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A CIÊNCI A AJUD A VOCÊ A MUDA R O MUNDO P. 64 P. 07
A CIÊNCI A AJUD A VOCÊ A MUDA R O MUNDO P. 64 P. 07

A CIÊNCI A AJUD A VOCÊ A MUDA R O MUNDO

A CIÊNCI A AJUD A VOCÊ A MUDA R O MUNDO P. 64 P. 07 P.
P. 64 P. 07 P. 58
P.
64
P.
07
P.
58

FÍ SICO RE JE IT A TE OR IA DA GR AV ID AD E DE EI NS TEIN

CI ENT IS TA S VÃ O ÀS RU AS CO NTR A GO VE RN OS

OSLU GA RE S EM QUE TO DO MUNDO RE CE BE ME SA DA

DO SSI Ê

JOGOS DE AZ AR

R$12,8 bi

Loteria
Loteria
R$ 16,5 bi Jogos ilegais
R$ 16,5 bi
Jogos ilegais

COM PR OI BI ÇÃ O,BR AS IL DE IX A DE AR RE CA DA R MAI S DE R$ 15 BI LH ÕE S P. 21

IX A DE AR RE CA DA R MAI S DE R$ 15 BI LH ÕE

ENTRE VI ST A: RO NA LD O LEMOS E A TE CNOLOG IA A FA VO R DA POLÍTI CA

P. 48

CO MO A DE SI GU AL DA DE CO MP RO ME TE A SUA

R$14,00 EDIÇÃO 309 edição de ipad EX EMPL AR DE ASS IN AN TE VE
R$14,00
EDIÇÃO
309
edição de ipad
EX EMPL AR DE ASS IN AN TE
VE NDA PR OIBIDA
CA RG A TRIBUT ÁRIA FE DE RA L AP RO X. 4, 65%

AB R. 17

CA RG A TRIBUT ÁRIA FE DE RA L AP RO X. 4, 65% AB R.

Os ri co s br as ileir os vivem me no s qu e os pob res su ec os . En tend a com o as gr an de s di fe ren ça s sociais estão af et an do a qu al id ad e de vida de to da a populaç ão

a com o as gr an de s di fe ren ça s sociais estão af

P. 30

NOVO APP GALILEU

NOVO APP GALILEU OMUNDO ESTÁ MUDANDO CONSTANTEMENTE. TENHATUDO OQUE PRECISASABERSOBRE OSTEMAS ATUAISNA PALMA DA SUAMÃO.
NOVO APP GALILEU OMUNDO ESTÁ MUDANDO CONSTANTEMENTE. TENHATUDO OQUE PRECISASABERSOBRE OSTEMAS ATUAISNA PALMA DA SUAMÃO.
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NOVO APP GALILEU OMUNDO ESTÁ MUDANDO CONSTANTEMENTE. TENHATUDO OQUE PRECISASABERSOBRE OSTEMAS ATUAISNA PALMA DA SUAMÃO.

OMUNDO ESTÁ MUDANDO CONSTANTEMENTE. TENHATUDO OQUE PRECISASABERSOBRE OSTEMAS ATUAISNA PALMA DA SUAMÃO.

To do o conte úd o e to das as edições de GALILEU disponíveis em seu celular ou ta blet, tota lmente adapta dos à tela.

EN VIE UM SMS GR ÁT IS COM A PAL AV RA GA LI LEU PA RA 30 133 E B AIXE O A PLICATIV O. DISPONÍVEL PA RA

ÁT IS COM A PAL AV RA GA LI LEU PA RA 30 133 E B
MATÉRIAS P. 30 A DESIGUALDADE NOS DEIXA DOENTES P. 42 ENSAIO A JORNADA DOS RINOCERONTES
MATÉRIAS
P.
30 A DESIGUALDADE
NOS DEIXA DOENTES
P.
42 ENSAIO A JORNADA
DOS RINOCERONTES
P.
48 ENTREVISTA
RONALDO LEMOS
P.52 MULHERES DE OURO
P.58 EXISTE DINHEIRO GRÁTIS
P.64 O QUE FA Z AS
COISAS CA ÍREM?
BOLADA
P.71 TUBO DE ENSAIOS
O jogo do bicho
movimenta
anualmente
cerca de R$ 12
bilhões co m
apostas sem
supervisão
do Estado.
P.72 PA NORÂMICA
P.74 ULTIMATO

COMPOSI ÇÃO

EDIÇÃO DE ABRIL DE 2017

ANTIMATÉRIA

P.07 CIENTISTAS CONTRA TRUMP P.10 DESAFIO CONTRA O CÂNCER P.11 A MOTO SSERRA E A

P.07 CIENTISTAS CONTRA TRUMP

P.07 CIENTISTAS CONTRA TRUMP P.10 DESAFIO CONTRA O CÂNCER P.11 A MOTO SSERRA E A POLÍTICA

P.10 DESAFIO CONTRA O CÂNCER

P.11 A MOTO SSERRA E A POLÍTICA

P.12 O BIÓGRAFO DA TEORIA DA RELATIVIDADE

CONTRA O CÂNCER P.11 A MOTO SSERRA E A POLÍTICA P.12 O BIÓGRAFO DA TEORIA DA

P.13 PLANTINHAS ES PACIAIS

CONTRA O CÂNCER P.11 A MOTO SSERRA E A POLÍTICA P.12 O BIÓGRAFO DA TEORIA DA

P.14 INFOMANIA ES CRITORES AFRICANOS

P.14 INFOMANIA ES CRITORES AFRICANOS P.15 ENTREVISTA COM M. NIGHT SHYAMALAN P.15 MORGAN FREEMAN E SUA

P.15 ENTREVISTA COM M. NIGHT SHYAMALAN

P.15 MORGAN FREEMAN E SUA NOVA SÉRIE

P.16 AVALIAÇÃO COMPLETA DO NINTENDO SW ITCH

P.17 OS MELHORES CELULARES DE 2017

P. 20 ELEMENTAR LENTE DE CONTATO P. 21 DOSSIÊ
P.
20 ELEMENTAR
LENTE DE CONTATO
P.
21 DOSSIÊ

JOGOS DE AZAR

JOGOS DE AZAR

AutorA best-seller com mAis de 2 milhões de livros vendidos

Depressão não é frescura

Em Mentes depressivas,

a dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, médica psiquiatraeescritora, disseca a depressão de forma inovadora ao abordar a doença do século por meio de suas três dimensões: física, mental

e espiritual.

Nas livrarias e em e-book

ao abordar a doença do século por meio de suas três dimensões: física, mental e espiritual.
PR RA IM EI - MENTE WWW .G AL IL EU .G LO BO.COM #309
PR
RA
IM EI -
MENTE
WWW .G AL IL EU .G LO BO.COM
#309
04. 2017
FO TO To más Arthuzzi
PRODUÇ ÃO Beatriz Liran ço
MODE LO Lu anna Marin
MAQUIAGEM An anda Re sende
POR CRISTINE KIST
AG RADECIMEN TOS
Rica rd o Almeida
Ri
achuelo
In terdomus LAFER
COLABORADORES DO MÊS
Fe rnanda
uma solução satisfatória. Foi o que
aconteceu na última edição de julho,
sobre meritocracia (O pobre tem seu
lugar. E não sai de lá por quê?), quan-
do usamos a imagem de uma babá
em um elevador de serviço amarelo
que a editora de arte Fernanda Didini
construiu do zero só para aquela foto.
Conto tudo isso para deixar claro
o quanto levamos a sério o design
da revista. Sabemos que a forma de
apresentação do conteúdo contribui
(e muito) para torná-lo não apenas
mais bonito, mas mais interessan-
te e informativo. Em novembro de
2015, lançamos um novo projeto grá-
fico que, já na época, recebeu vários
prêmios nacionais e internacionais.
Um dos mais importantes foi uma
medalha de prata no The Best of News
Design, competição anual que reúne
as melhores publicações do mundo
inteiro. Pois bem. Em 2016, aprovei-
tamos para fazer uma série de pe-
quenas modificações no projeto que
deixaram o produto final ainda mais
bem-acabado. E o resultado é que,
desta vez, ganhamos não uma, mas
duas medalhas de ouro e outras três
menções honrosas. Fomos o único
veículo brasileiro e um dos poucos
do mundo a receber medalha de ouro
(ao nosso lado na lista estão The New
York Times e National Geographic,
cof). Para comemorar, nada mais
Didini
EDITORA DE ARTE
ONDE NA SCEU E ONDE MORA
Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP)
HIS TÓ RIC O
Formada em 2009 pela UFPE, Cam-
pus do Agreste – Caruaru. Já passou
pela FutureBrand e Editora Abril.
É CONHECI DA PO R
Seu gosto peculiar para
entretenimento e seus ataques
de riso altamente contagiosos
DIZEM QUE
NÃO SE DEVE
JULGAR UM
LIVRO PEL A
CA PA , MAS
Fe u
(Felipe
Eugênio)
DESIGNER
ONDE NASCEU E ONDE MORA
Petrolina (PE) e São Paulo (SP)
!
ELAS
POR ELAS
No s dias
31 de março
HIS TÓ RIC O
Formado em 2011 pela UFPE,
Campus do Agreste – Caruaru e
pela Faculdade de Belas Artes da
Universidade do Porto (Portugal).
odos os meses,
além da reunião de
pauta normal, faze-
mos também uma
segunda reunião
É CONHE CIDO PO R
T
e 1º de abril,
GALILEU
participa
do evento
Elas por Elas
no Village-
Ma ll, no Rio
de Ja neiro.
Me diaremos
grupos
de discussão
Seus muitos talentos artísticos e
seu sotaque pernambucano mais
carregado que o das novelas
com toda a equipe só para discutir
João
a imagem de capa. Às vezes ela dura
Pedro
cinco minutos — foi o caso da edição
de junho do ano passado, que trata-
va de erotização infantil e mostrava
Brito
DESIGNER
sobre gê nero
e sobre
uma menina de costas escrevendo
justo que usar o espaço dos
colabo-
machismo
à mão a frase Essa novinha é uma
radores do mês, aqui ao lado, para
ONDE NA SCEU E ONDE MORA
São Paulo (SP)
criança. Já chegamos, no entanto, a
ficar mais de cinco horas trancados
na sala de reunião devorando sacos e
mais sacos de bolachas de água e sal
(sempre há uma boa alma que provi-
dencia a comida) até encontrarmos
apresentar nosso pequeno — mas
brilhante — departamento de arte.
Boa leitura e até o mês que vem!
em diferentes
áreas.
Vo cê pode
HIS TÓ RIC O
Formado em Editoração pela USP,
acompanhar
passou pelas redações da Autoesporte
a
co bertur a
e da Época antes de chegar à Galileu.
do event o
no nosso site
É CONHECIDO POR
Cristine Kist — Ed itora-chefe
e nas re des
sociais.
Seu superpoder de se comunicar
ckist@edglobo.com.br
exclusivamente por memes
DIR ET OR GE RA L: Fr ed eric Zogha ib Ka char DIR ET

DIR ET OR GE RA L: Fr ed eric Zogha ib Ka char DIR ET OR DE AU DI ÊNCI A: Lu cian o To ug uinha de Ca stro

DIR ET OR A DE ME RC AD O ANUN CIANT E: Vi rgi ni a Any

 
 
 
 
 
 
 

DIR ET OR A DE GRUPO CA SA E CO MIDA, CA SA E JA RDIM, CRESCER E GA LIL EU: Pau la P er im

RE

DAÇÃO

EDIT OR A- CHEF E: Cr is ti ne Ki st

EDIT OR A DE AR TE : Fe rn anda Di dini EDIT ORE S: Gi uliana de To le do , Natha n Fe rn ande s e Th iago Ta nji RE PÓ RTERE S: An dré Jor ge de Oliveir a e Is abe la Morei ra DE SIGNER S: Felip e Eugê ni o (F eu) e João Pe dro Brito ES TAGIÁ RIO S: Jú lio Vian a (t ex to) e Fe rn an da Fer rari (a rt e)

AS SISTENT E DE RE DAÇÃO: Wa ni a Pa ce

COL AB OR ADORES DESTA EDIÇ ÃO : Daniel Barr os , Dieg o Bor ge s, Edu ar da En dle r, Felli pe Ab re u, Is ma el dos An jos , Jo ta pê Jor ge , Lu iz Felip e Silva, Ma ri an e Mo ri sawa , Mar íl ia Marasciulo, Me li ss a Cr uz , Th ássius Ve loso e Yu ri Go nzaga (t ex to); Ga br iela Namie, Gu ilh er me Hen ri que, To má s Ar th uz zi , Be at ri z Li ra nço, Du lla , Ina ra Ne grã o e Ér ico Hill er (a rt e); Monique Mu ra d Ve ll oso (r ev is ão); Ad ils on Je sus Ap arecid o de Oli ve ir a, pr ofe ssor de Físi ca da UFS Ca r (consu ltor científi co)

E-

MAI L DA REDAÇÃO: ga lil eu @edgl ob o.com .br

TECNO LO GIA DA INFORM AÇÃO DIR ET OR DE T EC NOLOGIA : Ro dr igo Go sling

ES

TR AT ÉG IA DI GI TAL

DES EN VO LV EDOR ES : Ever to n Ribe iro , Fa bio Marciano , Lea ndro Pai xão, Ma rcel o Am endol a, Mu ri lo Am endola , Th iago Previer o e Wi lli am An tunes

ES

TR AT ÉG IA DE CO NT EÚ DO DI GI TA L

GERE NTE : Sil vi a Ba li eir o

ME RC AD O AN UNCIANT E FINANCEIRO, IMOB ILIÁRI O, TI , CO MÉRCIO E VA REJO — Diretor de Negócios Multiplataforma:

