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Te Ela erh ve} Degen rd Prof. Décio Terror ~ Aula 13 Aula 13: Elementos de construgao do texto e seu sentido: género CCR Cece LCM ee OLE Pr ela O14, pessoal! Veremos nesta aula a compreensio do texto género e tipologia. Nesta aula, trabalharei com textos bem didaticos no inicio a fim de vocé entender a dinamica da interpretagdo do texto Em seguida, inserirei questées da FGV. Vamos 14? Elementos de construcdo do texto e seu sentido: género do texto (literario e nao literario, narrativo, descritivo e argumentativo) Varios so os caminhos para evidenciar o contraste entre texto literario e ndo literdrio, mas ndo vamos apontar muitas diferencas, pois para a prova 0 que importa é a diferenca evidente. E isso é pratico. Veja: Texto 1 “A Lua (do latim Luna) € 0 Unico satélite natural da Terra, situando-se a uma distancia de cerca de 384.405 km do nosso planeta. Segundo a ultima contagem, mais de 150 luas povoam o sistema solar: Netuno é cercado por 13 delas; Urano por 27; Saturno tem 60; Jupiter é o que tem mais: possui 63. A Lua terrestre néo é a maior de todo o Sistema Solar - Ganimedes, uma das luas de Jupiter, 6 a maior - mas nossa Lua continua sendo a maior proporcionalmente em relac&o ao seu planeta.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lua)Texto 2 A Lua! Ela néo tarda ai, espera! O magico poder que ela possui! Sobre as sementes, sobre o Oceano impera, Sobre as mulheres gravidas influi.. Aj os meus nervos, quando a Lua é cheia! Da Arte novas concepgées descubro, Todo me aflijo, fazem Id ideia! Aja ascensao da Lua, pelo Outubro! Tardes de Outubro! 6 tardes de novenas! Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 1de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Outono! Més de Maio, na lareira! Tardes... Ld vem a Lua, gratiae plena, Do convento dos Céus, a eterna freira! Porto, 1886. (NOBRE, 1998, pp. 146-147) Os dois textos tratam do tema: Lua. Mas qual dos dois textos é literario? Antes de responder, tenha em mente que texto literario apresenta uma inteng&o estética, um cuidado com a transmisséo da emogdo. JA o texto nao literario tem uma inteng&o utilitéria, isto é, ele quer informar, convencer, explicar, responder, ordenar etc. Na comparagéo entre esses dois textos, percebemos que o texto 1 trabalha a linguagem de modo objetivo, utilizando a linguagem denotativa. O que importa neste texto é a informacdo, No houve preocupacao com ajustes na sonoridade das palavras, rimas etc. Assim, é um texto nao literdrio. No texto 2, percebemos que hd um poema. A linguagem é voltada ao cuidado com a sonoridade, com a rima, com a transmisséo de emocéo. A linguagem é subjetiva, pois parte da impressdo do poeta a respeito do mesmo tema: a Lua. Agora, ela nao é vista apenas como um satélite natural do sistema solar, ela mexe com o imaginério humano, embala noites de amor, traduz um clima romantico. Assim, o texto 2 é literario. A organizacao basica do texto encontra-se em trés tipos: descritivo, iVo: O texto descritivo enfatiza o estatico, é um retrato, um recorte de uma paisagem, uma ag&o, um costume. O texto descritivo vai induzindo o leitor a imaginar 0 espago, o tempo, o costume, isto é, tudo que ambienta a histéria, a informacéo. “Luzes de tons palidos incidem sobre o cinza dos prédios. Nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e bebem em volta das mesas. Nas ruas, pedestres apressados se atropelam. O transito caminha lento e nervoso. Eis S80 Paulo as sete da noite.” (em Platao e Fiorin) Podemos notar no texto muitos adjetivos, juntamente com a enumeracdo de substantivos e verbos. Nao ha interpretacdo de movimento neste texto. Tudo é recorte de instantes, por isso poderiamos pintar um quadro com base na imagem que ele nos sugere Assim, descrever & enumerar caracteristicas, agdes e elementos que produzem uma imagem “congelada” do instante ou da rotina. Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 2de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Narrativo Diferentemente do texto descritivo, 0 narrativo é aquele que trabalha o movimento, as agées se prolongam no tempo, sendo esta a caracteristica principal. Narrar é contar uma histéria, baseando-se na ética do narrador (aquele que conta), sobre uma ou mais agdes de um personagem(ns), numa sequéncia temporal, em determinado lugar. A histéria pode ser imagindria (ficgdo) ou real (fato). Pode ser contada por alguém que é 0 pivé da historia (narrador-personagem), ou por alguém que esta testemunhando as agées (narrador-observador). Quando ha o narrador-personagem, ha verbos e/ou pronomes em primeira pessoa do singular. Quando ha narrador-observador, ha verbos e/ou pronomes em terceira pessoa. Muitas vezes, quando o autor de um texto quer considerar um problema relevante na sociedade, parte de um fato (narra uma pequena historia real) e a partir dela tece suas considerages. Assim, pode-se dizer que a primeira parte do texto € narrativa e a segunda é dissertativa, a qual sera vista adiante. Eis, a seguir, um bom exemplo deste tipo de texto encontrado na prova da banca CESPE (médico perito INSS -2009) em que os elementos da narrativa se fazem presentes. A Revolta da Vacina O Rio de Janeiro, na passagem do século XIX para 0 século XX, era ainda uma cidade de ruas estreitas e sujas, saneamento precario e foco de doencas como febre amarela, variola, tuberculose € peste. Os navios estrangeiros faziam questéo de anunciar que nao parariam no porto carioca e os imigrantes recém-chegados da Europa morriam as dezenas de doencas infecciosas. Ao assumir a presidéncia da Republica, Francisco de Paula Rodrigues Alves