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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA NOTAS DE AULA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

FEDERAL DE SANTA MARIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA NOTAS DE AULA DA DISCIPLINA DEM1055 – ANÁLISE

NOTAS DE AULA DA DISCIPLINA DEM1055 ANÁLISE DE EXERGIA DE SISTEMAS TÉRMICOS

Prof. Eduardo Xavier Barreto

Santa Maria, Março de 2017.

PREFÁCIO

A elaboração deste material visa ajudar o estudante na prática de problemas térmicos onde a análise exergética se faz presente. Este material didático baseia-se essencialmente no livro Fundamentals of Engineering Thermodynamics de Michael J. Moran e Howard N. Shapiro.

ÍNDICE

1 Introduzindo Exergia

 

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. 1

2 Definindo Exergia

 

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. 1

3 Balanço de Exergia para Sistema

 

6

4 Exergia de

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7

5 Balanço de Exergia para Volumes de Controle

 

8

6 Eficiência Exergética (ou de Segunda Lei)

 

10

7 Termoeconomia

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.14

8 Balancete de Exergia de uma Instalação de Potência a Vapor

 

.18

9 Introduzindo a Exergia Química

 

.22

10 Exergia Química

Padrão.

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Notas de Aula da Disciplina DEM1055 Análise de Exergia de Sistemas Térmicos Prof. Eduardo Barreto

1 Introduzindo Exergia

O termo exergia está associado à parcela de energia de um sistema capaz de realizar

trabalho. Assim, a exergia é frequentemente mencionada na análise de performance de

sistemas térmicos e pode ser definida como um potencial de uso. Contrário ao conceito de energia, verifica-se que a exergia não se conserva. O conceito de exergia pode ser compreendido como o maior trabalho teórico que pode ser obtido entre dois sistemas com estados termodinâmicos diferentes que são colocados em contato.

A definição de exergia só estará completa quando forem determinados o ambiente de

referência (de exergia) e o estado termodinâmico do sistema de interesse.

2

Definindo Exergia

2.1

Ambiente de Referência para Exergia

Qualquer sistema termodinâmico (uma usina termoelétrica, por exemplo) opera no interior de uma vizinhança. Considerando o conceito de exergia é importante considerar as vizinhanças imediatas onde as propriedades intensivas podem variar com as interações com o sistema e uma parte maior da vizinhanças onde as propriedades intensivas não são afetadas pelos processos envolvendo o sistema ou suas vizinhanças imediatas. - Modelagem do ambiente: quando nos referimos à ambiente comumente realizamos algumas simplificações. O ambiente é, portanto, um sistema simples, compressível, grande em extensão e cujas propriedades T 0 e p 0 são uniformes. Normalmente os valores de T 0 e p 0 são adotados como sendo do mundo real, ou seja, p 0 = 1 atm e T 0 = 25 °C, da mesma forma as propriedades intensivas do ambiente são dadas como uniformes. Por outro lado, o ambiente pode apresentar variações com relação às suas propriedades extensivas:

U

amb

T S

0

amb

p V

0

amb

(2.1)

Nesse caso, consideramos as energias cinética e potencial como em repouso em relação às outras.

2.2 Estado Morto

Conforme visto, uma oportunidade se apresenta para o desenvolvimento de trabalho se o estado de uma quantidade fixa de matéria, um sistema fechado, se desvia daquele do ambiente. No entanto, conforme o estado de um sistema evolui na direção daquele do ambiente, essa oportunidade decresce e cessa de existir quando os dois estão em equilíbrio

entre si. Esse estado do sistema é chamado de estado morto, ou seja, um estado em que o sistema fechado e o ambiente estão em equilíbrio termodinâmico à temperatura T 0 e pressão

p 0 .

Notas de Aula da Disciplina DEM1055 Análise de Exergia de Sistemas Térmicos Prof. Eduardo Barreto

Apesar do sistema e do ambiente possuirem energia no estado morto, sua exergia vale zero, pois espontaneamente, não há uma possibilidade de variação no interior dos mesmos.

2.3 Avaliando a Exergia

A exergia de um sistema, E, em um certo estado, é formada pela expressão abaixo

E  E U ( )  p ( V V ) T S 
E  E U
(
)
 p
(
V V
)
T S  S
(
)
0
0
0
0
0

(2.2)

e S denotam a energia, o volume e a entropia do sistema,

e S 0 são os valores das mesmas propriedades se o sistema

estivesse no estado morto. A Fig. (1.1) abaixo é um esquema representando a exergia disponível entre um sistema combinado sistema fechado e o ambiente.

onde E (= U + EC + EP), V respectivamente, enquanto U 0 ,

V

0

Figura 1.1 Sistema combinado composto pelo sistema fechado e o ambiente.

combinado composto pelo sistema fechado e o ambiente. - Balanço de Energia: abaixo segue a variação

- Balanço de Energia: abaixo segue a variação de energia no sistema combinado,

E Q W

c

c

c

(2.3)

porém a transferência de calor entre as fronteiras do sistema é nula, Q c = 0. A variação de energia do sistema combinado é expressa por

E (U E) U

c

0

amb

Notas de Aula da Disciplina DEM1055 Análise de Exergia de Sistemas Térmicos Prof. Eduardo Barreto

E  U  E  ( ( ) T S  p V )
E  U  E  (
(
)
T S
 p V
)
c
0
0
amb
0
amb

(2.4)

Substituindo o lado direito da Eq. (2.4) no lado esquerdo da Eq. (2.3) tem-se

W  E U  T S ( ) (  p V ) c
W
 E U  T S
(
)
(
 p V
)
c
0
0
amb
0
amb

(2.5)

(não há transferência de entropia, pois não há

transferência de calor). c leva em conta a produção de entropia devido às irreversibilidades à medida que o sistema fechado entra em equilíbrio com o ambiente, este termo também é chamado de entropia de geração.

- Balanço de Entropia:

S

c

c

S

c corresponde à variação de entropia do sistema combinado e é igual à soma das

variações de entropia para o sistema fechado e para o ambiente,

S (S S) S

c

0

amb

onde S e S 0 designam a entropia do sistema fechado no estado considerado e no estado morto.

(S

0 S) S

amb

c

W  ( E  U 0 )  p 0 ( V  V
W
(
E
U
0 )
p
0 (
V 
V 0
)
T
(
S
S
)
T 
c

0
0
0
c
Termo estadomorto estados. denotadopelo (independentedoprocessoqueuneesses valordoestadoconsiderado e o
irreversibilidades Termo referente às
doprocesso
 0.