Emiliano Morad Hansenn; Gerente de Negócios Multiplataforma: Ciro Horta Hashimoto; Execu- ti vo s Mu ltiplataforma: Christian Lo pes Ha mburg, Cristiane de Barros Pa gg i Succi, Milton Luiz Abrantes e Selma Maria de Pina. MODA, BELEZA E HIGIE NE PESS OA L — Diretor de Negócios Multi plat aforma: Ce sar Bergamo; Executi vo s Multip la taforma: Ad riana Pinesi Marti ns, Ana Pa ula Boulos, Eliana Lima Fa gundes, Giova nna Sellan Pere z, Selma Teixeira da Costa e Soraya Ma ze rino Sobral. CAS A, CO NSTRUÇÃ O, ALIMENTOS E BEBIDAS , HIGIENE DOMÉSTICA E SAÚDE — Diretora de Negócios Mu ltiplataforma: Luciana Menezes; Executivos Mu ltiplatafor- ma: Fatima Ottaviani, Pa ula Santos, Ro drigo Girodo Andrade, Taly Czeresnia Wakrat e Va leria Glanzmann. MOBILIDADE , SERVIÇOS PÚBLICOS E SOC IAIS , AG RO E INDÚSTRIA — Diretor

de

Negócios Mu ltiplatafo rma: Re nato Augusto Cassis Siniscalco; Executi vo s Multiplataforma:

Diego Fabiano, Cristiane Soares Nogueira, Jessica de Carvalho Dias, João Carlos Meyer e Priscila

Fe

rreira da Silva. EDUC AÇÃO, CU LT UR A, LAZER , ESPORTE , TURISMO, MÍDIA, TEL ECOM E

OUTROS — Diretora de Negó cios Multipl ataforma: Sandra Re gina de Me lo Pe pe; Executivos de Negócios Mu ltiplatafo rma: Ana Silvia Co sta, Dominique Petroni de Freitas e Lilian de Mar-

che Nof fs. ESCRITÓRIOS REGIONAI S — Gere nte Mu ltiplataforma: Larissa Ortiz; Executi va de Negócios Mu ltiplataforma: Babila Garcia Chagas Arantes. UNIDADE DE NEGÓCIOS — RIO DE

JA

NEIRO — Gerente de Negócios Multiplataforma: Rogerio Pere ira Ponce de Le on; Executivos

Mu ltiplatafo rma: Daniela Nu nes, Lo pes Chahim, Juliane Ri beiro Silva, Maria Cristina Machado

e

Pe dro Pa ulo Rios Vieira dos Santos. UNIDADE DE NEGÓCIO S — BRASÍLIA — Gerente Multi-

p latafo rma: Barbara Co sta Fre itas Silva; Executivos Multiplataforma: Camila Amaral da Silva

e

Jo rge Bicalho Felix Ju nior. GERENTE DE EV ENTOS: Daniela Va lente. OPEC OFFLINE : Carlos

Roberto de Sá, Douglas Costa e Eduardo Ramos. OP EC ONLINE: Rodrigo Santana Oliveira, Danilo Panzarini, Higor Daniel Chabes e Rodrigo Pecoschi. ESTRATÉGIA COMERCIAL: Guilherme Iegawa

Sugio. EG CN — Consultora de Ma rcas: Ol ivia Cipolla Bolonha. ESTÚDIO GLOBO : Caio Henrique Caprioli, Ligia Rangel Cava lieri e Lu iz Claudio dos Santos Fa ria

AU DI ÊN CIA

Di

reto r de Mar ke tin g Co nsumidor : Cristi ano Au gu st o Soa re s Sa nt os; Dir etor d e

Planeja men to e Dese nvolviment o Co mer ci al: Ed nei Za mp ese; Ge re nt e de Ve nda s Ca nai s

Indir et os: Re gin al do Morei ra da Sil va; Ge re nt e de Criação: Va lter Bi cu do Sil va Ne to;

Co

ordenadores d e Mar ke tin g: Eduard o Ro cc at o Almeid a e Pa tr ici a Ap ar ec ida Fa che tti

 
 
 

Galileu é uma publicação da EDITOR A GLOBO S. A. — Av. Nove de Julho, 5.22 9, 8º andar, CEP 01407-907, São Paulo/SP. Tel. (11) 3767-7000. Distribuidor exclusivo para todo o Brasil:

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ra se co rrespo nder co m a Re dação: endereçar ca rt as à edit or a-ch ef e, GA LILEU.

Ca

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O Bureau Veritas Certification, com base nos processos e procedimentos descritos no seu Relatório de

O Bureau Veritas Certification, com base nos processos e procedimentos descritos no seu Relatório de Verificação, adotando um nível de confiança razoável, declara que o Inventário de Gases de Efeito Estufa — Ano 20 12 da Editora Globo S. A. é preciso, confiável e livre de erro ou distorção e é uma representação equitativa dos dados e informações de GEE sobre o período de referência para o escopo definido; foi elaborado em conformidade com a NBR ISO 1406 4-1:2007 e as Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol.

CONSELHO

do Programa Brasileiro GHG Protocol. CONSELHO POR NATHAN FERNANDES Na edição de março, nossos

POR NATHAN FERNANDES

Brasileiro GHG Protocol. CONSELHO POR NATHAN FERNANDES Na edição de março, nossos Conselheiros mergulharam no
Brasileiro GHG Protocol. CONSELHO POR NATHAN FERNANDES Na edição de março, nossos Conselheiros mergulharam no

Na edição de março, nossos Conselheiros mergulharam no cinza para procurar algo de colorido na revista

A REVISTA QUE TO DO MUNDO QUER VER

Edição • Março/2017

O QUE ELES AC HARAM

O QUE ELES AC HARAM 11% Há pontos fo rtes, não sei bem quais DA REPORTAGEM

11%

Há pontos fo rtes, não sei bem quais

DA REPORTAGEM

67%

DA REPORTAGEM 67%

DE CAPA

22%

 

Eu ve jo flores em vocês

Te ma lindo, execução cinza

DO DOSSIÊ

MICRORGANISMOS

MICRORGANISMOS 100%

100%

execução cinza DO DOSSIÊ MICRORGANISMOS 100% Me fizeram ve r o que nunca tinha visto MÉDIAS

Me fizeram ve r o que nunca tinha visto

MÉDIAS DA S MATÉRIAS

9,4 9,3 8,1 9,8 10 A cidade que ninguém quer ver Dossiê Como enlouquecer seu
9,4
9,3
8,1
9,8
10
A cidade que
ninguém quer ver
Dossiê
Como enlouquecer
seu robô na cama
Museu
microrganismos
ao mar
A pa rte
que lhes ca be

Cidade dos

Fl uam, meus

pesadelos

orgasmos

“Matérias assim são ótimas para desmisti-

ficar ideias incoeren- tes com a vida social de uma cidade. É importante mostrar esse lado que é cruel,

mas, infelizmente, tido como normal por muita gente.”

ELLEN RODRIGUES (Goiânia, GO), sobre a reportagem de capa

“Interessante e as- sustador. Inovações tecnológicas para melhorar a sexualida- de são bem-vindas, mas será que esta- mos mesmo cami- nhando em direção ao mundo retratado em Blade Runner?”

TÚLIO TERRELL (São Paulo, SP), sobre Como enlouquecer seu robô na cama

Um pedacinho pra cada esquema

“O design da matéria deveria ser replicado nos livros de biologia. Foi bem fácil entender os processos que no Ensino Médio eu me matava para decorar.”

CAIO MELO (São Paulo, SP), sobre Gene domável

04. 20 17 P. 07 Cientistas organizam protestos co ntra Donald Tr ump AN TI
04. 20 17
P. 07
Cientistas organizam protestos
co ntra Donald Tr ump
AN TI -
MATÉ -
RIA
FATOS • FEITOS • NÚMEROS • NOTA S • NOTÁV EIS
Fig. (GH)

04.20 17

04.20 17 ED IÇ ÃO THIAGO TANJI DE SI GN FERNANDA DIDINI IL US TR AD

ED IÇ ÃO THIAGO TANJI

DE SI GN FERNANDA DIDINI

IL US TR AD OR ES CON VI DA DOS

GUILHERME HENRIQUE ( GH ) GABRIELA NAMIE ( GN ) (GH)
GUILHERME HENRIQUE ( GH ) GABRIELA NAMIE ( GN ) GABRIELA NAMIE (GN)

P. 08 04. 20 17

P. 08

04. 20 17

*Com supervisão de Thiago Tanji

CIENTIS TA S EMMARCHA

Pe squisadores dos Estados Unidos se mobilizam contra as políticas de Donald Tr ump

Pe squisadores dos Estados Unidos se mobilizam contra as políticas de Donald Tr ump

POR JULIO

CESAR

SOARES VIANA*

SOARES VIANA*

a comunidade científica dos Estados Unidos entrou em alerta quando, no início de janei- ro, informações sobre o aquecimento global foram retiradas do site da Casa Branca. Na mesma época, um comunicado enviado a qua- tro agências federais norte-americanas informava que os cientistas não deveriam divulgar nenhuma infor- mação a menos que fossem autorizados por seus su- periores. Para completar, o recém-empossado presi- dente Donald Trump nomeou Scott Pruitt, conhecido inimigo dos ecologistas, como secretário da agência de proteção ambiental do país. Durante a campanha eleitoral, o então candidato Trump chegou a afirmar que o discurso sobre o aquecimento global era um

Durante a campanha eleitoral, o então candidato Trump chegou a afirmar que o discurso sobre o
Durante a campanha eleitoral, o então candidato Trump chegou a afirmar que o discurso sobre o

CENSURA

Dados sobre o aquecimento global fo ram re- movidos dos si- tes de agências públicas dos Estados Unidos

era um CENSURA Dados sobre o aquecimento global fo ram re- movidos dos si- tes de

04. 20 17

P. 09

04. 20 17 P. 09

plano da China para desacelerar a econo- mia norte-americana. Diante desse cená- rio, os cientistas arregaçaram as mangas dos jalecos e foram à luta. Inspirado na Marcha das Mulheres, mobilização que ocorreu em Washington no dia seguinte à posse de Trump, um protesto batizado de Marcha da Ciência está marcado para ocorrer na capital norte-americana no dia 22 de abril, data que comemora o Dia da Terra e relem- bra a importância da luta pela proteção ambiental do planeta. “Um monte de gente teve essa ideia ao mesmo tempo no Twitter”, afirma Jacquelyn Gill, pes- quisadora em mudanças climáticas na Universidade do Maine e uma das orga- nizadoras do movimento de cientistas. Com o engajamento de pesquisadores de diferentes lugares, foram convoca- das mais de 350 marchas que tomarão as ruas de outras cidades dos Estados Unidos e do resto do mundo.

PA RA ALÉM DA BOLHA

Na opinião de Jacquelyn Gill, a presidên- cia de Donald Trump não é a origem dos problemas da ciência norte-americana. “Existem muitos grupos, mais especifi- camente corporações, que têm trabalha- do para minar a ciência, especialmente quando os dados ou pesquisas vão contra seus interesses”, revela a organizadora da Marcha dos Cientistas. Em 2014, o senador Lamar Smith ten- tou emplacar a lei da “Ciência Secreta”, projeto que impediria a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) de criar regulamentações para po- líticas públicas baseadas em pesquisas. O projeto não foi aprovado, mas o par- lamentar afirma que retomará a discus- são em breve — apoiado por empresas da indústria de gás e óleo, Smith é co- nhecido por atacar os pesquisadores que estudam o aquecimento global. “Há grupos que não aceitam investi- mentos em pesquisas sobre a sexualida- de de adolescentes e homossexuais, por exemplo”, diz Emilio Moran, professor da Universidade de Michigan e membro do Conselho Nacional de Ciência (NBS) dos Estados Unidos. “Essas pessoas entram com ações políticas pedindo que se blo- queie o financiamento. Isso vem ocorren-

do há mais de uma década.” De acordo com o professor, o conservadorismo e a

falta de esclarecimento de parte da popu- lação também são entraves para valorizar

o trabalho dos cientistas. “É incrível que o

país lidere a ciência no mundo e que me- tade da população norte-americana não acredite em evolução”, destaca.

Os próprios pesquisadores conside- ram, no entanto, que é necessário furar

a bolha acadêmica de teses e relatórios

AS MEDIDAS DE TRUMP

Dezembro de 2016: Gove rno solicita o nome dos cientistas do Departamen- to de Energia que fizeram pesquisas sobre mudanças climáticas.

Janeiro de 2017: In fo rmações re fe re n- tes ao aquecimento global são re tira- das do site da Casa Bra nca.

Fevereiro de 2017: O antiambientalista Scott Pruitt é confirmado chefe da EPA, agência de proteção ambiental do país.

Março de 2017: Trump propõe corte de quase 20% no orçamento do NOAA, ins- tituição de pesquisa atmosférica.

A MARCHA DA CIÊNCIA AO REDOR DO PLANETA

atmosférica. A MARCHA DA CIÊNCIA AO REDOR DO PLANETA e dialogar com o restante da sociedade

e dialogar com o restante da sociedade

com o objetivo de aproximar as pesso- as da ciência. “Nós nem sempre faze- mos um bom trabalho em nos conec- tar com a comunidade e conversar com as pessoas sobre aquilo que fazemos”, conta Jacquelyn Gill. “Parte dos indi- víduos não nos veem como humanos ou membros da sociedade. Ficamos de fora, voltados para nós mesmos.”

LU TA CONTRA O RETROCESSO

Apesar do receio de represálias, como a

diminuição do orçamento público desti- nado às pesquisas, os cientistas acredi- tam que é preciso tomar uma posição po- lítica no momento vivido pelos Estados Unidos. “Não estamos falando apenas por nós, pois a ciência é para todos. Se não pudermos monitorar o ar limpo e a água limpa, não são só os cientistas que sofre- rão por isso, mas todas as pessoas que dependem do nosso trabalho e confiam em nós”, diz Gill. “Nós também somos ci- dadãos, somos tão parte da comunidade quanto qualquer um, e temos o direito e

o dever de ter voz política.”

Inspirada na Marcha da Ciência, uma mobilização brasileira será realizada no final de abril para chamar a atenção dos problemas enfrentados pela comunidade científica do país. Uma das organizado- ras do movimento, a pesquisadora Márcia Cristina Barbosa, professora de física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que o atual cenário político e econômico do Brasil é marcado por retrocessos para a ciência. “Ideologi-

camente, a ciência sempre foi atacada no Brasil. Há pessoas que não querem falar sobre as células-tronco, por exemplo”, diz. “Parece que já nos acostumamos com o descrédito da ciência por aqui.” Em maio do ano passado, o Ministé- rio da Ciência, Tecnologia e Inovação foi incorporado ao Ministério de Comuni- cações, em uma medida criticada pelos pesquisadores por extinguir uma pasta exclusiva para discutir a ciência no país. No final de janeiro, o governo do esta- do de São Paulo também retirou 10% do orçamento destinado à Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — após manifestações, a deci- são foi revertida e R$ 120 milhões foram devolvidos ao fundo de pesquisas. Com a realização da marcha, no en- tanto, a professora Márcia Cristina Bar- bosa acredita que será possível mostrar

à população a importância da ativida-

de científica e seu impacto no avanço intelectual, econômico e tecnológico do país: “Seu filho precisa saber o que é ciência, ele precisa fazer ciência. O Bra- sil não pode se conformar em ser um país de segundo escalão.”

