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Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional Hans Dieckrnann
Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Dieckn1ann, Hans .
D557c Contos de fada vividos / Hans Dieckmann; (tradução
Eli.sab~th C. M. Jansen; revisão Cáti a Zambrana OgaIla
Tinti). - São . Paulo: Paulinas, 1986.
(Coleção amor e psique)
Bibliografia .
ISBN 85-05-00446-9
1. Contos de fadas - História e crítica 2. Contos de
fada - Uso terapêutico 3. Simbolismo (Psicologia) I.
Título . II. Série: Amor e psique.
CON.TQS
CDD-398.21
-306.4 DE FADA VIVIDOS
-616.8914
86-0199 NLM-WM 420

lndices para catálogo sistemático:
1. Contos de fadas: Literatura folclórica 398.21
2. Contos de fadas: Uso terapêutico: Psicoterapia:
Medicina 616.8914
3. Simbolismo : Aspectos psicológicos: Sociologia 306.4

Coleção AMOR E PSIQUE
Uma busca interior em Psicologia e Religião, James HilJman
A sombra e o mal nos contos de fada, Marie-Louise von Franz
A individuação nos contos de fada, Marie-Louise von FI'anz
A psique como sacramento - C. G. Jung e P. Til/ich, John P.
Dourley
Do inconsciente a Deus, Erna Van de Winckel
Contos de fada vividos, Hans Dieckmann
Caminho para a iniciação feminina, Sylvia Brinton Perera Edições PauJlnas
Os mistérios da mulher antiga e contemporânea, M. Esther Harding

Titulo originai
Gc lebte Marchon
© Gerstenberg Verlag, Hlldeshe lm , 1983
INTRODUÇÃO À COLEÇÃO AMOR E PSIQUE

Tra dução
ElIsaboth C. M. Jansen

Revisão
Cátla Zambrana Ogalla Tlntl
Na busca de s ua alma e do sentido de sua vida o
h omem descobriu novos caminhos que o levam para a
Colação AMOR E PSIOUE
sua interioridade: o seu próprio espaço interior torna-se
. d!rlglda per um lugar novo de experiência. Os viajantes destes cami-
Dr . Léon Benoventu re nhos nos . revejam que somente o amor é capaz de e ngen-
Ps . Ivo Ste rn /alo
ProtEl o Maria Elel S . Barbosa
drar a alma, mas também o amor precisa da alma. As-
sim, em lugar de buscar causas, explicações psico pato-
lógicas às nossas feridas e aos nos sos sofrimentos , pre-
cisamos, em primejro lugar, amar a nossa alma, assim
corno ela é. Deste modo é que poderemos reconhecer
que estas feridas e estes sofrimentos nasceram de uma
falta de amor. Por outro lado, revelam-nos que a alma se
orienta para um centro pessoal e transpessoal, para a
• nossa unidade e a realização de nossa totalidade. Assim
a nossa própria vida carrega em si um sentido, o de res-
taurar a nossa unidade primeIra.
Finalmente, não é o espiritual que aparece primeiro,
mas o psíquico. e depois O espiritual. :e. a partir do olhar
do imo espiritual interior que a alma toma seu sentido,
O que significa que a psicologia pode de novo estender
a mão para a teologia.
ED EDIÇOES PAULI NAS Esta perspectiva psicológica nova é fruto do esforço
Rua Dr. Pi nto Ferraz, 183
04117 - SlIo Pau lo - SP (B rasil) para libertar a alma da dominação da psicopatologia,
End. telegr. : PAUlINO$ do espírito analítico e do psicologismo, para que volte a
si mesma, à sua própria originalidade. Ela nasceu de re-
flexões durante a prática psicoterápica, e está começan-
do a renovar o modelo e a finalidade da psicoterapia.
E. UIna nova visão do homem na sua existência cotidiana,
do seu tempo, e dentro de seu contexto cultural, abrin-
do dimensões diferentes de nossa existência para poder-
~ EDIÇOES PAULI NAS • SÃO PAULO 1986 mos reencontrar a nossa alma. Ela poderá alimentar to-
ISBN 8S·0S'{)0446-9
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dos aqueles que são sensíveis à necessidade de colocar
a's alma em todas as atividades humanas:
m I A finalidade da presente coleção é precIsamente r:.s-
tituir a alma a si ITIesrna e "ver aparecer un'la g~raçao
de sacerdotes capazes de entendereITI no~amente a lIngua- Prefácio
gem da alma", COITIO C. G. Jung o desejava.

o pequeno livro de bolso "Contos de fada e sonhos
COlTIO ajudantes dos homens" foi publicado pela pri-
meira vez em 1966, e sua 3~ edição se esgo tou há bas-
tante tempo. Parece-me oportuno rever ainda "tuua vez
aquele ITIaterial e enriquecê-lo com novas descobertas.
Agradeço à Editora Gerstenberg ter-me dado a possibi-
lidadtb de reestruturar, modificar e aumentar aquele
texto.
Como algo novo, foi acrescentado o capítulo III
que contém interpretação elaborada do conto de fada
-pachão ""loão2.'l.nbo e Maria", de origem alemã ~. Esse
, conto está especiahnente relacionado com os processos
\

\ de desenvolvin1.ento e amadurecimento infantil, muito
relevantes na psicologia profunda. Con1. esse capítulo
dou maior ênfase à interpretação de contos de fada
dirigida à psicologia infantil, que no primeiro capítulo do
texto original era pouco desenvolvida.
Enriqueci a versão original do capítulo II com UITIa
série de exemplos sobre contos de fada prediletos. Reuni
nesse capítulo, ainda, diversas publicações de minha au-
toria, esparsas em revistas, as quais permitem rápida
visão de conjunto sobre esse tema de n1.Ínhas investí-

A. Versão l'etocada de "Der Wert des Marchens für die seelis-
che Entwicklung Odes Kind-es" ("O valor do conto de fada para
o desenvolviInento da alma infantil") em Praxis der Kinderpsy-
chologie und Kinderpsychiatrie, Febr./Miirz, 1966.

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ostra útil no conhecimento da caractenstica de crueldade e agressão nos contos de fada. filósofos e pesqui- sadores. ainda. O restante do texto an- tigo foi reestruturado. corno pode ser empregado no processo terapêutico em prol do paciente. Externo meus agradecimentos especiais ao Sr. . Esse capítulo contém.ann nio da agressão humana na primeira fase da vida. Contém exposição concreta sobre a forma CelTI sobre os modos de vivência e d e conduta. faz parte das mais admiráveis experiências de minha atividade O livro é concebido como informação para os leigos analítica desvendar em que medida as pessoas revivem interessa~os neste tema e corno prImeira e curta intro- estes rnltologuernas em todos os seus pormenores. 1967. por serem temas intimamente ligados. le itor que já conhece a primeira forma . muitas da alguns anos. Contos de fada vividos".E. seja criança seja adulto. parece-me importante que essa questão sej a tratada não Sigrid Wiegand . e à minha secretária. Dessa Berlim. e que. Embora já esteja planejada pu- tende indicar quanto de realidade da alma e de irnpor- blicação pornlenorizada que trate exaustivamente de to- tãncia prática está contido neste produto da fantasia das as experiências nesse CaIIlpO. psicólogos. .. assim COrno considerável influência que estas iInagens de fundo exer. completamente e parcialmente condensado. de modo útil Também é introduzido como novo o capítulo IV. dezembro. à minha esposa pelas meiro plano nas discussões em torno desses contos. s urgiu uma obra nova que. depreciamos. na Arrlérica também foi colhido por tificado o novo título I. pareça interessa nte também ao b. 9 8 . a Sra. exataJnente esse o aspecto que venl. de que maneira está sendo tratado. que trata do problema da crueldade nos contos de fada b . um caso relacionado com um conto de fada predileto. na verdade . à medida que nos leva à compreensão do tema importanle do donti- H. assim espero. Mar- tin O esch pelo trabalho editorial. que n ão se restringe a discussão teórica. e muitas sugestões e idéias./ dez. o livro alcança mais do que o dobro de seu volume original. que pre- Berne e seus alunos. o qual. e sim mostra esse problema concretamente no processo de experiên- cia individual e de transformação da pessoa. parece-me oportuno incluir vezes.análise. forma. Dieckm. sempre em pri. e frutífero. mas que algo de novo seja acrescentado. Por is~o é jus- gações. tam- bém se TIl. Nov. essa irá demorar ain- humana que chamamos "contos de fada" . só por pedagogos. esse tema em cap·ítulo próprio . que o lnaterial dos contos de fada aparece nos proces- não s6 para os pacientes profundamente perturbados na sos analíticos. V ersão retocada de "Zum Aspekt des Grausaman irn Mar- ~en" ("O aspecto d o cruel no conto de fada") em Praxis der Klnderpsychologie und Kinderpsychiatrie. para o médico. e sua E go-formação. Por isso . 1977. E isto. e a dução pal"a o psicólogo ativo na . de nlodo que. a análise do inconsciente humano. poetas. :Com esses acréscimos. pelo trabalho adicional de datilografia . mas também para as pessoas sadIas. com efeito.

que se tinha soltado. passarmos a viver uma situação . e o dei~ Ii xamos apodrecer num quarto distante . De fato. investiga às préssas o lugar onde estavam as outras lnaçãs.algo está apodrecendo. abrimos esse quarto. pula dentro da sala de audiências. em razão da qual.seja urna séria doença da alma. cujo número corresponde exa~ ' tamen te ao dos dias do ano. por sua vez. 1 Contos de fada e sonho . As&im se faz durante um ano inteiro. dizemos. Quando Freud começou a se ocupar com as . É sornen te um conto de fada". vêem com grande admiração que esta maçã contém no seu interior uma pedra preciosa muito bela. Após a infância jogamo~los fora corno se não tivessem valor. naturalmente. Até. encontra-se debaixo da polpa apodrecida das frutas um monte de pedras preciosas de grande valor. o rei a remete a seu ajudante de ordens que. manda jogá-la num quarto distante. por necessidade. Assim acontece conosco quanto aos contos de fada. Distraído. quem sabe. seja uma crise na vida . pega a maçã e a morde. Quando faz isso todos . até que um dia o macaco da rainha. enquan~ to durante muitos anos não nos preocupamos com seu conteúdo. Aí o rei.um fenômeno universal Existe famosa compilação de contos de fada da ín- dia cuja primeira história. Também aqui - assim se poderia dizer . que indica a temática da co- leção começa assim: Todos os dias aparece na sala de J audiências do rei um mágico que lhe entrega uma linda maçã.

indizível e singular. na casa de minha avó . um tro de determinados processos de amadurecimento e se conto de fada e os conhecimentos que tiramos de seu vê em frente de problemas insolúveis. h á t. quando menino ainda. na pessoa mentalmente doente. pôs. tempo exato. l vivos.ade a uma vida qu e tinha fica do vazia. racional ou inteligen te q u e fosse. na cons- em primeiro lugar. Apenas se di s tingue [ato d e que uma hist6ria cer'ta. como prinleira sentença em ciente coletivo da humanidade. Freud já ti- nlas que vieram evidenciar-se agora. que constituem fator ilnportante na tera- prestado atenção e ao largo das qua is tinham passado. pia das pessoas com enfermidades da a lma . e quc abranja o problema do paciente. a interpretação dos contos de fada c iênc ia dos pacientes mas lá no inconsciente es tavam e dos mitos segundo a p sicologia de profundidade. muitas vezes. mente os conto s estavam esquecidos. G. há vár-ios milênios. nesse inferno encontramos freqüentelnente pedras pre- Os contos de fada se reavivaram quando comecei a con- ciosas de profunda sabedoria. SurgiralTI nos seus sonhos e di sseram a essas pes- mumente sabido que são os sonhos. assim também mitos e contos de fada são fe. que se produz tanto e m sadios cOlncJ em ciente. Jung e sua Eu preferiria sentir menos a falta desta linguagem escola que indicaram o caminho. do que de qualqu er Leoria da ciência. nem tem problemas completa. Como instrumento para nômenos w'livcrsais. d os con tos de fada e dos mitos de nosso pr6prio incons- meno universal. Freqüente- tratamento das neurOses tem-se mos trado necessária. abre caminho para significado profundo chegaram a ser o núcleo do trata- o entendimento da linguagem universalmente válida dos mento. Este livro foi escrito menos a partir de visão rigor·o- samente ordenada e avaliadora da ciência racional. de que pela prime ira vez estive em conta to com a sua farei mover o inferno) . e que falam uma donaraln-Ihes conhecin1entos que deram nova cor e vita- linguagem simb6lica idêntica. por causa de certas realidades internas e externas. ache- tica e sabedoria profunda nunca mais me deixaram ' des- ronta movebo" (Uma vez que não posso dobrar d<!uses. no lugar preciso e no -do sadio pelo fato dc nâo conseguir resolvê -los sozinha. A compreensão de seu s imbo lismo o tratamento d e meus pacientes mentalmente doentes. pode constrwr um_a ponte entre uma pessoa e o utra. colorida e de muitas facetas dos contos de fada. Pertence às impres- mente diversos dos de todos nós . ~ coisa . Como o sonho é fenô. ela tem os mesmos soes ma Is Intensas de minha experiência profiss ional o problemas humanos e dific uldades. pelo incons- 12 13 . essencial e mais profundo desta arte do en- mitologú'emas./ fantasias inconsçientes. co. E. que estão sem - pre sendo produzidos.única. slmbolos e motivos. às qi. e finalmente reencontrei to- 56 dos contos de fada da nossa pr6pria infância. e mais da alegria e interesse pela fantasia bonita. n ão tá-los a m e u primeiro filho . mas dos esses amados de n1inha infância no inc onsciente de o s da humanidade inteira. Como ponto de partida no meus pacientes. ela me tem sido poderoso subsidJo. contro entre médico e pacienLe não pode ser explicado . Muitas vezes propor- damentalmente distintos dos sonhos. A pessoa que sofre de neurose não é fun. que ficou estagnada d en.empo .lais nunca haviam pelo m é dico. por mais doentes. Entl'e as fantasias degeneradas plenitude. Sua força criadora plás- seu livro de sonhos: "Flectere se nequeo s uperos. damentalmente diferente.. de repente. quando fui ser psicanalista. o. somos obrigados a procurar um meio para entendê-lo. estéril e de- material mitol6gico nos sonhos de nossos pacientes e soJada. e. Antes de tudo foram os trabalhos de C. como as nha percebido que contos de fada e mitos não são fun- maiores preciosidades de sua alma. e sua interpretação soas n1uitas coisas estranhas. A cada momento sUl-ge lid.

acontece-nos que VIvamos de sar de tudo o interesse do soberano foi benéfico para si 15 14 . dos contos de fada Tanlbém na nossa vida. acontece coisa igual à translçao do he.assim começrun geralmente para fim de aquisições são realizadas na infância. polimorfo genial . mas que. demasiado freqüente . Essas novas aquisições e criações. Des- Assim como. des. como o amor. a prIncíplo. estivemos presos a ta maneira se re. desconl1.o _conseguid~ se transforma em rei. ou só muito pouco. Que número sem "Era uma vez" . Nós. não sabemos quase nada a respeito disso. Cada um de nós teve período na vida no qual quase diariamente aconteciam coisas no- vas e milagrosas. que se realizam preciativamente. Reflitamos sobre tudo o que p. os animais solícitos e as meira e mais antiga experiência de seu encontro com a fadas são as nossas capacidades e possibilidades ainda fan tasia criativa de nossa cultura. E corno fOI nós a maioria dos contos de fada. ou UlTI cavalo com o qual se pode voar.ara ~ adulto é natural e corriqueiro. e então eles nos le. a confiança e o r.in~adi~ quan- no qual acontecem coisas extraordinár. e ai existem monstros. fOI descoberto e apreendido pela criança.ecidas. Contanto que a pessoa nao se en- \. fadas e mágicos ou animais falantes. do mundo do dia-a-dia para um. nunca cessam negativo de fantástico ou mesmo de embuste.ias . mesmo. lembrará como foi que conseguiu andar de bicicleta bruxas. é ainda ~oites ficar escutando as histórias de Sherazade. que somente os iniciados conhecem". Ape.de tal l'Ilodo que se pode vras lIsomente um conto de fada" se revestem de cunho chamar a criança de."se desen- um ou outro de nossos adultos médios teria hoje a mo. que deve ser hbert~­ tesouros do mundo. poderia ainda reviver o sentimento que o . quando ficamos TIlais velhos. "acontecimento milagroso".nadar pela primeira vez. mas a maIorIa alnda se para o pensamento racional .impossíveis do dava os primeiros passos. assim diz Shera- 2 zade no final da narração de um conto de fada. E um nlun. volve sadiamente. tivação e a calma do rei Schahrirar" para durante 1001 torpeça em rotina vazia .rÓl cobre-se um lugar onde se pode encontrar a água da do conto de fada . aquilo que no estas histórias. ou . em outro plano. que nestas situações podemos obter. contra os quais te:mos de lutar. pois aquilo que pensava já ter perdido havia muito tempo. Dificilmente algum de nós vam de volta a tempo distante e desde muito passado. As bruxas e monstros são então não existe ninguém entre nós que não tenha crescido noSSOS próprios temores e incapacidades personificados. em geral. com estas histórias. remo vida. ou adquirido. As pala. de. A linguagem simbólica porém. nunca até entã. urna cinderela em princesa. um anel com que se reina sobre do ou onde se pode buscar urrl valor que nos eleva aCI- o ffil. O rei! estas lendas estão cheias de significado misterioso.elaclo~a­ mento humano.mdo. conto de fada é imagem ou fantasia. e as temos lido e ouvido repetidamente. desconhecido. na nossa realIdade. eXIste este 'fEra uma vez". pelos quais um pastor de porcos mem alcança algo de novo. freqüentemente na infância . ele o reencontrou nesse caIIunho. Por toda parte onde o ho- do cheio de milagres. certa lâmpada que atrai milagrosamente todos os mágico.aliza. nós as temos posto de lado. quando crianças. • . encantado. Apenas por completo no decurso de urna vida que .o que. Quase m~ da exi stência trivial. infelizmente. e para quem e las não foram a pri. / assim também.

quando em quando UIT1 conto de fada. cobra lhe concedeu o prazo de 31 dias . Pediu licença para visitar o pai e a num determinado conto de fada. transportada para a casa de seu· pai. O psicológico é somente parte dos lhe perguntava: "Você nle aceita como marido. Por in- ou nascido conlO tal. Esse conto de fada existe en~ nosso espaço cul. possíveis conteúdos. elas. Nesse mo- como dOluiná-Ias. Nesta fase as imagens coletiva. para suas filhas. que comeu. No caminho de casa enfrentou COIU o problema da transição para outro mundo ou ou. finalmente achou abrigo num cas- enfrentamos tais situações novas e muitas vezes angus. Todas as vezes ção de conteúdos. e em casa contou. Lá encontrou à mesa alin~entos. podem dizer. Quero narrá-lo desconhecida. Quando lhete de rosas. deveria trazer-lhes de presente. embora gens tem muitas camadas. Apavorado. que a moça sentava-se com a cobra à mesa para záveL AssÍlu a cOlupreensão de Ull1 conto de fada pode . tan- so" entre em nossa vida como originalidade até então to como no conto das ilhas gregas 4. A linguagem dessas ima. em primeiro lugar. ao sair de viagem. telo abandonado. tentamos. Um dia a moça achou unl espelho cionaL Ganha-se dessa fonua novo e mais profundado no qual se refletia o mundo inteiro. Cada pediu somente urnas rosas que. suas inuãs mais velhas escarnecesselll dela e a dadeiro é insondável. e no portão havia uma roseira da qual gem das eventuais possibilidades . e eIU cada fas e da vida Llm sfn~boIo querida?" Mas a 1110ça respondia sempre: "Tenho pode ser preenchido por outro conteúdo concreto. tural com muitas variações. sua infelici- que ' maneira o homell1 sempre resolveu a situ~ção ou dade. Tomemos COlllO eXe111. medo de você". chorando. perguntou o que gamento na [ase da teimosia. e nele viu que sentido e alargamento da cOlllpreensão. a prinleira autonomia e desli.se alinlentar. mães de Grimm I. ciante fez seus negócios e comprou os presentes de do que elll superfície. corno elas. jos por jóias e roupas.como podet"iam ser. Vnl dia . A mais velha que- perimenta na puberdade o despertar da sexualidade e a ria um saiote. filhas. ao vê-la. grandes aqui nesta últillla versão: t e u~~versais estágios -do processo vital. A filha mais nova. urna tenlpestade de granizo que estragou o rama- tra forma de existência. quais os problelllas a resolver e quais mento apareceu uma cobra que pretendia. a qual de outro modo não seria reali.odo se pode entender isso paração dela. apÓs uma etapa Era uma vez UIU comerciante que tinha três de dependência materna. adi. a cobra Iuorreria. foi ao encontro da cobra. Quando ela lhe contou sua 16 17 . naquela ocasião. cm cada existência humana. O comer- quando a vida declina e deveria ir mais elU profundida. nos quais isto teIu que ocorrer. gamento de suas rosas queridas. formar uma ima. que ele lhe trou- mente transmitidas podem ajudar-nos. colheu outro ramalhete para a filha. no f undo todo símbolo ver. quando bem xesse a filha caçula. imedjátamente se curou. E cada um vivencia a n~orte. como pa- os perigos a enfrentar. cheia de compreensão e como poderia tê-la resolvido. Caso ela pIo o con to de fada do príncipe transformado elU cobra ficasse um dia a mais. entre outras nos contos ale. a segunda queria enfeites e a caçula necessidade de relacionamento com o outro sexo. de que m . um t e Iu a experiência da problemática da meia idade. esta se aconchegava em seu colo e ter várias facetas. do qual nada sabemos. no conto sueco 2 ou no albanês 3. toda pessoa tarnbélll ex. que. que é libertado pelo amor de unla termédio de um anel que a moça pôs na boca. Há. seu pai estava acamado e doente por causa da se- Vejamos logo. e que "o milagro. é como qualquer portador de sen. que possibilite a apresenta. foi jovem. eranl justanlente bem baratas na feira. tiantes. de meteu. cUlllulassem de invectivas porque não tivera dese- tido de origem espontânea. o comerciante pro- entendidas. por meio de seus sÍlubolos. sem protesto. Toda pessoa experimenta.

representam situações e símbolos de conexão. que chamamos a atenção somente para as linhas gerais e a apar. A dIferença em relação aos sonhos habituais dos: um da experiência. de modos de expe. ~ ju~tamente por essa razão que sempre se pode mem numa grande casa e possui ainda um espelho en- dIrIgIr a mterpretação de um conto de fada segundo a cantado. Jaffé.contramos neles. ~ ambiente mágico.te dela estava um belo e jovem príncipe cobra. que dese. mundo onde existe riência da alma. Tentarei mostrar. e estimular ulteriores pensamentos próprios do leitor. que fundamentalmente o ouvinte pode identificar-se com I car o pai e as irmãs. e isto é quase a regra . sem dificuldade. Desprevenido. na visão de conjunto desse conto um sonho. tá-Ia aos problemas das diversas fases da vida. trans. a seguir.ecem no conto. a filha caçula é a figura que age e o palácIo se encheu de gente. em re- o ~~nh. masculina ou fe- seu pai. psicologia masculina ou a feminina. o qual.8_9 ou Uma0 nterpretação psicológica pode então sair do A. ou com o pai. nho de casa.6 Laiblin. Aí a cobra despojou-se de sua à interpretação em determinado sentido. Poder-se-ia à moça que. por meio de um anel de 18 19 . atas e animais. Mandaram bus. vive como ho- . algo característico para muitos contos. segundo sua própria realidade. querida?". tal possibilidade de interpretação em suas di- formou-as em duas gralhas. uma viagem de negócios da qual traz os habituais pre- En. e entender o conto relas" de inveja e cheias de maldade.todas as personagens. O príncipe contou ativamente. periência e ambições. No conto da pele. funtlidades psicológicas. impulsos. que aprendera a distinguir o bem e o n1a1. a moça voltou pontualmente. A cobra pode també m. a fim de abrir possibilidades de entendimento sentimentos da alma. ainda por cima. ponto. Naquele mun- somente contêm elementos coletivos e não têm nada a do vive um comerciante com sua família. no qual se pode ver a terra inteira. 7 M. a cami- uruversalmente válidas ou possíveis. diretor. Como as duas estavalTI "ama. conduz e produz a libertação. pelo aspecto da psicologia masculina. narrado aqui. ator. a qual então experimenta e age da mesma for- :audou fe~iz e quando de novo perguntou à moça: ma como o Eu no sonho. s entes. A cobra a minina. A quem isto desejar indicam-se as obras de H. a iden- passando o prazo concedido para fi c ar na casa de tificação com a personagem principal. Franz. nem com nossas preocupações e necessidades. e outro impera a magia . dado pelas irmãs. v. vida ao l~do da cobra. I" Não é o objetivo deste livro pesquisar e interpretar forma até se depurarem de seus maus desejos O príncipe e a moça casaram-se e transformara~ o um só conto de fada em todas as suas mínúcias e pro- pai em ministro. Naturalmente existem contos Quer aceItar-me como marido. de se libertar da cobra ultra. SOlnente as forma s típicas. ab erto ao ouvinte. com ' v~r com a abundância de nossos desejos pessoais do suas filhas. Isto não exclui outras possibilidades. do completamente natural. portanto. COmo castigo por ter seduzido uma considerar esse conto como a representação de proble- órfã. corno também adap- Java torná-Ia como marido.~~or é 7ena. Dla. público e lação ao lugar do acontecimento. uma cobra falante que. o príncipe. Teriam de manter essa versas variações.. modos de ex. isto é. Ele faz dla-a-dla. o pai aconselhou-a a respon- der pOSItIvamente à pergunta da cobra. atitudes. o principe encantado. Beit. Fica to. porque a mãe não é mencionada. De certo modo o conto de fada é Nós encontramos. nor- de nossas noites está no fato de que os contos de fada mal e costumeiro.:. fora transformado enl cobra até encontrar ma feminino. Apesar do conselho opos. entra no segundo mundo. Há sempre dois mun- CrItJCO . como diz Jung.que servem mais respondeu que sim. "é aquele teatro onde de cobra. v.'O para mencionar apenas alguns autores. autor. Aqui fato de que. por- l' uma jovem que se casasse com ele. L. a moça de fada .

conviver COlU ele.desejos. e ó conto de fada indica o caminho para liza-se uma transformação. no conto. evidenten'lente. e a ele são dados os conteú- quais o conto de fada se desenrola . de. TenteIn?s agora. fantástico. o mulher. perigoso. que era alta- nosso inconsciente. Lembremo-nos das múltiplas possibi. que está em delito sexual. e entre os quais o dos luais diversos. síITlbolo suscetível de interpretações infi- a própria cobra rnais tarde. Finalmente há ainda o desfecho do conto. base do instinto e a impulsividade natural. ou a ponde a. e urna esfera da alITla que tinha ficado que surge da própria natureza. E o mais lógico para turais com a sexualidade que surge na puberdade e com esse conto. cobra. do Paraíso. consciente da natureza. tudo aquilo que i:>utrora parecia inadmiss ível. Trata-se. não é b?a nem má. crescendo beITl p r otegida na casa dos b ra para ser seu n'larido. muitas variações.e seu mundo ficaITl COITlO símbolo · para as el110ções e dessa aceitação. e necessidades que surgem durante a puberdade na psique elU ligação 111ais íntima do ego com o d esconhecido. as mulheres em nossa cultura foram educadas de 20 21 . nitas e · que aparece na mitologia. que. aquilo que parece até perigoso e repugnante ~ tida. no caso da . dia em si mesma. isto é.li. O inconsciente pode surgir sob . o mundo em. transportar a ITloça de UITl lugar para out ro. ou à hi- O segundo mundo. pode-se pensar paIS. chegando a vida ativa. gcrITlânica. tudo é pos. so ou em cultos e ritos. contudo. ou as cabeças de serpentes n'lalignas e sonhos e fant~sias nos quais. primeiro entender o núcleo pa ação gere. pode ser eqwparado ao dra. esse símbolo aparece repetidamente sob ciência e inconsc~ência são os grandes contrastes nos aspecto de grande significado. da lagoa e do poço. seja o palácio encantado ciado e alheio a qualquer relação pessoal do modo de dessa narrativa ou o mundo da "Mãe Neve" embaixo da ser dos animais de sangue frio. acha-se numa constelação aparentemente casual do também no significado fálico muito característico da co- destino e é convidada a aceitar um ser horripilante. até. Na alma hum ana . Durante séculos. da mulher. encontramos as seguintes Rei-Rã. Desse modo a cobra rosa COITl ser de sangue frio. e como -se a ele. como a natureza mesma. 11 indicações: a filha em idade de casar e o pedido da co- Uma jovem. Cons. sa- caverna com o dragão ou outro monstro. está num degrau ainda indiferen- dades que un1 conto oferece. que é capaz de ergUer-se como o meITlbro genital sagradável e. A metamorfose de un1 ser aceitar e plasITlar aquilo que é tão enigmático e desco- desagrável. indiferenciada e impessoal. Mas justaITlente por meio I . no simbolismo religio- ITlas príncipe encantado. até a cobra de Esculápio da Grécia. mundo inte iro. perigosas das Górgonas da mitologia grega. até perigoso. corresponderia à nossa consciência. não é réptil. isto é. que se transmuda en1 en. e. A linguagem figurada do nosso relato da cobra nos su- . àquela esfera de onde vên1 mente venerável. príncipe. unir. precisa ITlasculino. em forITlações passíveis de ITlúl- Se transpusésseITlos esses dois Inundos para o in. Existe a cobra da época de Moisés. Disperso no sível. uma vez que a figura principal é heroína. milênios proscrita e encantada refloresce. a subida aos céus das crianças de Maria.de sadia . o bos. Para iss o. o casaluento da ITloça com o príncipe. tiplas relações e interpretações. bra. identificar esses impulsos na- VIsto a partlr da pSlque feminina. rea. Isto vai desde a cobra terior da alma. nhecido. o primeiro ITlundo! onde se passa o nor. comer junto dele. de força in- conto estabelece relação. terra. o desenvolvimento da relação amorosa entre hOITlem e Acontece algo siITlilar ao conhecido conto de Grimm. e '''' _A cobra é'. en'l p r imeiro lugar. ITlesmo em sua última conseqüência. Além disso. baixinho. finalll1cnte. baixo do mar. COITlO se sabe. fundo do pano encontra-se ainda a causa da maldição do Ambos os contos contêm o tema da aceitação amo. na realidade. a esta parte da natureza corres- que e a casinha da bruxa de J oãozinho e Maria. prossegue com a cobra Mitgard da mitologia mal e costun1eiro.

o princípio ativo-dinâmico é qualificado Não se faz justiça à variedade de tal acontecimento corno JTIasculino.mente transmitid a. a autoridade. rebela-se contra ela e a re- que se relacionasse com sexo e erotiSlTIO era considerado cusa. e deveria ser reprimido e abafado. tados de situação predominantemente inconsciente e de bém . bos têm qualidades e virtudes masculinas e femininas. no entanto. e com isso a tendência agressiva que surge b em viva e atuante no mundo inconsciente dos senti. vez que contém o primeiro movimento em direção à ritual.as sexuais. como sendo feminino.osia surge contra bem diferente daquela que mais tarde s urge na puber. especialmente contra a mãe. tico. passa a ser desvendada. tal maneira que. No começo a moça não e dava ainda descarga corno medida de segurança . criança corno algo estranho e não pertencente à s ua Pensando na fase da teimosia. a para e l as. mas ta. que antes não era dis. se desfaz dele jogando-o pela janel a ou no lixo. do mesmo modo.a crian ça tem sexualidade e problem. lTIas a mudança. Se esse processo der ambos os sexos . independência e desligamento da mãe. U1TI significado concreto deve es. e devem ser liber- tar presente. tender e tão admirável. como urna criança costuma se defender contra sujo e feio. Somente em nossos djas é que se combate esse preconceito. selha neste sentido é que a moça pode dizer "sim" ao veria ser bom e belo. acontece muitas vezes que a criança. Somente quando o pai a acon- 1 trada no matrimônio tudo aquilo que antes era mau de. COITIO a rneta. coletiva. corresponde ao complexo psíquico criança minha conhecida jogava~o no vaso do banheiro que se manifesta como teimosia. também para a criança. am- e uma grande área de vivência. o que se pede dela. eITl verdade. as características de nenl mesmo precisa estar presente . que acon. Nesse durecimento que é até exigido pela tradição da cultura. uma força ativo-dinâmica da natureza. boas e más. que o homem possui. no conto d e fada. uma fa d a. os Horrnônios do sexo oposto e. po. a teimosia tem algo de bOm e valioso. e justamente não faz dessa atitude secular permanece.mbém na esfera psíquica. na esfera intra-espiritual . e tanto o hOlDem COlTIO a mulher têm certo realiza-se na psique. desejo da cobra . que tam. Em psicologia. ligada ao arquétipo do pai. está de novo o pai). ainda hoj e são l1ar. no conto. Com a en. até a chegada do casamento.morfose da cobra \ em rapaz . no lugar da (Neste lugar. poderá ser na realidade da vida a orientação esp i. Eles aparecem também nos sexualidade e erotismo. será classificada corno má. ainda na superfície da consciência. receberá da mãe condenação e re- soas. aspiração à satisfação do desejo sexual infantil ainda é A agressividade que na fase da teim. son hos em simbolismo correspondente. um passo de ama- selha à moça a aceitar sua sexualidade e vivê-la. continuando preensão. Cobra e príncipe rados os contos de fada. que prescreve às pessoas quais passos devem ser dados em determinada Sabemos hoj e. principalmente a crianças. embora isto não seja idên- bolo da cobra somente com um sentido. Finalmente. a "sangue frio" para chegar à humanização e à consciência. a demolição Talllbérn a afetividade e agressividade que se elevam na fase de teimosia são. em sentido mais lato. orientação coletiva. uma" Jibertação". lTIas de nosso conto correspondem. Não é necessário que ele aja como pai pessoal e po. psique. é vivida pela dade. Embora sajbamos. Essa mudança é tão djfícil de en. personifica o IIbo de" diretamente e acontecimentos que se desenrolaln no conto de fada. Urna A cobra. Exatamente da maneira como foi no conto de sar disso. ao demos facilmente elaborar compreensão idêntica sobre os extinguir-se a raiva. Ape- mentos. Uma nlenina obstinada e teimosa. seus inlpul sos agressivos. caso o pai atua. ou antes. ponível. o da tico na linguagem coloquial. e o princípio passivo-receptivo e está- da dinâmica imagem coletiva quando se preenche o sím. já referida acima. tudo o satisfaz o desejo da cobra. desde Freud. Assim. não só no cor- situação . ao rneSlTIO tempo. So- 22 23 . na maioria das pes. isto é.

que interrom- mando-as positivaluente. Brentano. se fosse costurada no canto dos olhos.os ter com- da coleção "Mil e uma noites": preendido o sentido da história. quase " . e do bastão aparecia um príncipe ou princesa. por uma história . Tudo as maiores e mais puras alegrias dos monarcas e isso pode acontecer seni perturbações quando a cons. de Shakespeare. rada ninguém se afasta. Seus -6nicos requisitos eram uma velha b ém o "Sonho d e uma noite de verão". Por intermédio do relato de histórias podem os rão advir qualidades de caráter de muito valor: inde. Daquilo que antes era teimosia selvagem pode.T. entre nós. e a incorporá-la na esfera da podem salvar da desgraça aquele que os I escuta. psique.maravilhoso e singular e surgida da psique coletiva humana. os contos de fada não existem só para vertência para todo aquele que se deixe plevenir". Num to de fada) convive com elas. " eria ad- Como se sabe. afir. como fissional de contos de fada-:-'-Certa vez. que surgiam da caixa.são atraídos por eles e pressentem sentido tuação crítica ou perigosa". de observar tal personagem numa pe'- rar somente alguns dos universalmente conhecidos. abre. lhava com tanta plasticidade. as aceita e. adultos. embora isto seja O árabe.ou uma da vivência dos adultos. tive ocasiªp _. com os quais el. pode juntar-se a elas em união peu sua história e não a acabou.ens para do príncipe escondido dentro de natureza animal. Ele não podia queixar-se de falta nessas histórias é algo · de absoluto. Os ouvintes que escuta- vam fascinados e encantados sua narração eram. Quando uma história va. a urgência de Ulua si- o racional . Na Arábia se fazem viap. até nos dias · de hoje. No Oriente. como artistas. los ouvintes revoltados com três penas terríveis e Se reconhecermos em plano mais amplo o motivo muito perigosas.:~ smas se pas do amadurecimento. agitam de alegria quando podem ouvir um. Oriente o narra. Esses contos de público. ocuparam-se cQm d a hoj e pode-se encontrar no. atração para pessoas de vários tipos e diversas idades.. condenados salvar ou prolongar sua vida. felicidade mundana do que perder uma delas. também muitos adultos . o conto de fada.or pro- contos de fada ou os escreveram eles mesmos.a palavra sequer. Tan'l.as regador de fardos preferiria ser excluído de toda também (para falar de novo na linguagem do nosse> con. ouvir um conto. esquece todo o resto da menos freqüente em nossa cultura tão orientada para vida. como parte integrante conforme a necessidade. é muito mais difundido do que caverna. mas de adu. êáixa de laranjas e um bastão . e nós coincide com aquilo que van der Leyen 12 diz a respeito não entendêssemos um. Hoffmann. um castelo .i ser nar- versalidade maior e para compreendê-lo en1. enfim. ou até uma cobra .A. que~a aldeia.ta ou reprime estas forças. mais profundo no seu conteúdo. pedras preciosas. n1. e este é pago mais care do que -se então o caminho para dar a esse acontecimento uni. Muitos de nossos gran- des poetas que. -IÚf. foi ameaçado pe- simbolizada pela libertação e o casamento.1tos. Embora e le falasse em árabe. uma casa. 0 amor para com esses contos e a crença sem. lhes aliviam a dureza de seu ofício.ô. Aqui não se trata de crianças. conto de fada ' da lndia. várias eta. fada. Cada um deve sei. e meSlTIO os fan1: . porque era sempre rodeado por grande cír- culo de pessoas. crem. Tieck. e o menor car- ciência não só não rejei. ':onto de güidade e às muitas facetas dessa fo rlTIação simbólica. O valor de sua posição. um narrador. 24 25 . paTa enume. s ua honra.mente pouco a pouco a criança aprende a dominar esta ira caótica e sem objetivo. e à sua força de Ulna conhecida frase diz: "Minha história é tal que. o perigo. crianças. atividade produtiva e auto-suficiência. exceção. Elas são pendência. E.: traba- é um conto de fada. estão particularmente pró. . Assim farelTIos justiça à ambi. Ain- ximos das formações do inconsciente. nas montanhas Goethe.:.

como. Esse negócios precipitadamente". chamou profissão. há tempo freqüentam a escola e gência deles?" Alguns dos ministros disseram: "Majes. quando perdurou. fiA guerra vida era dirigida para fõra. Podemos considerá-lo como ~ I processo. só o estudo da gramática leva 12 ingre~sarem em existência própria. não somente para distração. tempestades. quando com esforço consegue-se dominá-la. especialmente porque antes a "Desavença entre amigos". mundo interior esta. mente entregou seus filhos a Wischnuscharman. Há inúme- 27 . quanto mais não será para alguém que é lento de C. para os responsáveis pela educação dos jovens príncipes. Tudo isso já é pesado para os inteli. "Essa época Na cidade de Mahilaropja em Dekkahn governava também pertence às situações crítícasÕ'o. quan- certa vez um rei sábio chamado Amaraschakti. não é mais necessária e fica livre. Quando o rei ouviu à vida. eram usadas corno espelho mente de origem neurótica.iJ1tra psíquico. O casamento. mas na profundidade da problemática humana. já venceu as primeiras mente. dando em política. e representa o estranho em nós. sentido mais profundo. muitas vezes. em seu artigo Wischnuscharman. principes ouviram estas fábulas e após terem assimilado por exemplo. Tudo isso uma delas há UIna lição útil. estava curada. uma série de fábulas. encontramos neste grupo de pessoas de certa idade U1ll rado e feliz. relacionamento com a sociedade e o outro seus ministros e aconselhou-se com eles: "Os senhores sexo. Cada um desses livros con. Depois que os algumas das grandes coleções de contos de fada .sconhecida e estranha entre corvos e corujas". após um conto que determina a temática volvimento muito mais baixo. O Pantschatantra se com. eles também. Para a vivência da fantasia dessas pessoas o conto põe predominantemente de fábulas de animais. gentes. os cami. Jung demonstrou essa problemática. ensinou-lhes a ciência da política. Corno é que consegtúríarnos despertar a inteli. Quando viu que eles não importantes de adaptação à vida. 15 A energia vros de politica. entendê-lo do ponto de vista da prpblemátic~ <!~~adul. Voltemos ao conto de fada da cobra e tentemos O primeiro foi mesmo feito para esse fim. e Nosso próprio mundo jnterior parece-nos em geral usou para isso os 5 livros chamados Pantschatantra: desconhecido e estranho. dentro de seis meses. e de cujo renome muitos alunos dão espiritual. já sabem que meus filhos são pouco dotados intelectual. G. e sua relação raciocínio! Para caso com este é melhor O brâmane com a multiplicidade de doenças da alma. . profundo conhecedor de todos os li. sangue frio. na qual o ambiente não tem muita coisa nova a ofere- vem-se estudar ainda as ciências religiosas e econômicas cer. As tarefas mais três fiLhos pouco inteligentes. antes superficial. em grau de desen- tém. de. Os filhos. aparente- de Papagaios 14 da Turquia. corno se sabe. processo de interiorização. como estabilidade na tinham capacidade para as ciências políticas. Respeitosa. tade. Tão de. conforme es. começam a sair da casa paterna para. que até agora fluía em direção à construção notícia". ou o Livro essas imagens a sua perturbação de intelecto. "A perda já ganha". e em cada de fada era sempre parte consciente e viva. como também seus ministros . de novo. "Die Lebenswende" (A transição da vida). vida. De fato. que tinha do muitas neuroses costumam surgir. contando fábulas. declarou estar disposto a fazer dos príncipes mestres E l e deveria agora dirigir-se ao mundo interior. o Pantschatantra 13 da lndia.-' obra: aproximadamente «la _ meia-idade -d~ vida. a promessa quase inacreditável do brâmane ficou admi. flFazer amigos".. a um fim obscuro. Surge uma situação anos. tá escrito no conto inicial que estabelece a temática da tos. mas para fora dela. "Fazer como parecia a cobra à moça 'do conto de fada.hÓmem.nhos da vida já não levam para dentro da e a arte do amor. Este.) ---' . que discretamente penetra era válido. devem normalmente estar resolvidas c dominadas. no Oriente. Wischnuscharman foi então chamado à corte e externa da existência. como se fosse um ser de do livro. à morte.

