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Jean-Pierre Vernant MITO & pensamento entre os Gregos — 2 edigdo a oem note nelo wives, pga Sie de conferécias que peri em 1971 (1977 oa Facade de Pet, Ler ¢ ‘Cneas Humans da Universidade de ‘Sto Paulo por alguns de seus bros ‘Gigates noel Helene penetar ‘onceinado, de de Esdon tu ole ‘ae linge ane oon cara wok ‘mares grande aaa nas noras eres epenquoadres que nro {oman prepvaioe pacar labios cretion Eman bes ‘union ob tl Me et Pena chez les Grecs, caja ta em ports 2 itso Europ do Lino preset, {eo alo impinia3sas psu sae Getvantin toe aspicain mocap “ta chilizagao reps araica« esis, ax creries de anise propss por atica, mas dane ua conta sm psa, 980s init een ‘gro da escola ds Amare se {aloe pla expen seca Se Dart oss Gaon ete ot ‘Aantigiicae classes agate de JP pei eas a Dace, 88 “i le om ot se pon tr ‘it ps en an co Mets i td en spseume as ote ke Dkr ena ee aa tne peut) cue cx ep eas de acl bts, sgt eget rt, Se na. a Tem 93D 2 rate tl 5 Geta Fon Go tp Anco ewe 2208 5 Mae 208 hit ee 20 2 el. 978 Df pd i, Pa Dic i po to Sane [resem Foes do mai pc oo Blind rt Jean Piere Vernant Unive MMITO E PENSAMENTO ENTRE OS GREGOS Estudos de psicologia bistrica ‘radugdo de algaruch Saran Museu de Arqueologa e Eioogla da USP evisto tenia de Eka Pereira Nunes algo evista ® PAZE TERRA. yeni Federal 0 Biotec Centr “Indice Freficio prieins edigo brea ae Preficio a edigto de 1985 unt Inieodugao a 15 1 Bswuturas do mito. 25 0 mio hes das gas Ensaio de ands ean 27 =0 mito hesi6dico das rags. A propésito de uma tentativa de posigao erica a — Método estrtural mito das racas 105 2. Aspectos miicos da memoria e do tempo 133 Aspects micas da meméria a Ono Andes e a mele thandion. rie | 3. A onganizagao do espaco 7 A Hesti-Hermes, Sobre a expresto religios do espaco «do movimento entre os gregos. 189 ~ Geometra ¢astronomia esferica na primeira cosmo- ogi greg 3 = Estutura eomeélrca e nogdes politics ma cosmoligia de Anaximandso os 259 — Fspago € organizagio politica na Grecia ang 0. 285, 4.0 trabalho © 0 pensamento tecnico —Prometeu e a fungao tecnica “Trabalho ¢ natureza na Gréc ania ~ Aspectos psicologicos do trabalho na Geécia antiga = Obmervagbes sobre as formas e os lates do penstmentotécnico entre os gregos. '5.Do duplo a imagem. “= Figuragho do invisvel e categoria prcoldgicn do ‘duplo’: 0 bolo. = Da presenificacio do invsivel 3 imiagao df aparenca 6. pessoa a religio. = Aspectos da pessoa na religito grea 7. Do mito 3 ro. ~ A formato do pensamento postive na Grecia arcalca as origens da sofia adic remissivo an 313 325, 357 381 407 419 49) “a 45 Prefiicio a primeira edigao brasileira 0s textos que agoca sto apresentados ao pablico brasileiro foram reunidos em volume, pela primeira vez, em wma edigio francesa de 1965. Fiz algumas correcoes em certs ponios de ‘menor importincia. crescent, sobretudo, dois estudos no vos, reds depois dss date que se inserevem muito di retamente na mesa lina de pesquisa. O pmeiso € uma res posta as objegdes opostas 2 minha intespretacio do mito hhesidico das ragas essa tommada de posieao consi, parece ‘me, um complemento indispensivel, se qulsermos compreen ‘det os problemas susciados, tanto no métoca quanto no con teado, pela aplicaao da anise esurural a esses mitos greges, {que pertencem a uma tadigao esrita, muito diferente da que fencontram os etnélogos nas sociedades arcaica. A segunda ontrbuicio nova fol tamibem provocada pels reagoes de ce tos fildlogos apée 4 letura da minha obra. Para supemi 2s hhesitagdes, expressas em algumas resenas, quanto 2 alidez slo relaionamento que cu quiseraesabelecer ene a estutura ‘geometrca ch cosmologia de Araximandro € 2s noxbes polit Sis que marcaram mula itensimente 0 universo esptal ° panicula 3 ciilizcdo grea das Cidades, fl levado a retomar ‘ses problemas em sev Conjunto, fim de examinar 0s seus ‘lementos de mais per. 10 leitorjulgard'os merits e as faquezas da obra. O que: ime parece confirmado agors, como antes, €, primeirimente, ‘que els constitu um todo homogéneo, pela unidade de se projeto programatico. Em seguida, que permanece vilido 0 fdesejo que formule hi pouco tempo de ver desenvolveremse, Sob uma fooma comparativs concertads, as pesquisas de pst ‘ologia hstria. Ao menos na Franca, esa orlentagaoalmnou- fe para alm da Grecia antiga, em vitios setores da Histéla Ser scent lembyr, ese respeito, os tabalhos de especi- listas como J. Delumeas, G. Duby, A. Dupont, Mandrou, ‘que se preosupam com um estudo sistemutico das mental ‘des. No dominio greyo, M. Deticane eP.Vidal-Naquetvieram, de modo muito eficaz,unie os seus esforgos aos meus, Muito ine alegra que os Jettores de lingua pouguest possi, a partir de agora, apreciar de modo mals fic, direumente, os nossos fesuidos, e eu quero me congratular com os que tomaram a iniclatva desta taduga0 © que souberam levla a temo. J-P Vernant Julho de 1971 0 Preficio & edicao de 1985 At Myon Pasar vinte anos desde que surgiv Mtb et pense chee les Gree. bse listo, que inaugurava na Franca as pesqui= Sas de psicologiahistrca no dominio da Grécia antiga, fi jpublicad em 1965 por Francois Maspero na colegio digi por Piere Vida: Naquet Em 1971, uma nova edo, comida ¢ ampli, veio rej ‘venescer ut pouco, soba forma de dos volumes inseridos na "Petite Collection Maspero' uma obra da qual nove reimpresses sucessivas (és para'a prime edig2o, sei para a seguinte) ‘sseguranam a continuidade no decorrer dessesvinte anos. Na intrducio de 1965, eu formulava o desejo de que mi- nha iniciatva no ease solada € que, seguind a via era pelo helenista Louis Gemete pelo psiedlogo Ignace Meyerson, Se muliplicassem as investigagbes consagradas historia inte Flor do homem grego, 4 s08 onganizagao mental, as mudancas ‘que afetam, do século Vill 20 VI antes de nossa ers, todo 0 ‘dud de suas alvidades fangoes psicolopicas:aspectos do u cespago € do tempo, meméria, imaginisio, pessoa, vontade, priticassimbolias ¢ manejo de signos, modos de raciocino, fategoras de penstmento, Meu desejo foi stenido © poder citar muitos nomes de estudiosos que se revezaram belhante ‘mente nest linha. No momento em que escrevo, 2 antropolo fia historia da Grecia antiga adquirt direto de cidade nos ‘esudos cisscos como entre os historadores,sociGlogos ea twopélogos, preocupatios com 0 comparatism, "Atal eligi liga-se & primeira pela sa apresentagao em Jum 56 volume com todas as pepts do processo, Prolong 3 segunda aerescentando-the tés novas contbuigoes, reds desde enti e cu conexto pareceu-me impor-se a0 conjunt, ‘Quanto ao stud consagrado 20 mito hesiico das rags, sua presenga na obmaexpliease naturalmente. A ramatva de Hestodo haviane servido de exemplo, no inicio, para demons- tuaro que podiae devia se, aos meus olhos, a andlise estutu- ral de um texto miico. Na segunda edig20,apresentet minha resposta is objeptes que este enso haviasuscitado por pare de'um fil6logo. Dessa vez, em ressonincia com Victor Goldschmidt, em quem me havia insprado sem sequilo por ‘completo € que em seus uhimos escrtos havia retomado 2s nossas respectivas letras para formular, em toda as genera lidade, 0 problema da imerpretaio estutural na historia do Pensament, ful levado, de minha pant, a refletir sobre meu Proprio wabatho ea interrogar-me a respeito ela manera como © Intérprete modem, se quiser situar exatamente © que Goldschmidt chama de “as intengdes do autor, deve associa e ‘ruzar a anilise esirtural ea perspectiva histrica, No caso do Imito das ragas, os dados novos trzidor pela arqueologi, no tocante 3 origem ¢ a0 desenvolvimento do culto herbico, no sdecorrer do século VI levaram-me a retomar minhas anaises precedents, a fim de mexifici-las em pontos importantes E nccessirio acrescentar que, enquanta nso, 0 método de andlieestrraral fot aplicido com sucesso, na Franca e fora dela, 2 muitos outros mitos ou conjuntos miicos gregos por ‘rio estdiosos, em particular Marcel Detienne,e qi, se me fesse preciso escolher agora, em meus proprio escrito, o exer 2 plo mais caracteristico desse proceso de deciframent, eu me Feferita de bom geado a minha inerpretacao do mito de Pro- ‘mete, tl qual exponko de inicio em Mytbe et soc depos, ‘ob una forma mais precisa e desenvolvida, em La Culsine dt Suerfce en pays Grecs, com o io: “A la table des hommes ‘0 segundo estuco que marc, ma plstica gega, a passi- ‘gem de im esforgo para figuraro invsivel em uma arte de imitacto da aparéneia prolong dirctamente o capitulo sobre a taitegora psioldgiea do duplo e o sss. Ou, ates, ele 0 fescarece toando mais explicss sas arbigbes e se lean ‘ce. Com efito, ee fixa 0 lugar ocupado pela categoria do plo em uma mutaco mental que conduz ao advento da ima fem. no sentido proprio, na cultura greg do século V: do ‘idoion dp Tavasmatico, presenca aqui na fra de uma rea- Iidade sobrenaciral,passou-se a0 édolom arco imitatvo, fle so semblante, no sentido em que Platio 0 entende. Esses dois texto fazem corpo com um ou estudo, de iniio publicado no Journal de Pryehologe com o titulo "Imitation et apparence dans la théorieplatonicienne de la mimesis, e retomado, em Feligions,biosres,sasons (Peute Collection Maspero, 1979), ro capitulo *Naissances Fimages’. Espero tera ocasto de re- tomar um dia, de modo mais amplo, essa questio, pela qual futo grande inceresse e 2 qual coasagre boa parte do meu tensino no Collage de France. ( sitimo acrescimo acerca das orgens da filosofia resume, smatizanda e modifcando um pouco a sua orientaeo, 0 passo ‘ls sinvowo da stima pane da obra: "Do mito 2 razio™ 'Nesse quia do homer grego e de sua aventura interior —onde mesmo 0 que me parece quase assegurado represents © proviso, bem o sei —, hi vazos, brancos. Tene suprir llguns deles, em oukra ccastio © mals tare, Tal € 0 caso dt Yvontade, que nao trato neste Iho mas cujoestudo desenvolvo Cem AMythe ef ragédie (Maspero, colegio “Textes 3 TAppa tl 1972), publcado em colaboragio com Pierre Vidal-Naquet, mostrando como, pela trgédaatea do culo V se desenkam ‘os primeira esbocos, ainda estates, do homemagente, mesre feresponsivel por seus aos, detentor de um querer. Esse pro: 3 Dlema é retomado sob um ponto de vista mais gel, no artigo: “Catégores de Tagen et de Tacton en Grtce ancien”, 0 qual figura no volume Religions, bistotres, raisons Do mito & razio: tai eram os dois pls entre os quai, m uma vista panorimics,parecia terse desenvolado, ao térming| deste lv, © destino do pensamento prego. Desde eno, em ‘oss investigaco comm sobre a mts Marcel Detlenne © ea Drocuramos seguir os avatares dessa forma paiculay, 4 tp famente grega, de ineligencia rtorida, Feith de ard, astcla, fengenio, embustee habildade de todo gnero: pensamento Dritico, as gars com 0 obsticulo, afronsado com 0 tdversitio| ‘em uma prova de fore cuja sada € a0 mesmo tempo decisis incerta, Ao homem avisado, pro em mil rodeos, sa més naz 0 sucesso para onde de inicio parecia ser impossvel Est intligencia, empentiad na ago, possl suas eegras de Tuncio- namento,siasfnalades, seus proprios modelos operatrios. Desde o areaismo at a epoca helenisics, ela taga na cultura ‘regi, 20 lado ou 3 margem dos grandes saberesteéricos€ da flosofia, uma linha forte e contin. Quer sea batizada com o ‘nome de trapaga, velhacarl, habiidade, engenho ou prucén ia, essa mts preg, da qual Ulsses ¢ o porta-vor e o herd, segue um caminkio que s6a ela penencee sore a qual eu tera hoje tencéncia a pensar que ela nao remee nem por intro 80 ito ¢ nem totalmente & azo. Agradeco muito vivamente a Pangois Lssarague, que cor Fig € completou 0 indice desta eligi, DPW “ Introdugao Se decidims agropar em um volume estudos cujs temas podem parece bastante diversos, porque osconcebemos como pares de oma mesma iavestigacto. Faz jd uns dz anos que fos esforcaios em aplicr no dominio dos estudos gregos 25 pesquisa de psicologiahistrica cujo promotor na Franca 6 L Meyerson. lmatéria dos noseos extudes sto o8 documentos ‘os quais wabalham os especialst,helenisas e histriadores| a Antghidace. Nosst perspec, no entanto, € outa. Quer Sse trate de ftosreligioson — mito, ius, epeesentacoes fg radas—, de Mlsofia, de eiénca, de ane, de insuuicoes socials, {Ge ftostéencos ou econémicos, ns os considerames sempre ‘qualidade de obras criadas pelos homens, como expressio de uma atvidade mental organizada. Por melo dessas obras, ‘buscamos aquilo que o homem fol, este homem grego antigo {que mio se pre separar do quadeo sociale cultural do qual ele , a0 mesmo tempo, 0 erador € 0 proto. 1, Neyer, Zs oncom caliente, Pas, 188 5 Empresa dificl, pelo seu carter necessriamente indireto, ‘que, além disso, come o isco de no ser sempre bem recebi- da. No contato com os textos, 0s documentos figuras, 0s ‘reala sobre os quais nés mesmos devemos Nos apoiat, 0s eS ‘ecialistas tim os seus problemas e as suas tcnieas proprias;O tetudo do homem e das suas fungoes psicologicas thes € mats freqientemente esranho. Os psledloges ¢ os socidlogos en contram-se, pela orieniagao ata das suas investigacoes, muito ‘comprometides no mundo contemporineo para se ineressir por uma Antighidade clissica, que abandonam a curiosidade ‘dos umanstas, um pouco aniquada aos seus olhos E, no entamo, se existe na verdade uma histria do homem Interior, slilria a histria das eviliagoes, deveros retomat| a resolugto. que langiva, hd alguns anos, Z Barbu, em seus Problems of historical psychology "Back to the Greeks!” Com ‘feito, na perspectiva de wna psicologiahistéica, a volta aos |sregos nos parece imporse por visas razdes. A primeira € de frdem pric. A documenta@io relatva & Grécia é 20 mesmo tempo mais extensa, mais diferencads, mais bem elaborada aque a de outas civlizagdes. istéria social © poitica,histria 4d religito, historia da ate e do pensamento, dispomos cada vez mais de trabalhos numerasos, slidos, precios. A esas ‘antagens de fato, acrescentam-se argumentos de conto. AS ‘obras que a Grecia antiga ciou sio bastante “diferentes” da- ‘qucis que frmam o nosso univers espa para nos expat tde-nés mesmos, para nos dat, coma sensacao da dstincia| hisériea, a conscineia de uma tansformacio do homem. Ao ‘mesmo tempo, elas nio nos s40 eanhas, como outas. Tans mitre até nés sem Solugie de continusdade. Alnda estio| vivas nas tadigdesculturis As quais nto cessamos de nos liga (© homem grego, bastante afasado de nds para que seja poss vel estudio como um abjeto, € como um objeto diveso, 20 ‘ual alo se aplicam exstamente as nossa categorias PaicolOR ‘as de ho, ¢,entretanto, bastante proximo para que possamos| ‘sem muitos obstaculos entrar em eomunicagao com ele, com 2 Barb, blossoms, 160. 6 preender a linguagem que fala em suas obras, ating, além dos {estos ¢ documentos, os contedds mentas, 3 formas de pen samento e de sensibildad, o= mods de oganizagio do que rere dos atos, em resumo, uma arqiteturt do espiito. 