P. 10 04. 20 17
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04. 20 17

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Código para vencer o câncer

In iciativa global solucionará sete mistérios sobre o câncer co m a ajuda de três institutos brasileiros

POR JO TA PÊ JORG E

V

inte e três institui- ções e mais de 100 mi- lhões de libras investidas,

o equivalente a R$ 390 mi- lhões. Esses são alguns dos números do Grand Challenge, literalmente “Grande Desafio”, iniciativa proposta pela asso- ciação britânica Cancer Research UK para solucionar sete questões relaciona- das ao câncer. Três instituições brasilei- ras participam do projeto: o Hospital do Câncer de Barretos, no interior de São Paulo, o Instituto A.C. Camargo, na ca- pital paulista, e o Instituto Nacional do

Câncer, no Rio de Janeiro. “Nós ainda não sabemos metade dos causadores externos de câncer”, afir- ma Rui Reis, oncologista responsável pelo projeto no Hospital do Câncer de Barretos. “Nosso objetivo é mapear e encontrar causas da doença que ainda não são conhecidas.” De acordo com os pesquisadores, 900 pacientes serão analisados, colaborando com um ban- co de dados de 5 mil pessoas ao redor do mundo. “Faremos uma análise cru-

O projeto mapeará as causas do câncer ainda não co nhecidas FIG. - GH
O projeto
mapeará as
causas do
câncer ainda
não co nhecidas
FIG. - GH

zada entre os cânceres e os estilos de vida para identificar marcas genômicas e relacioná-las”, explica Reis. O processo de pesquisa e sequenciamento do geno- ma tem estimativa de duração de cinco anos. Quando finalizado, abrirá cami- nho para novas maneiras de prevenção da doença. “É possível que no futuro, com exames genéticos, o diagnóstico seja mais precoce, com maior possibili- dade de remissão”, diz Reis.

com maior possibili- dade de remissão”, diz Reis. GRANDE DESAFIO Os principais objetivos dos pesquisadores

GRANDE DESAFIO

Os principais objetivos dos pesquisadores

para os estudos contra o câ ncer

ERRADICAR CÂNCERES

CAUSADOS PELO VÍRUS HP V-4

O HPV-4 é transmitido pela saliva e por secreções

sexuais e é responsável por pelo menos 530 mil casos de câncer ao ano. Um dos desafios é encontrar uma maneira de reduzir esse número a zero.

OBTER FO RMAS DE IDENTIFICAR

CÂNCERES LETAIS E NÃO LE TA IS

A missão é encontrar uma fo rma de

diferenciar cânceres benignos e agressi-

vo s, ev itando tratamentos inva sivos.

FA BRICAR VACINAS PA RA O TRATA MENTO DE CÂNCERES NÃO VIRAIS Descobrir um jeito de “potencializar” as defesas do organismo para localizarem e co mbate- rem cânceres em estágios iniciais é o foco.

DESENVOLVER DIAGNÓSTICOS CO M A UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIA 3- D Um mapeamento do grupo de cé lulas e vasos sanguíneos afetados pelo tumor ajudaria a medicina a derrot ar as cé lulas cancerosas.

ajudaria a medicina a derrot ar as cé lulas cancerosas. NENHUMA A MENOS Pe squisa afi

NENHUMA A MENOS

Pe squisa afi rma que, no ano passado, 503 mulheres sofreram agressões físicas a cada hora no Bras il

POR NATHAN FERNANDES

UMA PESQUIS A realizada pelo

mulheres sofreram agressões físicas no ano passado. Em 61% dos casos o agressor era co nhe- cido da vítima. Apesar do maior número de info rmações em re- lação ao tema, co m apoio da Le i Maria da Pe nha, de 2006, 52% das mulheres que participaram do estudo afirmaram que não reportaram a agressão sofrida.

E

apenas 11% das que procura-

In

stituto Da tafo lha, encomenda-

ra

m algum tipo de ajuda reco r-

da pelo Fó rum Brasileiro de Se- gurança Pública, afi rma que uma

re

ra m à Delegacia da Mu lher.

A

pesquisa re ssalta ainda o

a

cada três mulheres brasileiras

ra

cismo estrutural da socie-

com mais de 16 anos fo i vítima de violência em 2016. O estudo Visível e Invi sível: a Vitimização de Mu lheres no Brasil calculou ainda que, a cada hora, 503

dade ao revelar que mulheres negras (32%) e pardas (31%)

re

lataram ter sofrido co nsi-

deravelmente mais violência

do que as brancas (25%).

Fig. GH
Fig. GH

OPODER DA MOTO SS ERRA

Estudo mostra a re lação entre a influência do agronegócio na política e os índices de desma- tamento de um país

POR J. J.

DA DOS DO INSTITUTO de Pe s- quisa Ambiental da Amazônia indicam que, em 2016, o desma- tamento de floresta nativa da re- gião amazônica cresceu 30% em relação a 2015, sendo o pior resul- tado desde 2008 — Pa rá , Ro ndô- nia e Mato Grosso são os estados que lideram a devastação. Os dados corroboram as infor- mações de um estudo recé m-pu- blicado pela revista Gl obal Envi- ronmental Change, que mostram como a efetividade da legislação ambiental é inversamente propor-

EM VOTAÇÃO

A discussão de

mudanças do licen- ciamento ambienta l será (m ais) uma da s pautas polêmicas debatidas pelo Co ngresso Na ciona l neste ano .

O PROJETO

De autoria do deputado federal Mauro Pereira (PMDB-RS), uma das alterações propostas determinaria que atividades agro- pecuárias ficariam

dispensadas do licen- ciamento ambiental, que atualmente

é

obrigatório.

cional à fat ia do agrone gó cio no Produto In terno Br uto (P IB). No Brasil, o setor é re sponsável por movimentar aproximadamente R$ 1,2 trilhão da economia do país.

“A bancada ruralista domina as

duas pontas da discussão, ocupan- do a Comissão de Agricultura e a Comissão do MeioAmbiente”, diz o cientista político Edelcio Vigna. Em 2012, mudanças no Código Flores- tal foram criticadas por ambienta-

listas e a então presidente Dilma Ro usseff ve tou 12 alterações propostas pela bancada ruralis- ta. Um a das medidas barradas permitia ao proprietário rural

re florestar apenas 25% da área

degradada por uma plantação.

O pesquisador Ti ago Re is ,

um dos autores da pesquisa, destaca que o Br asil tem muito

a co ntribuir no debate mundial

so bre polít icas de co nservaçã o das florestas e matas nativas, apesar do ce nário ad ve rs o. “Nós podemos of erecer lições apren- didas sobre o fe nômeno global

do desm at amento”, afi rma.

04. 20 17 P. 11 Fig. - GN
04. 20 17
P. 11
Fig. - GN

ARMAÇÃO

ILIMITADA

Comércio de armas é o maior desde a Guerra Fr ia por co nta de tensões na Ásia

POR J. J.

ADEUS ÀS ARMAS ? Dados do Instituto Internacional da Paz em Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) mostram que houve um aumento na comercialização de armamentos em 2016 por conta de tensões diplomáticas na Ásia: Ín dia e Paquistão disputam a re gião fronteiri - ça da Caxemira, enquanto a China re clama a soberania dos co njuntos de ilhas que ex istem ao longo do Ma r da China. Os principais exportadores de armas são Estados Unidos, Rússia, China, França, Alema- nha e Reino Unido — cinco dessas nações são membros permanentes do conselho de segurança da ONU. O Brasil é hoje o 26º maior vendedor de armamentos do mundo e comercializou R$ 202 milhões de itens bélicos no ano passado.

PARA DARINVEJA A TONY STARK

Negociações de armamentos (e m %)

MAIORE S EXPORTA DORE S DE ARMAS

Estados Unidos Rússia China França Alemanha Re ino Un ido Outros

Unidos Rússia China França Alemanha Re ino Un ido Outros 33% 23% 6,2% 6% 5,6% 4,6%

33%

23%

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6%

5,6%

4,6%

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MAIORE S IM PORTA DORES DE ARMAS

Índia Arábia Saudita Emirados Árabes Un idos China Argé lia Tu rq uia

Outros

ARMAS Índia Arábia Saudita Emirados Árabes Un idos China Argé lia Tu rq uia Outros 13%
ARMAS Índia Arábia Saudita Emirados Árabes Un idos China Argé lia Tu rq uia Outros 13%

13%

8,2%

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3,3%

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P. 12 04. 20 17 LU - NE - TA DEOLHO NAS ESTRELAS POR ANDRÉ JORGE
P. 12 04. 20 17 LU - NE - TA DEOLHO NAS ESTRELAS POR ANDRÉ JORGE
P. 12 04. 20 17 LU - NE - TA DEOLHO NAS ESTRELAS POR ANDRÉ JORGE
P. 12 04. 20 17 LU - NE - TA DEOLHO NAS ESTRELAS POR ANDRÉ JORGE
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P. 12 04. 20 17 LU - NE - TA DEOLHO NAS ESTRELAS POR ANDRÉ JORGE
P. 12 04. 20 17 LU - NE - TA DEOLHO NAS ESTRELAS POR ANDRÉ JORGE
P. 12 04. 20 17 LU - NE - TA DEOLHO NAS ESTRELAS POR ANDRÉ JORGE
LU - NE - TA
LU -
NE -
TA

DEOLHO NAS ESTRELAS

DEOLHO NAS ESTRELAS

POR ANDRÉ JORGE DE OLIVEIRA

UMSÉCULO MUITOREL AT IVO

Chega ao Brasil biografi a da teoria de Einstein escrita pelo astrof ísico português Pe dro G. Fe rreira, um obcecado pela re latividade ge ral

PROJETAR PONTES enchia Pedro Gil Ferreira de tédio. No fim da década de 1980, ele estudava Engenharia em Lisboa, mas queria desvendar os segredos do Universo. “Sempre tive obses- são pela relatividade geral”, diz Ferreira, que se tornou astrofísico pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ele fez da biblioteca universi- tária sua segunda casa e dominou a “geometria ardilosa e a matemática obscura” de Einstein. De tão fascinado, escreveu um livro a respeito. “Foi uma oportunidade única para ler artigos icônicos e entrevistar pessoas importantes.”

FIG. - GH
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icônicos e entrevistar pessoas importantes.” FIG. - GH A TEORIA PERFEITA Autor: Pedro G. Ferreira Editora:
icônicos e entrevistar pessoas importantes.” FIG. - GH A TEORIA PERFEITA Autor: Pedro G. Ferreira Editora:

A TEORIA PERFEITA

Autor: Pedro G. Ferreira Editora: Companhia das Le tras (2017) Páginas: 376 Preço: R$ 59,90

A RELATIVIDADE GANHOU VIDA PRÓPRIA

APÓS A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE

ALBERTEINSTEIN.QUAIS FORAMOSALTOS

E BAIXOS DA TEORIA NO ÚLTIMOSÉCULO?

A trajetória foi uma montanha-rus- sa. Começou com oito anos de traba- lho árduo de Einstein, seguidos por um período fértil de muitas desco- bertas, até entrar em hibernação no início dos anos 1930. Foi relançada só na década de 1960, quando se tornou a teoria que conhecemos.

VOCÊ DIZ QUE OSÉCULO20 FOI DA FÍSICA

QUÂNTICA,MASQUEO21SERÁMARCADO

PELA RELATIVIDADE GERAL.POR QUÊ?

Há muita co isa pela frente, co mo o telescópio que tentará reco nstruir

a primeira imagem em alta re solu- ção do buraco negro no ce ntro da Via Láctea. E a teoria dará frutos, co m no va s ideias sobre co mo a mecânica quântica e a re lativi- dade interagem e re fo rmulam a natureza do espaço-tempo.

O LIVRO CONTA COMO O NACIONALISMO DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL CRIOU TENSÕES ENTRE CIENTISTAS EUROPEUS. OBREXITTEM CAUSADOALGO PARECIDO?

Ainda não houve impacto na ciên- cia que faço, mas decerto haverá: o Reino Unido perderá precioso apoio financeiro europeu e as parce rias internacionais não permanecerão como estão. Assola a incerteza

não permanecerão como estão. Assola a incerteza PEDACINHO DE MARTE Nasa planeja trazer amostra marciana de

PEDACINHO DE MARTE

Nasa planeja trazer amostra marciana de volta à Terra

A Nasa está interessada em recolher material físico de Marte e escolheu as três áreas do planeta que serão vasculha- das pelo sucessor da sonda Curiosity, a partir de 2020 (veja ao lado). O foco da missão será buscar evidências de vida.

Nord este de Syrtis Cratera de Jeze ro Co linas Co lumbia FONTE: Na sa
Nord este de Syrtis
Cratera de Jeze ro
Co linas Co lumbia
FONTE: Na sa
Explore Ma rs Map

NORDESTE DE SY RT IS

Os cientistas têm conheci- mento de que a re gião abrigou águas aquecidas em eras pas- sadas. Ho uve vida por lá?

CRATERA DE JEZERO

Mais promissora das três. Era um grande lago onde desagua- va um rio caudaloso. Lugar per- fe ito para antigos seres vivos.

