8

INTRODUÇÃO

A partir da legislação de 1988 de fato, crianças e adolescentes são
reconhecidos como sujeitos de direitos e assegurados com tratamento prioritário e
diferenciado dos adultos. Dentre esses direitos está à imputabilidade penal, como
prevê o art. 27 do Código Penal Brasileiro e assegurado no artigo 104 do Estatuto da
Criança e do Adolescente – ECA. Essa peculiaridade é devida pela própria condição
de transformação e desenvolvimento de crianças e adolescentes, onde estes ainda
não possuem discernimento sobre suas atitudes, domínio sobre suas escolhas e
ações.

Contudo, essa condição peculiar não retira a responsabilidade diante do
cometimento de ato infracional, no entanto, invalida a possibilidade de punição,
sendo mais apropriada a inserção em meios de proteção, sejam eles ou não com
restrição, mediante ações educativas, orientadoras e principalmente que visem à
garantia dos diretos fundamentais promulgado em Lei vigente e específica e a
efetividade da cidadania.

A avaliação do processo de reintegração social possibilita a mensuração da
efetividade dos objetivos propostos pela ação socioeducativa e a averiguação acerca
do atendimento das reais necessidades do público atendido. O exercício da
avaliação permite que o desempenho e as limitações no decorrer do processo sejam
identificados para que a elaboração de alternativas, reformulação das ações e
eliminação das deficiências sejam efetivadas, através da contextualização da
realidade investigada.

Neste sentido, este trabalho toma como problemática a importância da
participação familiar frente às ações socioeducativas no processo de ressocialização
de adolescentes em conflito com a lei no regime de semiliberdade e se propõe a
investigar as condições em que ocorre esse processo no Centro Socioeducativo de
9

Semiliberdade Masculino, na cidade de Manaus/AM. Para tanto, utilizou-se como
metodologia a abordagem qualitativa, adotando como instrumentos a análise
documental, entrevistas semiestruturadas individuais com os adolescentes, familiares
que acompanham os adolescentes nesse processo, membros da Equipe Técnica e
Direção da Unidade pesquisada, assim como registros e anotações em diário de
campo.

A análise dos dados foi organizada a partir de três categorias: a) A
organização e relações institucionais; b) O processo de reintegração social; c) A
participação familiar frente às ações socioeducativas. As discussões apontam para a
importância da família, não só como responsável pelo adolescente, mas como
precursor de valores e princípios que nortearão por todo ciclo vital desses
adolescentes, estejam eles institucionalizados ou não, para que se possa,
efetivamente, proporcionar condições para a inclusão social cidadã.

Neste sentido, esta pesquisa possui como objetivo geral analisar a
importância do acompanhamento familiar no período de execução do regime de
semiliberdade do Centro Socioeducativo de Semiliberdade Masculino, cujas ações
são desenvolvidas no município de Manaus.

Para tanto, delimitou-se os seguintes objetivos específicos: contextualizar
historicamente a emergência da Doutrina de Proteção Integral de crianças e
adolescentes; conhecer o processo de ressocialização através de ações
socioeducativas desenvolvidas na instituição; analisar o comprometimento familiar
frente às ações socioeducativas.

Este trabalho monográfico está estruturado da seguinte forma:

O Capítulo I – Contextualização Histórica do Reconhecimento de Crianças e
Adolescentes como sujeitos de direitos no Brasil – discorre sobre o processo do
reconhecimento de crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, fundamentado
na Doutrina da Proteção Integral, dando inicio na promulgação do primeiro Código de
Menores em 1927 até a implementação do Estatuto da Criança e do adolescente.
10

No Capítulo II - Ato Infracional, Caracterização das Medidas Socioeducativas
e as Atribuições dos Órgãos do Estado em Relação à sua Implementação – discorre
sobre a diferenciação de crime e contravenção penal, ou seja, do ato infracional, as
características das medidas socioeducativas adotadas pela autoridade judiciária
como forma de responsabilização pela conduta inadequada seja em meio aberto ou
fechado e qual as atribuições dos órgãos governamentais frente a sua execução.

No Capítulo III – A Execução da Medida Socioeducativa de
Semiliberdade, O Processo de Reinserção Social e o Acompanhamento
Familiar nesse Período – aborda a metodologia utilizada nas três fases
constituintes da pesquisa, bem como o desvelar das ações socioeducativas
desenvolvidas na Instituição e a responsabilidade familiar no acompanhamento do
processo de reinserção social dos adolescentes em cumprimento da medida
socioeducativa de semiliberdade.

Nas Considerações explana-se, em âmbito geral, as inter-relações para os
resultados conclusivos quanto à efetividade das ações socioeducativas no processo
de reinserção social dos adolescentes e a importância da família nesse processo.
Em seguida, são apresentados as referências, os apêndices e os anexos.
11

CAPÍTULO I - CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO
RECONHECIMENTO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COMO
SUJEITOS DE DIREITOS NO BRASIL

1.1 1927 a 1979: dois Códigos de Menores e a história de um descaso social

A condição de sujeito de direitos conquistados por crianças e adolescentes no
âmbito jurídico nacional resultou de uma longa e intensa caminhada de lutas e
conquistas. Até crianças e adolescentes conquistarem o “status” de titulares de
direitos e obrigações próprios da condição de pessoa em desenvolvimento deram-se
muitas batalhas. As considerações feitas neste trabalho se dão a partir da
implantação do primeiro Código de Menores no final da década de vinte.

A introdução das ideias higienista de saneamento básico e dos hábitos
influenciaram as políticas voltadas para a assistência à infância. As teorias científicas
da época indicavam que comportamentos diferentes dos moralmente aceitáveis eram
resultados da influência do meio social e de características hereditárias, por isso se
fazia necessário a “proteção” dessa população considerada em “situação irregular”.

Com a invista médico higenista a partir de meados do século passado, com
a extinção da Roda dos Expostos e o início da legislação sobre a infância
nas primeiras décadas do nosso século, a criança passa de objeto da
caridade para objeto de políticas públicas [...]. Todo um novo ciclo se inicia
(ARANTES, 1999, p. 257).

Assim, juristas, médicos dentre outros segmentos da sociedade, lutavam para
que as questões referentes ao “menor” se tornassem objetos específicos de uma
normatização. Nessa perspectiva, o decreto n°17.943 A, de 12 de outubro de 1927,
regulamentou o Código de Menores, elaborado pelo juiz José Cândido de
Albuquerque Mello Mattos, tornando-se a primeira legislação específica para os
“menores”.

O Código dispunha em seu art. 1º seu objeto e finalidade: “O menor, de um ou
de outro sexo, abandonado ou delinquente, que tiver menos de dezoito anos de
idade, será submetido pela autoridade competente às medidas de assistência e
12

proteção contidas neste Código”. Deixando clara a subdivisão de duas categorias de
menores: os abandonados que incluíam os vadios, mendigos e libertinos, conforme
os artigos 28, 29 e 30 e os delinquentes, independentes da idade que tinham desde
que fosse inferior a dezoito anos.

O Código Menores Mello Matos objetivou assistir aos menores de 0 a 18
anos. Mais especificamente: órfãos, abandonados, filhos de pais ausentes,
que não possuíssem moradia certa, filhos de pais presos há mais de dois
anos, filhos de pais vagabundos, mendigos, de maus costumes, que
exercem trabalhos proibidos, que fossem prostitutos ou economicamente
incapazes de suprir as necessidades de sua prole. O Código denominou
essas crianças de expostos (menores de sete anos), abandonados (as
menores de 18 anos), vadios (os atuais meninos de rua), mendigos (os que
pedem esmolas ou vendem coisas nas ruas) e libertinos (que frequentam
prostíbulos). (LIBERATI, 2006, p.40).

A implementação deste Código consagrava a “situação irregular” de crianças e
adolescentes e instituía as medidas de natureza estritamente punitivas, distinguindo
os infratores entre maiores ou menores de quatorze anos e possibilitando o juiz à
adoção de medidas para que fosse reestabelecida uma situação de “normalidade”,
onde aplicava as medidas sem que crianças e adolescentes fossem ouvidos ou
estabelecido sua defesa, reinava assim, a soberania da magistratura, a qual colocou
crianças e adolescentes como cidadãos de segunda categoria, daí a utilização do
termo “menor”.

Data da época do Código Mello Mattos o início da estigmatização do termo
menor: [sic] como a legislação pretensamente corretiva alcançava apenas os
adolescentes das famílias de baixa renda, estivessem eles abandonados,
em conflito com a lei ou em situação de risco social, logo os menores [sic]
deixaram de ser uma categoria de cidadão. Passaram, então por um
processo que os reduziu à condição de objetos manipuláveis por seres
superiores, [sic] ou maiores, [sic] de modo que a palavra menor [sic]
incorporou definitivamente um juízo de valor negativo, atrelado à imagem
das crianças e dos adolescentes sujos, maltrapilhos, supostamente
malandros e perigosos, uma redução da condição humana. O menor [sic]
era (e é) menos cidadão e mais coisa, de onde se diz que passou por um
processo histórico de coisificação. (VERONESE, 1997, p. 11).

Em se tratando de menores de quatorze anos, autor ou cúmplice de fato
qualificado como crime ou contravenção, o art. 68 do referido Código, determinava
que estes não podiam ser submetidos ao processo penal, neste caso, a autoridade
competente apenas obteria informações sobre o fato ocorrido, os agentes
13

envolvidos, seu estado físico, mental e moral e a situação social, moral e econômica
dos pais ou tutor.

Ou seja, a esses “menores”, seriam levadas em consideração as
circunstâncias da infração e as condições especiais do “menor”, de seus pais, tutores
ou responsáveis pela guarda, que não tivessem condições de assisti-los e o juiz
poderia colocá-los em Instituições de internações ou poderia confiá-los a uma
pessoa considerada idônea até que completasse dezoito anos e sua restituição só
poderia ser antecipada com ordem do juiz, com prévia justificativa de seu bom
comportamento como determinava o art. 79.

Em relação aos adolescentes na faixa etária entre dezesseis e dezoito anos, a
situação era ainda mais severa, conforme preconizava o art. 71, que se o crime que
fora praticado fosse considerado grave e comprovação de que se tratava de um
indivíduo perigoso, o juiz lhe aplicaria o art. 65 daquele Código e o remeteria a um
estabelecimento para condenados de menoridade, ou, em falta desse, a uma prisão
comum, sendo separado dos condenados adultos e permaneceria até que se
verificasse sua regeneração, sem que a pena pudesse exceder o máximo de sete
anos.

Nesse contexto, Liberati (2006, p.44) “[...] enfatiza que no Código de Menores
de 1927 as medidas aplicadas aos “menores” abandonados ou “delinquentes” tinham
na verdade, natureza tutelar, sendo seus agentes colocados em entidades protetoras
por longos períodos”.

Na verdade a formulação do modelo de atendimento do Código de 1927 não
significou como se pretendia a diminuição da pobreza ou de seus efeitos, estava sim,
cada vez mais longe de concorrer para mudanças nas condições de vida desse
público.

Em 1940, o decreto Lei nº 2.848 de 07 de dezembro, institui o Código Penal
Brasileiro que determinou a responsabilidade penal aos 18 anos de idade, alterando
pela primeira vez o Código de Menores de 1927. Segundo Saraiva (2003) essa
14

responsabilidade juvenil fundamentou-se no reconhecimento da condição de
imaturidade do "menor", ficando sujeito apenas às ações corretivas da legislação
especial em vigor, sem distinção sobre “delinquentes e abandonados”.

Em 1941, foi criado o Serviço de Assistência ao Menor (SAM) através do
Decreto-lei 3.733/41, responsável pela Política do Bem Estar do Menor, somente
para os “carentes” com modelo de sistema penitenciário e uma política repressora.

[...] o órgão funcionava igual a um Sistema Penitenciário para a população
menor de idade, utilizando a forma educacional correcional repressiva,
baseando-se em internatos para adolescentes autores de infração penal e
de patronatos agrícolas e escolas de aprendizagem de ofício urbano para os
carentes e abandonados. (SARAIVA, 2003, p.20).

O SAM tinha como objetivo amparar socialmente os “menores carentes”
abandonados e infratores, centralizando a execução de uma política de atendimento,
de caráter corretivo-repressivo-assistencial criado para cumprir as medidas aplicadas
pelo Juiz aos infratores, tornando-se mais uma administradora de instituições do que,
de fato, uma política de atendimento especial.

Apesar de o SAM ser uma instituição destinada a dar assistência social às
crianças e adolescentes com idade inferior a dezoito anos que estivessem
abandonados ou como autores de atos ilícitos. O órgão, segundo Jesus (2006, p. 49)
entendia que “a internação seria o mecanismo de recuperação mais eficiente, sem se
preocupar com o preenchimento das necessidades da criança e do adolescente”.
Liberati (2003, p.57) faz referência nesse sentido:

O Serviço de Assistência ao Menor (SAM) funcionava como um sistema
prisional, disfarçado de “internações” onde na verdade eram “penas de
prisão” atendendo a máxima que a privação total de liberdade funcionaria
como proteção da criança e adolescente influenciada pela sociedade e
assim obteriam um valioso resultado na reconstrução da personalidade.

Em 1964, a Lei 4.513 criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor -
FUNABEM, para substituir o SAM e segundo Liberati (2002), “[...] essa entidade tinha
autonomia, para formular e implantar uma Política Nacional do Bem-Estar do Menor -
PNBEM”.
15

As diretrizes implantadas visavam assegurar os programas direcionados à
integração da criança e adolescente na comunidade, “valorizando a família e criando
instituições que se aproximassem dos ideais da vida familiar, respeitando ainda as
necessidades de cada região do país” (JESUS, 2006, p.63).

Diante da necessidade de mudanças no Código de Menores de 1927,
ocorreram modificações nele com a promulgação do Código Penal e as Leis
posteriores que o modificaram, como em 10 de outubro de 1979 foi promulgada a Lei
6.697 – o Novo Código de Menores, mas que ainda necessitava de uma reforma
efetiva, pois conforme Liberati (2006, p.46), “nasce com a proposta basilar da
“Doutrina da Situação Irregular”, representando mais um instrumento de controle
social de crianças e adolescentes, vítimas de omissões da família, da sociedade e do
Estado, em seus direitos básicos, do que em prevenção e proteção de direitos”,
sendo sucintamente definida por Saraiva (2003, p.45) como a Lei em que os
“menores passam a ser objeto da norma quando se encontrarem em estado de
patologia social”.

Sobre essas situações descritas como irregulares no Código de Menores de
1979, Liberati (2002) descreve:

A declaração de situação irregular poderia derivar da conduta pessoal do
menor (no caso de infrações por ele praticadas ou de ‘desvio de conduta’),
de fatos ocorridos na família (como os maus-tratos) ou da sociedade
(abandono). Ou seja, o menor estaria em situação irregular, equiparada a
uma ‘moléstia social’, sem distinguir, com clareza, situações decorrentes da
conduta do jovem ou daqueles que o cercavam.

Essa ideologia da “situação irregular”, sem estabelecer as diferenças das
situações decorrentes da conduta do jovem ou daqueles que o cercam, inúmeras
vezes reunia na mesma instituição infratores e abandonados, vitimizados por
abandono e maus-tratos com autores de conduta infracional, pois na interpretação da
lei todos estariam em “situação irregular”.

Em resumo, estariam em situação irregular e inserida no Código de Menores
de 1979 as crianças e adolescentes, de até dezoito anos, que praticassem atos
16

infracionais; as que estivessem sobre a condição de maus-tratos familiar ou em
estado de abandono pela sociedade.

