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A SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA

A sexualidade do adolescente é acompanhada de muita ansiedade. Ocorrem várias


transformações biológicas e psicológicas que desencadeiam ainda o medo de não conseguir
atingir um padrão socialmente aceito.

Os adolescentes lutam para instituir uma identidade pessoal e independência em relação


aos seus pais, o que faz com que se organizem em grupos, tornando-se unidos em seu grupo
etário. Essa união determina comportamentos que são específicos da idade, pois os
adolescentes e têm a necessidade de se tornarem iguais, ou seja, com o mesmo aspecto
comprtamental a todos os seus amigos, mesmo não concordando muitas vezes com algumas
opiniões.

Essa “imitação” de comportamento ocorre pela influência que o grupo tem,pois o


indivíduo, por medo, se esforça para ser aceito pelos amigos. Portanto esquivam-se das regras
dos adultos e chocam-se muitas vezes presos a outras.

As influências do grupo variam socioculturalmente, compreendendo diferenças étnicas e


econômicas. Para alguns grupos, os preceitos de conduta sexual podem ser mais tradicional,
valorizando-se a virgindade, e em outros o sexo é tido como símbolo de “status”, incentivando a
atividade sexual.

Segundo Muniz, uma pesquisa realizada por Masters e Johnson em 1988, mostrou que a
tomada de decisões sexuais dos adolescentes reflete sua preparação psicológica individual,
seus valores pessoais, seu raciocínio moral, medo das conseqüências negativas e seu
envolvimento em ligações românticas.

No ensaio de livrar-se do controle dos pais ou dos adultos, alguns adolescentes expõem
o sexo como uma forma de provar sua capacidade de tomar decisões e contestar os valores da
geração anterior.

Os pais possuem um lugar especial na educação sexual dos filhos e apresentam tanto
um comportamento permissivo, aqueles que têm atitudes mais liberais ajudando na
compreensão da sexualidade do adolescente, como os que não são tão permissivos assim,
proibindo o assunto.

Educar adolescentes para uma vida sexual saudável significa facilitar o acesso à
informação de qualidade: prevenção da gravidez indesejada e doenças sexualmente
transmissíveis, desenvolvendo uma consciência para aliar prazer e responsabilidade.

Gherpelli (1996) em Muniz nos exemplifica dizendo: "Quando se fala em sexualidade,


pressupõe-se falar de intimidade, uma vez que ela está estreitamente ligada às relações
afetivas. A sexualidade é um atributo de qualquer ser humano. Mas para ser compreendida,
não pode ser separada do indivíduo como um todo (...) [a sexualidade] é moldada e expressa
concretamente nas relações que o sujeito estabelece, desde a mais tenra idade, consigo
mesmo e com os outros."

PADRÕES DE COMPORTAMENTOS SEXUAIS DO ADOLESCENTE

Um padrão é algo que se repete, que tem uma regra, uma lógica, uma conformação
definida. É ainda uma maneira de agir que sempre se repete diante de situações semelhantes.

Normalmente os adolescentes, que ainda estão formando seus padrões pessoais,


buscam padrões em modismos, artistas, no meio ambiente ao seu redor, amigos e familiares.

A sexualidade envolve nosso corpo, nossa história, nossos costumes, nossas relações
afetivas, nossa cultura e não apenas sexo. Ela envolve todas as formas, jeitos, maneiras como

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as pessoas expressam a busca do prazer, podendo ser prazer pela dança, por esportes, pelo
próprio corpo, pela relação sexual entre outras.

Segundo Freud, a sexualidade existe na criança desde o nascimento, onde o prazer lhe
é proporcionado pela boca, como pelo simples fato de mamar; pelo controle de necessidades
fisiológicas, como defecar; no interesse pelo próprio genital por ser diferente do sexo oposto,
onde o objeto de desejo é o pai para a menina e mãe para o menino; só então na adolescência
há interesse pelo sexo oposto na busca de prazer, já que seu próprio corpo não lhe
proporciona tanto desejo e prazer.