~ dentro de si lueSnl. No decorrer deste livro vai da mulher à casa e à cozinha fica. fal ta-lhes a "profundidade" e o mundo dos \ de si.O diz Max Lueth. ou nIelhor. ?. Creio que esse problema t~m pap~l sárias. represen- tade da vida. COnI o arquétipo do herói. Também os filhos não mais se casam na mesma \ cala. então se trata de ca- so de estupidez fantástica. As. mas nun- refa difícil aceitá-las e amá-las. 1 cidade ou região.anos.a cOIupensação e nova reahzaçao. representanI possibilidades de vivências parcialmente a solidão e o estar abandonada. uma ta. O confInamento pune COI11. não são pessoas hu- manas. pula atrás dela tro da mulher. Se olharmos novamente o conto de fada. fica aquém dos homens. EI11. no qual a interpretação no sentido masculino uma mulher que até agora vivia só para seus f~lhos é mais indicada. situação adequada e cor- v ezes desagradáveis e alienantes. o as famílias grandes.O de telupo e com sentido.ar da alma.s hmlta- Quando alguéI11. quadro de sua visão da ~i~a e do m~do. . Ir:te - sentimentos hun1. vão nIor~r até . Por exeI11. pOIS. UI11. é possível precisa procurar nova missão.encionado. lnas. I I Como acima foi n1.que lIberta. d:. sozinho. plüID"as". nIas. nem COD1. a pena de morte. Não resta à mulher senao aceItar rói ou a heroína. e pr?cu:. esfera que deve ser libertada. em grande parte. a natureza interior da m. 73 29 28 . enI princípio. poderá . O príncipe corresponde ca duradoura . uma vez que é este- fenlÍnina que são simbolizadas pela pSIcologIa como ['eotipado. e u eu consciente. :e luais correto considerar o herói ou heroína COnIO essas forças. por uma figura arquetípica. na segunda me. cipal de nosso conto. pessoas perturbadas fazeI11. respondente admite identificação temporária. Dessa maneira toda a nIeu livro sobre a meia-idade.Introduz1. E a vida freqüentemente o importante justamente na época atuaI. nas quais a mulher. lá qu~ eles não preclsanl interpretar um conto tanto do ponto de vista ferrlÍnino mais dela. então. repre'senta o lado Tratei mais pormenorizadamente dessa problemática no dos sentimentos de UD1. cara~tenstIca outro lado.ulher contem forças .r em. ser mostrado COnIO surgenI situações doentias e inade- abolido. \ As figuras isoladas do conto de fada. é mais fácil interpre-J ras dificuldades para estabelecer relacionamento certo tar o conto de fada da cobra segundo a psicologia fe~ com ele. a filha caçula. por exen:lPlo. te na água e UnI homem. 16 e pode servir como força atuante e CrIadora para a consciência. continentes.. Os heróis e heroínas do há muito tempo foram desprezadas e ficaram dentro dela conto de fada são. pOfe levar a e a salva. não poderia realizar. por certo espaço p essoa a aprofundar sua capacidade de julgamento.tro de ação". entã. aCl~ ma. tambénI o herói ou a heroína.trê's ' ' U partir do ponto de vista feminino. nIas f iguras arqlletÍpicas. Já disse que. e não existem tnais quadas quando alguém troca a si mesmo.a vez colocada esta proposição. Todas as personagens do conto de filhos como o espantalho da sogra chata. ao se desenvolver. visto que é capaz de fazer proezas que um Ego hUnIano. Se for esperta. senI hesitar.plo: se uma criança cai da pon- assim ao princípio espiritual masculino que existe den. o qual. grande es- ções. muitas vezes. certa dose de precaução e até daquela covardia indispensável à existência. a figura prin. con1. Desenvolvendo esse lado novo der. podia encontrar terreno para suas ocupa. Isto le~a. homenI. quando chegam à consciência.:oltar- -sc para suas possibilidades espirituais e intelectuaIs que I fada. tenta continuadamente fazer o papel de herói. ~ão mUltas cOlnplexo de funções.29 "portadores sem evoluírem. à \ formação de atitude esplntual . inclusive o he- outros. e nao qUlser se agarrar aos como do nIasculino. masculin~s. poderá descobrir um "príncipe ü~~e~ior" e :r1ve. por lectuais-espirituais em confronto conl. O herói é ao meSnIO tenIpo um super-hornenI.en1. Para uma pessoa acentuadamente sensí:rel.o seu Ego se identificou. a meia-idade é prolongada. isto. Como J?. que eI11. e não se importa COnI medidas de segurança neces- l ções e da timidez de personalIdade estreIta (~mma Jung). Mais tarde citarei um conto ' sirililár.rninina. sua. a . e lhe falta profundeza. tada por personagem de conto de fada. Pode ser.

e o ergujn'lento de uma_ porite'. Novos e outros valores vên'l em seu lugar. formação do príncipe). que. A nova orien. Livre de sua forma de co- feira) não são tão fáceis e simples de serem satIsfeItas bra. ciente. 'para com o reino inconsciente (no cont<:> a p!'omessa .ou o gens (isto corresponde no conto à entrega da filha à pai. Somente pelo retorno. pode então dutivas. nlento. gar mais elevado da psique e substitui o rei velho . equivalente à d~ença do pai. Aqui é proposta a tarefa de desenvolver aqui- 30 31 . tendo sido libertado do es- frer uma série de acidentes e desavenças. A is so corres- cobra).. essa figura assume o lu- tos e o interesse ativo devem ser dirigidos a essas ima. na qual se de. transposição cação". Essas vozes sussuram: "Deixe todo esse empreendi- tuação. ~ó o Jeco:Q.ent:r:e os dOIS subsistência. passageira.. Essa leva ao alargamento da terior. A atenção para com os sentimen. inte- ã ' 'i-es~iver esta situação esp~asniodi. quan~o se r~ahza na nossa juventude nos parecia o principal e o mais o adentramento da energia da alma para o InconSCIente. como sem- rém. todo este p r ocesso penoso de amadurecimento e modifi- mano. A sua realização pode s~­ contido na própria natureza. Como ponto de partida tomo de novo a SI. e não sobra vez executados os encargos mais biológicos da primeira atenção para com o ambiente. da meia-idade. Fique sozinha como antes.. As vozes (personificadas no conto a mulher.. MedIante a hgaçao ·e a obngaçao . deve servir ao Ego. volta parcial da filha). a governo). Un1a esterilmente em torno do mesmo problema. Em muitos contos de fada.c&hada riormente. isto é. inibidoras. muitos sucessos cOInpensadores. o interesse vai ter de se transferir deles reinos do consciente e do inconsciente. ponde uma reorientação da escala de valores. cas do m~mdo interior. Inas leva./ Até este momento um homem tinha desenvolvido filha) e pela aceitação desse mundo. Aquilo que pessoa conhece tais situações críticas. predominantemente sua função pensante. e ao aprofundamento (ao invés do alarga~ento) consciência e à ampliação da personalidade (no conto da experiência. Assim se forma. Estas são defesas negativas. já descrita. temos o simbolismo do país libertado e o regresso do As exigências que esse lado Dovo e não desenvolvIdo faz principe e da moça do reino mágico). Surge assim uma situação crítica e difícil.~ip:lt:~~to de~­ metade da vida. zado pelo casamento). A evolução do acontecimento. Você já teve assim duzir nova e diversificada orientação. um valor novo (um rei novo que assume o r~ _coQ. a simples reconstituição da sltuaçao antenor fins biológicos. a formação da família e dos meios de ta situação. po. ao mundo interior (correspondente à volta da \' . iãçL1. Esse processo de desenvolvimento da personalidade. De certo modo o surgir (isto corresponde ao desejo da filh~ pelas rosas. é válido tanto para o homem como para não é mais possível.:. importante pode ser d e menor mérito para o homem Lá todos os sentimentos e pensamentos parecem circular maduro.de no qual a vida não está mais orientada apenas para seus voltar).~'::. e dessa vez voluntário e ser compreendida como segue: consciente. o príncipe do conto representa o valor mais alto como parece à primeira vista. fI. Qualq~er pre se apresenta no processo sadio da vida. tado pde profunda inconsciência graças a esforço cons- nalmente ao encontro com as imagens mágico-mitológi. história pode ser entendida do ponto de vista da psiqu~ pelas duas irmãs) não podem mais ser levadas em con- masculina. . conforme e natu. impro- do conto de fada para o campo psicológico. levando ao desabrochar do sen tI:nento. hOn'leln agora dispõe de dois reinos: o do mundo exte- que justamente nesta época florescem e sao bar~tas.tE . res presentes na própria natureza (isto equivale à trans- O interesse atuante deve dirigir-se mais ao mundo In. na rior e o do mundo interior. ta. êonfo'rme também é indicado aqui. Não é necessário iniciar ral no decurso dos processos do amadurecimento hu.caE1~nte ~E. se obtém a exploração dos valo- tação da meia-idade exigirá que se desenvolva o opos:o.!!iJi.e pro. poderá começar para missões sociais e culturais.z~Çio~_ ~ ~mboli~:!rio_âô --esp_e~~o J e. com amor (simboli- .

e então a cobra se transformou de novo no lo que é especificamente humano.pre permanece incompleto. Depois. ela não co. dia-a-dia condição animal.os libertar de sua ' sonho. é ca- de pontos de ouro. de uma árvore estava Ulna cobra COlll o corpo cheio a qual. atravessei a sebe do terreno. a transfor- lDotivo da transforlDação da cobra elD príncipe. alnigo dela era 20 anos mais velho e. a cobra. A acentuação "não discutível. nas diversas fases .orfose difícil e dolorosa.a preciso ter medo" demonstra mudança similar. o símbolo da cobra e sação de sua. Tal lobo conhecemos também do conto de cha- 33 32 2 • Contos d= facla .icn. é codeterminada pelas idéias e lembran. atacou. atividade. e elll sonhos anteriores essas tinham que seu caráter verídico. Embora. dentro de nós mesmos. . Essa cobra era o rapaz de antes paz de vencer a força perturbadora e devoradora do e eu pensei: não preciso ter llledo! Aí Ulll. Conseqüentemente ficou na dependência de conteúdo que surge através das idéias e da situação do ou. lobo llle lobo. esse motivo da libertação. Existia perturbação séria e parali - ças do paciente. naturalmente. pode ser preenchido selllpre com ou. rapaz. nl. mais uma COlllO VilllOS. m e nto. a idade de 16 anos. transformada e ' liberada da falsa ansiedade. Repetidas veze'" encontramos. as ações la e xistente também no conto de fada. COlllO já disse. . Pode-se dizer são é representada no conto pelo relacionanl. A paciente tinha lDedo llla- brilhantes. continua altamente sido senlpre altaluente ameaçadoras. parecia cOlnigo.elll homem. o lDundo do. representado pelo circo. Eu não me interessava por pouco depois a paciente iniciou Ullla profissionalização e l es . Lá havia talllbém outra moça com grandes sejas. em metalll. portanto. Toda vez deve-se dar à interpretação o profissional. Após essa mudan- isoladas sejalll distintas. O sonho a impressionou muito.eSll1O contra a natureza. paciente e a figura felllinina da rneSlna idade. e anliúde mundo mágico. que agora era o díretor do va perdida. também no sonho. temos . existe conflito ' entre a te e estratificado. e tanl. que COllleça do outro lado da · cerca. neste reza instintiva inconsciente. circo. Devo lnação da cobra . houve premência de reencontrar a sua atividade produti- ao qual lDeu allligo. ainda esclarecer que a interpretação dos Sílllbolos de . e que se do já uma série de temores tinham sido desmantelados. Ela trouxe consigo lnais UDl. talvez. lllas que ficalll no terreno da especulação. que me defendeu do lobo. Desejo relatar em seguida o sonho de um. de 1l10do que não pôde completar todos os outros sÍlDbolos podelll dar margem a várias sua escolariza.tras pessoas e tinha necessidade prelnente de ser cui- paciente. e de procurar trabalho próprio . torno o príncipe simbolizava para ela essa atividade produtiva. Exatamente CalDO no conto de fada. Ela trouxe este sonho após certo telTIpo de trata- Estava eu COIn meu amigo na tenda de Uln cir. àque- com esse conto de fada.ento entre que tudo isso seja. quanto Inulher dc 24 anos e que delllonstra nítida selllelhança à orientação de sentimentos eln rel ação ao an1roal. o que é ce. Essa ten- tro conteúdo.Essa jovem mulher sofria de neurose grave que a sonho durante tratalDento. que develll. daria emprego. .bénI dos sonhos de deixou praticalnente incapacitada para o trabalho desde conto de fada. os dois mundos diferentes. eventualmente até rapaz. Esse e da realidade. Enrolada enl. Nessa época da análise. O apresenta muitas falhas ou não se realiza dc todo. quan- que se interessava por meu cOlllpanheiro. Desse modo subindo UlDa rua para o bosque. O sonho da mulher era o seguinte: dada.ntral em alDbos é o ça de orientação segue-se. no hOlllelll. De fato. tão freqi. soube fazer nada com ele. porém. na qual persistiu e completou com sucesso .ção e não dispunha de nenhuma formação interpretações. à noite. o processo quase senl. da vida. figura paterna e. e nifesto de cobras. interpretações interessantes e a heroína e suas duas irlllãs. como no conto. a nossa própria natu. e o outro.

sua amiga. Esta. O número sete é mágico e sa- Em contraste com o conto de fada. an. pede à mãe messa.A condessa trazidú a luz outro conflito com caract erísticas negativas evidentemente recalcitrante e ciumenta corresponde. pIes e afett. na vida normal não basta simplesmente unir-se a alguém Porém. executar por sete vezes.. que no terreiro cuida das galinhas. sete vezes. uma sobre a outra. ~a "tire a roupa" . cada vez que a cobra lhe pedIr mesma se dispa primeiro. mãe de três filhas. peuzinho vermelho. Mas o príncipe pede à moça que ela. salvação e cura da psique. quando esta cres- castigo por seu comportamento recalcitrante no casa. uma condessa. mas tece. ·grado em mitos . para que esse elemento nesta variação. nesta variação. motivo da mudança de pele. de modo afetuoso. por nascer. te e matará a todas. velha e sábia mulher que a aconselha a vestir qua- lha que. e Vemos como. finalmente. em que ainda ameaça de destruição a sonhadora. tratar-se-ja radas da mãe até que ela.-~~. dá à luz uma cobra. a rainha exige da amiga o cumprimento da pro- mento. virá durante a noi- reza diante de uma imagem de Nossa Senhora. no dia seguint e. venha a casar-se com. deve primeir o ser vezes contra a influência negativa da mãe . ~ Portanto. Duas vezes a esposa do vizir recusa o pedi- uma esposa para se casar. Aqui também. Lá ele vem no lugar da avó boazi. guir a libertação. relativas ao lobo. mostraram símbolo femini.~tr=õ -g. logo em seguida. a . ao lobo do _sonho da paciente. que seu filho. Então a mocinha. depara com o filho desencan. . a aceitação sÍln. ser defendIdo repetIdas aparece o lobo ameaçador. Ela segue o a mesma coisa. cupação maior p elo conteúdo inconscient~. e recusa as exigências reite- no material.exija da cobra. quando ela pede pelas duas filhas maiores . uma dessas três . e aí ela deve tirar só uma sala por conselho e quando. Ele fica firme. com o passar do tempo a mãe se arrepende ao ver seu nha e representa assim aspecto demoníaco-negativo da filho casado com uma jovem de posição tão inferior. a fim a cobra ameaça que. porém. quando a cobra lhe disser r enta saias. e feminilidade e da relação mãe-filha. para tirar a roupa. Por pobre caboclinha. ce. De fato assim acon- tado e a mocinha. ela deve exigir que a cobr~ faça e na sétima aparecerá um lindo príncipe. dnha. A cobra fará isto sete vezes. No começo a alegria é grande. é mais acentuado o indicaria a incapacidade dela para viver sozinha e in. até o . um dia. Ela dá à luz uma cobra e. o êxito não é sempre tão fácil e bom corno ou às coisas. frente dela um belo príncipe. como filhas. desiste de sua má de dependência infantil para com uma pessoa de car ac. se não lhe derem a ter- casar-se COln a cobra. a mãe aparece à vez . No conto alemão liA cobra". pois ainda acima disso. na noite ' de núpcias.Losa daquela parte de sua pérsonalid~de. Este d~ve. contos de fada e na crença popular. que a sustentava ou alimentava. que a moça deve mandar dependente. e a Vir. A caçula vai então a uma gem Santíssima começa de repente a falar e a aconse. Após a quadragésüna troca de pele estará na porta do quarto nupcial. a esposa nosso conto de fada mostram adicionalmente esse lado do vizir. Transferido para o problema dela. A condessa persuade uma do.') quase se perde novamente a libertação alcan- pessoa deve enfrentar dificuldades e trabalho. cobra'~ . ceir'a e mais jovem como esposa. não é suficiente para conse. intenção. Nessa mudança múltipla de pele esclarece-se uma preo- tes encoberta pelo medo. desesperada. para que "çad~: isso aconteça e assim se verifica a mesma problemática no conto de fada. ainda do problema. No conto de fada albanês A criança /I afetivo se torne parte integrante da personalidade. As associações desta tenta persuadi-lo insistentemente para que repudie a mo- paciente. Duas das já referidas variações do Uma rainha combina com. Também -'C. terísticas maternais. . que esta noite de núpcias.

Aqui o conto de fada simboliza que um valor jª. Ulua pessoa dotada de boa inteligência. para a personagem principal ga-o com um sonífero. a cobra lhe fecha o ventre e some. o príncipe joga fora o sonífero. onde ele mora com outra n1. COU10 no "Três plumas" de Grimm ou no conto a mesma coisa. mais ouro. mas desta vez UlU caldeireiro ouviu de fada russo "Donzela Czarina".es. e na profundeza achará as duas filhas mo se encontra na interpretação dos contos de fada do sol. Isto uma noite com o marido. ~ fácil então acon- peito de seu casamento. para que eu Psicologicamente falando. primeira mulher e foge com e la de volta ao mundo que além disso vive em ambiente orientado para o ra- superior. nariamente amiúde essa estratégia para que o caminho A outra luulher quer a galinha e os pintinhos d e de herói seja percorrido pela figura mais jovem. mas dro. de Erich Neumann. Disfarçada corno freira. p los . visto que se apresenta nelas UITla figura típica e repeti- lUO tempo lhe dá uma noz. vai e::. Assim. quando não há. No dia seguinte a moça abre feminina. não fale sobre o aconte. que fica muito aduli. no mundo lá as "heroínas" destas três variações do conto de fada. e provas que tão freqüentemente o herói ou a heroína têm quando beber um gole desta água a terra se abrirá de vencer. mas também para a personagem principal mas- a avelã. mas como pagamento ela exige então passar desajeitada. só assim consegue o reencontro após a ter- sábia que a aconselha. a moça se a loj a no e albanesa aparece mais a filha caçula. que contém um papagaio de ouro. l.ulher. o homem dispõe de abundância de possibili- qual havia um b erço de ouro. A moça deve A mocinha.a água suja cheia de vermes. Mas por fim ela solta a tecer que venha o descuido e a leviandade e se perde verdade. Acontece culina. Ele reconhece a sua por exemplo. Aí. sai pelo mundo à procura de seu partir para a peregrinação penosa no reino mágico do príncipe.nascimento do filho deles.ento. na nalidade. para dar só dois exem- durante a noite as lamentações da moça.uua avelã e uma amên. Toda manhã ele se enfia de novo na pele da conquistado pode ser perdido outra vez.. em geral. Destas. que poderão lhe di zer onde encontrar seu "Amor e Psique". De novo a outra co. infeliz. somente durante a noite. Desta vez. a subir um monte distante. damente encontrada nos contos de fada.tlher aceita.· Ela é capaz de resolver grande parte dos 37 . Na versão grega doa. um passo para o amadurecim. novo seu marido por uma noite. Esta tentativa tríplice é idêntica às três Ali encontrará um. cional.ais bem adaptadas ao meio ambiente. E n contra novamente urna ululher velha e inconsciente. No dia seguinte a moça abre a amêndoa..tudar. A lu\. Os contos de fada usam extraordi- da qual sai uma galinha de ouro com pintinhos. esse ser inferior. e está disposta a ceder de lizadas e formadas aquelas que. cobra para. 17 marido. Durante oito meses a mo. como aqui. e aparenteITlente mais fraca ou pobre. na alemã é a prédio onde vive o marido e abre primeiro a noz. que sem.li cido. ceira tentativa. instruir-se e d esenvolver ainda lTlais s eu intelecto. Isto também experimentamos fre- transformar em príncipe. dades de desenvolvimento. quando acreditamos já ter dado cinha resiste a todas as perguntas d a n'lãe a res. é válido não só. voltar a se suficiente estabilidade. porém. corresponde a função psíquica até conta isso ao príncipe-cobra. pobre caboclinha. de novo aquilo que já estava quase ganho. Ao n1. Um esclarecimento nlinucioso deste simbolis- diante dela. agora não desenvolvida. A moça segue o conselho e a mais velha Quere ITlos ainda tecer algumas considerações sobre das filhas do sol lhe mostra a casa. só são rea- biça a jóia preciosa. embaixo. Para a formação de sua perso- rado. qüentelnente na vida. s ejam m. quanto à sua estrutura. pre gritava: "Me dê a chave de prata. despreza- possa dar à luz a criança de ouro I" O caldeirero zado e inadaptado.

o sentimento. excluir essa problemática se demonstra ainda com maior cla- influências sentimentais. que lá em cima. Porém. e o filho do rei vê uma sapa turbar muito o pensamento. e os meios costu- indiferenciadas e arcaicas. outras funções tendem a ficar com as atitudes . na meia-idade. Às duas irmãs corres. a formação de quartetos . senta-se. Na vida isso panos grosseiros de uma pastora. o sentimento permanece indifer enciado .que na esfera intrapsíquica corresponde às qua.uando. c e der a sucessão àquele que lhe trouxer o tapete cional. o c e rto e verdadeiro pode ser antipático tações e formas de vivência. Uln problema. siderados espertos. para o sentimento. riem do babão. Quando ele relacionada a função indiferenciada do s e ntimento. O seu diz o que deseja a sapa manda trazer uma sacola desejo por um ramalhete de rosas. assim. mais bonito. não se esforçaram e trouxeram uns de libertar um valor novo do inconsciente.ais se consegue ciocínio formado. inusitado e desajeitado. no início a tão comum Uma voa para o Oriente. mas nota ao lado o pensamento. querda. isto é. mais velhos. Mas assim como no corpo Um rei tem três filhos. dos quais dois são con- um músculo não usado e exercido enfr aquece e fica in. cachorrinho da perna torta te desenvolvida. enquanto à filha caçula é grande e gorda. porém. mas o terceiro é chmnado de ferior e a té atrofiado. Ele. enquanto d?r" se enamora. os modos de agir. Em nosso conto e ncontramos. e desprezada . símbolo típico de grande e dá ao bobo um tapete "tão bonito e fino. triste. Lá dentro soa último. 18 da pluma um alcapão. exatamente com nosso lado mais fraco o mento .e nto é o oposto do p ensa. inadapta. a sensação e a intuição. Visto que o rei 38 39 . que deve ficar onde a tro funções básicas psíquicas d e scritas por C. A porta se abre. vidas. Isso não que r dizer que tal reza: 11 pessoa não tenha sentime ntos. e vice-versa. nào poderia ser tecido. Ele sopra trê s plumas no ar e manda do e inferior. Somos obrigados a solucionar tora. e tanto mais quanto maior meiros e normais e então se deve lançar mão de algo força tiverem. a parte da o sentimento julga segundo "simpático e antipático". que não costumam per. vamos ver quem está lá. A heroína é a mais nova. Jung : plulna caiu. cabe então muito bem no quadro dessa con. que pode acontecer.problemas que surgem na vida.o pai com as três filhas (em It terceir a. Levanta-o e vê uma escada. O pensamento toma suas decisões segundo o prin. sentimento. o pensamento. que não esperavam na- é capaz de resolver a problemática surgida na psique e da do caçula. E justamente essa função inferior e desprezada Os irmãos Inais velhos. Na variante alemã de nosso conto uma voz que diz: é a "mocinha que cuida das galinhas" . Gibão aqui e acolá pondem as duas funções auxiliares. bobão. o sentim. os filhos irem na direção aonde as plumas voam. sobe e logo cai no chão. Quando o rei está velho e fraco quer con- soa predominante mente orientada pelo p en s ament o ra. rodeada de sapinhos. Como é sabido. sendo possível . razão por que o homem Também no já referido conto das "Três plumas" com pensamento e xato procura. Segundo o exemplo acima. que é a inferior Donzelà verde e pequena. corresponde a situação na qual nada m. aquela que veio por Desce. ou q. outra para o Ocidente. para perturbar a função principal condu. Os irmãos outros contos o pai e trê s filhos ou a mãe com trê s fi. a mais fraca. orien- Entretanto. na terra. VIda que nos resta eXIge de nós novas atitudes. na esfera psíquica. que vão para a direita e para a es- lhas) . por exemplo. quando um "pen~a­ cípio "verdadeiro e falso" ou "certo e errado". a sensação e a intuição. e m p es. corresponde perna torta então ao pai ou à mãe a função p r incipal completamen. chega a outra porta e bate. também dese nvol. justamente por ter ra. G. cepção.

e a abóbora em carruagem. faz o terceiro p e dido. só que o símbolo da cobra foi Poder-~e-ia. p. No fundo ternos aqui o mesmo motivo que no pri. c:ontos de !ada e tipos de funcionamento psicológico. é a parte mais inadap. fases de bram a perna. cer dentro da terra. conto de fada. puro. na busca do anel tra- belo que nenhum ourives no mundo poderia tê-lo zen1. Os dois irmãos. traordinarialuente rendoso quanto à problemática de ti- ma-se em linda moça. lhor do que a mocinha delicada. armas falharem . aquilo que já é conhecido e possível há tempo. ele senta-se tristeluente ao lado de bobo dos filhos. vai à disputa com seus irmãos e lá se impõe.vers~o e de introversão. leve como extr<:. mais hábeis e mais mente sopra as três plumas para o ar. em herói verdadeiro. gue frio para a humana. e ao contrário de donzela bonita. as funções desenvol- roda de unIa carroça . mas do mais lUodo de pensar. IntrovertIdo ou extrovertido. mas o fIlho caçul a deve ficar sentado no lugar. dada a insistência dos bItual. Por outro encontra-se em H. no carninho de sua procura. VQI. pos. à medida que traz para (Simbolismo dos contos de fada). ao invés de leva o caçula oura vez ao alçapão. da qual tinha sido tirado o quando formos acanhados e incapazes e as costumeiras miolo. porén1. sante Infenor. devia decidir em (avor do mais novo eles pedem tada e inferior da personalidade que aqui se transforma nova prova. pula através do arco. dá ao só pode ser alcançado pelo caminho inusitado. fortes. 19 e a anima. para o qual os ir. Vê a porta que dá acesso 40 41 . uma roda de carro. mais velhos. tam esclarecimento a respeito de seu tipo funcional. e. e desta vez pede enquanto o verdadeiramente valoroso e extraordinário que lhe tragam a mulher mais b e la. feito. Infelizmente esta hipótese engana. Eles acre.ado ele també m se extroverte. Então ele recebe a co. O pai exige o anel mais belo e nova. Mas as duas que. em lugar sapa um anel luzente de pedras preciosas e tão do tapete trazem tecido grosso. O mesmo vale para o tipo de ati- lheres devem pular através de um arco. e des- roa e reina por longo tempo com sabedoria. O príncipe. Nem seu comportamento nem o simbolismo possibili- meiro conto. A sapa . No conto das "Três plu- corça. fariam isso me. sendo bobo . tem a percorrer. o que quer dizer. Mas. sua pluma caída (sentimento). e ele recebe da ob]etos de valor alcançam. enquanto seus irmãos podem ir ao Oriente e ao Ocidente. 337ss.. mesmo bobo urna abóbora. O pai promete de novo o v~das são capazes somente de alcançar o simples e o ha- reino ao mais jovem. mãos só trouxeram simples camponesas. o anel qual tirei esta versão abreviada. de herói. atrelada a seis ratos. enquanto a jovem bela.ento altamente difícil e complicado relacionar entre si jovem e vai depressa até o rei. teria a função pen- substituído pelo da sapa. atribuída ao herói. I. desaponta. do fora os tesouros que ganhou da sapa: o tapete. na realidade recusanl a tarefa. e quando este foi sentado no carro transfor.uma ve~ que raramente se pode falar de tipo ditarn que as camponesas. Po- Uma interpretação minuciosa deste conto de fada deríamos dizer então que ele se introverte. Este. apenas algo inferior. camI?onesas :udes. do. exige que ela coloque um dos sapinhos no carro . Em geral fIca aberto qual das quatro funções deve ser Os irmãos pedem quarta prova ao p':i: as mu.. para executar sua tarefa. O conto acentua expressamen. É a libertação de forma de animal de san. supor que. e de fato nada é dito a respeito de seu te que se trata. fosse ex- vam. Poder-se-ia partir da suposição de que esse tipo de Ao acaso ele pega um dos filhotes que o circunda. Aqui está bem claro que. Sua pluma a~~ptados. Ele beija a n1. tude. . não só do mais jovem. von Beit "Sy mbolik der Marchen" l. e é empreendi- ao passo que os seis ratos viram cavalos. de um rei e seus três filhos. numa si- Os irmãos soberbos traZelTI um anel que é a tuaçao espeCIal e não corriqueira.

em pormenores. Tal concepção. e ela pode estar inclinada a só aceitar co. não se esforçam na sua procura de algo valioso. finalmente. Examinei este de vista começa a brílhar outro ângulo de seu sentido problema. o herói da história do segundo men. em outro trabalho. do encantamento e de interpretados exaustivamente. Em como também em cada fase particular de nossa própria certos casos' a isso pode responder a pessoa que escolhe vida. por mim contro entre homens e deuses. em e as três damas 1J. O conto de fada mesmo deixa algo aberto. do en- visível. com princesa dentro. função esta em cuja integração finalmen. r. 44 inerente.C.ôr em movimento aquilo que não pode expressar-se ou Desta maneira pode-se atribuir O pensamento melhor ao formular-se de melhor modo. Mesmo sem interpretação escala de possibilidades pelas quais se podem entender determinada o conto de fada nos fala. elTI torno da imagem originária. a meu ver. consegue suscitar o interesse vivo da gente em pratica- também a intuição é solicitada. a não ser através dessas bobo. que nos atrai sem. mo certa uma única interpretação e a ver apenas UlTI único problen~a circunscrito. corno descrevi. o conto egípcio dos "Ir- Não é regra inequívoca que não ex:ista função deter. Embora seus irmãos de seu puro valor estético. No ciclo de contos de fada orientais. A meu ver fica completamente aberta neste conto O simbolismo do conto de fada. e de cada ponto capítulo sobre o conto de fada predileto.inada destinada ao herói. Desde o conto de fada desenvolvimento de função inferior. Para uma problema mais agudo em nós naquele n10mento. humano. dos contos de fada que ainda hoje digo cego é um tipo "pensador" nítido 20 . e eles nem sua mensagen~. O conto deve sempre dizer ' alguma isso. faria pouco caso do fenômeno de que o conto de fada 42 43 . e mudam seu comportamento após a primeira derrota. em herói. O conto só documenta a questão fundamental do linhas gerais. Em cada época eles devem ser com- te fracassa. mesmo que isso não seja mencionado explicita. Esse interesse vai bem além elegante.' plo do conto de fada da cobra. Nossas possibilidades de compreensão circulam. pela possibilidade da luente cada fase da vida. preendidos. trossim. mas também a vida indiferenciado. baseado no exem. da humanidade .ao fundo da caverna da sapa (sensação) e. Ele deve ou. mais antigo que conhecemos. ou outra pessoa esta concepção pode ter faceta s muito o conto desenvolve sua ação também no inconsciente diversificadas. Assin'l. determinado conto de fada. por pode ser pequeno. voltarei a este assunto no assim. deve tocar algo na profundeza dele. coisa ao hon~em que tenha susceptibilidade para captar o pensamento deles não deixa de ser inferior. e as- Neste capítulo era meu intuito. e em pessoas com qualquer transformação de abóbora pouco visto~a m carruagem grau de amadurecimento.. confrontar o desenvolvimento Os problemas fundamentais da existência humana da sua função auxiliar de sensação com seu sentimento atravessam não só nossa vida toda.. n'lãos". Ele não difere essencialmente. a "História do carregador animais que falam. seus traços básicos. contamos. com respeito à diferenciação do problema dos tipos. Nunca o entenderemos completamente. datado da 19~ dinastia em 1200 a . sim sempre fica algo de misterioso. durante os séculos de fada qual função deva ser levada à consciência pelo e milênios do desenvolvimento da cultura humana. dar uma idéia da grande pre e nos convida a pensar. mente. muitas vezes achem que o bobo não fará nada de inteligente e. tramos os luoti vos da volta ao estado anterior e da tem contos de fada nos quais isto acontece de modo bern transformação do homeul em animal ou planta. porque por outro lado exis. in'lagens. aliás. E aí esta ação se aprofunda e fortalece. permaneceu igual. 21 encon- m . e se dirige ao as imagens e os símbolos dessas histórias. formulados e interpretados à sua maneira. o qual.

imagens. Dessas considerações surge a pergunta: se podelnos narrar contos de fada às crianças. forma básica. rando. tenlpo o almanaque tinha o mesn'lO valor e lugar que mordial de novas aquisições da alma. que se exteriOriza em ~u­ fácio à sua coleção de contos de fada un'la história que perstição e neuroses. A Fantasia firmada.m. nesse mundo de imagens simbólicas. o livro científico-popular de hoje. aliás. Os arquétipos fun- cionam con1. cho- tífica a iUlportância de tais imagens arquetlplCaS e con. Essa camada do de. bonitos quando podem ouvir um conto de fada) . ro- do sexto ano de vida. a Fantasia. Sem senvolvimento precoce da consciência e de concepção do levar em conta tais considerações. segundo Cassi. em caso a~gu. e avidan1ente aproveitados pelas crianças (que mui- mitológicos. já é velho. essa questão é poucas vezes considerada ou até nem é notada. surge primeiro uma consciê~cia dessas discussões. Naquele nalmentc carregadas e de fantasias é o fundamento pn. ao encontro de sua mãe. bem como de fe. Aliás. e recimento. e são como a ponte necessária entre 3 as percepções sensoriais e as idéias.adores. e foi colocado há quase cem pensamento racional. e não tem. mágicos ou antiq~ados. ao lado de uma consclencia tais e os defendem vivamente. anos pelo poeta Wilhelnl Hauff. com 44 45 . tas vezes deixam de lado os brinquedos técnicos mais maneiras de conduta e atividades. os rejeitam tan1bém por causa de sua atrocidade tantas canálise. hOlnem racionalmente esclarecido. independentemente impulsiva e instintiva. tinuan'l com seu antigo valor e significado na vida das rer. Nessa história Hauff nômenos de amadurecim. lado a lado. Uns no decorrer do processo de desenvolvimento e amadu. os contos de fada sempre são conta- imaginativa. l\Ilesmo na esfera da p~s~uisa. 22 pensa complexamente e contém a identid~de da crianças. motlvos dos. identificações. que "no desenvolvimento de idéias científicas a compreensao os hon1ens puseram diante de seu Inundo. Até aí a criança vive em mundo n1antismo ou por suas próprias reminiscências sentimen- mágico-mitológico. e se devemos mesmo dar-lhes o estímulo de se entrosar COIU essa camada má- gico-mitológica e de se movimentar dentro dessa esfera.O reguladores e forn1. os consideran'l ultrapassados. cien.ento e transformação também descreve como o pobre conto de fada foi banido pelo na psique de adultos. no qual. Outros aderem a eles por piedade . Segundo os resultados de pesquisas da psi. Essa experiência plástica e mitológIca do O problema de se ser a favor ou contra os contos mundo é sempre mantida como fundamento de nosSO de fada. e conseqüentemente são os pressupostos necessários para o surgimento de Contos de fada para crianças? ldéia científica". Essa camada de imagens emocl<~­ ele chanla "Contos de fada como almanaque". e como ele fugiu. mais deixar entrar sua filha predileta. ciente mui to antes que os conteúdos da consciência pos- sam ser racionalmente formulados. Mas. não querem é processo moroso. 6 atitudes. os contos de fada con- mundo é o primórdio do espírito que. Ela suspeita. iniciado por processos do incons. somen. Meslno no nosso tempo ainda se discute A consclencia racional e consciente nasce somente s e tem sentido narrar contos de f ada às criancas. reações. Nesta se encontram. 24 Hauff pôs cqnlO' pre- te caráter regressivo-negativo. e o já mencionado físico Pauli 23 aponta q:le esta profundamente indignada porque os vigilantes. essa consciência começa a se formar em torno vezes presente.