instituiu como meta governamental 0 saneamento e reurbanizacao da capital da Republica. Para assumir a frente das reformas, nomeou Francisco Pereira Passos para © governo municipal. Este, por sua vez, chamou os engenheiros Francisco Bicalho para a reforma do porto e Paulo de Frontin para as reformas no centro. Rodrigues Alves nomeou ainda o médico Oswaldo Cruz para o saneamento. O Rio de Janeiro passou a sofrer profundas mudangas, com a derrubada de casarées e cortigos e 0 consequente despejo de seus moradores. A populacao apelidou 0 movimento de 0 “bota-abaixo”. O objetivo era a abertura de grandes bulevares, largas e modernas avenidas com prédios de cinco ou seis andares. Ao mesmo tempo, iniciava-se o programa de saneamento de Oswaldo Cruz. Para combater a peste, ele criou brigadas sanitérias que cruzavam a cidade espalhando raticidas, mandando remover o lixo e comprando ratos. Em seguida o alvo foram os mosquitos transmissores da febre amarela. Finalmente, restava 0 combate 4 variola. Autoritariamente, foi instituida a lei de vacinagao obrigatoria. A populagéo, humilhada pelo poder publico autoritario e violento, no acreditava na eficdcia da vacina. Os pais de familia rejeitavam a exposicao das partes do corpo a agentes sanitarios do governo. A vacinacao obrigatoria foi o estopim para que 0 povo, ja profundamente insatisfeito com 0 “bota-abaixo” e insuflado pela imprensa, se revoltasse. Durante uma semana, enfrentou as forcas da policia e do exército até ser reprimido com violéncia. O episédio transformou, no periodo de 10 a 16 de novembro de 1904, a recém-reconstruida cidade do Rio de Janeiro em uma praca de guerra, onde foram erguidas barricadas e ocorreram confrontos generalizados. Internet: (com adaptagées). Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 3de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Observe os tragos temporais que marcam a evolucio dos acontecimentos, ao mesmo tempo em que as agdes vdo sendo desenvolvidas num cenério (Rio de Janeiro). Veja os elementos temporais: "na passagem do século XIX para o século XX"; "Ao assumir a presidéncia da Republica”; "Ao mesmo tempo"; "Em seguida’; “Finalmente”; “Durante uma semana”; “no periodo de 10 a 16 de novembro de 1904”. Com isso, observa-se que hd uma histéria sendo contada por alguém que no participou dela (narrador-observador). Ele ndo tem necessidade de se posicionar diante de alguma situacéo, o que se pretende com o texto é narrar um fato que ocorreu no Rio de Janeiro. Dissertativo Dissertar € um processo em que o emissor transmite conhecimento, relata, expée ideias, discorre sobre determinado assunto, argumenta. De certa maneira, 0 texto mostra o ponto de vista que o autor tem de determinado assunto, fundamentado em argumentos e raciocinios baseados em sua vivéncia, conhecimento, posturas. E certo dizer que ele engloba um conjunto de juizos. préprio de temas abstratos e usado em textos criticos, teses exposigéo, explanacio e argumentacao. Dependendo do ponto de vista, da organizacio e do contetdo, a dissertag&o pode simplesmente relatar saberes cientificos, dados estatisticos, etc ou pode também buscar defender um principio, uma visao parcial ou nao de um assunto, apresentando argumentos precisos, exemplos, contradicées, comparacées, causas etc, para defender suas ideias. Sua estrutura normalmente é a seguinte: 1) Introdugo: & 0 paragrafo que abre a discussdo ou simplesmente expde a informacao principal, da qual se partira nos proximos paragrafos & exemplificag&o, explicagdo, etc. Neste parégrafo normalmente se encontra o t6pico frasal, o qual também é entendido como tese, cuja funcdo é transmitir a opiniao do autor, o centro da informagao. 2) Desenvolvimento: pode ser composto de um ou mais pardgrafos, os quais servem para ampliar e analisar 0 contetdo informado na introduc&o. Nele, encontramos os procedimentos argumentativos, que podem conter a relagéo de causa e consequéncia, exemplificagées, contrastes, citagdes de autoridades no assunto. Enfim, é 0 debate ou simplesmente o mergulho nas implicagées do tema. 3) Concluséo: € 0 fechamento da informacéo, seja ela critica ou nao. Muitas vezes iniciadas por elementos como “Portanto”, “Em suma”, “Enfim", etc. Nela had normalmente a ratificacdo, confirmacéo da tese, tomando por base os argumentos dos paragrafos de desenvolvimento. Com base nisso, a dissertagao se divide basicamente em dois tipos: a) Dissertativo-expositivo: quando o autor apenas transmite os saberes de uma comunidade (como em livros didaticos, enciclopédias etc), nao colocando sua opinido sobre o assunto, mas apenas os dados objetivos. Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 4de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Ferramenta que devolve spam ao emissor ja é realidade Uma nova ferramenta para combater a praga do spam foi recentemente desenvolvida. O sistema & capaz de devolver os e-mails inconvenientes as pessoas que os enviaram, e esté estruturado em torno de uma grande base de dados que contém os numeros de identificacéo dos computadores que enviam spam. Depois de identificar os enderecos de onde procedem, o sistema reenvia 0 e-mail a0 remetente. A empresa que desenvolveu o sistema assinalou que essa ferramenta minimiza o risco de ataques de phishing, a pratica que se refere ao envio macigo de e-mails que fingem ser oficiais, normalmente de uma entidade bancéria, e que buscam roubar informacao como dadbs relativos a cartées de crédito ou senhas. Internet: . Acesso em mar. 2005 (com adaptagées). (Prova: ANS / 2005 / superior/ CESPE) Art. 1° A Republica Federativa do Brasil formada pela uniao indissolivel dos