Por falta de critérios determinantes sobre a aplicação do Código de Menores
de 1979 a situação chamada de “irregular” demonstrou a deficiência em prevenir e
tratar o abandono e o “desvio social” da infância e juventude no Brasil, como
argumenta Jesus (2006, p.51):

[...] a falta de uma política pública atuante direcionada à infância e à
juventude e as várias interpretações dada pelo Código de Menores de 1979,
contribuiu para que os adolescentes que foram crianças em situação
irregular misturarem-se a novas crianças descerem o morro e tomarem
conta dos asfaltos e se espalharam nos semáforos, em busca de maturidade
física, intelectual, sexual e emocional, tornando-se meninos de rua.

O Novo Código de Menores não representou mudanças expressivas para a
melhoria de vida desse público, não inovou a condição da criança e do adolescente,
uma vez que, continuavam a ser tratados como objetos de ações assistenciais, longe
de lhes assegurar a titularidade de seus direitos, representou apenas proposições
que colocavam crianças e adolescentes despossuídos ainda como elementos de
ameaça à ordem vigente, atuando apenas no sentido de reprimir, corrigir e integrar
os supostos “desviantes” em instituições de modelo carcerário.
17

1.2 O cenário da infância e juventude brasileira com a promulgação da
Constituição Federal/88 e a doutrina da proteção integral com o Estatuto da
Criança e do Adolescente

Historicamente, crianças e adolescentes foram considerados como escravos,
como objetos, como instrumentos assistenciais das políticas públicas e como
portadores de patologia social passíveis de tratamento. A Constituição Federal de
1988 marca um importante passo no que tange ao reconhecimento da necessidade
de atenção especial à infância e juventude, sendo inovadora ao adotar a Doutrina da
Proteção Integral.

Segundo Liberati (2006, p.25):

[...] a doutrina da Proteção Integral teve seu crescimento primeiramente em
âmbito internacional inspirada nos movimentos de proteção à infância e
materializados em tratados e convenções, dentre os quais se destaca a
Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989 e aprovada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas e “representou até agora, dentro do
panorama legal internacional, o resumo e a conclusão de toda a legislação
garantista de proteção à infância".

A Convenção definiu a base da Doutrina da Proteção Integral ao anunciar um
conjunto de direitos de natureza individual reconhecendo que criança e adolescente
são sujeitos de direitos e, considerando sua vulnerabilidade, necessitam de cuidados
e proteção especiais.

VERONESE (2008, p.65) salienta que “[...] exige a Convenção, com força de
lei internacional, que os países signatários adaptem as legislações às suas
disposições e os compromete a não violarem seus preceitos, instituindo, para isto,
mecanismos de controle e fiscalização”.

Cabe aqui ressaltar, a importância do papel desempenhado pelos movimentos
sociais em meados da década de 70 na luta pela redemocratização do país onde
emergiu a militância em prol de crianças e adolescentes, reivindicando
principalmente o “status” de sujeito de direitos. E, consequentemente, mudanças na
concepção do atendimento, contemplados inicialmente na Carta Constitucional/88
18

em seu artigo 227 e posteriormente consolidado na forma de uma legislação
específica em 1990 através da criação do Estatuto da Criança e do adolescente.

A garantia dos direitos da infância e juventude, no Brasil, está solidamente
fundamentada na Constituição Federal, que a define como prioridade
absoluta em seu artigo 227, na Lei 8.069/90 do Estatuto da Criança e do
Adolescente e nos documento internacionais, ratificados pelo Congresso
Nacional, com especial destaque para a Convenção das Nações Unidas
sobre os Direitos da Criança. (VOLPI, 2008, p.13).

Pela primeira vez na história brasileira, a questão da criança e do adolescente
foi abordada como prioridade absoluta, expressando a quebra de um padrão nas
políticas públicas voltadas para a infância e adolescência, rompendo com a tradição
do “menor”, expressa no Código de Menores de 1927, com a Doutrina da Situação
Irregular, substanciada no Código de 1979 e a Política Nacional do Bem-Estar do
Menor.

Em sintonia com a concepção assumida pelo ECA, as crianças e
adolescentes passam a ser reconhecidos como sujeitos de direitos, redirecionando
as atribuições do Estado, da família e da sociedade, como assegura seu art. 4º.

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder
público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer,
à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária.

Com essa mudança na legislação, de fato ocorre uma nova forma de se
perceber a criança e o adolescente, sem distinção de raça e classe social, passando
a reconhecê-los não mais como “objetos”, mas como sujeitos de direitos, que
necessitam de prioridades no atendimento às necessidades, vontades e
potencialidades, exigindo dedicação plena por parte de toda sociedade no sentido de
transformar a realidade social e consequentemente a melhoria da qualidade de vida
desse segmento.

Com a ruptura da tradição do “menor”, a Doutrina da Situação Irregular, a
troca desse paradigma ficou clara quando o Estatuto retira a criança e o adolescente
da posição de mero objeto de proteção dos adultos ou do Estado, colocando-os na
19

posição de sujeitos de direitos, não só dos direitos que são comuns a todo cidadão,
mas também, de direitos especiais decorrentes da condição peculiar de pessoas em
processo de desenvolvimento.

O diferencial trazido pela Constituição Federal/88, Convenção sobre os
Direitos da Criança e pelo Estatuto foi considerar a criança e o adolescente como
sujeitos de direitos, em oposição aos Códigos de Menores anteriores, que
consideravam o menor em “situação irregular”, como vítima de uma situação social
de abandono, carência, delinquência não distinguindo infância desvalida de infância
delinquente.

A partir da nova lei, os direitos de todas as crianças e adolescentes devem ser
reconhecidos de forma universal e em sua integralidade, tendo em vista serem
direitos especiais e próprios de sujeitos específicos, com característica singular de
pessoa em desenvolvimento.

A Lei n° 8.242, de 12 de outubro de 1991, criou o Conselho Nacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA, com autonomia política para
tomar decisões que contribuam para a efetivação dos direitos humanos de crianças e
adolescentes como promulga seu art. 1º:

O Conselho Nacional dos direitos da Criança e do Adolescente –
CONANDA, órgão colegiado de caráter deliberativo e controlador das ações,
integrantes da estrutura básica da Secretária Especial dos Direitos Humanos
da Presidência da República, previsto no art. 88 da Lei 8.069 de 13 de julho
de 1990 - Estatuto a Criança e do Adolescente, tem por finalidade elaborar
normas gerais para a formulação e implementação da política nacional de
atendimento dos direitos da criança e do adolescente.

Atendendo a perspectiva dessa proteção especial, voltamos à atenção deste
estudo para a política de proteção especial no atendimento ao adolescente Infrator,
cabendo aqui salientar que, a lei deve assegurar a satisfação de todas as
necessidades de crianças e adolescentes e não só se manifestar quando ocorre a
prática de infração penal.
20

Essa política de garantias se concretiza em um sistema articulado de
princípios e políticas sociais básicas nas áreas da educação, saúde, assistência
social e programas de proteção especial para crianças e adolescentes violados em
seus direitos e excluídos da sociedade em razão de conduta ou da prática de ato
infracional.
21

1.3 Adolescência: fase peculiar de pessoa em desenvolvimento e a preceito da
proteção integral aplicada aos adolescentes em conflito com a lei

O ECA em seu art. 2º, considerando a idade na qual o indivíduo esteja, define
criança à pessoa com até 12 anos de idade incompletos e considera adolescente o
que tenha de 12 a 18 anos. Ao delimitar os indivíduos que devem ser considerados
adolescentes, é importante salientar também o que seja este momento da vida,
assim como, as influências cotidianas que sofrem.

É uma fase do ciclo vital cheia de desafios e oportunidades como diz
Maldonado (2006, p.141):

o adolescente já não é uma criança, e ainda não é adulto. Há perdas e
ganhos, transformação de identidade, do seu modo de ser no mundo, entre
alegrias, tristezas, incertezas, insegurança, ilusão de onipotência,
esperanças, angustia e busca de sentido para a vida.

Esse período de transformação do adolescente envolve os aspectos
psicossociais, possibilitando à verificação dos vários conflitos internos em que há
dificuldade em se identificar, as mudanças emocionais e sexuais, o apelo em
satisfazer interesses e curiosidades, as crises de insegurança, a transformação dos
princípios pessoais e a busca pela aceitação da família e da sociedade.

A adolescência é uma fase de transformações permeado pelo processo de
desenvolvimento físico, mental e emocional, e em face dessa constante busca
estando mais propício a más influências. E o relacionamento com outras pessoas é
para ele muito mais importante do que o relacionamento mantido com a família. A
adrenalina dos desafios, o prazer pela aventura faz com que esse adolescente possa
ingressar no “mundo do crime”.

Dentro dessa visão, Losacco (2008) fala que a vulnerabilidade própria da
idade expõe o jovem a situações adversas, estabelecendo outros laços em sua
comunidade muitas vezes perigosos como o incentivo ao uso de drogas, tráfico,
infrações. E também existem os fatores econômicos, gerados pelo capitalismo que
contribuem para a fragilização dos vínculos familiares de modo que os adultos
22

tenham pouca disponibilidade de tempo para o convívio na família levando esses
adolescentes a buscarem nas ruas, referências erradas.

Portanto, crianças e adolescentes necessitam de apoio e orientação por parte
de adultos que sejam bons modelos de identificação. A influência do grupo de amigos
é muito relevante, tanto para bons e maus caminhos.

Nessa ótica Rosa (2001, p.183) argumenta “[...] na rua, as necessidades
materiais, afetivas e sociais são resolvidas de maneira fragmentada. As crianças e
adolescentes que sobrevivem nas ruas não encontram as referências básicas para seu
desenvolvimento”.

O adolescente infrator corresponde a uma categoria jurídica delimitada, mas
que em nada difere de parte da população que tem seus direitos fundamentais
violados.

O ECA considera o adolescente infrator como uma categoria jurídica,
passando a ser sujeito dos direitos estabelecidos na Doutrina da Proteção
integral, inclusive do processo legal. Essa conceituação rompe com a
concepção de adolescente infrator como categoria sociológica vaga implícita
no antigo Código de Menores, concepção que, ampara-se numa falsa e
eufemística ideologia tutelar (VOLPI, 2010, p.15).

Significando desta forma que o adolescente enquanto infrator será alvo de um
conjunto de ações preventivas e inclusivas e, enquanto sujeito de direitos que é, será
titular de políticas públicas e no contexto socioeducativo trata-se de política de
proteção especial, mas que são secundárias às demais políticas previstas no
Estatuto da Criança e do Adolescente agrupadas em três segmentos.

As Políticas Sociais Básicas, definidas no artigo 4º do ECA (saúde,
alimentação, habitação, educação, esporte, lazer, profissionalização e cultura);

As Políticas de Proteção Especial, conforme os artigos 101, 129, 23 -
parágrafo único e artigo 34 do ECA (orientação, apoio e acompanhamento
temporários, regresso escolar, apoio sociofamiliar e manutenção de vínculo,
23

necessidades especiais de saúde, atendimento a vítimas de maus tratos, tratamento
de drogadição, renda mínima familiar, guarda subsidiada e abrigo);

As Políticas Socioeducativas descritas a partir do artigo 112 do Estatuto e
como instrui Liberati (2006, p.21):

São consideradas sanções de natureza penal, impostas como punição ou
como reparação por uma ação julgada repreensível. Sua execução, no
entanto, deve fundar-se em atividades, de caráter pedagógico, com o intuito
de ajustar a conduta do infrator à convivência social pacífica, sob o prisma
da prevenção especial, voltada para o futuro.

Passamos por várias fases, desde a inimputabilidade absoluta até os 09 anos
do Código de Menores, até a responsabilização especial do Estatuto da Criança e do
Adolescente. Em 1988, a inimputabilidade penal é elevada à condição de garantia
constitucional dos adolescentes, por força do artigo 228 da Constituição Federal, que
diz que as pessoas com menos de 18 anos responderão na forma da legislação
especial.

O ECA é esta forma de legislação especial, que dá resposta adequada à
prática de atos infracionais, compreendidos como crimes e contravenções penais.
Todo adolescente que pratica um ato infracional não pode ser condenado como se
fosse adulto, mas essa característica peculiar não o isenta da sujeição ao
ordenamento jurídico e a adoção de medidas de responsabilização.

Assim, dentro do sistema socioeducativo as medidas impostas não perdem
seu caráter punitivo, mas acima de tudo visam à recuperação, ressocialização,
retorno ao seio familiar e o fortalecimento dos vínculos afetivos.

Portanto, o ECA construiu um novo modelo de responsabilização do
adolescente em conflito com a lei. Embora, o adolescente seja inimputável às penas
aplicáveis aos adultos, faz-se responsável submetendo-se às sanções que
estabelece o sistema juvenil, chamadas não de “penas”, mas de medidas
socioeducativas, podendo não ser responsabilizado apenas em casos de problemas
psíquicos comprovados.
24

Assim, quando ficar comprovado transtornos psíquicos que o incapacite esse
adolescente ficará inimputável permanecendo nesta condição ainda que atinja a
idade de imputabilidade penal como assegura o art. 26 do Código Penal Brasileiro.

O art. 103 do ECA, afirma que ato infracional é a conduta considerada como
crime ou contravenção penal praticada por criança ou adolescente, que em
decorrência da pratica delituosa sofrem consequências punitivas através da
aplicação de medida socioeducativa de forma isolada ou cumulada tipificadas no art.
112 do Estatuto:

I – Advertência; II – Obrigação de reparar o dano; III – Prestação de serviços
à comunidade; IV – Liberdade assistida; V – Inserção em regime de
semiliberdade; VI – Internação em estabelecimento educacional.

Para imposição destas medidas, é indispensável que se leve em consideração
a idade do adolescente e a data do delito praticado e esses regimes devem realizar-
se em conjunto com políticas públicas, respeitando todos os direitos da infância e
juventude e sua condição de cidadão.

Portanto, qualquer que seja a medida aplicada ao adolescente levará em
conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração e
em hipótese alguma e sobre pretexto algum, será admitida a prestação de serviço
forçado.

Ao adolescente, a submissão a uma medida socioeducativa, para além de
uma mera responsabilização, deve ser fundamentada não só no ato a ele
atribuído, mas também no respeito à equidade (no sentido de dar o
tratamento adequado e individualizado a cada adolescente a quem se
atribua o ato infracional), bem como considerar as necessidades sociais,
psicológicas e pedagógicas do adolescente. O objetivo da medida é
possibilitar a inclusão social de modo mais célere possível e, principalmente,
o seu pleno desenvolvimento como pessoa. (SINASE, 2006).

Portanto, o sistema socioeducativo visa o resgate, à reintegração do
adolescente à sociedade, mediante procedimentos pedagógicos que desenvolvam a
sua capacidade intelectual, profissional e o seu retorno ao convívio familiar, mas que
além da qualidade pedagógica, as medidas possuam caráter punitivo.
25

A execução de medida socioeducativa deve ser realizada dentro de um
sistema, que segundo Liberati (2006, p.22) foi denominado “[...] tutela jurisdicional
diferenciada”, em face do respeito à condição singular de pessoa em
desenvolvimento.

