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Desenvolvimento Infantil e Música Maria Cristina Ponçano Brito

Reitora: Ana Cristina de Oliveira Lima Vice-Reitor: Brunno de Oliveira Lima Aneas Pró-Reitor Administrativo: Guilherme de Oliveira Lima Carapeba Pró-Reitor Acadêmico: José Eduardo Creste Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão: Adilson Eduardo Guelfi Diretor Geral: Augusto Cesar de Oliveira Lima

Núcleo de Educação a Distância: Dayene Miralha de Carvalho Sano, Marcelo Vinícius Creres Rosa, Maria Eliza Nigro Jorge, Mário Augusto Pazoti e Sonia Sanae Sato

Coordenação Tecnológica e de Produção de Materiais: Mário Augusto Pazoti Projeto Gráfico: Luciana da Mata Crema Diagramação: Aline Miyamura Takehana e Rita de Cássia Miranda da Costa Ilustração e Arte: Rafael Heidi Leite Ishii Revisão: Renata Rodrigues dos Santos Colaboração: Vanessa Nogueira Bocal

Catalogação na fonte: Rede de Bibliotecas Unoeste

780.7

B862d

Brito, Maria Cristina Ponçano. Desenvolvimento Infantil e Música. / Maria Cristina Ponçano Brito. – Presidente Prudente: Unoeste – Univer- sidade do Oeste Paulista, 2015.

e Música. / Maria Cristina Ponçano Brito. – Presidente Prudente: Unoeste – Univer- sidade do Oeste

64 p.: il.

Bibliografia. ISBN: 978-85-88755-51-2

1. Música. 2. Educação. 3. Criança. I. Título. CDD\22ª. ed.

Direitos exclusivos cedidos à Associação Prudentina de Educação e Cultura (APEC), mantenerora da Universidade do Oeste Paulista Rua José Bongiovani, 700 - Cidade Universitária CEP: 19050-920 - Presidente Prudente - SP (18) 3229-1000 | www.unoeste.br/ead

Sobre a Autora

Maria Cristina Ponçano Brito

Mestre em Educação pela Universidade do Oeste Paulista - Unoeste (2012). Es- pecialista em Arte-Educação pela Universidade Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Presidente Prudente/SP (2009). Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Unoeste (1985). Professora particular de Teclado, Musicalização Infantil e Musicalização Instrumental. Coordenadora e tutora dos cursos: “A Lin - guagem Musical na Educação Infantil” e “Explorando a Linguagem Musical na Al- fabetização”, ambos os cursos de educação a distância na Unoeste. Ministra ofici- nas de capacitação na Linguagem Musical para professores da Educação Básica.

Apresentação

Olá, seja bem-vindo aos estudos sobre Desenvolvimento Infantil e Música. Este livro é composto por quatro capítulos, são eles: Educador-Música-Criança; O Som como Linguagem e Manifestação da Primeira Infância; Educação e Inteligência Musical; Grandes Colaboradores da Pedagogia Musical.

Vamos abordar o desenvolvimento da criança e a relação com a música, reco- nhecendo suas fases e a importância de valorizar a música na escola. A ocorrência natural da aquisição do conhecimento musical depende da maneira como o professor, que não necessita ser especialista em música, a oportuniza, ou seja, a aquisição de conhecimentos depende da adequação da maneira que se aprende.

Considerando que esse processo sofre influências psicológicas, sociológicas e fi- siológicas, aprender música pode trazer contribuições importantes para o desenvolvimento cognitivo/linguístico, psicomotor, socioafetivo, entre outros na vida da criança. São esses os assuntos que discutiremos com maior profundidade ao longo dessa jornada.

Bons estudos!

Capítulo 1

Educador-Música-Criança

Sumário

1.1 O Educador e a Linguagem Musical

9

1.2 Produção de Materiais Sonoros

13

Capítulo 2

O Som como Linguagem e Manifestação da Primeira Infância

 

2.1 Universo

Sonoro

21

2.2 A Criança e a Música

22

Capítulo 3

Educação e Inteligência Musical

 

3.1 Inteligência Musical

28

3.2 A Música e o Cérebro

31

3.3 A Música e a Criança

33

Capítulo 4

Grandes Colaboradores da Pedagogia Musical

 

4.1 Métodos de Educação Musical

39

4.2 Educação Musical e seus Colaboradores

40

4.2.1 Quem foi Dalcroze e qual sua Contribuição para Educação Musical?

40

4.2.2 Quem foi Kodály e qual sua Contribuição para Educação Musical?

42

4.2.3 Quem foi Carl Orff e qual sua Contribuição para Educação Musical?

45

4.2.4 Quem foi Shinichi Suzuki e qual sua Contribuição para Educação Musical?

47

4.2.5 Quem foi Edgar Willems e qual sua Contribuição para Educação Musical?

48

4.2.6 Villa-Lobos e suas Contribuições para Pedagogia Musical

51

4.2.7 Violeta de Gainza e suas Contribuições para Pedagogia Musical

53

4.2.8 Koellreutter e suas Contribuições para Pedagogia Musical

55

Capítulo 1

Educador-Música-Criança

Introdução

Neste primeiro capítulo vamos refletir sobre o eixo educador-música-criança. Ve-

remos que as crianças, por meio da música, participam ativamente na conquista de informa-

ções, interagindo com outras crianças e adultos, ampliando sua autoestima, a capacidade

afetiva e a forma de pensar.

Nesse sentido, o educador deve atuar tendo como objetivo o desenvolvimento

integral da criança que estará sob seus cuidados e também se preparar para assumir essa

linguagem, vivenciando primeiramente a música para depois transmiti-la. Teóricos do de-

senvolvimento, como Piaget e Vygotsky, enfatizaram que a capacidade de conhecer e apren-

der se forma a partir das trocas estabelecidas entre o sujeito e o ambiente que o circunda

(PIVA, 2008).

FIGURA 1 - Interação entre as crianças e a música traz benefícios

Interação entre as crianças e a música traz benefícios Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Biblioteca da Disciplina

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Biblioteca da Disciplina Para ajudá-lo a compor seus estudos, por favor, leia a dissertação “A
Biblioteca da Disciplina
Para ajudá-lo a compor seus estudos, por favor, leia a dissertação “A Linguagem Musical:
uma investigação na formação inicial do professor de educação infantil”. O material está
disponível na Biblioteca da Disciplina. Leia especificamente as páginas 50 a 52.

1.1 O Educador e a Linguagem Musical

“A finalidade última da intervenção pedagógica é contribuir para que o aluno

] e que

aprenda a aprender”.

César Coll (1994, p. 136).

desenvolva as capacidades de realizar aprendizagens significativas por si mesmo [

Considerando que a maioria dos professores de educação infantil não tem uma

formação específica em música, aponto alguns itens para que cada profissional de educação

reflita no sentido de:

• Sensibilizar-se em relação às questões inerentes à música.

• Reconhecer a música como linguagem cujo conhecimento se constrói.

• Entender e respeitar como as crianças se expressam musicalmente em cada fase,

para, a partir daí, fornecer os meios.

• Compreender os estágios do desenvolvimento infantil.

• Analisar a importância de vivenciar a música antes de transmiti-la.

Complementando o assunto, Wazlawick (2006, p. 30) nos diz que: “As emoções

e os sentimentos, integrantes da atividade humana, junto ao agir e pensar, configuram a

construção dos significados singulares da música, de acordo com a vivência do sujeito e de

sua própria reflexão acerca de si e de suas experiências”.

Vivências musicais prévias são essenciais para que ocorra uma práxis (prática,

ação concreta) calcada na própria experiência do professor, de forma a trazer contribuições

significativas para o ensino da música.

Citaremos Piaget e Vygotsky para compreendermos sobre o desenvolvimento

infantil, tão relevante para a atuação do educador. Segundo Piaget (1987, p. 15), “a vida é

criação contínua de formas cada vez mais complexas e progressiva adaptação dessas formas

ao meio”. Desenvolvendo tal concepção, os autores Cabral e Nick (2006, p. 80) afirmam:

A inteligência é um exemplo específico do comportamento de adaptação, isto é, da capacidade individual de acomodação ao meio, pensando e agindo em termos de organização e reorganização. O processo cognitivo tem início nos reflexos fortuitos e difusos do recém-nascido e progride por fases até o raciocínio lógico e formal do adulto. Em cada fase, as organizações mentais do indivíduo evoluem, reorganizam a informação e elaboram novas capacidades que permitem cada vez mais complexos padrões de comportamento, pensamento e raciocínio inteligentes.

Portanto, trabalhar a música com as crianças, respeitando todas as fases e singularida-

des de cada uma como ser humano, remete a uma educação que visa o desenvolvimento integral.

FIGURA 2 - Em cada fase da criança é possível trabalhar a música

- Em cada fase da criança é possível trabalhar a música Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Importante

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

trabalhar a música Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Importante A educação musical não deve visar a

Importante

A educação musical não deve visar a formação de possíveis músicos do amanhã, mas sim a formação integral da criança de hoje (BRITO, 2003, p. 46).

Contemplando a obra “A linguagem e o pensamento da criança”, de Piaget (1961),

observamos que o desenvolvimento cognitivo deve ser visto como a construção de concei-

tos e conhecimentos pela elaboração contínua de novas estruturas mentais que prolongam

e ultrapassam as anteriores. É o caráter sequencial da constituição da inteligência que per-

mite que se fale em períodos de desenvolvimento cognitivo.

São períodos organizados por Piaget:

QUADRO 1 - Períodos do desenvolvimento cognitivo

período da inteligênCia sensório-motora (de 0 a 2 anos).

Inicia com atos puramente reflexos ligados a tendências instintivas, tais como

nutrição, reação simples de defesa, após as quais aparecem os primeiros hábitos elementares. As diversas reações reflexas não se repetem simplesmente, mas in- corporam novos estímulos que são “assimilados”. É o ponto de partida de novos comportamentos adquiridos. As sensações, percepções e movimentos próprios da criança se organizam em “esquemas de ação”. A criança incorpora as novida- des vindas do mundo externo a esses esquemas como se tentasse entender se

o objeto encontrado é, por exemplo, “para chupar”, “para tocar”, “para sacudir”, etc. Pode-se assim dizer que esses esquemas constituem a estrutura cognitiva mais elementar, da mesma maneira como mais tarde os conceitos constituirão

as estruturas às quais o sujeito incorporará as novas informações vindas do ex- terior. Neste período, Piaget fala de um egocentrismo integral, na medida em que o corpo da criança não é dissociado do mundo externo. Piaget indica o fato de a criança procurar um objeto desaparecido, enquanto nos primeiros meses

a criança se desinteressava de um objeto logo que esse desaparecesse de seu

campo perceptivo. É somente ao final do primeiro ano de vida que a criança será capaz de considerar um objeto como móvel independente de seu próprio movimento, e saberá também levar em conta os deslocamentos desse objeto no espaço. No curto espaço de tempo deste período, por volta de 2 anos, a criança evolui de uma atitude passiva em relação ao ambiente e pessoas de seu mundo para uma atitude ativa e participativa. Sua integração no ambiente dá-se tam- bém pela imitação das regras. E, embora compreenda algumas palavras, mesmo no final do período só é capaz de fala imitativa.

 

O

que de mais importante acontece é o aparecimento da linguagem, que irá

acarretar modificações nos aspectos intelectuais, afetivos e sociais da criança. A interação e a comunicação entre os indivíduos são, sem dúvida, as consequên- cias mais evidentes da linguagem. Com a palavra, há possibilidade de exteriorização da vida interior e, portanto,

a

possibilidade de corrigir ações futuras. A criança já antecipa o que vai fazer.

Como decorrência do aparecimento da linguagem, o desenvolvimento do pen- samento se acelera. Grande parte do seu repertório verbal é usada de forma imitativa, sem que ela domine o significado das palavras; ela tem dificuldades de reconhecer a ordem em que mais dois ou três eventos ocorrem e não possui o conceito de número. Por ainda estar centrada em si mesma, ocorre uma prima- zia do próprio ponto de vista, o que torna impossível o trabalho em grupo. No aspecto afetivo, surgem os sentimentos interindividuais, sendo que um dos mais

no período pré-opera- tório (2 a 7 anos).

relevantes é o respeito que a criança nutre pelos indivíduos que julga superiores

a

ela. Por exemplo, em relação aos pais, aos professores. É um misto de amor e

temor. É importante ainda considerar que, neste período, a maturação neuro- fisiológica completa-se, permitindo o desenvolvimento de novas habilidades, como a coordenação motora fina – pegar pequenos objetos com as pontas dos dedos, segurar o lápis corretamente e conseguir fazer os delicados movimentos

 

exigidos pela escrita. Piaget nos faz compreender o que são os mecanismos fun- cionais comuns a todos os estágios, ou seja, que todo movimento, toda a ação

da

criança, pensamento ou sentimento, é decorrente de uma necessidade, ela só

age impulsionada por uma necessidade. Faz-se necessário, em resposta a uma sociedade cada vez mais exigente, uma aprendizagem cada vez mais complexa. O ser humano necessita, essencialmente para seu desenvolvimento, dos processos de pensamento e de linguagens. Po- demos considerar que os educadores, com base nas ideias piagetianas, possam reavaliar suas práticas e reelaborar suas concepções acerca da aprendizagem.

