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ROSÂNGELA MARIA OLIVEIRA DE FREITAS

BRINCADEIRAS E JOGOS NO ESPAÇO DO RECREIO

Belém – Pará
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
2001
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BRINCADEIRAS E JOGOS NO ESPAÇO DO RECREIO

ROSÂNGELA MARIA OLIVEIRA DE FREITAS

Trabalho de Conclusão de Curso – TCC,


apresentado ao Curso de Pedagogia do Centro de
Ciências Humanas e Educação da UNAMA, como
requisito para obtenção do grau em Pedagogia com
Habilitação em Magistério da Educação Infantil a 4ª
série do Ensino Fundamental, orientado pelo
professor Celso Michiles Barreto.

Belém – Pará
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
2001
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BRINCADEIRAS E JOGOS NO ESPAÇO DO RECREIO

ROSÂNGELA MARIA OLIVEIRA DE FREITAS

Avaliado por:

_____________________________
Prof. Celso Michiles Barreto

Data ___/___/___

Belém – Pará
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
2001
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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a Deus fonte de todos a


trajetória de minha vida, aos meus pais José Maria
Oliveira e Maria Otávia Oliveira pela força,
dedicação e compreensão que me dedicaram ao
longo de minha vida.

Ao meu companheiro José Freitas por estar


sempre ao meu lado em todos os momentos,
acreditando sempre em minha capacidade
profissional.

Aos meus queridos filhos Marília e Fernando por


serem a luz que guia o meu caminho.

Às minhas tias queridas Isabel, Ana Maria,


Conceição e Margarida que mostraram na minha
infância e adolescência o caminho maravilhoso do
educar.
5

AGRADECIMENTO

Agradeço a Deus fonte de toda a sabedoria e a todos


que de forma direta ou indiretamente contribuíram
para o meu crescimento.

Ao meu orientador Celso pela compreensão e


carinho que me dedicou, incentivando-me sempre na
construção desse trabalho.
6

Pelo brincar, a criança reorganiza suas


experiências. Oferecer oportunidades para a
criança brincar é criar espaço para a
reconstrução do conhecimento.

VYGOTSKI
7

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo analisar a importância dos jogos e brincadeiras no
espaço do recreio mediante a entrevistas com crianças de 5 a 6 anos, observando suas
brincadeiras neste espaço. Adotou-se a pesquisa qualitativa e a realização de observação e
aplicação de questionário em uma turma de Jardim II que equivale a faixa etária de 5 anos e
contendo na turma 25 alunos; e alfabetização de 6 anos contendo 20 alunos na turma de uma
escola particular de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio da cidade de Belém. Os
resultados das entrevistas mostram que a preferência das crianças pelo espaço do recreio é
porque elas se sentem à vontade para brincar livremente podendo assim criar e recriar sem o
rigor da sala de aula. O estudo conclui que Educadores da Educação Infantil procurem se
aperfeiçoar mais sobre a importância dos jogos e brincadeiras para que possam melhor
contribuir na formação integral do desenvolvimento da criança, pois jogos e brincadeiras são
elementos de grande importância no processo de ensino-aprendizagem.
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SUMÁRIO

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1

CAPÍTULO II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................. 3

2.1. O jogo ..................................................................................................................... 3

2.1.1. Resgate Histórico ................................................................................................ 3

2.1.2. Jogos, brinquedos e brincadeiras ......................................................................... 4

2.2. A Educação Infantil ................................................................................................ 6

2.3. Desenvolvimento das habilidades lingüísticas em crianças de 05 a 06 anos ......... 7

2.4. Jogo e brinquedo, a criança e a construção social .................................................. 9

CAPÍTULO III – METODOLOGIA .................................................................................. 11

3.1. Tipos de Estudo .....................................................................................................11

3.2. Local ......................................................................................................................11

3.3. Participantes ......................................................................................................... 11

3.4. Coleta de Dados ....................................................................................................11

CAPÍTULO IV. RESULTADOS ..........................................................................................14

4.1. Quadro de apresentação das respostas da entrevista realizada com as crianças .. 14

4.2. Questionário respondido pela Coordenadora ....................................................... 20

4.3. Questionário respondido pelas Professoras de Jardim e Alfabetização ............... 21

4.4. Relato das observações das brincadeiras das crianças no horário do recreio ....... 23

CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 28

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 30

ANEXOS
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CAPÍTULO I. INTRODUÇÃO.

O presente trabalho versará sobre a importância das brincadeiras e jogos no espaço do


recreio.

Sabemos que o campo pedagógico vem sofrendo muitas mudanças e com ele os
recursos didáticos especialmente os jogos e brincadeiras. A criança tendo o seu espaço livre
na hora do recreio, solta a sua imaginação e fantasia com suas brincadeiras prazerosas, porque
se sentem mais livres para brincar, conversar e até inventar suas próprias brincadeiras.

Vale ressaltar que os jogos não estão relacionados só com o ato de brincar e sim com o
desenvolvimento físico, afetivo, cognitivo, moral e social. Portanto é com o desenvolvimento
harmonioso e global da criança que o educador deverá interagir o lúdico através dos jogos e
brincadeiras como recursos pedagógicos acessível aos diversos níveis de ensino. No brincar,
aprendemos e ensinamos sobre o mundo em que vivemos e por esse motivo a brincadeira é a
forma como toda a criança inicia sua relação, com o mundo.

Sendo assim considero de vital importância que a ação pedagógica desenvolvida com
crianças da ed. infantil e ensino fundamental deva basear-se no respeito e no conhecimento de
suas características específicas.

No entanto, faz-se necessário a constante formação dos professores em relação a ação


dos mesmos sobre esses recursos pois em sua maioria constitui-se que o professor tem pouco
conhecimento sobre a importância do lúdico em sala de aula e fora dela também. E a falta
desse conhecimento impede que o professor lance mão de um recurso tão valioso quanto o
brincar das crianças e conseqüentemente não o utilizando impedirá que se promova um
melhor desenvolvimento e aprendizado das mesmas.

A Educação lúdica, especificamente o jogo, através da constatação lógica e integrada


contribui para a boa formação do educador. No entanto, a falta de conhecimento e
fundamentação teórica dos professores a nível da ed. infantil e ensino fundamental são quase
inexpressíveis, haja visto que os educadores não os vislumbram com o seu real sentido.
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Porém a contribuição significativa do jogo para o desenvolvimento das atividades


pedagógicas irá depender da concepção que se tem o jogo, aprendizagem e desenvolvimento.
Assim é de competência do educador, em especial o que trabalha na ed. infantil, compreender
as fases do desenvolvimento da criança para adequar os jogos e brincadeiras e encaminha-los
dentro do processo ensino-aprendizagem.

Partindo dessa concepção questiono: Que importância pedagógica pode ser


evidenciada nas brincadeiras e jogos infantis no espaço do recreio?

Para evidenciar tal importância é que este trabalho tem como objetivos

• Realizar observações do desenvolvimento de brincadeiras infantis;

• Verificar como as crianças se organizam para realizar tais brincadeiras;

• Articular a realização dessas brincadeiras e uma possível compreensão


psicopedagógica das mesmas.

O brincar da criança é a fonte de vida, prazer, revelação de sentimentos e ideais,


fantasias, interação entre o imaginário numa descoberta espontânea e persistente onde tudo o
que a circunda se faz: experimentação e pode ser transformado em brinquedo.

A importância do jogo no desenvolvimento psico-social da criança, vai além do que se


posa imaginar.