1a uma ultima razio,enfim, que orienta através da. Ang dade clisica o historiadar do homem interior No espago de alguns séculs, a Grécia conheceu, em sua vida sociale espinal, transformacdes decisivas. Nascimento da Cidade e do direto — advent, entre os primeros filésofes, de um pensimento de tipo racional « de uma organiza progressva do saber em ‘um corpo de disciplinas postvascliferenciadas:antologa, ma- temic, Logica, cncias da natureza, medicina, moral, politica —eriagio de formas de ane novas, de noves modos de ex pressio, assim inventados,correspondendo a necessidade de Autentiicar os aspectos até endo desconhecidos da experi ia humana: poesia rca e teatro trgico as ares da inguagem, cescultura e pintura concebidas como atificos imitativos nas anes plisties sas inovagdes em todos os dominios marcam uma mu danga de mentalidade to profunda que se péde ver nela © registro de nascimento dea homem ocidental, o surgimento ver: dladeir do esprit, com os valores que reconhecemos nesse termo. De fato, nas tansformagoes no interessam somente Os assos da intelgéncia ou os mecanisos do rciocinio. Do Homo Feligosusclas cultura arcaicas até exe homem, poco eraclo- ral, que apontam as dfincoes de um Aritieles, 2 mutacio poe em crust os grandes quadros do pensamento € todo © Conjunto das funcoespsicologicas: mods de expresso smb licae manejamento ds sais, tempo, esparo,causaidade, me _méria,imaginacio, organizagto des aos, vontade,pesso, todas esas cateyorias mentas encontram-se tansformadas em sua fesrutue interna e seu equilib gera Dois temas retiveram, mais do que os outros, atenco dos halenists durante o timo meio século: a passagem do pens nento mifico a rao, a constucio progressiva da pessoa. Tt tamos desses dois problemas de mineira desigual.O primeira 6 0 objeto de um estado de conju. Limitamo-nos quanto 20 segundo a um aspecto paricula. Parece-nos, contudo, neces- Silo, a fim de eviar mal-entendides, defini a nosst posicio tanto num ciso come no outro. Ao aitular Do mito a razdo0 ‘esto que encera este volume, alo pretendemos tatar do per ‘Simento mitico em geal, como n2o admitimos a existence {um pensimenta raconal imutivel. Aceniuams, 20 conti, ‘em nossas lima lnas, que os gregos ado lnvertaram 21720, ‘mas mario, gad a um contexto hiro, eferente dae ido homem de hoje. Exstem mesmo, aredtamos,nsso que se ‘chama o pensimento mitico, formis diversas, nels lilo, todos de onganizacao e como que pos de lla diferentes. ‘No eso da Gri, a evolucio intelectual qe va de Hesiod ‘8 Anstieles pareceu-nos seguir, no essencal, ds orienagbes fem primeic lugar, esabelece-se uma disingo clara entre 0 ‘mundo da natufezs, o-mundo humano, 0 aundo das foreas sagndas, sempre mais Ou menos mescladas ou aproximadas| ‘pes imaginagio mica, ue 2s vezes confunde esses dversos| ‘Somiaios, is vezes opera por deslize de um plano a um ous, as vezes esabelece ene todos os setores do real um jogo de ‘correspondéncia sistemas. Em segundo lugar o pensamento Stacional:tende a eiminar essas nogbes poarese ambivalentes {que representam ao mito um papel importante ele renuncla 3 Utlizat as associagdes por contrast, # scat e unit 0S opOS- tos progredir por reviramentos sucessivos; em nome de um ileal de mto-contratigaoe de univocidade, ele afata todo modo ‘de ricioinio que procede do amblguo ou do equivoco. ‘Sob essa forma geal, noses conchusdes tem um carter provisério, Visam sobretudo tragar um programa de investiga fo, Reclamum estados mais limitades, porém mais precios {al mito ent tal autor, tl conjunto mitico, com todas 38 suas ‘arlantes, nas divers tradigoesgregas. Somente investigacoes ‘eancress que fem a evoluao do Vocabulrio da sintaxe, dos suxlos de composigio, da escolha e do ordenamento dos te Is, desde Hesiod e Ferecides até os presocrticos,permit- Fo seguir as tansformagoes da instumentagem mental, as {enicas de pensamento, dos processos Iigioos. Nese sentido, nosso estado final deve ser lido como referencia aquele que inila este volume: desenvolvendo tanto quanto nos fo poss 8 vel a andlise estraural de um mito particular, 0 mito hesiico das rags, quisemos descrever uma forma de peasamento que rio € incoerente, mas eujo movimento, rigor © logicatém um ‘carter proprio, pos consirugto mica repousa, em seu pla- ro de Conjunto’ como no pormenoe das diversas pares, 20 fequilvrio € na tensio de nogdes polates. Na perspectva do into, essas nogdes exprimem a polaridade de foras sagradas, ao mesmo tempo opostas e associadas. Encontramos asim aa ‘bra de Hesiodo um *modelo” de pensamento proximo em ‘sce pontos daquele que, soba forma do grupo Hésis-Hermes, pareceu-acs comandar a mais antiga experncia religiosa do espago © do movimento que os gregos poderam tr, Pode surpreender talvez que nao tenhamos poupado um ugar maior, na economia desta coles30, para a andlise da pes soa. Na verdad, se existe ma dren em cue os helenists se conduziram, pelo proprio cuso das sas investgicbes, a atar os problemas psicologicos, € exatamente a que se refere 2 pessoa. De homem homérico, sem unidade rel, sem profunel- dade psicol6gica, acometide por impulsos sibitos, por inspira 5028 sentidas como divina, de qualquer modo estranho a 8 mesmo e aos seus ato, até 9 homem grego da wade cisic, 235 tansformagoes da pessoa slo notivess. Descobera da dé rmensio interior do suet, distnciamento com relagao 20 coe o, unieagto das Forgas psicoldgieas,suypimento do indivi 4, pelo menos, de ces valores ligados 20 individu como {al progresso do sentido da responsabtidade, engajamento mais preciso do agente em seus atos, todos esses desenvolvimentos {a pessoa foram, por parte dos especalistas, objeto de invest- igacbes e de discussoes que lnteressam muito dietamente 2 Pslcologiahistériea Se nao quisemos fazer um blanco do con- Junto desses elementos, mio € apenas porque um psiélogo 0 tenha tentado antes. 2. Barbu rego, com uma perspectva proxima da nossa, o que ele, denomina The emergence of personality inthe grook world? Acetando antas das suas an Tises ¢ aconselhando ao leitor a sua consult, estarlamos tent 3 Ba op op Vp O14 1» dos a exprimir das ondens de reserva em rela 3s suas con- ‘soe, Em primeir lugar, 0 tutor parece-nos Forearm pou ‘0 a cosas no quad em que descreve o desenvolvimento pessoa: pelo fato deter levado emt consideragio tod a cate foruas de documentos, ¢ sobretudo pelo flo de examins-ios ‘Ge muito per, ele os interpreta as wezes com um sentido mu to maderno © peojta sobre a pessoa gregs alguns 1ac0s que, segundo nds, spaecerio spenas em sina época mais recent Em segundo, 0 Seu estudo, ainda que drigido sob um ponto de vista historico, nto esti livre de toda preocupagio normativa Para Z. Barbu! os gregos descobriram a verdadeira pessoa 20 ceiifica 0 se inésior sobre © equilibrio entre dois processos ‘siquicos opostos, por um lado a"ndividualizagio" que realiza| 2 integracao das foreasinermas do individvo em toro de um ‘entre nico, por outo a racionalizagio" que imegra os indivi- ‘duos em uma ordem Superior Socal, césmica, religioss), 08 ‘gregos team elaborado a forma peveita da pessoa, 0 seu modelo. Ora, as objegdes que nos parecem precisamente usc tar, do ponto de visa. psicoldgic, os tabalhos de ceros he lenisas procedem do fato de eles desconhecerem ao mesmo tempo a complexidade de uma categoria psicol6gica como a pestoa, cujas dimensoes sd0 mukiplas, ea sua relatvidade his Vorica Considerando-a como uma forma acabad, da qual se poveria dar uma definiga simples © eral, tém 3s vers ten- ‘enc a orienta a invesugacto como se se tratasse de saber se fs gregas conheceram a pessoa, ou nio a conheceram, 08 2 partir de que momento fizeram a sua descoberta, Para 0 psie6 logo historiador, 0 problema nio se coloaria nesses temos ‘io hi, no pode haver uma pessoa-mode, exterior a0 curso dd historia Numana, com 35 suas viistudes, as suas varied des segundo os lugares, as suas tansformagoes segundo o tem po" A investigigio mao deve procurarestabelecer, ent, se 2 ‘pessoa existe na Grécia, mas buscar 0 que & a pessoa grea ntiga, no que ela difere, na multiplicidade dos seus tages, da “LE Moyen, op cap. sie de onc, expecta mete pgs consent peso, PP S18, 20 pessoa de hoje: uals aspects nela se encom, em tal mo ‘ent, mais ou menos delinidos e sob que forma, quais io laqueles que permanecem desconhecidos, quai dimensbes do ‘eraparecem fi expressis em tal tipa de obras, de insatuicoes 00 de ativdades humanas e em que nivel de elaboaagio,quais io fs linhas de desenvolvimento da fung20, a suas dregs pric pais, como também o tateumentos, os ensaios abortados, as {entatvas sem fro, qual, enim, grau de sixematizagio de fungio, eventualmente 0 seu cents, 0 Sea aspect caracteristico, Uma tal investigacio pressupce que se tena determinado previamente, no conjunto dos fatos de chlizcao que a Grecia fos oferece, aqueles que se reerem mus especialmente un fu outta aspecto da pesoa, que se sla definr 0s tpos de ‘bras © de aivdades pelos quaiso homem grego consul os ‘quidos da sus experiencia interior, como constuiu, por meio ‘ds ciciae da técnica, os quadros da sua experacia do mun do fisico. A investgacao teria, pois, que recobeit um campo muito vastoe tuto divers: fatos de lingua e de tansfoemacto do vocibulrio, especialmente do vocabulrio psicologics his- ‘ria social, em particular histona do diet, mas também da familia e da insiuigdes polcas; grandes captuos de historia ddo penstmento, como aqueles que dizem respeito 2s nodes de alma, de compo, de individuac; historia das idéias moras vergonka, culpa, responsabidade, més hstra da are, em paicolar os problemas que coloca 0 aparecimento ce noves [BénetosIteririor: poesia lc, teato gic, biogrla,autobio- frill, comance, uma vex que ewes ts timos tems podem Ser empregidos sem anacronisme no monde grego; histea da pinto eda escukura, com o advento do reat, e,Hnalmente, bistria a rligio. ‘No podendo tatar de todas esas questdes no quadso de ‘om pequeno estudo, preferimos deter-nos apenas 08 0s re- Tigiows Esinda consideramos apenas 4 religiao da época las- sea sem levar em conta aguilo que 0 petiodo helenisico pide foferecer como inovacio, A investigagao devia onentar-se de {um modo tanto mas rigoroso fi que era, m0 ini, mals limita dd. Recluzids 20 dominio relgioso, ela devia distingue cud a ddosamente os diversos plnos e procurar saber, em cada um deles, em que medida se refere 2 hiswra da pessoa, até que Ponto crengas ¢ priteasreligiosas, pelas suas implicactes ps- oldgicas, comprometem 0 staus interior do sueito ¢ partic pam da claboracao de um eu. Pode-se ver que, no conju, 35 fosss conclustes to negativas e que Foros levados marca, Sobretudo, a diferenca, a essltaras distincias que separam, fem sua vida eligiosa, o rego do século V da pessoa do crente {ae nossos dias. Em sus maior pane, o nosso trabalho &consagrado as cate- ori picogicas que, por fala de uma igacio ene helenstas € pledges, no foram tnd o obo de tnvestgacoes digas ‘com uma perspectiva histrica: a memsiria e o tempo, 0 e pag, o trabalho ea fengio tenica a imagem ea categoria do Lisa 'Nossos capitlos mais substanciosos referem-se ao waba- tho e a0 espago, © trabalho marcou to profundamente a via sociale 0 omen contemporineos que se levado muito ati Falmentea cer que ele se reves sempre dessa forma unica ‘ onginizada que Ihe reconhecemos stualmente, Precsivamnos| ‘mostrar, a0 contro, que o significado das condutas de taba- To, 4 sua posieto #0 grupo € no indviduo modiicaram-se sito, Para um esico histerico do espago, 0s fatos gregos pareceram-nos especialmente esclarecedores. Nao somente 0 [Pensamento cientfico dos gregos, mas © pensamento socal €| politico caractertzam se por geometismno que contasta for {emene com as antigas representagoes do espaco, atestadas nos mito e nas pte relgioss.Tinhamos, pots, 2 ocasio de ‘eguir, com um exemplo de cera maneira privlegad, a trans formagio dos quadros da epresentacio espacial. Acreditamos poder discemir os fatores que, no caso prego, determinaram a passigem de um espaco religioso, qualitative, diferenciado, Fieranqizado, a um espago homogénco e reversvel, de po eometico. Nosso estudo sobre o holosdse a categoria psicoldgica do “duplo™ deve ser lida como uma princiea Contlbuldo a uma 2 investigagio mais extensa sobre o advento da imagem no sen- tido proprio, oaparecimento de uma avidade eradora de ima- inens (quer Se trate de objetos artficlais que tém um cariter PPuramente “imitaivo" ou de produtos mentais com um objet Yo propramente ~imaginante”), a elaboracio de uma fungao psialcaiea do imaginato. ‘rocurando abr todo o dominio do helenismo 2s invest ‘gagoes sobre paicologia historia, nao dssimulames nem as difcudades de uma empresa que ulapassi demasiadamente 25 oss foreas, nem a insficencia dos resultados que pode tor oferecer Quisemos frnquesr um caminho, eolocar peo- blemas, provocar investigagbes, ‘Ses noses tenativa paler contbui suse um teabalho de equipe agripando heleniss,historadores, socélogos & Psicdlogos, se ela fier almejar um plano de conjunto pars 0 ‘estudo das transormagoes pscologicas que a experiénca ge ‘2 preparou e da viragem que ela operou na historia do ho- ‘mem inteior, este zo nto ter sido escrito em Vio, 2% nvesidade Ferd Gola Biblioteca Centr Extrunuras do mito mito hesiédico das racas. Ensaio de anilise estrutural' © poema de Hesfodo Os maabos 2 as dias incase com dduas naraivas mbicas. Depols de ter indicado com algunas palavras a existéncia de uma dplice Luta (EH), Hesiodo conta ‘hisria de Prometeue de Pandora: logo em Seguida, presenta ‘uma narativa que vem, diz le, “corear” a pines: 0 mao das gas, Os dois mitos esto ligados. Ambos mencionaa uss tempo {ntgo em que os homens vviam 40 abrigo des solimentos, das doencas ¢ da more: cada um presta conta, 3 sua manele, dos males que se tomaram, em seguida,inseparivess da condlicio hhumana. O mito de Prometeu compora uta moral cla que Hesiodo ilo semte necessidade de desenvolvé-alimita-sea dei sar falar a sua rantiva pela vontade de Zeus que, 2 fim de ving © roubo do fogo, escondeu ao homem a sua vida, to ¢, ‘seu limento, os seres humans sio destinados 40 trabalho, a ppaie de enti, dever acetar essa dale divin e nto poupar esforgo nem fadiga. Do mito das ragas, Hesfode tira um ‘ensinamento que drige mais especialmente to seu inmao Peres, tum pobre tipo, mas que vale também para or grandes da terra, ‘ara aqueles cba foncio € reulamentar as quereas por arbitra eee de cre dr ations 190, 2-54 gem, panos es. Hesiodo resume este ensinamento na segue formalaescuta a stig, Die, nao delves aumentar a desmed Gd, Hibris* Sas mio vemos bem, se nes deternos na interpret {20 comcnte do mit, em que ele pode comport um ensinamento esse género. “Com efeito, a hstria conta a sucessio das diversas rats de homens i, precedendo-nos na Terra, aparecerim e de pols desapareceram alerativamente Ea que uma tal narativa €suscetivel de exorta Justin? Todas as ragas, as melhores © fs plore, tveram do mesmo modo que debear luz do so, 10 momento chegido, E ene aquelas que os homens honram Com um cuto desde que a terra os recabri, hi as rags que se Tstraram aqui a tema por uma espantosa Apbris®Além do mals, a5 agas parecem sicederse de acordo com wma orem de decadencia progresivae regular. De fato, els aparentam fs meais de que iran 0 nome e cu hieraqula ordena-se do Imus preciosa 40 menos preciso, do superior 20 inferior et Drimeiro lugar o caro, deposs a prata, o bronze, em seguida, © Finalmente, fer. Assim, o mito parece querer opor a um ‘mundo divino, em que a ordem € inutavelmentefxada desde 1 vitoia de Zeus, um mundo humane no qual a desordem se instala pouco a pouco e que deve acabar virandointeiramente para o lado dt injustica, da desgraca e da more.’ Mas exe fquadeo de uma himanidade destinda a uma queda fatal © itreverivel no parece muito proprio para convencer Perses cos res seas vides da Dike eos pergos da Hsbris. ‘Acss primeira dificuldade, que se refere 2s laces entre ‘omit tl como nos €apresentado, eo significado que Hesiodo the dem seu poema,aerescenta-se uma segunda que interes sa estruura do mito propdamente dito. As ragas de ouro, de pita, de bronze © de Tero, Hesiodo adiciona uma guint, Taha, 13, Sbne a ao 0 indo don dois mates 20 conju pac Pl Maz, eso competion des Ta ee en ds Binds tone 141913 pp 32857. ‘tal ca dea e pra 3 4. Eien haere tome ante scr mond itr toms Sect a, 1988, p78 2 era do Pad Biblioteca Central dos hers, que no tem correspondente metic, Interealada tentze as geragdes co bronze © do feto, ela desi o paraelis rio entre ras e metas, além disso, iaterompe o movimento ‘de decadéncia continuo, simbolzado por uma escala melica ‘com valor regularmente decescente: 0 ito sublinha, com eet, {que a raga ds herois € superior de bronze, que a precede Ao constataresst snomali, F. Rohde anotava que Hesiodo devia ter motivos poderosos para inteoduzir na arquitetura narrative um elemento claarente estrinho 20 mito original €| ‘cua inrasto parece quebrato seu esquemsa Ico. le obser= ‘ava que o que ineressa essencalmemte Hesiod, no caso dos herois, nao ¢ 4 sua existénca terest, mas 0 Seu destino Po- tomo. para cada uma das outs rigs, Hesiodo india, de tnt lado, que fol a sua vida na tera; de outro, ao que ela se Tornou tna vex. abandlonada 3 luz do sol. O mito atendera ‘ssi a uina preocupaso dupla: de inci, expora degradacio {nor crescente ds humanidade; em Seguids, fazer conhecer 0 ‘destino, para além da morte, das geragdes sucessvas. Se a pre ‘senga dos hers, a0 lado das outas rags, esti deslocicla em ‘elagio.a primero objewo, ela se jusifieaplenamente-do ponto de visa do segundo, No caso dos herds, a intencio acessiria tomarseia principal Partindo dessas dbservagbes, V. Goldschmidt propoe uma cexplicagio que vai mais alm. Segundo esse autor, © destino fdas racas metilicas, depois do seu desaparecimento da via ferrestre consiste em una “promogao" ao nivel das Forgas dii- is, Os homens das racs de ouro ede prata tomamse demo Bios, ddimones psa mone; os de bronze formam a populacio| dos mortos no Hides. Apenas os hercis no se beneiciam de uma transormagao que 56 thes podria dar o que ji possuem so hers, e herGis permanecem. Mas ess inserga0 ma naratva explica-se, quando observamos que a sua presenga €indispen- sivel pant completro quado dos seres dvinos que dstingue, 5 Feats 158 tone, yee a. fan pee Reymond Pay 158 9.7. S.A olc, "Thc Ae er Bd ree, I, 190, 9.389. 