Fonte: Piaget (1961, p. 22).

Na intenção de complementar nossa leitura/estudo, por favor, observe a seguir o que nos dizem as autoras Alonso e Santarosa (2002, p. 77):

O pensamento e a linguagem têm raízes genéticas distintas e se sintetizam diale- ticamente no desenvolvimento cognitivo, quando, nesse processo, a linguagem se converte em pensamento, e o pensamento em linguagem. A linguagem atua sobre

a

organização do pensamento e sobre a maneira de pensar do homem, organizando

o

pensamento e o estruturando convenientemente.

Assim, o educador tem a missão de estar preparado e aberto a essas questões, proporcionando situações que contribuam para o pleno desenvolvimento de seus alunos.

Já abordamos Piaget e outros autores, vamos agora ver a contribuição deixada por Vygotsky, que diz que seus estudos explicam como os fatores sociais e culturais influen- ciam no desenvolvimento e na aprendizagem. Ele mostra aos educadores que é de suma importância conhecer a cultura da comunidade e a partir dela intervir em forma de media- ção, partindo do conhecimento que a criança já tem da sua realidade, para que haja uma aprendizagem mais ampla. Aprendizagem esta que não se esgota nunca, pois é interagindo com o mundo que ela irá se desenvolver.

Vale apontar o que os autores dizem sobre a teoria de Vygotsky:

[

]

para Vygotsky, não é suficiente ter todo o aparato biológico da espécie para rea-

lizar uma tarefa se o indivíduo não participa de ambientes e práticas específicas que propiciem esta aprendizagem. Não podemos pensar que a criança vai se desenvolver com o tempo, pois esta não tem, por si só, instrumentos para percorrer sozinha o caminho do desenvolvimento, que dependerá das suas aprendizagens mediante as experiências a que foi exposta. Neste modelo, o sujeito – no caso, a criança – é reco- nhecida como ser pensante, capaz de vincular sua ação à representação de mundo que constitui sua cultura, sendo a escola um espaço e um tempo onde este processo é vivenciado, onde o processo de ensino-aprendizagem envolve diretamente a inte- ração entre sujeitos. (RABELLO; PASSOS, 2008, p. 4).

Vê-se que a teoria de Vygotsky sempre se apresenta com uma abordagem dire-

cionada para os processos de desenvolvimento do ser humano interligada com a condição

histórica e social do homem. Aponta para a importância do conteúdo oferecido na escola, já

que é nesse espaço que as trocas e as interações entre as crianças acontecem.

Rabello e Passos (2008) dizem que, para Piaget, dentro da reflexão construtivista

sobre desenvolvimento e aprendizagem, tais conceitos se inter-relacionam, sendo a apren-

dizagem a alavanca do desenvolvimento. Já para Vygotsky, a relação entre o desenvolvimen-

to e a aprendizagem está atrelada ao fato de o ser humano viver em meio social, sendo este

a alavanca para os dois processos.

meio social, sendo este a alavanca para os dois processos. Pare e Reflita Por favor, agora

Pare e Reflita

Por favor, agora que já realizou sua leitura/estudo, reflita sobre a importância de o educador ter conhecimento sobre o desenvolvimento infantil. Formule em poucas palavras sua conclusão e socialize com seus colegas no Diário de Bordo.

Biblioteca da Disciplina Para aprofundar seu conhecimento, leia o artigo “Construção do conhecimento musical sob
Biblioteca da Disciplina
Para aprofundar seu conhecimento, leia o artigo “Construção do conhecimento musical
sob uma perspectiva piagetiana: da imitação à representação”, de Marta Deckert. Trata-se
de uma pesquisa que teve como objetivo investigar a construção do conhecimento mu-
sical circunscrito à passagem da imitação para a representação, a partir de um contexto
de educação musical, em crianças com cinco e sete anos de idade, sob uma perspectiva
piagetiana. O material está disponível na Biblioteca da Disciplina.

A linguagem musical pode servir de grande caminho para o desenvolvimento da

criança. O papel do educador deve ser de provocar e facilitar a construção dessa linguagem,

inventando brincadeiras

exploratórias que, como lentes de aumento, ajudam as crianças a colocarem no primeiro

dessa delicada missão sonora, como diz Sedioli (2003, p. 27), “[

]

plano as riquezas auditivas do ambiente, assegurando experiência significativa e relevante”.

Mesmo sem serem especialistas em música, educadores podem e devem realizar experiên-

cias musicais que conduzam seus alunos a perceberem, a ouvirem os diferentes sons, explo-

rando objetos e instrumentos musicais, sons da natureza, da voz humana, entre outros, per-

mitindo e auxiliando na construção de seu conhecimento musical e desenvolvimento global.

Convém que essas experiências sejam amparadas pelo conhecimento das dife-

rentes culturas, de cada civilização e de cada grupo social. Cabe aqui ao educador tomar

essa consciência e agir.

Assim, a autora Nicole Jeandot (1997, p. 20) afirma que: “O educador, antes de

transmitir sua cultura musical, deve pesquisar o universo musical a que a criança pertence,

e encorajar atividades relacionadas com a descoberta e com a criação de novas formas de

expressão através da música”.

Reconhecer o meio cultural em que seus alunos estão inseridos é uma das ma-

neiras efetivas para que o educador alcance seus objetivos ao trabalhar a linguagem musical

na sala de aula.

Saiba Mais Estamos fazendo nossa leitura/estudo sobre o desenvolvimento da criança, sobre a ação do
Saiba Mais
Estamos fazendo nossa leitura/estudo sobre o desenvolvimento da criança, sobre a ação
do educador frente à importância de oferecer a linguagem musical tendo como objetivo
seu desenvolvimento integral.
É
de grande valia observarmos este vídeo e analisarmos a postura do professor, a reação
e
comportamento das crianças. Para isso, digite no YouTube: “Música na Educação Infantil
- Escola da Vila 2013”.

1.2 Produção de Materiais Sonoros

Em relação aos materiais sonoros, é importante notar que as crianças conferem

importância e equivalência a toda e qualquer fonte sonora. Cabe ao educador oferecer vá-

rios objetos às crianças em contextos educativos que aceitem a música como indutor da

construção do conhecimento, envolvendo o sentir, imitar, perceber e realizar.

Parada Obrigatória Antes de prosseguirmos, abro a questão: o que podemos chamar de fonte sonora?

Parada Obrigatória

Antes de prosseguirmos, abro a questão: o que podemos chamar de fonte sonora? Por favor, pes- quise sobre isso, escreva no máximo uma lauda e envie ao seu tutor. Lembre-se de citar as fontes pesquisadas, ok?

Brito (2003) nos diz que se pode fazer música com qualquer material produtor ou

propagador de sons: produzidos pelo corpo humano, pela voz, por objetos do cotidiano, por

instrumentos musicais acústicos, elétricos, etc.

Assim, para a criança explorar as teclas de um piano é tal e qual percutir uma cai-

xa ou um cestinho, por exemplo. Interessam-se pelos modos de ação e produção dos sons,

sendo que sacudir e bater são seus primeiros modos de ação.

A produção dos materiais sonoros, quando bem conduzida pelo professor, apre-

senta-se como uma atividade que desperta a curiosidade e o interesse dos alunos. Além de

gerar o conhecimento quanto à produção do som e suas qualidades, serve de estímulo para

desenvolver a imaginação, a organização e a criatividade.

FIGURA 3 - Os sons despertam a curiosidade das crianças

FIGURA 3 - Os sons despertam a curiosidade das crianças Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Na produção

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Na produção de materiais sonoros tem que haver o cuidado em selecionar e or-

ganizar o material. É preciso estar conectado a cultura local, contextualizando por meio de

livros, vídeos, que mostrem o papel dos instrumentos que serão construídos.

A produção de objetos sonoros, os instrumentos que são confeccionados pelas

crianças, além de servirem para o desenvolvimento da linguagem musical, dialogam com

outros trabalhos, levando a criança a aprender o valor de utilizar material reciclado, a respei-

tar a natureza, entre outros fatores.

Dica Uma importante contribuição para o seu estudo é ler e ter em mãos o

Dica

Uma importante contribuição para o seu estudo é ler e ter em mãos o livro “Música na Educação Infantil”, de Teca Alencar de Brito.

As crianças aprendem brincando, uma dica é nomearmos cada instrumento pro-

duzido, dando apelidos indicados pelas crianças, elas gostam dessa atividade e se sentem

participantes. Podemos nos inspirar aproveitando o que já existe como modelo, mas tam-

bém produzir instrumentos inusitados. Aproveitar para estimular a criatividade, dando novo

sentido à utilização desses materiais sonoros.

Antes de construir o instrumento, a criança já brinca e explora o material que

utilizará. Sua imaginação a conduz: “Sabia que na minha casa tem muitos instrumentos? O

portão da garagem

4 e 5 anos têm facilidade em transformar materiais bem simples em instrumentos musicais.

ele é um tamborzinho”. Crianças de

eu bati nele e fez tum-tum-tum

Brito (2003, p. 73) nos apresenta algumas dicas de produção de materiais:

Tambores feitos de caixa de papelão ou de latas já vêm prontos. Podemos montar uma bateria de latas. Por exemplo, se pesquisarmos e juntarmos latas de tamanhos diferentes, que poderão ser prezas umas as outras (com fita crepe ou barbante), ou afixadas a uma base (que pode ser uma bandeja de ovo ou de frios, um retalho de

madeira, uma caixa de papelão, etc.) com cola quente, ou, ainda - no caso das caixas -, encaixadas num corte de diâmetro correspondente a cada lata. A mesma ideia pode ser aplicada para montar um conjunto de tampas de plástico de diferentes tamanhos. Como baquetas, podemos usa palitos de churrasco, de sorvete, palitos

] é preciso experi-

chineses ou similares, com um pedaço de rolha preso na ponta [

mentar - tocar, ouvir - e decidir que material se ajusta melhor para funcionar como baqueta de cada instrumento específico.

Parada Obrigatória Por favor, assista aos vídeos indicados que contêm dicas de produção de material
Parada Obrigatória
Por favor, assista aos vídeos indicados que contêm dicas de produção de material sonoro e o que
é possível e quase impossível de ser realizado. Vale a pena conferir!
• Como fazer flauta de pã com sucata.
• Musicalização Infantil - Instrumentos Musicais.
• Passo a passo - Tambor.
• Fazendo Percussão - Reco-Reco de Conduíte.

As crianças estão sempre atentas às características dos sons ouvidos ou produ-

zidos, se gerados por um instrumento musical, pela voz ou qualquer objeto, descobrindo

possibilidades sonoras com todo material acessível.

Teca Alencar de Brito (2003, p. 35) afirma que:

A

criança é um ser ‘brincante’ e, brincando, faz música, pois assim se relaciona com

o

mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, metaforicamente, ‘transfor-

ma-se em sons’, num permanente exercício: receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, ‘descobre instrumentos’, inventa e imita motivos melódicos e rít- micos e ouve com prazer a música de todos os povos.

O que caracteriza a produção musical das crianças nesse estágio é a exploração

do som. Podemos utilizar várias atividades, como exemplo aponto a que acabamos de apre-

sentar, que é a produção de diversos materiais sonoros e sua exploração.