Brincar não significa passatempo. A criança se


utiliza da brincadeira para conhecer o mundo que
a cerca. Através do jogo a criança desenvolve a
sua imaginação e seu pensamento abstrato.
Através das brincadeiras a criança poderá ter um
bom desenvolvimento psicomotor e psico-social,
assim como as levará à socialização e à
contribuição para a sua vida afetiva. As atividades
lúdicas encorajam também o desenvolvimento
intelectual, através da atenção e da imaginação,
facilitando a sua expressão. (ALMEIDA, 1990).
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CAPÍTULO II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. O JOGO

2.1.1. RESGATE HISTÓRICO

No século XVII, o jogo exerceu um papel importante no que diz respeito às atividades
do cotidiano das crianças e cada etapa de seu desenvolvimento físico e mental, não
abandonam as brincadeiras que se perpetuam ao longo dos tempos. Segundo AIRES (1981)
“A criança abandona o traje da infância e sua educação é entregue aos cuidados do homem”.
É clara a forma rígida com que as crianças eram vistas naquela época. Controladas, eram
tratadas como adultos em miniatura.

Com a influência dos jesuítas no século XVII, começa-se a perceber a possibilidade


educacional nos jogos que até então eram tidos como simples atividades de prazer e lazer,
passando a ser vista como uma maneira de auxiliar as crianças sua educação. Neste mesmo
século os precursores, Rousseau e Pestalozzi afirmavam que a educação não deveria ser um
processo artificial e repressivo, e sim um processo natural, surgido da necessidade do
desenvolvimento mental da criança. Enfatizavam a importância dos jogos e brincadeiras como
processos formativos pois exercitam o corpo, os sentidos, as aptidões além de preparar para a
vida em comum e para as relações sociais.

Froebel já pregava uma pedagogia de ação e em particular os jogos e brincadeiras pois


para ele a criança para se desenvolver não deveria apenas olhar e escutar e sim agir e produzir
através de brincadeiras produtivas, as crianças encontrariam o seu canal de expansão da
educação. Portanto entendia que o trabalho manual, jogos e brincadeiras é por onde a criança
adquire a primeira representação do mundo e é também por meio deles que ela entra no
mundo das relações sociais, desenvolvendo um senso de iniciativas e auxílio mútuo. Portanto,
como pode ser observado, já havia uma preocupação por parte de alguns educadores do
passado que reconhecendo o valor pedagógico dos jogos procuravam aproveitá-lo como
agente educativo.
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Hoje como afirma KISHIMOTO (1994), principalmente na educação infantil, há uma


grande atenção por parte dos pedagogos e psicólogos para o papel do jogo na constituição das
representações mentais e seus efeitos no desenvolvimento da criança em especial na faixa de
0 a 6 anos. Piaget, Vygotsky, Freud, Cailhois e Huizunga são teóricos que discutem os
processos internos relacionados com o comportamento lúdico focalizando o jogo como
representação. Portanto o jogo em um certo período de nossa história era tratado como mera
forma de recreação sem um cunho pedagógico.

O jogo educativo surge no século XVI, na Roma e Grécia Antiga onde Platão comenta
a idéia de “aprender brincando” fazendo assim oposição à utilização da violência e da
repressão. Desta mesma forma Aristóteles também para a educação de crianças atividades
sérias de ocupações adultas como uma maneira de preparo para a vida futura. Somente com o
Renascimento o jogo deixa de ser objeto de reprovação incorporando-se assim no cotidiano
dos jovens, não mais como diversão sim como tendência natural do ser humano. Desta forma
a criança como um ser dotado de natureza distinta do adulto chega ao século XVIII,
permitindo a criação e expansão de estabelecimentos para educar também as crianças.

Frobel indica o jogo livre como suporte da ação docente. E desta forma nasce o jogo
educativo

Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por


meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, a
função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral
da criança. Neste sentido, qualquer jogo empregado na
escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico,
apresenta caráter educativo e pode receber também a
denominação geral de jogo educativo (KISHIMOTO,
1994: 22).

2.1.2. JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS

O jogo não pode ser visto de modo simplista, como uma mera ação de nomear.
Empregar um termo não é um ato solitário. Subentende todo um grupo social que a
compreende, fala e pensa da mesma forma. Portanto considerar que tenha um sentido dentro
de um contexto significa a emissão de uma hipótese, a aplicação de uma experiência ou de
uma categoria fornecida pela sociedade, vinculada pela língua quanto instrumento de cultura
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dessa sociedade. É importante proporcionar à criança oportunidades para muitas brincadeiras


espontâneas e jogos livres, para que ela desfrute a alegria de brincar em conjunto,
favorecendo assim a sua socialização.

Diante de minha pesquisa pude observar que o lúdico é a alternativa para o ensino na
educação infantil pois penso que através das atividades livres que são feitas de forma
prazerosa utilizando-se de jogos e brincadeiras, desperta o interesse do aluno proporcionando
assim um melhor desenvolvimento no fator biológico, emocional, psicomotor, social,
simbólico dentre outros, formando assim pessoas, participantes, conscientes e críticas.
Através do jogo, a criança satisfaz suas necessidades interiores pelo prazer e esforço
espontâneo. O jogo por ser uma necessidade física e mental ele aciona e ativa as funções
psiconeurológicas e as operações mentais, estimulando assim o pensamento.

A criança procura o jogo como necessidade e não como


distração (...). É pelo jogo que a criança se revela. As
suas inclinações boas ou más, a sua vocação, as suas
habilidades, o seu caráter, tudo que ela traz latente no
seu eu em formação, torna-se visível pelo jogo e pelos
brinquedos, que ela executa (KISHIMOTO, 1993),

O jogo permite à criança a realizar o seu eu, construindo assim a sua personalidade
além de desenvolver a linguagem.

Na educação, conforme citação feita por KISHIMOTO (1993), teóricos como


CHATEAU (1979), VITAL (1981) e ALAIN (1986), frisaram a importância do jogo infantil
como meios para educar e desenvolver a criança, desde que respeitadas as características da
atividade lúdica.

Segundo o referencial circular para a Educação Infantil “Brincar de roda, ciranda,


pular corda, amarelinha etc. são maneiras de estabelecer contato consigo próprio e com o
outro, de se sentir único e, ao mesmo tempo, parte de um grupo”.

Quando a criança brinca, ela relaxa, aliviando assim as suas tensões, descarrega
energia assimilando a realidade do mundo em que vive.
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O ato de brincar segundo ALMEIDA (1990), “é algo natural na criança e por não ser
uma atividade sistematizada e estruturada acaba sendo a própria expressão de vida da
criança”.

O jogo, segundo CUNHA (1984), “o proporcionador, aprender – fazendo e brincando


a criança formula seus concertos, adquire informações e supera dificuldades de
aprendizagem”.

Na prática, pedagógica, o jogo ajuda na aprendizagem da criança, possibilitando ao


educador tornar suas aulas mais ricas e prazerosas.

2.2. A EDUCAÇÃO INFANTIL

A infância é marcada pela imagem de inocência, de candura, de moral, imagem


relacionada à natureza primitiva dos povos, um mito que simboliza a origem do homem e da
cultura.