(2.6)

(2.7)

Quando o termo referente às irreversibilidades se aproxima de zero (situação ideal) tem-se o valor teórico máximo do trabalho do sistema combinado o que corresponde à propriedade extensiva exergia, E, conforme a Eq. (2.2).

2.4 Aspectos da Exergia

A exergia é uma medida do estado de um sistema quando comparado ao do meio ambiente. Entretanto esta só é considerada uma propriedade do sistema ao ser especificado o estado termodinâmico de referência (ou do ambiente).

O valor da exergia não pode ser negativo. Caso o sistema encontre-se em qualquer estado diferente do estado morto o mesmo irá modificar sua condição espontaneamente na direção do estado morto.

A exergia não é conservada, mas pode ser destruída pelas irreversibilidades.

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Alternativamente, a exergia pode ser vislumbrada como trabalho teórico mínimo de fornecimento de trabalho necessário para levar o sistema do estado morto para um determinado estado.

Apesar de se tratar de uma propriedade extensiva, é algumas vezes conveniente trabalhar em termos de unidade de massa ou em base molar.

 

e

(

e u

0

)

p

0

(

v v

0

)

T

0

(

s s

0

)

 

V

2

e

(

u

2

gz

u

0

)

p

0

( v

v

0

)

T

0

(

s

s

0

)

e

(

u u

0

)

p

0

(

v v

0

)

T

0

(

s s

0

)

V

2

2

gz

Podemos determinar a exergia entre dois estados de um sistema fechado como

E  E  ( E 2  E 1 )  p ( V
E
 E
( E
2  E
1 )
 p
(
V
V
)
T S  S
(
)
2
1
0
2
1
0
2
1

(2.8)

(2.9)

(2.10)

em que p 0 e T 0 são determinados pelo estado do ambiente.

Exemplo 2.1: (EXERGIA DE GÁS DE EXAUSTÃO) Um cilindro de um motor de combustão interna contém 2450 cm 3 de produtos gasosos de combustão a uma pressão de 7 bar e a uma temperatura de 867 °C, imediatamente antes da abertura da válvula de descarga. Determine a exergia específica do gás em kJ/kg. Despreze os efeitos de movimento e gravidade e modele os produtos de combustão como ar na situação de gás ideal. Admita que T 0 = 27 °C e p 0 = 1,013 bar.

ideal. Admita que T 0 = 27 °C e p 0 = 1,013 bar. Exemplo 2.2:

Exemplo 2.2: (COMPARANDO EXERGIA E ENERGIA) Um reservatório rígido e isolado contém Refrigerante 134a inicialmente com vapor saturado a -28 °C. O

reservatório está equipado com um impelidor conectado a uma polia, na qual uma massa está suspensa. Conforme a massa desce uma certa distância, o refrigerante é agitado até que chegue a um estado em que a pressão é 1,4 bar. As únicas mudanças de estado relevantes são aquelas da massa suspensa e do refrigerante. A massa do refrigerante é 1,11 kg. Determine:

a) As exergias inicial e final e a variação de exergia do refrigerante, todas em kJ.

e a variação de exergia do refrigerante, todas em kJ. b) A variação de exergia da

b) A variação de exergia da massa suspensa, em kJ.

c) A variação de exergia do sistema isolado composto pelo conjunto reservatório e polia-massa, em kJ.

Discuta os resultados obtidos. Admita T 0 = 293 K (20 °C) e p 0 = 1 bar.

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Exemplo 2.3: Determine a exergia, em kJ, para 0,7 bar, 90°C para 1 kg das seguintes substâncias: (a) água, (b) refrigerante 134a, (c) ar como gás ideal e c p constante. Em cada caso a massa encontra-se em repouso e a uma altura zero, relativa ao ambiente de referência para exergia, para o qual T 0 = 20°C, p 0 = 1 bar.

Exemplo 2.4: Determine a exergia, em MJ, do conteúdo de um tanque de armazenamento de 30 m 3 , caso a substância no tanque seja:

a) Ar na situação de gás ideal a 500°C e 3 bar.

b) Vapor d’água a 500°C e 3 bar.

Exemplo 2.5: Um reservatório rígido é preenchido com vapor de amônia inicialmente a 1 bar e 20°C. O vapor é resfriado até que a temperatura atinja -40°C. Não existe trabalho durante o processo. Determine a transferência de calor por unidade de massa e a variação de exergia específica para a amônia, ambas em kJ/kg. Comente esses resultados. Considere T 0 = 20°C, p 0 = 0,1 Mpa.

Exemplo 2.6: Conforme mostrado na figura abaixo, dois quilos de água sofrem um processo a partir de um estado inicial em que a água se encontra como vapor saturado a 120°C, velocidade de 30 m/s e a uma altura de 6 m até um estado final de líquido saturado a 10°C, velocidade de 25 m/s e altura igual a 3 m. Determine, em kJ, as grandezas que se seguem:

(a) a exergia do estado inicial, (b) a exergia no estado final e (c) a variação de exergia. Tome T 0 = 25°C, p 0 = 1 atm e g = 9,8 m/s 2 .

T 0 = 25°C, p 0 = 1 atm e g = 9,8 m/s 2 .

Exemplo 2.7: Um tanque rígido contém 5 kg de ar inicialmente a 900 K e 3 bar. O ar é resfriado para 600 K e 2 bar. Considerando o ar como gás ideal,

a) Indique o estado inicial, o estado final e o estado morto em um diagrama T-v.

b) Determine a transferência de calor, em kJ.

c) Determine a variação de exergia, em kJ, e interprete o sinal utilizando o diagrama T-v do item (a).

Considere T 0 = 300 K, p 0 = 1 bar e ignore os efeitos de movimento e gravidade.

Exemplo 2.8: Considere 1 kg de vapor inicialmente a 20 bar e 240°C como um sistema. Determine a variação de exergia, em kJ, para cada um dos seguintes processos:

a) O sistema é aquecido a uma pressão constante até que seu volume aumente em 50%

b) O sistema se expande isotermicamente até que seu volume aumente em 50%.

Considere T 0 = 20°C, p 0 = 1 bar.

