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Repensando Yama & Niyama

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Fernando Liguori

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Podemos então deixar de discutir Yama e Niyama com este conselho: que cada estudante decida por si que maneira de vida e que código menos tenderá a lhe excitar a mente; mas, uma vez tendo se dedicado a seguir uma regra particular de vida, que persista em sua decisão, evitando o oportunismo; e que se precavenha contra se atribuir mérito espiritual pelo que faz ou pelo que deixa de fazer: qualquer Código é simplesmente de valor prático, relativo à intenção de acalmar a mente. Não tem nenhum valor absoluto ou intrínseco. Lembremo-nos de que, para os propósitos do verdadeiro treino em Yoga, o único valor de Yama e Niyama estará em que nos auxiliem a viver de tal maneira que nenhuma emoção ou paixão perturbe nossas mentes.[1]

Na Tradição de Thelema, yama é a disciplina assumida por cada um de nós para permanecermos em nosso próprio eixo ou āsana, no caminho único da descoberta e execução da Verdadeira Vontade. Tu não tens direito senão fazer tua vontade.[2] Isso significa que quando nós nos desviamos de nosso caminho e objetivo, estamos fora de eixo, que é nossa própria órbita individual. É necessário disciplina para nos manter no caminho e na xecução de nossa Verdadeira Vontade, que é a nossa Lei. Crowley diz que o que é verdade para cada escola é igualmente verdade para cada indivíduo. Sucesso na vida, no que concerne a Lei de Thelema, implica em severa disciplina.[3] Sucintamente, ele resume a doutrina de yama: Não há questões de certo ou errado na solução de nossos problemas. É certo para um homem na estratosfera ser fechado dentro de uma capsula pressurizada, aquecida e com suprimento de oxigênio, enquanto que seria errado para ele utilizar [a capsula] se estivesse na corrida de três milhas de esporte de verão. Este é o buraco em que todos os grandes religiosos têm caído até agora e tenho certeza que todos vocês estão me olhando,

ávidos para que eu cometa o mesmo erro. Mas não! Existe um princípio que nos guia através de todos os conflitos sobre a conduta humana, pois é perfeitamente rígido e elástico ao mesmo tempo:

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.[4]

A descoberta e a aplicação da Verdadeira Vontade exige disciplina: tu não tens direito senão fazer

tua vontade.[5] Em outras palavras, a disciplina é uma atitude fundamental para nos manter focados no caminho da Verdadeira Vontade, sem se desviar da meta. Essa frase de O Livro da Lei demonstra que você está, por definição, distante de seu direito exclusivo quando se desvia do caminho da Vontade. Portanto a disciplina é necessária para mantê-lo na realização de sua Lei.

Por outro lado, o termo niyama é a disciplina que temos de ter em relação aos outros, ao caminho e

a execução de suas Vontades. Cuide da sua vida! é a única regra suficiente.[6] É necessário que nós

paremos, de uma vez por todas, com esta ignorante interferência na vida alheia. Cada indivíduo deve ser deixado livre para seguir sua própria estrada![7] O nome que Crowley deu aquele que falha em

deixar que o outro trilhe seu próprio caminho é intrometido. Pessoa intrometida é aquela que diz o que o outro tem de fazer, que se ocupa da Vontade alheia ao invés de se ocupar com sua própria Vontade. Em outras palavras, o intrometido é aquele que cuida da vida alheia ao invés de cuidar da sua própria.

No caminho da prática diária de Thelema devemos nos ocupar com nossa própria vida, deixando que os outros trilhem seu próprio caminho. Isso significa que devemos nos imiscuir de projetar

padrões, expectativas ou ideais nos outros. O termo dado a conduta anti-thelêmica de pensar saber

o que é melhor para o outro é síndrome do irmão conselheiro. Devemos ter disciplina e

continuidade de propósito para vencer essa tendência negativa da mente, dos aspectos mais casuais do dia-a-dia, como o impulso em criticar a roupa alheia aos aspectos mais sutis, como a exigência que o outro assuma as mesmas práticas espirituais que você.