FIGURA 4 - Crianças exploram o som na produção musical

FIGURA 4 - Crianças exploram o som na produção musical Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Dica Observe

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Dica Observe que interessante o trabalho realizado em uma universidade do sul do Brasil, assis-
Dica
Observe que interessante o trabalho realizado em uma universidade do sul do Brasil, assis-
tindo ao vídeo “Objetos Sonoros”.
do Brasil, assis- tindo ao vídeo “Objetos Sonoros”. Saiba Mais Estudo de Caso Relatamos aqui um

Saiba Mais

Estudo de Caso

Relatamos aqui um estudo de caso de uma professora chamada Suzeli, que ministrava aulas para crianças de 4 e 5 anos em uma escola da cidade de Quatro Pontes do Sul. A professora pegou uma caixa grande, enfeitou com fitas, deixando-a atrativa. Dentro dela colocou vários objetos, como tampinhas, chocalhos, guizos, sinos, papel amassado, chaves, miniatura de instrumentos como violão, pandeiro, potinhos de plástico vazio, entre outros. Suzeli levou essa caixa para sua aula e fez muito mistério em torno dela, denominando-a

de “caixa surpresa”. Ela perguntava a todas as crianças o que achavam que tinha dentro da

caixa. Nesse momento da atividade, as crianças demonstraram muita criatividade e curiosi- dade. No momento certo, a professora colocou as crianças sentadas em círculo e começou

a desvendar o mistério da caixa.

Colocava a mão dentro da caixa, com a tampa semiaberta para que ninguém pudesse ver

o que ela tocava, mas apenas ouvir os sons que saiam dos objetos que manipulava, e todos

tinham que adivinhar o que era. Por exemplo: colocava a mão dentro da caixa e mexia no molho de chaves e as crianças adivinhavam o que era. Após descobrirem todos os objetos, as crianças tiveram a oportunidade de explorar todos, verificando o som de cada um e associando ao nome. A professora Suzeli relatou que essa experiência acrescentou muito na rotina das crianças, que passaram a prestar mais atenção nos sons de dentro e fora da sala de aula, a se con- centrarem mais e despertaram o gosto por explorar diversas fontes sonoras.

Fonte: Adaptado de Almeida (1996).

Resumo

Este capítulo abordou aspectos importantes sobre o educador trabalhar a música com crianças e a importância de se sentirem preparados e abertos a essa realidade. Vimos que as crianças, por meio da música, participam ativamente na conquista de informações, interagindo com outras crianças e adultos, ampliando sua autoestima, a capacidade afetiva e a forma de pensar. Portanto, é pertinente deixá-las expostas a situações em que seja opor- tunizada a exploração dos sons.

Capítulo 2

O Som como Linguagem e Manifestação da Primeira Infância

Introdução

Olá, seja bem-vindo a mais uma etapa de estudos sobre o desenvolvimento da criança e a música, aqui oportunizaremos espaço para refletirmos sobre o som como lingua- gem e manifestação da primeira infância.

Antes de iniciarmos nossa leitura/estudo deste capítulo, peço, por favor, que leia com atenção e reflita sobre o que Schafer (FONTERRADA apud SCHAFER, 1991, p. 10-11) nos diz:

Abre-te! Abre-te, ouvido, para os sons do mundo, abre-te ouvido, para os sons exis- tentes, desaparecidos, imaginados, pensados, sonhados, fruídos! Abre-te para os

Para os sons rituais,

Para os sons de hoje e de ama-

Para os sons cósmicos, microcósmicos,

macrocósmicos

nhã. Para os sons da terra, do ar e da água

para os sons míticos, místicos, mágicos. Encantados

sons originais, da criação do mundo, do início de todas as eras

Mas abre-te também para os sons de aqui e de agora, para os sons

do cotidiano, da cidade, dos campos, das máquinas, dos animais, do corpo, da voz Abre-te, ouvido, para os sons da vida

Vemos aqui uma inspiração para aqueles que trabalham a música com as crian- ças, que sintam a importância da iniciação musical com os pequenos, conduzindo-os desde muito cedo a abrirem os ouvidos para os sons do mundo, da vida e do coração.

FIGURA 5 - Iniciação musical desde a primeira infância

da vida e do coração. FIGURA 5 - Iniciação musical desde a primeira infância Fonte: Acervo

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

2.1 Universo Sonoro

Em todas as civilizações, costumamos ver uma mãe balançar suavemente seu

filhinho ao som de alguma canção para acalmá-lo ou adormecê-lo. Na verdade, Jeandot

(apud PIRES, 2008, p. 6) destaca que “antes mesmo de nascer, ainda no útero materno, a

criança já toma contato com um dos elementos fundamentais da música - o ritmo - através

das pulsações do coração de sua mãe”.

Podemos perceber que, ao nascer, a criança já entra em contato com o universo

sonoro que a cerca e a receptividade à música é um fenômeno corporal. Ainda antes da

linguagem, podemos observar o bebê cantar, gorjear, sentindo os sons que produz com a

boca. Ele se movimenta de um lado para o outro, balança as pernas, se balança para frente

e para trás.

A criança firma uma relação entre o som e os gestos, o ouvir, imitar, cantar, dançar

e

assim compõe sua experiência musical.

Biblioteca da Disciplina Para ampliar seus estudos, leia o artigo “O canto espontâneo da criança
Biblioteca da Disciplina
Para ampliar seus estudos, leia o artigo “O canto espontâneo da criança de zero a seis
anos: dos balbucios às canções transcendentes”, elaborado por Maria Betânia Parizzi. A
autora apresenta um estudo detalhado da trajetória do canto espontâneo da criança, desde
os balbucios, típicos dos bebês, até aqueles denominados por ela como canções transcen-
dentes, características de crianças de cinco e seis anos de idade. A ampla revisão bibliográfica
indicou que o canto espontâneo, até em torno dos seis anos, parece ter um curso evolutivo
previsível, análogo ao desenvolvimento cognitivo e musical da criança. Após esse período,
torna-se fundamental o papel do educador musical e de um ambiente sociocultural pleno de
possibilidades para que a criança continue seu processo de desenvolvimento musical.

FIGURA 6 - Importância da percepção auditiva da criança

FIGURA 6 - Importância da percepção auditiva da criança Desenvolver a percepção auditiva da criança é

Desenvolver a percepção auditiva da criança é tão impor-

tante para um trabalho musical quanto para qualquer experiência

educacional.

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Vivemos em um mundo cada vez mais ruidoso (poluição sonora), o ser humano

está cada vez mais com dificuldade de ouvir, prestar atenção aos sons que os cerca. Por meio

de atividade de percepção sonora, as crianças serão despertadas para ouvir mais atenta-

mente, trazendo benefícios para todo o seu desenvolvimento.

Como nos conta, em seu livro “Explorando o Universo da Música”, Nicole Jean-

dot (1997, p. 42):

] [

delas pedaços de papel de vários tipos, uma menina de 2 anos, depois de manipulá- -los, foi se sentar num canto da sala levando uma cartolina, que ela revirava entre os dedos. A cadência regular produzia uma sucessão de sons repetidos alternados por curtos momentos de silêncio. Eu a observei por algum tempo e, em seguida, aproximei dela um tambor e duas baquetas. Qual não foi minha surpresa ao ouvir a mesma cadência dos sons no tambor, produzida ainda com alternância de braços, o que é raro nessa idade! De fato, ela estava prestando atenção no som que realizava.

Certa vez, uma classe de crianças de 2 a 4 anos, ao se colocarem à disposição

Enfim, podemos sempre considerar que as crianças estão diretamente conec-

tadas com o mundo sonoro. Basta oferecermos situações para se desenvolverem que elas

apresentam resultados efetivos.

se desenvolverem que elas apresentam resultados efetivos. Dica Preste atenção quando estiver em um ambiente

Dica

Preste atenção quando estiver em um ambiente público, como shoppings, praças, entre outros, que tenha música e bebês, observe como eles sempre percebem a música do am- biente, manifestando essa percepção se chacoalhando, batendo os pezinhos, mexendo a cabeça ou as mãos. A música não passa despercebida pela criança.

2.2 A Criança e a Música

A música exerce grande influência sobre a criança, portanto propor que a partir

dos primeiros anos de vida trabalhar e incentivar as atividades de exploração sonora é rele-

vante para o desenvolvimento infantil e por toda a vida.

Partindo do princípio de que a música atinge diretamente a sensibilidade afetiva

e sensorial da criança, cabe ao educador ficar atento para saber onde pode intervir, esti-

mulando a criança a fazer suas próprias pesquisas, enriquecendo seu repertório musical e

maiores descobertas de objetos para serem explorados sonoramente.

Vale nesse momento lermos os objetivos propostos pelo Referencial Curricular

Nacional para a Educação Infantil - RCNEI (BRASIL, 1998) sobre como organizar o trabalho

com a música em cada fase da criança:
22

Crianças de zero a três anos

O trabalho com música deve se organizar de forma que as crianças desenvolvam as seguintes capacidades:

• Ouvir, perceber e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produ- ções musicais.

• Brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais.

Crianças de quatro a seis anos

Para essa fase, os objetivos estabelecidos para a faixa etária de zero a três anos deverão ser aprofundados e ampliados, garantindo-se ainda oportunidades para que as crianças sejam capazes de:

• Explorar e identificar elementos da música para se expressar, interagir com os outros e ampliar seu conhecimento do mundo.

• Perceber e expressar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio de im- provisações, composições e interpretações musicais.

Portanto, podemos dizer que a música tem uma linguagem de caráter lúdico. Ao se utilizar desse elemento sonoro, o educador torna o ensino mais prazeroso e atrativo às crianças. A linguagem musical pode ser uma grande aliada no processo de ensino e aprendi- zagem, um rico instrumento de comunicação, socialização, expressão, desenvolvendo, entre outros, o equilíbrio, autoestima e autoconhecimento.

Contudo, não podemos desconsiderar que o educador, ao empregar a linguagem musical, tem a chance de auxiliar a criança a lidar com todas as contrariedades e ambigui- dades inerentes ao existir humano. A música contribui para que a criança assuma e viva sua espontaneidade, transportando esse sentimento por toda a vida, tornando-o um adulto confiante de suas possibilidades.

FIGURA 7 - A música tem uma linguagem de caráter lúdico

de suas possibilidades. FIGURA 7 - A música tem uma linguagem de caráter lúdico Fonte: Acervo

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Resumo

Este capítulo abordou vários aspectos que englobam os benefícios de se tra- balhar a música com as crianças. Foi abordada a importância de o educador compreender como a criança, em cada fase, percebe a música e o que esta prática traz de benefícios para toda a vida, assumindo de maneira consciente a linguagem musical.

Capítulo 3

Educação e Inteligência Musical

Introdução

Olá, seja bem-vindo ao estudo de mais um tema importante deste livro. Abor-

daremos alguns itens sobre o educar musicalmente e os resultados dessa prática, como:

desenvolver habilidades, sentimentos, pensamentos, inteligência e correlacionando-os com

a aquisição do conhecimento e a cultura.

Antes de iniciarmos nossa leitura/estudo, apresento um texto para sua reflexão

(UNESCO, 2005, p. 9):

Que mundo é este que nos recebe?

Como são as pessoas?

O que é a natureza?

Quem sou eu?

Assim são as crianças, ávidas pelas descobertas.

Assim diante de toda essa curiosidade, pela surpresa e pela alegria, as

crianças abrem-se como girassóis, receptiva a tudo e a todos, buscando

a riqueza da luz.

Ao recebê-las, o que precisamos é redescobrir com elas, o ser poético, a

espontaneidade, a capacidade de filosofar sobre as coisas “e reconhecer

suas diferenças e peculiaridades”.

coisas “e reconhecer suas diferenças e peculiaridades”. Atenção Por favor, pare um instante e reflita sobre

Atenção

Por favor, pare um instante e reflita sobre o que acabou de ler e a parte que mais chamou sua atenção. Extraia uma frase e socialize com seus colegas no Diário de Bordo.

As crianças estão sempre abertas a novas experiências, sentem prazer pelo des-

conhecido e gostam de desafios. Precisamos estar preparados, enquanto educadores, para

irmos ao encontro das indagações e necessidades delas, oferecendo condições e situações

que as façam se desenvolver em todos os sentidos.

A educação musical abre a possibilidade para que a criança se expresse, fazendo

evoluir nela competências e habilidades musicais acompanhadas de conhecimento artístico

e cultural, não deixando de considerar que a criança, ao se expressar musicalmente, adentra seu próprio universo, desenvolvendo-se plenamente enquanto ser humano.

FIGURA 8 - A música promove o desenvolvimento integral da criança

ser humano. FIGURA 8 - A música promove o desenvolvimento integral da criança Fonte: Acervo Nead/Unoeste

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

3.1 Inteligência Musical

Existem muitos estudos e experiências sobre os efeitos da música no desenvolvi- mento da inteligência humana. Esses estudos se abrem para discussões sobre os efeitos da transferência cognitiva entre a música e outras áreas do conhecimento, o que é verdade e o que é mito. Muito se tem ainda por descobrir. Vamos lá!