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3 Balanço de Exergia para Sistema Fechado

A transferência de exergia ao longo das fronteiras de um sistema acompanham as interações térmicas e de trabalho. A variação da exergia de um sistema durante um processo não é necessariamente igual à transferência líquida de exergia, já que a exergia pode ser destruída se irreversibilidades estiverem presentes no sistema durante o processo.

3.1 Desenvolvendo o Balanço de Exergia

Combinando os balanços de energia e entropia para um sistema fechado, tem-se

E

2

E

1

S

2

S

1

2

1

Q W

2

1

Q

T  

f

Multiplicando o balanço de entropia por T 0 e subtraindo do balanço de energia gera:

(

E

2

E

1

)

T

0

(

S

2

S

)

1

2

1

Q

W

T

0

2

1

Q

T

f

T

0

(

E

2

E

1

)

p

0

(

V

2

V

1

)

2

1

1

T

0

T

f

 

Q

W

T

0

deexergia.

 

p 

Transferência deexergia.

(

 E E )

1

2

Variação

(  E  E ) 1 2 Variação  2  1   1
(  E  E ) 1 2 Variação  2  1   1

2

1

 

1

T

0

T

f

  

Q

W

0

(V

2

V )

1

T

0

Destruiçãodeexergia.

(3.1)

Exemplo 3.1: (EXPLORANDO VARIAÇÃO, TRANSFERÊNCIA E DESTRUIÇÃO DE EXERGIA) Um conjunto cilindro-pistão contém água inicialmente como líquido saturado a 100 °C. A água sofre um processo até o estado de vapor saturado correspondente, durante o qual o pistão se move livremente no cilindro. Para cada um dos dois processos descritos a seguir, determine, em uma base de massa unitária, a variação de exergia, a transferência de exergia associada ao trabalho, a transferência de exergia associada ao calor e a destruição de exergia, cada uma em kJ/kg. Considere T 0 = 20 °C, p 0 = 1,014 bar.

a) A variação do estado é conseguida aquecendo-se a água à medida que ela sofre um processo internamente reversível a temperatura e pressão constantes.

b) A variação do estado é conseguida de uma forma adiabática através da agitação causada por um impelidor.

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Exemplo 3.2: Dois quilogramas de uma mistura bifásica líquido-vapor de água, inicialmente a 300 °C e x 1 = 0,5, sofrem dois processos distintos a seguir descritos. Para cada caso, a mistura é levada do estado inicial para um estado de vapor saturado, enquanto o volume permanece constante. Para cada processo, determine a variação de exergia da água, as transferências líquidas de exergia por trabalho e calor e a quantidade de exergia destruída, todas em kJ. Considere T 0 = 300 K, p 0 = 1 bar e ignore os efeitos de movimento e gravidade. Comente a diferença entre os valores de destruição de exergia.

a) O processo acontece adiabaticamente através de uma mistura por um impelidor.

b) O processo acontece por transferência de calor de um reservatório térmico a 900 K. A temperatura da água na região onde a transferência de calor ocorre é 900 K.

4 Exergia de Fluxo

Quando a massa escoa ao longo das fronteiras de um volume de controle existe uma transferência de exergia que acompanha o fluxo de massa. Além disso, existe uma transferência de exergia que acompanha o trabalho de fluxo. A exergia específica de fluxo leva em conta essas duas transferências.

V

2

2

e

f

h h ) T ( s s

(

0

0

0

)

e f  h  h )  T ( s  s  ( 0
e f  h  h )  T ( s  s  ( 0
e f  h  h )  T ( s  s  ( 0
e f  h  h )  T ( s  s  ( 0
e f  h  h )  T ( s  s  ( 0

gz

(4.1)

- Transferência de exergia associada ao trabalho de fluxo: quando se admite

escoamento unidimensional, o trabalho de fluxo é dado sob a forma de taxa temporal,

Taxa temporalde transferência de exergia

associada ao trabalho de fluxo

(

m

pv p v

0

)

m(pv)

,

A análise da equação acima é elaborada em cima do sistema fechado da Fig. (2.1) abaixo considerando um sistema fechado que ocupa diferentes regiões no instante de tempo t e em um instante posterior t + t. Durante o intervalo de tempo t, parte da massa que inicialmente estava no interior da região determinada volume de controle escoa para preencher a pequena região s adjacente ao volume de controle. Admitindo que o aumento de volume da região s e que o único trabalho está associado a esta variação de volume é

Transferência de exergia

associada ao trabalho

W p V W m p v

0

s

(

0

s

)

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onde V é a variação de volume do sistema. A variação de volume do sistema é igual ao volume da região s. Assim, pode-se escrever V = m s v s , onde ms é a massa no interior da região s e v s é o volume específico considerado como uniforme ao longo da região s. Com essa expressão para V a equação acima fica

Taxa temporalde transferência de exergia

 

 

associada ao trabalho de fluxo

m

s

(

p v

s

s

p

0

v

s

)

Figura 2.1 Esquema utilizado para apresentar o conceito de exergia de fluxo. (a) Instante t. (b) Instante t + t.

de fluxo. (a) Instante t . (b) Instante t +  t . - Conceito de

- Conceito de exergia de fluxo: quando a massa escoa ao longo das fronteiras de um volume de controle, existe uma transferência de energia associada que é dada por

Taxa temporalde transferência de energia

associada ao escoamento de massa

me

m u

V

2

2

gz

da mesma forma existe um fluxo de exergia associado

Taxa temporalde transferência de exergia

associada ao fluxo de massa

m

e

f

[(

m

e u

0

)

p

0

(

v v

0

)

T s s

(

0

0

)]

A transferência de exergia considerando o escoamento de massa e o trabalho de fluxo é dada por:

Taxa temporalde transferência de exergia

ao fluxo de massa e ao tabalho de fluxo

[(

m

e

u

0

)

p

0

(

v

v

0

)

T

0

(

s

s

0

)

(

pv

associada

p v

0

)]

[

m

e

f

(

pv

p v

0

)]

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A exergia de fluxo específica pode ser expressa por

e

f

(

e u

0

)

p

0

(

v v

0

)

T s s pv p v

0

0

0

(

)

(

)

e

f

(

u pv

)

(

u

0

p v

0

0

)

T (

0

)

s s

0

V

2

2

gz

(4.2)

Exemplo 4.1: Vapor d’água a 4,0 MPa e 400 °C entra em uma turbina isolada operando em regime permanente e expande-se a vapor saturado a 0,1 MPa. Os efeitos de energia cinética e potencial podem ser desprezados.

a) Determine o trabalho desenvolvido e a destruição de exergia, ambos em kJ por kg de vapor d’água que escoa pela turbina.

b) Determine o trabalho máximo teórico por unidade de massa, em kJ/kg, que pode ser desenvolvido por um volume de controle de uma entrada e uma saída em regime permanente que possua vapor d’água entrando e saindo nos valores aqui especificados e que permita uma transferência de calor apenas a temperatura T 0 .

