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Déficit Habitacional - O Direito à

Moradia
por Luiz Fernando do Valle

O Homem surgiu em nosso planeta há milhares de anos, e sempre precisou proteger-se


contra as intempéries do clima. Primeiro sobre as árvores, por questão de segurança, ou
em cavernas, depois em construções rústicas, tendas, choupanas, casas, castelos,
palácios, prédios, e tantas outras formas de “residência” para atender as mais variadas
necessidades.
A visão do “lar” é antiga e sempre foi muito importante para as pessoas. É nele que
guardamos nosso bem mais importante, a nossa família, além de ser onde moramos. A
residência está ligada diretamente à idéia de proteção, espaço, segurança; é um bem de
raiz. A moradia é, em resumo, o nosso porto seguro, e a sua aquisição representa uma
das grandes conquistas de nossa vida.
Para a maioria das pessoas poder adquirir a sua “casa própria” é muito mais que a
realização de um negócio, é a concretização de um grande sonho. A compra da
residência é considerada uma das prioridades entre os principais objetivos que
buscamos em nossas vidas.
A moradia própria é a certeza de que em qualquer situação nosso espaço estará
garantido. Para estas pessoas, adquirir a sua residência é conquistar um status diferente
de sua posição anterior. É como se essa residência lhe garantisse um atestado de que
cumpriu com as expectativas dos seus familiares e grupo de relacionamento.
A falta de condições financeiras para que esse sonho se realize transformou-o em uma
grande decepção e frustração. Hoje no Brasil já são mais de 8 milhões de famílias sem
essas condições. Essas pessoas compõem o que chamamos de déficit habitacional, que
é o número de habitações adequadas necessárias para atender a essa demanda.
O déficit habitacional está atrelado diretamente à capacidade financeira dos
interessados em poder comprar as suas residências. Ele cresce à medida que aumentam
as dificuldades para essas pessoas terem acesso ao financiamento, com as condições
adequadas à sua renda familiar disponível. Ele depende, portanto, da diferença entre o
salário líquido e o seu comprometimento com todas as suas necessidades básicas
mensais. Para a análise de crédito, o importante é quanto por mês o interessado pode
dispor para o pagamento da prestação do financiamento sem comprometer seus outros
compromissos fixos já assumidos anteriormente.
Em um País como o nosso, onde milhões de pessoas têm renda familiar muito baixa e o
custo do dinheiro é extremamente caro e difícil, cria-se essa situação de grande déficit
habitacional com conseqüências danosas para toda a sociedade.
O perfil da pirâmide sócioeconômica do Brasil aponta que 33% das famílias têm renda
familiar de até dois salários mínimos, sendo que 59% dos domicílios que estão no
déficit por inadequação pertencem a essa mesma faixa de renda, e que 92% do déficit
está concentrado nas famílias com renda de até cinco salários mínimos.
Esses números atestam que a faixa de renda mais baixa pode oferecer grandes
oportunidades para investimentos, podendo, através de parcerias entre o poder público,
empresas privadas e Caixa Econômica Federal, resolver uma parcela importante dessa
falta de moradia econômica. Este problema deveria ser tratado de forma diferente da
atual, em que a falta de coordenação entre as partes envolvidas leva a uma paralisia do
processo e ao aumento constante desse déficit.
Recursos financeiros para atender a essa demanda existem e em quantidade suficiente
para resolver o problema, já que os recursos provenientes do Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal, são destinados
a essa finalidade. Em países como o México, um modelo semelhante (Infonavit) ao
nosso produz mais de 750 mil residências por ano, número bem superior ao produzido
no Brasil.
O problema da moradia popular é, antes de tudo, um problema político, pois envolve
características de falta de vontade para se propor soluções que de fato resolvam em
definitivo esse problema. O governo federal dispõem das condições necessárias, basta
que se organize e queira fazer, com menos discurso e mais ação.
A moradia é um item essencial para que as pessoas tenham a sua qualidade de vida
preservada, pois a posse dela nos permite ter esperança em dias melhores.
Em uma comunidade sustentável não há déficit habitacional, pois o direito à “casa
própria” é inerente à nossa essência de buscar proteção e segurança. Seria importante
que essas fossem também residências sustentáveis, pois aí os três aspectos: social,
econômico e ecológico (veja o triângulo da sustentabilidade) estariam sendo
atendidos e estaria sendo desenvolvida uma sociedade mais feliz e justa.

http://www.blograizes.com.br/deficit-habitacional-o-direito-a-moradia.html

25/03/2009 - 09h43

Déficit habitacional no país é de 8


millhões de moradias e se concentra nas
famílias com renda de até três salários
mínimos
Do UOL Notícias
Em Brasília

O déficit habitacional no país é de quase 8 milhões de moradias, de acordo


com o Ministério das Cidades. Os últimos dados sobre o tema são de 2006 e
têm como base a Pnad (pesquisa nacional por amostra de domicílios)
realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com
números daquele mesmo ano.