COLINAS COLUMBIA

Região explorada pelo rover Spirit. Águas termais já fluíram ali: depósito de sílica pode ser indício de vida no passado.

explorada pelo rover Spirit. Águas termais já fluíram ali: depósito de sílica pode ser indício de
Astronautas jardineiros Colheita da quinta safra de vegetais fresquinhos na ISS reforça tendência para que

Astronautas

jardineiros

Colheita da quinta safra de vegetais fresquinhos na ISS reforça tendência para que plantas e humanos convivam no espaço

P

és de repolho chinês foram colhidos na Estação Espacial Internacional (ISS)

em fevereiro — foi a quinta safra de plantas do experimento Veggie desde 2014 (veja outros plantios abaixo). Metade da produção servirá como salada para os astronautas e o restante retornará à Terra para análise. Há décadas, cientis- tas estudam os efeitos da microgravidade nas plantas, como no funcionamento dos genes. “O processo controla a produção de enzimas e as reações metabólicas”, diz Howard Levine, da Nasa, que trabalha no Projeto APH, sucessor do Veggie. As plan- tas terão papel central em naves tripuladas, já que serão fontes de alimento e oxigênio no espaço profundo. “Isso inclui missões de trânsito em Marte ou nas vizinhanças da Terra e da Lua”, afirma Ray Wheeler, que coordena estudos de suporte à vida na Nasa. Sem contar, é claro, a satisfação de cultivar um pedacinho da Terra — e vê-lo brotar bem longe de casa.

um pedacinho da Terra — e vê-lo brotar bem longe de casa. GIRASSOL Expedição 30/31 com

GIRASSOL

Expedição 30/31 com Don Pettit (2012)

A flor quase morreu na ISS, mas resistiu sob os cuidados atenciosos do astronauta Donald Pettit. Ele compartilha- va em um blog o status dessa e de mais duas plantas pessoais.

em um blog o status dessa e de mais duas plantas pessoais. ALFACE ROMANA VERMELHA Expedição

ALFACE ROMANA

VERMELHA

Expedição 44 com Scott Kelly (2015)

Primeira verdura pro- duzida e consumida no espaço. “Pequena mor- dida para um homem, salto gigante na jorna- da para Marte”, tuitou o comandante Kelly.

FIG. - GH
FIG. - GH
da para Marte”, tuitou o comandante Kelly. FIG. - GH ZÍNIA Expedição 46 com Scott Kelly

ZÍNIA

Expedição 46 com Scott Kelly (2016)

Foi a primeira flor

a

experimento Veggie.

A

criou uma cartilha sim- plificada para instruir Kelly na arte da “jar-

dinagem autônoma”.

germinar no

equipe do projeto

REPOLHO CHINÊS
REPOLHO CHINÊS

Expedição 50/51 com Peggy Whitson (2017)

Whitson cultivou por

um mês e colheu os pri- meiros pés da espécie

na ISS. Metade da safra volta à Terra; o resto é dos astronautas, que dispõem até de molhos para colocar na salada.

 

04. 20 17

 

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  04. 20 17   P. 13

AG EN DA

   

Abril de 2017

 

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DIA DE JÚPITER: GIGANTE

 
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BRILHA CO MO NUNCA

 

Melhor dia para observar o rei do

Sistema Solar: estará em oposição,

 

mais próximo da Terra (a 666 mi-

 

lhões de km) e mais brilhante. Visível

 

à

noite, nasce no Leste ao escurecer.

 
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ENCONTRO MARCADO DE

TRÊSASTROS EM VIRGEM

 

Ainda bastante charmoso, Júpiter

se encontra com a Lua Cheia e Spica

(250 anos-luz da Terra), estrela mais

brilhante da Constelação de Virgem.

Trio surge no Leste após o pôr do Sol.

 

MARTE FLERTA COM AS

 
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MAGNÍFICAS SETE IRMÃS

 

Belíssimo aglomerado estelar visível

 

a

olho nu, as Plêiades flertam com o

 

planeta vermelho no início da noite

na direção Noroeste. Regiões Norte

e

Nordeste têm melhor visibilidade.

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HUBBLE FA Z AN OS E NÓ S

GANHAMOS O PRESENTE

 

Parabéns ao Hubble: lançado há 27

anos, o lendário telescópio espacial

até hoje é um colosso científico.

 

A

Nasa garante que ele passará dos

 

30 anos. E que venha o James We bb!

 
LUNETA LIVE
LUNETA
LIVE

TO DA S AS SEXTAS , ÀS 17H , NA NOSS A FA NPAG E. ASSIS TA!

 

As principais notícias espaciais da semana são co mentadas em transmissão ao vivo

P. 14 04. 20 17 BIBL IO TE CA DA ÁF RI CA A nigeriana
P. 14
04. 20 17
BIBL IO TE CA DA ÁF RI CA
A nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie lançou em março
o livro Para Educar Crianças Feministas — e GALILEU
aproveitou para fazer uma lista de escritores africanos
NOME
NASCIMEN TO
PA ÍS
LÍNG UA
PUBLICAÇÕ ES
SOBRE
NGŨG Ĩ WA
THIONG’O
INGLÊS E
Escreveu seus três primeiros livros
em inglês, antes de re jeitar a língua
1938
QUÊNIA
GIKUYU
Um Grão de Trigo
(A lfaguarra) e
Sonhos em
Tempos de Guerra
(Biblioteca Azul)
e
o
antigo nome por considerá-
-los heranças do colonialismo.
É
conhecido por criticar tanto
Di
ário de um Ano
J.M.
INGLÊS E
o
Apartheid quanto o atual
Ru
1940
COETZ EE
AFRICÂNER
im e Desonra
(Companhia
das Letras)
governo do Congresso Nacional
Af ricano, no pode r desde 1994.
ÁFRICA
DO SUL
3
A
escritora foi uma das vozes
O
Melhor Tempo É o
NADINE
1923
INGLÊS
GORDIMER
Presente e O Engate
(Companhia
das Letras)
oposicionistas brancas do Apartheid,
escrevendo crônicas e livros contra
o
regime de segregação racial.
NOVIOLET
Precisamos de
1981
ZIMBÁBUE
1
INGLÊS
Novos Nomes
BULAWAYO
(Biblioteca Azul)
Tornou-se a primeira mulher
negra e africana a ser nomeada
para o Man Booker Prize, prêmio
da literatura em língua inglesa.
0
IMBOLO
Aq
ui Estão os
1982
CAMA RÕ ES
INGLÊS
Sonhadores
MBUE
(Globo Livros)
Aqui Estão os Sonhadores fo i
eleito um dos melhores livros
de 2016 pelos jornais The New
York Times e Wa shington Post.
9
CHINUA
O Mundo se
Despedaça e
“Pai do ro mance af ricano”, seu
livro O Mundo se Despedaça é um
1930
INGLÊS
A
AC HEBE
Flecha de Deus
(Companhia
das Letras)
dos mais lidos do continente e foi
traduzido para mais de 40 línguas.
Vencedora do Prêmio MacArthu r,
Americanah
CHIMAMANDA
a
chamada “Bolsa para Gênios ”,
NIGÉRIA
e Hibisco Roxo
1977
INGLÊS
é
NGOZI ADICHIE
(Companhia
0
das Letras)
uma im portan te figura do
feminismo no continente.
9
Primeiro africano a ganhar o Nobel
WO LE
O
Leão e a Joia
1934
INGLÊS
SOYINKA
(Geração Ed itorial)
de Literatura, foi perseguido por sua
atuação política e viveu exilado na
In glaterra e nos Estados Unidos.
6
O
Último Voo
MIA
do
Flamingo e
1955
MOÇAMBIQUE
PORTUGUÊS
Terra Sonâmbula
COUTO
(Companhia
Vencedor do Prêmio Camões
em 2013, é co nsiderado um
dos principais auto res da
língua portuguesa atual.
das Letras)
Foi ministro da Educação e militante
Ma yombe e Lu eji —
1
2
8
O
Nascimento
PEPETELA
1941
PO RT UGUÊS
de um Im pério
(Leya)
do Movimento Popular pela
Libertação de Angola, lutando por
26 anos na guerra civil do país.
ANGOLA
ONDJAKI
1977
PORTUGUÊS
Bom Dia, Camaradas
(Companhia das
Letras) e
Os da Mi nha Rua
(Língua Geral)
Ganhou o Prêmio Ja buti
na categoria infantil pela
obra AvóDezanove e o
Segredo do Soviético.
9
Jo rnalista, ganhou o prêmio
KAMEL
O
Caso Meursault
1970
ARGÉLIA
FRANCÊS
DAO UD
(Biblioteca Azul)
Goncourt, um dos principais
da língua francesa, pelo
livro O Caso Meursault.
1
Ún ico autor de língua árabe
No
ites das Mil e Uma
NAGUIB
a
ser laureado com o Nobel,
1911
EG ITO
ÁRABE
MAHFOUZ
Noites (Companhia
de Bolso) e O Jardim
do Pa ssado (Record)
escreveu 34 ro mances e mais de
350 contos. Mo rreu em 2006.
8
m
m
8
9
m
1
IN FO MA NIA
m
N
POR JOTAPÊ JORGE
e
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04. 20 17 P. 15

04. 20 17

P. 15

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Fragmentos de Shyamalan

Em Fragmentado, o diretor M. Night Shyamalan volta a trabalhar com seus temas preferidos: a espiritualidade e o sobrenatural

POR MARIAN E MORIS AWA, DE LO S AN GEL ES

A

ltos e baixos acompa- nham a carreira do diretor indiano M. Night Shyamalan. Com menos de 30 anos, ele

foi considerado gênio por O Sexto Sentido (1999), mas depois caiu em desgraça com produções como O Último Mestre do Ar (2010) e Depois da Terra (2013). Em Fragmentado, Shyamalan volta a fa- lar de seus temas preferidos, como o so-

brenatural e a espiritualidade — no filme, James McAvoy representa Kevin, um ho- mem com pelo menos 23 personalidades

e

que sequestra três adolescentes. Confira

a

conversa da GALILEU com o diretor.

O

QUE INSPIROU ESSA HISTÓRIA?

Sempre tive interesse no transtorno dissociativo de identidade. Criei o Kevin há 15 anos. Eu tinha algumas páginas de desenvolvimento do personagem e certas cenas, mas não a história completa.

O FILME FA LA QUE SE A ALMA ESTÁ SOFRENDO,

ESTÁ EVOLUINDO. FO I UMA INTENÇÃO PROVOCA R

O ESPECTADOR COM ESSE CONCEITO?

No s meus filmes, os marginalizados, os que são co nsiderados fracos, os que têm problemas são, na verd ade, poderosos. Em Fr agmentado, eles fa lam sobre essa filosofia de que quem não sofreu não te ve chance de se tornar a melhor ve rsão de si mesmo.

E VO CÊ JÁ SE SENTIU MARGINALIZADO?

Escrevo sobre personagens marginalizados e empo- deradores, mas não sei, acho que preciso de terapia para responder a essa questão. Pode ter a ver com a experiência de ser imigrante nos Estados Unidos.

Kevin, pro- tagonista de Fragmentado , possui 23 per- sonalidades Fig. - GH
Kevin, pro-
tagonista de
Fragmentado ,
possui 23 per-
sonalidades
Fig. - GH

VOCÊ TEVE TA NTO GRANDES SUCESSOS QUANTO FILMES QUE FO RAM CRITICADOS DURAMENTE. FICOU NERVOSO AO EXIBIR FRAGMENTADO PELA PRIMEIRA VEZ PARA O PÚBLICO?

Estou fa zendo isso há algum tempo, então não fico confuso ou amargo. Mu itas ve zes, o filme simples-

mente não é o que as pessoas esperavam. O impor- tante é que eu esteja artisticamente satisfeito co m

o que fiz. Ne sse caso [ do filme Fragm entado], é

algo diferente e único — se as pessoas não go sta-

re m, tudo bem, porque re presenta meus va lores.

A popularidade não de ve ria fa ze r parte da equa-

ção, mas é claro que quero agradar.

Fig. - GN
Fig. - GN

DEUS À PROCURA DE RESPOSTAS

Programa apresentado pelo ator Mo rgan Freeman inve stiga como as pessoas lidam co m a religião

POR ISABELA MOREIRA

CONHECIDO POR INTERPRETAR Deus no cinema, Morgan Freeman não gosta de ser comparado à figura religiosa. “Tenho curiosida- de de conhecer as pessoas, seus contextos sociais e estruturas culturais”, contou o ator em entrevista à GALILEU. Esse foi um dos motivos que fizeram com que ele concordasse em apresentar A História de Deus, produção que viaja o mundo conhecendo as diferentes interpretações de fé. Em sua segunda temporada,

o programa encontra um novo

desafio: entender a relação, muitas ve zes co nflituosa, entre ciência e re ligião. “Vários cientis- tas acreditam que a ciência é

uma espécie de substituta de Deus ”, diz Freeman. “Mas há outros tantos pesquisadores que ve em a ciência co mo uma forma de inve stigar o mundo.” Para o produtor-executivo Ja- mes Younger, a ciência e a religião podem coexistir de uma maneira interessante. Enquanto a ciência fala do Big Bang para explicar o

início do universo, por exemplo, os religiosos citam o Gênesis. “É o mesmo fenômeno visto de dife- rentes perspectivas, mas uma não anula a outra”, afirma Younger.

A segunda temporada de

A História de Deus estreia no dia 16 de abril, às 20h30, no canal pago Nat Geo.

P. 16 04. 20 17 TECNOLOGIA DESCOMPLICADA
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04. 20 17
TECNOLOGIA DESCOMPLICADA

Sabe o Mario? Ele voltou!

Novo lançamento da icônica empresa japonesa, Ni ntendo Sw itch aposta na interatividade e no entretenimento entre amigos

PO R DI EG O BORG ES

M
M

ario e seus amigos estão de volta. Enquanto Sony e

Microsoft iniciam a geração 4k dos videogames, a Nintendo investe no entretenimento junto com amigos por meio do Switch, que chegou às lojas de boa parte do mundo no dia 3 de março. A proposta de interação fica evidente no próprio design do videogame, que conta com dois “Joy-Con” — mini-joysticks que, quando unidos a uma base ou à tela portátil do console, viram um só.

FICHA TÉCNICA

à tela portátil do console, viram um só. FICHA TÉCNICA PESO: 400 gramas ARMAZENAMENTO: 32 GB

PESO: 400 gramas

ARMAZENAMENTO:

32 GB de memória interna. Há possibi- lidade de comprar um cartão de memória com 2 TB

BATERIA: Interna, co m duração de duas horas e meia a seis horas

O Switch conta com dois mini-joysticks que podem ser acoplados em uma tela portátil

O Switch também conta com uma tela própria que permite aos jogadores usufruir dos games em qualquer lugar. Para quem preza a qualidade visual, basta acoplar o dispositivo central a uma TV para que os gráficos do jogo alcancem o padrão dos videogames atuais. Entre os jogos disponíveis estão franquias clássicas, como Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey. Apesar de ainda não ter data de lançamento no Brasil, o sucesso de vendas mostra que o Switch atingiu seus objetivos e que muitos gamers ainda se interessam pelo conteúdo da empresa japonesa, cuja proposta é diferente do conceito das companhias que buscam in- cansavelmente jogos cada vez mais reais. Nada de game over para a Nintendo!