Vamos dar início com a abordagem feita pela autora Maria Clara S. Salgado Gama (1998), doutora em Educação Especial pela Universidade de Colúmbia, Nova Iorque, sobre a teoria de Howard Gardner – Inteligências Múltiplas.

QUADRO 2 - Teoria de Howard Gardner

 

[

]

Gardner identificou as inteligências linguística, lógico-matemática, espacial, musical,

inteligênCias

cinestésica, interpessoal e intrapessoal. Postula que essas competências intelectuais são relativamente independentes, têm sua origem e limites genéticos próprios e substratos neuroanatômicos específicos e dispõem de processos cognitivos próprios. Segundo ele, os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades inte- lectuais para resolver problemas e criar produtos. Gardner ressalta que, embora estas inte- ligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, elas raramente funcionam isoladamente. Embora algumas ocupações exemplifiquem uma inteligência, na maioria dos casos as ocupações ilustram bem a necessidade de uma combinação de inteligências. Por exemplo, um cirurgião necessita da acuidade da inteligência espacial combinada com a destreza da cinestésica.

múltiplas

inteligênCia

Os componentes centrais da inteligência linguística são uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir ideias. Gardner indica que é a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas. Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histó- rias originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas.

linguístiCa

inteligênCia

Esta inteligência se manifesta através de uma habilidade para apreciar, compor ou reprodu- zir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musi- cais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e, frequentemente, canta para si mesma.

musiCal

inteligênCia

Os componentes centrais desta inteligência são descritos por Gardner como uma sen- sibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas. Gardner, porém, explica que, embora o talento científico e o talento matemático possam estar pre- sentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos cientistas e dos mate- máticos não são os mesmos. Enquanto os matemáticos desejam criar um mundo abstrato consistente, os cientistas pretendem explicar a natureza. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio.

lógiCo-

-matemátiCa

inteligênCia

Gardner descreve a inteligência espacial como a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representa- ção visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos, dos engenheiros e dos arqui- tetos. Em crianças pequenas, o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais e a atenção a detalhes visuais.

espaCial

inteligênCia

Esta inteligência se refere à habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipu- lação de objetos com destreza. A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais, demonstra uma grande habilidade atlética ou uma coordenação fina apurada.

CinestésiCa

inteligênCia

Esta inteligência pode ser descrita como uma habilidade para entender e responder ade- quadamente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pessoas. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem-sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas, e na sua forma mais avança- da, como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros.

interpessoal

inteligênCia

Esta inteligência é o correlativo interno da inteligência interpessoal, isto é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e ideias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprias, a capacidade para formular uma imagem precisa de si pró- prio e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. Como esta inte- ligência é a mais pessoal de todas, ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências, ou seja, através de manifestações linguísticas, musicais ou cinestésicas.

intrapessoal

Fonte: Gama (1998, p. 4).

FIGURA 9 - Síntese da Teoria de Gardner

Gama (1998, p. 4). FIGURA 9 - Síntese da Teoria de Gardner Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Em sua teoria, Gardner afirma que a inteligência humana é multifacetada e que as habilidades especiais são apenas parte do conjunto que a constitui, chamando atenção para o fato que, de todos os talentos com que os indivíduos podem ser dotados, nenhum surge mais cedo do que o talento musical.

Enquanto Piaget, responsável por influenciar Gardner, acreditava que todos os aspectos da simbolização partem de uma mesma função semiótica, Gardner defendia que processos psicológicos independentes são empregados ao passo que o indivíduo lida com símbolos linguísticos, numéricos, gestuais ou outros.

Gama (1998, p. 5) aponta que:

A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1985), é uma alternati-

va para o conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance, maior ou menor, em qualquer área de atuação. Sua insatisfação com a ideia de Quociente de Inteligência (QI) e com visões unitárias de inteligência, que focalizam, sobretudo, as habilidades importantes para o sucesso escolar, levou Gardner a redefinir inteligência à luz das origens biológicas da habilidade para resolver problemas. Por meio da avaliação das atuações de dife- rentes profissionais em diversas culturas, e do repertório de habilidades dos seres humanos na busca de soluções, culturalmente apropriadas para os seus problemas, Gardner trabalhou no sentido inverso ao desenvolvimento, retroagindo para eventu- almente chegar às inteligências que deram origem a tais realizações. As implicações da teoria de Gardner para a educação são claras quando se analisa a importância dada às diversas formas de pensamento, aos estágios de desenvolvimento das várias inteligências e à relação existente entre estes estágios, a aquisição de conhecimento e a cultura.

Segundo Gama (1998), a teoria de Gardner mostra que o desenvolvimento de cada inteligência será determinado tanto por fatores genéticos e neurobiológicos quanto por condições ambientais.

Portanto, vale afirmar, mediante esta colocação, que é importante para a criança manter contato com a linguagem musical desde muito cedo e ser oferecida educação mu- sical no ambiente escolar em que estiver exposta. Assim, esses fatores serão determinantes para o desenvolvimento de suas potencialidades, habilidades e sentimentos que estarão a serviço da aprendizagem.

Pelo exposto até aqui é pertinente apontarmos o que é tratado no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI):

A organização dos conteúdos para o trabalho na área de Música nas instituições de

educação infantil deverá, acima de tudo, respeitar o nível de percepção e desen- volvimento (musical e global) das crianças em cada fase, bem como as diferenças socioculturais entre os grupos de crianças das muitas regiões (BRASIL, 1998, p. 57).

Dica Estudar ouvindo música! Qual? A que você gostar e sentir prazer em ouvir! A
Dica
Estudar ouvindo música! Qual? A que você gostar e sentir prazer em ouvir! A dica é que dê
preferência para a boa música. Sem a intenção de apontar a música clássica como o único
meio, mas conhecer todos os estilos é interessante! Ficou curioso? Então ouça a seleção
“1h de Músicas Clássicas Lindas”.
ouça a seleção “1h de Músicas Clássicas Lindas”. Pare e Reflita Por favor, reflita sobre as

Pare e Reflita

Por favor, reflita sobre as implicações da teoria de Gardner para a Educação e socialize com seus colegas no Diário de Bordo.

3.2 A Música e o Cérebro

Em nossa leitura/estudo abordaremos os estudos da neurociência que nos escla-

recem que o momento mais significativo do desenvolvimento do cérebro se dá em crian-

ças do nascimento até a idade de 10 anos. As conexões dão origem aos diversos sistemas

do neurodesenvolvimento, que ajudam no desenvolvimento de várias inteligências. Muitas

pesquisas estão sendo realizadas nessa área e muito ainda há para ser descoberto sobre o

cérebro e seu funcionamento.

Saiba Mais Pare um instante e assista a este vídeo: “O Cérebro e a Neurociência”.
Saiba Mais
Pare um instante e assista a este vídeo: “O Cérebro e a Neurociência”. Vale a pena conferir!

Para conhecer um pouco mais sobre estudos da neurociência, vamos recorrer a

alguns autores expoentes na área: Cardoso e Sabbatini, Straliotto e Oliver Sacks.

A educação de crianças em um ambiente sensorialmente enriquecedor desde a mais tenra idade pode ter um impacto sobre suas capacidades cognitivas e de memórias futuras. A presença de cor, música, sensações, variedade de interação com colegas e parentes das mais variadas idades, exercícios corporais e mentais podem ser benéfi- cos (desde que não sejam excessivos). (CARDOSO; SABBATINI, 2000, p. 11).

Observa-se então a importância da criança manter contato com a música nos

ambientes familiares e escolares, verificando os benefícios dessa atividade para o desenvol-

vimento cerebral e das capacidades cognitivas.

Para Straliotto (2001, p. 63):

A inteligência pode ser desenvolvida por meio da audição, e que a criança quanto

mais cedo entrar em contato com o mundo da música, maiores serão as chances de que ela assimile novos códigos sonoros, funcionando como uma nova forma de exteriorizar os sentimentos, como um novo idioma, que servirá de caminho para as emoções.

Convém a educadores sempre considerar a importância da música, especialmen-

te às crianças em fase de desenvolvimento e aprendizado. A exemplo dos autores citados,

Oliver Sacks, em seu livro “Alucinações Musicais: relatos sobre a música e o cérebro”, enfatiza

a contribuição da neurociência para compreender a importância da música na formação

integral da criança.

Em determinado trecho do livro, o autor afirma:

Existem, indubitavelmente, áreas específicas do córtex que alicerçam a inteligência e

a sensibilidade musicais, e pode haver formas de amusia quando ocorrem danos a

essas áreas. [

nem sequer, é preciso ser particularmente musical para apreciá-la e responder a ela nos níveis mais profundos. A música é parte do homem, e não existe cultura humana na qual ela não seja altamente desenvolvida e valorizada (SACKS, 2007, p. 329).

não é preciso possuir conhecimentos formais de música, na verdade,

]

Córtex: a parte mais desenvolvida do cérebro humano é responsável pelo pensamento e raciocínio, por funções cognitivas, processos de percepção sensorial (visão, audição, tato e olfato) e pela capacidade de produzir e entender a linguagem (PORTAL SÃO FRANCISCO,

2012).

Amusia: incapacidade de perceber, produzir ou reproduzir sons musicais. (BALLONE, 2010).

Portanto, podemos concluir que as experiências musicais levam a entender e

atestam, de forma extraordinária, os efeitos da música na mente humana.

Biblioteca da Disciplina Para ampliar os estudos sobre o tema música e desenvolvimento, por favor,
Biblioteca da Disciplina
Para ampliar os estudos sobre o tema música e desenvolvimento, por favor, leia a reporta-
gem “Música estimula o desenvolvimento intelectual, pessoal e social dos jovens”,
do site Ciência Hoje. O material está disponível na Biblioteca da Disciplina.

3.3 A Música e a Criança

O livro “A Criança e a Música” de autoria da professora da Universidade Federal

do Rio Grande do Sul, Leda Osório Mársico, apresenta as características do desenvolvimento

musical, de acordo com faixas etárias. Vamos fazer a leitura/estudo das fases organizadas

pela autora:

QUADRO 3 - Características do desenvolvimento musical

Os psicólogos da música são unânimes em afirmar que as crianças expostas a um ambiente musicalmente rico durante os primeiros meses de vida desenvolvem-se mais rapidamente do que aquelas que não vivem essa experiência. Para Bronfenbrenner (apud LOWENFELD, 1975, p. 118), as crianças inseridas num meio sem estímulos, sem atrativos e ainda ca- rentes de afeto não se desenvolvem normalmente em todas as fases de seu crescimento. Já Gesell (2000), constatando as muitas mudanças que ocorrem após o primeiro ano de vida, observou que em relação à música, aos 18 meses, a criança já é capaz de cantar es- pontaneamente, empregando sílabas, presta atenção a certos sons, como apitos, relógios, campainhas, e reage ritmicamente a músicas com uma atividade total do corpo. Nesse

período, o comportamento da criança tem sido classificado como vocal, rítmico e auditivo. Os estudos realizados permitem dizer que a infância é o grande período de exploração do espaço próximo. O recém-nascido vive num meio ao mesmo tempo natural e humano, que descobre pouco a pouco. Sua inserção no mundo sonoro, entretanto, deve preservar-lhe a individualidade. Se a criança não pode viver só, também não se deve perder no seu meio.

A exploração do mundo que a cerca é feita através dos sentidos; por meio deles percebe

o mundo, seu próprio corpo e suas possibilidades motoras, adquire a linguagem e recolhe informações que vão permitir sua expressão e comunicação posteriores.

etapa: do nasCimento aos 2 anos

etapa: dos 3 aos 6 anos

De modo geral, a criança começa esse período apresentando um desenvolvimento limita- do da linguagem e da habilidade da fala. A atenção é relativamente curta e a fixação dessa atenção vai depender do interesse da atividade proposta. Aos seis anos, já é capaz de maior concentração e mostra-se ansiosa para aprender sobre as coisas que estão dentro de suas possibilidades e se interessa por tudo que a rodeia. Aprende por meio da manipu- lação concreta de objetos e da vivência de situações reais. Interessa-lhe o aqui e o agora e as realizações com fins imediatos. A criança também deseja ser aceita pelos adultos, necessita de seu entusiasmo e segurança, gosta de atenção individual. Entretanto, há na natureza humana aptidões que estão à espera de desenvolvimento. Vê-se que a criança que respira, caminha, corre e salta possui um instinto rítmico que precisa somente ser li- berado e orientado para atingir o máximo do seu desenvolvimento. Musicalizar a criança nada mais é do que despertar nela a expressão espontânea e as potencialidades latentes, antes da prática de qualquer instrumento.