A pesquisa da Fundação João Pinheiro, que serve como base para o


Ministério das Cidades, aponta a falta de um total de 7.934.719 moradias,
número correspondente a 14,5% dos domicílios do país (total é de
54.610.413, segundo o instituto). Separadas as áreas urbana e rural, o
déficit é um pouco mais elevado nesta última, correspondendo a 16,1% do
total de domicílios. Na área urbana, corresponde a 14,1%.

O infográfico abaixo mostra quantas moradias seriam necessárias para


acabar com o déficit habitacional em cada Estado e cada região do país. As
tabelas mostram o número de moradias e o que ele representa, em termos
percentuais, do total de moradias em cada localidade. Em São Paulo, por
exemplo, faltam quase 1,5 milhão de casas ou apartamentos para atender a
carência da população. O número corresponde a 11,7% do total de 12,593
milhões de moradias existentes no Estado, segundo a pesquisa.

Veja quantas moradias faltam em cada Estado e a relação desse


número com o total de domicílios permanentes
O estudo separa as moradias em dois grupos: as que faltam para atender à
população e aquelas consideradas inadequadas. Para definir o que é déficit
habitacional, a pesquisa leva em conta vários indicadores, como coabitação
familiar, ou seja, mais de uma família vivendo sob o mesmo teto, ou ainda o
peso do aluguel na renda familiar, considerado em situação de famílias
residentes em áreas urbanas, com renda média de até três salários
mínimos, que está mais de 30% comprometida com o pagamento do
aluguel. Também entram no cálculo de carência habitacional casas ou
apartamentos alugados com adensamento excessivo, nos quais mora um
número muito grande de pessoas.

No caso dos domicílios inadequados, a pesquisa leva em conta a carência


de serviços como energia elétrica, abastecimento de água, rede de esgoto,
falta de coleta de lixo e ainda a qualidade do material de cobertura das
construções. Outro fator que caracteriza a residência como inadequada
pelos pesquisadores é estar localizada em local indevido ou não ter
banheiro.

A carência de infraestrutura foi verificada em mais de 11,2 milhões de


moradias no país, que representam 24,1% dos domicílios urbanos.
Percentualmente, o problema está mais presente nas regiões Norte, onde
está presente em 56,4% das moradias, Centro-Oeste (51,4%), e Nordeste
(40,8%).

Renda familiar
O levantamento também aponta em qual parcela da população a carência
habitacional é maior. Mais de 90% das famílias que demandam uma nova
moradia têm renda média mensal de até três salários mínimos, o que
justifica que as ações sejam voltadas para este segmento.

Se forem consideradas as famílias da faixa de renda imediatamente


superior, entre três e cinco salários mínimos, o grupo representa quase a
totalidade do déficit habitacional do país nas áreas urbanas, de acordo com
o estudo.

Na análise por regiões do país, a carência de moradia na parcela de renda


menor (até R$ 1,3 mil) está mais presente na região Nordeste, onde
corresponde a 95% do déficit habitacional. Na região Norte, o percentual é
de 91,2%, no Sudeste, 89,9%. No Centro-Oeste, a concentração do déficit
habitacional nas famílias com renda até três salários mínimos chega a
88,3% e no Sul, a 85,1%.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/03/25/ult5772u3355.jhtm

22/03/2010 às 20:04
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Governo anuncia redução de déficit


habitacional no País
Agência Estado
O Ministério das Cidades aproveitou hoje a abertura do 5.º Fórum Urbano
Mundial, no Rio, para anunciar uma redução do déficit habitacional brasileiro
estimado para 2008. Elaborado pela Fundação João Pinheiro, o estudo
aponta déficit de 5,8 milhões de domicílios no País, ante 6,3 milhões em
2007.

Ao anunciar o resultado, o ministro das Cidades, Marcio Fortes, citou dois


programas do governo federal, o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. Ele afirmou que "o Brasil está atacando o
déficit habitacional e as condições de moradia estão melhorando".

Dos 5,8 milhões de domicílios apontados no estudo, a maioria (82%) está


localizada em áreas urbanas. As principais regiões metropolitanas do País
abrigam 1,6 milhão desses domicílios, o que representa 27% da carência
habitacional. O déficit representa 10,1% do estoque de domicílios do País. A
análise por renda mostra que o déficit está concentrado na faixa de até 3
salários mínimos (89,2%) e na de três a cinco salários mínimos (7%).