que nos dá res- l. por exemplo. O dilúvio e os 'indícios de de volta aos hOlnens . Porém. tempos pré-hist61icos. d e subsistir nele. na Idade resse tão forte para com uma criança que. A pesquisa cientffica. disfarça o conto de e assim por diante. aqui e agora. o pássaro gigante Roch do conto de fada ára. o conto de fada . Assim. o absurdo oposto do macrocosrno exterior e é. que liga o mitologuema COm dadas de suas histórias. não se pode construir uma casa de pão-de. seD1 dúvida. é o do-os ao conto d e fada. que estão dormindo. Até certo ponto a verificação de relação entre con- terrogações que se nOs colocam. mas deve ao l11esrno tempo executar urna segunda tarefa tacl. por exemplo. Um homem UIIl fato realmente aco"ntecido no Inundo exterior. em que o conto de fada está nesta roupagem e riem dei. Engenhosa como é . Muitas vezes defende-se a concepção de que nestas existem de fato todas essas coisas extraordinárias e ad- imagens de fantasia. Aplican.entos. poréIn. a crianças de boa fé. rnundo.Je ijo apresentasse manchas arroxeadas? posta a muitas perguntas. Os vigilantes. afinal. fada. a l to. surge e ntão. tenha caluniado be seria igual à ave das primeiras eras. 26 O autor demonstra nesse livro . para o de igual tamanho. que é o domínio e a formação de seu mundo externo~ e de lá tiramos nossos critérios. em plano mais climáticas. flores- cordial pega o conto pela mão e passa com ele diante ce. de fato avassalaram a humani- mas o conto de fada os fascina com as jmagens col orl~ dade. como rrticrocosmo. Quero indicar aqui urna sátira Parece indicado ocupar-se com a questão do conto de muito espirituosa.do poderia ter. círcuJo cultural habitual. que a comadre malvada.os. da luta entre do s imples prazer de divertimento? COlTIO s urge inte. dá o tiro alé m do alvo. está claro primi1:ivas." pode ser legítima. e m hipótese ma importância e grandeza. com precisão aspectos éticos e morais em torno dos quais a luta sem . no seguinte sonho de um paciente de vinte e cinco anos: 46 47 . encontrar algum dragão.ma. e quem de n ós. Em muitos lugares. dant. na sua vida o homem Para chegar a resposta significativa é n ecessário pen.razão. vista artístico. quere. O sucesso de um livro como "A Bíblia tinha razão" 25 dos vigilantes. do ponto de Média . quanto a nossas noções e pensaI11.a Arqueopterix. de fato. . Partindo da idéia de que algu. l embre-se. Aqui. nesse mundo interior. a Moda. até adormecerem. muitas vezes é lão pobre? Estas são in. deveIn ser entendidos corno componente -mel nwna floresta. corno. quandO" nos ocupamos tos de fada. da mes- horripilante de que n ão se pode contá-lo. Este. "A verdade a respeito de Joãozinho e fada do ponto de vista da psicologia. cie ntifica que é estilo nas publicações costumeiras nes- pre se trava. próprio mundo interior.:. e o mundo circuo- cam esse fen ômeno . pois ele é realidade viva no o dragão seria urna lembrança dos sáurios das épocas hodierno. por exemplo. a religião . mi tos. dois interessados em urna receita de broa. sagas e lendas. e pôr de lado os Maria". que surgem no mito e no conto de miráveis que costumam aparecer nos contos de fada. Normalm e nte estalTIOS orien. a procura das crianças. então conseguiremos visão mais exata do sen- e que forçosamente a cada aperto de mão ou a cada tido e da essência do conto de fada. não tem somente a tarefa de experimentar seu meio sar diferentemente do que costumamos fazer em nossa ambiente. desse Inundo interior e como fl1eio de formação desse ria casar-se com a princesa sen tada em cilna da ervill18. um conto de fada se terreno. e o leva para junto fala por si tneSlTlo. Já por causa de condições o conto de fada e também o mito ou. percebem acontecimentos da natureza e de catástrofes que. isto é. do desenvolvimento da humanidade. se trata de vestígios de memórias de tempos há Não é necessário regressar a tempos longínquos para muito idos. O que significa. a l ém ceu de acontecimento verdadeiro. que O conto de fada Joãozinho e Maria nas- para a alnla da criança? Que senti. Pode haver a1 um vestígio de legitimi- fada e lhe faz o traje de almanaque e o manda assim dade. e de dominá-lo e formá-l o. porém.

e quando o dragão quer entrar pela janela homens . atribuir-lhe determinado probJc01a do desen- Quis usar este sonho apenas como exemplo da exis.o.n1. na co ncepção elos irlTIãos Grimm 11 queria relembrar. Essa força ins. j( Estou numa casa que ten~ a forIna de meia conto de fada foi muito apreciado por outras culturas bola. Ele quer me devorar. jUC. razão por que ele é ven. Jung definiu em "Tipos psicológicos". com. que já entrou no recinto. Gos. p::tra a formação e configuração do mundo interior hu- n:1ano . tinha ânsia de VÔInito". para a qual nÚn1. mas tento negociar de lneditarelTI sobre ele. a conto nos leva à família de UlTI lenhador que vi- taria antes de retornar ao conto de fada. p. por exemplo.ero infinito de por p erto . 27 Essas atitudes partem da idéia com ele . e mais fundan~ental produto. I m J1l·:ti s exata. do D'lundo exterior.o já foi mencionado. Na medicina hindu existe Uln ' método de cura de borracha. acerca d e Uln dos mais conhecidos contos de fada cido. enquanto o pai vai rachar lenha UIna esfera cultural. n1as n ão que e Jc têlU valor. decidem deixar as duas crianças no bosque. n~as se levanta novamente. apresenta-se na iInageIn do clragão e e le vivc no para o qual não pode ser encontrada imagem melhor sonho o Inotivo antiquíssimo de contos de fada e nütos. n h as.da quero tecer considerações . Com exceção de U01 pedaço. 18 Inuito bem sucedido e que o seu Ego fraco Aão pode 1'. destes pontos de resistir à necessidade instintiva. As crianças ouvem o plano e Joãozinho junta as pedri- tura com a qual o homem entra em contato e assimila. na forIna conhecida por nós . sen1 motivo. e voltam em se- vés da escrita. De repente ele já me engoliu assiIn Inesrno.eio do bosque os pais acendem inventados . e foi Ele quer entrar na casa . e m . antes que t e nha s ido fixado. e naquele tempo seu onto. Luto con. Eles enganam as crianças por intermédio de pessoas colaboraram. um ramo. com exceção dos contos d e fada a volta. Refiro-me aqui ao conceito de símbolo que é o COInbate ao dragão . 1 1 s e surgem como representantes no lugar daquilo tintiva própria. sc ui. da c ul. e eIn certas condições. Ele cai COInO boneca m é dio. a fim e facas. fonnação de algumas idéias a respeito do seu significado lodo o pão fora conlido e aí os pais . sob instigação da para a criança. G. com pistolas recido um conto de fada COlTI sua probleInática. a quebra ou J11 çõcs e evoluções interiores da mente. volviln nto espiritual da criança. atra.ta. de algo precioso. como também a ação do a rapaz tinha neurose grave. 641. O dragão fazia força. Joãozinho e Maria tinham adormecido 48 49 . que é sacudido pelo vento. dão o último pedaço de pão aos filhos e soa. valor curativo . mas não quero tratar dele exaustivalnente. Geraln~ente o conto de fada é o prin~eiro n1adrasta. mas como personificação de for- cias e rupturas instintivas. Chegando ao m . não no mundo da fantasia de uma única pes. e x 'n1pJo o conto de Joãozinho e Maria. Vê-se que e le ainda não foi qu C. aI mãc. então hi tória bonita e interessante. mas pertence às formações coletivas espirituais de Hlandan1 que se deitem. e de influir na via em cxtrelna miséria. UIna fogueira. terior. obscura e destruidora dentro de si Iues. são vividas não mais corno acontecimento real problen1a principal era o de se defender contra exigên. que deixa cair durante o can~inho como pista para Ele teIn sua origem. As figuras e feiçÕes. se passa no homem. dc que os contos de fada contêm muito mais do que Continuo vivo e digo-lhe que deve entregar-se. Vern um dragão que devora todas as pessoas. Existe o pressuposto de se livrará de mirn.as até utilizado para a educação e formação ~spiritual dos velhas . vi . para pessoas mentahnente desorientadas. Eles são sím- destruição. a valor do gredo para casa. O conto de fada foi usado tambén~ como re- jogo um machado contra ele. Gostaria de usar como tência viva de n~otivo de conto de fada no inconscie n te. de forn1a espiritual. e em tempos longínquos. 01U dinân~ica espiritual. Lá estão espalhadas arm. às quais é ofe- tra o dragão. cujo conteúdo e como indicação de sua importância para o conflito in.

onde ela se queima desgraçadamente. figura se personifica um dos mais profund~s ~ ar~~/cos berta d e bolo. Pai e tência da criança para a satisfação de suas própnas ne- filhos podem então viver felizes para sempre. M.-. a Mae fechou a porta de modo que as pedrinhas não puderam Neve que somente mostra seu aspecto mau de bruxa a ser juntadas. é o vento. ramente. Em seguida a bruxa recebe as crianças Essa bruxa é uma figura materna má e demoníaca. por exemplo. de modo bem marcar o caminho. e as janelas eram de açúcar claro". . e isso em contraste com outras flgur~s s urgiu novamente na família . Na . Ela engorda Joãozmho. para engordá-lo como a de trabalho de Maria com fmahdade egOlsta e para. Se. claro e evidente. porém.par~ se apro. Em primeiro lugar ela é profunda e eVI- Não demorou muito e a mesma situação de penúlia dentemente má. meiro Maria e depois Joãozinho por sobre a água.mães ~s­ a casa e cozinhar. maIS ou intransponível que forma a fronteira do reino mágico. em nossas considerações. con- no forno. a bruxa.eltar da força cha o Joãozinho num estábulo. Joãozinho usa então migalhas de pão para Mari~-Breu. No dia seguinte ela fe. e acham o caminho de casa te:::imento. e as particularidades que for- ças ficam livres.1l1fe- No caminho de volta.. que mostra cada vez à só qualidades negativas. por causa dos tesouros apreendidos. problemas do homem. sem passar cessidades e exigências. fomeadas à sua casa. de segurar a criança. para mantê-las prisioneiras. :É. en- um ganso e depois comê-lo. Assim. tem algo a ver com alimento. agora as crianças se encontram realmente proprietária da casinha c?me~tível: Há ênfase no fato de perdidas no bosque e têm de cuidar de si mesmas. até que a filosofia con serva a construçao do pedaço da casa e respondem. Conhecemos muitos casos de neu- necessidade. Ela é a das. quando a bruxa pergunta mundo. fornece urna cama bem macia. amor". dá-lhes de comer em abundância e lhes que lUsa a fome das crianças para atraí-las ~o seu poder. Eles então es. sim? A esta pergunta devemos responder com sim e nao. Aí um pato as ajuda. Estas. porém.ue cheg~m es- terem vagado três dias pelo bosque encontram um pás. As cdan. deIxam escapar esquentar o forno. o menos i~consciente. de impe dir sua independência e de se aproveItar ~a eXIs- do chegaram em casa a madrasta estava morta. carregando pri. . Podemos salientar duas caractenst~­ com facilidade. to de s i. mas desta vez a madrasta parecidas dos contos de fada. pOIS seu saro branco que canta maravilhosamente. De forma negativa porque uma pessoa raramente te:n Pelo artifício de Joãozinho. Maria tem de cas universais humanas. carregam todos os tesouros amontoa- mam o homem verdadeiro. mas os passarinhos as comeram to. carinhosamente. Após Que ela dá bastante comlda as CrIanças C]. Luethi 29 mostl. o filho celestial". Podemos responder' com um SIM Ja que. comê-Ias. e então com astúcia empurra a bruxa muitas vezes a multiplicidade de emoções diversas.?u ISSO.sua e ele as leva até uma casinha "construída de pão e co. Em segundo lugar. a natureza consegue a mola pela fome e pelo quem está mordiscando a sua casa: ":É. e acordam quase de noite. sobre o qual Scluller dIsse. mimando-a per- bosque da bruxa. traditórias ou paralelas. assar e comer as crianças. encontram uma água lizmente existe em muitas mães este impulso. cas da bruxa. Enfim. e personificam em si somente caract. mais interessante que. de comprar seu amor por interméd~o de doc~s. nos quais tal "amor matemo de- 50 51 . o vento. Podemos perguntar-nos: existem . Figuras de contos d~ ~ada sao bruxa um ossinho em lugar de seu dedo. enquanto Maria deve limpar fim.enstlcas típI- afastar a hora de ser devorado. perto do fogo. Elas o seguem plano é o de cozinhar. como. peram o escurecer e conl o aparecimento da lua vão nos ocupemos des de já com a figura principal do a~o~­ enxergando as pedrinhas. roses infantis graves. ele consegue tipos. Quan. a bruxa._ Por gue-se a conhecida cena cm que as crianças comem um enquanto. cla- dos na casa da bruxa e pegam o caminho de casa.

que possui sabedoria e Creio. Ela tem seus paralelos nas grandes figuras para o mundo interior da criança. com as quais lidamos vez ao conto. cJ ' I'amos a "Mãe Neve" . reina a bruxa. homens. ou simples- fada. Quando tudo correr bem pode. I ma n i. em parte como bruxa. em menor ou que lá se passam. somos guiados exista algo que se pode descrever como bruxa. admitamos que dentro da criança ·h ro p'lra nós que o ego consciente não é sempre dono I tl própria asa. gi as . então descobriremos que todos nós. para o dia-a-dia. a divisão entre dois mundos difereo teso Pri. fo1'(. por meio deles.. pr dutivas. que é uma das figuras principais do reino lnágico e que.:scjo de poder ou o vandalismo . no qual existem bruxas.'< superiores. e misterioso. mais tarde.enores. sejam satisfeitas as nossas próprias exigências.ícias do homem em formação: da para o mundo real do dia-a-dia. Falando d 1\ ssa altura.. usemos nossos filhos com o fim. representando deste modo tas forças e como. Aprende quais as fonnas e poso . de ver que todas essas coisas esquisitas e improváveis. O conto de Joãozinho e Maria torna a indicar. 7. Há. bem como a se fUllda a respeito da natureza.a natureza das religiões pré-cristãs e personifica na bruxa o reverso da "mãe superprotetora" que r a J. probl crna em que também tocamos quando consi- sibilidades de relacionamento que pod m xistir 0111 s . im pr funda e poderosa força da natureza.aneira ele pode descobrir o que as princesas fa- pode resistir a forças superiores. experimenta e aprende a responder às exigências c '? nte uma pessoa idosa que dispõe de sabedoria pro- necessidades das figuras do ambiente. já referidas.1111 simpl s 11L1:01adas por impulsos obscuros e demoníacos. r ruo chegar a ser os serventes de forças benéficas ramente. que este não é o lado mais imporlanl '. JllYL figura lnaterna arquetípica. e nosso inconsciente na sua origem a criança forma uma unidade físico-psico- 52 53 .. Não v r 1 u sas I. 30 dos contos russos. recncontrruTIOS esta personagem. no conto de Joãozinho e Maria. o qual já m J ion i ) '() lll soIí ita e doadora. depois. " apatinhos gastos na dança". como lenhador e sua família. elD bosque es UI' o h. e então encontran10s nossa consciência volta. mas supomos que esta fi g ura l11uito DI m do ego consciente do homem. mas que nós. Para isso espiritual. ln durante a noite. são idênticas aos nossos sonhos e maior grau. Dentro desta Precisa-se de séria auto-educação para impedir que esfera. onde vive 1. é n ecessário voltar às prim. voltemos. já encontramos resposta à pergunta sobre o significado e parcialmente como a mulher-aranha dos contos de fada psicológ ico do conto de fada para a criança: norte-americanos. de fato. isto é. porém. fantasias.-l a . que nl. visionária. É impossível deixar homem elTI formação . como a velha no conto d efender das perigosas e negativas em relação à sua pró. as~. ternos esses impulsos. manifestações do inconsciente. e que pode apresentar-se ao homem queremos dar um passo além. finalmente. quando correr mal seremos rnarionetes meiro o mundo real do dia-a-día. Sempre Com essa consideração. que não quero estender luais. mos. avó.ais profundas. o mundo mágico. Se formos honestos conosco n'les.ra insuficiente. ão os ad ult I'.vorador " . Tent mos uma vez transpor essas imagens nlitoló· pássaros solícitos . por intermédio das figuras do conto de d mônio feminino ou deusa. quando transferimos o conto de fada d ias I s truidora. será tratada com lnais porn1. Pa < responder do que se trata. primeiro. em parte conlo A criança. tesouros in'lensuráveis e muito nlais. cla. como o . personifique problema inerente à criança. e parcialmente como demonía- começo. e pensando lueJhor. destruiu a personalidade própria do para o mundo mágico e milagroso. que vai mente existe no mundo. pod ~ v c n ". Ela experimenta de que mod 1 0. de que. que diz ao soldado de pria personalidade. Ela é ao mesmo tempo boa e má em relação a si própria. mais uma PUI' f r as espiritt. para a ex- Transponhamos este nlotivo outra vez para a esfera periência cotidiana de uma existência infantil. pode ficar bem modo bem primitivo.

duro para unla transformação. caráter p itiv OLl negativo. e conl ele o BelTI típico é também que no conto de fada.t bnlxa. de se deixar nutrir de. inconsciente. lue surjam prejuízos graves nificado psicológico do conto de fada para a criança: para a criança. de fada nos mostra l1:Íaramente o que se passa atrás da cedida. S4 5S . tais COlno o da casa. nl ~n1. ou falta de mãe em extremo. de novo. con10 muito b en'1 mostrou pria natureza. d e permall nI <'lsa. tais corno os tostado e marronzinho. e deveria experimentá-la. qu' acompanham. ciente se em. conforn'1e a Consideremos. por sua vez. nem de um seguimos uma segnnda resposta à pergunta sobre o sig- lado nem de outro. De novo a crian a t n de vencer seu medo. muitos anos de d es nvolvimento. Uln motivo situação. nfl ". o homem. 32 Por outr lado. ao mesmo igual a Joãozinho. como também a ra teremos o seguin l' : Um ::l r iança está apta para ini. Sabemos hoje fachada desses desejos de aconchego. é que desse estado de abundante e quente.se é possível luta. adma da luta pelo mundo. leva a parada ou me n'1 reg res o no desenvolvi. símbolo d e metamorfose. P r S5es fatos conhecidos do sibilidades típicas e projetos para sair vitoriosa desta desenvolvimento hUlnan. que é muito ciar as primeiras p elo n1undo e já vai nlenos horrível do que aquilo que o homem suposta- buscar sozinha tlJna bup t a numa loja. fada lhe oferecem. sem. Antes de sair mentc# civilizado faz. é de andando ela r a1i:za gl'aude façanha: deve superar seu novo sín'1bolo do seio materno: do forno o pão nasc~ medo e o s e lemenl :. O conto' união se origina uma separa ão lnais ou menos beln su.l0 o da eren1ação da bruxa no forno. Desse modo. atr s d radcs. desde a obtenção desejos de ficar n 11. os adultos. ela venceu :=. deve negociar conl o vendedor e que indica ainda a conexão misteriosa desse problema no trocar a moeda cuidadosamente g uardada pela chupeta consciente e no inconsciente. que. un'1a autonomia. . COl1.lu p'lra uma história corriquei. SpitZ. Então é miséria e pode levar o te ouro (isto é. é impulso instintivo profundo que s e ca. é a via da transfor- mais. al itude maternalista exa. pois nele uma força da aí. então. S e a criança tiver f ito tudo isso. desaparece a madrasta. a chupeta) para meSlno necessário que surjalTI impulsos. Daí a cremação Transferind iss tu<. no nlomento impulso de ir embor e d se esconder sob a saia da mãe. Quando a situação cons- desejada. às vez 'S. nã onl s muito cordiais com as crian. do cereal até a fabricação do pão.pobrece e novas experiências não são ad- tra vez. Desse modo con- que esse process o não pode s r p r turbado. o Ela deve fazer-se notar. a vida fica estagnada e passa fome. aquilo que no conto de fada se Hladrasta. um afastamento. ainda. Se ela for em frente tempo. Aqui. é pos ív 1 en lrar e m conflito com a bruxa: natureza deve ser transn'1utada eln algo comestível para Nós. A afirmação do conto de fada diria que o ças e na loja. Se a criança desiste e mação de un1 produto da natureza em alimento especifi- diz: "Não quero ir. chamá-lo assim . ou. O forno mesmo. chegou ao fim de toda a quiridas . no decorrer de racteriza pela preferência V"vr um ninho confortável. Ufat r ln ãe " . e deve afirmar seu Ego contra estas forças R. sem consideração. Os contos de gerada leva à danifica ão d independência e da indi. que empurrem as crianças para o reino do chama bruxa. e só progressivamente. são superiores a ela. Ind epend~n ia pr matura. I ara a criança. alcança outro sentido. assim chamada atrocidade da natureza. na forma de imagens simbólicas. em que a bruxa é queilTIada. como acontece com a criança hospitali. aí a b ruxa a apanha e ela fica camente humano. ninguém se preocupa com elas. lógica com a mãe. muitas vezes. pos- vidualidade da cri I Lça. O caminho. 'he o. mais profundo. Ela deve aprender a conviver com os elen'1entos pro- zada. lado negativo-demoníaco do instinto maternal estaria ma- Os adultos se empurram para fren te. fundamente instintivos e com os impulsos de sua pró- mento espiritual e Or} oral. por este ponto de vista. o forno é.

. do qual s ome nte. mo um dos grandes mestres da humanidade . no inconsciente.a bruxa . e para aquilo que deve Academia". Com toda razão o conto de fada 'ln tinha se mudado de lTIaneira evidente. Há lTIuitos adultos que sen1. podelTIos aderir. Branco. im- coisa. é submerso por eles ou cai completa- ma de forno. ou n cessidades instintivas que surgelTI do incons- mente quando são jogadas as migalhas d e pão. a vir a ser herói. do ho- saro branco con1. caminho de volta das crianças à sua casa. 13 I'i. é que amargamente e não querem entrar.pemos. no à casa da bruxa. si r bolo adequado para ser o mediador entre os dois ros casos de nosso des tino? Neste context o n J 'm h r 1 111 111 los. ao lTIorto.editemo s s b e is te fronteira nítida entre as duas esferas . da salvação. Inas I ' ' Iaçã ao começo do conto d e fada. caprichos. agora há um largo rio separando os dois. anuncia. Por outro l ado. Poderl1os ainda entender. o qual só o destino coage saros estão freqüentelTIente ligados a pensamentos. o ar e a água. A ausência de nada se lTIodifica . rarn enjeitados e empurrados n esse calninho. 'L" forma ssa fronteira nítida. toda a paisa- porém. Seu Ego é bolo desaparece da consciência para depois volttar na for. de Kafka.cr Clll" . normalmente medroso. A 11. Um bicho como o pato. esses conteúdos inconscientes. que seduz e atrai as crianças.I nn inant e m e nt. Nos sonhos os pás. pu ls o . n Illn.e o conto de fada é obra de arte - aqui no conto de fada leva os her óis involuntários para fo rm a l pela alma de todo um povo e. nesse lnesmo p lano.e num ego ilTIaturo e instável. Somente quando o lado mau. e da alegria. e nunca saelTI do costumeiro .una soa ~ indu entregue a todas as paixões. s itua ão que traduz claramente unl progresso psicológico vel. Por imagens é expressa uma de pão do Joãozinho. e mostram matizes e sutilezas escondi las <I '.é vencido. em necessidade an1.1 ui l que pode e deve transitar. J:~ . Antes o mun- é de opinião que é boa idéia encontrar a bruxa da casa elo n rma l do lenhador passava sem fronteiras para o de pão-de-lTIel. .i itado para fora da consciência. no fundo. Há algo a dize r ainda a respeito do desfecho elo con- dor de desgraça.ar a b Nã te nho dúvidas de que somente indiquei peque- coação.·ta . Lá é repre. seu canto lindo . UlTIa idéia negativa. como já vimos. é a cor da credibilidade. Quando n9s nos apegamos ao imó. E s te.. t:nladn a hll Hl li z u ' [10 r . Opinião esta à qual r in mágico. num Ego estável Por mais tempo que pensemos e m . não é o caso. da paz na Bíblia. Esperar-se-ia que fosse preto un1. Algo acontece 0 .. Ch rum ativ cio inconsciente . e que preferiria correr do perigo. escura e má . fan.1. de mitos esse motivo tão profundament. Pen- tasias. 'apaz el e viver nos dois ambientes. na ar t d a quilo que está contido elTI tal conto de fada. b seu fascínio. levando-as t o d e fada.. Tal pes- pre espalham pedrinhas quando pcnsam ou fazen1. i !lI " l. então sempre voltamos . e entender-se COln e l a. tamb "m ada bra de arte . tanto E ' > ~ apaz de d e cidir qual dos impulsos ou necessida- lnais se abrem.e h u mano. c ssidad . I I ' '<. Illn a <. Conhecemos através dos contos de faela "o láv 1 e tão imensa como o fundalnento criador da 56 57 .la vive em estado de participação mística (Lévy tância de transformação.i Id ) 3~ 011. Então este sim. Joãozinho e Mar ia [ . o pás. .undo lúgubre e estranho. d e j eito nenhum . 0111 nt conl a ajuda do pato as crianças são capazes Algo parecido encontra-se nas pedrinhas e migalhas (e vol te r à s ua vida normal. que se encontra COlTI efeito. mágico.e n1. se n1. I 'v r vir à tona. semo na história maravilhosa de Jonas. . 'III' s urgem pode ser aceito ou satisfeito e quais não que ainda não tínhamos notado . algl. Ele é o meio de transpor te conveniente para da represe ntação de Klaus Kamn1. é o lhes pode chegar a salvaçã o. n1. contos de fada. N ão é ass im c i ll úrll '. Lá encontralTIOS o fato admirável de que. idéias intuitivas ou conteúdos espirituais. voluntária-involuntariame nte. por mais que deles nos ocu. à pedra. que um macaco executa. As necessidades anteriores e a fOln e CI a ra fio ntre consciência e inconsciência encontramos de sempre ficalTI na lTIesma. a subs. ines- a sua tarefa. a e l es.

em sonhos e fantasias gínquos. no inconsciente. Jung cha- ma essa camada de inconsciente coletivo.na ahua. por baixo das lembranças pessoais e conteúdos de idéias. quais o efeitos que tal decurso di- nâmico de irnagens pod 1 adea.il pr funcla. Ele somente fala u l r l l in uagem. as quais nos são dadas desde nossos primórdios e são preenchidas pelo mundo de imagens que corresponde à cultura. l ernbranças e idéias dos pacientes que. pode 58 59 . H1Uito simples e ao mesmo t 'Irl l ltwiL cJj(J . 4 ceitos racionais e abstrat Motivos de contos de fada O que hoje podeITl er experiências Iuais JTIodernas. Esse de- curso contém experiências da psicologia de profundi- dade que a ciência hodierna d creve por rneio de con. 'v idcp a p rturbação psíquica. seguiram tratamento psi- t Tap "'uli Extraídos desses produtos da fantasia se- 1'5 in ti ado os paralelos COIU rnaterial de contos de fa [a. já chamou a atenção da psicanálise primor- dial. e se ela for bem con1. A linguagem do inconsciente co letivo é a do mundo de imagens mito- lógicas originárias. fantasias. Daqui en~ diante terernos como material os !:jonh . Enquanto no capitulo anterior o ponto de partida de nossas considerações era um conto de fada. queremos percorrer agora o caminho . possibilida- des essas comuns a todos os homens. Mas só graças aos trabalhos de C. Queria dar algumas sugestões sobre quais pensamentos e imagens podem-se desenvolver a respeito de tal composição.própria alma. de certo rnodo existe UITla camada de possibilidades de desenvolvirnento da alma . o conto de fa la l sd tempos 100. A abundân ia d mitolol7dernas e material de contos de fada nas fantasias inconscientes do hornern . a das imagens.preendida. corno o demonstram esp cialITlente os trabalhos de Freud 34 e Rank 35 . Jung e seus alunos é que foi dada apreciação especial a esta can~ada mitológica do inconsciente. ntrário.. Segundo a concepção de Jung. e que n relacionamos seu decurso corn maneiras d e expe- riência da a lma . G.

. pelos "mé- interna não pode mais ser compreendida ou re. nos quais já existe a possibilidade de so- todo lugar podem nascer sem tradição hislóri a 0 11 I 'I :ã .o ocupados com atividade determinada. sabemo direito. til ' m s. interna ou funcionamento da alma. '111 / .1efici ntes é que a energia da alma vai para UUl praticados e aprendidos. que por si mesmas estão fora externa. e que possui co- funcionamento psíquico em geral. A esses conteúdos c hamo d incons i nt illf .·s. freqüentemente. e de cujas possibiIidade~ percebido subliminarrnente. constitui semelhante problerna interno e externo insolú. I lL(':n. de peito disso: 18 conteúdo escuro e profundo. desagradável ou mesmo inquietante para o e fantasias".e con1 um velho sábio. f'esultados JW lur 'z profunda interna. Segura- 60 61 . Como tudo aconteceu. perturbados. São essas as conex-es mil . que s<. para faiar por imagens. Estou com meu n1édico na hora do tratamento bém é válido para o sadio em situações criticas que sur. olvida Lod s convencionais". cósmicos e rnitológicos que surg m d leve o seguinte sonho: inconsciente . Mostra-se um caminho pessoal. que indica atolamento em tal crise problemática. os lnotivos e imagens. . Ou 'ria dar mais um exemplo que l1'lostra esse fun- Sempre é feito apelo a esta camada espiritual d i I 111 nto da alUla. muitas vezes.LIl t . isto é. e quanto mais grave e radical for a neur se tanto n h ador. surgem os pensaUlentos e fantasias mais "in- da experiência pessoal do homen1. eln primeiro lugar. J. por exemplo. ses sonhos bizarros e fantasias estão contidos motivos lógicas. De tudo isso. toda neur . Porém. Em princípio. o que foi esquecido. que está dentro de coletivo. uisso: saber entender ben'l estas vozes da própria da atividade psíquica consciente certo. a dificuldade está me a experiência nos mostra. quer dizer. Assim om na c 'ln . O que é válido para a doença da Ulente.. Tanto quanto os cont úd . que no começo de tratamento psicoterapêutica tados. Somente o psicotera- ções pessoais. (Veja "A cobra").os. SOUlente quando esses se mos- com os meios de experiências tradicionais at e nt ão t r m il. . tão esquisitos que não se entende nada deles. mas das posslbilidades herdada. Ao até então não sabíamos nada. como. pensado e sentido. onh. an s. reprimido. Es- gem norrnalmente em cada vida.'n'lOU. não lado desses conteúdos inconsçjente s pessoais ex i s. I1h 'lmento correspondente de mitologia.de de solução para o so- vel. tam. De que maneira o homem sempre tem tã. que até aí era desconhecido. c~ista1iza-se uma solução ou UUla idéia. sabe que nes- tura cerebral herdada. assiIn também surgem produto s d a p '"qu'. e querer compreendê-las. Jung escreve a res. mo dádiva da natureza interna. às vezes. plano mais profundo e traz de ]á mitologuemas à tona. que que cOInpreende todas as aquisições da existência Dntes nao tlnhamos encontrado. verossím eis". on r 1'. e combinamos o prazo para a sessão seguinte. quando tudo IIPodemos discernir um inconsciente pessoal vai be~. Em geral o aceitam. Temos sonhos pesados. aquilo que é dito é altamente re- atjvidade inconsciente. on' ientes s . ou produtos. . pelo qual fica claro que um pro- imagens originárias quando Ulna situação externa ou l 1 nla deve ser atacado. v'lh deu a resposta.mp l' 111 II ilOl ' -ricos. ns im o lviü es es casos ou como poderia solucioná-los? estão também os conteúdos incon cientes. • ) lJ S i 'nt . em necessidade sena. Todo mundo conhece tamos nUln quarto ao lado do consultório. e COUl razão. O exemplo veln de Ulna mulher de trinta e sete mais numerosos são. não de aquisi. de certo modo migr·ação.indicar ao homem modos de vivência e possibilidades de a situação em que. bizarros. A alma. • ' t S contêm uma possibilida. os motivo s inusi. tem outros conteúdos que provêm. do J llt~ acostumado a esses processos. da estru.

Com os conhecimen- abandonaria sua profissão. tiramo-h. mesmo no ambiente profi ss ional. Duas tentativas de casa. como no "Pastorinha dos gansos". O que antes era ternura tornou-se reli- temores consideráveis d e solidão e incerteza. Estavam lá refluI e deve procurar outra via . Ele é interrompido. numa espécie de ato de nascer. uma vez que a cena é transferida para um pegamos a pl an ta so le n eme nte e com cuidado em quarto ao lado. Então entrou. porém. como se a gens i'0~et i vas e a s ituação que o ego-sonhador da pa- planta fosse algo de divino. Dessa vez arriscar a terceira tentativa. Aí eu estava ~jmenta. que lhe diz evidentemente coisas du- tuação e do problema da sonhadora. Aqui de vez no consultório nlesmo. entra no recinto e caracteriza a situação bem exata. Ela tem sentimentos era um mar. Fiquei mais ativa 'e as apertava c~>nvencionais": homem e mulher. CIente. Neste mar a ca beça do médico boiava. por esses temores.l e c. princípio a sonhadora estava. a situação tenda a ser erótica. posa do médico e disse: "Há aqui um cheiro terrí. A energia da alma se dirigiu a ima- acompanhado d e s en timentos religiosos. e parecia que este ISSO eVIdentemente não acontece. e corno expressão deles a esposa do m é dico numa taça de vidro. ligado à existência da figura do seja cabeça animal. analista. e m segundo plano. e desta vez realiza-se no sol para que se expand is e de novo. presente a cabeça. Depoi s nho cer to. s ubaquática. de luz ultravioleta). trata-se do sol natural e não de aparelho mecânico de tico-criadora à qual era muito afeiçoada e na qual tinha raios ultravio leta (sol artificial ). não os encontra. O médic~ e a pa- afetuosam e nte . primeiro deve ser dito algo a respeito da si. timentos de culpa. pois não era atraente. ao nles mo tempo tinha sen. que s e e nc hi a de água. e não fazia bastante esforço. no ssas m ãos. se senti sse insegura. que se encontram em relação profunda da alma. da ahna. em planta em torno da qual nadam ninfas. -mulher é que. clente VIve agor-a transforma-se em conto de fada.la alma. Os temores faziam com. do problema da te que adivinha encontra-se em muitos contos de fada relação homem-mulher. O sonho começa trabalhando com os "meios dos irmãos Grimm 11 ou cabeça hUInaDa como DO conto 62 63 . A princípio a paciente reage simplesmente como mulher. No. O fluxo dos sentimentos e energia nem bastante j ovem. e caracteriza muito bem que aqui não se trata do cami- nós três n adávamos em to nlO d essa plan ta . como se o aparelho d e raios ultravioleta esti. de repente. que procura seu escoamento pelos caminhos Então a cabeça se ll~ans [ormou e tornou-se planta us ua~ s. Do médico só está Agora. l evada para se não deveria juntar toda s ua energia e coragem para fora da água e para dentro da luz do sol. preender que dificilmente seria de se esperar que nlente corno "cheirando mal" e "artificial" (a lâmpada eu arranjasse UITI homelTI. e por fim a cabeça se transfonna divorciad a que n ão tinha filhos. Tudo isso foi cons ultório m esmo. como disse. Também as qualidades sentimentais se realmente se aquilo tinha s ido certo. e abriu a janela. Ela exercia profissão artís. Tudo se desenrola num mundo submerso. Ela era mulher ras e desagradáveis. que o homem pode li- posto toda a sua alma. estancado. Depois essa mento haviam fracassado e nessa é poca ela se perguntava planta é. UlTI sentido inteiramente compreensível. de culpa. e e le diss e que eu devia com. após o estabelecimento de harmonia sen- vesse funcionado". Impelida g ioso. e foi assaltada por modifica ram .) da água e a colocamos ao Agora s urge novo COn1.eço. a es. per- sar-se com um hOll1e m de seu círculo de amizade e se p lexa d. Já de início. A seqüência costUlTIeira e normal de UlTIa relação homem- vel. que tos referentes à alma humana coletiva é possível achar ela. nos últimos anos. considerava seriamente se deveria ca. Duvidava agora gar ou des ligar.ante dessas idéias confusas. A cabeça falan- O sonho trata. mo-nos pejas mãos. o sonho também as duas filhas moças do meu médico.

Antes. o que corresponderia à volta do e u n1ais inquietante para o cavaleiro. de Andersen. telo.m. ainda uma bonita mocinha. por reza. . Naturalmente: aq uáticos. Transferindo os conteúdos dessas idéias ao sonho. mas naturalmente a boa desconfiança cristã ciente. Evidentemente a cabeça não aprecia muito os qualquer corrente de água. Esse conto de isso. nos lembra primeiro o lin do conto de fada de trata-se de crânio que fala e dispõe. "A P e quena Sereia". de certo modo.ultad~. em relação ao conto p rc- dem os crânios dos mortos. Berthalda. e. durante um temporal. seus Quando. que nunca lhe seria errado utilizar suas energias para atrair o sexo dirija UIna palavra agressiva nas proximidades de oposto. que tinha caído lá dentro. fada e as ninfas serão ainda disc utidos mai s detalha- Segundo Lévy-Briihl. no conhecido conto romântico "Ondina". 38 Andersen exprimiu. ca- dade. chega à cabana. na sua tendência de emergir e dirigir-se liA caveira salvadora". As ninfas que aparecem nos são conhe. que aqui. A essa cabeça ela apresenta. pois que nunca poderão dar bOlU res. conselho que este inconsciente d á à o tortura. almas dos mortos. du- para esta alma interior da natureza . s u a graça. . Ondina é pada com qualidades adivinhatórias de contos de fada doada a um casal de pescadores. damente 00 capítulo seguinte. conforme a situação ou atitude em ~ue as feiticeira. como solícitas ou como seres perIgosos do barco e desaparece na correntez a. nes- sabedoria misteriosa da natureza. Ondina se joga encontramos. A isso corresponde o se conto. Trata-se de parte profunda da natureza fe. olar de coral ao invés da corrente de Berthalda. de decisão importante. deixaria de expor minuciosam. Um sacerdote que.ericano "A Lua". durante a terapia o médico não dá conselhos. e aquela lhe diz que suas idéias são ura abrigo na cabana deles. 37 Em todos estes contos de fada ao sol. 36 ou no conto de fada esquimó minina.. e que serve de medianeira da alma. A isto segue-se a rante um passeio de barco. porque então eJa seria desejos bastante compreensivos dela e a desaconse lha a reconduzida a esse elernento pelos "habitantes" gastar atenção e energia nesta direção . porém. que espera Depois que isto aconteceu. fato de que para muitos · povos a cabeça é considerada uma ânsia profunda de conscientização. _ ao mesmo tempo. avisa ao companheiro que ele deverá permanecer- 64 65 3 • Contos de fada . ela tira da água um transformação. que é equi. por coincidência també m . por ocasião de outross i. evidentemente.ele a xinga de bruxa e ma diversa. j ade. os nativos da Nova Guiné suspen. um cavaleiro pro- planos de casar. inerente à natu- a sede da alma ou do centro da vida e contém. mas aqul O cavaleiro leva Ondina consigo para seu cas- se trata de produto espontâneo do inconsciente da pa.ente !c ln Motte Fouqué: 74 seus planos a esses crânios e de pedir-lhes seus conselhos. . aparece consciência. que a criam. Eles crêem que nesses crânios moram as Un1. Ondina se torna cada vez "filhas da cabeça". e quando.) ânsia indomável de possuir a aln1. Ela confessa a seu marido que não tem dura da falta de atrativos teria mais o sentido de que a hna e suplica. cidas de inúmeras histórias: elas se comportam.a. e nenhum dos nativos. da natureza. para cúmulo da fatalidade . e mitos. a paciente se junta às caSar-se com o cavaleiro. na figura da filha caçula de um rei do mar. "korwars ". mas por outro lado é mulher bem atraent~ A frase sa o par. ela o enfeitiça com absurdas. os adoram e chruuam de dileto da infância.a ânsia similar de conscientização e ncontramos. Chorando copiosamente. quer dizer. então a alma natural primitiva que mora nessa mulher Ondina é filha de um rei do mar e também tem reduz o médico ao símbolo de uma cabeça. f ugindo da tempes- O fato de ela não ser mais jovem corresponde a realI.. . de for. o ser inteiro e toda a a sabedoria relativa a ek.sul.am.