DO MO TO G AO CELULAR DA COBRINHA

Fe ira mundial apresenta tendências para os smartphones — e uma delas é deixá-los mais parecidos co m os aparelhos do início dos anos 2000

POR TH ÁS SI US VEL OS O*

FEIRA MAIS IMPORTA NTE DE TECNOLOGIA da Europa, o Congresso Mundial de Celulares (MWC) aconteceu entre os dias 27 de fevereiro e 2 de março em Barcelona, na Espanha, com lançamentos para todos os gostos (e bolsos). Foram apresentados desde aparelhos desen- volvidos com alta tecnologia, como o Xperia XZ Premium, até a releitura do Nokia 3310, que fe z sucesso nos anos 2000 por ter fa ma de indestrutível e, claro, pelo jogo da cobrinha.

*O jornalista viajou a convite do Grupo TCL

Fig. - GH
Fig. - GH
*O jornalista viajou a convite do Grupo TCL Fig. - GH NOKIA 3310 Nokia O celular

NOKIA 3310

Nokia

O celular ganhou novas

cores, mas seus recur-

sos são similares aos do modelo antigo: só fun- ciona em rede 2G e não roda WhatsApp. O jogo da cobrinha está de

vo lta, agora em cores!

O jogo da cobrinha está de vo lta, agora em cores! LG G6 LG O destaque

LG G6

LG

O destaque do

aparelho é a tela gigante, co m 5,7 polegadas e pro- porção widescreen

de 18:9. As co re s de

fo tos e vídeos são

ex tremamente vivas.

As co re s de fo tos e vídeos são ex tremamente vivas. NOKIA 6 Nokia

NOKIA 6

Nokia

O

o

e

polegadas em Full HD.

A câmera principal do

smartphone tem 16 me- gapixels e é integrada ao Google Assistente.

celular opera com

Android 7 Nougat

possui tela de 5,5

celular opera com Android 7 Nougat possui tela de 5,5 MOTO G5 PLUS Motorola Rece beu

MOTO G5 PLUS

Motorola

Rece beu um corpo com alumínio no lugar

do plástico para au- mentar a durabilidade.

O botão Ho me passou

a entender gestos

mais complexo s

feitos co m os dedos.

a entender gestos mais complexo s feitos co m os dedos. BLACKBERRY KEYONE TLC A digitação

BLACKBERRY

KEYONE

TLC

A digitação no teclado

físico é desajeitada,

e o usuário pode

levar algum tempo para (re)aprender a

manuseá-lo. Ro da co m

o Android 7 No ugat.

(re)aprender a manuseá-lo. Ro da co m o Android 7 No ugat. XPERIA XZ PREMIUM Sony

XPERIA XZ

PREMIUM

Sony

Ganhou uma função

de câmera lenta poderosíssima.

Ela capta a ce na em quase 1.000 quadros por segundo , preservando as co re s.

@techtudo_oficial / t e c h t u d o @TechTudo

@techtudo_oficial

@techtudo_oficial / t e c h t u d o @TechTudo

/techtudo

@techtudo_oficial / t e c h t u d o @TechTudo

@TechTudo

04. 20 17 P. 17 Fig. - GN
04. 20 17
P. 17
Fig. - GN

WORK, WORK, WORK, WORK

Quais os melhores aplicativos para trabalhar a distância?

POR MELISSA CRUZ

ENQUANTO O BRASIL pulava Carnaval, a feira de celulares MWC acontecia em Barcelona. Para transmitir as informações em meio à folia, o TechTudo utili- zou plataformas em nuvem

e aplicativos de comunicação —

e recomenda os melhores servi- ços para trabalhar a distância.

TRELLO

O ge re nciado r de tarefas é útil pa ra fa ze r o planeja- mento da eq uipe de manei- ra re mo ta e co nt ro la r os flu xo s de trabalho. Es tá disponível em dispositi vos mó ve is pa ra Androi d e iO S.

GOOGLE DRIVE

E DROPBOX

Serviços de armazenamento em nuvem são importantes na hora de transferir arquivos sem perder a qualidade de fo- tos e vídeos, por exemplo.

WHATSAPP

Pa ra que o time se co muni- que em tempo re al de ma- nei ra pr át ic a, o aplic at ivo de mensagens co ntinua sen do a me lhor solução.

TWITTER E FACE BOOK

As redes sociais são boas aliadas para re ce ber notícias de diferentes assuntos em tempo real.

NOVO APP

ÉPOCA

A história por trás de tudo que acontece no Brasil e no mundo, na palma da sua mão.

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DISPONÍVEL PARA

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E FAÇA PARTE DA HISTÓRIA

EL EM ENT AR SÃO SEUS OLHOS Saiba como fora m in venta das e
EL EM ENT AR
SÃO SEUS OLHOS
Saiba como fora m in venta das e en te nda do que são
fe itas as len te s de con tato — PO R ED UA RDA END LE R*
LE NT E DE CON TATO
á
cerca de 500 anos
H
o
italiano Leonardo
da Vinci já cogitava
acabar com problemas de vi-
são por meio do desenvolvi-
mento de uma espécie de len-
te que poderia ser posta na
superfície do globo ocular.
SILICONE-
Mas ele nunca tirou a ideia do
papel, e as lentes que conhe-
cemos hoje ainda demoraram
bastante para aparecer. O que
impulsionou sua fabricação
não foi a vontade de corrigir
HIDROGEL
Este elemento,
que faz parte
das lentes de
hidrogel associa-
das ao silicone,
possibilita que
as lentes deem
maior capacidade
de oxigenação
aos olhos.
6
C
9
F
o
grau, e sim a necessidade
de proteger os olhos.
Antigamente, as lentes
eram feitas de forma rudimen-
tar, com vidro, e encaixadas
nos olhos dos guerreiros que
andavam por ambientes inós-
pitos e vivenciavam situações
difíceis, como tempestades de
areia. Esse modelo lembra as
lentes esclerais, usadas ainda
hoje por quem tem anomalias
nas córneas. Foi só em 1929
que William Feinbloom desen-
volveu uma lente de contato
produzida com vidro e plás-
tico. Entretanto, continuava
sendo um material muito rí-
gido, que causava desconforto
no usuário. As lentes de con-
tato gelatinosas, consideradas
por alguns médicos oftalmo-
logistas como mais confortá-
veis e maleáveis, só foram in-
ventadas nos anos 70.
FLUORCARBONO
O carbono está
presente em qua-
se todas as ma-
térias do planeta
e
é indispensáve l
1
8
para a vida huma-
na. Na lente de
H
O
co
ntato, unido ao
ÁG UA
To da lente tem
uma porcentagem
de água, que
pode chegar a
60%. A função da
água é aumentar
flúor, ga rante um
material estáve l.
A primeira lente
de co ntato da
história fo i feita
co m vidro e plástico
o co nforto com
a hidratação e
auxiliar na ox ige-
nação da có rnea.
FLUORSI-
6
C
1
8
H
O
LICONE
O silicone,
quando
associado ao
fluorcarbono,
gera este novo
material que
também fa cilita
a chegada de
ox igênio ao
olho do usuário.
HIDR OX IETIL-
METAC RILATO
Hoje, ainda existem lentes
dos dois tipos: rígidas e gela-
tinosas. As rígidas não preci-
sam de hidratação após o tor-
neamento computadorizado e
(H
EMA )
o
polimento; as gelatinosas,
por sua vez, precisam.
É uma espécie de
“plástico” que
tem a capacidade
de se hidratar. É
usado nas lentes
de hidrogel,
conhecidas como
“gelatinosas”.

20

*Com apuração de Cartola — Agência de Conteúdo Foto: Tomás Arthuzzi / Editora Globo Fontes: Viviane N. Uebel (CREMERS 24178), diretora técnica do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre; Brunno Dantas, membro titular da Sociedade Brasileira de Oftalmologia; e Luis Ricardo Del Arroyo Tarragô Carvalho, médico oftalmologista do Hospital São Lucas da PUCRS

F A Ç A M SUAS Congresso Fe deral coloca as ca rtas na mesa
F
A
Ç
A
M
SUAS
Congresso Fe deral coloca as ca rtas na mesa e discute a legalização
dos jogos de azar com a expec ta tiva de arrecadar impos to s de um
mercado bilionário que at ualmen te opera de maneira ilícita

Antes de ser conduzido À cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes passou por uma sabatina de 12 horas no Senado. Enquanto sua careca refletia a iluminação do auditório onde acontecia a sessão, o ex-ministro da Justiça expôs sua opinião sobre diferen- tes temas, incluindo a legalização dos jogos de apostas no Brasil. “A Constituição nem determi- na nem proíbe a questão de jogos de azar, isso entra na opção do legislador, ou seja, do Congresso Nacional”, disse Moraes em res- posta ao senador Antônio Carlos

Valadares (PSB-SE) em sessão realizada no final de fevereiro. Após afirmar que a decisão sobre a legalização dependia dos parla- mentares, o jurista elogiou o mo- delo de negócio norte-americano de cassinos, que integra opções de lazer para toda a família. O interesse dos três poderes da República em discutir os jogos de azar no Brasil não é mera opção cultural: de acordo com os proje- tos que tramitam no Congresso Nacional, a legalização de cassi- nos, bingos, apostas eletrônicas e do jogo do bicho seria responsável por um aumento na arrecadação

de tributos de mais de R$ 29 bi- lhões, em um período de três anos. Na avaliação do Ministério Público e da Receita Federal, no entanto, a ausência de fiscalização das casas de jogos daria margem para a prá- tica de atividades menos lúdicas, como a lavagem de dinheiro. Enquanto o debate prossegue em Brasília, um mercado bilioná- rio opera à margem da lei: espe- cialistas no setor afirmam que o jogo do bicho, considerado uma contravenção penal, movimen- ta anualmente cerca de R$ 12 bi- lhões com apostas sem nenhum tipo de supervisão do Estado.

21
21

Foto: Getty Im ages/Dorling Kindersley

BRASIL POR UM GOLPE DE SORTE Em pauta desde o governo Di lma Ro usseff,

BRASIL

POR UM GOLPE DE SORTE

Em pauta desde o governo Di lma Ro usseff, projeto de legalização de cassinos é discutido por senadores e deputados fe derais

Brasil é um dos poucos países do mundo que proíbe jogos de

O azar como os praticados em cassinos e bingos — atualmente,

as apostas legalizadas se restringem à Loteria da Caixa Fede- ral, administrada pelo Estado e que em 2016 arrecadou R$ 12,8 bilhões. Outras nações que não autorizam essas atividades são Cuba, Islândia e países de maioria muçulmana, como Arábia Saudita e Indonésia. Mas em tempos de vacas magras nas contas públicas, o jeito é também fazer uma fezinha. Ainda em 2015, a presidente Dilma Rousseff conver- sou com ministros e parlamentares sobre a possibilidade de legalizar os jogos de azar com a justificativa de aumentar a arrecadação do Estado com impostos sobre a operação dos estabelecimentos. Hoje, duas propostas sobre o tema avançam no Congresso Nacional. De autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o Projeto de Lei nº 186/2014 autoriza a concessão de operação para cassinos, bingos, apostas virtuais e jogo do bicho — o texto segue para votação no plenário. Na Câmara dos Deputados, os parlamentares aprovaram em agosto do ano passa- do o Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, que debate a legalização das atividades de apostas e as tributações sobre empresas e jogadores. Com o cenário favorável, donos de redes internacionais de cassinos já estudam possíveis locais para a abertura de estabelecimentos de apostas, que enfrentam resistência da bancada evangélica do Congresso e de par- lamentares receosos com a possibilidade de que a legalização dos jogos dará brecha para a prática de atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro. “O debate fica restrito a questões morais, enquanto no mundo inteiro o as- sunto é tratado como uma atividade econômica”, afirma Magno José Santos de Sousa, presidente do Instituto Jogo Legal, que defende a legalização.

Foto: Getty Im ages/Steve Mc Alister • Ícones: Gabriela Namie

HISTÓ RIA DE CONFLITOS

1920

O presidente Ep itá- cio Pessoa permite que casas de apostas sejam

co nstruídas em ins-

tâncias de turismo

1930

Após um período de proibição, a cons- trução de cassinos

é retomada com a presidência de Getúlio Vargas

1933

É

inaugurado no Rio

de Janeiro o Cassino

da Urca, estabeleci-

mento luxuoso que receberia estrelas internacionais

1946

No dia 30 de abril,

É PROIBIDO, MAS NEM TA NTO

APOSTAS NO BRASIL SÃO REALIZADAS EM SITES ESTRANGEIROS

APOSTAS NO BRASIL SÃO REALIZADAS EM SITES ESTRANGEIROS

o presidente Eu rico Gaspar Dutra assi- na um decreto que fecha os quase 70 cassinos do país

o presidente Eu rico Gaspar Dutra assi- na um decreto que fecha os quase 70 cassinos

1993

mpresas de apostas

esportivas permi- tem aos brasilei ro s utiliza- rem seus serviços por conta de uma brecha da legislação:

os servidores dessas compa- nhias estão sediados em pa- íses onde é permitida a reali- zação da atividade. De acordo com Pedro Trengrouse, pro- fessor da Fundação Getúlio Va rgas que publicou um es- tudo sobre o tema, a regula- mentação dos sites de apos- tas no país ge ra ria mais de R$ 2,7 bilhões em impostos.