5 Balanço de Exergia para Volumes de Controle

O balanço de exergia sob a forma de taxa para um volume de controle fica:

d E

  

T 0

T j

  

dV V C

 

dt

dt

 

 

Q

j  

 

 

.

V C

.

1

W

.

V C

 

.

.

e

 

m e

s

 

E

 

 

p

   

 

 

.

0

fe

fs

d

onde

d E

V C

.

.

dt

Taxa temporalde transferência de exergia no volume de controle.

Taxa temporalde transferência de calor na região do

Q

j

contornoonde T

T .

j

Taxa temporalde transferência de trabalho excluindo -se

W

V .C.

o trabalho de fluxo.

me

e

e

Taxa temporalde transferência de exergia associada ao

escoamento de massa e ao trabalho de fluxo na entrada.

(5.1)

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me

s

s

Taxa temporalde transferência de exergia associada ao

escoamento de massa e ao trabalho de fluxo na saída.

ETaxa temporalde destruição de exergia.

d

Em regime permanente:

d

E

V C

.

.

/

dt dV

V C

.

.

/

dt

0

. A Eq. (5.1) nesse caso fica

 

1

 

T

0

T j

 

Q

 

dV V C

 

 

0

j

W

.

V C

.

p

0

.

dt

.

e

fe

e

fs

E

d

(5.2)

Exemplo 5.1: (DESTRUIÇÃO DE EXERGIA EM UM TROCADOR DE CALOR) Ar comprimido entra em um trocador de calor de correntes opostas operando em regime permanente a 610 K, 10 bar e sai a 860 K, 9,7 bar. Gás de combustão quente entra em uma corrente separada a 1020 K, 1,1 bar e sai a 1 bar. Cada corrente possui uma vazão mássica de 90 kg/s. A transferência de calor entre a superfície exterior do trocador e as vizinhanças pode ser desprezada. Os efeitos de energia potencial e cinética são desprezíveis. Admitindo que o fluxo do gás de combustão possui as mesmas propriedades do ar e usando o modelo de gás ideal para ambas as correntes, determine para esse trocador:

a)

A

temperatura de saída do gás de combustão, em K.

b)

A variação líquida de taxa de exergia de fluxo entre

a entrada e a saída de cada corrente, em MW.

c)

A taxa de exergia destruída, em MW.

Considere T 0 = 300 K, p 0 = 1 bar.

em MW. Considere T 0 = 300 K, p 0 = 1 bar. Exemplo 5.2: (BALANCETE

Exemplo 5.2: (BALANCETE DE EXERGIA DE UM SISTEMA DE RECUPERAÇÃO DE CALOR

REJEITADO) Suponha que o sistema abaixo é uma opção a ser levada em conta para a utilização dos produtos de combustão descarregados por um processo industrial.

a) Desenvolva um balancete completo da exergia líquida trazida pelos produtos de combustão.

b) Discuta as implicações de projeto dos resultados. Considere T 0 = 300 K.

Notas de Aula da Disciplina DEM1055 Análise de Exergia de Sistemas Térmicos Prof. Eduardo Barreto

de Exergia de Sistemas Térmicos – Prof. Eduardo Barreto Exemplo 5.3 : (CUSTO DA DESTRUIÇÃO DE

Exemplo 5.3: (CUSTO DA DESTRUIÇÃO DE EXERGIA) Determine as taxas de destruição de exergia, em kW, para o compressor, o condensador e a válvula de expansão da bomba de calor abaixo. Se o valor da exergia for de R$ 0,08 kW.h, determine o custo diário da eletricidade para a operação do compressor e o custo diário da destruição de exergia em cada componente. Considere T 0 = 273 K (0°C) a temperatura do ar exterior.

T 0 = 273 K (0°C) a temperatura do ar exterior. Exemplo 5.4: (BALANCETE DE EXERG

Exemplo 5.4: (BALANCETE DE EXERGIA PARA UMA TURBINA A VAPOR) Vapor d’água é admitido em uma turbina com uma pressão de 30 bar, uma temperatura de 400 °C e uma velocidade de 160 m/s. O vapor d’água sai como vapor saturado a 100 °C e a uma velocidade de 100 m/s. Em regime permanente, a turbina desenvolve trabalho a uma taxa de 540 kJ por kg de vapor que escoa na turbina. A transferência de calor que ocorre entre a turbina e suas vizinhanças se dá a uma temperatura externa média de 300 K. Desenvolva um balancete completo da exergia líquida associada ao escoamento na entrada por unidade de massa de vapor. Despreze as variações de energia potencial entre a entrada e a saída. Considere T 0 = 25 °C, p 0 = 1 atm.

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Exemplo 5.5: (CUSTO DA DESTRUIÇÃO DE EXERGIA) Determine as taxas de destruição de exergia, em kW, para o compressor, o condensador e a válvula de expansão de um ciclo termodinâmico. Se o valor for de R$ 0,08 por kWh, determine o custo diário da eletricidade para a operação do compressor e o custo diário da destruição de exergia em cada componente. Considere T 0 = 273 K (0 °C), o que corresponde à temperatura do ar exterior.

6 Eficiência Exergética (ou de Segunda Lei)

Aqui é tratada a relação entre o conceito de exergia na avaliação da eficácia de utilização dos recursos energéticos. É portanto introduzido o conceito de eficiência exergética. Para melhor explicar o conceito de eficiência exergética, considere a Fig. (6.1) a

seguir.

Figura 6.1 Eficiência do uso de combustível.

seguir. Figura 6.1 – Eficiência do uso de combustível. Assume-se um sistema fechado recebendo calor transferido

Assume-se um sistema fechado recebendo calor transferido a uma taxa

Q

f

de uma

fonte a uma temperatura T f e fornecendo

perdida para as vizinhanças a uma taxa

Admitindo regime permanente, verifica-se os seguintes balanços:

Q

u em uma temperatura de uso T u . A energia é

Q

p ao longo de uma parcela da superfície em T p .