Mas é muito fácil falar. Difícil é encarnar em todas as circunstâncias da vida a atitude thelêmica de não se intrometer no caminho do outro. Observe todas as situações que envolvem o convívio entre duas ou mais pessoas. Às vezes você pode criticar a saia justa de sua namorada ou quem sabe cerveja que seu marido gosta de tomar nos fins de semana com os amigos. Trata-se de uma prática de vida que, se bem executada, convoca a experiência da liberdade, em certa medida. A disciplina para não se intrometer na vida alheia trata-se de uma atitude positiva e ativa perante a vida e suas interações. Quando thelemitas cumprimentam as pessoas, costumam olhar fundo em seus olhos dizendo: Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei. Com isso estamos afirmando o direito universal de que cada indivíduo deve conhecer e executar sua vontade. Isso deve ser feito a cada pessoa que encontramos: Veja, irmão, nós somos livres! Regozije comigo, irmã, não existe lei além de faze o que tu queres![8]

O ser humano é impelido pela necessidade de controle. O controle, por si mesmo, exige disciplina,

mas muito mais disciplina é exigida para não tentar controlar a vida alheia e as circunstâncias do

dia-a-dia. A necessidade de controle provoca ansiedade, pois existe a dicotomia do choque de vontades. O ser humano se sente ansioso e tenso em ver que o outro não pensa ou age como ele, da maneira correta. Em outras palavras, o sintoma da intromissão trata-se de uma fraqueza mascarada de virtude. Fraco e medroso é aquele que pensa que suas ideias são as melhores, que seus conceitos são os corretos e que todos deveriam agir conforme sua lei. Mas não existe lei além de Faz o que tu queres.

Isso nos leva a um ponto: o altruísmo thelêmico. Geralmente eu me deparo com algum Neófito que

se intromente na senda do Probacionista, logo abaixo dele. A falácia é aquela do se importar com o

outro, levando com que aquele que se importa se intrometa no caminho alheio. Mas essa síndrome de intromissão se interrompe quando o Neófito passa pelo Tuat.[9] Não se trata, portanto, de uma

causa nobre, mas de intromissão mascarada de virtude. Aqui eu relembro a todos a injunção de O Livro da Lei: não velai vossos vícios em virtuosas palavras.[10] Essa síndrome de intromissão nasce da noção equivocada de que os outros têm de ter os mesmos valores, o que vai na direção oposta de Faz o que tu queres. Como thelemitas não devemos cair na falha que caracteriza o Aeon de Osíris: a tirania de um padrão imposto a todas as pessoas ao invés de uma congregação de estrelas, cada uma em sua órbita, cada uma com sua própria Lei.

Dessa forma, a Tradição de Thelema resume os termos yama e niyama da seguinte maneira:

· Yama: Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei. Tu não tens direito senão fazer tua vontade.

· Niyama: Cuide de sua vida.

Mas isso é possível? Essa pergunta nos leva a uma análise da efetividade de yama e niyama no pātañjala-yoga.

No aṣṭāṅga-yoga de Patañjali, yama e niyama vêm antes de āsana e prāṇāyāma. É possível executar com impunidade as outras técnicas sem antes ter adquirido proficiência em yama e niyama? De acordo com o pensamento mais tradicional não. Yama e niyama são requerimentos essenciais para execução proficiente dos outros aṅgas: āsana, prāṇāyāma, pratyāhāra, dhāraṇā, dhyāna e samādhi. Contudo, nos aspectos práticos da vida em que vivemos nos dias de hoje, yama e niyama somente podem ser executados apropriadamente após um nível considerável de integração mental e psíquica, quer dizer, somente após as práticas de āsana, prāṇāyāma, pratyāhāra e dhāraṇā.