2» ‘conforme a classifcagto tradicional, ao lado dos the, deuses propriamente dito, dos quais nao se ta na narra, as cate porta seguintes: os demPnios, os hers, os modos? Hesiod teria, pois, elaborado a sua narava mica unficando,adapeando toma outa, duas tadigoes diverts, sem divi independen- tes a oxigem: de um lado, um mito genealGgico das racas ‘elacionado com um sinbolismo dos metals e que conv’ © Seclinio moral da humanidade; de out, uma divsio estat ‘al do mundo divino, ca explicagao era preciso fornece,re- ‘mancjando 0 esquema nitico priniivo para reservar um gar fos hers, Desse modo, o mito das klades oferece-nos-a 0 ‘tule antigo exemplo de wma condlagio entze 0 ponto de vist dda gneve oda erutra, de uma tentativa de ze comesponder {ero por temo as fases de uma série temporal eos elementos de una esruura permanente” ’h inerpretacao de V. Goldschmic jem o grande mérito de acentuara unidade ea coeréncia interna do wit hesilico das Tagas. Pode-se concordar de bom grado que, em sua primeira forma, a narratva nao tenha componado a raga dos hers Mas Hesfodo repensot o tema mic no seu Conjunto segundo sas propria preocupagoes. Devemnos, pos, tomar a namaiva Tal como se apresena no contexto de Os srababos & os dias, &| ‘0s iterogar acerca do seu significado sob ess forma. Impose, a esse espeito, uma observa preliinar. Nao se poderia fala, no caso de Hesiodo, de uma aatinomia ene Inito genético € dvisio esruurl, Para o pensamento mic, toda genealogia € a0 mesmo tempo e principalmente explictacao cde uma estrturs, eo hi outa maneia de esclarecer uma A eapehn deve cia, A Dela, Bra rare rot Ps pt ca, ec po De a hie ity ema amen ‘ato tmctsnct cig de Hes hcp. 990 Se Nae, ‘Gace dor prc Spon Mang 1958, pO tea Je ‘ins Kde do uno de homaar cenvas denen ple dean [CT'G"Gaiake elt C may, Jared toy of hoes 17,936 Pe oivemssn et, ise pa 30 & ss 2¢a Cent cesrutura sen apresenti-a soba forma de wma nanativa gene Toles. Em nenlhoma das suas pares 0 mito hs ade oferece ‘exces a eos reges. Ea ordem, segundo a qual a ragas Sucedem na Terra, nio € peopdlamente cronolgica. Como po- deria sé? Hesiodo no tem nog de um tempo tnico e ho- ‘mogeneo no qual as diversas racas Vitam fxarse em um agar ‘efi. Cada raga possot uma temporalidade propia, uma fdide, que exprime sia natureza pantcular e que, do mesmo rmexlo que seu género de vids, suas avidades, suas qualidades Cdefetos, define o seu satus a contrapoe is outras ras." Sea raga de ouro € denominads "a pees", mio & poraue tenha aparecido, um belo dia, antes das outs, em um tempo linear e ineversvel. Ao contririo, se Hesiodo a faz figurar no inicio da sua narrativa, € porque ela encarma as virudes simbolizidas pelo ouro — que ocupam o cume de uma escalt de valores intempors. A sucesso das ras no tempo repro- ‘uz ua ordem hieringuica peemanente do universo. Quanto fo conceta de uma decadencia progressivae contin, que os ‘comentadores concordam em reeonhecer no mito,” ele mlo apenas incompativel com o episédio dos herbis(difilmente ‘Se admit que Hesiodo nto se tenha apercebido disso); no Se enquadra também na nocio de um tempo que nao € linea, fem Hesiodo, mas cicico. As idades sucedemse para formar tim cielo completo que, quando termina, recomeca, na mesma fordem, ou na ordem inversa, como no mito platnico do Pol fica, 0 tempo eésmico desenvolvendo-se alterativamente em tim sentido e depois em outto;" Hesfodo lamenta-se porve Gr Be gon peas dian eo mos csmogfnkosnervem ra nner sepia dco: Ges exp spare dos ie cdxmloe ms eee, stereo ees) ep © © ‘Su dw dnenos cements que comport our. Ts aes no cen spots or ongeisade mio 08 me ee: 1 an tide tnpora cao Se examen do emp, # one {Bo doa hno nos or memow oh pp 15. meth sen, Hest and shy Nova Yok, 9.88, 1. iad, ui 258 Yin a, oto do a a le proprio pertence 2 quinta e akima raga, a do ferro; nesse ‘momento, exprime o pesar por mio ter morrido antes ou or tio tor nascldo depos," observaeao incompreensivel na pers pectiva de um tempo humanoincinado constantemente para © plot, mas que se esclarece se admires que a série das dads ‘Compe, como a sucesso das extagbes, um ciclo renovivel, No quadro desse ciclo, a sacessio das ragas, mesmo afora ‘© caso dos hersis, nto parece seguir de modo algum wma or ‘dem de decadéncia continua. A terceim raga nao ¢ “pior” do {que # segunda e Hesiodo nto diz so." O texto caraeriza os homens de pra pela sua louca desmedida e impiedade, 0s de ‘bronze pelas suas obras de desmedida” Em que hi progresso ina decadlénci? HS to pouco que a raga de prata & a tnica ‘jos eros excita a ira divina e que Zeus aniquila como exs- tigo pela sua impiedade, Os homens de bronze mocrem, como ‘08 hers, nos combates da gues. Quando Hesiodo quer est belecer uma dferenga de valor entre dus raas, ele a formula exphotamente e sempre da mesma manera as ds ras $80 ‘posts como a Dikee a Hy, Um contraste desse genero se ressalta, de um lado, entre a primeira e a segunda raga; de ‘outro, entre a erceira e'a quafta. Mais exatamente, a primeira raga est para a segunda, do ponto de vista do "valor", como a ‘quarts est para a terceis. Com eft, Hesiodo acentua que os Thomens de pata io “bem inferores aos de ouro — inferior dade que consiste em uma Hjbris da qual os primeiros estio Derfetamente Ientos;" ele acentua ainda que os hersis s20 Fins justos* que os omens de bronze, vtadosigualmente & “ibis Ao contro, nto estabelece entre segunda © a ter ‘cir ra nenbiuma comparacao de valor 0s homens de brom 2e So simplesmentedenominadas “diferentes” dos homens de Ii hovered qi pete FSolmsen, 0 eer “Te hid cero as treed mh thro th a of btn he ec par de fertci as yon Se auo Mo sap om ad 1 Gaapacse tar Ice HB 15 ten 2 , prata‘7O tena impoe, enti, quanto 2 elagio ene as quatro Primeinss ragas, a seguine estrutura distingues-se dois planos fferentes, ouroe prata de um lado, bronze e hers de outro. ‘Cada plano, dvidido em dois aspectos anittios, um postive, ‘outro negative, apresenta assim das rags assocadas que for. ‘mam a contraparida nocesssla uma da ovtra © que contra tam, respectivamente, como Dike e Hibs." ‘0 que disingue o plano das duas primeiras ras ¢ 0 das ragas segintes €, como veremos, 0 fato de se reacionaremn fungoes diferentes, de representarem ipos de agentes hums fo, formas de ago, extados sociaise “pscol6gicos" opasos. Deveremos particularizar esses diverss elementos, mas pode: ‘se notar logo una primeira dissimetria, No primeio plano, Dike ‘onstta o alor dominant comesa-se com hs bri elemento secundiri, vem como contraponto; no segundo plano, & 0 invers:o aspecto Hybris do pancipal. Desse modo, ainda que ‘os dois planos comportem iualmente um aspecto justo € um fsspectoinjsto, pode-s dizer que, tomados em seu conjunto, les se contrapdem por sua vez um 40 Outto como Dike & Hybris Bo que explica a dferenca de destino que, depois da ‘morte, contrape as duas primeiasragas as dua segulaes. Os homens de otro © de prata to igualmente o objeto de uma ‘promogo no sentido proprio: homens perecives, transforma ‘Seem dimones. A complementaridide que os liga, contrspon- dows, marc-se no mundo do além e em sua existéncia terres tec os primeirs formam os dembaios epltontas os segundos, (0 demnios hipoetinios* A ambos, os homens prestam “hon ‘a: honsa real, basifeion, no que se refere aos primeiros; “me ‘hor, no que se refere aos segundos, wma vex que também si “Inferires” aos primeizos; mas € sempre nt honta, e que nao de tose ¢ Se bd sure i nests cee smo ete ‘nua: pei cto depenrescenca no segunda permet EPs Ep und ds Ged es dn on Mens henge ape ee ti, 8, 33 pode se justificr plas vimudes ou méfitos que, n0 caso dos homens de pit, io existem, mas apenas por penteacerem 20 ‘mesmo plana de realdade que os homens de duro, por spre “sentarem, em seu aspecto negaivo, mesma funco, Difeeate Eo destino péstume das raga de bronze e dos hess. Ambas ddesconhecem wma promogo, come aca. Nao se pode chamar promocio" 0 desing dos homens de bronze que € de uma bbanalidade complet: motos na guerra, tomnam-se os defuntos “andaimos" do Hades. A maior dos que formam a aga he roca parha dessa somte comum. Apenas alguns prvilegiados essa raga mais justa escapam a0 mediocre anonimsto da mo tee conservam, pela griga de Zeus que os recompensa com ete favor panicular, um nome ¢ uma existénciaindvidals no ‘mundo do alm: transportados pars tha dos Bem-aventurs- tos, eles leva um vis livre de todas as preocupacoes" Mas rio Sto objeto de nenhuma veneragio, de nenhuma hoaraeia ‘por pire dos homens. F. Rohde essai justamente“o com Pletoisolamento” a sua permanénca em um mundo desligs {do do nosso.” Ao contesto des dtmones, os herbis desapare ‘dos nto tém poder sobre 0s vivose os vvos mao hes prestam nenlium culo Essie simetrlas, marcadas muito fortemente, mostram que, na versio hesiédiea do mito, rca dos herbisnio consti unt ‘elemento mal intgrado que desfigua a arquiterura da narat- ‘a, as uma pega essencil sem a qual 0 equirio do conjun to estaria rompido, Ao contro, € qinta raga que parece fento criar problemas: ela intoduz uma dimensio nora, um terceito plano de realidade, que, ao contrrio das precedentes, Ilo se desdobraria em dos aspectosanitéticos, mas se ape 2h Mio C menor tinea ee o datine patna dos ment de tncottc ds hen do que ented bomen de ooo ede pas ‘ominsm am vn ria ds Berane o cu none ce ‘enor pls pony pemanecen pr epee a dor Os ena domi de e's da cee Pay ips 219 38 Ft op. Ea Unerstate Fe Biblcts: sentria sob a forma de uma raga Ginica. © texto mostra, entre= ano, que ni realldade nao ha wma Tdade do Feo mas dois tipos de existncia humana, rigorosamente opostos, num dos ‘nis se sits Dis, em outo apenas 2sbris.Com eft, Hesiodo ‘ive em umn mundo em que os homens rascem jovens e moe em velhos, em quc ha eis “nauras” (a tanga assemelha-se a0 pai) ¢ “moras” evese respeitar © héspede, 0s pas, 0 juramento), um mundo em que'o bem e 0 tal, jnimamente mesclados, e equlbram. Anuincia 4 viada de urna outra vi ‘que seri, em todos 0s pontos, 0 contririo da primeira os homens nascerio velhor com as tmporss embranquecidas, a ‘rnga naa tert de comm com 0 Seu pao se conhecerio ‘nem amigos, nem mos, nem pas, nem furamentos;o dieto Serd representado tnicamente pela fore neste mando ent fue a desordem © 2 107 no vel mais neahum bem para ‘compensir os sofrimentos do homem. Vé-se, entio, como o epikdido da Kdadewdo Ferro, em seus dois aspectos, pode aie Cclarse com os temas precedentes para coatplear 3 esutura ‘de conjunto, do mito. Equant o pam aivel concernia mais ‘especialmente a0 exercicio da Dike (nts reagBes das homens fentre sie com ox deuses), 0 segundo, a manifestagio da Foret ‘eda violencia fisca,ligadas a Hybns oterceio se refere am ‘mundo homano ambiguo, defnido pela coexisténca dos seus ‘onto, nel, to bem tem o seu malem contraparida — 0 hhomem implica a mulher onascimento, a mete; 4 juventude, a velhice; 2 abundinca a fadign a felicdade, a desgraca, Dike fe Fjbris presences lado lado, oferecem ao homer das op ‘ees igualmente possiveis enire as quas Ihe € necessrio es other, Nesse universo coaluso, que € 0 proprio mundo de Hesiodo, © poeta opoe a perspectva ateradora de uma vie humana em que Hbristera triunfo tealmeate, um mundo so avesso em que sbsisiriam apenas desordem e desgraca em festado puro stra eno fechade o ciclo das idades eo tempo 56 tela 4e retormar em sentido inverso. Na Idade do, Ouro, tudo era ae Tid ae sed igual soe Ala paeadon, 8 fodem, justia € flicdade: era o reinado da pura Dike. Ao termo do ciclo na velha Kade do Ferro, tudo ser entegue 2 ddesordem, 3 vioéncia morte: serio rinado da pura HYOns. DDe um reinado ao outro, a série das idades no’ marca uma ddecadéncia progressiva. Em lugar de uma seqiéncia temporal ‘continua, ha fases que se alternam segundo as relagoes de opo- ‘sigh e de complementardade. O tempo mio decorre segundo uma sucessio cronol6gica, mas conforme as relagoes daeticas ‘dem sistema de antinomias do qual nos esta marcara corres Pondéncia com cert estrutuas permanentes da sociedade hhomana e do mundo divin, ‘Os homens da raga de ouro aparccem sem ambiguidade ‘como os Régios, os bases, que ignoram toda forma de aii ‘ade exterior ao dominio da soberania. Com eft, dois wacos definem negativamente esse modo de vida: nao conhecem cra e vivem trangiilos, ogo” — 0 que os opde 40s ho ‘mens de bronze e aos hers, volados ao combate. Também 'mio conhecem o labor, pois 2 terra produzthes "espontanea- ‘mente™imeronos hens™ — 0 que ot opde, dest Vez, 805 hhomens de ferro, ej existincia € votuda a0 peinose que sho constrangidos 2 trabalhar a terra a fim de prodkzie o se all © ouro de que ess raga tira 0 nome € também simbolo real, come fi for demonstrado.” Na verso plana do mito, cle distingue e qualifica, entre as diferentes especies de ho: mens, aqueles que sto feitos para comandar, drchein.™ A. ra de ouro situase no tempo de Grona quand ele einava 2B Ido 18 ces a exes ei, 2B. Conroe seo quo sls bua a de do en 176 30, CF, Dara “La ler de or dans erate gypicne’, Kee tie de gos 19, 19%, pe 18 Fase Po de et Sa 35.78, ft Se acon Si. Patio, Rep 413 cos. > no c€u, dufaotievey.® Crono é 0 deus soberano, que se liga 3 fuanelo real: em Olimpia, um colegio de sacerdotes oferecia- Ihe saeiicios no cume do monte Crono, todos os 490s por ‘casio do equinéeio da. priaavera; esses sacerdotes cham ‘vam-se Régios, basa Poe fi, & um paivilégo rea, basieion inéras, que cabe a raga de ouro, uaa vez desaparecida, © a Utansforma em dembnios epicidnios™ A expressio basteion ‘eras adquite todo 0 seu valor se se observa que esses demo hos se encarregamy, no mundo do além, de duas Fangoes que, segundo a concepeio magicoveligiosa da realeza, manifes- tama vimude benética do bom rei: como pbslats guards ds homens, elam pel observincia da usa; como ploutodcta, clspensadores de riquezas, fvorecem 4 fecundidade do solo © ‘dos rebunlos | Alem diso, 28 mesmas expeessbes, as mesmas fmulas & as mesmas palavras que definem os hoaiens da antiga raga dle ‘ouro aplicam-se também, em Hesiodo, 20 usto do mundo Ee SEE cen tren patentee or eben idee tees Beemer eaters tears cence eee airy acnpmne emtees pera Stage fencer rasa ee iment ramen Sanches nroeae Seto ear Pcie eeeeeatecneta aie ySamrgnain eee tgee coo eae meee gat cg eieig tety eee ers Bon aes armen Sate Lv ekeeemcomh am seas Seaee kerma mene Sines care eres acne cams poeies crater snc peanren ans Soe funn Gaon cae SE Ee eee ae Sees sitemeter nce a ‘de hoje. Os homens de ouro vivem “como deuses" oe Oe €, no inicio da Tengonua, 0 64 justo, quando se adn a ssembléia, prestes a apaziguar a8 quevelas, a cessar a dese dda pela sdbia dogura da sua palaves, € saudado por todos ‘como um deus, Seow O mesmo quadso de estas, fstejos © ‘de paz, no meio da abundinca que generosameate dpensa uma tera ive de toda contaminaedo, repete-se por dus ¥e- 225° primeia descreve a exstéacla fel dos homens de Ouro; 2 segunda, a vida na cidade que, sob 0 reinado do el justo & Piedaso, desabrocha em prospesidade sem fim. Ao conto, rho momento em que o hasteusesquece-se de que é “9 dese dente de Zeus", sm temer os deutes, tal a fungo ue seu ‘eto simon, fst dos caminhiosretos da Dis, por Hb 2 cidade conhece 56 calamidades, destuigio e fore." £ que, préximos aos rs, misturando-se sos humans, 30 ml imorals| invisves vigiam ajustgae a piedade dos soberanos, em nome ‘de Zeus, Nenhuma ofensa feta pelos res 3 Dibedetxari de ser mais cedo ou mais tarde punida por intermédio deles. Mas ‘como nio reconhecer nessas mirtades de Imortals que, nos diz ‘0 poeta no verso 252, so tm x0ov.. panes Ova vena fs clatmemes da raga de oro defines no verso 12: éxsg06me, oitaeg Serv dvpinon? ‘Assim, a/mesma figura do Bom Soberano se projet 30 mesmo tempo em ts planos: em um passido mic, dia imagem da humanidade primitiva na Klade de Ouro; na socie dade de hoje, encararse na figura do rei justo e piedoso; no ‘mundo sobrenatural representa uma cxtegoia de deménios que velum, em nome de Zeus, pelo exercico regular da funcio real, ‘A prata no possu um valor simbelico propio. Hla se dei- ne com relagio 20 Ouro: metal preciso, cOMmo 0 ONO, MES 36 Teoma 91 Irate 114 ©8525, 50, aden 238s Memo tam