E

A Le i Zico legaliza os bingos co m a justificativa de

recolher impostos

e estimular os es-

portes olímpicos

2004

Após denúncias de corrupção, o pre- sidente Luiz Inácio

Lula da Silva decre-

ta o fechamento das casas de bin gos

Lula da Silva decre- ta o fechamento das casas de bin gos DA MEGA - SENA

DA MEGA-SENA AO JOGO DO BICHO

Merc ado nacional de apostas rende arrecadação bilionária

Merc ado nacional de apostas rende arrecadação bilionária LOTERIAS DA CA IXA Desde 1962 a Caixa

LOTERIAS DA CA IXAMerc ado nacional de apostas rende arrecadação bilionária Desde 1962 a Caixa Econômica Federal controla jogos

Desde 1962 a Caixa Econômica Federal controla jogos como a Mega-Sena e a Loteca: em 2016, foram arrecadados R$ 12,8 bilhões

e a Loteca: em 2016, foram arrecadados R$ 12,8 bilhões CORRIDA DE CAVALOS A legislação brasileira

CORRIDA DE CAVALOSe a Loteca: em 2016, foram arrecadados R$ 12,8 bilhões A legislação brasileira permite que apostas

A legislação brasileira permite

que apostas sejam re alizadas

nos eventos ligados aos

Jó queis Clubes do Brasil

alizadas nos eventos ligados aos Jó queis Clubes do Brasil BINGOS Mesmo após a proibição em

BINGOS

Mesmo após a proibição em

2004, especialistas afirmam que casas ilegais do jogo arrecadam R$ 1,3 bilhão anualmente

casas ilegais do jogo arrecadam R$ 1,3 bilhão anualmente JOGO DO BICHO Op erando à marge

JOGO DO BICHOcasas ilegais do jogo arrecadam R$ 1,3 bilhão anualmente Op erando à marge m da lei

Op erando à marge m da lei durante todo o século 20,

o jogo funciona at é hoje como uma loteria informal e tem rece ita de R$ 12 bilhões

YES, NÓS TIVEMOS LAS VEGAS

Cidades brasileiras já abrigaram cassinos de luxo

C

CO M OS ADORNOS DE FLORES

e frutas pendurados na cabeça,

Carmen Miranda era uma das es-

trelas do Cassino da Urca, estabe- lecimento com vista privilegiada para a Baía de Guanabara. Por lá, personalidades da sociedade ca- rioca se divertiam ao lado de con- vidados estrangeiros, como o ain- da jovem Orson Welles, eternizado em Hollywood após dirigir o filme Cidadão Kane. Legalizado pelo go- verno de Getúlio Vargas, os cassi- nos fizeram parte do cotidiano dos brasileiros endinheirados durante as décadas de 1930 e 1940 — quase 70 estabelecimentos operaram em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Petrópolis e Santos. Em 1946, no entanto, o presi- dente Eurico Gaspar Dutra proibiu

o funcionamento dos cassinos por

conta dos “abusos nocivos à moral

e aos bons co stumes”. Boatos da

época diziam que a proibição fo i um pedido de Carmela Dutra, es-

posa do presidente, que era ligada

a setores conservadores da Igreja

Católica. “Era uma ideia pautada em uma co ncepção moralista, de que casas de jogos seriam um am- biente propício ao álcool e à práti- ca da prostituição”, co nta Alami ro

Salvador Ne tto, professor da Fa- culdade de Direito da USP. A partir daí, os jogos fo ra m enquadrados co mo co ntravenção penal, infra- ção co nsiderada um “c rime

menor” pelo Có digo Pe nal.

23
23
MUNDO VIVA LA REVOLUCIÓN Fidel Castro teve apoio do povo co ntra cassinos N NAS
MUNDO
VIVA LA
REVOLUCIÓN
Fidel Castro teve apoio
do povo co ntra cassinos
N
NAS PRIMEIRAS HOR AS do dia
1º de janei ro de 1959, a população
de Ha va na acordou co m a notí-
cia da vitória do exército liderado
por Fid el Castro e da co nsequen-
te re núncia de Fu lgencio Batis-
ta, que ocupava o poder de modo
ditatorial desde 1952. Ho mens e
mulheres saíram às ruas e se di-
rigiram co ntra os maiores símbo-
los de co rrupção do re gime de-
posto: cassinos fo ra m ocupados
e
máquinas caça-níqueis instala-
das em bares fo ra m quebradas.
Du ra nte os anos de ditadura, Ba-
tista manteve re lações próx imas
co m mafiosos norte-americanos
como Meyer Lansky, que constru-
íram hotéis luxuosos e estabele-
cimentos de apostas destinados
FO RTUNA
a
turistas. Depois da vitória de
Em
2014,
as loterias
Fidel, cassinos e casas de prosti-
movimentaram
tuição foram fechados e o jogo de
azar fo i proibido em Cu ba.
US$ 400 bilhões
pelo
mundo
O PA ÍS ONDE TUDO
VA LE UM PITACO
esde que as casas de
D
apostas foram legaliza-
das no Re ino Un ido, em 1961,

BRITÂNICOS FA ZEM DA S CASAS DE APOSTAS UMA CULTURA NACIONAL

24
24

9 m il estabelecimentos estão espalhados pelo território bri- tânico e re ce bem palpites tão diversos quanto pode ser a cria- tividade humana — em 2000, o ga lês Pe ter Ed wa rd s apostou 50 libras que seu neto jogaria

um dia pela seleção de seu país. Dito e feito: em 2013, durante os jogos classificatórios para a Copa do Mundo, o jovem HarryWilson entrou em campo vestindo a ca- misa do País de Gales aos 42 mi- nutos do segundo tempo. E o or- gulhoso avô partiu para resgatar o prêmio de 125 mil libras, equi- valente a mais de R$ 480 mil.

Pa íses reco rdistas em número de cassinos 1.541
Pa íses reco rdistas
em número de cassinos
1.541

189-169valente a mais de R$ 480 mil. Pa íses reco rdistas em número de cassinos 1.541

110-48valente a mais de R$ 480 mil. Pa íses reco rdistas em número de cassinos 1.541

Fonte: Online Casino Directory

PECA DOS DA CIDADE DO PECA DO

Nascida com um empurrãozinho da máfia, Las Vegas se tornou símbolo dos jogos de azar

o início da década de 1930, a construção de uma

N usina hidrelétrica entre os estados norte-ame-

ricanos de Nevada e do Arizona atraiu milhares de trabalhadores para a região, que se estabeleceram nas cidades próximas ao campo de obras. Para saciar os desejos dos operários por diversão e outras intenções menos nobres, o governo de Nevada permitiu a construção de casas de apos- tas em Las Vegas, cidade sem grandes atrativos até então. A partir daí, notórios mafiosos norte-americanos decidiram investir na região. Em 1947, Benjamin "Bugsy" Siegel, antigo contrabandista de bebidas alcoólicas durante o período da Lei Seca, inaugurou o cassino Flamingo, primeiro grande em- preendimento de apostas que integrava um hotel luxuoso e uma casa de shows — no mesmo ano da abertura do cassino, Siegel foi assassinado por inimigos. Com o aumento da fisca- lização do governo para coibir sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, a má fa ma de Las Ve ga s deu lugar ao profi ssi o- nalismo de megaempresários no setor de entretenimento:

no ano passado, o estado de Neva da ar re cadou mais de US$ 11 bilhões em impostos refe rentes aos jogos de azar.

JOGADORES DO MUNDO, UNI -VOS

Mais de 6,8 mil cassinos estão espalhados pelo planeta

40 Ta lín 54 Moscou 26 Riga 24 29 Deadwood Londres 122 Las Vegas 26
40 Ta lín
54 Moscou
26 Riga
24
29 Deadwood
Londres
122 Las Vegas
26 Henderson
74
Miami
32 Macau
28
St. Petersburg
As dez cidades reco rdistas
em número de cassinos
Total de
Nome da
cassinos cidade
Proporção
em relação às
demais cidades
Foto: Getty Im ages/Ad am Gault

OS MAIORES

QUEBRADORES

DE BANCA

Habilidade e trapaça ajudaram a tirar dinheiro dos cassinos

Eq uipe de Blackjack do MIT

Estudantes do instituto norte-americano de tecnologia calculavam as probabilidades de quais cartas seriam viradas no Blackjack o jogo en- volve apostas para que a soma das cartas não ul- trapasse o valor de 21.

To mmy Carmichael

O norte-americano de-

senvolveu engenhocas que eram inseridas nas máquinas caça-níqueis para fazer chover di- nheiro dos dispositivos. Foi preso em diferentes momentos das décadas de 1980 e 1990.

Dominic LoR iggio

Com o apelido de "O Dominador dos Dados", o jogador ofere- ce cursos que custam US$ 1,6 mil para ensinar

as técnicas de como ati-

rar os dados no ar com perfeição e atingir as combinações apostadas.

Gonzalo García-Pelayo

No início da década de 1990, o espanhol obser- vou o funcionamento das roletas dos cassi- nos, re gistrou os resul- tados e fe z uma análise em um software capaz de fornecer as tendên- cias dos re sultados.

CRIMES E VÍCIO riado em 1892 para sortear prêmios C aos frequentadores do Jardim Zoo-
CRIMES E VÍCIO
riado em 1892 para sortear prêmios
C
aos frequentadores do Jardim Zoo-
lógico do Rio de Ja neiro, o jo go do
bicho ganhou popularidade que extrapolou os
muros do parque, funcionando como uma loteria
informal de apostas de sequência de números.
A
história da contravenção penal, no entanto,
ta
mbém é marcada por episódios violentos.
Em 2004, Waldomiro Garcia, o Maninho, foi as-
sassinado no Rio de Janeiro. Ele era filho de Wal-
NADA
PESSOAL,
APENAS
demir Garcia, o Miro, um dos principais nomes do
jogo do bicho carioca e ex-presidente da escola
de samba Salgueiro. Entre as pautas discutidas
na Câmara dos Deputados está a anistia aos acu-
sados de prática de exploração ilegal de jogos.
Além das ligações ilícitas, a legalização de jo-
gos de azar preocupa as autoridades por conta
dos riscos do aumento de práticas criminosas,
como a lavagem de dinheiro. "O intuito da la-
vagem é criar mecanismos para retirar a apa-
rência da ilicitude do dinheiro", diz João Santa
Terra, coordenador de segurança institucional
do Mi nistério Público de São Pa ulo. Assim, o
dinheiro originado de um crime seria injetado
em uma empresa — como um cassino — para
ganhar a camuflagem de legalidade.
NEGÓCIOS
Co m a possível legalização, crimes ligados
aos jogos de azar preocupam autoridades
Ma gno Jo sé Santos de Sousa, do In stituto
Jogo Le gal, re futa a associação ent re dinheiro
ilícito e a at ividade de casas de apostas. "A s
empresas que operam cassinos são multina-
cionais cotadas na Bolsa de Valores que, se co-
mete re m um erro em uma jurisdição, perdem
o
di re ito de at uar em outros países", afirma .
história do Campeo-
APOSTA S FORAM
RESPONSÁVEIS
POR JOGO SUJO
A
MANIPULAÇÕ ES
MANCHARAM
CO NQUISTAS
NO FUTEBOL
26
nato Br asileiro de
2005 teve de ser reescrita
em função de um escân-
dalo que abalou a imagem
do futebol do país: uma in-
vestigação co ncluiu que o
árbitro Ed ílson Pe re ira de
Carvalho combinara resul-
tados co m um grupo de
apostadores. As 11 parti-
das apitadas por Carvalho
foram anuladas e jogadas
no va mente — no fim do
ano, o Corinthians se sa-
grou campeão do torneio.
Pe dro Tr engoruse ,
professor da FG V, en u-
mera medidas para que
episódios como esse não
se repitam caso as apos-
tas sejam legalizadas.
"É necessário haver cam-
panhas educativas, moni-
toramento do padrão das
apostas e punição dos
en vo lvidos em manipu-
lações de resultados."

EUA China Japão Itália Austrália Re ino Un ido Canadá Alemanha

Cingapura

Co reia Espanha França

do Sul

Foto: Getty Im ages/Dorling Kindersley • Ícone: Gabriela Namie

"SÓPORHOJE EV ITAREI A PRIMEIRA APOS TA"

GRANDES PERDEDORES

Estados Unidos lideram entre os países cujos habitantes mais perdem dinheiro co m apostas (em bilhões de dólares)

120

100

80

60

40

20

Fo nte: H2 Gambling Capital

100 80 60 40 20 Fo nte: H2 Gambling Capital TRATA MENTO O In stituto de

TRATA MENTO

O In stituto de Ps iquiatria da USP conta co m um ambulatório para jogadores co mpulsivos

Jogadores compulsivos se reúnem para tratar doença

L

LO CALIZAD A NO BA IRR O d a Armênia, em São Paulo, uma sala comercial funciona como escritório dos Jo ga dores Anônimos, irman- dade criada em 1957 nos Estados

Unidos a fim de reunir pessoas que

apresentam compulsão para realizar

apostas. O programa de recupera-

ção é inspirado nos 12 passos dos

AlcoólicosAnônimos, com realização

de encontros periódicos para que os participantes compartilhem as ex- periências e lutem co ntra o vício. "O sonho do jogador é ganhar um bom dinheiro e ter uma vida tranqui- la. Mas quando ganha alguma coisa, ele esconde o dinheiro, ele mente, tudo para jogar no dia seguinte", diz um dos membros do grupo que preferiu não se identificar e está há um ano e meio sem fazer apostas. Os membros da irmandade reve- lam que a maioria dos participantes é de homens, embora haja cresci- mento da participação de mulheres idosas nas reuniões.As máquinas ca- ça-níqueis, por proporcionarem re- sultados imediatos, são as principais responsáveis pelo desenvolvimento do vício. "Quando paramos de jogar redescobrimos a vida, porque antes tudo girava em torno do jogo", con- ta um membro que está há mais de 15 anos em abstinência. "Mas essa doença não tem cura: da mesma maneira que eu saí, se vacilar posso voltar e ser pior do que era antes."