Dentro desse contexto e na perspectiva de construir um sistema de
atendimento a este público fundamentado no respeito aos direitos humanos
e de cidadania as ações de execução das medidas socioeducativas foram
normatizadas através do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo –
SINASE, tratando-se de: [...] um conjunto ordenado de princípios, regras e
critérios, de caráter jurídico, político, pedagógico, financeiro e administrativo,
que envolve desde o processo de apuração de ato infracional até a
execução da medida socioeducativa, constituindo-se de uma política pública
destinada à inclusão do adolescente em conflito com a lei que se
correlaciona e demanda iniciativas dos diferentes campos das políticas
públicas e sociais. (SINASE, 2006)

A implementação do SINASE objetiva essencialmente o desenvolvimento de
uma ação socioeducativa assentada nos princípios da “excepcionalidade, brevidade
e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento” que asseguram aos
adolescentes em conflito com a lei, oportunidade de desenvolvimento e uma
autentica experiência de reconstrução de seu projeto de vida.

As ações socioeducativas devem exercer uma influencia sobre a vida do
adolescente, contribuindo para a construção de sua identidade, de modo a
favorecer a elaboração de um projeto de vida, o seu potencial social e o
respeito às diversidades (cultural, étnico-racial, de gênero e orientação
sexual), possibilitando que assuma um papel inclusivo na dinâmica social e
comunitária. Para tanto, é vital a criação de acontecimentos que fomentem o
desenvolvimento da autonomia, da solidariedade e de competências
pessoais relacionais, cognitivas e produtivas”. (SINASE, 2006)

Assim, a condição característica de pessoa em desenvolvimento nessa fase
da vida coloca os agentes envolvidos na operacionalização das medidas
socioeducativas a missão de proteger, no sentido de garantir o conjunto de direitos e
educar oportunizando a inserção do adolescente na vida social.
26

CAPITULO II – ATO INFRACIONAL, CARACTERIZAÇÃO DAS
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS E AS ATRIBUIÇÕES DOS ÓRGÃOS
DO ESTADO EM RELAÇÃO À SUA IMPLEMENTAÇÃO

2.1 Natureza do ato infracional e o devido respeito à Doutrina da
Proteção Integral aplicada ao adolescente em conflito com a lei

O ECA em seu art. 103 considera ato infracional a conduta descrita como
crime ou contravenção penal pressupondo-se que o conceito de crime deve ser
tirado do direito penal e considerado como toda conduta que o legislador sanciona
como uma pena ou como relata Liberati (2006, p.61) “o crime é considerado a
conduta humana que lesa ou expõe a perigo um bem jurídico protegido pela lei
penal”.

Antes de se falar em aplicação de medida socioeducativa, é necessário
reconhecer ato infracional como transgressão de uma lei que a forma de
responsabilização é diferenciada da prática delituosa cometida por adultos, estando
o adolescente em conflito com a lei abarcado numa categoria jurídica especial,
sujeita aos direitos estabelecidos na Doutrina da Proteção Integral.

Essa doutrina considera a contravenção penal como o ato ilícito de menor
proporção que o “crime” os diferenciando, apenas, quanto ao tipo de pena. Em
resumo, crime de uma maneira geral, é todo ato que contraria a lei e contravenção
penal é um ato ilícito, mais leve que o crime, mas que também contraria, viola ou
infringe o que é colocado como norma.

Dentro do contexto legal, crianças (até 12 anos incompletos) são
penalmente inimputáveis, ou seja, a elas não podem ser aplicadas penas ou
punições por se tratarem de penalmente serem inimputáveis e, em caso de
cometimento de atos que infrinjam as leis penais, apenas poderão sofrer as
medidas de proteção, previstas no art. 101 do ECA, indicadas pelo Conselho
27

Tutelar para o devido acompanhamento, como determina o art. 105 do referido
Estatuto.

As medidas de proteção corroboradas no Art. 101, inciso de I a VI do ECA
correspondem a encaminhamento aos pais ou responsáveis, mediante termo de
responsabilidade; orientação, apoio e acompanhamento temporários; matrícula e
frequência obrigatórias em estabelecimento oficial do ensino fundamental; inclusão
em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao
adolescente; requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em
regime hospitalar ou ambulatorial; inclusão em programas oficial ou comunitário de
auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; abrigo em entidade;
colocação em família substituta.

As medidas de proteção relacionadas acima permitem ações em benefício
da criança bem como seus familiares e são tomadas sempre que os direitos
reconhecidos no Estatuto forem ameaçados ou violados por ação ou omissão da
sociedade ou do Estado; omissão ou abuso dos pais ou responsáveis tendo
sempre como finalidade resguardar, amparar e proteger os direitos fundamentais
da criança ou do adolescente.

Diferentemente, os adolescentes (12 a 18 anos incompletos), são também
penalmente inimputáveis, no entanto, podem ser penalmente responsabilizados por
meio da aplicação de medidas socioeducativas. Quer dizer, respondem penalmente,
nos termos da lei específica por aquelas condutas caracterizadas como
contravenções penais, ou ainda, ato infracional como se refere o Estatuto.

As medidas aplicadas ao adolescente infrator serão as medidas
socioeducativas, que possuem caráter pedagógico e acima de tudo visam à
reinserção e o fortalecimento dos vínculos familiares.

São medidas aplicáveis de forma isolada ou cumulada com qualquer uma
das medidas tipificadas no art. 101 do ECA, podendo ainda ser substituídas a
qualquer tempo pela autoridade judiciária devendo ser realizada em conjunto com
28

as políticas públicas e respeitando todos os direitos da infância e juventude e sua
condição de cidadão.

Portanto, qualquer que seja a medida aplicada ao adolescente deverá se levar
em conta a gravidade da infração, o grau de participação, a capacidade de cumpri-la,
as circunstâncias em que a infração ocorreu e em hipótese alguma e sob pretexto
algum, será admitida a prestação de serviço forçado.

Aos adolescentes que possuem doença ou deficiência mental receberão
tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições,
conforme previsto no Art. 112 parágrafo 3º do ECA.

Ao adolescente, a submissão a uma medida socioeducativa, para além de
uma mera responsabilização, deve ser fundamentada não só no ato a ele
atribuído, mas também no respeito à equidade (no sentido de dar o
tratamento adequado e individualizado a cada adolescente a quem se
atribua o ato infracional), bem como considerar as necessidades sociais,
psicológicas e pedagógicas do adolescente. O objetivo da medida é
possibilitar a inclusão social de modo mais célere possível e, principalmente,
o seu pleno desenvolvimento como pessoa. (SINASE, 2006)

O Sistema socioeducativo visa o resgate, à reintegração do adolescente à
sociedade, mediante procedimentos pedagógicos que desenvolvam a sua
capacidade intelectual, profissional e o seu retorno ao convívio familiar, mas que
além da perspectiva educativa e socializadora as medidas possuam caráter
responsabilizador.

2.1.2 Medidas Socioeducativas: uma nova política de atendimento para
adolescente em conflito com a lei

Identificado e apurado o ato infracional praticado por adolescente e depois de
assegurada todas as garantias do devido processo legal, o juiz, na sentença,
individualizará a medida e determinará a sua execução, ou seja, a medida
socioeducativa inicia-se no momento em que a autoridade judiciária define a
infração, dá ciência ao adolescente juntamente com seu responsável e determina
sua execução, obedecendo desta forma a garantia do devido processo legal.
29

Como estabelece o art. 115º do ECA, a advertência é a medida mais simples,
é a forma de alertar, aconselhar, avisar sobre o erro, falar do perigo do ato praticado
para si e para os outros. Consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a
termo e assinada pelo adolescente sendo aplicada pelas autoridades judiciárias na
presença dos pais ou responsáveis sempre que houver provas e indícios de autoria.
É utilizada em delitos de natureza leve, sendo uma forma de permitir ao adolescente
não passar pelas situações constrangedoras de um processo judicial. Para Volpi
(2008, p.23), “[...] a coerção manifesta-se no seu caráter intimidatório, devendo
envolver os responsáveis num procedimento ritualístico”.

O Art. 116 do ECA trata sobre a obrigação de reparar o dano,quando o ato
infracional consiste em lesão ao patrimônio alheio, apontando como obrigatoriedade
do adolescente fazer a restituição do bem, indenizar ou compensar a vítima sem
que seja permitido a prestação de serviços pelo adolescente à vitima, no entanto
sem nunca comprometer a situação econômica da família.

Vale salientar que o parágrafo único do artigo supracitado diz que “havendo
manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada”.
Essa medida tem como evidência, uma forma coercitiva e educativa, fazendo com
que o adolescente reconheça o erro, em hipótese alguma poderá haver a
transferência do cumprimento da medida para outra pessoa, portanto, ela é pessoal
e intransferível.

Uma das formas de responsabilização em meio aberto é a Prestação de
Serviço à Comunidade (PSC) que consiste na realização de tarefas de interesse
coletivo a serem realizadas pelo adolescente, levando em consideração fatores
como prazo da medida que não exceda seis meses, carga horária de oito horas
semanais de maneira que não prejudique a frequência escolar, sendo ainda os
serviços prestados de acordo com suas aptidões física e mental.

A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas
gratuitas de interesse geral, por período não excedente há seis meses, junto
a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos
30

congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais.
(Art.117- ECA)

A aplicação dessa medida depende exclusivamente da Justiça da Infância e
Juventude, mas na sua execução é recomendável que se estabeleça parcerias com
órgãos públicos e organizações não governamentais. Esses programas nos quais o
adolescente será incluído devem estar estruturados em nível municipal,
preferencialmente na comunidade de origem do jovem e devidamente
acompanhada por orientador designado pela autoridade judiciária.

o programa de liberdade assistida exige uma equipe de orientadores sociais,
remunerados ou não, para o cumprimento do artigo 119 do Eca, tendo como
referência a perspectiva do acompanhamento personalizado, inserido na
realidade da comunidade de origem do adolescente, e ligado a programas
de proteção e/ou formativos. Tanto o programa como os membros da equipe
passam a constituir uma referência permanente para o adolescente e sua
família. (Volpi, 2008 p. 25).

Outra forma de execução de medida Socioeducativa em meio aberto está
assegurada no art. 118-ECA. A Liberdade Assistida constitui-se numa medida
coercitiva quando verificada a necessidade de acompanhamento da vida social do
adolescente (escola, trabalho e família) e adotada sempre que se afigurar a medida
mais adequada para acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente no período
mínimo de seis meses, podendo a qualquer momento ser prorrogada ou modificada.

Essa intervenção educativa manifesta-se no acompanhamento personalizado
obedecendo aos aspectos de proteção, inserção comunitária, manutenção de
vínculos familiares, frequência escolar, inserção em educação profissional, assim
como inserção no mercado de trabalho.

Para o cumprimento satisfatório das medidas socioeducativas de Prestação
de Serviço à Comunidade e Liberdade assistida o Sistema Nacional de Atendimento
Socioeducativo – SINASE determina que:

Em se tratando de medidas em meio aberto é importante que se mantenha
um local específico para a sua execução, contando com salas de
atendimento individuais e em grupo, sala de técnicos e demais condições
para garantir que a estrutura física facilite o acompanhamento dos
adolescentes e seus familiares.
31

O Artigo 120 do ECA trata do regime de Semiliberdade, que pode ser aplicada
como primeira medida, ou como forma de transição para o meio aberto daquele
adolescente que foi beneficiado com progressão da medida de Internação.

Atende aos princípios da excepcionalidade, brevidade e respeito à condição
singular de pessoa em desenvolvimento onde:

Esses princípios são complementares e estão fundamentados na premissa
de que o processo socioeducativo não se pode desenvolver em situação de
isolamento do convívio social. (SINASE, 2006)

Contudo, contempla aspectos coercitivos uma vez que afasta parcialmente o
adolescente do convívio familiar e da comunidade de origem, mas, não o priva
totalmente do seu direito de ir e vir.

A política de execução desta medida, traçada pelo Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo – SINASE fundamenta-se em aspectos educativos,
visando à autonomia, progressão comportamental e social dos jovens internos,
sendo trabalhados através da oportunidade de acesso a serviços de saúde,
educação e profissionalização, resgate da cidadania e essencialmente o
fortalecimento dos vínculos familiares.

A responsabilização do jovem que comete ato infracional também se opera por
meio da imposição de uma sanção, e a coerção mais sentida e vivenciada é através
do meio que restringe o direito de ir e vir do adolescente, ou seja, a medida
socioeducativa de internação.

O adolescente em cumprimento de medida socioeducativa de Internação
recebe como sanção a privação de liberdade com o convívio com a sua
família e comunidade. Entretanto, para que se assegure o seu direito de
cidadania e os danos não sejam ainda maiores, a entidade e/ou programa
de atendimento deve garantir que o adolescente tenha acesso aos demais
direitos. (SINASE, 2006)

Deixando a lei bem clara no art. 106 do Estatuto que a internação só deve ser
aplicada em casos excepcionais, onde “nenhum adolescente será privado de sua
liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada
32

da autoridade judiciária competente”, onde a restrição de liberdade limita-se ao
direito de ir e vir e os demais direitos constitucionais devem ser garantidos.

Como em todas as medidas socioeducativas, a internação também possui
características próprias asseguradas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e
normatizadas pelo SINASE.

Sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição
peculiar de pessoa em desenvolvimento a medida não tem prazo determinado,
porém, sua manutenção deve ser reavaliada no máximo a cada seis meses e, em
nenhuma hipótese a internação excederá a três anos. Contudo, atingido esse limite,
o adolescente deverá ser liberado ou até mesmo incluído no regime de
semiliberdade ou de liberdade assistida, cabendo salientar que como no mesmo
contexto legal aplicado à medida socioeducativa de semiliberdade, na internação a
liberação do adolescente será compulsória aos 21 anos de idade.

Em resumo, as seis medidas socioeducativas previstas no Estatuto devem
sempre ser aplicadas respeitando o princípio da dignidade da pessoa humana e
observar o estado peculiar de desenvolvimento em que se encontram os
adolescentes, ter caráter pedagógico e promover o fortalecimento de vínculos
familiares e comunitários.

Assim, a Lei n. 8.069/90 efetivamente não contempla a medida socioeducativa
como uma sanção penal, fato este claramente tipificado em seu art. 100 quando diz:
“Na aplicação das medidas, levar-se-ão em conta as necessidades pedagógicas,
preferindo-se aquelas que visem o fortalecimento dos vínculos familiares e
comunitários”, e ratificando de igual modo nos arts. 119, II; 120, § 1º; 123, § único, a
importância das atividades pedagógicas, sendo obrigatórias até mesmo quando
estes adolescentes encontrarem-se segregados em unidades de internações
provisórias, pois o que se pretende é sempre o resgate desta pessoa humana,
inimputável penalmente mas que, no entanto, transgrediu uma norma.
33

A formulação do Estatuto acredita que a melhor forma de intervir nesse
adolescente em conflito com a lei é incidir positivamente na sua formação, servindo-
se, para tanto, do processo pedagógico como um mecanismo efetivo, que possibilite
o convívio cidadão, ou seja, educar para a vida social como aponta o autor a seguir:

O educar para a vida social visa, na essência, ao alcance de realização
pessoal e de participação comunitária, predicados inerentes à Cida Assim,
imagina-se que a excelência das medidas socioeducativas se fará presente
quando propiciar aos adolescentes oportunidades de deixarem de ser meras
vítimas da sociedade injusta em que vivemos para se constituírem em
agentes transformadores desta mesma realidade (MAIOR, 2006, p.379).

De fato, o que se pretende com o atual sistema de medidas socioeducativas é
a superação das velhas concepções autoritárias de defesa social, pois a melhor
alternativa de superação à violência é a emancipação humana e somente a
promoção de alternativas educacionais e sociais é capaz de apresentar novos
horizontes.