A metodologia elaborada pela fundação e adotada pelo Ministério se baseia


em um "conceito amplo de necessidades" que engloba tanto o déficit
habitacional quantitativo (por incremento ou reposição do estoque de
moradias) como o déficit por inadequação (deficiências na qualidade de vida
de seus moradores, como infraestrutura inadequada). Em termos absolutos,
o mesmo estudo já havia apontado uma redução do déficit habitacional em
2007, na comparação com 2006, quando ele foi estimado em 7,9 milhões de
domicílios.

http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=2182708

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


MORADIA – DÉFICIT – Estudo mostra que déficit habitacional vai
aumentar
Um estudo da Fundação Getulio Vargas mostra que o déficit
habitacional do país, que hoje é de 6 milhões de unidades, deverá
chegar a 28 milhões em 2020.
Com dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística, os
pesquisadores afirmam que 21 milhões de famílias vão se somar às atuais 6
milhões que vivem sem casa nos dias de hoje, isso até o referido ano de
2020.
A causa disso é que o déficit se acumula mais rapidamente do que são feitos os
investimentos em novas moradias para famílias de baixa renda.
Ao mesmo tempo, segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto,
Marco Fernandes, o déficit habitacional brasileiro hoje é idêntico à oferta de moradias
abandonadas.
Se há 6 milhões de famílias precisando de casa, as cidades têm 6 milhões de unidades
habitacionais sem uso.
. “São as casas vazias, os prédios abandonados nos centros das grandes cidades. O que
mostra a contradição do capitalismo brasileiro. De um lado um déficit de seis milhões,
por outro lado seis milhões de unidades vazias”, diz ele.
http://praticaradical.blogspot.com/2008/02/moradia-dficit-estudo-mostra-
que-dficit.html

Ministro anuncia novo déficit


habitacional durante FUM5
22/03/2010
Foto: Rodrigo Nunes/MCidades
O ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, anunciou nesta segunda-feira (22),
durante o Fórum Urbano Mundial 5 no Rio de Janeiro, a redução do déficit habitacional
brasileiro para 5,8 milhões de domicílios. O estudo elaborado pela Fundação João
Pinheiro, com ano referência em 2008, aponta diminuição com relação ao indicador em
2007, de 6,3 milhões.
Clique aqui para acessar as fotos do evento.
Em entrevista coletiva Marcio Fortes afirmou que “o Brasil está atacando o déficit
habitacional e as condições de moradia estão melhorando”. Com o Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), desde 2007, foram investidos cerca de 12 bilhões de
dólares em urbanização de favelas. A partir de 2009, o programa Minha Casa, Minha
Vida está possibilitando a construção de um milhão de moradias. Para o PAC 2,
conforme adiantado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mais dois
milhões de casas terão aporte.
O novo indicador do déficit habitacional estimado é de 5,8 milhões de domicílios, dos
quais 82% estão localizados nas áreas urbanas. As principais áreas metropolitanas do
país abrigam 1,6 milhão de domicílios representando 27% das carências habitacionais
do país. Em relação ao total dos domicílios, o déficit representa 10,1% do país, sendo
9,7% nas áreas urbanas e 11,9% nas rurais.
Seguindo uma tendência de diminuição com base nos estudos realizados em 2007, no
qual o déficit habitacional era de 6,3 milhões, os números apontam uma redução de
cerca de 476 mil unidades no déficit habitacional, sendo 250 mil nas regiões
metropolitanas.
Os estudos sobre o déficit habitacional no Brasil utilizam a metodologia originalmente
elaborada pela Fundação João Pinheiro, adotada oficialmente pelo Ministério das
Cidades e referência nacional entre os estudiosos da questão habitacional.
A metodologia se baseia em um conceito amplo de necessidades habitacionais que
engloba tanto o déficit habitacional (domicílios que demandam incremento e reposição
do estoque de moradias), como o déficit por inadequação (o conjunto de domicílios com
especificidades que condicionam deficiências na qualidade de vida de seus moradores).
Sempre que possível essa metodologia tem sido aprimorada com o objetivo de melhor
retratar a situação do setor no país nesse sentido, destaca-se, a partir do cálculo dos
indicadores para 2007, a introdução de duas perguntas específicas no questionário da
Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad), que qualificam as informações
sobre a coabitação familiar, permitindo identificar, entre o total das famílias
conviventes, aquelas que efetivamente desejam constituir um domicílio exclusivo. Essas
alterações propiciaram, indiscutivelmente, um substantivo avanço metodológico.

http://www.cidades.gov.br/noticias/ministro-anuncia-novo-deficit-
habitacional-de-5-8-durante-fum5/
Minha Casa, Minha Vida: um programa
contra o déficit habitacional
O Brasil só conheceu política habitacional a partir de
1940, no governo Getúlio Vargas. As tentativas que se
seguiram foram marcadas por modelos estanques, a
exemplo do Banco Nacional de Habitação (BNH) e das
Companhias de Habitação (Cohabs). O Programa Minha
Casa, Minha Vida (MCMV), do Governo Lula, é visto com
“bons olhos” pelo professor de Arquitetura e Urbanismo
da Universidade de Brasília (UnB), Márcio Buzar.
Ele aponta a aprovação do Estatuto das Cidades e a criação do Ministério
das Cidades como dois importantes instrumentos para garantir o
planejamento dos centros urbanos e, principalmente, impedir que os
municípios cresçam acima de um milhão de habitantes, o que produz
problemas incontornáveis.