Segundo KISHIMOTO (1996), a imagem de infância é reconstituída pelo adulto por


meio de um processo duplo: de um lado, ela está relacionada a todo um contexto de valores e
aspirações da sociedade, e de outro, depende da própria percepção do adulto, que incorporam
memórias de seu tempo de criança. Portanto se a infância é reflexo do contexto atual, ela
também vem carregada de uma visão idealizada do passado do adulto, que admira sua própria
infância. A infância enfatizada no brinquedo contém o mundo real, com seus valores,
maneiras de pensar e agir e o imaginário do criador do objeto. Bachelard, em “A poética do
desvaneio” (1988: 93-137) enfatiza que há sempre uma criança em todo adulto, que o
desvaneio sobre a infância é um retorno a infância pela memória e imaginação. Há em nós
uma infância escondida que desabrocha quando algumas imagens nos tocam.

Pelo devaneio ser composto de memória e imaginação é que Mario de Andrade apud
Faria, (1994) em “Vestida de Preto”, fala da alegria de soltar balões quando na verdade não o
fez. Neste sentido notamos que as memórias de infância enchem-nos de imaginações quando
nos deparamos com poemas como “Cai, cai balão, cai, cai balão, na Rua do Sabão!” (Manoel
Bandeira, 1986). Os desvaneios fazem voltar as lembranças da infância como também os
nossos sonhos, ideais e vontade.
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Como a poesia, os jogos infantis aguçam em nós o imaginário, a memória dos tempos
passados. Portanto o brinquedo está sempre ligado ao tempo de infância do adulto com
representações vinculadas pela memória e imaginação.

A palavra “brinquedo” não deve ser restrita à pluralidade de sentido dos jogos, pois
conota crianças e tem uma dimensão material, cultural e técnica. Enquanto objeto é sempre
suporte de brincadeira. E a brincadeira nada mais é do que a ação que a criança desenvolve ao
realizar as regras do jogo, ao mergulhar na ação lúdica.

Segundo KISHIMOTO (1996), “Hoje, a imagem de infância é enriquecida também


com o auxílio de concepções pedagógicas, que reconhecem o papel de brinquedo e
brincadeiras no desenvolvimento e na construção do conhecimento infantil.

2.3. DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES LINGÜÍSTICAS EM CRIANÇAS


DE 05 A 06 ANOS

Segundo o referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Os bebês desde


cedo emitem sons articulados que lhes dão prazer e que revelam o esforço que fazem para
comunicar-se com os outros. Os adultos e crianças mais velhas interpretam essa linguagem
dando sentido à comunicação dos bebês. Portanto a construção da linguagem oral implica na
verbalização e na negociação dos sentidos estabelecidos entre pessoas que buscam comunicar-
se. As brincadeiras e interações que se determinam entre bebês e os adultos incorporam as
vocalizações rítmicas, mostrando assim o papel comunicativo, expressivo e social que a fala
desempenha desde cedo.

Aprender a falar, no entanto, não se restringe apenas em memorizar sons e palavras. A


aprendizagem da fala pelas crianças não se dá de forma desarticulada com a reflexão, o
pensamento, a explicitação de seus atos, sentimentos, sensações e desejos.

Nas diversas interações com a linguagem oral, as crianças tentam descobrir


irregularidades que a constitui, utilizando todos os meios de que dispõem: Assim acabam
criando formas verbais, expressões e palavras, na tentativa de tomar para si as convenções da
linguagem. Tomemos como exemplo o caso da criação de tempos verbais de uma criança de 5
anos que escondida atrás da porta, fala para a professora: “Adivinha se eu ‘tô’ sentada,
agachada ou empezada?”, ou então ao exemplo de uma criança que ao emitir determinados
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sons na brincadeira, é perguntada por outra: “Você está chorando?” ao que responde: “Não,
estou engraçando!”.

Segundo o Referencial as crianças têm ritmos próprios e a conquista de suas


capacidades lingüísticas se dá em tempos diferenciados, sendo que a condição de falar com
fluência, de produzir frases completas e inteiras surge da necessidade da participação em atos
da linguagem. O desenvolvimento da fala e da capacidade simbólica ampliam
significativamente os recursos intelectuais, entretanto as falas infantis, são ainda produto de
uma perspectiva muito particular, de um jeito próprio de ver o mundo. A ampliação de suas
capacidades de comunicação oral ocorre gradativamente, através de um processo de idas e
vindas que envolve tanto as crianças na participação cotidiana de brincadeiras, cantos,
músicas etc. Como a participação em situações mais formais de uso da linguagem, como as
que envolvem leitura e textos variados.

Para Micotti apud Piaget (1987), em seus estudos sobre a linguagem infantil verificou
que grande proporção da mesma se classifica como egocêntrica e que a proporção é maior na
linguagem de crianças ao redor de quatro anos de idade, ou seja com o declínio do
egocentrismo se observa o aumento na comunicação. Dos 4 aos 5 ou 6 anos de idade, a
linguagem não exerce totalmente a função de comunicar o pensamento. Os procedimentos
indicam que a criança não se coloca no ponto de vista do ouvinte e centraliza esta atividade
em torno de si mesma. Este fenômeno é explicado como forma de prolongar a realidade em
atendimento aos próprios desejos ou seja os objetivos visados e não obtidos pela ação se
realizam em tempos verbais, em decorrência do conteúdo mágico e da fantasia que
acompanha a linguagem. Um outro jeito de explicar estes procedimentos seria em termos de
não estabelecimento de diferenciação completa entre as palavras e as ações. No monólogo, a
criança ainda não domina completamente a relação palavra e objeto, mescla palavrações e
ações.

Por outro lado, a linguagem socializada passa por certos estádios de desenvolvimento
de antes de chegar a um intercâmbio de pensamento, constituindo choque de afirmações
contrárias sem compreensão ou justificação; é só por volta dos 7 ou 8 anos que a discussão
passa a ser troca de pontos de vista, como, com esforço para explicar o próprio e compreender
o alheio.
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Por fim afirma Micotti (1987), os procedimentos que em geral caracterizam esta fase
desenvolvem-se intuitivamente em decorrência do egocentrismo deformador, isto é resultam
da centração do pensamento nos fins da própria atividade, não considerando todas as relações
em jogo. As relações admitidas são as referentes às atividades do sujeito, e não são
descentradas em um sistema de relações objetivas. Assim o pensamento intuitivo focaliza em
cada momento uma relação determinada e atinge o real em termos de sua aparência
perceptiva.

Toda teoria de construção do conhecimento tem seus


pilares alicerçados na corrente psicológica cognitiva,
onde os trabalhos teóricos de Gean Piaget enfatizam que
o pensamento se constrói através da atividade e se dá a
partir das relações que as crianças estabelecem com o
meio. Piaget defendeu não só a idéia da dinâmica do
conhecimento, como também procurou instaurar uma
teoria de caráter científico, onde a ênfase estivesse no
processo de construção do conhecimento
(DELLAZANA, 1999: 38).

Daí dizer que todo o conhecimento provém da experiência ou que todo o


conhecimento começa da experiência.

2.4. JOGO E BRINQUEDO, A CRIANÇA E A CONSTRUÇÃO SOCIAL

Há várias autores que descrevem o jogo como elemento da cultura relacionando-o aos
aspectos sociais como o prazer de jogar, “não – seriedade”, por não ter ligação com o dia-a-
dia, as regras existentes, a liberdade de jogar etc. Entretanto, outros autores como Vygotsky,
afirma que nem sempre o jogo assume essas características, obtendo em alguns casos o prazer
e o esforço para alcançar o objetivo da brincadeira. Em suas regras todo o jogo possui sua
característica marcante seja ela explícita ou implícita.

