guardados de
nossos dias.

Com o livro, o leitor saberá que:

• perder peso é tão simples quanto uma boa noite de sono


• temos compulsão por carboidratos e açúcar quando ficamos
acordados depois que escurece

• a incidência de diabetes tipo II quadruplicou

• terminaremos como os dinossauros, se não comermos e dormirmos


em sincronia com os movimentos planetários.

T.S.WILEY e BENT FORMBY, Ph.D., são pesquisadores que trabalharam


juntos no Sansum Medical Research Institute em Santa Barbara, na
Califórnia – o centro de pesquisas de ponta sobre diabetes desde que a
insulina foi sintetizada pela primeira vez, lá mesmo, na década de 1920.

Para adquirir este livro:


EDITORA CAMPUS
Ligue grátis: 0800-265340
e-mail: info@campus.com.br
www.campus.com.br

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