2.1.3 Atribuição dos operadores do sistema de execução das medidas
socioeducativas

As modificações ocorridas no que se diz respeito à proteção integral de
crianças e adolescentes se deram a partir da Constituição Federal de 1988 quando
instituiu a responsabilidade para a família, a sociedade e ao Estado, foram ratificadas
no Estatuto da criança e do Adolescente no ano de 1990 conforme previsto no seu
artigo 4º:

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder
público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer,
à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar comunitária.

Assim, os preceitos que sustentam a Doutrina da Proteção Integral afirmam o
valor inerente da criança e do adolescente como ser humano, sua necessidade de
especial respeito à sua condição de pessoa em desenvolvimento e reconhece sua
situação de vulnerabilidade tornando-os merecedores de proteção especial, o que
34

acarretou mudanças de referenciais e paradigmas com reflexos inclusive no que diz
respeito à questão infracional.

A mudança de paradigma e a consolidação do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) ampliaram o compromisso e a responsabilidade do
Estado e da Sociedade Civil por soluções eficientes, eficazes e efetivas para
o sistema socioeducativo e asseguram aos adolescentes que infracionaram
oportunidade de desenvolvimento e uma autêntica experiência de
reconstrução de seu projeto de vida. Dessa forma, esses direitos
estabelecidos em lei devem repercutir diretamente na materialização de
políticas públicas e sociais que incluam o adolescente em conflito com a lei.
(SINASE, 2006)

Visando concretizar esses avanços e contribuir para a efetiva cidadania dos
adolescentes em conflito com a Lei, o Sinase, enquanto regulamentador das ações
socioeducativas atribui responsabilidades específicas para cada órgão do Estado
frente à execução das medidas socioeducativas.

Os órgãos gestores e de execução da política socioeducativa são aqueles
responsáveis, dentro do respectivo nível federativo, pela coordenação do Sistema
Socioeducativo quer seja em fase de processo judicial (atendimento inicial), quer seja
sobre execução de medida socioeducativa.

Segundo Liberati (2006, p.174) “a execução de medidas socioeducativas, pela
sua complexidade, reclama a colaboração de vários operadores do direito. Um
conjunto de órgãos de execução deverá ser constituído para o pretendido
mister”.São órgãos de execução de medida Socioeducativa o Juízo de execução;
Ministério Público; as Entidades de Execução de Medidas Socioeducativas em meio
Aberto e as Privativas de Liberdade.

O chamado Juízo de Execução trata-se do Juizado da Infância e Juventude
Infracional, como o centro de todo o processo de execução competirá além
da execução de medida de advertência em se tratando de repreensão verbal
e a obrigação de reparar o dano, por se tratar basicamente de medidas de
controle e vigilância, competirá ainda: Para cumprir seu desiderato, ao juiz
da execução competirá: a) manter, substituir, progredir, regredir,
reestabelecer e extinguir a medida Socioeducativa aplicada, bem como
decidir todos os incidentes que ocorram durante a execução; b) substituir a
medida de meio aberto por outra de meio em razão do seu caráter benéfico
em relação ao adolescente; c) processar e julgar ações de apuração de
irregularidade em entidade de atendimento, aplicando as medidas cabíveis
previstas nos arts 191 e seguintes do Estatuto; d) comparecer mensalmente
35

aos estabelecimentos destinados ao cumprimento de medidas
socioeducativas privativas de liberdade, ouvindo pessoal, individual e
reservadamente os adolescentes que assim o desejarem; e) determinar de
ofício ou requerimento do interessado, transtorno ou deficiência mental a
tratamento individual e especializado, a ser prestado em regime domiciliar ou
ambulatorial, e, excepcionalmente, e provisoriamente em instituição
hospitalar; f) ouvir os familiares e/ou responsável do adolescente. (Liberati,
2010, p.175)

Cabe ao Ministério Público como instituição permanente e essencial a função
jurisdicional do Estado fiscalizar as ações do Juízo de execução e:

a) requerer todas as medidas necessárias à formação e ao desenvolvimento
do processo executório socioeducativo; b) requerer a manutenção,
substituição, regressão, restabelecimento e extinção das medidas
socioeducativas; c) requerer o encaminhamento de adolescentes portadores
de sofrimento psíquico, transtorno ou deficiência mental, inclusive quando
resultante de dependência química, a tratamento individual e especializado;
d) interpor recursos das decisões proferidas pela autoridade judiciária nos
processos de execução; e) promover as ações judiciais cabíveis para obrigar
o Poder Público a criar e manter estruturas suficientes para o cumprimento
das exigências legais como a execução de todas as medidas
socioeducativas, bem como demandar dos responsáveis opções em caso de
interdição de estabelecimento; e) comparecer mensalmente aos
estabelecimentos destinados ao cumprimento de medidas socioeducativas
privativas de liberdade, ouvindo pessoal individual e reservadamente aos
adolescentes que assim o desejarem; g) responder petições verbais ou
escritas encaminhadas por adolescentes em cumprimento de medida
Socioeducativa e seus familiares ou responsáveis; h) velar para que sejam
respeitados os direitos e a segurança dos adolescentes; i) ajuizar
procedimento de apuração de irregularidade em entidade de atendimento de
medida Socioeducativa, nos termos do art. 191 do Estatuto. ( Liberati 2006,
p.176)

Quanto a Defensoria Pública exercerá defesa dos adolescentes que
necessitem, atuando em todo o processo de execução de medida socioeducativa,
bem como requerer providências necessárias para o pleno e satisfatório
cumprimento das medidas socioeducativas.

Quanto às atribuições das Entidades de Execução das Medidas em Meio
Aberto ou Restritiva de Liberdade caberá desenvolver suas especificidades
atendendo aos Planos Políticos Pedagógicos concorrendo para a execução
satisfatória da medida.
36

CAPITULO III – A EXECUÇÃO DA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE
SEMILIBERDADE, O PROCESSO DE REINSERÇÃO SOCIAL E O
ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NESSE PERÍODO

3.1 Procedimentos Metodológicos:

Neste capítulo iremos descrever as escolhas realizadas no processo de
concepção e realização deste estudo, bem como a análise de dados que deu origem
a este Trabalho de Conclusão de Curso - TCC. Para tanto, inicialmente
apresentamos as razões pelas quais optamos por um estudo de natureza qualitativa
e em seguida, explicitamos os objetivos que nortearam a referida pesquisa,
descrevendo o cenário em que o estudo foi realizado, os atores, os instrumentos, os
procedimentos adotados e por fim os dados obtidos.

O cenário – o primeiro contato com o ambiente de pesquisa foi realizado por
meio de encaminhamento para campo de estagio curricular, através de solicitação da
Faculdade Salesiana Dom Bosco junto a Secretaria da Assistência Social e
Cidadania – SEAS, a qual designou o Centro Socioeducativo de Semiliberdade
Masculino, até então localizado na AV: Yucatã, Qd. F, nº 50, do Conjunto Álvaro
Neves no Bairro Alvorada, mas que posteriormente mudou-se para a AV:
Constantino Nery, nº 1315 no Bairro São Geraldo.

O Centro é uma Instituição Pública Estadual responsável pela execução da
medida Socioeducativa de Semiliberdade, vinculado a Secretaria de Estado da
Assistência Social e Cidadania (SEAS) e da Gerência de Atendimento
Socioeducativo (GEASE).

Atendendo aos parâmetros estabelecidos no SINASE (2006), o Centro está
localizado em comunidade de fácil acesso, ofertante de Serviços e Programas que
auxiliam na efetividade das ações socioeducativas. Funciona em prédio com
estrutura de residência convencional, com capacidade para 30 (trinta)
socioeducandos, construída em alvenaria com dois andares, onde o andar inferior
37

funciona as salas de atendimentos técnicos nas áreas de Psicologia e Serviço
Social; sala conjugada para Gerência e Secretaria; refeitório, sala de TV;
almoxarifado; cozinha e banheiros para os colaboradores e o andar superior
constituído por 03 alojamentos e 02 banheiros de uso exclusivo dos adolescentes.

Os atores- Realizamos a seleção dos profissionais participantes da pesquisa
a partir do contato e permissão da Gerência de Atendimento Socioeducativo –
GEASE. O quadro de colaboradores do Centro é composto basicamente por
membros da Secretaria da Assistência Social e Cidadania - SEAS e empresas
terceirizadas, desenvolvendo funções específicas: 01 Diretor, 01 Assistente Social,
01 Psicóloga, 01 Agente administrativo, 14 socioeducadores, 03 cozinheiras, 02
auxiliares de Serviços Gerais e 03 Vigilantes. Como critério para seleção,
procuramos identificar os profissionais que estivessem diretamente ligados às
atividades socioeducativas dos adolescentes institucionalizados. Desta forma,
participaram da pesquisa um profissional da área de Psicologia, um do Serviço
Social e o Diretor do Centro, conforme indica a quadro abaixo. Esclarecemos que o
Centro não conta com profissional da área de Pedagogia e Enfermagem.

As pesquisas realizadas no campo das ciências humanas e sociais possuem
uma especificidade, segundo Rey (2010, p. 57) decorrente do fato de que o “objeto”
de pesquisa é idêntico ao pesquisador. Ou seja, não estamos estudando objetos
diferentes de nós, e sim estudando relações humanas e processos sociais nos quais
estamos imersos.

Desta forma, utilizaremos como base para responder aos questionamentos de
nossa investigação a abordagem qualitativa que, de acordo com Bogdan e Biklen
(1994, p. 11) ao incidir sobre diversos aspectos da vida, caracteriza-se por ter o
ambiente natural como fonte dos dados e o investigador como principal instrumento;
por ser descritiva e interessar-se mais pelo processo do que pelo produto.

Entendemos que a investigação realizada irá exigir a compreensão de
relações complexas construídas no campo do atendimento de um grupo populacional
38

distinto em um momento complexo de vida. Assim a abordagem qualitativa, ao
delegar ao pesquisador a possibilidade de ajustar o percurso de pesquisa durante o
período de permanência em campo, garante a inserção de elementos desconhecidos
no momento de elaboração do projeto de investigação. Portanto, a inserção do
pesquisador no campo de estudo, a possibilidade de utilização de diferentes
instrumentos para produção e recolhimento dos dados garantem a riqueza de
elementos no estudo de temas complexos como consideramos ser a importância do
acompanhamento familiar para os adolescentes em regime de semiliberdade.

Ao atribuir importância vital ao significado, as abordagens qualitativas dão
especial valor às opiniões dos participantes procurando construir uma compreensão
dos temas estudados, que considere os diferentes pontos de vista dos sujeitos
envolvidos. Segundo Rey (2010, p. 59) uma das características epistemológicas da
pesquisa qualitativa é sua natureza teórica. Segundo o autor, nessa abordagem a
teoria ocupa um lugar central “[...] o que não implica um divórcio com o empírico [...]
e que “a relação com a teoria nas pesquisas qualitativas é permanente, desde a
concepção do projeto, até o momento da análise”.

Porquanto, nossa escolha metodológica está sustentada nestes princípios e
como recomenda Rey (2010, p. 47) “a mediação entre a teoria e a experiência vivida
em campo” importante para que pudéssemos rever princípios e procedimentos e
caminhássemos em direção ao alcance dos objetivos deste trabalho.

Como descrevemos anteriormente, nosso propósito foi realizar uma pesquisa
qualitativa, para tanto se faz necessário à utilização de vários instrumentos, assim
como recomendado por Bogdan; Biklen (1994, p.48):

instrumentos que possibilitem o levantamento de dados que auxiliem na
compreensão de vários aspectos do tema em estudo, bem como, tragam
elementos importantes para análise e interpretação dos significados
atribuídos pelos sujeitos para os problemas investigados.

Segundo Minayo (2008, p. 189) “os instrumentos de campo na pesquisa
qualitativa visam fazer a mediação entre os marcos teórico-metodológicos e a
39

realidade empírica”. Sendo o foco deste estudo o processo de reinserção social e a
importância do acompanhamento familiar de adolescentes em conflito com a lei que
cumprem o regime socioeducativo de semiliberdade, foram adotados três
instrumentos para produção dos dados: entrevistas individuais semiestruturadas,
análise documental, e diário de campo. Para Minayo (2008, p. 261):

Entrevista é acima de tudo uma conversa de dois ou entre vários
interlocutores, realizadas por iniciativa do entrevistador, destinada a construir
informações pertinentes para um objeto de pesquisa e abordagem pelo
entrevistador, de temas pertinentes tendo em vista esse objetivo.

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), a entrevista semiestruturada
(Apêndices 1, 2 e 3) tem como principal característica possibilitar a obtenção de
dados entre os participantes. Este procedimento possibilita a comparação dos dados,
além de acumular uma maior quantidade de conteúdos, pois os sujeitos são
encorajados a falar sobre determinado assunto, sendo norteados pela estrutura pré-
definida da entrevista.

Sendo assim, foram realizadas entrevistas individuais através de aplicação
dos formulários de pesquisa semiestruturado, contendo perguntas abertas e
fechadas para cada um dos profissionais da equipe técnica responsável pelo
acompanhamento dos adolescentes no Centro, bem como com o Diretor da
instituição (Apêndice 01), com os adolescentes que cumprem medida socioeducativa
de semiliberdade (Apêndice 02) e familiar de referência no período de execução da
medida socioeducativa (Apêndice 03).

Para garantir o sigilo, as entrevistas foram realizadas individualmente e a
análise dos dados não irá conter nomes ou características que possam identificar os
participantes. Pela natureza de nossa pesquisa, na qual pretendemos analisar a
importância do acompanhamento familiar no período de execução da medida
socioeducativa de semiliberdade e conhecer o processo de reinserção social dos
socioeducandos não bastaria apenas ouvir os envolvidos por meio das entrevistas, o
tempo de permanência no estágio curricular enquanto campo de pesquisa traziam
sempre informações relevantes sobre as ações socioeducativas.
40

Neste sentido, ganhou importância o diário de campo como instrumento que
possibilitou o registro das pessoas com quem foram realizados contatos, objetos,
lugares, acontecimentos, conversas e impressões do pesquisador. Além disso,
alguns autores ressaltam que a entrevista é realizada por meio de uma interação
social, portanto o contexto em que esta ocorre deve ser considerado no momento em
que o pesquisador for realizar a análise. Para isso, o diário de campo também foi
utilizado para registrar nossas impressões nos momentos de interação vividos nas
entrevistas.

Já a análise de documentos, teve um papel importante na complementação
dos dados, bem como auxiliou na compreensão da forma de funcionamento e
constituição da instituição. De acordo com Minayo (2008) esta técnica possibilita a
compreensão da realidade e sofre influência da criatividade e interpretação do
pesquisador. Sendo assim, como forma de complementar os demais instrumentos
utilizados na investigação a que se propôs esta pesquisa, os documentos
analisados foram: Movimento Geral; Regimento Interno e o Plano Político-
Pedagógico do Centro (PPP - 2013), criado substancialmente para nortear as ações
socioeducativas a serem desenvolvidas estando sustentado nos princípios dos
direitos humanos garantindo os preceitos contidos na legislação e assegurando a
efetiva cidadania dos adolescentes em conflito com a lei; o acesso às oportunidades
de superação de sua situação de exclusão e ainda a ressignificação de valores
éticos e morais.

Desenvolvemos a pesquisa de campo no período entre julho e novembro de
2013, sendo que o início da investigação se deu a partir de uma pesquisa
documental realizada por meio do acesso do pesquisador aos documentos
supracitados. Este procedimento teve como objetivo levantar o quantitativo de
adolescentes, idade, escolaridade, situação socioeconômica e outros dados que
fossem relevantes à pesquisa.