O programa MCMV, que incentiva a construção de habitação de interesse


social, adota vários instrumentos para garantir o seu êxito, ou seja, a
minimização do problema de déficit habitacional no Brasil, que é histórico e
gigantesco. “O principal (instrumento) é o financiamento com juros
reduzidos a 6% ao ano, que é mais ou menos o que dá para a classe baixa
suportar”, destaca Buzar, defendendo a tese de que os juros podem baixar
ainda mais.

“Tem que fazer gestões junto à Caixa para baixar mais os juros, para utilizar
os recursos do FGTS em maior quantidade, que é mesmo para aplicar na
habitação”, propõe o professor.

Outro mecanismo importante utilizado no programa é a desburocratização.


“O Feirão da Caixa é um sucesso”, diz o professor, lembrando um garoto-
propaganda da instituição. Ele ri com a comparação e explica: “Inclui toda a
cadeia – cartório, construtora e o banco. São vários estímulos, está mais
fácil comprar de fato, principalmente com relação aos juros, que
anteriormente inviabilizavam o pagamento”, anuncia.

Solução econômica e social

“E aquece a economia, porque a construção civil é um dos setores que mais


emprega”, complementa. Por sinal, ele usa esse argumento para defender a
manutenção do programa mesmo com a mudança de governo,
considerando as eleições presidenciais deste ano.

“Tem que ser política de Estado e não de governo para garantir a


continuidade”, afirma, destacando que “a habitação provou que, além de
amenizar o conflito social, contribui para aquecer economia e como a
maioria dos dirigentes olha mais o lado da economia, isso representa um
indicativo de que pode continuar.”

Lula investe seis vezes mais que FHC

Ele diz que os recursos aplicados no Programa MCMV, em dois anos de


execução, chegam a ser cinco ou seis vezes maiores do que os gastos no
setor nos sete, oito anos do Governo de Fernando Henrique Cardoso.

Outro lado positivo do Programa, além de criar espaço para gerar trabalho e
movimentar a economia, é que a Caixa exerce fiscalização nas construções,
exigindo das empresas cadastradas o cumprimento das normas técnicas da
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). “E a Caixa faz isso
também por interesse, porque sabe que o imóvel volta para ela se a pessoa
não pagar”, explica.

O professor Buzar destaca ainda, como outra grande vantagem do


programa, as condições adequadas de moradia que representam essas
construções. “É positivo (o Programa) também sob o ponto de vista da
saúde. Mesmo que não tenha esgotamento sanitário, tem fossas sépticas,
que são obrigatórias, e, dependendo da quantidade de unidades, essas
exigências vão aumentando.”

Na opinião de Buzar, um problema que persiste é o da localização. “Os


terrenos mais baratos estão mais afastados, portanto persiste o problema
de deslocamento para o trabalho.” E lança mão do exemplo de Brasília,
lembrando que 80% dos empregos estão concentrados no Plano Piloto.

“A solução é o governo descentralizar as áreas de trabalho e outra


alternativa é melhorar os transportes, que devem ser de massa e com
integração - metrô, ônibus e outros meios - para viabilizar o acesso”,
sugere.

Problemas do crescimento

Buzar, defensor da tese de que as cidades não devem crescer, alerta que
cidades com mais de um milhão de habitantes produzem problemas - com a
ocupação de áreas de proteção ambiental e lixões - que impedem o
desenvolvimento sustentável. “O que se defende é que as cidades não
podem passar de um milhão de habitantes, acima disso surgem problemas
que não podem ser contornados. No Brasil esse número está em torno de
20 a 30 cidades no universo de cinco mil municípios. Para conter o
crescimento das cidades, deve-se praticar a descentralização”, avisa.

E aponta como exemplo de crescimento desordenado a cidade de São


Paulo, que é responsável por cerca de 20% de toda a produção do Brasil.
Por isso, ele considera acertada a decisão do Governo Lula de construir
siderúrgicas em outros estados. Ele explica que cidades que não têm
indústrias e nem empresas ficam estagnadas, enquanto umas poucas
cidades concentram toda a produção e os consequentes problemas.

“Existe a situação gravitacional das indústrias secundárias e terciárias”,


destaca, o que contribui para um crescimento desordenado de cidades
como São Paulo. “(O Brasil) Tem tanta terra, não precisa ter cidades
adensadas”, afirma o professor.