Quando Patañjali foi questionado sobre o que é yoga?, em seu primeiro sūtra ele disse: é uma disciplina. Quando foi questionado novamente sobre que tipo de disciplina, ele respondeu no segundo sūtra: é o controle das modificações da mente. Portanto, certo grau de disciplina espiritual deve ser adquirido, tanto externo quanto interno, a fim de superar as tendências flutuantes da mente, conhecidas como vṛttis. Até que certa integração e purificação ocorram, a prática do yoga está incompleta.

É urgente compreender que a inspiração para seguir yama e niyama não é algo que deva ser imposto ou até mesmo buscado, mas deve ser formulada de dentro para fora a partir de certa integração entre a mente e o espírito. No percurso nos é aconselhado sermos mais compassivos e verdadeiros, não causar dano ao próximo etc., mas nos encontramos incapazes de seguir estas instruções por conta das várias situações que enfrentamos como sociedade na vida, situações prejudiciais ao crescimento de nossas faculdades positivas. Yama e niyama representam o aspecto positivo de nossa personalidade.

As pessoas vêm até o yoga pelas mais distintas razões. Nem todos se aproximam interessados em controlar as flutuações da mente ou evoluir espiritualmente. Cada indivíduo tem suas próprias necessidades de acordo com seu estágio evolutivo. Algumas pessoas necessitam manter a saúde do corpo. Outros precisam de equilíbrio, tranquilidade e paz na mente. Alguns necessitam de contentamento, satisfação e bem-aventurança. Portanto, as necessidades de um indivíduo são categorizadas como físicas, psicológicas e espirituais. Isso não é uma regra, mas a maioria das pessoas segue nesse curso.

Portanto, para as necessidades atuais, a ordem do aṣṭāṅga-yoga de Patañjali passa por uma peque alteração: āsana para um entendimento do annamaya-kośa, a experiência da matéria e prāṇāyāma para um entendimento do prāṇamaya-kośa, a experiência da energia. O equilíbrio entre matéria e energia é conquistado através de āsana e prāṇāyāma. Depois vem pratyāhāra e dhāraṇā a fim de elevar a mente ao ponto onde o processo de integração ocorra: a auto-observação consciente do

panorama da vida e o processo de aprendizado e maturação das faculdades mentais a fim de, concentradas, interromper as flutuações da mente. Pratyāhāra e dhāraṇā auxiliam no equilíbrio das atividades do manomaya-kośa, a experiência da mente e do vijñānamaya-kośa, a experiência do intelecto superior. Assim, a partir desses quatro aṅgas, esperançosamente algum tipo de integração e purificação ocorrerá.

Quando certo nível de purificação e integração é adquirido na personalidade e portanto na vida, os próximos aṅgas naturalmente se tornam yama e niyama, onde as qualidades positivas começam a se manifestar gradualmente, naturalmente e espontaneamente. Quando se conquista um senso de equilíbrio, disciplinas superimpostas não são mais necessárias. Na verdade, a disciplina ocorre por si mesma quando o equilíbrio interior é conquistado. Nesse sentido, yama e niyama se tornam expressões espontâneas da vida, o resultado final de uma personalidade integrada. Quando essas qualidades e energias se manifestam de forma espontânea, a mente naturalmente entra em estado meditativo que, posteriormente transforma-se em samādhi. Assim, o sistema de yoga prescrito por Patañjali sofre uma pequena alteração de acordo com as diferentes necessidades e demandas dos dias atuais. Dessa maneira, os aṅgas após yama e niyama são essenciais para que cada thelemita possa ter controle ou disciplina para seguir sua Lei, a Verdadeira Vontade, sem perder tempo cuidando ou atrapalhando o caminho alheio.

A seguir, uma breve introdução ao sistema tradicional de Patañjali ou pātañjala-yoga.