Quando foi levan. Esta. ao país Ugian. aproximou-se do rei para saudá-lo. des- nascirnenLo. com Berthalcla. abraça-o brilhava .ci 'n te d a a lm a da nalLII-ezn 'Por-te de a legria. e. vingar-se. coração um cetra luminoso com cinco pontas.d e neurose. no Ocidente. Aj viram UlTIa fJor de lótus cheirosa em cujo mento COlllO tal~ m as à união de v id r. como O la d o auspici so clesse ser fe mi . n1as à proclaITlação de uma doutrina. Perguntou à criança: "Quem são fenlinina. no gosto e pregu iç a . o cava leiro não li g a para a adver. um Buda . n ~lo es t ó l iga da no casa. Pouco co nh ece m os sobre o motivo do l'ne sustenta. e estou aqui para destruir prazer. emergindo de uma flor . fracassam quando a ficleliclacl " fio < bs rvacla .. mas na esfera cultural criadora. à sua volta car água de beleza da (onte cio castelo.. e aí saiu um raio d e lu z ve provocar desenvol v imento geral de humanidade. nUlU barquinho.. que segurava nino da natureza . aqui?" A criança respondeu: "Meu pai é a sabedo- m e nto religioso . Tanto No meio dela estava deitado u. especia lll'lcnte no bud ismo. Sua energia não se dirige à constituição de urna família e Buda Amitabha pensava consigo: "Quero nas.lta-sc d e aconteci... existência. " Tomado de a legria. No livro OlVida e e n s inamentos do grande Guru Pad. e arnbas interior. e o ato de n ascer cm direção ao sol. -lhe sempre fiel . Há muitas histórias sobre o na scirnento de seu mini s tl~o lhe prestaram veneração.flum trans- camada profunda do in co n ::. O céu estava sem nuvens e o sol Ondina emerge. manda bus. a qua l li. e lhe dá um beij o morta I. não s aindo de dentro d e 'Um lólus: 39 no reino biológico . mas em muitas dessas doenças. que de- cer no lago Dhana k osha". é d esen c adeada n lransforrlJação do s ünbo l0 seu s p a is. no dia das boclas . no ~Q llho da pa iel ll c: 'videnle. o espírito de lago Danakosha. tré.rn menino de faces o laclo perigoso. Buda. é bem mou a criança de "Doje. no braço esquerdo um bastão com três pontas. O rei e o lninistro foram até o lago e. nha sido lacrada po. nascido no lago". procurar uma analogia neste inu si tado parir-de-planta.· OncUna. senão os povos da água poderiam ouro. cS I [iO unidos nunl:::t na mão direita uma pequena flor de l ótus e tinha fjgura só. c uj as tarefas estão. rosadas. No mes mo instante Buda Amitabha mandou de seu Entretanto. Ela se dil~ i ge ao cava Ie il-o . Uma grande veneração por essa criança auto- mente. Pode vermelha de sua líng ua. diosa e cheia de s ignificação no processo de cura de receu uma pequena ilha coberta de graula COI. N ão p e rte n ço a n e nhuma casta ou credo. e por que está a declaração da própria pa i c nte . que tência e após certo tenlpo prepara seu casamento penetrou n o centro da flor de lótus . parecer atrevimento introduzir uma imagem tão gran- netro u no m e io cio lago.estava um corpo com braços entrelaçados . Meus país é Dhanna. em segundo 66 67 . aqui figura religiosa. e ele c conhecido . Em conseqUência disso parece ind icado ria e nlinha mãe. dunldolll-a. muito parecido com Buda. Confu são na área religiosa. Voltemos . o vazio . Segundo te nce? Qual o a lime nto que o nutre . -íris. Quando o ministro Tribunadhara. e ntretanto . de que país você vem e a qual casta per- da cabeça. i gual a um meteoro. pela recaída dn con sciê l1 ia pUI-a d "nlt-O desta na scida se apossou do rei e e le c horou.. nessa hi s tória . Onde o raio incidiu a pa.. a aquisição ela a lnu . de um lótus. porén1 . no meio da qual surgiu urna flor d e lótus. pe. o rei cha- Oriente. o monarca viu um arco-íri s de cinco cores sobre o tada a pedra que tampava a fonte. chegaram ao l ugar onde estava o arco- Aqui . Sentido e conteúdo d esse nascinlento num l ótus são ma Sambhava cio Tibet" ú descri to o nasc imento de Bucla.

. lJma vez que ela e~­ m mostrou. me ensinou uma série de coisas e quando já estava gem e sopesar seus conteúdos. Percebi que fazer lnagia era difícil. B "tal 'como". Estudemos agora outro sonho. quase não podia mais mandar a bola voltar. ao u e i con1. do a não e optros. nas no s. ainda mais uma vez" tentar isso aconteceu. Eu me esforcei lDUi- dúvidas.a. Entrei. e eu devia enrolar firme 68 69 . O sonho é este: sendo confinnada pelo seu inconsciente na s ua existên - cia. ternos e externos ou a doenças. por outro lado. pelo qual a personalidade reli. Mais tarde estava sozinho qual ela antes não dera lnuita atenção. fada que mais freqUentemente aparecen'l em sonhos culturais universaln1. e novo magia. Com uma corda devia Fica sempre uma pergunta aberta : se a pessoa en1 p u xar forte a bola e dizer "Simsalabim" ou coisa questão assim procede. em si legítimos . desejos b~o­ longado e penoso. A proprie- ganha-pão. do rundamento da existência hun1. com a e criativa. Parei diante de uma te. com prazer.es cqmpreensão O destino negou a essa mulher . ao lado do gigante maldoso. tendeu a imagem de seu sonho c a aceitou. de 1. através de u a da ninfa. não somos obrIgados .un novo paciente .i s maglás .ITI c entrei numa ruela medieval. tinha a pos s ibilida~te de reaUzaçõ ~ I .1.A cons. Dessa vez trata-se de um jovem de vinte anos que teve lado sacrifícios e renúncia. E la me demonstro]. trução de sua própria existência e de seu próprIo valor Era muito atraente e parecia verdadeira "lady". Este ser d e próprias muito mais limitadas. ele mostra' à consciência um caminho que exige de Ul1. O mundo d e imagens do i~cons­ parecida.o.) lL n .::onsciência e inconsciente. A simp1. o qual toda gente deve mesmo ter .ravilhosas. do mágico. giosa está representando um proj e to de pos s ibilidades que encontramos aqui sob outra forma. exis le tal problema.ana em si. e estava sempre em primeiro plano . onde se cuida do sentido seu próprio detrimento e leva a fracassos. Também não tinha mais sentido para ela. e podemos tentar entender essa lm g ua. mais hábil introduziu-me em seus aposentos parti- sas consider ações. Já conseguia fa- isso! Há muita gente que vive ao lado de s i mesma. o n( o d fada é .e ensinar a dar à sua atividade novo sentido. na de sua sintomatologia. redundando na melhora paulati- Mas para isso o inconsciente lnostra-lhe outro run1. aSSIm entre <. esta podIa Percebi que era bruxa e a persuadi a n1. mas. Na linguagen'l dessas imagens mitológicas e fabulosas. t ária era um pouco obesa e tinha véu sobre o cabelo. a realização de seus. suas coisas n1.aclC. ~ão bem que a bruxa entende pouco daquilo que sua própria natureza lhe dIZ . cuidadosan~ente. ela pelas ruas. A paciente enveredou pelo caminho pro- forçar a lnudança do caminho de sua vida nessa direção .. No tundo e lO) stava I pa ientes.l uns truques e entre ou- conteúdo. ' l n. Ela ciente nos fala. uma das figuras de contos profissão de artista.le z r c om.a fazer culares.ero 1 . A fi g ura com a qual rá e ncontrar sua própria felicidade na atividade cultural ele tenta se entender é a da tão conhecida bruxa. a paciente. acontece em cobrimo-la no aquecedor. e assim libertar a paciente de suas próprias tros fez desaparecer uma bola. qual já nos deparamos no conto de Joã ozinho c Maria. a conflitos in- . sse sonho no fim do tratamento. un'l aspecto mais profundo de sua atividad~. que ia da direita para havia entrado nessa profissão comple tarnente Incon' 1 1'. a squerda e subia um pouco. No começo considerara a sua profissão como n1. deve ser conquistado o compronllsso lógicos. Mas. É qu·. g'. posto pelo inconsciente. rnais profundo. ele a fazia onhe ec a ln SITI Viajei com minha irmã a uma cidadez inha e va- tempo. Corno já foi mencionado. to para repetir a façanha.. COlno a muitas ou. perfeição o truque. mas em contrapartida pode. em processo muitas vezes pro- tras. também não basta. Lá fizemos ma. No caso aqui descrito lhe diz seu inconsciente.ia d e antigiiidades e de magia. Porén1.ente valiosas. Des- ou não dá atenção a isso! O que em geral.

A ITIOça faz as agora. da qual inicial- até agora tinha recusado. Porém. certo tempo. Quando tinha sete ano s seu pai foi aprisionado final do sonho diz que duvida. om juda da qual conseguiu de medo. quanto à palavra sava dizer sempre OIl le · t rlV·' LI p ~tI-a onel ~ ia . Assim bruxa. a Mãe-Neve.ãos san- Durante o tratalTI 11t . uma corda em torno da bola. Em geral estmuos acostumados. No conto de fada da Mãe-Neve. Esta devia dade de esco lher Ulna p I' fi ·s:J. O componente musIcal vem acode o colchão e as penas voam. onde um forno pede que ela tire ele. que eu volvimento. vaido!. Qu~u Lo jó. II S -. "A grande Mãe-Natureza ". no final do tratan nt . à noite.ap t r adquirido parte de grassem. Quando este 70 71 . ri . apesar da ' 11. ela pede para voltar ao mundo superior. Antes ele dizia sempre: "De ho. o pão cozido de dentro dele. outr Ja do d ua própria natureza. era turbações em rela ii a u " lb·:tllt incapaci. Quando em relação ao matl!rn< -I" 'minill< . Descobriu cita para sacudir suas frutas maduras. Depois de ter trabalhado assiduamente. que gratifica aque- mãe tinha internam 111. co-feiticeiro. duas coisas e chega finalmente à casa da Mãe-Neve. mente tem Iuedo.1) r > ~ Il · ã I . onde passou. por razões políticas e s6 voltou oito anos depois à sua simbolizada na b r uxa. cupa com essa dúvida e evidentemente escreve seu ca- nino. e la.. ao pr blema da mãe. Lá embaixo Ín~por-se aos ten'lore s nativos possessivos da mãe. lo I . I o '' ~ll' i os colocan~os em confronto estes dois lados da grande mãe para ele o aprisí 11 m Il e éll1ll i 'nt· I~ natur za. pelo exmne vestibular. da qual enlanava ainda algo da mesmo tinha criado . sentar-se ao lado da fonte e fiar até que suas m . seu fuso cai na fonte. sem proble. [. que ·dá seus dons e capacidade fan~ília. preguiçosa e ves sentünentos d infL:rioJ"i lud'. a Mãe-Neve a l eva diante de grande portão.. Em . A magia. n~as ela vol. aplicada. maldosa e possessiva. Duvidei disso. mágica e bondo sa. ficar en~ casa . no livro do destino. Destas. poncrelu. e de outro a bruxa sencial de si ln sm . voltou-se mais urna vez. de un"l lado.'li l' S( z inb. que uma senhora idosa com dentes grandes. não se preo- angústias que ilnpediam muito a xp" n ão sadia do me. a pensar Duma figura maldosa corno a conhece- ele se transforn~ou 1'11 ~ 1iL" rio. nu nt a l I . ln ' l V'Z <-lu h ln D1 é produto de Joãozinho e Maria. por detrás da '> sE ra de temor antes den10nía. Na época do sonho ele IDesrno não Esse jovem tinha sido criança ch ia de vida e de queria acreditar e aceitar essa constatação. percebemos mais claramente que a ela corres- isso recusava. D"leSma freqüência há nos contos de fada o aparecimento a tratamento. . o sonho desencadeou esse desen- ela me disse que era um pedaço do mundo. era a filha verdadeira.' ~\lit . devia sempre. Desenvolveu-o e decidiu esttldar mundo. qu pr duziram. uma vez. ensina-o agora a tou aos seus afazer s e escreveu algo no seu livro. e nlas. cra Illais velho preci. e a outra. no ânimo. de mãe e pai.. a velha a convida cordial- men~ conlO eu nunca poderá sair algo de razoável" ° Agora nlente a entrar. '\ n ia ' ra ti um tido por gra. ~-') nl 's tn L ' mpo.>a. E a bola é símbolo bem claro do universo. 1 • '::l tiv ':t le qu se aproxima dela com o intuito de servir. chega a um prado.i mos pelo COD to de fada de J oãozinho e Maria ° Com a U II e se afundava e n~ fant s ia ir\1[ " ulivas. a enteada. durante numa escola superior de arte. e a moça fica trabalhando para ela na verificou que tinha aptidã muito grande para a mú~1ca limpeza da casa e arrumando as camas. Quando.. e tratada corno a gata borralheira. da figura materna. minho futuro. pula atrás dele para recuperá-lo. enérgica masculinidad'. bruxa antiga. Quando estava pronto Como já foi dito. cai neve no vinha do lado materno. per. criar um pedaço do mundo. uma vi iva tinha duas filhas. part 5. que ela conhece. lV::l 1 ~ IT1 . Quando a jo- e talento razoável para desenhar. e onde um pé de maçã soli- através desse sonho. Após esse acontecin~ento apareceralll na n~ãe àquele que se esforça e colabora CaIU ela. Ele não podia mais '. Por isso. un"la.

na alma não existe parte superior e inferior.uação do homem primitivo. Porém. na frente do forno e da macieira. a espiga de trigo é a "filha" da do usamos o termo 1/profundo" para algo d 1.0.t alma. Tentem. aplicação e interesse ver. às insinuações maldosas de sua esposa. n'lui to imorais. Aqui faremos ainda algumas considera- modo que ela volta rica para casa. e J1. sem atender liar que descoberta incrível deve ter sido a transfor- aos seus pedidos. e em conseqüê ncia lhe são ofe- sonho do paciente ela tem ainda. ' ido' apenas o s lados demonía cos da natureza. uma faceta negativo-demoníaca de bruxa. em' chega também à Mãe-Neve. 4O É chamada de "a forte". A figura central do mundo 11 S11. Quanto.' m COmer o trigo destin. ~l m é ter. está no começo do reino no conto de fada pelo fato de que cai neve lá eIn cima Ic "Gr nde Mãe". alimentador versão de cima e baixo. pode certo n'lodo ele ainda é gratificado pela sua atitude co- ser um dos símbolos de transformação mais antigos varde. mas depois cai de novo pIritual de renúncia ao impulso natural. para a qual devíamos dar a maior tão. ignorando-o. cai uma chuva de ouro por cima da moça. a irmã preguiçosa quer tentar a L. mas desta vez cai UIna chuva de piche. ln ior? D sse modo o forno.1 8 não pode simpatizar COIn aquele que nem quer mágico é a Mãe-Neve. com dificul.un planejamento de dünensão fonte e é localizado por baixo da terra . a imagem de uma deusa da natu. Tais nha assídua. que em sua forma e funcão ciente. para l. r rmação de outra atitude.stinto mais forte e amea- viveu. mesmo para a moci. nCt p de esperar que lhe suceda nada de bom. Exatamente como no 1'H' n Lados na macieira. não deve ter custado ao tanto eln sua cabeça que não desgrudou mais enquanto hOInem primitivo suportar o in. natu ralmente. ela pula na fonte. d e da humanidade. e d e na preguiça. durante UIn inverno rigoroso e longo.se abre. pois assim poderemos ava- mesma coisa. Esse aspecto pertur. Ela também é levada ao por. à força. mas ainda cobertos de piche. I' . porque a transferimos uma noção de nosso mundo esp~cial para rO I" a do homem tem sua origem no pão. mundo do dia-a-dia da consciên. são muito bem repr sentadas c prov cl r de amadurecimento. e a in. ad r da fome. a fome. o final desse conto nos traz conceitos ciente. Nesta ação há realização es- dade. por parte dos nossos ante- recida e a manda embora. Na verdade. dadeiro podem dinamizar os lados valiosos do incons. bador negativo mostra-se também à jovem preguiçosa. esfruta dos tesouros que as crianças trouxeram. para seu próprio proveito. ções a esse respeito. race ta s são e ncontradas nitidamente no conto de fada por causa de seus dentes grandes. I usa do trigo. A natureza um complexo não espacial. e o r eino mágico v lver para fora da situação da consciê~cia de uma do inconsciente que pode ser alcançado atrav~s de uma . e foi com ela consciente. Uma atitude que. não son'lente fica impune fracasso e termina com o castigo de ter os cabelos re. ~ dar ao c forço para juntar seus frutos maduro s. Quem passa ao lado dele. De O forno.os transpor-nos para a si- Aí. Lá consegue. que domina seus e lementos . p~~ gostoso e comestível. o trigo . . re- reza.cia. pelo seu modo de agir altamente condenável. até que finalmente a Mãe-Neve fica abor. por exemplo.ado à semeadura e de desen- llm. Nesse conto de fada temos de novo as duas esferas. 'que as moças encontrarn primeiro.'lação d e um produto da natureza . passados primitivos. quer explorar de ma. No culto dade. que era fraco demais para resistir neira egoística e preguiçosa as energias contidas no in. é condenada ao deixar as crianças no bosque. O pai.'8tisfação imediata. A do incons. oS rvaç-es suplementares. trabalhar o primeiro dia. ç rresI onde ao simbolo de Uln seio materno . na Grécia. a respeito dele ainda são necessárias algumas ob- porque só esforços zelosos. já p rn'l norizadamente discutido. quando embaixo os colchões são sac udidos. Em reali. que colou atenç5. independência quanto a tempo e espaço . de Joãozinho e Maria. porque se não tivesse seguido o conselho mal- 72 73 . Quan. mas passa.

nW11 único dia. mas faz o bem". modo. mas são tipos de sonhos da humanidade. o mal é vencido por si mesmo e queimado no Os contos de fada. Contrário a isso" o fato Enquanto o aspecto bondoso da mãe sacia a fome de que. como lembranças de sua pelas normas éticas costumeiras de nossa consciência. com as quais a força tanto as experiências trágicas de sua infância. von Franz fala por isso de ética do inconsciente. por exemp lo. 41 No fundo. De certo um cobertor. não estão em consonância próprio forno. na reali- mesmo modo se aproveita de sua capacidade de traba. é relegado a plano secundá- lho e produtividade (Mada) para atender às próprias rio. por exemplo. de vinte e quatro anos. enq uanto as outras crianças se movimen- 74 75 . é o espírito mau da madrasta. como. teria ficado tão pobre como antes.doso da esposa.sim me informou. Aí continua aberta mente essas necessidades instintivas para atrair a criança a pergunta de por que justamente esse sonho fora esco- e depois segurá-la como prisioneira (Joãozinho). Do lhid o. porque a bruxa m esma larnb"m depois que teve a lta sua mãe e as pessoas amigas cuida- atraiu as crianças pela astúcia ao seu domínio. Há nesse vam meticulosamente para que ela se movimentasse o motivo algo da sabedoria do conto de fada a respeito menos possível. como nós o chamaríamos psicologicamente fa. e precisou ficar vá- -negativo. Amiúde esses tipos de sonhos de bruxas maldosas e mana. te encontramos uma relação bem clara entre tal motivo perioridade demoníaca é conseguida através d e astúcia. infância. porém. evidentemente. Aparentemente Maria. sonhou que entrava num bosque e de repente as "correta" quando leva a fim feliz. pelos pacientes. enquanto o utro material que. aprendeu algo. como nossos sonhos. rios meses no hospital.e que mente por causa da guerra. Quando nos esforçamos em procurar. quando tinha dez ou onze a própria natureza. só com a mãe. No Fausto. que a atraía e que ordenava às árvores que n ão a deixas· toda a ambigüidade de nosso problema do bem e do mal sem fugü' de jeito nenhum. quem sabe. que. também mo e devia ficar quietinha deitada na sombra. que sempre quer o mal. esti. sobre alguma vez usar de armas torpes e pérfidas. não tinha irmãos e cresceu freq üentemente leva ao sucesso. Durante o tratamento surgiram a cada das forças superiores da natureza. dade fosse mais ass u stador. Tão possessivas são referidos . simplesmente num sonho. em questão. uma senhora M. uma delas a recordação de que estava num prado cal- Por isso ele deve. Do oitavo ao décimo ano de vida ela fi- pelo seu aprisionamento dentro do comp lexo maternal. na luta pela sua existência. Maria. durante o tratamento psico- pouco. o conto de fada se interessa terapêutico. por exemplo. a tal ponto que ela reproduziu o que ouviu ou leu. que no fim causa a libertação da família fada contado ou lido. A. tanto que ela escreveu uma composição sobre e le na feles exprime isso pela Frase: "Urna parte daquela força escola. de repouso na cama. estamos expostos a uma abun- e recompensa o esforço. do conto de fada e a problemática pessoal da criança forma de agit. naturalmente. sendo de um único homem simplesmente não pode rivalizar. cou muito doente com tuberculose. Joãozinho e da necessidade extrema. no conto de fada do A paciente tinha perdido seu pai bem prematura- "Caboclo e o diabo" o U "O alfaiate corajoso" . A vitória sobre essa su. Mefistó. pelo qual o impr'essionada ou mesmo assus tada por um conto de pai é possuído. dânGia de percepções e impressões. Pode·se dizer. No conto. L.como. Lá havia uma bruxa uma conduta "errada" que leva à desgraça . Mesmo lando. freqüentemen- necessidades instintivas egoístas. com os problemas habituais da consciência cultural hu. em contraposição a árvores não queriam mais so ltá-la. na qua l se considera uma conduta anos. Assim s u cedeu neste caso: ma muito . Esse sonho a impressionou está colocada nesse conto de fada . a mãe maldosa utiliza precisa. que a criança ficou tão com efeito.que o conto de Fada.

Também na lo ' ln t a nto ao andar e dançar como se fossem atraves- depressão atual. A pa.er = mãe) do homem.tavam em torno dela e podiam brincar. Tinha os pés feridos e assim mesmo danç. uma vez que cada rnaturação e cons. dú o s primeiros passos. do sofrimento . que tinha conserva. Ela não se atrevia a . conto de fada da cobra.. corno a luãe pessoal. com seu lado temível. Na fera personifica-se que. . O processo de adquirir alma huma- trabalho construtivo e para movimentar-se. é evidente- sempre aquele mesmo velho e profundo temor e a mes. brincando com ela. com sua doença "Vamos nos transformar en"! feras. Essas explosões. e o corpo é a m . outro lado ela mesma ficou parcialJnente identificada Além disso ele esclarece o motivo do homen"! exilado com a bruxa. esse sonho que já havia sido esquecido há muito tempo. 38 que j á foi referido brincar bem com as outras crianças e tinha se tornado " TIL . destrói seus próprios reben. Lembramo-nos do inconsciente. rn ~ nte ligado a sofrimento e do r . tos e os reincorpora . urna vez que também e la tentava agarrar sob a forma de anirnal. an1adurecimento e consciência. tência do inconsciente.0\ sedução. No conto de Andersen. depois das quais sentia- ma1. tem o lado . entregando-se à ins tintividade e deixando presso na bruxa o aspecto de morte da mãe natureza agir sua inconsciência animalesca. que era urn tigre. poré m. do inconsciente. a levaram a situações impossíveis. A paciente sonhou: Durante a terapia. do rigo. rnostra-nos um sonho do começo do tratan"!ento .ava Então pela primeira vez ficou clara a relação desse . à qual pertencem também as camadas instintivas e para s ::ür da situação de inconsciência da sua neurose. A P ' quena Sereia". de um lado sua própria doença e os Até que ponto a paciente estava exposta a esse pe- cuidados dos familiares eram a bruxa possessiva. No sonho ela repele peJa primeira vez da figura materna que. de se livrar negativo que quer açambarcar a criança. não depressão grave e perturbações no seu trabalho. porém. para S' . daquele príncipe que no primeiro conto foi transforma- 76 77 . que surge na sua própria alma. isto é. surgiu de novo. T'rata-se aqui do significado supra-pessoal ele personalidade. mágico dian"! ser harmonizadas com o lado humano "superior" e sufocantes. esses traços possessivos.ãe. num Ego enfraquecido por uma doença psíquica. Para o estabelecimento dessa atitude ainda uma da s reia que seus pés. a instintividade inconsciente de sua própria natureza. ainda muito tempo depois do término de sua enfermidade. ace itei. pertence às características solitária. i nfelizluente acontece com grande freqüência. ter tido medo 't errível E s ta 'onhadora se lembra primeiro elo conto de fada de recaída. impulsivas do inconsciente. em sua incapacidade temporárfu. que já conhecemos do primeiro as outras crianças e segurá-las perto de si. lhe série de outros fatores tinhanl contribuído. Alguém. alguma das crianças até seu cobertor. para essa paciente. Então ela ten. Ela havia procurado o tratamento por causa de r e mos luais nada de nossa doença". Assün é ex. so. aí não percebe- atuaI. Este último sempre volta a amea- Ú\Va desesperadamente. crescidos do rabo de peixe. vivência da imagem da grande m . lne dis se: Ilho com seu próprio destino e também. ciente se l embrava agora de. ainda penosos e fracassados. existe aqui conexão com a -s e aliviada e sua depressão melhorava. Porém. Nessa época a paciente m . Visto que cada consciência Ao lado da depressão ela apresentava freqüentemente provém do inconsciente. para que ficasse o que. continuava na.atéria (do latino xplosões instintivas e afetivas. isso só dava certo raramente. Uma ação análoga emerge tmnbén"! que ameaça destruir seu Ego humano. de Andersen. rea. com astúcia e artimanhas. do fato de que tal instintividade era também o pecado cientização só se realiza com esforços e contra a resis.a insegurança diante da sua própria natureza corpó.dos I or espadas. que não po- do. Nesta situação. atrair çar obscurecer e anular de novo a consciência adquirida. num recinto. de ficar-doente-de-novo.

mbém. que a impres- tão chegamos a um a casa gra nde que parecia um sionou muito quando crianç a. O sonho fácil..e. e por a sonhadora e o p ássaro grifo. Nele vimos um cutar três lare fas que o rei lhe deu . o sonho de cima do armário da cozinha . conto de Grimm sobre o pássaro grifo. declara 78 79 . Mas . À direita havi a uma torre que i a se estrei. em ir buscar uma pena da cauda do p á ssaro grifo. e o son had or tem d e lut". A terceira consistia grifo. mas a pena da cauda do grifo e. J oão Ele achou ruim e correu atrás de nós. Lá encontra tro havia ainda uma jovenzinha loira e um lobo. Quando subimos A paciente lembrou-se .do em cobra e que precisava. a sua composição par meio dos e lementos lTlai s Ulua vez e senti seu hálito quente por cima de mais dis tintos. percorre caminho longo. den. En. "João bobo". Enfim e le chega à caverna deste. em relação a esse sonho. • Infelizmente não cabe aqui di scutir todos os porme- Estou andando junto com meu am igo em cima de tábuas numa águ a que e m a lg un s lugares é rasa. consegue curar a filha do rei. unicórnio. O grifo queria me matar.ra cima e que tinha muitas janelas. Para ter certeza coloquei-o numa panela com seguinte vem de uma mulJ. isso andávamos so b. devia ainda exe- Atrás da casa havia 11m jardim. durante o qual lhe são dadas meu amigo não estava mais lá. Ele tros similares. Ela me puxou para fora. grifo. dei-lhe um pouco de mel. mas filhos de um camponês. freqü e nte. Lá. Quando retor- reza instintiva animal. falharam. Então fiz de uma ce- moça. a ave ' voltou complexo.'e as tá buas. que pôs um ovo de galinha. o caçula de três tando pa. que o esconde do pássaro. Durante a noite ela tira deram bons conselhos : não devia comer nada. o consciente lança mão. mas o glifo entrou também . Esse urinol era eu! Eu contos de fada. uma velha. tudo estava q ue imado e deSlTIOronado. para poder casar ela. Nos nossos sonhos s u'-gem en tão: esfi n . sabia que viria ainda uma terceira prova . acima de minha de uma pessoa moderna esclarece a compreen s ão des te cabeça havia mais uma prateleira. Ali devia morar lima famíl ia de pastores. Quando por fim consegui introduzir o grifo na pa- Era assim: nela. do de novo à terra o e nxame tinha des aparecido. pre a comida que ele vinha buscar. e água fervente e aí e le se tornou outra vez o grifo .-a lamenl o psicoterapi:utico. nou pela terceira vez. lá estava sem- motivo antiquíssimo. arabescos. tinha 111embros compridos. Agora ha- lação à consciência. Nós a con.· con li'" e les. fênix. um rei está muito doente. sabe". do homem sucumbido à sua natu. minha ca beça. via se transformado em lobo e me disse: "Isto é mente. em estilo rococó com I ge.de libertação por parte da deixar tudo para o pássaro. Então matei O lobo. Fiquei admirada de como foi Disso queremos most r ar um exemp lo l ~. a transformação se devia à maldição porque bola um prato para e le . mas lá havia lIm enxame de abelhas . harpi as. ao passo que seu s irmãos mais velhos e mais espertos tornamos. ccn tauros o u mons. e a estranheza e di s tanciame nto em re. Linha virado fuinh a. Aí. De repente.de vinte e oi to anos. Escondi-me numa ainda três perguntas a serem feitas ao grifo "que tudo casa sem janelas. das imagen s da zoo logia fantás ti ca de m i tos e um urinol m aravilhoso". Nesse conto a filha de castelo. quando este acorda . Escondi-me na prateleira ele tinha seduzido uma órfã. estrangulando-o. e a mocinha e O lobo me pois ele come qualquer cris tão. Eu tinha um gosto doce na boca e achava ruim ter Para exprimir a estratificação ex trao rdinária de um comido a mesma coisa que ele. a mãe do grifo. Ao lado da água existe uma mos de nos limitar ao problema central: o conflito e~tLe estrada. nores desse sonho t ão colorido e rico em símbolos' te- em outros profunda . s u rgiu logo no eomeço de t. e rimos dele. Dessa maneira. e mostra a origem do lnotivo .

Visto psico logicamente. e ntrarmos em con- ao diabo. c uj as p rofu nd idades pes- do ra. Conhecemos o símbolo do grifo já dos tem. Está claro tratar-se de força que ainda é considera. porque ele tem garras n os p és. É justamenl rior n co nsciência c hegan1 a ser ameaçadoras. 80 81 . tão grandes como . significa aquilo que aqui J11aS d eve viver con tra e la. é que ela con segue evadir-se do p erigo em casa e pode casar com a filha do soberano. tanto pa ra as forças que traba lham d e ntro de nÓs co- pos pré-cris tãos . e isto é n 10 temíveis. exercem influênc ia m a lé- de ouro". 43 o herói precis a ir ao inferno e consegue lá. João chega sãq e sa lvo m oça e o lobo. rn o p . e da qual a s onha~ A análise dessa mulhe r . e d esse modo O embate com e le te m validade que. mas também o opos to é contido n e le. Evidentemente. n ca até nas nossas atitudes e atos. Mas o grifo te m assass in as. aniq uil adoras. alé m disso. soais não podemos es tudar mais explicitamente aqui." -a as do mundo exterior. porque assim foram criados. q ue . mas também para os I'n o r _ ainda próximo do lado ins tinti vo. e dade.: se I' realizada. os três cabelos do pró. o conflito com o ser aparece na imagem do grifo. idé ias e emoções que não são bem a co lhi- combinação d o diabo e sua avó. e n ão são ne m boas nem muita gente diz que a parte ante r ior da cab eça deles é n. das cos telas. pode por o utro lado ser idêntico ao s upremo b em o corpo de boi. Também no conto d e dos e os rec usamos. nesse conto de fada o grifo é wn A maioria das pessoas conhece. e e la se e scond e . Podem ser. com a ajuda da avÓ do diabo. Somente importa qual atitude o nosso Eu corpo maior que oito leões e é mais forte que cem to rna c m rren te delas . A descrição mais completa é d e Sir John Mande. Se. deve fugir. co le tiva. quando estes animais v ão ao carl'lpo p ara ele 'se s ímbolo exprime.que teve um sonho mau e ao mesmo tempo c onsegu e Some nte com a chegada de outras forças d e soco rro . velmente superior ao Ego consciente. Faz parte do elemento trág ico do timos sobre qual o s ig nificado que tem para a pacien le ho m e m viver sempre esse conflito . a dele a resposta às três p erguntas. anima l-natura l da p s i. tal situação. cl1cl'g ias contidas na natureza ligam pouco para nossa ville 42 no capítulo 85 de sua viagem famosa: "Além On ~c pção de moral e para nossos pensanlentos de utili- disso existem lá muitos grifos . perigoso para os homens e h os. e por isso es tá les q u e sofrem de neurose. demoníacas. não só para aque- inconsciente de força superior. e isto é válido prio maligno. "O diabo dos três cabelos xan1 reprimir e. E anitnal . ao contrário. as nio . devastadoras. quanto ao grifo . qual deve e scolher para a águias. então com sua força muitas vezes s upe- passa também como símbolo d o Cristo . mai s". ou dois 11 jus t::lln e n te esse fato que a duplicidade de sign ificaçãó bois atrelados. g r au. mas que ass im luesmo não se de i· fada quase idêntico a esse. De qualquer m o d o. apesar d e arar. imine nte d e ser d e vorad a e engolida pelo compl exo. 11. Porque não há dúvida d e que e le pode levar tun "n l'l11açào de sua humanida d e e luta p ela existência. em si. co- igual à da águia. destruidoras e a verdade. em m enor ou maior ser aitamente maligno.1. las rep resentam o b e m s upremo. cavalo e cavaleiro. é neutra. Sua convivência com a velha lemb ra a pensa'm e ntos . quando é descrito por Heródoto e Plí. e infe liz- esse contraste que nos parece important e.11 a LI . porque e le difere do conflito com ess a imagem an ima l justa mente nj sso : não v ive denlro da natureza. pelo qu a l a vida rece somente como incorporação d o maligno e é idênti co poth. em vôo para o seu ninho. E las es tão. niosn conl as forças profundas de nossa natureza inter- No simbolismo medieval esse a nima l mito lógico apa. trem e ndo de medo. ou seja. m 'l1tC. A Co rça da natureza. quando nosso con s cie nte se enche de til aos cristãos . quando I'erl e. muitas vezes. e o g l'iro r1ito com e las. arcos para d eflagra r fl ech as". tanto solíc itas e c he ias d e bê nçãos. Quando conseguimos travar re lação harrno- b eb er e. e a parte posterior à de leão.ás. mais do que alhures. evidentemente um co mplexo uni nla lesco diz res peito a todos nós. Assim. Dessas garras se fazem recipietl tes pal~a C:10 ri s to.

confirmou que n a imagem do g rifo estava contido um Mas. o ancião d o mar. n ão apareçam para casa. Tal d esafio típico d e traJ1S- t:'I se ' lra n SrOI"m a rC1TI. Ao la d o da fig ura do 'r ifo ai nd a está con tid o n sonho segund o motivo que é [ n . Urna variante. Está na luta de tl-ansfo rm aç'úo que se Jcscllvo lve p aci dade de tran s forma ção das figuras mágicas. mas este n ão ferozes. após ser n1orto. os m o- de Pro teu: 75 tivos e enredos d os contos de fada por nós con11ecidos. animal co m asas) e le tinha esquecido a arte enganadora. n o conto de fada que procura Pl-ender esses conteúdos marginais e fugiti- J' O aprendiz d e mág ico" . F luiu como água e ramalhava como uma árvore uma vez qu e e la sente o gosto de mel na boca quando nas nuvens. e da qua l j á for- nec i uma interpretação analítica minuciosa no 111eu li vro co meço. re- bem laro com os conteúdos do inconsciente que são conquistar s u a própria feição .Individuação nos con tos de fada das mjl e u ma n o i. Trata-se de narra tiva do c iclo "His- I sso era a tarefa verdade ira da análi se. M as nós o seguramos. mis turadas com idea lizações em tbrno des tas. Nestes a fan- neira muito emocionante a capacidad e de Lran sforn1a ção tasia criadora do inconsciente combina. onde pode tornar-se " co- na qual uma princesa que tem forças mág icas liberta o mestível". Ê justamente o processo analíti co formação encontramos. 43 no qual o herói. fantas ia s e pens a. o anCla o divino saiu da água complexo d e reivindicações in s tintivas n ão dominadas. motivos mitológicos ou de contos de fa d a . n a lu z da consciê n c ia t a mbé m furtivamente e presentes nol rococó altamente poético. Andou entre as focas gordas e as contou. pondênc ia interna da so nhadora com esse ser fabuloso. transformado em macac o. ças e jdéias contidas no comp]exo inconsciente arnadu- formações. Tal série poderia l au e seus companheiros a conseguir do próprio pa i Pro. e que costuma01 emergir nhadora se trans forma també m . prolongar-se ao infinito . O sonh o também a centua a corres. O grifo De repe nte nós nOs levantamos e com g ritos era para isso preci salne nte a imagenl mai s adequada. esse pl-ocesso o fa to de que no final o grifo pode ser para conseguir o anlor de uma princes a. O g dfo vi ra lo b o e di!"i uldade e m seI. sem medo na a lma . No sonho. o mág i co. in t itula d a: "His. corres ponde a dido as artes m ági cas. pois quase n ão h á tratame nto le u . 82 83 . encontra-se nos con tos d e fada orienlais das reCC ln e e n tSo podem ser u sadas pelo Eu consciente. dragão azulado c javali zangado. mil e uma noites. luta contra seu mes tre . em geral.atingida e apalpada . Entrelaçamos nossas m ã os.um parale lo daí fuinha. em maior ou m enor número. quer di zer que as f or- herói. c apuzes de s ubir ~I con sciência . mos tra direção ao ll1undo das idéia s. está c ontida nessa ca- fada. tendo a pren- vos e acop l:i-los à consciência. Comestível. a profecia sobre a volta del es no qual. para so nlen le no Cirn. num desafio de trans. a sua entre a sonhado ra c O ser fabulo so . e as si m o d es- tó ri as do carregador e as três dam as". pass and o a ser um u r i. p or exemplo . Primei I-O e ra ele UJD le ão com crina terrível mentos. O s versos correspondentes d escrevem d e ma. no trecho onde a deusa Eidotéia aj uda Men e. lüen le nos CO lltos cl· Do ponto de vista psicológico. fec ho do sonh o fornece a possibi lidade para um novo tória do segundo frade m endica nte". o qual a humanida d e sempre li go u por analogia ondulante . O espaço à nossa disposi ção não nos permite ex· t es" . De pois pantera. rada e m son hos de pessoas modernas . 20 E n con tramos esse m ot i vo tambélTI n o mito da ceder desses poucos exemplos d e mot ivos d e contos de Odi sséia. o grifo come este a li mento. à tarde. I. apanhado e levad o à panela. em torno do ancião. porque como leão e le s imboliza atitudes inl puls ivas e Rapidamente. ao vôo dos p ássaros. e c omo águia (i s to é . Ao mesmo tempo a so. nesse caso.

de modo que correspondem à pro. alegrias de viver podem ser adquiridas através desse meio. com a qual podia defender-se contra '. no reino 84 85 . ou através de pacientes . o que leva à compreensão mais pro- funda dessa linguagem especial do inconsciente.. muitas v ezes o rientado para o técnico e racional. contido em incontáveis mitos e conto s de fada. tenta"" atra- vessar um rio . coroo neste caso. vieram nadando pelo lado esquerdo duas espadas. em sua direção. interior da alma. e seu sentido. mas sim devia apenas limitar-se a uma a ti- tude defensiva. a imagem da abertura de nova esfera blemática individual do sonhador. en- prio e llidividual. Sem es- se conhecimento passa-se freqüentemente ao largo desses símbolos: a pessoa sonha um conto de fada e não o sabe. cujos pensamentos e idéias estavam cheios de números. uma delas era espada curva oriental. Um comerciante. contratos. Quando se experi- consciente compõe dessa maneira o conto de fada pró. É de grande valor para o psicotera. onde um hipopótamo ameaçador o im- pedia e ameaçava devorá-lo. e quantas peuta conhecer grande número de tais motivos arquetí. e se comporta como P a rsifal em sua primeira estada no castelo do Graal. a rec ompensa para a vi- tória no combate ao dragão do conto de fada é. cheias de vida e de sentido mis te rioso. Quando o perigo era ex- tremo. picos. ofertas etc. nlenta isso em si lnesmo. de vivência e de existência realizada. A imagem lhe restituiu a confiança em outras possibilida- des de sua alma. tende-se que é o enriquecimento da existência. em sonho. O lll. qu e voltou a p e r - der O valor porque se esqueceu de fazer urna p e r g unta. é uma experiên c i a impress io- nante quando de seu interior surgem tais image ns co lo - ridas e variadas. Para o homem hocüeroo.0 monstro. e que sofria de sentimento de vazio maçante na s ua existência. Princesa ou tesouro. co- meçou a viver de novo quando. Dessa maneira ele sonhou com o antiquíssimo motivo do com- bate ao dragão.uns com os outros. entendeu ao menos que dentro dele havia a lgo diferente e mais importante do que s ua firma. Quando nem aq ui no sonho lhe surgiu a idé ia de matar o monstro e atra- vessar o rio. nos quais costumam acenar ao vencedor do dragão uma donzela ou um tesouro. que poderiam reavivar e e mbelezar sua existência. Joga-se fora essa parte valiosa da sabedoria c ul - tural antiquíssúna.