Estados e Municipios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democratico de Direito e tem como fundamentos: I- a soberania; IL - a cidadania III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo politico. Pardgrafo Unico. Todo 0 poder emana do povo, que 0 exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituicao. (Excerto da CF/88. In: http://www.planalto.gov.br) Nao se nota em nenhum dos dois textos a intervenggo do autor, sinalizando sua opinio Houve apenas a exposigéo de fato (no primeiro) e de dado conceitual (no segundo). A base deles foi a transmissdo do saber, a informago. Por isso s&o textos dissertativo-expositivos. b) o-argumentativo ou opinative: quando o autor transmite sua opiniéo dentro do texto. Geralmente é 0 cobrado nos concursos, tanto em interpretacdo de textos quanto na elaboracdo de redacdes. Veja alguns exemplos de texto dissertativo-argumentativo: Existe, por certo, um abismo muito largo e profundo entre a cosmoviséo dos médicos em geral (fundada em sua leitura dos fendmenos biolégicos) e as concepgées de vida da vasta maioria da populagéo. Salta a vista, na abordagem do assunto (a ética e a verdade do paciente), que se fica, mais uma vez, diante da pergunta feita por Péncio Pilatos a Jesus Cristo, encarando, como estava, um homem pleno de sua verdade, "O que é a verdade?” E é evidente que um e outro se cingiam a verdades dispares. Dalgimar Beserra de Menezes. A ética médica e a verdade do paciente. In: Desafios 6ticos, p. 212-5 (com adaptagées). (Prova: ANS / 2005 / superior) Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 5de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Com pouco mais de meio século de atividade da industria automobilistica no Brasil, de acordo com registros, foram vendidos 2,5 milhdes de carros. Contraposto aos sucessivos recordes de congestionamentos nas grandes cidades brasileiras, esse resultado expée as fragilidades de um modelo de desenvolvimento e urbanizagéo que privilegia o transporte motorizado Individual, prejudica a mobilidade e até a produtividade das pessoas. O carro, no entanto, nao & 0 Unico viléo. A solugéo para o problema da mobilidade passa pela criagao de alternativas ao uso do transporte individual. “Como as opsées alternativas ao transporte individual so pouco eficientes, pela falta de conforto, seguranca ou rapidez, as pessoas continuam optando pelos automéveis, motocicletas ou mesmo téxis, ainda que permanecam presas no trénsito”, afirma S. G., profissional da érea de desenvolvimento sustentével. Contudo, restringir 0 uso do carro no resolve 0 problema. De acordo com consultores em transportes, a tecnologia é uma das ferramentas para equacionar 0 problema do transite, desde que escolhida e implementada com competéncia. Enfrentamento do problema da mobilidade determinara futuro das grandes metrépoles. In: Revista Ideia Socioambiental. Sao Paulo. Internet: . (com adaptacées). (Prova: DETRAN 2010 Médio) E claro que um texto nao teré apenas uma tipologia textual. Muitas vezes teré as trés num sé texto, mas vale o que predomina, aquele que transmite a ideia central do texto, 0 objetivo. interpretacdo e organizacao interna. A partir de agora, faremos uma explanagao partindo da leitura de textos, com a finalidade de observar a sua organizacéo interna e a forma de argumentagao. Ao longo da leitura do texto, vou inserindo comentarios que vao ajudar a interpretar e entender a estrutura textual e todos os contetidos previstos para esta aula. CEAGESP Advogado (banca Consulplan) TRATAMENTO DE CHOQUE A refrigeragSo é uma questo delicada para os fruticultores. As baixas temperaturas, a0 mesmo tempo em que s&o necessdrias & conservagao das frutas, também podem causar danos ao produto, se a exposigSo ao frio for prolongada. Essa contradic&o, entretanto, esta com os dias contados. & o que promete um novo método desenvolvido por pesquisadores do Laboratério de Fisiologia e Bioquimica Pés-Colheita da Esalq - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. © processo, chamado de condicionamento térmico, consiste em mergulhar o fruto em agua quente antes de refrigera-lo. “O frio faz com que a fruta fique vulneravel & ag&o de substdncias que deterioram a casca, mas o uso da dgua quente ativa seu sistema de defesa”, afirma o pesquisador Ricardo Kluge. Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 6de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od ‘A temperatura da agua ea duragdo do mergulho variam para cada espécie, mas, em média, as frutas sio mantidas em 52 graus por poucos minutos. Em alguns casos, o tratamento aumenta a conservacao em até 50% do tempo; se um produto durava 40 dias em ambiente frio, pode passar a durar 60. Resisténcia. A Esalq também desenvolveu um outro tipo de tratamento, o “aquecimento intermitente”. Essa técnica consiste em pdr a fruta em ambiente refrigerado e, depois de dez dias, deixd-la em temperatura ambiente por 24 horas, para ent&o devolvé-la a cdmara fria. “Isso faz com que o produto crie resisténcia ao frio e nao seja danificado”, afirma Ricardo Kluge. Para o produtor de péssegos Waldir Parise, isso sera muito valido, pois melhora a qualidade final do produto. Ele acredita que a nova técnica aumentara o valor da fruta no mercado. “Acho que facilitara bastante nossa vida.” De acordo com o pesquisador Kluge, 0 grande desafio é fazer com que essa novidade passe a ser usada pelo produtor. “No comeco é dificil, pois muitos apresentam resisténcia as novidades”, diz. Neste ano, os pesquisadores trabalharéo mais préximos dos agricultores, tentando ensinar- Ihes a técnica. “Acho que daqui a trés anos ela sera mais