Aṣṭāṅga-yoga: elementos essenciais

Enquanto os yogīs contemplavam o desenvolvimento do Yoga, um yogī se focou em como libertar a mente de seus apegos e associações com o mundo dos objetos, tornando-se centrado, para que dessa maneira começasse a experimentar sua própria pureza e natureza fundamental. Este yogī desenvolveu a doutrina que mais tarde seria conhecida como rāja-yoga. Seu nome era Patañjali. Ele foi contemporâneo de outros grandes mestres que desenvolveram outros sistemas de evolução da consciência dentro do sistema do Yoga. O haṭha-yoga foi criado por Gorakṣanātha, mas foi muito bem desenvolvido na Idade Média por Swātmārāma e Gheraṇḍa. O bhakti-yoga foi desenvolvido por Śaṇḍilya e Narada. Nesse caminho, muitos pensadores e ṛṣīs «videntes» desenvolveram diferentes «aspectos» do Yoga para suprir necessidades específicas ou desenvolver uma faculdade humana específica.

Enquanto Patañjali pensava na mente e suas funções, ele desenvolveu sistemas diferentes para acessar diferentes áreas da mente a fim de se obter controle total sobre suas funções. Esses sistemas diferentes foram agrupados em oito categorias distintas. Portanto, nos arriscamos a

dizer que – embora isso não esteja escrito em lugar algum – o nome original do Yoga que lida com

a modificação do comportamento da mente é aṣṭāṅga-yoga ou Yoga de Oito Membros.

Coletivamente, estes oito membros receberam o nome genérico de rāja-yoga com o passar dos tempos. Rāja significa «rei», mas a palavra pode ser traduzida como «real» ou «regência». O nome foi dado segundo a natureza dessas práticas, pois a proficiência nelas faz com que a pessoa torne- se regente de si mesma, torne-se reguladora de sua própria vida, de sua mente. Portanto, o rāja- yoga consiste de práticas que permitem o praticante tornar-se o regulador, o rei de sua própria vida.

Vocês devem compreender a intenção de se tornar um regulador. Um rei possui muitas

responsabilidades. Ele tem de estar alerta a inúmeras áreas. Ele tem de ter uma visão ampla de tudo o que está acontecendo em seu reino. Um rei não é o gerente de um departamento, mas o regulador de muitos departamentos. Similarmente, quando vocês embarcam pela jornada e prática

do

rāja-yoga, têm de estar alertas a muitas coisas, pois a mente é um indriya, um órgão dos sentidos

de

muita sutilidade. A mente também é um prāṇa sutil e uma consciência sutil.

A mente tem três funções. Ela é tida como consciência enquanto sua função é conhecer e realizar. Ela é tida também como uma forma muito sutil de prāṇa-śakti. O prāṇa não é sólido como o corpo ou os órgãos dele, mas é sutil e seu conteúdo é energético. A mente também é tida como um indriya, um órgão dos sentidos que conecta o mundo externo ao mundo interno.

Śrī Kṛṣṇa chama a mente de sexto órgão sensorial. Ela é um órgão dos sentidos completa em si mesma. Todos os karmendriyas «órgãos dos sentidos» e jñānendriyas «órgãos de percepção» são órgãos sensoriais grosseiros, externos, relacionados ao mundo grosseiro, denso. A mente é o único órgão dos sentidos capaz de conectar o mundo sutil interior ao mundo grosseiro exterior; ela possui acesso a ambos os planos com igual intensidade e alcance. Como é sutil, ela mantém sua existência independente de qualquer órgão sensorial físico. Quando os sentidos se tornam inativos, a mente não se torna inativa. Ela cria seu próprio mundo de uma forma muito sutil sem nenhuma conexão com o mundo fenomênico. Portanto, na prática de rāja-yoga, a mente primeiro é isolada dos órgãos dos sentidos.