 

dE

 

Q

 

 

dt

(

Q

f

u

Q

p

)

W

d

E

dt

  

1

T

0

T

f

 

Q

f

 

1

T

0

T

u

Q

u

1

T

0

T

p

 

Q

p

 

W

p

0

dV

dt   E

d

(6.1)

(6.2)

Desconsiderando os termos correspondentes às taxas temporais e os termos referentes ao trabalho, as Eqs. (6.1) e (6.2) ficam

Q

f Q

u Q

p

(6.1a)

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d

1

 

T

0

T

f

   Q   1

f

T

 

T

0

u

1    f T     T 0 u  Q u

Q

u

 

1

T 0

T p

  

Q p

E

Onde a energia transportada pelo calor,

Q

f

, é usada em

Q

u

descrever uma eficiência da seguinte forma

Q   u Q  f
Q

u
Q
f

e perdida em

Q

p

(6.2a)

. Pode-se

(6.3)

Pode-se ainda elaborar um rendimento considerando produto/entrada da seguinte

forma:

(1 T

0

/

T

u

)

Q

u

(1

T

0

/

T

f

) Q

f

Substituindo Eq. (6.3) em (6.4) gera

(1

T

0

/ T

f

)

(1 T

0

/

T

u

)

(6.4)

(6.5)

O parâmetro , é definido em relação ao conceito de exergia, pode ser chamado de eficiência exergética. Note que ambos, e , medem quão eficientemente a entrada foi convertida em produto. O parâmetro realiza isso em bases de energia ao passo que o parâmetro efetua essa medida em uma base de exergia. O valor de é geralmente menor que o de . Vide Fig. (6.2) abaixo.

Figura 6.2 Efeito da temperatura T u na eficiência exergética,

o de  . Vide Fig. (6.2) abaixo. Figura 6.2 – Efeito da temperatura T u

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6.1 Estimando Financeiramente a Perda de Calor

A taxa de perda de exergia associada à perda de calor

Q

p relaciona-se com a

expressão

de perda de calor. É de interesse estimar o valor econômico da exergia perdida considerando um custo unitário de combustível baseado na exergia (em R$/kWh, por exemplo).

. Pode-se dizer que esta expressão mede o valor termodinâmico real

(1 T /T )Q

0

p

p

Taxa de custode calor perdido

 

C

c

(1

T

0

/

T

p

)

Q

p

 

Q

p

à temperatura

T

p

   

(6.6)

6.2 Eficiência Exergética de Componentes

- Turbinas: para uma turbina que opera em regime permanente sem transferência de calor para suas vizinhanças, tem-se:

0

1

T

0

T

j

Q

j

W

.

V C

.

m (

e

f

1

e

f

2

)

E

d

   

   

W V C

.

.

E

d

e

f 1

e

f

2

m

 

m

 

Nesse caso a eficiência exergética fica:

 / m    W V C . . e e f 1
/ m 
W V C
.
.
e
e f 1
f 2

(6.7)

(6.7a)

(6.8)

- Compressores e bombas: para um compressor ou bomba operando em regime permanente sem transferência de calor com as vizinhanças, o balanço de taxa de exergia pode ser colocado sob a forma

  

   e

 

W V C

.

.

 

e

E

d

 

m

f 2

f 1

m

 

(6.9)

A eficácia da conversão da entrada de trabalho para aumento de exergia de fluxo é

medida pela eficiência exergética do compressor (ou bomba).

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 e   e f 2 f 1 (  W / m 
 e
 e
f 2
f 1
(
 W
/
m  )
V C
.
.

(6.10)

- Trocador de calor sem mistura: o trocador de calor da Fig. (6.3) opera em regime permanente e sem transferência de calor para as vizinhanças e com as duas correntes em temperaturas acima de T 0 . O balanço de taxa de exergia fica para esse caso conforme abaixo:

m (e  e )  m (e - e )  E h f
m
(e
 e
)  m
(e
- e
)  E
h
f
1
f
2
c
f
4
f
3
d

(6.11)

Figura 6.3 Trocador de calor contracorrente.

d (6.11) Figura 6.3 – Trocador de calor contracorrente. sendo eficiência exergética para um trocador de

sendo

eficiência exergética para um trocador de calor fica

m

h

é a vazão mássica da corrente quente e

m

c é a vazão mássica da corrente fria. A

m c  ( e f 4 e  ) f 3 m h (
m c
(
e f
4 e
 )
f
3
m
h (
e f
1 e
 )
f
2

(6.12)

- Trocador de calor de contato direto: o trocador de calor de contato direto, mostrado na Fig. (6.4), opera em regime permanente e sem troca de calor com suas vizinhanças. O balanço de taxa de exergia simplifica-se da seguinte forma:

sendo

m

3

mm

1

2

m (e  e )  m (e  e )  E 1 f
m (e
 e )  m (e
 e )  E
1
f
1
f
3
2
f
3
f
2
d

(6.13)

. A eficiência exergética nesse caso de trocador de contato direto vale

m  ( e  e )   2 f 3 f 2 m
m
( e
 e
)
2
f 3
f
2
m 1
( e
 e
)
f 1
f
3

(6.14)

Figura 6.4 Trocador de calor de contato direto.

  2 f 3 f 2 m 1  ( e  e ) f

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- Usando as eficiências exergéticas: as eficiências exergéticas são úteis para determinar diferenças entre os meios e assim utilizar os recursos energéticos que são termodinamicamente eficazes e aqueles que são menos eficazes. O limite de eficiência exergética 100% não pode ser atingido por conta da destruição ou perdas de exergia. Assim, as melhorias do rendimento de sistemas termodinâmicos são normalmente pautadas em termos de custos totais. Um aumento da eficiência que demande alto investimento, ainda que melhor utilize os recursos disponíveis, pode não ser implementado por representar um aumento considerável nos custos totais. Vários métodos são utilizados para melhorar a utilização dos recursos energéticos, sendo um deles a co-geração, que produz sequencialmente potência e transferência de calor para um certo uso. Outros métodos empregados na melhoria da utilização de recursos energéticos são a recuperação de potência e a recuperação de calor rejeitado. Todos esses processos visam o aproveitamento de alguma exergia do sistema que seria desperdiçada (destruída) em suas vizinhanças e assim convertê-la em alguma quantidade de calor ou trabalho útil.