usada”. O Chile ja usa o método nas ameixas. As frutas tropicais devem ser as mais abordadas pelo estudo, pois ndo apresentam resisténcia natural as baixas temperaturas. A pesquisa testou o meétodo s6 no limo taiti, na laranja valéncia e no péssego dourado-2. (Luis Roberto Toledo e Carlos Gutierrez. Revista Globo Rural ~ Margo/2006) Todo texto veicula um assunto, que é especificado pela visdo do autor, a qual chamamos de tema. O tema é a ideia principal do texto, é 0 resumo em uma palavra ou expressdo do contetido central. Esse resumo pode ser expresso no titulo, e isso j4 nos ajuda muito na interpretagSo do texto Candidato que realiza a leitura de um texto para interpreta-lo e nao se lembra do titulo ou nao entendeu seu emprego, é sinal de que néo interpretou bem o texto, pois o titulo nos induz ao caminho principal das ideias do autor, ou pelo menos sugere. Muitas vezes 0 posicionamento do autor é expresso numa frase, a qual chamamos de tese. Essa tese normalmente é expressa na introdugdo do texto, mas pode aparecer também no seu final, na conclusao. Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 7de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od O paragrafo de introducao: No texto ora lido, perceba que a primeira frase “A refrigeracdo é uma questo delicada para os fruticultores.” é a tese, a ideia-nucleo, o tépico-frasal. Esta frase nos mostra que 0 assunto a ser tratado no texto impde contrastes. Em seguida, ainda neste primeiro paragrafo, ha uma explicacdo de a refrigerac&o ser interpretada como questao delicada para os fruticultores: as baixas temperaturas sao necessérias, mas podem causar danos. Em seguida, 6 sugerida uma abertura de técnicas possiveis para solucionar o problema (final do primeiro pardgrafo). Dessa forma, 0 autor introduziu o texto, gerando uma expectativa em sua leitura, o leitor vé necessidade de continuar lendo o texto para entender essas técnicas, que serdo sdo desenvolvidas e explicadas nos pardgrafos seguintes. Os pardgrafos de desenvolvimento: Nesta parte do texto, o leitor observa que hé uma ampliagdo dos argumentos iniciados na introdug&o. Agora, é hora de provar o que fora dito anteriormente. Para tanto, o autor pode se valer de contrastes ("mas o uso da égua quente ativa seu sistema de defesa”, “mas, em média, as frutas séo mantidas em 52 graus por poucos minutos."), explicagées ("O processo consiste em mergulhar o fruto em dgua quente anes de refrigerd-lo", “Essa técnica consiste em por a fruta em ambiente refrigerado”, “pois melhora a qualidade final do produto.”), conformidade ou argumento de autoridade (“fo que promete um novo método desenvolvido por pesquisadores do Laboratorio de Fisiologia e Bioquimica Pés-Colheita da Esalq - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz”, “afirma o pesquisador Ricardo Kluge”, “Para o produtor de péssegos Waldir Parise,”, causa/consequéncia (“Q frio faz com que a fruta fique vulnerével", “o uso da agua quente ativa seu sistema de defesa”), dado estatistico ou estimativa (“aumenta a conservacao em até 50% do tempo") etc. O importante é vocé perceber que nos pardgrafos de desenvolvimento so feitas as andlises para provar o que foi afirmado na introdugao do texto. O paragrafo de conclusao: Aqui, podemos perceber que, apés toda a argumentacao nos paragrafos de desenvolvimento, o autor chega a uma conclusdo que confirma o que foi dito na introducéo. Isto é, os dados elencados nos paragrafos de desenvolvimento Servem para convencer 0 leitor sobre a opiniio do autor, expressa pela tese do texto, a qual ser ratificada (confirmada) no paragrafo de conclusdo. E como se ele dissesse informalmente ao leitor: “fsté vendo, leitor, como foi importante o meu discurso inicial? Com isso, devemos realizar tais ages... ou prestar atengao em tais aspectos... ou nos mover a evitar tais problemas... e assim por diante”. Com base em nossa conversa sobre o texto lido, agora vamos as questdes!!!! Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 8de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Questo 1: Segundo o texto, entre a refrigeragdo e os fruticultores ha uma: A) Oposigio ideolégica. B) Semelhanca espacial. C) Utilizagao benéfica e maléfica. D) Auséncia de utilidade. E) Utilizacéo desnecessaria. Comentario: Esta questéo aborda justamente a tese do texto: "A refrigeracéo 6 uma quest&o delicada para os fruticultores.” Assim, entre a refrigeraco e os fruticultores, ha uma questo delicada, que sera explicada em seguida: as baixas temperaturas sdo necessdrias a conservacéo das frutas (utilizacéo benéfica), mas também pode causar danos (utilizag&o maléfica). Tudo vai depender do uso pelo fruticultor. Assim, explicitamente sabemos que a alternativa correta é a (C). Veja que a alternativa (A) esta errada, porque nao ha oposicéo ideolégica entre refrigerac&o e fruticultores. A alternativa (B) esta errada, porque n&o se pode dzer que os dois ocupam 0 mesmo espaco. As alternativas (D) e (E) praticamente tém a mesma ideia: a pouca utilidade. Por isso, est&o erradas. Gabarito: C Questdo 2: O emprego das aspas no segundo paragrafo; A) Ressalta a importancia da nova técnica. B) Serve para ressaltar a fala do autor da reportagem. C) Serve para ressaltar a fala do pesquisador. D) Serve para complementar a reportagem. E) Explica o que € 0 aquecimento intermitente. Comentario: A citagao (trecho da afirmacao de alguém) @ uma forma de o autor confirmar o que esté sendo argumentado no texto. Por isso, varias vezes no texto percebemos as falas de pesquisadores. Isso é feito para que o leitor tenha uma maior confianga nos argumentos elencados pelo autor. Essa citacéo