COJU alguluas"-alnigas.Imen le foi menciona~o.t: a her:oina de um co~t. 86 87 . s umiu temporariamente por causa de prob!e- portamento. tarllbém não sabi a em qual lugar cab ia o moti. Pode ser o caso de um conto de fa da cia. Seu fascínio foi lão gra nde e le só apa. Agora .. que sobressaíam logo à pri- 5 meira vista.s> <!c gue m ""-. parcialmente.!a. metodicamente. em s i mesmos.9 de fagª. como no pri- vo do sonho. ."l. li o conto de fada.análise.. Como eu tUl]'lei a p roc urar. Naturalmente era diferente o pap~l que esse~~ ­ notável e esquisito certo lTIOliv o que se e n contra. ê ficou fortemente comovida. ~ essencial o fªt. e~1ulher j ov!'1J1 não e ra e l a mesma. pel a qua l tras ocasiões el e voltava por causa de interpretações uma pessoa foi profundarnenle fasc inada en1 sua in.nálisc. mas de qualquer maneira este possuía cer.-ecia por · pouco tempo e os paralelos eram que em criança.l ~mpor. existian1. m as que a grande-I11a ioriª-. mas lelos similàres -que. de modo que o conto. e desellvolveu efeitos que o adulto quei que se tratava. encontrando para- Não só os motivos oníricas de contos de fada. minh~s.!lt~ purant'O' tl1~a série de horãs de j:rata: inte rior.acos- ca havia tecido em torno desse conto de fada. até mesmo dos sintomas de sua doença. tempo d a análise. O conto de fada te- apresentar relações profundas com o destino.s._ Nesse meio tempo . mas teatro sobreele. meiro caso c itado. doenças e fraquezas e ainda com m éritos mas atuais ou pes soais .. sendo anali s ta. a tratar a sério fundos tico. Ela associava a um son ho ca. o mundo ve pap".a pa- ciente mesmareleu o conto de fada.. Em todas essas peSSOã$.va no de fada exerciam no decorrer da. os lnes mos paralelos com sua dinânlica psíqUJ- à margem de outros rela t os. por_um E9"1Q. e de llnl pacien te UJ11 con [O de fada TO. Desse modo se tor. modos d e com. certas formas de experiência. -l o nau evidente que. sibilidades diferentes. mais_ ç!ª-ros. o nde . Entre esses havia uma gama de pos- ta semelhança com as imagens que s ua f-antasia. fada. Numa p essoa começo d e um conto de bda. às vezes e la mesma fazia que retornasse e em ou- ou uma história parecida com contos de fada. encontrava-se esse conto. çle fada preferido ou mitológicos emergentes. na épo. Então fi- quei perplexo com os muitos paralelos existentes em re- lação ao destino e à vivência dessa paciente.. tinh a fcito Unl mais registrados por mim do que p e lo paciente. mal podia l embrar-se do enl outros casos. podem meus.de meus pacientes podiam Há mai s ou m e nos quinze anos encontrei p e la pri.:iyia cOfllQ se fo. no centro do interesse. porque a amava muito o u li cou p or ela aterro. e que quase aciden l •. Mais tarde esse conto foi esq uecido ou reprimido Desde essa experiência comecei a prestar atenção a e submergiu no inconsc ien te. num núcl eo determinado. r izada. por certo conteúôo. ainda comp letavam os também certos contos de fada. porém. durante toda a-ª. nunca tinha percebido como tendo conexão com o conto. n ão de manifestação única ou rara. pois para que tivesse inspirado muJto medo durante a infânCIa . semelhante. porém. teve de fato papel essenci. mas de vez em quando reapare- e forças do homem. achar ou indicar um ou dois contos de fada desse gêne- meira vez na anãJ i. Logo verifi- vitalidade notável . fância. mas _'. mim também estava muito vago na memória. em certos pontos do processo analí- tirilia aprendido. conservou esse fenômeno também em outros pacientes . conviflcentes e da infância numerosos ficaram esses paralelos.' mais ou m e nos c1~ênte. 11)ento.1_conto_ d!'. Quanto mais e u pensava sobre essa paciente e a res- O conto de fada predileto peito d e se\.

não têm qualquer interpretação para infãntis com representações de motivos d eter!1ún a d os CI leigo . À medida que o s contos de fada realmente tiveram mo qualquer pode facilmente verificar. e é por isso que se coloca a questão . Para isso bastava que o terapeuta prestasse atenção nesta . animais são mandados embora da eh. anos. pode ser expresso des- dições de observar esses contos fascina ntes na a n á lise sa maneira e é difícil encont-rãr outro meio melhor. aqui pode freqüentemente ser observado O fato de desse tipo não são muito freqüentes . dos. sobre tal an ta OllU"O e atra vés da janela entram na casa. especialmente no grupo etário de 4-10 fada preferidos fiquem bem próximo à consciência. Gr aças à a tividade de muitos do s imbo lismo de imagens m'!Í(. cisnes" . existem várias provas . m a-se no couto um ~m~e. cor. M a s e les m uioda dos casos realiza-se a troca d e tal maneira que bradam alto.Qu men. Esses paralelos. exis tência de contos de fada prediletos ou muito temi- ferido?" poucas poderão dar resposta verdadeira e ho. sobre um a o novo conto favorito é centralizado sobre sinlbolismo realidade objet iva d os contos d e fada preferidos que s im ila r.re~on· . Es- 88 89 .-õutrossim. co. anotações d e s u a cns~ ele s eu dono porque eram bocas inúteis. por exemplo. confirma que já bem cedo for- Outro fator de objetivação se r elaciona às obse l'Va.""''' ' infância (8-10 anos) sobre as representações hav id as com l1~nt e do conto é o trecho em qu e os anilllais.g. Na grande eia disto. que a s crianças mudam de contos favoritos . Como é conhecido. estatisticalllente não são relevantes. apoderando-se de fada. f e nômeno de relação intensiva entre o conto de fada e a por meio de qual es t ratégia podem elas ser trazidas à problemática psíquica da criança. Po- Naturalmente. Não acontece de modo algum que os contos de elos pequenos. e um quarto grupo tinha a poss ibil idade b é m e m adultos. por exemplo . como. como as dos adultos. como é sabido. por vários anos. e são na verdade raridades que aparecem tam- desses contos. até en tão . em d e termina- ções direta s de c rianças. quando de fato estão presentes.5 exato quant9 anos enl análise e terapia de crianças. Outra pergunta é. A pac iente antcriorn1enle 111 e nc io · nada tinha. Numa p arte dos p acientes esses "lI1igos:'. o conto começa cc'f i o fato ~"'~' '''' contos de fada prefeddo s podem s er obj e Livad os.i!!r~l que. "A peregrinaçã~ d~ aW9":' mais tarde serão relatados durante a análi se da pessoa c ."\~ o tema d e seu conto. !c'ntes à si tuação do menino do as il o. O ponto c ulmi- Yç{. Um terceiro grupo tinha. li cos.ssencia~s. quais os m e ios para qu ' caso d e UDl menino gravemente perturbado . estava e u eUl con· aos seus cOlnponentes _e. feito quando garotos . Na maior parte essas histórias estão subme r sas ou p e r g untasse por e les. Tinha uma sintomáti- promove r o processo de cura e de individuação dUI ·a nt. o seu conto de fada pre. Terapiª-s analíticas d". esses grupos não são gra ndes . também -de muito tempo e POdelll familiares que ainda se lembravam daquela fa scinação. n compulsór'ia e xtravagante de quebrar com a mão e o tratamento. dese nho s em bora e videntes. Quando se per. ças na terapia de jogo. Aqui também existia o mesmo no inconsciente. diante cja C6Í':. Isso. e em conseqü6n . Di sso cI que os quatro. um jogo d e poli c hine los depois de terem afugentado os ladrões. um papel nessas curas e foram enquadrados pelas crian- gunta a grande número de pessoas.9j" e "95 seis. notava-se sempre entre elas a tico: "Qual foi. -so bem um sobre o / de histórias que escreveram em cr. Outros pacientes ainda di spunham jane la iluminada da casa dos ladrões. por exemplo. pr longar -se.10 alfaia te cor~j9so" ou "Os s~te ÇOSV. crianças_ preci- de perguntar sobre a exatidão de suas declarações a sa m. e conseguem uma casa para si mesmos ' de sua narrativa. a fim d n o ve anos e provinha de um asilo. que tinha esscs contos possam ser usados n a terapia. e exemp los n~ rn . nos quais sobressaíram claramente os AJotivos d e la uta r e feição. O mais saliente foi o consciência. da escola e dos edifícios p(II. adu lta.. Esses contos se encaixam de n10do rc la tt · vanlente independente e natural na metodolog ia ge ra l es I i I haçar o s vi trais do asilo. na sua infãncia.. sem preparo analí. Seu conto d e fada preferido era "Os quatro o) da psicologia analítica.i ança.

recrudescia outra sua teoria de sonhos e le ainda acreditava piamente que vez. e o reestruturavam constanLcmente. natu- Nos primeiros tempos. do analista. me ocupa. que sozinho logo os pontos onde e le provoca esse tipo de interesse fa scinou toda a infância. sas observações confirmam. Não existe dúvida relação ao conto. désenrola no quadro dessa estrutura ou complexo básico. voltavam semp r e a essc s itu ação analítica). indicação clara da atividade intensa do fator s ubj etivo ridos nos primeiros anos 'de vida. vai se ocupar especialmente dessa esfera. mas sa fase diminuía de novo quando m e u próprio empenho não os problemas fundamentais. quando eu. que os contos. n úo seriam capazes de se lembrarem de seu conteúdo. afinal. essas palavras não existem na Esses pacientes. total ou parcialmente. o pequeno COnLO. mas. Esse tipo de atividade do fato r subjetivo levanta. surgiam reações de desapontamento a través de insultos. independente da realidade externa. a mim me parece duvidoso . Assim. pinturas ou esculturas em na análise a lgo tenha s ido evocado. Mas se esse conto. outra pergunta: aquilo que os pacientes me muito fascinado por esses contos de fada prcdiletos. Tenho a acrescentar que. De vez em quando m a ções primitivas infantis da fantasia. num relacionamento entre duas pessoas. va psíquica J8 na qual os processos nucl eares da neurose Aconteceu mesmo que um paciente me acusou de não têm s uas raízes. que os pacientes lhe conta- va novamente com o tema. na análise. mas na realidade isso não ocorreu. é realmente aquele mesmo. de que os compo. baseado em certas revelações. Eles o li gavam a seu número de objetivações não é suficiente para excluir que problemas. a hipótese de Freud. sem que eu os forçasse. e se não se acha justamente numa fase de Qunndo se cuida da observação de crianças verifica-se resistência. dá certa cor à atmosfera de tal situação. ' . por si mesmos. aliás. foi um gran de abalo para ele. senão esses resse libidinoso. a os primeiros casos me tinham mostrado as reações vio· verificação de que se tratava de forma ções da fantasia. dá nentes fUlldamentais da estruJurª--'psíquica. principalmente depois que c o levou a uma alteração de sua teoria psicanalítica. tre as pa s porque. faziam desenhos. le ntas que se evidenciaram por causa da concentração Apes3l' disso costumamos dar grande valor a essas for- de minha l'rópria libido nessa esfera. de vez em quando. ocupava por vezes interesse secun. correspondiam fiel- quanto a mim . quando eu mesmo estava ralmente. nunca saía da análise. tomei atitude discreta e cuidadosa quan· men le à realidade. Desse modo. "só" algo de "acidental· /l aconteceu que nos pacientes suscetíveis a essas imagens lucnte escolhido? (escrevo 'ISÓ " e "acidentalmente" en- esse conto favorito vinha. quanto aos contos de fada. d· quc os contos de fada preferidos tenham tido lun Esse não é acontecimento muito m isterioso. Ct!rl'o i nte. já _são_ ildq!:Ji. mudam de preferê ncia. enfim. to a interpretações e alusões. ram dc seus primeiros anos de vida. mes- posterior aproblemática psíquica fundamental sempre se mo que o anali sta seja externamente muito reservado. Es. quc me é indi- cada paciente que for um pouco sensível "descobrirá" cado na análi se. Por isso não é enfim tão importante na querer conhecer seu conto de fada predileto nem achava análise que os contos de fada prediletos de fato estejam necessário lê-lo. os traumas sexuais graves. d etenninada esfera psíquica de um doe nte é evocada.J (\ . realmente. e que também na vida dentro dos acontecimentos de contratransferência. O conto de fada predileto. e na mudança é esco- se dirigia a outros domínios . papel l'e lcvante na infância dos p acientes . Ih iJo um co nto semelhante. e con tam na análise é. 91 . aconteça o mesmo que atitude do paciente. às primeiras lembranças infantis. entre e las. tão claramente estabelecidos na realidade externa da in- 90 -0. 'depenaenoo aa que. em primeiro plano. Como já foi menc ionado. leto de sua infância" ou. "o conto de fada predi- sem que tivess e intenção consciente a esse respeito. Pode ser possível também contudo. O conjunto. e elas formam. uma realidade objeti- com refer ência à pouca atenção que eu demonstrava. Acredito que essa descrição da veemência com a qual hoje em dia mais ou menos aceita. Quando Freud formou dário.

fância, mas é de importância vital que eles abranjam o Use, injustamente, c lassifica como meros restos infantis
fundo mágico-mitológico do inconscienle coletivo e com são muito mais vivós e operantes do que nós geralrnent~
isso o simbolismo do complexo cenlra l do paciente. Em nos perrrlitimos admitir. Eles est ão entrel açados, como
favor russo fala também a grande individualidade dos expus num trabalho anterior, 47 e encontramos nos so-
contos de fada indicados. Nos últimos quinze anos nhos e fantas ias uma abundância de motivos m ágicos e
examinei e tratei mais de cenl pacientes que durante a míticos . Acredito que precisamente o conto de fada é
anális e me jndicarrun unl conto de fada predileto. Na muito adequado para simbolizar as energias Iibirunosas
compilação que fiz durante a primavera de 1974 44 eviden- contidas naquelas camadas e assim preencher o arquéti-
ciou-se que setenta pacientes indicaranl quarenta e nove co em si com urna in'lagem especifica. que é capaz ' de
diferentes contos de fada prcd iletos, de n~odo que se po- dar às ener gias instintivas uma direção s inlbólica e unl
de afirmar que a maioda del es tCITI o seu conto favo r ito, conteúdo cheio de sentido . O con l o de fada tem, mais
e que apesar ela co letividnde dessa rnatéria o s ing ula r se c laralTIente que o mito puro, e lementos mági.cos e mito-
impõe, com referência à escolha. lóg icos entr emeados, de modo que corr"sponda à cam a-
J. Gebser 45 d emons trol) q u e filogeneticamente e on- da do inconscien te coletivo e, além disso, é mais pessoal
togeneticamenle certas esferas tên1. papel itnportante no e mais relacionado com a vida humana do que o mito .
desenvolvimento da consciência humana e que elas, ao Este, n1.uitas vezes, se desenrola entre d eu ses ou heróis-
lado da consclencia I~aci nal ou subconscientemente, -se n~ideuses. Ce.rtamente pode-se fazer também a pergun- C''
continualTI conservadas, e que são cD-dec is ivas nos pro- ta. "Qu a l é seu mito predileto?" Mas então se recebe-
cessos criativos. Para nós, antes de t ud o, são de impor- rialTI ainCla menos resposfas; especialmente nllIIla época
tância aqu i as fases da con sci ê n c ia mágica e mítica, qu_e ~m que, após a fúria desg~çada, durapte a qual fomos
E. Neurnann tanlbé Ju inc1ui na s ua concepção do desen- lDfla~onados por um mito, deveríamos com certa razão
volvimento do Ego infantil. 46 • O pdmeiro__e nlais P!""irt:.l i - nos tonlar hostis ou negativos a respeito de mitos. Uma
tivo grau de desenvoJv i"1ento da consciência é, segy.nd o outra pode ser a de que, inconscientemente. estamos
Gebser, o lnágico, no qual 3 co n sciência tenta se libert~r ~era lrnente envolvidos num nuto vivo, ao qual estamos
da participação com a natureza circundante, pelo prin- ll ~ados com u~a in tensid ade religiosa: seja o cristia-
cipio do poder. A mag ia, co n"} seu encan t amento _e .~~ us nIs mo Ou o rn1to novo do marxismo cien tífico. A volta
ritu ais, é didgida ao poder c a apoderar-se dos oo)etos, ao conto de fada significa en tão que ele é o mais arcaico
corno também se refere à s ubnlissão das forças da na- ,e o fllais primitivo, aquel e que justamente contém os
tureza e ao seu dominio. E1TI compensação, emerge na e lementos compensatórios que faltam à consciência.
fase mitica, pela prim.eira vez, a consciência do tempo Quero ai nd a dar três curtos exenlp los de casos n os
e com esta os processos de conhecimento. Em contra- quai s deveITl ficar bem c laros os paralelos fundamentais
p'osiÇão ao ' mágico a consciênci a nlítica é muito ma.is e n tre estrutura da personalidade, neurose, e conto de fa-
determinada por uma curiosidade mais inte legível e pro- da predileto. No- primeiro trata-se da paciente, já refe-
cura espelhar tan to os acontecimentos da natureza co- rId~ no começo, na qual encontrei o fenômeno pela pri-
rno os da própria psique, em grand es imagens s in1.bóli- melra vez. Era urna mulher de v inte e d o is anos que me
cas, enquanto a experiência do sentido destas leva procurou no ano de 1961 por ca u sa de uma síndrome
ao conhecimento do mundo interior e exterior. Dentro de abasia e astasia. Afora isto e la apresent ava medo
do nosso inconsciente, isto é, por baixo d e nossa cons- depressões e idé ias de suicídjo e fjzera até uma tentativ;
ciência racional, esses primeiros degraus que a psicaná- de dar término à vida por meio de comprimidos. A di-

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ficuldade de locomoção era considerável. No começo a para cima. Lá, encontra um navio em festa, no qual um
paciente vinha com um acompanhante, de taxj, à .minha jovem príncipe comemora justamente seu aniversário.
clínica, e de vez em quando não era capaz de subIr urna Durante a noite surge uma tempest ade, o navio nau fra-
pequena escada dentro da casa, que .lev~va ao meu con- ga, e a sereia salva o príncipe inconsciente. Ela o deita
sultório, de modo que parte dos pnmelros trata!ne:r:tos na praia e vê ainda como ele é encontrado por uma
foram realizados na entrada da casa. Desde a tngésIma jovem.
hora começou uma gradativa melhora enquanto ao mes- Daí em diante ela sen te um amor lânguido pelo prín-
mo tempo ela se queixava, dy.rante certo período,~de cipe e continuamente nada pela vizinhança de seu cas-
dores reumáticas e cortantes nas pernas e nos pés. telo. Enfim a sereiazinha decide nadar até a bruxa do
, Na sexagésima segunda hora, com relação a urn so- mar, para conseguir dela um remédio que lhe dê pernas
nho, surgiu espontaneamente . a lembr~,nç~ do _con~..? de humanas em lugar de um rabo de peixe. A bruxa mora
fada preferido de sua infância. Era o Ja cltado conto da num bosque terrível de polipos e trepadeiras, que se
"Sereia" de Andersen, 38 que aqui vai ser discutido mais agarram a tudo e apertam tudo o que há na sua vi-
d efia -amenfe. zjnhança. Com grande horror ela vê lá, entre outras coi-
Nessa história encontra-se no fundo do m.ar o cas- sas, unla sereia aprisionada, morta . Passa ilesa pelo bos-
telo do Rei marinho, cujas filhas eram educadas pela que e chega até a bruxa, a qual faz para ela uma poção
avó, porque ele era viúvo há tempo. Em frente ao ca:- Tllágica, que transforma seu rabo de peixe em pernas.
tela havia um grande jardim. no qual cada um~, das seIS Co mo pagamento ela deve dar à bruxa a sua língua e daí
princesas fizera um canteiro. O da caçula era redondo em diante fica sem fa la. E também suas pernas , a cada
como o sol e só continha flores de cor avermelhada, passo, irão doer tanto, como se estivessem sendo cor-
como o "astro-rei". No meio havia uma col una com a im.a- t ada ' por espadas afiadas. Só- lhe resta a beleza de seus
gem de um menino, de mármore, ao lado. de unlt cho:ãO. movimentos, a capacidade para uma dança muito bonita
, Desde a idade de quinze anos as pnncesas podIam c xpressiva para conl ela conquistar o príncipe. Se,
-subir até - 'a superfície do mar para ver os navio~ e o p rém, o príncipe se casar com outra , ela 'deverá morrer
mundo dos homens, dos quais a avó lhes. tinha falad? na noi te das núpcias.
muito. Diferentemente dos homens as sereIaS pod em VI- Quando a princesa bebe a poção encontra-se acor-
ver trezentos anos nunla juventude eterna, mas não dando de um desmaio na escada do palácio. O principe
possuem .~_!m-ª imQ1j:al,. e após sua morte, se desvane- d esejado se inclina sobre ela e a leva consigo, mas trata
cem na espunla do mar. Somente quando um homem a moça lnuda e estranha sempre como irmã. Exatamente
amar tanto uma delas, a ponto de tomá-la por esposa, COlTIO a bruxa predisse, ela sofre dores atrozes a cada
, e que o sacerdote lhe der a sua bênção, é Slue a alma passo, mas sua dança encanta a todos na corte. Um dia
, do homem flui para a sereia e ela compar.tIlha de ua o principe lhe comunica que ele devia casar-se com a
I imortalidade. princesa do país vizinho, mas que não o fará, porque
. Quando as irmãs vão alcançando o d écimo quinto anla a moça que o achou naquela época na praia e o
ano de vida, uma após outra sobem à superfície do lnar salvou do naufrágio. A sereia vai conl e le ao país vizi-
e depois contam, embaixo, as suas aventuras. A caçula, nho. Lá o príncipe verifica que a princesa é aquela mo-
cuja ânsia era maior, devia esperar mais tempc;> , mas cinha e com ela acaba se casando. Todos os esforços da
enfim chegou seu dia . Vestida com as roupas reaIS com sereia fOl"aD1 em vão, e na noite de núpcias, que se
seis ostras incrustradas em sua cauda de peixe, ela vai r ealizou a bordo de um navio, ela está tristemente sen-

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tada no convés. Aí suas irmãs emergem das ondas e tra- pacientes, ~ujo conto favorito ora também "A Sereia",
zem-lhe uma faca enviada pela bruxa. Se ela transpassar de- Andersen, existia igual tendência para o mundo da
o príncipe com a faca, e o sangue dele fluir sobre suas dança. A dança significava para elas união rítmica pro:
pernas, então estas se transformarão de novo nurp rabo funda com a esfera vegetativo-sOluática e a . cap.açidade.
de peixe, e ela poderá ainda viver seus trezentos anos para uma- forma de ""expressão li~ertadora. I gual ao con-
como sereia. Ela hesita muito tem.po, COJl"l a faca na to utilizavam-se como forma de expressão e realização
mão, em matar o príncipe adormecido, mas, enfim, ven- de suas ânsias e desejos inconscientes, forma aquela que
ce o seu amor. Joga a faca no mar e ao primeiro raiar correspondia a esses últimos e estaya ao dispor deles.
do sol ela se lança por cima da borda do navio. Mas Mais importante ainda que essas concordâncias ex-
agora ela não se transforma na espUlua do mar, mas ternas dos sintomas, assim me parece, é que a dinâmica
vira uma das filhas do ar, que podem conseguir uma arquetípica do conto deluonstra paralelos claros com a
alma imortal se durante trez ntos anos se esforçarem situação que provocou a neurose e com os dados gené-
para fazer o bem . ticos dessa paciente. E m primeiro plano está, no conto,
Existe grande núm ro de paralelos com a s intomá- acolhimento n ão bem sucedido da relação com o outro
tica da paciente. Tanto no anta de fa la como na neu- sexo, amor infeliz, unilateral, não realizado, que por fim
rose, são as pernas que duem que cau sam dificuldades fracassa porque a moça não consegue expriglj,L$...el,.lS .sen-
e preocupações. Dessa manei/'a, eXlste certa identidade tin"lentos em palavras. Trata-se de desenvolvimento fra-
entre esse sintuma e a figura pré-hUluana da ninfa, que cassado do . Ego feminino para fora da dominância do
está entre o animal e o homem. O ser da ninfa, que arquétipo materno, a fim de chegar à experiência da
sem destino e sem vín uI está metido na natureza e própria integridade; isto é, à formação de uma relação
aspira à humanização, pod rre p nder a uma p arte com g animus, e concomitantemente com seu próPFio
de feminilidade ainda n~o desenvo lvida na paciente, e componente masculino: e com o homem n ã rea lidade .
que aspira à conscientiza ã . Até que ponto esse proble- No fundo do mar, que pode ' ser- comparado ao incons-
ma está presen te, quer ain la denlOnstrar em seguida. ci nt , impera a Grande Mãe em suas duas aparências,
Aliás, este é um motivo mit lógico ÍI'eqüente, cuja pri- o asp to positivo claro da avó inteligente e soberba,
meira redação já está c nLi la n "Rig-Veda", segundo quc "demonstrava grande cuidado e am.or às suas ne-
Emma Jung. 48 Esse mplexo ine nsciente, que lem re- tinhas, as pequenas princesas do mar". Ao lado dessa
lação nítida com o prin ípio d Eras e da sexualidade face clara do arquétipo está o aspecto escuro e demo-
(no nosso conto lemb ra is talub ,m nÚITI ~r s is, níac , personificado na bruxa do mar com seu bosque
que aparece ' várias vezes), pod , d " u.m lado , a pirar Ú mágico, que apreende e sufoca aos que dele se aproxi-
consciência, mas de outro pode t mb m inLtnd r o Ego mam. Transportando esta imagem para a realidade po-
e atraí-lo para o incon ci nte, con10 acont ce no conhe- demos reconhecer nela a faceta da mãe superprotetora,
cido poema de Goethe "O pescador". que oprime e mutila.
Durante a análise da paciente surgiram, junto com Enquanto o Ego permanecer no aconchego incons-
a conscientização progressiva e a melhora dos transtor- ciente, no paraíso i n fa ntil do mundo materno, não se
nos da deambulação, as dores descritas no conto de fada. pode conseguir alma, isto é, ficar consciente, levar vida
Além disso, exatamente como no conto, a primeira coisa humana e seguir destino humano. O Ego persiste numa
que a paciente fez quando melhorou foi dançar com en- estabilidade e juventude eternas. para enfim desvane-
tus·iasmo. Devo ainda acrescentar que e m várias outra,s cer-se na espuma do mar. Somente o encontro e o diálo-

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4 . Contos de fada .. •

go com o lado negativo da Grande Mãe, e a posterior e a abasia-astasia surgiu quando ele, após o nascime nto
separação da mãe, pode levar à consciência, realizar a do nenê , recusou casar-se com e la.
humanjzação e, conseqüentemente, estabelecer relaciona- Comparando agora a hiSlória de vida da minha pa-
mento com a realidade. Somente tendo pés é possível ciente com os acontecimentos do conto de fada, desco-
ocupar posição, e mbora muitas vezes dol orosa , em solo bre-se que a figura dominante no primeiro desenvolvi-
firme. A perda da fa la, com que a princesa precisa pagar mento da paciente fora a ,. nlãe superprotetora". A pa-
esta experiência, é evidentemente cara demais para poder ciente é filha única. O casamenlo dos pais era altamente
realizar o resto da individuação sem se perturbar. A lin- pl·oblemático. O pai ficou muito tempo e m tratamenl.O,
guagem, COITIO praticamente o meio mais importante de parcialmente estagnado por cau sa de doença maníaco-
comunicação, expressão e fonnação, não se deixa substi- -de pressiva, que começou com o nascimento da paciente.
tuir por um recurso regressivo à motricida de corporal , e A criança, por isso, desde cedo, depend ia consideravel-
por isso ela fracassa no mundo dos h omens; porém, mente do relacionamento co m a mãe. No quarto ano de
não sem a perspectiva consoladora d e poder encontrar vida da paciente os pais se separaram por vários anos.
uma alma no mundo das filhas do ar. No desenlace do Mãe e filha mudaram-se para o campo enquanto o pai
conto a libido desaparece de novo da realidade, depois ncou em Berlim. Depois que voltaram, o pai saiu de
que o relacionamento com o homem fraca ssou . Ela foge casa, haveria divórcio, porém, mais tarde, em torno do.s
no ser aéreo e no mundo da fantasia . :J:. desenlace muito 14-15 anos de vida da paciente, aconteceu nova reconCl-
problemático e ambíguo para o homem normal e corres- liação. Exatamente como no conto de Andersen, é justa-
ponde antes a uma introversão, .... õrcssiva e fuga para m e nte nessa fase importante do desenvolvimento que o
um mundo de sonhos. Somente para o poeta, que é capaz pa i qua se não assume seu papel. A mãe tinha fortes
de dar forma ao mundo dos sonhos , esse desfecho pode I rn os de neurose compulsiva e obsessiva, e temores.
ser válido.

Comparando-se a situação resgatadora da neurose
D" um lado, ela cuidava e mimava demais a filha, que
n50 pocUa sair sozinha, e devia sempre ser limpinha e or-
com o conto de fada, encontra-se aqui outra vez uma deira. E la fora protegida e preservada de qualquer res-
analogia nítida: nesta época a paciente evadiu-se pela friado, e tam b ém as amizades com outras crianças eram
primeira vez e amplamente da tutela muito forte dos proibidas. Por outro lado, a menina era duramente es-
pais, relacionou-se sen timentalmente com um hOlncnl c pancada quando protestava contra essa coerção ou vol-
insistiu em casa para que pudesse fazer unla viagenl lava à casa com aJguns minutos de atraso.
sozinha, ao encontro delc, sem acompanbamento da mãc. Em relação à mãe podem ser discernidas, na pacien-
A r e lação f racasso u , não pela realidade da pacienl'e, que te , três fases importantes: a primeira vai até o final da
era na verdade motoricalnen te animada e d o tipo ex- puberdade e é caracterizada por uma ambivalência de
trovertido, mas porque n ão Calava sobre seu mundo in- scnlimentos não resolvida. A n1ãe é, de um lado, aquela
terior, e sobre seu s sentimentos: "O fato de não poder que nlima, cuida e ama, c de outro a bruxa do mar
~a l arn, disse a paciente, "n1e acontece nas situações mais possessiva, contra a qual não se pode insurgir. De modo
cônlicas . E1D nossa família é sem pre assiln, f alam os s6 gera l, quando se realiza alguma coisa d eve-se fazê-lo às
a respeito do trabalho e dos colegas, e nunca sobre escondidas. A esta s ituação correspondem no conto d e
aquilo que nos toca. Sinto-me embaraçada e não sei por fada as figuras que sofreram a morte e aprisionamento
onde começa r". Sob esse aspecto era uma joveln "sem no fundo do mar. Segue então a fase de luta aberta, du-
lingua". O encontro com esse homem levou à gravidez rruHe a qual a paciente se rebela, sai, faz amizades e

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-lhe um traje de gala se conseguisse traduzi-lo. tristes. n'lulo do profeta rezariam p e la sua forma humana. para decifrar o manuscrito e prometeu. como no conto. 9:~ l. " no pasto.etn -de . califa e o vizir dirigiram-se na nlanhã seguinte a um sua situação dernonstr'a tambénl.esmos traços superprotetores e coer. COIU a mã. quando a princesa deve ficar cOrn a figura nesse instante. Como s. cheia de ânsia. 'a1 i Fa e o vizir fartaram-se de rir. Tudo isso tinha tom d pl' s iv ..anuscrito estranho. . do conto. Mas.12 '(" r f rências " Mu . apesar de sua aparência 100 101 . após ter-se inclinado três vezes isolava en'l casa.mªgi º-Ç>_ K. que se tornou de poderia rir. então receberia doze chicotadas nas costas e ram-se após um tempo e desceram numa velha ruína vinte e cinco na sola dos pés. sa entre as duas aves fêmeas. nando-s e para Oriente e sernpre gaguejando: "Mu . No tú. Por f im desistiram e. 5o m . ele pôde traduzi-la e assim o califa e o vizir fi. Seu cont9 fa v Ol-itO 1'a: "o califa çegonha~'. esqueceria a palavra mágica novo a luelhor.. ainda nsaia. S e o fizesse. também aqui a multidão aclamava Nes se conto de fada narra-se que um dia o califa o conquistador. a mais amada e única anllga. desse pó pelo nariz e dissesse "Mutabor". elU torno da cohma transformaran'l elU cegonhas e assim ouviram a conver- de n1árn10re com o n'lenino.. que tem os m. onde viram uma cegonha. um luármore liso 'frio.as ela recusou e contou que naquela noite ti- existiam fantasias passivas e -heias nh~ de dançar para os hóspedes de seu pai e que devia um homem principesco qu vlrw. Ela se que deveria pronunciar. o sábio. d esaparecim. ~r~nde consternação. e então não teria direito abandonada.Slschnur. aproximava-se outra. e seu vizir Mans~ _COlnpraram de um tro alén'l de Kaschnur. poderia trans- dtivos. o introversão regressiva do final do conto. Mesmo viagens de férias ela só fazia na direção do Oriente. Ali ouviram um ruído de lamento.cvid ntc laro entre certa situa. As relações da pa'i n t .. Quando ao seu nome: Selim. o sábio.. Como último um arco e un'l nl. Mas agora tinham brar ainda que. os traços do con1eço pasto na vizinhança. que O f~~9_º. 111 lOI"11 do Lnl ' . ele não Nesta. der a linguagelu dos bichos. na vizinhança da causa de gagueira séria. cansa- soubesse. Selim. qu pro urou a análise por mane eranl en'l sua forn'la de cegonha. p' Mu . para sua como tambén'l com a situação que resolve a problen1á. Se não o Visto que n ã o tinham muita prática de voar. nesse estado. n'las no quarto dia viran'l. nl.. ela incorria na Encantados com essa possibilidade de mudança. a erupção da neurose. de um lado . para retornar à forma humana. Agora lhes ficou claro que nenhum ou- Chasid. j unto da fi 'ura d lniln llO onto. Como a escrita era em se aproximaralu descobrirarn uma coruja chorando.ento. Desse n'lodo.egundo exemplo q ueri a f <. Inicialmente reinou grande tristeza por causa do seu ção de seu conto de fada pr dil · to e sua sintomatologia.?agdá. chega até a s-:::r parciahuente apoiada pela mãe cOnl. desesperados. unI li. :paràh'!lo mais do cfLle.!o junto com que lhes vendera o pó. Rapidamente eles se materna e ela nada. a paciente retornou à luãe . E le mandou buscar meio de redenção resolvera ln voar para Medina. tica. entrou ria cidade como soberanõ~ Co- Wilhelm Hauif.yintc anos. e tava chegando um petisco como coxa de rã ou 121- trificadas. se esquc id la palavra e es~avam. a latim. tinha sido o mercador an'lbulante velho vendedor ambulant um pó e~quj si. da qual.-a o pai.·. No conto i sso seria o pacto da bruxa com a fonnar-se num animal qualquer e seria capaz de enten- U10ça..o todos os povos. -de mrmigo do califa. qual era filha do rei da lndüi. E la fez isso de lnaneira tão côn'lica que com ela. A terceira fase inicia com. Tan'll-> ~lU no aso lel e existe cidade . A primeira oferecia à que o outro sexo eram.e. para aniquilá-los. 011pl lain 'l t 1 '. arlo. e de outro. incli- havia um chorão. per- um j ov. Ela também fora trans- caram sabendo que toda pessoa que aspirasse um pouco formada pelo Kaschnur malvado e contou que SOluente podia ser libertada se alguénl.

T~J corno no paciente é.a. e a co. c aí disse a palavra I' I . foi transfor mado. Quando o califa. recém-enamorada de seu padrasto. bem impressionante. Sua sintOlnática começou aos onze anos de idad . os dois casais divorciaram-se e casaram com o outro fonnação num animal que é como que lnudo para os ho- parceiro. a p rin. pela atração da mãe ao pa- destronaram o filho do mágico. odiava-o e tentou também. Ele pre. Ela podia mostrar-lhe onde espre~tar lá descobriram os fatos verdadeiros. ~ gr. 15 1. sentados como Ulna coisa alegre e natural. d ia dos pela mãe. que teve de cheirar o 11'. en1 ce. Mu . • porque no casamento anterior da mãe. agora d e " lill' " lo califa e o vizir. Através d e uma fenda na parede ii i ü:dmcnte. e assim o seu medo de ter con1prado I lug ar cio par bom.) 'J' . De qualquer jeito um dos dois devia prometer-lhe o ca. desesperados.m cnte a luesma situação da realidade mágica "Mutabor". um aposento secreto. to afeto proibido que produz a sintonlática: no caso a tra11S- é. e ltõ era a pessoa principal. se virou.. . A situação se Ele se ufanava de seus atos maldoso s e naturalmen. O paralelo ainda é mais nítido quando se consi- Antes que esse acontecimento se realizasse os dois me. j. Este. porélu. e me descreveu. de um lado. a manifestação de Após certo tempo chegou-se à troca das nIulheres. nha ao andar lem. que lhes foram apre- o mágico e assim descobrir de novo a palavra esquecIda. que esqueceram a pala- to onde a coruja tinha sofrido . que não desconfiavam de nada. de modo esposa em casa. declarou numa colônia infantil. inf 'Iiz. inclinaram-se t rês vezes em direção do f.lU ua mãe. Igual ao conto o paciente perde gato por lebre caiu por terra.. durante uma viagem de férias. v II p rque a mãe dava mais a tenção ao padrasto do t e contou l. l " I I" ino. '\111 1 'm t 'mos o par duplo de pai e filho: o par bom e Oriente e disseram a palavra. que tentam se colocar censa encantada.horrível de coruja. Aqui ram até à saída.a sala de ~ l lcO lltrou r ecusas fortemente moralizantes por parte de festa onde o mágico e seus companheiros se divertíamo ' ulll s s rais e aí começou a gaguejar. Exata. Quando. :t !'Tllldi oso co mo ela própria o julgava ser . foram internados de seu lado ouviu a história triste do califa. ninas. os dois homens repu- nomo. falou que já tinha uma m nto muito bonl com seu pai..o.bra. m u paciente e seu verdadeiro pai. 1/ a LI j ar" do califa e do vizir.b é m o própno nIá 1 Da meSlna fornla no conto de fada encontramos o foi pego no seu esconderijo e enforcado no mesmo quar.m bélu a história do califa. Nessa ocasião os filhos ficaram com as m ães. no conto. dera que o califa não consegue conter seu riso quando 102 103 . como ficara triste no s primeiros feria perm. Evidentemente o meu paciente não ficou satisfeito samento. E. mens.. Dessa maneira o ca. a ( ~ s perava que o menino o achasse tão esplêndido e lifa teve que fazer da necessidade tuna virtude. embora pó e que agora. la vida do paciente encontramos no conto de fada. Como os três estavam felizes! Corre. Mu .anecer cegonha do que se arriscar à situação tempos. em todas as di- viveranI ainda felizes por muito tempo. 111<"" I 5 0 do m ágico e seu filho. por sua vez. Tam. rc : " Mu . de certo n :lOdo.ica e que gritam. Infelizmente não achou nenhunIa compreensão de chegar em casa e ter que apresentar-se à sua mulher . nha e preso numa gaiola. Meu paciente ruja levou os dois ao longo de multas corredores até não gostava do padrasto. e que velha junto com uma esposa nova. ver e ouvir o que se passava num... e que além disso já era velho. " Esses dois correspondem ao Meu paciente é filho único de unI comerciante a u tó. O califa chamou o vizir à parte e disse que ele de jeito nenhum com essa troca. um filho só e com o qual pa saram a manter contato. Ele tivera relaciona- deveria fazer isso. Nisso e le eles podiam. nessa situação. e o par "escuro" novo homem.Jcs correram a Bag dá. os esforços espas- chegaram a conhecer outra família que também linha módicos que o gago faz para expelir de si as palavras . O califa e s ua cspo a vl'a 11lág. a desejasse como esposa. dar evasão a esses sentinIentos. Somente quando foram tirados de que podia ajudá-lo. O balançar solene da cabeça da cego- Naquela época seus pais. viu uma formosa lTIocinl-fa.

com suas idéias de lhnpeza. de unl tipo de sentimento intro. Ela co. branco-par- biente e que só chamava a atenção pela sua alta resis. e segura~-se neles. do céu. No conto é a figura do que ~lhe contam que os que têm veste branca são gente mágico maldos o Ka c hnur. Nesse sonho ele voa com sua família. Todos olham para ele. que p. que chegava a ser facilmente Quena chamar a atenção. con1 roupas Tanto no "O ~dj('a e' nha" COlllO na problemática brancas.nt -· sobre o tema: "Quem r~paz bonzinho. mente ameaçado de ser dominado por seus diabos. Tam- mente quando ele queria realizar suas idéias mitológicas b ém o. do indiví~uo e do mundo dos instintos. hon'leI? bonl-assassino. septuagésima quinta hora de tratmnento. cação.tendo as asas pitoresca.ncia cheia de lados negativos. característicos desse tipo. e querem linchá-lo. Pode-se imaginar que a mãe apaixonada tenha tido Ulll Na neurose compulsiva. 18 Mãe e em seus sonhos. motivo do vôo. sua pró- tornaram respectivalncnt o lugar do paciente junto a pna r.grande que só dificilmente pode ser repelido. Do lado cons. p r ebe. ?em educado e amável.le mesmo.oupa se transforn1a em cor acinzentada e um chefe mãe. rnlnavam obsessões de limpeza e de ordenl. Apesar de toda a defesa ele é constante- em aspectos secundários da vida.mulher de cabelos pretos. e ao pai. encontra-se em primeiro plano no con- padrastro demonstravaul de igual modo grande quanti. como m e chsse. desconfiava que tinha dentro de si era homem muito SI rt cal negócios e que dominava ~olsas obscu~'as fortes e que não correspondia àquela em casa socialnl t p 1 f rUla fluente de se expressar. mas que os outros levaram império do cGllifa. de homem ' rn unim::ll. que ba. do. que interior do paciente. sobretudo desse paCIente. e descreve e Justamente demonst. mesmo aspecto aos olhos do menino. COlllO no conto. E isto acontecia justa. umé!. da.or um cão que tinha apre ndido a linguagem humana e fala. com fortes traços neurótico-compulsivos . predominantemente. se transformou e~l1 homelll maldoso. para o in- a vítima da agressividade e do despotismo de seu am. Se olharmo o problema do ponto de lhe ~lZ que essa mulher é sua namorada futura e que vista do sujeito. tenso probJerna dos contrastes ' anjo-diabo. na e o problema eh S . que lhe mordem os poleg~res inconsciente mos trava-se enriquecido com motivos má. Tal si~uação é üllpressionante~ Parece-me estranho C]u> aqui. nos quais predo- mente se prepara para dançar para seu dono e soberano . to de fada.- Uns anos depois meu paciente descobriu a tendência derado sUJo. Se interpretarmos o conto de fada anterior 104 105 .e ituação idêntica no mundo depOIS ele mesmo a mataria. Seu padrasto re~n. Sobre a personalidade consciente ultralimpa para escritor dentro de si e sua primeira obra foi uma e ultradecorosa desenvolve-se o problema de sombra mui- novela que intitulou: "O cachorrinho lllarrom~'. ciente era rapaz bonzinho. Talubém a tristeza desenvolve-se repressão muito típica ·dos lados escuros das cegonhas corresponde à sua. lá no céu. cuj o filho Mizra assume o boa e tiveram vida honesta. que tr~. N~I histórh da vida de meu paciente existê. Seu cançam-no dois diabos. que é conside. Lá CIl'cul~l)1. mente bem expressa num sonho que ele me contou na lhido o motivo ln m 'tam rfose da figura de identifi. Quanto à estru tura tratava-se nele. foi esco.m bra.rado por meu paciente. Quando ele encon- correspond nl aissu o padr sto e o meio-irnlão. no qual se encontra a psique tência à impossibilidade de ser influenciado. nesse sonho. que aliás surge com fyeqüência inconscientes ou quando era guiado por estas.vê uma cegonha fêmea. pessoas de roupas alvas ou pardas. ~o . po- tem o focinho maior é mai ' considerado". e dos quais não se pode soltar ape- gico-mitológicos. Quando quer fugIr e tomar o elevador para descer al- vertido. ln1agem bonIta e clara. E. ?u~a enorme multidão de anjos em direção do meu paciente trata-s '" du onflilo com a figura pater.de de traços neurótico-compulsivos. E isso Uleça com as pa] a vras: "Sou um cachorro". todos os seus conheCIdos sempre foi louvado por ser va com seu dono. sar da aJ:rda de todos os outros ali presentes. espccia lnl .

