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COMIDA DE FICÇÃO CIENTÍFICA

T S Wiley,
Antropóloga e teórica médica, com passagem pelo jornalismo
investigativo. Trabalha atualmente em pesquisa médica, com
especial interesse nas áreas de endocrinologia e biologia evolutiva

Os carboidratos não refinados se qualificam como alimentos


integrais e os refinados não. Nestes últimos se incluem a farinha
branca e todos os tipos de açúcares refinados. Esses alimentos
são como drogas! O açúcar refinado, na verdade, nem é alimento
coisa alguma. Provavelmente, poderia ser classificado como um
aditivo químico. Em 1973, ele Foi declarado um antinutriente pelo
mesmo comitê do Senado que calou o Dr. Atkins. Aqui temos uma
ironia. O Dr. Atkins atribuiu a obesidade e as doenças cardíacas ao
consumo excessivo de carboidratos. O comitê declarou que Atkins
era um charlatão e que o açúcar refinado era um antinutriente no
mesmo mês. Aqui está a piada: um antinutriente é definido como
qualquer substância ou droga com propriedades que sejam, de
alguma forma, antagônicas aos nutrientes e interfiram, de alguma
forma, na utilização ou metabolização destes. Atkins estava certo.
Todos os carboidratos são queimados com a ajuda de enzimas
que contêm uma miríade de vitaminas do complexo B. Em
conseqüência, quanto mais carboidratos você comer, de mais
vitamina B você vai precisar. Carboidratos reais e integrais, tais
como verduras, grãos integrais e frutas contêm, todos eles,
vitaminas B e minerais em suas cascas externas, como uma
espécie de pacote. A farinha branca, cuja casca é descartada
durante o refinamento, é o único tipo de farinha usado nos
alimentos processados – e vem sem embalagem, no que toca a
vitaminas e minerais. Quando você joga fora a parte externa
mastigável, fica com açúcar puro.
Sem as fibras da cana ou da beterraba, o açúcar refinado é o
mesmo tipo de alimento incompleto. Quando você tenta digerir o
açúcar refinado ou a farinha branca, não apenas lhe são negadas
as vitaminas das quais os produtos foram privados durante o
processo de refinamento; você tem que contribuir para o processo
com suas reservas de vitaminas B para que a digestão possa
ocorrer. O mesmo processo de refinamento remove o germe
(semente) e a casca dos grãos integrais (carboidratos complexos) e
deixa o pó branco que conhecemos como farinha. É por isso que
dizemos que pão e massa não existem na natureza.
Tanto o pão quanto as massas são tão refinados quanto uma
barra de chocolate.
Há 10 mil anos, os grão eram moídos entre pedras. Esse
processo consumia a mesma quantidade de energia (ou mais) que
era ingerida (comida) ao final do trabalho. Dessa forma, como os
fazendeiros originais, o ato de manejar o próprio arado
compensava, em termos da energia utilizada, o maior consumo de
carboidratos. Mais tarde, as operações de moagem em maior
escala, que alimentavam grandes massas humanas, ainda eram
movidas a energia humana. Finalmente, as pedras foram
substituídas por rolamentos de aço, e a água e, em seguida, o
vapor substituíram a força humana.
A história sociopolítica do açúcar refinado é inteiramente
econômica, e tem como pontos altos a ascensão do Islã, a queda
do Islã (foi tudo por causa do açúcar e das cruzadas), a viagem de
Colombo, a ascensão do Império Britânico (o açúcar de beterraba
refinado, uma fonte mais barata do que a cana, custeou a
ascensão), a Guerra Revolucionária, a escravatura no Novo Mundo
e, numa relação distante, a bebida (a Rebelião do Uísque e os
produtores de rum), a Proibição que se seguiu e a Proibição que o
crime organizado provocou. Resultado: o açúcar refinado é de fato
muito ruim para as pessoas, mas particularmente bom para os
governos e para as empresas que o vendem. Veja bem, esses são
os nossos representantes.
Até que ponto o açúcar vicia?
Que quantidade dele nós consumimos?
Quem está ganhando dinheiro alimentando esse nosso hábito?
O quadro não é nada agradável.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos nos informa
que, em 1993, o americano médio consumia 75 quilos de açúcar e
outros adoçantes naturais por ano. Isso representa um aumento de
20% em relação às estatísticas de 1983. Em 1993, estávamos
ingerindo cerca de um quilo e meio por mês, por pessoa. Metade
disso vinha do xarope de milho com alto teor de frutose presente
nos alimentos processados. Vale mencionar, aqui, que o xarope de
milho com alto teor de frutose é seis vezes mais doce que o açúcar,
mas isso não significa que a gente esteja ingerindo um sexto dele.
Quem está ganhando todo esse dinheiro?
O preço internacional do açúcar bruto é a metade do preço
doméstico – cerca de 12 centavos de dólar por meio quilo – em
comparação com os artificialmente elevados 22 centavos de dólar
por meio quilo, cobrados internamente. As cotas limitam
severamente as importações. As cotas e os subsídios que mantêm
o açúcar importado, que é mais barato, fora dos Estados Unidos
custam, na verdade, cerca de US$3 bilhões ao ano. Todos os
alimentos processados, especialmente os de baixa caloria, estão
cheios de xarope de milho com alto teor de frutose. E todo
alimento de baixo teor de gordura é caro, principalmente os
vendidos em fast-foods. Entre 1994 e 1999, o mercado de fast´food
com baixo teor de gordura explodiu. Só em 1999, a indústria de
alimentos processados fabricou mais de 3.500 produtos novos com
baixo teor de gordura ou nenhuma gordura. Quase dois terços do
açúcar que a gente consome vem dos processados. Sacou o
esquema sórdido?
Todas as fábricas e os produtores de alimentos dos Estados
Unidos foram literalmente reaparelhados para produzir alimentos
feitos com gorduras falsas e cada vez mais açúcar. Os analistas
estimam que só a nova linha de produtos Healthy Choice pode
representar tanto quanto 100 milhões de dólares em vendas anuais.
Isso só os novos produtos. A partir de 1988, a Healthy Choice vem
crescendo continuamente. A Healthy Choice é controlada pela
ConAgra, a segunda maior empresa processadora de alimentos do
país depois da Kraft. Só as vendas anuais geradas pela Healthy
Choice são estimadas em US$1,3 bilhão. A empresa licenciou a
marca Healthy Choice para a Nabisco, a criadora do biscoito sem
gordura SnackWell’s. Trinta e dois por cento do volume total de
vendas da Nabisco em 1988 foi gerado pelos produtos de baixa ou
nenhuma gordura. Só os biscoitos responderam por meio milhão de
dólares desse total.
Os fabricantes lhe dirão que só fizera isso em resposta à
demanda do público. O que eles não vão lhe dizer é que o xarope
de milho com alto teor de frutose é um ingrediente barato que
melhora o teor de umidade, dá uma textura boa de mastigar e
aumenta a vida de prateleira do produto mais do que qualquer outro
tipo de gordura ou óleo. E acredite: se você retirar a gordura
dos produtos assados e dos frios, ninguém consegue comê-
los, a menos que o teor de açúcar seja dobrado. E quando o teor
de açúcar dobra, os fabricantes e os produtores de frutose se dão
bem como bandidos.