normalmente é limitada pelas aspas, para que o leitor nao confunda 0 que é afirmado por ele ou pela citag3o da fala de alguém. Assim, cabe apenas a alternativa (C) como correta. Gabarito: C Questo 3: “No comeco € dificil, pois muitos apresentam resisténcias as novidades”. Pelo processo da intertextualidade a alternativa que contém uma citago com o mesmo valor seméntico do periodo acima é: A) “A mente apavora o que ainda néo 6 mesmo velho”. B) “...0 horror de um progresso vazio” C) “Oh! Mundo téo desigual! De um lado esse carnaval, de outro a fome total”. D) “Foste um dificil comeso”. E)_“Como vai explicar vendo o céu clarear sem Ihe pedir licenca”. : Primeiro, vamos entender o que significa: Intertextualidade: £ 0 cuidado que se tem num texto de absorver os conhecimentos, conceitos, observacdes_elencados em outros textos Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 9de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od renomados, conhecidos. Normalmente isso é feito para levantar mais crédito ao argumento defendido pelo autor. Citag&o: £ 0 recorte da fala de alguém ou de algum trecho de texto. Valor semantico: £ a conservagao do sentido de uma expresso por outra. A questao, ent&o, quer saber se 0 candidate consegue verificar o sentido da expresséo “No comeco é dificil, pois muitos apresentam resisténcias as novidades”, contida no texto, com outras expressdes retiradas de outros textos (citacdes). Isso é a intertextualidade: Neste trecho, a ideia de muitos apresentarem resisténcias as novidades significa que 6 fécil lidar com aquilo que j& conhecemos, pois nos acomodamos com 0 velho. Por isso, a novidade traz receio. A alternativa (A) é a correta, pois o que ainda no € velho (conhecido plenamente por mim) apavora. Isso € 0 mesmo que muitos resistirem as novidades, concorda?!!!!! A alternativa (B) apresenta a expressio "...0 horror de um progresso vazio", a qual significa uma desaprovacéio & ascenséo sem base. Isso ndo diz respeito & frase do texto. A alternativa (C) apresenta a expresséio “Oh! Mundo téo desigual! De um lado esse carnaval, de outro a fome total", que mostra os contrastes sociais, como uma critica, Isso n&o tem relag&o com a frase do texto. A alternativa (D) apresenta a expresso “Foste um dificil comego", a qual indica simplesmente que 0 comeso foi dificil, mas ndo necessariamente que alguém tem medo desse comeso. Por isso, esté diferente da argumentacio da frase do texto. A alternativa (E) apresenta a expresséio “Como vai explicar vendo o céu clarear sem Ihe pedir licenca”, a qual nos remete & indagac&o da explicacéio de algo que ndo conhecemos. Gabarito: A Questo 4: Assinale a frase em que 0 vocabulo destacado tem seu anténimo corretamente indicado: A) “A refrigeracéo é uma questo delicada para os fruticultores”: dificil B) “ ... se a exposig&o ao frio for prolongada”: rapida C) “0 frio faz com que a fruta fique vulnerdvel a ac&o de substancias...” : desamparados D) “Acho que facilitara bastante nossa vida.”: suficientemente E) “No comeco é dificil, pois muitos apresentam resisténcia as novidades... empecilho. Comentario: Antonimo é o sentido contrario da palavra. Na alternativa (A), 0 adjetivo “delicada” tem seu sentido preservado com 0 adjetivo “dificil”. A alternativa (B) é a correta, pois 0 adjetivo “prolongada” é 0 oposto de “rapida”. Na alternativa (C), 0 adjetivo “desamparados” néo mantém o mesmo sentido, mas também nao marca a oposigao. Por isso, estd errada. Na alternativa (D), 0 advérbio “bastante” tem o seu sentido preservado Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od no advérbio “suficientemente”. Na alternativa (E), 0 substantivo “resisténcia” tem o seu sentido preservado no substantivo “empecilho”. Gabarito: B Questo 5: “Para o produtor de péssegos Waldir Parise, isso seré muito valido...” A palavra sublinhada nessa frase tem como referente: A) ™... a temperatura da Agua e a duracéo do mergulho...” B) “A refrigeragdo é uma questo delicada para os fruticultores”. C)*.... 0 produto crie resisténcia ao frio e ndo seja danificado”. D) “Essa contradig&o, entretanto, estd com os dias contados”. E) " ... aumenta a conservagdo em até 50% do tempo...” Comentario: Esta questéo trabalha especificamente a coesdo referencial, isto é, © pronome trabalha em recurso anaférico e devemos saber contextualmente a que termo ele se refere. Para tanto, veja que o primeiro pronome “isso” retoma todo o periodo anterior, o qual se encontra sublinhado: “Essa técnica consiste em pér a fruta em ambiente refrigerado e, depois de dez_dias, deixé-la_em temperatura ambiente por 24 horas, para_entdo devolvé-la 4 camara fria?. “Isse! faz com que 0 produto crie resisténcia ao frio e nao seja danificado?", afirma Ricardo Kluge. Para 0 produtor de péssegos Waldir Parise, isso? seré muito valido, pois melhora a qualidade final do produto. Ele acredita que a nova técnica aumentaré o valor da fruta no mercado. “Acho que facilitaré bastante nossa vida.” Agora, veja que 0 segundo pronome “isso” retoma a expressdo “o produto erie resisténcia ao frio e no seja danificado” (em negrito). Assim, a alternativa correta € a (C). Gabarito: C Manaus Ene gia Administrador (banca Consulplan) A ENERGIA E OS CICLOS INDUSTRIAIS No decorrer da histéria, a ampliagéo da capacidade produtiva das sociedades teve como contrapartida 0 aumento de consumo e a continua incorporagéo de novas fontes de energia. Entretanto, até o século XVIII, a evoluc&o do consumo e o aprimoramento de novas tecnologias de geracéo de energia foram lentos e descontinuos. A Revoluc&o Industrial alterou substancialmente esse panorama. Os ciclos iniciais de inovacéo tecnolégica