Cabe ressaltar, que a aplicação dos formulários de pesquisa passou por três
etapas, sendo a primeira junto a Gerência de Atendimento Socioeducativo, a qual
41

autorizou sua realização. Após concessão da Gerencia, solicitou-se aos membros da
equipe técnica e direção autorização para que participassem da pesquisa como
sujeitos, assim como pais/responsáveis pelos adolescentes e os próprios
adolescentes, sendo apresentados os Esclarecimentos Gerais aos Participantes e
colhidas às assinaturas nos respectivos Termos de Consentimento Livre e
Esclarecido. Bogdan e Biklen (1994, p. 75) afirmam a importância e necessidade de
assegurar e garantir aos sujeitos a participação voluntária, a ciência da natureza do
estudo e dos possíveis riscos ou danos, bem como quanto aos ganhos e
contribuições da pesquisa para a sociedade de maneira geral. Segundo os autores “a
assinatura do sujeito aposta no formulário é prova de um consentimento informado”.

A análise de documental forneceu algumas informações importantes no que
diz respeito à rotina administrativa do Centro, normas e regras institucional
importantes para o cumprimento efetivo da medida, bem como sobre o
direcionamento dos procedimentos e atividades desenvolvidas dentro da Instituição.
Entretanto as entrevistas e o diário de campo foram os principais meios para recolher
os dados analisados.

Com o termo assinado pelos pais/responsáveis e adolescentes participantes
da pesquisa, realizamos as entrevistas individualmente nas dependências do Centro.
Como forma de preservar a integridade dos participantes não será exposto dado ou
característica que os identifiquem.

Segundo Minayo (2008, p. 351) “[...] na produção de análises sobre questões
sociais e mesmo de abordagens qualitativas não há consenso, há sim, vários
caminhos de possibilidades à escolha do pesquisador.” Assim, à medida que os
dados iam sendo produzidos/coletados, iniciávamos sua organização para ajustar a
pesquisa às necessidades e possibilidades do campo de investigação e ao
atendimento dos objetivos.

No que se refere aos adolescentes, realizamos a seleção de acordo com a
assinatura do responsável no termo de autorização – TCLE, para os adolescentes
42

com idade inferior a 18 anos, e assinatura de termo equivalente para os
socioeducandos com idade superior a 18 anos, desejo do adolescente em participar,
bem como estar cumprindo medida socioeducativa de semiliberdade no momento da
entrevista. A escolha pelos adolescentes que cumprem esta medida se deu em
virtude da excepcionalidade nas condições de reinserção social e familiar. Desta
forma, realizamos entrevista com dez adolescentes, o que corresponde a 100% dos
internos.

Quanto os critérios de seleção para a realização de entrevista com 10
familiares de referência, abrangendo 100% do efetivo, sendo adotado o mesmo
molde dos formulários aplicado junto ao adolescente, bem como prévia autorização
da entrevista mediante assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido –
TCLE, sendo os dados apresentados no Quadro 03.

3.2 – Dados da Pesquisa e Discussão da Temática

3.2.1 – Caracterização Profissional/Institucional e Mecanismo de
acompanhamento/avaliação das ações socioeducativas

Atendendo aos parâmetros estabelecidos no ECA, as ações socioeducativas
desenvolvidas no CSE, possibilitam que o adolescente tenham um atendimento
especializado, que garantam sua reintegração na sociedade e seio familiar, para
tanto, prioriza e protagoniza o adolescente através do fortalecimento do processo de
participação em atividades escolares, profissionalizantes, laboral, cultural, desporto e
lazer, bem como as atividades de integração familiar. Nessa ótica o SINASE (2006)
defende que a formação e operacionalização de uma rede integrada de atendimento
é tarefa essencial para a efetivação das garantias dos direitos dos adolescentes em
cumprimento de medida socioeducativas, contribuindo efetivamente no processo de
inclusão social e familiar do público atendido.

Nesse sentido às ações socioeducativas desenvolvida no Centro e
considerando que muito embora, a equipe técnica cumpra seu papel de articulação
visando à promoção e garantia dos direitos fundamentais dos socioeducandos junto
43

às diversas Redes que oferecem serviços e programas capazes de promoverem a
inclusão social e familiar desses adolescentes, nota-se que ainda se tem muito a
fazer, uma vez que, durante a pesquisa os socioeducando entrevistados relatam que
as atividades de suporte social não suprem suas necessidades, tornando parte do
tempo de permanência no CSE num período ocioso e isto, unido há outros fatores
possivelmente seja um indicador dos constantes casos de evasão do Centro.

o conceito de rede está inserido na própria definição do ECA sobre a
política de atendimento como um conjunto articulado de ações
governamentais e não governamentais da União, do Estado e do município.
Este conjunto articulado de ações deve considerar a distinção entre Estado
e sociedade civil, estabelecendo papéis claramente delimitados para
ambos. (VOLPI, 2008, p. 43).

Cabe ressaltar que quando se fala do trabalho de articulação junto as Redes
de Serviços e Programas que auxiliam na execução da medida socioeducativa,
estamos nos reportando ao que Volpi (2006, p. 35) considera “incompletude
institucional” consistindo em não avaliar a instituição como único contato e
comunicação com todos os setores da comunidade, sendo caracterizado pela
utilização máxima de recursos como saúde, educação, trabalho, profissionalização,
cultura, esporte e lazer.

Enfatizando ainda, que a utilização desses recursos, não busca apenas suprir
a necessidade da chamada incompletude institucional, mas também, atender a
necessidade de intervir junto aos adolescentes sua autonomia, responsabilidade e
principalmente a importância de uma conduta saudável nesse processo de
reintegração social ao qual se encontram.

“A condição peculiar de pessoa em desenvolvimento coloca os agentes
envolvidos na operacionalização das medidas socioeducativas a missão de
proteger, no sentido de garantir o conjunto de direitos e educar
oportunizando a inserção do adolescente na vida social. Esse processo se
dá a partir de um conjunto de ações que propiciem a educação formal,
profissionalização, saúde, lazer e demais direitos assegurados legalmente”.

(Volpi 2010, p.14)
44

Quadro 01: Dados sobre os profissionais participantes da pesquisa

Profissional Atuação/Cargo Tempo Médio de Atuação Formação Especialização

01 Serviço Social 03 anos Superior Assistência Social e Família
Completo

02 Psicologia 04 anos Superior Psicologia Sociojurídica
Completo (Cursando)

03 Direção 01 ano Médio Completo Capacitação para o
Socioeducativo
Fonte: Entrevista, 2013

Como podemos perceber por meio do Quadro 01, os profissionais atuam em
tempo médio de 02 a 04 anos em Unidades de atendimento a adolescente em
conflito com a lei. Nota-se que a função de Diretor é exercida por um membro de
formação não superior e com experiência inferior a dois anos, fato este que infringe o
art. 17, § I e II do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE que
diz:

Para o exercício da função de dirigente de programa de atendimento em
regime de semiliberdade ou de internação, além dos requisitos específicos
previstos no respectivo programa de atendimento, é necessário:
I - formação de nível superior compatível com a natureza da função;
II – comprovada experiência no trabalho com adolescentes de, no mínimo,
02 anos;

As funções de Assistente Social e Psicóloga, conforme dados obtidos,
atendem os parâmetros especificados para o exercício da profissão no contexto
socioeducativo, contudo, percebemos a defasagem da equipe, uma vez que o Centro
não conta com profissionais nas áreas de pedagogia e enfermagem, sendo os
setores supridos pelo Serviço Social e Psicologia.

A ênfase do programa de semiliberdade é a participação do adolescente em
atividades externas à Unidade (família e comunidade). A sua execução deve
prever programas e espaços diferenciados para adolescentes com
progressão de medida e adolescentes oriundos de primeira medida. Para
atender até vinte adolescentes na medida socioeducativa de semiliberdade a
equipe mínima deve ser composta por:
01 coordenador técnico; 01 assistente social; 01 psicólogo; 01 pedagogo; 01
advogado (defesa técnica); 02 socioeducadores em cada jornada; 01
coordenador administrativo e demais cargos nesta área, conforme a
demanda do atendimento. (SINASE, 2006)
45

No que diz respeito ao mecanismo de acompanhamento e avaliação das
ações socioeducativas, os profissionais do Centro relatam que a Gerência de
Atendimento Socioeducativo – GEASE realiza curso de capacitação
socioeducacional com periodicidade semestral o que para Volpi (2010, p.44)
“contribui para a capacitação dos prestadores de serviços com o objetivo de
qualificar sua intervenção e aumentar sua eficiência e eficácia”.

A capacitação e atualização continuada sobre a temática “Criança e
Adolescente” devem ser fomentadas em todas as esferas do governo e
pelos três poderes, em especial as equipes dos programas de atendimento
socioeducativo [...] (SINASE 2006, p.56)

Quadro 02: Dados sobre os adolescentes que participaram da pesquisa
Situação
Sujeito Idade Escolaridade Situação escolar anterior Ato Reincidên Regime de
à inserção no
escolar sistema Infracional cia Semiliberda
socioeducativo de
6º ano Ens.
01 19 fundamental Frequentando Desistente Homicídio Não Primária
6º ano ens.
02 18 fundamental Frequentando Desistente Homicídio Não Transição
Ensino
03 18 fundamental Frequentando Desistente Homicídio Não Transição
completo
4º ano ens. Tráfico de
04 17 fundamental Frequentando Desistente entorpecente Não Transição
7º ano do ens.
05 15 fundamental Frequentando Desistente Roubo Sim Transição
5º ano do ens. Trafico de
06 16 fundamental Frequentando Desistente entorpecente Sim Transição
6º ano ens. Trafico de
07 15 fundamental Frequentando Desistente entorpecente Não Primária
6º ano ens.
08 16 fundamental Desistente Desistente Furto Não Primária
6º ano ens.
09 17 fundamental Frequentando Desistente Roubo Não Transição
6º ano ens. Lesão
10 18 fundamental Frequentando Desistente corporal Sim Transição
Fonte: Pesquisa de Campo, 2013.

Os dados apresentados conforme Quadro 02, mostram que 60% dos
adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de semiliberdade
compreendem a faixa etária de 17 a 19 anos, dos quais 90% se encontram neste
regime pelo processo de transição do meio fechado para o aberto, ou seja,
46

encontram-se no regime de semiliberdade devido terem sidos beneficiados com
progressão da medida socioeducativa de Internação e 10% corresponde à
primariedade na aplicação de sentença.

Entre a faixa etária de 15 e 16 anos compreende o percentual de 40% dos
jovens atendidos no Centro, dos quais 50% também se encontram no processo de
transição e os demais cumprindo a medida socioeducativa de semiliberdade de
forma primária.

Como podemos perceber a maioria dos adolescentes se encontram a algum
tempo inseridos no Sistema Socioeducativo, o que nos faz levar em consideração
que de fato a adolescência seja uma fase de profundas transformações, que o jovem
por estar em processo de desenvolvimento físico, mental e emocional, está mais
propício a más influências, onde a falta de maturidade os levar a crer que o
relacionamento com seus pares sejam mais importantes do que o próprio
relacionamento mantido com a família, ficando desta forma, possivelmente e mais
facilmente exposto às vulnerabilidades dessa fase da vida e a fatores
preponderantes ao envolvimento de práticas delituosas.

Durante entrevista realizada com a equipe multiprofissional, no tocante a
reincidência e evasões do Centro Socioeducativo, uma das entrevistadas sinalizou a
dinâmica de funcionamento característica da medida socioeducativa de
semiliberdade, como uma das possíveis causas, tendo em vista que a referida
medida garante o direito de ir e vir dos adolescentes durante o exercício de
atividades externas e no período dos finais de semana em que são liberados para o
convívio familiar.

A entrevistada relata ainda, que as apesar das intervenções técnicas serem
constantemente intensificadas no sentido de sensibilizar os adolescentes quanto o
bom uso do direito de ir e vir, as saídas acabam facilitando muitas vezes a exposição
desses adolescentes em situações de vulnerabilidade, decorrentes do fácil acesso as
substâncias psicoativas, más companhias e a ausência de comprometimento por
47

parte da família, a qual deveria zelar pela boa conduta do adolescente, mas que não
o faz e dentro desse contexto nos faz remeter a situação de que os vínculos
familiares não foram reestabelecidos e que apesar das intervenções técnicas, essa
família ainda não teve a real percepção da sua contribuição ao êxito da medida e
que, portanto, ainda não sinalizam uma estrutura para desempenhar o suporte
necessário a novas perspectivas vida desse jovem.

Dentro desse contexto, Faleiros (2004) ratifica dizendo que “as condições
sociais em que o infrator cumpre a aplicação da medida, na particularidade de sua
inserção na estrutura social, são essenciais para analisar os elementos concretos
que irão contribuir para uma significativa mudança”. Dessa forma, o contexto social e
familiar o qual está inserido este adolescente são fundamentais para uma mudança
positiva em sua conduta, a ressignificação do ato praticado, bem como o
fortalecimento dos vínculos familiares.

QUADRO 03 - CONTEXTO ESCOLAR E PROFISSIONALIZANTE DOS
ADOLESCENTES ANTERIOR E POSTERIOR INSERÇÃO NO SISTEMA
SOCIOEDUCATIVO

REALIZAÇÃO DE CURSOS
INSERIDO NA ESCOLA PROFISSIONALIZANTES
SUJEITO ANTERIOR POSTERIOR ANTERIOR POSTERIOR
01 NÃO SIM NÃO SIM
02 NÃO SIM NÃO SIM
03 NÃO SIM NÃO SIM
04 NÃO SIM NÃO SIM
05 NÃO SIM NÃO NÃO
06 NÃO SIM NÃO NÃO
07 NÃO SIM NÃO NÃO
08 NÃO SIM NÃO NÃO
09 NÃO SIM NÃO SIM
10 NÃO SIM NÃO SIM
Fonte: Pesquisa de Campo, 2013.

Dados obtidos conforme Quadro 02, revelam que 100% dos jovens atendidos
no Centro, não encontravam inseridos no âmbito escolar na época do cometimento
do ato infracional e consequentemente em sua inserção no sistema socioeducativo.
Dos socioeducandos que se encontram no processo de transição de medida
48

Socioeducativa, 100% deu entrada para o cumprimento do regime de semiliberdade
estando ativos no sistema educacional, haja vista os Centros Socioeducativos de
Internação possuir anexos da Rede Regular e Especial de Ensino, ou seja, os
adolescentes chegam ao Centro Socioeducativo estando apto para dar
prosseguimento em suas atividades escolares. Quanto os jovens que cumprem a
medida socioeducativa de semiliberdade de forma primária, a inserção escolar se
torna mais complexa, tendo em vista o longo período em que os jovens se encontram
fora do âmbito escolar e a disparidade entre idade e série, fazendo com que seja
necessária a realização de uma intervenção mais séria no sentido de despertar o
interesse dos adolescentes.