Ela vivia predomi n antemente fantasias.fei. Isso cor- lise. mo lh am os olhos do prínçjpe durante _o primeiro aQr-ªço. L~go depois do_ nascimento a maga vem buscar a bom está constantemente em pcrigo de ser dommado menininha. pro. cnela visita uma meada de seda.'odo que m cs mo c:m s itua çõcs 11 ssc m e io tcmpo haviam nascido. hi. Primeiro ela nasceu de pais dessa mulher de trinta e nove anos.e desenvolver s ua firmeza h abitual e estab ili dadc ck. forme seu posicionamento. e durante esse período ela tem vontade muito forte çiio principal e vivia quase que im~ersa na leitura. jogo via perigo . viv J CnOSél111ente.. tendência foi a inda reforçada pela timidez da mãe. então seu Ego mete.nc. Esta é o símbolo do ainda em gestação. estar sempre certas d ific uld ades d e vida. é nc. cos tumam p o de ser relacionado à grande atividade do incon sciente. de ". isto é. atrás desse desejo. de mulher de meia-idade. Neste conto .· . sua rea- que o outro. e quando ela faz d oze anos a bruxa a prende pelo complexo da sombra. Ela procurou a aná. De pois e la engana o príncipe. '0 que o homem~ no seu medo. USlla lm c nte. o que contudo nós sabemos que.ela qu ase normais pode se formar a ncuros . o mágico e se. Seu con Lu de Scu tipo era mais introvertido. ti ce ira sobe por e les .."'I. um h omem e u ma muU1el' j á deseja. Des de que a menina soube ler. te ela conspiração. mas <1n. A formação e o desenvolviulento da personalidade E les se enamoram e reso lvem fugir.u plho. Desde o início tes para informação e enriquecimento da personalidade. e e.".'. a atividade muito mtensa dos arquét i. 'l e r c upera a vista e a leva como esposa para seu reino. porém. t6 rias.::g-ual uma criança nasce e cresce. como resgate.Lmas d. sonhos e hi s· vam por muito tempo um filho.p}lll". A moça é tão ingênua e tão inexper iente que per- ii na sua hereditariedade. j:l idosos .. que te do inconsciente.: da c~ O n:'arido roub:. e co n . próprio mundo interno elo que ao ambiente externo . O fillio de wn rei perde-se durante cessário ainda fazer algumas consiucrações prévias. Cada vez que a maga visita a fantasias . corta os cabelos da moça e a exila pos do inconsciente cõ lét ivo.. gu nta um dia à bruxa. isto é. até quc acaba chegando ao lugar ermo onde Rapunzel d. moça. com a qual tecem uma biente determinaao. estes indiví<:!uos tê m incon scie nte J11t1. não tanto por causa dc doença neurótica. na esfera subjetiva d essa problem ática. Assim a bruxa fica cien- te determinada. la era crian ça dotada de fantasia forte e viva. a c aça e vem até às vizinhanças da torre. lidade e prob lemas e o conto de fada. o ftlho criança à bruxa possessiva elo conto.o rta de certa maga. deixa-o su- stnlp les. Por exemplo.. Duas lásr. Essa de comer rapõncios (nabos) da h . Tal situação é bem idêntica à entrega da tice ira e é forçado a lhe doar. Dito com palav ra s mai s num deserto. e~cada.ilO rort . conseqüentcmente a Ego-co ll s iC: n 'ia n üo é apaz do. devemos acc i. E le vagueia elurante anos. pouco a d e ixava junto de outras crianças. esta deixa calí' seus longos cabelos loiros e a fei- No terceiro exemplo.n . .pc los cabelos que e la amarrou a um ganch o e alTan- que durante seüãesenvo lv imento p o d e d el 'rm1l1<1" uma ea-Ih e os o l hos. que somente tem uma janela ef!1 O seu lado bom s6 pode existir no mundo das IdeIas e cima e nenhuma porta. que vizinha de l ~s m~_ p"lr~ posterior. mundo ele fantasias negativo e possessivo e. ambos os grupos de fatores es tfto c m .rn cada os rap ncios para sua esposa. um lado é ma's mi lu e nte do Entre a história de vidá ela minha paciente. e surpreendido pela . es t a foi sua ocupa- vida.iog . Afinal a mulher engra. simbolizado pela figura da cegonha. h á uma séric d e da personalidade pode servir o conto de fada prefe nd o cem ordâncias bem claras. que eram casados há muito tempo. dentro numa torre. cego no mun- doença. mais dirigido a seu fada predileto era "I~~ª. res ponde ao começo do conto de fada. vê a bruxa su bir c quando e la sai ele m esmo sobe até Rapunzel. Como exemplo para tal "motivo co ndut'. por que é tão mais difícil fazê-la tal~ que há pessoas nas quais existe: co n stituciona lrn c~­ s u bir do que o lindo fil h o do rei. entendido 106 107 . O príncipe traz em baseiam-se em dois grandes g rupos de fa tores: no am. junto com seus irmãos gêmeos.

po~ mUlto outro lado era de vez eUl quando n10vida por atividade ten1po. compreensão de todas as figuras e . especialmen- Outra acentuação d e seu problerna deu-se com a Inor.omo te da mãe. do qual e la foi ficando cada vez ma1-~ afast~da o es tudo da problemática de tal conto de fada preferido até transformar-se em pessoa cal ada. E · t " s'i.é da mesma in1portância que a silêncio. '. esferas e bem 1 ~J1 de sua condição social. ao ' tomar essa parte arrancada de sua ahna e cegan1ente sexo oposto.o herói d e si mesma e pern1anecia muito tempo em absoluto ou a heroína do conto . I sso se exteriorizava no con1e. Além di so sofria de sentimento de culpa. e tambén1 outra vez ao mund dos p n am '11 1 s ' da fanta~la. re mas nenhum dele::. que so passIva. de for- leIo do conto. imapir H .~qco paralelos. havia realizado na vida o seU. aquisiçã<. em co nt. pode ser de grande valor terapêutico .n10tivos. br tam da ab 1. Ego depressivo e fazê-la ver de como o homem do mundo xl: rno . Na vida controu para sua solidão e apl 'i$ioll::nn ' n t r r : pon~Hl essa situação e inicia com a lnorte da mãe. porque tinha o mais estreIto rel. após a morte do pai. Por ciente. que n ã a interessava. seu pai morreu. sente. e a libertação do ço do tratamento porque quase não era capaz de falar complexo do Ego da figura de identificação . dUeto e no fundo este também antecipa o caminho da dências possessivas em re la ão à filha. a vida lhe parecia desoladora. 'l. a respeito d a morte da mãe e duradoura. até este ponto (Rapunzel no de- m~ça.'S ' falllnSt:lS..> .' . mais ou menos dez anos antes do c. ~­ suas tentativas de atividade realizadas ao acaso. qu aLiv~llnente estava liga. libertação pelo tratalnento. alÍn iu nlvo.':J nu o npl" . enquanto no príncipe cego errante estão representadas como o cabelo. a conquIsta da Praticamente ela. conto de fada pre- Muitas vezes a m ãe.ll J rid s". te o adversário ou o parceiro 110 plano subjetivo. cOl1scientização d e ter vivido um mito.cer lo contrapes .fOl perd~ penosa ma a ltamente irracional. a força do pensan'leJ to .de chegil ao deserto. a depr ssão corrcspond~ à moça exilada pela maga no tos de fada. Surgiram períodos de afastada do mundo . Ela agora não tinha mais ninguém de H jardim encantado". qu l monstrava claramente ten. biente. '0111 a (un1 nVl. fazendo com que ela tivesse aversão. torná-la consciente.o~no homem depressão que persistiram por muito tempo. O príncipe aqui n ão pode ser. nho tinha por motivo central o fato de se encontrar so- Também alguns home n s te n laran1 subir na s. ~ quem pudesse cuidar ou para que111 pudesse estar pre- Quando tinha doze anos. que. n1as Sln1 como parte novo. A I?a. A esta situação J'I ' '. a s situações nas s uas duas figuras principais: era através' dos "cabe I 1. fi u doenLe. à medida que era sua tarefa nificativan1ente. sem participar do mundo.orneço personificação do própr io complexo inconsciente. zinha em grande deserto..1 pad ce sua existência penosamente.-aposlçao a lTIae que viviam no seu inconsciente. a paciente já passou realmente lTIUitOS anos no do tratan'lento. e nos quais inserido na vida. ltn S 111 I ) PI" . a mente ac ilava as coisas. Eles_ fracas saram ln f ace da_ liga ã<?".1._ serto). u alé a vaguear pejas ruas. Nesse processo.ua tor. la qL. sonhos e mil S . A sal. Na mi- 108 109 . compreendldo ativa e r eu ni-la ao seu..da ~o am.tel-. sofria de fobia e deI ois st-lb] ' cu h~a ao forte cega e sem destino. e persistente con1 a má. durante o tratamento analítico o primeiro so- em muitas . no conto não se fala mais da maga depois que a moça Ela transferiüt odo s u inL l "~' para. tambénl c~mo um para.v. que dentro da análise. Que ro ainda intercalar aqui. Para completar esta abundância de cultura e saber e a im adq là l'Í L. isto é.'n: on. ou entrar nllma sessão de cinema morte dela. e nessa situação precisava ir embora.?ª .a~lOr~ame~­ e a e l es estavam ligados desejos secretos de libertação to con1 o pai. . O conto de fada perso- to na torre durante o qU'l l a l:lni Q li :lç5u ' 111 o mun 11 nifica ~s. Ele fonnava . era uma ligação com o alTIblCnte. c. lonan 'n.. -l~~. da própria alma.l nhe 1m n to gel2. sem sentido e vazia. Para ela . qualquer.I ' I'~ 1 ) püra le ert c qu l.assim. atuou nisto sig.1 cla .

naturalmen. liberte da figura da identificação (em geral o herói ou 111 110 . nunca' se proceq. dur~nte as a'h~lis~s O paralelo entre a figura do sonho e a do conto d ' que fiz. e aSSIm .ão com uma figura do conto d e fada. ao lado do casal de namora- tecimento espontâneo. fortemente carregado de medo. O. não somente que o complexo do Ego se que podena provocar sérios empecilhos para a vida . r. complexos lI~conscTent~s .-~a maIS e maIS para dentro e ordenava às árvores que não esfera de. fada l?rc::c:!-:~e~o ~ra J ~T. cujo conto de O traºalho analítico com esse material. Para desfazer a identifj. ~oc:l.asse a cem passos do castelo ficava parado ladamente os motivos e figuras. Acresce que a paciente teve te retornàr a-trabalhar. No bosque havia uma bruxa que me atraía tãdo o perigo da ampl~!ica~9 que leva à separação .. comparado ao sonJio nho . lIbertadora e o transformasse em pássaro. gura ~nnclpal desse confo.tar urna ~aclente ~~ 'yI?te e quatro anos.o meio de terapia. consl era~el) a compreensão de todas as figuras e tal coesão cheia de sentido. os sextc. como personificação dos próprios muito maior do que muitos outros esclarecimentos que. menina desesperançada. de Grimm.. e depois desaparecesse. quer dizer a sua doença orgânica. da mesma forma qu~ grande bosque. não pode ser deixado ao paciente só como um acon. é.e u de modo que a história fosse fa_da ~eve estar bastante claro. ~onho e conto de fada mostram claramente à çliscrirpinação e àJib~rt~ção do Complexo do Ego para sua sltuaçao de. Est~_co:tlstan!emen­ m nte temerosa e protetora. entre a própria problemática I~10tIVOS. Acqntece. lImItava . a heroína do conto de fada) mas tambe'm ( nha experiência percebi que justamente a vIvencia de d 'd 'd' ' em me- l a.. De rep nte n: ar~uetipico.> e oitavo anos de vida. tem força de convicção ro no plano.e relacionamento pessoal muito ais fort~ as árvol:es lne prendem com seus ramos e não me sol- e de Iuaior proximidade ao consciente. e fazê-lo em profundidade. como tam- objetivo . terapeuticamente falando. que do quadro necessário para si mesmo. O método de "imagi. "Cl I a. meç? da g uerra. Uma pacien. era aSSllU: :lego a um grande bosque. Nesta paciente havia um segundo fator que a te ln andou-me até uma opereta. pode-se fornecer durante a análise. da realidade. p'rocess~. tau: maIS . p! es soes graves. cujo tratamento precisou ser feito em ter arquetípico destas figuras como Não-Ego.contos _d~ _f~da dos.ente aqueles do adversário ou parcei- e os acontecimentos do conto. que:n c heg. assimilação desses contos de fada. de . Como exemplo queria apresen- interpretando.!nde e J oringel". e um sonho arquetípico e por amplificação enriquecer iso. Ela sabia atrair caça. especIa!m. so .epetItlVo.do negatIVO da mãe possessiva que a nümava en'l nação ativa" foi poderoso subsídio na aquisição deste e~cesso e o desejo de poder desta mulher. ou davam forma plástica ao problelua. dentro desse con~tatou 5lue s.~~~ tr_a_t~?.9. tuberculose do~. Era filha única e perdera ó pa"i no co- secutivas. 53 Muitos pacientes espontaneamente desenha. Na bruxa apare- fóra de sua identificação com elas. Nisso o conto ~e teve vanas vezes entre os cinco e dez anos de v'd 0 ' - fada preferido t em a vantagem. então à compreensão gradativa pelo pacientê~-do cará. A mãe transferiu todo o seu mundo te ou o analista podiam semP:r:~ volt.n . aves e gente. MUlto telnpo antes que esse conto de fada chegasse b preciso ãincfa que ele apreênda alg o do sentido dessa ao nosso cor:~ecimento durante a análise e la contou um" figura e de suas duas formas de aparência e isso de~tro sonho. e nao p~dla mais sair do lugar. l:! conduz ho sp I~al.A fi- te.. que o paciçn. sua identificat. e uma bruxa que mora num castelo no meio de ptediletos com.9-a m e soltassem" . gang~lO s do 11110.eu próprio corpo era instrumento fraco processo. A criança Importante . subJet~vo.é eVI. ~ paciente sofria dede~ trabalhada intensivamente em uma ou mais horas cQ. d.~r .. ce o IÇl. bem o plano arquetípico que se mostra além da mãe va~1. 52 leva el:tre.vi-vência pessoal. ~es:oal.!O conto _em sen tImental para a filha e cuidava dela de forma alta- determiIlados pontos do tratamento. até que ela falasse a cação não e só necessário qu~_o paciente se conscie~tize palavra. .

Quanto à tipolo.: heroí~a do conto de fada. . n t inuam. como sentinlento to de lun mundo de fantasias regre ssivo .: fu-.Antes de seguirmo ' I a ra pr bl m el d.ql lamb ln n1.5-<~ só acontece quando te na assimilação do conl 1 . Isto. do contOS-lllodelo tradicionais. Nos sensação. quanto ao tipo de funções. ró~ o.o . !') I tllllbj'l ll ' . ((Chapeuzinho Vermelho" etc. precisam.o no conto de fada. L'rap ' U ' )t:! vantanlcnto da anamnese. E significativo vel . De vez em quando surgenl. que está dentro de todos riós. colo ada no aprisionamen. Também mais tarde. passa . 1"'1 I t ' S da e Maria". A pessoa geraÜnente ' se identifica com o he- gia. nleço de Ininhas pesquisas esperava encontrar muitas A "retomada" das p r oj Õ'S d' ss a ·· ri lIl " . -'. por aque- dileto. pecíficos. centagem daqueles qu não se lembravam de conto . seja pensamento. a respeito da ~ ao dur~~nte. Na compilação dano 1974 44 de 85 terapias nedade dos contos de fada.c. t~ o on. s u intan'l nt . prefer~do7 por ~ipol0!5ias determinadas.' tos de fada. Admiravelmente alta era também a deste processo. enquan- tra descrição pormenori:t. Estes são de pacientes que não se lenl.com os contos criados pela arte dos poetas. Daí chega-se a uma freqüência relevante nos CItados exenlplos de Andersen e Hauff. om. É diferente o que se portante.."I~(). tos têm funções principais irracionais. S LL ~ 'd ' rI " Ii'I .. ·comunicaraln um cont de fada preferido. através da su.como por uma a ser examinado no cal itul " I' uinl . ela devia lutar cedo. Com o arquétipo e intuição e quantos sem conto favorito têm as funções da grande Mãe. indi cados 49 contos de fada diferentes. isto é.]) I '111 'n . Os mais ou menos in. I raL~D'lento.tl" que 70 pacientes (8~~) II1e. lembrança .ientes extrovertidos a por. Esse nÚlnero COl1. 112 .: .H. isto é.ais fre- . 'U upri s i n:llTI nto pela ram. Assun prova-se também. relativamelife ines- significado desses comple xos 'de fundo. própria personalidade no N ü .Lo favorito v rdadeiro somente emer ge da repres- deve ser dito ainda algo . como pensamento e sens ação.bram de conto de fada pre.a c ruellade .lc t e o que demonstra fator individual muito forte.cit. o de ?rrer do processo terapêutico e chega freqüência e da divi s ão l.um.le prIncIpal. pelo contrário. Pelos 70 pacientes fo- pássaro colorido do c ont 'd ' . isso quanto à extroversão .ip 16 i a d a escolha desses con. les cUJa tlpologIa esta plasmada na obra do poeta. intuição 'ou fada predileto era maior do que nos introvertidos . Finalmente ela pô le d 'S ' l1V Iv T P 1" ln 'j t. v e zes os contos populares tradicionais conl0 (( Joãozinho a experiência de vivC:.'. que mora no s lJ. 113 .. J'uc. porém.'lO já fo i referido no capítulo II são os contos é inesperadamente alto e já chamei a atenção sobre o populares. ti ' su. surgia na U el in g ~ns o símbolo do diversidade dos contos de fada. No co- símbolo atividade pl'O S p Liv -e 'ial iV :I. s l!gundo d e monstrou Wittgens1ein. Assim trovertidos. Além típica da grande Mãe Natureza c m seu aspecto mais ~errí­ disso vem ainda o fato r irracionalidade. percebeu-se que nos pac. ~e experiências no n'lundo interior para preparar mais urna vez com esse problema d e não ser enfeitiçada o relacIonamento com o ambiente.O cias interiores. nos contos de Andersen. ou nas primeiras horas de ticamen te de maneira lO'l i 'o 11 V i 11 • • LI I '. Pare- eIn sua faceta regressiva e poss ssiva.. seja sentilnento. também identiÉi~ fortemente extrovertidos os objetos reais têm papel im. cações via funções secundárias. uma vez que para eles pela inércia de sua própria maté ria .h [J ' . próprio inconsciente principais racionais.. nte no decorrer de fada preferido. o fato de quantos pacientes com contos de fada predile- nUIn pássaro colorido. d e ntro da análise.05. por exemplo.na in1. no total ..agem arque.de não ser transfornlada.h s ' oru parl' s in ter. a pa i nic realizou essa Inundo e da própria psique favorece o encontro de conto luta durante o tratmne nto. conl. e também com as ce que certa abertura para com a parte irracional do projeções deste no alnbi ent . os objetos reais exteriores inspiram muito medo. a.. e p e rgunta por tal conto. Então é n1. porque eles não dependem tanto das experiên.( ' ri I . bruxa. pela grande va.h d e 1IlC> d [a la predileto. qü ntelTlenLC indicado pelos pacientes . o princípio ·de individuação prolongadas pude demon s tr . aparentemente j á é bem claro que. cons le n Cla.

Na maioria dos contos de fada existe o fenôlueno muito complexo da "crueldade". da 19~ dinastia do Antigo Egito. onde mocinhas são cortadas elU pedaços. Quando se revê sob este aspecto os ontos de Grimm. que não desconfia de nada. no qual um nenê é queimado vivo e O conto "Machandelboom" atinge o grau m áximo de terror e crueldade. quando uma criança é decapitada. em "Elisa Pole. para crianças em famílias. Andersen repele mais o pensam. (papiro D'Orbiney no museu britânico). 6 gar".introversão. 114 115 . auto-castração. consumida pelo próprio pai.ãzinha" pessoas são queimadas e devoradas por ani- mais selvagens. matan- ças e esquartejamento. em "Mãe Neve" a n'loça é co- b erta de breu. no fim. estas funções são as principais. em "Joãozinho e Maria" e "Irmãozinho e Irm. cozida e. isto é. por exemplo. terríveis e repugnantes. em "Dona Trude". 21 apa- recelU como motivos: assassínio.~nto.C. em "Rapunzel" uma criança deve ser roubada. Conseqüentemente seus contos são os preferidos das pessoas nas quais. esquartejada. "Os ir- lãos ". pessoas são devoradas por ani- mais s lvagens. Em "Chapeuzinho Ver- lU lho". no "João fiel" um homem é apedrejado. Ainda mais cruelmente se trata em "Pás- saro de Fitscher" (Fitschers Vogel). como também o sentimento. cerca de 1200 a. como na "Rainha de Neve". perce- be-se que fervilham literalmente com atos mais abomi- náveis. Já no mais antigo con- to de fada conhecido em nossa esfera cultural. sentimento e intuição ocupam o primeiro plano. no "G ta borrelheira" os olhos são arrancados e os pés mputados parcialmente. e assim esses contos atraem menos os tipos nos A crueldade nos contos de fada quais predominam o pensalnento e o sentimento. que só um cérebro hu- I ano sádico poderia imaginar.

com razão. Aí ele diz ao seu sobrinho: . Agora você vai com papai ao bosque para ver os coe. Assim a criança ficou mais deIro se procede desta maneira: calma durante a noite. Com base nwn catálogo tão macabro. Para surpresa de to- mirar que sempre houve esforços para banir o conto de dos a menina respondeu. contado por J. porém durante o dia ela pergun- tava muitas vezes. Um grau de maturidade ulterior só wna menina de doi s an e rnelo. car este monstro devorador de crianças e opor-se a e le.. Acon tecimen tos dos contos de fada e que o amadurecImento só advém por meio do sofrimen- fenômenos de amatlureciment " . visões de Zósimo" interpretadas por Jung. agom queria saber porque o lobo ma s lmbólIca . . que conhecia o conto de inici~ção que. Nas 1'1r a descrição da iniciação dos Xamãs de M . podem ir até os proéessos fada .nesses rituais parte-se do prmcípio de em seu trabalho . de tido com a touca C.somentc até o en ontro do lobo com Chapeuzinho espi1'1tuais . mente. eu: Malekula a plimeira fase da iniciação de um curan- bo fora dela e o queimarem. Eliade 56 e noites seguintes a criança dormia muito inquieta e acor.nha cá! Deite-se em cima desta folha!" O rapaz lhinhos engraçadinhos!" Radiante. culturas primitivas. possível. a não ser bem longe me desse alguma coisa ". a menina saiu. pelo animal. o mesmo caráter que conhecemos pelos contos logo entre o lobo e Chapcuzinho Vermelho. esperava Cha. lh o de s ua irmã . dor e tormento. diz: "Você não dormiu com mulher?" IINãol" O A mãe. eles só se apresentam sob for- Vermelho no bosque. quando fosse . Umas semanas após estes f atos o pai da me. crueldades. interessada.57 nas dava com pavor do lobo mau.coitou o na escada da casa encontraram um vizinho idoso que braço do rapaz e o colocou em cima de duas folhas.ras primitivas. purificá-lo da crueldade para oferecê-lo às crian. de teimos ia.e fada ou ritos primitivos. ainda se provocam "de fato" n~ ini- melho e o lobo. Cada vez Um Bwili em Lol-Narong recebe a visita do fi- era necessário dizer que o lobo mau tinha sido queinlado. como é sabido. pelo fato de que a s próprias crianças não Parece que ela dispõe de forças que a estimulam a bus- estavam muito interessadas nessas formas purificadas. inteira- estava na cama. pelo menos. Bilz. A mcnilla. E. ou ao menos. O Bwili fez uma faca de bambu. "V<. que. dizia-lhe enquanto a vestia para sair: Bwili responde: "Bem". não é de ad. O Bwili pergunta: "Você na Rússia . chama a atenção para o fato de que ças em versão mais amena. O diálogo d. impressionante e que leva a pensar. na s ua prilneira fase pode ser alcançado após dissolução do grau anterior.) a1l1isola da vovó. "As.. quand da e a mãe faziam compras. perguntou à menina aonde ela ia. para ver o lobo da 'Ussia' "I . Ao bosque. .. Não houve melhor meio quaIs se trata de iniciação mística. e ansiosamente liam o texto arcaico e cruel quando con. cura um acontecimento que encontramos em forma cris- Nesse contexto queria relatar uma h istória bastante talizada. 116 117 . bem decidida e sem h es itar' fada do quarto das crianças. Bilz Aparentemente. preocupada. nos ritos d e iniciação das cult~. Durante as solenidades introdutórias à puberdade nas recebeu de presente uma i!ustt-ação de Chapeuzinho Ver. Ela ouviu a tentamente o conhecido diá. cumpriu as condições?" "Cumpri. Este lhe fala: "Queria que você q ue não havia mais lobo nenhuID. ves. e isso por iniciativa própria. cortarem o lo. Ele ainda nina queria levá-la a um passeio até o bosque vizinho. Na itllage m era visível que o lobo. e dispõem de um catálogo para nós incríve l. interesante que essa criança espontaneamente pro- seguiam apoderar-se d el e. Como exemplo queria rere- precisou ser repetido um as dozes vezes. Mas deitou-se. ciando.m ais elevados. O que é de estranhar é que mesmo essa criança sensível procura o encontro com o tais esforços nunca foram coroados de êxito. sim" . porém. Suas imagens mostram. Sempre lobo poderoso e temível. Eliade informa que para ajudá-la do que procurarem a figura..55 Ela relata O caso de to. Nas formas mais altas dessas solenidades de peuzinho Vermelho. fracas s aram.

tiri a r l1'l a 1 rsona em pr.:o. aniInais. De qual- de que modo o homem expenmenta tran~f?rm~ç~ dI. nh do SOfrll'l'lento antes da libertação. impulsos. d os psicológicos do conto de fada.a figura de identifi ação escolhida Zósimo de panápolis é um dos conhecidos alquimis. rói. morte e dominou e me cortou com sua espada. na dünensão hUln~na. d e Chapeuzinho Vermelho é devora da e o menino em 119 118 . III. pois. para a criança. atitudes.a ç ão dc uma experiência de tormentos e até mor- cesso de transformação espiritual. até que percebi como meL.que tem a Hberdade d e se iden- tas e gnóticos do séc. Apa- Das visões de Zósimo queria só relatar um texto. como também o rapaz.m os dados instintivos tou a cabeça e a segurou à sua frente.ição or. está Voltou e riu. Crueldade. aparece não s ó como pe- perfurou e com isso destruiu u'linha compos. pcriores. 11 i 11' . o II pa 11 tão o lugar do con'lplexo do Ego.59 O h. é apenas uma fac:eta parc~al do transformado e a irmã é sufocada no banheiro. este meu sÍn1bolos que nele aparecem l'epres ntam lnovimentos tormento insuportável. AI am. cntão todas as pessoas. ~ rn "J ãozi nho c Maria". G. como processo divino se manifesta .m ente faze. acontece também ao sobre isso: "A dramatização mostra ele que maneIra o h T 1 o I à heroína do conto de faela. e De manhã beu'l cedo veio alguém correndo. con. gigantes ou anões maldosos. p . Em. que tinha amputado . ou para os descuidados e ingênuos . A re- Aqui está bem claro o caráter de açao hornve! do pr . Ele tirou o couro de mI:r:ha ca. maneiras d e viver e aspira- Õ S.. C. a o IvinLC . luuitas vezes su- no seu lugar e fez o n'lesmo com os braços e per. n is to: ela deve aprender a lutar cO. que brandiu com força'tt Juntou herói. outro lugar 58 demonstrei que um dos significa- putou o outra perna e a pôs ao lado da p~im eira.la c l-ian . por sua vez. o da trans- riso. Se e quiparamo s o conto de fada a um drama dentro forme n'landa a arte. . como pena. t. não só o vencer glo- me parece importante em conexão com nosso tema. Voltou e riu. e ainda me transformação.l 18 abna . lugares corpo foi transfigurado e virou espírito. ações. morte e modlÍlcaçao . O Bwili colocou a cabeça de novo afirmar seu Ego contra essas forças. possibilidades típicas e proje- tas para que ela possa sair vitoriosa nesse combate. Ele riu de seu sobrinho e este respondeu comum Quando aqui acentuo um só aspecto. Em seguida amputou o outro brac. n'le também a já referi. Jun g es~r v t .m parte desta luta. tário desta pesquisa. monstros. diabos. estou bem consciente do caráter fragn'len- perna à altura da coxa e deitou-a ao lad<:> dos b~aços. tonnento. da a lm ' . Ele e procuro compreender as imagens correspondentes sob voltou e alubos riram . Ele nu e a profundos e os impulsos de sua própria natut'eza e deve cabeça também. no cl orrer de a lna durecÍl'nento.111 do esses dois percorrelU igualmente um can'li- vina. O sobrinho respondeu rIndo. O r ioso e sem ser lesado. ma de imagens simbólicas. e não só. à maldosa adversária. isto é. que rente.incipal masculina ou femi- abalou-o profundamente. pare_ce. O mesmo se en- Não tenho dúvida de que nesse fenômeno da cruel. mas talnbén1 como o motivo de padecÍl11ento do próprio beça com a espada. ~olocan­ formação e an'ladurecimento elo reino interno da alma. contra elU "Inuãozinho e Irrnãzinha" onde o innão é dade que. do-o em cima das folhas ao lado do prImeIro. Os contos de fada ofe receln à criança. os ossos e a carne e incinerou tudo no fogo. trata-se de algo mUlto comphcado. isto ' . Por fll~1 cor. Depois ainda cortou uma este aspecto. qUCI. na para os maldosos. mas ainda enganar forças den10- fragmento é este: n íacas superiores que se apresentan'l como dragões. sob for- nas. prcs 'n I. a avó problema da agressão. e narra uma vi s~o q~e. gânica har moniosa. bru- xas.da experiência de tormento. e da qual e:sa cIta?ao e paIte.

a lemb rança de algum conto de fada. c eles nvolvlm nto dessa paciente. ela se lavou e. Quando. aí minha mulher ficou sabendo do trato. que tinha a m . c sár i xpor. no em nenhum. na sua memória. culo em torno de si. momento atrás do moinho. ir ao encontro de meu esposo.ais pr enL. penuanece certa dO'e de especulação ao Depois que a paciente tinha contado esse sonho sur- se p res umirem. fez um cír- amigo meu. "I s mesmo um. lugar falta. 'o v 'sr '\. giu inicialmente de modo pouco claro. com giz.a sintomáti " 1 I . que as 1. que estava naquele era lllinha irmã. quando não nO S fULA I s(v' L de ·Uma jove. Chorei. que estava preso lá. de modo que o diabo não po- contrei num prédio enorme com muitos aposentos.m sio decepadãs . 'im ' lHO la aln1'l. ---. sua hóspedes do hotel. apesar da demon tração de analogia levada para cima ao encontro dele! nos ritos de iniciação e na série de símbolos gnósticos ou alquímicos. a ressurreição seguin.pou as mãos com uma faca. da. que agora referiu à macieira. no dià seguinte.r! . me dece.tratava do conto ' dé Grimm "A moça sem mãos'''. sado por cima dela. de forma abreviada. que aparece. :lo ' lara nLr' .·t·s ' aque l ".adur . que nada mais possui além disso haviatendênc ia s s ui 'idas 'O lll 1 'nlallv s manire . exclamou desespera- amiga não estava 111. Justamente esse conto de isso provas correspondent 11 d "$ ! ' 1 a . sótão. se este lhe desse teve o sonho seguin t e : aquilo que se encontrava atrás de seu moinho. uma única macieira.. se eu dei- do-se à morte. Sllla aparência de um atual buscar a moça. Estava com minha 'llniga num local.então ve-se exigir. Chorei e fui . d u n1 inho e atrás deste. aceitou a proposta. ' tjU' S 'JU P ::. Em outro quarto estava' Quando o t empo t1nl1a passado e o maiigno veio meu pai.eteu riquezas ao coitado. varrendo o terreiro.õ' · tlv 0' li "(l s I lu. no final.agens do conto de fa. no porão . porém. no qual as m?Ç>s volvimento. Constatãmos.1 ti' I r' a le mt::nL a paciente que prom.-' .-----. Ele me disse: é estupidez. f lrt ' ci fach: neurose. havia um homem o qual disse que.. Abri a porta pal'a eles."Machandelboom" despedaçado e ingerido. fada foi o seu preferido li-ã ' infância. Um carro tinha pas. Entretanto devianl apnslOnar-me no lugar dele. 120 121 . AI ~m Um p bre moleiro. tas de dar cabo à vid ~ d 'P ' I} I n irt cl lU dicamentoso certa v z foi à floresta e lá encontrou um velho. e tentar ' entender o sível estabelecer uma r la ... tanto no sonho da raterísticas de am. .11 'sma~ Il11 a T C lI e 1mbolos que se. ". para tal. 's i 111 '. símbolos de ratificação do arnadur i monto e desen. Vis- to que o moleiro supunha tratar-se da macieira. e que da água. o dia"f?o voltou. Em primeiro lugar tro de uma anális . por detrás das im.. a lu. çacienle como no conto de fada. com situ . em linguagem simbólica isto significa a xasse amputarem minhas mãos. e chegando em casa achou baús Vierarn várias pess as u queriam. Na centésima quarta h n .. mas à filha. este exigiu do Disse às pessoas presentes que deviam deixar sair moleiro que não deixasse a filha aproximar-se mais meu marido divorciado. poderia feliz obtenção do seguinte degrau mais a lto de amadure. Fui lá e um homem cimento . pois o velho não se entrar e me disseram que lllinha colega. falar com os e porões cheios de riquezas.- Queria aprofundar-me aqui no ato de crueldade da çam nos sonhos e nas fan lasias qu . Naturalmente. Enfurecido. Em cima. seu s -n lido profundo e o significado dele para a vivência Queria relatar agora ~I 'O l l t ' ' irrl 'o le Sl! 1I1 ' lhnnl . fi 'omp nhan1. que estão presentes no con l 1~ J'l 1 1. o conteúdo ' des- iro anos que pro til' U tra i ·tll1 ' 11 l 1 .. Era noite.o dia aproximar-se dela. Deixei as pessoas da que devia ter sido o diabo. Aí me en.". I: mb ~m aI are. as ca. Traln -" ti· I ·\ :j nlt~ cL· vjnl' . Quando. e lava morta.putação das mãos. li 'l i. q l a .

o mensageiro dormiu no caminho de volta e o dia.in- rainha fugisse com seu filho mundo afora. partiu. (I nl r I. O anjo do Senhor lhe giu do moleiro que decepasse as mãos dela. ela aboc a . teve caráter curativo e não o filho devia ser cuidado até sua volta. Ele vagueou durante sete anos. ela cortou a como aconteceu. até a c har n1. resolveu ir embora e vagueou o dia inteiro. o diabo falsificou a as . Segundo o velho costume' pa- enviar-lhe como prova a língua e os olhos da es. . No seu casaUlento o maligno se notícia. sob a ameaça de ele mesmo s er ta casa e l a ficou durante sete anos em companhia levado em seu lugar. dizendo: "Vou seguir até onde o céu for mava o limite do terreno e. O r ei se dirigiu s te conto de fada a heroína vive e sofre uma sé- a 'ela e levou-a para dentro de seu castelo e vendo l"j • rue!dades. d e ri a por ompleto sua alma humana. toda a história das cartas falsificadas. que tornou a ficar limpa. ela havia chorado em cima de suas mãos. que. perguntou por sua mulher e filho. sem comer nem beber. destrói a relação matrimonial. por seu lado. de ceder e perdeu seu direito sobre el a. Apesar disso ele respondeu que e ste le terro. Depois terpretando o plano subjetivo. Outra vez d· lrlltivo. a nleaçada pela entrega total ao prinCIpIO do mandou fazer-lhe mãos de prata. Um jar. azul.-cal a f ilha é praticamente propriedade particular âo posa. Primeiro. A moç a. Após a guerra. nlficado na figura do diabo e com isso per- Decorrido um ano o monarca teve de ir à guer. foi esperar no lo cal para v e r s pos a morava. e pela graça de Deus.ffl S I" r -s desse perigo. Aí ele teve cepadas. luas à custa do sacrifício das mãe. evidenteUlente. Então ele Um anjo a ajudou a atravessar a água que for. até ao diabo. cresceram-lhe de novo as mãos de- dos cotos. a s ínio ame aça a ela e a seu filho. e por causa de sua terceira vez a jovem tinha chorado tanto por cima religiosidade.nto. O ponto de partida desse conto de fada é a extrema bo trocou a carta. pelo trato ilupensado do que era tão bonita e piedosa. Aí. chegou. língua e os olhos de urna corça e mandou que a Se transpusermos esta situação para o psicológico. Nessa época a rainha ganhou um bebê e a l H O S qu o próprio pai. mas à luz um monstro. p n. porém. a qualquer. E i s to apareceu novamente e a levou a urna casinha. aí ficou sabendo até que anoiteceu e ela chegou a um jardim r aI. e assim o rei leu que sua luulher tinha dado a e i t a r um exílio prolongado na solidão do bosque. Enquanto o mensageiro estava donuindo inlr ll"le t e de novo. quando o rei voltou para casa e porém. obcecado pelo maligno. com raiva. lá dentro. deve sogra escreveu rapidamente ao rei. na noite seguinte. mole iro. e o ao lado de um ribeirão. Nes- o pai fez. exi. casou-se com ela e p rd . À meia-noite a moç a r n'1 felizes e contentes. Ela pode ainda ra e deixou a jovelu esposa sob a guarda de sua r. A mãe teve dó da jovem Inulher. dineiro que a tinha visto contou o aconte cido a proc urou por todo lado e por fim chegou a um rei. aproximou-se da pereira e de novo con'leu uma fruta colhendo-a com a boca. para dar-lhe a par p s soaln'1ente. quc pode prometê-la a seu bel-prazer. Ali se reencontraraUl e permanece- esse acontecimento estranho. por fim. embora a contragosto. de modo que agora a mãe do rei lig a ção pa terna da filha. junto rande bosque e lá encontrou a casinha onde sua com um sacerdote. e de de algum tempo ela chegou a um grande bosque novo ele não pôde aproximar-se. riJa esposa e filho". tria . Por fim ela deve carta. problemática que ' trunca o pro- recebeu ordem para matar a rainha e a c r iança e cess o de desenvolvime. selvagem onde rezou a Deus.Ínha que- nhou urna bela pera que havia no jardim. então tratar-se-ia de um 122 123 . Quando o diabo voltou pela do anjo.

aguei a que é e equivale. ela mlnlno. jun~o .Nesse ponto a luoça encontra a figura do Animus. n d e o E g o se moveu até agora.ç ar ponde ao in on s cie nte.. J a p ã o: "A ITloça de desligamento tardio das imagens dos pais. duas n i l !) I t es qu o coitado do ursinho. no plano diferenciado do ..IlOseol~ic:. à fase or~l. A relação pai-filha. o acontecimento implícito no conto bra isto é de todas as qualidades infe riores negatIvas de fada exprime. V. em favor de um caminho desconhecido próprio do des- ção estúpida ' e materialista. gu ' n uil as o rno a m. Sua cobiça de poder e libido (aqui sin1.ento da "casa paterna" dos filhotes de animais. para provocar um bem. Não se torna necessário apro- sibilidades prospectivas contidas nele. é ~lgo bem ~. que plano. dominado O mecanismo d e d efesa p e lo qual o E go afinal es~ pela f ome fa d iga.com a feitura . rilho t a s ubir numa árvore e depois. outras . É realmente impressionante e mitos (le mb re-s d a a v d lia b o . o que corresponde. a expulsão para fora do ninho dos dosa fe minina: m a d ras ta .?nh~cido das para e n co ntru l.1Jma Íll1G!g~m transcendental. Des sa maneira. isto é. em que o mundo só pode ser expenmentado por m e lO .o s " 61 . d e formar opinião p r ópria. qu~ levou a relaxamento da ligação estreita entre pai e filha. Sur ge depoIs tos e cons eqüenteme nte relaciona çonsciente e incons- uma regressão ao d e grau mais baixo. uma velha sabedoria: o caminho para a independência e zàdo pelo ouro) ent regue à sombra a s pos~ibilidades ~u­ o dese nvo lvimento próprios passa muitas vezes através turas do Ego COlno tamb é m seu d esenv lVlmento s adIo. por exemplo. x ílio. COITlO. da boca ou ser mantido através da alimentação por i s to é . está sôlJ o domínio do inconsciente coletivo. ~essoas.- mos pensar tambélTI na forma. t e rna. Impedem o chabo de j ardin1 rea l. à na s olidã o do bosque . a pr pna m a JU1UC ta filhot es d e p a ssarinhos. lU.desse es~ágio e as pos. Nele podemos ver. bem-estar material ficara esté ril e nociva é renunciada vamente transm!tidas. evidentemente. qu a dquir 'lrát r d s t.. e ~aldosa. Beit assim entend~ 1~). então o círculo branco em torno de SI. do do Danúbio : liA ITlulh r 11. pode- sem mãos" 60. em forma simbólica. a m ça desligan1. que apesar de todo o cia que até então existia e corresponde às norm~s coletl.}e-ê ntrêüs -dois grande opos-:' vo.. d esça da árvore "gritando" de medo. como Alenby 62 '. muitas vezes atroz. Deste IUO. representante _de uma orientação de consciê~­ senvolvimento. Assim mesmo ele conseg~e for. e a inda é o m esmo anjo que mais tarde apare ce mente (como também H. Erich Neumann estudou pormenori. à paralisação da ati:vidade da alma. corres- apõderar-se da n~oça. Inadapta. e r e glao .anual e capta~l­ capaz de formar uma po-. E.. o pai. . que se traduz em energia. mostra. 125 . evidente m. capa a inflação da sombra. m. f ingindo situação de perigo. u pró prio caluinho no mundo perigoso. n te v a i e mbora. Aqui um anjo vern em seu au- a amputação das mãos. à medida que este acontecimento Ego ainda dependente e sem personalidade própria. advindo de uma necessidade. de um con scientl::.3 ).r u tivo maldos s ob a sim pl~l11..lm a Jigl~ra mal. capacidade de ação e zadamente o lado g. uma forma de atividade independe nte e não pa- . neurõ s es compulsivas: cerüuonlal d e punfIcaçao ou de S e o m lnho e a n1 a cieira representan1.Rússia: /tA moça sem m ã " . do sacrifício doloroso. que la e ncontra e procura ao luar. COll'lUm levar dois dias e repressã o do patr iarcad o. o espa&:o ljITlp ~za. F r ança: " A m o a !) 'm . ou a cerimônia de desligamento ou a cunha d a . força seu vezes) o diabo est á cm r laçfl 's t r ~it a om l'a nd e f . tino.. sImbolIca. não p lo d ia b o. Co m f r ' l'i ntc ln ' l1t a 'o nl m !) t! 'a d mãe u r s a d e sua cria. o mal e a crueldade serviram aqui també m I ) " . s J"' . cien t e. . Assim pode ser iniciado o calninho d e maturação e de- do.. mas po r . A liITlpeza m á gica.boli. b r s 'm mã s " 4 .. Aliás. sem "aviso". é p e rseguida. perda passageira da capacidade de a gir e de ser ehclent~ demonstrou. que o faz cair vítima da s?m.ente.tas circunstâncias fada .ãe ursa . Co- É interessante que eITl outras va r iaçõ s des se conto de nhecemos tais situações por oleio de cer.o . . 4 Em segundo fundamento n1aior de todas as figuras e símbolos.