E diz que a questão política é responsável pela falta de planejamento que


permite ocupações irregulares nas cidades. E mais uma vez lança mão do
exemplo de Brasília. “Brasília é o maior exemplo de ocupação irregular,
porque era tudo terra da União, era espaço reservado para ocupações
futuras”, diz, destacando que as ocupações, que ocorreram por parte da
classe baixa e média, foram incentivadas por muitos governos.
“Incentivaram e enriqueceram em cima dessas invasões”, denuncia.

No caso de Rio de Janeiro, que vivenciou problemas de desmoronamentos


no último período chuvoso, a questão também é política, analisa o
professor. “As áreas livres da cidade são lixões, proteção de meio ambiente
e são invadidas para fazer habitação, o que não resolve o problema (de
moradia) e cria dois, três problemas a mais”, explica Buzar, dizendo que
tem que ter fiscalização.

“O estado é quem tinha que fiscalizar, mas essas invasões “correm solto”,
como as ocupações de área de preservação, que vão criar um sério
problema de abastecimento de água no futuro”, diz ele. A ocupação das
fontes e cabeceiras de rios – tornando as áreas impermeáveis e poluídas -
vai criar problema sério de água. Estudos demonstram que em 40 anos
Brasília não terá onde buscar água para se abastecer. Recife (PE) e São Luís
(MA) são cidades que já têm que buscar água em distâncias de mais de 100
quilômetros, o que eleva o custo e aumenta a conta da água do consumidor.

Começo de tudo

Como não podia deixar de ser, o professor começou a entrevista fazendo


um levantamento do problema habitacional no Brasil, o que nos levou ao
período dos cortiços. “O problema habitacional do Brasil vem do século 19,
com os cortiços. Havia concentração urbana com o êxodo rural, mas não
havia política habitacional. Os trabalhadores queriam morar próximo ao
trabalho, mas as áreas eram as mais caras.”
O Cortiço, retratado no romance do mesmo nome de autoria de Aluísio de
Azevedo publicado em 1890, é precursor das favelas. Os quartos e outros
compartimentos de grandes casarões eram loteados entre várias famílias,
em geral famílias numerosas, migrantes do Nordeste que iam ‘tentar a vida’
nas grandes cidades.

Até a década de 1940 o Brasil viveu esse problema sem política


habitacional. No Governo de Getúlio Vargas, começou-se a discutir o
assunto, mas já com várias dificuldades, lembra Buzar, citando os exemplos
de criação do Banco Nacional de Habitação (BNH) e das Companhias de
Habitação (Cohabs).

Segundo ele, o modelo financeiro da época inviabilizou a política


habitacional. Hoje você sabe o valor da primeira e da última prestação.
Antigamente, você tinha aumento de 5% no salário e de até 50% na
prestação, diz, lembrando que esse problema persistiu mesmo com o fim do
BNH e a transferência da responsabilidade de financiamento da casa própria
para a Caixa Econômica com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço), apontado como exemplo mais permanente de política
habitacional.

“A Caixa tem interesses, como qualquer banco comercial, de manter seus


ativos e lucratividade. E esse foi o problema ao longo dos anos. O banco
mantinha mais o financiamento da classe média porque os juros eram altos
– de 10 a 12% ao ano. Em 25 anos, você pagava 400 mil por um imóvel que
custava 50 mil”, conta Buzar. E não tinha o SAC, que é o sistema de
amortização. Os juros baixos e o SAC são apontados como as vantagens do
programa de financiamento atual – o MCMV.

Para o professor Buzar, é importante destacar também, como componentes


importantes no planejamento das cidades, o Estatuto da Cidade e o
Ministério das Cidades. Ele se derrama em elogios aos dois, destacando que
somente com planejamento é possível fazer crescer as cidades, evitando
problemas futuros.

“O Estatuto trata de todas as questões das cidades, como ela deve crescer
e quais os instrumentos para a sustentabilidade do crescimento. O
Ministério das Cidades vem para emplacar essas orientações”, explica.
“Hoje os municípios têm que ter plano diretor para garantir espaço para
área industrial, residencial, comércio, de preservação ambiental; e para
acessar recursos do governo federal, o que é uma forma de organizar.”

Buzar, que também defende a permanência do Ministério na estrutura de


governo, diz que ele organiza o programa completo para as cidades com
planejamento das fases das intervenções e a distribuição de verbas para os
municípios. Segundo ele, com isso está superada a fase em que se fazia o
asfalto e no dia seguinte quebrava o asfalto para fazer esgotamento.
“Jogava-se dinheiro fora”, diz, lamentando que seja “um pouco tarde para
cidades como Rio e São Paulo, que já não permitem o planejamento.”