Apesar dos entraves, o CSE busca inserir esses adolescentes nos Programas
de Educação para Jovens e Adultos (EJA), lembrando que esta modalidade de
ensino esta regulamentado pelo artigo 37 da Lei de Diretrizes e Bases da educação
– LDB, Lei n 9394 de 20 de Dezembro de 1996, bem como solicita junto a Secretaria
de Estado de Educação e Qualidade de Ensino – SEDUC, o agendamento de prova
de nivelamento. No período de realização desta pesquisa, o CSE encontrava-se com
o efetivo de onze adolescentes, estando com o total de 80% inseridos em Educação
para Jovens e Adultos, 2º segmento, o que corresponde o 6º ao 9º ano do ensino
fundamental e os 20% restante, no mesmo tipo de ensino, na faixa equivalente de 1º
ao 5º ano do ensino fundamental - 1º segmento.
Os adolescentes entrevistados quando abordados sobre as possíveis causas
de abandono escolar, 70% foram enfáticos ao relatar que se tratava da falta de
interesse, 20% por envolvimento com drogas, somado ainda as más companhias e
10% alegaram o baixo poder aquisitivo da família e as escolas ficarem localizadas
distantes de seus domicílios, portanto, a família não possuía condições de custear o
transporte escolar.
Quanto à profissionalização, apenas 60% dos jovens chegaram ao Centro
tendo realizado em média um curso de capacitação, porém, o mesmo foi realizado
após sua inserção no sistema socioeducativo, os outros 40% revelam não terem sido
oportunizados com tal prática.
49

A equipe técnica do Centro relata em entrevista que a baixa escolaridade dos
adolescentes é um fator que limita seu trabalho, tendo em vista que para inserção
em determinados cursos profissionalizantes, as Instituições concedentes traçam um
perfil o qual os adolescentes não atende, ficando então atrelado a sua baixa
escolaridade ou ainda a idade incompatível.
Como dispõe o § 1º do art. 120 do estatuto da Criança e do Adolescente –
ECA, as atividades de escolarização e profissionalização são obrigatórias no
cumprimento da medida socioeducativa de semiliberdade, mas conforme Volpi
(2006, p.36) “não podem ser utilizados como castigo, mas como uma dimensão
importante da vida humana quer como fonte de sobrevivência, quer como fonte de
realização profissional”, ou seja, a educação tanto formal quanto profissional é um
direito garantido pela legislação ao adolescente em conflito com a lei, no entanto,
precisamos compreendê-los não somente do ponto de vista de uma formalidade
legal mais também como uma possibilidade de humanização e progressão
comportamental desses jovens.

[...] a educação para a liberdade somente poderá ser efetivada através do
diálogo e da hierarquização dos valores intrínsecos à natureza humana, no
sentido de permitir à criança e ao adolescente uma possibilidade real de
atuar como protagonista na construção de sua condição especial de ser
humano em desenvolvimento (VERONESE, OLIVEIRA, 2008, p.131).

Muito embora a instituição ofereça regularmente cursos profissionalizantes, a
oferta não é suficiente para garantir a frequência dos jovens. Os educadores da
medida socioeducativa afirmam que encaminham os adolescentes e enfatizam a
importância desses cursos no desenvolvimento de habilidades essenciais para uma
profissão, mas a impressão é que esses jovens tendem a perceber a realização da
atividade mais como uma extensão da escola, daí a necessidade das intervenções
técnicas, no sentido da sensibilização dos adolescentes do acesso ao conhecimento
como condição para a compreensão das relações sociais e humanas do mundo em
que se inserem é imprescindível à sua formação e para a retomada de postura como
sujeitos de sua própria história.

Enquanto modalidade de conhecimento a formação de uma representação
implica numa atividade ao mesmo tempo individual e coletiva; só a partir do
50

momento em que o indivíduo apropria-se e reorganiza os modos de
pensamento é que tais representações consolidam-se subjetivamente
passando, então, a compor suas interpretações de mundo, de si mesmo e
influindo em suas práticas cotidianas. As representações têm assim, entre
outras, a função de nortear as pessoas em seu ambiente, servindo de guias
referenciais de ação. (Santos, Novelino & Nascimento, 2001, p. 271),

Ainda no tocante ao campo profissional, faz parte da medida, mas não com a
mesma obrigatoriedade da escolarização e profissionalização está o exercício de
atividades laborativas, nesse contexto, do quantitativo de jovens internos do CSE, 03
(três) socioeducandos, o que corresponde a 30% do efetivo está inserido no mercado
de trabalho informal.
Apesar do desempenho da equipe técnica do Centro em busca de parcerias
para inserção dos adolescentes no mercado de trabalho, existe uma grande
dificuldade em inserir esses jovens em atividades laborativas no mercado formal,
estando o fato atrelado à falta de experiência e qualificação profissional, a baixa
escolaridade e em uma pequena mais notável incidência no prec onceito por parte da
sociedade.
Quanto dados obtidos a respeito das infrações cometidas e o uso de
substância entorpecente, 40% dos entrevistados relatam ter cometido à infração
sobre efeito dessas substâncias, 30% em decorrência da infração tipificada no art. 33
do Código Penal Brasileiro (Tráfico de substância entorpecente) associando ainda as
más companhias, 20% em razão da necessidade momentânea de uso e somente
10% relatam ter cometido o ato infracional em razão de contexto circunstanciado
associado à influência de seus pares.
Uma percepção importante no período de entrevista relacionado ao uso de
drogas foi que, apesar dos relatos relacionando o cometimento do ato infracional
com o uso ou comercialização dessas substâncias, nenhum socioeducando admitiu
ser dependente dessas substâncias.

Quanto às infrações cometidas, verificou-se que dos 10 entrevistados, 03
cometeram homicídio, 02 fizeram furto, 01 roubo, 03 trafico de entorpecente e 01 foi
Lesão corporal, o que nos leva a concluir que os atos infracionais mais graves como
51

contravenção contra a vida representam um percentual pequeno em relação aos
atos infracionais praticados contra o patrimônio público.

No que diz respeito às relações interpessoais, os adolescentes são unanimes
em relatar sua boa relação com membros da equipe técnica, 70% consideram a
relação com a Direção razoável, 60% consideram insatisfatória a relação com a
equipe auxiliar, aqui se tratando excepcionalmente de socioeducadores, a quem os
adolescentes se reportam como “monitores” e 80% consideram a relação familiar
como satisfatória.

A relação com os socioeducadores na realidade apresenta como base a
disciplina, o controle, a ordem e a segurança, diferente das especificaç ões atribuídas
no Plano Político Pedagogico, onde deveriam estabelecer relações sociais
“humanizadoras e educacionais”.

Estes profissionais dentro das ações socioeducativas desenvolvidas no Centro
exercem a função de educador, o que nos leva a discordar deste acontecimento,
uma vez que estes profissionais fazem parte da dinâmica da instituição que deveria
ter como objetivo principal a educação e, portanto, deveriam ser incluídos em todas
as atividades inclusive as que demandam discussão de casos no sentido de
aprimorar o conhecimento com vistas a compreender o processo educacional e o
contexto pedagógico da medida socioeducativa de acordo com as demandas que
surgem na instituição. Porquanto, esses profissionais não participaram da entrevista,
tendo em vista o processo de seleção ter se dado a partir de profissionais envolvidos
diretamente com o processo ressocialização dos adolescentes.

Quanto o relacionamento e o comprometimento familiar, cabe aqui fazer uma
ressalva haja vistas dados obtidos no diário de campo apontar uma relação pouco
harmoniosa, pois, o que se percebe é certo descaso por parte dos responsáveis em
acompanhar e orientar seus filhos. Nos dias marcados de reunião, oficinas e
atividades de integração familiar, são poucas as famílias que comparecem, por mais
que a equipe tente contato através de telefonemas ou por convites, algumas famílias
52

tentam justificar o não comparecimento alegando diversas situações ou até mesmo
passando a responsabilidade de vir ao Centro para membros da família extensa
(avós, tios). Com isso, vão se gerando várias dificuldades que contribuem para a
fragmentação do processo de ressocialização.

Os adolescentes são enfáticos ao relatarem que os vínculos afetivos
familiares, anterior sua inserção no sistema socioeducativo, já estavam fragilizados
ou até mesmo rompidos, tendo em vista a relação intrafamiliar conflituosa em
decorrência de sua conduta inadequada. Contudo, relatam que posterior sua
inserção no sistema socioeducativo, esses laços estão sendo gradativamente
recuperado, que após o fato ocorrido a família se tornou mais presente, que o
ambiente familiar ficou mais harmonioso, relatos estes que nos fazem considerar que
as políticas públicas básicas, que trabalham a família no sentido de prevenção e
manutenção desses vínculos, necessitam de maior efetividade.

QUADRO 04 - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DOS FAMILIARES PARTICIPANTES
DA PESQUISA
GRAU DE COMPOSIÇÃO RENDA
SUJEITO PARENTESCO FAMILIAR ESCOLARIDADE PROFISSÃO MENSAL

Mãe Mãe, marido*, Ens. Fund. 01 SM***
A 03 filhos Incompleto Diarista

Mãe Marido, 04 Ens. Fund. Doméstica 01 SM
B filhos Incompleto

Pai Esposa, 04 Ens. Fund. Aux. de 02 SM***
C filhos Incompleto Pedreiro

Irmã Esposo, 02 Ens. Médio Vendedora 02 SM**
D filhos Completo

Mãe Companheiro,* Ens. Fund. Doméstica 01 SM
E 04 filhos Incompleto
Ens. Fund.
F Mãe Mãe, 05 filhos Incompleto Doméstica 01 SM***

Irmã Esposo, 02 Ens. Fund. Doméstica 01 SM
G filhos, sogro e Incompleto
sogra
53

H Avó Marido, 02 Ens. Fund. Costureira 02 SM**
netos Incompleto
Ens. Fund.
I Avó 03, netos Incompleto Aposentada 01 SM
Esposo, mãe, Ens. Fund.
J Mãe 05 filhos Incompleto Doméstica 02 SM**
Fonte: Pesquisa de Campo, 2013 LEGENDA: *esposo não se trata do genitor do adolescente;
**renda familiar complementada por outro membro familiar e *** inseridos em Programa
Governamental (Bolsa Família)

Analisando dados expostos no Quadro 04 foi possível traçar a contexto
familiar a qual o adolescente está inserido e identificar os vínculos afetivos familiares,
uma vez que família tendo a configuração que tiver não se trata de relação
consanguínea e que se tratando de vínculo familiar como se refere Vicente (2011,
p.49) “o vínculo (ou apego) é compreendido enquanto sistema comportamental
destinado a garantir a sobrevivência [...] Em outras palavras, o vínculo ou apego
seriam um desses sistemas, cujo alvo é a manutenção da proximidade”, ou seja,
vínculos formados com pessoas que se ocupam das necessidades básicas do
adolescente e que, portanto, são tidas como referência.
Analisando os dados é possível perceber que 03 dos adolescentes (30%)
convivem com a presença paterna; 03 (30%) possuem referência paterna na pessoa
de seus padrastos; 01 (10%) convive com essa referência na pess oa do avô paterno;
03 sem referência, uma vez que 02 são oriundos do interior do Estado e por isso
estão sob-responsabilidade de suas irmãs e 01 não possui referência, convivendo
apenas com a mãe e os irmãos.
O contexto traçado revela que 50% dos adolescentes recebem suporte de
acompanhamento no período de execução da medida socioeducativa por parte de
suas genitoras, sendo 30 % pertencente à família de modelo reconstruída; apenas
01adolescente, o que corresponde 10% dos entrevistados recebe suporte de
acompanhamento pelo genitor, apesar de 30% conviverem com essa referência,
revelando desta forma a figura paterna de forma periférica.
40% dos entrevistados não possuem acompanhamento por parte de seus
genitores em virtude de 20% dessas famílias serem oriundas do interior do Estado.
Contudo, esses adolescentes não ficam restritos da convivência familiar, uma vez
54

que possuem outros familiares de referência nesta cidade e manterem contato com
seus pais semanalmente via telefone.
Para esses adolescentes a equipe técnica buscando atender os parâmetros
estabelecidos e comungando a ideia de que a família deve ser trabalhada em
consonância com o adolescente no sentido de obtenção do êxito da medida e
relevante no processo de ressocialização o qual o socioeducando se encontra,
viabiliza o deslocamento dos genitores até o Centro através de parcerias com as
representações das prefeituras dos municípios de origem.

[...] a participação da família e da comunidade na experiência socioeducativa
é, inclusive uma das diretrizes pedagógicas do Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (SINASE), aprovado pelo Conselho Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) em junho de 2006.
Segundo o próprio texto do SINASE, “[...] as práticas sociais devem oferecer
condições reais, por meio de ações e atividades programáticas à
participação ativo e qualitativo, possibilitando o fortalecimento dos vínculos e
a inclusão dos adolescentes no ambiente familiar e comunitário. As ações e
atividades devem ser programadas a partir da realidade familiar e
comunitária dos adolescentes para que o conjunto – programa de
atendimento, adolescentes e familiares – possam encontrar respostas e
soluções mais aproximadas de suas reais necessidades” (BRASIL, 2006).

Na realização da pesquisa quanto à abordagem de relacionamento familiar, foi
possível perceber certa discrepância nas respostas entre adolescente e familiar
entrevistado, tendo em vista 90% dos adolescentes terem relatado que o período que
antecedeu sua inserção no sistema socioeducativo os laços familiares já estavam
fragilizados, considerando que a ausência família e os diversos conflitos intrafamiliar
também contribuíram para conduta inadequada mantida naquele período.
Contudo, nos relatos familiares, a relação foi avaliada em 80% como boa,
porém comumente de acordo ficaram ao relatar que posterior à inserção do
adolescente no sistema socioeducativo a relação familiar teve significante mudança,
levou o adolescente em grande parte reconhecer a importância da família para sua
formação e os responsáveis reconhecerem sua “parcela de culpa” (40%) levando-os
a ficarem mais presentes (30%), a procurarem manter diálogo e fundamentalmente
mais vigilantes (30%).
55

Os relatos nos mostram que o vínculo familiar é vital na formação da
personalidade e identificação de valores desde o nascimento até a fase considerada
de profundas transformações, são essas referências que podem determinar o
cidadão que vai ser no futuro.
Nos primeiros anos de vida a criança depende destas ligações para crescer.
Ela carece de cuidados com o corpo, com a alimentação e com a
aprendizagem. Mas nada disso é possível se ela não encontrar um ambiente
de acolhimento e afeto [...] pais conflituados e instáveis produzem uma
relação de ambivalência que pode prejudicar a criança. (Vicente, 2011, p.48)

Quanto à abordagem ao uso de substância entorpecente, 80% dos
entrevistados revelam ter conhecimento do uso pelos adolescentes e atrelam essa
prática como uma das causas da relação conflituosa em âmbito familiar, assim como
a pratica do ato infracional. Contudo, não houve nenhum relato de tentativa de busca
do auxílio para acompanhamento especializado, fato este que nos faz perceber a
fragilidade das políticas públicas preventivas, uma vez que 90% dos entrevistados
relatam não terem conhecimento de onde buscar esse suporte e que só vieram a ter
esse tipo de orientação após o adolescente já está cumprindo a medida
socioeducativa.
Na área da saúde, 100% dos entrevistados tanto adolescente, quanto o
familiar, mostram que o desempenho da equipe de referência corresponde às
demandas dos socioeducandos.
Nos dados referentes à escolarização e profissionalização, foi possível
identificar o alto índice de baixa escolaridade e a ausência de uma formação
profissional dos familiares, o que nos faz considerar a ausência de incentivo ou
suporte voltado às respectivas áreas para com o adolescente por parte da família.
56

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo da história crianças e adolescentes sempre foram postos numa
condição desprezada e sua participação na sociedade desconsiderada. Situação
esta que refletia um comportamento que os segregava em nome de uma proteção
que, na verdade, mais refletia uma “patologia social” como se refere Liberati (2006,
p.112).

O Direito da Criança e do Adolescente tem por finalidade a proteção integral.
Esta Doutrina é a expressão máxima de um sistema, que tem crianças e
adolescentes como sujeitos de direitos, perante a família, a sociedade e o Estado. A
integralidade desses direitos somente será assegurada se seu atendimento for
realizado de fato com absoluta prioridade, o que não é mais obrigação exclusiva do
Estado desde as modificações do texto constitucional de 1988, onde convoca a
família e a sociedade como coparticipantes da sublime e difícil tarefa, para que, em
suas respectivas atribuições, transmita preferencial respeito aos direitos de crianças
e adolescentes.