Os conteúdos das ç ões conl objetivos externos. vivência correspondente do mundo interior. Tam bén'l aqui nova- identidade entre o Ego e o Animus. Diante da sombra demo- fatoriamente. O s . pelo aspecto de sonlbra que os acom. yl:<?. mas que atuamos enquanto na realida d a O An im I S Jue fala através de nós. bem no fundo estava ligada ao p~z de -restituir a completa aptidão de ação c:l0 Ego. r. e felTI. As mãos crescem d.itivo e renovado da função q\> Ego. nsolida:Ia ~om o masculino.s _(:L~ ~. modo posso ficar somente com esses trechos do conto porque agora o mal é compensado por figura materna de fada. l n~?ém de outros contos de fada. Podemos di vaI para obter penitência com motivos religiosos e supor conl razão que também aqui. hcaçao que leva à alnputação. capaz de repelir a aniquilação sem haver aban- pÍ'ias mãos : EvIâen emente constitui:se a situação _de dono de funções essenciais do Ego..1 \~ . não interessam aos paralelos incluídos neste caso.·dtda .~ " .O enl muitos contos de fada o primeiro en. por exem- não representam no ssa própria c onvicção. 126 .L . na qual o Ego tcm m e nte o nlaldoso e o cruel forçam uma solução triste a de se limitar a entrar em cantata com o mundo nledian. I'' ~_M". como vilnos.\. 1 nlOS alguma coisa convencidos de que som s 11 s ] s.. dizenl s d rir. longo tempo eln 11 • a p . te as próteses fornecidas pelo Animus.l "i aI rofundada de introversão." . constitui-se agora uma figura materna a moça deve utilizar-se da prótese en~v~z de su~~.Qvo-. simbolizadas na criança.i . no nosso conto de fada estabel~ce-se s r moblhzadas para a cura necessária. não se mantém satis. var a ouvir vozes._ qu~ trazem a Muitas vezes é mesmo muito difícil reconh ecer qu um v 'J'd::td H-a mudança do acontecimento _ e que conhece- pensamento ou opinião são ditados pelo Animus e que n 0:-. r \.• .e_-9. . corresporidem a tais I J Itdades pSIqUlcas futuras. forma a harmonia aparente é de novo rapidamen'te des. Ele adquire sua autoridade tW. \ ' \)I~ v • h '. . . ( \ \ ) {Ii • \0-. é conceitos gerais e opiniões. sem es tannos cons ientes dis s . correspondem a uma si- mus dispõe de autoridade extremamente forte e d e gran - de força de sugestionamento.gJj_çl~~L!1P_1. ~ond. . por isso.sem crítJca: Dessa I"em v ida..I I.. Através disso forma-se a Ia:eias. açeitos . nía~a. acaba no restabclecimento o Animus acontece que nós pen amos. o diabo tem um dedo no jogo.. . O intuito de tal procedimento é produzir a situação criança.?sa e não pelo cumprÍlnento de cerimonial de puri- contro entre o Ego e o Animus. corresponde a uma adulteração da relação en~r~ de Introversão maior possível e remover todas as liga- o Ego e o inconsciente (Animus) . como enl todas as e m r trospecto histórico. enfim. 127 \ \ . e a ameaça das possi- concepção do mundo e. do anjo é meramente permitido. logo depois do nasciment~ da dia.r a aInda insatisI:atória. na qual as próteses sem vida podem is dis o pode ser constituída relação definitivamen- çonstltuir expressão silTI!>_óli_c_a do lac:!o _ gnoseolc?gico qa L ~ ~. um. que pode le- ciência tornam-se. negativos. "Esse retiro na solidão do bosque é um recurso me- truída pelo conflito que separa o rei da moça. . 's ta b eleclmento da ligação com as caInadas profun- I ill con~e:iente aprisionado na natureza e que de- Evidentemente. uma situação até ago. anacoreta . como. remonta à antiga condição' d~ guerras. \ \'r.• .oa só pode contar consigo nlesma. COll1. que tinha sido _ ~ (. A s imples UljJão dos namorãâos não é ca. pois ainda .que então surgem do inconsciente para a cons. que.---. ter visões e até mesmo a fornlas de panha. bondosa. )"'lI • 1'11 Rapunzel" ou sob fornla parecida em "Os doze i1'l11ãos " c "Os seis cisnes" . I' .. O aspecto pelo fato de pertencer ao espírito universal.Q..?osg~~."\) . . pois o Ani. maldosos e demoníacos e ameaçam de êxtase". Porénl tudo melhorou um pouco. que possivelmente sofreu influê ncias da rn- A troca de cartas..lnlno-negativo. '•.. EmIna Jun 16 levaln a luoça a novo caminho de desenvolvin'lento e creve sobre esse evento: "Na situação de identidad anlndurecimento que. p . ~I . e te _an. e a s'Ja for- ça de sugestão pela passividade própria do pensamento 'n le nte. ele facili- feminino e pela falta de crítica corres pondente". Somente situaçao semelhante. Desse novo destruir o Ego.

senlelhan t : sacrifício das mão s . nia s d limpeza. grandes explosões a filha a esse hOIuenl. por a qui . T~mbém paciente mais tar de casou-se om um hpm e m que perso. pois eles ficaram noivos contra a sua von.1~ra~ coisas e la sofria d <:. de maneira leviana. Já trê anos a ntes do início do a paciente era praticamente incapaz para agir~ Passava.e do mesmo modo aqui nificava para ela a_ fi~ura paterna típica. ele explosão.i~f"ºha. que pela c onsciência são considerados maldosos e dos dileta.?~ _c.-C 9illI??lsão . o fato de el~ ter si do encarcerada. Ele era v inte esse n~~ j o n~o leva a . o pai. o diabo é b anido pe1. o que indica a renúncia zessete anos.uitrL pr. do conto de fada estreita-se ainda com o fato de que a 128 129 5 . de ser aprisionada ameaçadora (aqui vem ao p r imeiro plano o conflito pro. de ractenstlca. de fa 1 .: Já sabemos que sob esse filhãs e desde a primeira infân cia a favorita do pai. e d essa fo r ma é que veio a dono. em vez do diabo. para pode r encontrar-se a si mesma e não ter mais crises fundo entre as irnlãs. naturalmente. definidos de Qai chã ó h co . Durante a análi. e que.. para a niquilá-Ia. O casamen t o da jovem pa. no qual sucedeu à paciente o mesmo aconteci. imp ulsos instintivos. que perdeu não se conscientiza de uma situação evidentemente o g o verno d e seu mundo instintivo. de cOn tru ir UI11a vid a prod utiva existiam. a quais a paciente se pur ificava p e lo cerimonial. corresponde à vi- Essa mesma situação s urge d e novo no sonho. porém. Voltemos . exemplo.ntid~ d e maneírà ~anledrontaêlõra. Finalmente. conseguida através de re- qual ela o tinha conhe cido. Essa p essoa tem rnedo profundo de expor-se va do pai à favorita) e a considera como disparate .lUl. e deixava-se cuidar e alimentar. que s IntOlTIa se escondem ':::-·cõnlo també nl no caso tratado tinha relacionamento lTIuito Íntinlo com ela.ge. e assim ela se encontra na si: A relaçã o entre o destino da paciente e a dinâmica tuação do conto de fada e suas mãos são decepadas..Jirn:e-ez. lTIuitas vezes fazia vi agens só com sua filha pre. q'u e a seguia nos seús sonhos 1\0 I ado dessa perda da . para tIrar a poeú'a. simultânea à libertação do pai. N ã o é precis o ver s egunda cena surge então o homem diabólico até o qual nisso necessidade masoquística de punição. te como no conto de fada. d e certo modo. . Ta!l1Qém de ol.1-:uma ve~-·srL. ligadas COm manias e fenômenos d e aban- a ele com uma incunlbência. vendera baseado ' no estan aITIento da libido.sms!. fada encontra-se na sintomatologia da paciente. ciente era bem infe liz. Ao lado mento cruel que à heroína do conto d e fada.of unda . No e ntanto ela ficou a n1ai r parte do dia na cama ou ocupada conl cerimô- interiorme nte muito ligada aO marido. com a perda de sua atividade próp riã~ bê'Iatõ. Acredito ser primeira cena teITIOS um pai que.~JimRe~za. através do n10ça paga a sua lImpeza.ãe um ligação í:n.-2 êlb se ele apresentava no corneço as característ icas d e fi.. às atividades a t é agora infantis e não auto determinadas tade.. Na da d e erenlita da h e roína do conto de fada.açi~ l~~ .sucesso c. que se identificava coÍü·-o . em comparação com o conto e ficou horrorizado ao verificar que esse homenl sim.1h ca- nessa mulher jovem existia a lTIeSma situação inicial... Na fantasia do conto era proposto caminho plesmente queria apoderar-se da s ua filha de apenas de. Na a p erig os e expor a outros também.?mplet().. o pai se pertur bou sob o a s p t prospectivo.Exatanien. E la era realmente "LIma jovem sem m ãos "'. junto. colega de profissã o do pai. Em correspondência com esta fixação paterna. porque tinha de tânea por parte da m ãe. b enl conlp reensível o desejo de urna p essoa. a rec~s a sil1. Ela era a l'nalS velha de duas l_~v~~as m~.. pois na realidade fora enviada d e agre sEio .~. quarto ela precisava de várias horas. companheiro d a poca. com traços mágicos bom do pai . tratamento houvera a paraçã . a tal ponto que . p r oporcionado pela ajuda excessi. Consid erenl s agora a pretens a solução do sonho conhecê-lo.. Contos do fad!l .al}!~}e~. p ressão.~_~ a:r:lOS mais velho. ~a.lado gura paterna negativa demoníaca. ao nosso exemplo de paralelo de Mais um paralelo com a situação inicial do conto de sonho.ti~id~l~ · d·~. a paciente quer chegar. pensamentos e fantasias. . Como no c onto de fada.

o~ fo rles s 'nl im_ n1 s d c vidên 'ia qu s urgiram na pa- ça e a filha Ca paciente)._ foi i~icialm~l1. c r uel e de sua assimilação. e doação intrapsíquica a r elação entre as duas equival e a d e outro lado os acontecimentos do conto d e fada pode. então. esquartejada ou roubada. do qual a criança passa de situação -se ver.i~t~rior. ela saiu e assumiu seu tamanho nor- com a amputação das m ã o s d ela s u a S:'líd a d mal. te. ainda ameaça. ou seja. eu tinha lido para ela aquele conto de fada quais esta fora morta. c o mo 1 a m . calmamente deitada so- pai-filha.arido. que -podemôs entender --da gresse:> à solidão. lelo com a terceira fase da narrativa. por meio . Escutei a voz dela. e em relação a esse acontecÍlnento queria. que no conto tem a função da sombra da ligação te nsa. paciente. e c utar d esc ntraidamente e depois voltar à após o casan~ento dela com outro homem. com seu ex-m. : g UI ar ' on~ c uidado. de suá meçou a assin~ilar esse conto de fada. v1l1d le d e ntro do ovo. e atravé s desta tuação interna e o d e stino externo da minha paciente. mesmo depois da separação externa destes e bre o divã. s la v Cl d ntr o de UITI ovo de galinha. no .s. que tinha ressur- própria irmã caçula na disputa pela predileção do pai. de un~ lado entre a s i. Ela situaçã o interna da pac i nte. N a noite seg uinte já referidas fantasias e impuls o s d e s uicídio. d e f raqu eza. a. que nos pode do tempo.1 parto. na aceitação e no proceder da análise. O dia. es ta hora mos trava-se irreq1.!1. alneaçalU a gora d eria ter certo s ignificado para ela_ A paciente. A situação cntre ela e a filha mostrou mesmo que o conto exprime em forma simbólica no re- t'a mbém' sérías pertur oãções. mundo . Após o sonho já referido da qUentemente sonhos e medos a respeito da menina. no seu casa. Aí fiquei distraída. e a deixava. e cresce até sua 130 131 . qual a criança não tinha sido ameaçada.to c om s ua filha e a aceitá-la interna e externamen- cendo mais os fios dos parale los. A isso pertencem tam~ém a s 1 nt ln r l a ' ::\ 0 a e ta ODv e r s a . Ele introduz urna fase na qual preende a lise do ac. a maior parte Em seguida queria relatar um. Finalmente. era incapaz -de cuidar dela. o qLH~ finalmente levou à regeneração ffada à mãe. A 1 I-i.. contida na casca de ovo.Üe ta e explos iva e altamente bo. Aqui s e h á tant o tempo esque cido. No começo do tratanlento surgiram fre. nos p a ciente. naçã o de p r ocura. Eia projetava em sua fornece r certa visão de como a psique da paciente co- filha os problemas sérios de ciúme inconsciente. \ " o nll ti : bém as idéias pavoros as de s er a sass:i n a J a. nlo l· t~ ou le v a da e mbora. A filha lhe foi entregue. s u a ca!'ia p ara refie ir. assim como também fortes sentimentos de inveja para dizer algo a respeito da problemática fundamental do com a mãe. após a separação do~ pª!.ontecimento na e rmida com a r e a paCIe nte g r adualmente con1eçou a encontrar relaciona- l-leraçã o das m ã os e a r e união à figu r a do Animus . m en. O conto pode ser subdividid m tl" 'S fa c . uma filha. Jc a n á li s . casamento e nascin~ento da c rinu . 1. igual à heroína da história tem. E la a a b a 'on1 E s t e foi o primeiro sonho . A segunda contém o início d e rela ciona m ) t om . no s onho. e em no s sa conversa chamei percebe claramente COIUO as agressões homicidas graves.te con-. Até n ssas minúcias vai o p a r a lelo íntimo ent re o c on to 1 fa d a a M st r ara m -Iu e n~inha f ilha por Ulua fresta. e o meira trata dos acontecime nto s e nt l" l . uma introversão proposital e mesmaforma. que eu devia . pôde . a atenção sobre a possibilidade de que esse conto po- resultantes da relação estreita pai-filha. que por causa de suas perturbações graves d a posslbIhdade de agir. g~do. um para.~omo o simbolismo do conto as descr eve. que até as relações desta filha com sua própria c r iança. a t e r c eir a e últim a o m . antes tão perturbada. Te.:\i ' filh a a a bn vo q u e brou. L a m nto ser impossíve l descrever no sentido de perigo mortal que pode aniquilar a crian. Aqui sucede o mento. conSCIente e mediante isso a interação com o próprio A fi~J:1. fraquinha. sonho. mem. U11. pela primei r a vez. após cento e cinco horas a expulsão do castelo real e o novo c omeço da p ere r i.

foram necessá- exigia. a condição sada agressão anterior em relação à filha s6 existia em para a ressurreição. A isso cor- midos pedidos para ficar um pouco mais quieta. Há somente ra desajeitada da paciente.. está preso a um potencial A forma de assimilação da agressão .que a produção de fada. Sig ni.. O desespero abre a porta para a ex. que tinha tos de in icia ção . Poder esperar é para o dcsencadear do processo d e nascimcnto. familiar e da arte . a percepção do sofrimento como a tem o animal. vigente são a condição para o surgimento da transfor- gotamento que praticamen Le fazia tudo o que a menina mação. Hillman 63 diz a esse respeito que "somente coletivo de nossa cullura hodierna. ta parece. No seu trabalho sobre s uicídio e transforma. Muitas vezes a paciente se punha de cócoras.a l tura normal. po'·que nao o que qualquer que tenha vivido dentro de s i mesmo era possível conseguir que: a cria n ça a tendesse a seus tl. Lorenz v ê. evolução e amadurecimento do indivíduo. é aproveitada surgi r . e mesmo para o homem da idade da pedra. o "status qua" de forma bem diminuta. e leva à quebra da casca do o ins tante.um ins tinto primário de agressão. Uma vez que suas normas inatas de ação- brado essa "casca de ov " d e id é ias românticas sobre -reação só podem se . Com isso ·o n segu iu pôr limite à expansao aceita. semanalmente".no sentido da conser- imagens do so nho de esq uartejamento. de certo modo. d e maneira n e nhuma. de agressão que não pode ser desviado . u I timamente. e que aqui é mostrada é. que no começo eram executados e nos muito ânimo para viver. antes. sividade} também minha paciente não el"a capaz de se que já está contido no conhecimento dos printitivos ri- defender de forma adequada contra sua filha. ch_o o rias energias internas considerávejs para este processo. tornou-se cada . para duas grandes exp losões de raiva. vê no homem dessa menina muito viva. Mas essa agressão atenuada. Ela não explica. porém. Quando a crian ça por algumas quais a morte triste e a destruição da situ ação da a lma horas visitava a Illãe. to de fada. no decorrer da análise.· maior eslabilidade e energia dIa_n- olhar sobre uma concepção de Lorenz. é o pressuposto humil. També m deste ponto de vista devemos con. tal corno é . ao mesmo tempo. Para estas energias estan cadas e que agora não podem siderar a crueldade. vá lido e necessário . enfim. 65 E es- profundo. I gual a tudo . e a não se faz valer suficientemente a capacidade de trans- identificação completa com este. o fato da estímulos de comportamento agressivos fosse suficiente modificação solicitada e realizada pelo sonho e pelo con. era.corno germe daquil o que pode ovo. parece-me lógico ainda lançar um mais capaz de mostra . que se produ. " muitas mães com estancamentos co ns id eráveis de agres. como mais ser validamente usadas.a lteradas no decorrer de um te m- um pequeno ser. quando se pode aguardar. sÓ uma panzé. que só o educa- po f ilogenético t50 len to corno o das estruturas orgâni- mos "deixan do-o fazer O que que.vez Nesse contexto. Parece-me bastante importante que a pe. e do conto de vação pessoal. o homem. aliás acei tável para ambas. auto-agressão patológica que não tem qualquer sentido como único meio de solução. periêncü\ da morte e é. no son h o. morre ao nascimento do desespero. Ela se tradu z na maneI. Aqui é visual izado outro lado do acontecimento. A vida como era. a única possib ilidade no quadro ção da alma. filha quando.·". faceta do sentido inerenle ao acontecimento cruel das sem dúvida. que te da criança. No nosso caso. esta chegava a la l s ituação de es. 64 Este autor. cas. anlável e encan lador. "Para un1 ch im- ziu na paciente. um processo de metamorfose pode confirmar. infli g ida à menina em ambos. uma exteriorização. porém. A meu ver.. Nesta concep- 132 133 . rando e desamparada no ca nto do qual·to. respende também o fato de que no segu inte sonho da ficou grande alívio e melh ora lia relação entre ela e sua paciente só havia pequena parcela de agressão. moderno "um ser que foi arrancado do seu ambiente Nesse meio tempo a paeic:nle: linha conscientemente que- vital natu ral" . evidentemente. geralmente. posição da libido que existe em geral no processo de de para mudança .

Antes já indi· dominantemente de grande criatividade. traço claramente bem expresso nessa fi- gura do conto de fada.ção de uma teoria inespecífica da libido. A t e ndência masoquls'fá pode simbolizar o desejo profundo de sub- missão feminina. exis- tia na paciente. pode estar oculto um processo de desenvolvimento cheio de sentido. parece aspirar a uma unidade crueldades. tem en tão a função secundária de quebrar a estrutura infle- xível do complexo do Ego. como ser natural. sua conscientização. O homen~ . O aspecto tratado aqui pertence também a eles como ca- O componente claramente_ masoquista. bém não é mais do que potencial de força. para dentro pode ter sua utilização no processo de for· n ão contém só o lado bom e salvador da natureza. nem imaginados nem escritos pa- bém o papel que atribuímos acima ao diabo. Ainda hoje grande número de adultos. diri gida ao Ego. constitui·se "em estado nascen te" na filha. 66 é fato empírico "que a polaridade primordial. por trás da crueldade de um motivo de conto de fada . desadaptado à s ituação atual. a aquisição d e confiança numa ordem s uprapessoal. de vivência feminina. chegar a entendimento com elas e poder re- empírica. na qual mesmo o inconsciente negativo tem sistir·lhes. Tentei demonstrar. Adler. Este existe não só fora. provavelmente. são atraídos por camas a quantidade de energia disponível para tais pro. Esta possibilidade ain- da n ão des envolvida.trou- xe. a agressão tam· cruel e o horrível no mundo. que a vida lhe. Ele deve. a frigidez com di stúrbio sério de entrega. não produziu a transmutação necessária. que dirigida mas também dentro de nós. corres on4endo à gravidade de sua doen· ça. neste caso particular. A agressiviêlaaecruel. O mundo de imagens dos contos de fada não ten d ê ncia latente à integração ". Eram justamente estas qualidades que lhe faltavam completamente. esses motivos para uma contínua assimilação interior. que não pode ser omitido nem aluputação d as mãos. Assim. já d es- d c a infância (como vimos no caso da menina que queria achar o lobo ) a necessidade profunda de encontrar o 134 135 . que. Segundo o que diz t~bém seu aspecto temível. encontrar do mes mo modo essas ainda não desenvolvida. aspecto mais proftmdo e mais construtivo. de desfazer a forma vigente do Ego infantil que. foram. como. no caminho de G. Com esta atitude ela podia en- fim aceitar a dor. no segundo sonho. mas mação e diferenciação do psíquico. O inconsciente as oferece a e la no sonho e nos contos de fada como compensação de sua atitude consciente que é restrita demais . como sen do ra crianças. cessos. pre· wna força que leva ao desenvolvimento . Parece-me geralmente existir no homem . perda e sacrifício. contido na J'"c tel'Ís tica integrante. pode ser considerado também sob d ' ixado de lado. A isso corresponde tam. sai do ovo.

di.didade do IUlmdo interior para ser . que esse acontecimento já constitui valor em si mesmo por- leva ao alargamento da consciência e à transformação que pode levar à libertação e ao alívio de uma sintomáti- do ser.entadora. que antes nunca tinha feito algo sirrlilar. intensidade e liberação fazem surgir na ser trazido para o consciente. ca atorn1. tudo tí ti. ventualmente feitas com certo dom ar- confusos à nossa cons iência. Assim. ou tão fort que influi niUdamente nas contos d e fada. Acon- mos à pessoa qual é este desejo. u OJ tos de fada próprios são inventados e fíceis de captar ln lizíveis são os HlOvimentos e aspi.as o seu afloramento e contemplação que ajudam Há muitas coisas cm n ::. tes. n1. 11. e con1. o médico e seu pa- realizado. então tentará dar forma ao ün- dem ser levados para mais perto da consciência. Muitas vezes parece que existe um desejo vago mo n formações os elementos de contos de fada dentro de nós. São lepoimentos e aconte. dizer o indizível e plasmar o caos borbulhante. dltatlvas. pessoa.çntados eIll desenhos ou esculturas. n1. quando qui- valor g nérico.as quiser pletamente indefinido. quan to mais criadora no processo de pro. os conteúdos expres- 136 137 6 • Contos de fada .al sÍlnbólico surge. pegam o lápis de desenho a caixa de pintura. E quando são de pouca lTIOnta quanto ao seu homem estiver interessado na consciência. que parecem distantes e mações belas. Tão indeterminados. tem no COlue o essas características.alS materi. necessidade de representar de algum modo aque" les sentImentos que dificilmente poderiam ser expressos en~ palavra. Assim diz a psicóloga suiça J. ela.a pode entrar nesta atividade e conhecido. deve quanto interesse. O fato de palpável. . Tudo o que é novo. Jakobi . Não é a repressão de situações desagradá- veIS. b ertação ". não teci~ n~ s fabulosos surgem no decorrer das imagens poderá responder à int rrogação. quan- podem explicar e evidenciar algo que até agora era com- do almejar saber não só que aquilo existe. a música. orno os conhecemos já através de so- nossas disposições. fracas que ainda não tenha sido experimentado ou vivido. s5. e ou Infantis. nüo r. nhos. a massa de ITIodelagem ou 'a caneta para escrever poesias ou histórias. escritos. tanto mais importantes são aqui porque ser descobrir o de conhecido dentro de si mesmo.esenvolvem só entre duas pessoas. porém. Todas estas ações acontecem para dar expressão própria e forma específica ao Inundo O conto de fada como expressão interior. Motivos de o percebemos. Muitos pacien.aras vezes. a ajuda da qual o novo e o des- energIa estancada de aln1. e por meio dela advirão alívio e li- exprimir racionalmente ou fazer entender por outras pes.o reprc:. provindo do além do mundo conhecido.1. papel de destaque. muitas vezes.co. É d e pouca importância que se trate de for- rações surgidos em no sa alma. Muitas vezes é admirável verificar quanta cada homem.cimentos que se que eIuerge da prof w1. espontaneamente. Se então perguntar. 67 Mes- soas. Quando o · CIente. Enquanto. que se trate de tentativas desajeitadas. d. ou. "A experiência mostra mesmo que. o qual pode ser tão fraco que dificHmente têm.sa alma que não podemos a conscicntização. humor e ações. Muitas vezes também eles se aprofundam no seu mlmdo interior de imagens 7 sob a forma de meditação. Em cada tratamento psicoterapêutico profundo. Dessa maneira esses conteúdos po- experimentar o que é. .fundo se encaminha o trabalho analítico e quanto n1. tanto mais se torna pre- desenvolvimento da alma mente a. realizam-se processos semelhantes. dar forma a eles é um dos meios auxiliares muito valio- t parte daquela força plasmadora criativa imanente em sos n~ terapia.

quem sabe se ele não a ouvirá". Cer ta manhã ele es la va de novo perto dela. II Oxalá. escreveu certo dia o se~il]tC" cm vão. No começo de seu ll'. ele as plantava de novo n o lugar onde as que o paciente fique preso na Dlera expdsição de suas havia achado. dia falar. A ll1aioria das flores se recuperava fantasias. Todas as s uas colegas já tinham sarado havia mesmo tempo. no. per. o fundo de seu pró rd o muito. demoravaITI mais para sarar. por c ausa de seu 111u . Com c uid ado a fada pegou a flor nos seus braços quando o jardineiro vinha para regá-las. jardineiro a encontrara nUOl canlpo. disse-lhe impacien- conto de fada: tenlente.sos não são levados à consciência e vivenciados. muitas del as estavam meio murchas. Nesse caso a quantidade daquilo que foi era localizado na mais bela parte da região. No dia seguinte e le veio com grande enxada res. triste e desesperada ficou sozinha. e não Seu jardim não se parecia com nenhum outro que sentia força algwna para curar-se. se pudesse encontrar no mundo. quando tudo dormia. à primeira pancada. À noite. qu (. Berlim. Quando. porque a doente em presença de outras pessoas. O alturas irreais. As flores manti· neiro no seu sonho. poucas. no ponto culminante do norte. Então ele pinta ou escreve. Mas 138 139 .. quebrou a a lma da f lor. tro de seu mundo de sonhos ou que telTI s ido levado a U nl a flor de trigo permaneceu maj s telnpo. Outras plantas reconhecimento do fato de que ele tem fugido para den. "Vou lhe dar e can sada. vi. muito vivamente.:1tamento a paciente c omparou-a conl as outras flores e aehou que to· somente desenhava imagens. ao invés de viver rapidamente sob seus cuidados. porque não po- via. di sse-lh e. e raras vezes. havia alguns Uma paciente descreveu e~se perigo de forma b CITI nlcses. Era uma jovem de dezenove anos qu proc urou O recuperasse rapidanlente.d O ten. com cxcc ç ão de fl or parecia lel. mas parecia frágeis e suaves que os homens não podem ouvi-las. Era um verdadeiro hospital das flores. porque havia muitas d elas doentes na região. "Ainda vou t. de certo modo. para junto dela . Durante a noite diam falar com e le porque as vozes das flores são intcira a flor falou a e le . entre outros m Olivos. pCl'ceber melhora nenhuma você será arrancada. tristemente. abdam c levemente. sem ser percebida. e la estava quase rnurcha. "Tenho feito de tudo". Diariamente o jardineiro plantava novas flo. co. Elas não po. há muitos anos. que é perturbação relativamcJ1te ral'a. de flores. Hans Lack. e voz por uma noite". d izia o jardineiro freqüentemente. A flor olhou assustada para ele. deu a fala. e. Ela. lTIaS depois foi como se tratamento. aos poucos. só levalu ao sol brilhava quente e claro no céu." lá onde o sol s6 brilha durante algumas horas. "Apareça ao jardi~ outras eram a tacadas por lagartas. D I~.entar uns dias. Quando bertação resta passageira. mas se não Em cel·to lugar. a pro te tora de todas as plantas. Uln homem que era jardineiro..dia-a-dia aspecto mais triste. e todas que achava trazia para seu jardiJll. comportamento. veio a boa fada mente plantas d oentes. nâo consegue falar. dos os seu s c uidados e tratamencos tinham sido meçou também a falar. porque o jardim e experimentar. piorasse a o lhos vistos. e conl isso expl"im iu ao sigo. Nele h avia unica. flutuasse no sonh o do jardineiro. soubesse o que e la tiSIDO. e outras flores já eSlavam no lugar des tas. Existe também o perigo de saravam. essa li. e a mais viva e bela exposição. mas o estado da flor de trigo ficou inal terado. Devo esse material a um co lega. que s ua voz não era ouvida. Todas as p lanlas tinham aparência tris te án'ol'cs e arbustos. fez com que ela seus olhos e fitavam-no agradecidas. flores. nham s uas cabednhas para baixo .". onde o produzido. junto com o qual tratei dessa pac i e n ~ Realnlente no início parecia que e la também se te. e ele a levou con- concreta num conto de fada.

Para lhe parecia nlaior c u1ais quente do que antes e à o seu matrimônio ela recebe um par de asas. que pôde. O sol das flores" . voar de uma flor para "Para onde estamos voando?". par. é bem audível para os circuns tantes. onde vive O c onto da paciente. disse len tamente. em contraposição ao do poeta. de And ecsen . tém o c antata com o mundo ." capaz de entrar em contato com o jardineiro-médico. lá em im a v ' startí num jardim lindo e podia també m cantar. di sse ele. "dcveri a ter saído do jardim. e feliz e livre flutuava na de um castelo. por mais etéreas que suas figuras possam estava no seu inlerior uma ga r o tinha d o tamanho de um ser. elas permanecem neste mundo. ao I'Re pare".rido da in. porquc o S e nhor a ama. enqu anto a flor de trigo é arrancada da comparação en l'·C o cun leúd des te e o conto da pacie n. longe do tão f e liz lá. rcs ull1ida. são ouvidos e. Conside. No fim dos contos d e fada ambas as figuras chegam a outro ambiente. Lá. de modo sua frente s urg iu o sem blante d e um belo a njo. rnas não a persistê ncia em sapo a rouba e ela d eve casar-se com o filho do anfíbio.. Elisa casou-se com um príncipe destes. o conte údo d es te conto. deliciam-se c om seu canto. Em "Elisa terra. a flor. pel· to d e DCLl s . sai das flores um ser humano ou parecido com seus olhos bons e a co lll'dores. terra e levada ao céu p e lo anjo. Prime iro há o motivo da flor. fl orz inha! " A flor de o vôo e O anjo. çar par a sempre o amor e os cuidados dos outros homens. p erguntou-lhe a outra. c finalmente há em ambos os contos: te porque você n 50 a rou . claramente. corno ningué m jamais ouviu antes" . Suas histórias e contos vada . A vozinha fina de Elisa. como aconteccu a todas ~I S fl ores. como todos os anjos. doença sem fim que contém o desejo perigoso de for- Com a ajuda d os p e ixes Elisa Polega r c onsegue esca. te e seus pro bl emas .fâ n c ia desta m oça fica n este mundo e recebe com o seu casamento c apaci- era "Elisa Polegar " .stamos quase perto de c ontrjlrio. isto é. s ua alma ficani co ntcnte. mas Elisa O con to de fada p. "a uI'a c. sua incapacidade pa- 140 141 . de modo tão bonito e encantador. a um país quente do s ul. Homens e animais rá. manizada.-a -e u inte rloc utor e fitou Andersen. ex- uma série de aventuras . enquanto no conto da paciente a flor é hu- do".. As diferenças existentes são que. para trigo levanto u o . di sse. e paI· isso que no é u n ão h á flores d oentes". não há flores doentes.·e l"". E o anjo falou a respe i to d e um grande céu Inconscientemente essa moça tinha incluído alguns para flores . e não é de admirar que ela t ambém não seja sozinha no ca mpo ex tc lI so de onde tinha s aído . que era c h a mada "Elisa P o lega r". ela não sentia mai s dor. fica bem And e r sen relata que cer ta mu lhe r d eseja a rde nte. Quando esta se abre. e "ela D e us. e rccebe de uma bruxa um grão d e ce. Há nelas a resistên- polegar. no jardim turbado. Após uma viagem com prida e perigosa. como símbolo mente.c -Ine s ua vida"."Mas como é que lá não h á flores doentes ?" Outro aspecto semelhante é a existência de vozinha fina. Polegar" é wna tulipa.·ando a flor. morava em cada flor um pequeno "anjo direçã o do céu. recebe a fala e sentimentos humanos. quase inaudível. na paciente uma flor de trigo. lá e m em a .-OS l O pa. Um dia Ull' cia a perigos e aventuras. Nele aparece. uma pessoa. tod"s são sadias e fe. Mas eu me sentia A paciente permanece em espaço vegetativo. finalmente c h ega. O anjo sorria. no dorso de prime claramente seu mundo interior fortemente per- uma andorin h a. "Conl. que sua voz fique inaudível. lizes . claro no confronto que a fantas ia criadora do poe ta man- mehte um n e n ê. tinha m 'do d v ltar e ficar outra vez consciente. onde via grandes nuvens. "Sc e u tivesse sara. do mundo da fa ntasia da pessoa em ques tão. Nesse luga r lnotivos desse con lo de sua infância na configuração de o sol sempre brilha e o céu é mai s azul do que na sua história. Va le a pena fazer wna dade para voar. nos dois casos. e O anjo voava a da vez l11 a is alto com a flor. "con. da qual nasce linda tulipa. . Pdn1 e ü"o quero re latar.