De Brasília, Márcia Xavier

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=130392&id_secao=1

Déficit habitacional no Paraná


O Paraná, de acordo com dados do censo de 2000, tem 2.672.180 domicílios
particulares permanentes. O déficit habitacional absoluto, segundo a Fundação João
Pinheiro (MG), é de 260.648 domicílios (229.069 urbanos - 31.579 rurais). O déficit
relativo do estado é de 9,8%.

Participação dos componentes do déficit habitacional no Paraná


53,8% - Coabitação familiar
25,2% - Ônus excessivo com aluguel
19,6% - Habitação precária
1,4%- Reposição por depreciação

Déficit habitacional no Paraná, conforme faixa de renda


Renda mensal de até 3 salários mínimos – 85,4%
De 3 a 5 s.m. – 8,2%
De 5 a 10 s.m. – 3,9%
Mais de 10 s.m. – 1,2%

Fonte: Fundação João Pinheiro (MG)

Contrapartidas municipais
Para viabilizar a construção de moradias no município, a prefeitura deve doar à Cohapar
a área necessária para a construção do empreendimento, previamente vistoriada e
aprovada pela Cohapar e o agente financeiro. A prefeitura deve também providenciar a
aprovação dos projetos e executar os serviços de infra-estrutura: abertura de ruas,
ensaibramento e/ou cascalhamento, demarcação dos lotes, rede de água e energia
elétrica, iluminação pública, rede de esgoto e de drenagem.

Outras contrapartidas municipais são: a concessão de isenção de taxas e impostos


municipais, incluindo Alvará e Habite-se e orientar e auxiliar os beneficiários na
providência dos documentos pessoais necessários para a formalização dos contratos e
destinar um técnico social para, em conjunto com a Cohapar, dar atendimento à
população envolvida.

A prefeitura deve também desenvolver atividades comunitárias junto aos


futuros moradores, auxiliar na inserção das famílias no mercado de trabalho
e garantir a segurança dos materiais e do empreendimento no período de
obra.
http://www.cohapar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?
conteudo=7#
http://www.cohapar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?
conteudo=45

Déficit habitacional do PR cairá 14%


Programa do governo federal prevê a construção de 44 mil moradias no estado
Publicado em 27/03/2009 | Themys Cabral - Colaborou Aline Peres

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Novo pacote da habitação do governo federal vai reduzir em 14% o déficit habitacional no Paraná, que hoje é de
314,2 mil moradias. Em Curitiba, o programa vai diminuir o déficit habitacional de 50 mil casas em 24%. As 44 mil
habitações destinadas ao Paraná pelo Minha Casa, Minha Vida equivalem a mesma quantidade de casas e
regularizações fundiárias feitas pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) em seis anos de trabalho. O
programa, que entra em funcionamento a partir do dia 13 de abril, traz, ainda, uma peculiaridade: medidas que
contemplam a classe média.
O programa, orçado em R$ 34 bilhões, beneficiará famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 4.650). De 1
milhão de casas que serão feitas em todo o país (14% do déficit nacional), 400 mil serão destinadas a famílias com
renda de até três salários mínimos, 200 mil para aquelas com renda entre três e quatro salários, 200 mil para aquelas
com renda entre quatro e seis salários e outras 200 mil para famílias com renda entre 6 e 10 salários. No Paraná,
segundo a Cohapar, ainda não há definição das destinação em relação a cada faixa salarial da 44 mil habitações
previstas.
• Saiba mais
• Saiba mais sobre o programa habitacional

Plano prevê urbanização dos terrenos


RIO DE JANEIRO - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o programa de habitação
lançado na quarta-feira pelo governo prevê a construção da infraestrutura de água e esgoto nos terrenos onde serão
erguidas as casas. Em entrevista ao telejornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, Dilma descartou a criação pelo
programa de guetos sem urbanização, já que os terrenos mais baratos estão na periferia.
“Esse programa financia desde a compra do terreno à construção da infraestrutura de água e esgoto”, explica. “Dá
também condições para que se coloque luz elétrica.”
A ministra afirmou que uma das soluções possíveis para evitar a criação de guetos é a utilização de terrenos públicos.
Dilma cobrou também esforço das empresas. “É um esforço conjunto, porque as empresas também têm seus bancos
de terrenos”, sugere.
Dilma também disse que, apesar de o governo ter definido que a prestação da casa financiada pelo programa não
poderia ser menor do que R$ 50, esse valor poderá ser flexibilizado no caso de famílias mais pobres. Segundo ela, o
governo não quer que as pessoas de baixa renda comprometam mais de 10% da sua renda.
Agência O Globo