Para ganhar maestria sobre a mente, para realizá-la e despertar seus potenciais, oito sistemas são seguidos passo a passo no aṣṭāṅga ou rāja-yoga do sábio Patañjali. Com a prática destes oito sistemas, o adepto pode conquistar a contenção total sobre toda extensão dos estados mentais. Quando isso ocorre, a vida e a criatividade se desenvolvem espontaneamente. Mesmo de um ponto de vista científico, é largamente aceito que o ser humano utiliza apenas uma fração do potencial de sua mente. Se a mente em sua totalidade for despertada, quem sabe quais os potenciais serão desenvolvidos na vida! Esse é o objetivo do rāja-yoga: expandir a mente a sua capacidade máxima, utilizar cem por cento de toda sua extensão, afinando-a completamente.

Os oito estágios do rāja-yoga são: yama, niyama, āsana, prāṇāyāma, pratyāhāra, dhāraṇā, dhyāna e samādhi. Todos esses estágios ou sistemas lidam com o comportamento da mente e o gerenciamento das ondulações da consciência ou modificações mentais «citta-vṛttis». As primeiras quatro práticas têm o objetivo de aquietar a tendência externalizada da mente, os prāṇas e os sentidos. As quatro últimas são métodos de prática mental que promovem o unidirecionamento da mente e auxiliam no desenvolvimento de vairāgya.

Yama e niyama

As yamas são códigos de comportamento mental que todos nós precisamos cultivar. Elas incluem satya, identificação com a verdade; ahiṃsā, ausência de violência na mente; asteya, não tentar possuir coisas que não pertencem a vocês; aparigrāha, não-possessividade; e brahmacarya, manter uma estrutura elevada e positiva da mente. Estes cinco códigos de conduta mental retificam o comportamento. A tendência natural da mente é tamásica, portanto, sua resposta a qualquer situação está agrilhoada por tamas e se assim não for, por rajas. Como existe uma flutuação contínua entre tamas e rajas na vida, é preciso cultivar a firmeza da mente para contrabalancear os fatores negativos através dos códigos de conduta ou yamas.

As niyamas são disciplinas a serem seguidas no dia a dia a fim de se manter a pureza física, mental, espiritual e o cultivo da consciência. Patañjali apontou cinco niyamas. Claro, não existem apenas cinco yamas e cinco niyamas. Na tradição yogī, sessenta e quatro yamas e niyamas foram identificados. O restante que aparece na literatura yogī são igualmente válidos, pois reforçam a força da mente e o saṅkalpa, a resolução mental para conquistar a pureza e a transcendência. Patañjali escolheu cinco com o entendimento de que não é prático, senão impossível, praticar os sessenta e quatro yamas e niyamas. Portanto, os mais relevantes para o gerenciamento da mente e que podem ser aperfeiçoados pelo aspirante espiritual sério foram apontados por Patañjali em seu manual de Yoga, o Yogasūtra.

As yamas e niyamas não são ensinamentos sobre ética ou moralidade. Essa pode até ser a interpretação social por parte de pessoas que desconhecem o processo yogī. Elas representam a condição da mente e o comportamento individual equilibrado, harmonioso e edificante. Uma mente afiada, focada e afinada, abrangendo toda sua constituição, manas, buddhi, citta e ahaṃkāra, começará a responder como tal na medida em que vocês adotarem uma yama e uma niyama de cada vez, gradualmente se aprimorando através de todas elas.

Āsana e prāṇāyāma

O terceiro passo no aṣṭāṅga-yoga é āsana. A proposta de āsana como definido no Yogasūtra é diferente do conceito de posturas como exposto pela doutrina do haṭha-yoga. No Yogasūtra, āsanas são posturas que conduzem a internalização da consciência, atenção e foco. Portanto, a definição de āsana de acordo com Patañjali é a postura na qual o corpo torna-se estável e confortável por um longo período de tempo. Qualquer postura que permite a internalização, o aprofundamento meditativo e que sustente o equilíbrio prânico do corpo é um āsana para mente, para meditação.