7

Termoeconomia

No projeto de sistemas térmicos é necessário obter considerações detalhadas sobre a engenharia econômica, já que os custos sempre são um fator a se considerar. Aqui entra o termo termoeconomia que está associado à metodologia que combina exergia e economia para a otimização de sistemas térmicos.

- Usando a exergia no projeto: considere a Fig. (7.1) abaixo.

Figura 7.1 Unidade de geração de vapor para avaliação da exergia em projeto.

geração de vapor para avaliação da exergia em projeto. A fonte de exergia dos produtos da

A fonte de exergia dos produtos da combustão é a alimentação de combustível. Do

estudo da segunda lei da termodinâmica sabe-se que a diferença média de temperatura,

entre as duas correntes que passam por um trocador de calor aumenta conforme os custos de combustível aumentam.

,

T

med

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e uma área

superficial necessária para uma certa taxa de transferência de calor, ou seja, um trocador com maiores dimensões implica num maior custo de capital. Vide gráfico da Fig. (7.2) a seguir:

Por outro lado, sabe-se que existe uma relação inversa entre

T

med

Figura 7.2 Diferença média de temperatura.

 T med Figura 7.2 – Diferença média de temperatura. O gráfico acima mostra que o

O gráfico acima mostra que o custo total é a soma do custo de capital e do custo de combustível. A curva do custo total mostra um mínimo no ponto a Para casos onde deseja-se uma maior redução de custo de combustível, o ponto a’ seria uma boa opção ao passo que se caso a minimização dos custos de capitais forem mais relevantes o ponto a” seria uma melhor opção.

Sabe-se pela experiência direta que otimizações individuais dos componentes que compõe os sistemas térmicos não levam, necessariamente, à otimização do sistema global. A verdadeira otimização do sistema considera que as diversas variáveis devem ser otimizadas simultaneamente.

7.1 Custo de Exergia em um Sistema de Co-Geração

É de interesse na termoeconomia o uso da exergia para agregar custos aos produtos de um sistema térmico. Isso significa associar a cada produto o custo para produzi-lo, i.e., o custo do combustível e outros insumos, juntamente com o custo de possuir e operar o sistema. Esse custo é um problema comum em instalações em que utilidades, como potência elétrica, água resfriada, ar comprimido e vapor, são geradas em um departamento e usadas por outros. De modo a explorar mais o custo de sistemas térmicos, considere o sistema da Fig. (7.3). O sistema consiste em um aquecedor e uma turbina, e nenhum deles apresenta uma troca de calor significativa com as vizinhanças. O sistema de co-geração apresenta dois produtos

principais: a eletricidade, designada por

, e o vapor a baixa pressão a ser utilizado em

algum processo. O objetivo é a determinação do custo de cada produto gerado.

W

e

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Figura 7.3 Sistema de co-geração.

Eduardo Barreto Figura 7.3 – Sistema de co-geração. - Análise da caldeira: para avaliar o custo

- Análise da caldeira: para avaliar o custo do vapor a alta pressão produzido na caldeira, considera-se um volume de controle ao redor da caldeira. Combustível e ar entram separadamente e na saída tem-se os produtos da combustão. Ainda é considerado o fluxo de água que entra e o vapor de água que é produzido.O balanço de taxa de custo fica:

CC

1

p

C

f

CCZ

a

w

b

sendo

Z

b taxa de custoassociada à aquisição e custoda caldeira.

Ctaxa de custodos componentes.

(7.1)

O custo de exergia é, portanto, avaliado em termos de uma taxa de transferência de

exergia e um custo unitário, logo:

C

f cE

f

(7.2)

onde c designa um custo unitário de exergia, centavos por kWh por exemplo, e

transferência de exergia associada. Considerando que o ar de combustão e a água de alimentação apresentam exergias desprezíveis, da mesma forma os produtos da combustão, segue que a Eq. (7.1) reduz-se a:

é a taxa de

E

f

C

1

C

f

Z

b

logo

c E

1

f

1

c

f

E

fF

Z

b

O custo unitário do vapor a alta pressão fica

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Logo,

verifica-se

que

o

 E   Z  fF b E    E f 1
 E
Z
fF
b
E
  
E f 1
  
f 1

c 1 c

f

custo

unitário

do

vapor

a

alta

pressão,

(7.3)

depende

de

contribuições do custo de combustível e do custo de aquisição e operação da caldeira.

- Análise da turbina: considerando um volume de controle ao redor da turbina, o custo total para produção de eletricidade e vapor a baixa pressão é igual ao custo da entrada do vapor a alta pressão e os custos de aquisição e operação do equipamento.

C

e

C

2

C

1

Z

t

(7.4)

A seguir, avaliando em termos da taxa de transferência de exergia associada a um custo unitário, tem-se

Fazendo

representada por

c

1

c

2

W

e

c W  c E   c E   Z e e 2
c W
 c E 
 c E 
 Z
e
e
2
f
2
1
f
1
t

(7.5)

, e portanto:

c W

e

e

c ( E

1

f

1

E

f

2

) Z

t

, e a eficiência exergética

/ E

(

f 1

E

f 2

)

chega-se a seguinte expressão do custo de entrada

c Z  c  1  t e  W  e
c Z
c
1 
t
e
 W
e

(7.6)

Assim, o custo unitário da eletricidade é determinado pelo custo do vapor e pelo custo de aquisição e operação da turbina. Em função da destruição da exergia no interior da turbina, a eficiência exergética é invariavelmente menor do que um e portanto o custo unitário da eletricidade é maior que o custo unitário do vapor a alta pressão.

Exemplo 7.1: (CUSTO DE EXERGIA EM UM SISTEMA DE CO-GERAÇÃO) Um sistema de co-geração consiste em uma caldeira a gás natural e uma turbina a vapor que desenvolve potência e fornece vapor para um processo industrial. No regime permanente, o combustível entra na caldeira com uma taxa de exergia de 100 MW. O vapor sai da caldeira a 50 bar, 466 °C e a uma taxa de exergia de 35 MW. O vapor sai da turbina a 5 bar, 205 °C e com uma vazão mássica de 26,15 kg/s. O custo unitário do combustível é de 1,44 centavo por kWh de exergia. Os custos de aquisição e operação da caldeira e da turbina são, respectivamente, de R$ 1080/h e R$ 92/h. A água de alimentação e o ar de combustão entram com exergia e custos desprezíveis. Os produtos de combustão são descarregados diretamente para as vizinhanças com um custo desprezível. A transferência de calor para o ambiente e os efeitos de energia cinética e potencial são desprezíveis. Considere T 0 = 298 K.

a) Para a turbina, determine a potência e a taxa de exergia que sai com o vapor, ambos em MW.