da economia industrial foram marcados pela incorporacéo de novas fontes de energia: assim, 0 pioneiro ciclo hidrdulico foi sucedido pelo ciclo do carvao, que por sua vez cedeu lugar ao ciclo do petréleo. Em meados do século XIX, as invengées do dinamo e do alternador abriram 0 caminho para a producdo de eletricidade. A primeira usina de eletricidade do mundo surgiu em Londres, em 1881, e a segunda em Nova York, no mesmo ano. Ambas forneciam energia para a iluminago. Mais tarde, a eletricidade iria operar profundas transformagées nos processes produtivos, com a introdug&o dos motores elétricos nas fébricas, e na vida cotidiana das sociedades industrializadas, na qual foram incorporados dezenas_de Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br lide 77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od eletrodomésticos. Nas primeiras décadas do século XX, a difusio dos motores a combustéo interna explica a importancia crescente do petréleo na estrutura energética dos paises industrializados. Além de servir de combustivel para automéveis, avides e tratores, ele também é utilizado como fonte de energia nas usinas termelétricas e ainda, é matéria-prima para muitas indUstrias quimicas. Desde a década de 1970, registrou-se também aumento significative na produgao e consumo de energia nuclear nos paises desenvolvidos. Nas sociedades pré-industriais, entretanto, os niveis de consumo energético se alteraram com menor intensidade, e as fontes energéticas tradicionais - em especial a lenha - ainda s4o predominantes. Estima-se que © consumo de energia comercial per capita no mundo seja de aproximadamente 1,64 toneladas equivalentes de petréleo (TEP) por ano, mas esse ntimero significa muito pouco: um norte-americano consome anualmente, em média, 8 TEPs contra apenas 0,15 consumidos por habitante em Bangladesh e 0,36 no Nepal. Os paises da OCDE (Organizagéo de Cooperag’o e Desenvolvimento Econémico), que possuem cerca de um sexto da populac3o mundial, séo responsaveis por mais da metade do consumo energético global. Os Estados Unidos, com menos de 300 milhées de habitantes, consomem quatro vezes mais energia do que o continente africano inteiro, onde vivem cerca de 890 milhdes de pessoas. (Magnoli, Demétrio, Regina Aratijo, 2005. Geografia ~ A construgo do mundo. Geografia Geral e do Brasil, Moderna ~ pg. 167) Questo 6: Nos dois primeiros pardgrafos do texto, o autor afirma que, EXCETO: A) O aumento de consumo foi uma contrapartida a ampliago da capacidade produtiva das sociedades. B) A eletricidade operou, nos processos produtivos, _transformagdes profundas. C) As novas fontes de energia marcaram os ciclos iniciais de inovac&o tecnolégica. D) Anteriormente ao século XVIII, 0 aprimoramento de novas fontes de energia e a evolucgéio do consumo foram lentos e descontinuos. E) O panorama de evolucéio das novas fontes de energia foi alterado de forma fundamental pela Revolugao Industrial. Comentario: A alternativa (A) esta correta e expressa literalmente o que se diz no primeiro periodo do texto: "...a ampliago da capacidade produtiva das sociedades teve como contrapartida 0 aumento de consumo e a continua incorporagao de novas fontes de energia.” ‘A alternativa (B) é a errada, pois esta informaggo faz parte do terceiro paragrafo, e a questao pediu apenas a interpretagdo dos dois primeiros paragrafos. A alternativa (C) esta correta, porque esta informag&o encontra-se no segundo periodo do segundo paragrafo: “Os ciclos iniciais de inovagdo tecnolégica da economia industrial foram marcados pela incorporagéo de novas fontes de energi: Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 12de77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od A alternativa (D) esta correta, pois relata o segundo periodo do primeiro paragrafo: “Entretanto, até o século XVIII, a evolugdo do consumo e o aprimoramento de novas tecnologias de geracao de energia foram lentos e descontinuos.” A alternativa (E) esta correta, pois relata o primeiro periodo de segundo paragrafo: “A Revolucéo Industrial alterou substancialmente esse panorama.”. Note que “esse panorama” retoma a expressdo “o aprimoramento de novas tecnologias de geragdo de energia” do periodo anterior. Além disso, perceba que “substancialmente”, de acordo com 0 contexto, é 0 mesmo que “de forma fundamental". Gabarito: B Questo 7: Ao mencionar que as invengbes do dinamo e do alternador abriram caminho para a produc&o de eletricidade, o autor do texto mostra que: A) 0 setor industrial impulsionou a economia dos paises subdesenvolvidos. B) As usinas de eletricidade forneciam energia para a iluminacao. C) A partir dessas invengdes 0 uso de energia elétrica em Londres e Nova York colocou essas duas cidades no topo da economia mundial. D) A partir dessas invengdes 0 uso de energia elétrica se expandiu e provocou substanciosas mudangas na vida cotidiana das sociedades industrializadas. E) A partir do dinamo e do alternador as industrias tomaram um novo rumo no século XVIII. Comentario: No terceiro paragrafo, note que a invengao do dinamo e do alternador abriram caminho para a eletricidade e esta “iria operar profundas transformacées nos processos produtivos, com a introducéo dos motores elétricos _nas__fabricas, e ma vida _cotidiana_das _sociedades industrializadas, na qual foram incorporados dezenas de eletrodomésticos”. Veja que a interpretacdo é literal dos dados do 3° paragrafo do texto. Por isso, a alternativa correta é a (D). Vocé poderia ter ficado na duivida, porque esta alternativa néo menciona as “transformacées nos processos produtivos”, mas esta omissdo nao implica erro na informagao de que a