Segundo KISHIMOTO (1994) a criança quando brinca toma uma certa distância da
vida cotidiana, entretanto no mundo imaginário. Portanto assim como o brinquedo que
desperta a imaginação e a fantasia, o jogo tem na ação voluntária uma característica marcante.
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Ao brincar a criança mostra toda a sua sensibilidade ao duvidar daquilo que vê, que
pega. Segundo OLIVEIRA (1984), “brincando, ela nega o empirismo comum nos adultos.
Aquilo que é, não é”.

O brincar para a criança é fonte de vida, fantasia, interação entre o real e, o imaginário,
onde espontaneamente ela descobre o mundo que a cerca através de experimentação onde
muitas vezes transforma essa experimentação em brinquedos. Cada contexto social constrói
uma imagem de jogo e brincadeira conforme os seus valores e modo de vida, que se expressa
por meio da linguagem. O brinquedo sugere um mundo imaginário da criança e do adulto,
criador do objeto lúdico. Em se tratando da criança, o imaginário varia conforme a idade de 5
a 6 anos, integra predominantemente elementos da realidade.

A infância é tida como a idade do possível, podendo-se projetar sobre ela a esperança
de transformação social. Hoje também a imagem de infância é enriquecida, com o auxílio de
concepções psicológicas e pedagógicas que reconhecem o papel de jogos, brinquedos e
brincadeiras no desenvolvimento e na construção do conhecimento infantil. Em cada
brinquedo sempre se esconde uma relação educativa. Ao construir o seu próprio brinquedo, a
criança aprende a trabalhar e a transformar os seus elementos fornecidos pela natureza ou
materiais já elaborados, construindo assim um novo objeto, seu instrumento para brincar.
Quando a criança recebe um brinquedo pronto, nem sempre se conforma com o seu
significado explícito e fechado.

Portanto a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo, criando ou


recriando novos brinquedos e participando com eles de novas experiências e aquisições. No
convívio com outras crianças trava contato com a sociabilidade espontânea, ensaia
movimentos do corpo, experimentando novas sensações.
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CAPÍTULO III. METODOLOGIA

3.1. TIPO DE ESTUDO

No intuito de se obter uma educação de qualidade para a Educação Infantil, abordou-


se primeiramente nesta pesquisa um levantamento bibliográfico. Em seguida foi realizado um
estudo que abordasse informações e conhecimentos sobre brincadeiras e jogos como
estratégias de ensino-aprendizagem através de questões que envolvessem o jogo, resgate
histórico, jogos e brincadeiras no contexto da Educação Infantil, desenvolvimento das
habilidades lingüísticas, jogos e brinquedos, a criança e a construção social.

No momento seguinte realizou-se uma pesquisa de campo através de entrevistas e


observações. Tal pesquisa foi feita numa abordagem qualitativa.

3.2. LOCAL: Na área livre do parque da escola particular de Educação Infantil e Ensino
Fundamental e Médio CESEP-Belém.

A escola fica localizada na Av. Pedro Miranda e atende a uma clientela de classe
média.

Esta escola possui um rol de entrada, um parque amplo com brinquedos diversos onde
as crianças brincam além de um espaço reservado pelas crianças para jogo de futebol e
queimada e uma casa feita de madeira que as crianças denominam de casa do “Tarzan” onde
elas geralmente brincam de faz de conta. As salas são em forma de malocas e se localizam em
volta do parque. Os banheiros se localizam dentro das salas. A lanchonete funciona no outro
bloco da escola pois a educação infantil é separada dos outros níveis de ensino.
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3.3. PARTICIPANTES: Crianças de 5 e 6 anos das turmas de Jardim II e Alfabetização,


professoras da Educação Infantil (Jardim II e Alfabetização) e coordenadora pedagógica.

3.4. COLETA DE DADOS

A coleta de dados foi realizada através de questionários aplicados à coordenadora, às


professoras, aos alunos e diário de campo na faixa etária de 5 a 6 anos.

Período de Realização: Primeira quinzena de outubro.

Instrumentos e Técnicas: Questionários e observações.

Procedimentos:

Fase I – De posse de um ofício de apresentação expedido pela UNAMA, a pesquisadora se


identificou como estudante do 4º ano do Curso de Pedagogia, Educação Infantil. Nessa
ocasião, foram explicitados os objetivos do trabalho e foi solicitado à direção da escola o
consentimento para que a pesquisa fosse realizada.

Fase II – Após a pesquisadora ter obtido o consentimento da direção da escola, foi aplicado o
questionário junto às professoras da escola. As professoras colaboraram com a pesquisadora,
não mostraram nenhuma resistência e responderam todas as perguntas.

Fase III – Após a aplicação do questionário, a pesquisadora passou para a fase de observação
das brincadeiras feitas crianças no horário do recreio. Nesta fase as crianças colaboraram
bastante e até houve disputa para ver quem era entrevistado ao ponto da professora ter que
intervir para amenizar a situação.

Essas observações foram realizadas 3 vezes por semana, por um período de 20


minutos cada observação.

Os seguintes elementos serão observados:

• Como as crianças formam os grupos?

• Que critérios elas usam para promover essa formação?

• De que elas brincam?


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• Quais foram as brincadeiras mais utilizadas?

• Que materiais elas usavam?

• Se elas inventam a brincadeira?

• Qual o tempo de duração de cada brincadeira?

# Conflitos que surgiam:

• A participação dos adultos (se tem ou não).

• Anotação dos diálogos entre as crianças, o que elas conversavam.

Fase IV – A pesquisadora aplicou questionários com a coordenadora, onde a mesma pode


responder sobre a importância dos jogos e brincadeiras para o desenvolvimento das crianças
na Educação Infantil. Foi feito também entrevistas com as crianças onde elas expressaram o
seu contentamento no horário do recreio e das brincadeiras que são feitas nesse espaço.

CAPÍTULO IV. RESULTADOS

4.1. QUADRO DE APRESENTAÇÃO DAS RESPOSTAS DA ENTREVISTA


REALIZADA COM AS CRIANÇAS

Pergunta nº 01: Você gosta de brincar? Por que?

CRIANÇA RESPOSTAS

01 Sim, porque sim.

02 Gosto, porque eu brinco com a minha boneca.

03 Gosto, porque eu adoro.

04 Gosto porque é legal.

05 Gosto, porque eu gosto da escola.

06 Gosto, porque é legal o espaço.


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07 Sim, porque eu só brinco.

08 Sim, eu gosto dos colegas.

Neste quadro pôde ser observado que todas as crianças entrevistadas gostam de brincar
por vários motivos como: pelo espaço do parque, pelos colegas, pelos brinquedos etc.

Pergunta nº 02: Qual a sua brincadeira favorita?Justifique.

CRIANÇA RESPOSTAS

01 Power Rangers, porque é divertido.

02 Carrinhos, porque eu gosto.

03 Pira esconde, porque eu corro muito.

04 Pira-alta, porque eu gosto.

05 Meleca, porque é bem mole.

06 Brincar de correr, porque é bom.

07 Pira esconde, porque ninguém me acha.

08 Amarelinha, porque é legal.

Neste quadro observa-se que as crianças em suas brincadeiras favoritas brincam pelo
prazer que tais brincadeiras proporcionam. Portanto, quando a criança brinca, ela o faz de
modo bastante compenetrado, sem se preocupar com aquisição de conhecimentos.

Pergunta nº 03: Sua professora organiza brincadeiras em sala de aula? Quais?