ad, XV, 365, oberg su 2s 2 rom eon gor eam pt a, be 38 inferior Do mesmo meso, a de pas, inferioraquela que 2 proce eb existe ew ein om reac eno mesmo plo qe aca de oro const ss contparila ex, 0 Seu vero, Asoberaniapedost opdese a soberania mpi 2 figura do re eopetoso Die do re etic 2. ris Chem eft, o que area os Homens de pata €aloura des. tnt, dd lm pe ab Shs selon eros ecm ss reapbes Com os uses bisque os cracteriea mio exvas o plano dt soberna Hana tem aver com a Hybrsguerer, Os homens de r= fa, como os e ou, pemanecem eas as tabalhos mi Ttaes que oes Concemem mats do que os do campo. Sia desmedh se exerce en um erenoexchsvamemt relgoso € teolge,? Recustmse a oferecer ifs aos deuses olf pone prc a adliete spo no querem Teo hover a soberania de Zeus, mete di Die Ene os Reis, Tris assume atraient forma deimpiedade. Do mestio ‘modo, 30 taro uo do ls, Hesiod ressala que, wre promuni ene eda eck prime homer, eno teme os dees" Pow sunimpledade, 2a de pata €exerminada pla 5 tera de Zeus; conrapartita da raga de ouo, ease benfcia de tones andlogas depots dim punio. A sldaedade fanco- tallene a dos rss ote alm da morte, pelo parle- Isme, fi seblntado, ene demniosepitios € deménios bipciénesOs homens de pata presenta, por ovo ado mlogits notivels com wont catego de peronagens nti, os Tas" o mesmo carter, a mesa fan, o meso Se pee a Feit a Sac pa te iota eae Emp anant pga stevie Pa. 8.8 TEE panes destin, Os Tits sto divindades de HyBris. Ao ser mutada, Urano acusaos pela sua loucura omulhosa, dceyOahin, © 0 proprio Hesiado os quaifica de inept.” Esses ongulosos| {ém 0 poder como vocagio. Sto cindidatos 2 soberania. En ‘yam em competicaa com Zeus paras arché © a dynastéa do lunwverso." Ambigi0 natural, se no leita: os Tis sto 08 Régios. Hesiquio aproxima Teadv de Tif, rei ¢ de Tish, ‘inha, Em fice de uma soberania da ordem,representada por Zeus e pelos Olimpicos, 06 Tits encarnam a soberania dt de- sondem e da 2bris. Vencidos, eles devem deixar a huz do di, ‘como os homens de pat: precipitados para Tonge do <6, para alémm mesmo da superficie da teva, também desaparccem fond 000%, ‘Assim, 0 parielismo dis ragas de uro © de rata io se aflsma somente pela resenga, em cada um dos ues dominios fem que se projetava a figura do ret justo, do seu “dup: 0 rei da 24s. Ee se acha, além disso, confirmado pela exata cor respondéncia enue ragas de ovro ¢ de pra, de um lado, Zeus de outro, Tas. £2 propria esrutura dos mits hess de soberani que encontramios na naraiva das ds primcias ‘as da humanidade, ‘raga de bronze introduz-nos em uma esfera de ago dife- ‘ene. Retomemos as expresses de Hesiod, “Nastia dos frei 10s, rerrvel evigorosa, essa raga no se assemelha em mada ‘aga de prata ela s6 pensa nos uabalhos de Ares ea brs" [ao se poder indicar de modo mas expicto que a desmed 14r dos homens de bronze, emt lugar de aproxim-los dos ho- mens de pra, separ-os: brs excluswamente militar, que caraceriaa 0 comportmento do guerrero, Passamos do plano Jurdico-eigioso ab ds maniestages da forga bral ue), lo vigor fico Gripes Gare. em ceiapaias eheomD) © do 1G, Tego 3, oe deve Ser contd com Taba 134 © gona. "em 815, polar, Bios, 1 55. Iai, tae 40 terror (Bewby, dare) que a personagem do gee inspi- fa. Os homens de bronze 56 se dedicam a guerta. Nio ha tam- bem, em seu aso, alusio 40 exerciio da justia (sentengas| certs ou eras), nem 20 cult em honra dos deuses(piedade fu impiedade), assim como nos casos precedentes no se al tis a comportamentos millaes. Os homens de bronze so igual- ‘mente esirinhos 2s avidades que caracterizam o tereeiro pli ‘no, 0 da niga de fero: nao se aimentam de pio," 0 que faz Spor que ignoram otabalho da terra ea cltura dos eres. A torte decor do seu tipo de vida. Nao sto aniquilados por Zeus, mas sucumbem 2 gueea, uns sob os golpes dos outos, vvencdon "por seus propos braces’, isto €, pela fore fsic ‘que exprime a esséncit da sua natureza, Nao tem deto a nienhuma honrava: “ainda que tenkam sido aterrorizadores’, ‘les se perdem 0 anonimato da more. [A esas indieagbes clara, o poeta acrescena alguns por- menores com valor simbdlico que as completa. De inico, a Fefertneia ao braze, cujo significado no ¢ menos preciso que #6 do ouzo. © proprio deus Ares tem 0 epiteto de chakeos & ‘que 0 bronze, por cenas virudes que the sto atsbuldas, apa ‘ece intimamente ligado, no pensamento relgloso dos gregos, 2 Fogga com que se revestem 35 armas defensvas do guerreio, (© brilho metilico do “bronze ofascante, wapora zo," este clario do metal que faz resplandecer a planicie® e “que sobe St€0 ceu" lang o teeor a alma do inimigo; 0 som do bron ze no se entrechocat, esta gov que revelaa soa natureza de Inctal animudo viva, afsta os sortlégios do adversino. A ‘estas armas defensivas — couraca, capacete € escudo — de Dronce,associa-se na pandplia do guereio mitico uma arma ‘ofensiva, langa, ou melhor, 0 dardo, de madeis.® Podese mesmo paricularzar mais. A langa € feta de uma madeira 20 St Ch por explo, 146 25 dt, onc 0 3S EE pan ques enor no palidon © no aon a ‘mesmo tempo levee muito dura, madeira do freixo. Ba mesma palava designs ora 0 dardo, oma drvore da qual ele provém ia. Compreende-se que a rica de bronze sj denominada por Hesiodo como onginada dos freixos, edi.” As Mela, Ninfas dessas drvores de guerra que se erguem para cet como lngas, so constantemente assocads, 20 mi 408 Se res sobenaturais que encamam a figura do guerre. Ao lado ‘dos homens de bronze nascidos dos frenos,€ preciso meacio- aro gigante Talo, eujo corpo ¢ inteiramente de bronze, guard de Crea, dotado de uma lnvulnenildade condicionsl, como ‘Aquiles, que apenas as magia de Medea poderio vencer: “Talo origina-se de um freixo.O grupo dos Gigants, que, sequin do F. Vian representa o tipo de uma confraria militar que ‘também se benefica de uma invulnerabilidade concions, ext fem relacao dicta com as Ninfas Melt A Teogoma con como nascem juntos “os grandes Gigantes com armas cinilntes (de bronze), segurando na mito umm dardo comprido (de freixo), © 8 Ninfas que se chamam Melia’.® 4 vol do bereo do joven Zeus cretense, Calimaco agropa ands, ao Ido clos Curette que fexecutam a dana guercira, Datendo armas ¢ esos fim de fazerem ressoar 0 metal, as Diludia! Mella, denominadas, de modo signfcativ, KopBétveny éxépa (s freixos, ou asninlas dos feos, dos quais naseram os homens de bronze, ém uma funclo importante em outras nar rativas acerca do homem primordial. Em Anos, Forone, © primeiro homer, descende le uma Melle." Em Tebas, Niobe, ‘mae primordial di 3 loz sete Meliades, as quals podemos pen Sar que formam, como Detdirafe como expos, contraparia Feminina dos primeitos homens indigenss Esas naratvas de autoctonia integramse, na maioria dos casos, em um conunto “tuo 3, A, 36 200 XI, 25, Ante pata 12, ik, ain, 0 Stor, Aa, ne ‘pater 8, $B anc Vin pepe po. 2 6 12 Bacto a Pes, Fons, 159 2 ritico que interes a funclo milar © que aparece como a transposicio de cenas situs mimadas por um grupo de jovens {guercios armados. F. Vian fessou esses aspecios no aso tos Gigante, que foram, retomando a expresso de feces," Db rvevig expan, “0 grupo armado nascdo da tera", grupo ‘que evor imagem da lana brandida na plane, Mir meg, da fora selvagem, peas Bic. Sabe-se que os acon, ese [mucreios com bons piques, como os chama a Mada," esses ‘aurccbibones bybrista, segundo 0 eseolasta do Prometen de FExquil,” peetendlam ser descendentes de ume tbo de Gigan- tes cujo chefe era Hoplédamo. A origem mica dos tebanos mo € diferente. Os Espartos, dos quais se oginaam, sto igual mente Gegendis, que surgram da terra completamente arma- dos para comesar logo a combater uns contra o§ Outs. A historia cesses Esparios, esses “Semeados", merece uma ard lise melhor ela eslarece certos posmenores no modo de vie ‘emo destino dos homens de bronze. Ao chegar ao local onde ‘deve fundar Tebas, Cadmo envia 0s seus companheios para bbuscarem gua na fonte de Ares, uardada por wma sespente Essa serpente, presentada ora como tum Genes, of2 como lum filho de Ares", mata os homens do grupos hel vence © Imonsto, A conseiho de Atena, semeia 0s dentes do mons por toda planicie, um pedion Nesse campo, germinam e sur ‘Bem num instante homens adultos, completamente armados, pes Evo, apenas mascdos, tavam ene si um combate ‘mortal, perecem, como os homens de bronze, sob os seus pro pros golpes, com excegio de cinco sobreviventes, antepass dos da arisiocricia tebana. O mesmo esquema tual encontra- fc, em uma forma mais preci, no nto de Jasio na Colquic ‘A prova que 0 rei Aietes impbe 20 her6i consiste em uma lavmagem de carter bem panicular: deve dirgi-se, no Tonge ddr cidade, a um campo denominado padion de Ares, colocar dd 03 et, VD, 134 15 ey a Eaga,Froma, 8 (Rope, Fiat 951 955; Pass, I, 1,1 8 «50 0 jugo dois touros monstrasos, com 0s cascos de bronze, ‘omitando fogo; deve atreti-los a uma chara levilos a trea um suleo de duzentos, ares esemear ace os dentes do dragio de onde logo nasceri uma coowte de Gigantes armados, em Tata. Pela virude de um fluo oferecido por Media e que 0 ‘omou momentaneamente invulnervel,ifundinds 30 se corp €e2s suas srmas um vigor sobrenaturl,Jasio tuna ness pro va de lavragem, na qual todos os pormenores subinhann um| aspecto propriamente militar el se passa em um campo snc to, consagsido a Ares semelamse ai, em lugar do fruo de ‘Demeter, os dentes do Dragan; asto apesenta-se, 0 nt Je sco, mas vestido como guerrero, com a couraga © 0 ec fo, e tendo na mio o eapacere ea lanca; enn, para Vencer 05 | touts, ele serve-se de sua lang como um aguilbdo, No finda lavragem, os Gegeneisbrotam da tera, como 0s Esparts. “O campo", escreve Apolnio de Rodes, *cobrese de escudos, de langas ¢ de capacees, coo bilho se reflete até no fu (.). Os terrveis Gigante brhiam como uma constlagio em uma note de inverno". Gragas ao estratagema de Jasio, que envi ui ‘enorme peta para 6 meio deles,preipitam-se ans conta os ‘outros e se massacram motuamente. Essa lnvragem,faganhs especiicamente mula, que nao tem rea com a fecundidade do solo, nem efeito sobre a visude nuiders, permite talvez ccompreender uma observagao de Hesiod, ds qual se fem no- tado com frequéncia o carater paradonal sem poder the dar uma explicacio satsfatria. No verso 146, 0 poeta resaka que ‘homens da Idade do Bronze "nio come pio", pouco de- pois ele afirma que ‘as suas armas eram de bronze, de bronze 2s suas casas, com o bronze eles avavan.” ‘A contradizio parece evidente: por que lavas tera se Mose come o tig? A ficuldade sei eliminada se a lavragem ‘dos homens de bronze, aproximada 3 que efens aso, deves Noes 19 Aplin de Raves, Argon 4 1, Tbalbos, 1501. No me parce pom een cm also ‘eeu ebay oC Ce Res La Mal 4“ se ser consderada como um rito guerrero, € n2o como um trabalho agricola Uma tal interpretagao pode autorizarse por tums dima analogia entre os homens de bronze e os Semes- dos, fihos do Suleo. Os Espanos nascdos da ter pertencem, ‘como os homens de bronze, a raga dos freixos, eles sto tam bem & phi. Com efeto, sto reconhecidos pelo Fito de tr ‘eter tatuagens sobre o corpo, como marca distinaiva da sua ‘aca, o sina da Lancs,” © ese snal caraterztos como guer- nie lana, atibuto militar, ¢ © eto, simbolo rea, hi d= ferenga de valor ede plano, A lanca € noemalmente submissa ao cero. Quando ess hierarquia nao € mais respestada, alana ‘exprime # Hybris como o ceo exprime a Dibe- Para 0 guerel- ova Fsbrisconsiste em querer apenas conhecer alan, em se ‘eakicafa ela intiramente Tal € 0 caso de Caine, 0 Lapita com {su Langa, dotido, como Aquiles, como Talo, como os Gigan tes, como todos or que passaram pela iniiac2o guerre, de ‘uma invulnerablidade condiconal eed preciso enter-o sob a pedaas para mai-lo)” ele plantou a sua langa em pleno fentro da gor, dedicaThe um calto e obdiga os passantes a the prestarem as honras divinas.” Tal € ainda 0 caso de Panenopeu, encamagio lipica da Hsbrisguemeza: mio venera pada a nio sera soa lnga, reverencia-a mals que a um deus €| presi uramento sobre ea ‘Origins da lana, dedicada a Aes, nteramenteestrnha so plano juridico e religioso, 2 aca de bronze projeta no pass ‘doa figum do guerero voado 2 Hj uma vez que desconhe= ‘ce tad o que urapassa a sua propria natureza, Masa violencia totalmente fisica que se exala no homem de guerra no pode Fr canoe pope entre peat GRAS A tome ane re rien ett tap Hap aac fee sue ert Be eee rd he cto eerie es So ee Inve slo no clcahar ff edoeao no mio twa, ese Eines ets eee 6 tia tanspor as ports do além: no Hades, os homens de bronze dlsipan-se como una furaca no noni dt monte. Encon= teumos esse mesmo elemento de jms guerirs, encarnado pelos Gigantes, nos mitos de soberania que contam 8 ita dos sdeuses pelo poder. Apés a demota dos Tas, viet sabre os GGigantes coasaga a supremacia des Olimpicos. morta, 0 Ts tinham sido expulss ¢ acortentados nas profundezas ci Te (© mesmo no acontece com as Gigintes. Os deuses fzem com que eles perecam, tiandothes a invulnerablidade. Para cles, ‘derrot significa que nao partcpario do privilegio da imortali- dade, objeto dst cob." Como os homens de bronze, pt- Tham da sone comum dis eratiris monais. A heruju Zeus, “its, Gigantescorresponde a sucesso das és primeira rs ‘Ara dos hers define-e, em relagao a do bronze, como, 4a coneapanida na mesma esfers funcional. Sto suerte; Jum na guerra, momrem na guerra. A Fybris dos homens da ‘aga de bronze, em vez de aproximsslos dos homens da aga de prata, separavivos, Inversamente, a Dike dos heros, em hi sr de separiles das homens de bronze, une-os, contaponde-ce (Com ef, art dos heres € denominada ua epoy wet pen, mais justa € a0 mesmo tempo mais valocosamiliarmente,” A. sua Die se situa no mesmo plano miltar que 2 Hy dos ho= mens de bronze. Ao guereio, votado por sua propria nator 4 Fbris, opoese o guerrero justo que, ceconhecendo os seus limites, cei submeterse 3 ordem superioe da Die, xsts das figuras antics do comatente sto aquelas que Esqullo aca sdeamaticament uma em face da otra er Ossete conta Tes. fem cad porta, ergue-se um guereito de Hsbri, selvagem © frenésico; semelhante a um Gigante, profere sarsmosinpios| contra 0s deusessoberanos e con Zeus; em cada vez Ie & ‘oposto um guerreir "mals justo e mais corjoso"cujo ardor 80 ‘combate, temperado pea sopbrasine, sabe respeitar tudo 0 que tem valor sagrado, 7 Sbowe que Gta ic fomsce aoe git prrmaton so deco so ago des de de 6 Univers -Encamagdes do guerre justo, os hers, pu Ee de Zeus, ‘Sto transporuacdos pars «tha dos Bervaventurados, onde le ‘vam por toda a cteridade una vida semelhante dos deuses. Nos mitos de soberania, uma categoria de seres sobrenaturais ‘comesponsle exatamente a rac dos hers e vem seus, ma hierarguia dos agentes clvinos, no lar reservado 20 guerre servidor di ordem. O einado dos Olimpicos supunha wma ‘itera sobre os Giganes,epresentando a funcao militar. Mas 2 Soberania nao poder prvarse da forca; o ero deve spor Se na lanca. Zeus tem necessidade da companhia de Krai © dde Bia, e estes nunca o deixam, nunc se afatam do deus.” Para obter a sua vita sobre os Tis, os Olimpicos tveram ide recorer forga © chamar os “guerreiros" em socoto. OS ‘Cen-bragos, que les proporcionam o sucesso, sho, na Verda de, guerteios semelhantes em todos 0s pontos 208 Gigantes © 830% homens de bronze: insacives pela guerra, ogulhiosos pela forca, serorzam pela extra ¢ vigor dos seus nmerosos be co,'Sio a encimagio de Krdiose de Bla. Diz Hesiod” que 3 ta entre Tits olimpicos durava ji dez anos; incena, a ‘itera sit ene os dos campos de Regios; mas Terra reve- Tou a Zeus que ele keri 0 slcesso se pudesse conseguir 0 auxilio das Cembragos, ca intervengio sera decisiva, Zeus ‘onsegue coloc-los em seu campo. Antes do ataque fia, pede thes que revelem na batalla, em face dos Ts, a sua fora terrvel, ueqdAry Biqy, © o= seus bragos invencivels, £1905 ‘éartovg”, as lombraves também que nunca se esque dt “amizade lea” que devem provar a seu respeito." Coto, bia do de euay nessa clcunstancia,responde em nome dos seus lemos, prestndo homenagem 3 superiordade de Zeus quanto Fi Ta 35 Dee nt esto prt ete oes ti dos Combragon 6d Rn Coon Comte, ior Be ‘Shoes et ot amo mi ‘erste eat come fcepenn, phe ew tt sce” Felons cmp goa, tle 8: Tran Sc 3 tien Maen 20 espto a sabedora (panies, win, émgpocden)" Ele se ‘compromete a combate os Tihs “Beevet vo wa gp Pot, ‘com um coracio inlexivel € uma vontade plena de sabedo ta Nesse episio, os Cem-brags stuam-se no lado oposto dd