Todos os padrões a serem apresentados neste trabalho correspondem tanto de padrões


para heterossexual como homossexual.

MASTURBAÇÃO
A masturbação é o ato da estimulação dos órgãos genitais, manualmente ou por meio de
objetos, com o objectivo de obter prazer sexual, seguido ou não de orgasmo, sendo uma
prática sexual não-penetrativa. Pode ser automanipulada - quando o que promove a
estimulação é a mesma pessoa que a recebe - ou pode ser manipulada por uma pessoa
diferente, quando o que promove a estimulação o promove em outro.

Kinsey em 1954, elaborou uma pesquisa sobre o comportamento sexual dos


adolescentes americanos. Como resultado nos é mostrado uma diferença acentuada entre
adolescentes do sexo feminino e masculino quanto à incidência da masturbação.

Neste resultado, mostrou-se que 82% dos meninos para 20% das meninas
masturbavam-se, o que significa um número quatro vezes maior nessa diferença.

Em 1973, um outro pesquisador chamado Sorenson verificou que 39% das moças
pesquisadas e 58% dos rapazes masturbavam-se. Aos 20 anos esse número subia para 85%
no sexo masculino e 60% no feminino.

Masters e Johnson em 1988, organizou uma pesquisa com mulheres em idades entre 18
a 30 anos, e constatou que 75% delas haviam se masturbado durante a adolescência.
Verificando –se em todas as pesquisas que a maioria dos adolescentes femininos passaram se
se masturbar em número aproximado aos adolescentes masculinos.

CARÍCIAS ÍNTIMAS
As carícias íntimas são definidas como contatos físicos íntimos e eróticos, sem chegar
ao ato sexual propriamente dito.

Kinsey em 1954 revelou que 39% das moças e 57% dos rapazes já haviam praticado
essas carícias íntimas aos 15 anos e aos 18 anos esses números se elevam para mais de 80%
em ambos os sexos. Porém, somente 21% dos homens e 15% das mulheres alcançaram o
orgasmo com essas carícias antes dos 19 anos.

FICAR
O termo “ficar” não tem suas fronteiras bem demarcadas. O mesmo não é socialmente
instituído como são a paquera, o namoro, o noivado e o casamento.

“Ficar com” costuma ser caracterizado pela falta de compromisso e pela pluralidade de
desejos, regras e usos, onde o objetivo principal é a busca do prazer.

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Segundo Chaves (1994) em Muniz, o “ficar com” funciona como um extravasamento,
uma maneira de ludibriar as leis sem entrar em confronto aberto com elas, aliviando assim as
frustrações e, visto sob esse ângulo, o “ficar com” é uma saída para a dificuldade de um
indivíduo em se envolver emocionalmente sem se comprometer.

NAMORAR
O namoro é a instituição de um relacionamento interpessoal que tem como função a
experimentação sentimental e/ou sexual entre duas pessoas por meio de trocas de
conhecimento e uma vivência em grau menor de comprometimento ao do matrimônio. É o
período de transição antes do noivado, tendo em vista o casamento. O namoro não é sempre
“algo sério”, mas um caminho de conhecimento, iniciação à vida amorosa, de relacionamento e
aproximação entre indivíduos.

FICAR E NAMORAR
Canella (1999) em Muniz, realizou uma pesquisa entre as jovens adolescentes
brasileiras em que denominaram e aceitaram o “ficar” sendo somente em sentido superficial,
como o beijo descompromissado.

O “ficar” foi considerado sem importância pela maioria das adolescentes, uma relação
sem compromisso e fidelidade, de caráter estritamente superficial. Em conseqüência desta
superficialidade, não foi aceita a relação sexual.

O namorar teve a conotação de uma relação mais duradoura, com pontos mais
marcantes em itens como “responsabilidade”, “importante”, “compromisso”. A relação sexual
tem um sentido de compromisso duradouro, aceito por 40% dos adolescentes no namorar,
enquanto que no “ficar” foi aceito somente por 20% dos adolescentes e rejeitado pelos demais.
Desta forma, verificaram que o “ficar” é só um relacionamento superficial e inconseqüente,
enquanto que namorar está na ordem de um relacionamento profundo, compromissado e
duradouro.