O rusco de vidro encontrado no mesmo suas idéias durante a hora de tratamento não sonho anterior e que levou a este processo de medi- levaram a nada. bem diferenciado. a título de mais um exemplo do surgimento Devagarzinho veie> lnais perto e eu desci em a Jgwn de motivos de contos de fada dentro do proces so da lugar da África. o na cobra e voei com ela ao Tibete. l"Olllalla. Não ' q"alqu " . circulava a esmo. Trata-se de acontecimenLO real em a gruta desmoronou.e Queria apresentar aqui as imagens de meditação de se volvia lentamente.ra falar. Ele não soube interpretar esse simbolo. mas muito enervado. é processo psíquico muito comple xo. Então e le Aí começam duas séries de imagens. Aí se transformou em grande co- a persistência na doença e sua tendência a fugir do bra a lada amarela. porque por meio dele a doente pode teiro. Mas esse disco de vidro despertou seu l::tçiio. Nos con- Duas vezes comecei a meditar sobre este disco.da a ção d es. diminuiu de ta. vive e po e arava. trata do assim chamado "pensar em hi s tórias de qua. bosque à minha frente. e por isso resolveu me. e balhar produtivamente. Junto com dois amigos ou amigas ele encontrou Trata-se aqui de um prob lema deste homem de meia num pasto Wll disco enorme de vidro com 10 cm de idade. contou o sonho se- guinte. O paciente.68 do c bebemos água. Dentro da psicologia analític a semeei trigo. Na sessão seguinte trouxe estas ra tornar visíveis os conteúdos inconscientes. O rusco se transformou no globo terrestre. Havia uma tênue neblina. Entrei e vi as personagen s principais da história drinhos". manho e sumiu . para um mos- conto tem valor. embora seja ativiclnd c qu a l ô levou a uma enorme gruta. reunidas Dum banquete. E le começou a andar e fui ao seu encalço. não quis ficar lá e me retirei. lembra-nos a função da bo la dc cristal do método interesse e o fascinava muito. A. de bruços. Aí montei de onde não surge mais nada. I ara o qua l po. tem nela. e de novo havia um tro de si imagens meditativas e participm. Na primeira o paciente é leva- 142 143 . D. Como I'Yantra" ela serve pa- ditar sobre ele em casa. Eu estava também no bosque e mundo para dentro do reino celestial de sua fantasia. ver o mundo inteiro. Senti-me mal. no qual se pode redondo de mármore . que não podia ler. Cinzelavam primeiro conto comentado neste livro. anotações: Meier 69 informa-nos de um sonho parecido. Apesar de tudo isso. Interrompi por isso a meditação e a recomecei. Ele me que consegue fazer isso. participando com seus sentimentos. Eu estava deitado num cam- tas. em que urna peclt'a preciosa desempenha a mesm a função. indiano de Hfitar o cristal". fechada com grandes certo grau pode ser aprendida e exercitad •. Finalmente fui com o animal até o isto é chatnado "imaginação ativa ". sobre sua capacidade de tra- espessura. Aí de olhos fechados. lOS ele fada o vidro lembra O espelho. que contêm um rolou para um bosque ao longe. Um belo touro puxava o arado. um símbolo que já conhecemos do mes nos quais egípcios trabalhavam. Um homem me sam como se fosse filme e a pessoa fica pas sivamente deu vinho tinto para beber numa taça de OUI·O. meços de um dia ensolarado. dos co- formação psíquica. um paciente. N ã o ~ e pedra.. na hora da análise. acontecimento fabuloso. Quando me aproximei elas se afastaram. Sobre ele surgiram andai. qu. exprimir algo sobre as aspirações e conflitos que exis. Eu estava olhando-o de longe. A capacidade para deixar brotar' d 'n. para entrar em cantata com outras pessoas. no qual uma série de imagens surgem e pas.. Depois sofre tudo o que acontece. e vi um grande escaravelho dourado. também é necessária certa disposição. Eu estava novamente no cam- que o Ego. no bloco um texto. Desta manei ra consegu e chegar ao limiar que Era assim: lhe dá possibilidades de ser tratada.

cansado de caçar. ~o Ni Ul<:\ll cl ' . serve COITIO exprcs ã dis u . O que significa justan~ente o con. Nisto o compa- do interior.rgia psíquica para a introvCl'silu . no sentido de conseguir renovação da força vital. evi- contos de fada. Esta energia quer voltar-se. t '> r epresen ta aqui parte personificada da alma do rei. desaparecendo no morro. houve sensível n~elhora dos sintomas. não só para o exterior con~ trário do vôo às alturas. aparentemente.r o 'd I s N sonho do paciente os romanos da gruta estão em mais do mundo. a gruta desmorona.". Mas em à sua casa. O Tibete está muito [ 11 " ' rela ~o streita com um problema seu. faz com ela uma quarta história). bom exemplo dis so.71 a dicotomia da própda energia psíquica. de um de seus companheiros fiéis. Eles começam a cOI"dar quanto ao acerto da [ccis~o do p a i ') tc d ~ 11. Jung.\'0 também é motivo freqüente nos contos de fada. vam nt produtivo. Tamb ~ ll. símbolo de força e vigor mas- perava suas possibilidades de com pr "cns '"to . dinamislTIo e vontade de construir. 33ss. \. Este o leva até à gruta que está fechada dentemente torna-se necessária ainda uma realização ati- com pedras e que se afastam quando ele se aproxima . e isso também encontramos no conto . Súbito este vê que meiro conto. existente na épo- indiferença da mística budista frent a. Po 1 mos clis. O soberano. o paciente t m .1 0l11pr~ n srto para O l da r m 11. uma v z q u ste le poc!" ir m o touro. p. A isso corresponde o fato de que em e aí surgem atas irresponsávci. O contraste entre cobra e touro representa. mas também para ro o escaravelho.. para com o domínio de sua ern dirigir--se a "modelos" d e sua pr pria ' . em bico "A história do carregador e as três damas" 20 (na vão. O símbolo ximadamente 593). segundo Na segunda meditação o pa iente aterrissa e fi. nheiro conta ao rei o que tinha visto. Apó ter bebido o vinho. segün- do por uma cobra alada a um mosteiro. lc p J'uf issi na!. do a relação. o que. Aí o amigo desembainha a espada. ~ s mpr a I i a cI pr pri . G. dio daquele pri. correspondente aos animais solícitos dos No nosso exemplo é recusada a entrada da cobra.). co mo sobre uma ponte de ferro. Ele interrompe a meditação.50 cavar naquele lugar do morro e encontram então tesou- seguir essa tendência. 1 historiador e ' seu campo de trabalho era a his- mundo das aparê ncias) é de difi i. que vai até um riacho ali perto e tenta atravessá-lo. porém. 145 144 .. e após a compreensão desses con- que deixou a mulher e filhos perc r n1 na lIlis "I-ia. conta tação a cobra alada correspond Lcnd ~ ncia forte da ao companheiro que sonhou ter atravessado um rio por ene.. °a C. Aqui ela ainda por cima é guarnecida de da boca do rei sai um bichinho parecido com uma cobra asas. 01 lO ativí lo. N '. até agora homem ocidentaL Provavelment o paci nte rará mcLh r Cl 'a p sula la n ln' n i nte. Na medi. e agora desistir da relação com o gnomo. ros imensos (7. tinto condutor. Está bem claro que o bichinho pessoa que deterrrlÍna a cscolha d aminho . acordando. do o qual o rei franco (ou porgonhês) Guntram (apro- não lhe agrada. que evidentemente representa um ins. de novo na boca do reí.tciro. onde naufragara. Aqui ele vê primei. aconteceu no segundo exempl . e a leva de volta sa para o outro lado. A cobra é um d elTIÔnio b enevolente que se segunda o animalzinho volta por sobre a espada e entra n~ostra agradecido pela ajuda ant s re ebida. 'eguida ao tratamento. ter entrado num morro e lá lugar afastado da civiliza ão e con n lJ"a lu para o mun.::" Na fantasia abre-se a relação. con~ o nariz no chão. ter visto grande quantidade de ouro.1 " IU ' t clev i J' in r . m 1. te údos. dentro. H. uma cobra alada salva a heroína de espécie de pont~ sobre o riacho e assim o bichinho pas- uma ilha isolada. No ciclo ará. trabalhar no campo de sua vida e tornar-se no- masiado grandes levam muitas v zes à iljfla ã 1 {qui a.ltllra. senta-se' debaixo da cobra como expressão de forças instintivas profundas de uma árvore para repousar e deita a cabeça no colo nos é igualmente conhecido por interm. com a cobra. va em prol da construção da existência.F lu '. Visõ ' S u1 in . isto é. von Beit cita um conto do Diácono Paulo.

porque ainda vender às pessoas ricas da cidade vizinha. lin da e e n cantadora. junto t ivesse s id o cas t igad o por terrível fl agelo. VIVIa. tomou forma s ma is prec i as c foi escri tn . não se c hamava Manda. P egou-a.o. tivas. Embora o conflito não viera enca Ular na beira d o lago uma caixa. mas Amanda. de onde tinha prova. apesar das tenta. Coroo encerramento d este livro queria a inda apre- cam p o um rato que queria r efugiar-se por b a ixo sentar o conto de fada escrito por um homem de qua. e assim os profissão . O filhote de corvo es tava emba ixo de árvo- Não agüentava m a is nada d entro do paláciO que t i- re na qual h avia um ninho. ele. no bosque. co m o também o confli to atua l e a proc urn dc n1cntc o pintor es tudou esse livro assiduamente e solução. os três procurassem muito. onde se fosse resolvido. E m UI'LO assim logo podia entender-se com J acob. qu. sem que isso fosse claro para c1e. qucb . tl e CaIU Manda. l1um.a . vesse a lguma relação com sujeira ou d esordem. veio un s três anos depois .a lc ia A. r esolveu pintar quadros para Com o t empo e la foi se consolando. mas )'enta anos. porque e la h avia gostado do Uma vez. No dia seguinte o pintor a encontrou com a asa O co nflito exis ti a h á algutn as sem a n as com grande vio. espaço de tempo (aproximadamente lll !la sc man a). achavam a l g uns livros do espólio d o famoso vete· p e dia d e trabalhar. e depois J acob permaneceu fielmente com Leiro. Com a queda A meu ver e la possibilita boa concl usão de nossa V i OgC I11 quc e la sorreu ficou tão m achucad a que a primeira através do país d e con tos dc fada. por junto de um lago. c vel mente caído . encanou lência e intensidade. Ele estava num conflito sen timental muito não viu um varal que o pintor tinha es ticado ali. rios a viu uu) d. e um dos compênd ios era um traços de caráter estão personificados nas figuras da di c ioná r io co mpleto da Iing ua dos pássaros. n ão ganhava muito e conseqüente m ente vivia em Tudo teria ido bem com os três se o país n ão cabana simp les um pouco fora d o lugarejo. n ão ach aram mais o A.m m esmo lugar. invej a. a coruja. p e rdera s u a sombra d e forma co mo pequena bolinha de p lum as que pipiava de i nexplicável . alimen.e não era bastante claro e inteligível para ele. Seus própr io s rin á do Dr. Como s in a l d e gra. De v ez em quan d o ela ralhava com J acob . Esta fantas ia s urgiu espontaneamente e e le ti. Depois disso sen tiu grande alívio. lago. Manda ficou tri ste. ao menos a ten são h orr ível . cada pelo saro adulto. ass im ficava a ndando para lá e para cá o dia in- tou. e desde então fi cou p essoa esquisita . dura nte conl seu s d o is amigos: o corvo Jacob e a coruj a muito te mpo. um por Ulll. que o im. medo. Seu p ai tinha s ido ferreiro no i sso. quc se cncon t rn '11 1 vogal tinha sido arrancada de seu nome. Foi assim: a filha do rei. e era m e io sonhador. Manda. p r incesa Manda. E la vira no dos muitos tapetes na grande sala d e coroação. que tinha b raços fracos firmenlente g uardadas entre as consoantes firmes . sério. Logica- f an tasia. mas o filho. mesmo quando já es tava cresci d o c já poderia Chegou ao ponto d e que um dos velhos f uncioná- viver soz inho no b osqu e. tinha d es aparecido . Ficou sabendo que Manda idé ia s urg iu . p recipitou-se sob re o animalzinho. um pás. E lcs se e ntendiam muito bem porque. e e mbora nossa alrna. uma vez que s uas vogais fracas esta vam be. h á muito tempo. um dia. Com isso tinha do is outros aa em seu n ome.ia limpan d o. O pintor o levou para casa. não longe d a cidade Zuntrapcz. Ele tinha achado Jacob tU11 dia . e 146 1 47 . dc tal modo que. removendo a m enor quantid ade de poeira . a asa e c u id ou d e la até sarar. da cabana. quase não lhe era possível concentrar-se em s u a t idão e l a ficou t a mbém com o pintor. Doolittle. três viviam feli zes na pequena cabana p e rto do nha a sensação de que devia escr evê-la e a nalisá-la.'ada e m frente à s u a porta. o corvo . porque a ele n ão poderia ter acontecido um jovem pintor. a coruja .

porque seus sapatos . a coruja. Mas i s o não e ra ver. a ud iu havia fantasmas. Urna vez. va a todos a tarefa d e ir buscar sua sombra. t inha se e nroscado COln o 158':' fio. M li l a n t s n . por pensàva descobrir algo l á . em c e rta s noites. por dia colocando cad a cabelo no seu devido lugar. os sociais-d n1. d s . tinha d ser ~ arr a d a para r ei tinha :m andado fechar esse quarto. Ela teve sor te. E as- chichavam às escondidas qu e la era vaidosa e orgu. pagar muito caro os alimentos trazidos do estran- talar urna fábrica de alçad s só par a ela. limp za cOInpulsóri a e co. personificando a fertilidade e só um pouquinho. Ning u é m era mais mod 'sto e hwnilde do que a princesa. e quando lhosa e desejava " apar "' cr". le vanta do e perc orrido os quartos do pal ácio.üta g<::n te conversando. Eles precisavarn sujas. ~sido uma al egre mocinha. Ela não fazia nenhum tra. como. viurinho in . Na é poca anterior à doença a princesa tinha sagradáveis ela não se r 'Llsava a fn:l. As árvores companhia de soldados.O ratas. e ouviu bar ulho . Passava horas l1. e mbora est n ão 1'0 S' tão lnau. nem rir.~u ao porão e viu luz pela fresta da porta do ve l des maia va quando estava muito t lnpo UJn . e la nem agücnt~'v o h "iro do pró.ais os seus quadros. ainda vinham fazer javam par a lá. da:queles a que"m an1. porque. se m . Não podia tor sofria e g emia. porque estava COlTI medo da con- 148 149 . e herdeira do . ficou sabendo a história inteira e con- ela. e por b aixo. e faziam b r incade i- cisou de uma hora para d esembaraçá-los de novo. fazia tod s as von ta l·s d seu pai e tou-a a o pint or. porque a exemplo. Muito tempo atrás os soberanos a cabeça em sinal d e espanto. I sto a d e ixava bas tante triste. ficou sabendo alguma coisa na primeira noite. que neio o 756'! cabelo do lado esq u erdo da cabeça percorriam os bosques vestidos com peles de ur s o . M esnl a isas mais de. Todos via. teiro de perfume sobre o rpo. 'Í. quando não conseguia dormir. bebiam muita cerveja. no p or~"t o. ficou triste e uma noite ela fica ria muito caro se tivess d comprar todos os voou e nl s egredo até o quarto da prince sa. porque geiro. porque lá fora. ficar comprova n1. U ma noite. Em- prio corpo. Nunca ha. I pondo-os depo is direitinho em fileiras corno urna o bem-estar do reino. frutíferas não produziam mais. havia se vel que pareça.da d -. porque isso estragaria cresciam urnas raízes finas que não se podiaIll co- sua maquilagem Ou seu p e nteado. mas ela da.ln quarto proibido. m a s n ã o nos campos estavam ocas.LC cOJn e~se lne. t ados COlno agora. E visto ser a caçul a sa aproximou-se da porta e espiou pela f echadura.1er. Muita gente má da cidad e. li lTIt. a princesa. as espigas de trigo balho útil. já fora sete vezes e havia estado sete noites com dade. verdade. todo o país secou.trono. porque o pessoal da cidade não usá-las por muito 'empo porque poderiam. No ss a princesa cur io- triste a situação da p r incesa. Assim todos sofriam e gemiam e também o pin- Com suas rou pas era a mesma coisa.:cr. por cau a di 50 . entretanto muito curiosa. r a s g r osseiras com as lnoças. Era muito suas b r incade iras no castelo . briga v a n1. Curiosa como era. Gastava tantos sapa tos que o rei lnandou ins. e em lugar de batatas "só podia nem c horar . Mas d epoi não teve d e Z untrapez não eralTI tão cultos e bem compor- mais coragem de fazer isso porqt. ouviu um rurnor que parecia ser i sso m an dava esparg ir cada 01al lh "" un . E sses traços até q ue Muitos pretendentes p e diram sua lnão. não acreditava m princesa costumava falar no sonho e assim Manda muito nessa hist6.av" . sim ela voava cada noite até a princesa.o s t ravam ainda um pouco no pai d a princesa. Por incrí. mas ningué m voltava. O avô do velho no mes mo aposento. rnas. que Por tudo i sso estes antepassados n ã o lTIorriam d e devia e ncontrar-se numa ilha longínqua . via m esmo feito caretas ]J" ra o v lho rei. mas uma raça de selvagens. e a criada p re. Manda.

A venda de meçava a se separar do corpo. faca n ovanlente nos seu s son h os e a ameaç ava. Estava vestido s implesme n- querida!" Aí o malvado rei de novo grit u: "N :10 te. Ape nas o a v iú va do sacris t ão. de modo que. que sempre era muito realista. pergu ntou a prin. e olhos dentes. ele deu ao em diante nunca mais ficou alegre. grande remendo . 150 151 . e ilha. já esta ilha ela agora mandava todos os seu s preten- de certa idade e com barba desgrenhada. a inda batia com tanta força em da sabia. conte ao s e u casa . Ficou tão bravo. pois a princesa tinha lido cert a vez numa seu peito. entrou no quarto e fechou a porta com clandestino. tristonha e envergonbada. I sso també m Man. séria e ra tão grande no país. A princesa. Na mão tinha grande [a. de raiva. e com a grande faca cor tou de um só para ela . e v isto q u e num conto que ela sua de medo". de fada o pin tor tinha lido certa vez algo. porque apesar de e le ser um so nha- las. tinha e moções fortes. re i. Naquela m esma tarde o pintor e seus dois ani- "Quem sab e é por isso q u e ela u sa tanto perfume". que morava duas casas adian- Rei das Cobras (este era o nome do homem) ouv iu te. perguntou o pintor. que ficou meio espantado quando viu um pre- disse a princesa. então. E o seu co- princesa?". Ele pegou a princesinha trêmula e gritou: "Ah . explodiu num riso estridente e grito u : sando que alguém estivesse batendo à porta de s u a "Se você não quiser que eu. então deve me da t. dor. pen- o nome dela. porque suar não era filho de ferreiro. tudo que tenho vou lh e dar" . avermelhados e fetozes. c que cs. Mas a coruja corrigiu-se im e. E le não prometia poder e luxo à cesa. acordava gritando. no mar. O pintor. Tinha muito pintor sua bênção e o dinheiro para uma passagem. O velho rei suspirou. amanb ã. que b r ilhava p erigosamente à luz d as ve. vo l. E p ara saiu um homem dos m a is selvagens e terríveis. e no seu casaco q u ero sua b oneca ." "Tudo. b em d eb aixo de um morro. resolveu sair e procurar sua pai como você é mal-educada e curiosa. d e medo. princesa. agora p ôs aquilo em prática. tere m passado por sua casa. ração. e daqu ele momento den tes anteriores n enhum tinha voltado . nem de veludo nem de seda. passagem de terceira classe até a ilha ." Ig u. Forjou três aros de ferro ao redor de seu coração. porque toda noite aparecia o homem com a como ele pedira . Aí o h omem riu de seus q u adros tinha s ido muito fraca ultimamente novo estridentemente. gritou: "E ntre! ". quase n ã o cor-ação lhe batia com tan ta força no p e ito que pôde respond er e só balbuciava seu nome. ne m trazia preciosidades corno presentes pondeu ele. e como diatamente. mais embarcaram no porto de Zuntrapez. "por. piou no quarto proibido. "E para onde o Rei d as Cobras levou a sombra da pensando que isto poderia ser-lhe útil. Quando o pintor ouviu toda essa histó ria ficou ca afiada. res. Ujá vou buscar nlinha ho ne a lTIrti s tendente t ã o esquisito. E até pedia ao rei o dinheiro para uma golp e a sua sombra pelo calcanh ar. já onde elb co. e que estava jantando. mas como a mi- estrondo. pálido de raiva . velba crônica que o monarca m orava longe numa tar correndo para ' seu quarto a p orta se abriu. dizendo "transpira". depoi s de disse Manda. é pa la vra que se use em relação a uma princesa. pode ficar com e la ! Mas qu e ro viam-se até velhas marcas de tinta e a ca lça tinha sua sombra !" "Minha som bra?". fusão lá d entro. buscan do de volta a sombra da princesa. sorte. e como dos preten- LaU quietinha para seu quarto. colocou a sombra debaixo e ele não achava correto viajar como passageiro do braço. "mas como você pode pegá-la?" "Ass iln". Justamente quando ela queria vol. banhada em s u o r . No dia seguinte ele se apresentou à corte do ma coisa. e o quem está aí?" A princesinha. m edo. que as pessoas na rua olhavam para ele .

Ele toda a vida fora muito mandão. e luais pobres deviam andar. <Ia que devo a culavam pela ilha e viviam uma existência luiserá- honra de s ua visita?" Quando o hOlnem então lhe vel . gostava de pompa e títulos e era luuito galantea- rem numa fascinação profunda pela sua beleza dor. Isso se re- truído num. sumia. não deixava em paz moça nenhuma no palácio exótica. transformado um prín- te com ela. e la então. Quando anoitecia. mexia levava cada un1 para urn lindo quarto de dormir. com o qual ficava até a manhã desconhecidas . na noite de cois as horríve is." Assim os pretendentes ficavan1 simplesmen. tillh · rn -lh s a ont ido dos pre te nd ntes queria levá-la embora. Por ungia-os com cremes e perfumes e prometia que fim a mulher do prefeito havia mandado prendê-lo iam deitar juntos. Ela não fascinante. antes de pisar na ilha. Quanto a hom ens rapazes " caias . por exemplo. Era p1" Tui çosa. las que a gente costuma dar às crianças para brin- carem e que choram quando se aperta a barriga Durante quarenta dias navegaram no mar. ano novo. real. . com as galinhas e brigava com os outros galos. enquanto durante o dia a prin- oliveiras e parreiras. na cama. Assim o pin- e beijando. à ilha onde morava seguinte. e ninguém podia fazer parar essa malda- rentemente dava a impressão de concordar. ela des apare i 'l no m l'r abd ssem caIninho nas estradas. misteriosamente. A princesa mesma. o corvo Jacob já levan- noite inteira com a boneca nos braços. s tun1. ss im ~ lu - avando seu j ardim e ain da mandava que eles lhe garejo . Por isso também o pintor achava que este reforço grande boneca de borracha. outros tinham sido levados embora pelos seus dizia que tinha vindo para s ua libertação. narnorar e beijar a noite inteira. Pou- ver o modo como o coitado do namorado ficava a co antes de desembarcarem. fazia preparar sua carroça pa- cigarros adocicad s c in cr ind b 'bi ln~) a le Jj . e o colocou numa gaiola. Agora e le era um galo e nessa condíção canta- sabialu mais o que faziam . os das unhas vern1elhas. transforma- do com muita gentil za p la prin esa. va alto e invadia os ga linheiros vizinhos. Cos tllmaVrl dor mi l' at ' tard . e cada vez que a boneca "chorava" o tor ficou sabendo. . . como se fossem la- o Rei das Cobras .la l'U morena. penosamente. va-o em animal. Essa mulher era daquelas Ai ela colocava junto ao homem embriagado urna que mantinhalu decoro excessivo e teria até proi- 152 153 . e la apa- parentes. pois supunha que eram "princesa de sombra" n10rava num castelinho cons- palavras de amor e fidelidade eternas. Dizia: de. pas- delas. ficavam Durante a noite. porque o velho mágico no morro era homem "Mas só na noite do ano novo pos s o ir com você n1uito poderoso. ada um fora r cepci ona. e sair da ilha. ra ir passear enquanto eles. Fique comigo e passaremos o telupo juntos. por Tn . até apartarem. para satis- era o oposto de sua innã lara.ava l a dizer. comiam os doces e guloseilnas que ""la cipe en"'! galo. correr e suar. com a sombra da princesa. afagando tara vôo para conseguir infonnações . Prün ir . trazia e ingeriam bebidas elnbriagadoras até caí. que a coração dele se exaltava. vale fértil e ntr . Alguns desses "animais" ainda cir- meu querido". cOlnpri- era nem boazinha nem an"'!orosa para com eles. e corria para junto saram por muitos lagos e viraln praias diferentes e do Rei das Cobras. Para alguém desinteressado era cômico o Rei das Cobras. "Bom dia. ela. mont s co bertos de petia a cada noite. Ordenava que varressem os cava quase o dia int iro dita la I uni livEt ruma i 1 l adrilhos do palácio. fi- fazer os desejos dela. COJU grandes lábio s n S I ni s ~. Ela os tornava tão bobos e cegos que nen1. Ela havia. Porén1. de JJele za cesa mostrava personalidade bem diferente. uma daque- de ferro seria bem funcional. quando chegava a hora en1 que um que tinham vindo l iber tá-l a.

Aí o corvo co- enquanto pintava quadros. com o punho tirou-lhe a bandeja igualmente frutas e bebidas. por mais vezes que fosse . te do ano novo ele foi com suas duas aves a t é o cas telo para libertar a princesa . Porém. vestida com por ter tido a idéia de fazer os a ros em torno de s uas roupas mais bonitas. mas não morro até a sala do rei. briu com sua asa o braço . porque achava que riam conl0ver até uma pedra. Seus laluentos eranl tão I. conversavanl. Um terceiro e la o percebia a d iferença entre danla verdadeira e da- transformou em pato.ris tes que pod e. fazia alguma gentileza para e la. asa de corvo . pois desse jeito não bobo! n I gritou a princesa. tinha tocado nas Frutas . Ela mostrou-se afável e prometeu também que tinh a visto no semblante da princesa um sorriso seguir com ele na noite do ano novo. dantes que a e la própria incumb ia executar. ela en- até a caballa. e encheu uma bolsa com doces e beb ida s e foi que as corujas enxergam bem no escuro. vou com o senhor confor- de jeito nenhum. grasnava tanto que próprio modo de agir. Ele a recebia bem. O jovem pintor. mas percebeu lo- do e genlendo em frente do palácio e unhava a go que não adiantava. e quando chegou a noi- aborrecida. Talubém rejeitou o fruta s rolaram pelo tapete. Inclinou a cabeça e disse: e resolveu não morar com a princesa no castelo. porém. "Meu senhor e lueu amo . se aceitava nada daquilo que ela trazia e não se dei- fosse possível. jogava para ele. Então. Outro príncipe. Mas depois refletiu profundamente bandeja com belas frutas. E la quebrou-se e as nada. I ritada pelo seu comportamento. Então. porque senão ele teria explodi d o na. que para e le. que saiu correndo da sala para o m~rro "Se ele não vem comigo. Assim ficou firme quando chllgou qu e coma estas frutas para que veja que realmente diante dela . encontrava-se na grande seu coração. mas o pintor não corda para que se fosse embora. tudo controu o caminho pelos corredores e quartos do era inútil. nem fazia os serviços degra- transformara em cão. ciam maminhas de porca sobre e le. Só de vez em quando ele porta. você espere mais um ano I. pelo menOs não ao ponto de alterar seu círculos na lagoa do parque. bem mocinho. O braço do pintor. Assim passou o tempo. mudou de aspecto: cres- na qual ficou aguardando com seus do is animais . dizendo que esperaria. A princesa ficou branca quarto no castelo. nelU aceitar nada de seus alimen. Qu ando o pintor pouco de medo. Em vez disso a lugou uma cabana no lago. porque sabia o que tinha aconte- ouviu todo esse re lato de Ja cob. Estava com um Assim era a situação na ilha. e tran s formou-se em lo- podia apoderar-se dele nem real izar suas farsas. bo pardo. bido às moscas de sua casa que se acasalassem. tenho de ir até ele". No que babam muito. que se transformou em A princesa ficou admirada e até um pou co ir. agradeceu a Deus c ido aos outros nessa noite. O animal ficava dias a fio uivan. e Visto sou. A princesa. rangiam. Finalmente veio sua devia proceder assim para com senh ora fina. alegando que era luxuoso demais de raiva e desgosto. Manda voou atrás dela. Ofereceu-lhe malicioso. lue quer bem". mas ele não aceitou das mãos e a jogou ao chão. nem procurava a comida e só vivia de algumas migalhas de pão que a princesa de vez em quando. obedeceu à advertência de Manda. embora sua beleza des lumbrante lh e fi. l embrando o des- zesse bater tão forte o coração que os três aros tino dos outros. mas antes de viajarmos quero tos e bebidas. onde o rei l11orava . pen. 154 155 . Aliás . começo a princesa ainda tentava. sala iluminada do castelo e tinha nas mãos uma quele instante. me o destino quer. daqueles com grandes orelhas. velha mãe e dolorosamente o arrastou eOlU um a ela não era dama de verdade. ela o xava chicanear por ela. que nadava grasnando em 111a falsa.

do tmTIanho de cão pastor. e agora você rnente. trans. teve este sonho: uma aranha monstruosa. e Jacob olhando para o lago. Pegava o p incel com a boca e movimentando a esperança e fiCaralTI mais um ano na ilha. Na seguinte noite de ano novo foi a lnesma ao coração do que a seus prazeres. A princesa vi- e correu para junto do rei. só que desta vez ele jogou a bandeja de desajeitadas. porque não podia mais usar seus em asa de corvo. asa de corvo . todas as futilidades de nossas vaida- vivas que sibilavam constantemente. sem vida e i. em cujos que seus peitos firmes se lnostrassem mais nitida. mas assim frutas para o chão com a mão esquerda. mas não desanima- Quando ouviram o que Manda contou recuperaram va. Agora lentamente a cabeça conseguia ainda traçar as li- e le pintava COln a lnão esquerda. e pelo pal- e as colunas da sala eram formadas por cobras co passavam. a seus pés havia tos e. braços para segurar os pincéis. As figuras eram coisa. os casacos de pele e vestidos lobo a atacou. puta sem graça. e do pintor. percebeu que começava a gostar dele. o lTIeSlnO no qual ela se havia trans- lindos que lhe dei. carangue. onde a feminilidade é fértil. elTI roupas cada vez lnais nhaI' rostinhos rígidos de moça. tendo a descoberto os seios. mas o pintor sempre recusava tudo e vivia como talvez na sua princesa fosse um pouco mais ligado antes. Lutou COITI ele. pleni- tanlbém seu braço esquerdo foi transfornlado em tude e plasticidade do seu talento. coração e quando.nfantis. chegou à casa aí então você não terá mais nada que fazer. Ela começou a ajudar o pintor em seu trabalho e Manda ouviu o suficiente e voou de volta à c)legou ao ponto de se levantar às nove horas da casinha perto do lago. caiu no sono. para de boneca. arrancou seus sete anos. Daí em diante teve início sua transformação." formá-lo num animal. então terei de morrer. manhã para ir ao lago. O coitado do pintor estava muito tristes. olhos e o sufocou. nutritiva e doadora. O pintor precipi- elTI perigo! Se afinal chegar alguém que recuse. Ele pegou um tro. Lá estavam sentados os dois. as frutas envenenadas que iriam. bateu nela até sangrar e gritou: "Puta! um gradil. com malvadeza? Você me pôs fornlado naquela mesma noite. mas não era fácil nhas sobre o papel ou a tela. rigidas. Seus vestidos foram 156 157 . Mas todo o ouro e pedras preciosas. o pintor com um braço transformado nluito mal agora. que este lo- trazia todas as guloseimas que se pudesse imaginar. e agora mesmo pressentia-se nelas algo da variedade. tantemente na princesa e assim começou a dese- vinha quase diariamente. terrivelmente. Ele pareceu-lhe bonito e amá- me engana e seduz os homens? Você retribui agora vel e. peles e transformada elTI lobo. por tou-se sobre o anilnal. cheia de medo. e traga-o no ano que vem. Quem sabe. "Encontrava-se num grande teatro. como se fossem bonitas e refinadas. sem medo. jogou-se chorando aos pés carroças pareciam-lhe sem valor e ela saiu do tea- do rei e contou-lhe o acontecido . Ele estava lá nUlTI trono que era um. Através de um portão alcançou a rua e Não a mimei e lhe dei tudo. des. Aí um grande sua pulseira de ouro. pensava consigo. e foi andando no meio da noite até chegar a chicote. mas quando voltou aos seus aposen- jo enorme com tenazes horríveis. cal. Fique A princesa acordou com uma sensação feliz no firme. tas quiser". A princesa. bicos ele desenhava um coraçãozinho no lugar do mente por baixo da blusa ou do vestido. Aí ela estava salv a. que a surrou de novo nha diariamente até o lago. dar-lhe-ei mensalmente tantas moedas de ouro quan. exausta. e às vezes até sem sutiã. Ele pensava cons- e se cansava lTIUitO. lá encontrou o pintor. Também mamilo. no dia seguinte. Ela voltou a transmudar-se num lobo Os anos se passaram lentmnente. A princesa. ela se aproximou.

não achando do pintor. mais desampa. E as- afastou o perigo d e que ele se transform'lssc num sim ele se excluiu da comunidade humana e trans- porco gordo. ele se d e batia dentro d e g urinha seln vida transforlTIou-se numa jovem mu- sua gruta e começava a arrancar punhados de pe. Porém. barco com as velas produzia-se Inudança em sentido oposto. Brincava também. Toda noite a coragem. Mas o Rei das ta d e Zuntrapez. quando corrialll u ma templou a bandeja de frutas com olhos tristes. De ano em ano ficava-lhe mais difícil. e a arrumar sua casa. sua casa . vam pousados no e paldar de uma cadeira na casa va. Seus gritos alegres. Quando chegou a sétima noite de ano novo. gem de contradizer seu pai. os sinos repicavam pela sua volta. e o terrível Rei das Cobras Enquanto o pintor se tran sformava num corvo morreu . Des- atrás da outra chegavam até o pintor. No terceiro ano ele d e u um pontapé com à toa. deixou de lavar tantas Na noite de seu regresso os três pássaros esta- vezes as mãos. Suas unhas não eram t ão pin. a pele de seu braço. qüentemente com urna jovenzinha da aldeia. forn10u-se nl. lher igual às outras de sua idade. E podia-se até p e nsar que ela jornais de Zuntrapez deram essa notícia no dia se- estivesse com vontade de ajudar o pintor a limpar guinte com n1aliciosa e mal dissimulada satisfação. . i çadas. sua natureza humana. e sua aparência humana mastros e acompanharalTI o barco até perto da cos- persistia cada vez mais nitidamente. pensativa. é mais um dos milagres desta história). e nele a princesa elTIbarcou para voltar à cesa. os ombros . No zinho como nunca. A filha do velho rei parou de tran- çar as franjas dos tapetes. Três pássaros voavam em torno de seus assumir a forma de lobo. . o corvo. O navio (e isto. abraço de boas-vindas. Gradualmente mais enfurecido. na prin. ficando mais simples e por isso mesmo mais elegan· çava até a dizer "não". Com isso não gastava mais tanto perfume. los de sua barba. no ela. Jacob dormia. que a cada sa feita a dúvida invadiu seu coração e ele perdeu ano Inais se assemelhava a um corvo. Todos os tadas de vermelho. e teve até uma vez a cora- tes e aristocráticos . no momento eln que de modo que no sétimo ano apenas a cabeça dele seu rosto se transformou no semblante de um cor- ainda mostrava a origem humana. tam b ém. e ia-lhe dando sua 'própria aparência. nem Manda dormia po. não ~onseguia fazê-lo. que fora antes mais tão desagradável o cheiro de seu próprio cor. ao invé s de quarenta dias s6 gastara quatro na via- Tambén1 110 Zuntrapez distante aconteciam coi- gem de volta. Em cada ocasião o corv desse urna forte cabeçada contra a bandeja.un corvo. o velho rei. permitiu que me transformasse nUIn corvo? Não 158 159 . e de quando en1 quando ela cheira. sas esquisitas. à6'noite. Lá reinava grande alegria e todos Cobras só tinha poder sobre a aparência de lobo . O pintor perguntou: "Por que Deus estado. vo o n10rro desabou. o pintor. e ceber UIna resposta de seus desejos. mais fre. Quando a prince- e assim aos poucos foi perdendo seu domínio sobre sa clara e a princesa escura se encontraram. Seu raciocínio lhe dizia que não era de ano novo ela vinha outra vez com a bandeja possível salvar a princesa e estava desperdiçando de frutas. Também deixou de ser tão dócil e come. o porque é da natureza das corujas ficarelTI acorda- que veio a ser grande economia para o erário do das à noite. No porto achava-se un1. e que nunca iria re- a perna esquerda e no quarto ano com a direita. Mas dentro de si havia algo mais quinto ano derrubou a travessa com a anca c forte que ele próprio e isto o impeliu para que no sexto com. fundiram-se de novo e a fi- rado e con1 n1ais medo . pela o pintor viu-se outra vez diante da princesa e con- praia. Sentiu-se so- estas se transfonnaram em garras de corvo.

s uas mãos c heirava m a terra e até um narrador. cuja ferentes. quc excedeu até aquilo não podem deixar de ser ou porco ou corvo". e desequilíbrio nos seus sentimen- to que não tinha conhecido antes. deve assimi- lar seu conteúdo. A princesa gostava' reprimidos ou rejcitados. "assim mesmo sucede pai s e avós deste homem ex istia grande tabu contra a vocês homens. mesmo na geração dos "Exatamente". Porém.. pode remover de seu coração. força está no suportar e agüentar poderes superiores. seJTI poder entrar nos ração negra progressiva e na transição para o reino ani- detalhes. Assim ficaram todos felizes." que está na profundidade escura de seu ser. Isto significa que o Eu é temporariamente atingido bra. lidade. e a partir daí transformar sua persona- Uma tentativa de interpretação desta história só po. animalesca. face esta pouco vivida por este homem que es- Essas lágrimas de perdão. Ninguém sabia como que e le vive após o passeio sobre o lago (isto é. consiste na experiência de sua própria escuridão. e que os homens tos. tístico. rá advir a libertação. Essa transformação é representada aqui na colo- de abranger os fatos principais. já se encontrava desde a in- presteza seu jardim para que o país vo ltasse a ser fância numa cisão profunda. Desse modo e la agradou mais ainda ao pin. O caminho para dentro. A princesa. Com isso foi repri- No momento em que ela disse isso a porta se mida no inconsciente grande parte de vitalidade e de abriu e a princesa entrou. percebeu em seu coração um sentimen. e por isso não são admitidos. Mesmo assim você recusava a humano escuro dentro de nós. 72 Esta no e por isso agora você é mTI corvo. FICOU à sua frente e quando o viu na sua forma consciente formou-se em sua vida uma ordem estéril. que sob a pouco a estcrco po'-quc havia escavado com certa influê ncia desta situação. e pensativo. "Mas o problema encarnado nele já se estava transmitindo se eu as tivesse aceito seria agora um porco!" por vária s gerações. pode- ele fez depois disso foram realmente originais e di. aguçou seu bico contra O espaldar. do problema da som. A figura do pintor traduz seu novo lado ar- dela que venceu seu orgulho ofendido e ela chorou. G. no ele fora parar lá. foi coroada de êxito minha tarefa? Não agi hones- tamente. No aspecto coletivo é "o lado de você e você dela . improdutiva e vazia. As pinturas que ve as forma ções que s llrgem do seu inconsciente. Seus cabelos es tavam em valores ctónicos. e após curta pausa disse: "Creio que você maus e inferiores. caindo sobre as tava mais orientado para O racional. cor- bém naquela época o A do nome de Manda. como seres a lados simbo/i- 160 161 .tos. porém. para o inferior e o escuro dentro de cada um". disse Manda. Ele deve ser capaz de suportar tudo aquilo lente do que "A"manda mesma. simplesmente e sem pretensões. O conto rpostra O caminho de libertaçã o dessa pro- chamam de dó ou compaixão. evidentemente. e o meu coração não foi puro?" Manda' a personificação dos conteúdos que são consideradós piscava. comO o laclo feminino do desordem. timentos negativos estavam contidos na sua sombra in- tor. iniciado nesta aná- por baixo dos aros d e ferro que o pintor agora lise. inconsciente). Uma vez que todos os sen- fértil. ser- homem. Por incrível que pareça encontrou-se tam. Isso é desuma. apesar de desejar. que responde ao começo do processo de individuação da estava perdido havia tanto tempo. Jung entende-se por sombra por um mundo de idéias negativas e sombrias. a disposição estrutural ela e suas frutas . Some nte a partir plumas do corvo) transformaram-no outra vez num desta imagem que. contém sua parte de sentim~." O corvo. Os dois pássaros. ninguém ficou mais con. que era normal para a época deles. Trata-se. Estava cravado meia-idade. mas agiu contra a nat ureza do amor. Foi tão forte dentro blemática. Na psicologia d e C. animais solícitos. Chegam a situações tais em que a sexualidade e a gressividade. A 'passividade do pintor-herói. De fato. mal. sombra é representada no conto pelo Rei das Cobras.

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