Financiamento tem limite maior


BRASÍLIA - O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem o aumento do valor máximo dos imóveis que
podem ser financiados dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) de R$ 350 mil para R$ 500 mil. O CMN
também elevou o porcentual máximo a ser financiado, de 70% para 90%. Com isso, os valores financiados subiram
de R$ 245 mil para R$ 450 mil. De acordo com o conselho, essas são “medidas complementares para estimular a
construção civil e mitigar os efeitos da crise internacional sobre o setor’’.
Folhapress
De acordo com a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães, na faixa até três salários mínimos, a prioridade de
destinação das moradias populares – de 35 e 42 metros quadrados – será decidida pelas companhias de habitação
municipais, estaduais e prefeituras. Em Curitiba, segundo a Companhia de Habitação (Cohab), há, hoje, 50 mil
pessoas na fila da habitação. Até 2010, a Cohab deve reduzir o déficit para 40 mil, com programas já em andamento.
Restaria ainda um déficit de 20 mil moradias, das quais 12 mil serão supridas pelo novo programa do governo
federal. “Doze mil já estão certas, mas pretendemos aumentar para 20 mil moradias em Curitiba, pois o governo disse
que os municípios que oferecerem mais incentivos podem ampliar o número”, diz o presidente da Cohab, Mounir
Chaowiche.
Segundo Inês, as famílias com renda mensal entre 3 e 10 salários mínimos poderão procurar diretamente, a partir do
dia 13, as agências bancárias de instituições que trabalhem com financiamento com recursos do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS). “A pessoa escolhe o imóvel e vai direto ao banco ver a sua capacidade de crédito”,
explica. No Paraná, porém, Cohapar e Cohab prometem atender também famílias de outras faixas salariais.
O diferencial do Minha Casa, Minha Vida é a oferta de uma série de benefícios, como subsídios, juros reduzidos,
diminuição de custos cartoriais, redução de custos de seguro e fundo garantidor das prestações para quem perder
emprego, entre outros. “Esse programa é um estratégia para, de um lado, diminuir o déficit habitacional, por outro,
combater a crise, pois traz um ingestão de recursos nas cadeias produtivas. Por isso, só fazem parte do programa
imóveis novos”, explica Inês.
Com casamento marcado para abril de 2010, a estudante de Direito Fernanda Rodrigues Santana, de 23 anos, e o
noivo, o gerente de infraestrutura Thiago Dedecek, 30, começaram a procurar um apartamento em janeiro. “Quando
soube do programa, vi que nos enquadramos na faixa de renda estipulada. Só assim para termos a casa própria”, diz.
Na próxima quarta-feira, instruções normativas do Minha Casa, Minha Vida devem ser divulgadas pela Caixa
Econômica Federal. No dia 3, a Cohapar deve fazer uma reunião com os prefeitos das cidades beneficiadas no
Paraná: Curitiba e região, Londrina e região, Maringá e região, Cascavel e região, Arapongas, Apucarana, Ponta
Grossa, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Toledo e Paranaguá. “Já pedimos para os prefeitos levantarem o rol de terrenos
disponíveis em suas cidades”, disse o presidente da Cohapar, Rafael Greca.
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?
tl=1&id=871414&tit=Deficit-habitacional-do-PR-caira-14
Notícias
20/06/2010
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Projeto do departamento de Ciências Sociais analisa os movimentos sociais que lutam


por moradia
"Com as políticas neoliberais se agravou a
questão do desemprego e em conseqüência
aumentou o déficit de moradia", afirma o
cientista político Eliel Ribeiro Machado

Edição: Fernanda Cavassana


Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Beatriz Bevilaqua

Segundo o Ministério das Cidades, o novo indicador do déficit habitacional brasileiro é


estimado em
5,8 milhões de domicílios, dos quais 82% estão localizados nas áreas urbanas. As
principais áreas
metropolitanas do país abrigam 1,6 milhão de domicílios representando 27% das
carências
habitacionais do país.

A falta de moradia é um problema crônico nas grandes cidades. Segundo dados do


IBGE, mais de
80% dos municípios nacionais têm cadastros de famílias interessadas em programas
habitacionais. Nos anos 90, movimentos sociais se organizaram em torno da questão do
acesso à
habitação. Com o foco nessa área, o professor doutor Eliel Ribeiro Machado orienta o
projeto de
pesquisa "Organização política e composição social dos sem teto em São Paulo",
desenvolvido
pela estudante de Ciências Sociais Taynara Freitas Batista de souza.

O doutor Eliel Ribeiro Machado é graduado em Ciências Sociais pela Universidade de


São Paulo
(USP) e Doutor em Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São
Paulo, e
explica que a pesquisa se preocupa em mostrar como movimentos sociais ( como os
Movimentos
dos Trabalhadores Sem Teto e o Movimento Sem Teto do Centro) se organizam. Por
exemplo: as
bandeiras em torno das quais se agrupam, seus líderes, o modo como são tomadas as
decisões,
os significados das suas ações e os objetivos das pessoas que estão no movimento. "O
projeto
não trata somente da questão habitacional" acrescenta.