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b) Determine os custos unitários do vapor que sai da caldeira, do vapor que sai da turbina e da potência, todos em centavos por kWh de exergia.

c) Determine as taxas de custo do vapor que sai da turbina e da potência, ambos em R$/h.

do vapor que sai da turbina e da potência, ambos em R$/h. 8 Balancete de Exergia

8 Balancete de Exergia de uma Instalação de Potência a Vapor

Os princípios da conservação da massa e de energia podem fornecer um quadro útil do desempenho de instalações de potência. Porém, estes princípios fornecem apenas as quantidades de energia transferidas para ou da instalação e não consideram a utilidade dos diferentes tipos de transferência de energia. Por exemplo, somente com estes princípios de conservação, uma unidade de energia saindo como eletricidade gerada é considerada equivalente a uma unidade de energia saindo como água de arrefecimento a uma temperatura relativamente baixa, muito embora a eletricidade possua uma utilidade e um valor econômico muito maiores.

- Balancete de exergia: aqui levaremos em conta a exergia que entra em uma

instalação de potência junto com o combustível. Uma parcela da exergia do combustível ao final retorna às vizinhanças da usina como o trabalho líquido produzido. Porém, a maior parte

é destruída pelas irreversibilidades nos vários componentes da instalação ou levada pela água

de arrefecimento, gases da chaminé, ou trocas de calor inevitáveis com as vizinhanças. Estas considerações são ilustradas na presente seção por três exemplos resolvidos, tratando, respectivamente, a caldeira, a turbina e a bomba, e o condensador de uma instalação de potência a vapor simples. As irreversibilidades presentes em cada componente da usina de potência cobram um preço da exergia fornecida à usina, como pode ser inferido pela exergia destruída naquele componente. O componente que cobra o maior preço é a caldeira, uma vez que uma parcela significativa da exergia que entra na usina é destruída por irreversibilidades na caldeira: (1) a transferência de calor irreversível que ocorre entre gases quentes de combustão e o fluido de

trabalho do ciclo de potência a vapor escoando pelos tubos da caldeira, e (2) o processo de combustão por si só. A caldeira é considerada uma unidade combustora na qual o combustível

e o ar são queimados para produzir gases quentes de combustão, seguida de uma unidade

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trocadora de calor onde o fluido de trabalho do ciclo é vaporizado à medida que os gases quentes se resfriam. Esta idealização é apresentada na Fig. (8.1) a seguir.

Figura 8.1 Instalação de potência para análise de exergia.

– Instalação de potência para análise de exergia. Para exemplificar, vamos supor que 30% da exergia

Para exemplificar, vamos supor que 30% da exergia que entra na unidade combustora com o combustível são destruídos pela irreversibilidade de combustão e que 1% da exergia do combustível deixe a unidade trocadora de calor com os gases da chaminé. Os valores correspondentes para uma instalação de potência real podem diferir destes valores nominais. Porém, eles fornecem valores característicos para discussão. Usando os valores dados para destruição de exergia pela combustão e perda pelos gases da chaminé, segue-se que sobra um máximo de 69% de exergia do combustível para transferência dos gases quentes da combustão para o fluido de trabalho do ciclo. É desta parcela da exergia fornecida pelos gases quentes da combustão que passam através da unidade trocadora de calor. Os resultados principais desta série de exemplos estão apresentados na Tabela 8.1.

- Conclusões do estudo de caso: as entradas da Tabela 8.1 sugerem algumas observações gerais sobre o desempenho de instalações de potência a vapor. Primeiro, a tabela mostra que as destruições de exergia são mais importantes do que as perdas da usina. A maior parte da exergia que entra na usina com o combustível é destruída, com a destruição de exergia na caldeira superando todas as outras. Em contrapartida, a perda associada com a transferência de calor para a água de arrefecimento é relativamente sem importância. A eficiência térmica do ciclo é de 31,4%, assim mais de dois terços (68,6%) da energia fornecida ao fluido de trabalho do ciclo são posteriormente carregados para fora pela água de arrefecimento do condensador. Em comparação, a quantidade de exergia carregada para fora é virtualmente desprezível porque a temperatura da água de arrefecimento é elevada em apenas alguns graus acima daquela das vizinhanças e, consequentemente, possui uma utilidade limitada. A perda eleva-se apenas a 1% de exergia que entra na usina com o combustível. De

forma análoga, as perdas associadas à transferência de calor inevitável para as vizinhanças e

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os gases de saída da chaminé normalmente elevam-se a um pequeno percentual da exergia que entra na usina com o combustível e são geralmente exageradas quando consideradas sob o ponto de vista da conservação de energia sozinha. Uma análise de exergia permite identificar os pontos onde ocorrem destruições ou perdas e ordená-los segundo a sua importância. Esse conhecimento é importante para dirigir a nossa atenção para aspectos do desempenho da usina que ofereçam as maiores oportunidades para melhorias através da aplicação de medidas práticas de engenharia. Porém, a decisão de adotar-se qualquer modificação especial é norteada por considerações econômicas que levam em conta tanto a economia no uso de combustível quanto os custos decorrentes para obter-se esta economia. Os cálculos apresentados nos próximos exemplos ilustram a aplicação dos princípios da exergia através da análise de uma usina de potência simples. Porém não existe dificuldade alguma em aplicar a metodologia a instalações de potência reais, incluindo a consideração do processo de combustão.

O exemplo a seguir apresenta a análise de exergia da unidade trocadora de calor da caldeira do estudo do caso da instalação de potência a vapor.

Tabela 8.1 Balancete de exergia em instalações de potência a vapor.