Fonte: Mársico (1982, p. 30-39).

Assim, as características do desenvolvimento musical, organizado de acordo com

as faixas etárias, nos motivam a assumir a importância da educação musical para o desen-

volvimento da criança.

da educação musical para o desen- volvimento da criança. Dica Para se aprofundar no assunto, sugerimos

Dica

Para se aprofundar no assunto, sugerimos a leitura do livro “A criança no mundo da música” , de Leda Osório Mársico.

O autor Suzigan (1990, p. 20) elenca alguns processos cognitivos que podem ser

favorecidos quando a musicalização acontece de modo efetivo:

Linguagem de expressão (caracteres sonoros, gramática musical, melodia, etc.); como elemento dentro do meio físico e social (cultura musical); como elemento que desenvolve o raciocínio lógico-matemático (leitura e escrita da linguagem mu- sical estão associadas à matemática através dos compassos, contagem de tempo, sincronia dos ritmos); como elemento propiciador de desenvolvimento de aspectos motores (coordenação viso motora, discriminação visual e auditiva).

Podemos considerar que o educar pela música e os resultados que decorrem des-

ta prática geram transformações nas diferentes etapas da vida de uma criança no tocante a

valores morais, desenvolvimento da sensibilidade e criatividade, entre outras.

FIGURA 10 - Educação musical contribui para o desenvolvimento da criança

musical contribui para o desenvolvimento da criança Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Dica Para aprofundar os

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Dica Para aprofundar os estudos sobre a percepção e a cognição musical no primeiro ano
Dica
Para aprofundar os estudos sobre a percepção e a cognição musical no primeiro ano de
vida da criança, indicamos a leitura do artigo “Bebês também entendem de música: a
percepção e a cognição musical no primeiro ano de vida”, de Beatriz Senoi Ilari.

Resumo

Encerramos mais um capítulo do livro Desenvolvimento Infantil e Música. Ao lon- go destas páginas abordamos sobre a importância da educação musical e, principalmente, sobre os resultados oriundos desta prática, que destacamos novamente: desenvolver habi- lidades, sentimentos, pensamentos, inteligência e correlacionando-os com a aquisição do conhecimento e a cultura.

Capítulo 4

Grandes Colaboradores da Pedagogia Musical

Introdução

“Crer na música é acreditar na possível harmonia entre os homens”. Edgar Willems

Olá, seja bem-vindo a mais um capítulo deste livro. Não trago aqui como obje- tivo analisar e aprofundar o estudo das metodologias, mas sim abordar alguns educadores musicais e seu legado deixado para o Brasil e para a humanidade. São eles: Émile Jacques Dalcroze, Zoltán Kodály, Carl Orff, Shinichi Suzuki, Edgar Willems, Heitor Villa-Lobos, Violeta Gainza e Koeullreutter. Cabe ressaltar que, além desses educadores musicais, há mais impor- tantes nomes, pois é necessário reconhecer que outros profissionais também contribuíram para a educação musical. Vamos em frente!

4.1 Métodos de Educação Musical

Os métodos desenvolvidos antes do século XX eram modelos de educação mu- sical que tinham como objetivo a formação do instrumentista, que executava um repertório vinculado a uma tradição musical, a partir de concepções fortemente estabelecidas na ques- tão do talento e da genialidade musical.

Naquela perspectiva do passado, o fazer musical estava relacionado a um grupo de pessoas consideradas talentosas, resumindo-se a pessoas dotadas musicalmente, impos- sibilitando que a grande maioria se desenvolvesse nesse aspecto.

Contudo, em meados do século XX, surgiram os denominados “métodos ativos”.

Com uma nova abordagem, apontavam que a educação musical devia ser oferecida a todos

e que por meio de metodologias adequadas todos são capazes de se desenvolver musical-

mente. Esses métodos ainda são aplicados hoje, no Brasil e no mundo, em diversos contex- tos educativos.

Veremos que o que foi proposto pelos grandes educadores musicais ganhou es- paço por todo mundo por sua relevância e conformação a múltiplas visões do ensino da música. Suas metodologias sofreram adaptações para contextos específicos, produzindo contribuições significativas para a educação musical, ressaltando que essas adaptações não precisam necessariamente ser aplicadas na íntegra. Portanto, ao utilizar uma metodologia, deve-se considerar a diferença cultural e educacional dos diversos contextos sociais.

De acordo com Figueiredo (2012, p. 87), “os métodos não podem ser considera-

dos ‘receitas prontas’ para serem aplicadas em qualquer contexto educativo musical, sem

a devida análise de sua função no processo de formação musical dos indivíduos”. Penna

(1995, p. 82) acrescenta que “não é a assinatura de um grande mestre ‘consagrado’ que irá garantir a nossa prática cotidiana em sala de aula”. Ressalta-se, portanto, que avaliar uma metodologia pela assinatura de quem a desenvolveu, não é o melhor caminho para garantir sua eficácia.

Dessa forma, a partir dessa contextualização, podemos dar início a nossa leitura/ estudo sobre os grandes colaboradores da educação musical.

4.2 Educação Musical e seus Colaboradores

Entre os séculos XIX e XX, a humanidade foi permeada por diversas mudanças e,

em decorrência disso, o espaço urbano foi mais visado. Artistas aos poucos se distanciaram

do romantismo do século XIX, surgindo novas manifestações nas várias expressões artísticas.

Com a guerra, a esperança de maior progresso foi truncada. Nesse cenário, vimos

a Psicologia se desenvolver gradualmente, afetando de modo permanente a Pedagogia, que

buscava novas maneiras de educar. Foi nesse contexto que surgiram várias reflexões sobre

a Educação Musical. Portanto, em decorrência dessas mudanças na história da humanidade,

surgiram músicos e educadores que, por meio de práticas pedagógicas inovadoras, lança-

ram as bases de toda a educação musical.

4.2.1 Quem foi Dalcroze e qual sua Contribuição para Educação Musical?

FIGURA 11 - Émile Jaques-Dalcroze

para Educação Musical? FIGURA 11 - Émile Jaques-Dalcroze Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Nascido na Suíça, em

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Nascido na Suíça, em 1865, Émile Jaques-Dal-

croze faleceu em 1950. Realizou seus estudos em Paris e no

Conservatório de Genebra (Suíça). No período em que lecio-

nou Harmonia no Conservatório de Genebra (1892-1910),

desenvolveu o sistema que ficou conhecido como Dalcroze

Eurhythmics de treinamento musical, que tinha por objetivo

criar através do ritmo uma corrente de comunicação rápida,

regular e constante entre o cérebro e o corpo, transformando

o sentido rítmico numa experiência corporal, física.

Saiba Mais Você pode conhecer esse sistema musical assistindo ao vídeo “Dalcroze Eurhythmics”. Vale a
Saiba Mais
Você pode conhecer esse sistema musical assistindo ao vídeo “Dalcroze Eurhythmics”.
Vale a pena conferir!

Músico e compositor, sua obra inclui algumas óperas, dois concertos para violino, três

quartetos de cordas, peças para piano e muitas canções. Escreveu também livros pedagógicos.

Nas palavras de Goulart (2000, p. 6), vamos entender melhor as ideias de Dalcroze

em relação à Euritmia:

Aos 27 anos de idade, como professor no Conservatório de Música de Genebra e

já então um compositor reconhecido, Émile Jaques-Dalcroze constatou que os es-

tudantes não conseguiam ouvir (pela escuta interna ou mental) a música que viam escrita na partitura impressa, e que estes mesmos estudantes executavam o que liam de uma forma mecânica e pouco musical. Estas observações levaram Jaques-Dalcro- ze a compreender que faltava aos estudantes a coordenação entre olhos, ouvidos, mente e corpo necessária para aprender o repertório - e principalmente para tocar bem. Assim, percebeu que o primeiro instrumento musical que se deveria treinar era o corpo. Isto foi em 1887. Em meados do século XX, diversas pesquisas confirmaram

estas ideias: a kinestesia (de kines = movimento, thesia = consciência) é de fato o sexto sentido. Na infância, todos os sentidos recebem informações da kinestesia - por isso é que as crianças estão sempre se movimentando: estão explorando o mun- do e construindo os ‘mapas’ mentais que serão usados pelo resto da vida. Euritmia significa literalmente ‘bom ritmo’ (de eu = bom, rhythm = fluxo, rio ou movimento).

A Euritmia de Dalcroze estuda todos os elementos da música através do movimen-

to, partindo de três pressupostos básicos: Todos os elementos da música podem ser experimentados (vivenciados) através do movimento. Todo som musical começa com um movimento - portanto o corpo, que faz os sons, é o primeiro instrumento musical a ser treinado. Há um gesto para cada som, e um som para cada gesto. Cada um dos elementos musicais - acentuação, fraseado, dinâmica, pulso, andamento, métrica - pode ser estudado através do movimento. Muita gente pensa, equivocada- mente, que a Euritmia é uma espécie de dança, ou de ensino de movimentos boni- tos. Na verdade, os movimentos usados na Euritmia são improvisados pelos próprios

alunos, e não propostos pelo professor. A dança é uma arte em si mesma; a euritmia

é um meio para se atingir a plena musicalidade. O professor que usa a metodologia

de Dalcroze costuma pedir aos alunos: ‘Mostrem-me o que vocês estão ouvindo’, em vez de ‘Digam-me o que vocês estão ouvindo’. Como a música é arte não verbal, é este universo sem palavras que deve ser explorado durante as aulas e workshops. Há muita atividade física, muito movimento enquanto se ouve a música tocada pelo professor (geralmente improvisando ao piano). Nestes jogos e brincadeiras rítmicas, os alunos se envolvem e aprendem a aplicar, nas aulas e nas suas performances, os conceitos ali vivenciados. Sempre a mesma ideia se aplica à formação de professores para o método: ‘Tentar aprender o método Dalcroze somente através da leitura é o mesmo que tentar aprender a nadar somente através da leitura’.

Dalcroze defendeu a ideia de que a música é arte não verbal. É esse universo sem palavras que deve ser explorado durante as aulas, baseando-se na escuta musical, dando atenção a ela como forma de vivenciar a música. Araújo e Campos (2007) afirmam que o método Dalcroze “é ativo e global, que parte dos movimentos e expressões espontâneas buscando estabelecer relações entre ritmos corporais (instintivos e racionais) e os ritmos musicais”.

Para Fonterrada (2005, p. 118), “Dalcroze enfatiza o fato de o corpo e a voz serem os primeiros instrumentos musicais do bebê, daí a necessidade de estímulo às ações das crianças desde a tenra idade, e da maneira mais eficiente possível”.

FIGURA 12 - Euritmia é um meio para se atingir a plena musicalidade

possível”. FIGURA 12 - Euritmia é um meio para se atingir a plena musicalidade Fonte: Acervo

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Portanto, é importante compreender que a criança, desde o seu nascimento, co-

nhece o mundo por meio do seu corpo, essa ação parte da percepção de si mesma e de suas

expressões motoras. Cabe ao educador compreender todas essas abordagens e assumir que

são essenciais na educação infantil.

Biblioteca da Disciplina Para aprofundar o conhecimento sobre este tema, por favor, leia o artigo
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Para aprofundar o conhecimento sobre este tema, por favor, leia o artigo “A Rítmica de
Dalcroze e a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner: uma Relação Possível”,
das autoras Délia Ribeiro da Cruz Endler e Gilka Martins de Castro Campos. O material está
disponível na Biblioteca da Disciplina.

Continuando nossa leitura/estudo sobre os grandes colaboradores da pedagogia

musical, veremos a seguir um pouco da biografia de Zoltán Kodály. Vamos lá!

4.2.2 Quem foi Kodály e qual sua Contribuição para Educação Musical?

FIGURA 13 - Zoltán Kodály

para Educação Musical? FIGURA 13 - Zoltán Kodály Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Nascido em Kecskemét

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Nascido em Kecskemét (Hungria), em 1882,

Zoltán Kodály realizou seus estudos em Budapest. Na

companhia do compositor e pesquisador Béla Bartók,

no ano de 1905, iniciou seu trabalho de pesquisa popu-

larizando a música folclórica húngara. Utilizava em suas

composições os padrões do folclore da Hungria, imitan-

do formas, harmonia, ritmos e melodias.

Entre suas composições mais apreciadas estão

os Psalmus Hungaricus (1923), para tenor, coro e orques-

tra; a ópera Háry János (1926); Dances of Galánta (1933),

para orquestra; e a Missa Brevis (1945).