RELAÇÃO SEXUAL
A primeira relação sexual é vivida por cada um de nós de maneiras bem diferentes.
Assim, pode ser um momento de felicidade, prazer, intimidade e satisfação, como pode
também ser um momento de preocupação, insegurança, medo, culpa e decepção.

De acordo com várias pesquisas na área da sexualidade, a idade da primeira relação


sexual caiu nas últimas décadas, especialmente para as meninas.

Segundo Kinsey em sua pesquisa feita em 1953, apenas 1% das meninas de 13 anos e
3% das meninas de 15 anos já haviam tido relações sexuais. Porém, aos 20 anos de idade, a
porcentagem já aumentava para 20%.

Na década de 70, Sorenson (1973) , mostrou em sua pesquisa que quase um terço das
meninas de 13 a 15 anos e 57% das de 16 a 19 anos já haviam tido experiências sexuais.

No ano de 1975, Jessor e Jessor fizeram uma pesquisa com meninas do primeiro,
segundo e terceiro anos do segundo grau e o resultado foi que, respectivamente, 26%, 40% e
55% das meninas já não eram mais virgens. Evidencia-se que as meninas tinham relações
sexuais mais ativas, o que gerava uma aumento de 15% para cada ano que se passava.

Canella e pesquisadores (1999) fizeram uma amostra com oitenta adolescentes, que
variavam em idades compreendida dos 11 aos 18 anos em relação à atividade sexual. A idade

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média da amostra foi de 15 anos para essa experiência. Um dos resultados obtidos foi que 42,5
% das jovens têm vida sexual ativa. Desses 42,5%, 20,6% engravidaram e a idade média da
primeira relação sexual foi de 14 anos e 3 meses.

Das que se declararam católicas, 46,1% tinham vida sexual ativa; das evangélicas,
44,4%; da Igreja Universal 28,6 % e das sem religião 33,3 %.

No relatório de Kinsey (1954), 15% dos meninos de 13 anos e 39% dos meninos de 15
anos não eram mais virgens, e com a idade de 20 anos, esse número havia aumentado para
73%.Isso parece apontar que aquela relação entre casamento e relacionamento sexual, ou
melhor, entre estado civil de solteiro (a) e virgindade está cada vez mais distante.

EXPERIÊNCIAS HOMOSSEXUAIS
Homossexualidade (grego homos = igual + latim sexus= sexo) refere-se ao atributo,
característica ou qualidade de um ser — humano ou não — que sente atração física, emocional
e estética por outro ser do mesmo sexo.

Segundo pesquisa realizada por Kinsey (1954), demonstrou que adolescentes do sexo
masculino têm mais experiências homossexuais que as moças. Sorenson (1973) revelou que
5% dos meninos de 13 a 15 anos e 17% de 16 a 19 anos já tinham experiência homossexuais,
enquanto que 6% das meninas adolescentes já tinham tido, pelo menos, um episódio de
atividade homossexual.

Hass (1979), por sua vez, registrou que 11% das moças e 14% dos rapazes
adolescentes estudados tinham tido pelo menos uma relação com uma pessoa do mesmo
sexo.

É importante compreender que um episódio homossexual não significa que o indivíduo


seja homossexual. No entanto, alguns adolescentes desenvolveram sentimento de culpa ou
ambivalência sobre sua orientação sexual, podendo sofrer problemas emocionais.

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
Biologicamente a gravidez pode ser definida como o período que vai da concepção ao
nascimento de um indivíduo. Entre os seres humanos essa experiência adquire um caráter
social, ou seja, pode possuir significados diferenciados para cada povo, cada cultura, cada
faixa etária. No Brasil, onde não há controle de natalidade e onde o planejamento familiar e a
educação sexual ainda são assuntos pouco discutidos, a gravidez acaba tornando-se, muitas
vezes, um problema social grave de ser resolvido.

