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Poesias de Ricardo Reis

Da nossa semelhana com os deuses


Por nosso bem tiremos1
Julgarmo-nos deidades2 exiladas
E possuindo a Vida
5 Por uma autoridade primitiva
E coeva de Jove3.

Altivamente donos de ns-mesmos,


Usemos a existncia
Como a vila4 que os deuses nos concedem
10 Para esquecer o estio.

No de outra forma mais apoquentada


Nos vale o esforo usarmos
A existncia indecisa e afluente
Fatal do rio escuro5.

15 Como acima dos deuses o Destino


calmo e inexorvel6,
Acima de ns-mesmos construamos
Um fado voluntrio
Que quando nos oprima ns sejamos
20 Esse que nos oprime,
E quando entremos pela noite dentro
Por nosso p entremos.

Ricardo Reis
1. Tiremos: concluamos, decidamos
2. Deidades: divindades
3. Coeva de Jove: contempornea de Jpiter
4. Vila: casa de campo
5. Rio escuro: morte
6. Inexorvel: rigoroso; implacvel
Responde s questes:

1. Identifica os principais problemas e adversidades que podem perturbar os indivduos, segundo o sujeito potico,
e explicita a atitude adotada por este para os enfrentar.

2. Comprova que o que dito na primeira estrofe do poema pode ser uma possvel soluo para os problemas do
eu.

3. Explicita os principais ensinamentos formulados nas trs estrofes finais.

3.1. Identifica marcas lingusticas que sugerem a ideia de conselho ou ensinamento.

4. Interpreta a estrofe final enquanto concluso do poema.