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CRIANÇA RESPOSTAS

01 Sim, jogo da memória.

02 Sim, panelada.

03 Sim, adivinhações.

04 Sim, passa a bola.

05 Sim, joguinho.

06 Sim, caça palavras.

07 Sim, brincadeiras de montar, caça palavras.

08 Sim, jogo de encaixar, de modelo.

Todas as crianças neste quadro afirmaram que a professora organiza brincadeiras em


sala de aula. Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998). “É o
adulto na figura do professor, portanto, que, na instituição infantil, ajuda a estruturar o campo
das brincadeiras na vida das crianças. Conseqüentemente é ele que organiza sua base
estrutural, por meio da oferta de determinados objetos, fantasias, brinquedos ou jogos, dá
delimitação e arranjos para brincar”.

Pergunta nº 04: O que você acha das brincadeiras no recreio?

CRIANÇA RESPOSTAS

01 Bom, pois tem escorrega.

02 É muito legal.

03 É muito bom, pois tem brinquedos no parque.

04 Porque as brincadeiras são boas.


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05 Boas, porque tem muita gente para brincar.

06 São legais.

07 Acho boas, porque eu gosto de brincar.

08 Legais.

Através desta pergunta consegue-se constatar que as crianças gostam muito das
brincadeiras no horário do recreio porque na área aonde brincar tem atrativos como os
brinquedos e espaço amplo para que possam se movimentar melhor.

Pergunta nº 05: O recreio é importante para você? Justifique.

CRIANÇA RESPOSTAS

01 Sim, porque eu gosto de brincar.

02 Sim, porque se brinca melhor.

03 Sim, porque estamos perto das outras turmas.

04 Sim, porque dá para correr bastante.

05 Mais ou menos, pois eu gosto mais de estudar em sala.

06 Sim, porque eu brinco a vontade.

07 Sim, porque eu brinco com quem eu quero.

08 Sim, porque é legal.

Para a maioria das crianças o recreio é de vital importância pois é neste espaço que
elas podem interagir de forma mais prazerosa.
25

Pergunta nº 06: Você gostaria de sugerir algumas brincadeiras para horário do recreio?

CRIANÇA RESPOSTAS

01 Gostaria que tivesse bastante queimada.

02 Gostaria, basquete.

03 Gostaria que tivesse patinete.

04 Gostaria que tivesse futebol americano.

05 Sim, pira se esconde.

06 Sim, brincar de casinha.

07 Sim, boca de forno.

08 Sim, pira esconde.

Neste quadro foram dadas sugestões para brincadeiras na hora do recreio. Observa-se
que as crianças nas sugestões voltam-se na sua maioria, para brincadeiras tradicionais.

4.2. QUESTIONÁRIO RESPONDIDO PELA COORDENADORA

Entrevista realizada no CESEP/Belém

Entrevista com a Coordenadora: Sandra Cunha

Perguntas Respostas

1ª) Qual a sua Formação Profissional? Professora, na função de Coordenadora


Pedagógica.

2ª) Como você define jogos e Jogos e brincadeiras são ferramentas de trabalho
brincadeiras?
que estimulam o desenvolvimento infantil.

3ª) Na sua visão que importância tem os Os jogos e brincadeiras são importantes porque
garantem o aprendizado prazeroso, estimulando o
26

jogos e brincadeiras na vida das crianças? interesse e participação das crianças em todas as
atividades.

4ª) Você já leu algum teórico que discuta Emília Ferreiro


a importância do lúdico na vida da
criança? Qual?

5ª) De que forma são desenvolvidos os São contemplados pelo conhecimento de Mundo,
conteúdos programáticos na Educação Artes, Música, Matemática, linguagem oral e
Infantil? escrita.

6ª) Como você vê o uso dos jogos e Utilizando-se dos jogos e brincadeiras a criança
brincadeiras no trabalho com crianças estabelece contato consigo própria e com o outro,
pré-escolares? fator importante ao seu desenvolvimento social,
assim como ao desenvolvimento de habilidades,
atitudes e conceitos referentes as áreas de
conhecimento.

Na entrevista com a coordenadora percebe-se que a mesma possui um amplo


conhecimento teórico sobre a importância de jogos e brincadeiras. De certa forma, tais
recursos são contemplados no cotidiano dessa escola precisando somente ser mais trabalhado.

4.3. QUESTIONÁRIO RESPONDIDO PELAS PROFESSORAS DE JARDIM E


ALFABETIZAÇÃO

Professora Rosemary Fernandes

Tempo de Serviço: 18 anos

* Formação Profissional

( ) 1º grau

( ) 2º grau completo, que Habilitação?

(X) 3º grau, Curso: Pedagogia


27

Professora Luciana Teixeira

Tempo de Serviço: 7 anos

* Formação Profissional

( ) 1º grau

( ) 2º grau completo, que Habilitação?

( X ) 3º grau, Curso: Administração Escolar

Perguntas Resp. Profª de Jardim II Resp. Profª de Alfabetização


1ª) Como você São atividades lúdicas que visam o Jogos são objetos recreativos utilizados
define jogos e desenvolvimento do raciocínio, a no dia-a-dia das crianças (dominó,
brincadeiras? apreensão de conceitos e a segurança baralho, petecas etc.). Brincadeira é a
quanto aos aspectos afetivos e sociais. ação da criança no uso dos jogos e
brinquedos, é a interação com uma
situação lúdica.
2ª) Qual a Através das brincadeiras a criança Os jogos, brinquedos e brincadeiras
importância dos vai, aos poucos tomando contato com servem para dar vida ao mundo
mesmos na vida da a realidade; na brincadeira ela oscila infantil. Eles dão alegria e crescimento
criança? entre o real e o simbólico e tenta nos aspectos de linguagem,
descobrir sua própria identidade e a coordenação motora e cognitiva. Assim
dos outros. Dessa forma, ela como, influencia na relação afetiva e
desenvolve a criatividade, a educativa da criança.
motricidade e aguça sua curiosidade
se tornando uma pessoa independente.
3ª) Qual a sua Ao brincar a criança se envolve e Os jogos e as brincadeiras servem para
visão do uso de deixa aflorar seus sentimentos e atrair a atenção das crianças no
jogos e emoção, brincado e jogando a criança momento de lançamento de conteúdos
brincadeiras no aprende a ordenar o mundo ao seu novos, assim como, para auxiliar na
trabalho com redor, pois assimila experiências e descoberta dos alunos e ainda para
crianças da Ed. informações, além do que incorpora fixar os assuntos trabalhados.
Infantil em sala de regras e valores necessários ao
aula? convívio social.
4ª) Você os usa em Bloco lógico, quebra-cabeça, jogo da Sim, aplico jogos educativos como
sala de aula? Cite memória, estátua, telefone sem fio, alfabeto simples, jogos de sílabas,
um exemplo. cabra-cega, jogos de adivinha etc. jogos de memória e construção.
5ª) Você já leu Leonor Rizzi, Regina Célia Hayalt, Sim, vários. Pois o meu TCC também
28

algum teórico que Maria Lúcia Thiessen, Ana Rosa Beal foi sobre este assunto.
discuta a etc.
importância do
lúdico na vida da
criança? Qual?
6ª) O que você Muito interessante, pois percebemos Vejo este momento como único, pois é
pensa sobre as que eles dramatizam, conversam naturalmente cedido o espaço para a
brincadeiras das livremente, reconstroem com os liberdade de expressão para que a
crianças no horário colegas regras para as brincadeiras, criança escolha seus companheiros e
do recreio? desenvolvem e enriquecem o ainda defina quais brincadeiras irá
vocabulário e estimula o respeito e a participar no grupo.
cooperação entre os coleginhas.
No quadro apresentado percebe-se que ambas professoras têm uma visão teórica da
importância dos jogos e brincadeiras na vida da criança. As duas afirmam usar jogos em salas
de aula e que os mesmos ajudam na aprendizagem da criança tornando a aula mais prazerosa.
Observei que no espaço do parque as professoras deixam os alunos mais à vontade e não
interferem quase em suas brincadeiras.