sociedade industrializada se beneficiou dessas transformacées, ok! Gabarito: D Questo 8: A importancia do petrdleo se deve, EXCETO: A) Ao fato de servir de matéria-prima para industria quimicas. B) Ao fato de servir de combustivel para automéveis, avides e tratores. C) Ao fato de ser fonte de energia edlica. D) Ao fato de ser fonte de energia nas usinas termelétricas. E) Ao fato de ser fonte de energia nas industrias téxteis. Comentario: Questéo simples com dados explicitos no 4° paragrafo. Vocé poderia ter ficado na divida entre as alternativas (C) e (E), pois néo se encontra literalmente “energia edlica” e “industrias téxteis”, Assim, devemos observar que “industria téxtil” se enquadra na expresso “importancia_crescente do petréleo na estrutura energética dos Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od paises industrializados”, ai se enquadrando as fabricas. Por outro lado, veja que a energia edlica é a energia captada do vento, nada tendo a ver com 0 petréleo, por isso a alternativa (C) é a errada. Assim, observe: tivemos um vestigio que nos permitiu subentender “industrias téxteis", mas n&o houve qualquer vestigio que nos fizesse subentender “energia edlica”. Gabarito: C Questo 9: Os dados estatisticos apresentados no texto: A) So utilizados como curiosidade. B) Sdo utilizados para dar mais veracidade as informacées contidas no texto. C) Sao sempre utilizados em reportagens. D) Sao utilizados como argumentos essenciais. E) Sao utilizados como informacées superficiais. Comentario: Os ntimeros presentes no 4° e 5° paragrafos do texto sao dados estatisticos do texto, os quais servem para dar mais credibilidade aos argumentos do texto. Assim, a alternativa correta é a (B). A alternativa (A) esté muito fora do contexto, pois néo ha simplesmente a satisfaco de uma curiosidade. A alternativa (C) esta errada, pois a palavra “sempre” é categérica, isto é, palavra que nao abre excecgo a regra, e sabemos que nem todas as reportagens tém dados estatisticos. A alternativa (D) esté errada, pois os procedimentos argumentativos, como explicagéo, causa/consequéncia, contraste, dados _estatisticos, estimativas, exemplificagdes, sdo elementos complementares que auxiliam na fundamentacéo da tese do texto; essa, sim, elemento essencial do texto. A alternativa (E) esté errada, pois esses dados no so superficiais, eles embasam os argumentos do texto. Em suma: esses dados estatisticos néo sé nem essenciais, nem superficiais: so importantes. Gabarito: B Prefeitura Tiradentes Analista (banca Consulplan) SEGREDO Ha muitas coisas que a psicologia nao nos explica. Suponhamos que vocé esteja em um 12° andar, em companhia de amigos, e, debrucando-se & Janela, distinga l4 embaixo, inesperada naquele momento, a figura de seu pai, procurando atravessar a rua ou descansando em um banco diante do mar. Sé isso. Por que, entdo, todo esse alvorogo que visita a sua alma de repente, essa animacéo provocada pela presenca distante de uma pessoa da sua intimidade? Vocé chamaré os amigos para mostrar-Ihes o vulto de tracos fisionémicos invisiveis: “Aquele ali é papai”. E os amigos também hao de sorrir, quase enternecidos, participando um pouco de sua gloria, pois é inexplicavelmente tocante ser amigo de alguém cujo pai se encontra longe, fora do alcance do seu chamado. Outro exemplo: vocé ama e sofre por causa de uma pessoa e com ela se Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 14de 77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od encontra todos os dias. Por qué, entéo, quando essa pessoa aparece & distancia, em hora desconhecida aos seus encontros, em uma praca, em uma praia, voando na janela de um carro, por que essa ternura dentro de vocé, € essa admirével compaixéo? Por que motivo reconhecer uma pessoa ao longe sempre nos induz a um movimento interior de docura e piedade? As vezes, trata-se de um simples conhecido. Vocé o reconhece de longe em um circo, um teatro, um campo de futebol, e & impossivel nao infantilizar- se diante da visdo. Até para com os nossos inimigos, para com as pessoas que nos s&o antipaticas, a distancia, em relac&o ao desafeto, atua sempre em sentido inverso. Ver um inimigo ao longe é perdod-lo bastante. Mais um caso: dois amigos intimos se véem inesperadamente de duas janelas. Um deles esté, digamos, no consultério do dentista, 0 outro visita o escritério de um advogado no centro da cidade. Cinco horas da tarde; Id embaixo, 0 trdfego estridula; ambos olham distraidos e cansados quando se descobrem mutuamente. Mesmo que ambos, uma hora antes, estivessem juntos, naquele encontro stibito e de longe é como se néo se vissem h4 muito tempo; com todas as gracas da alma despertas, eles comecam a acenar-se, a dar gritos, a perguntar por gestos o que © outro faz do outro lado. Como se tudo isso fosse um mistério. E é um mistério. (Paulo Mendes Campos) Vocé notou a tese? Aquela frase que apresenta a situacdo, a opiniéio do autor e certamente motivaré a argumentacao nos pardgrafos seguintes? Ela nos ajuda a entender o perfil do texto. Confirmando a tese, temos 0 titulo, que normalmente traz um resumo da tese e do tema (ideia central do texto). Assim, 0 titulo “Segredo” é um resumo da tese "Ha muitas coisas que a psicologia nao nos explica.”