Nesta pesquisa, procuramos investigar as condições em que ocorre o
processo de reinserção social de adolescentes em conflito com a lei e o
comprometimento familiar como parte desse processo e ao êxito da medida. A
realização desta pesquisa nos possibilitou outros olhares ao contexto de trabalho que
acreditávamos conhecer. Significou a possibilidade de identificar as maiores
fragilidades no contexto familiar que incidem na fragmentação das ações
socioeducativas e a possibilidade de se buscar alternativas para melhor atender as
demandas apresentadas.

Quando se fala em medida Socioeducativa ao invés de se falar em penas para
os que cometeram ações consideradas ilegais, estamos falando em oportunidade de
57

ressignificação de conduta, subentendendo que reeducar é possível, mesmo aqueles
que apresentam comportamento divergente.

Durante a realização desta pesquisa percebeu-se o grande desafio enquanto
que é o trabalho realizado junto ao adolescente em conflito com a lei, no regime de
semiliberdade, haja vista ser considerado como uma medida complexa por muitos
profissionais, uma vez que ela dá o direto de ir e vir para as atividades fora da
Instituição, e a possibilidade do socioeducando passar o final de semana com a
família.

Dada estas características, esse período exige maior compromisso familiar,
não somente para vir ao Centro receber o adolescente, mas entenda de fato que o
curto período de permanência em âmbito familiar pode contribuir de forma positiva ou
negativa ao cumprimento efetivo da medida. Daí surge à necessidade de trabalhar a
família em consonância com o adolescente.

Porém, ao buscar conhecer o processo de reinserção social, na vida familiar e
comunitária dos adolescentes que cumprem o regime de semiliberdade percebeu-se
que é preciso estudar a família como um todo e identificar os fatores que por ventura
venham contribuir para o fracasso da medida socioeducativa. Portanto, a partir da
compreensão dos possíveis fatores de risco presente no ambiente familiar é que
poderão ser criadas ações a fim de alcançar os objetivos característicos da medida
socioeducativa e que poderão contribuir para uma resposta positiva de tal forma que
a família perceba que ela é a peça principal que irá contribuir no processo de
ressocialização de seus filhos.

Sabemos que a adolescência é uma fase peculiar de profundas
transformações, e que devido essa situação de vulnerabilidade própria da idade, os
pais precisam estar mais atentos a essa mudanças, é uma fase de acordo com
Kaplan, Sadock e Grebb (2003), em que a função dos pais consiste em compreender
as mudanças que ocorrem nas amizades, na aparência pessoal e nos interesses de
seus filhos, porém sem abdicar de sua autoridade. Portanto, percebe-se que
58

monitorar os filho e exercer certa autoridade sobre eles constitui-se em um fator de
proteção importante a ser estimulado no interior da família.

Foi possível ainda perceber que os adolescentes perceberam a medida
Socioeducativa como um fator que os auxiliou a organizar e retomar aspectos
fundamentais para suas vidas, como o retorno á escola, o início de curso
profissionalizante e a construção de vínculos saudáveis.

Por outro lado, o ato infracional foi percebido como um momento ruim, como
um momento de medo frente a incerteza do que poderia lhes acontecer. Entretanto,
o cumprimento da medida Socioeducativa em decorrência desse ato trouxe a esses
jovens a possibilidade de refletir sobre suas atitudes e sobre suas vidas. E, essa
percepção positiva por parte dos adolescentes auxilia e estimula a equipe da
Instituição na intervenção com a família, o que mostra que o trabalho desenvolvido
no sentido de sensibilizar esses familiares quanto sua importância para a formação
do adolescente e para o cumprimento efetivo da medida socioeducativa estão
gradativamente em ascensão e que a família está conseguindo desempenhar suas
atribuições de forma positiva uma vez que os adolescentes estão cumprindo de
forma satisfatória a medida Socioeducativa.
59

REFERÊNCIAS

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arte de governar a infância In: Jacó Vilela, Ana Maria, Jabur, Fábio e Rodrigues,
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Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Plano Nacional de
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Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Sistema Nacional de
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60

http://www.dhi.uem.br/publicacoesdhi/dialogos/volume01/vol04_rsm2.htm. Acessado
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61

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YUNES, M.A.M. Psicologia positiva e resiliência: O foco no indivíduo e na
família. Psicologia em Estudo, Maringá, v.8, p.75-84, 2003.
62

APENDICE

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)

RESPONSÁVEL PELO SOCIOEDUCANDO EM CUMPRIMENTO DE
MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE SEMILIBERDADE

O socioeducando o qual você é responsável está sendo convidado a
participar do projeto de pesquisa intitulado “A IMPORTÂNCIA DO
ACOMPANHAMENTO FAMILIAR PARA OS ADOLESCENTES EM
CUMPRIMENTO DA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE SEMILIBERDADE DO
CENTRO SOCIOEDUCATIVO DE SEMILIBERDADE MASCULINO EM MANAUS –
AM” através da acadêmica Fabiana Cantuária dos Santos orientada pela
pesquisadora responsável Profa. Msc Anny Letícia Pereira Coelho. O documento
abaixo conte m todas as informações necessárias sobre a pesquisa que estamos
fazendo. A colaboração do socioeducando neste estudo será de muita importância
para nós, mas caso o mesmo desista de participar a qualquer momento, isso não
causará nenhum prejuízo ao adolescente ou a você como responsável.

Assim, esclarecem-se os seguintes aspectos:

I. Esta pesquisa tem como finalidade estudar a importância do
acompanhamento familiar aos adolescentes em cumprimento da Medida
Socioeducativa de Semiliberdade no Centro Socioeducativo de Semiliberdade
Masculino em Manaus / AM. Através desta realidade esta análise tem como
procedimentos metodológicos pesquisas bibliográficas, fichamentos, entrevista
com o público citado juntamente com seus responsáveis.
II. Os dados serão coletados no Centro Socioeducativo de Semiliberdade
Masculino através de formulário de entrevista com os socioeducandos;
III. O socioeducando não é obrigado a responder as perguntas realizadas no
formulário de entrevista;
IV. O socioeducando tem a liberdade de desistir ou de interromper a colaboração
neste estudo no momento em que desejar, sem necessidade de qualquer
explicação;
V. A desistência não acarretará quaisquer prejuízos ao adolescente, com isso
não virá a interferir no cumprimento da medida socioeducativa;
63

VI. O responsável pelo socioeducando não receberá remuneração e nenhum tipo
de recompensa nesta pesquisa, assim como, o adolescente do qual é
responsável, sendo sua autorização à participação do menor voluntária;
VII. Os resultados obtidos durante este procedimento serão mantidos em sigilo;
VIII. Durante a realização da pesquisa, serão obtidas as assinaturas do
responsável pelo menor e do pesquisador, também, constará em todas as
páginas do TCLE as rubricas do pesquisador e do responsável pelo
socioeducando;
IX. O responsável pelo socioeducando concorda que os resultados sejam
divulgados em publicações científicas, desde que seus dados pessoais não
sejam mencionados;
X. Caso o responsável pelo socioeducando desejar, poderá pessoalmente ou por
meio de telefone tomar conhecimento dos resultados parciais e finais desta
pesquisa.
( ) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
( ) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa.

Manaus, ____ de__________ de 2013.

Declaro que obtive todas as informações necessárias, bem como todos os eventuais
esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas. Desta forma autorizo a
participação do socioeducando na pesquisa acima citada.

Eu,___________________________________________________________,
residente e domicilia do na ______________________, portador da Cédula de
identidade, RG ____________, e inscrito no CPF_________________, responsável
pelo socioeducando
____________________________________________________, concordo de livre e
espontânea vontade na sua participação voluntária para esse estudo.

___________________________________ ___________________________________

Pesquisador Responsável pelo Socioeducando

Contato do Pesquisador responsável: 9103 68 31 – annylety@gmail.com
Contato do Pesquisador: (92) 9233-1741 / fabiana_cantu@hotmail.com
64

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)

FAMILIAR RESPONSÁVEL PELO ADOLESCENTE E ADOLESCENTE EM
CUMPRIMENTO DE MEDIDA (18 anos)

Convidamos para participar como voluntário do projeto de pesquisa intitulada
“A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NO PERÍODO DE
EXECUÇÃO DA MEDIDA SOCIOEDUCATICA DE SEMILIBERDADE PARA OS
ADOLESCENTES DO CENTRO SOCIOEDUCATIVO DE SEMILIBERDADE
MASCULINO NA CIDADE DE MANAUS-AM” através da acadêmica Fabiana
Cantuária dos Santos orientada pela pesquisadora responsável Profa. Msc. Anny
Letícia Pereira Coelho. Assim, esclarece-se os seguintes aspectos:

Objetivo: Estudar a importância do acompanhamento familiar aos
adolescentes em cumprimento da Medida Socioeducativa de Semiliberdade no
Centro Socioeducativo de Semiliberdade Masculino em Manaus / AM. Os benefícios
da sua participação são indiretos: A finalidade deste projeto é contribuir com as
famílias e Equipe Técnica ao melhor desempenho do cumprimento da medida
Socioeducativa.
 A participação é voluntária e gratuita;
 Em qualquer momento da pesquisa poderá retirar-me, sem sofrer nenhum
constrangimento ou penalidade.
 Que será garantindo o meu anonimato e a privacidade das informações;
 Participará da seguinte etapa: Os dados serão coletados no centro
Socioeducativo de Semiliberdade Masculino através de formulário de entrevista com
os responsáveis dos socioeducandos. Possíveis danos ao êxito da medida
socioeducativa são inexistentes;
 A identidade do entrevistado nesta pesquisa é confidencial;
 Poderá contar com o esclarecimento de cada pergunta que tiver dificuldade de
entender;

Eu, _______________________________________________________fui
informado sobre os objetivos da pesquisa e que participarei em forma de entrevista,
e entendi a explicação. Por isso, eu concordo em participar da pesquisa, e estou
recebendo uma cópia deste documento, assinada, que vou guardar.

______________________________ __________________________________
Assinatura do (a) voluntário (a) Pesquisador

Manaus, _______ de ___________ de 2013.
65

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)

EQUIPE TÉCNICA E DIREÇÃO DO CENTRO SOCIOEDUCATIVO DE
SEMILIBERDADE

Convidamos para participar como voluntário do projeto de pesquisa intitulada “A
IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NO PERÍODO DE EXECUÇÃO DA
MEDIDA SOCIOEDUCATICA DE SEMILIBERDADE PARA OS ADOLESCENTES DO
CENTRO SOCIOEDUCATIVO DE SEMILIBERDADE MASCULINO NA CIDADE DE
MANAUS” através da acadêmica Fabiana Cantuária dos Santos orientada pela
pesquisadora responsável Profa. Msc Anny Letícia Pereira Coelho. Assim, esclarece-se os
seguintes aspectos:

 Objetivo: conhecer o trabalho desenvolvido no Centro Socioeducativo para o
cumprimento satisfatório da medida socioeducativa. Os benefícios da sua participação
são indiretos: A finalidade deste projeto é contribuir com o Centro Socioeducativo para
melhor desempenho ao êxito da medida socioeducativa.
 A participação é voluntária e gratuita;
 Em qualquer momento da pesquisa poderá retirar-se, sem sofrer nenhum
constrangimento ou penalidade.
 Que será garantindo o meu anonimato e a privacidade das informações;
Participará da seguinte etapa: aplicação de formulário de entrevista com a Equipe
Técnica e Direção do Centro Socioeducativo de Semiliberdade Masculino;
 Os possíveis riscos ao desempenho da equipe no cumprimento da medida são
inexistentes;
 A identidade do entrevistado nesta pesquisa é confidencial;
 Poderá contar com o esclarecimento de cada pergunta que tiver dificuldade de entender;

Eu,_____________________________________________________________________fui
informado sobre os objetivos da pesquisa e que participarei em forma de entrevista, e
entendi a explicação. Por isso, eu concordo em participar da pesquisa, e estou recebendo
uma cópia devidamente assinada deste documento.

__________________________________ _______________________________
Assinatura do (a) voluntário (a) Pesquisador

Manaus, _______ de______________ de 2013.
66

INSTRUMENTAL I

FORMULÁRIO DE ENTREVISTA SEMIESTRUTURADO PARA APLICAÇÃO
JUNTO A DIREÇÃO E EQUIPE TÉCNICA DO CENTRO SOCIOEDUCATIVO DE
SEMILIBERDADE MASCULINO

I – Identificação

Área de Atuação: ____________________________________________________

Função:___________________________________________________________

Tempo na Função:___________________________________________________

Sexo: ( ) F ( ) M

Formação: ( ) Ensino Fundamental ( ) Ensino Médio ( ) Superior
( ) Outros:___________________________________________________________
Cursos de capacitação na área Socioeducativa ( ) sim ( ) não
Qual:________________________________________________________________

II - Caracterização Institucional

6- Perfil Profissional / Qualificação

6.1- O Centro Socioeducativo dispõe de recursos físicos e humanos suficientes para
a prática profissional?

R=_________________________________________________________________
____________________________________________________________________

6.2 - O CSE está localizado em área comunitária que oferece suporte suficiente para
promoção dos direitos básico dos adolescentes?

R= _______________________________________________________________________
67

6.3 - A estrutura física do CSE está dentro dos padrões estabelecido pelo SINASE?

R= _______________________________________________________________________

III - Metodologia de Acompanhamento e Avaliação

7– A Gerência de Atendimento Socioeducativo realiza cursos de capacitação para todos os
colaboradores do Sistema?

( ) sim ( ) não

7.1 – Com que periodicidade e quem realiza?

R= _________________________________________________________________

7.2 – Qual a metodologia?

R= _______________________________________________________________________

8– As atividades desenvolvidas no CSE têm de fato caráter pedagógico?

( ) sim ( ) não

9 – A relação entre Equipe Técnica e Família é satisfatória?

( ) sim ( ) não ( ) raramente

( )outro: __________________________________________________________________

10– Como é a relação entre Equipe Técnica e o socioeducando?

( ) ótima ( ) boa ( ) Regular ( ) péssima

10.1- Por quê? ______________________________________________________________

11 Como a família acompanha o socioeducando durante a execução da Medida
Socioeducativa?

R=______________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
68

12 – O que a Equipe Técnica tem realizado para orientar as famílias quanto sua
responsabilidade como suporte necessário ao cumprimento da Medida Socioeducativa de
Semiliberdade?

R=________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

13 – De que forma a Equipe Técnica realiza as intervenções familiares e o convívio familiar
ao adolescente oriundo do interior do Estado?

R= ______________________________________________________________________

_________________________________________________________________________

IV - Avaliação do Profissional

14 – Quais os pontos positivos que você observa no CSE?

R= _____________________________________________________________________

_________________________________________________________________________

15 – Quais os pontos negativos que você observa no CSE?

R= ______________________________________________________________________

_________________________________________________________________________

V – Indicadores

a) Educação:

16 – Os adolescentes quando dão entrada no CSE encontram-se inseridos na escola?

( ) sim ( ) não

17 – Os adolescentes que estão no CSE estão inseridos na escola?

( ) sim ( ) não ( se não, pular para questão 3)

17.1 – Quantos em escola regular? _____________________________________________

17.2 – Quantos em Educação de Jovens e Adultos? ________________________________

17.2.1 - 1º segmento _________________________________________________________
69

17.2.2 - 2º segmento _________________________________________________________

18 – Quantos estão fora da escola? _____________________________________________

18.1 Por quê? _____________________________________________________________

19 – As atividades escolares são acompanhadas?