A seguinte notícia foi publicada na edição de 6 de janeiro de 1995


do New York Times:
VIGILANTES MATAM VEADOS VICIADOS EM LANCHES
Parque Nacional do Grand Canyon, Arizona (AP) – Os
vigilantes do parque estão matando mais de duas dúzias de
veados que se tornaram viciados em alimentos de má
qualidade (junk-food) deixados por visitantes. Treze desses
animais foram mortos a tiros, desde o início de dezembro. Os
vigilantes planejam matar mais doze, até o final da semana. Os
veados se tornaram viciados em lanches e doces e perderam
sua capacidade de digerir a vegetação. O chefe da
administração de recursos do Parque Nacional do Grand
Canyon, David Haskell, chamou o junk-food de “o crack e a
cocaína do mundo dos veados”. “Os animais ficaram com a
saúde muito precária e quase morreram de fome”, disse ele. O
Sr. Haskell afirmou que os músculos de todos os veados
atrofiaram, e que os animais ficaram tão mansos que
caminharam espontaneamente na direção dos vigilantes que
os mataram.

(Fonte: trecho do livro “Apague a Luz!”, páginas 204 a 207).

“Apague a luz!” Durma melhor e: perca peso, diminua a


pressão arterial e reduza o estresse, Bent Formby e T. S. Wiley,
384 páginas, Rio de Janeiro, Editora Campus, 2000.

Com base em uma pesquisa minuciosa, colhida no National Institutes of


Health (Instituto Nacional de Saúde), T.S.Wiley e Bent Formby apresentam
descobertas incríveis:os americanos estão doentes de cansaço. Diabetes,
doenças do coração, câncer e depressão são enfermidades que crescem em
nossa população e estão ligadas à falta de uma boa noite de sono.

Quando não dormimos o suficiente, em sincronia com a exposição sazonal


à luz, estamos alterando um equilíbrio da natureza que foi programado em
nossa fisiologia desde o Primeiro Dia. A obra revela por que as dietas ricas
em carboidratos, recomendadas por muitos profissionais da saúde, não são
apenas ineficazes, mas também mortais; por que a informação que salva
vidas e que pode reverter tudo é um dos segredos mais bem guardados de
nossos dias.
Com o livro, o leitor saberá que:

• perder peso é tão simples quanto uma boa noite de sono

• temos compulsão por carboidratos e açúcar quando ficamos


acordados depois que escurece

• a incidência de diabetes tipo II quadruplicou

• terminaremos como os dinossauros, se não comermos e dormirmos


em sincronia com os movimentos planetários.

T.S.WILEY e BENT FORMBY, Ph.D., são pesquisadores que


trabalharam juntos no Sansum Medical Research Institute em Santa
Barbara, na Califórnia – o centro de pesquisas de ponta sobre diabetes
desde que a insulina foi sintetizada pela primeira vez, lá mesmo, na década
de 1920.

Para adquirir este livro:


EDITORA CAMPUS
Ligue grátis: 0800-265340
e-mail: info@campus.com.br
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