. Lembra-se do que falamos anteriormente sobre a conclusio? Ela confirma a tese, o tema, a introducéio do texto. Justamente isso ocorreu na Ultima frase do texto: "E é um mistério”. Note a estrutura do texto: 0 pardgrafo de introdug&o nos apresenta a tese. Em seguida, ambienta o leitor sobre uma situacéo para que este se identifique com ela e entenda os argumentos do texto. Os pardgrafos seguintes apresentam novas situagées que ilustram o tema do texto, com novas explicacées. © terceiro pardgrafo é uma pergunta. Essa pergunta consolida os dois exemplos dados anteriormente, e motiva o leitor a pensar, a aprofundar na questo. Nos paragrafos seguintes, 0 texto continua com mais exemplos para confirmar e nos familiarizar, para nos sentirmos parte desse tema. Quanto aos conectivos do texto, podemos perceber que ha expresses que retomam palavras, como “isso”, “essa”, “Ihes, “cujo", “seu” etc. Sao recursos chamados anaféricos, pois retomam palavra ou expressdo anterior para evitar a repetic&o viciosa. Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Hé, também, os chamados operadores sequenciais, isto é, palavras ou expressdes que dao andamento, continuidade ao texto, aos argumentos. Veja no primeiro paragrafo: 0 vocébulo “ent&o” marca um desenvolvimento da ideia anterior: uma sequéncia. © vocdbulo “E” (linha 8) faz o mesmo papel: da prosseguimento @ ideia explorada no enunciado anterior. Além desses, hé exemplos classicos, como 0 inicio do segundo paragrafo com “Outro exemplo”, ou no inicio do 6° parégrafo: “Mais um caso”. Dentro deste paragrafo, temos a combinagao dos elementos sequenciais “Um deles” e “o outro”. Agora, vamos a algumas questées: Questdo 10: Com relacao ao significado das palavras empregadas no texto, todas as opges esto corretas, EXCETO: A) “... quase enternecidos" : amorosos B)“ ...essa ternura...” : meiguice C)”... inexplicavelmente tocante. D)".... sempre nos induz...” : motiva E) " ... 0 tréfego estridula..." : rompe : comovente Comentario: Questdo simples, nao é? “enternecidos” € gerado da palavra “ternura”, isto é, “amoroso”. Da mesma forma “ternura” tem o sentido contextual de “meiguice”, “tocante” é 0 mesmo que “comovente", “induz” é 0 mesmo que “motiva’. Mas, mesmo que n&o soubéssemos o sentido de “estridula”, 0 contexto nos ajuda muito, concorda? Jogue essa palavra no texto, leia as frases em que ele se encontra: “Mais um caso: dois amigos intimos se véem inesperadamente de duas janelas. Um deles est, digamos, no consultério do dentista, 0 outro visita 0 escritério de um advogado no centro da cidade. Cinco horas da tarde; /é embaixo, 0 trafego estridula; ambos olham distraidos e cansados quando se descobrem mutuamente.” Mostra-se um ambiente urbano as cinco horas da tarde, isso sé pode nos induzir a entender um tréfego agitado, intenso, barulhento. O radical do verbo “estridula” tem relacéo semantica com o do adjetivo “gstridente”, isto é“barulhento’. Gabarito: E Quest&o 11: O tema central do texto é: A) Divagacées sobre a amizade. B) Reflexées sobre encontros imprevistos. C) Indagagdes sobre momentos efémeros. D) Mistérios do mundo moderno. E) Mistérios das atitudes incontidas. Comentario: Para entendermos o tema central, normalmente nos atemos a tese, ao titulo e concluséio, Esses sdo elementos-chave que geralmente transmitem a ideia central do texto. Mas nesta questéo néo precisariamos aprofundar tanto; basta trabalharmos com as alternativas por eliminagao. Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 77 Portugués para SEPOG RO Sa see aera ater Od Nao ha “divagagdes” no texto, por isso a alternativa (A) esta errada. Note que divagar é 0 mesmo que andar sem rumo, sem direcdo. Figurativamente, significa fantasiar, devanear, argumentar sem nexo. A alternativa (B) é a correta, pois vemos nos pardgrafos a estrutura de perguntas e respostas, tudo para buscar uma reflexéo sobre encontros a distancia. A alternativa (C) esta errada, pois até percebemos que o texto possui indagagdes e que também se mostram momentos efémeros, isto é, passageiros. Porém, nao é essa a ideia central: 0 que se quer neste texto é mostrar a forca, a beleza, a situagdo intrigante de avistar alguém conhecido ao longe e se sentir bem. A alternativa (D) esté errada, porque n&o se quer mostrar mistérios do mundo moderno. A alternativa (E) esté errada, porque nao é foco no texto mostrar os mistérios das atitudes incontidas. Gabarito: B Quest&o 12: “Hd muitas coisas que a psicologia nao nos explica”. O periodo acima: A) Serve como reflexdo. B) Exprime uma idéia secundaria. C) E uma citag&o popular. D) Justifica o titulo do texto. E) Evidencia o valor da ciéncia. Comentario: Veja que a questao nos aponta a tese, para que nés possamos refletir sobre o seu papel na estrutura do texto. A alternativa (A) esté errada porque nao corresponde a funcionalidade da tese deste texto. Esta tese serve para chamar-nos a atengao quanto ao que vai ser dito posteriormente. Normalmente, as frases que servem de reflexdo sdo as perguntas retéricas, isto é, aquelas perguntas deixadas no final do texto, como que pedindo ao leitor para continuar pensando sobre o tema. Nao foi 0 caso de frases deste texto, muito menos da tese. A alternativa (B) esté errada, pois a tese é a ideia central, e néo secundaria. A alternativa (C) est errada, pois néo ha vestigios de que essa frase seja de um dito popular. A alternativa (D) € a correta, pois normalmente o titulo se baseia na tese, na ideia central, como um resumo, para chamar a atengao do leitor quanto @ ideia central. Isso foi realmente trabalhado neste texto. O titulo “Segredo” resume a estrutura “a psicologia no nos explica”. A alternativa (E) esta errada, pois, se a psicologia n&o nos explica, no hd evidéncias de valorizacio da ciéncia. Gabarito: D Quest&o 13: “Vocé o reconhece de longe em um circo..."( 4°§). Por um processo anaférico, a palavra sublinhada na frase acima tem como referente no texto: A) amigo B) pai__C) conhecido__D) inimigo__E) dentista Prof. Décio Terror www.estrategiaconcursos.com.br 17 de77