Hybrisguerera. Sobmissos a Zeus, ndo aparecem ais com serescaracterzados pela pura aroginca,o valor lta, ete estes gihawes mow aul, estes guardies fis de Zeus, como (0 denomina Hesfodo,” vai, desde entio, lado a lado com sopbrosyne, Para obter 0 seu concurso e recompensi-os pelo ‘seu aux, Zeus presta 20s Cem-bragos um favor que lembra ‘que outorga a raca dos herds, “semideuses", dotidos de uma ‘ida jmoral na ha dos Bemvaventurados. Aos Cem-bragos oe fece, 3s vésperas do combate decisivo, o néctare a ambrosia, limento de imoralidade, privilgio excusivo das deuses™ Ele 6s faz, assim, partpar do estado dlvino que aio possusam antes; conferees uma imoralidade plena ecoayplets da qual, ‘sem divida, estavam privados, como os Gigante” A vontade sgenerosa de Zeus nao deixa de ter str de sl uma itencio pollica-a funeto guereia, desde enfio asoclada a soberani, Itegrase a ela em lugar de se oporO reinado da ordem ni € mais ameagado por nada. (© quadro da vida humana na Idade do Ferro no nos sur- preende. Ji por duas vezes Hesfodo 0 tragou, na introdgao © fa conclusao do mito de Prometeu. As deengas, a velhice © a morte; jgnorincia do amana e a angdstia do futuro; a exis tncia de Pandora, a mulher; € necessidade do labo, tanto elementos, disparatados para nés, mas caja soldariedade com» poe, para Hesiodo, um quacko nico, Os temas de Prometeu © dde Pandora formam as duss pares de uma Unica e mesma histéias a da misénia humana na Idade do Feo. A accesiade ‘a tadom 6 2 Ie, 639-0 55 es moda dos “fe” es mora dos deses, hi nivel meri em parca sa dw ses ques deh ‘mec ie Ep lca oa tn Sl ? de se cansar no tabalho da tera para se obter o alimento é também, para'o homem, a de engendrar na mulher ¢ por el, de nascere de morrer, de ter 2 cada dia angina © a0 mesmo tempo esperanga de um amanha incest. A raga de fer co snhece uma existéncia ambigua € ambvalente. Zeus qus que, por el, © bem e 0 mal sejam mio apenas misturados, mas Solidiros,indssolives. E porque o homem se agrada dessa ida de miséria co mesmo modo que ele envolve Pandora de amor, “um mal amavel", que a ironia dos deuses se apraz em Ihe oferece:™ Todos 0s sofrimentos que os homens de Ferro suportam — fadigas, miscrias, enfermidades, angistias, Hesiodo indica claramente a sua origem: Pandora. Se a mulher io tvesse enguido a tampa do jaro em que estavam encerra- {dos os males, os homens teriam continuado a viver, como an tes, “20 abvigo dos sofimentos, do abor penoso, das doengas dolorosas que wazem a morte" Mas os males se dlspersaram pelo mundo; entretant,subsiste a Esperanca, pois vida mao € totalmente sombria¢ os homens encontram ainda os bens mi turados aos males Dessa vida mesclada, plena de contrates, Pandora aparece como simbolo © expresso. Keddy kanye ‘tot, define-a Hesiod, um belo mal, reverso de um bean" terivel flagelo insalado em meio aos moras, mas também ‘maraviha(¢bduma) paramentada pelos deuses de atrativo © de ‘graca — raga maldita que o homem nto pode suporat, mas da ‘qual mo pode também se privar—, elemento contro €com- panheira do homem. Sob 0 seu aspecto ile de mulher e de tera ® Pandora representa a fungi de fecundidade, tal como se manifesta, na Idide do Fero, na producio do alimento ena repredugae da vida. Nag ¢ mats essa abundinciaespontinea que, na dade do ‘Ouro, fizia beotar do solo, $6 pela Vitae da fasta soberania, 1 Pratatog 8 inden 982 ‘emo onc planer a aparece na foresees Had, ‘ergo ad snot da see so ca © reer eee re So eee ees Sears eee cae roe eee ae Serene and ee eee eae eect ai ee cere eee ea eee gee aia ames pee aaicee uate eee Pa ar ere fe eee Se aera eae ee eee ee ance See oars see ee eee ea ee ere sre eae eee eg ete: See ee meses eee rere tees cee ree ena Or Tatton 5 32 Toone 98 2 as 30 ote Cental define, de modo negativo, pela auséncia de todos esses sent ‘mentos “morals efeligiosos” que tegulamentam a vida dos ho- mens, pela vontade dos deuses: na hi afeici pelo hospede, pelo amigo, pelo lmao; nto hi reconhecimento pelos pas rio hi respeto pelo juramento, pelo jus, pelo bem Essa Hpbrisnio conhece o temor dos deuses, nem mesmo 0 mot ‘que 0 covarde deve sentir dante do homem valoraso: 6 0 te ‘mor que inca © polo a atacar 0 arefon, o mals valoroso,e3 vvencé1o, nao no Combate, mas com paras toruoss e com 0 temprego de fabs juramentos” ‘© quadko do agricultor desencaminhado pela Hérs, al como osprescnta 3 Idade do Feo em seu decinio, essencial- ‘mente ¢ da revolta contra a ordem: um mondo de eabesa park balto, onde toda Iieraquia, toda rega, todo valor € invertido, ( contaste € completo coma imagem do agricul submisso ie, no inicio da Wade do Feo. A uma vida de mista, em (que 6s bens ainda compensam os males, opde-se um Universo regativo de privacio, em que subsistem apenas a desosdem & ‘mal em seu extado puro {A anise minuciosa do mito vem assim confiemar flsae em todos os aspectos 0 exquema que, desde o inicio, a8 gran- des aniculgdes do testo pareceram nos impor no cinco Fae35| se sucedendo cronologicimente segundo wna ordem de dea déncia mais ou menos progressiva, mas tim constrigo com ues andares, cada um se dividindo em dois sspectos oposton © ‘complementires. Ess arquiteura que regula 0 cielo das idades € também aquela que preside ao ordenamento da sociedade ‘humana e do mundo divino; 0 “passado’, tal como o compbe a cesrtfeagao das agas, estutue-se sob 0 modelo de uma hie- ‘arguia imemporal de fungoes de valores. Cada par de klades| acha-se,entao, definido, mo somente pela sua suago 1 fie (as duns primein, 26 doas seguintes, as tia), mas tam bem por uma qualidade temporal paticlar,estretamente as- sociada a tipo de aivdade que Ihe correspond. Ouro ¢ pra Dion, 13 st Pag b ta: slo idades de vitalidade totalmente jovem; bronze ¢ hess ‘uma vida adult, que ignora © jovem e 0 velho a0 mesmo tempo, fer: uma exiséneia que se degrada 2o longo de ut tempo envelhecido © gas. xaminemos de mais peno ses axpectos qualiatvos dis ‘dads e 0 significado de que se reves em rela 208 Outs ‘elementos do mio. Os homens de ouro e de pata sto ualmente “jowens, do mesmo modo que so igualmente nos. Maso valor stmbelico dessa uventude invertase dos peimelos as segundos de posivo pass a negawvo. Os homens de oun vier “sempre ovens" em um tempo inaltrvelmente novo, sem cansag, sem tenfermidade, sem vehic, e mesmo sem mort," um ternpo muito préxlmo ainda do dos deuses. Ao conto, 0 homem de pata presenta 0 aspect pesto do joven ndo mais 2 ausénca de Senildade, mas completa puciidade,a nio-maturidade Ele vive, {durante oem anos, em estado de pais nas sais de sua mie, jE ‘wimos, como uma canes grande” Logo que dea 2 infnca © Ulrapassa 0 pont erucal que marea © meron bebe o limi da ‘dolescéncs,expande-se em mil loucurse logo mort.” Pode-s¢ dizer que toda a sua vida limia-se a uma inermindvelinffincia © que # sua bebe constitu o proprio fim da sua exisncia. Alem disso, io tem nenhuma prtcpacio dessa syphresine que per tenoe @ idide madura © que pode mesmo aswcitrse especial: mente & imagem do géron, paso 20 jover” nao conbecetam- bem o estado daqueles que, ao passr pelo metro betes forma case dos hebontes dos koto, submis discplina militar Hesiod mio nos di nenhuuma indieagio sobre a duracao e vida dos homens de bronze & dos heris. Apenas sabemos 9h ada, 13 © a ee mone, se fm amet 39 sop Fd Note, Thana Yop nom an gon ops, ‘iegon nem: Hopone wage sure pheno, Tees ‘em ot org Se ors pice Se Inde 23 5 See» sxpea postno do veo’, de sedate de idee ougnas t 1c Se ie dx aceon 11s cy 32 que eles mio tém tempo para envelhecer: todos morrem em pleno combate, na forca da klade. A respeito de sa infin, rhenhuma pala. Pode-se pensar que, se Hesiod nada di, apés terse estendo longamente sobre a inineia dos homens de prata, porque os homens de bronze no tem inna. NO ppoema, sparecem de impeoviso come homens eto, em pleno igor, € que io tveram nunca outas preacupacoes a nlo ser fs tabalios de Ares. A analogia ¢ evidente com os mitos de autoctonia em que os Gegends rotando da ter, apeesentamn- ‘2, mao como cancinhas que acabam de mascer e que tém de rescer, mas como adultos, ji completamente foemados, intel ‘amente armados, preses ao combate, os vps vow. E que ‘uma atividade guerery,ligada a uma classe de Wade, opde a figura do combatente 20 mesmo tempo a0 pase a0 géron. A ropdsito dos Gigantes, F. Vian esereve estas palawnts que nos parecem dever aplicar-e exstamente aos hortens de bronze € ss hers “Erge eles no se encontram nem velhos em ran fs: desde 0 seu rascimento to adultos, ou melhor, os adoles entes que permanecerio até a morte. A existence encerr-se ‘os mies eset de uma clase de dade." Toda a vida dos homens de prat desenvolve-se antes da bebe. A dos homens de bronze e dos heros comeca na habe. Ambas desconhecen a velhice Pelo contri, €a velhice que di seu colorido 20 tempo dos homens de fero: vida gist-se em um envelhecimento continuo. Cansigos, labor, enfermidades, angUsta, todos 0s males que esgotam incessantemente o ser humano wansfor- ‘mam-no powco a pouco de crianga em mogn, de mogo em velho, de velho em cadiver, Tempo equtvoco, ambiguo,em que ‘© jovem ¢ 0 veho, associados, misturam-se e implicam-se um ao outro como obbem a0 al, vida 8 morte, a Diba brie ese tempo, que faz envelhecer 0 jovem, contrapdese, no fim dda Kdade do Fero, a pesspeciva de us tempo interamente velho: um dia vir, se no se reste 2 Hybris em que tera sdesapareco da va humara tudo 0 que & aida joven, 20¥0, 1D ance Vian, tp 3B vivaze belo os homens nascerio velhos com 3s témports ex bbeanquecidas" Ao tempo da mesciagem suceders, com 0 re fado\da pura Fis um tempo inferamente dominado pela vethie e pela more “Assim, os tacos que dio as diversas racas a sua tonalidade tempor panicular ordenam-se de acordo com o mesmo es {qucina triparido no qual nos pareceram enquadrarse todos 0s lementos da mito ‘Quer se trate de uma filiago ou ce uma invencao indepen- dente esse esquema lembra, em suas linhas fundamentals, 0 Sistema de triparicto funcional, eyjaiflugncia sobre o penss= ‘mento religioso dos indo-europeus, G. Dumézil revel." © primeiro andar da consinugio mica de Hesioso define bem 0 plano da soberania no qual 0 ei exerce a su atvidade uri Eovteligosa; 0 segundo, 0 plano da fancao militar em que 3 ioléneia brut do gucereir impoe uma dominagio sem lei © terceto, aquele da fecundidade, dos alimentos necessiios 8 vid, do qual se ocupa especialmente o agricukor. "ess esnutura trparia forma o quadro no qual Hesiodo reinterpretou o mito das ragas metas, © que The permits nla integar, com wma perfelta coeréncia, 0 episclio dos he fois, Assim reestutirada, a propia narrtiva infegr-se em um ‘Conjunto mitico mais vaso, que cle menciona em cada win de Sas partes, por um jogo, 0 mesmo tempo flexivel erigroso, ‘Se correspondéncias em todos os nies. Peo ato de reflesi um me casi or ems te es meres e aunt cee Sams eect eee cannons oP Crean Sets twas als See teeth esas pe ten Sans ae es oie ae Seon ener nee onal eros in epee coat Se eect retinas Si eae See niece ia og aE Speers erate da ae 56 sistema classifcatrio com valor ger, a iste das eas re- vvestese de signficagdes malkipas: a0 mesmo tempo que nara a sequéncia das gas da humanidade, ela simbolza toda wma ‘Série de aspects fundamentais do rea, Se se trade ese ogo de imagens ede comrespondénciassimbélicas em noses Lingus ‘gem conceit, pode-se apresent-o sob 2 forma de um quadeo ‘com vir entra em que «mesma estunuf,repeida regu mente, estabelece, entre stores diferentes, as relagbes de ondem anal6gics: série de rig, nives funciona, ipos deagoes e de agents, categorts de dads, hierarguia dos deuses os mito de soberania, hleraruia da sociedade humans, hierargua das Tose sobrenatuais dferentes dos tha cada vez, os iver- ‘09 elementos implicados se evoram e se correspondem, Se a narratva de Hesiodo dstea, de modo paricularmente feliz, ese sistema de muleorrespondéncia ede sobeedetermi- nai simbiea que caracteriza a atvidade mental no mito, la ‘comport também um elemento novo. Com efit, 0 tema se ‘onaniza segundo uma perspectiva claramente dicot, que domina « propri earutura tarda e separa todos os seus ‘elementos em cas diregdes antagnicas. A logics que oienta A arquitetira do mito, que nelaanicula os dversosplanos, que reguls 0 jogo das oposigoes e ds afinidades, € a tensto entre Dike Hybris cl no 56 ordena a consirugio do mito em seu ‘conjnto,cando-he o seu significado eral, mas confere a cada lum dos tésniveis funcionais, no regstro que Ihe € proprio, um mesmo aspecto de polaridade. Nisso reside a profunda origin lidade de Hesiado, que o tna um verdadeiroreformadior rel ios, evo tom e inspiragio puderam ser comparads 08 que nimam certs profetas do judasmo, Por que Dike ocupa essa situacao central nas preocupa tes de Hesfodo e em seu universoreligioss? Porque ea as ‘miu a forma de uma divindade poderosa hace Zeus, ona de venerada pelos deusesolimpicos? A resposta mio depend ‘mals da andlise esrtural do mito, mas de uma investiga histéica visando distinguir os problemas novos que as tans formagdes da vida social, porvelta do século VI, apresentaram 0 pequeno agricltor odio eo inckaram a repensat na mat 55 ria dos velhos mitos para thes rejwvenescer @ setido.™ Uma tal investigacio nto entra no quadro do presente estudo. A andlise do mito avtoriza, conto, algemas observagdes que ‘permiam acentuar certs diregdes de investigacio. ‘Constatase, com ef, que a igura do gucci, 20 on- wiso daquelas do rie do agsicultor, no tem em Hesfodo mais ‘que um Valor puramente miico i um mundo que é 0 Sev € {que ee descreve, entre os personagens aos quais se dig, ve ‘© que mio hi lugar nem para a fungio guerreia nem para © _gucteio, tal come o mito os fer.” A histéia de Prometeu, 4 das raga, 0 poema em seu conjunto, visam edifiar Perses, Pequeno agrcultor como o seu mao, Perses deve renunciar & bonis, dedicarse,enfim, 2o tabalho e nio mals proporcionar| 8 Hesiod processos ¢ mis disputas." Mas ess igo de imo ‘imo, de otadoralaveador, conceme igualmente aos bass, uma vez que tém a incumbéacia de regulamenta as disputas, de julgar os processos de modo acertado, Nao esto no mesmo plano que Pers: a sua funcio nio €tabalhar e Hesiodo m0) fs inca asso; eles devem respetar a Dike pronunciando sen- tengas juss, Por cero, a distinc € grande ene imagem ‘a Sa a ins ae i se. Hie, sie fare pan mje ew des Sco, 39,195, ‘lrocs do cnn niin que crab tsk de Hess (pa {Stsucento, anno da tery orm de can So Kis da cre {scm de propo da pie on peruano proprcan mosopao ‘vas incl por pedo peseoon Lots ret cbse, pare ‘tect nao ry do ero nae denn uma sta ‘aa rrtoraco san a, oe mos Se Hees esd cere aur eee de oe re mom es canara! Opal gue, ans ages de cde, epson 0 dcspatcimeato do goer, cm tga para Ca oe ‘ome excise ten cpectics wandermapao so geet ‘ops cu Klin conta cn ts Rena why mars so ‘rte sovehete na esl; do ete mba, we pare So {i rele cpp, uma maar ec. em pty, Hee ‘ane Cat Cont ile 19, 9p. 1.6. Ts Soe ogo er o Jia smi, 4 mari a vtdes do proceso, 5A an Grong, Hanae Pras A 5 56 mitica do Bom Soberano, mestre da ferilidade, dispensidor de {oda riqueza,c 05 eis "comedores de presenies"™” ans quis Hesiod parece relerir-se (e ¢ sem diva ess distinc que explica, em pare, o fato de a Dieters retirado da tera pars ‘0 céu)™ noentanto, 0 poeta ets persuadido de que a manera pela qual os reis se desincumbem da sua funcdo judiciria re- Alte dietamente sobre 0 universo do agecultor, a0 favorecer, 04, pelo contin, ao exaurr #abundncta cos rts da era 1a, pois, entre a primeira e a terceira funclo, entre os else 08 laviadores, uma conivéncia mitca © a mesma tempo real. O| Imeresse ce Hesiodo esti centrado precisamente 0s probe ‘mas que concernem, 20 mesmo tempo, a primeira e a terceira fungoes — que Ines concernem soldarsament:” & sua men sagem tem, nesse sentido, um duplo aspecoy& 0 mesmo te ‘po ambigua, como tudo na Idade do Ferro, Dirige-se 40 ukivador Perses — as volts com ma ters ingrat, com as dlvidas, a fome e a pobreza —a fim de the aconselhar taba Tho; diigese também além de Perses, aos rei que viver de ‘manera totalmente diferente, na cidade, passindo 0 su tempo ina igora e que nao precisam tabalhar F que o mundo de Hesiodo, ao contirio da vida na Idade do Ouro, € um mundo 108 ut Gemet scree“ ey hess €(cnraramete 3 ey tates ps tats, pong eee tsa och foncaqun tinge 9 eo) 19» Banus ‘ebetemete ier na (9 219 22, 22,364 8 3 ihn da forma Sem ope 2A dia 19.9925 8) ‘esa ne ager, Sy 2 ten fra ds at (of. 1. CE ‘Saba a oberages do mor sobre a nse de Ab en esd, TW) bats 298 TO, Bi soared oe ober plnamente ma pane do pom de sea em qe ator sca op Hes, saat di a ikke Ona de leaps nse sad api Os Fmons ds Mae do Obra» dia fat pane" ‘hn © prea ie pees don be eg, ome ta fm Sipe Os men dats de bese 30 meso to fam pad da gra edo eee, ¢ cme 08) 0 Cn 9 ‘mo para os grandes como os rei, ela Pode proporciona des- ‘gigas. Que Perss Ihe prefirs endo’ 0 outro camiaho, que leva a Dike. Pos inalmente Dike sempre tuala de Hiri: ‘Send assim fixado 0 quadro no qual se insere a naratva, voltemos a0 proprio texto a im de particulaszar a orem com ‘que se apresenta a seqoencia das quayo primelras gas. A ‘is superficial letra logo revela uma diferenca entre as se aqencias 1-2. 