Dados do Atlas Fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária


(Incra) de 2006
revelam a concentração de terra no Brasil. De acordo com o Atlas, cerca de 3% do total
das
propriedades rurais do país são latifúndios, ou seja, possuem mais de mil hectares e
ocupam
56,7% das terras agriculturáveis.

Para o professor Doutor Eliel Ribeiro Machado, a migração em massa dos trabalhadores
do campo
para as cidades foi conseqüência de políticas de concentração de terra adotadas no país
nos anos
60 e 70. O doutor também faz crítica às políticas neoliberais. "Com as políticas
neoliberais, agravou-
se a questão do desemprego e, em conseqüência, aumentou o déficit de moradia",
afirma.
Com tanta desigualdade social e discrepância fundiária, surgem movimentos de luta por
moradia e
de resistências às políticas neoliberais favoráveis à acumulação do capital, é o que
revela o projeto
da discente Taynara Freitas Batista de Souza.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) surgiu, no final da década de 90,
com o
compromisso de lutar, ao lado dos excluídos urbanos, contra a lógica perversa das
metrópoles
brasileiras: sobram terra e habitações, falta moradia.

Um dos movimentos que Taynara de Souza pesquisa é uma espécie de braço urbano do
MST, já
que eles têm muita proximidade política ideológica. O método de pesquisa que a
estudante se
baseia é por meio de autores que contribuem para o entendimento do processo de
urbanização
capitalista e das formas de organização das classes trabalhadoras. Alguns dos autores
que ela se
baseia são Décio Saes, George Rudé, Friedrich Engels, Antonio Gramsci, Rosa
Luxemburgo e
Lênin.

Além disso, a pesquisadora também utiliza material disponível em monografias, artigos


científicos,
teses, dissertações, sites da internet de diversos movimentos urbanos e entrevistas de
lideranças,
militantes comuns e a base dessas organizações.

Legenda da foto: Eliel Ribeiro Machado, orientador do projeto de pesquisa


"Organização política e
composição social dos sem teto em São Paulo".
Crédito da foto: Antonio Ozaí da Silva

Deficit habitacional caiu 8%, diz governo


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Fonte: Folha de São Paulo


O Ministério das Cidades anunciou ontem, no 5º Fórum Urbano Mundial, que acontece
no Rio nesta semana, que de 2007 para 2008 o deficit habitacional no Brasil foi
reduzido de 6,3 milhões para 5,8 milhões de domicílios -queda de 8%. No entanto,
houve piora no indicador que mede o total de moradias com infraestrutura inadequada,
que aumentou em 500 mil, chegando a 11 milhões de unidades, ou 22% dos domicílios
urbanos.
A moradia é considerada inadequada quando há problema de acesso a pelo menos um
dos seguintes serviços básicos: iluminação elétrica, abastecimento de água com
canalização interna, rede geral de esgoto ou fossa séptica e coleta de lixo.
A secretária nacional de habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, disse que
o governo analisa o que levou ao avanço de moradias com infraestrutura inadequada.
Uma das hipóteses é que tenha havido um crescimento no número de domicílios -daí a
redução do deficit-, mas que eles podem estar em áreas com infraestrutura inadequada.
Basta não atender a um dos critérios de adequação para ser considerado inadequado.
Os cálculos foram feitos a partir de dados do IBGE pela Fundação João Pinheiro,
vinculada ao governo de Minas Gerais. Os itens que mais contribuem para o deficit são
o ônus excessivo com aluguel (40,4%) e famílias vivendo no mesmo domicílio (39,6%).
Em 2007, houve mudança na metodologia de cálculo desse último indicador, após
críticas de vários especialistas de que os dados usados pelo ministério superestimavam o
deficit por incluir toda família que coabitava numa residência com outra no cálculo do
deficit.
Para o IBGE, por exemplo, se um casal abriga filhos e netos na mesma casa, considera-
se que são duas famílias num mesmo domicílio. No entanto, em muitos casos, essa
coabitação pode acontecer por opção, e não por necessidade.
Por isso, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2007, foi incluída
uma pergunta específica sobre a vontade de famílias coabitando de viverem juntas ou
não. A mudança metodológica resultou na queda do deficit em 1 milhão de residências.
Pelos critérios antigos para 2007, seriam 7,3 milhões. Pelos novos, 6,3 para aquele ano.
Usando a metodologia antiga, o país já havia registrado queda de 2006 para 2007. A
razão mais comum apontada por especialistas foi a melhoria da renda, especialmente
nas classes de menor nível socioeconômico, o que tem impacto direto na redução do
gasto com aluguel ou na possibilidade de compra de um imóvel.
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