Denomina-se gravidez na adolescência a gestação ocorrida em jovens de até 21 anos


que encontram-se, portanto, em pleno desenvolvimento dessa fase da vida – a adolescência.
Esse tipo de gravidez em geral não foi planejada nem desejada e acontece em meio a
relacionamentos sem estabilidade.

A onipotência do "comigo não acontece", a impetuosidade do "se der errado, depois


agente vê", a busca de identidade no "se eles acham que isso é certo, eu faço o contrário", a
energia de "vamos ver o sol nascer depois a gente vai direto para aula"...Junte a estas atitudes
o pouco ou nenhum diálogo com a família, além da angústia do conflito entre o desejo e as
conseqüências, para que a gravidez aconteça. Depois o argumento mais ouvido é: "não pensei
que fosse engravidar".

Cabe destacar que a gravidez precoce não é um problema exclusivo das meninas. Não
se pode esquecer que embora os rapazes não possuam as condições biológicas necessárias
para engravidar, um filho não é concebido por uma única pessoa.

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Outro fator que deve ser ressaltado é o afastamento dos membros da família e a
desestruturação familiar. Seja por separação, seja pelo corre-corre do dia-a-dia, os pais estão
cada vez mais afastados de seus filhos. Isso além de dificultar o diálogo de pais e filhos, dá ao
adolescente uma liberdade sem responsabilidade. Ele passa, muitas vezes, a não ter a quem
dar satisfações de sua rotina diária, vindo a procurar os pais ou responsáveis apenas quando o
problema já se instalou.

“As adolescentes solteiras grávidas defrontam-se com uma série de


conseqüências que podem afetar sua estrutura física e psicológica além da
familiar. Muitas recebem pouco ou nenhum apoio – emocional e financeiro do pai
da criança, que na maior parte das vezes, também são adolescentes e precisam
decidir o que devem fazer. Comumente, a primeira coisa que passa na cabeça é o
aborto (o que causa intenso sentimento de culpa e angústia). Em alguns casos,
seus parceiros podem pressioná-las a fazer algo que não desejam, criando ainda
mais pressões e incertezas. Outras vêem-se forçadas a um casamento imprevisto
como resultado da gravidez, casamentos que, na verdade, têm probabilidade
muito maiores do que os outros de terminarem em separações.” (Muniz).

Os governos, por sua vez, também se limitam às campanhas esporádicas. Ainda assim,
em geral essas campanhas não primam pela conscientização, mas apenas pela informação a
respeito de métodos contraceptivos.

Parece que todas as questões ligadas à sexualidade na adolescência, principalmente


quando se fala em gravidez, acentuam a necessidade e a ausência de uma educação sexual,
pois embora os adolescentes em geral não estejam dispostos a admitir sua ignorância ou suas
informações incorretas sobre sexo, não é raro encontrar adolescentes que não sabem as
informações básicas, tais como os dias férteis de um ciclo menstrual. Isso sem falar no fato de
que os adolescentes precisam ter consciência de que o risco de contrair uma doença
sexualmente transmissível.

Na realidade o que está faltando é educação. E dentro deste contexto, o que falta é
educação sexual.

REFERÊNCIAS:

 ENCICLOPÉDIA Wikipedia. Disponível em: <.http://pt.wikipedia.org


/wiki/Página_principal> Acesso em: 27 de fev. 2010.

 MARCATTO, Alfeu. Padrões de Comportamento. Disponível em:


<http://www.alfmarc.psc.br/psi_padr.asp> Acesso em: 27 fev. 2010.

 MORAES, Rosalina R. A. Gravidez na Adolescência. Disponível em:


<http://www.infoescola.com/sexualidade/gravidez-na-adolescencia/ gravidez na
adolescência> Acesso em: 27 fev. 2010.

 MUNIZ, Fabiane; LETTIERI, Ana Paula; BRANDÃO, Eduardo; FRIDA, Sayyeda.


Instituto A Vez do Mestre. Caderno de Estudos: Sexualidade e
Desenvolvimento Humano. S/ ano.