Le ia mais sobre o tema na página 71

Foto: Getty Im ages/Long Ha

Foto: Getty Im ages/Long Ha PÔQUER A ARTE DO BLEFE O pôquer é considerado um jogo

PÔQUER

A ARTE DO BLEFE

O pôquer é considerado um jogo de estratégia por ex igir habilidade de seus prat icantes

orte ou estratégia? Apesar de a cultura popular associar

S os torneios de pôquer às m esas de cassinos, a re aliza-

ção de campeonatos é permitida no Br asil, já que as leis nacionais co nsideram o jogo de cartas co mo uma at ividade que en vo lve a habilidade e o ra ciocínio dos jogadores. “O pô quer co meçou de maneira amadora no país e hoje temos co mpetições com estrutura profissional”, afirma Leo Bell o, autor do livro Apren- dendo a Jo gar Po ke r (Editora Best Seller). Fo rmado em Me dicina, Bello seguiu carreira co mo jogador de pôquer e ajudou a criar o BSOP, torneio brasilei ro que re úne jogado re s profi ssionais e ofe- re ce uma premiação milionária aos primeiros co locados.

re ce uma premiação milionária aos primeiros co locados. As principais co mbinações do Texas Ho

As principais co mbinações do Texas Ho ld'em, principal modalidade nos torneios de pôquer

UM / DOIS PA RES

"ONE PA IR"

TRINCA

"THREE OF

A KIND"

SEQUÊNCIA

"STRAIGHT"

FLUSH

"FLUSH"

Um par de

Três cartas

Cinco cartas

Cinco cartas

cartas iguais

iguais

de naipes

de mesmo

e duas

diferentes em

naipe, mas

diferentes

sequência

não em

 

sequência

Co mbinações

não em   sequência Co mbinações 1.098.240 "TWO PAIRS" Dois pares de cartas ig uais

1.098.240

"TWO PAIRS"

Dois pares de cartas ig uais

1.098.240 "TWO PAIRS" Dois pares de cartas ig uais Co mbinações Combinações Co mbinações 10.2 00
1.098.240 "TWO PAIRS" Dois pares de cartas ig uais Co mbinações Combinações Co mbinações 10.2 00

Co mbinações

Combinações

Co mbinações

10.2 00

Co mbinações

5.108

123.552 54.912

ST RAIGHT

FLUSH

Cinco cartas do mesmo naipe e em sequência

Combinações

FULL

HOUSE

"FULL

"STRAIGHT

HOUSE"

FLUSH"

Um a trinca e uma dupla

Co mbinações

3.744 36

Fonte: Aprendendo a Jogar Poker (Best Seller)

3.744 36 Fonte: Aprendendo a Jogar Poker (Best Seller) C O M T O D A

COM TO DA S AS FICHAS NA MESA Popularização do pôquer rende premiações milionárias e destaca brasileiros

Dono das cartas

A maior premiação de

um torneio aconteceu em

2012, quando o iraniano

Antonio Esfandiari

ganhou US$ 18,3 milhões

Só para milionários

O torneio Monte Carlo

One Drop Extravaganza

de 2016 exigia um valor

de entrada de 1 milhão de

euros para os jogadores

Joga das virtuais

Empresa proprietária do

site PokerStars, a cana-

dense Amaya lucrou

US$ 55,5 milhões no pri-

meiro trimestre de 2016

Campeonato nacional

Disputado na cidade de

São Paulo, o torneio bra-

sileiro BSOP Millions 2016

reuniu mais de 2,5 mil jo-

gadores profissionais

É do Brasil!

Alexandre Gomes, André

Akkari e Thiago Decano são

os três brasileiros que já

conquistaram o campeona-

to mundial de pôquer

ILUSTR AÇÃO YORKA
ILUSTR AÇÃO
YORKA

SUMÁRIO

DE MATÉRIAS

SUMÁRIO DE MATÉRIAS CAPA: DESIGUALDADE FAZ MAL À SAÚDE P. 30 ENSAIO: RINOCERONTES P. 42 ENTREVISTA:
SUMÁRIO DE MATÉRIAS CAPA: DESIGUALDADE FAZ MAL À SAÚDE P. 30 ENSAIO: RINOCERONTES P. 42 ENTREVISTA:

CAPA: DESIGUALDADE FAZ MAL À SAÚDE P. 30

DE MATÉRIAS CAPA: DESIGUALDADE FAZ MAL À SAÚDE P. 30 ENSAIO: RINOCERONTES P. 42 ENTREVISTA: RONALDO

ENSAIO: RINOCERONTES P. 42

FAZ MAL À SAÚDE P. 30 ENSAIO: RINOCERONTES P. 42 ENTREVISTA: RONALDO LEMOS P. 48 MULHERES

ENTREVISTA: RONALDO LEMOS P. 48

ENSAIO: RINOCERONTES P. 42 ENTREVISTA: RONALDO LEMOS P. 48 MULHERES DE OURO P. 52 RENDA BÁSICA

MULHERES DE OURO P. 52

RENDA BÁSICA P. 58

P. 42 ENTREVISTA: RONALDO LEMOS P. 48 MULHERES DE OURO P. 52 RENDA BÁSICA P. 58

OUTRA TEORIA DA GRAVIDADE P. 64

P. 42 ENTREVISTA: RONALDO LEMOS P. 48 MULHERES DE OURO P. 52 RENDA BÁSICA P. 58
30
30

REPORTAGEM MARÍLIA MARASCIULO

EDIÇÃO GIULIANA DE TOLEDO

FOTOS DULLA

DESIGN INARA NEGRÃO

G

G

A

G A LILEU ADVE RTE:

DE SI GU AL DA DE FA Z MAL À SA ÚDE

DE SI GU AL DA DE FA Z MAL À SA ÚDE
A SUA LO NGEVIDADE DEPENDE DA DO SEU VIZINHO. A CIÊNCIA MOSTRA QUE TO DOS,

A SUA LO NGEVIDADE DEPENDE DA DO SEU VIZINHO. A CIÊNCIA MOSTRA QUE TO DOS, RICOS E POBRES, SÃO MENOS SAUDÁV EIS EM PAÍSES COM GRANDES DIFERENÇAS SOCIAIS COMO O BRASIL

MOSTRA QUE TO DOS, RICOS E POBRES, SÃO MENOS SAUDÁV EIS EM PAÍSES COM GRANDES DIFERENÇAS
31
31

NO

NO INVERNO de 1846, uma epidemia de tifo, doença bac- teriana transmitida por pul- gas que causa febre alta, de- lírios e erupções cutâneas, assolava a região da Silésia, norte da Alemanha, provo-

cando a morte de mais de 15 mil pessoas. Sem saber o que fazer, o governo prussia- no enviou ao local uma comi- tiva chefiada pelo jovem mé- dico polonês Rudolf Virchow. Em 16 dias, ele chegou a uma conclusão: a epidemia era evitável, pois tinha como cau- sas a pobreza, a fome, a cor- rupção e a desigualdade. Além de formular leis que funcionavam só no papel, a aristocracia não reconhecia os mineradores de classes mais baixas como seres hu- manos. “É preciso dei-

xar claro que não é mais

32
32

uma questão de tratar um ou outro paciente com remé- dios, comida, moradia e rou- pas”, escreveu o médico em seu relatório. “Se nós de fato quisermos intervir na Silésia, temos de promover o avan- ço de toda a população e es- timular um esforço comum.” Naquela época, quando as cau- sas das doenças ainda eram desconhecidas e acabavam sendo atribuídas a miasmas, as ideias de Rudolf Virchow provocaram incômodo. No verão de 1986, uma doença que causava febre alta, manchas e dores no cor-

po afetava crianças e adultos na Baixada Fluminense, norte do Rio de Janeiro, naquele que seria o retorno das epidemias de dengue no Brasil. Um mi- lhão de pessoas foram amea- çadas só no Rio; o total de ca- sos chegou a 33.568 no país, 12.480 dos quais na capital fluminense. As condições da Baixada, com alta insalubrida- de, aglomerados de pessoas e falta de informação sobre a prevenção — eliminar focos de água parada, essenciais para a reprodução do mos- quito —, eram perfeitas para a proliferação da doença.

Trinta e um anos depois, pouco mudou. A dengue se espalhou pelo país e chegou a capitais como São Paulo, onde bairros como a Brasilândia, periferia na zona norte re- cordista no número de casos na cidade, convivem com ela há pelo menos seis anos. Há dois, transformou-se em uma nova epidemia: em seu auge, em 2015, foram 3,6 mil casos a cada 100 mil habitantes — para se ter uma ideia, uma doença é considerada epidê- mica quando existem mais de 300 casos por 100 mil habi- tantes em uma região.

Lixões e esgoto a céu aber- to, casas coladas umas nas outras, falta de informação
Lixões e esgoto a céu aber- to, casas coladas umas nas outras, falta de informação

Lixões e esgoto a céu aber- to, casas coladas umas nas outras, falta de informação sobre como se prevenir e fal- ta de drenagem das águas de chuvas de verão permanecem cenários perfeitos para a pro- liferação do mosquito, que depois chegou a outros bair- ros da cidade. Na Brasilândia, os moradores já não se per- guntam se terão dengue, mas quando. E, enquanto a situa- ção permanecer igual àquela da Baixada em 1986, não é

exagero dizer que eles têm ra- zão. “As epidemias não apon- A dengue está aí para mostrar tam sempre para deficiências isso. No auge da epidemia em da sociedade? Pode-se consi- São Paulo, em 2015, o núme- derar como causas as condi- ro de casos por 100 mil ha- ções atmosféricas, as mudan- bitantes chegou a quase 400 ças cósmicas gerais e coisas no Itaim Bibi, um dos bairros parecidas, mas em si e por si mais ricos da cidade. esses problemas nunca cau-

sam epidemias. Elas só po-

dem existir onde, devido a Szwarcwald é editora do suple- condições sociais de pobreza, mento A Panorama of Health

o povo viveu durante muito Inequalities in Brazil (Um

tempo em uma situação anor- Panorama das Desigualdades

mal”, disse Virchow no século em Saúde no Brasil), publica- 19, em uma constatação que do no International Journal

for Equity in Health no fim

parece cada vez mais atual.

O médico polonês é tido do ano passado. Nele estão como um dos pais da medi- reunidas análises realizadas cina social, área que estuda com base na última Pesquisa como a estrutura social de- Nacional de Saúde, divulgada termina a saúde da população. em 2013. Um dos resultados Se em 1846 Virchow foi con- que mais chamam a atenção siderado revolucionário por é o de que, embora a saúde apontar a pobreza como de- do brasileiro tenha melhora- terminante de uma epidemia, do na sua totalidade, ainda algo que atualmente é aceito existe uma diferença muito

na medicina, os pesquisadores grande entre a expectativa de da área enfrentam hoje outro vida de cada região.

desafio: mostrar como a de-

Pelas estatísticas, os mora-

sigualdade social prejudica a dores da região Sudeste, por saúde da sociedade toda, não exemplo, vivem em média

só a dos mais pobres.

cinco anos a mais do que os

“Não adianta você se escon- do Nordeste. Mesmo assim, der atrás de muros em con- os habitantes do Sudeste têm

domínios, uma hora as conse- vida mais curta que a possível quências vão chegar”, afirma nos países nórdicos, conheci-

a pesquisadora da Fiocruz dos pelos bons índices

Celia Landmann Szwarcwald. de igualdade social.

46%

é o quanto as chances de morrer antes dos 85 anos são maiores para os mais pobres, segundo pesquisa com 1,7 milhão de pessoas

morrer antes dos 85 anos são maiores para os mais pobres, segundo pesquisa com 1,7 milhão

PROBLEMA MUNDIAL

33
33

63,38

60,79

53,5

,48

51,67

50,45

51

48,53

48,21

43,15

42,67

,59

42,1

,06

41

,48 51,67 50,45 51 48,53 48,21 43,15 42,67 ,59 42,1 ,06 41 PA ÍSES MAIS DE

PA ÍSES MAIS DE - SIGUAIS TENDEM A TER EXPEC - TAT IVA DE VIDA MENOR; COM - PA RE A REALI - DA DE DE ALGUNS PA ÍSES:

35,15

38,81

37,85

37,59

41

29,08

30,13

32,57

27,74

36,68

27,32

33,68

34,94

33,1

35,16

35,89

32,11

ÍNDIC E DE IG UA LDADE GINI*

Áf rica do Sul

Zimbábue

Re pública Democrática do Congo

Ha iti

Índia

Bu tão

Rússia

Paraguai

Co lômbia

Brasil

Ta ilândia

Vietnã

Argentina

México

Estados Un idos

Costa Ri ca

Di namarca

Alemanha

Re ino Un ido

Finlândia

Grécia

Chile

Suécia

Canadá

Austrália

França

It ália

Espanha

Ja pão

EXP EC TAT IVA DE VIDA, EM ANOS

57,18

57,5

58,66

62,75

68,01

69,47

70,37

72,92

73,99

74,4

74,42

75,63

,16

,72

78,94

79,4

80,55

80,84

81,06

81,13

81,29

81,5

81,96

81,96

82,25

82,37

82,69

83,08

83,59

76

76

RICOS E POBRES DE SAÚDE

A parcela mais abastada do Brasil vive, em média, menos que a mais pobre da Suécia

HOMEM

vive, em média, menos que a mais pobre da Suécia HOMEM MULHER Expectativa de vida na

MULHER

Expectativa de vida na Suécia, por faixa de re nda**

Um quarto mais pobre da população

76

por faixa de re nda** Um quarto mais pobre da população 76 82,1 Segundo quarto mais
por faixa de re nda** Um quarto mais pobre da população 76 82,1 Segundo quarto mais
por faixa de re nda** Um quarto mais pobre da população 76 82,1 Segundo quarto mais
por faixa de re nda** Um quarto mais pobre da população 76 82,1 Segundo quarto mais

82,1

Segundo quarto mais pobre 81,3

83,7

Segundo quarto mais rico

quarto mais pobre 81,3 83,7 Segundo quarto mais rico 83 84,7 Um quarto mais rico 8
quarto mais pobre 81,3 83,7 Segundo quarto mais rico 83 84,7 Um quarto mais rico 8

83

84,7

Um quarto mais rico

84,4

86,4

quarto mais rico 83 84,7 Um quarto mais rico 8 4 , 4 86,4 Expectativa de
quarto mais rico 83 84,7 Um quarto mais rico 8 4 , 4 86,4 Expectativa de

Expectativa de vida no Brasil, por faixa de re nda

Ze ro a meio salário mínimo

65

70

Mais de meio a um salário

63 72

salário mínimo 65 70 Mais de meio a um salário 6 3 72 Mais de um
salário mínimo 65 70 Mais de meio a um salário 6 3 72 Mais de um

Mais de um a dois salários

67

meio a um salário 6 3 72 Mais de um a dois salários 67 73 Mais
meio a um salário 6 3 72 Mais de um a dois salários 67 73 Mais

73

Mais de dois a cinco salários

69

um a dois salários 67 73 Mais de dois a cinco salários 69 74 Mais de
um a dois salários 67 73 Mais de dois a cinco salários 69 74 Mais de

74

Mais de cinco a dez salários

72

75

Mais de dez salários

75

77

*Quanto mais próximo de ze ro, mais igualit ário é o país | **Calculada para homens e mulheres aos 30 anos FO NTES: Banco Mu ndial, St atistics Sweden (2013) e Ipea co m base nos dados do Censo de 2010

O problema, no entanto,

não está restrito ao Brasil,

mostra outro estudo publi-

cado em fevereiro na revista

médica britânica The Lancet.