4.4. RELATO DAS OBSERVAÇÕES DAS BRINCADEIRAS DAS CRIANÇAS NO


HORÁRIO DO RECREIO

Constatei que a área do recreio é ampla, dando condições para que a criança possa
brincar com prazer. Possui espaços de areia para correrem, brincarem de bola etc. Também
possui uma área com balanças, escorrega, uma casinha de madeira que eles chamam de “casa
do Tarzan”, onde vivenciam em sua maioria brincadeiras dirigidas à sua família como: brincar
de mamãe e papai. Esta área também possui um globo de ferro, uma ponto de madeira e
maloquinhas onde geralmente elas levam livrinhos e histórias e brincam de professor.

A área é bem arborizada que dão bastante sombra no recreio.

A educação infantil possui 9 malocas (salas de aula) e são espaçosos contribuindo


assim para que a criança se movimente à vontade. Nas malocas existem banheiros dentro com
acessórios apropriados para essa faixa etária.

Durante o período que permaneci na escola, foram feitas 9 observações de 20 minutos


cada dia, tendo uma carga horária de 3 horas. Essas observações foram realizadas nos
arredores do parque sem local fixo, porque como é muito comum, as crianças vivem
deslocando-se a todo momento de um lugar para o outro, exceto os grupos que jogam futebol
pois os mesmos ficam até o final do recreio.
29

Nessas observações foram destacadas todas as brincadeiras observadas, sendo


assinaladas as mais freqüentes:

(X) brincadeiras com bonecas (X) pira-alta

(X) jogo de futebol ( ) bandeirinha

( ) brincadeiras de roda ( ) cemitério

(X) brincadeiras de casinha ( ) caça-palavras

(X) pega-pega ( ) bonecos de PÓKEMON

( ) labirinto (X) pega-ladrão

Durante as brincadeiras foi observado que os materiais que as crianças utilizavam


eram

— Bonecos diversos (principalmente PÓKEMON)

— Bonecas (principalmente a Barbie)

— Bola de futebol

— Histórias em quadrinhos e fábulas

— Baldes e pás para brincar na areia.

Os grupos variam para realizarem as brincadeiras. Ora grupos só formados por


meninos, ora só por meninas e as vezes grupos mistos dependendo da brincadeira.

Durante as brincadeiras geralmente surgiam conflitos que eram resolvidos pelo próprio
grupo, geralmente pelo que mostrava mais liderança. Quando não chegavam a um acordo, os
conflitos eram levados à professora ou a auxiliar para amenizar a situação.

Foi observado que a criança vê o recreio como o horário de maior prazer na escola.
Quando elas saem das salas, elas correm como se estivessem presas e lhes foi dado a
liberdade naquele momento.
30

Na sua maioria os meninos escolhem brincar de futebol, pega-ladrão, bonecos e as


meninas de casinha, bonecas e pira. Os meninos quando brigavam geralmente chamavam a
professora ou a auxiliar, já as meninas, resolviam os seus conflitos entre elas sem a
intervenção do professor.

Nas brincadeiras mistas entre meninos e meninas, os meninos sempre queriam se


sobressair, como na brincadeira de pira e de casinha, e como resultado era que voltava a haver
a quebra entre os sexos.

As professoras não interferiam nas brincadeiras a menos que fossem solicitados pois
esse horário e exclusivo das crianças.

4.5. DISCUSSÃO

Neste trabalho foi analisado brincadeira e jogos desenvolvidos no espaço do recreio


com turmas de Alfabetização e Jardim II, tendo como objetivo evidenciar que os jogos e
brincadeiras não estão relacionadas só com o ato de brincar por brincar e sim com o
desenvolvimento físico, afetivo, cognitivo, moral e social.

A atividade lúdica traz possibilidades de crescimento sócio-pessoal, pois quando uma


criança brinca de maneira participativa, procura satisfazer suas necessidades e expressa
interesses espontâneos.

Macedo (1995, p. 10) “..., seria importante que se permitisse na escola que os meios,
ao menos por algum tempo, fossem os próprios fins das tarefas; que permitisse às crianças e
aos professores serem criativos, que tivessem prazer estético e conhecessem o gozo da
construção do conhecimento”.

Na brincadeira, a criança descobre as regras de convivência social, de comunicação e


cooperação e de solidariedade.

Nas observações feitas nas turmas de Alfabetização e Jardim II, observeu-se o quanto
elas interagem nas brincadeiras, mesmo com idades diferenciadas pelas turmas. As crianças
maiores de 6 anos ajudam as de 5 anos que participam de todas as atividades propostas pelas
31

crianças maiores. A diferença está na liderança dessas brincadeiras. As crianças na faixa de 6


anos se sobrepõem às de 5 anos assumindo assim essa liderança. Porém todos participam com
o mesmo afinco das brincadeiras e jogos propostos.

No jogo de futebol, os meninos de Alfabetização determinam os dois lados do campo,


formam as equipes de jogadores e o nome do time de cada lado, começando assim as
brincadeiras.

O tempo parece não existir para eles, brincar como se o recreio não fosse acabar.

Segundo De Vries e Famiê (1991, p. 12) “... a proposta de jogos em grupo não é
advogada meramente para que as crianças aprendam a jogar determinados jogos. O que
importa é que o jogo proporcione um contexto estimulador da atividade mental da criança e
de sua capacidade de cooperação, seja ele jogado ou não de acordo com regras previamente
determinadas”.

As meninas assim como os meninos, brincam sem que a diferença de idade possam
interferir. Do mesmo modo que os meninos, há uma certa liderança por parte do grupo de
Alfabetização conduzindo assim as brincadeiras que são geralmente de boneca, faz de conta
(casinha), outras gostam de brincar de pira, amarelinha, queimada etc.

Assim, para Brougère (1995, p. 47) “Na brincadeira, a criança não se contenta em
desenvolver comportamentos, mas manipula as imagens, as significações simbólicas que
constituem uma parte da impregnação cultural à qual está submetida”.

Portanto de fundamental importância que se faça uma reflexão e análise para que os
jogos e brincadeiras proporcionem à criança o diálogo entre ela e o mundo. É importante
também ressaltar que a brincadeira é uma experiência de convívio, de troca, de interação,
socialização e aprendizagem, onde se manifesta não apenas entre crianças, mas em todos que
dela se dispuserem a participar.

Na visão da coordenadora da escola particular CESP, jogos e brincadeiras são


importantes porque garantem o aprendizado prazeroso, estimulando o interesse e participação
das crianças em todas as atividades.

A coordenadora afirma também que jogos e brincadeiras são ferramentas de trabalho


que estimulam o desenvolvimento infantil.
32

As professoras de Alfabetização e Jardim II, dessa mesma escola, afirmam que através
do brincar a criança, vai aos poucos tomando contato com a realidade; na brincadeira ela
oscila entre o real e o simbólico e tenta descobrir sua própria identidade e a dos outros. Assim
como também influência na relação afetiva e educativa da criança.