Saiba Mais Para conhecer melhor o trabalho de Kodály, assista ao vídeo que apresenta a
Saiba Mais
Para conhecer melhor o trabalho de Kodály, assista ao vídeo que apresenta a obra “Dances
of Galánta”.

Enfatizando as canções do folclore nacional, Kodály, de 1945 em diante, desen-

volveu um sistema de educação musical para as escolas públicas da Hungria, vindo a trans-

formar a vida musical e cultural daquele povo e nação. Ele considerava essencial que a mú-

sica fosse para todos, sem distinção; por isso, dedicou-se a tornar a música uma linguagem

compreensível para todo húngaro, tornando a música parte integrante da educação.

Goulart (2000) transcreveu o que Kodály pronunciou na Conferência sobre “O Pa-

pel da Música na Educação”, realizada na Universidade da Califórnia, em 1966, nos Estados

Unidos:

A música é uma manifestação do espírito humano, similar à língua falada. Os seus praticantes deram à humanidade coisas impossíveis de dizer em outra língua. Se não quisermos que isso permaneça um tesouro morto, devemos fazer o possível para que a maioria dos povos compreenda esse idioma (KODÁLY, 1966 apud GOULART, 2000, p. 7).

Assumindo como uma missão, Kodály acreditava que a música se destinava a

desenvolver o intelecto, as emoções e toda a personalidade do homem. Considerava que a

música não podia ser privilégio para poucos, pois para ele a música é um alimento espiritual

e que todos têm o direito de usufruir. Por isso, ele estudou uma forma de fazer com que

todos pudessem ter acesso à boa música.

No intuito de se comunicar com as grandes massas, ele buscava o novo dentro do

simples, e não na complexidade. Assim, complementa Goulart (2000, p. 8):

Ele sustentava que na música, assim como na linguagem e na literatura, um país deve começar com a língua musical nativa (‘musical mother tongue’), que para ele era a canção folclórica, e através dela ir expandindo até alcançar a compreensão da literatura musical universal. Considerava o canto como fundamento da cultura musical: para ele, a voz é o modo mais imediato e pessoal de nos expressarmos em música. Mesmo o acompanhamento harmônico é feito por vozes, pois o método enfatiza o canto coral. O canto não é apenas um meio de expressão musical, mas ele ajuda no desenvolvimento emocional e intelectual também. Para ele, quem canta com frequência obtém uma profunda experiência de felicidade na música. Através das nossas próprias atividades musicais, aprendemos conceitos como pul- sação, ritmo e forma da melodia. O prazer desfrutado encoraja o estudo de instru- mentos e a audição de outras peças musicais.

Observamos que Kodály enfatiza o canto sem deixar de salientar a importância de

aprender um instrumento, ele insistia que o canto deveria preceder e acompanhar o instrumento.

Saiba Mais Para conhecer e apreciar o trabalho de Kódaly, por favor, assista ao vídeo
Saiba Mais
Para conhecer e apreciar o trabalho de Kódaly, por favor, assista ao vídeo com a apresen-
tação musical “Kállai Kettős”.

A proposta pedagógica musical de Kódaly é bem clara, apontando que o estudo

da música e do canto, além de induzir a experiências prazerosas, deve ser a partir de um

material compreensível e de qualidade artística, unindo o prazer de estudar com o prazer de

usufruir de um estudo de qualidade.

A partir das ideias de Kódaly, Zemke (1977, p. 13) afirma:

Temos que educar músicos antes de formar instrumentistas. Uma criança só deve ganhar um instrumento depois que ela já sabe cantar. Seu ouvido vai se desenvol- ver somente se suas primeiras noções de som são formadas a partir de seu próprio canto, e não conectadas com qualquer outro estímulo externo, visual ou motor. A habilidade de compreender música vem através da alfabetização musical transferida para a faculdade de ouvir internamente. E a maneira mais efetiva de se fazer isto é através do canto.

O primeiro contato da criança com a música deve ser o canto, o som que emana

de seu próprio corpo, para depois aprender e explorar um instrumento.

Kodály, em sua pedagogia musical, apresenta forte influência de Dalcroze.

FIGURA 14 - O canto deve ser o primeiro contato da criança com a música

canto deve ser o primeiro contato da criança com a música Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Pare

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

da criança com a música Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014). Pare e Reflita Reflita sobre o que

Pare e Reflita

Reflita sobre o que foi exposto nesta seção e responda: como deveria ser composta uma atividade musical a partir das ideias de Kodály? Socialize sua reflexão com seus colegas no Diário de Bordo.

Kodály propõe atividades musicais que façam a pessoa progredir enquanto ser

humano. Aprender música, para ele, deve ser com prazer, primeiramente por meio do canto,

em que a criança, em especial, sinta dentro de si a música, para depois entrar em contato

com a música estruturada na aprendizagem de um instrumento.

Biblioteca da Disciplina Para aprofundar os estudos sobre Kodály, por favor, leia o artigo “O
Biblioteca da Disciplina
Para aprofundar os estudos sobre Kodály, por favor, leia o artigo “O canto na abordagem
educacional de Zoltán Kodály”, de Tatiana Dias Teixeira. O material está disponível na
Biblioteca da Disciplina. Boa leitura!

4.2.3 Quem foi Carl Orff e qual sua Contribuição para Educação Musical?

FIGURA 15 - Carl Orff

para Educação Musical? FIGURA 15 - Carl Orff Nascido no ano de 1895, em Munich (Alema-

Nascido no ano de 1895, em Munich (Alema-

nha), a partir dos cinco anos, Carl Orff aprendeu piano,

tendo sua mãe como professora. Mais tarde, ele cursou

música na Akademie der Tonkunst, de Munique.

Em parceria com a dançarina Dorothea Gün-

ther, fundou a Günther School, em 1924. A escola ensi-

nava música, dança e ginástica para crianças, com ob-

jetivo de explorar a imaginação delas, desenvolvendo

a improvisação, conseguindo criar suas próprias melo-

dias. As crianças participavam e não apenas ouviam.

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

O trabalho de Orff é centrado em atividades

lúdicas infantis: cantar, dizer rimas, bater palmas, dançar e percutir em qualquer objeto que

esteja disponível. Antes de aprender a ler e a escrever, as crianças aprendiam música. O

objetivo central de Orff é “desintelectualizar e destecnizar o ensino da música, acreditando

que a compreensão deve vir depois da experiência – esta sim a base do processo” (PENNA,

1995, p. 87).

A proposta de Orff é de levar a música a todas as crianças, não somente aquelas

dotadas de talentos. Todas são passíveis de ter contato com a música, expondo suas habili-

dades. Para tanto, ele considerava importante explorar os sons e gestos corporais para ex-

pressar o ritmo e a voz como primeiro e mais natural dos instrumentos. O uso de tambores

(vários tamanhos) era constante. Ele também utilizava o ostinato (padrão rítmico, falado ou

cantado, que se repete), incrementando as improvisações.

O ambiente educacional com a prática de Orff apresenta-se não competitivo,

todos resumem suas práticas apenas pelo prazer em fazer boa música e compartilhar com

os colegas. A escrita e a leitura de partitura só acontecem a partir do desejo das crianças,

depois que elas sentem que é o momento de escrever o que criaram.

FIGURA 16 - Uso de tambores era constante na proposta de Orff

FIGURA 16 - Uso de tambores era constante na proposta de Orff Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Logo nos primeiros estágios, a improvisação aparece de forma orientada, quando

os alunos, com satisfação e prazer de executar, usam a criatividade aproveitando os ele-

mentos que já foram trabalhados. A metodologia Orff é um tema com várias possibilidades,

atingindo satisfatoriamente tanto o aluno como o professor.

atingindo satisfatoriamente tanto o aluno como o professor. Saiba Mais “O termo ‘Schulwerk’ indica claramente a

Saiba Mais

“O termo ‘Schulwerk’ indica claramente a natureza do processo educacional Orff: é o aprendizado através do trabalho, ou seja, através da atividade e da criação. O Orff Schulwerk se baseia na música tradicional e folclórica alemã, mas seus conceitos de- vem ser adaptados à realidade musical de cada país onde é utilizado” (GOULART, 2000, p. 12). “Sua obra Schulwerk (Music for Children, 1930-33, revisada em 1950-54) começa com padrões rítmicos simples e progride até complexas e sonoras peças para conjuntos de xilofones, glockenspiels e outros instrumentos de percussão” (GOULART, 2000, p. 12). Vamos ouvi-la? Para isso, assista ao vídeo Four Short Pieces (Schulwerk)”.

Prosseguindo, vemos que entre seus trabalhos mais conhecidos como compo-

sitor estão Carmina Burana (1937), a ópera Die Kluge (The Clever Woman, 1943) e a peça

musicada Antigonae (1949).

Parada Obrigatória Vamos ouvir Carmina Burana? Aproveite e dê uma paradinha na leitura/estudo, retomando em
Parada Obrigatória
Vamos ouvir Carmina Burana? Aproveite e dê uma paradinha na leitura/estudo, retomando em
seguida, ok? Acesse, vale a pena!
Sintetize Leia sobre “Abordagem Orff” e “Instrumental Orff”, no artigo escrito por Marisa Fonterrada. Após
Sintetize
Leia sobre “Abordagem Orff” e “Instrumental Orff”, no artigo escrito por Marisa Fonterrada.
Após leitura do artigo, atenha-se ao subtítulo “Instrumental Orff”, sintetize o conteúdo e socialize
com seus colegas no Diário de Bordo.

4.2.4 Quem foi Shinichi Suzuki e qual sua Contribuição para Educação Musical?

FIGURA 17 - Shinichi Suzuki

para Educação Musical? FIGURA 17 - Shinichi Suzuki Nasceu em Nagoya (Japão), em 1898, o pre-

Nasceu em Nagoya (Japão), em 1898, o pre-

cursor do método Suzuki, chamado Shinichi Suzuki. Es-

tudou violino no Japão e na Alemanha. Sua premissa é

que toda pessoa possui talentos que podem ser desen-

volvidos pela educação. Amparado na observação de

como as crianças pequenas aprendem a língua materna,

criou o método Suzuki para o ensino de violino. Partiu

do princípio de que “toda criança japonesa fala japonês”.

Sua primeira escola foi fundada em 1950, na cidade de

Nagano (Japão), onde pôde constatar o surgimento, a

curto prazo, de vários violinistas famosos.

Os professores que são treinados para usa-

rem o método Suzuki têm o convencimento de que toda criança tem um potencial ilimitado.

O estudo da música deve enriquecer a vida da criança colaborando para que se transforme

em um ser humano mais completo. Para tanto, a presença dos pais nas aulas é fundamental,

pois também são formados para colaborarem em casa com as tarefas.

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Complementando, Goulart (2000, p. 13) afirma:

Suzuki enfatiza a importância do ambiente, que deve ser de aprendizagem colabora- tiva, e da educação permanente. A criança, em casa, deve estar imersa em música: ela vai ouvir música, tocada pelos pais, irmãos, outras crianças ou por meios de reprodu- ção mecânica (ou digital, hoje em dia) como vídeos, discos, gravador, computador. Isso fará, segundo ele, com que ela também deseje aprender a tocar.

Assim, quanto mais forem oportunizados ambientes enriquecidos musicalmente,

mais a criança tem chances de se desenvolver.

Sintetize Partindo da citação de Goulart, sintetize em um parágrafo as ideias de Suzuki e

Sintetize

Partindo da citação de Goulart, sintetize em um parágrafo as ideias de Suzuki e socialize com seus colegas no Diário de Bordo.

4.2.5 Quem foi Edgar Willems e qual sua Contribuição para Educação Musical?

FIGURA 18 - Edgar Willems

para Educação Musical? FIGURA 18 - Edgar Willems Edgar Willems nasceu em 1890 em um peque-

Edgar Willems nasceu em 1890 em um peque-

no povoado na Bélgica. O seu pai organizava as festas do

coral das escolas infantis e ao mesmo tempo era peda-

gogo. Willems era professor primário e, no início de sua

carreira, mantinha um contato com música apenas no am-

biente familiar. Cursou Academia de Artes e Pedagogia e

aos poucos começou a ter interesse em estudar música e

relacioná-la com a sua prática educacional.