Saídas

Potência líquida de saída Perdas

30%

Água de arrefecimento do condensador

1%

Gases da chaminé (suposição)

1%

Destruição de Exergia Caldeira

30%

Unidade combustora (suposição) Unidade trocadora de calor

30%

Turbina

5%

Bomba

-

Condensador

3%

Total

100%

Exemplo 8.1: (ANÁLISE DE EXERGIA EM UM CICLO UNIDADE TROCADORA DE CALOR) A unidade trocadora de calor da caldeira (vide figura ao lado) tem uma corrente de água entrando como líquido a 8,0 MPa e saindo como vapor saturado a 8 MPa. Em uma corrente separada, os produtos gasosos da combustão resfriam-se a uma pressão constante de 1 atm de 1107 a 547 °C. A corrente gasosa pode ser modelada como ar na condição de gás ideal. Seja T 0 = 22 °C, p 0 = 1 atm. Determine (a) a taxa líquida na qual a exergia é carregada para dentro do trocador de calor pela corrente de gás, em MW. (b) a taxa líquida na qual a exergia é carregada do trocador de calor pela corrente de água, em MW, (c) a taxa de destruição de exergia, em MW, (d) a eficiência exergética.

de calor pela corrente de água, em MW, (c) a taxa de destruição de exergia, em

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Exemplo 8.2: (ANÁLISE DE EXERGIA EM UM CICLO TURBINA E BOMBA) Considere a turbina e a bomba da figura baixo. Determine para cada um destes componentes a taxa na qual a exergia é destruída, em MW. Expresse cada resultado como uma porcentagem da exergia que entra na usina através do combustível. Seja T 0 = 22 °C e p 0 = 1 atm.

do combustível. Seja T 0 = 22 °C e p 0 = 1 atm. Exemplo 8.3:

Exemplo 8.3: (ANÁLISE DE EXERGIA EM UM CICLO CONDENSADOR) O condensador da figura abaixo envolve duas correntes de água separadas. Em uma corrente uma mistura de duas fases líquido-vapor entra a 0,008 MPa e sai como líquido saturado a 0,008 MPa. Na outra corrente, água de arrefecimento entra a 15 °C e sai a 35 °C. (a) Determine a taxa líquida na qual a exergia é carregada do condensador pela água de arrefecimento, em MW. Expresse este resultado como uma porcentagem da exergia que entra na usina com o combustível. (b) Determine, para o condensador, a taxa de destruição de exergia, em MW. Expresse este resultado como uma porcentagem da exergia que entra na usina com o combustível. Seja T 0 = 22 °C e p 0 = 1 atm.

o combustível. Seja T 0 = 22 °C e p 0 = 1 atm. 9 Introduzindo

9 Introduzindo a Exergia Química

Até o presente momento a abordagem sobre exergia visou a obtenção de uma expressão para o trabalho máximo teórico possível de ser obtido pelo sistema combinado à medida que o sistema entra em equilíbrio térmico e mecânico com o ambiente. O valor numérico desse trabalho é a exergia termomecânica. Iniciaremos esta seção pelo estudo de um sistema combinado que é formado por um ambiente a uma quantidade de combustível hidrocarbonado a T 0 e p 0 . O objetivo é a avaliação do trabalho possível de ser obtido permitindo que o combustível reaja com o oxigênio do ambiente de forma a produzir os componentes ambientais dióxido de carbono e água, ambos nos respectivos estados de ambiente. Por definição, a exergia química é o trabalho teórico máximo que pode ser desenvolvido pelo sistema combinado. A soma das exergias termomecânica e química é a

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exergia total associada a um dado sistema em um estado especificado com a relação a um ambiente de referência de exergia especificado.

9.1 Exergia Química de um Hidrocarboneto: C a H b

Considere um sistema combinado formado por um ambiente e por uma quantidade de combustível hidrocarbonado, C a H b . Conforme mostrado na Fig. (9.1), uma célula combustível foi incluída no sistema combinado para servir de ajuda no entendimento de como se pode obter trabalho através da reação do combustível com os componentes do ambiente. Baseando- se nesta figura, combustível entra na célula à temperatura T 0 e pressão p 0 . Oxigênio do ambiente entra na célula em uma outra posição. Admitindo que o ambiente é composto por uma mistura de gases ideais, o oxigênio entra nas condições do ambiente: temperatura T 0 e

pressão parcial

é a fração molar do oxigênio no ambiente de referência de

exergia. O combustível e o oxigênio reagem completamente no interior da célula produzindo

y

e

O

2

p

0

, onde

y

e

O

2

Figura 9.1 Figura utilizada para introduzir o conceito de exergia química do combustível.

2 p 0 , onde y e O 2 Figura 9.1 – Figura utilizada para introduzir

Notas de Aula da Disciplina DEM1055 Análise de Exergia de Sistemas Térmicos Prof. Eduardo Barreto

dióxido de carbono e vapor d’água, que saem em correntes separadas nas suas condições no

.

A reação é dada por

interior do ambiente: respectivamente à temperatura T 0 e pressões parciais

y

e

CO

2

p

0

e

y

e

H

2

O

p

0

T 0 e pressões parciais y e CO 2 p 0 e y e H 2

C H

a

b

a

b 4    O

2

aCO

2

b

2

H O

2

(9.1)

Para uma operação em regime permanente, o balanço de energia para um volume de controle que engloba a célula combustível simplifica-se para fornecer

 

Q

W

V

.

C

.

V C

h

n

b  b  h  ah  h 4  O CO H O
b 
b
 h
ah
h
4
O
CO
H O
2
2
2
2

C n

C

C

  a

(9.2)

Efeitos de energia cinética e potencial são considerados desprezíveis. Já que a célula combustível encontra-se em regime permanente, seu volume não varia com o tempo, logo

nenhuma parcela de

fornece o trabalho desenvolvido pelo sistema combinado composto pelo sistema propriamente dito e pelo ambiente. Admite-se que a transferência de calor ocorra somente à temperatura do ambiente T 0 . Consequentemente, um balanço de entropia para o volume de controle toma a forma

é necessária para o deslocamento do ambiente. Assim, a Eq. (9.2)

W

V .C.

0

Q

/ n

C

 b  a    4   s O 2
b 
a
 
4   s
O
2

as

 

b s 2 H 2
b
s
2 H
2

V C

.

.

 

T

0

 

CO

2

O

       

n

C

 

(9.3)

A eliminação da taxa de transferência de calor entre as Eqs. (9.2) e (9.3) fornece

 

b

 

   


W V C

.

n

C

h

C

b

a

 h O 2
h
O
2

4

ah

CO

2

h