3+ por um lado, ea seqUéncis 2-3 por outro. A, © 69 Sto £8. Now ah poor dt S315 "an ou 8 tne So ee Bi Sera api, nr ste fn rs) ef 7 relaclo entre a primeira e a segunda eagas, bem como entre 3 terceira e 2 quarta, exprime-se por um comparative: Ro} Epotapov no primeiro caso, ixadrepas, no segundo,” O que significa este comparativo? Nos dois casos, traduz uma diferen- de “valor” que se refere a mais Justia ou, a0 conti, a mais Desmedida, A raga de prata é em "muito infer 2 de four no sentido de ser earacevizada por uma Hjbris que est Imteiramente ausente na pimela. A aa dos herGis € mais ji tu” que a de bronze, votuda 4 Hybris. Ora, nada de semelhante ‘existe enue a segunda ea terceira rca, de pata e de bronze, A sua diferenga nao se expressa por um comparativo que a8 = ssa mais alto e mais baixo em ma mesma escala de valor. No ‘so ditas nem melhores nem piotes, mas “em naa semeltan es" uma da outa.” Hem entendido, alo se poderia tira dessa simples constatao, toma por si mesa, nenhuma conc ‘slo vilida. E na comparacio desse o18v Gyoiov com 0 aK) _eiprepon, que o precede e o Buxouine sence que baseei 3 mina angumentacio. Tratase de saber se esa diferenga, obser vada logo na primera leita, € bem signficaiva, se 0 ego dltintivo assim notado aparece, quando seo coloca no contex- to de conjunto, como petinente ou nlo pertinent. A questo comport, parece-me, uma fesposta sem equivoco. Equant 3 ‘aca de outo se ope 3 raca de prata como mais Dike a mas “Hibs 2 de bronze aos herbs como mas Psbrisa mais Di, 28 ‘das ras sucessvas de pratae de bronze sto ambasigualmen- te definidas pela sua brs pnw dxdrdeno., para a raga de ta, pues pars a raga de bronze). Como ura raga caract- fizada pela Hybrs pode ser da “em nada semelhante” a uma foura raga também caracterizada pola Hsbri@ Se se tratase de uma diferenga de grau, devera ser bastante considervel para situa as duas gas "em nada semelhantes” nos dois extremos da scala de valores. Hesiodo @ exprimira, como fez nos ‘outros casos, por um comparativo do tipo: em muito inferior Stiite ne ‘0 em muito mais usta. No 56 0 texto nada die de parecido, ‘como 0 quadeo dis loucuras ¢ das impiedades as quate se en twegam os homens da aca de prata nao nos permite supor que Hesiodo pretenda apresentéio, apesar de tudo, como muito ‘menos aprosimados da Phjbris do que os seus socessores. 86 resta usta solucios as duas rags, igalmente votadas 8 br, ‘ho diferentes por essa mesma Hjbrs em outros termes, como 4 primeira ea segunda rags, atereia ea quanta contrpoem Se como Die 2sbris a segunda e a trcera contrast como ‘c. Os herd, até na guerra, reconhecem 0 valor superior da Die. Ors, pata Hesiod, fungio rel eatvidade judicira de uum lado, fune2o guereia e atvidade militar de outro, no festio no mesmo plano. A Fungo goereira deve ser submetida | funcio real 0 guerrero é feta para obedecer a0 se. Bu for mmulava essa inferoridade da sequin maneira: “Eaue a lanca, atibuto militar, eo cero, smbolo eal, hi diferenca do valor & de plano. A langa € normalmente subanssa 20 cero. Quando ‘ssh hcrarqu nto € mais espeitada, a lanca expeime a Hybris como o cet exprime a Dike Para o guerre, a Hons cons teem querer apenas conhecer a anca, em se dedicar a ela imteiramente" Tale procsamente caso dos homens da aga de bronze. Se eles sto, pois, efetivamenteinferiores aos homens da raga de prata, essa inferiridade € de uma natureza diferente Saquela que separa a prata do oura ou 0 bronze dos herds Sc Be st roa inferordade que a sua Hjbrisconfere a uma raga com relagio aquela, mais usta, que Ine €associada na mesma esfera funcional, mas a inferordade na hierarquia das fungoes, das vidades propeas a um par de agas em relacio as do out pat. Exist ai um excesto de sutilers, coma 0 quer J Deas, {que mio parece lis terme compreendido exatament? Todo © problema @ saber se essa sutileza encontnse no texto de Hesiodo. Os historadores das regis ensinaram-nos 4 reco shecer N05 mits, os quai seu proprio axcaismo parecia dest ‘ar a uma simplicidade completamente primitiva, oma rqueza ce uma complexidade de pensumento notves. ‘Devemos abservar em todo caso, que um dos tags que J Defias pode invocarlegtimamente para prov infeioridi de dos homens da raca de byonze em rolaeao aos da raga de rata —aInferioridade do seu status pestumo — vale também para os heros. As agas de our e de pata, uma vez desapare fdas, So objeto de um cult. Aos homens da raga de OU, ‘gue inervém diretamente em sua vis como guardiies © como Aispensidores de riqueza, os mortals concedem uma hoara real, Baciov Yep aos homens da raga de prata, ainda que nferio- res, eles reconhecem também uma tyr" Nada semelhante com relagio aos homens da raga de bronze e nada semelhantetam- them com relacto 205 hers. Os primeios, que perecem 208 combates em que se massacram mutuamente, coahecem Um destino péstumo de uma completa banalidade: partem para o Hades sem deixarerm nome; a mete os agar." Os hers, que perecem igualmente “nas duras guerrs e nas confusdes dalo- rosas* parilham em sua imenst maioria dessa sore comum: morte, nos € dio, envelveu-os" 56 alguns privilegiados dessa raga beneficiam-se de uum destino excepcional: transporta- ‘dos por Zeus 20s confins do mundo, longe dos homens, {8 vp, levam uma exisineia livre de too cuidado” 6 15 wm a 15 lh: wy etn as upg (I. eB apes Bo ct le Ooms 2 Mas, no texto hesiodico, mesmo ess minoria de eleitos, 20 contrinio das duas primeira raas, nao € objeto de nenhuma vveneraga0, de neniim culto por parte dos homens. E. Rohde ‘escreve muito justamente a ese respeito: “Hesiod nada dz de {uma a¢a0 ou de una dnflugacia qualquer que os homens atte Datados (os hers) exercesiam das thas Bem-aventuradas bre o mundo terest, como o fazem os deménios da raga de ‘oro; também mio diz que serlam venerados como os espiitos| Subeerrineos da aga de prata,o que fia supor que dispoem de um cero podet. Toda religlo ene eles © o mundo dos hhomens€ cords: toda a¢30deles sobre © mundo contadiia fda dese feliz iolamenta’ ‘Como explicar exes dados da narativa hess? Deve se reconhecer evidentemente que pelo menos os herGis, que a ‘morte devorou e que nao so arebatados miraculosamente por Zeus paras iha dos Bea-aventurados em, no ales, ui Sas bem inferior ao dos homens da saga de prata honrados, como spits subterfineos, por uma timé.Os heris 20, entretanto, muito mais justo que os homens da aca de pra, voudos 2 tama espantosa Hin E porque a inferiocdade, que tester nha o Seu status péstumo menos elevado, nao esti em nada ligada a'um aumento de Hjbris, « uma maior comupsio. Ea sutleza consist aqui em pretender, a despeito do texto, que no € necessiro distinguir entre dois pos diferentes de infeio- fidade: a que contapoe no quadro de um mesma fang wma raga de Hybrisa uma raga de Dil, a que distin, ot hier {quia das fungces, a menos elevada ea mais la ‘Se se acoiar essa disincio que o testo proprio impoe, a sarrativa toena-se intligivel. Os homens da aa de ouro, estes Regios, encaracio dajustica do Soberano,obtem no além uma hhonea qualiicada de real; os de peata beneficamse de uma hhonea menor, ou mais precsamente de uma honra "segunda fem relagio 2 primeira, 20s quals cles sto inferores pela sua Fibnis, mas € sempre uma hana e que nao pode se jstifiar, fem seu e380, por vitudes © por mértos que nunca possuram, Eta «pcp co :mas somente pelo fato de que se ligam a mesma fung0, a dos Regios, a mais clevad na hierarqui. Ese lago este, fonci- nal entre as das primeias ras, exprime-se na complemen- taridade do seu status postimo: os justos tomam-se deménios {eplctOnios; os outos, 0 njstos, demonios hipoctnos.lnver- ‘Stmente, 0s herds, por mais justos que selam, coahecem ex ‘sua grande maioria 4 mesma sorte postuma que es homens dade do Bronze, destinados como eles 3 fon guerera, st bordinada a fongao de soberana. Enetano, a inferiosidade dos guerteitos ijustos com relagio 20s guemeis justos se traduz igualmente por uma cferenca no além, Todos os ho- mens da aca de bronze pesdemse sem exceto nz mulidao annima dos defuntas esquecidos que forma a popalagao do Hades; 20 consi, alguns dos herdis escapam 20 anoaimato 64x mone; continuam nas has dos Bem-aventurados uma exis- tencia fortunada, eo seu nome, celebrado pelos poets, sobre- vive para sempre na meméria dos homens. Mas nem por iss ‘0 objeto de ums venerieio ou de um culo, reservados 205 ‘que foram Regios darane a vida e que mantém, até no além, ‘uma Familaridade com fungao real da qual conservam o justo Detive-me, voluntariamente, em min resposta segunda objec de J. Defadas, no exame to preciso quanto possivel ‘do quad € das grandes aniculagBes da naraiva. Mas 0 deci famento do mito exige,além disso, uma anise de conto E preciso, em paricub, estabelecero inventirio eo significado dos tacos dstints que Hesiod abu a cada uma das sagas ‘aloe simbolico do metal, genero de vida, atvidades pratcadas| ‘ou ignonadas,trgos psicoldgicos € moras, tpos diversos de Jventude, de maturidade ou de welhice, forma de morte pro= pia 0s individuos de cada raga, destigao ou exing20 dessas propria cas, destino péstumo, Nao basa, entio, considerara ‘arrtva em si mess tomna-se necessiro estabelecer aprox Gh Ai nna pas Ps Reo, Hp GK um sie Stew Se oy rmagoes com outras passagens dos Trabalhase da Teagomia, © mesmo confronar certs imagens miticas de Hesiodo com atos ccaltuais ou tradicbes lendirias bem atestadas. £, em grande pare, a esse ete que hava consagrado meu Exe danalse Siruciurale Nao se ata, bem entendido, de repetir uma argu mentacio jd exposta pormenorizadamente. Eniretanto, uma ‘bservago se impoe. Fntre as conclusoes da andlise Formal, {ais como desenvolvi de novo nas paginas precedentes, © 08| resuliados do estado de contetido,¢ elo é muito estreito para {que se possi rejitar umas sem aruinar outs. Com efeto, 2 verossimilhancs da inerpretacio proposta tira su fore da ‘convergéncia das diss ordens de dados que se cruzam com tla exatdo: ‘A anilise minuciosa do mito, eu podia const tar ao termo da minha pesquisi, em 2ssim confimare fis ‘em todos os aspectos 0 esquema que, desde o inicio, as gran- des aniclagoes do texto pareceram nos impor * Para nos de termos a série das quatro primeras raga, © quadro ressaltado pela anilise formal se completa, no esencial, da seguinte ma reia: os divers tapos que caracteraam as cas de ouro @ de rata mostamaas aisociadas estetamente, 20 mesmo tempo ‘que oposts, coma 6 verso e 0 reverso, 0 postivo eo negatvo; ‘enhuma das duas sacas conhece nem a guerra nem o taba- tho: a Dike de uma, a Hybris da outa concernem exclusiva mente as funcoes de adminisracao da jostca, apasigio dos eis. O par antitético Formado pela raga de ouo © raga de prata fenconta-se no quaklro esbocido por Hesiodo da vida sob 0 reinado do bom re, do rei de justia, e sob o einado do ri de hsb, do ee impo que nao cida da Diode Zeus. Ba mesma ‘oposigio que, na Teegonta, separa Zeus, soberano da ordem, ds seus rvs pela realeza do unverso os Tis, soberanos da ddesordem e da Hin o elo entre a ga de ouro © de pata rmarca-se ainda, n6s 0 dssemos, pela simetia evidente ene 05 ddemdnios epietnios, que gozam de uma honra real, que, em rome de Zeus, velam pela maneira com que os reis dita justia, os dembnios hipoctinios, que possuem também uma 45 time; imo trago enfin: 0 homens da Wade dle Ouro vivem ovens indefinidament, sem conhecerem a velhie,* © homer {da aga de pata vive durante Gem anos como uma ena rane fas saias de sua mie.” Mas, desde que ulrapassou 0 limar da adolescéaca, comete mul loacuras e morte logo. Homens da ‘aca de ouro ¢ homens da raga de prata S20, pois, igualmente Jovens. Mas, para os primeiros,ajuventude significa a auséncia Ge seniidade; para 0s segundos, a auséncia de maturdade, a ‘completa puerlidde Mesina solidaviedade funcional, mesmo contaste também entre os homens da raga de bronze ¢os eri: a imagem mica {do Hom Soberano se projetiva em uma série de planos para se contrapor cada vez a9 Soberano de Hrs (no passado, sob a forma das das ras sucessivas de ouro e de pats; no presen te, sob os tagos do bom rel e do mau rei, ene os grandes ddeuses nas pessoas de Zeus e dos Tis, entre as fore sobre ratunais,cferentes dos tbedt, como deménios epitonios hipoctdnios); asses também a figura do guerrero injustoaps rece em face do gueeeio justo, os Gigante, em lua contra Zeus, contastando com os Cem-bagos, guardies fis de Zeus assegurando aos deuses olimpicas 2 Vibra em seu combate ‘contra os Tits; enfim, es mors andnimos contrapoemse 08 hers goriosos. Se os homens da raga de ouro e de pata ps recem como jovens, os ueretos que 0 os homens de bron 28 eos hersis parecem ignorar ao mesma tempo 0 estado de ‘ais € de géron. De improviso, eles so representados como adultos, homens feos, tendo julrapassado © imiar da ado- lescéncia, este métron bébes, que representava para a raga de pata 0 prprio termo da existncia Pode-s, por certo, ecusar 6 conjunto dessa interpretago. J Defadas acredita que ela sinplifca uma realidade historic ‘muito complexa.Parece que s Ihe reprovata antes a sua bem ‘grande complexidade, uma vez que ela faz intervit, para se ‘Compreender a ordem de sucessio das eagas, 0 mai um TO Prateek Be es ey 4. iene va % simples esquema linea, mas um progress segundo fises ater. radas,implicando de ui lado una associago das ragas em par funcional, e, de outro lado, a presenga em todos os nivels dda narativa do tema dla contraposigao entre a Die ea Hybns ‘Arrefutagto, a fim de arruinar 0 edificio, qualquer que si ddeveriarefert-se ao essencial seria preciso mostrar que, tanto nas seqhéncas formals da arratva quanto no quadro da vida das rags, dasa mone, do seu destino ptm, nem ax cas primeira gas nem as dss seguintes aparecem especialmente Tigadss umis ds ours. F essa demonstrago ue nao me pare ce ter sco ainda Feit, 3. Passemos a terceis objocio. Bu tera, a exemplo de G. Dumézl, descoberto, por necesidade de sims, uma sexta raga que se defronara om a raga de ero na qual vive Hesiod “56 um vo rapido sobre o texto de Hesfxo autoiaria Um al cer, que mo fest a uma Feitura sia." Na verdad, cle na0 resist; resste mesmo to pouco que ninguém seria levado a cometélo e que fol preciso um eipido voo sobre meu texto para que ele me sejtatnbuido, “£4 quinta raga", eu escrev, “que parece eno car problemas: el introduz uma dimensio nova, um terceito plano da reaidade, que, 20 contrino das precedentes, mo se desdobrara em dois aspects antiteicos, mas se apresentaria sob a forma de uma raga tna”? Se eo tivesse descobero uma sexta raga onde Hesiodo excreve, Je ‘manera muito clara, que hi cinco, no teria motivo para colo- ‘ar 0 problema, Nio filo, pois, de ma sexta raga, pretend ‘que, ao contécio das outas, a quit raga no € ta, que elt ‘comporta sucessivamente dois tipos de existéncia humana i fococamente oposta, um das quis se dedicaainda 2 Dawe a ‘utsa 56 conhece 2 Hsbris. por ser dupla, por ter dois aspec- tos, que oepiio daIdade do Ferro pode completar a esrtura de coajunto do mito.” Este segundo aspecto da Idade do Fes0 TE, Dees oe p58. Jeet pt ca ‘ora denomino "velia Kade do Feo" ont “Idade do Ferro em seu declnio"® munca digo sexts rag ‘Mas sso na ¢ 0 essencil. xintem ma verde, no caso da saga de Tero, dis tipos diferentes de existencia humana que Se devem distingu? Notemos, de iniio, ue Hesiodo no fala nao podia falar da raga de feo como das outas. As quat Drimeiras racas pestencem ao passido; eas desapareceram, Hesiodo exprime-se a respelto delas 3 maneia de passado, do "jf acontecido". Ao contrrio, quando se tata da raga de ero, Hesiodo io se volta mas para o passado; exprime-se agora no futuro; diz © que espera doravante a humanidade; abe di- ante de Perse, a quem dirge seu dscurso, um futuro em que "uma parte esti bem proxima e como que “neste momento" — #0 vr, o agora do verso 176—, mas em que outta pate € ‘uma perspectiva ainda longinqua que certamente nem Hes nem Perses conocerio: seri © momento em que Zeus $6 tera de desir por sua vez esa raga, em que os homens nascerio com os cabelos heincos e esse momento, que se dlinela no horizont, toma o aspecto apocalipico deur fim dos tempos NNenhum cut ra fol desea dessa maneira a0 longo de uma duracio suscetivel de modificar as suse primelas conde ‘0es de exsténca,nenfuma fo apresentacla como tend soft Ado qualquer deterioragio, no decorrer do seu tempo.