Autodidata, ele começou a estudar música e

depois de alguns anos estruturou sua metodologia. Man-

teve contato com vários pedagogos e músicos da época

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

e então começou a ministrar conferências e palestras. Em

1925, no Conservatório de Genebra, fez sua formação musical oficial e ampliou o seu traba-

lho de educação musical com base em sua metodologia. O método Willems é um misto de

técnica de ensino musical, objetivos, conteúdos e estratégias, permeado pela filosofia que

determina que é preciso seguir certos princípios mais do que adotar um método. Os méto-

dos se inventam e podem ser perigosos e os princípios sempre existiram, basta descobri-los

(WILLEMS, 1966).

Destacaremos aqui alguns pontos centrais da metodologia de Willems, extraídos

do seu livro Educacion Musical (1966):

• O método está baseado nas relações psicológicas estabelecidas entre a música

e o ser humano.

• O aprendizado musical é acessível a todos e não somente aos que possuem

uma tendência natural a essa linguagem, pois parte do princípio que os elementos funda-

mentais da atividade musical são próprios a todo ser humano e à sua múltipla natureza, que

é dinâmica, sensorial, afetiva, mental e espiritual.

• Todo conhecimento musical deve partir da atividade prática chegando à abs-

tração do conhecimento teórico. A criança ouve, fala palavras soltas, palavras com sentido,

depois forma frases e finalmente escreve.

• As atividades práticas têm como centro a canção e o desenvolvimento do sen-

tido rítmico e do ouvido musical.

• Exclui todos os meios extramusicais, como o uso de cores, figuras, acreditando

ser a natureza do som e do ritmo de uma riqueza infinita.

Willems acredita que um trabalho de educação musical feito dentro de um es-

pírito adequado favorece o desenvolvimento da personalidade humana, pois esse tipo de

iniciação requer a participação de todo o ser humano (dinâmico, sensorial, afetivo, mental e

espiritual), desenvolvendo e harmonizando essas faculdades.

espiritual), desenvolvendo e harmonizando essas faculdades. Dica Para aprofundar seus conhecimentos sobre a teoria de

Dica

Para aprofundar seus conhecimentos sobre a teoria de Willems, indicamos o livro Educa- cion Musical, Vol. I. Guía Didáctica para el Maestro. Buenos Aires: Ricordi Americana, 1966.

Observamos que Willems desenvolveu uma proposta de ensino de música para

todas as crianças a partir de três anos de idade. A busca por bases psicológicas e o estudo

da audição foram pontos fundamentais de sua metodologia.

Em sua trajetória como educador musical, Willems procurou estabelecer relações

entre o som e a natureza humana a partir dos aspectos: sensorial, afetivo e mental. Assim,

ele propôs interligar a música e o ser humano, relacionando os aspectos da natureza huma-

na com os elementos característicos da música, que são o ritmo, a melodia e a harmonia.

Parada Obrigatória Por favor, antes de prosseguir com a leitura/estudo sobre Willems, assista a este
Parada Obrigatória
Por favor, antes de prosseguir com a leitura/estudo sobre Willems, assista a este vídeo sobre “Rit-
mo, Melodia e Harmonia”.

Retomando nossa leitura/estudo sobre Willems, observa-se que ele considerava

importante, antes do ensino instrumental, haver o preparo auditivo. Para isso, calcado nas fa-

ses de desenvolvimento psicológico infantil (apoiado em Piaget), utilizava sons de diferentes

natureza e jogos, propondo uma metodologia de educação musical de caráter criador e ativo.

O material elaborado para o Curso de Licenciatura em Música da UFRGS e Uni- versidades Parceiras, do Programa Pró-Licenciaturas II da CAPES, produzido pela equipe do CAEF, vem colaborar com nossa leitura/estudo. Vamos ler!

QUADRO 4 - Síntese das ideias de Willems

método Willems o autor e seus fundamentos

Edgar Willems nasceu em 1890, na Bélgica, e faleceu em 1978. Radicado na Su- íça, foi aluno de Émile-Jaques Dalcroze e Mme. Lydia Malan, os quais, segundo Fonterrada (2008), foram muito influentes em sua formação musical. Dalcroze chegou a escrever o prefácio do primeiro volume do livro de Willems: L’oreille musicale (O ouvido musical), no qual atenta para a necessidade de uma educa- ção auditiva para o povo.

 

A

base do ensino de música é a compreensão das relações entre a música e

o

homem. Seguia pressupostos piagetianos para a fundamentação teórica de

fundamentos psiCológiCos

seu trabalho. Há uma grande preocupação com a “educação do ouvido”, re- lacionando o som à natureza humana, à dimensão emocional inspirada pelas diferentes relações sonoras presentes na música. Willems desafia a ideologia do talento, defendendo o ensino de música para todos, como uma forma de criar uma cultura auditiva. A preparação da percepção auditiva deve ser ante- rior ao ensino do instrumento, sendo a escuta o centro do desenvolvimento da musicalidade. A audição possui três dimensões: sensorial (o “ouvir” em si,

fenômeno fisiológico), afetiva (primeiro processamento da escuta, relacionando

aspectos de sensibilidade) e mental (análise, sistematização e compreensão dos sons percebidos).

a

 

A

educação auditiva deve ser aberta a todos os sistemas musicais, desde o

postura estétiCa

classicamente proposto pelo sistema tonal, até os sistemas musicais de outras culturas que utilizam frações de tom – “espaço intratonal” (WILLEMS apud FON- TERRADA, 2008, p. 143).

materiais musiCais

Alinhando-se à estética musical de seu tempo, Willems propõe o uso de diver- sos materiais como matéria-prima para a composição, com incentivo à criati- vidade. A concepção de música no método Willems ultrapassa os repertórios usuais. Agrupamentos e organizações sonoras muitas vezes consideradas não musicais, como o canto dos pássaros, ruídos, sons da natureza, além de cantos primitivos de vários povos e gritos de animais, são incorporados às organiza- ções musicais tonais tradicionais.

linguagem musiCal

Predomina o aspecto melódico, considerado por Willems o central na música, com intervalos na construção melódica relacionados a impressões afetivas. Ou- tros parâmetros sonoros também são considerados – duração, intensidade e timbre – como elementos integrados às alturas na constituição de melodias. O ritmo é abordado como a dimensão motora e temporal do som.

notação musiCal

Fomenta a escrita analógica, como um meio de construção da escrita conven- cional ocidental.

atividades musiCais

Audição (exercícios de reconhecimento e discriminação sonora), canto, composi- ção musical, execução instrumental (sinos, teclados, metalofones, diapasões, api- tos, plaquetas de metal, cordas, etc.), atividades corporais de percepção rítmica.

estrutura CurriCular

Centrada no aluno, enuncia objetivos, avaliando através de execução coletiva.

 

Crianças em grupos; grupos de estudantes de música. Em seu “Caderno 0”, de

públiCo-alvo

iniciação musical, Willems preocupa-se em distinguir “princípios” de “métodos”. Princípios são fundamentos que irão reger as práticas, enquanto o método é pessoal e deverá ser aplicado conforme o perfil do processo. • Canções possuirão sempre objetivos bem definidos.

• Canções simples para principiantes.

• Canções preparatórias para a prática instrumental.

• Canções de intervalos.

• Canções com nome de notas, etc.

Fonte: CAEF (2009, p. 4-6).

4.2.6 Villa-Lobos e suas Contribuições para Pedagogia Musical

FIGURA 19 - Heitor Villa-Lobos

para Pedagogia Musical FIGURA 19 - Heitor Villa-Lobos Temos que considerar a importante influência de Heitor

Temos que considerar a importante influência

de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) para o cenário educa-

cional e musical brasileiro. Reconhecido como notável

compositor por unir música a sons naturais, ele aprendeu

as

primeiras lições de música com o pai, Raul Villa-Lobos.

O

pai lhe ensinou a tocar violoncelo usando improvisa-

damente uma viola e na adolescência aprendeu sozinho

a tocar violão participando das rodas de choros cariocas.

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

O jornal Folha de São Paulo, em especial na

Coleção Folha de Música Clássica, reproduz uma fala de Villa-Lobos na qual explicita o que

move suas composições:

Sim sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música deixo cantar os rios e os ma- res deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que transporto instintivamente para tudo que escrevo (VILLA-LOBOS, [2005?]).

Devido a sua preocupação com o descaso com que a música era tratada nas es-

colas brasileiras, Villa-Lobos apresentou um projeto inovador de Educação Musical à Secre-

taria de Educação do Estado de São Paulo, no qual seria implantado o canto orfeônico em

todas as escolas do Brasil do governo de Getúlio Vargas. Heitor Villa-Lobos foi pioneiro na

prática do canto orfeônico no Brasil.

Convém relembrar que o canto orfeônico é um canto coletivo, de características

próprias, no qual se organizam conjuntos heterogêneos de vozes. A prática do canto orfeô-

nico não exige conhecimento musical ou treinamento vocal prévio.

Biblioteca da Disciplina Para aprofundar este assunto, por favor, leia o artigo de Lina Maria
Biblioteca da Disciplina
Para aprofundar este assunto, por favor, leia o artigo de Lina Maria Ribeiro de Noronha,
intitulado “O canto orfeônico e a construção do conceito de identidade nacional”. O
material está disponível na Biblioteca da Disciplina.

Em meados de 1930, o emprego do canto orfeônico de Villa-Lobos começava a

ser conhecido em São Paulo e a tônica desse método era renovar a educação musical ofe-

recida pelos conservatórios, popularizando o saber musical no sistema público de ensino.

Os ideais de Villa-Lobos com o canto orfeônico eram:

• a democratização do acesso à música e ao seu ensino por todas as camadas

sociais;

• a utilização da música como fator de influência na construção do caráter de

cada indivíduo.

De acordo com o próprio Villa-Lobos, “só a implantação do ensino musical na

escola renovada, por intermédio do canto coletivo, seria capaz de iniciar a formação de uma

consciência musical brasileira” (CAEF, 2012, p. 20).

uma consciência musical brasileira” (CAEF, 2012, p. 20). Importante Não se sinta sozinho na caminhada, ok?

Importante

Não se sinta sozinho na caminhada, ok? Estamos juntos! Como já dito, a parte teórica é importante e necessária! Não tem como assumirmos a importância da música para a educação e desenvolvimento humano, sem conhecermos teóricos e educadores e suas contribuições. Vamos lá!

Em 1936, Villa-Lobos criou o Curso de Orientação e Aperfeiçoamento do Ensino

de Música e Canto Orfeônico, por meio do Serviço de Educação Musical e Artística (SEMA),

do Departamento de Educação Complementar do Distrito Federal. O principal objetivo era

formar educadores que fossem propagadores de suas práticas.

Para Magali Kléber (apud CÁRICOL, 2012, p. 21), presidente da Associação Bra-

sileira de Educação Musical (ABEM), os méritos de Villa-Lobos são inegáveis, embora sua

proposta pedagógica fosse totalmente ligada à exaltação da personalidade. “O fato de as

pessoas terem tido a oportunidade de ter contato com um aprendizado musical sistemati-

zado e terem um momento no qual elas faziam música foi muito bom”, afirma.

no qual elas faziam música foi muito bom”, afirma. Dica Villa-Lobos criou o “Guia Prático”, utilizado

Dica

Villa-Lobos criou o “Guia Prático”, utilizado como material didático, contendo 137 canções folclóricas, editado pela primeira vez em 1938. Antologia de fundamental importância para a educação musical e para a memória cultural brasileira. Dando vida nova ao folclore bra- sileiro, com arranjos e adaptações, Villa-Lobos solidificou um legado essencial da nossa herança musical.

Villa-Lobos considerava que a música trabalhada por meio do canto orfeônico era fator relevante à educação, pois reunia todos os elementos essenciais para a formação musical. Além disso, o canto sendo coletivo trazia contribuições significativas na formação moral e cívica da infância brasileira.

No próprio Programa de Ensino de Música, escrito em 1934, Villa-Lobos relatou o objetivo do trabalho:

Permitir que as novas gerações se formem dentro de bons sentimentos estéticos e cívicos e que a nossa pátria, como sucede às nacionalidades vigorosas, possa ter uma arte digna da grandeza e vitalidade do seu povo. O projeto de Villa-Lobos foi adota- do oficialmente no ensino público brasileiro, em todo o território nacional, durante as décadas de 1930, 1940 e 1950 e foi posteriormente substituído pela disciplina educação musical, por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 4.024, de 1961 (CAEF, 2012, p. 22).

