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ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Lei 18716/2010

Institui a política estadual de fomento ao


voluntariado transformador.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS,

O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e


eu, em seu nome, promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica instituída a política estadual de fomento ao voluntariado


transformador, destinada a preparar cidadãos e instituições para a
prática do voluntariado.

Art. 2º - São objetivos da política de que trata esta Lei:


I - articular órgãos do Estado, entidades do terceiro setor, empresas e
cidadãos para a prática do voluntariado transformador, em consonância
com as políticas públicas implementadas pelo Estado;
II - promover e fomentar oportunidades para a prática do
voluntariado transformador nos órgãos do Estado, nas entidades do
terceiro setor e nas empresas sediadas no Estado;
III - oferecer capacitação a entidades sociais e gestores dos órgãos
públicos que recebem voluntários;
IV - criar um sistema de acompanhamento das práticas de voluntariado
executadas nos órgãos do Estado, entidades do terceiro setor e
empresas, para identificar as demandas e orientar as iniciativas de
trabalho voluntário no Estado.

Art. 3º - São diretrizes da política estadual de fomento ao voluntariado


transformador:
I - a prática do voluntariado como elemento de transformação da
realidade social;

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II - o fortalecimento dos setores que trabalham com


voluntariado;
III - o incentivo à realização de ações de voluntariado pelas empresas;
IV - o fomento do voluntariado como instrumento de apoio ao Estado
na implementação das políticas públicas.
Art. 4º - Para o cumprimento dos objetivos da política de que trata esta
Lei, caberá ao Estado, por meio do órgão competente:
I – promover atividades de capacitação e preparação de voluntários e
entidades do terceiro setor;
II – realizar seminários, conferências, fóruns e debates públicos para
a discussão do tema do voluntariado com a sociedade;
III - realizar parcerias com universidades, instituições de ensino e
conselhos profissionais para fomento à participação de jovens estudantes
e profissionais em ações de voluntariado;
IV - incentivar os Municípios a adotar as diretrizes e os objetivos da
política de que trata esta Lei.
Parágrafo único. A forma de realização dos objetivos da política
estadual de fomento ao voluntariado transformador será definida pelo
órgão executor da política, em conjunto com cada órgão do governo,
com a iniciativa privada e com o terceiro setor.

Art. 5º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, aos 8 de janeiro de 2010; 222º


da Inconfidência Mineira e 189º da Independência do Brasil.

AÉCIO NEVES
Danilo de Castro
Renata Maria Paes de Vilhena

Justificação: O projeto de lei em tela tem o objetivo de contribuir,


através do Voluntariado Transformador, para outro mundo possível, um
mundo onde o “eu” caminha em direção ao “outro”. Um mundo onde os
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grupos se transformam em redes, a crítica em cooperação e, o


assistencialismo, em promoção da cidadania. Um mundo onde a
solidariedade seja um sopro, tão natural quanto à vida.

No estado de direito democrático, tão significativamente confere


aos deputados a função e a obrigação de defender e representar formas
de “expressar e de organizar os interesses de todos os cidadãos, até
mesmo daqueles que não são eleitores ou daqueles que não são
contribuintes”.

“O Voluntariado sempre existiu, muito antes de existirem


pessoas reunidas em ONGs, OSCIPs ou fundações. E, é claro, sem
legislações regulamentadoras, sem dia do voluntariado, sem terceiro
setor, sem audiências públicas e sem frentes parlamentares. Basta
lembrar que, em tempos idos, as crianças costumavam nascer nas mãos
de uma parteira e as pessoas que morriam eram preparadas para o
sepultamento por mãos caridosas de que se destacavam na comunidade
por este ato de carinho. Servir era um imperativo do coração, da emoção
e da alma, por gentileza, por fraternidade, por solidariedade, por
equilíbrio, por harmonia. Era de dentro para fora, por motivações
existenciais e não por responsabilidade social, como se fala hoje.”

Passamos a cuidar mais do materialismo e menos do existencial,


mais do racional e menos do emocional, mais do concreto e menos do
abstrato. E isto nos faz menos humanos, menos pacíficos e mais longe da
harmonia, do equilíbrio e do verdadeiro sentido da vida. Neste apagão de
valores espirituais, humanos e existenciais esta nossa proposta de
valorização, organização e apoio a quem cuida de trabalho voluntário
como ação complementar ao que o Estado e instituições não alcançam e
ao que pais e mães de família não estão conseguindo, por diversas
razões.

Assim, este projeto tem a intenção de movimentar a estrutura do


Estado, através da Secretaria de Estado de Ação Social, secretaria que já
tem atribuições através do Decreto 43682/2003, ou seja, realizar um
planejamento de médio a longo prazo com suporte financeiro e parcerias
com o terceiro setor e com a iniciativa privada, desta vez com ações

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claras e ordenadas, com um protocolo mínimo de atuação, para cada


forma de voluntariado.

O Estado não tem condições de, sozinho, realizar o que é preciso.


E não é nossa função substituí-lo. Nem a ele, nem ao papel formador da
família.

O Voluntariado Transformador propõe descobrir a complexidade


dos problemas sociais. Agir com o apoio de equipes multidisciplinares e
conselhos de classe. Saber estar em uma sociedade complexa e bem
informada é uma qualidade essencial ao voluntariado hoje. Ter
competência humana e qualidade técnica. O amor não é suficiente. É
preciso a propagação, ganhar espaço entre as classes populares. Não
pode ser uma instituição que interesse apenas à classe média, nem
àqueles que têm tempo disponível, mas responde ao exercício da
cidadania que é responsável pelos assuntos que a todos afetam.

O Voluntariado Transformador propõe dar ao gestor de


instituições filantrópicas, ao cidadão comum, condições de ações
propositivas, com um mínimo de preparação. Apreciar o profissional da
ação social em busca da complementariedade, mas, que justamente por
isso, não se transforma em mero auxiliar, ou seja, respeita-se a liberdade
que lhe é própria. Disciplinar a sua ação. As melhores iniciativas se
perdem pela incapacidade de submetê-las a um programa, a objetivos, a
um método, a certos prazos, a uma dedicação séria, a uma avaliação. A
boa intenção é um caminho viável desde que haja capacitação e
disciplina; se elas não existirem, é um fracasso. O voluntariado evita
palavras fúteis para se aproximar dos gestos eficazes.

Hoje, o Estado de Minas Gerais é referência em muitas


políticas sociais e modelo no que se refere à gestão pública. Por
estas razões faço um apelo aos nobres colegas pela aprovação deste
projeto que busca construir um espaço de governança em voluntariado
que dialogue com o poder do Estado, empresas, academia e sociedade
organizada, sem a pretensão de substituí-los ou deslegitimá-los. Pelo
contrário, a intenção é agir em conjunto na construção de uma cultura da
solidariedade e do Voluntariado Transformador.