Isto está presente nas palavras de Brougère (1995, p. 106) ao dizer que “Na verdade a
brincadeira dá testemunho da abertura e da invenção do possível, do qual ela é o espaço
potencial do surgimento. A brincadeira que pode às vezes, tornar-se uma escola de
conformismo social, de adequação às situações propostas, pode, do mesmo modo, tornar-se
um espaço de invenção, de curiosidade e de experiências diversificadas”.

O objetivo de evidenciar, documentar e relacionar os jogos e brincadeiras ao


desenvolvimento infantil foi alcançado através das observações e entrevistas com as crianças,
e também com os questionamentos junto às professoras e coordenadora acerca de como
aproveitam esses jogos para o ensino e aprendizagem das mesmas.

É de fundamental importância que os professores responsáveis pela educação infantil


ao se planejarem, observem fatores relevantes como os que foram descrias neste trabalho e
que tenham consciência de que estão desenvolvendo atividades com crianças onde o lúdico é
presente em suas vidas por isso incluam brincadeiras que evidencie o jogo lúdico pois os
mesmos são um meio de liberar tensões, fonte de prazer, alegria e busca o desenvolvimento
integral no processo educacional, contemplando assim os objetivos de um programa inovador
de educação para a educação infantil.
33

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando que brincando a criança expressa as emoções, sentimentos,


pensamentos, desejos e suas necessidades é que neste trabalho procurei analisar uma forma
que as nossas crianças se sentissem mais prazerosas em aprender.

No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significam


outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças criam e recriam e reorganizam
os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando.

Devido a pouca importância que muitos professores dão a dimensão lúdica da criança
considerando os jogos e brincadeiras como perda de tempo é que tem sido negado essa
dimensão lúdica da criança. E isso porque a escola contribui de certa forma, atribuindo um
conceito para a sociedade de formar crianças somente para serem leitores e escritores,
satisfazendo assim o interesse dessa sociedade.
34

Observei que no espaço do recreio a criança através das atividades lúdicas tem a
possibilidade de crescimento sócio-pessoal, pois quando uma criança brinca de maneira
participativa, procura satisfazer suas necessidades e expressa interesses espontâneos. E é na
valorização pelo professor do caráter lúdico e educativo dos jogos e brincadeiras é que o
espaço de sala de aula se torna adequado ao desenvolvimento da criança.

Durante o curso de pedagogia estudando teóricos como Piaget, Vygotsky, Wallon e


outros, é que considero necessário que cada vez mais se exija a qualificação de profissionais
principalmente na área da educação infantil. Educadores realmente comprometidos com uma
educação de qualidade e transformadora para que as crianças de hoje se tornem cidadãos
críticos de amanhã.

Sabemos que o brincar desenvolve inúmeras funções cabendo ao professor aproveitar


esta atividade e adequá-la aos inúmeros conteúdos exigidos pelo currículo escolar.

Uma das possibilidades de tornar o ambiente escolar mais agradável é a utilização de


jogos e brincadeiras como recurso fundamental para o trabalho na educação infantil, pois
dessa forma entende-se a necessidade de ação, dos movimentos de aprendizagem da criança.

A valorização do professor pelo caráter lúdico e educativo dos jogos e brincadeiras na


educação infantil tornará o espaço de sala de aula, um espaço adequado ao desenvolvimento
da criança, assim como, o aprendizado dos conhecimentos escolares.

Por meio das brincadeiras os professores podem observar e constituir uma visão dos
processos de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular,
registrando suas capacidades de uso das linguagens, assim como de suas capacidades sociais e
dos recursos afetivos e emocionais que dispõem.

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998, p. 29)


“Cabe ao professor organizar situações para que as brincadeiras ocorram de maneira
diversificada para propiciar às crianças a possibilidade de escolherem os temas, os papéis,
objetos e companheiros com quem brincar ou jogos de regras e de construção, e assim
elaborarem de forma pessoal e independente suas emoções, sentimentos, conhecimentos e
regras sociais”.
35

Portanto é preciso que o professor se conscientize que na brincadeira as crianças


recriam e estabilizam aquilo que sabem sobre os mais diversos aspectos do conhecimento, em
uma atividade espontânea e imaginária.

Entretanto, pode-se utilizar os jogos, especialmente aqueles que possuem regras, como
atividades didáticas. Porém é fundamental que o professor tenha consciência que as crianças
não estarão brincando livremente nestas situações, pois há objetivos didáticos em questão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, P. N. Educação lúdica técnicas e jogos pedagógicos. 8 ed. São Paulo: Loyola,
1990.

ARIES, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1981.

BORGES, T. M. M. A criança em idade pré-escolar. São Paulo: Ática, 1994.

BROUGÉRE, Gilles. Brinquedo e cultura: questões da nossa época. Ed. Cortez.

CUNHA, N. H. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. São Paulo: Malteses, 1994.

DEVRIES, R. Bons jogos em grupo: o que são eles? In: KAMIC.

GOMES, C. M. et al. Trabalho e conhecimento: dilemas na educação do trabalhador. 2 ed.


São Paulo: Cortez, 1989.

KAMII, Constance. Jogos em grupo na educação infantil; implicações da teoria de


Piaget/Constance Kamii e Pettra Davries; tradução Marina Célia Dias Carrasqueira; prefácio
Jean Piaget. São Paulo: Trajetória Cultural, 1991.
36

KISHIMOTO, T. M. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira, 1994.

KISHIMOTO, T. M. O primeiro jardim de infância público do estado de S. Paulo e a


pedagogia frobeliana. Revista Educação e Sociedade. v. 17, n. 56. Dez. 1996.

KISHIMOTO, Tizuco Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo:


Cortez, 1999.

KISHIMOTO, Tizuco Morchida. O jogo e a educação infantil. Ed. Pioneira.

KRAMER, S. et al. Com a pré-escola na mãos. São Paulo: Ática, 1989.

LEBOVICI, DIATKINE, R. Significado e função do brinquedo na criança. Porto Alegre:


Artes Médicas, 1985.

LUKESI, C. Desenvolvimento infantil. In: Tecnologia educacional. Rio de Janeiro. v. 23. n.


19. 1994.

MACEDO, Lino de. Os jogos e sua importância na escola. Caderno de Pesquisa. São Paulo.
Nº 93. p. 5-10. Maio. Editora Cortez.

MEC. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional para a


Educação Infantil. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

OLIVEIRA, Paulo de Salles. O que é brinquedo. Coleção Primeiros Passos. Ed. Brasiliense.

SANTOS, Santa Marli Pires dos. Brinquedoteca, o lúdico em diferentes contextos.


Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
37

ANEXOS
38

Perguntas Respostas

1ª) Qual a sua Formação Profissional?

2ª) Como você define jogos e brincadeiras?

3ª) Na sua visão que importância tem os jogos


e brincadeiras na vida das crianças?

4ª) Você já leu algum teórico que discuta a


importância do lúdico na vida da criança?
Qual?

5ª) De que forma são desenvolvidos os


conteúdos programáticos na Educação
Infantil?

6ª) Como você vê o uso dos jogos e


brincadeiras no trabalho com crianças pré-
escolares?
39

Perguntas Resp. Profª de Resp. Profª de


Jardim II Alfabetização

1ª) Como você define jogos e brincadeiras?

2ª) Qual a importância dos mesmos na vida


da criança?

3ª) Qual a sua visão do uso de jogos e


brincadeiras no trabalho com crianças da
Ed. Infantil em sala de aula?

4ª) Você os usa em sala de aula? Cite um


exemplo.

5ª) Você já leu algum teórico que discuta a


importância do lúdico na vida da criança?
Qual?