4.2.7 Violeta de Gainza e suas Contribuições para Pedagogia Musical

FIGURA 20 - Violeta de Gainza

para Pedagogia Musical FIGURA 20 - Violeta de Gainza Uma das mais importantes educadoras musi- cais

Uma das mais importantes educadoras musi- cais da América Latina, Violeta Hemsy de Gainza é auto- ra de mais de 20 livros, tradutora e introdutora da obra de Murray Schafer e John Paynter em língua espanhola. Criadora de métodos de instrumentos musicais (piano e violão), cancioneira infantil, fundadora do Fórum Latino- -Americano de Educação Musical (FLADEM), realizadora de inúmeros festivais, participante de inúmeros congres- sos na América Latina e Espanha; enfim, uma personali- dade musical das mais conceituadas no universo da mú- sica (GAINZA, 2014).

Gainza estudou na Universidade Nacional de

Tucumán (Argentina), onde fez licenciatura em Música (Especialidade Piano). Com bolsa do lnstitute of International Education, aperfeiçoou-se no Alabama College e na Universidade de Columbia (EUA). Atuando intensamente como edu- cadora musical, lecionou na Universidade de Tucumán, Collegium Musicum de Buenos Aires, Escuela del Sol, Universidad del Salvador, Universidade Católica Argentina e Universidade do Museu Social Argentino.

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Figura central na história da educação musical dos séculos XX e XXI, ela afirma que o ensino de música em países como o Brasil passa por uma crise e fala sobre os cami-

nhos a serem percorridos para formar bons professores, pois desde 2012 o conteúdo passou

a ser obrigatório na Educação Básica (mas ainda vinculado à disciplina de Arte).

Para Violeta (NADAL, 2013), “é essencial que os educadores sejam bem formados

para trabalhar em sincronia com a realidade social e cultural dos países latinos. A escola tem

de ir ao encontro das necessidades musicais dos alunos”.

de ir ao encontro das necessidades musicais dos alunos”. Dica Entre as diversas obras de Violeta

Dica

Entre as diversas obras de Violeta de Gainza, destacamos aqui o livro “Pedagogia Musi- cal”. Lembrando que se trata de uma autora que é referência na educação musical, por isso quanto mais conhecer seus trabalhos, melhor.

Conforme acabamos de afirmar, Violeta de Gainza é referência no cenário latino-

-americano no que se refere à educação musical. Uma das tônicas do seu trabalho está rela-

cionada com o canto e a improvisação. Ela acredita que muito do despertar da criança para

a música depende do ambiente musical que está exposta (GAINZA, 1983). Em certo sentido,

Gainza acredita que a criança aprende a cantar como aprende a falar sua língua materna.

Mas para que essa aprendizagem ocorra é necessário que se dispenda o mesmo tempo que

levamos para aprender e dominar a linguagem escrita e verbal da língua materna (GAINZA,

1983).

De acordo com a autora, os recém-nascidos percebem o mundo pelos sons, po-

rém não ficam somente na esfera do perceber o estímulo sonoro, mas também respondem

a ele através de sons cada vez mais fiéis ao padrão percebido.

El órgano auditivo constituye uma de lãs fuentes de sensaciones más ricas y variadas para el recién nacido. Aún antes de que se establezcan sus primeras y más elementa- les relaciones con el ambiente através de los sentidos de lavista y del tacto (GAINZA, 1964, p. 51).

A autora aponta que o ouvir é um dos sentidos mais ricos no recém-nascido. Por

meio da audição, a criança estabelece conexão com o ambiente que a cerca. Violeta propõe

para educação musical exercícios de improvisação e do canto. Por improvisação, a autora

entende: “[

uma actividad proyectiva que puede definirse como toda ejecucion musical

instantánea producida por um individuo o grupo. El término ‘improvisación’ designa tanto a

la actividad misma como a su producto (GAINZA, 1983, p.11)”.

]

O educador deve proporcionar aos alunos músicas que tenham qualidades técni- cas, interpretativas e que contenham um significado contextual para o aluno. Gainza sugere para tal seleção o uso de peças populares e folclóricas, música erudita europeia tanto de canto como de instrumentos tradicionais.

Na certeza de que a música promoverá o desenvolvimento de hábitos, atitudes e comportamentos que expressam sentimentos e emoções, Gainza vem dizer:

Em todo processo educativo confunde-se dois aspectos necessários e complemen-

tares: por um lado a noção de desenvolvimento e crescimento (o conceito atual de educação está intimamente ligado à ideia de desenvolvimento); por outro, a noção

de alegria, de prazer, num sentido amplo. [

mente e com alegria. Desenvolver sem dar alegria não é suficiente. Dar alegria sem desenvolver, tampouco é educar (GAINZA, 1988, p. 95).

Educar-se na música é crescer plena-

]

Mediante a afirmação de Gainza, podemos dizer que a música deve estar pre- sente no processo educacional e ser ministrada por pessoas conscientes dos benefícios que essa prática proporciona.

4.2.8 Koellreutter e suas Contribuições para Pedagogia Musical

FIGURA 21 - Koellreutter

para Pedagogia Musical FIGURA 21 - Koellreutter Nascido na Alemanha, em 1915, Hans Joachim Koellreutter

Nascido na Alemanha, em 1915, Hans Joachim Koellreutter naturalizou-se brasileiro em 1937, vindo a falecer em 2005. “Personalidade expressiva, Koellreutter, compositor e educador, atuou de modo dinâmico, ousado, polêmico e inovador, tornando-se responsável por ações/ reflexões de significativa importância no cenário musical e cultural brasileiro” (BRITO, 2011, p. 1).

Com seu jeito polêmico e inovador, Koellreut- ter desenvolveu sua proposta pedagógica que objetiva- va a formação integral das pessoas e não somente a for- mação musical. Ele visava, em primeiro lugar, a pessoa e

seu desenvolvimento humano. Não deixou de considerar a importância de rever e atualizar a relação música-criança, respeitando o que as crianças consideravam sobre música.

Fonte: Acervo Nead/Unoeste (2014).

Vamos elencar algumas contribuições e considerações de Koellreutter:

• No Brasil, implantou os cursos de férias.

• Criou o Departamento de Música da Universidade Federal da Bahia, em Salva-

dor, onde foi diretor entre 1954 e 1962.

• Criou os Seminários Livres da Pró-Arte em São Paulo e em Piracicaba.

• Formou várias gerações de músicos e compositores.

• Levou o jazz e a música popular para a escola de música.

• Sempre instigou, provocou e estimulou o pensar.

• Atuou junto ao movimento “Música Viva”.

• Causou, em muitos momentos, a fúria daqueles que não compreendiam sua

proposta de crescimento e de transformação do ser humano.

• Suas composições musicais denotavam coerência com as premissas que ele

defendia.

• Seu fazer musical traduzia o desejo de colaborar com as mudanças necessárias

na sociedade contemporânea, como individualismo, preconceitos, entre outros.

As proposições pedagógicas de H-J Koellreutter, desenvolvidas no decorrer de sua vivência e experiência como músico e professor, sintonizam-se com o pensamento de pedagogos, cientistas e filósofos contemporâneos os quais apontam para novas possibilidades de trilhas e trajetórias no exercício de ser humano integralmente (BRI- TO, 2011, p. 2).

Biblioteca da Disciplina Para saber mais sobre a atuação de Koellreutter no projeto Música Viva,
Biblioteca da Disciplina
Para saber mais sobre a atuação de Koellreutter no projeto Música Viva, por favor, leia o
artigo “H. J. Koellreutter e Música Viva: Catalisadores da música moderna no Brasil”,
de Nélio Tanios Porto. O material está disponível na Biblioteca da Disciplina.

Koellreutter interessou-se pela questão da consciência, visto ter vivido em dife-

rentes países com diferentes modos de ser e viver. Para ele, “a maneira como o ser humano

vive, experimenta, imagina e vê o mundo depende da estrutura e do nível de sua consciên-

cia” (KOELLREUTTER, 1990, p. 1).

Entendendo que a consciência “é a vida propriamente dita”, ele se dedicou ao

estudo do conceito, aproximando-se, para tanto, da filosofia, da ciência e da arte (BRITO,

2011, p. 2).

Por meio de seu campo de atuação, desenvolveu trabalhos interdisciplinares nos

quais a música dialogava dinamicamente com outras áreas do conhecimento.

Parada Obrigatória Faça sua consideração sobre o que leu até aqui em relação aos ideais

Parada Obrigatória

Faça sua consideração sobre o que leu até aqui em relação aos ideais de Koellruetter, e socialize com seus colegas no Diário de Bordo.

Prosseguindo, a autora Teca Brito (2011, p. 2) aponta os pilares da proposta pe-

dagógica de Koellreutter. Os princípios orientadores são:

• Aprender a apreender dos alunos o que ensinar sendo que, a este respeito, ele

costumava dizer que o melhor momento para ensinar um conceito é quando o aluno quer saber.

• Questionar tudo, sempre: perguntar “por quê”? (alfa e ômega, princípio e fim da ciência e da arte).

• Não ensinar ao aluno o que ele pode encontrar nos livros.

• A atualização de conceitos musicais, de modo a viabilizar a incorporação de ele- mentos presentes na música contemporânea no trabalho de educação musical.

O relacionamento e a interdependência entre a música, as demais artes, a ciência

e

a vida cotidiana.

A educação musical, para Koellreutter (1998, p. 39-45), deveria ser aceita como:

meio que tem a função de desenvolver a personalidade do jovem como um todo; de despertar e desenvolver faculdades indispensáveis ao profissional de qualquer área de atividade, como, por exemplo, as faculdades de percepção, as faculdades de comunicação, as faculdades de concentração (autodisciplina), de trabalho em equi-

pe, ou seja, a subordinação dos interesses pessoais aos do grupo, as faculdades de discernimento, análise e síntese, desembaraço e autoconfiança, a redução do medo

e da inibição causados por preconceitos, o desenvolvimento de criatividade, do sen-

so crítico, do senso de responsabilidade, da sensibilidade de valores qualitativos e da memória, principalmente, o desenvolvimento do processo de conscientização do

Trata-se de um tipo de educação

todo, base essencial do raciocínio e da reflexão. [

musical que aceita como função a tarefa de transformar critérios e ideias artísticas em uma nova realidade, resultante de mudanças sociais.

]

A educação musical tem que ir além da esfera musical, induzindo e conduzindo o

indivíduo que está sob sua ação a se desenvolver plenamente como ser humano, integrante

de uma sociedade.

plenamente como ser humano, integrante de uma sociedade. Pare e Reflita Por favor, reflita sobre a

Pare e Reflita

Por favor, reflita sobre a visão de Koellreutter em relação à educação musical e troque ideia com seu tutor e colegas de turma por meio do Diário de Bordo.

Dica A educadora Teca Alencar de Brito é uma referência no cenário da educação musical

Dica

A educadora Teca Alencar de Brito é uma referência no cenário da educação musical no Brasil. Por isso, vale a pena conhecer suas obras. Aqui destacamos o livro “Koellreutter Educador”.

Vamos continuar nossa leitura/estudo sobre Koellruetter? Veremos agora sobre

sua metodologia, observe o que ele nos diz sobre métodos: “Meu método é não ter método.

”. (BRITO

O método fecha, limita, impõe

2011, p. 3).

e é preciso abrir, transcender, transgredir, ir além

Além disso, Teca Brito (2011, p. 3) complementa:

Koellreutter guiava-se, prioritariamente, pela observação e respeito ao universo cultural do aluno com seus conhecimentos prévios, necessidades e interesses, bus- cando, assim, viabilizar processos significativos de educação musical. A participação ativa, a criação, o debate, a elaboração de hipóteses e a análise crítica, sempre foram princípios inerentes aos projetos pedagógicos propostos e/ou coordenadas por ele.

Visava somente o ser humano como objetivo central da educação musical, quan-

do passou a denominar de educação musical funcional, que seria aquela direcionada às

necessidades do indivíduo e da sociedade vigente, não se prendendo a metodologias passa-

das, desenvolvidas em outras épocas. Koellreutter alertava para que o espírito criador nunca

fosse mutilado, pois isso é vital a qualquer ensino artístico.

Resumo

Este capítulo abordou aspectos importantes quanto ao legado deixado para o Brasil e para a humanidade de alguns educadores musicais como Émile Jacques Dalcroze, Zoltán Kodály, Carl Orff, Shinichi Suzuki, Edgar Willems, Heitor Villa-Lobos, Violeta Gainza e Koeullreuter. A escolha desses educadores musicais não significou que eles foram ou são mais importantes que outros, mas simplesmente apontar suas contribuições para a educa- ção musical e, consequentemente, para o desenvolvimento do ser humano, em uma pers- pectiva libertadora e realizadora.

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