( ) sim ( ) não

19.1Por qual Profissional? _____________________________________________________

19.1.1– De que forma? ______________________________________________________

b) Profissionalização:

20 – Todos os adolescentes são inseridos em cursos profissionalizantes?

( ) sim ( ) não

20.1 – Se não, por quê?_____________________________________________________

21 – De que forma são realizados?

( ) em parceria ( ) independente ( se em parceria, responder questão 3)

21.1 – As parcerias firmadas são:

( ) Instituições públicas ( ) Instituições Particulares ( ) ONG´s

( ) Todas as alternativas

c) Suporte Social e Cidadania

22- Quais as atividades de suporte social que os adolescentes são inseridos?

R=________________________________________________________________________

22.1 - Em média qual é o desempenho:

( ) Satisfatório ( ) regular ( ) ruim
70

22.1.2 - Com que frequência é realizada essas atividades:

( ) Diariamente ( ) Semanalmente ( ) Quinzenalmente ( ) Mensalmente

23 – No que diz respeito à documentação civil, o CSE faz aquisição de tais documentos?

( ) sim ( ) não ( ) raramente

d) Saúde:

24 – Durante os atendimentos os adolescentes declaram serem usuários de drogas?

( ) Sim ( ) não ( ) nem sempre

24.1 – Se afirmativo, qual o procedimento adotado?

R= _______________________________________________________________________

24.1.2 – Em caso de encaminhamento para tratamento toxicômanos, aceitam com
facilidade?

( ) sim ( ) não ( ) somente após várias intervenções

( ) Outro __________________________________________________________________

25 – Os adolescentes recebem atendimento médico?

( ) sim ( ) não

25.1 – Onde?

R =_______________________________________________________________________

e) Vínculo Familiar

27 – Como ocorre o acompanhamento da família ao adolescente no período de execução da
Medida?

R= _______________________________________________________________________

26 - Quais atividades são realizadas para inserir a família no contexto da recuperação e
ressocialização do adolescente?
71

R= _______________________________________________________________________

27 – Sempre que solicitada a presença da família, eles comparecem?

R= _______________________________________________________________________

29- Quais as estratégias usadas para propiciar ao adolescente oriundo do interior a
convivência familiar e comunitária?

__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

30- O que a equipe multidisciplinar tem feito para inserção do adolescente no mercado de
trabalho, efetivar matrícula na rede regular de ensino e propiciar atividades recreativas?

__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

31- Como você justificaria a reincidência nos atos infracionais de adolescentes em regime de
semiliberdade?

__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

32- Quando o adolescente é desligado da Unidade, é feito algum acompanhamento
juntamente com a família? Se sim, Qual?

__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
72

INSTRUMENTAL II

FORMULÁRIO DE ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA PARA APLICAÇÃO
JUNTO AO SOCIOEDUCANDO

Identificação:

1. Nome: ______________________________________________________________

2. Idade:________________________________________________________________

3. Escolaridade: __________________________________________________________

4.Bairro / zona ___________________________________________________________

5. Composição Familiar

( ) pai, mãe e irmãos ( ) mãe, padrasto e irmãos

( ) avós e primos ( ) mãe e irmãos

( ) pai, madrasta e irmãos ( ) pai e irmãos

( ) outros _____________________________________________________________

Caracterização Institucional

I – Infra-Estrutura:

6 – Você gosta da localização do CSE ?

( ) sim ( ) não

Por quê? __________________________________________________________________

7 – A estrutura física (quarto, banheiro, refeitório, etc.) possui tamanho e comodidade
adequada?

( ) sim ( ) não
73

8– Os profissionais (Assistente Social, psicólogo, socioeducadores, etc.) são suficientes
para atender as necessidades do dia-a-dia

( ) sim ( ) não

II – Metodologia de acompanhamento e avaliação:

9 – Você gosta das atividades oferecidas pelo CSE?

( ) sim ( ) não ( ) as vezes

9.1 Por quê? _______________________________________________________________

10– A quantidade de vezes que essas atividades DE SUPORTE SOCIAL são realizadas é o
suficiente para atender suas necessidades?

( ) sim ( ) não

10.1 Por que?

__________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

11– Como é sua relação com a Equipe Técnica?

R=
__________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

III – Avaliação do adolescente

12- Quais os pontos positivos que você observa no CSE?

R=
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
74

13– Quais os pontos negativos que você observa no CSE?

R=
__________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

14 – Você daria alguma sugestão para melhorar o atendimento do Centro?

R=
__________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

IV – Histórico Infracional:

15 – Você possui quantas entradas na DEAAI?

R = ______________________________________________________________________

16 – Quantas na UIP?

R = ______________________________________________________________________

17 – Qual foi o ato infracional que ocasionou seu ingresso no Sistema Socioeducativo?

R = ______________________________________________________________________

18– Você já cumpriu outra Medida Socioeducativa?

( ) sim ( ) não

Qual?
R=_______________________________________________________________________

19 – Há quanto tempo você está inserido no Sistema Socioeducativo?

R =_______________________________________________________________________
75

20 – Você está há quanto tempo no CSE de Semiliberdade?

R = _______________________________________________________________________

V – Indicadores:

a) Educação

21 – Você estava frequentando a escola na época do cometimento do ato infracional?

( ) sim ( ) não

21.2 – Se negativo, há quanto tempo?

R= _______________________________________________________________________
22 – Qual sua situação escolar hoje?

( ) estudando ( ) matriculado e não frequenta ( ) não matriculado

( ) outro __________________________________________________________________

23 – Antes de seu ingresso no Sistema Socioeducativo você recebia acompanhamento
familiar nas atividades escolares?

( ) sim ( ) não

b) Profissionalização

24- Já participou de algum curso profissionalizante antes de entrar no CSE?

( ) sim ( ) não

2 4.1 – Se afirmativo, qual? ____________________________________________________

25 – No CSE já participou ou participa de algum curso?

( ) sim ( ) não

(Se negativo pular para a 06. Se positivo, fazer as próximas)
76

25.1 – Qual? _______________________________________________________________

25.2 - Como você avalia os cursos profissionalizantes oferecidos?

( ) interessante
( ) muito interessante
( ) pouco interessante
( ) nada interessante
( ) outros__________________________________________________________________

25.3 - Você acha que os cursos profissionalizantes que participou ajudarão a conseguir
emprego quando for desligado do CSE?

( ) sim ( ) não

25.4 - O que você acha da qualidade dos cursos que participou?

( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) péssimo

25.5 - Os profissionais do Centro acompanham o seu desenvolvimento nas atividades
pedagógicas?

( ) sim ( ) não

26 – tem algum curso que você gostaria de realizar?

( ) sim ( ) não

26.1 – Qual? _________________________________________________________

c) Atividade de Suporte Social e Cidadania

27 – O CSE promove atividade de esporte, lazer e cultura?

( ) sim ( ) não

27.1 – Se afirmativo, quais? ____________________________________________

28 – No Centro você recebe orientação religiosa?
77

( ) sim ( ) não

28.1 - Se positivo, com que frequência? ____________________________________

29 – O Centro viabilizou alguma documentação civil/militar?

( ) sim ( ) não

29.1 – Se sim, quais?

R = ________________________________________________________________

d) Saúde:

30 – Você recebe atendimento médico

( ) sim ( ) não

31 – Com que frequência?

32 – Durante o cumprimento da Medida no CSE de Semiliberdade você já recebeu algum
atendimento ou tratamento médico especializado?

( ) sim ( ) nao

32.1 – Qual?________________________________________________________________

33 – Você é usuário de drogas?

( ) sim ( ) não ( ) fez uso experimental

(Se sim, fazer as próximas. Se não pular para a 39 )

34 – desde que idade?

R = ______________________________________________________________________

34.1 – Usa com que frequência?

R = _______________________________________________________________________
78

35 – Já recebeu orientações quanto à possibilidade de encaminhamento para tratamento?

( ) sim ( ) não

(Se sim, fazer a próxima. Se não, pular para a 39)

36 – Aceitou a orientação?
( ) sim ( ) não
37 – Realizou o tratamento?
( ) sim ( ) não
38 - Gostaria de saber a respeito?
( ) sim ( ) não

e) Vínculo Familiar:

39 – Como era sua relação familiar antes de entrar no Sistema Socioeducativo?

R = ______________________________________________________________________

40 – E depois?

R = ______________________________________________________________________

41 – O suporte familiar que você recebe no cumprimento da medida é:

( ) satisfatório ( ) regular ( ) insuficiente

42- A medida Socioeducativa tem o levado a refletir sobre sua infração?

____________________________________________________________________
_________________________________________________________________

43- Em que a medida Socioeducativa contribuiu para sua vida e ao término dela, o
que você pretende fazer?

____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
_________________________________________________________________
79

INSTRUMENTAL III

FORMULÁRIO DE ENTREVISTA SEMIESTRUTURADO PARA APLICAÇÃO COM
A FAMILIA

Identificação:

1. Responsável pelo adolescente: _______________________________________
2. Vínculo familiar: _____________________________________________________
3. Idade: (__________)
4. Escolaridade: ______________________________________________________
5. Renda familiar: _____________________________________________________
6. Bairro / zona _______________________________________________________
(Se pai ou mãe fazer a próxima)

7. Composição Familiar:

( ) pai, mãe e filhos ( ) mãe, novo cônjuge e filhos

( ) mãe e filhos ( ) pai, nova cônjuge e irmãos

( ) pai e filho ( ) outros _________________________________________

Caracterização institucional

I – Infra-Estrutura:

8– Você sente alguma dificuldade para comparecer ao CSE?

( ) sim ( ) não

Qual?__________________________________________________________
80

9 – A estrutura física do Centro (quarto, banheiro, refeitório, etc.) possui tamanho e
comodidade adequada?

( ) sim ( ) não

10– Os recursos humanos (Assistente Social, psicólogo, socioeducadores, etc.) são
suficientes para atender as necessidades dos adolescentes e familiares?

( ) sim ( ) não

II – Metodologia de acompanhamento e avaliação:

11 – Você participa das atividades oferecidas pelo Centro?

( ) sim ( ) não ( ) as vezes

12 – Você recebe atendimento psicossocial familiar de forma satisfatória?

( ) sim ( ) não

12.1 – Se negativo, por quê?

R = ________________________________________________________________

____________________________________________________________________

13 – Como é sua relação com a Equipe Técnica e Direção?

R=
____________________________________________________________________

____________________________________________________________________

III – Avaliação do responsável

14- Quais os pontos positivos que você observa no CSE?

R=
____________________________________________________________________
__________________________________________________________________
81

15 – Quais os pontos negativos que você observa no CSE?

R=
____________________________________________________________________

16– Você daria alguma sugestão para melhorar o atendimento do Centro?

R = ________________________________________________________________

IV – Histórico Infracional:

17 – O adolescente possui quantas entradas na DEAAI?

R = ________________________________________________________________

18 – Quantas na UIP?

R = ________________________________________________________________

19 – Qual foi o ato infracional que ocasionou sua inserção no Sistema
Socioeducativo?

R = ________________________________________________________________

20 – O adolescente já havia sido sentenciado anteriormente com outra Medida
Socioeducativa?

( ) sim ( ) não

Qual?
____________________________________________________________________

21 – Há quanto tempo ele está inserido no Sistema Socioeducativo?

R =_________________________________________________________________

22– O adolescente está há quanto tempo no CSE de Semiliberdade?

R = _______________________________________________________________
82

V – Indicadores:

a) Educação:

23 – Na época do cometimento do ato infracional o adolescente estava frequentando
a escola?

( ) sim ( ) não

23.1 – Se negativo, há quanto tempo e por quê?

R=
____________________________________________________________________

24 – Antes do ingresso no Sistema Socioeducativo, você costumava acompanhar as
atividades escolares do adolescente?

( ) sim ( ) não ( ) raramente ( ) outro ______________________________

25– Qual a situação escolar do adolescente hoje?

( ) estudando ( ) matriculado e não frequenta ( ) não matriculado

( ) outro ___________________________________________________________

b) Profissionalização:

26- O adolescente já havia realizado algum curso profissionalizante antes de entrar
no CSE?

( ) sim ( ) não

26.1 – Se afirmativo, qual? _____________________________________________

27 – No CSE o adolescente já participou ou participa de algum curso?

( ) sim ( ) não

(Se negativo pular para a 29. Se positivo, fazer as próximas)
83

28.1 – Qual? ________________________________________________________

28.2 - Como você avalia o interesse do adolescente pelos cursos oferecidos?

( ) interessado ( ) muito interessado ( ) pouco interessado
( )desinteressado

28.3 - Você acha que os cursos profissionalizantes ajudarão o adolescente a
conseguir emprego quando for desligado do CSE?

( ) sim ( ) não

28.4 - O que você acha da qualidade dos cursos oferecidos?

( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) péssimo

28.5 - Os profissionais do Centro acompanham o desenvolvimento do adolescente
nos cursos profissionalizantes?

( ) sim ( ) não

29– Você tem conhecimento de algum curso que o socioeducando gostaria de
realizar?

( ) sim ( ) não

29.1 – Qual? ________________________________________________________

30 – Você disponibiliza para o adolescente algum tipo de recurso para contribuir com
a realização desses cursos?

( ) sim ( ) não

30.1 – Se sim, qual? __________________________________________________
84

c) Atividade de Suporte Social e Cidadania

31– O adolescente participa de atividades de esporte, lazer e cultura?

( ) sim ( ) nao

31.1 – Se afirmativo, quais? _______________________________________

32 – O adolescente recebe orientação religiosa promovida pelo CSE?

( ) sim ( ) não

33 – Quais os documentos que o adolescente possuía antes de sua entrada no
CSE?

R = _______________________________________________________________

34 – Quais foram viabilizados pelos profissionais do Centro?

R = _______________________________________________________________

d) Saúde

35– O adolescente recebe atendimento médico?

( ) sim ( ) não

36 – Durante o cumprimento da medida no CSE de Semiliberdade o adolescente
recebeu atendimento ou tratamento médico especializado?

( ) sim ( ) não

36.1 – Qual?_________________________________________________________

37 – Você tem conhecimento do adolescente ser usuário de drogas

( ) sim ( ) não

(Se sim, fazer as próximas. Se não, pular para a 42 )
85

38 – Você recebeu orientações quanto à possibilidade de encaminhamento do
adolescente para tratamento?

( ) sim ( ) não

(Se sim, fazer a próxima. Se não, pular para 42 )

39– Se disponibilizou a dar suporte nesse sentido?

( ) sim ( ) não

40 – O adolescente realizou ou realiza esse tratamento?

( ) sim ( ) não

41 - Gostaria de saber a respeito?

( ) sim ( ) não

e) Vínculo familiar:

42 – Como era sua relação familiar com o adolescente antes do ingresso no CSE?

R = _______________________________________________________________

____________________________________________________________________

43 - E depois?

R =
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

44 – A que você atribui o cometimento do ato infracional?

R =
____________________________________________________________________
______ ___________________________________________________________

45– As intervenções técnicas realizadas no Centro surtiram algum efeito em sua
relação com o adolescente?

( ) sim ( ) não
86

45.1 – Se afirmativo, quais?

R =
____________________________________________________________________
______ ____________________________________________________________

46 – Você recebeu informações adequadas sobre o Regime de Semiliberdade?

( ) sim ( ) não

47 – Você foi orientado quanto às atribuições familiar frente à execução da Medida?

R =
____________________________________________________________________
___________________________________________________________________