Feita com 1,7 milhão de pes-

soas de Reino Unido, França,

Suíça, Portugal, Itália, EUA e

Austrália, a pesquisa mostrou

que o risco de morrer antes

dos 85 anos é 46% maior en-

tre os mais pobres. “Embora

a saúde dos mais ricos não

esteja necessariamente amea-

çada, as desigualdades têm

um custo alto para a socie-

dade e para os sistemas de

saúde, então, a longo pra-

zo, todos pagam por elas”,

diz a epidemiologista Silvia

Stringhini, da Universidade

de Lausanne, na Suíça, uma

das autoras do estudo.

No mais recente Relatório

Mundial de Ciências Sociais,

divulgado em março, a Organi-

zação das Nações Unidas para

a Educação, a Ciência e a Cul-

tura (Unesco) também desta-

ca que “o acesso desigual à

assistência médica pode ser

uma fonte de descontenta-

mento social e político”.

CONTRA A CORRENTE

A associação entre pobreza

e doença parece óbvia, mas

a discussão proposta pelos

especialistas vai além do ris-

co de contrair doenças e tra-

tá-las. Para entendê-la, é pre-

ciso primeiro compreender

o que é saúde. Segundo o

conceito formulado em 1947

pela Organização Mundial da

Saúde (OMS), “é o estado de

mais completo bem-estar fí-

sico, mental e social, e não

apenas a ausência de enfer-

midade.” O campo abrange a

biologia humana, na qual en-

tram a herança genética e os

processos biológicos do enve-

lhecimento; o meio ambiente,

que vai desde o local de mo-

radia até o de trabalho e a ali-

mentação disponível; o esti-

lo de vida, do qual resultam

decisões como fumar, beber,

praticar exercícios; e a orga-

nização da assistência de saú-

de, que são os hospitais, mé-

dicos, medicamentos.

E aí tudo começa a com-

plicar. Dentro da própria me-

dicina, existem aqueles que,

embora reconheçam a in-

fluência do ambiente na saú-

de, atribuem maior importân-

cia às causas biológicas das

doenças. É uma corrente de

pensamento que surgiu no sé-

culo 17. Um dos maiores pre-

cursores foi o médico inglês

Thomas Sydenham, um dos

primeiros a valorizar a ob-

servação e a classificação das

doenças para o diagnóstico e

tratamento, em vez de buscar

as causas. Sydenham influen-

e tratamento, em vez de buscar as causas. Sydenham influen- “A SDESIGUALDADESTÊMCUSTO ALTO PA RA OSSISTEMASDESAÚDE.A

“A SDESIGUALDADESTÊMCUSTO ALTO PA RA OSSISTEMASDESAÚDE.A LO NGO PR AZO, TODOS PAGAMPORELAS”

Silvia Stringhini,

epidemiologista

ciou outro pensador, John

Locke, cujas teorias, por sua

vez, ainda são adotadas na

medicina. Pai do liberalismo

britânico, Locke acreditava

que o indivíduo conta só com

suas próprias forças para ter

seu direito à vida garantido.

Médicos que concordam

com Locke compartilham a

ideia de que cada pessoa é

responsável pelas escolhas

relacionadas à própria saúde.

Essas escolhas podem resul-

tar nos chamados fatores de

risco, comportamentos que

têm associação causal direta

com a doença. Por exemplo,

fumar é um fator de risco para

doenças como câncer de pul-

mão, ou seja, a probabilidade

de um fumante ter câncer de

pulmão é muito maior do que

a de um não fumante.

Os pesquisadores de medici-

na social acreditam que esses

entendimentos são limitados e

defendem a importância de se

considerarem os determinan-

tes sociais, que são o que leva

as pessoas a terem tais com-

portamentos. Ao contrário dos

fatores de risco, os determinan-

tes são algo que foge do con-

trole da pessoa. Os principais

são a classe social, o gênero, a

etnia, a riqueza e as condições

de moradia. “Eles afetam os in-

divíduos de maneiras diferen-

tes e não necessariamente têm

uma relação causal direta com

a doença, mas favorecem cer-

tos estados de saúde”, explica a

epidemiologista Rita Barradas

Barata, autora do livro Como

e por que as Desigualdades

Sociais Fazem Mal à Saúde

(Editora Fiocruz).

É como um funil: os de-

terminantes podem gerar

fatores de risco que levam

a doenças. Pressionando o

funil pela boca, estaria a

desigualdade social.

35
35

“Quando falamos em desi- gualdade social, geralmente nos referimos a situações que implicam algum grau de injus- tiça, isto é, diferenças que são injustas porque estão associa- das a características que siste- maticamente colocam alguns grupos em desvantagem com relação à oportunidade de ser e se manter sadio”, escreve Rita Barradas Barata. E situações como essas estão se agravan- do no Brasil: com alta no de- semprego, em março, pela pri- meira vez em 22 anos, o indíce Gini calculado pela Fundação Getúlio Vargas mostrou au- mento da desigualdade.

SAÚDE NÃO TEM PREÇO

Ora, então basta ser rico para ter saúde? Não. A ri-

queza costuma ser associa- da à garantia de melhor qua- lidade de vida, o que leva a melhores níveis de saúde e

à ausência de fatores de ris-

co para doenças como as in-

fecciosas, relacionadas prin- cipalmente à higiene. Desde os anos 1980, no entanto, es- tudos mostram que a espe- rança de vida ao nascer está mais ligada a indicadores de distribuição de renda do que ao Produto Interno Bruto. O epidemiologista britâ- nico Richard Wilkinson, da Universidade de Nottingham,

é um dos maiores pesquisado-

res do tema. No livro O Nível (Civilização Brasileira), em

parceria com Kate Pickett, Wilkinson demonstrou que períodos com aumento da es- perança de vida na Inglaterra coincidiram com a primeira e

a segunda guerras: observou-

-se ganho de 6,6 e 6,5 anos,

respectivamente. Esquisito, considerando que o padrão de vida e os serviços de

saúde foram muito pre-

36
36

judicados pelos conflitos. Mas houve pleno emprego e gran- de redução na desigualdade de renda. O salário das clas- ses mais baixas cresceu 9% e o da classe média caiu 7%. Wilkinson mostra ainda que, a partir de certo limiar, o aumento no PIB per capi- ta não significa melhora na saúde. Isso explica por que um país pode ser muito rico e, ainda assim, não ter popu- lação saudável ou expectativa de vida alta. O maior exem- plo são os EUA. O país tem um dos maiores PIBs per ca- pita (US$ 55.836,79), um dos maiores gastos com saúde por habitante (US$ 9.402,54) e uma alta porcentagem do PIB destinada a esse fim (17,14%). Mesmo assim, os americanos vivem quase cinco anos a me- nos que os japoneses, que têm US$ 32.477,22 de PIB per ca- pita, gastam com saúde, por pessoa, US$ 3.702,95 e dedi- cam 10,23% do PIB a ela. Mesmo comparados a paí- ses menos desenvolvidos, como o Brasil, os Estados Unidos não se saem bem quando o assunto é saúde. Por aqui, temos PIB per ca- pita de US$ 8.8538,59, gas- tamos menos de US$ 1.000 com saúde por pessoa e dedi- camos 8,32% do PIB a isso. No fim, vivemos quatro anos a menos que os americanos. Outro dado interessante, este da pesquisa coordenada por Szwarcwald, é o de que apenas 4,7% dos brasileiros que buscam atendimento mé- dico não são atendidos. Nos EUA, o índice varia: 15,3% en- tre quem possui plano priva- do, 42,1% dos que são cober- tos pelo Medicaid, programa para indivíduos de baixa ren- da, e 84,6% dos que não têm nenhum tipo de cobertura.

500

MIL PESSO AS

morrem por ano no mundo com doenças negligenciadas

PESSO AS morrem por ano no mundo com doenças negligenciadas 50 CENTAV OS de dólar é

50

CENTAV OS

de dólar é o custo médio para tratar cada pessoa com DT N por ano

149

países do

mundo são

atingidos

pelas doenças

negligenciadas

ESQUECID AS , VENCID AS

Algumas doenças são consideradas pela OMS doenças tropicais negligenciadas (DTN), pois não recebem a atenção necessária. Veja as sete que mais afetam o Brasil

MAS NÃO

necessária. Veja as sete que mais afetam o Brasil MAS NÃO 4 1 DENGUE A doença,
necessária. Veja as sete que mais afetam o Brasil MAS NÃO 4 1 DENGUE A doença,
4 1
4
1

DENGUE

A doença, que pode ser

causada por quatro tipos diferentes de vírus, é transmitida pelas fê meas do mosquito Aedes aegypti . Seus principais sintomas são fe bre alta (a cima de 39°C) e dores no corpo, que podem evo- luir para casos mais gra- ves de hemorragias. Entre 2002 e 2011, a dengue se co nsolidou co mo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Em 2013, ocorreu o maior surto no país, co m cerca de 2 milhões de casos.

2
2

DOENÇA DE CHAGAS Causada por um proto- zoário transmitido por um inseto, o barbeiro, provoca sintomas leves, como inchaço e febre. Se não tratada, porém, pode se tornar crônica e

causar insuficiência cardía- ca. A estimativa do Minis- tério da Saúde é de que existam entre 2 milhões

e 3 milhões de pessoas infectadas no país.

3
3

LEISHMANIOSE Existem dois tipos de

leishmaniose: a que at aca

a pele e as mucosas e a

que ataca os órgãos inter- nos — principalmente o fígado, o baço, os gâ nglios linfát icos e a medula óssea. Os sintomas incluem febre, emagreci- mento, anemia e hemor-

ragias. É transmitida pelo chamado mosquito-palha

e at inge aprox imada-

mente 3,5 mil pessoas no Brasil, país co m a maior incidência da doença na América Latina.

ESQUIS TO SS OMOSE

É mais co nhecida co mo

barriga d’água, pois entre os sintomas está o inchaço abdominal. O parasita tem co mo hospedeiro caramujos de água doce que eliminam as larvas que co ntaminam os humanos e se instalam no fígado e no intestino. No Brasil, estima-se que 1,5 milhão de pessoas vivam em áreas co m risco de co ntrair a doença.

5
5

MALÁRIA Ou tra doença transmitida por mosquito, tem sinto- mas parecidos co m os da gripe, co mo fe bre e calafrio. Se não tratada, pode provo- car insuficiência re spirató- ria, co ma e leva r à morte. No Brasil, por ano, há ce rc a de 150 mil casos, a maioria deles na Amazônia. Ma s os números vê m diminuindo:

em 2015, foi observada a menor quantidade de casos nos últimos 35 anos.

6
6

HANSENÍASE Po pularmente co nhecida

co mo lepra, a doença causa danos aos nervos e à pele. Causada por uma bactéria

e transmitida pela saliva

ou por via re spiratória,

tem cura e é prevenida pela va cina BCG, que fa z parte do Prog ra ma Na cional de Im unizações. Me smo assim,

o Brasil ainda registra a

segunda maior incidência no mundo, co m cerc a de 30 mil novo s casos por ano.

7
7

TUBERCULOSE

É uma das doenças mais

antigas, que ainda atinge milhares de pessoas no mundo inteiro — mais precisamente, 10 milhões

por ano. Causa febre, fadiga

e tosse crônica co m catarro ou sangue e é transmitida pelas vias aéreas ou pela

saliva. No Brasil, segundo

o Mi nistério da Saúde,

há ce rc a de 70 mil casos por ano e 4,5 mil mortes.

ASAÚDEPÚBLICANO BRASILPODE PERDERMAISDER$430 BILHÕESEM INVEST IMENTOSEMDUASDÉCADAS E A GENTE COM ISSO? A comparação

ASAÚDEPÚBLICANO BRASILPODE PERDERMAISDER$430 BILHÕESEM INVEST IMENTOSEMDUASDÉCADAS

E A GENTE COM ISSO?

A comparação entre as taxas de obesidade nos países é um dos exemplos de como a desigual- dade afeta a saúde. Classificada atualmente como uma epide- mia, ela atinge 18% da popu- lação mundial. Ainda que haja obesos saúdaveis, a obesidade é considerada um fator de ris- co para hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e al- guns tipos de câncer. Seguindo uma lógica causal simples, os índices de obesida- de deveriam ser maiores nas camadas mais ricas, que têm maior poder aquisitivo para exagerar na comida, e atingir todos os países ricos de forma homogênea. Não é o que acon- tece. Além de afetar principal- mente os mais pobres, a doen- ça tem índices que parecem acompanhar os da desigualda- de social, ou seja, países mais desiguais são mais obesos. De acordo com a Organi- zação para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é possível traçar uma relação direta entre as crises econômicas e o au- mento dos índices de obesi- dade. Na crise econômica de 2008, por exemplo, o consu- mo de frutas e legumes nos EUA despencou 5,6% para cada 1% de aumento no índi- ce de desemprego. “Em saú- de, as coisas não caem

do céu. Uma pessoa

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não se torna obesa ou hiper- tensa de uma hora para ou- tra”, afirma Barata. Uma explicação é encontra- da na epigenética, campo que estuda a relação da herança genética com o meio ambien- te. De acordo com a teoria, condições ambientais ruins aumentam o risco de adoe- cer entre aqueles que já têm predisposição genética para determinadas doenças. Ao mesmo tempo, o orga- nismo pode ser modificado por processos adaptativos ao meio ambiente. No exem- plo da obesidade, Wilkinson cita a hipótese do “fenótipo poupador”. Ela sugere que, quando uma grávida está es- tressada, o desenvolvimento do feto prepara-o para uma vida em um ambiente estres- sante. Os bebês nessa situa- ção nascem menores e com taxas metabólicas mais bai- xas, como se fossem viver em um local onde a comida é escassa. O problema é que a oferta de alimento não é es- cassa. Por isso, esses bebês se tornam mais propensos a obesidade, diabetes e doen- ças cardiovasculares. “Os impactos das desigual- dades são diretos sobre os mais pobres, mas afetam as demais camadas da sociedade porque provocam deteriora- ção da vida pública, perda do senso de comunidade e o au-

mento da violência”, destaca Barata. Em outras palavras, o estresse está aí para todo mundo. E os efeitos dele no corpo são bastante conheci- dos na medicina: aumento do risco de doenças cardiovas- culares e, principalmente, de transtornos mentais como de- pressão e ansiedade. Segundo a OMS, o Brasil é o quinto país que mais sofre com essas doenças no mundo — atrás de China, Índia, Estados Unidos e Rússia, to