* Cada ‘aga do passado permanece o que ela &, do inicio 20 fim, sem compontar veedadetsaespessura temporil. Ao canto, € ess haes Bape 5.0 nico aso que poder sex ioc 6 dos homens de aa de ‘a og, tase Co que eon congue na enact ox ‘dvs penencentes ys de psi uc no sho wpesrados ene ‘hands fue ans solange de ub ners ew clo, com Feds Renee aan pans moe em a enveheiont pees Nios wus de om sung ar cones vs pope ape ee ‘rata No cs do que psn prgs os bomen ag Sr {Sic de penance fers te usc so a tl jot pos ato ptr se. como 0 far) eau esc ark Brags tammy ge do mens wo as 08 eo tape 8 espessura temporal que caracerza 0 destino da aga de feo, precisumente porque esse destin ainda ao se reaizou, mas ‘esti em vias de se cumprir em tim presente que permancce Continuamente aberto para 0 futuro. & agora, diz Hesiod, 3 raga de ferro, Os homens mo detzardo de ser atoementados Por todos os males que os deuses Ths envio. Hesfodo acres: ‘enta: “Mas, para eles, os bens se misturao ainda aos ma les.” Observasio que nio nos surpreende, uma vez que vid cuja dara experigncia Hesiodo e Perses tm de suport & essa exstncia msturda, conmasada, em que aparece Pandora como simbolo, na nartiva precedente, ‘Asse vv em que os bens vém ainda se misturse aos mi- les, Hesiod opde, do verso 180 40 verso 201, a perspectiva ateradora de um futuro sinisto de uma outta manera, pos ‘ue ser inteiramente entegue 26 forgas noturnas do Mal. A ‘conclusio desse imo paeigraf esti em diapasio de mania bem precisa coma eoncluso da passagem precedente. Ao ver 50-179: ‘para ees (os homens de agora) os bens se misturario ainda aos males", corespondem os versos 200-1 ae morals 56 fiario os tres sofimentes; conta © mal, no have 50" Se exsisse entre status atual eo status futuro apenas esta sincadiferenca: em um caso, mistra dos bens e dos ales, em ‘outro, exclusivamente os males, sso sera sufllente para dis tinguir no seio dessa raga dois pos de exstncia opostos, pois © significado fundamental do mto prende-se precisamente a fesse ponto. Lembremo-nos de que os homens da raga de our encontram-se xox two dive longe de todos os ma les; todas os bens thes pertencem, dada 8 nave roots Ey. ‘Aos homens ca raga de ouro, penhum mal, todos os bens. Acs homens entre os quais vivem Hesiodo e Perses, bens © males ‘Aas homens do futuro, nenhum bem, todos oF sales, ‘Mas esse mio € 0 ico tago que ita a aca de feo (sto 6, vida presente, ta qual se waa de constatar e cujo sentido rofundo se deve revelar a Peres) como que a meio cami Fr bts 9 Ba a en oy rte » centre @ raga de ouro, do inicio do cielo, ¢ a raga de ferro em eu decini, no fim do ciclo. Do mesmo modo que ignoram 0 vag 0g (estes dos ios da Note), os homens da rac de ‘ro m9 conhecem a vehice,yipas. Nascidos joven, perma pecem sempre semelhantes « si mesmos (otod.” Hesiodo ‘ive em um mando em que se nasce over e se moe velho, Jentide mudando-se pouco 2 pouco em velhice, por causa {dos culdados, do labor, das doengas, das mulheres. No fim da Wade do Pero, s6fcart 0 yipas: os homens nascerio velhos, com as émporss embranquecidas.” Se e quiserlembar que ‘ad aga comporta, como ago distintvo, uma maneira de se ‘lentificar com wma das ade da vida humana, compreender- se que 0 mito 56 € inelgivel 4 condicio de dar todo 0 seu ‘aloe 2 oposicio marcada por Hesiodo entre os dois aspectos da raga de fero. ‘Os homens da rac de ouzovivem, em sa justi, emo fheugou.” Pacticos, cles ignoram as ehas guerreirs do campo ‘de batlha. Sem chimes, no conhecem nem disput nem pro- ‘cessos, com 0 seu cortejo de ramentos falios, de propéstos| tenganosos, de palavras toreldas, armas prépriss 9 Fs adic ‘que se manifesta na agora. No fim da Idade do Ferro, nés © inos, a ma Zristerio campo vee. Nem a Die, ner jure ‘mento, nem os deuses sero temidas erespetados. Honrarst- cexcusivamente a 25ns" A ingvagem humana tomar for ‘na da mentra, das palavas totus, do flso furamento "0 chime (Giiog, que tem 0 mesmo coragio que a mi Aris ‘eaxigaprag), reinaré como este exclusivo sobre todos os seres humanos, Este ciime nao éa boa Ans, que torn 0 oli ‘Gomento do oleio, 0 carpinteiro do carpio: ela nao inca 8 fazer melhor que o eval, a wabalhar mais para produzir me- Thor obra; eta procura apropriaese, por meio da faude, das oo nes 198 a ae sn Biblioteca Centr rmentiras, dos alos juramentos, da obra que o rival produc ‘om seu esforgo® (© que acontece, esse espeto anda, no mundo em que vive Hesiodo? Entre 0 staus tual eo status Funuto da raca de {er1o, 0 cote € Go nid como nos dois casos precedente? Ja ‘observamos que o exo do poeta ao seu rma, convidando (oa escolher a boa Byse a renunciar & ma, prova sullcente- ‘mente que ambas esto presenes em sits vidas de campone- ses, Hiimals sinds. Quando 0 cme se apoderar da cago dos homeas, nao haverd mal la indica Hesiodo, part os sentimentos de amizade, de pbila, que normalmente wnem 0 hhospede ao hespede,o amigo a0 amigo, ima 0 lmao, ox filhos aos pais. Eo poeta acrescenta: # népag ep, como era antes" Este “antes” que se rlaciona 3 pila, ao lado da Bis € Drecisamente voy, 0 “agora” da vida presente. No mundo de Hesiodo, hé cenamente gueras, mis dsputas, process f= dulentos como os que Peres tenta susciar contra ee, mas hi também, no seio da familia, entre vizinhos e entre amigos, ‘08 de amizade ede assisténcia O propio Perses passou por cess experiencia: Hesiodo nto poupou 0 seu auxiio a se ie BS. Comprar 195.6 com 2-6 O meng a me os) doen igo cay o ator © vi om ene ea) da a pare de eno, trees 4 waar pra mar sep ee | enh vey (BGO pos bse ambos come se nk TF for compas So malt wn Zr on do aes fmrtepes Teac nd mons nr si Nt pen ma de Fn Ze os hema {Si os ges Sa maw 6 2 sere pea Saore Phar on ose a la tpn ds no ‘om semi, que ncn ogee» monte eto tp Serrano €' vente por tn crc a £ moans owtvo do Zee gusn que sutce na Tegan SOY Zar ceo ‘ite come Arnos Bua eras oon de Zo schina, as cmt ‘Tacs mov moos sus tve tines ect aren fps ‘Em um coma lec que meen ran "oe Plas ots Solas em fb rena Trt 955, o mao que o procurou na necessidade." Ais, se acontece de 05 reis pronunciaem seatencas toreidas, eles Chega também ‘tara justiga coretmente: por todo o pals wéem-se,ent30, os bens prevalecerem sobre os males; n20 hi guerra (eshepos), no hi ome Gig), ato hd desgracas (xp) © povo fest Alegremente os frtos dos campos que tabalharams as mulhe~ res dio aos seus esposos fis “semelhantes aos seus pas ‘enquanto, no fim da Idade do Femo, ize que os thos nao serto mais "semelhantes aos seus pais" A Tetur atenta do texto parece, pois, confmar claramente que a raca de ferro ‘comporta dois aspects, evidadosamente dstitos © mesmo ‘opostos por Hesiod, Arica de feo design, em peel hu fir, vida au, aquela mesma vida que o mito de Pandora também levava em cont, € 2 qual se aplicam os conselhos feligionos, mors, pritico,sgrcolas que Os abulbs es dias fispensam generosamente, Ess Kade do Fert ocupa uma Se tuag2o particular no mito, pois que a narativa € precisamente Sdestinada a prestar contas da sia ater ambi, do seu satus misturado™” e a justice a escolha que Hesiodo reco- ‘mend ao seu inmiio em favor da Dire do trabalho. raga de ferro designa, em Segundo lugae, mio mas ess vida presente tal como o posta a constats, mss vid futur, ta como sua sabedorlainspirada the permite prever Esa precio ater ‘adora de um mundo inteiramenteentregue a His, 30 mes ‘io tempo, uma adverténciasolene a Peres: se ele prprio ¢ os seus semelhantes continuarem a se conduit como ent30, 4 ‘gnorar a Die, a desprezat 0 trabalho, podese estar cento de {que o mundo chegart a essa extrema desgraga, A visto profé- ‘tes da poeta tem, pois, dois signiicados: de um Indo, xa © termo de um cllo das idades que teri seu fim como tev (0 seu comego; ela fecha 0 circu que levou a humanidade da =m 1 ts, pos, plano da imagens mis, preiguago do cae span dhs nents nporameSncn eme Gi. on Bibi Dike Hy, da felicidad a desgrag, da joventude a velhice, ‘da Pia ms Br mas, de out ldo, anga um apelo 2 Pesses aos maus: hi tempo ainda, que aprendam a lglo, que act tem a Dike, que nio deixem crescer a Hibs, eno tlver as fercas maleieas da Noite nto porerto invadir tod a existén- cia; haverd lugar ainda para a felicidad, entre pobre seres hhumanos. 4. As andlises precedents i responderam 3 quarta objes30 formulada por J Delradas, pelo menos no que diz espeto 20 Sseguinte Ponto: a série das ras forma cenamente um ciclo ‘completo de decadéncia que Hesodo concebe como umn too, ‘com 0 seu comego € 0 seu fim, estiamente oposts vm 20 ‘tro. Uma. preciso somente deve ser acrescentada, Os ho- mens da raga de ouro vivem “como deuses” (verso 112), em Jum estado que no esti ands realmente “separado" da beatine dos Imomts e onde se reflte 0 parentesco de origem entre raga diving € rat humana.” Do mesmo modo, na Tenia, contestaco que existe enre os deuses eos homens emt Mecone ‘a para do animal sicrificado — contestacto que Promete, por fraude, val dei em favor dos seres humans — press Pe, se mo uma comunidade completa de existéncia, pelo me- fos uma freqdéneia eum comércio assduos entre promos.” Pelo contisio, © quadro do fim do ciclo das racasoferece 0 aspecto desesperidor de um mundo humano eadalmente cor tado do dos deuses; Audate Nemesis, que ands inspiravam 405 wn RS a pases emcee, como tg B.A “se, p28 3) verso 108 conden por F ton, ede © tele idm a mesa ng Des pepe uma car ee |SE hen das cer 8 homens cote sexe a Meas srs vor 2 gens ig os co emul ssp sc ‘ei ners tape ein ta leo dec St her os sve ins, de que to deve lear co {penpaodssrentiy sexy pecans do ‘ae io em esa ue se heat». 6 ee ‘roma em Seu sero, arc rege ete oe es een a ‘an cena bg ei noel ‘a ¢ regu do anne A mpeno do concen de um sequence Se (ass de ee Oc cares eatsies es in cc cep ‘Scala is Bomar pin 3-5 han and te as mess earn seme que tam ag Horas com era do lo Joo, ley tpeonton oa nel ted pa Tu 36 Be Ramnews te 95 vex por vez, &0 vento que as espatha pelo chio © a Roreta Yerdejante que as faz nascetem, quando chega m primavers assim S20 0$ homens: uma gerag20 nasce no mesmo insane fem que outta desaparece”” ‘Nhipétese de um renowamento do ciclo das idades sugeria pelo verso 175 encont-e reforgads pelo texto do Poliicoem ‘que Plato, evocando, de brincadera, os velhos mios do tex po de outro, expe que as geragdeshummanas se sucedem em clo e que este ciclo, chegando 20 seu fm, recomega mas em Sentida inverso” Or, as ausGes a Hesiodo parecem manies: tas nessa passgem: asim, o estado da humanidade sob o re tno de Crono € desert da seguinte manera “les tinham em bundinei os frutos das arvores e de toda vegetacio generost 08 recolhiam sem culos a terra, que os ferecit por si mesma (abequdens doubiboions ti 1s: cf Trabalbas, 1178, pop ednonten)"” Que acontece, segundo Patio, no fim do ‘clo, no momento em que o universo comega a se mover ent Sentidoinversce “Tudo o que existe de moral deixar de oferecer 4os olios o espeticulo de um envelhecimento gradual, em se [guida pondo-se a progredin, ao avesso, vemos crescer em hRventide e em frescor Ene os velhos, os cabelos se porto a tenegrecer, entre aqueles em quem a barba havia crescido, as faces se tormario limpas, ¢ cada um volta 2 flor da soa prima ver” F dif no ver ao humor platénico que preside nese ‘quadro, a replica 4 deseigao hesi6dica do envelhecimento pro fresivo das agas humans. verdade que no se pose, como o fez P. Mazon, tomar 30 1 da eta 0 verso 175 e reconhecernele “uma formula andlo- fa 2 essas antiteses familares to frequentes entre 0s gregos Dara exprimie a idea de no importa o que nem quer" En {tetanto, ests anteses do passado e do futuro aparecem em Hesiod em um conteto mito preciso para que se possa Sem Waa i We 56. Mago, Pete 266. 101 Pane indo por). Daan, be. p58 ‘ura precausto aproximi-as de expressbesfetas como as que ‘© mencionam em Séfocles, Aniigona, 1108. Ye, 1, dndoves ‘ves of tov ide, ie, servidores, os que aqui esti € 05 {que aqui no est0", ou Hlectra, 305-6, J. Defrada, para provae ‘dbe exinte mesmo uma “cronologi” na sucessio das ras, ‘oeava a presenca no verso 127 de petoms@ev, no verso 174 de nea. Deveria ter observado que, enze 08 sete advésbios de tempo que Niguram na centena de versos do texto!" quato ‘enconta-se precisamente concentrados entre os versos 174 € 176. um primeiro émvea em 174, os dois made e Enea do verso 175, o viv do inicio do verso 176, © texto tem, pols, esse sentido: *Prouvesse aos deuses que no fosse em seutda (sto 6 apis raga dos hersis) que eu proprio tvesse que viver em ‘meio 20s homens da quinta ra, mas que eu tivesse ou morsdo antes ow nascido mais tarde; agora, com efeto, € a raga de ferro". Parece que, se hi uma passagem em que seja preciso dar s indiagdes temporais 0 seu valor deve ser esta ‘Ao fim do seu exame csc, antes de conclu, J. Defiadas, langando um olha sobre as uinas que ele pensa ter acumula- cdo a0 seu redor, sente a tristeza invadilo “E penoso”,escreve fle, “decepcionar aqueles que acreditam encontrar uma expli- ‘eagle coerentee sida, mostando-lhes que ea repoust sobre uma letura superficial dos textos ou sobre ma sistematizagao ‘que fascia a complexidade do real Assim, “para no deixat © Heitor com essa mpressio negativa’ faz pelo, para adoti-lo ‘como concluso, 20 esd de Vietor Goldschan, cia men- ‘ionado, Foi este estado que serviu precisamente como pon- to de parida a minha propea pesquisa; aprovelte de V. Goldschmio principio de expicarto que ele propunha quan- A, insistindo sobre “0 esforgo de sstematizardo que tai 0 texto de Hesiod." via a uma comrespondéncia de duas series oa, Aes es 17, mE no vero 137, 0a dl veo 17, qa aire cr da es plo co. 105} eds a ep. 15. {04% ek aE ps 36a porate € bb 7 diferentes, um mito genético ¢ uma divisio estratunl, finda a hierarquia de ours frcas sobrenaturas diferentes dos hed, isto €, 08 demos, os herdise os moras. V, Goldscmidk m0 foferecia uma anise completa do mito das rac: o objetivo do seu anigo era outro; apenas tratava de Hescdoincdentalmente Eu quis, pois, retomar a pesquisa por si mesma, ma direc in- cada, esforgando-me em encontrar ums resposta fs quests ‘que V_ Goldschmi no havia tratado eas difculdades que © Seu esquema intepretavo deixava ainda subsist, Julgues ter fencontado a solugo, no ao recusar esse esquema, mas le- vando-o mais longe, imtegrando-o em uma interpretaeio 20 mesmo tempo mais larga © mais complexa, suscetvel de ex- plicar cad um dos seus pormenores, sempre respeitindo 0 aspecto sistemitico do mito, justamente ressltado por V. Goldschiat, ‘As difculdades que o texto apresenta quando se vé nele a reunito direa, adapta, sem outro intermediario, de um mito genético, em que os mets tém um valor regularmente decrescente ¢ de ua classifica dos seresdivinos mio esea- param V. Goldschmidt 1. raga dos eros, uja presenca € indispensivel para a cassificagao dos seres divino,falseia arguitetura da narativa; do ponto de vista da seqiéncia das ragas, cla aparece como wma pegs acescentada, nfo inegrada no conjunto. 2. raga de prata suscta problemas em vieios Pontos. Em primero lugar, se Hesiowo utiza uma tdi len- dria que jd apresenava a sequéncia das ragas segundo uma fordem de decadéncia progressiva, por que tira 0 quadro que vimos dos homens da niga de prat? Uma vez que o stu logo apés a aca de our, no alto da escala dos metas, por que os ‘aracteriza negatvamente pela sua “insensita Hsbris” Nada 0 ‘obrigava. Pots, das duas uma: ou ele se conforma com a ad fo ra entio essa propria tradigio que no respetava 0 ‘esquema de um progreso regular na decadéncia ou, come eu ‘oreo pessoalmente, Hesfodo modico a tadichonesse porto ‘ inventou os tragos que definem araca de prataem sua narra tia. Tinka as suas razbes para agi dessa maneira devemos tentar discerns 98 A clificuldade aumenta quando se passa da perspeciva ge- nética perspectva estuuri, Hesiode teria ligado essas das perpecivas, procurande mostae que © status péstumo das dlversas rags, a sua promoco 20 nivel de frgas dina (fora (0s th) so merecidos pela Via terreste que fo # sus. Obs. va V. Goldschmide que “isto no debsa de acarvear cena dil- Culdade para a rca de pra, enterrada por Zeus enfurecido, Pore el se recusava a presar homenagem aos deuses olin pcos; eneanto, mesmo os membros dessa aca impia Sto enerados"2” Assim, Hesfodo tinha duas rxzies, em ver de uma, pare intr a raga de pata com cores Tavordveis; prime’ ro, porque ela segue imediatamente © ouro; em seguida, por ‘que se trata de justifcar 0 culo que The prestam os homens. Deve-se responder claramente i questo: por que ele faz ex lamente 0 snveso? 