Patañjali acreditava que uma vez adotada a postura meditativa, as energias corporais começam a fluir ao longo das nāḍīs ou caminhos de energia de maneira específica, sempre em concordância em como cada um se senta na postura. O fluxo do prāṇa-śakti não é dissipado do corpo, mas contido enquanto a postura é mantida. A descarga de energia sempre ocorre através das extremidades do corpo, muito mais do que qualquer outra parte. Isso já foi largamente comprovado pela fotografia Kirlian. Portanto, quando você coloca suas mãos nos joelhos, a energia está sendo contida e reciclada dentro do organismo. Quando você se senta em padmāsana ou siddhāsana com as pernas cruzadas, um circuito de energia é criado e o prāṇa começa a fluir de acordo com a postura. Da mesma maneira, āsanas são utilizados para o aprofundamento da consciência mental e a conquista do equilíbrio interior, redirecionando o fluxo do prāṇa.

Prāṇāyāma é o quarto passo no aṣṭāṅga-yoga. Não apenas de uma perspectiva yogī, mas também de um ponto de vista científico, a matéria não é nada além de energia condensada. Este corpo é um aglomerado energético. Tudo é uma forma de energia. Através do prāṇāyāma somos capazes de ativar o fluxo sutil do prāṇa e uma vez que o prāṇa seja desperto, as forças vitais do corpo são harmonizadas com a energia vital da mente. Isso liberta a mente de sua identificação material e grosseira, tornando-a autocontida.

Os primeiros quatro passos do aṣṭāṅga-yoga, yama, niyama, āsana e prāṇāyāma, são práticas ou técnicas através das quais vocês podem ser tornar capazes de modificar o comportamento da mente e o fluxo do prāṇa antes que se esforcem em descobrir a mente, que começa no quinto estágio.

Pratyāhāra, dhāraṇā, dhyāna e samādhi

Quando Śrī Kṛṣṇa se referiu a retirar a mente dos objetos dos sentidos da mesma maneira em que uma tartaruga retrai os seus membros, estava se referindo a pratyāhāra.

Pratyāhāra significa «retrair os sentidos dos objetos dos sentidos». A mente é retirada do mundo externo, dos objetos de distração, dissipação e perturbação. Com a mente isolada dos objetos dos sentidos, uma nova condição mental é cultivada e isso é o foco, a concentração, que se realiza no estado de dhāraṇā.

Dhāraṇā significa «concentração» ou «mente focada». No estado de dhāraṇā, a mente é fixada e unidirecionada. Este é o sexto estágio do aṣṭāṅga-yoga.

O sétimo passo é dhyāna, que ocorre naturalmente quando dhāraṇā se estabeleceu. Após ter adquirido um estado de mente focado e não-oscilante, constante e não-flutuante, a identificação com o Ser interior começa a ocorrer. Essa consciência e identificação com a verdadeira natureza interna é conhecida como dhyāna, meditação. No estado de dhyāna a mente tornar-se tão sutil que sua energia funde-se a energia do ātman.

Quando a identificação com o ātman se intensifica, se aprofunda e torna-se prolongada, isso é conhecido como samādhi. Assim, no caminho óctuplo do Yoga, o sábio Patañjali descreveu a sequência de abhyāsa «prática», para ser executada no intuito de superar as dissipações e aflições da mente.

Amor é a lei, amor sob vontade

[1] Aleister Crowley, Livro 4. [2] Liber AL, I:42. [3] Aleister Crowley, Magick Without Tears, Cap. 8. [4] Aleister Crowley, Eight Lectures on Yoga. [5] Liber AL, I:42. [6] Aleister Crowley, Magick Without Tears, Capítulo 15. [7] Os Comentários do AL, I:31. [8] Aleister Crowley, Liber DCCCXXXVII: A Lei de Liberdade. [9] Referência à iniciação no Grau de Zelator. [10] Liber AL, II:52.

AL , II:52. Fernando Liguori às 0 8:1 9 Compartilhar Nenhum comentário: Postar um comentário Caro

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Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

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Amor é a lei, amor sob vontade.

Fernando Liguori

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