6ª) O que você pensa sobre as brincadeiras


das crianças no horário do recreio?
40

Pergunta nº 01: Você gosta de brincar? Por que?

CRIANÇA RESPOSTAS

01

02

03

04

05

06

07

08
41

Pergunta nº 02: Qual a sua brincadeira favorita? Justifique.

CRIANÇA RESPOSTAS

01

02

03

04

05

06

07

08
42

Pergunta nº 03: Sua professora organiza brincadeiras em sala de aula? Quais?

CRIANÇA RESPOSTAS

01

02

03

04

05

06

07

08
43

Pergunta nº 04: O que você acha das brincadeiras no recreio?

CRIANÇA RESPOSTAS

01

02

03

04

05

06

07

08
44

Pergunta nº 05: O recreio é importante para você? Justifique.

CRIANÇA RESPOSTAS

01

02

03

04

05

06

07

08
45

Pergunta nº 06: Você gostaria de sugerir algumas brincadeiras para horário do recreio?

CRIANÇA RESPOSTAS

01

02

03

04

05

06

07

08
46
47

Data: 23/10/2001 Professora: Rosemayre Fernandes Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Jardim II Nº de alunos: 25

Neste primeiro dia de pesquisa foram observados os seguintes itens.

As crianças formam grupos e tem sempre um que se destaca (o líder) para direcionar
as brincadeiras propondo ao grupo brincadeiras. O grupo é muito solidário.

Os critérios observados foram: o interesse de atividades como: o futebol ou o


Pokémon, que tem em revistas e bichinhos, porém o que mais gostam é futebol (meninos).

As meninas se agrupam bem por interesse de atividades. Elas gostam de correr,


gostam de brincar de casinha, boneca. Elas são mais atenciosas e carinhosas. Existe uma líder,
mas essa líder não exerce tanta influência na escolha da formação do grupo.

As atividades que mais usam é o futebol para os meninos como foi dito anteriormente,
agrupando um número bem significativo em torno dessa atividade, é como se fosse uma aula
extra.

Para as meninas, o brincar de casinha do Tarzan (nome dado a uma enorme casa
construída no meio do parque) é o maior centro de interesse. Lá elas conversam geralmente
sobre família, escola ou delas mesmas.

Os materiais que mais usaram neste dia foram: a bola, boneca e sua própria
imaginação.
48

Data: 24/10/2001 Professora: Rose Fernandes Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Jardim II Nº de alunos: 25

Neste dia, foram observadas alguns meninos brincando de bola. O líder sempre tenta
resolver algum conflito que possa surgir durante o jogo.

Alguns meninos resolveram brincar de boneca na casinha junto com as meninas. As


meninas rejeitaram no início mas logo aceitaram brincar com os meninos.

Os materiais que usaram foi: bola, bonecos, bonecas e muita imaginação.

Data: 25/10/2001 Professora: Rose Fernandes Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Jardim II Nº de alunos: 23

Neste dia as crianças fizeram um trabalho de recreação com a professora no horário do


recreio.

A brincadeira envolvia a lateralidade, noção de espaço e equilíbrio. A turma toda


participou com muita alegria e euforia.

Observei que mesmo com todo o entusiasmo da turma, a atividade recreativa feita pela
professora, tomou quase todo o espaço do recreio, restando 5 minutos para o recreio livre.
Houveram protestos por parte de alguns alunos.

A atividade feita pela professora envolveu tanto meninos como meninas, entrosando
assim os dois grupos que geralmente brincam separadas.

Os materiais usados neste dia foram: jornal, bola e bastão.


49

Data: 26/10/2001 Professora: Rose Fernandes Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Jardim II Nº de alunos: 25

Neste dia foram feitas as entrevistas que podem ser observadas na metodologia deste
trabalho na parte de resultados. Foram feitas algumas perguntas com alguns alunos da turma
onde não houve embaraço para esses alunos responderem.

Todos queriam participar da entrevista dando o seu depoimento de como viam a hora
do recreio.

No geral eles gostam muito desse espaço por ser um momento livre, sem intervenção
do adulto.

Como não era possível entrevistar todos ao mesmo tempo. Com a ajuda da professora
as crianças voltaram sua atenção para as brincadeiras do parque só permanecendo um grupo
(o mais persistente) para a entrevista.

Os materiais usados neste dia foram: máquina de fotografar, papel, caneta e gravador.
50

Data: 29/10/2001 Professora: Luciana Teixeira Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Alfabetização Nº de alunos: 20

Neste dia as observações se voltaram para as turmas de Alfabetização, apesar de que


no recreio as turmas de Jardim II e Alfabetização compartilham do mesmo horário.

A turma sai correndo e se dispersa rapidinho, dividindo-se entre meninos e meninas. A


turma de meninos procura logo uma bola e vai para o espaço reservado para o gostoso futebol.

Neste dia há um conflito entre as equipes pois um aluno foi empurrado pelo outro que
pegou a bola e não quis mais que o jogo continuasse. O problema foi contornado pela
estagiária que estava presente e conversou com os dois.

As meninas formaram times e brincaram de queimadas. De vez em quando brigavam


pois se perdiam na regra do jogo e a que sabia mais não se conformava com quem não sabia e
não tinha a paciência para explicar tais regras.

O material usado foi: bola e bonecas.

Data: 30/10/2001 Professora: Luciana Teixeira Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Alfabetização Nº de alunos: 20

Neste dia as crianças da Alfabetização utilizaram vários tipos de brincadeiras na hora


do recreio, como: jogo de futebol, pira, brincar nos brinquedos do parque, balanço e outros.

Nas brincadeiras de pira notei a presença de meninos e meninas, um grupo de meninos


ficou responsável de pegar as meninas. Eles pareceram se divertir muito apesar de ter havido
comentário por parte de um menino de que “as meninas são muito fracas, fáceis de serem
pegas”.

Um grupo brinca no parque no balanço e fazem uma aposta entre eles, de quem
balança mais alto. A brincadeira para quando a professora interrompe alegando que eles
podem cair.
51

Data: 31/10/2001 Professora: Luciana Teixeira Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Jardim II Nº de alunos: 20

As crianças saem correndo para o parque. Uns correm para os brinquedos do parque
(meninos e meninas) outros para o campinho de futebol e outros para um enorme carro feito
de madeira onde eles simulam que estão em um ônibus.

No ônibus como é denominado o carro eles determinam quem é o cobrador, o


motorista e os passageiros. Sempre tem briga na hora da escolha do motorista pois todos
querem ser motorista menos as meninas que se conformam em ser passageiros e levam as
bonecas que passam a serem suas filhas.

Outro grupo parece esquecer-se do tempo brincando com baldes de areia. Eles
simulam um aniversário e me convidam para cantar o parabéns.

Os materiais utilizados neste dia foram: bonecas, baldes, bola, brinquedos do parque e
um carro de madeira.

Data: 01/11/2001 Professora: Luciana Teixeira Hora: 10:00 às 10:20 h

Turma: Alfabetização Nº de alunos: 20

Neste dia foi aplicado os questionários onde as crianças responderam com entusiasmo
as perguntas feitas. Expressando sua opinião e reivindicando um horário mais longo na hora
do recreio. Os questionários podem ser observados na metodologia deste trabalho na parte de
resultados.

Terminada a entrevista o grupo correu para os seus grupos de origem brincando de


amarelinha, nos brinquedos no parque e de futebol.

O material usado neste dia foi: bola, bonecos, máquina de fotografar, caneta e papel.