1 mais grave ainda. A casiicaco dos sees vino, ua ‘etologa a namativa das agas deve forece, compreende, aor 108 thes aos quis no serene o mito, a xt seguite:demo- los, herGis, mores. Pode-se nor, ji que a ordem normal no respeitada e que os moms aparecem, no mito, antes dos hers, o que no acontece em nenhum dos nosso vextes que apresentam essa sérle: os herGis slo por vezes clasificados antes dos deménios, nunca depois dos mots. Masha sobee tudo uma sequéneis de quatro rac para prestar conas de tr ‘categoria de seres sobrenatuais. Os homens da raga de ou, depois da sua morte, tomnam-se Baiuoves qualifcados de ‘yoo; os homens da rca de bronze, denominados voryNe, povoam a morada bolorenta do Hades (mortos comuns) 0 herds permanecem o que slo: hers. Os que se tornam entio ‘os homens da raa de pata qualificados de dope ag 0000 ‘Ou formam uma categoria parte, uma quart especie de sexes dlivinos que mio entrara no quadto da casificacto tradicional ‘eda qual nao se vé em que poderia conssin ou assocam-se 106 tom 3 205 homens da raca de ouro para com ees constitu a catego- fia dos deménios, enguanto hipoctBnios contraparida dos epiciinios. E essa Sclucto que, a exemplo de E. Rohde, Vicor Goldschanict, segudo por J Defra, doa mito justamente Pode-se amit, escreve ele, “que Hesiod desdobrou a classe os dembaios para designar asim a aga de prata uma situa ‘no sistema’ Mas quem nao vé toda a eadea de conseqién las # que leva essa observagio® Pura a coeréncia do sistema Isto é, para que as doas séres, genética e estraual, possam adap uma 2 outra, Hesiodo teve de unie muita estrets- mente as duas primeira ras, coneebé-las sob forma de um pr, € de um par inseparivel, pois que se completam para for mar a categoria Unica dos deménios. Gompreende-se,entl0, ‘que ele teal conferdo aos homens da ag ce pata, ex too © pormenor do quadko que waa da sua Vda, os elementos que ‘0s fzem aparecer como‘ contrapartida dos homens da aga de ‘oo. Temos eno, do mesmo modo, resposta 2 questo que Plinhamos agora ha. pouco: por que os homens da raca de pata, suas logo depois da raga de ouro no alto da escala ‘dos metas, no sto um poucoinferiones aos homens da raga de ‘ouro € muito superiors 4s ras suites? E que, na verde, fs homens da raca de prat constiuem 0 “duplo” da raga de ‘oro; oferccem da vida dessa raga um quad inventido emt que a insensata brs omou o lugar da Die. Esso observagbes aplican-se sas ris seguntes como, as dass prmeiras, peas rizdes que jt expusemos, Se & verdade ‘que cada uma dessa dus racasexplica uma categoria especial das forcas do além, os habitantes do Hades de um lado, 0s hhaitantes das has dos Bem-aventurados de out, tata-e para Hesiodo de dois tipos de defuntos que ito So, nem uns nem ‘utes, objeco de ua inécoma os demnios. Neat em Hesiod, nem em Homero eacontramos atestado um culo dos herGis comparivel a0 que aparece oxganizado no quadra religto 17 Dom 100 ivica® Os herbs sto apenas mortsque, em ver de se reuni {Tullo andnims do Hades, foram tansponades, onge dos homens, pars sas dos Bem-aventurades. Adena, nem to- dos os que forma a raga divina dos herGis vio pars ha dos emaventuridos. Em sua imensa matova,resinem-se os ho- mens dara de bronze, no Hades. Devem-e compart, esse Fespeto, os verss 1545, em que se diz dos homens da raga de bronze Sfscmg eThe ue (negra morte os tomou, 20 verso 16, em que se diz da mora clos heros ois ev, opostos a sig &, do verso 167) Bewaoo thos dugentnuve, a morte que todo acaba envolveu-os ‘se, pois, se aceitar 0 principio de explicacio de Y. Gokdschinidt e se se admit com ele que Hesiodo quis unit, um 708 por io qo so de lsd ca 40 Nein a igo spear cons no cu acon problems de pind por Eee Sic c cm a say eon ‘Goce ie ads wns de wn cuko, ou peo meron eum co {Bap no nn Fru ee ‘lin ds ide 0 cult pion den Io tom una sagao eu {Eman cn Com uti i ot om [HSE apse cats do Bel ne clones ons tino chp secession align cae hee ‘alo fincrao, nem gue no apes eri das aos rn de {Sat des bee qu So manceamente ais din tos ia eto ign» rl, rn, a {iStodon on ios emae 9 senmento de que a unease mer ‘oe dca eur cepa amin © om di end © oe ‘Mbrixs no cons het do sos dn deve te caso 1S nce soci tmresgao com tad 0 ade A, ‘ind esd eta cre mma 0 mundo al Wo ‘ne tp, pel us some wre dno: ms lseaglo neocon mob igi cena co pes ‘Sr Bsc, prec, ue ia ePauro o compeen (i 97 ‘Tins ome n5 bs Poa. mo semen Hemor oh cs here oma ‘pte, cn on tg xs de ode seb psi Pi to psa a9 creer que Hebd fo evo 8 far cas incre erp 0 pane a1 20 outro, um mito genético € uma divsio estuturl, & preciso ‘completara sua andlise observando que, para estabelecer ums ‘orresponcdéncia entre uma sie com quatro termos (as quatro racas)e uma série com ts termos (as tres categoria de forcas ‘obrenaturas diferentes dos shed), a adaptagao supunha wna ‘forma do mito, a elaboracao de um sistema novo. Se se leva ‘em em conta todos os pormenores da narratva, se se stare acca vez esses pormenores no eontexto de conjnto do mito, S€.0 proprio mito ¢ recolocado ma obra hesidica, podem sallenur 0s principios dessa reorganizagio.Prmeirnente, as as foram reagrupadas duas a duas e cada par tem um sign Ficado funcional preciso. Em segundo hogar, cada fungi assim desdobrada em dois aspectosantkéticostraduz, ao nivel ue Ihe € proprio, a oposigto da Dike e da Hybri tema cental © listo do mio." ‘Minha interpretae2o prolonga, pos, a de V. Goldschmic, sem contradizéa. Hla nao € mais simple; ela a complica para Jevar em conta tdi uma série de elementos que V. Goldschmidt Imavia dead fora da sua investigacto. Para opor 8s exe & minha, € preciso nos tr ldo, tanto um como o outro, im Pot co apressadamente , finalmente, € bem certo que um problema de eitura suscitou essa discuss bastante longa. Como ler Hes? Como © fitz V, Goldschmi, “conduzide pelo esforga de sistomatiza- {0" do texto hesiédico? Ou como J. Defadas, pars quetm, 20 Conti, Hesiodo "no tem sistema determinado’, no hesitou, para clisifiear os seus herbs, em interomper © processo de decadéncia, e encar, também em seu “empirima”, um futuro menos sombro do que foo passa?” No primi caso, tm seo texto, se se pote dizer, do ako. Admite-se que a trea do lntésprete & de erguerse ao nivel de uma obra ao mesmo tem porica, complex, sstemitica, possuinda 0 seu proprio tipo de ‘pp. 424, onde esses as prtcpie de expkago ea desea OTTO Dela e185, 02 cocréncia que ¢ precio tentardescobrr Nd se ace nekuuma fhendae. Exo, com uma ler pace, reomada a 1am comic dos on pores so em ep eto ges ao conjnt Se ua dca sate no Ecamente do tas, deveve ptt a8 sa del tfc do llr do ques conadigies on i neghncas do ade To segundo cso, inerpetse Heiodo de bao. 103 Método estrutural e mito das ragas*! [Nas Questions platoniiennes, Victor Gokdschmidt repro uz esudo que ele haviapublicado vinte anos antes na Rerie des Etudes Grecques, sob 0 tala "Theologia”. Acrescentonhe lum addendum no qual, dscuindo a letura que, segundo ele, ‘hava proposto do mito hesiédico das ragas humanas, pro- ‘ura estender sua teflexa0 -a0 pormenore também 20 conjunto dd interpretagio do mito”. Essa colocaeao comporta dois as- pectos: primero, além de constatardivergéncias e, as vezes, ‘om "completo consenso” ene nds, Goldschimide enumera a ‘objesdes, ot, como ele o formal, as questoes que, a seu vera ‘minha teselevanta, em seuil,referente & sua, apeesenta 5 larecimentos sobre os pontos que me pareeiam problemi cos, © amplia sus analise,nela integrand elementos novos {que na linha de um estdo de P. Walcot publcado entementes, onfiemam o Seu ponto de visa 20 mesmo tempo que © fund ‘mentam com mals igor. A questao realmente 0 imeressva Goldschmidt setoma a ela no kim atiga que public: evo czndo 4 nossa “amigivel contovérsia" © "até certo ponto, © SSaE eager eigetm, weigh aes eae eee hg eerie niche Sic aneurin wr 105 ‘nosso consenso de principio", ele se refere as nossts “cuts tenvas de solucao” para defini as condigoes de um empre- 0 legtimo do métode estratural a letra das textos teres 1 flsatics.* ara honrar a sua memria como aeredito que ele o dese Faria ov sejs, continuando o meu didlogo com ele —, gostaia {e tentarde meu lado uma colocaeio e, retomando o problema fem sea conjunto, sublinhar a vida que tenho para com 0 migo, indice a sua contabuigao para compreensio do mt © precisar a minha posigio num debate que, muito além de osss pessoas, envolve uma questio que pars cle era essen- tial: de que procedimentos de decodiicagdo 0 interprete mo- demo, se ele histriador da filosofia ou da religito, tem 0 digeto de utlizarse a fim de resiue verdadeiro sentido # um texte? No caso do mito das raga, tatava-se de procura a chave, para tomar inteligvel um felato em que as sequencsisnareati- ‘vas, mal aniculadas, no pesmitem apreender o ordenamento © ‘significado globais, nama estutuet que m0 level de ime dato mas que, bem atesada em ouros documentos, confere a0 conjunto do testo uma pereita Coerénca, alm de explica ‘suas aparentes ditorgdes. Em termos amples, ess2 esuumur, para Victor Goldschmidt, éa da teologia grega tradicional que Alstingue, na hierarqua das forcas sobrenatuais, 2 lado dos uses propriamente dios, os tev tr categorie de sexes 205 qualsos homens prestam alto: os deminion, os hers, o=| ‘monos (as quatio pameiras ragas, depois de seu desaparce ‘mento, tém acesso 20 nivel dessas ues entidades rehigiosss), ara mim, essa estrutura ea a do sistema de tparticao Fanci ral —soberania, gue, fecundidade — que Georges Duma ‘mostra dominte'© pensimento rligiso dos indo-europes ‘A meu ver, as das solugdes no sho contraditrias; a estaura tefuncional, al como eu a concebia, parecia-me suscetivel de "EN Goldie in Quai pltonicinne Ps, 17, ap. pps coe aon pp 9.72, hemargoor rl ma Stricture en howe deb plnopic, m apni store de ke hare Riu tert om rn ae 106 ‘englobara estraturateligica. Tanto € que escrevi: ‘Se aceita mos, portato, o principio de expicao de Vitor Goldschmick ‘Cse admitimos com ele que Hesiodo quis unir entre st um mito genético e uma dvisto esta, serd necessrio comple {ur sus andlise observando que, para estabelecer uma corres- pPondéncis entre uma série de quatro terms (as quatro rags) © tases de ws terms (as ués categoria de frgis sobre tuais que mio os the), 2 adaptacao pressupde uma refuncicio do milo, a elaboragto cle wm nove site. Se consideramos todos os detalhes da narratva, se situarmos a cada passo esses Pormenores no contexto lo conjunto do mito, so proprio Imo € recolocado na obra hesica, poder se-20 isola os prin Ciplos dessa reorganieagio, Primelramente, as eacas foram, reagropadas dasa dus e cada par possut um significado fun- Comal preciso. Em segundo lugar, cada fancio assim desdo- brad em dois aspects antiéicos waduz, ao nivel que Ihe & ‘proprio, a oposcao ene Dibee Hybns, ema central isi do Mito"? ‘© que entio consti, aos olhos de Goldschmidt, nto ‘uma incompaubildade entre as nosss duas leituras, pelo me fos uma divergéacia de orientaio sufcientemente grave para or em dvida, desde © comego, os prinipios metcologicos| fos qual estava vinclade? AS cricas 20 pormenoe que ele Inia formlado contra a minka tee, aquelas que eu havia| ‘posto & deles no consiusim o essencial a esse respeito. NO lamago do debate havia wma delimiagio que Goldschmidt, eum trccho de “Remarques sur la methode stcurile en histoire de Js philosophic", poe as claas, explictandorthe as regras: °A. ‘sipanigto funcional, caso passa ser objtvamente justaposta a0 texto (consituindo assim uma contibuicio & sociologia da religto), no esclarece o propdstointemo; enquanto a teolo- fia tpartida permite recuperar o sentido, © 0 sentido intra ‘mente novo, que o poeta confere antiga raratva das ads ddo mundo de que faz 0 mito etoldgice dessa hierrquia, la re Nolo des ces Sar un cual demise au poi’ pa 107 permite, em outras palaras, reencontar a inteaco do autor ‘Ora, €: intencao de autor que, em dtima anise, devers leg timar os confrontos,e € a parr dat que se pode colocat de mancizr mais precio problema do método das esttiras aplicadas aos textos flosSficos™" Eases obscrvagies levantat dduas ordens de questoes. A primeira diz respeto & trpaicio| funcional. Sera exato dizer que essa estutura pode scr objet ‘vamentejustaposts ao texto, em caso afimativo, qual & mat reza dessa justaposicio? No que ela poder set legtima no plano da Sociologia da religizo sem ao mesmo tempo esclare- er 0 propésito interno do texto a0 qual se aplica? A segund concemne "2 intencio do autor”.O que se deve entender exit ‘mente por ess expresso, e poderd a intencio de autor de um texto flosfico ser inteiramenteassinilvel de um poeta que vutliza a matéria de um mito muito antigo para The confere um novo sentido? ‘De inicio abordaremos a tripaticto funcional. Sabemos que ‘ese modelo, embora nao tendo na Grécia a mesma penetra ‘que na nia ou em Roma, onde ele constiul a chave da abba 4a do sistema religioso,sobrevive entetanto em ceras pares da lends, no agrapamento de algumas figuras divinas © até 0 ppensimento filosfico de um Pltio, com a teoria das ues elas Ses socials da epiica historicamente possivel, portant, do ponto de visa da socologia da relgio, que Hesiodo tena utllzado esse esquenma dassificatGro.F claro que essa posi lidade nada signficara se essa estruuratifuncional nao es vesse “dentro do texto", explictamenteimposia pel propria frdem da narativa, Ora, no que conceme as quatro primelnas ras, su sucessio apenas parece itligvel sob das cond (es sendo reagrupadas em pares — oro e prata, bronze heroi —, as das agus associndas apresentando wm conjunto Sistematico de tag comuns que 3s oponha sem ambighidade 3s duas outras;e, em sequida, que no inlerior de cada par as dua gas apeosimadascontratem entre sicomo Dikee Hons, “Femara tide acu’ of, pp. 2120; etm em pp 2 - 108, justga © desmedida, manifestando-se no dominio que € pri po a essas dus rigs e dstinguindo-s de modo preciso do par seguinte. No quadro de uma seqiéneia de magas que se Sucedem 20 smo Dibe-Hybns e depois Hyns-Dike, Hesiod ‘ublinhou com tna clarezae precisto essa relagdes de opost ‘lo complementar em cada pare a diferengasFunciomas eatre 's dole pares que nfo se pode supor que mio tivesse plena ‘onscgncia do que faza. Qualquer que tena sido o propésito ‘ta intengio do poeta ele se utzon de dois pos de estat fas para eansmitir sus mensagem a um pablico a0 qual elas ‘eviam ser famlinres: a oposigto Die Hrs que se evidencia 0 longo de todo otexto es opesiio soberaniaatvidade suet tera que sts o par ds das primelras acas uma em rlacio a ‘utr, em como. das duas seguites. © ouro ea peat igam-se 2 fungio de soberania que assegura o bom exercilo da justica centre os homens eo respeito da piedade com relagio aos dev ‘ses, bronze e her6lsiuam-se ineiramente no campo da tiv dade militar, votad a guerra e aos combates, niretanto, se figura do Rel que ora respeita, oa ignora asobrigagdes que the cabem, o texto opde nitidamente aquelas lo Guereio que ora exerce apenas a violencia brutal propria ‘de sua naturease ors concede tum har aos valores de putin ® pledade que a transcend, reconhego hoje que stercera fan (2b, a da fecundidade, era um problema. "Nao hi civda ce que arcade Feo, a quina, a de Hesodo, ext destinada ao trabalho doo, 2 auvidade agacola. Ela forma, fntes de tudo wm mundo de camponeses. Mas af também os feis esto presents, a uerts, 3s Vezes, pode af causr sevicas FE, sobretudo, 0 quadro dessa raga em declinio, quando nad seri como antes porque Hybris ineadiu todo campo da exis ‘éncia humana e que, por fala de jusica, mio haveri mais, dlaqui por diane, qualquer reméchio contra 6 mal —estequadro fexavasa de modo amplo o quadko da terceia fungi0; 0 ho- ‘mens que ele desereve nao S10 mais apenas produtores; Ses 5 Gh ace wep w cere de PP, Léa ade dale ebat p 1 109